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Segunda-feira, 23 de Maio de 2011
HUMBERTO PINHO DA SILVA - O VALOR DO MÉRITO

                       

 

 

Que o mérito de cada um, depende do lugar que se ocupa, todos nós sabemos. Sabia também, pois do alto do seu campanário tudo observava, o relógio falante dos Apólogos de D. Francisco Manuel de Melo; e também todos sabemos, que o lugar que se ocupa, depende da sorte, mas mormente, dos amigos que se possui, sejam eles: políticos, industriais ou simples capitalistas.

A propósito do exórdio, lembrei-me da carta que Mme Sévigne enviou a M. de Pompone, datada a 1 de Dezembro de 1664, em que conta a verídica passagem do diálogo ocorrido entre o todo-poderoso Luís XlV, rei de França, e o marechal de Gramont.

Certa vez, o rei, que admirava os poetas e principalmente as composições poéticas, deu-se para versejar, escrevendo coplas que não mereciam um chavo, e mostrou-as aos mais íntimos, para colher opiniões.

Foi unânime, por todos, que o rei tinha talento e que, com o tempo, seria poeta de mérito, confirmando o que se costuma asseverar: usa e serás mestre.

Ora Luís XlV sabia, que nas cortes - e não só - ninguém se atreve a contradizer o rei, já que raramente aparece um Frei Bartolomeu dos Mártires, que desafie os digníssimos e reverendíssimos cardeais.

Certo dia Luís XlV quis experimentar a sinceridade de um dos ilustres vassalos, e encontrando o marechal Gramont, inqueriu:

- Acabo de receber um poema, para dar opinião. Para mim é uma sensaboria, sem nexo; uma bodega!; mas queria saber seu parecer, já que é pessoa culta e sincera.

O marechal pegou na lauda de papel; leu pausadamente os versos, e disparou:

- Tem Vossa Majestade razão; isto é vergonhoso e um atrevimento de quem lho endereçou, a não ser que seja tolo.

E acrescentou:

- Nunca li versos tão mal alinhavados e ridículos.

Riu-se o rei a bom rir, e rematou com estas palavras:

- Pois sabeis que esta porcaria foi escrita por mim.

Desculpou-se, aflito, o sábio marechal, declarando que o parecer fora apressado, e que não tivera tempo de apreciar devidamente. Que aguardasse, pois examinaria melhor e depois lhe daria sincera opinião.

Aqui tem o leitor como é avaliado o mérito de cada um, seja na empresa, seja na arte, seja na literatura. O mérito depende do lugar e influencia que se tem. É assim que a crítica, normalmente, avalia, e é assim que nas empresas, os gestores avaliam o mérito dos subalternos, de harmonia com cores políticas e “cunhas” que recebem.

Quem disser o contrário: mente, ou sabe por experiência própria, que tenho razão.

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -  Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:14
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VICTORIA LUCÍA ARISTIZÁBAL - A LA VIRGENCITA DE FATIMA

 

 

 

 

¿Cómo era?, le pregunta Lucía a Jacinta

-Una Madre, una Luz, la de la dulce risa-

¿En el paisaje, pregunta Francisco o la brisa?

-Como las almas más bellas, más Infinita-

 

 

 

Tan dulce, tan sedante y tan distinta

Como un festival del cielo en una misa

Con Sus manos abiertas en lírica sonrisa

Y Sus palabras con ornamentales tintas

 

 

 

Nos entrega el corazón para sembrarlo

Para perdonarnos todos los pecados

Y para ser el cielo puro del amor eterno

 

 

 

 

En cada casa, en surco de terruño tierno

Se quedará Su memoria para contarlo

Para los tiempos finales ya acordados

 

 

II

 

De tanto pedir por todos los rincones

 

De ver surfir la humanidad laxa y lenta

Es Su Rosario el ofrecimiento que regenta

A las almas que le ofrendan oraciones

 

 

 

 

Que grandeza como da sus bendiciones

Para vencer todo mal que al alma atenta

Con recio corazón que su virtud ostenta

En este Mayo donde brotan Sus flores

 

 

 

 

Es ya la hora, nos dice, para ser puro

en el sendero de una vida de conciencia

quién no peca ni se niega en su cabeza

 

 

 

 

¡Amar! es la oración de la grandeza

El verbo que nos llena de abundancia

 El encuentro con Dios, el más seguro

 

 

Bogotá Colombia

Mayo 13 de 2011

 

VICTORIA LUCÍA ARISTIZÁBAL 



publicado por Luso-brasileiro às 11:45
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ACADEMIA FEMININA DE LETRAS E ARTES DE JUNDIAÍ, PROMOVE PALESTRA

                        “OS 90 ANOS DE PAULO FREIRE

 

A Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí (AFLAJ) realiza, no dia 28 de maio (sábado), às 16h, no Atelier de Artes Alice Vilhena, situado à Rua Barão de Teffé, nº294, a palestra “Os 90 anos de Paulo Freire”.

Este é o segundo de uma série de encontros a serem realizados do decorrer de 2011, promovidos pela AFLAJ, e que fazem parte do calendário de eventos relativos às comemorações dos 40 anos de fundação da entidade, que se dará em abril de 2012.

As palestras são abertas ao público e para participar basta levar1 kgde alimento não perecível, que será doado à Associação Protetora de Menores.

O convidado especial para esta ocasião é José Renato Polli, doutor em Educação, professor universitário e diretor do Colégio Paulo Freire.

Em 2011 Paulo Freire faria 90 anos. Vários eventos estão sendo organizados em todo o Brasil para comemorar seu aniversário, que seria no dia 19 de setembro e também para reafirmar a importância de sua obra para o pensamento pedagógico mundial. Considerado o maior educador brasileiro de todos os tempos, Paulo Freire propunha uma educação libertadora, fundada no diálogo, na liberdade e como ferramenta possível para ajudar a transformar o mundo. Nesta palestra, José Renato Polli irá apresentar os principais aspectos da teoria educacional de Paulo Freire e os resultados de sua tese de doutorado sobre o pensador, parcialmente publicados no livro "Paulo Freire: o educador da esperança".

A AFLAJ convida a todos para este interessante encontro.

Não há necessidade de inscrição prévia.

 

 

                

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:34
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Sábado, 21 de Maio de 2011
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A PERDA DA BIODIVERSIDADE AFETA ECONOMIA MUNDIAL, AFIRMA RELATÒRIO DA ONU.

 

 

A Organização das Nações Unidas até definiram 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade, numa tentativa de chamar a atenção à importância da preservação da biodiversidade, mas os resultados ainda não são nada satisfatórios. Apesar de metas estabelecidas, o relatório mais recente da ONU mostra que o planeta perdeu um terço do estoque de seres vivos existente em 1970. O documento aponta como ameaçadas de extinção 42% das espécies  de anfíbios do mundo e 40% das de aves – e estima em US$2 trilhões a US$  4,5 trilhões o prejuízo mundial anual com desmatamento.

               

                 Vinte e dois de maio é muito  importante  pois é a data em que se comemora o Dia Internacional da Diversidade Biológica ou IDB, cuja finalidade principal é a conscientização e a compreensão de questões relacionadas ao tema, já que são graves as repercussões sociais, econômicas, ambientais e culturais derivadas da perigosa situação de  sua diminuição, destacando-se os empobrecimentos geral, material e espiritual que ela provoca.

                Tanto que governos e empresas foram alertados sobre tais situações e incentivados a avaliarem as perdas causadas pela deterioração da natureza em seus orçamentos e PIBs, conforme relatório da Organização das Nações Unidas divulgado em 20 de outubro do ano passado em Nagoya, no Japão, durante a Conferência sobre Biodiversidade (COP-10). Os danos ao capital natural, incluindo florestas, mangues e oceanos, chegam a US$ 4,5 bilhões por ano, mas esse prejuízo não é contabilizado. Segundo o documento, os ecossistemas representam entre 47% e 89% do chamado “PIB dos pobres”, as fontes de recursos indispensáveis para a sobrevivência de populações agrícolas e ribeirinhas.

Nessa trilha, ressalte-se que em menos de quarenta anos, o mundo perdeu 30% de sua biodiversidade. Nos países tropicais, contudo, a queda foi muito maior: atingiu 60% da fauna e flora original. Os dados são do Relatório Planeta Vivo 2010, produzido em parceria com a Sociedade Zoológica de Londres (ZSL, na sigla em inglês) e Global Footprin Network (GFN) e publicado a cada dois anos pela organização não governamental WWF. Esses resultados foram considerados alarmantes pelos ambientalistas: “Os países pobres, freqüentemente tropicais, estão perdendo biodoversidade a uma velocidade muito alta”, afirmou Jim Leape, diretor-geral da WWF Global. “Enquanto isso, o mundo desenvolvido vive em um falso paraíso, movido a consumo excessivo e altas emissões de carbono”.

A biodiversidade é medida pelo Índice Planeta Vivo (IPV). Ele estuda a saúde de quase oito mil populações de mais de 2,5 mil espécies desde 1970. Até 2005, ele havia subido 6% nas áreas temperadas - melhora atribuída à maior conservação da natureza, menor emissão de poluentes e melhor controle dos resíduos. Nas áreas tropicais, porém, caiu 60% e a maior queda foi nas populações de água doce: 70% desapareceram.

A demanda por recursos naturais também aumentou. Nas últimas cinco décadas, as emissões de carbono cresceram onze vezes. O relatório afirma que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) constituída por trinta e três países, em geral desenvolvidos, são responsáveis por 40% da pegada de carbono global, e emitem cinco vezes mais carbono do que os países mais pobres. Comparados a ela, os BRIGs (grupo formado pelos países emergentes Brasil, Rússia, Índia e China) têm o dobro da população e uma menor emissão per capita. O problema - indica o documento - é se essas nações seguirem no futuro o mesmo padrão de desenvolvimento e consumo da OCDE. Índia e China, por exemplo, consomem duas vezes mais recursos naturais do que a natureza de seu território pode repor. Atualmente, os países utilizam, em média, 50% mais recursos naturais que o planeta pode suportar. Se os hábitos de consumo não mudarem, alerta o relatório, em 2030 se estará consumindo o equivalente a dois planetas.

Por outro lado, o Brasil cumpriu apenas duas das 51 metas nacionais para preservação da biodiversidade, segundo relatório do Ministério do Meio Ambiente preparado para a mesma Conferência Sobre a Biodiversidade do ano passado. O governo brasileiro divulgou que apenas a redução de 25% do número de focos de incêndio em cada bioma e a catalogação de todas as espécies brasileiras da fauna e da flora conhecidas foram os únicos objetivos alcançados.

            Aproveitando a data, precisamos nos conscientizar da necessidade da preservação ambiental, já que “Meio Ambiente e Direitos Humanos” se constitui na visão mais clara de que  homem e  natureza são um só, pois não há vida humana sem os recursos básicos naturais. A título de reflexão, invocamos parte da conclusão sobre o tema de um seminário da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí realizado em 2009, na cadeira de Direitos Humanos: -“O que vemos é um retrocesso na busca pela manutenção da vida, já que, cada um deixou de algum modo de fazer sua parte neste processo tão fundamental que é vida. Temos tecnologia de ponta, grandes conquistas industriais e tecnológicas, descobrimos a cura de tantas doenças, passamos por guerras, vencemos tantos desafios impostos à humanidade, mas infelizmente não conseguimos vencer aquilo que mais nos afligem, ou seja, o nosso próprio egoísmo e nossa prepotência em sempre querer mais. E esquecemos o básico e essencial: a troca entre o homem e a natureza, já que ela nos dá tudo que pedimos e em troca o que pede é apenas  que a respeitemos e a conservemos como ela é”.

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário



publicado por Luso-brasileiro às 10:37
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Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
DOM VICENTE COSTA - DOMINGO DO BOM PASTOR

                       

 

 

Estamos no IV Domingo do Tempo da Páscoa, o chamado "Domingo do Bom Pastor". Neste dia a Igreja, congregada nas assembléias dominicais da celebração eucarística, reflete sobre os apelos que lhe advêm do Capítulo 10 do Evangelho de São João e reclina seu coração no de Cristo, o Bom Pastor, para pedir que Ele envie trabalhadores para sua colheita (cf. Mt 9,38). Neste Domingo a Igreja celebra o 48º Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

 

Este dia é celebrado em todas as dioceses do mundo e, para animar as iniciativas, o Papa envia sempre uma mensagem especial. "Propor as vocações na Igreja local" é o tema para 2011. A mensagem de Bento XVI é, na verdade, um apelo para que cada diocese "se torne cada vez mais sensível e atenta à pastoral vocacional, educando em nível familiar, paroquial e associativo, sobretudo os jovens - como Jesus fez com os discípulos - para maturarem uma amizade genuína e afetuosa com o Senhor, cultivada na oração pessoal e litúrgica; para aprenderem a escuta atenta e frutuosa da Palavra de Deus, através de uma familiaridade crescente com as Sagradas Escrituras; para compreenderem que entrar na vontade de Deus não aniquila nem destrói, mas permite descobrir e seguir a verdade mais profunda de si; para viverem a gratuidade e a fraternidade nas relações com os outros, porque só abrindo-se ao amor de Deus é que se encontra a verdadeira alegria e a plena realização das próprias aspirações" (Mensagem - 48º Dia Mundial de Oração pelas Vocações).

 

O coração do Bispo anseia que sua diocese seja um verdadeiro celeiro de vocações. Peço aos meus queridos padres que animem as vocações em suas comunidades, incentivando nossos jovens, sendo o elo para que eles ouçam a voz do Pastor, sejam conduzidos por Ele e, n´Ele tenham a vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10,3-4.10). Convido a querida e amada Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí para que, em comunhão com seu Bispo, reze pedindo ao Bom Pastor que nos envie muitas e santas vocações. Que a nossa Pastoral Vocacional/Serviço de Animação Vocacional (PV-SAV) assuma a cada dia mais o trabalho pelas vocações, a fim de que nossa diocese se enriqueça com mais sacerdotes, diáconos permanentes, religiosos(as) e famílias inteiras que sejam discípulos missionários de Jesus Cristo, o Bom Pastor.

 

Dom Vicente Costa é Bispo Diocesano de Jundiaí, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 10:45
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - REFERÊNCIA

 

 

Tenho refletido sobre a importância da referência na vida das pessoas. Quando falo com você, a quem me refiro? E você, quando fala comigo, a quem se refere? Que corações pulsaram, no passado, para chegar ao seu ou ao meu?

No início de minha adolescência, dos 13 aos 15 anos, fui voluntária em dois orfanatos da cidade. Ajudava as meninas, um pouco menores do que eu, nas tarefas escolares. Algumas não vi mais. Duas ou três, inseridas na sociedade, me abordaram para dizer quem eram e como nos conhecemos. Outras, mais do que três, revi perdidas no álcool, na mendicância, na prostituição. Questionei-me sobre o que lhes faltara, se eram bem cuidadas, frequentavam a escola, ajudavam nas tarefas da casa e brincavam. Por diversas vezes, li ou ouvi sobre a “roda” que existia em alguns lugares. A mãe, que não podia criar seu filho, colocava-o em uma roda que, ao girar, entregava, anonimamente, a criança aos cuidados de Irmãs que, posteriormente, a conduzia para adoção. Aqueles, que foram para lares nos quais eram repreendidos com frases como: “Não nega que é filho ou filha da roda”, cresceram com passos em desequilíbrio. Meninas, nascidas em regiões de miséria, vendidas por seus pais e acabando em bordéis, carregam também uma dor existencial muito forte da origem quase ignorada. E adolescentes, filhos do mistério sobre sua ascendência, seja de pai ou de mãe, na fase das fantasias, acreditam que um deles virá, com justificativas plausíveis, no próximo dia, e os levará para um novo tempo. A cada ocaso, surge um desengano, que, acumulado, pode se transformar em tragédia.

Há poucos dias, o moço, que vem de região distante, procurou-me pela segunda vez, com o propósito de conseguir a segunda via da Certidão de Nascimento. A outra se extraviara no sistema penitenciário. Conheci-o faz mais ou menos dez anos. Naquela época, entregou-me sua história. Detectado, na escola, aos 11 anos, que algumas de suas atitudes eram femininas, foi enxotado. O barco o levou a uma cidade maior, na qual um “especialista em exploração de jovenzinhos para o comércio do sexo” lhe prometeu futuro brilhante e esculpiu em seu corpo algumas formas de mulher. Mais tarde chegou ao Estado de São Paulo, em busca do que lhe asseguraram e não cumpriram. Das ruas à cadeia. Terminou neste ano de cumprir a pena. Assustou-se, recentemente, porque, ao preencher uma ficha, não se recordou, de imediato, do nome  da mãe e do pai. Sentiu-se, por esse motivo, segundo ele, como uma aberração da natureza. Quer a Certidão, mais do que pelo documento, a fim de testemunhar quem tem princípio de amor.

Creio que se as pessoas fossem criadas na experiência de perdoar os pais que delas, por motivos diversos, não puderam cuidar, e ouvindo o Salmo 138 (Heb. 139), compreenderiam que, além do humano, existe um Deus que as ama muito e entoariam o o Salmo citado: “Fostes Vós que plasmastes as entranhas de meu corpo,/ Vós me tecestes no seio de minha mãe./ Sede bendito por me haverdes feito de modo tão maravilhoso,/ pelas Vossas obras tão extraordinárias...” É a nossa maior referência.

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 10:42
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Terça-feira, 17 de Maio de 2011
LAURENTINO SABROSA - DIA DA MÃE - 2011

 

 

 

 O mês de Maio é o mês dedicado à Virgem Maria, e o seu primeiro Domingo é um dia especial dedicado às mães. Se bem observo, quem escreve sobre o Dia da Mãe e em louvor da Mãe, fá-lo pensando nas mulheres que são mães ou, mesmo, nas que já são avós. Eu, porém, estou a adoptar uma perspectiva diferente. Estou a dirigir-me àquelas mulheres que, no conceito normal, ainda não são mães, mas que estão a caminho disso. Se no zigoto já há pulsações de vida, então o conceito de “mãe” deve ser alterado, considerando como tal não só as que já deram à luz como as que mostram as suas esperanças de virem dar à luz. É especialmente a estas que eu me dirijo.

Quando vejo uma senhora grávida, apetece-me dizer-lhe, e já o tenho feito, mais ou menos o seguinte: ”Nestes tempos, em que se fala quase só de aborto e muito se facilita o aborto, com as dificuldades de vida que todos temos e ser mãe ocasiona, uma mulher que quer ser mãe, que aceita ser mãe, é uma heroína. Dou-lhe os meus parabéns e desejo-lhe muitas felicidades”. Normalmente a senhora agradece e fica enrubescida de satisfação. A uma delas, com quem pude manter um pouco de conversação, eu, em complemento, contei esta história: Uma senhora da alta sociedade, muito distinta e fidalga, de elevada educação social, ficou grávida. Então, querendo que o seu filho fosse tão distinto e educado como ela, resolveu começar desde logo a sua educação, lendo livros de formação, de moral, de etiqueta, como que a querer que o seu filho ficasse logo imbuído de bons princípios e bons sentimentos, para que ele fosse a sua obra prima em todos os domínios. Era uma ideia louvável, só que…sucedeu uma coisa que a tal fidalga não conseguiu prever. Ela ficou grávida de dois gémeos. Naquele tempo era difícil saber isso antecipadamente. A boa e bela educação que ela queria dar a um filho, deu-a a dois, que assimilaram tão bem os propósitos da mãe que, à nascença, foi o cabo dos trabalhos: estavam tão cheios de cerimónias e delicadezas um para com o outro, que cada qual fazia questão de que o seu irmão fosse o primeiro a sair do ventre da mãe. ´”Ó mano” – dizia um – “sai lá tu, que eu farei todo o gosto em sair depois” . “Não, não “ – dizia o outro – “eu farei todo o gosto em te dar essa honra”. Sai, não sai, a verdade é que os manos, tão educados e desejosos de serem delicados e amáveis um para com o outro, nunca mais se resolviam e  acabaram por estragar tudo, ocasionando a sua morte e a de sua mãe!

Esta história é muito mais que uma história. É o meu relato de um conto do humorista e comediógrafo português, embora de origem francesa, de nome André Brun  (1881-1926). Não faltará quem se lembre, por exemplo, da sua comédia A VIZINHA DO LADO, levada muito posteriormente ao cinema, em que actuaram nossos bons actores, como António Silva.

Com este conto quis ele ridicularizar certa fidalguia do seu tempo, que achava ridícula e pretensiosa. Mas, A. Brun, sem querer, focou dois pontos muito importantes: a educação de uma criança deve começar muito antes dela aprender a andar e a falar; o comportamento que a mulher grávida deve ter perante o ser que transporta no seu seio, é muito importante, porque, apesar de ter apenas uma vida uterina, já tem necessidades de atenção e de afecto.

A boa e integral educação de uma criança é coisa tão difícil de conseguir, que é totalmente impossível fazê-la com toda a perfeição. Se os pais querem educar bem uma criança, devem começar por se educar a si próprios. Não devem exercer a sua autoridade de pais por capricho mas só para o bem do filho; devem ter auto-confiança, para a poderem transmitir aos seus filhos, que tanto dela vão precisar; não devem julgar superficialmente os choros, as tendências, os amuos e as rebeldias: muitas vezes os problemas e dificuldades dos filhos são resultantes das dificuldades e problemas dos pais, o que pode originar bloqueios emocionais nas relações entre todos. Se, nestes casos, for consultado um psicólogo, mau psicólogo será ele se não descobrir que, antes do filho, quem mais precisa de tratamento são os próprios pais. É assunto complexo e muito especializado, até porque, se vamos a aprofundar as coisas nesta linha de ideias, a formação e educação de alguém, não depende só dos pais: depende em grande medida do que foram os seus avós, dos seus bisavós, dos seus antepassados, pela educação que estes foram capazes de dar aos seus descendentes. Os pais conscientes que queiram bem desempenhar a sua missão muito terão de se rever, talvez de se rectificar, para darem bons conselhos mas não darem maus exemplos, para serem severos mas também condescendentes, disciplinadores mas não impertinentes, confiantes mas não descuidados, amorosos mas sem permissividades, exigentes mas também compreensivos.

Mas o que o conto humorístico mais directamente focou, e aquilo de que em especial eu quero falar, é exactamente a relação espiritual e amorosa que cada mãe, que mostra ao mundo as suas esperanças de vir a dar à luz, deve manter com o embrião que nela reside e é o seu filho, o seu bebé. É importante que a mãe fale ao seu filho com alegria e amor, e em pensamento e desejo o acarinhe com ternura, como mais tarde o vai fazer quando ele estiver no seu colo. É certo que, aparentemente, o feto que o seu filho ainda é, não dá mostras de agradecer o que a mãe espiritualmente lhe está a dar, mas talvez seja mais fácil aceitar o benefício desta atitude se considerarmos a situação contrária: imaginemos uma mãe que vive contrafeita por estar a ter uma gravidez indesejada, que até está arrependida de não ter praticado aborto, que prepara o enxoval só para não ser uma criminosa, que não tem alegria e serenidade para abençoar a hora do seu parto e o futuro da sua vida – essa mãe está a prejudicar tudo e seriamente em todos os aspectos. Os pulos do seu filho durante a gestação serão pulos de medo, não de alegria, o seu bebé ao nascer, dir-se-ia que por instinto, chorará muito mais, a acompanhar a mãe que poderá ter dores acrescidas. À nascença, talvez seja tudo normal, mas a verdade é que a formação mental e psicológica da criança poderá ficar gravemente afectada, o que também se pode verificar na saúde física. O amor e a ternura que uma mãe deve dar ao seu filho, não é só quando já o tem nos seus braços. Aliás, quando a mãe o abraça com ternura, com ternura o beija, lhe fala e encosta a sua carinha à dela, a criança ainda bebé não reage, não agradece, não retribui, mas isso é fundamental para o seu desenvolvimento harmonioso. Toda a puericultura e toda a pediatria serão inúteis se não tiver havido beleza na relação com o seu filho desde a hora da concepção, se não lhe for dispensado o acompanhamento amoroso e dedicado da sua mãe.

Por isso, à maneira da fidalga do conto de André Brun, a mãe que dentro de meses vai ter num berço o fruto do seu ventre, antes de lhe poder dar os seus abraços estremecidos, deve-lhe falar em voz carinhosa, a desejar que ele seja delicado mas sem afectação, belo sem ser vaidoso, inteligente mas não orgulhoso, humilde mas não subserviente, forte mas não prepotente, rico mas generoso, corajoso mas também prudente. E pode até pensar nos filhos das outras mães, que já nasceram ou ainda vão nascer, cantando ou trauteando, nem que seja só em pensamento, aquela canção da nossa Amália Rodrigues: MEU MENINO JESUS, MEU BOTÃO DE ROSA, FAZ COM QUE A NOSSA GENTE NÃO SEJA MÁ NEM VAIDOSA ./// MEU MENINO JESUS, MINHA BOQUINHA DE RISO, FAZ COM QUE A NOSSA GENTE SEJA GENTE DE JUÍZO. Porque, se é verdade que, conforme se diz no Evangelho, Deus não dá pedras a quem pede pão, a uma mãe que peça um santo Deus não lhe vai dar um bandido.

 

LAURENTINO SABROSA   -  Economista e escritor,Senhora da Hora, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 14:10
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RENATA IACOVINO - MUTAÇÕES

                        

 

 

Como um grande caleidoscópio, o tempo gira em frente dos meus olhos.

Movimento lento e veloz. Percorro a conversão de cores, a tessitura dos membros porosos desta vida.

É sutil, mas marcante, a variação do significado de algo ao longo do caminho, dependendo das pedras, das sombras das árvores que ao pé descansamos, do que reconhecemos e do que ignoramos, do que julgamos relevante e do que desprezamos, do que nos preenche e do que nos subtrai... o caleidoscópio roda paulatinamente e, o que antes nos enchia as mãos de respostas, hoje nos acomete de reticências.

Da mesma maneira, o outro nos distingue com faceta camaleônica, menos, talvez, por sua iniciativa, e mais por conta do constatado acima.

Poemas, canções, livros, filmes, fotografias, uma infinidade de linguagens igualmente passa a nos olhar de outro jeito, dependendo o desenho que se forma no interior do caleidoscópio. Este nos encanta a qualquer movimento que faça. Assim, queremos sempre ver o que está aí fora, também.

Inúmeras leituras já fiz destes versos, em tempos diversos, e agora observo-os por outro matiz: “É sempre bom lembrar/Que um copo vazio/Está cheio de ar/É sempre bom lembrar/Que o ar sombrio de um rosto/Está cheio de um ar vazio/Vazio daquilo que no ar do copo/Ocupa um lugar”.

Estas estrofes de “Copo vazio”, de Gil, trazem em sua abordagem filosófica, um pouco de cada um, de ilusões, transcendências, do que num momento é repleto, e num outro oco. O aparentemente vazio se torna pleno. O caleidoscópio gira e vemos outro desenho, uma nova face, uma revelação!

Surpreendemo-nos com situações e com seres humanos. Julgamos alguns, apostamos em outros, nos decepcionamos com aquele, identificamo-nos com este. O copo aparentemente vazio possui rico conteúdo; o ar que ali está, preenche as lacunas necessárias. Só não víamos. De um ângulo distinto, o conteúdo aparente de algo pode estar cheio de um vazio, do mesmo vazio que em outro lugar consegue ter vida, ecoa e emana cores.

Gil pensou, dentre outras coisas, nas camadas de solidificação e rarefação que vão se sucedendo nas coisas.

E o caleidoscópio torna a girar...

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 13:56
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SERGIO BARCELLOS - MUNICÍPIO E CIDADE

 

 

 

Ouvindo certa vez a programação de uma estação de radio aquiem São Paulo, observei o comentário de um dos repórteres dessa casa dizendo que o Diário Oficial do Municipio de São Paulo passaria a chamar-se Diário Oficial da Cidade São Paulo, e que o jurista Dalmo Dalari, com toda razão, havia se manifestado contra, pois município tem caráter jurídico. 

Porem o jornal falado daquela estação deixava transparecer que ambos os nomes são a   mesma coisa.

Pois bem; Município e Cidade é a mesma coisa?

Respondo:

-Não.

Os municípios contem a cidade, mas as cidades não contem o municipio.

O que é então municipio, e o que é cidade?

Municipio é a área abrangida por uma circunscrição em que se exerce a jurisdição municipal. Essa circunscrição vai até os limites propostos pela jurisdição, ou seja, vai até a confrontação com os outros municípios limítrofes. Sendo que esse limite foi estabelecido por lei, pela vereação de cada município vizinho, em comum acordo.

Eles normalmente estão delimitados por acidentes geográficos (rios, córregos, montanhas, etc) ou por linhas demarcatórias imaginárias, que são delimitadas por coordenadas geográficas.

O municipio divide-se em zona rural e urbana.

Rural é onde se localizam os sítios, fazendas, reservas florestais etc. Tudo isso faz parte do municipio.

Urbano, são as vilas, bairros, avenidas, ruas praças, conjuntos residenciais, áreas industriais, etc..

Como vemos a cidade é o urbano, é o conjunto de bairros, vilas, onde geralmente apresenta um centro onde está localizado o seu marco zero, que para exemplificar citamos a Praça da Sé em nossa cidade de São Paulo.

Portanto acima da cidade está o municipio. As jurisdições municipais são denominadas de Municípios e não cidades. Por exemplo:

Município de Santo André, Municipio da Estância Hidromineral de Lindóia, Municipio de Limeira, todos tem suas delimitações geográficas composto pelo urbano e o rural

Quando nos referimos ao município de Santo André e o chamamos de Cidade de Santo André é por força de expressão ou porque estamos nos referindo á área urbana. Quando se fala em Prefeitura da Cidade de São Paulo é porque nossa cidade (urbano) hoje é maior que a área rural. Mas isso não quer dizer que não temos mais área rural. 

A região de Eng. Marsilac onde esta localizada a área de proteção ambiental Capivari Monos que faz divisa com os Municípios de Itanhaém e Mongaguá, mais a região de Parelheiros que apresenta o urbano e o rural, ambas localizadas na zona sul de São Paulo, fazem parte da região rural em nosso município.

Sendo assim, somos cidadãos morados no Município de São Paulo, tanto faz se é no urbano ou rural, como outros cidadãos moradores de outros municípios.

Nossa prefeitura é a PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO.

 

SÉRGIO BARCELLOS   - Agrimensor e escritor. São Paulo



 



publicado por Luso-brasileiro às 13:51
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e UM EXEMPLO DE PESSOA

 

 

 

* H I S T Ó R I A

 

 

 

Um velho americano vivia sozinho em Minnesota. Ele queria formar seu jardim, mas era um trabalho muito pesado mexer toda aquela terra. Seu único filho, que normalmente o ajudava, estava na prisão.

O velho, então, escreveu a seguinte carta a ele:

- Querido filho, estou triste porque, ao que parece, não vou poder plantar meu jardim este ano. Detesto não fazê-lo porque sua mãe adorava a época do plantio depois do inverno, mas estou velho demais para cavar a terra. Se você estivesse aqui, não haveria esse problema, mas sei que não pode me ajudar, pois ficará mais dois anos na prisão!

Pouco tempo depois, o velho recebeu o seguinte telegrama:

- Pelo amor de Deus, pai, não escave a terra. Foi lá que escondi os corpos do assassinato que cometi!

E, às quatro da manhã do dia seguinte, uma dúzia de agentes policiais apareceu e cavou o jardim inteiro, sem encontrar nenhum corpo. Confuso, o velho escreveu outra carta ao filho, contando o que acontecera. E esta foi a resposta:

- Pode plantar seu jardim agora, pai. Isso foi o máximo que eu pude fazer daqui pelo senhor.

Logicamente que este fato não serve de exemplo para ajudarmos os idosos a buscarem soluções para os seus problemas, mas retrata um tipo de auxílio inédito, concorda? E se excluirmos esta alternativa que o filho encontrou para ajudar o pai, não existiriam dezenas de outras opções para o plantio do jardim?

Então, não é exagero dizer: ‘Para qualquer tipo de problema existem várias soluções. É só encontrá-las, com Deus no coração!

 

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’, que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

 

** UM EXEMPLO DE PESSOA 

 

Há cerca de 12 anos, rezávamos pela saúde de Fernando Silvério – chamado de Fedão pelos colegas em Monte Sião. Não posso dizer que eu, particularmente, era um de seus amigos, mas vários jovens me contaram que o rapaz era duro na queda.

Mesmo doente e passando por vários tratamentos e cirurgia, Fernando se mantinha alegre, otimista e, principalmente, não reclamava de quase nada. Sei que foi um quadro triste para os amigos e parentes ver a doença ir debilitando o nosso querido estudante de dezenove anos, mas, ao mesmo tempo, ele e sua família nos deixaram exemplos de como carregar uma pesada cruz com solidariedade, fé cristã e dignidade humana.

Na semana que Deus o levou, eu estive com ele no Hospital Vera Cruz, em Campinas. Cheguei na terça de manhã para fazer uma cirurgia de hérnia e fui logo ao seu quarto. Lá estava ele com seus pais e com os anjos que o protegiam. Até que o enfermeiro me chamasse para a preparação cirúrgica, conversamos um pouco.

Iluminado pelo Espírito Santo, disse-lhe que Deus não manda doenças pra ninguém, muito pelo contrário, sempre nos abençoa com curas e libertações. Expliquei que se a graça não chega da maneira que esperamos, é porque o nosso Criador nos está reservando uma bênção ainda maior: a vida eterna junto Dele no Paraíso.

Seus pais, sempre falando em Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, tiveram forças para ficar ao lado do filho até o último suspiro! E, até hoje, falam com muito carinho da proteção que receberam da nossa Santa Mãezinha, pois sabem que ela continua cuidando do filho deles lá no céu.

No dia seguinte, já de alta médica após a minha abençoada operação, retornei ao quarto do Fernando e rezamos uma Ave-Maria de mãos dadas. Pedi a Nossa Senhora que ficasse ao seu lado e não o deixasse sofrer.

Antes de ir embora, recomendei ao Fernando que recebesse Jesus Cristo na Eucaristia diariamente e deixei a oração de Nossa Senhora da Agonia para que rezasse. Ele agradeceu, dei-lhe um beijo na testa e, com um sorriso, desejei que permanecesse com Deus no coração.

Naquele final de semana, já em Itajubá, quando liguei ao hospital para saber dele, seu pai disse-me que o filho se encontrava em coma, mas, por iniciativa própria quando ainda consciente, ele pediu a oração de Nossa Senhora, rezou e ficou algum tempo segurando a linda imagem da nossa Rainha nas mãos.

Não posso deixar de contar que quando fui chamado para a cirurgia, ainda no quarto do Fernando, disse a ele que a vontade de Deus poderia ser me levar deste mundo antes dele e, então, combinamos: ‘quem for primeiro intercederá ao Senhor pela paz do outro aqui na terra’.

Agradeço ao meu exemplar amigo Fernando por estar intercedendo por mim lá de cima.

 

** Do programa ‘Acreditamos no Amor’, que vai ao ar em dois horários na Rádio Futura FM, 106,9 MHz: 6 h e 18 h – segunda a sexta.

Site para ouvir o programa ao vivo: www.futurafm.com.br

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI --    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI



publicado por Luso-brasileiro às 11:46
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - BRAGANÇA HÁ CINQUENTA ANOS

 

 

 

Em tempo de chuva, com céu cor de chumbo, Póvoa do Varzim, morre. A Avenida dos Banhos, que no pico do Verão é formigueiro de turistas, fica deserta com as primeiras águas outonais, assim como a comercial e elegante Rua da Junqueira. A Póvoa só se alegra na Primavera, e ao entrar o Verão, todo o esplendor da sua beleza resplandece.

Mas não estamos no Estio, mas sim em Abril. A cidade fora fustigada por chuva miudinha que dança e salta embalada por vento dócil.

Após almoço, em restaurante, que mais parecia barca poveira, tal era o clamor, abri ao acaso “Os Problemas da Vida”, do famoso Doutor em Filosofia e antigo Bispo Auxiliar de Nova Iorque, o conhecidíssimo Fulton Sheen, e deparei, na página 230, com o seguinte pensamento: Há qualquer coisa de misteriosamente simbólico nos regressos ao mesmo lugar onde se viveu um tempo.

Esta frase teve o condão de me transportar a época a que fui forçado viver em Bragança, e não sendo ditosa, cavou na alma sofrida., marcas profundas que não se esquecem.

A minha Bragança não é a de hoje. Cidade moderna, de largas e airosas avenidas, mas a rústica, de comércio reduzido, onde éramos tratados pelo nome e saudados ao dobrar de cada esquina.

A praça da Sé, com o seu “Café Central”, a livraria do Sr. Silva, sempre amável, sempre cortês, O “Montepio”, o famoso e senhoril “Chave D’Ouro“, era a sala de visitas. Mais tarde surgiu o “Florida“, moderno e bem equipado.

Também havia, junto ao Fervença, o “Café Floresta“, e o jardim do mesmo nome, onde em noites de Verão, as meninas casadoiras passeavam, e graves senhoras trocavam receitas gastronómicas, ao som de românticas canções do Rei Roberto Carlos.

Mais acima, no Loreto, ficava a Moagem e a casa da “santa”, que não era santa, mas muitos diziam que o fora, e outros que nunca foi.

O Fervença era manso e preguiçoso; apenas bracejava, ao passar sob a ponte. Só no coração do Inverno se enfurecia, atirando-se, irado, contra tudo, rugindo desabridamente.

Junto à Sé, em dia certo, parava a carrinha da Gulbenkian, carregadinha de livros. Crianças, curiosas, rondavam-na, esperançados em descobrirem histórias de encantar.

Certa tarde, ao procurar leitura de fim-de-semana, lobriguei o Manuel Flores e as irmãs, com menininha, que me disseram ser uma Carmona.

Nesse recuado tempo, sabia-se o nome de todos, e um pouco da vida de cada um, muitas, salpicadas de cenas apimentadas e hilariantes.

Diante do Montepio, estacionava, após almoço, a viatura de cor verde, do BC3. Entre oficiais e sargentos, destacava-se o Moscoso e sargento de beiços salientes, face escurecida pelo Sol ou doença, que residia numa pensão. Era de Vinhais. Diziam que tinha uma filha e possuía coração generoso. Constantemente repetia, que: ninguém devia ganhar menos que a mesada de pensão de terceira.

 

 

              

 

 

Outra figura estimada, que me lembre, porque a maioria desapareceram do armazém da memória, era o Professor Bi, assim como o Padre Telmo, Major Montanha, Dr. Pires, o Flores, que andava sempre zangado ou parecia, mas que diziam ter coração de oiro, e gozava a reputação de ser excelente médico.

Quase cinquenta anos passaram! Tão ligeiros que nem dei por isso! A Bragança, do meu tempo, desapareceu, como desapareceram os que se sentaram comigo, no “Café Lisboa” e “Central“. Apenas ficaram nomes, poucos, de figuras e amigos, que já não são, e não sei se o eram, e cantarinha autografada, oferecida em radiosa e doce tarde de Maio. Guardo-a como relíquia da época em que tinha lindos sonhos, como belas e coloridas bolas de sabão; mas, como estas, também foram fugidios e perderam-se  no tempo .

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:41
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CLARISSE BARATA SANCHE - UMA AUDIÊNCIA COM DEUS

 

Pedi a Deus, há pouco, uma audiência,

Custou: mas recebeu-me em Seu “cartório.”

Eu disse: perdoai-me a imprevidência…

Queria apresentar um relatório.

 

Das penas desde a hora em que nasci,

Adolescência, jovem, na velhice,

Dizei-me, se não chega o que sofri

Pra desconto de alguma patetice? …

 

O Senhor começou a examinar

E disse: - chega e sobra, minha filha,

Grata bênção acabas de ganhar…

 

Crê em mim. Nada mais será preciso.

A tua dor moral é luz que brilha…

Um Anjo vai levar-te ao Paraíso!

 

Clarisse Barata SanchesGóis – Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:25
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