PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011
RENATA IACOVINO - ATRÔNITOS E AUTÔMATOS

 

 

 

Não só as relações de hoje em dia se revestem da ditadura da superficialidade.

Tudo parece ser conduzido pelo condão da efemeridade.

Produtos que antes adquiríamos e chamávamos de bens duráveis eram, de fato, duráveis. Hoje este conceito está ultrapassado. Não é possível classificarmos um bem como durável ou não durável. Nenhum é durável.

E como as relações humanas também se tornaram um bem (ou um mal?!), uma coisa – denominação justa e apropriada a tudo o que é inanimado ou não –, são descartadas como a bateria do celular, o despertador de R$1,99, os óculos vendidos em ambulantes, ou os livros de conteúdo duvidoso lançados a mancheias.

Uma necessidade sucessiva de substituição de coisas colocou-me em desespero momentâneo, e aí percebi: não pertenço à geração do descarte, sou de outra época. Adaptar-me à forçada troca de objetos é contra minha natureza.

Resmungo, afinal nem bem algo chega, está indo embora.

Por isso não temos mais memória. Como criar um vínculo com algo se nem bem nos acostumamos e isso já nos é subtraído? Como conhecer, compreender, interagir, se a regra é descartar, é se relacionar apenas de forma utilitária?

Após ver minha máquina de lavar, adquirida há menos de três anos, ser vítima de um mau súbito, soube, pelo técnico, que isto é comum. “Isto” o quê?, indago, sem entender. A quebra da dita cuja nesse prazo. E devo me conformar, pois as que estão sendo lançadas agora não possuem tal durabilidade.

Meu computador, que quando da aquisição, há oito anos, apresentava um desempenho exemplar, faleceu, pifou, cansado. Ouvi que sua vida útil correspondeu ao previsto. E eu que mantenho roupas, discos e objetos de alguns bons anos atrás... Cada um deles contribuiu para os valores dos quais me sirvo para pensar, ouvir e ter senso crítico. E agregam uma história – outro quesito em extinção.

Então... o mundo anda atrás de afetividade. O mesmo mundo que a expurga. Não estou fora dele.

Vazios de sentimentos e diálogos, o sangue que corre em nossas veias é frio e se coaduna com as telas de cinema a mostrar filmes que primam pela ação e por efeitos especiais desprovidos de cunho reflexivo, emburrecendo-nos e consumindo-nos dia a dia.

A mediocridade desapercebida e a prepotência alienada alimentam a apatia necessária à submissão ao universo da automação.

 

Renata Iacovino, escritora e cantora, reiacovino.blog.uol.com.br/reval.nafoto.net/ caju.valquiriamalagoli.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:28
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LAURENTINO SABROSA - UMA ADVINHA

                               

 

 

 

Virtudes são virtudes, isto é, todas são importantes para serem exercidas. Há as virtudes teologais: fé, esperança e caridade; as virtudes cardeais, assim chamadas por Santo Ambrósio, por outros chamadas virtudes morais, por serem consideradas sustentáculo de toda a vida moral: prudência, justiça, fortaleza e temperança. Além destas sete virtudes, há outras que aparecem mencionadas nas epístolas de São Paulo, como mansidão, paciência, equanimidade, magnanimidade, longanimidade e talvez algumas mais. Qual será a mais importante?

Se a modéstia entre as virtudes é tão importante como entre as pessoas, então a virtude mais importante não é nenhuma das citadas, acrescentando-se a estas a própria modéstia. Na verdade, se uma pessoa é modesta, não é difícil que os outros logo o verifiquem e, então, o seu valor fica diminuído, podendo-se pensar, mesmo, que aquela virtude nem sequer é virtude, por ser uma forma indirecta de se sobressair O mesmo sucede com a generosidade, com a caridade, com a paciência, com a mansidão, que podem ser falsas manifestações de riqueza espiritual.

Há, porém, uma virtude modesta como a própria modéstia, que serve de suporte a todas as outras virtudes e à própria modéstia; que quando a possuímos só Deus no-la conhece e dela não duvida; que quando a possuímos, mal dela podemos dar provas, e se dela damos provas, mal somos acreditados e, ao fim de pouco tempo, já todos a ignoram, pensando que tenha sido uma manifestação esporádica ou que tenha mesmo desaparecido; que não pode ser fingida, porque se for fingida logo automaticamente se destrói. Quando vemos que uma pessoa é bondosa, caritativa, justa, honesta e com rectidão de carácter, apreciamos essas virtudes, mas esquecemo-nos de que só serão verdadeiras virtudes se estiverem revestidas da tal virtude-mistério a que me venho referindo. Essa tal virtude é um certo tipo de honestidade intelectual e moral; que deve estar presente em todas as idades e em todas as acções; que é irmã da lealdade e grande amiga da verdade. Sem essa tal virtude as outras virtudes serão vitupério, por degenerarem em hipocrisia ou mesmo traição; que se não existir no que se diz, no que se faz, no que se promete, no que se reza, tudo será perversidade.

E ,então, essa virtude é…

Caro leitor, é uma adivinha que deixo no ar, curioso de saber quem a quem a vai agarrar. Certamente que não lhe vai ser difícil descobrir, porque também possui a tal virtude e porque muito mal seria deste mundo se ela não existisse mais do que às vezes parece.

 

Resposta para  laurindo.barbosa@gmail.com

 

LAURENTINO SABROSA   -  Senhora da Hora, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 11:20
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2011
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - OAB LANÇA CAMPANHA NACIONAL DE COMBATE À CORRUPÇÃO

 

 

 

De acordo com Stuart Gilman, “o mais nocivo custo da corrupção é humano. A corrupção corrói o elo da sociedade, degrada instituições públicas e enfraquece o ambiente de investimentos. E o impacto maior recai sobre a população mais vulnerável. Este é o culto real: crianças sem educação, doentes sem acesso a serviço de saúde, pequenos negócios que não conseguem sobreviver”. Assim, a Ordem dos Advogados do Brasil lança uma oportuna campanha para despertar no brasileiro o inconformismo com a corrupção que corre solta em todo o país, criando para a sociedade civil, um canal de denúncias sobre os casos desta natureza.

 

 

            No último dia 24 de agosto, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil lançou a campanha denominada “OBSERVATÓRIO DA CORRUPÇÃO”, objetivando ser um elo entre a sociedade civil e a entidade representativa dos profissionais do Direito, para o envio de denúncias de casos de corrupção. Na oportunidade, o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, afirmou que a população brasileira precisa se conscientizar de que é a protagonista no combate a malversação de recursos públicos, ao tráfico de influência e a outros desvios que caracterizam esse grande mal em nosso país: “A sociedade pode transformar, sim, por meio da legitima pressão que ela exerce nos poderes públicos . E ela deve mobilizar-se no sentido de combater essa pandemia que é a corrupção”.

         Segundo Cavalcante, o propósito maior é fazer pressão para que o Poder Judiciário dê prioridade para ações desta natureza, julgando e punindo com maior celeridade os envolvidos. Na página do Observatório da Corrupção na internet <http://www.observatorio.oab.org.br/>, além de denunciar, o cidadão também vai poder acompanhar o andamento dos casos noticiados pela mídia, disponibilizando em seu portal, uma relação dos principais processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). As denúncias recebidas pela Ordem dos Advogados do Brasil serão monitoradas pela Comissão Nacional de Combate à Corrupção e os denunciantes têm a garantia do anonimato.

         Na ocasião, informou-se ainda que a OAB vai ajuizar no Supremo uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra os mecanismos da Lei Eleitoral que permitem o financiamento de campanha por empresas. “O embrião da corrupção reside no financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas,” disse Cavalcante, que divulgou a seguinte nota:

“O Brasil possui em tramitação milhares de processos que tratam, civil e criminalmente, de questões relativas a improbidade administrativa, corrupção, peculato e demais formas de desvio de dinheiro público, muitos deles com ampla repercussão.Muitas são as causas da demora na conclusão de feitos processuais, tanto no âmbito administrativo como no judicial (em todas as áreas do direito), sendo quase sempre essencial um insistente acompanhamento das partes interessadas e de seus advogados para um andamento célere e um final breve dos processos. A definição sobre a condenação ou absolvição de agentes públicos interessa a todos. É necessário que os indevidamente processados deixem essa incômoda situação e que os que se locupletaram indevidamente do dinheiro público sejam punidos.
O Observatório da Corrupção será um instrumento para que a sociedade exerça seu insistente interesse no rápido julgamento de casos de corrupção, acompanhando os andamentos e pleiteando os julgamentos em todas as instâncias. A Ordem dos Advogados está de olho no Brasil”.

Trata-se de uma iniciativa de suma importância. Como já salientamos neste espaço, a corrupção é um problema mundial, verificando-se em todos os níveis, dos pequenos delitos diários aos grandes desvios financeiros no poder público e privado. Tanto que se estima, propicia um movimento superior a US$ 1 trilhão por ano em todo o planeta.  Entretanto, em nosso país, face à impunidade e a morosidade do Poder Judiciário, ela é desenfreada e infelizmente, manifestamente tolerada pela população. Tanto que, de um ranking que reúne 180 países, o Brasil ocupa o 75.° lugar no último relatório anual divulgado pela ONG “Transparência Internacional

Essa apatia do povo com a questão é extremamente prejudicial, razão pela qual a iniciativa da OAB incita a participação e nesta trilha, reiteramos que eliminar a corrupção por completo não será possível, mas devemos controlá-la e preveni-la. A população precisa combatê-la, denunciá-la e principalmente, não aceitá-la como se fosse uma espécie de característica de nossa cultura. A sua estagnação se inicia com a conscientização de impedi-la, cobrando punição coerente dos órgãos responsáveis aos infratores e evitando políticos já condenados por esses delitos.

  A corrupção faz com que o Brasil perca

           o equivalente a uma Bolívia.

 

Em sete anos, o Brasil perdeu pelo menos R$ 40 bilhões em recursos desviados dos cofres federais. O valor, equivalente ao PIB da Bolívia, inclui os repasses às unidades federativas, mas não os desvios em Estados e municípios, que têm orçamentos próprio.Com esse montante seria possível reduzir à metade o déficit de 25 milhões de moradia sem saneamento no país. Se aplicado na queda a desigualdade só pelo Bolsa Família, a expectativa de vida do brasileiro, em dez anos, poderia aumentar em dois anos e cinco meses.

         Essa estimativa, publicada pelo jornal “Folha de São Paulo” em sua primeira página no dia 05 de setembro último, foi efetivada  pelo economista Marcos Fernandes da silva, da Fundação Getulio Vargas, abrange o período de 2002 a 2008 e reúne dados de investigações de Polícia Federal, CGU (Controladoria-Geral da União) e TCU (Tribunal de Contas da União),

 

         NO RIO, UM MOVIMENTO

         A FAVOR DA HONESTIDADE

 

Mais do que protestar contra a corrupção é consolidar um movimento a favor da honestidade. Essa foi a tônica da manifestação realizada ontem na Praça da Cinelândia, no Rio de Janeiro.  Segundo Chester Martins, um dos organizadores do movimento “Todos Contra a Corrupção”, a intenção não foi protestar contra nenhum político específico nem contra o governo da presidente Dilma Rousseff. “A intenção do movimento é, simplesmente, pregar a honestidade: que todas as pessoas sejam honestas no dia a dia, não só os políticos.” Milhares de pessoas compareceram ao ato que se constitui num precedente histórico muito importante, diante da passividade reinante na maioria dos brasileiros. Assim, que outras realizações do tipo surjam em todo o país!

 

João Carlos José Martinelli é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:16
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - AMOR BANDIDO
 

                       

 

 

            O mundo tem se tornado um lugar estranho... Na realidade, não sei se está mudando ou se já era assim, mas como só posso falar ou escrever sobre o mundo desde quando estou nele, a mim parece que algumas coisas vem se alterando de forma assustadora.

            Se o bem existe, não dá para negar a existência do mal, mas fico com uma esquisita impressão de que o mal, em certas áreas, vem ganhando mais espaço do que o bem. O amor, por exemplo, deveria ser uma reserva de mercado do bem, somente dele. Mesmo o mal que o amor causa àqueles que não são correspondidos, não é mal em si, mas bem que não se fez.

            O que me espanta de fato é o jugo do mal onde deveria estar o amor ou somente a ausência dele. O não-amor não é o mesmo que desamor, que maldade. Infelizmente, o que mais vemos nos últimos tempos são histórias nas quais o desamor deu lugar à maldade, à loucura acompanhada do ódio (quase sempre seu tutor) e ao desapego pela vida alheia.

            Você não me ama mais? Não me quer mais ao seu lado? Você ama outro que não eu? Então você não merece viver! Vou colocar um fim na sua vida! Simples assim...

            E daí que a vida dos outros passa a valer menos, só porque alguém, insano, decide assim... Nem importa que um dia tenham dividido a mesma casa, a mesma cama, o mesmo copo, o mesmo abraço e nem os mesmos sentimentos. O sentimento de rejeição, a inveja, o ciúme ou sabe-se-lá Deus o que mais, apossam-se das pessoas e fazem delas instrumentos do mal, anjos da morte...

            Todos os dias vemos notícias de ex-maridos ou ex-mulheres que matam os parceiros em um ato de fúria, de namorados que, ao término do relacionamento, preferem dar cabo do ser (des)amado ao invés de tocarem as próprias vidas, de buscar a felicidade em algum outro lugar. Estranho viver em um mundo assim, assombrado também por quem já esteve ao nosso lado...

            Que amar sempre foi um risco ninguém duvide. Quem ama se arrisca a ser feliz ou infeliz; a ser amado ou desprezado; ao sol e à chuva; à luz e à escuridão. Amar é verbo intransitivo, já dizia o poeta. Eu amo. Ponto final. Nem vírgula. Nem reticências. Sequer um ponto e vírgula...

            O que não se quer e não se pode assumir é morrer pelo amor que não s deu ou que não recebeu. Morrer porque o outro não concebe nada diferente do que ter, do que possuir. Amor, muito ao contrário, não é posse, nem propriedade. Quem ama liberta, doa isso o quanto doer. Como se diz por aí, amar é também saber dizer Adeus...

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 11:12
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e HOMENAGEM ÀS CRIANÇAS E À VIRGEM MÃE

 

     * H I S T Ó R I A

 

 

Certa vez, um garoto entrou na sala de emergência de um hospital depois de ter sido atropelado. O motorista que o socorreu, ao ser interpelado para efetuar o depósito necessário ao atendimento, informou que não possuía, naquele momento, dinheiro ou cheque que pudesse oferecer em garantia, mas, se o hospital aceitasse, poderia pagar no mês seguinte.

O atendente resolveu consultar um dos diretores do hospital, que também era o médico de plantão naquele momento. Após muita conversa, o médico não liberou o atendimento, fato que levou a criança a falecer.

O diretor, novamente chamado para assinar o atestado de óbito do garoto, ao chegar para o exame cadavérico, descobriu que o menino atropelado era seu próprio filho!

Pois é, se arrependimento matasse! Mas, mesmo sabendo que tais fatos continuam acontecendo, educamos nossos filhos para enfrentarem com sabedoria o poder financeiro que toma conta do mundo? Ensinamos que eles serão muito mais felizes se não ostentarem tanto luxo na vida? Combatemos no dia-a-dia do lar as falsidades ideológicas que a televisão procura incutir em suas mentes?

O dinheiro fala mais alto em muitas circunstâncias, não é mesmo? E, infelizmente, sabemos que chega a ser mais importante do que a vida de muita gente!

Refletindo neste caso que contei, chego à conclusão que a vida é simples se permitirmos que o amor more definitivamente em nossos corações. O amor sincero vence até os sete pecados capitais: a gula, a luxúria, a avareza, a ira, a inveja, a preguiça e o orgulho.

Alguém um dia disse assim: ‘Se você não ama o suficiente e é muito apegado ao dinheiro, por pior que seja o buraco em que você se encontra, reaja logo e pense que, por enquanto, ainda não há terra por cima’.

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’, que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

HOMENAGEM ÀS CRIANÇAS E À VIRGEM MÃE

 

 

Reflita comigo, querido leitor, a quem é mais fácil prestar uma homenagem? Talvez, uns digam: ‘Às crianças, é claro, pois qualquer presentinho ou passeio já as diverte!’ Será mesmo? Como, então, explicar que alguns filhos ricos não se contentam com nada? E como agradar a criança pobre se os pais não têm nem comida em casa?

Por outro lado, homenagear a Virgem Maria é muito fácil: basta rezar um Terço, ou assistir uma Missa, ou ajudar um pobre, ou perdoar um inimigo, ou fazer uma penitência, ou se consagrar ao Imaculado Coração; enfim, tudo o que agrada a Deus, alegra o coração da Mãe. Qualquer esforço extra de nossa parte para homenageá-la, acaba se transformando num presente maravilhoso.

Tempo para isso sempre arranjamos. E falando em rezar, esta belíssima oração é atribuída a São Bernardo (séc. XII) e tornou-se muito popular desde o século XV:

‘Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria, que jamais se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à Vossa proteção, implorado Vosso socorro e invocado Vosso auxílio, fosse por Vós desamparado. Animado, pois, com igual confiança, a Vós, ó Virgem entre todas singular, como minha Mãe recorro; de Vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro a Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-Vos de ouvi-las propícia e de me alcançar o que Vos rogo. Amém.’

Outra linda oração que rezo diariamente, aprendi, ainda jovem, quando parti para um estágio em São Paulo – 1977 – e recebi de minha mãe uma estampa de Nossa Senhora Aparecida. No verso, estava escrito: ‘Santa Mãe querida, dai-nos a Sua bênção. Que os raios de luz de Sua coroa sejam lâmpadas para os nossos pés e que Seu sagrado manto seja o nosso eterno abrigo. Que o Seu infinito amor nos assista. Amém.’

Para concluir estas homenagens, só resta dizer que tudo o que vem de Deus é maravilhoso: as nossas crianças, as orações que as mães ensinam aos filhos e, acima de tudo, a proteção que temos da mais pura entre todas as criaturas: Nossa Senhora. Tenho conversado com pessoas, pedindo que as ajude a rezar pela graça que precisam. Por exemplo, certa vez, um dos porteiros do prédio onde moro – ele não é católico – pediu que eu rezasse pela dor que vinha sentindo há um ano – desde que operou de hérnia. Disse-me que não dormia à noite e passava o dia inteiro com dor. Dei a ele uma estampa de Nossa Senhora da Agonia e pedi que rezasse comigo a oração. Já no dia seguinte, ele estava alegre e contou que a dor havia passado. De lá pra cá, ele passa bem e nem se lembra do incômodo que sentia.

Confiando em Nossa Senhora como uma criança confia na mãe, Ela também nos homenageará com muitas bênçãos. Assim seja!

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 10:45
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Domingo, 18 de Setembro de 2011
HUMBERTO PINHO DA SILVA - UM PASSEIO PELO PORTO DE 1900
 

           

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      A

      Dona Maria Cândida Lopes Correia de Sá Carvalho Pacheco

 

 

 

Imagine que em tépida manhã de domingo, ao descerrar a janela do quarto, recua, por estranha magia da máquina do tempo, até ao ano de1900; o velho e boémio Porto; o pitoresco burgo do início do séc. XX. Com assombro, descobre as tradicionais e tortuosas ruelas do antiquíssimo bairro da Sé, calçadas a pedra incerta, por onde deambulava placidamente: Alexandre Herculano, Camilo e por que não? Júlio Dinis, que nascera nadinha mais abaixo, em S. Nicolau, na Rua do Reguinho?

Estamos em meado de Outubro. É domingo. Cálido domingo de Outono.

Aconselho, para não sofrer dissabores desagradáveis, que se traje a rigor: chapéu de palha ou alto, colarinho de goma, e terno - como se diz no Brasil. Para não errar, observe fotos de bisavôs. Ah! Não esqueça o guarda-chuva. Será de grande utilidade, ao anoitecer.

Desça à baixa, passe pelo local onde se erguia o convento de Avé Maria, agora desmantelado, e aproveite para participar na eucaristia, na igreja dos Congregados. Se gosta de missa de festa, recomendo que suba até S. João Novo. O Padre José Rodrigues da Costa, abade de Miragaia, vai pregar, e dizem ser óptimo orador.

Se está com pressa – o domingo passa rapidamente, - prefira os Congregados. O templo, como sempre, transborda de fiéis.

Terminado o culto, desça as escadinhas da igreja e entre na Praça de D. Pedro. São horas de almoçar e não lhe faltam restaurantes: ”Rainha”, ”Porto Club”, “Camanho”, ”Antiga Cascata”, o “Suíço, e o “Porto”.

Se aceita sugestão? Recomendo o “Rainha”. Peça carne assada e vinho da casa. Estou certo que nunca comeu melhor.

Mas…. se a bolsa anda mal abonada, procure antes casa de pasto, onde os preços são mais em conta, e não ficará mal servido.

Tem muitas, e todos com óptima comida; difícil é a escolha: “Bem Arranjadinho”, “Caldo de Galinha”, ”Romão”, ”Gaspar da Trindade”…; se não exige luxo, mas apenas saborear bons pitéus, suba a ingreme Rua da Fábrica, entre em Santa Teresa, e abanque-se no “ João do Buraco”.

Finalizada a refeição, está certamente como um abade, dos antigos. Depois desça calmamente os Clérigos.

 

 

 

         

 

 

Sugiro que entre no mercado dos “Anjos”. Há quem assevere – e com experiência, - que tem vendedeiras de rara beleza…Ai encontrará tudo, com fartura, ao melhor preço.

 

 

 

              

 

Desça depois aos Lóios. Passará por importantes armazéns, quiçá os melhores da cidade. Se não fosse domingo, poderia ver boas fazendas importadas. Facilmente encontrará: “ Machado, Lemos & Monteiro, “À Noiva”, ”João António de Carvalho & Cª” e “Augusto de Vasconcellos”.

Nos Lóios adquira o periódico ao ardina de pés nus e mal enroupado, de sacola a tiracolo, que lhe oferece o matutino: “O Comércio do Porto”.

O pregão do gaiato mistura-se com o grito do vendedor de sabão que vocifera: “Quem merca a vintém!!!…“; e ambos se esbatem na voz esganiçada de rapazinho, mal enroupado, que vende caramilo, para matar as bichas.

Já na Praça, espreite o rosto dos jornais, no quiosque do Sebastião, e como o tempo está quente, descanse num dos confortáveis bancos, à sombra das acácias.

Se não tomou café, entre no “Suíço”; com um pouco de sorte encontra o Dr. Júlio de Matos ou pode dialogar com os membros da tertúlia que fundou os Finianos”.

Desdobre o matutino e escolha o programa da tarde. Se prefere teatro e ambientes requintados, compre entrada no Real Teatro de S. João ou Teatro Príncipe; mas, se não tem preconceitos pode ir ao: “Carlos Alberto”, “Chalet”, “Águia de Ouro”, ou “D. Afonso”.

Se não é capaz de se decidir, recomendo ver: “ A Mãe dos Infelizes”, no Carlos Alberto, e quando passar pela “Confeitaria Oliveira “, aproveite, para merendar.

Pode também ir, se preferir, à Feira de S. Miguel, na Rotunda da Boavista, ou à tourada, na Senhora da Hora. Tome o comboio. Não se esqueça que hoje há preços especiais.

Mas, se foi ao teatro, ao sair da sala de espectáculo já é noite cerrada e chove que Deus dá. Parece que o céu se desfaz em água. Abrigue-se; pois em breve estia.

Não se apresse. O Porto de 1900 não é como o do século XXl, onde se receia passear à noite, com a família.

Os cafés e restaurantes da baixa animam-se depois da ceia. Famílias inteiras descem à rua para se refrescarem-se, passeios que alguns chamam dos “ tristes”. Hábito salutar, que infelizmente terminou definitivamente nos meados dos anos setenta.

Ladrões?; assaltos?;crimes?; também os há, mas sem gravidade. Apenas zaragatas e pequenos roubos. Conflitos de lana-caprina entre sapateiros, carroceiros e tecelões, ou injúrias de pedintes profissionais. O portuense que se preze e pertence à alta e média sociedade, é, em regra, alegre, folgazão, e nadinha boémio.

Mas já são horas de cear. Jante no “Túnel”. Pode também comer “Tripas” no “Luso-brasileiro” e carneiro assado no “Manuel do Diabo”; mas no “Túnel”, por certo encontrará o Matias Azevedo, de “ O Primeiro de Janeiro”, Luís Gomes de “O Comércio do Porto”, Vasconcelos da “Tarde” e ainda Arnaldo Leite, meu informante.

Peça ao Sr. Francisco, bacalhau no forno. É do melhor que há.

Noite cerrada e já com céu completamente lavado, regresse ao lar. Se passar pela Praça da Batalha não se pasme, se ouvir o empertigado porteiro do Teatro S. João, exclamar a plenos pulmões:

- O carro do Sr. Conselheiro***!O carro da Sr.ª Viscondessa***! Do barão***!; ou simplesmente: um cupé para o Sr. Caetano de Pinho!

Deite-se em macio colchão e …sonhe com o Porto de 1900... , que era bem melhor que o de agora…., apesar do progresso e avanço da ciência.

Seria melhor?! Pelo menos os portuenses pareciam mais felizes, e sabiam conviver, modo de ser, que se perdeu, e, infelizmente, julgo para sempre.

 

 

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HUMBERTO PINHO DA SILVA   -    Porto, Portugal

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:41
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PINHO DA SILVA - BENEDICTUS

      

                                     

 

                                             (Luc.1-68,79)

 

 

 

Louvemos ao Senhor, o Deus de Israel,

que visitou e remiu o Seu povo! Ouvi

que Ele deu o Salvador em Emanuel

( da casa de Seu servo, o rei David),

 

 

conforme tinham dito as Profecias,

desde os tempos remotos deste mundo:

- para que nos livrasse, o bom Messias,

daqueles que nos têm ódio profundo;

 

 

- para manifestar misericórdia,

lembrando-se de Abraão, e nossos pais;

- para que, sem pecado, na concórdia,

 

 

santamente, em justiça, com amor,

possamos, sempre e sempre, mais e mais

serví-Lo toda a vida, sem temor!

 

 

Tu serás o Profeta do Senhor,

pois virás preparar os Seus caminhos;

levar as multidões ao grande Amor,

e trazer o perdão dos descaminhados,

                                          

 

pela misericórdia que, o bom Deus,

tem no Seu coração; e nos visita

desde o remoto Oriente lá dos Céus!...

Trarás a boa nova à Terra aflita;

 

 

no deserto  das almas, se ouvirá

o clamar dessa voz; pois és a luz

que doutra Luz, mais alta, nos trará

 

 

a chama da Justiça!...Alumirás

trevas; sombras da morte; e, por Jesus,

vais guiar nossos passos para a Paz...

 

 

PINHO DA SILVA   -   Vila Nova de Gaia, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 17:12
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ACTIVIDADES EM JUNDIAÍ

 

O nosso colaborador e amigo, Faustino Vicente, será agraciado, a 10 de Novembro, no teatro Polyteama, pela Câmara Municipal de Jundiaí, com a Medalha Petronilha Antunes.

 

                                            -- XXX --

 

É já no próximo dia 3 de Outubro, que o Portal/Site  “AMIGAS E AMIGOS PARA SEMPRE”, estará no ar, ao serviço da cidade de Jundiaí e sua região.

 

                                            -- XXX --

 

 

Dias 21, 22 e 23 de setembro, das 8h00 às 17h00, na sede da MAGDALA ( rua Senador Fonseca, 517), SALDÃO DE ROUPAS E SAPATOS SEMINOVOS a R$ 1,00 (um real).

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 16:57
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2011
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - A GRAMA DO VIZINHO

 

 

            Não entendi ainda se sou ou não radical. Às vezes sou, às vezes não sou. Talvez isso seja prova de que, na verdade, não sou. Igualmente desconheço se a gente pode ser radical para algumas coisas e, para outras, ser maleável, ou se isso é exatamente o conceito de maleabilidade... O fato é que, seja como for, em certos assuntos, tenho opiniões extremadas, mas em outros, fujo dos extremismos.

            No quesito cirurgia plástica, eu sou avessa aos extremos. Tudo bem que aqui a coisa se deve também a que eu morro de medo de qualquer agulha, bisturi e coisas feitas com os dois! Cirurgia? Tô fora!!! Claro que eu mesma fiz algumas, das quais não consegui fugir, mas sou daquelas que agüenta dor no dentista para não ter que tomar anestesia e das preferi engolir um comprido em forma de um mini submarino do que tomar uma mísera injeção.

            As poucas vezes nas quais me forcei a assistir a um programa sobre cirurgia plástica, especificamente sobre lipoaspiração, quase tive um treco ao ver aquelas “cânulas” entraram e saindo do corpo da pessoa, e um pote de gordura enchendo do lado... Outra vez vi um médico retirar um pedaço tão grande da barriga de uma senhora, que daria para fazer churrasco para uma família de cinco!  Sinceramente, eu admiro, mas não tenho coragem de sequer me imaginar passando por isso...

            Faço o que posso para manter uma forma que me permita a utilização das roupas que tenho no guarda-roupas e, quando percebo que o aperto tá se avizinhando, dou uma maneirada na comida, forço um pouco mais os exercícios, mas sei que, com o estilo de vida que levo, para ter uma barriga de tanquinho eu teria que tirar umas roupas que estão de molho lá há certo tempo...

            O que me causa espanto não é ver que pessoas que realmente tem problemas de saúde ou mesmo excesso (real) de peso, recorrem às cirurgias da vida, mas é ver que, a cada dia mais, gente que mal tem uma mísera dobrinha na cintura, corre para a faca, sem sequer tentar resolver de outro modo ou sem atentar para os riscos que uma cirurgia, por mais bem assistida que seja, possui.

            Algumas pessoas jogam todas as suas fichas na aparência, ou grande parte delas ao menos. Em se tratando de mulheres, creio que todas gostem de ter um visual bonito, se estar bem consigo mesmas, porém isso não é tudo e se esvai muito rapidamente. Fico pensando que, talvez, seja a Síndrome da Grama do Vizinho, sempre mais verde, sempre mais saborosa. “SE eu tivesse uma barriga como aquela, eu seria mais feliz” ou “SE eu tivesse aqueles peitos, todos meus problemas acabariam”...

            Tantas amigas lindas eu tenho, cada uma a seu jeito, de seu modo. Mulheres batalhadoras, fortes, inteligentes, mas muitas delas extremamente preocupadas se estão no tamanho certo, se tem as medidas adequadas e quando irão conseguir juntar dinheiro para a cirurgia dos sonhos, para a beleza que virá...

            Deixo claro que não sou, nem de longe, contrária às cirurgias estéticas. Aliás, muitas delas são questões de saúde mesmo, física e/ou psicológica. O que me faz pensar e que, de muitas formas me entristece, é perceber quantas mulheres hoje sonham com isso como se estivessem à frente da chave da felicidade, como se ficarem parecidas com os rostos, peitos e barrigas expostas na mídia fosse o suficiente para viver melhor.

            Dia desses, em uma sala de quatro mulheres, três estavam fazendo contas para contratar um cirurgião plástico. Achei que era brincadeira, pois todas eram jovens, realmente bonitas e com corpos perfeitos, ao menos vistos do lado de fora... Quando vi que a coisa era séria, fiquei até meio sem graça, porque se elas precisavam de plástica, achando mil coisas erradas (para as quais eu era cega!), o que eu poderia dizer?

            Desejei a todas boa sorte em seus intentos e corri dali para almoçar uma coisa bem gostosa. Mais tarde, eu me encarregaria de torcer um pouco da roupa acumulada...

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo

 



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - " SUSTENIDO " DE SÔNIA CINTRA

                     

 

 

Mamãe e eu recebemos, como porta-jóias e literatura, “Sustenido” da escritora jundiaiense Sônia Cintra. Seu 12º livro, com versão, no mesmo exemplar, para o italiano. “Sustenido” possui dedicatória ao seu “companheiro de caminho”, Araken, e ilustrações de Inos Corradin, artista plástico internacional. Amo a musicalidade das palavras em Sônia, o traçado das construções do arquiteto Araken Martinho e as obras artísticas de Inos Corradin. Amo os três porque expressam, em sua arte, a grandeza do humano que são.

“Sustenido” me traz o psicanalista e escritor Rubem Alves. Ele afirma, em uma de suas obras, que diante da incapacidade de alguns seres humanos em ver rostos, dominando os outros para consumi-los, o remédio é a poesia. Segundo Alves, os demônios têm horror à poesia, pois ela é o amor. Em “Sustenido” se encontra essa poesia que salva as pessoas que não enxergam rostos e as leva a observar: “... o andarilho/ coberto/ de andrajos/ e flores/ do ipê-amarelo”; “nos descaminhos/ da história”, em que “o futuro acena/ bandeirolas/ de papel/ rascunho”, “pequenas/ estrelas”, que “reluzem/ na noite/ do teu olhar”, “... gente/ descabida/ em um mundo/ de fronteiras...”, o Pão Nosso do moinho de sílabas, que “... vai transformando/ farinha/ em poesia”.

Em “Cartas a um jovem poeta”, Rainer Maria Rilke (1875-1926), um dos autores de língua alemã mais conhecidos no Brasil, aconselha ao jovem Franz Kappus, com quem troca correspondência, que se volte para si mesmo e investigue se aquilo que o impele a escrever se estende até o ponto mais profundo de seu coração. Comenta que as obras de arte são de uma solidão infinita e apenas o amor pode compreendê-las, conservá-las e ser justo em relação a elas. Que é preciso deixar cada impressão, cada semente de um sentimento germinar por completo dentro de si, na escuridão do indizível e do inconsciente, e esperar, com profunda humildade e paciência, a hora do nascimento de uma nova clareza. Chama a isso de viver artisticamente, tanto na compreensão quanto na criação. Os poemas de Sônia Cintra, regados com liquido amniótico, possuem essa nova clareza: “há mares/ por singrar/ em meu peito...”, “duas conchinhas (...) enfeitam meus pensamentos”, “... os cometas/ passam depressa/ e levam/ muito tempo/ para voltar/ quando voltam”, “... copos-de-leite/ refulgem/paisagens”, “às vezes/ espero/ horas a fio/ para ouvir/ tua voz/ do outro/  hemisfério”, “trago/ em meus olhos/ paisagens/ miragens/ de desertos/ sem fim”. Ela dá nome aos sentimentos para decifrá-los.

Separo alguns versos da autora para o meu dia a dia: JAPI “seja de canto/ou nascente/ seja de pássaro ou poente/ seja de verdes/ somente” e “pra te esperar/ vesti a manhã/ de azul/ e coloquei/ nos lábios do sol/ o mais luminoso sorriso/ pra te esperar/ varri a tristeza/ de meu canto/ e coloquei/ em cima do piano/ o teu allegro/ preferido”.

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí.

 



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FAUSTINO VICENTE - A BIBLIA E O CLIMA ORGANIZACIONAL

Solicitados, numa de nossas palestras, a sugerir a leitura de um livro especial na abordagem de conceitos e práticas sobre clima organizacional, indicamos a Bíblia - o que causou uma certa estranheza - pela equivocada percepção da abrangência, e da profundidade, desse best-seller cristão - um legitimo manual de qualidade da vida.

Visão, missão, valores, princípios, normas de procedimento e metas, elementos que ganharam status organizacional no século XX, constam nas Escrituras de forma explícita. Uma das primeiras referências encontra-se na construção da Arca de Noé. A ordem de serviço veio com todas as especificações técnicas: "Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos e a calafetarás com betume por dentro e por fora. Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento; de cinqüenta, largura; e a altura, de trinta. Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de altura; a porta da arca colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca:um em baixo, um segundo e um terceiro" (Gênesis 6: 14 a 16).

Hoje, produtos e serviços são desenvolvidos obedecendo normas técnicas internacionais, cujos certificados são verdadeiros passaportes para a inserção das empresas nos negócios globalizados. Entre as habilidades gerenciais de Noé destaca-se a sua capacidade de planejamento organizacional, disciplina tática no cumprimento do cronograma, "ouvido de mercador" frente as provocações dos incrédulos de plantão e a aguçada percepção no aproveitamento das características individuais de cada um de seus colaboradores. Formou uma equipe, motivou-a, alocou recursos,estabeleceu processos operacionais, distribuiu tarefas, informou o prazo e gerenciou o andamento do projeto. Noé não foi apóstolo da burocracia.

Outro personagem histórico da Bíblia é José do Egito - administrador admirável, (Gênesis 41: 37 a 45)que pode ser comparado com o CEO (Chief Executive Officer) Presidente Executivo, de hoje. Notabilizou-se, principalmente, pela administração do país nos períodos "das sete vacas gordas e das sete vacas magras" - interpretados como anos de fartura e de escassez. Em termos de relacionamento inter-pessoal, a vida de José é uma das mais comoventes e atraentes da história.

As vagarosas e silenciosas passadas de Moisés pelo deserto o colocaram na galeria dos protagonistas que agregam valores à gestão de recursos humanos. Dentre os seus desafios destaca-se a complexidade no atendimento das necessidades dos milhares de judeus que liderava à caminho da Terra Prometida. A solução do problema partiu de seu sogro, Jetro, quando lhe disse: "E tu, dentre todo povo, procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem,maiorais de cinqüenta e maiorais de dez; para que julguem este povo em todo tempo, e seja que todo negócio pequeno eles o julguem: assim a ti mesmo te aliviarás da carga, e eles a levarão contigo" (Êxodo, 18: 13 a 26). Nascia, assim, uma metodologia de descentralização do poder - o "calcanhar-de-aquiles" das atividades humanas. Reagimos como democratas, mas agimos como autocratas.

Esta é a mais devastadora das causas de desmotivação de funcionários e do desaparecimento prematuro de promissoras lideranças. O clima organizacional das empresas depende, essencialmente, de uma política de recursos humanos que consolide a seguinte prática: dar oportunidades (iguais) para que os funcionários possam revelar e/ou desenvolver o seu potencial. Questionar as idéias, não as pessoas é a mais eficaz das estratégias para manter a indispensável "oxigenação" do processo gerencial.

Entendemos que, se lêssemos, refletíssemos e vivenciássemos, com maior freqüência, os ensinamentos contidos na Bíblia seríamos muito mais felizes e, de quebra, muito mais prósperos. É crer para ver.

Faustino Vicente -   Advogado, Professor, Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos -  e-mail: faustino.vicente@uol.com.br - Jundiaí (Terra da Uva) - São Paulo - Brasil

 

 



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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - !6 DE SETEMBRO - DIA INTERNACIONAL DE PREVENÇÃO DA CAMADA DE AZÔNIO

                          

 

 

    

Vinte e quatro países se reuniram no Canadá em 1987 e se comprometeram a reduzir gradativamente a produção e o uso dos produtos químicos que destroem a camada de ozônio. Em razão do Protocolo de Montreal, lançado em 16 de setembro daquele ano, subscrito atualmente por cento e noventa e um países e considerado o mais bem-sucedido tratado mundial de proteção do ambiente, instituiu-se nesta data, o DIA INTERNACIONAL DE PREVENÇÃO DA CAMADA DE OZÔNIO.

Com efeito, o ozônio é um gás atmosférico azul-escuro, que se concentra na chamada estratosfera, uma região situada entre 20 e 40 km de altitude. A diferença entre ele e o oxigênio se resume a um átomo: enquanto uma molécula do segundo possui dois, uma dele possui três. No entanto, essa pequena diferença é fundamental para a manutenção de todas as formas de vida na Terra. A natureza protegeu o planeta com a camada de ozônio, que atua como uma espécie de membrana ou escudo que a protege dos raios solares de intensidade mais elevada (raios ultra violeta – UV) . Além de serem os maiores vilões do câncer de pele, podem causar catarata e debilitar o sistema imunológico das pessoas.

Efetivamente, o êxito das propostas do Protocolo é visível no nosso cotidiano. Tanto que não são mais vendidas geladeiras e aparelhos de ar-condicionado que usam o famigerado clorofluorcarboneto (CFC), gás que destrói a camada de ozônio. Nos supermercados, todo desodorante ostenta um selo que diz que aquele aerossol não o contém e nos noticiários, há muito que o aquecimento do planeta ocupou o seu lugar na pauta ambiental.

            De acordo com matéria assinada pelo jornalista Ricardo Westin, “nos anos 70, um grupo de pesquisadores descobriu que o CFC tinha a perigosa capacidade se subir à estratosfera e destruir o ozônio, deixando o caminho livre para os raios nocivos do Sol. A incredulidade inicial da comunidade científica aos poucos deu lugar à preocupante constatação de que alguma atitude de escala mundial precisaria ser tomada” (O Estado de São Paulo – 16/09/2007 – A26).

            Conforme disposto no mesmo texto, “apesar das mudanças aqui embaixo, o problema lá em cima não se resolve de imediato. Em 2007, o buraco da camada de ozônio sobre a Antártida tinha 23 milhões de quilômetros quadrados. O território do Brasil, como comparação, mede 8,5 milhões. Por causa da força do CFC já emitido, o buraco só deverá começar a diminuir daqui a sessenta anos”.

            Por isso, a conscientização de autoridades e da sociedade em geral para o problema é de suma importância, devendo-se promover com urgência, o desenvolvimento sustentável, definido pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento como o “desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações de atenderem às suas próprias necessidades”. Numa época marcada pelo individualismo, mas na qual a aspiração ecológica faz parte do exercício da cidadania, a proteção do meio ambiente não é uma tarefa exclusiva das autoridades, mas um compromisso de toda a sociedade.

 

 João Carlos José Martinelli é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.



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