PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 23 de Outubro de 2011
FAUSTINO VICENTE VAI SER AGRACIADO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE JUNDIAÍ

   

 

 

                      

 

 

                                 A Câmara Municipal de Jundiaí, convida a população a assistir à sessão solene que será realizada no dia 10 de novembro de 2011,às 19h, no Teatro Polytheama, onde será entregue Títulos Honoríficos a personalidades que se destacaram  no Município.

                                 Entre as figuras agraciadas está a do Prof. Dr. Faustino Vicente, assíduo colaborador a amigo, deste blogue.



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Terça-feira, 18 de Outubro de 2011
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - 21ª FESTA PORTUGUESA

                    

 

 

 

A 21ª Festa Portuguesa, que acontece todos os finais de semana de outubro na Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Vila Arens, me traz emoções bonitas. Neste ano, a equipe da festa, por indicação do casal presidente, Maria das Graças e Marcel Scarabelin Righi, decidiu que 5% da renda líquida, destinada anualmente a uma entidade, serão entregues à Casa “Maria de Magdala”, que é o braço de desenvolvimento social das assistidas da Pastoral da Mulher. Temos como projeto aumentar a cozinha semi-industrial da Magdala, que oferece, além da oportunidade de aperfeiçoamento em iguarias, renda que colabora no orçamento das quituteiras. Em pé, na pia ou no fogão, misturadas a aromas que aguçam o paladar, as mulheres se entendem capazes. E quem descobre os seus dons escala as sarjetas do mundo e se vê gente em meio a gente, com direitos e deveres. Esses 5%, portanto, agregados a outros valores, possibilitarão que entremos em 2012 com nosso espaço de manjares ampliado. Mais do que isso, é a alegria por reconhecerem que somos merecedores do apoio.

Os quitutes variados, seja no restaurante ou na cantina da Festa Portuguesa, são deliciosos! O acolhimento, pelos voluntários da paróquia, acaricia o coração. Existem ainda dois finais de semana para conferir ou retornar.

Voltando à Vila Arens. Depois da Catedral, onde nasceu o trabalho com as mulheres, foi a Igreja Nossa Senhora da Conceição que primeiramente nos chamou, através do Padre José Brombal, na época Diácono, com o propósito de que testemunhássemos as maravilhas de Deus na história de mocinhas vitimadas pela violência sexual infanto-juvenil, pela miséria ligada à promiscuidade sexual, pela troca do corpo pela droga. Uma das primeiras assistidas, que já partiu para o Reino dos Céus, esteve conosco, entregando, à Igreja a sua caminhada de desencontros e seu anseio pelo Cristo Jesus. No mesmo bairro, desde o princípio de nossa missão, em outubro de 1982, anunciávamos a misericórdia de Deus e convivíamos com as destruídas de um bar e um hotel de alta rotatividade. Foi ali que também que nos deparamos com a degradação humana e que o Senhor nos mostrou que Ele acolhe destroços e com eles recupera a silhueta criada à Sua imagem e semelhança.

E há mais: Portugal me encanta. Sou de ascendência portuguesa do lado materno e paterno. Minha mãe carrega no sobrenome “Portugal” e, segundo escreve José Luiz Teixeira, estudioso de genealogia, os Andrades, de meu pai, são descendentes de Salvador Pires, que chegou ao Brasil na expedição de Martim Afonso de Souza. Literatura Portuguesa e fados me tocam a alma. Foi Deus, por certo cantaria Amália Rodrigues, que ofereceu aos voluntários da Festa Portuguesa esse coração imenso, capaz de colocar vida nos caminhos daqueles que tantos condenam à morte. Nossa gratidão!

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil

 



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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
RENATA IACOVINO - SAUDADE

                        

 

 

 

“Depois que eu me chamar saudade/Não preciso de vaidade/Quero preces e nada mais”.

Estes versos, familiares aos bons apreciadores do samba e da verdadeira MPB, estão na composição “Quando eu me chamar saudade”, apenas uma das inúmeras parcerias dos geniais Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Este último, por sinal, tive o privilégio de assistir ao vivo, num dos boêmios bares da seresteira cidade de Conservatória, no estado do Rio de Janeiro. Momento inesquecível, congelado em minha memória. Gênios da arte, aliás, são espécie em extinção. Parece que quase tudo hoje é insuportavelmente igual, cansativo, entediante, sem expressão, artificial... Reflexo puro do comportamento de nossos tempos, em que tudo é fabricado para decepar a diversidade, numa linha de montagem incessante. Pares de humanos descabeçados, de jovens apáticos, sem vigor, sem nenhuma novidade nem brilho no olhar. Vítimas desse caos tecnológico, paradoxal em seus benefícios e malefícios. Narrava-me, outro dia, uma colega de trabalho, que se põe indignada e desesperada com algumas atitudes de seu filho, dito pré-adolescente que, toda vez, ao se levantar da cadeira, geme, como se estivesse acometido de alguma doença. O mesmo acontecendo quando vai se sentar. Sim, está acometido de uma doença, e ao que tudo indica... crônica.

O outro colega, cujo filho está prestes a completar dez anos, anda repetindo – ao que tudo indica, já faz um tempo – que está entrando na pré-adolescência.

Essa patologia pós-contemporânea parece contaminar cada vez mais cedo as pobres crianças, que mal usufruem a infância, já começam a falar sobre pré-adolescência. E talvez isto se dê justamente por mal – ou nunca – usufruírem a infância.

As preocupações de outrora envolviam brincadeiras que nos faziam mexer o corpo, nos proporcionavam o contato com o sol, com a natureza e com o outro – luz da vida! Hoje... não há em que se concentrar. Não temos mais “o outro”; inexiste “o grupo” e a atividade criada/fruída para aquele momento. Hoje, tudo é roboticamente sobrevivido, dando a impressão de que estamos à beira da morte, tal a inércia que se plantou na ausência de comportamentos e atitudes, na depressiva falta de identidade, nas mesmices e burrices vendidas em publicidades televisivas e via internet. E a violência nas ruas é a culpada, de forma apropriadamente inteligente, para que esse cenário tenha sido construído, fortalecido e justificado. E assim, às escuras, outra violência – silenciosa e perversa – infiltra-se de maneira mordaz.

“Sei que amanhã/Quando eu morrer/Os meus amigos vão dizer/Que eu tinha um  bom coração/Alguns até hão de chorar/E querer me homenagear/Fazendo de ouro um violão/Mas depois que o tempo passar/Sei que ninguém vai se lembrar/Que eu fui embora/Por isso é que eu penso assim/Se alguém quiser fazer por mim/Que faça agora./Me dê as flores em vida/O carinho, a mão amiga,/Para aliviar meus ais./Depois que eu me chamar saudade/Não preciso de vaidade/Quero preces e nada mais”.

Muito provavelmente quem ouvir – ou ler – esta composição, e não tenha a alma desvinculada do próprio umbigo, dirá que isso é algo triste, estranho e por aí afora, pois para o ser humano preso à atual expressão midiática e às demais composições inanimadas, a afetividade passa longe, a sensibilidade é algo que corresponde à era paleozoica, e a saudade... bem... esta, por ser um sentimento ligado intimamente a algo humano, esta palavra... nem com dicionário será encontrada... o sentimento que corresponde a ela está prestes a se extinguir... o dicionário em que ela aparece está prestes a ser extinto.

 

 

Renata Iacovino, escritora e cantora, reiacovino.blog.uol.com.br/reval.nafoto.net/ caju.valquiriamalagoli.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:45
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - MUDANÇAS

 

            Engraçado como algumas coisas são... Quase todos nós desejamos que a vida nos surpreenda com coisas boas, com novidades que transformem nossas vidas para melhor, mas, ao mesmo tempo, é comum irmos nos acomodando com as circunstâncias e irmos adquirindo, paradoxalmente, um desejo de congelar as coisas e o tempo das coisas.

            Creio que seja comum a idéia de um novo emprego, um novo salário, novos desafios, mas quando a vida de fato dá essas guinadas, é mais comum ficarmos com medo, magoados por sermos perturbados em nossas águas calmas, do que empolgados com o que quer que esteja por vir.

            Talvez a culpa disso, em partes, seja o fato que todos os meses há as mesmas contas, as mesmas obrigações a saldar e essas permanecem alheias a todo o resto. Daí que fica mais complicado viver sem preocupações, essencialmente quando muitas delas chegam pelo correio e cobram juros e correção monetária...

            Eu, particularmente, sofro do mal acima. Vivo pensando em desafios, em novos ventos, mas quando sinto a brisa mudar, sou tomada por uma certa dose de pânico. Fico tal como a presa que pressente o predador se aproximando. Ouriçam-me os pelos da nuca, aperta-me a boca do estômago... Nessas horas, tenho a ilusão de que, se eu não me mexer, não me encontrarão e o vento mudará de direção.

            Fico confortável em águas calmas. Gosto da paz e da tranqüilidade que possuem. Admiro o espelho que nelas se forma e, por um curto período, repouso em berço esplêndido. Logo, porém, inicia-se um desconforto que não sei descrever com exatidão. Algo me entedia, faz com que eu sinta vontade de navegar, de prosseguir. Sei que se o vento mudar eu irei me assustar, mas nem isso é suficiente para me fazer desejar, mesmo sem saber, que as velas sejam balançadas, que a direção tome curso próprio...

            Certa vez li em algum lugar que os navios não foram feitos para ficar no cais, mas no mar. O mar, entretanto, tem seus mistérios e caprichos. Nunca sabemos, ao certo, como será a viagem, tampouco se iremos chegar ao destino, mas acredito que a vida, uma viagem em si mesma, não se faz de pausas, de paradas infinitas.

            Algumas vezes, ao contrário, a vida mais parece um mar revolto, do início ao fim e eu admiro aqueles que, com determinação, não se deixam derrubar, que se lançam na certeza da inevitabilidade, sabedores de que nada é capaz de substituir as emoções de ter estado por aqui, de ter feito a viagem, acabe ela como acabar...

            Que saibamos aceitar as mudanças e descobrir delas as alegrias, o caminhar, o navegar...

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA- Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 11:42
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LAURENTINO SABROSA - POSTAL DE PARABÉNS POR ANIVERSÁRIO

 Blogue de jmgs :Recordar o passado, Amor

 

 

       PREZADO ANIVERSARIANTE,

JOVEM ou MENOS JOVEM, ELE ou ELA

 

 

É meu prazer e até meu dever, dar os parabéns e apresentar os meus desejos de felicidade a quem celebra o seu aniversário, não só no seu dia mas pela vida fora. Porém, como a felicidade não é só ter aquilo que se quer, mas também ir aprendendo aquilo que para essa felicidade nos faz falta, eu tomo a liberdade de vos convidar a aumentar dia-a-dia a vossa sabedoria.  

O grande Sócrates dizia : SÓ SEI QUE NAD SEI . Como ele era limitado na sua sabedoria! Agora, na era da Graça de Cristo, todos devemos saber muito mais: sabermos que também nada somos, nada podemos e nada merecemos. Para nesta época sermos tão sábios e filósofos como Sócrates era   no seu  tempo,  também  temos  de saber que tudo temos, apesar de nada sermos e nada merecermos.  

         Para a verdadeira sabedoria e verdadeira felicidade, estas “sabedorias” são essenciais. Quem vos fala é alguém que tem mais de oitenta anos. Pode ser, pelo menos avô de muitos de vós. Eu não duro sempre. Por isso, enquanto é tempo, aprendei de mim que sou…Oh! Meu Deus! Eu não sei aquilo que sou! Só sei aquilo que queria ser.

          Afectuosamente, em meu nome em nome do PAZ

 

                           laurindo.barbosa@gmail.com

 

LAURENTINO SABROSA   -   Economista, Senhora da Hora, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 11:27
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - 15 DE OUTUBRO DIA DO PROFESSOR

  

 

 

“Professor, sois o sol da terra e a

 luz do mundo” (Cora Coralina).

                                                          

A 15 de outubro, homenagearemos o compromisso profissional dos professores que, apesar das condições muitas  vezes precárias, dos recursos limitados e da remuneração inadequada, ajudam o Brasil a ir em frente.  E infelizmente, reiterem-se, as reverências não virão acompanhadas de medidas que redimirão nossas autoridades do crime que estão cometendo contra o País ao relegarem a educação como última das prioridades. Diante desse quadro, foi lançada uma campanha “Um bom professor, um bom começo”, objetivando reforçar a importância dos educadores e pressionar por melhorias que favoreçam tanto quem ensina quanto quem está em fase de aprendizado

 

Celebra-se a quinze de outubro o Dia do Professor, pois foi nessa data, no ano de 1827, que o imperador D. Pedro I assinou a Lei Nacional, aprovada pelo Legislativo, que instituiu no Brasil a instrução primária (ou das primeiras letras, como então se denominava), pública e gratuita, em todas as províncias do Império.  Assim, no próximo sábado, saudaremos o compromisso profissional dos professores que, apesar das condições muitas  vezes precárias, dos recursos limitados e da remuneração inadequada, ajudam a Nação a ir em frente.  E reitere-se, infelizmente, as reverências não virão acompanhadas de medidas que redimirão nossas autoridades do crime que estão cometendo contra o País ao relegarem a educação como última das prioridades.

Nesta trilha, cite-se parte de editorial publicado pelo jornal “Correio Popular” de Campinas: -“Na educação, um setor altamente sensível, as carências são enormes. Mesmo com o reconhecimento da importância fundamental do acesso universal a um padrão de ensino de qualidade, os progressos são poucos e os investimentos mínimos, em evidente inversão de prioridades orçamentárias. Os professores vivem situação de penúria pelos baixos salários e poucas oportunidades de qualificação, os currículos são frequentemente aviltados, não é incomum alunos que avançam nas séries básicas sem serem alfabetizados, a violência toma conta dos vácuos deixados pelo sistema” ( 11/10/2009).

Diante de todos esses aspectos e percalços, o Movimento Todos pela Educação lançou recentemente uma campanha de valorização dos professores, iniciativa que precisa contar com o apoio da sociedade. O objetivo, como resume o slogan “Um bom professor, um bom começo”, é justamente reforçar a importância dos educadores e pressionar por melhorias que favoreçam tanto quem ensina quanto quem está em fase de aprendizado. Um dos méritos do projeto é o de chamar a atenção para o aspecto de que um profissional bem formado e atualizado é o que tem mais chance de se realizar na atividade e de cumprir bem o seu papel de educar cidadãos para a vida adulta.

            Na realidade, diante das condições atuais, poucos querem ingressar na carreira do magistério. Realizado anualmente, o último Censo da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC) constatou que o número de formandos dos cursos de Pedagogia e Normal Superior – que preparam professores para as primeiras séries da educação básica – caiu pela metade, em quatro anos. Em 2009, 52 mil docentes concluíram esses cursos, ante 103 mil, em 2005. O Censo também registrou queda no número de graduandos nos cursos de licenciatura, que preparam professores para lecionar nas últimas séries do ensino fundamental e nas três séries do ensino médio. Em 2005 foram 77 mil e, em 2009, 64 mil. No mesmo período, porém, o total de formandos no ensino superior passou de 717 mil para 826 mil.

            De acordo com trecho de editorial publicado pelo jornal “O Estaodo de São Paulo”, “essa situação se vislumbra porque, ao contrário do que ocorria há quatro ou cinco décadas, quando o professor dos antigos cursos de 1º e 2º graus gozava de enorme prestígio social, as novas gerações não se sentem atraídas pelo magistério público. Por causa do aviltamento dos salários, mas em grande parte também por causa das péssimas condições de trabalho – especialmente nas escolas públicas situadas em bairros pobres e nas periferias das grandes cidades – e da subseqüente desvalorização da carreira, os jovens de hoje estão optando por cursos que proporcionam, tanto no setor público quanto na iniciativa privada, carreiras com salários mais altos e trabalho mais gratificante” (“A desvalorização do magistério” – 04/02/2011- p. 3)

Estamos diante de um insólito quadro. O professor só poderá desempenhar suas funções com resultados positivos, se lhe propiciarem condições adequadas de trabalho e remuneração. Enquanto isso, o que ele precisa, no mínimo, é de respeito, o que se lhe tem negado com veemência em nosso país. A título de homenagem invocamos a poetia Cora Coralina, extraindo parte de um de seus poemas: “Professor, sois o sol da terra e a luz do mundo / Sem ti tudo seria baço e a  terra escura./ Professor, faze de tua cadeira a cátedra de um mestre./ Se souberes elevar teu magistério, ele te elevará à magnificência./ Tu és um jovem, sê, com o tempo e competência um excelente mestre” (“O Professor” - poema extraído do livro “Vintém de cobre, meias confissões de Aninha”- Ed. da Universidade Federal de Goiás)

 

                  NOBRE MISSÃO

 

 

                        “A minha função de professor, como sempre entendi, é a de construir, junto com os estudantes, conhecimento a partir de informações. Assim, penso o professor como parte de um coletivo que trabalha de forma articulada na construção de um conhecimento que contribua para colocar os estudantes em sintonia com as necessidades de seu tempo, com as exigências da sociedade em que ele se insere, enfim, colaborar na formação do cidadão bem sucedido e útil para a sociedade” (Cláudio Jorge, professor da PUC-Campinas e do Anglo - 15/10/2009- A3- Correio Popular).

 

João Carlos José Martinelli é advogado, jornalista, escritor e professor universitário



publicado por Luso-brasileiro às 11:16
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SÉRGIO BARCELLOS - "A MÃE DO SALVADOR EM TERRAS BRASILEIRAS"

                      


 

 

FOI LÁ NO RIO PARAIBA

CUJAS MARGENS ASSISTIU,

NAS FAZENDAS DOS SENHORES,

TANTOS NEGROS SOFREDORES

QUE O CORAÇÃO DA VIRGEM PARTIU.

 

 

ESSA RAÇA FICOU

QUATRO SÉCULOS A APANHAR,

NO PEITO SENTINDO DOR,

CONSTATANDO AQUELE HORROR

MARIA VEIO RESGATAR.

 

 

TUDO FOI DERREPENTE

O FATO QUE ACONTECEU,

ERAM DA PROFISSÃO DE PEDRO

SEM FAZER NENHUM SEGREDO

QUE A MÃE DE CRISTO ESCOLHEU.

 

 

LANÇARAM REDES

NO LUGAR QUE ESCOLHERAM,

EM BUSCA DO SUSTENTO,

SURPRESOS NO INTENTO

QUANDO AS MALHAS RECOLHERAM.

 

 

O ESPANTO FOI TOTAL,

NÃO TIVERAM OS PESCADOS

E SIM UMA IMAGEM DE COR NEGRA

QUE ALI MESMO FORA PEGA

RESGATANDO SEUS PECADOS.

 

 

DESANIMADOS FICARAM

COM A IMAGEM SEM VALIA,

REALMENTE ERA UMA SANTA

SUA COR NÃO ERA BRANCA

E CABEÇA NÃO HAVIA.

 

 

O INTRUMENTO DE TRABALHO

OUTRA VEZ INSISTIA,

A DIREITA FOI LANÇADO

E COM MUITO CUIDADO

PRA VER SE O PEIXE APARECIA

 

 

LÁ MESMO,

OUTRO FATO ACONTECEU,

QUANDO A REDE RECOLHIDIDA

COM CUIDADO SEM MEDIDA

OUTRA PARTE APARECEU

 

 

 

ALEGRES COM AQUILO,

SEM TER NENHUM PENHOR,

PRA CASA A LEVARAM

E LOGO CONSTATARAM

SER A MÃE DO SEU SENHOR.

 

 

COLARAM AS DUAS PARTES

E PUSERAM NUM ALTAR,

TODOS COM ESPANTO

A ELA FIZERAM UM MANTO

E REZARAM SEM CESSAR.

 

 

VENDO AQUELES FILHOS

QUE ORAVAM NOITE E DIA,

AFLITOS E DOENTES

GENTE MUITO DESCENTE

A SEUS PEDIDOS ATENDIA

 

 

MUITOS ENTENDERAM

A MÃE DO SALVADOR,

ESPALHANDO A NOTÍCIA

QUE NÃO ERA FICTÍCIA

E SÓ DEMONSTRAVA AMOR.

 

 

OUTROS PENSAVAM

SER AQUILO IDOLATRIA,

DE GENTE IGNORANTE

SEM TER VIDA CONSTANTE

DA CABEÇA SOFRIA.

 

 

AINDA SEUS FILHOS SOFREM

VARIOS TIPOS DE ESCRAVIDÃO;

SÃO NEGROS, BRANCOS E METÍÇOS

NAS FAVELAS MOCAMBOS E CORTÍÇOS

DE FOME DOENÇAS E OPRESSÃO.

 

 

É POR ISSO

QUEM SUA FÉ RENHIDA

MESMO PASSANDO FOME,

GRITAM SEMPRE O SEU NOME

N.S. CONCEIÇÃO APARECEIDA.

 

 

 

SÉRGIO BARCELLOS   - Agrimensor e escritor. São Paulo.

             -12/10/92 -

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:59
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e OS CUIDADOS COM A LÍNGUA

                                     

 

 

*H I S T Ó R I A

 

Nas missas, um sacerdote ficava incomodado ao ver uma senhora de joelhos, rezando o tempo todo durante a homilia. Era só ele começar a explicar o Evangelho e ela se ajoelhava.

Um dia, após a celebração, o padre se aproximou da mulher e disse:

- Minha senhora, quero lhe pedir um favor. Quando eu estiver fazendo o sermão, procure prestar atenção nas minhas palavras e, para isso, não é necessário ficar de joelhos no primeiro banco da igreja! Guarde o terço e permaneça sentada como os demais, por favor!

Daquela data em diante, ela seguiu exatamente a orientação que recebeu, mas, ele, embora aliviado com a nova postura da fiel devota, não conseguia repetir suas belas homilias de tempos atrás.

Certa manhã, voltou a falar com a mesma senhora:

- Desculpe-me por incomodar-lhe novamente, mas eu gostaria de saber se as pessoas comentam que estou tendo dificuldades em encaixar as palavras nas reflexões que faço nas missas.

Ela respondeu:

- Sim, eu tenho escutado falarem isso, mas, se o senhor quiser, volto a me ajoelhar e pedir a Deus que o abençoe no sermão, como eu fazia antes!

Bem, só conheço a história até aí, mas, se eu fosse o sacerdote, concordaria que ela continuasse rezando cada vez mais por mim.

Rezar só faz bem e nunca devemos desprezar uma prece feita com o coração.

Há muitas maneiras de rezar, principalmente quando estamos servindo a Deus com humildade e espírito cristão: socorrendo os pobres, evangelizando, organizando eventos religiosos ou estudando para o crescimento espiritual.

E no sentido de aceitar os convites de Deus, rezar nunca é demais!

Desejo a você, leitor, muita paz, saúde e perseverança na fé. Isto também é uma oração!

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’,que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

OS CUIDADOS COM A LÍNGUA

 

Há dois fatos nos Evangelhos que merecem ser lembrados; o primeiro, relata uma cilada que prepararam para o Mestre: (Mt 22, 15-21)

“Os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: ‘Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?’

Jesus percebeu a maldade deles e disse:‘Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? Mostrai-me a moeda do imposto!’ Trouxeram-lhe então a moeda e Jesus disse: ‘De quem é a figura e a inscrição desta moeda?’ Eles responderam: ‘De César’. Jesus então lhes disse: ‘Dai pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’.”

Como se vê, a pergunta feita a Jesus era de extrema gravidade, pois envolvia um dilema, do qual acreditavam que Ele não poderia sair: se dissesse que não deviam pagar o imposto, acusá-lo-iam a Pôncio Pilatos; se dissesse que devia ser pago, desagradaria o povo de Israel. A questão era embaraçosa de todos os pontos de vista, mas a sabedoria Divina na resposta desconcertou os fariseus – que nem ao menos replicaram.

No segundo fato bíblico que vou citar, a pergunta capciosa foi apresentada a propósito por Jesus: (Lc 14, 1-6)

“Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Diante de Jesus, havia um hidrópico. Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da lei e aos fariseus: ‘A lei permite curar em dia de sábado ou não?’ Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. Depois lhes disse: ‘Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?’ E eles não foram capazes de responder a isso.”

Portanto, ler diariamente um trecho da Sagrada Escritura é importante, mas isto pouco adianta àquele que não vive o seu conteúdo de coração aberto. Seguir Jesus é usar de muita sabedoria na observância da Lei, procurando sempre promover a vida plena e eterna para todos. Quem tem em mente a prática do bem e caminha em comunhão com o Espírito Santo, não se torna escravo da hipocrisia religiosa, não é mesmo?

Alguns fariseus foram exemplos de que Deus não escolhe os mais capacitados para serví-Lo, mas capacita os escolhidos. E, ainda hoje, os escolhidos são aqueles que respondem ‘sim’ ao chamado e se oferecem para servir com humildade.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:52
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Sábado, 15 de Outubro de 2011
HUMBERTO PINHO DA SILVA - CULTURA AO QUILO

 

 

 

Conta Luís de Oliveira Martins, que certa vez o genial Camilo esbarrou, na Praça Nova, com negociante seu conhecido, sobraçando numerosos livros.

Admirado que o comerciante andasse com tantos livros, disse-lhe o escritor:

- Quantos livros você leva consigo! ….

- São para meu filho, que anda a estudar. - Respondeu, enfatuado, o comerciante. - São quatro quilos de sabedoria! - Concluiu o homem com sorriso de orgulho bailando nos lábios.

Ao que Camilo, prontamente, retorquiu:

- Veja lá se lhe roubaram no peso! ….

Esta historieta, quase anedótica, ocorrida entre o escritor e o lojista da praça portuense, lembrou-me outra, que presenciei em menino, na livraria de amigo de meu pai.

Certa ocasião o Dr. Saraiva, homem bom e temente a Deus, instou meu pai a visitar sua casa, pois queria mostrar-lhe a biblioteca.

Espicaçado pela curiosidade, ainda que contrafeito, acedeu; e numa manhã de domingo, após a missa, bateu ao ferrolho do antigo e sombrio prédio dos Saraivas.

Prontamente apareceu o dono da casa e alegremente conduziu-nos à famosa livraria; antes, porem, passamos por saleta, onde montara posto de radioamador.

Ligada a aparelhagem, soltou-se infernal chiadeira, chinfrim de ruídos graves e agudos, que este vosso criado, que acompanhava o senhor, seu pai, não encontrou outro remédio, senão servir-se das mãos, como tampões.

Mas isso é o menos.

Prestes passamos à biblioteca. O Dr. Saraiva escancarou as janelas, e jorrou sobre os armários envidraçados, que forravam as paredes, alegre e fresco sol matinal.

Seguiu-se a apresentação dos volumes:

- Aqui está a obra completa de Eça e Camilo; algumas são primeiras edições; a enciclopédia Luso-brasileira, a Britânica e o Larousse; os livros de Economia, História, Direito e Medicina, encontram-se naquele armário. Enfim, uma biblioteca de milhares e milhares de volumes! … - Rematou orgulhoso o Dr. Saraiva.

Meu pai olhava pasmado para tanta “cultura”; observava os livros vestidos a pele genuína, cobertos a letras doiradas, que pareciam acabados de sair do encadernador.

Então o Dr. Saraiva, querendo deslumbrar-nos, abriu a porta envidraçada de uma estante e retirou preciso livro, ricamente encadernado a meio-amador, e disse:

- Veja que beleza! …

Meu pai abriu a obra, que era de Florbela Espanca. Estava em branco! Tornou a abrir…e sempre folhas em branco!

-Abra ao meio! …Abra ao meio! … - Insistia o Dr. Saraiva. - Como era muito fininho, mandei encadernar com folhas em branco. Sempre fica mais bonito na estante.

Tanto o lojista de Camilo, que media a cultura ao quilo, como o Dr. Saraiva, que, como Jacinto, do Eça, tinha milhares de volumes que nunca lera, pensavam que a cultura resumia-se na abundância de livros.

Como eles, quantos não adquirem livros só para dizerem que possuem a obra completa de ***, ou a Bíblia ilustrada de Doré?! Compram “cultura”, a metro, para enfeitar estantes.

E o homem comum, vendo tanta abundância de livro, dialoga com os seus botões:

- Que homem culto é este senhor doutor! …

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



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PINHO DA SILVA - CRIANÇA TÍMIDA E MIMALHA...

                     

 

"Tu és nosso Pai!..."

   Isaias,63-16

 

 

 

Como criança tímida e mimalha

que se aninha no colo de seu pai,

eu vou, meu Deus, a Ti, p'ra que me valha

o Teu regaço amigo, onde se esvai

 

 

o receio que tenho ao mal do mundo!...

A vida, deste modo, Pai querido,

é mais doce e é mais bela: - é mais profundo

este meu contentamento de ter tido

 

 

(no mar da vida) a bússula segura

que me leva ao remanso do Teu Norte"...

Meu Deus! - eu tenho medo à noite escura,

 

 

se não for o Teu colo p'ra aninhar-me;

mas, nele, não receio a própria "morte!,

que, aos Teus braços, não vem ela buscar-me!

 

 

 

PINHO DA SILVA   -   Vila Nova de Gaia, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 12:29
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MARIA APARECIDA NERY - PERIGO: ABAIXO - ASSINADO !

                         

 

www.ilhacap.com.br 

 

O abaixo-assinado é um documento  firmado por diversas pessoas com um interesse comum, para determinada e específica finalidade. É um instrumento que tanto pode significar uma simples manifestação de vontade, um grito de protesto, voz de apoio ou pressão, ou representar pedido, reivindicação, requerimento. Em tempos de exacerbação do participativismo popular direto, que tenta subverter a democracia representativa e assumir o lugar do voto, os abaixo-assinados geralmente são endereçados a autoridades públicas, mas também podem ser direcionados a entes privados.

Na Constituição Federal existe a previsão da iniciativa popular que, de certo modo, é um abaixo-assinado: cidadãos reúnem-se em peticionamento coletivo, apresentado sob critérios bem definidos e com quantidades mínimas de adesões, para propor um projeto de lei que, no entanto, deverá passar por todos os trâmites legislativos institucionais. Os projetos de iniciativa popular são regulamentados pela Lei 9709/98, que também rege os plebiscitos e referendos.

Embora possa ser portador de grande força de coerção moral, o abaixo-assinado não tem valor jurídico nem produz efeitos legais. A atenção que a papelada atrairá, ou o atendimento ao que ele pretender, repousará apenas na boa vontade do destinatário. Ou em algum interesse subjacente que a lista de nomes eventualmente despertar nele. Políticos, por exemplo, prezam tanto abaixo-assinados quanto reuniões de gabinete, audiências públicas em plenário e comícios de rua.

 

 

Minorias disfarçadas de maiorias

 

 

Apesar de não haver legislação sobre o abaixo-assinado, existem condições administrativas mínimas para que eles inspirem confiança e possam ser bem aceitos por autoridades públicas sérias. Qualquer abaixo-assinado que pretenda ter um mínimo de credibilidade e respeitabilidade, deve configurar um documento com formato organizado e de conteúdo confiável. Transparência é fundamental, por isso os dados devem ostentar além do nome, a qualificação básica de quem o subscreve: RG ou CPF, profissão, endereço e título de eleitor, já que a pessoa deve estar em dia com seus deveres e direitos políticos. Um telefone de contato é sempre bem-vindo para garantir a possibilidade de conferência rápida, por amostragem, única forma de comprovação da honestidade do documento. Também é apropriado que o abaixo-assinado tenha um responsável geral, plena e formalmente identificado e de fácil contato. Afinal de contas, a experiência  mostra que a maioria dos abaixo-assinados é apenas a forma mais fácil de minorias perpetrarem alguma ação questionável, cuja responsabilidade querem dividir e diluir entre uma maioria de ingênuos inocentes úteis.

O conteúdo do cabeçalho deve ter uma redação sucinta, objetiva e totalmente clara quanto aos propósitos do instrumento. Esse texto deve estar repetido integralmente em cada página, comprovando que quem assinou tinha conhecimento suficiente sobre o quê e para quê o estava fazendo. São muito comuns os cabeçalhos que não expõem claramente a finalidade, para depois serem utilizados para objetivos que nada tem a ver com as ideias de quem foi cooptado a engajar-se na causa da hora, e que praticamente estão assinando um cheque em branco.

Para facilitar a quantificação de assinantes, é bom que cada folha tenha numeração sequencial nas linhas de preenchimento. E junto ao cabeçalho deve haver um espaço para numeração das páginas e data: as páginas podem ser distribuidas individualmente para a coleta das assinaturas, mas cada uma delas que for sendo incluída no maço deve receber seu próprio número de ordem no conjunto, de acordo com a data de juntada. Para impossibilitar interferência de terceiros ao longo da tramitação, no ato da juntada das folhas, o espaço de eventuais linhas não preenchidas deve ser inutilizado com a frase “Em branco”, atravessada em letras garrafais.

 

 

Indústria do abaixo-assinado: 1-7-1 à solta

 

 

Na sempre criativa - e muitas vezes desonesta - mentalidade do jeitinho brasileiro, abaixo-assinados viraram ferramentas de mistificação, engodos e fraudulências políticas e sociais. De modo que há de tudo circulando por aí com ares de documento representativo e oficial, já que presta-se para os mais diversos tipos de estelionato intelectual, sendo os mais comuns os argumentos alarmistas sobre agressões à natureza para proteger interesses pessoais ou de grupos, disfarçados de reivindicação de benefícios para a coletividade. Tudo, bem investigado, é golpe facilmente enquadrável no Art. 171 do Código Penal, com falsificação de assinaturas, inclusão de assinantes fictícios etc e tal.

O advento da WEB e a virtualidade de nossos tempos disseminou a moda do abaixo-assinado, que o militantismo rasteiro rapidamente transformou numa verdadeira indústria da pressão social e política sem qualquer regulamentação! A internet reduziu ao mínimo o trabalho desses nobres colhedores de assinaturas para suas causas de ocasião e multiplicou ao máximo as possibilidades de falcatruas.

Completa-se o caldo nefasto com o fato de que, pela índole ingênua e comodista da maioria dos brasileiros, tanto quem é cooptado ou compelido a assinar, como quem recebe o abaixo-assinado para as “devidas providências”, via de regra não se anima a confrontar os dados apresentados e muito menos a questionar legalidade mínima. Muitas vezes - reconheçamos - nem estão interessados em enfrentar os criadores de causas.

Surpreendentemente, é o programa petralha Custe o Que Custar (CQC), da rede Bandeirantes, que vem prestando um desserviço à sua companheirada - profissionais do abaixo-assinado -, demonstrando em diversos quadros em quão baixa conta os brasileiros tem a sua assinatura. Num dos episódios mais emblemáticos, a repórter Mônica Iozzi comandou uma moça colocada pela produção do programa para recolher assinaturas na Casa de Leis. Foram coletadas várias assinaturas nos corredores da Câmara dos Deputados para um Projeto de Emenda Constitucional que incluiria a cachaça na cesta básica dos coitadinhos dos excluídos da sociedade de consumo. Vários parlamentares com anos de experiência assinaram o documento, sem pestanejar e sem nem mesmo ler o que estavam assinando.

Dá para imaginar, amigo leitor, o comportamento de pessoas comuns, muitas vezes sem instrução, vulneráveis e dispostas a apoiar o que for preciso na ilusão de melhorar “as condições de vida da população” e diminuir as suas próprias dificuldades. É um já para se tornarem joguetes nas mãos de pessoas inescrupulosas.

Portanto, façamos um esforço, e antes de assinar qualquer coisa e de acatar como força de pressão qualquer folha de ofício com mais de três nomes e rabiscos, questionemos. É preciso estar muito atento e ser forte para não deixar-se levar pelas ladainhas politicamente corretas, tão em moda, sobre a “obrigação cívica” de pressionar coletivamente para que a sociedade melhore o mundo e preserve o planeta para as futuras gerações. A esmagadora maioria do que circula por aí é facilmente enquadrável no Artigo 171 do Código Penal:

“Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:

 Pena – reclusão, de um a cinco anos, e multa.”

 

 

MARIA APARECIDA NERY    -    Florianópolis, Brasil

 

 

 

 

Nas próximas edições o nanico que incomoda vai mostrar casos práticos e bem próximos, comprovando que, se o Brasil não fosse o país da

impunidade, as cadeias estariam superlotadas de

fabricadores de abaixo-assinados reluzentes de boas intenções. Mas eivados de fraudulências!

 

!

Transcrito do Jornal de Florianópolis:

(48) 3269-8265 / 9618-4185

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Terça-feira, 11 de Outubro de 2011
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - PAN, GUADALAJARA E EXCLUÍDOS

                   

 

 

Noticia-se que, há algumas semanas, devido aos Jogos Pan-Americanos (de 14 a 30 de outubro) em Guadalajara, as autoridades locais iniciaram uma ação para que sejam retiradas prostituídas das zonas centrais da cidade, embora Aristóteles Sandoval, prefeito do município mexicano, negasse que adotaria esse tipo de conduta. O jornal “Milenio”, contudo, confirma que a expulsão começou pelo Parque Morelos. Segundo informações do provedor Terra, em 30 de setembro, no dia seis de maio deste ano, uma comissão da cidade apresentou um programa denominado Plano de Reordenamento Humano, no qual projetava “livrar” as áreas turísticas de Guadalajara de prostituídas, mendigos, meninos de rua e indígenas. Denominam esse posicionamento como “limpeza social” e entendem que essas personagens poderiam amedrontar os turistas.

É a lógica dissimulada de nossa sociedade, não somente do México, construída sob e sobre aparências. As prostituídas revelam a violência sexual infanto-juvenil; o estímulo à promiscuidade sexual; a falta de oportunidades na família, na escola, no mercado de trabalho; o narcotráfico que busca a dependência química de meninos e meninas; a migração para os grandes centros urbanos, nos quais a acolhida se faz do uso e abuso de mão-de-obra barata e de empurrões para as margens. As prostituídas, que perambulam pelas ruas, em situação de decadência, são o retrato mais visível do comércio do sexo, que vê corpos com vida à medida que geram lucros e os transformam em cadáveres no declínio da carne. Os mendigos sinalizam uma coletividade falida, que não se preocupa em oferecer um tratamento com dignidade ao diferente e nem mesmo uma atenção individualizada mais eficaz na saúde mental. Os meninos de rua são os rebentos da desestrutura familiar, da falta de: investimento na família, escola inclusiva e  projeto de habitação que liberte as pessoas de um entorno ligado à criminalidade. Os indígenas, em situação de penúria, denunciam, em toda a América, a prepotência do homem branco, que destruiu suas paisagens, manchou os seus rios, zombou de suas crenças e pisou com ferraduras em suas terras sagradas. E onde se encontrarão os que transformam gente em adubo? Serão aplaudidos em camarotes?

Penso em Nossa Senhora de Guadalupe, patrona da Cidade do México e da América Latina, que apareceu a um pobre índio da tribo Nahua, Juan Diego, em 1531. Ela que fez crescer flores numa colina semidesértica em pleno inverno, deixou sua  imagem impressa milagrosamente na tilma de Juanito e, nos olhos dela, segundo alguns estudiosos, se encontram várias figuras humanas, incluindo um bebê levado nas costas por sua mãe. Que a Virgem de Guadalupe proteja, com seu manto materno, nesse momento de agressão ao ser humano, os filhos do desamparo que vagam pelas ruas de Guadalajara e conceda, aos mascarados, a coragem de tirar os disfarces e entrar na claridade.

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala,Jundiaí, Brasil



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