PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 26 de Março de 2012
JOÃO BOSCO LEAL - MUDANDO OLHARES

 

 

                                              

 

 

 

 

Em conversa com uma pessoa muito querida, falávamos das dificuldades de relacionamento que possuímos, muitas vezes até com pessoas extremamente próximas, com o mesmo sangue, como pais e filhos, avós e netos, irmãos, primos e todos os outros tipos de consanguinidade e cunhados e cunhadas, que mesmo não possuindo o mesmo sangue um dia tornaram-se membros da nossa família ou entre amigos e amigas.

Soube da sua dificuldade com sua mãe, que mesmo quando se tornou avó de suas filhas não havia lhe acompanhado nos hospitais durante ou mesmo após seus partos, e não a tratava com o carinho que normalmente uma mãe dedica a uma filha ou netas e netos.

Tenho visto muitos casos de pais ou mães que demonstram claramente sua predileção por um filho ou uma filha em detrimento dos outros e eu mesmo, sempre sinto essa diferença por haver sido preterido. No caso dessa pessoa, era ainda pior, pois sua mãe não dedicava carinho e amor de mãe a nenhuma de suas filhas ou netos.

Normalmente é mais fácil conversarmos sobre nossos assuntos mais íntimos com pessoas estranhas ou recém- chegadas ao nosso círculo de amizades, evitando esses temas com os mais próximos, com que já temos menos tolerância e sempre, pensando que algum conflito poderá ocorrer, deixamos o assunto para outra ocasião.

Mesmo assim, após décadas de insatisfações, durante uma reunião familiar as filhas, agora já mães, reclamavam do tratamento recebido da mãe e tentavam entender o motivo desse comportamento quando uma delas se lembrou de sua avó materna, de como era dura no tratamento das pessoas e esse deveria ser o motivo principal, a mãe não sabia dar o que nunca havia recebido.

Apesar de guardarem profundas mágoas, resolveram alterar radicalmente seu relacionamento com ela, tomando desde atitudes mais simples, como abraços e beijos que entre eles nunca ocorria, a telefonemas diários e visitas constantes, enfim, dando-lhe todo o carinho que gostariam de haver recebido. A família passou então por uma transformação nunca imaginada pelas filhas, que hoje convivem com a mãe como sempre sonharam.

Quando nas relações não somos tratados como imaginamos que deveríamos ser, a tendência é nos afastarmos daquela pessoa sem procurar as origens de suas atitudes, como e onde nasceram, foram alimentadas, educadas, estudaram e uma enorme quantidade de variáveis que poderiam justificá-las.

Municiados dessas informações provavelmente teríamos muito mais facilidade em nos relacionarmos com outras pessoas, pois mais facilmente poderíamos entender muitas de suas atitudes e relevá-las, assim como muito provavelmente outros, na mesma condição, fariam conosco.

Em uma de suas citações, amplamente divulgadas o padre Fábio de Mello disse: “Já que não tenho o dom de modificar uma pessoa, vou modificar aquilo que eu posso: o meu jeito de olhar para ela!”.

De fato, a solução mais fácil para as mais diversas dificuldades de relacionamento depende da nossa maturidade e humildade, de darmos o primeiro passo em busca de uma melhoria, procurando ouvir, saber dos motivos e mostrando àquela pessoa que mesmo nunca tendo recebido, de você ela terá o que lhe faltou.

Em qualquer relacionamento, social, de amizade, familiar ou amoroso, incompreensões, faltas, acertos e erros poderão ocorrer, mas antes de julgarmos ou tomarmos decisões precipitadas, deveríamos refletir sobre a origem dos motivos que levaram ao acontecimento.

Além de não cobrarmos de uma pessoa o que ela não possui, devemos dar-lhe o que nunca teve.

 

 

JOÃO BOSCO LEAL, é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. Campo Grande, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 11:11
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - ONDE SE APELA À SOLIDARIEDADE PORTUGUESA

 

 

 

 

 

 

É do conhecimento geral que Portugal está a passar por uma das piores crises de sempre, fruto do despesismo, políticas erradas, e mau uso de verbas comunitárias.

Mas, como na política não há responsáveis, e mesmo que houvesse, de nada servia para minimizar o sofrimento do povo, o único meio que existe é recorrer à solidariedade.

Acontece, porém, que a classe média, que em regra é a mais generosa, está, em grande parte, desmantelada, devido ao desemprego, e à subida desenfreada de preços e impostos, aliado à redução de salários.

Assim as instituições que minimizam e suavizam as dificuldades dos que caiem na miséria, vêem-se em tremendas dificuldades para acudirem àqueles, que em desespero, pedem-lhes pão, para si e seus filhos.

 A Caritas Portuguesa, onde escasseiam donativos e crescem pedidos de socorro, encontra-se aflita para atender todos que recorrem a seu auxílio.

A situação de muitos, já não é apenas perda de abrigo para dormirem, nem pagarem os empréstimos em que se enredaram, mas encontrarem o pão de cada dia, que permita obterem refeições quentes, e géneros para as poderem confeccionarem.

O mais dramático é saber, que grande parte deles, eram, até então, famílias que viviam desafogadamente e, muitas, com elevados graus académicos.

Julgo que chegou o momento de todos os portugueses, tanto os que vivem na sua Pátria, como no estrangeiro, de cerrarem fileiras e ajudarem os patrícios.

É o momento dos numerosos clubes e associações das colónias portuguesas espalhadas pelo mundo, realizarem peditórios, a fim de angariarem donativos para instituições de beneficência que trabalhem em Portugal.

É o momento, também, dos nossos jogadores de futebol, que são dos melhores do mundo, não esquecerem que seus irmãos, que falam a mesma língua, carecem de auxílio, entregando prémios que recebam da Selecção Portuguesa, a obras de assistência.

O facto de serem escolhidos para representarem Portugal, já é uma honra.

Se todos, inclusive os que escolheram Portugal, como sua segunda Pátria, contribuírem, através de associações, Igrejas ou directamente, mesmo com pequenas quantias, a crise que desabou no nosso País, e que se vai manter, pelo menos dois anos, apesar do notório esforço do Estado em minimizar o gravíssimo problema, será mais suave.

Anos há estive em São Paulo, em casa de família judia. A conversa encaminhou-se para o facto de não haver pedintes de origem hebraica e logo me disseram: - “ É que nenhum judeu, de raça e religião, permite que o irmão passe fome. Seria uma vergonha para nós!”

Que os portugueses, espalhados pelo mundo, sigam o bom exemplo do bom povo de Israel.

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:47
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Domingo, 25 de Março de 2012
PINHO DA SILVA - UM QUADRO

 

                

 

 

 

 

Vejo, enlevado, um quadro do meu lar;

É noite; recostada sobre o leito,

Nos lábios um sorriso satisfeito,

A mãe ajuda os filhos a estudar.

 

 

 

Contente, por ver certa desta vez

Uma conta difícil, o Bétinho,

Rindo, interroga a mãe que, com carinho,

Explica ao Nélito o seu francês.

 

 

 

A rir à gargalhada entra a Maria:

- Posso entrar? dá licença, minha tia?

Olhe, o que quer dizer banalidade?

 

 

 

(Porque há-de este " presente" ser "passado"?

Porque há-de encastoar-se, patinado,

Na moldura lilás duma saudade?)

 

 

 

PINHO DA SILVA   -   Vila Nova de Gaia, Portugal

 

 

 

 

 

 ATENÇÃO VICENTINOS DE JUNDIAÍ

 

 

 

               

 

 

 

 

Fraternalmente em Cristo

 

 

Essa foto foi tirada numa Festa Regulamentar dos Vicentinos, ...década de 70 – na Cidade Vicentina.

Pessoas: Irmã Felicíssima, que dedicou grande parte da sua vida ao Hospital São Vicente de Paulo – depois a Cidade Vicentina –

O saudoso João Mezzalira Júnior que foi, por 10 anos, Presidente da Cidade Vicentina, a sua exemplar esposa – Ornélia Píccolo Mezzalira. A saudosa Ana, esposa do saudoso Luiz Chrispim, que após o falecimento dela tornou-se Padre. Ao lado, uma das filhas do casal.

Esta mensagem é (apenas) um exemplo do que pretendemos realizar em 2013 – ano do Bicentenário do nascimento do Beato Frederico Ozanam - Homenagear Ozanam e pessoas que seguiram as pegadas de Cristo – amando a Deus e ao próximo. Para que o resgate da história (pioneira) dos Vicentinos em Jundiaí, tenha êxito, os Conselhos dos Vicentinos, estão buscando fotos, reportagem de jornais, documentos, etc. A indicação de pessoas que possam dar seu testemunho sobre as atividades da SSVP – Sociedade São Vicente de Paulo – nestes 115 anos de atuação em Jundiaí, será bem-vinda. Para maiores informações – tel. (11) 4586.1844 ou acessar – www.ssvpbrasil.org.br (Conselho Nacional do Brasil – Rio de Janeiro) ou www.ssvpglobal.org (CGI – Conselho Geral Internacional – Paris). Se possível, repasse, divulgue, colabore e dê sugestões, para que o evento do ano que vem atinja os seus objetivos.Obrigado.

 

 

 

Faustino Vicente 

 

 

 

 

 

PRAÇA VIVA  -  JUNDIAÍ 2012

 

 

Aproxima-se a edição 2012 do Praça Viva...

O evento acontece todo ano desde 2006, levando Arte - gratuitamente - à praça central de Jundiaí/SP.

São apresentações e oficinas diversificadas que já se firmaram dentro do cenário cultural jundiaiense.

Além disso, marcará presença o tradicional Varal Literário, para o qual estão convidados como sempre poetas de todo o mundo.

O tema é livre.

Quem é daqui de Jundiaí e quiser, inclusive, versar sobre os 150 anos do Solar do Barão, fique à vontade.

Vamos encher os olhos (e fazer arte nas mentes e nos corações) de todos os que por ali passarem, nos dias 4 e 5 de maio.

Para tanto, envie seu(s) poema(s) para o e-mail:   vmalagoli@uol.com.br  - até o dia 13 de abril.

Ao final, por e-mail também, todos receberão seus certificados de participação.

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli



publicado por Luso-brasileiro às 20:23
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Terça-feira, 20 de Março de 2012
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - OS SETE PECADOS CAPITAIS. PARTE 4: A AVAREZA

 

 

 

 

            A Eulália e o Osmar estavam casados há mais tempo do que ela gostava de se lembrar. Não que ela não gostasse do marido, nem era isso. Graças ao Osmar ela tinha as gêmeas, o tesouro mais precioso da vida dela. Ela sempre tinha sonhado em ter duas filhas, mas sequer sonhara que pudessem ser gêmeas. Isso acabara com o planejamento dela que passar as roupas de uma para outra, mas se o destino quis assim, ela acabou achando outros meios de não esbanjar.

            A Eulália odiava desperdício. Ela praticava o que chamava de cozinha do aproveitamento. Tudo, absolutamente tudo podia ser aproveitado. A única exceção eram sobras nos pratos. Por isso, ela, o Osmar e as meninas tinham que seguir uma regra: sempre comer pouco! Isso não somente evitava desperdícios, como também proporcionava às meninas e ao Osmar, físicos invejáveis.

            Quando recebiam amigos em casa, a Eulália dava um jeito de inventar um prato novo, invariavelmente composto de cascas de frutas, legumes ou mesmo arroz “dormido”. O melhor é que as habilidades dela como cozinheira eram capazes de ocultar esses expedientes e as pessoas saiam satisfeitas, sem nunca conseguirem arrancar quais os secretos ingredientes usados.

            A Eulália não entendeu quando a empregada da casa se demitiu quando descobriu que a comida dela, feita especialmente, era composta somente de sopa, do caldo dos legumes cozidos para família, bem como de enervações retiradas dos bifes usados nos churrascos de fim de semana. A Eulália disse ao Osmar que “aquele tipo de gente” era assim mesmo, mal agradecido. Eles precisavam de energia, de alimentação que não pesasse no estômago e que não os acostumasse mal, até porque depois, nas casas deles, não teriam coisa melhor mesmo. Tudo o que ela fazia era evitar a dor alheia.

            Na verdade, a Eulália se julgava também uma defensora do meio ambiente. Na casa deles não era permitido usar mais do que um frasco de produtos para o chão, por mês. Ela comprava um frasco, dividia em quatro partes, acrescentava água e aquilo tinha que virar o mês. De tanto a Eulália reclamar, tanto o Osmar como as meninas simplesmente evitavam pisar onde pudessem, assim não sujavam nada. A casa deles estava sempre impecável, mas isso se dava ao esforço da Eulália, que orientava a todos para não usarem muito os móveis, tendo cuidado ao sentar, abrir e fechar portas e tudo o mais que pudesse causar desgaste nas coisas. Até mesmo a água da piscina tinha que ser monitorada. Não tinha o menor cabimento gastar milhares de litros de água à toa. Quem quisesse entrar na água tinha que tomar banho antes. Para não serem incomodadas pela mãe, as gêmeas, nadadoras, preferiam ignorar a existência da piscina de casa e viviam se fartando no clube que o pai pagava às escondidas da mãe.

            Nos churrascos que o Osmar fazia mensalmente, a Eulália tinha que se preparar psicologicamente uns dias antes, porque sabia que ficaria estressada vendo as pessoas jogarem fora os copos de plástico mal usados, bem como deixando latinhas de cerveja ou de refrigerante pela metade. Ela tinha que se controlar, porque o Osmar a mataria se o Roberval, mulher e filhos descobrissem o sistema de reaproveitamento dela. Era um verdadeiro martírio aquela época do mês.

            Para compensar o desgaste de recursos naturais e financeiros, a Eulália ia à feira, já perto da hora de desmontarem as barracas e negociava o preço das verduras, legumes e frutas com “pequenos defeitos”, com os quais fazia tortas, saladas e sucos. Fazia tudo em porções bem pequenas e orientava aos da família para deixarem primeiro as visitas  comerem, para depois se servirem, assim não haveria risco de excessos. Quando todos iam embora, juntava a cerveja que ficava nas garrafas, já que não permitia mais que o Osmar comprasse latas e usava para cozinhar o restante da carne. Lavava os copos e pratos de plástico e os guardava no local de “coisas para churrasco”.

            A verdade é que há muito tempo as filhas e o Osmar já tinham desistido de tentar mudar a mãe. O Osmar, cansado da sovinice da esposa, saia todos os dias bem cedo, sob o pretexto de correr e ia se fartar na padaria perto do trabalho. Só quem conhecia o segredo dele era a Vandete, a secretária. Em reconhecimento ao silencia dela, o Osmar jamais entregara a ela uma das tortas de restos enviadas pela Eulália, bem como contara para Vandete do que e como eram feitas. Era difícil não rir quando ele via a Glória, a secretária comilona do Roberval, fartando-se das tortas como manjar dos deuses. Só se fossem os Deuses Porcos...

            Para Eulália, contudo, o importante era economizar. Se ela pudesse, economizaria até o tempo, que era muito, muito caro. O que ela não admitiria, jamais, por princípio, era ser mão-de-vaca. Isso, jamais!

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:00
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LAURENTINO SABROSA - PENSAMENTOS (CONT.)

  

                                                               

 

 

 

 

11 - Assim como não há repouso absoluto, visto que tudo no Universo gira e o que está pousado gira em união com aquilo em que está em movimento, sou tentado a pensar que tudo no Universo tem vida. A Lua, inóspita e desabitada, pelo simples facto de ter movimentos, tem vida, uma vida existencial,  não uma vida tal como a que os habitantes da Terra têm, mas vida, que lhe deu “um primeiro motor”, que continua a manifestar-se nela. O dito de Descartes PENSO, LOGO, EXISTO tem sido muito contestado, mas eu posso dizer, em dito talvez mais aceitável: MOVE-SE, LOGO, VIVE. E se é verdade que NADA SE CRIA, TUDO SE TRANSFORMA, isso só é possível porque as coisas têm vida, e quando se transformam passam a nova fase da sua vida.

Uma pedra “nasceu” no seio de uma pedreira com uma vida sem sangue que lateje; quando é transformada em estátua continua com a mesma vida, agora mais débil, sujeita à acção desagregadora da erosão, pela chuva, ventos e sol intenso, elementos estes que, pelo facto de existirem e actuarem, têm, por sua vez, a sua espécie de vida. A erosão intensa e demorada faz desagregar a rocha, “mata-a”, transformando-a em areia, pelo que a rocha continua com vida sobre outra forma; a erosão continua, a própria erosão, porque existe e actua, tem ela própria vida ou um certo tipo de vida, e “mata” a areia, mas esta areia não perde a sua vida porque se transforma em pó, outra fase da sua vida. E assim sucessivamente. Aquilo a que chamamos vida é uma forma de ser, de existir, de permanecer, de estar.

Sendo assim, nada custa aceitar a vida após a nossa morte e, portanto, COM A NOSSA MORTE A VIDA NÃO ACABA, APENAS SE TRASNFORMA

 

12  - Muito queria eu “descansar em paz” e “ir desta para melhor”, mesmo antes de morrer! Como isso é impossível nesta vida, estas expressões têm um significado espiritual e filosófico mais profundo do que parece.

 

13 -  Creio que uma grande norma de vida é procurar, em disputas, não ser moralmente obrigado a dar razão a alguém; melhor ainda, procurar que os outros, quando não forem orgulhosos e teimosos, se vejam obrigados a dar-nos sempre razão. Mas ai de quem assim for!  O mínimo de que o acusam é ser autoritário.

 

 

14 - A água quando está a ser fervida, começa por gemer de dor. Mas, depois de entrar em ebulição, como ela canta e salta de prazer, a adorar o fogo que lhe proporciona aquela nova vida!

 

15 - Um grande mal das pessoas, sobretudo da juventude, é não saber aproveitar o tempo; pior ainda, querer não aproveitar o tempo por indolência e insensatez. Outro grande mal das pessoas, não está em não saber: está em não aplicar devidamente aquilo que sabem, grande parte dado, em complemento da instrução, pela consciência e pela intuição.

 

 

16 -  Uma pessoa a rezar é quase como uma mãe a falar para o seu bebé. Ele mostra-se indiferente, não dá mostras de ouvir, raras vezes sorri, mas se não for o carinho da mãe, aparentemente não correspondido, o bebé corre risco de se estiolar. Quando rezamos a Deus, Ele parece indiferente, não dá mostras de ouvir, raras vezes sorri, mas se não for esse nosso carinho para com Deus, aparentemente tão pouco correspondido, seremos nós a criança que se estiola sem o carinho da mãe.

 

 

17 -  A Terra é um corpo vivo, sempre em regeneração e em rejuvenescimento. As penedias são a sua estrutura óssea, as fontes são coração donde saem os rios, os rios são as veias onde circula o sangue da Terra, Terra que tem como húmus, conforme poderia dizer Marco Aurélio, o esperma de Zeus. Mas Zeus nunca existiu, e por isso, o húmus da Terra é o sangue da Terra, é a água que, como elemento sagrado é vivificadora da alma pelo baptismo, como elemento telúrico é purificadora do corpo. O corpo vivo que é a Terra, tem uma boca, não uma boca hiante com a do dragão do Apocalipse, mas uma boca que proclama a Palavra de Deus. E essa boca tem um palato – o firmamento, quase abóbada, quase azul, mas não é nem abóbada nem azul : um olhar aflito fá-lo negro em pleno dia; um coração exultante fá-lo opalino em plena noite. No entanto, o firmamento é apenas o limite das nossas capacidades visuais. Nada mais firme que o firmamento, porque sendo o palato da boca de Deus, é obra de Deus e não há perigo de vir a derruir.

 

 

LAURENTINO SABROSA   -   Senhora da Hora, Portugal.

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:55
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CONTRASTES

  

                                           

 

 

 

 

 

Há meninas e meninos que aguardam o final de semana para ir ao shopping. Lá, os seus olhos, com gosto de civilização, se perdem nas vitrinas das lojas. Muitas coisas chamam ao embelezamento externo. Outras ao sabor. Fast-food, sorveteria, bombonière. E, dependendo do interesse, encontram: games, artigos eletrônicos, brinquedos, livraria, salas de cinema... No shopping, os meninos e as meninas aprendem o que há de melhor em marcas e serviços. Ao crescerem mais um pouco, trocam olhares com vidro refletido, que podem dar em caminho de mãos dadas. O risco é que se resumam nesse prazer de consumismo, que é tão pequeno para a imensidade do ser humano. Adélia Prado (Poesia Reunida, p. 188) escreveu: “Para o desejo do meu coração, o mar é uma gota”.

Há meninas e meninos que aguardam o final de semana para visitar a mãe ou o pai que se encontra no cárcere. Às vezes, em um dia visitam o pai e em outro a mãe. Alguém da casa, que os leva, prepara a comida diferente, com o propósito de almoçarem no pátio ou na cela. Capricham no gosto. Os meninos e as meninas, forçando a coluna vertebral franzina, ajudam a carregar a sacola com os produtos permitidos. Cumprem a rotina de seguirem a fila que passa pela identificação, revista, até que todas as portas de grade se abram e, em meio às paredes mortas, possam abraçar quem os espera. Enquanto não chega o horário da despedida, brincam com o imaginário. Talvez fantasiem que cada pavilhão seja uma plataforma de trem, na qual embarcam com destino à felicidade. Refletem gaiolas no olhar. O risco é que se acostumem com masmorras.

Há meninas e meninos que por algum tempo não saem no final de semana. Permanecem em si mesmos, junto aos adultos, tentando assoprar a dor da morte abrupta do avô, da avó, do pai, da mãe, do irmão, da irmã que não voltaram mais para casa, atingidos pela criminalidade. São os que se sentem perdidos na beirada do ninho, empurrados para o mundo, sem quem os ensine a voar. Nos olhos deles encontramos melancolia profunda. O risco é que o desejo de vingança os dome.

Há meninas e meninos que perderam a infância e são considerados adultos no papel de “olheiros” ou “avião” no entorno dos pontos de comercialização de drogas. Diversos já experimentaram fumaça e pó. E se lhe oferecerem crack, aceitarão como prova de maioridade no ilícito. As meninas olham com certa tristeza as que usam roupa de bailarina e os meninos para os que empinam papagaio. São as crianças bolinha de gude, que uma mão crescida atirou em direção a um buraco qualquer. Disputam-nas para o lucro de terceiros. Vivem no incerto, nas franjas da morte.

Que falta às meninas e meninos para que vivam a infância de alegrias iguais? Creio que oportunidades semelhantes. Famílias que cuidem e olhem por eles e para eles. Que saibam aonde chegam os caminhos pelos quais eles passam e, se necessário, façam com que retornem de imediato. Famílias que além do corpo gerem fé em Deus, esperança, paz e amor de verdade. Famílias que enxerguem a escola como parceira na formação do caráter de seus filhos e que fortaleçam o papel dos educadores quando dizem não. Falta uma sociedade que abdique do poder que oprime, do acúmulo que suga os mais fracos, do sucesso que comercializa corpos, das relações banais, da violência que destrói vidas.

Haverá um tempo – tenho esperança - em que a meninas e os meninos todos aguardarão o domingo para brincar juntos, com suas bonecas de pano e seus carrinhos de madeira, nas praças e nos parques sob o olhar sereno e terno de seus pais. Enquanto esse tempo não chega, sejamos insistentes e audaciosos portadores, no lugar em que estivermos, da claridade e do bem.

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 10:50
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JÚLIA FERNANDES HEIMANN - TUDO MUDA

 

                                                      

 

 

 

                      

 

 

    Mudou mais uma vez o calendário, vão mudando os hábitos e costumes, e nós vamos mudando também...

    Tudo é finito, bem sabemos; a cada minuto, perdemos ou ganhamos algo, é a lei inexorável do tempo.

   Às vezes, nos surpreendemos com certas mudanças, outras vezes as assimilamos sem contestar ou, até, percebê-las.

  Muito se tem discutido sobre as atuais atitudes dos seres humanos em relação aos semelhantes. Há coisas inaceitáveis como a violência, que sempre existiu, porque sempre existiram pessoas ruins, mas está exacerbada.

   Em busca das raízes que geram atos violentos, estudiosos do comportamento humano pesquisam. Educadores tentam resgatar o respeito devido, buscando modificar ações pedagógicas nos primeiros anos do ensino básico.

   Alguns chegaram à conclusão de que histórias infantis com finais violentos ou músicas com letras agressivas geram desejo de vingança nas crianças. Numa tentativa de modificar isso, propõem mudanças para atenuá-las, tornando-as mais suaves.

   Também sempre achei grosseiros e de mau gosto os finais de histórias como a do “Chapeuzinho Vermelho”, quando o lenhador mata o lobo com um facão e tira a vovozinha da barriga dele; ou quando os pais de Joãozinho e Maria os abandonam na floresta ou, ainda, quando a madrasta manda matar e retirar o coração da Branca de Neve! Confesso que, ao contá-las aos meus filhos, modificava os finais...

  Agora, educadores pretendem mudar letras de certas músicas por  considerá-las antipedagógicas. Exagero? Pode ser. Mas, por que modificá-las se, há tempos, fazem parte do folclore brasileiro?

  Chegaram-me informações que não se poderá mais cantar “O cravo brigou com a rosa” na versão oficial. As professoras dos primeiros anos do ensino básico deverão ensinar: “O cravo encontrou a rosa/debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz/ e a rosa muito encantada”.

  Será que, quando Villa Lobos compilou a suíte de 16 peças, recolhidas do folclore popular brasileiro, não percebeu nenhuma incitação à agressividade?  Também deverá ser modificada a letra da música “Sambalelê”, da mesma suíte, porque a menina da música precisa levar palmadas para obedecer.  Agora, será cantada assim:

“Sambalelê tá doente/ tá com uma febre danada/assim que a febre passar/ Sambalelê vai estudar...”

  Nessas mudanças entrou também “O Sítio do Picapau Amarelo” de Monteiro Lobato. Não é que descobriram, na personagem da Tia Nastácia, conotações racistas? E eu que contei e recontei essa história, comprei livros e filmes para os meus filhos, nunca percebi isso? Sempre tive a Tia Nastácia como uma grande amiga e protetora das crianças, sem qualquer alusão à sua cor! Puxa vida!

   Outra novidade, as moças, hoje em dia, andam muito assanhadas porque cantavam: “Sete e sete são quatorze, três vezes sete vinte e um....tenho sete namorados, só posso casar com um...”, sugerindo que os outros ficam na reserva...    

  Acho que vou entrar nessa turma e solicitar a proibição da música “Amélia” do falecido Mário Lago. Essa música incita as mulheres à passividade quando diz: “Amélia é que era mulher de verdade, às vezes passava fome ao meu lado e achava bonito não ter o que comer...” Então, aquela que não acha bonito não ter o que comer e manda o malandro embora não é uma “mulher de verdade”? 

   Bem, tudo muda. No décimo ano do século XXI, mudamos a hierarquia política brasileira com uma mulher na presidência do Brasil. Foi uma conquista das antiamélias, depois de trinta e três homens no comando da velha República Brasileira, que tem cento e vinte e um anos!

   Como tudo muda, vamos desejar que a violência mude para a tranquilidade, dando um voto de confiança aos astrólogos, que informam estarmos num período de grandes mudanças; que elas sejam para o nosso bem

 

 

 

Julia Fernandes Heimann é escritora e poetisa brasileira. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro mas reside em Jundiaí-SP. É autora de sete livros e pertence às Academias de Letras da cidade de Jundiaí e da Academia Brasileira de Literatura, no Rio de Janeiro, sendo membro correspondente da várias entidades similares. Recebeu da Câmara Municipal de Jundiaí, a comenda "Prof. Joaquim Candelário de Freitas" pelas atividades culturais que desenvolve e o título de "Cidadã Jundiaiense"´pelo serviço prestado à cultura da cidade 

    

 

                                                           

                                                              

                                                          



publicado por Luso-brasileiro às 10:44
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Segunda-feira, 19 de Março de 2012
OGENI LUIZ DALCIN - O EMBRIÃO HUMANO É PESSOA, SIM SENHORES.

 

 

 

 

Originalmente, no mundo antigo, pessoa significava a máscara do ator que representava uma personagem ou o papel do indivíduo nas representações sociais, sempre algo exterior. Aparência. Tanto num caso como noutro, pessoa era pura exterioridade, o que aparecia para os outros, ocultando a verdadeira subjetividade, o fundamento do ser.

 

Com o cristianismo, a pessoa passa a significar o próprio conteúdo substancial escondido atrás das aparências exteriores e das representações teatrais ou sociais do ser humano. É a essência substancial constitutiva do ser humano, a fonte da dignidade.

 

A mudança do conteúdo do conceito de pessoa deu-se em razão do esforço teológico cristão de chegar a compreender um pouco mais a respeito do Deus revelado: um só Deus em três Pessoas da mesma natureza. E como o homem foi criado “à imagem e semelhança” desse Deus, o conceito de pessoa passa a ser a chave definidora do ser humano também, através da filosofia antropológica. Ora, essa ‘imagem e semelhança’ está sob a máscara, não é a máscara; a máscara expressa, mas não esgota a absoluta dignidade constitutiva da ontologia subjetiva da pessoa humana. Ou seja, a pessoa humana transcende a todos os demais seres e não pode ser violada por nenhum poder humano, porque ela traz em sua substância uma constituição ontológica que não decorreu exclusivamente do humano ou da natureza, mas do Criador. Sem Deus não há como salvar o homem. Nossa Constituição foi promulgada ‘sob as bênçãos de Deus’, mantendo-se dentro da tradição personalista que plasmou nossa história.

 

Nesse sentido, pouco importam a exterioridade, as diferenças, as fases da vida, a idade, pois o que importa, antes de tudo, é que há uma pessoa, ser original que transcende o mero dado, fundamento ôntico da igualdade, cuja substância é de natureza racional, não querendo significar, com isso, que a racionalidade deva estar em ato o tempo todo e em todas as suas etapas de desenvolvimento. Desde que haja uma vida de natureza humana, não importa o grau de desenvolvimento em que se encontra, nem o grau de consciência própria, aí há uma pessoa humana portadora de uma dignidade absoluta, cujo dever do Estado é de zelar, defender, proteger e promover as condições de seu desenvolvimento. Naturalmente, então, o direito à vida estende-se da concepção até a morte natural, protegida pelo “não matarás” garantido pelo Estado. É antinatural aceitar que a régua do tempo ou o período de desenvolvimento da pessoa, independentemente dos nomes que lhes são dados, tornem-se critérios legais concedentes de poder absoluto ao Estado para reduzir ou aniquilar o direito à vida da pessoa humana.

 

O interesse de controlar o direito à vida da pessoa humana, ditado por interesses multinacionais, financiando a propaganda do aborto, subjugando a alma nacional, é prática de eugenia da natureza humana dos excluídos sociais porque visa, em concreto, por meio de clínicas abortivas, instaladas preferencialmente nas periferias das grandes cidades, a controlar a demografia dos pobres e dos negros, como declarou, nessa senda, a Deputada Fátima Pelaes. Mas os políticos alheios à defesa da soberania nacional nesta grave questão dos nascituros, não investigam a entrada do dinheiro destinado à promoção de crimes contra a natureza humana dos nascituros, nem se preocupam com a discriminação, que daí pode decorrer, em relação aos pobres e negros, cuja população subliminarmente passaria a ser melhor controlada. Será que preferem, ao invés, proteger interesses escusos? O que é que faz compensar tais omissões? Por que os políticos não querem discutir o problema com os seus eleitores, enganando-os depois? Por que aquela mídia preconceituosa em relação ao direito à vida dos nascituros parte da crença de que todo aquele que defende a vida da natureza humana desde a concepção, defende apenas uma ideia religiosa, sem respaldo na realidade, como se matar nascituros humanos não tivesse nada a ver com o direito à vida e como se a religião não fosse um fato natural do homem? Os promotores da morte dos nascituros e a preconceituosa mídia têm suas crenças centradas em que quem defende a vida dos nascituros são pessoas preconceituosas. Ora, o suprassumo dos preconceitos é o preconceito daquele que se julga não ter preconceito. Como não admitem a defesa do direito à vida dos nascituros, do alto de sua prepotência, declaram que todos os demais são preconceituosos. Não bastasse isso, por que falsificar dados para criar uma falsa justificativa para matar os nascituros humanos? Mas igual decreto de morte não pode ser aplicado a alguns animais irracionais (criminalização da destruição de ovos de tartaruga). Ou seja: nenhum nascituro humano teria o direito à vida, enquanto alguns animais o teriam garantido pelo Estado, com a força da lei. Colocam-nos abaixo dos animais em valor e dignidade. Bem, até o direito de mentir para melhor promover o aborto é mais importante que o direito à vida dos nascituros! Por que romper a multissecular história da pessoa humana fundadora da cultura ocidental para justificar uma escusa prática de eugenia dos excluídos sociais? Ora, se as pesquisas atestam que mais de 70% dos brasileiros são francamente contra o aborto,  por que, mesmo assim, uma pequena minoria, sem legitimidade popular, a serviço de interesses internacionais escusos tudo fazem para introduzir o aborto? Por que temem tanto uma CPI do aborto? Por que não revelam suas razões de fato, não as aparentes? A verdade sempre estará do lado da vida, a mentira do lado da morte. Logicamente, quem condena o nazismo, não pode justificar o direito de matar nascituros humanos, renovação do holocausto. E, paradoxalmente, “todos os que são a favor do aborto já nasceram”.

 

O embrião humano é uma pessoa humana, sim senhor. Não é o Estado que faz a pessoa  humana; a pessoa humana inicia-se na concepção. Fora dessa perspectiva antropológica personalista, o Estado torna-se um ditador, um senhor prepotente da pessoa humana e dos seus direitos. E, sem o primado da pessoa humana, todos os demais direitos passam a depender da vontade volúvel que se instala no exercício do Poder político.

 

 

 

 OGENI LUIZ DALCIN   -   é advogado e filósofo. Foi membro da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB/SP.

 



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Domingo, 18 de Março de 2012
EUCLIDES CAVACO - BERÇO DO FADO
 
                                   
 
 
 
 
Bom dia estimados amigos
BERÇO DO FADO
É uma récita que preenche hoje o espaço de Poema da Semana
que espero seja do vosso inteiro agrado.
Convido-vos a ouvi-lo  aqui neste link
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Berco_do_Fado/index.htm
Desejos duma excelente Quinta Feira.
 
 
EUCLIDES CAVACO   -   Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:57
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - AOS VINTE E UM ANOS DE VIGÊNCIA O CDC TROUXE MUITOS BENEFÍCIOS.

 

                     

 

Na quinta-feira, dia 15 de março, comemora-se o DIA MUNDIAL DO CONSUMIDOR. Em nosso país, há razões para festejar a data. Após vinte e um anos de existência do Código de Defesa do Consumidor, os brasileiros estão cada vez mais exigentes em relação à qualidade dos produtos e serviços contratados. Da mesma forma, as empresas estão aprimorando o seu atendimento no setor, enquadrando-se nas normas do mencionado estatuto.

 

 

            A jornalista Maria Inês Dolce, com raro brilhantismo, destacou a relevância dos direitos do consumidor: “são tão importantes porque estão entrelaçados a outros conceitos de cidadania: os quatro atributos do ser humano, como cidadão, eleitor, contribuinte e consumidor” (Folha de São Paulo- vitrine 3- 14/03/2009). Por isso, o Código de Defesa do Consumidor no Brasil, que completará vinte e um anos de vigência, trouxe muitos benefícios. Entre eles a maior conscientização do consumidor sobre seus direitos, embora especialistas ainda admitam a necessidade de aperfeiçoar  sua aplicação.

Segundo um dos criadores do estatuto, o advogado e ex-procurador geral  de Justiça de São Paulo, José Geraldo Brito Filomeno, uma das conquistas foi permitir que abusos de empresas fossem vistos como um prejuízo coletivo. Antes do CDC e da Constituição, os problemas eram tratados como questão individual. Dependendo do caso, usava-se o Código Civil, Comercial ou Penal. Em matéria publicada pelo jornal “O Estado de São Paulo” (11/09/2010- B22), ele afirmou que, o código mudou a visão do consumidor e das empresas. Ele cita uma pesquisa do órgão de pesquisas DataSenado, de 2009, que mostrou que 46% das pessoas conheciam o código, haviam recorrido a ele ou conheciam alguém que o havia usado. As empresas, diz Filomeno “viam o CDC como um perigo à ordem econômica, mas hoje o aplaudem”. “Até porque, com a globalização da economia, o código tem sido encarado como o indutor da qualidade dos produtos colocados no mercado nacional e internacional.”

Efetivamente, o CDC se tornou um marco na história da iniciativa privada, ao promover uma revolução no direito econômico brasileiro. Inspirado nas legislações alemã, sueca e americana e formulado com base num anteprojeto preparado por promotores de Justiça, engenheiros de produção, dirigentes do Procon de São Paulo, procuradores do Estado e professores da USP, ele modernizou as relações entre produtores e consumidores. Nesta trilha, transcrevemos textos de editorial publicado pelo jornal “O Estado de São Paulo”: “O Código proíbe publicidade enganosa e a propaganda disfarçada nos meios de comunicação, estabelece responsabilidades mínimas para fabricantes e vendedores e acaba com contratos redigidos em letras miúdas para iludir compradores de mercadorias e serviços. Além disso, obriga fabricantes, vendedores e prestadores de serviços a fornecer assistência técnica aos consumidores e a incluir nas embalagens e contratos informações claras e didáticas sobre as especificações  técnicas dos produtos

            Em termos institucionais, o CDC aumentou as prerrogativas do Ministério Público (MP) e obrigou os Estados a criar órgãos para receber reclamações dos consumidores, nos moldes do Procon paulista. Um dos pontos positivos do CDC jurídicos que permitem substituir as ações judiciais por negociações e acordos conduzidos pelo MP e pelos Procons. Isso estimulou o aparecimento de novos mecanismos de resolução de conflitos, como a mediação e a arbitragem
“ (20/06/2011- A 3- “A atualização do CDC”).

Todos os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços do Brasil devem ter um exemplar do Código de Defesa do Consumidor disponível para consulta. É o que determina Lei 12.291/2010. Segundo a norma, o código deve estar em local visível e de fácil acesso ao público. Em caso de descumprimento, a punição prevista é multa de até R$ 1.064,10.

Por outro lado, todo ser humano é um consumidor real ou em potencial. As pessoas adquirem ou consomem produtos e bens diversos e se utilizam de vários serviços.  De acordo com a mesma Maria Inês Doulce supramencionada, “consumir é uma responsabilidade sem par, porque afeta as relações de trabalho, ecologia e ambiente, relações humanas e empresariais. Comprar um produto ou serviço significa, de alguma maneira, chancelar ou não comportamentos, práticas e decisões”. Assim, ao mesmo tempo em que o consumidor está amparado e protegido por uma avançada legislação específica, ele também precisa colaborar no sentido de que ocorra uma conscientização de todos os aspectos e circunstâncias que cercam o consumo em geral, reclamando e reivindicando os  direitos nesta área.

 

                                        

 

 

 

Todos os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços do
Brasil devem ter um exemplar do Código de Defesa do Consumidor disponível para
consulta. É o que determina Lei 12.291/2010. Segundo a norma, o código deve
estar em local visível e de fácil acesso ao público

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário, mestre em Direito Processual Civil pela PUCCamp e membro das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas.

           

           

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:38
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e ALGUMAS SÁBIAS PALAVRAS

 

 

 

 

*H I S T Ó R I A

 

Se amar é bom, realizar obras santas é ótimo! Mas, para fazermos bom uso da sabedoria que Deus nos deu, podemos ter por base esta história:

Um rei pediu ao súdito que fosse ao grande mercado do reino e lhe trouxesse o objeto mais precioso que encontrasse. Ao retornar ao palácio, o empregado lhe apresentou uma língua sobre a bandeja de prata. E o rei perguntou:

– Não havia nada melhor do que isto?

– Vi muita coisa bonita e valiosa, mas somente a língua fala de amor, perdoa, agradece e louva a Deus – respondeu o súdito.

– Então, súdito fiel, volte lá agora e traga-me o que encontrar de mais repugnante –ordenou o rei.

Após algum tempo, em outra bonita bandeja, o humilde servo entregou a encomenda ao monarca, que lhe perguntou assustado:

– Língua novamente? O que significa isso?

– Meu senhor –respondeu o empregado –, a mesma língua que agradece, também acusa e é responsável por diversas maledicências. Tudo depende do uso que fazemos dela!

Então lembre-se, leitor, sua língua sempre será uma das responsáveis pelo seu grau de pobreza de espírito. Cuide bem dela, assim como o Pe. Marcelo Rossi o fez quando contou que estranhou o comportamento de um senhor durante a missa que celebrou no Santuário do Terço Bizantino, em São Paulo. Assim que terminou a celebração, foi conversar com aquele tal senhor:

– Desculpe-me, mas tenho visto sua esposa erguendo os braços e louvando a Deus toda semana e o senhor sempre ficou de braços cruzados; hoje, porém, também acenou com ela e se manteve alegre! O que aconteceu?

– Bem, padre– disse ele –, há poucos dias fui surpreendido por bandidos no banco em que trabalho e fiquei de braços levantados por muito tempo enquanto uma arma permaneceu apontada em minha direção. Então, percebi que é muito melhor erguer os braços louvando do que qualquer outra coisa.

Pois é, quando criança, somos imaturos demais para pensar em Deus; quando jovens, somos auto-suficientes e achamos que não precisamos Dele! Recém-casados, somos felizes ao extremo... Trabalhando, estamos sempre muito ocupados... Idosos, sempre meio cansados... E quando morremos? Bem, aí já é tarde demais para agradecer e pedir perdão. Ainda bem que eu percebi isso a tempo; e você... também?

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’,que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

 

ALGUMAS SÁBIAS PALAVRAS

 

Será que você será capaz de descobrir quem pronunciou as sábias palavras que vou relatar agora? Leia com atenção:

“Uma vez tive a mais extraordinária experiência na Índia. Havia um enorme congresso sobre a fome. Eu fui convidada a participar da reunião e me perdi no caminho. De repente, eu consegui achar o lugar e notei que ali, justamente na porta onde centenas de pessoas estavam falando sobre a comida e a fome, havia um homem que estava morrendo.

Em vez de ir à reunião, eu levei aquele homem para casa. E ele morreu lá. Morreu de fome. As pessoas no congresso estavam falando que em 15 anos nós teríamos muita comida, tanto disso e tanto daquilo, e aquele homem morreu. Vocês podem ver a diferença?

Eu nunca olho para as massas como minha responsabilidade. Eu olho para o indivíduo. Eu só posso amar uma pessoa de cada vez. Eu só posso alimentar uma pessoa de cada vez. Só uma, uma, uma. Você se aproxima de Cristo quando se aproxima das outras pessoas. Como disse Jesus:‘Tudo o que você fizer para o menor de meus irmãos, você estará fazendo a mim’.

Portanto, você começa e eu começo. Eu ajudo uma pessoa e, talvez, se eu não tivesse ajudado aquela pessoa eu não teria ajudado 42000! Todo o trabalho é apenas uma gota no oceano, mas se você não coloca essa gota, o oceano terá uma gota a menos.

Faça algo por você: faça algo em sua família, algo em sua Igreja. Apenas comece: uma, uma, uma coisa de cada vez. No final da vida, não seremos julgados por quanto dinheiro nós conseguimos fazer, seremos julgados pelo ‘eu estava com fome e você me alimentou, eu estava nu e você me cobriu, eu estava sem casa e você me abrigou’.

Não apenas com fome de pão, mas com fome de amor. Não apenas com necessidade de roupas, mas com necessidade de dignidade e respeito. Não apenas sem teto devido à falta de uma casa de tijolos, mas sem teto devido à rejeição.”

E então, conseguiu imaginar quem nos passou esta bela orientação de salvação? Se eu lhe disser que foi uma madre e que ela já está junto de Deus fica fácil, não?

Pois é, Madre Teresa de Calcutá nos deixou algumas lições de vida que deveriam ser seguidas por muitos cristãos. Viveu um trabalho incansável realizado junto aos excluídos, sempre no sentido de promovê-los na dignidade humana de sobrevivência e na fé. E, como ela mesma disse, se cada um fizesse um pouquinho disso, o sofrimento no mundo seria bem menor e, com certeza, Jesus Cristo levaria muito mais almas para o céu.

Querido irmão, vamos seguir os rastros deixados por uma humilde e frágil freira de Calcutá?

 

** Do programa ‘Acreditamos no Amor’, que vai ao ar em dois horários na Rádio Futura FM, 106,9 MHz: 6 h e 18 h – segunda, quarta e sexta.

Site para ouvir o programa ao vivo: www.futurafm.com.br

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI



publicado por Luso-brasileiro às 18:30
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - VAMOS FALAR DE VIRA- CASACAS

 

                                                   

 

 

 

      

 

Os leitores, que são avançados em idade, conheceram, como eu, ao longo da vida, figuras que mudaram de parecer, consoante épocas e variações de sondagens.

Haver mudança de opinião, no correr dos anos, é normal, resultante de leituras e experiências pessoais; mas já não será se vacilar da esquerda para a direita ou vice-versa, politicamente dizendo, porque houve alteração de regime ou conjuntura internacional.

Alguns, que nos conturbados anos oitenta, desciam as avenidas, empunhando flamejantes e aguerridas bandeiras, bradando palavras descompostas, contra o capitalismo, encontram-se agora, bem instalados, como gestores de empresas ou gozam pensões doiradas, rindo-se dos ingénuos que neles acreditaram.

Mas saberá o leitor, a razão de muitos apelidarem os que se plasmam, para usufruírem grossas benesses, de vira-casacas?

Durante a guerra que se travou entre a França e a Espanha, o Duque de Saboia, Carlos Manuel, quis tirar vantagens do conflito, e como não sabia como terminaria a contenda, ora apoiava a França, ora a Espanha, consoante a evolução das batalhas.

Para evitar despesas desnecessárias, pediu ao alfaiate que confeccionasse engenhoso casaco de duas faces: de um lado branco, do outro, vermelho.

Quando lhe parecia que a vitória sorria aos franceses, usava o lado branco; caso contrário, vestia-se de vermelho, defendendo os interesses de Espanha… melhor, os seus.

Desse jeito matava, como diz nosso povo, dois coelhos numa só cajadada.

Nos turbulentos anos oitenta, conheci servidor público, filiado em dois partidos. Tinha, portanto, dois cartões, que os usava consoante as conveniências e interesses momentâneos.

De nada lhe serviu. Sendo descoberto, foi expulso dum, por sinal, o mais à direita.

Desconheço, todavia, se, de tal esperteza, progrediu na carreira, mas é o menos importante, pelo menos para nós.

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 18:19
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