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Segunda-feira, 5 de Março de 2012
JOSÉ RENATO NALINI - RUPTURA E CONTIGUIDADE

 

                                             

 

 

 

Estudei o ano todo de 2011 para elaborar o livro “Direitos que a Cidade Esqueceu”, editado pela Revista dos Tribunais. Estou convencido de que os problemas brasileiros são urbanos. A população foi seduzida para vir à cidade e aqui se acomoda como Deus – e a sociedade inclemente – permitem. Há cada vez mais pessoas morando nas ruas. E isso é inconcebível. Rua não é moradia digna.

Para elaborar esse ensaio, debrucei-me sobre inúmeros outros livros. Mas alguns deles, só tive acesso depois de publicado o meu. É o caso de “A cidade na incerteza: ruptura e contiguidade em urbanismo”, de Sérgio Ferraz Magalhães, editado em 2007.

Ele parte de um esquema teórico: na matriz horizontal, distingue as cidades entre “modernas” e “contemporâneas”. Na vertical, distingue as dimensões espacial e política. A “cidade moderna” é enquadrada nos modelos de perfeição, à luz de utopistas como Fourier, Considérant, Godin e Owen. A “cidade contemporânea” reúne modelos de incertezas em que a dimensão política reflete urbanidade e diversidade, graças a uma construção “compartilhada”.

Em lugar da ruptura da cidade moderna, surge o conceito de “contiguidade”, essencial para trabalhar a cidade. O conceito implica uma concepção de simultaneidade e de espaço aberto e permanentemente remanejável. Surgem ocupações espontâneas – favelas – mas também planejadas – construções de equipamentos públicos. Cada “inserção” traz consigo um momento de incerteza, podendo ou não “dar certo”. As estruturas preexistentes se redefinem, rearranjam, se adaptam e compartilham os espaços preexistentes.

Não é só teoria. O autor propõe compartilhar espaços na diversidade e tolerância, algo que acarreta incertezas, conflitos, desigualdades. Supera-se a “cidade partida” de Zuenir Ventura, aceitando-se e integrando-se a diferença. Graças à noção de “contiguidade”, podem ser buscadas soluções para os mais diversos problemas, a fim de se garantir a urbanidade e a convivialidade dos que são diferentes.

Se a pobreza e a riqueza partilham do mesmo espaço, a contiguidade traz a obrigação de conviver e não de segregar. Isso é um lento trabalho de edificação de uma nova concepção de convívio urbano. Mãos à obra, edificadores do futuro.

 

 

 

José Renato Nalini   -   é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



publicado por Luso-brasileiro às 15:21
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EUCLIDES CAVACO - CONTRIÇÃO
 
 
Bom dia  estimados amigos
CONTRIÇÃO
É o poema declamado que  vos ofereço esta semana
que  convida a uma breve introspecção neste iniciar da Quaresma .
Veja o ouça o tema  aqui neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Contricao/index.htm
As minhas mais cordiais saudações
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca
 


publicado por Luso-brasileiro às 15:17
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - OS SETE PECADOS CAPITAIS - PARTE 2: A IRA

 

 

 

            A Vandete bem que tentou, mas não conseguiu achar uma desculpa para não ir na casa da Glória, de novo, no fim de semana. Ela não tinha coragem de dizer que preferia ficar em casa, largada no sofá, assistindo suas séries prediletas na sua TV a cabo, recém instalada. Também, se ela contasse isso para os outros, ficaria em maus lençóis, pois achariam que era verdade o boato de que ela ganhava mais do que a Glória, sua colega de profissão e vários anos mais antiga que ela na empresa. A assinatura da TV a cabo tinha sido um presente do ex-namorado, Marcão, que tivera, ao menos, a decência de não cancelar depois que terminaram.

            Devia ter sido por remorso ou vergonha, porque a Vandete descobriu que o Marcão, na verdade, não ia lá na empresa para paquerá-la, mas sim para esticar os olhos era para o André!!! Isso mesmo: o boy!! A Vandete ficou em choque. Gente, olhando ninguém diria... Tudo bem que o André era mesmo um menino bonito, daquele tipo de fica vinte e cinco horas por dia em academia, mas também, se era a preferência do Marcão, era só não ter mentido para Vandete. Taí uma coisa que deixava a Vandete nervosa: gente mentirosa...

            Quanto a Vandete colocou o Marcão na parede ele acabou negando tudo, mas já era tarde, porque ela percebeu que era mesmo tudo verdade. O cara-de-pau ainda teve a desfaçatez de dizer que tinha feito uma surpresa para ela, como sinal do afeto dele, mas já que ela preferia terminar tudo, que pelo menos ela aproveitasse o presente: uma assinatura de TV a cabo, com 30 canais, por seis meses. A Vandete, quando o Marcão falou aquilo, sentiu o sangue subir todinho para a cabeça e ela teve certeza de que seria capaz de dar uma surra no descarado. Depois, pensando bem, pelo menos ela teria alguma indenização por toda essa história...

            Mais um sábado e ela, assim, ia ter que atuar a idiota da Glória! O que mais dava raiva na Vandete é que a Glória se achava! Ela se julgava uma pessoa melhor do que os outros, sempre cheia de querer ter a razão e em falar direito ela sabia. A sorte da Glória, pensava, era que ela, Vandete, era uma pessoa com paciência e que não guardava mágoas. E como a Glória era uma pessoa chata e egoísta. Ela sabia que a Vandete adorava bife a rolê, mas sempre dava um jeito de passar na frente dela na fila do restaurante e colocava todos os bifes no prato. Várias ela teve que se contentar com peixe, coisa que não gostava quase nada. Muitas foram as vezes nas quais a Vandete olhava para Glória se empanturrando toda, com aquela beiçola repleta de óleo, falando de boca cheia e imaginava como seria se ela pegasse o filé de sardinha que era obrigada a comer, por falta de opção, e enfiasse na Glória pelo nariz... Seria, sem dúvida, a glória!!!

            A Glória fazia pipoca para ambas, mas embora a quantidade total de pipoca fosse quase astronômica, ela, Vandete, só ganhava uma vasilha minúscula, que nem temperos tinha. Ela ainda tinha que ficar escutando a Glória mastigar como uma porca, comendo como se toda a pipoca do planeta fosse acabar. Uma vez ela tentou esticar a mão e pegar um pouco da pipoca da Glória, mas quando a ganhou um tapa na mão, pensou que teria que contratar um advogado para defendê-la pela prática de homicídio. Ou seria “chatacídio”? Podia até ser legítima defesa. Legítima defesa da paciência sagrada da Vandete...

            Aquela noite, contudo, ia ser diferente. A Vandete não ia tolerar mais ser maltratada. Seria a última vez que ela iria, até porque ela precisava aproveitar o último mês da TV a cabo e sábado era o dia das séries mais legais. Ela iria levar a própria pipoca, de microondas, daqueles com mil sabores diferentes. Ia estourar para as duas em quantidades iguais e ponto final. Ai da Glória se ela se metesse a besta! Ela não estava agüentando mais essas coisas! Já bastava aquele cretino do André! A Glória ia ver só! Que batesse na mão de outra pessoa! Quem ela pensava que ela era??? Nem que ela tivesse que sair no braço, ia mostrar que ela não era uma idiota, uma covarde, porque ela sabia que essa era a idéia que a Glória e até o André tinham dela! Aqueles boçais...

            Sentindo as faces e as mãos pegarem fogo, com o coração batendo disparado, a Vandete apertou, com toda força, a campainha do apartamento da Glória, pensando na sorte que a amiga tinha por ela ser uma pessoa tão calma...

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 15:11
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JÚLIA FERNANDES HEIMANN - PALÍNDROMOS E CAPICUAS

 

                           

 

 

 

 

Embora o termo palíndromo seja pouco conhecido e usado, ele significa algo interessante: palíndromo é uma palavra ou frase que pode ser lida da esquerda para a direita, como é a nossa leitura usual, ou da direita para a esquerda, como é a leitura dos  orientais, sem que o significado seja alterado.

         O palíndromo é um gênero muito antigo. Os gregos já o usavam. Esse termo vem do grego: palin, que significa: de novo e dromos, que significa: corrida. Isto é, correr de novo, correr para trás, andar de novo o caminho já andado para a frente.

         O termo é conhecido em todas as línguas de origem greco-latina: palindrome, francês; palindromo, espanhol e italiano. Neste último idioma, chama-se, também, bifronte: duas frontes (faces).

          Em nosso idioma é pouco usado, servindo mais como curiosidade. O palíndromo mais conhecido é: socorram-mesubi no ônibus em Marrocos. Não se considerando o acento e a letra maiúscula de Marrocos, a frase é lida da direita para a esquerda sem alteração. Outro também conhecido é: Roma metem amor.   

         Há palíndromos simples como: arara, Ana, oco, mirim, radar, medem, somamos, siris, erre, sapas, ama, osso, rir etc, sendo estes os mais conhecidos.

           Quando a palavra, ao ser lida, muda o significado, é chamada de bifrente simétrica. Alguns exemplos: males=selam; sina=anis; alisa=asila; sapos=sopas; livres-servil; socos=ocos; avara=arava; rodo=odor; marrom=morram; orar=raro; amora=aroma;somar=ramos; edil=lide; lota=atol; ator-rota etc.

          É um bom exercício para praticar a neuróbica, atual descoberta dos cientistas e geriatras para retardar ou evitar o mal de Alzheimer.

          A neuróbica é praticada exercitando-se a parte do corpo diferente da que normalmente usamos para as atividades cotidianas. Com essa prática, provocamos o lado pouco trabalhado do cérebro: ler palavras da direita para a esquerda, andar para trás, ler no espelho, ver fotos de cabeça para baixo e identificar as pessoas são alguns exercícios indicados. Estas são algumas curiosidades dos palíndromos!

         Outra palavra diferente e pouco usada é capicua, que se refere a números. Estes, quando lidos da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, ficam sem alteração. Sua etmologia é, possivelmente, latina, pois capi é cabeça e cua é a parte de trás. Então, lendo-se da cabeça (da frente) ou de trás, o número é sempre o mesmo.

            Exemplos de capicuas: 1001, 898, 1881, 1991 etc.

            Em 2002, tivemos a capicua do século: 20/02/2002, lembram-se?

            Pois é, os palíndromos e as capicuas são um ótimo exercício para os nossos neurônios.  Vamos exercitá-los!

 

 

 

Julia Fernandes Heimann é escritora e poetisa brasileira. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro mas reside em Jundiaí-SP. É autora de sete livros e pertence às Academias de Letras da cidade de Jundiaí e da Academia Brasileira de Literatura, no Rio de Janeiro, sendo membro correspondente da várias entidades similares. Recebeu da Câmara Municipal de Jundiaí, a comenda "Prof. Joaquim Candelário de Freitas" pelas atividades culturais que desenvolve e o título de "Cidadã Jundiaiense"´pelo serviço prestado à cultura da cidade          



publicado por Luso-brasileiro às 14:48
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e A MÚSICA NA EVANGELIZAÇÃO

 

 

 

 

*H I S T Ó R I A

 

 

Certa vez, duas abelhas caíram num copo de leite. A primeira era forte e valente; assim, nadou até a borda, mas como a superfície era muito lisa e ela estava com as asas molhadas, não conseguia sair. Acreditando que não se salvaria, a abelha desanimou, parou de tentar e afundou.

Sua companheira, apesar de não ser tão forte era tenaz e, por isso, continuou a se debater, a se debater por tanto tempo que, aos poucos, o leite ao seu redor, com toda aquela agitação, foi se transformando e formou um pequeno nódulo de manteiga, onde a abelha conseguiu subir e levantar vôo para um lugar seguro.

Tempos depois, a mesma abelha tenaz, por descuido, novamente caiu no copo. Como já havia aprendido na vez anterior, começou a se debater na confiança de que, no devido tempo, se salvaria. Outra abelha, vendo a aflição da companheira, pousou na beira do copo e gritou:

- Há um canudo ali, nade até ele e suba!

A abelha tenaz não lhe deu ouvidos e, baseando-se na sua experiência de sucesso, continuou a se debater até que, exausta, afundou no copo cheio de água.

Se hoje ela estivesse viva, como explicaria a teimosia em não querer subir no canudo? Ah, talvez dissesse que sabia muito bem o que estava fazendo e, por isso, não quis ouvir um conselho amigo.

E quantos de nós, baseados em experiências anteriores, deixamos de notar as mudanças no ambiente e ficamos nos esforçando para alcançar os resultados esperados... até nos afundarmos na própria falta de visão!

Fazemos isso quando não conseguimos ouvir Jesus nos apontando a solução mais eficaz e, assim, perdemos oportunidades de renovar nossa vida. Renovar é olhar a situação atual –como se fosse inteiramente diferente de tudo o que já vivemos – e permitir que Deus nos ajude a buscar novas soluções. Simples, não?

Dessa forma, o medo se extingue e toda experiência serve para nos conduzir a uma nova porta aberta: para a conversão que precisamos; para nos motivar na busca da santidade; para a auto-estima que nos faz caminhar como filhos do Altíssimo!

Quem se reveste com o Espírito Santo, sempre terá um ‘canudo abençoado’ por perto para não se afogar.

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’,que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

 

 

 

**VITAMINAS ESPIRITUAIS

 

 

Como você tem cuidado das suas vitaminas espirituais? Sem ‘ingeri-las’ regularmente, você fica desprotegido, enfraquece, cai em tentação e sua alma padece. Portanto, não custa nada seguir Jesus Cristo para estar sempre bem vitaminado de bênçãos.

As melhores vitaminas que conheço são: missa, confissão, comunhão, oração, caridade e evangelização. E para que você possa refletir um pouco mais como anda a sua conduta cristã, leia com atenção o relato abaixo:

“Se, em minha vida não ajo como filho de Deus, fechando meu coração ao amor, será inútil dizer: PAI NOSSO.

Se os meus valores são representados pelos bens da terra, será inútil dizer: QUE ESTAIS NO CÉU.

Se penso apenas em ser cristão por medo, superstição e comodismo, será inútil dizer: SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME.

Se acho tão sedutora a vida aqui, cheia de supérfluos e futilidades, será inútil dizer: VENHA A NÓS O VOSSO REINO.

Se, no fundo, o que eu quero mesmo é que todos os meus desejos se realizem, será inútil dizer: SEJA FEITA A VOSSA VONTADE.

Se não leio o Evangelho e nem sei qual é a minha missão neste mundo, será inútil dizer: ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU.

Se prefiro acumular riquezas, desprezando meus irmãos que passam fome, será inútil dizer: O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE.

Se não importo em ferir, injustiçar, oprimir e magoar os que atravessam o meu caminho, será inútil dizer: PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO.

Se escolho sempre o caminho mais fácil, que nem sempre é o caminho do Cristo, será inútil dizer: E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO.

Se, por minha vontade procuro os prazeres materiais e tudo o que é proibido me seduz, será inútil dizer: MAS LIVRAI-NOS DO MAL.

Se, sabendo que sou assim, continuo me omitindo e nada faço para me modificar, será inútil dizer: AMÉM.”

Querido leitor, peçamos a Jesus que nos inspire a participarmos com fé na construção de um mundo novo, fazendo-nos homens e mulheres melhores do que somos. E se esta for a vontade de Deus, diga com convicção: AMÉM!

 

** Do programa ‘Acreditamos no Amor’, que vai ao ar em dois horários na Rádio Futura FM, 106,9 MHz: 6 h e 18 h – segunda, quarta e sexta.

Site para ouvir o programa ao vivo: www.futurafm.com.br

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:35
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LAURENTINO SABROSA - PENSAMENTOS ( MY OWN )

 

                                          

 

 

 

 

 

Todos os meus pensamentos são mesmo meus, muito pessoais, e, portanto, são mesmo eu próprio : my own! Muitos dos meus pensamentos estão expostos ao longo do que tenho escrito. Estes ainda não foram enquadrados em lado nenhum, não excluindo, porém, a possibilidade de uma ou outra excepção. Cada meu pensamento é uma espécie de assinatura : a minha assinatura diz tudo, na minha assinatura estou todo.

 

 

 

 

1 - O mundo inteiro só é digno de existir pela existência de Deus e por ter sido feito por Ele. É a conclusão que se tira da leitura global da Sagrada Escritura, se fizermos dela uma leitura atenta, continuada e com um mínimo de profundidade, a ponto de ser para nós, como dizem certos rabis judaicos da Torah. “santa quanto ao seu lado óbvio e compreensível, mas sacrossanta quanto ao seu sentido escondido e misterioso”.

 

 

 

2 - Toda a fidelidade e obediência à vontade de Deus e toda a renúncia a resistir às solicitações desumanas (porque contrárias à humanidade que Deus nos deu), são de per si uma oração.

 

 

 

3 - Os meus livros permitem-me tratar por tu todos os sábios, cientistas, filósofos e o próprio Deus. A todos esses grandes vultos, eu nomeei-os a título póstumo meus amigos com medalhas de mérito e de reconhecimento. Todos eles através dos meus livros, me dão memórias e pensamentos que eu tento aprisionar nos meus escritos, para que mesmo que eles voem, sejam como pombas que regressam aos seus pombais.

 

    

 

4 - Os tísicos sentem a sua líbido recrudescida  –  é o protesto da sua natureza a despedir-se do que mais amou, no subconsciente talvez  mais que no consciente; é o desespero de querer ver satisfeito o seu último desejo de condenados.

 

 

 

5 - As lágrimas de alegria limpam e fazem brilhar os olhos; as lágrimas de sofrimento turvam e avermelham os olhos, por terem um teor salino superior ao quanto baste.

 

 

 

6 - A alegria é a satisfação multiplicada por si mesma

 

 

 

7 - Deus paga-nos para vivermos e por isso há a obrigação de amar e defender a vida.

 

 

 

 

8 - O amor fraterno-teológico, embora necessário para a vivência humana, só consola os místicos e, ainda que seja em pequeno grau, todos devemos ser místicos. Mas todos nós somos por essência poetas, e o poeta quer completar o amor ao próximo e a Deus com aquele amor de união e entrega a alguém que seja tão poeta como ele. Se o não consegue, rumina filosofias, rumina teologias, rumina desesperos. Sofremos mas sublimamo-nos, e mesmo que não saibamos alinhavar versos rimados, continuamos a ser poetas, poetas de outra maneira. Será que quem ama se contenta com receber de quem ama apenas amor cristão e amabilidades sociais?

 

 

 

 

9 - Será que entre marido e mulher deve haver as fórmulas de agradecimento e de pedir tudo por favor? Eu acho que não, a não ser que entre ambos haja relações apenas de tolerado convívio sem amor e muita indiferença. Agradecimento e favor, não; delicadeza, sim. Se eles se amam, “são como a unha e a carne”, ou, como se diz na Bíblia, uma só carne. A mão esquerda não agradece à mão direita que esta a lave, e mão direita não pede por favor nem agradece, depois, que a esquerda a ajude a fazer o que é necessário para bem de ambas. O que ambas apreciam, sem propriamente agradecer, é que haja uma mútua e grande delicadeza. Tudo que se desenrola entre um casal que verdadeiramente se ama é em proveito de ambos – umas vezes será o marido a ser mão direita, outras vezes será a mulher a desempenhar esse papel e, então, será o marido a ter de assumir a funções de mão esquerda. Mão esquerda e mão direita que pertencem ao mesmo corpo.

 

 

 

10 - É sempre bom não rezar “à sorte”, qualquer que seja o sentido que se der à expressão: ou por ser atabalhoadamente, sem atenção, sem sentimento, ou por rezar à SORTE, como se ela fosse uma divindade protectora e auxiliadora, divindade que é muito invocada mas nem sequer existe.

 

 

LAURENTINO SABROSA   -   Senhora da Hora, Portugal.

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:19
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - RESPEITO IRRESTRITO À DIGNIDADE. O DIREITO SÓ SE JUSTIFICA EM FUNÇÃO DO SER HUMANO

 

                                                           

 

 

 

 

 

 O significado de dignidade humana se relaciona ao respeito irrestrito às pessoas e o objeto de sua proteção se estende a todos os indivíduos, independentemente de idade, sexo, origem, cor, condição social, capacidade de entendimento e autodeterminação ou ‘status jurídico’.

 

 

 

O Estado Democrático de Direito é aquele cujo regime jurídico autolimita o poder do Estado ao cumprimento das leis que a todos subordinam, permitindo ao povo (governados) uma efetiva participação no processo de formação da vontade pública (governo). Por isso, dispõe a Constituição: “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”. Ele é adotado em nosso país e consagrado na Constituição brasileira, que também indica quais são os seus fundamentos: soberania (poder máximo de que está dotado o Estado para fazer valer sas decisões e autoridade dentro de seu território;  cidadania (qualidade do cidadão caracterizada pelo livre exercício dos direitos e deveres políticos e civis); dignidade da pessoa humana;  os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e  pluralismo político (existência de mais de um partido ou associação disputando o poder político).

Os direitos humanos são aspirações elementares à dignidade humana, um dos fundamentos do regime consolidado no Brasil, razão pela qual a doutrina entende que as suas normas são materialmente constitucionais, eis que se incluem no conteúdo básico referente à composição e ao funcionamento da ordem política. Nessa trilha, invoquemos o prof. Dalmo de Abreu Dallari: “As finalidades mais importantes da Constituição consistem na proteção e promoção da dignidade humana. Por esse motivo, não é uma verdadeira Constituição uma lei que tenha o nome de Constituição, mas que apenas imponha regras de comportamento, estabelecendo uma ordem arbitrária que não protege integralmente a dignidade de todos os indivíduos e que não favorece sua promoção” (“Constituição e Constituinte”, p.24, São Paulo: Saraiva)

A dignidade se revela assim como princípio moral de que o ser humano deve ser tratado como um fim e nunca um meio e situa as pessoas no vértice de todo o ordenamento jurídico, pois o direito só se justifica em função do ser humano. O seu significado se relaciona ao respeito irrestrito às pessoas e o objeto de sua proteção se estende a todos os indivíduos, independentemente de idade, sexo, origem, cor, condição social, capacidade de entendimento e autodeterminação ou ‘status jurídico’. Ressalte-se interessante manifestação de Alexandre Morais: “A dignidade da pessoa humana é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e que traz consigo a pretensão ao respeito por parte das demais pessoas, constituindo-se em um mínimo invulnerável que todo estatuto jurídico deve assegurar, de modo que apenas excepcionalmente possam ser feitas limitações ao exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a necessária estima que merecem todas as pessoas enquanto seres humanos” (“Constituição do Brasil Interpretada”, São Paulo: Atlas, 2002, p.129).

            O recente processo de reintegração de posse de Pinheirinho, cuja violência policial foi destacada pela imprensa de todo o mundo, violou os direitos humanos. “Seria necessário suspender o cerco policial e formar uma comissão independente para negociar uma solução para as famílias”. Essa opinião foi da relatora especial da ONU para o direito à moradia adequada, arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, 55, que enviou um Apelo urgente às autoridades brasileiras pedindo explicações sobre o caso. Em entrevista à Folha de São Paulo, indagada se a questão social no Brasil ainda é um caso de policia, declarou: “Estamos indo para trás. Lutamos pelo Estado democrático de direito, pela igualdade do tratamento do cidadão. A Constituição reconheceu o direito de ocupantes da terra. Agora que o Brasil está virando gente grande do ponto de vista econômico, estamos voltando para trás nesses direitos. A pauta da inclusão social virou sinônimo da inclusão no mercado, via melhoria das condições de renda” (27/01/2012- C8).

Vale reiterar que o amadurecimento institucional do Estado de Direito, principalmente em nosso país, requer desenvolvimento cultural e educacional, fortalecimento da cidadania com a inclusão dos excluídos (e.g. reforma agrária, habitação social, saneamento, saúde) e exige um grande esforço de restauração do respeito à lei, com provimento eficiente de justiça e segurança pública.

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário, mestre em Direito Processual Civil pela PUCCamp e membro das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas.



publicado por Luso-brasileiro às 14:08
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Domingo, 4 de Março de 2012
HUMBERTO PINHO DA SILVA - O BOM PASTOR DO TITANIC

 

 

 

Faz cem anos, no próximo mês de Abril, que o “Titanic” desapareceu com a maioria dos passageiros, nas geladas águas do oceano.

 

 

 


 

                       Ilustração da "VEJA" Edição Especial - Abril de 1912

 

 

 

Muito se tem escrito sobre o navio que, no parecer do construtor, não podia naufragar…mesmo se Deus quisesse. Todos ou quase todos, conhecem a hedionda tragédia, que aconteceu a 14 de Abril de 1912, e raros são os que não se recordam do filme, cujo argumento se desenrola na primeira e derradeira viagem do fatídico navio. Mas, disso estou certo, poucos sabem quem foi John Harper: pastor evangélico, que embarcara na Grã-bretanha, para realizar série de pregações, em Chicago.

Seguia o vapor repleto de importantes homens de negócios, políticos e famosos milionários. Corria fácil o dinheiro no navio de luxo, mas Harper, como crente que era, aproveitava todas as ocasiões para falar de Jesus.

Até que, pelas 23H40, o sumptuoso navio embate, com estrondoso barulho, em gigantesco iceberg.

Como o barco era equipado com complexo sistema, que o tornava insubmersível, muitos passageiros mantiveram-se calmos, confiantes na técnica e experiência da tripulação.

John Harper corre ao quarto. Acorda, serenamente, a filha Nana, de seis anos, enrola-a numa manta, desce ao convés e confia-a ao capitão, que permanece num salva-vidas.

Antes, porém, abraça-a ternamente, e beija-a. Abundantes lágrimas escorrem-lhe pela face apreensiva.

 

 

 

 

                                   

 

                                                           Rev. John Harper, e sua filha Nana

 

 

 

Nesse comenos descobre que passageiro não tinha colete salva-vidas e dá-lhe o seu.

Anda à solta o pânico. Choros lancinantes e gritos de desespero correm desenfreadamente pelos alagados corredores.

Harper ajoelha-se, e ora; ora fervorosamente. Esperando por possível milagre, passageiros acercam-se do sacerdote.

As lágrimas deslizam pelo rosto pálido do pastor, que em voz suplicante, encorajado pela fé, depreca misericórdia; e…lentamente… muito lentamente… o vapor soçobra.

Noutro local, o Padre Joseph Peruschitz, muito angustiado, reza o terço, cercado de pequeno grupo de católicos, aterrorizados. Recusa abandonar o navio, cedendo o salva-vidas; enquanto o Padre Thomas Roussel Davids, que na hora do embate estava a ler o breviário, participa activamente na salvação de passageiros, recusando a possibilidade oferecida de sair do navio. Ficou a ouvir  confissões dos que ficaram após a partida dos salva-vidas.

 

 

                   

      

           Padre Davids Byles                                      Padre Peruschitz                                                Revº Harper

 

 

As águas, em turbilhões medonhos, entram desenfreadas pelas salas e salões ricamente decorados, espalhando pânico e desespero, entre os viajantes mais confiantes na salvação.

Inesperadamente, John Harper vê-se envolto em água gelada e mergulha em espessa e profunda escuridão.

Estende as mãos trementes, e encontra restos do desmantelado navio, que flutuam à flor das águas, e, tenazmente, agarra-se com inaudito afinco.

À volta é o desespero: gritos dilacerantes, preces e impropérios misturam-se num clamor de choros e gemidos. Terror indescritível; e o bom pastor sempre a recordar, que Jesus se lembraria deles no Seu reino: - ” Crê no Senhor Jesus Cristo e sereis salvos!”

Por largos momentos a voz reconfortante de Harper fez-se ouvir; bálsamo benfazejo para os náufragos, que, um a um, desaparecem nas profundezas oceânicas.

Sucumbe, por fim, pelo cansaço e pelo frio, emudecendo, enquanto o navio, que Deus não podia afundar, lentamente… muito lentamente…. mergulha em geladíssimas águas.

John Harper, *Joseph Peruschitz e Thomas Davids, foram esquecidos, e a História mal fala deles, mas os poucos sobreviventes continuaram a ouvir, ano após ano, a bem timbrada voz do Revº  Harper: - “ A sua alma está salva? Crê em Jesus Cristo e sereis salvos!”

 

 

 

* Na abadia de Scheyem, na Baviera, junto ao túmulo do beneditino, pode-se ler: “Peruschitz, que a bordo do navio Titanic piedosamente se sacrificou.”

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto Potugal



publicado por Luso-brasileiro às 18:47
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PINHO DA SILVA - "VALORES"

 

                                           

 

 

 

 

 

 

 

Falemos de valores. Sim, há valores;

não se contesta, não!...Quem o faria?!

Confessemos, contudo, que, hoje em dia,

há bem menos valores, do que...favores.

 

 

 

Em primeiro lugar vem o dinheiro;

em seguida um " canudo"; ar importante;

sempre um livro na mão;roupa elegante;

ou um aspecto jovial e prazenteiro...

 

 

 

Eis o que são valores, p'ra certa gente,

quando, afinal, a coisa é bem diferente!

Atalhareis vós: -  " Não é assim!...Falta à verdade!..."

 

 

 

Não falto, garanto eu !...Ele há senhor

que é muito culto, e muito sabedor...

porque...disfarça a sua nulidade.

 

 

 

PINHO DA SILVA   Vila Nova de Gaia, Portugal

 

 

 

 

 

PRAÇA VIVA  -  JUNDIAÍ 2012

 

 

Aproxima-se a edição 2012 do Praça Viva...

O evento acontece todo ano desde 2006, levando Arte - gratuitamente - à praça central de Jundiaí/SP.

São apresentações e oficinas diversificadas que já se firmaram dentro do cenário cultural jundiaiense.

Além disso, marcará presença o tradicional Varal Literário, para o qual estão convidados como sempre poetas de todo o mundo.

O tema é livre.

Quem é daqui de Jundiaí e quiser, inclusive, versar sobre os 150 anos do Solar do Barão, fique à vontade.

Vamos encher os olhos (e fazer arte nas mentes e nos corações) de todos os que por ali passarem, nos dias 4 e 5 de maio.

Para tanto, envie seu(s) poema(s) para o e-mail:   vmalagoli@uol.com.br  - até o dia 13 de abril.

Ao final, por e-mail também, todos receberão seus certificados de participação.

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli

 

 

 

ATENÇÃO DIA 14 DE MARÇO, EM JUNDIAÍ, BRASIL

 

           SHOW   RENATA IACOVINO TRIO

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:09
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