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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
EUCLIDES CAVACO - BRASIL E PORTUGAL

 

 

                                               

 

 

 

 

 

 

Olá prezados  amigos
Boa tarde
BRASIL E PORTUGAL
Para quem gosta de recordar a história , aqui deixo este poema declamado
recordando esta célebre efeméride que faz precisamente 512 anos depois de amanhã.
Por favor partilhe-a  com os seus amigos  enviando-lhes este link:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Brasil_e_Portugal/index.htm
Desejos dum excelente fim de semana.
 
EUCLIDES CAVACO   -   Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:15
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JOÃO BOSCO LEAL - RELACIONAMENTOS DURADOUROS

 

 

                                            

 

 

 

 

 

 

Em busca de relacionamentos mais duradouros e até permanentes, todos questionam as atitudes necessárias para que isso ocorra, como paciência, diálogo, compreensão e renúncia, mas na realidade não existe uma fórmula para a felicidade de um casal.

As paixões iniciais são passageiras e o que realmente perdurará, a amizade, a cumplicidade e o companheirismo, podem e devem ser criados com o tempo.

Em décadas passadas - e em determinadas culturas ainda agora -, os casamentos eram determinados pelos pais, com os noivos ainda crianças. A submissão feminina da época ou em países com essas culturas é que determinava a longevidade dos casamentos, independentemente se promovendo ou não a felicidade do casal.

Atualmente, na maioria dos países, as pessoas podem passear e caminhar de mãos dadas, assistir a filmes ou peças de teatro, ler livros, frequentar qualquer local ou ambiente e viajar juntas, sem a necessidade sequer de estarem namorando.

Essa convivência certamente poderá aprofundar sua amizade e criar afinidades que as aproximarão cada vez mais, abrindo a possibilidade para um relacionamento com bases muito mais sólidas do que aquele iniciado com uma simples paixão.

Só com a maturidade, quando já não se dá importância para aquelas paixões mais comuns na juventude, de origens físicas e pouco racionais, mas se busca alguém com valores éticos, morais, educação, cultura, interesses e objetivos comuns, se adquire esse entendimento.

Nessa fase, entendemos a importância não só de demonstrar, mas de falar sobre nossos sentimentos, de nos declarar, em particular ou publicamente para a pessoa amada, pouco nos importando o que dirão os que estão próximos.

Já entendemos a importância de interromper a leitura de um jornal para fazer uma declaração elogiando seu par que chega, valorizando sua roupa, sua beleza, o novo corte de cabelo que realçou sua jovialidade, mesmo quando isso não expressa uma realidade cronológica, e possuímos a delicadeza de, voltando do mercado, surpreendê-la por ter adquirido a fruta de sua preferência, ou trazendo-lhe uma flor quando menos espera.

Com atitudes e demonstrações de carinho, afeto, amizade e companheirismo, os laços vão se estreitando, de modo que cada um passe a sentir a ausência do outro e a necessidade de com ele dividir suas ideias, planos, sucessos, dificuldades e frustrações.

A participação de cada um nos mais variados temas da vida de seu par vai tornando o casal mais próximo, íntimo, participativo de detalhes muitas vezes estranhos à própria família do outro. Esse envolvimento cria situações de cumplicidade e amizade raras.

Construído diária e progressivamente sobre raízes sólidas, adubadas constantemente com atitudes pequenas, mas importantes, um relacionamento maduro aumenta à medida que os dois se conhecem, descobrem suas dificuldades, costumes, manias, qualidades e virtudes, surgindo daí o amor verdadeiro, real e duradouro.

Colocando na balança todos estes ingredientes, procurando o equilíbrio, os dois acabarão percebendo que no outro existem muitas qualidades e que o carinho e a cooperação superarão os poucos defeitos de cada um deles.

O relacionamento duradouro é aquele onde existe o interesse mútuo em sua criação e manutenção, mesmo quando inicialmente os parceiros não se amam.

 

 

 

JOÃO BOSCO LEAL, é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. Campo Grande, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 14:12
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A IGREJA PRECISA DOS IDOSOS

 

                                                  

 

 

 

 

 

Eu tinha um amigo, daqueles que sempre estão presente nas horas amargas, que era catequista.

Semanalmente, nos fins-de-semana, abalava para o “ interior”, deixando família, para participar na preparação da catequese.

Certa vez confessou-me: “ Quando for aposentado vou-me dedicar às actividades da Igreja da minha terra e à agricultura. Tenho um campinho na retaguarda da casa que ergui na aldeia e vou cuidar das árvores de fruta e da hortinha”.

O tempo passou e ele sempre a sonhar com a reforma que lhe permitiria organizar melhor a catequese da paróquia, já que era o coordenador.

Um dia atingiu a idade necessária para se retirar. Despediu-se de olhos marejados dos colegas; pela derradeira vez visitou a banca de trabalho, testemunha de horas alegres e de muitas e muitas angústias; e definitivamente partiu para a terra natal.

Não deixou, porém, de passar pela livraria católica em busca de material para as aulas da catequese. Como as verbas para a evangelização dos jovens eram escassas, despendeu muito de seu bolso.

Era um sonho há muito acalentado.

Mal chegou, foi prestes à reunião da catequese. Admirou-se, porém, que o abade, velho companheiro nas lidas religiosas, estivesse presente.

Aberta a reunião, o padre urdiu eloquentes palavras, entremeada de rasgados elogios ao meu amigo. Apoiaram enternecidos, os presentes, as palavras do sacerdote. Ao concluir ofertaram-lhe bonita bíblia, de folhas doiradas, encadernada a pele.

No acto da entrega, disse o abade:” Chegou o momento de descansar. É justo que o libertem das árduas canseiras que lhe roubaram horas de recreação. É mister sangue novo. Já indigitei novo coordenador, e faço votos que ao aposentar-se, tenha finalmente o merecido repouso, junto dos que lhe querem bem.”

Escusado será descrever a desilusão do meu amigo. Mesmo assim teve ânimo para agradecer, lembrando que não se sentia velho, e muito podia,ainda, dar à Igreja.

Este caso verídico faz-me reflectir na perda que a Igreja tem ao desprezar o trabalho dos idosos.

 

Há muito que lembro – mas, infelizmrnte, poucos escutam, – que muitos professores, homens de valor, ilustres catedráticos, após aposentação, podem ser excelentes sacerdotes (diáconos e padres), consoante os casos, com reduzido estudo no Seminário Maior.

O aposentado, em regra, tem tempo disponível; não carece de trabalhar para sobreviver; e pode perfeitamente dispor ainda de vinte anos ou mais, ao serviço de Deus.

Desaproveitar conhecimentos e disponibilidades é erro crasso, mormente em época em que a falta de sacerdotes é notória.

Bom era que as dioceses incentivassem os crentes idosos a participarem nas actividades das paróquias, de harmonia com os conhecimentos e saúde de cada um.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 11:36
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CLARISSE BARATA SANCHES - A BARCA PORTUGUESA

 

 

                   Um crente 

 

 

 

 

 

Meu Deus a minha barca já balança;

Ajuda-me a levá-la com cuidado;

É que ela aos solavancos, sem parança,

Receio que se afunde do meu lado!

 

Sou Governo e o meu povo assustado

Diz que eu não sei guiar com segurança

Este nosso País abandonado,

Já sem meios de vida e de esperança.

 

Acode-nos, Senhor neste momento

E acalma a ira brava deste “vento”

Que leva a barca e remos mundo fora…

 

Meu Deus, é Portugal de mui valor!

Eu creio em vós com todo o meu Amor:

Mas, sê a nossa bóia salvadora!

 

 

 

 

CLARISSE BARATA SANCHES    -   Goís, Portugal

 

 

 

 

EXPOSIÇÃO "ESTUDO POÉTICO" DE VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI NA GALERIA GLÓRIA ROCHA - RUA BARÃO DE JUNDIAÍ, 1098  -  JUNDIAÍ/SP

 

             

 

 

 

PRAÇA VIVA  -  JUNDIAÍ 2012

 

Aproxima-se a edição 2012 do Praça Viva...

O evento acontece todo ano desde 2006, levando Arte - gratuitamente - à praça central de Jundiaí/SP.

São apresentações e oficinas diversificadas que já se firmaram dentro do cenário cultural jundiaiense.

Além disso, marcará presença o tradicional Varal Literário, para o qual estão convidados como sempre poetas de todo o mundo.

O tema é livre.

Quem é daqui de Jundiaí e quiser, inclusive, versar sobre os 150 anos do Solar do Barão, fique à vontade.

Vamos encher os olhos (e fazer arte nas mentes e nos corações) de todos os que por ali passarem, nos dias 4 e 5 de maio.

Para tanto, envie seu(s) poema(s) para o e-mail:   vmalagoli@uol.com.br  - até o dia 13 de abril.

Ao final, por e-mail também, todos receberão seus certificados de participação.

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:11
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Terça-feira, 17 de Abril de 2012
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - OS VICENTINOS E A CONSTANTE BUSCA DO RESPEITO IRRESTRITO À DIGNIDADE HUMANA.

 

               

                                                               

 

 

      

           

         Os integrantes da Sociedade São Vicente de Paulo, entidade ligada à Igreja Católica Apostólica Romana, exercem um trabalho pioneiro em ações de responsabilidades sociais (Terceiro Setor), constituindo-se num exemplo de profícuo trabalho em pról da solidariedade, que embasa a terceira geração dos Direitos Humanos.

 

A Sociedade São Vicente de Paulo, ligada à Igre ja Católica Apostólica Romana, é uma entidade que presta serviços aos menos favorecidos, realizando um trabalho solidário e evangelizador de grande importância social. Os seus integrantes visitam famílias, arrecadam mantimentos e donativos, participam de constantes reuniões e promovem uma profícua mobilização em favor das pessoas carentes, numa tentativa de minimizar-lhes o sofrimento e propiciar-lhes condições de inclusão social.

A primeira conferência de nossa cidade, a “São José”, foi fundada em 1897, tornando-se os vicentinos, que entre si se chamam de “confrades” (homens) e “consocias” (mulheres), os pioneiros em ações de responsabilidades sociais (Terceiro Setor) em nossa comunidade. São cento e quinze anos de serviços prestados ao povo de Jundiaí e região. O chamado “terceiro setor” tem como características principais: ausência de finalidade lucrativa (trabalho voluntário); independência em relação ao Poder Público; reivindicação e influencia às políticas que assegurem a liberdade dos indivíduos, cuja responsabilidade é dos Estados; dotação de elevados padrões éticos que pactuam suas normas de conduta  e assentamento em estreitos laços de idoneidade, eficiência e resultados.

Antonio Frederico Ozanan, professor e estudioso de Direito Comercial, que nasceu em 1813 na Itália mas viveu em Lions, na França, foi o fundador, aos vinte anos de idade, da Sociedade São Vicente de Paulo, cuja missão é aliviar a miséria espiritiual e material dos que vivem em situação de risco social, colocando em prática os ensinamentos de Cristo e da Igreja Católica. Atualmente, presente em cento e quarenta e três países, tem mais de setecentos mil membros espalhados pelo mundo.

Os vicentinos fazem do sonho de Ozanam, que “é formar uma grande rede de caridade de ajuda ao próximo”, uma realidade que alivia o sofrimento dos pobres e icentiva a promoção da dignidade humana, objetivo maior e atual da Teoria Geral dos Direitos Humanos. Efetivamente, a dignidade se revela como princípio moral de que o ser humano deve ser tratado como um fim e nunca um meio e no plano jurídico, situa as pessoas no vértice de todo o ordenamento jurídico, pois o direito só se justifica em função do ser humano. O seu significado  se relaciona ao respeito irrestrito aos cidadãos, sendo que o objeto de sua proteção se estende a todas as pessoas, independentemente de idade, sexo, origem, cor, condição social, capacidade de entendimento e autodeterminação ou ‘status jurídico’.

 

 

                       

 

 

Conforme Flávia Piovesan, “a dignidade humana e os direitos fundamentais vêm a constituir os princípios constitucionais que incorporam as exigências de justiça e dos valores éticos, conferindo suporte axiológico a todo o sistema jurídico brasileiro. Na ordem de 1988, esses valores passam a ser dotados de uma especial força expansiva, projetando-se por todo universo constitucional e servindo como critério interpretativo de todas as normas do ordenamento jurídico nacional” (Temas de direitos humanos, São Paulo: Max Limonad, 1998, p.34-35)

Assim, os integrantes da Sociedade São Vicente de Paulo desenvolvem um importante trabalho social, aliados à terceira geração dos Direitos Humanos embasada  na solidariedade, convidando-nos a uma séria reflexão sobre a importância de desenvolvermos uma convivência mais fraterna e solidária, notadamente numa época em que o desenfreado consumismo se sobrepõe a inúmeros princípios, tornando as pessoas mais frias e insensíveis.

 É imperioso que se multipliquem as ações sociais. Todavia, isso só se tornará realidade quando, dentro de nós mesmos, o individualismo for substituído pelo amor sincero ao próximo. Somente a solidez dessa conduta capacita os indivíduos a resistir aos apelos fáceis e as tentações do mundo moderno. E essa mesma firmeza, demonstrada pelos vicentinos, é que cria o respeito e o entendimento entre as pessoas, sendo que o compromisso com o bem comum vai se traduzindo no esforço constante de se promover o ser humano.

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário, mestre em Direito Processual Civil pela PUCCamp e membro das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas.

 



publicado por Luso-brasileiro às 13:57
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JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - RECEBER O ESPÍRITO SANTO

 

               

                                                           [Cônego.jpg]

 

 

Aos discípulos que estavam reunidos após a Ressurreição, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde eles se achavam, Jesus entrou e, entre suas mensagens, depois de soprar sobre eles lhes disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 22). No dia de Pentecostes, solenemente, veio sobre eles a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade que eles acolheram num acontecimento repleto de aspectos milagrosos: vento impetuoso, línguas de fogo, discursos em línguas estrangeiras. Começou assim a verdadeira História da Igreja de Cristo. Com a vinda do divino Espírito Santo esta Igreja foi solene e corajosamente proclamada pelos Apóstolos como o novo Reino Messiânico, independente da sinagoga e sustentada por este “Espírito da verdade “ que a assistiria em todos os tempos. Admirável a atuação do Santo Espírito que veio se instalar nos corações dos fiéis, mostrando quem é Jesus e o significado de tudo que Ele ensinou. Foi o que predissera o próprio Cristo: “Quando vier o Paráclito que eu vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da Verdade que procede do Pai, ele dará testemunho de mim” (Jo 15,26). No batismo o cristão morre com Cristo e ressuscita com Ele para uma vida nova. Pela unção do Espírito Santo na crisma participa ainda mais da vida mesma de Deus. Cumpre, porém, orar para que Deus, sem interrupção, dê a todos os sete dons, dádivas maravilhosas, que não são resultado dos esforços humanos, não são uma recompensa que se mereça, mas dons gratuitos do doador de todas as graças. Para receber o Espírito Santo é preciso, contudo, invocá-lo sempre, dado que Ele é a resposta de todas as preces, a esperança concretizada de todos os desejos. A misericórdia divina é percebida então em toda sua plenitude, envolvendo o cristão na alegria perfeita e no amor total. É por meio do Espírito Santo que a luz do conhecimento do Evangelho se torna a história da vida de cada discípulo de Jesus, numa relação pessoal sublime com o Redentor. O Espírito Santo ilumina o caminho do cristão, esclarece sua existência e torna luminosa a presença de Deus na sua alma. Fortalecido, o batizado vence todos os percalços da vida, olhos fixos na beatitude eterna onde o Pai o aguarda pela eficácia da salvação do Filho e pela ação santificadora do Espírito Santo. Este comunica aquela força que permite fazer face a tudo que na vida significa luta para viver integralmente os Mandamentos. É o Consolador que transmite coragem, incute ânimo, afasta a tristeza e impede que se depreciem as qualidades com que cada um foi mimoseado ao vir a este mundo. Ele sana as insuficiências e cura as feridas da caminhada por este exílio. Mister se faz, porém, praticar a experiência desta fortaleza no cotidiano da existência. Não basta encontrar o Espírito Santo, pois há necessidade de se deixar conduzir por Aquele que transforma os fracos em fortes, os deprimidos em resolutos, num apelo pela coragem nos embates de cada hora. Aqueles seguidores de Jesus que estavam com medo dos judeus, recebido o Espírito Santo, com santa audácia passaram a pregar o Evangelho. Quando os chefes, os anciãos e os escribas chamaram Pedro e João e “intimaram-nos, terminantemente, a não falarem ou ensinarem em nome de Jesus”, eles destemidamente responderam: “Nós não podemos deixar de falar daquilo que vimos e ouvimos” (Atos 4, 18.20). Tratava-se de proclamar as maravilhas de Deus, demonstrando uma fé profunda sem os temores humanos, ou seja, os medos de cada instante, as fadigas, os desalentos, as consternações, as fobias, enfim todos os aspectos reveladores de ansiedade ou aflição. O Espírito Santo ensina como conviver com a finitude da condição humana, impedindo a ausência de luminosos horizontes, na renúncia a todo tipo de pessimismo que é esta mórbida disposição de espírito que leva o indivíduo a encarar tudo pelo lado negativo, a esperar de tudo o pior. O contexto atual, a cultura hodierna estão exigindo que mais do que nunca haja pessoas iluminadas que com este entusiasmo infundido pelo Espírito Santo proclamem as grandezas de Deus com o coração inundado na alegria que jorra do interior de quem vive em função das luzes e inspirações do dia de Pentecostes. Então muitos descrentes entenderão que Jesus é o Salvador que inscreveu a esperança naqueles que Ele remiu. Deste modo, palavras e atos testemunharão por toda parte como é venturoso quem está unido a Deus. O Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos em línguas de fogo e lhes deu um novo ardor para difundir o Evangelho. Foi o que predissera Jesus: “Eu vim lançar um fogo na terra” (Lc 12,49). Trata-se de se abrir uma vereda para a humanidade, caminho refulgente numa colaboração contínua com Deus que, pelo seu fogo celestial, quer renovar a face da terra. É preciso receber com amor o Divino Espírito Santo”.

 

 

 

CÔN. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO   -  da Academia Mineira de Letras. Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos. - Viçosa, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 13:43
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JOÃO BOSCO LEAL - NOSSAS DIVERSIDADES

                     

 

 

 

 

Em conversa com uma jovem, percebi que ela não concordou e ficou chocada quando eu disse que o brasileiro ainda não possuía sequer uma raça definida. Informou-me que pessoas não tinham raça, mas sim etnia, e que raça quem tinha eram os animais.

Aleguei que isso pouco importava no sentido que eu estava dando à minha declaração, pois o que estava afirmando é que nosso país é muito novo, repleto de pessoas oriundas de países e continentes distintos, que ainda levaria séculos para que fôssemos fisicamente reconhecidos como nascidos aqui, assim como os japoneses, chineses, árabes ou afrodescendentes são reconhecidos.

Interessante que na sequência da conversa, sem perceber a contradição, ela mesma disse que seus avós eram POI – termo utilizado por produtores rurais para identificar animais Puros de Origem Importada -, árabes libaneses.

Tentava explicar que nossas características físicas ainda são muito distintas, como entre os sulistas e nortistas, e na cidade de São Paulo, em decorrência da enorme concentração de pessoas das mais diversas origens, podíamos ver, com maior clareza, o quanto somos uma população ainda fisicamente indefinida.

Desde a descoberta do país e sua colonização, ocorreram concentrações de povos oriundos de países ou continentes em determinada região do país, como os holandeses no Nordeste e os portugueses e espanhóis no Sudeste e Centro-Oeste, mas todos ainda somente próximos do litoral.

Buscando desbravar o país, o governo incentivou a imigração de milhares de pessoas. Foi quando vieram os japoneses e italianos, que se fixaram na região Sudeste, enquanto alemães foram para a região Sul.

Essas diferenças permanecem até os dias atuais, pois sabemos que, principalmente por suas origens, os sulistas são os mais acostumados a trabalhar em sistemas de cooperativas, como na suinocultura e produção de embutidos derivados da carne suína, enquanto os descendentes de japoneses são os maiores especialistas no plantio de hortaliças e na produção de ovos e frangos.

Séculos se passaram e esses povos foram se locomovendo dentro do país, por conta própria ou com novos incentivos governamentais ao desbravamento, como quando da criação dos estados de Rondônia e Roraima e da rodovia Transamazônica.

Já na década de 70, surgiram as novas fronteiras agrícolas do Centro-Oeste, provocando um enorme fluxo de pessoas para a região, principalmente oriundas do sul.

Toda essa movimentação e os consequentes envolvimentos entre as pessoas que chegavam com as que lá já estavam provocou novas alterações físicas, diminuindo as diferenças entre pessoas dessas regiões e criando novos costumes como o uso do chimarrão na região Centro-Oeste, onde só existia o tereré.

Atualmente, é muito comum vermos, em diversos estados com grande concentração de gaúchos, os chamados CTGs – Centros de Tradições Gaúchas – ou os bailes de forró na cidade de São Paulo, e apesar de todos saberem suas origens, come-se vatapá, farinha de mandioca e pão de queijo em todas as regiões do país.

Era o que estava tentando explicar, que ainda demorará séculos para que consigamos ter um Brasil com pessoas que possuam os mesmos traços físicos e tenham as mesmas culturas, mas podemos nos orgulhar de, mesmo muito miscigenados, ou talvez justamente por isso, sermos esse povo sem preconceitos, disposto a novas assimilações, pacífico e ordeiro.

Ainda levará séculos, mas de nossa miscigenação estamos criando a maior raça, a de todos.

 

 

 

JOÃO BOSCO LEAL, é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. Campo Grande, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 11:58
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - OS SETE PECADOS CAPITAIS - PARTE 6: A SOBERBA

 

 

 

 

                O sonho da Dona Vanda era virar chefe. Ela sempre imaginara, desde criança, que um dia seria chefe de muitos funcionários e poderia ensinar a todos como de fato se trabalho em grupo, bem como os valores elementares para um bom funcionário, como a humildade.

                A mãe da Dona Vanda passara a vida toda sendo humilhada pelo Chefe, um homem cruel e orgulhoso. Era comum para a pequena Vandinha ver a mãe chorando de tristeza, de vergonha e, ainda assim, ter que voltar no outro dia para o trabalho, por ter três filhos para sustentar. Adulta, a Vanda mulher decidiu não se casar e nem ter filhos, porque queria ser dona da própria vida e até ter o direito de viver a miséria, se fosse o caso.

Assim, no começo da carreira, a Vanda trocava de emprego sempre que algum chefe medito a besta virara o rojão para ela. Ela não merecia e nem precisava ser tratada como se não fosse ninguém. Era uma mulher com diploma, uma secretária bilíngue, uma pessoa culta, de bons modos, bom gosto, enfim, era uma pessoa digna de ocupar um cargo que fizesse jus a toda uma vida de preparação.

Quando foi contratada pelo Seu Roberbal e pelo Seu Osmar, a já chamada de Dona Vanda, do alto dos seus 50 e poucos anos, teve certeza de que tinha chegado sua hora e sua vez. De cara foi nomeada Supervisora Júnior das Assistentes Administrativas. Ela tentou até argumentar que, se não havia ninguém acima dela, deveria ser Supervisora Sênior, mas ninguém deu muita importância para aquilo. Para ela, embora fizesse diferença, já era um começo. O mais importante é que ela tinha subalternos, pessoas as quais demonstrar o verdadeiro valor de se ter um chefe bom, compreensivo, bem diferente daquele ser que tanto atormentou a vida de sua mãe.

A Vandete e a Glória eram as únicas secretárias e assistentes administrativas que havia na empresa. O André, o office boy, nem contava, porque era terceirizado. Dessa forma, a missão da Dona Vanda era mesmo colocar a Vandete e a Glória no bom caminho. Ela sempre chegava mais cedo do que qualquer um, para dar o exemplo e ficava tomando café perto da mesa das secretárias, meio escondida atrás da porta sanfonada, só para ver no rosto delas a decepção de serem pegas no flagra quando chegavam atrasadas. Por dever e nunca por gosto, justificava-se a Dona Vanda, tinha que descontar o atraso do salário.

A Dona Vanda estava invariavelmente bem arrumada, maquiada e penteada com um apertado coque no alto da cabeça. Com seus óculos de grau de armação de casco de tartaruga, ela caminhava pela empresa, de nariz empinado, ostentando uma bolsa de marca que comprara em 10 prestações há alguns anos.  Para ser uma chefe, pensava, era necessário agir como uma. Um dia ainda iriam reconhecer todo o seu valor e potencial e ela iria ter o devido tratamento, mas, por ora, aproveitava para deixar pétalas de humildade e complacência para com o próximo, sobretudo ao próximo ou às próximas, secretárias.

Dona Vanda fazia, com seu séquito involuntário, todas as semanas, uma reunião para tratar do futuro da empresa. Nessas ocasiões, lia textos que falavam sobre como lidar com o público e dava o que chamava de “pequeninas lições”, sobre como trabalhar em equipe e como entender qual o seu lugar na empresa. Ela dizia que chefes e funcionários, pelo bem da hierarquia e da ordem no trabalho, não deviam frequentar os mesmos lugares, tais como banheiros e elevadores. Era necessária uma postura profissional adequada.

Ao fim de cada reunião, mandava que as duas apresentassem um relatório sobre as atividades do mês, as quais ficavam sujeitas à conferência dela, para validação de horas extra e para promoções futuras.  A Vandete e a Glória é que eram sortudas. Tinham um grande manancial de informações sempre à disposição, bem como uma fonte de inspiração. Tudo o que tinham que fazer era ter a humildade necessária para entender o quanto ainda precisavam aprender... Coisa que ela, a Vanda, Supervisora Júnior das Assistentes Administrativas, tinha de sobra...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:53
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FILIPE AQUINO - " AS ABORTISTAS NÃO NOS REPRESENTAM"

 

 

 

 

 

Renata Gusson Martins, mãe de cinco filhos, participou na Sessão da Subcomissão permanente em defesa da mulher, uma audiência com o para debater as políticas públicas para a saúde da mulheres, presidida pelas Senadoras Angela Portela (PT); Ana Rita (PT); Lídice da Mata (PSB), ocorrida em Brasília no dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Para a ocasião as senadoras da subcomissão convidaram mulheres financiadas pela Fundação MacArthur para falar sobre a “saúde” da mulher, mas não estenderam o convite às organizações de defesa da vida e de amparo a mulheres grávidas. No entanto, mesmo sem convite, essas iniciativas pró-vida se fizeram presentes em Brasília na audiência, para surpresa geral das senadoras e das feministas convocadas.

Usando da palavra Renata denunciou que as abortistas e feministas financiadas por fundações internacionais como a Rockefeller, Ford e MacArthur, as quais ferindo a soberania do país vêm promovendo o avanço da legislação pró-aborto em Brasilia, simplesmente não representam a mulher brasileira e seus verdadeiros interesses.

O vídeo já foi visto mais de 30 mil vezes em apenas uma semana no Youtube. Foi gravado pela TV Senado (Brasil).

Renata afirmou que causava “muita tristeza” observar naquela data, especial para as mulheres de todo o mundo, que outras mulheres supostamente comprometidas com o bem das brasileiras, ao seguir piamente os manuais das organizações estrangeiras que querem promover o aborto na América Latina, simplesmente “não representam” as mulheres do Brasil, onde mais de 70% da população rechaça o aborto.

“As senhoras não representam a mulher brasileira. É preciso dizer isso!”, reafirmou Renata Gusson, e criticou as senadoras pela má representação que fazem da mulher brasileira, ao comprometer-se com a agenda pró-aborto. Renata falou apenas três minutos, mas deu o seu recado cristão contundente, sem medo, corajosamente. Ela questionou a instrumentalização das senadoras e a de organizações feministas que se dedicam profissionalmente à tarefa de fomentar, junto ao poder legislativo, leis que promovem a legalização do aborto, de maneira especial no contexto da Reforma do Código Penal Brasileiro.

Renata Gusson lembrou sobre a terrível realidade que, uma vez permitido o aborto, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, a maior parte das clínicas seriam estrategicamente instaladas em regiões de baixa renda e em bairros de moradores predominantemente negros prejudicando estas populações.

“A senhora como secretária de políticas especiais de ações afirmativas sabe que o aborto nos Estados Unidos é legalizado até os nove meses desde 1973. E a maior quantidade de clínicas de aborto se concentram em bairros pobres e negros. Infelizmente esta é uma estrutura, uma engrenagem que se forma simplesmente para aprovar o aborto em um país. Infelizmente secretária, não se tem amor por mulher nenhuma”.  “E quem vai morrer, Secretária?” questionou Renata quem imediatamente respondeu: “50% das crianças abortadas são mulheres. As que vão morrer são as mulheres, e especialmente as crianças negras”.

“Eu queria deixar esta manifestação e pedir que as senhoras representassem as mulheres do Brasil e não representassem interesses estrangeiros, contrários à população brasileira”, concluiu Renata Martins.

Renata fez um verdadeiro desabafo pela grande maioria do público que repudia o aborto.

O vídeo pode ser visto em:

http://www.youtube.com/watch?v=dRD-3ZcoxxY

 

É lamentável constatar que são especialmente algumas  mulheres que militam na política, que lutam para implantar o aborto livre no Brasil; são algumas deputadas, senadoras e ministras. Será este o papel da mulher? Destruir a vida? Matar o ser humano indefeso, no útero materno? Nada mais oposto à missão da mulher, que é gerar a vida, proteger a vida, cuidar da vida.

Por isso, o grito de Renata, em apenas três  minutos é o grito que estava preso em nossas gargantas, contra um sistema malvado que implanta a passos largos a “cultura da morte”. Deus seja louvado pela Renata, por suas palavras e sua coragem.

 

 

FILIPE AQUINO   -   Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:45
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LAURENTINO SABROSA - ATÉ QUANDO, ATÉ QUANDO ?

 

 

 

 

 

Um LAR ou qualquer instituição que tenha funções hospitalares ou de assistência a idosos, é como um grande bote puxado à sirga, com uma grande despensa de sofrimento onde todos se aprovisionam. Mesmo quem o puxa, não está isento da necessidade de ir à despensa buscar a sua dose. Há muito quem não saiba o como, o quando e o porquê de nada, não sabe localizar-se no tempo e no espaço, não sabe do quarto onde dorme, olha para a televisão mas não vê televisão, vive muito mais por instinto que por inteligência, e os que menos sofrem são os que andam de bengala, fazendo dela um fio de terra por onde se escapulem grande parte das suas dores.

Aqui, onde estou hospedado vitaliciamente, onde eu e poucos mais somos “membros honorários”, por sermos  “reis em terra de cegos”, há uma mulher que é das que menos sofre, de nome Albertina, mas que em certos aspectos é uma pessoa inferior. Embora não seja deficiente nas faculdades motoras, está muito depauperada na agilidade mental e nas capacidades intelectuais. Não sabe ler, não sabe andar só, mesmo dentro de portas, tem medo de andar no elevador. Ontem, encontrei esta mulher a dar a outra uma espécie de gaze, uma coisa que nunca vi, para resguardar um ferimento, aliás sem gravidade. Passou uma enfermeira, que também viu a cena e, como eu, ficou admirada da tal gaze ou lá o que era. A enfermeira elogiou-a por aquilo que estava a fazer, porque de facto era muito apropriado, e então, a Albertina disse, com um certo ar compungido: oh! eu não gosto de ver ninguém sofrer!

 Fiquei a pensar: também eu não gosto de ver ninguém sofrer, farei mesmo o que puder para o evitar. Mas os sentimentos desta mulher devem ser perante Deus muito superiores aos meus, porque ela é uma pessoa “deficiente” e eu sou uma pessoa “eficiente”. Ela não tem, como eu, a responsabilidade de quem sabe. Como seriam os meus sentimentos se eu fosse como ela e tivesse o mesmo nível cultural e de instrução? A Bíblia diz que um simples copo de água dado, não fica sem recompensa. Eu, que li a Bíblia, procuro, então, dar um pouco mais – procuro dar um copo de leite. Mas ela nunca leu a Bíblia. Como seria eu se não tivesse lido a Bìblia? Sem as virtudes que a Bíblia faz despertar, eu receio que seria como muitos são: diminuto de sentimentos e obtuso de espírito. Talvez não me importasse de ver os outros sofrer.

É impressionante ver, mesmo em quem presumivelmente leu a Bíblia, a indiferença perante o sofrimento dos outros e as injustiças que existem neste mundo. Quando eu vejo essas injustiças, que a vida deste mundo em sociedade mal consegue dirimir, apesar do esforço de muitos nesse sentido; porque sei que há quem aufere mais num mês que muitos outros, que trabalharam toda a vida, num ano – eu sinto-me confrangido e até revoltado, e, perante a minha incapacidade de remediar, ouço-me a dizer: Até quando, Senhor, vais tolerar essa injustiça? Concede a toda gente o conforto da minha cama, a segurança do meu tecto, a abundância da minha mesa e o consolo dos meus banhos. Eu sei, meu Deus, que isso é impossível na ordem social económica que temos, e até segundo a Tua Providência, parece pouco viável, porque seria aproximar demasiado o Céu da terra. Mas, meu Deus, eu não posso deixar de desejar desde já uma coisa dessas. Até quando, Senhor, vais tolerar a injustiça de uns terem tudo e outros não terem nada? Porque, meu Deus, eu não fiz nada de especial para merecer aquilo que tenho, e outros, por terem mais fé, mais ardor, mais energias e iniciativas, merecem ter aquilo que eu tenho e eles não. E não é preciso ir muito longe, não é preciso ir aos teus santos ou doutores, para encontrares quem me seja superior – olha! Talvez essa Albertina, tão ignara e simplória, valha a teus olhos mais do que eu, e não tem o que de bom eu tenho, o que é uma coisa sumamente contrária ao conceito de justiça que Tu próprio implantaste no nosso sentimento!

Na Literatura e na História ficaram célebres as catilinárias, discursos de Cícero contra Catilina, verdadeiras diatribes em que lhe censurava a sua traição contra a República. Talvez que o mais célebre seja logo o primeiro, em que Cícero o increpa violentamente, começando por lhe dizer: Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Este “até quando” é uma manifestação de indignação. Mas, muitas vezes, esta interrogação assume a característica de impaciência ou de ansiedade. Quem lê os Salmos, encontra-a várias vezes.

No salmo 4,3, lê-se: Homens, até quando desprezareis a minha glória? – uma interpelação do próprio Deus, onde o “até quando” é mais um aviso que uma manifestação de tristeza.  O salmo 13, apesar de muito curto, tem nada menos que quatro dessas interrogações, em manifestações de sofrimento pela privação das benesses de Deus:

               Até quando, Senhor? Esqueceste-me para sempre? Até quando me esconderás a Tua face?

               Até quando terei a minha alma em cuidados todo o dia? Até quando triunfará o meu inimigo sobre mim?

  Continuando a busca, encontramos o salmo 62 (61) em que David, fortemente acometido pelos seus inimigos, manifesta a Deus a sua confiança. Porque Ele é o seu rochedo e o seu refúgio, ousa provocar esses seus inimigos, perguntando-lhes directamente: Até quando atacareis um homem, todos vós, com o intuito de o matar? Os tais inimigos de David nem tiveram tempo de responder, porque logo a seguir, ele diz-lhes: Deus é a minha salvação e a minha glória. Assim, aquela pergunta é um altivo e seguro desafio, que contém uma grande e solene resposta: Jamais o conseguireis.

Algumas mais perguntas de até quando podem ser encontradas. Por exemplo, no salmo 82 (81), temos: Até quando julgareis injustamente e favoreceis a causa dos ímpios?, uma expressão que encerra muito de decepção, pesar ou angústia.

Também eu nos meus pensamentos e nas minhas orações, me dirijo muitas vezes a Deus, perguntando-Lhe até quando, até quando? À semelhança de Asaf, eu pergunto : Até quando, meu Deus, vais continuar a consolar o rico e a sacrificar o pobre? E as minhas perguntas deste teor multiplicam-se  indefinidamente: Até quando vou beneficiar desta minha bulimia de viver, bulimia que por vezes esmorece e degenera em anorexia? Até quando me concederás o prazer de usufruir dos bens que Tu me legaste por intermédio dos meus pais, ou que os meus pais me legaram com a Tua ajuda? Não é propriamente um apreensivo grito de alma, é o reconhecimento de que estou a usufruir de bens e benesses que não podem durar sempre.

Perante as convulsões sociais e as crises económicas; perante as inclemências da Natureza; quando eu vejo o sofrimento difundido no mundo pelos ódios e maldades dos homens –  apetece-me clamar:

               Até quando, Senhor, teremos de esperar pelo som das trombetas que precede os teus passos, a vir em manifestação gloriosa instaurar definitivamente o Teu reino? Vem, Senhor Jesus, remediar todas as injustiças e todas as pobrezas para que ninguém tenha necessidade de Te perguntar, nem por cólera, nem por impaciência, nem por angústia,

ATÉ QUANDO, ATÉ QUANDO?

 

 

LAURENTINO SABROSA   -  Economista   -    Senhora da Hora, Portugal.



publicado por Luso-brasileiro às 11:00
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e EXPLICANDO MINHA DEVOÇÃO A MARIA

 

                                                     

 

 

 

 

*H I S T Ó R I A

 

 

 

Numa folga que ganhou de seu amo, um gênio resolveu satisfazer um único desejo de cada pessoa que passasse pela estrada principal do lugarejo. E logo chegou um homem apressado que ouviu do gênio:

– Olá, meu senhor! Eu gostaria de lhe presentear com algo que desejasse muito conseguir na vida. Pode pedir o que quiser e farei aparecer.

A pessoa respondeu:

– Prove que é um gênio e coloque uma melancia gigante na minha frente.

De imediato, a fruta apareceu, mas ele teve que se contentar com isso, já que apenas um desejo lhe foi permitido. E mais tarde, chegou um sujeito com outro pedido:

– Quero uma linda morada no alto da montanha para nunca mais ver a minha horrível casa.

O desejo lhe foi concedido, mas a casa em que morava foi ao chão, matando sua esposa.

E quase à noite, surgiu a pessoa que teria direito ao último pedido. Era um cego, manco, que pensou, pensou e falou:

– Quero um dia ver a minha linda esposa, rainha, correndo comigo e com os nossos saudáveis filhos no imenso jardim do meu palácio.

Então, após alguns anos, o seu desejo foi completamente realizado: passou a enxergar, a correr, teve uma linda esposa, tornou-se rei e sempre foi bem sucedido nos negócios. Portanto, ficou provado a todos do reino que um gênio só é útil para quem sabe pedir.

E você, tem conseguido grandes favores de Deus? Se Ele construiu o mundo em sete dias, é o maior gênio de todos, concorda? Além disso, é nosso Pai e nos ama como ninguém! Mas, mesmo com essa certeza, é correto pensarmos que, com confiança no pedido, tudo iremos conseguir? Bem, pode ser, mas há algumas considerações a fazer.

Para ser atendido, qualquer um precisa ter um coração humilde, saber perdoar e amar o próximo como a si mesmo. Mesmo assim, o nosso tempo cronológico não é o mesmo de Deus e Ele somente nos atende na hora certa!

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’,que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

 

 

      EXPLICANDO MINHA DEVOÇÃO A MARIA

 

 

 

Quando alguém me pergunta por que sou tão apaixonado por Nossa Senhora, digo que tenho muitas histórias para contar. Alguns fatos são recentes e, outros, nem mesmo eu sabia que influenciariam tanto em minha vida.

Minhas avós e bisavós eram marianas fervorosas e viviam com o terço nas mãos, assim como mamãe o faz até hoje, graças a Deus. Principalmente por isso, temos recebido incontáveis bênçãos na família, talvez em igual número às Ave-Maria rezadas por elas.

Minha mãe contou-me que se eu nascesse mulher, iria chamar ‘Maria Auxiliadora’, porém, o nome abençoado da Mãe de Deus acabou ficando com a minha irmã: Maria Aparecida. Mas era eu que, de pequeno, gostava de ir à igreja e alguns parentes diziam: ‘Esse menino vai ser padre!’. Essa não foi a vontade de Deus, contudo, dedico praticamente todo o meu tempo livre às coisas do Reino.

Algumas dessas coisas são para o resto da vida, pois fazem parte da missão que abracei: ser compositor e escritor católico; fazer caridade como vicentino; aconselhar espiritualmente os casais que me procuram; dar testemunhos de minha fé em palestras; atender chamados para cantar nas missas... Faço tudo com muito amor no coração, procurando impor a máxima qualidade em cada serviço, já que o Senhor merece que nada seja feito às pressas, não é mesmo?

Bem, voltando a falar de Maria, cresci freqüentando a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em São Paulo. Aos dezessete anos, mudei-me para Monte Sião e assistia missas no Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Vim fazer faculdade em Itajubá, passei a participar das celebrações na Igreja de Nossa Senhora da Soledade e, hoje, como todos sabem, faço parte da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração. E, se você acha que os títulos de Maria foram apenas coincidências em minha vida, continue ouvindo.

Em outubro de 1992, passei dois meses internado em Campinas com trombose na perna e bactérias no coração – endocardite. Numa manhã de domingo, os médicos chamaram a minha esposa e disseram que o óbito poderia ocorrer naquele dia. Chegaram parentes de toda parte esperando pelo pior, mas, tia Waldina anunciou no alto-falante do Santuário Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, em Monte Sião, que às 15 horas rezariam um terço pela minha saúde. Encheu de gente no Santuário e Nossa Senhora realizou um grande milagre naquela tarde.

Foi quando percebi que havia uma ‘missão maior’ reservada pra mim neste mundo, mas só em 1994 – nas viagens que fazia semanalmente para cursar doutorado em São Paulo –comecei a rezar o terço e rapidamente renovei os meus valores espirituais. Sou feliz por ver minha família caminhando com Maria nos passos de Jesus. Recordo muitos outros fatos que mereceriam ser relatados, mas o tempo aqui não é suficiente. Por hora, meu coração grita: Viva Nossa Senhora!

 

** Do programa ‘Acreditamos no Amor’, que vai ao ar em dois horários na Rádio Futura FM, 106,9 MHz: 6 h e 18 h – segunda, quarta e sexta.

Site para ouvir o programa ao vivo: www.futurafm.com.br

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 10:50
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - NO AMOR OU NO LIXO CIRÚRGICO

 

                                            

 

 

 

 

 

 

Lamento o resultado, no Supremo Tribunal Federal, de ação que pedia a liberação do aborto do feto de anencéfalos. Apenas dois Ministros divergiram dos demais: o ministro Ricardo Lewandowski e o ministro Cezar Peluso. Votaram contrariamente à interrupção da gravidez. Interrupção da gravidez é sinônimo de aborto. A partir de agora, a mulher que aconchegar em seu útero uma criança com diagnóstico de anencefalia, ou acrania com prognóstico de anencefalia, poderá transformá-la, com ajuda de profissionais da saúde, sem qualquer risco perante a lei, em lixo cirúrgico. Ou seja, criança malformada, que não é apêndice do corpo da mãe, mas uma pessoa distinta, não importa o tempo que consiga sobreviver após o nascimento, se torna despossuída de qualquer direito ou proteção.

A socióloga Maria José Rosado, coordenadora da ONG “Católicas pelo Direito de Decidir”, afirmou em entrevista ao G1, na véspera da votação, que defendem a vida e a dignidade das mulheres brasileiras, não querendo que as mesmas sejam submetidas à tortura de guardar por nove meses, dentro do seu corpo, um ser que é sem vida. As integrantes dessa ONG são incoerentes sempre, começando pelo uso do termo católicas, não compactuando com a doutrina da Igreja. E, no caso, ao dizer que o anencéfalo é um ser sem vida. Transcrevo a colocação do Ministro Peluso na justificativa de seu voto: “Anencéfalo morre, e ele só pode morrer porque está vivo”. E, ainda: “A única diferença entre o aborto e o homicídio é o momento da execução”. De imediato, após a votação, a Secretaria de Políticas para as Mulheres divulgou que dará suporte integral à implementação da decisão do Supremo, garantindo, desta forma, o direito de escolha das mulheres (o bebê não importa) e o seu acesso aos serviços especializados.

Refletindo sobre os valores da sociedade em que vivemos, constata-se que para não sofrer as vicissitudes da vida vale qualquer coisa, com apoio de certas autoridades, até mesmo o infanticídio. Talvez chegue um tempo em que as portas da cadeia se abram para a liberdade dos homicidas, absolvidos pela justificativa de cada um.

Esteve em Brasília, para apoiar a defesa da vida de crianças com malformação cerebral, Joana e Marcelo Almeida Croxato. Resistiram às propostas de aborto durante a gravidez da filha Vitória, que é portadora de anencefalia. Tratada com dignidade e respeito ao nascer (veja no blog: http://amadavitoriadecristo.blogspot.com.br/), completou dois anos e dois meses. Responde à voz e ao carinho, criou vínculo com os pais, sorri, sente dor, chora, tenta engatinhar. Não é, portanto, uma sobrevida vegetativa.

Embora seja imensamente sofrido ver um filho com tantos limites, ressalto outra colocação do Ministro Peluso: “No caso do extermínio do anencéfalo encena-se a atuação avassaladora do ser poderoso superior que, detentor de toda força, infringe a pena de morte a um incapaz de prescindir à agressão e de esboçar-lhe qualquer defesa”.

Que as mães e os pais sejam um sinal do céu, defendendo os seus filhos, com unhas e dentes, dentro e fora do ventre materno, independentemente dos limites que possam ter!

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:42
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