PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 6 de Abril de 2012
EUCLIDES CAVACO - SEMANA SANTA
 
                                   
 
 
É o tema declamado que evoca o espírito desta semana
que tenho o prazer de compartilhar com todos vós.
Ouça-o e veja-o  no link abaixo:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Semana_Santa/index.htm
Desejos duma Santa Semana para todos
EUCLIDES CAVACO   -   Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:03
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JOÃO BOSCO LEAL - DEIXANDO IR

                                                        

 

 

Em uma rede social encontrei uma frase que me chamou a atenção: “Deixar ir, não significa desistir, mas sim aceitar que há coisas que não podem ser”.

Durante a vida, muitas vezes encontramos pessoas que não aceitam abrir mão de uma amizade, namoro, ou qualquer tipo de relacionamento, mesmo percebendo que o que sentem pela pessoa não é correspondido, ou se é, isso não ocorre na mesma intensidade que ele fornece e gostaria de sentir retribuído.

Normalmente essas pessoas ficam magoadas, tristes, sem entender como, ao dar carinho, amizade e companheirismo para uma pessoa, esta não lhe retribui da mesma forma, ou tanto quando está recebendo, mas em seu íntimo ainda possuem uma esperança de que isso possa mudar.

É uma situação bastante desconfortável, mas se analisada pelo outro lado quantas vezes, desde a infância, juventude ou mesmo após maduros já fomos assediados, paquerados ou insistentemente procurados por alguém que pretendia uma maior aproximação, tornar-se amigo e não correspondemos por não termos interesse em qualquer tipo de contato com aquela pessoa?

Quando isso ocorre com nossos próximos em relação a terceiros, normalmente ouvimos que “não dava liga”, não sentiu atração de “pele” com a outra pessoa, mas na realidade é uma questão de afinidade, que sem saber por que, sentimos em maior, menor ou em nenhuma intensidade com determinadas pessoas, assim como os pais, que apesar de amarem seus filhos da mesma maneira, possuem diferentes afinidades com cada um deles.

Unidas por motivos distintos e até inexplicáveis, por sensações e sentimentos desconhecidos, durante o relacionamento as pessoas vão afinando e desafinando, errando e acertando, conhecendo coisas e pessoas, aprendendo e tendo novas experiências.

Assim vão sendo moldadas, se transformando e um dia percebem que a pessoa ao seu lado não é mais aquela por quem haviam se apaixonado e que se tornou totalmente diferente do que imaginavam.

Nesse dia, sem que possam explicar ou controlar, aquele sentimento acaba e seu coração faz novas escolhas, o que não significa que dela desistiram ou deixaram de por ela sentir carinho, afinidade ou que a esquecerão, pois fez e continuará fazendo parte de sua vida.

São pessoas ao lado de quem um dia sorriram, choraram, sentiram e foram felizes, mas que já não as satisfazem emocionalmente como no passado. Seu coração agora busca novas e diferentes emoções, que ao seu lado não poderão mais ser sentidas.

Durante a vida estaremos sempre dando início a novas paixões, até que elas sejam novamente interrompidas ao chegar a hora de recomeçar e então continuaremos a busca, imaginando que a próxima poderá ser a tão sonhada, capaz de se transformar no que todos buscam: o verdadeiro amor.

Independentemente da idade, raça, credo ou cor, essa é a maior busca emocional de todo ser humano e quando somos a parte não mais desejada, não há porque não aceitar e deixar ir aquela que, já não sendo mais feliz ao nosso lado, também não nos dará felicidade.

A vida é uma escola onde estamos constantemente sendo moldados, lapidados e chegada a hora de uma nova fase, certamente teremos aprendido algo enquanto durou a última, aumentando assim as chances das próximas serem mais fáceis e de maior aproveitamento.

As únicas pessoas de quem emocionalmente você realmente necessita, são as que provaram necessitar de você.

 

 

JOÃO BOSCO LEAL, é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. Campo Grande, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 10:56
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - DEUS ARRANCA DA LAMA

 

 

                                           

 

 

 

 

 

 

É fascinante fazer a via-sacra, pelas ruas do centro da cidade, com as integrantes da Pastoral da Mulher/ Magdala. Entende-se, com clareza, que Deus arrebata da morte pela ressurreição e que o caminho de Cristo, na obediência ao Pai, rumo à cruz, é de glória no reino que não é deste mundo, porque salva.

Foram elas que escolheram onde aconteceriam as 15 estações e por quem, em destaque, rezaríamos. Em cada ponto, a memória de dores e dissabores. Muitas delas, nos lugares em que nos movíamos, no passado ou mais recentemente, expuseram seu corpo à venda e, ali, ainda, tratavam do preço: da sobrevivência por mais 24 horas, do aluguel do quarto, da refeição dos filhos. Muitas delas se recordavam de companheiras de infortúnio de há anos que, abruptamente, em situação de tragédia ou doença, partiram. Assopraram, nas pegadas antigas, as cinzas acumuladas da fumaça lúgubre que as detinha.

Consumidas e dobradas nas sarjetas em vômito, ergueram-se, em algum momento, a fim de observar a Cruz maior do que a delas. E Aquele, que nela se encontrava, de braços abertos, atraiu-as pelo coração. E quem se eleva, pelo coração, embora dentre tropeços e descompassos, não volta mais aos escoadouros de dejetos.

Encanta-me vê-las, exorcizadas de suas mágoas e rancores, preocupadas com os explorados e exploradores distantes de Deus. Durante o percurso, entronizaram, em suas preces, as dores dos discriminados e destruídos, dos abusados, dos dependentes químicos, dos encarcerados, dos prostituídos, dos doentes, dos fregueses, dos familiares de todos, dos que exploram o comércio do sexo, dos que traficam seres humanos, dos compulsivos por sexo... E não se esqueceram de reconhecer a Igreja a serviço (o Papa, o Bispo Diocesano, o assessor espiritual, o diácono, as Monjas do Carmelo São José, os seminaristas, os agentes e colaboradores da Pastoral da Mulher/Magdala, os Bispos e os Padres que as levam no coração) e os Bispos e Padres que as apoiaram e se encontram no Reino de Deus. Rezaram pelas autoridades, pela imprensa escrita e falada, pelas Irmãs Missionárias de Cristo com a Casa da Criança e o Aprendizado Agrícola, protegendo meninas e meninos dos ataques perversos. Pediram em canção que o Senhor as curasse aonde não podem ir.

Por iniciativa de Dom Vicente, bispo diocesano, a Catedral abriu as portas ao término da via-sacra e foram todas acolhidas no altar e abençoadas por Padre Brombal, assessor espiritual da Pastoral, e o Diácono Boanerges.

Emocionou-me o comentário delas: sentiram-se, ao entrar pela primeira vez pela frente da Catedral, com portas abertas, aguardadas pelo Padre e o Diácono, chegando ao Céu, tendo à frente o Cristo com Sua Cruz gloriosa. Experiência de eternidade. Convite para se deparar, na Páscoa, com o Senhor ressuscitado.

Bendito seja Deus que nos conduz! Feliz Páscoa, queridos leitores!

 

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 18:55
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LAURENTINO SABROSA - HOSSANAS E ALELUIAS DE PÁSCOA

 

 

 

 

 

 

Analisando as palavras da nossa Língua, observamos que muitas delas, apesar de breves, por vezes simples monossílabos, têm um elevado significado. Tais são, v.g., as palavras PAI, MÃE, TUDO, NADA, DEUS.

Muitas vezes com uma palavra tão curta como SIM ou NÃO, podemos revolucionar a nossa vida ou a do nosso semelhante, semear a tristeza ou a alegria. Se dirigidas a Cristo, tudo ganhamos ou tudo perdemos. Vários exemplos ainda nos surgem: PAZ, BEM, MAL, LUZ, AMOR. Assim, até quer parecer que as palavras mais belas e ricas de significado são monossílabos. A própria palavra PÓ, que designa uma coisa nociva, pode assumir um significado transcendente se se referir àquilo que viremos a ser, por força da morte, conforme nos é lembrado na liturgia da Quarta-feira de Cinzas.

No entanto, seria demasiada ousadia, com base nos exemplos precedentes, estabelecer a regra de que a profundeza de uma palavra está na razão inversa do seu número de sílabas. As excepções seriam tantas que invalidariam a regra. Eu próprio posso apresentar já algumas, em vocábulos que designam virtudes: CARIDADE, PACIÊNCIA, BENIGNIDADE, LONGANIMIDADE, CARIDADE, FIDELIDADE, CONTINÊNCIA, etc. Mas eis que, pensando em virtudes, nos surge a palavra FÉ, base de todas elas, palavra curta, monossilábica, de um imenso conteúdo.

Principalmente na celebração da Páscoa, há duas palavras que ressoam maravilhosamente, palavras polissilábicas que têm um grande valor e significado. Uma delas é ALELUIA, que significa louvemos ao Senhor, não lhe faltando cunho bíblico, pois a encontramos repetidas vezes no Livro dos Salmos. Tem a curiosa particularidade de ser escrita e pronunciada da mesma maneira em quase todas as línguas, desde o velho hebraico, donde provém, até ao moderno russo ou japonês. Assim, esta palavra tão sonora bem podia ser o símbolo dos cristãos, tal como o peixe o foi no tempo das catacumbas de Roma. A outra palavra a que me quero referir é HOSSANA, que significa salva-nos, por favor, súplica do auxílio de Deus. No salmo 118 (117),25, é uma prece, depois de uma vitória, para que Deus conceda sempre a sua ajuda. Foi com hossanas que a multidão, entre a qual muitas crianças, acolheu Jesus, poucos dias antes da Sua morte, na sua entrada triunfal em Jerusalém, agora por nós celebrada no Domingo de Ramos. Já nessa altura essa palavra era o que agora mais é para nós: um grito de júbilo de homenagem a Deus. Estas palavras polissilábicas, porque são polissilábicas, prestam-se a serem cantadas em variadíssimas modulações de voz, embelezando sobremaneira os cânticos litúrgicos, imprimindo-lhes unção e devoção.

Na Páscoa, em que celebramos que o Jesus insurrecto passou a ser ressurecto, e que com esta elevação humano-divina proporcionou também ao homem uma Páscoa, passagem, passagem dum distante e sombrio afélio para um consolador e cintilante periélio na sua órbita de aproximação de Deus, todas as aleluias e todas as hossanas que com vibração e entusiasmo cantemos, serão sempre poucas e pobres para a glória de Deus.

Sinto nestas palavras uma magnificência empolgante que gostaria de transmitir a todos os meus leitores, para todos mais dignamente ainda celebrarmos a Páscoa. É para ser apóstolo dentro dos meus limites que pretendo fazer sentir a todos, ao cantar ou simplesmente ouvir as HOSSANAS e ALELUIAS desta Páscoa, um arroubo que aproxime de Deus, esperando que Ele supra a minha débil eloquência e o meu fraco poder de penetração no espírito dos meus irmãos.

 

 

PÁSCOA, Abril   2012   

 

 

 

LAURENTINO SABROSA   -   Senhora da Hora, Portugal.

  laurindo.barbosa@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 18:50
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RENATA IACOVINO - QUE POESIA TEM CLARICE?

 

 

 

 

 

 

            Autora de romances, contos, livros infantis, crônicas e ghost-writer. Ficção e não-ficção tão bem exploradas e aprofundadas por sua verve.

            O talento de Clarice Lispector - escritora que estreou em 1944, aos 19 anos, com o romance Perto do coração selvagem, ganhando o prêmio Graça Aranha - não parou aí, como acreditávamos até há pouco.

            Sua poesia recém-descoberta nos remete a mais uma Clarice, dentre tantas esboçadas entremeadas a enredos ficcionais.

            A busca incessante do código que melhor traduza as angústias e a existência do ser humano estão presentes não apenas em sua prosa que oferece um contato brutal com a realidade - interna e externa - mas também nos versos encontrados por estudiosos de sua obra.

            Parafraseando um dos legados da obra A paixão segundo G.H., sua escritura não cessa, é um eterno continuar. Quanto mais se pesquisa, mais se descobre.

            Assim, na poesia "A mágoa", publicada em 1947 do Diário de São Paulo, deparamo-nos com esse instante: "Os telhados sujos a sobrevoar/Arrastas no voo a asa partida/Acima da igreja as ondas do sino/Te rejeitam ofegante na areia/O abraço não podes mais suportar/Amor estreita asa doente/Sais gritando pelos ares em horror/Sangue escoa pelos chaminés./Foge foge para o espanto da solidão/Pousa na rocha/Estende o ser ferido que em teu corpo se aninhou,/Tua asa mais inocente foi atingida/Mas a Cidade te fascina. (...)".

            Em "Descobri o meu país", publicada em 1941 no jornal carioca Dom Casmurro, Clarice encerra seu poema mostrando talvez uma face mais declarada do que as que constam em sua prosa: "(...) Nem a terra,/nem o céu!/Fechei-me num quarto,/inventei outro Deus,/outro céu, outra terra/e outros homens.".

            A busca incessante de quem é e de respostas para sentimentos inexplicáveis marcam tanto a prosa quanto a poesia dessa mulher que não queria ser particular, pois se dizia comum, simples. Simples como os mistérios da vida e da morte.

            Sua obra não termina...  Assim, no livro "Um sopro de vida", escrito às vésperas de sua morte e confiada a ordenação dos manuscritos à sua amiga Olga Borelli, encontramos no diálogo com a personagem: "Estou exausto de Ângela. E de mim sobretudo. Preciso ficar só de mim, a ponto de não contar nem com Deus. Para isso, deixo em branco uma página ou o resto do livro - voltarei quando puder."    

 

 

Renata Iacovino, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:44
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