PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - O PERIGO DA INDIFERENÇA

 

 

 

 

 

 

            Há mais de dez anos venho escrevendo um texto por semana. Às vezes as ideias me vem espontaneamente e, antes mesmo de sentar-me frente ao computador, já sei como vou preencher o branco da tela. Noutras vezes, entretanto, preciso para um pouco para refletir se tenho algo interessante para que seja justo furtar alguns minutos alheios.

            Hoje, pensando sobre o que escrever, repassei mentalmente o que a semana me trouxera e conclui que, de todas as notícias que ouvi, sobre as quais li, o que mais me chamou a atenção foi a indiferença de algumas pessoas. Particularmente, sempre temi a indiferença, entre todas as suas formas. Li, certa vez, não me lembro onde e nem a autoria, mas que, enquanto houver amor ou ódio, ainda há o que fazer; diante da indiferença, porém, nada resta. Assim, ficar indiferente a todos ou a tudo, não é algo que desejo a ninguém.

            A indiferença a que me refiro e a qual temo é aquela irmã do descaso, do não se importar com nada e com ninguém. É aquela ausência plena de sentimentos, de intenções. É um nada sentir, um nada gostar, um nada de nada. Ninguém, ao meu ver, deseja ser um nada de nada para quem quer que seja. Mesmo quem não quer ser o alvo das atenções, no contraposto total da indiferença, no fundo, não quer ser esquecido, não quer se perder até mesmo das lembranças alheias.

            Creio que nenhum de nós, contudo, está imune de ter esse sentimento (ou esse não sentir?) vez ou outra. Nem dá, talvez, para se importar com tudo, o tempo todo, pois isso também leva à loucura e à frustração, eis que muitas das coisas desse mundo estão fora de nosso alcance mudar. Entretanto, há situações nas quais a indiferença jamais poderia ter lugar, como quando olhamos para o sofrimento, a dor do outro, bem como quando se trata de qualquer ser vivo ou do destino do nosso planeta.

            Infelizmente, há quem pouco se importe se há gente sofrendo mundo afora, se a seca vem matando pessoas, animais, se as enchentes lavam sonhos e esperanças alheias, se alguém sai atirando a mesmo ou se os gorilas estão em extinção. Para certas pessoas, o que importa é tão somente o que diz respeito ao hoje e mais do que isso, ao seu hoje. Nem me refiro aqui aos psicopatas, àquelas pessoas cuja mente é um mistério ainda insondável ou mesmo àqueles que, diante do desespero de nada ter, de nada ser, comentem atos desmedidos, até mesmo criminosos.

            O que assusta é o silêncio dos demais. O desinteresse por tudo aquilo que não for próprio. É a pessoa que acha que você tem que inalar a fumaça do cigarro dele, que o mundo que cate o papel que ele joga no chão, que acha que está tudo certo enquanto a casa e o carro dele não forem alvo de bandidos, que passa por cima, sem se importar em absoluto com a criança drogada que cai pelas calçadas, que pouco importa se há corruptos, que se lixe se o mundo acabar em lixo daqui a cinquenta anos e que se acabarem as árvores, secarem os rios e desaparecem alguns índios, macacos e outros bichos, tanto faz.

            Acho que pensei na indiferença como tema desse texto por ouvi, dia desses, na rua, alguém dizer que estava tão cansado de tudo, que só se importava com o que lhe dizia respeito e com ninguém mais. Que triste chegar a esse ponto, pensei. Que Deus me livre da indiferença. Prefiro a indignação e o amor, mesmo que, eventualmente, ambos, não me levem a lugar algum...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 12:02
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FILIPE AQUINO - UMA RESPOSTA CRISTÃ À IMORALIDADE PELA MÍDIA

 

 

              

 

 

 

 

 

O escritor e filósofo da Folha de São Paulo, Hélio Schwartsman, que se diz ateu, escreveu uma matéria com o título “Toda forma de amor vale a pena”, no dia 18/5/2012. Entre outras coisas, que muito me chocaram ele disse:
“… defendo hoje a poligamia e outras variações mais extravagantes do amor” (…) “Tenho uma proposta que resolve de vez toda a novela em torno do casamento gay e questões correlatas: basta o Estado pular fora do ramo das núpcias e reconhecer apenas uniões civis, sejam elas entre homem e mulher, pares do mesmo sexo e as múltiplas possibilidades combinatórias”.
“Quanto aos polígamos, que mantêm um (a) ou mais amantes (o que não é ilegal, frise-se), desde que inventemos uma fórmula jurídica para não onerar demais a Previdência, também eles poderiam finalmente gozar das delícias do casamento”.

Como o Hélio Schwartsman publica seu email (helio@uol.com.br), resolvi enviar-lhe um recado; penso que essa defesa da imoralidade pela mídia não pode ficar sem nossa resposta cristã, senão pecaríamos por grave omissão. Eis o meu recado a ele:

Helio,

“Permita-me dizer-lhe que fiquei horrorizado com o seu artigo; o título já mostra toda a sua incoerência. Não existem vários tipos de amor como se ele fosse uma mercadoria na “feira dos prazeres”.
Amor é aquilo que Jesus ensinou e viveu: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. E como ele nos amou? Na Cruz. São Paulo disse aos maridos que amassem suas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5,25s). “Se entregou por ela”, isso é amor.
Amar é renunciar-se para fazer o bem aos outros. Não confunda, por favor, amor com mero prazer, libertinagem, desequilíbrio sexual, orgia e coisas semelhantes. São João evangelista disse que “Deus é amor” – “Deus caritas est”. Não desclassifique tanto o amor, por favor. Esse “amor” que você defende é o que viviam os romanos… que os levou à destruição completa.
Que tal o pensamento de John Spalding, que você deve conhecer muito bem: “As civilizações perecem não por falta de recursos e de conhecimentos, mas por falta de princípios morais”.”

Além do que lhe escrevi, poderíamos ainda acrescentar outras palavras em defesa da moral cristã. A poligamia que o Hélio defende foi algo que a Igreja conseguiu abolir no mundo Ocidental porque é uma grave violação ao respeito à mulher e contrária à vontade de Deus. O Catecismo da Igreja diz que:

“A poligamia não se coaduna com a lei moral. Opõe-se radicalmente à comunhão conjugal, pois nega diretamente o plano de Deus tal como nos foi revelado nas origens, porque contrária à igual dignidade pessoal entre o homem e a mulher, que no matrimônio se doam com um amor total e por isso mesmo único e exclusivo (GS 47,2)”.
“O amor dos esposos exige, por sua própria natureza, a unidade e a indissolubilidade da comunidade de pessoas que engloba toda a sua vida: “De modo que já não são dois, mas uma só carne” (Mt 19,6). “Eles são chamados a crescer continuamente nesta comunhão por meio da fidelidade cotidiana à promessa matrimonial do dom total recíproco.” (§1645)

Sobre a liberdade abusiva de se usar o sexo de qualquer forma, chamando a isso de “amor”, é preciso lembrar que o ato sexual sem o verdadeiro amor (renúncia, doação) é prostituição; comércio vil do corpo de outra pessoa. Além do mais, nosso corpo é templo do Espírito Santo e não pode ser profanado em relações fora ou antes do casamento. Não podemos esquecer o que disse o grande Apóstolo:
“Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado – e isto sois vós” (1 Cor 3, 16-17). “O corpo não é para a fornicação, e sim para o Senhor, e o Senhor é para o corpo” (1 Cor 6,13). “Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus… Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?” (1 Cor 6, 9).

 

 

 

 

FILIPE AQUINO   -   Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 11:54
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JOÃO BOSCO LEAL - CONCESSÕES E DOAÇÕES

 

                                                  

 

 

 

 

 

Conversando com um amigo sobre relacionamentos ouvi uma frase que me chamou bastante a atenção: “Com minha idade e as experiências pelas quais já passei, não estou mais disposto a fazer concessões em um novo relacionamento”.

Lembrei-me imediatamente de um texto que escrevi tempos atrás, comparando os relacionamentos a dois tipos de jogos: o vôlei e o frescobol.

No jogo de vôlei, nossa intenção é jogar a bola de maneira mais rápida possível em direção ao piso da quadra adversária e o mais longe possível do outro jogador para que ele não consiga rebatê-la, deixando que a mesma bata no chão e ganhemos um ou dois pontos toda vez que isso ocorre.

No frescobol, como intenção é a de jogar o maior tempo possível, com diversão e prazeres para ambos, jogamos a bola de maneira mais lenta e próxima possível daquele que conosco está jogando, para que ele tenha bastante facilidade de rebater a bola devolvendo-a e o jogo continue, pois se a mesma cair no chão o jogo acaba.

Apesar de algumas semelhanças, como as de serem jogados com raquetes e por duas pessoas, no vôlei medimos força, enquanto no frescobol somos parceiros.

Os relacionamentos são como esses jogos, pois podemos participar deles com atitudes e palavras carinhosas, de amizade, companheirismo, cumplicidade e estímulo, buscando a manutenção e continuidade do mesmo, ou tratando seu parceiro com ações e comentários ásperos, de modo a se tornar o vencedor de algo que não deveria sequer ter disputas, mas parcerias.

Quando uma pessoa pretende se relacionar afetivamente com outra, tornado-se seu amigo, namorado ou esposo e de início já impõe a condição de não fazer nenhum tipo de concessão, certamente não está disposta a prolongar o mesmo e sequer deveria iniciá-lo, pois não existe relacionamento sem concessões ou que sobreviva a uma política de estilo comercial, de negociações, condicionando suas atitudes a outras de sua parceira.

Não existem duas pessoas idênticas que pensem e ajam exatamente da mesma maneira, que gostem das mesmas coisas, alimentos, ambientes, climas, nos mesmos horários e com a mesma frequência. Elas foram criadas em locais e por pessoas diferentes, estudaram, se formaram, trabalham, possuem projetos de vida e se vestem de modo totalmente distintos.

É de se esperar, portanto, que pensem, desejem coisas e busquem objetivos distintos, o que tornaria sua convivência impossível sem concessões mútuas que faça aproximar suas maneiras de pensar, seus desejos e ambições.

Só com a maturidade percebemos que as concessões precisam ser uma constante, que sem elas nada permanece, mas com elas a amizade cresce e se aprofunda, surge o companheirismo e a cumplicidade nos relacionamentos entre pais e filhos, de amizades, afetivos ou comerciais.

E aprendemos também o valor das doações nos relacionamentos, pois só dando carinho, amizade, amor e dedicação, conseguimos ajudar na construção da felicidade dos que estão do nosso lado que, felizes, também buscarão promover a nossa felicidade.

Sem a intenção de fazer concessões e doações, não devemos sequer iniciar um relacionamento, pois o mesmo certamente fracassará.

 

 

 

 

JOÃO BOSCO LEAL, é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. Campo Grande, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 11:49
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - HISTÓRIA e NÃO PERCA O SEU MAIOR TESOURO

 

 

 

 

 

 

*H I S T Ó R I A

 

 

 

Um monge peregrino foi ao encontro de um homem que estava com auto-estima baixa e, portanto, em profunda depressão. Logo que o avistou no bosque, percebeu que ele abaixou a cabeça e evitou mostrar sua tristeza. O religioso, então, puxou conversa:

– O que faz aqui sozinho?

– Sou um ex-criminoso – disse o homem. – Perdi o afeto dos meus amigos e não tenho esperança de sair da lama em que me encontro. Sei que ninguém pode me ajudar. Vá embora, vou morrer aqui neste lugar.

E o monge, astuto, falou:

– Mas eu preciso da sua ajuda, meu senhor. Pode ao menos segurar esta corda para eu descer até o riacho e beber um pouco d’água?

E depois de algum tempo lá embaixo, o monge gritou:

– Já bebi bastante, pode puxar.

Com toda a força o homem tentou erguê-lo, mas não conseguiu. Tentou novamente, e nada! Foi quando viu que o monge segurava-se numa pequena árvore e evitava ser içado. Então, meio bravo, o robusto homem, mesmo deprimido, desabafou em alta voz:

– Que brincadeira boba é essa? Eu tentando ajudá-lo e você propositalmente resiste?

Lá de baixo, o monge respondeu:

– Só estou retribuindo o que o senhor tem feito com todos que lhe oferecem ajuda!

Pois é, lembre-se leitor: se desejar mudar qualquer tipo de situação, é necessário se desprender das idéias negativas que lhe impedem enxergar os melhores caminhos – da verdade, da justiça e do amor.

Sempre podemos nos unir em favor de ações nobres que promovam a vida.

 

* Do programa ‘Nossa Reflexão’,que vai ao ar em quatro horários no Canal 20: 8h30, 11h30, 17h30 e 22h30. O site www.canal20tv.com.br disponibiliza os vídeos já apresentados na televisão. Clique em ‘Arquivos de Vídeo’ e depois em ‘Nossa Reflexão’.

 

 

 

 

            NÃO PERCA O SEU MAIOR TESOURO

 

Carlos Drummond de Andrade escreveu assim:

“Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou... O que importa é que sempre é possível e necessário recomeçar. Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e, o mais importante, acreditar em você de novo.

Sofreu nesse período? Foi aprendizado... Chorou muito? Foi limpeza da alma... Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia... Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechou a porta até para os anjos... Acreditou que tudo estava perdido? Era o início da sua melhora...

Pois é, agora é hora de reiniciar, de pensar na luz, de encontrar prazer nas coisas simples de novo. Que tal um novo emprego? Uma nova profissão? Um corte de cabelo arrojado, diferente? Um novo curso, ou aquele velho desejo de aprender a pintar, desenhar, dominar o computador ou qualquer outra coisa? Olha quanto desafio, quanta coisa nova nesse mundão de Deus lhe esperando!

Tá se sentindo sozinho? Besteira, tem tanta gente que você afastou com o seu período de isolamento... Tem tanta gente esperando apenas um sorriso seu para chegar perto de você! Quando nos trancamos na tristeza, nem nós mesmos nos suportamos... Ficamos horríveis! O mau humor vai comendo nosso fígado, até a boca fica amarga.

Recomeçar... Hoje é um bom dia para começar novos desafios. Onde você quer chegar? Ir alto? Sonhe alto, queira o melhor do melhor, queira coisas boas na vida. Pensando assim trazemos pra nós aquilo que desejamos. Se pensamos pequeno, coisas pequenas teremos. Já se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar em nossa vida. E é hoje o dia da faxina mental... Jogar fora tudo que lhe prende ao passado, ao mundinho das coisas tristes... Fotos, peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagem e toda aquela tranqueira que guardamos. Jogue tudo fora, mas, principalmente, esvazie seu coração, fique pronto para a vida... Porque sou do tamanho daquilo que vejo e não do tamanho da minha altura."

Bem, criticar Carlos Drummond é coisa séria e eu não ousaria fazê-lo, mas vou interpretar as suas palavras. Quando ele disse ‘sonhe alto e queira o melhor do melhor’,pareceu-me incoerente com a colocação: ‘encontrar prazer nas coisas simples de novo’; mas, pensando melhor, é possível conseguir as duas coisas ao mesmo tempo, sim. Por exemplo, uma oração é um gesto simples de súplica, agradecimento ou entrega, e nos traz tudo aquilo que merecemos de Deus.

Acredito que Drummond também pensou assim, porque demonstrou um pouco de fé no texto. E quantas outras coisas simples ajudam a construir um mundo melhor: o amor ao próximo, o perdão, a paciência, a verdade, o respeito à vida, a fidelidade conjugal, o temor a Deus, a humildade no coração, a mansidão da alma, o espírito de paz... Querer isso tudo na vida não é sonhar em ter o melhor do melhor que existe?

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 11:45
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - TODAS AS FORMAS DE VIDA MERECEM IGUAL RESPEITO.

 

                        

 

 

 

 

 

Republicamos, a pedidos, um caso que destaca a importância dos animais na vida das pessoas, a ponto de terem a sua guarda disputada judicialmente em caso de separações de casais. Um cachorro de estimação havia sido motivo de empolgante disputa durante um processo na Espanha.. O magistrado solucionou a questão, concluindo que todas as formas de vida merecem igual respeito e outorgou assim, direito de visita ao bicho pelo ex-marido. Uma sentença inédita, que acabou por destacar relevantes aspectos ecológicos.

 

 

 

O Direito se caracteriza pelo dinamismo que o cerca , ou seja, criam-se constantes mecanismos e buscam-se soluções  muitas vezes inéditas, no intuito de se resguardar a ordem social. Muitos resultados chegam a surpreender já que os objetos dos próprios processos são "sui generis", além do que, cresce a consciência coletiva de que é preciso que a Justiça prevaleça em todos os sentidos e setores.

O homem está construindo assim uma nova sensibilidade, pela qual, talvez, produza a tão esperada  e efetiva humanização. A sociedade vê com simpatia o esforço na procura de saídas legais para casos inusitados, lembrando aqui, inclusive, que nos pequenos detalhes é que crescem as grandes obras e que em certos países desenvolvidos, há decisões que chegam a surpreender, pelo elevado estágio de maturidade que alcançam, bem com  pela  extensa abrangência de seus efeitos.

Uma dessas questões ganhou notoriedade pela imprensa mundial. Com efeito, conforme notícia publicada pelo jornal "O Estado de São Paulo" (16.05.2002), um tribunal espanhol promulgou uma sentença singular para acabar com a briga entre um casal recém-separado. No centro da disputa estava um cachorro de sete anos. O juiz definiu que a "guarda" do animal ficaria com a mulher, tendo o ex-marido direito de visitar  o mascote aos fins de semana.

O advogado do cônjuge varão, Josep Luis Gonzales, disse que a solução é inédita, porque o animal pertence legalmente à esposa. É no nome dela que está a documentação do cachorro e o “microchip” que foi implantado sobre sua pele, para identificá-lo perante as autoridades sanitárias espanholas. O tribunal da cidade de San Vicente del Raspeigh, porém, considerou  “que o marido também tinha direito sobre o cão, uma vez que o casal vivia sob o regime de comunhão de bens”.

As partes disputaram a propriedade do animal durante todo o processo, até o magistrado decidir que este deveria permanecer com a mulher, que arcará com os gastos de alimentação e veterinário, permitindo que o homem o visite aos fins de semana. O advogado afirmou ainda que, uma vez conhecida a sentença, o casal decidiu fazer um acordo extrajudicial para  que ambos pudessem desfrutar da companhia do mascote. O advogado não quis dizer quais são os termos do novo acordo, mas afirmou que a decisão levou em conta o "bem do cão".

Essa decisão, apesar  de encontrar detratores, conclamou que todas as formas de vida merecem igual respeito. Como enfocou certa vez o escritor Antonio Costelleta, "qualquer pessoa que observe um pouco a natureza, forçosamente há de concluir: fomos projetados, nós, os animais e as plantas, pelo mesmo arquiteto. Saímos todos da mesma prancheta". Assim, a sentença, além do ineditismo de que se revestiu, acabou desembocando relevantes aspectos ecológicos.

É de se ressaltar que no Brasil, um projeto de lei quer regulamentar a guarda compartilhada de animais de estimação em casos de divórcio. De acordo com o autor da proposta, deputado federal Doutor Marco Aurélio Ubiali (PSB-SP), a medida busca resolver a questão pelo vínculo afetivo que as pessoas criam com os animais que viram alvo de conflito judicial, e, no caso de uma separação, o bicho é tratado como um bem do casal e não como um membro da família.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário, mestre em Direito Processual Civil pela PUCCamp e membro das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas.



publicado por Luso-brasileiro às 11:34
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - EDUCAÇÃO DA ALMA

  

 

                                                                                                                

 

 

A propósito do modo como as crianças são educadas pelos progenitores reflecte François Mouriac (galardoado com o prémio Nobel de Literatura de 1952,) no livro “L’Education des Filles”.Paris,Corrêa, pag.61, e segts:

"Para muitos pais, o essencial é, antes de tudo o mais, que os filhos estejam de saúde: é esse o seu primeiro cuidado:” Estás a transpirar, não bebas ainda…”

“Parece-me que estás quente: vou ver se tens febre”(…) primeiro cuidar da saúde da criança; depois, da educação: “Põe-te direito: estás a fazer corcunda…Não limpes o prato…Não te sabes servir da faca...Não te espojes no chão dessa maneira…Põe as mãos em cima da mesa! As mãos, não os cotovelos…Com a idade que tens, ainda não sabes descascar um fruto?…” Sim, é preciso que sejam bem-educados! E o sentido que todos nós damos a esta expressão “bem-educados” mostra até que ponto nós a rebaixamos. O que conta é a impressão que possam causar aos outros, ou seja, a fachada. Desde que, exteriormente, não traiam nada que o mundo não aceita, achamos que tudo esta a correr bem.”

Os únicos educadores dignos desse nome - mas quantos há que o sejam? São aqueles para quem conta aquilo a que Barrés chamava a educação da alma. Para esses, o que importa naquela jovem vida, que lhes é confiada, não é só a fachada que dá para o mundo, mas as disposições interiores, aquilo que, num destino, só Deus e a consciência conhecem.”

Quantos, mesmo entre crentes inflamados pela fé, preocupam-se a educar a alma dos jovens? Tão poucos são, que a sociedade mal sente o fruto dessa esmerada educação.

Todos cuidam da “fachada”, das aparências: embelezam o rosto, , para que seja agradável à vista; incutem as elementares regras de etiqueta, para que possam frequentar salões elegantes, sem desdouro; ensinam a vencer, e quantas vezes por veredas desonestas; a ganhar dinheiro, montes de dinheiro, olvidando que a verdadeira educação é, a dos sentimentos, a da alma: a que consegue plasmar a índole, tornando-a mais virtuosa, nobre em sentimento, briosa na honra e digna e prestável.

E como assim não se faz, topa-se, nas encruzilhadas da vida, alçados a elevados cargos,  figuras públicas sem caracter, sem dignidade, que não passam de asquerosos, e enfeitados “sepulcros caiados”.

São, como bem disse a raposa de Esopo, ao presenciar máscaras de teatro:”Bonitas cabeças…mas nada têm dentro”.

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:27
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PINHO DA SILVA - RETRATO

    

 

                                     

 

 

 

 

 

 

 

Sou um palhaço, a rir à gargalhada:

folgazão, divertido, jovial;

e pareço tão sincero, tão real,

que as gentes acreditam na farçada !

- “ Que feliz é você ! Que desgarrada!

Que alegria ! Que festa, tal e qual !…”

“Você vive um eterno Carnaval,

sem tristezas de Cinzas e sem nada !…”

Eu respondo:

- “Pois é !…Viva a alegria !…”,

pondo-me a rir, a rir sem ter vontade;

pondo-me alegre, alegre, mas mentindo.

Para ser verdadeiro: - noite e dia,

meu coração é triste… e eu vou rindo !….

 

 

 

 

 

 

PINHO DA SILVA   -   Vila Nova de Gaia, Portugal

 

 

 

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Sede e redacção: Case Postale,14 . 1246 Corsier, Genéve  -  Suiça

 

 

 

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EUCLIDES CAVACO

 

 

 

Tem o grato prazer de informar os seus amigos e leitores

 

 

 

que editou e vai lançar o seu novo livro

 

 

 

TERRAS DA NOSSA TERRA

 

 

 

em Portugal, nos locais e datas a seguir indicados:

 

 

 

 

Maio

 

 

 

 

23 – LISBOA 16:00 horas - Academia de Cultura e Cooperação

 

 

 

26 – Local a ser confirmado e anunciado

 

 

 

27 – LISBOA 16:00 - Associação Portuguesa de Poetas - Casa das Beiras

 

 

 

Junho

 

 

 

1 – LISBOA 20:00 - Hotel Real Palácio

 

 

 

2 – CORROIOS 16:00 - Centro Cultural do Alto do Moinho

 

 

 

3 – AMORA 15:00 - Auditório da Junta Freguesia

 

 

 

6 – LISBOA 15:00 - Sporting Clube de Portugal Salão VIP – Estádio José Alvalade

 

 

 

7 ou 8 – COSTA CAPARICA – A ser confirmado

 

 

 

9 – ALCOCHETE 16:00 - Galeria Paços do Concelho , organização Casa da Malta – com fados

 

 

 

16 – LISBOA 18:00 - Movimento Internacional Lusófono – na sede do MIL

 

 

 

Julho

 

 

 

8 – MONTE GORDO / VRSA Local e hora a confirmar

 

 

 

Livros à venda on line:

 

 

 

http://www.bertrand.pt/ficha/terras-da-nossa-terra?id=12851435

 

 

 

http://www.wook.pt/ficha/terras-da-nossa-terra/a/id/12851435

 

 

 

Livrarias:

 

 

 

Bertrand – Wook – Alêtheia – Pó dos Livros - Lofersil

 

 

Mais informações ou endereços através do email de Portugal:

 

 

 

ecosdapoesia@hotmail.com

 

 

 

Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca
email de Portugal a partir de 12 de Maio:
ecosdapoesia@hotmail.com

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:11
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Terça-feira, 15 de Maio de 2012
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - MARTE PRECISA DE MÃES

 

 

 

 

 

 

            Dia desses assisti a um desenho que se chamava “Marte precisa de mães”. Antes de mais nada, registro que adoro animações, sobretudo as infantis. É que algumas, inegavelmente, são feitas para os adultos. Aliás, tivesse eu alguma habilidade para desenho, procuraria trabalhar em algo no gênero, criando personagens, colorindo emoções, desenhando risadas. Como não vim munida desse dom, fico tentando, dentro de minhas limitações, inventar estórias, no desenho de que, alguém, algum dia, quiçá sem nada melhor para fazer, resolva dar rosto e voz para meus delírios.

            Daí que, sempre que posso, assisto desenhos. Quando minha sobrinha está do lado, sem dúvida, fica muito mais divertido, porque nada se comparar à alegria e ao deslumbramento de uma criança diante da tela ilustrada, em movimento. Se ela não está por perto, fico com a criança que sou mesmo. Assisti, assim, sozinha, a “Marte precisa de Mães” e fiquei pensando que a estoriazinha era bem bolada e que, de algum modo, passava uma mensagem mais profunda, uma reflexão subliminar.

            No filminho, as mães marcianas, em resumo, por conta dos múltiplos afazeres e trabalhos, relegaram a criação de seus filhos a robôs incapazes de afeto, ditadores de regras, tão somente. Os pais, por sua vez, também foram afastados das famílias, como se desnecessários, em uma sociedade comandada por mulheres. Enfim, os marcianos passavam a ser criaturas planejadas e eficazes, nada mais.

            Algum tempo depois, observando certas coisas, peguei-me refletindo sobre se, de algum modo, aqueles marcianos e marcianas, não somos, na verdade, nós. A cada dia a sociedade parece cobrar, de homens e mulheres, que sejam eficientes, brilhantes, bem-sucedidos, além de multifuncionais. No meu modo de ver as coisas, alguns valores importantes tem ficado para trás. Não sou uma estudiosa ou entendida do assunto, mas arrisco afirmar que algo está estranho quando a cada vez mais vamos produzindo sociopatas, assassinos seriais e toda sorte de perversões.

            É certo que qualquer pai ou mãe, com abastadas exceções, que hoje queira propiciar um futuro com oportunidades para seus filhos não pode se dar ao luxo de não fazer nada, dedicando-se, ambos, completamente à criação dos mesmos. Dessa forma, sair à luta faz parte da rotina quase inevitável de pais e mães, terráqueas ou marcianas. O que me inquieta é que, em algum momento, as crianças perderam dos pais até a atenção mínima, o cuidado que não se resume ao imprescindível amparo financeiro. Marte tem os robôs como babás e a Terra, o que terá deixado no lugar das mães?

            Será que teremos, nós também, que recuperarmos nossas mães (e pais) da prisão em que os guardamos para o bem-estar do progresso e da prosperidade? Estou convicta de que não sei muitas coisas, mas uma certeza só aumenta em mim: não há tesouro maior do que a família, não há futuro sem amor às crianças. Não há afeto que nasça da indiferença, da unilateralidade. Não é só Marte que precisa de mães...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.



publicado por Luso-brasileiro às 11:21
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - " SENHORA DAS ÁGUAS"

                                 

 

 

 

 

Ler a respeito: do equilíbrio entre o racional, o emocional e a fé; das coisas misteriosas de Deus e Sua onipresença, com partículas dEle ao nosso redor; da mão invisível que conduz com maestria os acontecimentos e experiências da vida; do “flerte” de qualquer ser humano, em algum momento, com o desconhecido; da pedra, que fechava o sepulcro do coração, se romper pelas mãos meigas e delicadas de Nossa Senhora, me emocionou profundamente e me pôs no silêncio da contemplação de minha história e do mundo em que estou inserida.

O livro a que me refiro é “Senhora das Águas” de Pedro Siqueira, pela Editora Prata, lançado em 2011. O autor, advogado da União, reside no Rio de Janeiro com sua esposa e, na Zona Sul da mesma cidade, conduz um grupo de oração baseado no Rosário e nos dons do Espírito Santo.

Conhecia, através da imprensa, um mínimo sobre a atuação dele na Igreja e o livro, que não me despertou a vontade de adquiri-lo. Presenteou-me, há 15 dias, com um exemplar, o amigo querido desembargador José Renato Nalini. Desde a primeira página, tive sede de deserto em mergulhar nos fatos relatados.  Deus usou da delicadeza do Renato para me oferecer uma espécie de retiro com a Imaculada, que pisa na cabeça da serpente. Ela dignifica todas as mulheres.

Gabriela, a personagem principal, psicóloga, cética, relata seus caminhos sem a consciência de que Deus a acompanhava até as iluminadas conclusões na gruta do Santuário de Lourdes, na frente do Rio Gave.

Em um dos capítulos, antes de sua peregrinação, uma conversa dela com um Frei de nome Antônio me levou a refletir por horas. Ressalta, o religioso,  o capítulo 23 de São Lucas. Durante a crucificação do Senhor, os chefes do povo escarneciam dEle dizendo: “Ele salvou  a outros. Que salve a si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito!” Ou seja, só começaram afrontar Jesus depois de perceberem que Ele não tomaria nenhuma providência contra ninguém. Considera, o Frei, os riscos da vaidade, seja ela espiritual ou não. Aquele sentimento torpe: eu sou melhor do que ele ou ela, eu posso mais, eu tenho mais forças, sou mais jovem, mais preparado, possuo reservas financeiras... “Naquele momento da cruz, Jesus era um homem. Deus se fez homem nEle. A vontade de Deus precisava ser cumprida. Era a missão de Jesus. Mas como humano também, Ele se sentiu impotente diante daquela barbaridade. Estava ali, entregue... Não tinha permissão do Pai para descer da cruz. (...) Ele não podia, diante da própria dor, salvar a Si mesmo e esquecer-Se do resto. Não dava para, simplesmente, voltar para casa!”  Na humildade, gritou: “Meu Pai, meu Pai...”  E concluiu Frei Antônio: “Aquele que é realmente um homem de Deus, que vem a este planeta para cumprir sua missão, não obedece aos seus próprios desígnios. Só realiza aquilo que lhe é permitido pelo Pai”.

“Senhora das Águas” lava a alma e demonstra que a sustentação do ser humano se encontra em, na humildade, pedir ajuda e ajudar.

 

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

 

É educadora e coordenadora da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil

 



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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
FILIPE AQUINO - VOCÊ SABE O QUE SÃO SACRAMENTOS ?

 

 
 
 
 
 

Conhecendo um pouco mais sobre os Sete Sacramentos

 

 

 

Jesus Cristo redimiu o mundo com a Sua Morte e Ressurreição, e instituiu a Santa Igreja, Seu Corpo Místico, para levar a salvação por Ele conquistada, a todos os homens de todos os tempos e lugares, até que Ele volte para encerrar a História, na Parusia, e julgar a humanidade. Ele deu a seus Apóstolos, hoje os nossos Bispos, a missão de levar a salvação a toda a humanidade, pela pregação do Evangelho e celebração dos Sacramentos.

Por isso o Concílio Vaticano II chamou a Igreja de “Sacramento universal da salvação” (LG 4). Ela é o braço estendido do Cristo na História dos homens. Quando a Igreja nos alcança, é Cristo que nos alcança; quando a Igreja nos batiza, é Cristo mesmo que nos batiza; quando a Igreja nos perdoa pela Confissão, é Cristo mesmo que nos perdoa…; isto é, a Igreja é a portadora e administradora da salvação, através dos Sete Sacramentos que ela ministra em nome de Jesus.

Os Sacramentos são os canais por onde flui a salvação de todos os homens, que Cristo conquistou com a Sua Morte e Ressurreição. Eles se relacionam intimamente com Cristo, com a Igreja e com toda a Liturgia. Há em todos eles um denominador comum, que é o conceito de sinal (seméion, em grego) eficiente ou sinal que realiza o que ele assinala. A santíssima humanidade de Cristo é o grande sinal eficiente, transmissor da graça; também a Igreja, como Corpo de Cristo prolongado na história dos homens (cf. Cl 1, 24) e a Liturgia, com seus ritos sagrados, continuam essa função. Cristo toca o cristão pelos Sacramentos não apenas de maneira psicológica ou afetiva, mas de uma forma concreta.

Os Sacramentos são esses sinais comunicadores da graça divina.Por isso o cristão não pode ficar sem os Sacramentos. O Cristianismo não é apenas uma filosofia religiosa, mas é uma comunhão de vida com o próprio Deus da maneira que Ele estabeleceu, especialmente pelos Sacramentos.Todo Sacramento é um sinal, que não apenas assinala, mas que realiza o que assinala; assim, a água do Batismo indica a purificação da criança e a realiza. Os Sacramentos dão continuidade à santíssima humanidade de Cristo, que assinalava e realizava a salvação dos homens. Por isso a Igreja (Corpo de Cristo prolongado) com os sete Sacramentos formam como que “o Grande Sacramento – a ordem sacramental através do qual a vida eterna do Pai flui até cada indivíduo em particular” (E. Bettencourt).

Cada Sacramento consta de matéria (água, pão, vinho, gestos…) e forma, que são as palavras proferidas sobre a matéria, declarando o sentido da mesma: “Eu te batizo…; Isto é o meu Corpo…” Os Sacramentos são sinais visíveis porque o ser humano é formado de corpo e alma; ele passa do visível ao invisível. Aristóteles († 322 a.C.) dizia que: “Nada há no intelecto que não tenha passado pelos sentidos”. É pelos sentidos que ele aprende.Tertuliano (†220 ) dizia que: “A carne (o corpo) é o eixo da salvação. Lava-se o corpo a fim de que a alma seja purificada; unge-se o corpo a fim de que a alma seja consagrada… O corpo é nutrido pelo Corpo e Sangue de Cristo, a fim de que a alma se alimente de Deus… Não podem, pois, ser separados na recompensa, já que estão unidos nas obras da salvação” (Sobre a Ressurreição da Carne 8 PL 2, 852).

Os Sacramentos agem “ex opere operato”, quer dizer, pela força do próprio rito, independente da santidade do ministro; em outras palavras, é Cristo quem ministra todo e qualquer Sacramento, pois Ele é o único sacerdote do Novo Testamento; os demais ordenados são seus ministros, como disse S. Tomás de Aquino. Se tiverem sido validamente ordenados pela Igreja e ministrarem os sacramentos com a mesma intenção que Cristo fez, então, participam do único Sacerdócio de Cristo e sua ação é eficaz.

Todo sacramento produz dois efeitos: o caráter e a graça santificante. O caráter é uma marca, um selo espiritual que é impresso na alma do cristão pelos três Sacramentos que não podem ser repetidos: Batismo, Crisma e Ordem. Os demais sacramentos imprimem um “quase-caráter”; por exemplo, o vínculo conjugal para os validamente casados.

Esta marca significa uma pertença a Cristo, e não depende das disposições morais da pessoa que recebe o sacramento. Santo Agostinho comparava esta marca com aquela que era impressa nas ovelhas, no gado, e até nos escravos pelos seus donos. Mesmo desertado o escravo continuava com a marca para sempre. A graça santificante comunicada pelo Sacramento é a “participação na vida divina” de que falou S. Pedro (1Pe 1, 4), que a pessoa pode não receber se põe obstáculo a ela. Por exemplo, se alguém comunga em pecado grave, ou se não crê na Eucaristia, mesmo assim recebe o verdadeiro Corpo de Cristo, mas não recebe a graça. Por isso os frutos dos Sacramentos dependem do esforço de conversão da pessoa; das suas disposições interiores.

“Toda a vida litúrgica da Igreja gravita em torno do sacrifício eucarístico e dos sacramentos” (SC,6), disse o último Concílio. Há na Igreja sete sacramentos: o Batismo, a Confirmação ou Crisma, a Eucaristia, a Penitência, a Unção dos Enfermos, a Ordem, o Matrimônio (cf. DS 860;1310;1601). (CIC. §1113)

Os Sacramentos encerram em si todas as graças que precisamos durante a vida para que a imagem de Cristo seja formado em nós. Nascemos de nossos pais para uma vida de sofrimentos herdada de Adão; o Batismo nos faz renascer, dando-nos uma vida nova, de filhos de Deus, herdeiros do Céu, passando pela morte e ressurreição de Cristo (Rm 6, 1-11).

Aos poucos a criança atinge a adolescência e se robustece; na vida espiritual recebe o Sacramento da Crisma que lhe dá pelo dom do Espírito Santo, a maturidade espiritual e a força para viver e testemunhar a fé. A cada dia a vida precisa ser alimentada com o pão, mas ele não impede que a morte aconteça; então, Cristo nos dá, pela Igreja, o Pão do Céu, a Eucaristia, que é remédio e sustento para a caminhada, e que nos garante a vida eterna.

As doenças ameaçam o nosso corpo e a nossa vida terrena, também os pecados ameaçam nossa vida espiritual. Temos os remédios para a vida do corpo e Cristo nos dá, pelo Sacramento da Penitência, o remédio que cura a alma. Quando chegamos à vida adulta escolhemos a profissão e o trabalho, e nos preparamos para ele; na vida espiritual seguimos a nossa vocação, para o casamento ou para a vida religiosa. Para realizar bem esta missão Deus nos dá o Sacramento do Matrimônio e da Ordem.

No final da vida, ou na doença grave, quando o sofrimento e até a morte se aproxima, novamente Cristo nos acolhe e prepara para nos curar ou para nos preparar para o desenlace final, acompanhando-nos pelo Sacramento da Unção dos Enfermos.

Assim, os Sacramentos nos acompanham em toda a vida, a fim de que a vida espiritual não pereça, e sejamos felizes sempre na companhia de Cristo, para que possamos chegar “ao estado de homem perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (cf. Ef 4, 13; 1Cor 2,6).

 

 

 

Do Livro: OS SETE SACRAMENTOS

 

 

 

 

FILIPE AQUINO   -   Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 

Do Livro: OS SETE SACRAMENTOS

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:29
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JOÃO BOSCO LEAL - LEMBRANÇAS DO PASSADO

                    

 

 

 

 

 

Residindo perto do Pantanal Sul Mato Grossense, de belezas naturais deslumbrantes e muitos animais silvestres, resolvi convidar uma amiga de juventude para passar um feriado prolongado em minha casa e assim nos reveríamos e ela conheceria o pantanal.

Pretendia mostrar locais que conheço sem nenhuma programação previamente agendada, passeando, parando, tirando fotos, mostrando o que lhe era desconhecido, sem nenhum compromisso de horários, mas como chovia e fazia frio quando a aeronave que a trazia pousou, percebi que a programação teria que ser alterada.

Como duas pessoas que não se viam ou tiveram qualquer tipo de contato há trinta e sete anos, fomos almoçar e começar a conversar sobre o que ocorreu em nossas vidas nesse período e também sobre o que ela gostaria de fazer já que com aquele tempo a programação anterior não seria aconselhável.

Durante essa conversa, por algumas declarações e comportamentos, já percebi que meu convite talvez não tivesse sido uma boa ideia. Notei que havíamos vivido em mundos e culturas diferentes por um período demasiado longo, o que tinha nos transformado em duas pessoas com uma quantidade enorme de diferenças.

Morando só e já próximo dos sessenta, nada mais lógico e esperado que possuísse algumas ou muitas manias, mas tentei colocar minha convidada muito à vontade, mostrando-lhe seus aposentos e onde encontraria tudo o que pudesse necessitar, desde alimentos, bebidas, pratos, talheres e como funcionava a máquina de café.

Por simples bom senso e educação que se espera de quem possui um grau cultural elevado, ou até mesmo por conhecimento prático adquirido durante a vida, imaginei que alguns comportamentos não ocorreriam por serem inesperados para quem se hospeda em casa alheia, independentemente das manias adquiridas por quem está acostumado a viver só como eu.

Morando só no interior do Paraná logo notei que acostumada a viver em casa, não tinha noção do que seria viver em um prédio de apartamentos, mas diversas atitudes comportamentais por mim inesperadas confirmavam minha primeira impressão: éramos pessoas totalmente desconhecidas.

Como o clima frio e chuvoso não a estimulavam sequer a sair do quarto por longos períodos, solicitei a presença de outra amiga e demos algumas voltas pela cidade, visitando locais interessantes e pontos turísticos, mas foi tudo o que conseguimos, pois no dia seguinte o tempo melhorou e o sol voltou a brilhar, mas ela não se interessou pelo passeio turístico que eu havia programado para o Pantanal alegando que preferia permanecer quieta, dentro de casa.

Pensei então sobre todo o período que estivemos longe, morando em ruas, cidades e estados diferentes, estudando em escolas e cursos, tendo amigos e relacionamentos mais ou menos profundos ou duradouros, com idades e em épocas distintas.

Com todas essas variações de estilos, meios e modos de vida, realmente não poderíamos mais ser o que éramos e pensar ou agir como costumávamos fazer.

Uma pena, pois a intenção era a melhor possível e ao invés de reaproximar, certamente acabou afastando mais ainda duas pessoas que já não se viam há décadas, mas que mantinham lembranças de um tempo diferente, quando éramos jovens e que infelizmente nunca voltará.

Tentar reviver o passado pode fazer perder lembranças que na mente se mantinham bonitas e por isso lá deveriam permanecer.

 

 

 

JOÃO BOSCO LEAL, é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. Campo Grande, Brasil.



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EUCLIDES CAVACO - TERRAS DE PORTUGAL
 
                                    
 
 
 
Bom dia estimados amigos e leitores
TERRAS DE PORTUGAL
Na véspera do lançamento do meu livro Terras da Nossa Terra
ofereço-vos este poema declamado que curiosamente é o poema
com que inicio esta minha viagem poética por terras de Portugal.
Veja e ouça este tema em poema da semana ou aqui neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Terras_de_Portugal/index.htm
Desejos duma excelente Quinta Feira para todos.
 
 
EUCLIDES CAVACO   -   Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

 



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LAURENTINO SABROSA - PENSAMENTOS (CONT.)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

51 - Ser cristão é a maneira poética de ser filósofo; ser poeta é a maneira cristã de ser filósofo e a maneira filosófica de ser cristão. Um filósofo que seja poeta, tem de ser cristão; um poeta que seja cristão, está a ser filósofo.

 

 

52 - No Evangelho de São Mateus (Mt 7, 26-27) mostra-se que é perigoso construir uma casa na areia. Porém, eu acho que mais perigoso ainda é construir uma casa no saibro – na areia, é ruinosa; no saibro, é ignominiosa.

 

 

53 - Na lógica capitalista, o cliente tem sempre razão – quando não a tiver, sempre se arranja uma maneirinha de lha dar; na lógica comunista dos sindicatos, o patrão nunca tem razão! – quando a tiver, sempre se arranja uma maneirinha de lha tirar.

 

 

54 - Meu amado Jesus Cristo, quanto mais meu és, mais és de todos nós, pois eu me comprazo em Te repartir fracção a fracção por toda a Humanidade nos meus escritos, tal como Tu fizeste ao pão de que sobraram cestos e ao pão da Ceia que foi o preâmbulo do Teu sacrifício.

 

 

55 - Se o homem não viesse a sofrer a evolução que sofreu, deixando de ser o hominídeo que foi para ser o inteligente e o espiritual que é, todo o universo, por esplendoroso que fosse com os seus inúmeros sóis e com miríades de estrelas, era uma inutilidade. Durante toda a evolução antropológica do homem, teve ele também e apenas a utilidade de se preparar para dar ao homem uma gloriosa recepção e continuar sempre ao seu serviço.

 

 

56 - Deus teve a benignidade e a bondade de nos chamar à vida, não uma vida meramente existencial como a da pedra, ou simplesmente sensitiva e vegetativa como a dos animais e plantas. Concedeu-nos uma vida à Sua imagem e semelhança, deliberadamente imperfeita, mas com possibilidades de d’Ele nos aproximarmos por esforço próprio através das virtudes e das orações. Contudo, também por amor ao homem, Ele impede-nos de atingirmos a plenitude da perfeição, para não perdermos a prerrogativa de só a Ele o louvarmos, e nunca nos louvarmos a nós mesmos.

 

 

57 - Se não existisse o Homem, que “utilidade” ou “necessidade” teria a existência de Deus? A quem e para quê, Ele manifestaria a Sua glória? Mas existe o Homem, que tem necessidade da existência de Deus e para quem essa existência é muito útil. Por isso Ele o ama tanto.

 

 

58 - Não podemos ser todos doutores, mas todos devemos ser poetas.

 

 

 

 

LAURENTINO SABROSA   -  Economista   -    Senhora da Hora, Portugal.



publicado por Luso-brasileiro às 11:05
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