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Domingo, 22 de Julho de 2012
FRANCISCO VIANNA - MAXIMIZANDO O CRÉDITO

 

 

 

A “bolha do crédito”, no Brasil, mostra um pico na inadimplência, sinaliza cautela, mas não ainda pânico.

 

                      

                     Gráfico do dinheiro que o estado empresta não para se investir, mas apenas para se gastar...

 

 

                                                                                                                        

 

        Proporcionalmente ao PIB, a disponibilidade de crédito, no Brasil, dobrou em dez anos. Impulsionado por acesso mais fácil à aquisição de casa própria (hipotecas), os preços dos imóveis nas grandes cidades brasileiras mais do que dobraram em apenas cinco anos. Do mesmo modo, a indústria automobilística agarrada à boia da disponibilidade de financiamento e eventuais diminuições de impostos, bateu sucessivamente cinco recordes em vendas em 2011. Agora a expansão súbita do crédito no país (veja o gráfico) começa a parecer menos efervescente e mais assustador. A inadimplência de mais de 90 dias bateu o recorde chegando a 6% do valor creditício.

        Ao invés de aliviar, o governo está tratando de distribuir mais dinheiro por todos os lados. Em 2009, quando a recessão global desanimou os consumidores brasileiros, os estrategistas de Brasília baixaram impostos sobre vendas (IPI) e da SELIC para ativar a demanda. Com a economia vacilando de novo -- cresceu apenas 2,7% no ano passado e analistas independentes esperam ainda menos em 2012 – o governo quer ver os endividados atrás de resgate governamental, mais uma vez.

        Com o corte em 11 de julho em curso de meio ponto percentual na taxa SELIC pelo COPOM do BACEN e prometendo mais cortes adiante, a equipe econômica do governo ordenou que os bancos estatais diminuíssem suas margens de juros e emprestassem mais dinheiro, e urgiu que os privados fizessem o mesmo. Tenho recebido telefonemas de telemarketing bancário me oferecendo dinheiro à vontade e as operadoras com suas vozes macias não conseguem me entender quando eu digo que não estou precisando de dinheiro. Uma delas me veio com o seguinte argumento: “não faz mal, pegue assim mesmo, pois a pior coisa do mundo é pegar dinheiro emprestado quando se está realmente precisando dele”...

        Claro que os banqueiros, como David Beker do Bank of America, dizem que a queda de juros ajudará rapidamente a aliviar a pressão sobre os superendividados. Tomadores de empréstimos ainda são uma parcela minoritária no Brasil, muito menor do que em outros países, principalmente EUA e Europa, o que significa que poucos devedores serão atingidos pelas antigas e maiores taxas de juros por muito tempo. Atualmente, mais de um terço dos pagamentos de hipotecas residenciais representa juros.

        Mas Brasília espera que os brasileiros reciclem suas margens de sobra de dinheiro em novos gastos que levarão a novos empréstimos o que levaria a um endividamento progressivo. O brasileiro, como recomenda o moderno socialismo tupiniquim, está sendo convencido a gastar o dinheiro... DOS OUTROS.

        Ceres Lisboa da Moody’s, uma agência de qualificação de crédito americana, tem dúvidas de que os bancos privados entrarão nessa dança dos bancos estatais e acha que a prática pode gerar uma bolha semelhante a do “subprime” do Tio Sam, principalmente se os bancos privados embarcarem nessa canoa furada.

        Uns estão fazendo provisões para futuros “créditos podres” oriundos dessa suspeita generosidade estatal, e têm, também, minguado suas margens de lucro, com os banqueiros parecendo determinados a ser mais cautelosos com relação a quem irão emprestar dinheiro no futuro. Isto significa que os bancos públicos poderão aumentar sua fatia de mercado no Brasil — talvez à custa do declínio da qualidade creditícia, caso os bancos privados se livrem de seus clientes menos lucrativos.

        Uma efervescência na expansão do crédito não é uma causa de pânico. Muito embora as dívidas particulares dos brasileiros tenham crescido nos últimos anos a um ritmo que não pode ser mantido, um ponto de partida muito baixo para a aventura creditícia significa que o nível absoluto permanecerá bem modesto. O estoque de empréstimos hipotecários quadruplicou desde 2005, por exemplo, mais é ainda pouco maior do que 5% do PIB.

        Os bancos brasileiros estão também fortemente capitalizados, como consequência de uma estrita regulamentação introduzida após crises bancárias prévias. O fato é que os lucros bancários no Brasil são os maiores do mundo em função do benefício governamental que o Brasil estende aos seus bancos.

        Enquanto o mercado de trabalho estiver em expansão, a maioria dos brasileiros que estão pendurados com suas dívidas em bancos deve estar preparada para digerir suas dívidas com relativamente menos dor. O desemprego está próximo a um recorde negativo e a renda real continua a crescer, embora mais lentamente do que antes.

        A maioria dos bancos, também, deverá estar apta a agir suavemente em direção a um nível mais sustentável de provisão de crédito. Uns poucos tomadores de empréstimos de renda media terão problemas: no Banco Votorantim, por exemplo, as provisões para cobrir créditos podres (calotes) aumentaram muito, o que significa que seus acionistas tiveram que injetar 2 milhões de reais (algo em torno de um milhão de dólares) no banco somente no mês passado. Alguns bancos poderão ser anexados por outros. Mas se os tomadores de dinheiro não forem tantos, o maior efeito dessa década brasileira de crédito fácil será apenas uma espécie de ressaca na economia real.

        Esse tipo de intervenção na economia é usualmente definida como CAPITALISMO DE ESTADO e costuma ser altamente “selvagem”, ou nefasto, porque o capitalista – no caso o estado – nunca vai à falência; antes, mete a mão no bolso do cidadão, tira de lá o que precisa (e muitas vezes até o que não precisa), até que o “socialismo” acabe, quando o acabar o dinheiro... DOS OUTROS.

 

 

 

Sábado, 19 de julho de 2012

 

 

FRANCISCO VIANNA   -    Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:47
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - SOB UM OLHAR DE CRENÇA

 

  

      

 

 

 

 

 

 

 

 

Os meninos fizeram doze anos no início do mês. Foram vários acontecimentos, além do bolo. Cresceram de repente. Quando os conhecemos, estavam com cinco anos. São meninos irrequietos. Antes, mais do que agora. Um deles possui dificuldade maior para respeitar regras. Interessante como as pessoas, pelo julgamento que fazemos delas, surpreendem, ao demonstrar aquilo que realmente são. Ousados na escalada das árvores e muros quando a pipa enrosca e ao andar de bicicleta, enfrentando obstáculos sem prudência, intimidam-se em conversas de olho no olho e nos agrados, contorcendo-se como os felinos que ronronam. Uma graça. Por mais áspera ou arisca que uma pessoa pareça, não existe quem não goste de agrado.

Há poucas semanas, um deles que é ágil no jogo da capoeira, deu entrevista à TVE. A respeito do que aprendeu na Casa da Fonte, que frequenta há tempo, com destaque para a capoeira, respondeu de imediato: a se defender nos jogos, quando necessário, mas a não usar de violência e nem provocar, a não subir nos telhados dos vizinhos, a não matar aves de maneira alguma e o respeito com os outros, desde a palavra usada. Segurar a boca na hora de um possível palavrão. Vejo-os, com outros meninos, admirando as duas casinhas de joão-de-barro na mangueira do espaço. Olham sem pedras no coração.

Os sonhos deles são equilibrados. Depois do bolo de aniversário, com distintivo de time, ansiavam por uma caixinha para ouvir música. Curioso a música, nos desejos deles, se sobrepor a uma bola de futebol, skate, boné com marca... E admirável, embora se estranhem em algumas situações, como são amigos. Um encontra sempre motivo para defender ou justificar o outro. Nenhum deles procura se sobressair, seja no que for, diante do irmão. Sentimento bom. Sangue gêmeo solidário.

Na véspera de passarmos o dia na Fazendinha da Alegria, em Itupeva, com os alunos da Casa da Fonte, integralmente custeado pela Companhia Saneamento de Jundiaí – CSJ - responsável por esse projeto socioeducacional -, um deles me perguntou quanto seria pago por criança, somando o valor da Fazendinha, com seus brinquedos e alimentação, e o ônibus. Ao lhe passar o valor, concluiu com um sorriso especial: “Bastante, hein?! É gente que pode gastar preocupada com os pobres”. Notei que ficou feliz ao se perceber com opções na vida, porque há quem se interesse por eles. No dia seguinte, em entrevista ao jornal sobre o dia de lazer, afirmaram que ao crescerem trabalharão para levar outras crianças a passeios como aquele.

Quando os meninos se inseriram na Casa da Fonte, um adulto me disse que seria um risco aceitá-los, porque eram impossíveis, embora a mãe procurasse colocar limites. Hoje, posso afirmar, com convicção, que um olhar terno e firme de crença sobre a importância de cada um, com tolerância e insistência, salva dos desvios e dos desatinos.

 

 

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coordenadora da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí



publicado por Luso-brasileiro às 18:29
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JOÃO BOSCO LEAL - FASES DA VIDA

 

 

                                             

 

 

 

 

 

As preocupações com os filhos mudam, mas não acabam. No início, enquanto crianças, ela gira em torno de sua saúde, educação, cultura e futuro, mas passada essa fase, quando já nos orgulhamos dos resultados obtidos nesses setores, começam outras.

Na juventude passamos a nos preocupar com os riscos no trânsito, com sua segurança física, seus negócios, viagens e, posteriormente, com seu casamento. Observamos se seguem ou não nossos exemplos e muitas vezes notamos que estão fazendo o que atualmente já não faríamos, por termos mudado de opinião ou por termos reconhecido que erramos naquele ponto.

Nessa etapa normalmente temos a intenção de, de alguma maneira, aconselhar, orientar, na tentativa de ajudar para que não errem onde já descobrimos que erramos, ou onde poderíamos ter sido melhores e quando eles também passam a ser pais, a preocupação passa a ser com o relacionamento que terão com seus próprios filhos.

Além do natural instinto de preservação da espécie e da continuidade da família, os netos são o maior presente que poderíamos receber na vida, e através deles é que nos enxergamos recomeçando, permanecendo na vida. Os que passaram a serem avós iniciam um novo aprendizado, o de como se relacionar com seus netos. É comum se lembrarem dos próprios avós, e de como se relacionavam com eles.

Passam a entender as diferenças comportamentais e as maiores ou menores afinidades que tínhamos com cada um dos avós, entre os paternos e maternos, quais tinham mais ou menos paciência, o que faziam ou permitiam que fizessem com eles.

Descobrem que um comportamento menos comunicativo ou brincalhão de um dos avós não está relacionado com um maior ou menor amor pelos netos, mas com a própria personalidade de cada um deles e também dos netos. Problemas físicos causados por algum acidente ou pela própria idade também podem limitar esses avós em relação a muitos tipos de brincadeiras com seus netos, o que não significa menos amor.

Diversos ditados populares ensinam que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, ou “os avós são os pais com açúcar”, mas é a própria natureza que constantemente nos mostra que quem é avô já não pode se comportar como pai e que deveria observar isso em todos os sentidos, pois muitas são as demonstrações que ela dá, de que as fases são muito distintas.

A idade cronológica dos avós, que naturalmente já não possuem a mesma destreza, força e fôlego de quando mais jovens, é certamente a maior diferença entre eles e seus filhos. O período durante o qual podiam permanecer com uma criança no colo já não é o mesmo e o simples fato do avô dobrar sua coluna para beijar uma criança de estatura bem mais baixa poderá causar dores em sua coluna vertebral.

A audição e a paciência certamente também já não são as mesmas e, nesse caso, se as pessoas falam baixo e ele não ouve, fica irritado, o que também ocorre com os gritos e manhas das crianças, sejam netos ou desconhecidos.

Por outro lado, muitas são as alegrias dos avós, como a que senti quando há poucos dias ouvi de um neto: “Vovô, eu gostei muito de suas brincadeiras”, uma declaração simples, inesperada e ao mesmo tempo tão profunda, que não soube sequer o que responder. Não pensei que aquela simples brincadeira estivesse provocando sentimentos que certamente permanecerão em por décadas em sua mente.

Todos esses detalhes são demonstrações de como as etapas são diferentes e cada uma só será bem cumprida por quem estiver com sua idade apropriada para tal. Os jovens não possuem experiência ou estrutura psicológica para serem avós e estes já não possuem a física para voltarem a ser pais.

Educar e cuidar do futuro dos filhos é função e responsabilidade dos pais, enquanto a dos avós é de simplesmente brincar, passear e se relacionar com os netos da maneira que não puderam fazer com seus filhos.

 

 

 

 

JOÃO BOSCO LEAL, é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. Campo Grande, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 18:23
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LAURENTINO SABROSA - PENSAMENTOS ( CONT.)

 

 

                                             

 

 

 

 

 

 

59 - A história do “Filho Pródigo”, mesmo sabendo que é uma simples parábola, é a história mais bela, mais comovente, mais sublime, mais espiritual que pode existir, tanto que não pode ser nisso ultrapassada por nenhuma outra: é a atitude de quem sente um arrependimento profundo e humilde, que é premiado por uma atitude de quem perdoa incondicionalmente e com amor. A alegria do Céu com o arrependimento sincero de um pecador é grande mas não atinge o máximo, máximo que só será atingido quando alguém lhe perdoa com alegria, sobretudo quando arrependimento e perdão se verificam no mesmo minuto. Quando um pecador se arrepende, Deus lhe perdoa no mesmo minuto. 

 

 

60 - Uma das coisas notáveis desta época é a desfaçatez com que certas pessoas dizem e fazem certas coisas. Quase todos os políticos e gente considerada socialmente ilustre, não se envergonham de dar opiniões idiotas sobre aquilo que não sabem, mas querem dar a entender que sabem, não se envergonham dos erros de prosódia que vomitam e da jactância que possuem, por vezes a mostrarem a ignorância que têm. Com satisfação, orgulhosos do prestígio social adquirido à sombra da inversão dos valores e sem vergonha!

Sem vergonha, e é bom que assim seja, por paradoxal que pareça. Porque, se cada um desses viesse a tomar profunda consciência do opróbrio que merece, entraria em depressão pela vergonha dantes não sentida, mas que agora o levaria ao desespero e, então, a taxa de suicídio aumentaria clamorosamente!

 

61 - Quando eu digo a alguém uma verdade e esse alguém não acolhe essa verdade, eu costumo (costumava…) dizer comigo: “o mal é teu que não reconheces a verdade e continuas a viver no erro”. Mas agora, pensando melhor, eu acho que uma das coisas mais tristes é viver no erro, e, assim, eu tenho a tristeza de ver alguém que se furta a acolher a verdade, tristeza não totalmente compensada pela alegria de eu, dentro da verdade, a ter tentado transmitir. Essa tristeza é ainda maior se a pessoa a quem falo é das que mais amo. Uma coisa que deve ser comum a todos nós: quando falamos com sinceridade e amor a alguém, informando, aconselhando, advertindo, não somos nós que falamos, é o próprio Deus que fala por nosso intermédio.

 

62 - Ser optimista, por pensamento positivo e esforço psicológico é muito mas não é tudo. Tudo, é ser optimista por confiar plenamente na protecção de Deus e na Sua Providência. O tal optimista “positivo” diz: “entre mortos e feridos alguém vai escapar”; o optimista “providencial” diz: “o grande mal do Titanic, não foram os icebergs. É que eu não estava lá!”

 

63 - “Por detrás de um grande homem, está sempre uma grande mulher”. É uma frase feita que, na minha opinião, devia ter sido banida há muito. Aquele “grande homem” que é grande com a ajuda da sua grande mulher, que está por detrás dele, a actuar na sombra como ajudante ou secretária, e se sente bem com isso, para mim já não é grande homem, por estar a ser parasita e a colher louros que em grande parte não lhe pertencem. Aquele “grande homem” que é considerado como tal, apesar de ser ele a estar por detrás da sua grande mulher, que, afinal, é a “abelha-mestra” do prestígio do marido, não é um grande homem – é um pigmeu social que, pela acção dedicada e capaz da sua grande mulher, passa por ser gigante. Neste caso, a sua mulher é duplamente grande: grande pela sua acção inteligente e grande pela humildade, que não se importa de o marido ser o único usufrutuário de uma grandeza que só a ela era devida. Assim, um homem só será “grande homem” se tiver uma “grande mulher”, não “por detrás” nem “à frente”, mas “ao lado”, para que todos vejam e o homem evidencie quanto deve à sua grande mulher, grande pela sua competência e dedicação. Por isso, e concluindo, AO LADO DE UM GRANDE HOMEM TERÁ DE HAVER SEMPRE UMA GRANDE MULHER.

 

64 - Por esse mundo além, há muita gente para quem a vida é uma imposição, não uma doação. Se não fosse a ideia de Deus e a esperança da eternidade, a maioria da humanidade se suicidaria.

Se nós formos dos tais que consideram a vida como uma imposição, é muito possível que, até por isso, estejamos a agudizar a imposição que os outros já sentem. Em cada suicídio há uma certa dose de culpa colectiva. Não falta quem tenha estômago vazio e vida oca. Como disse Georges Bernanos, “no lugar deles eu também iria para a taberna, pois têm mais necessidade de ilusão que de pão”. Sejamos sensíveis a isso e procedamos em conformidade. 

 

 

 

 

 

 

LAURENTINO SABROSA   -    Senhora da Hora, Portugal.

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:16
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - SERÁ MESMO QUE TUDO PASSARÁ?

 

                                               

 

 

 

 

É, nesta vida, tudo passa. Deixamos para trás: as alegrias e as tristezas; os sonhos e os pesadelos; os elogios e as ofensas; as verdades e as mentiras; enfim, o tempo nos ajuda a esquecer, a superar e a conformar com quase tudo. Mas, eu disse‘quase’? Pensando bem, nem tudo fica no passado, não é mesmo?

Carregamos conosco: a nossa experiência de vida, o conhecimento adquirido, a fé viva no coração, o respeito conquistado, as amizades sinceras, as obrigações para com a família... e a verdadeira missão que recebemos de Deus! Quanta coisa, hein? Bem, mas se este assunto fosse discutido em público, acredito que daria muito ‘pano pra manga’, porque nem todos iriam concordar com tudo o que eu disse até agora.

Por exemplo: uns diriam que os sonhos nunca morrem; outros afirmariam que o tempo só maltrata um coração ferido de saudades; e alguns nem saberiam dizer a missão que têm neste mundo! É triste concordar que muitos pensem assim: ‘Servir a Deus e ao próximo não é coisa pra mim’. Será que esta infeliz realidade não passará?

No capítulo 5 do Evangelho de São Mateus, Jesus nos diz: “Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!... Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis?... Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”. Concordo que não é nada fácil fazer isso, mas há alternativa melhor de conquistar amigos e agradar a Deus? Não é perdoando que somos perdoados e rezando que entraremos na vida eterna?

É óbvio concluir que é melhor viver na presença de amigos do que de inimigos, portanto, quanto mais amizades fizermos, maior será a nossa recompensa. E mais: ganhando a confiança das pessoas, teremos mais espaço para evangelizar! Imagine só como seria bom se você chegasse ao trabalho e todos se sentissem alegres com a sua presença, vindo lhe cumprimentar sorrindo e lhe desejando um ótimo dia de atividades. Dá para sonhar com isso?

Caso perceba boas intenções no seu coração, tenho certeza que Deus providenciará uma graça muito maior a você. Jesus lhe transformará num cristão luz do mundo e os frutos do seu trabalho ao próximo permanecerão para sempre. Acredite nisto para não deixar essa graça também passar.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:11
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - OS LIVROS E SEUS AUTORES SÃO OS MAIORES INSTRUMENTOS DE CONSOLAÇÕES DA EDUCAÇÃO.

         

 

                                              

 

 

 

 

 

 

O 25 de julho foi definido como Dia Nacional do Escritor por decreto governamental, em 1960, após o sucesso do I Festival do Escritor Brasileiro, organizado naquele ano pela União Brasileira de Escritores, por iniciativa de seu presidente, João Peregrino Júnior, e de seu vice-presidente, Jorge Amado  (foto). Uma data de grande relevância por reverenciar àqueles que escrevem, por ofício, por prazer, pela junção desses dois aspectos e principalmente por transmitirem idéias, sonhos, fantasias, realidades e tantos  outros atributos através das palavras.

Desde a Antiguidade, a obra literária é a grande companheira do ser humano, que através dela, pode adquirir os mais diversos conhecimentos. Por outro lado,o maior desafio dos brasileiros neste século é apagar os vestígios indesejáveis da ignorância, da injustiça e miséria. Um dos aspectos para que tal quadro se instale é possibilitar o acesso de todos à educação que tem nos livros e nos autores, seus maiores instrumentos de consolidação.

Tanto uns, como outros são necessários à efetivação cultural que se pretende para o desenvolvimento do país. E ambos sempre se reciclam, mantendo-se vivos, apesar de todas as dificuldades impostas pelo consumismo desenfreado e pela comunicação virtual. Vale aqui invocarmos o escritor francês André Gide que escreveu:- “Todas as coisas já estão ditas, mas como ninguém escuta, é preciso recomeçar sempre”. O catarinense Emanuel Medeiros Vieira assim se expressou:- “E o ofício de escrever é um eterno recomeçar; lutar com palavras mil rompe a manhã para usar a expressão do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade. Creio que travamos, através da linguagem, o que Thomas S. Eliot, poeta norte-americano chamou de “combate intolerável com as palavras” que “se esticam, racham, escorregam, perecem!”.

A nossa cidade é visivelmente privilegiada na área da literatura, contando com inúmeros e bons escritores. Além disso, possui três academias literárias: Academia Jundiaiense de Letras, Academia Feminina de Letras e Artes e Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas. Possui, além de outras, a ótima biblioteca municipal e uma particular, Gabinete de Leitura Ruy Barbosa.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário, mestre em Direito Processual Civil pela PUCCamp e membro das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas.



publicado por Luso-brasileiro às 18:07
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - DITOS E OPINIÕES DE UMA CRIANÇA - O PRÍNCIPE DOM LUÍS FILIPE

 

 

 

 

 

 

Princípe Real Dom Luís Filipe   -   Desenho de A. Silva ( Charivari )

 

 

 

 

 

 

Julgo ser do conhecimento do leitor, já que o regicídio foi sobejamente divulgado, a forma como o bondoso Príncipe pareceu no Terreiro do Paço; mesmo assim, esmiuçarei o acontecimento, visto haver pormenores que fogem à maioria dos compêndios.

Reunidos na Quinta do Ché, nos Olivais, Manuel José dos Reis da Silva Buiça, Alfredo Costa, José Nunes e outros facínoras que permaneceram, covardemente, no anonimato, assentaram matar D. Carlos – Rei de elevada cultura e cientista de mérito.

Havia sido esboçado o plano por republicanos (sabe Deus se não havia monárquicos,) dias antes no Café Gelo.

Pela manhãzinha do dia primeiro de Fevereiro do ano de 1908, Alfredo Costa estava no segundo andar da casa de Meira e Sousa, que ficava na rua Nova de Almada, 84, em Lisboa, para falar com o “Senhor Alfredo”, que se encontrava escondido no 3º andar do mesmo prédio.

Comunicou Alfredo Costa, ao dono da casa, que estava previsto um atentado contra a figura do rei, nessa tarde.

Consta que este rebateu a ideia, tentando dissuadi-lo do repugnante crime.

Dois dias antes Manuel Buiça, compareceu perante o tabelião Mota, na rua do Crucifixo, para fazer testamento. Levava como testemunhas José Correia e Aquilino Ribeiro.

Eis em suma o regicídio e a trama que levou ao hediondo crime, onde o Príncipe Herdeiro Dom Luís Filipe foi vítima de duas certeiras balas que lhe vazaram o rosto.

No momento do assassinato o Príncipe levava o imprescindível terço. Mais tarde, a mãe, a Rainha Dona Amélia, ofereceu-o ao Cardeal Patriarca.

Dito isto, vamos analisar o carácter e sentimentos deste Príncipe, injustamente esquecido.

 

 

 

 

                                     

                                      Príncipe Real Dom Luiz Filipe (1891) - Obra de António Ramalho

                                                                                       Tesouros de Portugal

 

 

 

 

Por gentileza da Senhora Dona Maria Eugénia Rebelo de Andrade, neta de Dom João da Câmara, chegou-me – e já lá vão muitos anos, – fotocópias de texto que relata ditos e pareceres de Dom Luís Filipe, ainda criança, coligidos por D. Isabel Saldanha, preceptora do Príncipe.

Entre essas atitudes, todas edificantes e significativas dos elevados sentimentos, que conservou até à morte, ressalta a que ocorreu numa desabrida tempestade. Estavam todos preocupados, no Palácio, menos o Príncipe. Interrogado se não tinha medo, respondeu: “ Já rezei. Estou à conta de Deus. Estou descansado.”

Senhora, não familiar, genuflectiu-se para beijar-lhe a mão. Indignado repreendeu-a acerbamente: “Levante-se! Não sou Deus!”

Abro parêntese para lembrar que Frei Bartolomeu dos Mártires nunca tratava os reis por Majestade, mas sim de Sua Alteza. Para ele, Majestade era só devido a Deus.

Ajoelhando-se para orar, disseram-lhe para não o fazer, porque não estava na igreja nem havia imagens. Retorquiu indignado: “ O Pai do Céu está em toda a parte. Está também aqui!”

Tinha sete anos e ajoelhou-se para rezar. Lembraram-lhe que não devia faze-lo, porque tinha escoriações nos joelhos. - “ Por me custar é que quero.” - respondeu seriamente.

Em Junho de 1897, interroga D. Isabel Saldanha da Gama, se Deus permitia oferecer a vida pela conversão de outro. D. Isabel compreendeu que se referia ao rei, mas recomendou que consultasse o director espiritual. Tinha dez anos.

 

 

 

                                                               

 

 

 

 

Na verdade o Príncipe viria a sacrificar-se ao defender o pai, no regicídio; e assim pareceu um homem de bem. Um homem que certamente reinaria com justiça e lealdade. Encaminhando a nação para o bem-estar do povo.

Com sua morte, juntamente com a de seu pai, Portugal mergulhou num dos períodos mais negros da sua História.

 

 

 

 

                                      [Regicídio_PetitJournal.jpg] 

 

 

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA    -    Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 16:02
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CLARISSE BARATA SANCHES - A INTERNET
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Internet é um bem que dá prazer           

Quando a pessoa vê passar o dia     

E a família se esquece de nos ver

E não nos faz nenhuma companhia!

 

 

 

O tempo “olhos nos olhos”, como havia,

Era bom para estima, enternecer…

Agora, a Internet é mais valia

Porque ensina, distrai e faz viver!

 

 

Já pensei em deixar-lhe os meus valores

Ou, então, às amigas dos Açores,

Da Suíça, do Brasil,  e que, afinal,

 

 

 

São quem me valem mais na solidão,

Ao trocarmos mensagens de atenção

Com flores sob o Céu de Portugal.

 

 

 

 

 

CLARISSE BARATA SANCHES    -   Goís, Portugal

 

 

 

 

 

 

 Acaba de sair o número de Julho do JORNAL " O POVO DE PORTUGAL"

 

 

 

 

 

 

 

 

     

                          AGÊNCIA DE NOTÍCIAS REDE  CARIDADE

                                               AO SERVIÇO DA FAMÍLIA VICENTINA

 

                                                            VISITE E COLABORE

 

                    

 

                                                                   http://www.rededecaridade.com/index1.php

 

 

 

 

                

 

                        

CINEMA GRATUITO NA CIDADE DE JUNDIAÍ

 
O cinema
está de volta ao centro da cidade!
A Prefeitura de Jundiaí por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio do Cineclube Consciência, promove o projeto Cineclube na Cidade, proporcionado mais uma opção de cultura à cidade, com sessões de cinema gratuitas às quartas-feiras de agosto a novembro na Sala Glória Rocha, á partir de 25/08.
O projeto Cineclube na Cidade
cria um espaço alternativo de cinema com debates e convidados, oferecendo
reflexão e difusão cultural.


Local: Sala Glória
Rocha (Rua Barão de Jundiaí, 1093, Centro) (11) 4521-0971

Realização:
Prefeitura Municipal de Jundiaí- Secretaria Municipal de Cultura e Cineclube Consciência

Apoio cultural:
Centro Cineclubista de São Paulo

Produção: Vânia
Feitosa- Cine a Vapor Produções


Contato com a
produção

Vânia Feitosa
cineclubenacidade@yahoo.com.br
(11) 9700-3120 ou (11)
8029-3780

 



publicado por Luso-brasileiro às 15:21
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2012
PAULO ROBERTO LABEGALINI - A HISTÓRIA DE UMA SANTA MÃE

      

                                 

 

 

Cada vez que leio a vida de um santo, tenho vontade de relatá-la aqui, mas acabo dando preferência a outra boa história ou a um tema que me recomendaram. Hoje, porém, vou enfocar uma maravilhosa personagem da nossa Igreja: Santa Mônica – famosa por ter sido mãe de Santo Agostinho e conseguido a plena conversão do filho.

Ela nasceu em Tagaste – África do Norte – no ano 332 e desejava dedicar-se à vida de oração e solidão, mas seus pais fizeram-na casar com Patrício – homem de gênio terrível, mulherengo, jogador e sem religião. Ele a fez sofrer por trinta anos, mas jamais levantou a mão contra ela. Tiveram três filhos: dois homens e uma mulher. Os dois menores foram sua alegria e consolo, mas Agostinho também a fez sofrer por dezenas de anos.

Naquela região, onde as pessoas eram muito agressivas, as demais esposas perguntavam a Mônica por que seu marido nunca a agredia. Ela respondia: ‘Quando meu marido está mal humorado, me esforço para estar de bom humor e, quando ele grita, eu me calo. Como são necessários dois para brigar e eu não aceito a briga, não brigamos!’. Esta fórmula fez-se célebre no mundo e serviu a milhões de mulheres para manterem a paz em casa.

Embora Patrício criticasse as orações e generosidade da esposa, nunca se opunha que ela se dedicasse a estas boas obras. Mônica rezava, oferecia sacrifícios por seu marido e, no ano de 371, alcançou de Deus a graça de seu batismo. Um ano depois, ele morreu santamente, deixando a pobre viúva com o problema do filho mais velho, Agostinho.

Por ser extraordinariamente inteligente, Agostinho estudava filosofia, literatura e oratória na capital do estado, mas  teve a desgraça de ver seu pai, quando vivo, não se interessar por seus progressos espirituais. Somente lhe importava que tirasse boas notas, que brilhasse nas festas sociais e que se sobressaísse nos exercícios físicos, mas, sobre a salvação de sua alma, não lhe ajudava em nada. E isso foi fatal para o filho, pois caiu de corpo e alma no pecado.

Quando o pai morreu, Agostinho tinha 17 anos e Mônica recebia notícias dizendo que o jovem levava uma vida nada santa. Aos 29 anos, o jovem decidiu ir à Itália dar aulas. Já era doutor e a mãe se propôs a ir junto para livrá-lo de todos os perigos morais. Ela se encontrou com o arcebispo Santo Ambrósio. Nele, viu um verdadeiro pai. Agostinho também ficou impressionado e começou a escutá-lo com profundo carinho e a mudar suas idéias da fé católica.

E aconteceu que no ano 387 Agostinho se propôs a mudar de vida. Deixou seus vícios e, na Festa da Ressurreição, fez-se batizar. Convertido, dispôs a voltar com a mãe e o irmão à sua terra, na África, mas, ela, que já tinha conseguido tudo o que queria na vida, morreu tranqüila aos 55 anos de idade. Milhares de mães e esposas encomendaram-se a Santa Mônica por todos estes séculos, pedindo que as ajude a converter seus maridos e filhos... e conseguiram milagres admiráveis!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



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JOÃO BOSCO LEAL - FASES DA VIDA

            

                                                 

 

 

 

 

 

                       

As preocupações com os filhos mudam, mas não acabam. No início, enquanto crianças, ela gira em torno de sua saúde, educação, cultura e futuro, mas passada essa fase, quando já nos orgulhamos dos resultados obtidos nesses setores, começam outras.

Na juventude passamos a nos preocupar com os riscos no trânsito, com sua segurança física, seus negócios, viagens e, posteriormente, com seu casamento. Observamos se seguem ou não nossos exemplos e muitas vezes notamos que estão fazendo o que atualmente já não faríamos, por termos mudado de opinião ou por termos reconhecido que erramos naquele ponto.

Nessa etapa normalmente temos a intenção de, de alguma maneira, aconselhar, orientar, na tentativa de ajudar para que não errem onde já descobrimos que erramos, ou onde poderíamos ter sido melhores e quando eles também passam a ser pais, a preocupação passa a ser com o relacionamento que terão com seus próprios filhos.

Além do natural instinto de preservação da espécie e da continuidade da família, os netos são o maior presente que poderíamos receber na vida, e através deles é que nos enxergamos recomeçando, permanecendo na vida. Os que passaram a serem avós iniciam um novo aprendizado, o de como se relacionar com seus netos. É comum se lembrarem dos próprios avós, e de como se relacionavam com eles.

Passam a entender as diferenças comportamentais e as maiores ou menores afinidades que tínhamos com cada um dos avós, entre os paternos e maternos, quais tinham mais ou menos paciência, o que faziam ou permitiam que fizessem com eles.

Descobrem que um comportamento menos comunicativo ou brincalhão de um dos avós não está relacionado com um maior ou menor amor pelos netos, mas com a própria personalidade de cada um deles e também dos netos. Problemas físicos causados por algum acidente ou pela própria idade também podem limitar esses avós em relação a muitos tipos de brincadeiras com seus netos, o que não significa menos amor.

Diversos ditados populares ensinam que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, ou “os avós são os pais com açúcar”, mas é a própria natureza que constantemente nos mostra que quem é avô já não pode se comportar como pai e que deveria observar isso em todos os sentidos, pois muitas são as demonstrações que ela dá, de que as fases são muito distintas.

A idade cronológica dos avós, que naturalmente já não possuem a mesma destreza, força e fôlego de quando mais jovens, é certamente a maior diferença entre eles e seus filhos. O período durante o qual podiam permanecer com uma criança no colo já não é o mesmo e o simples fato do avô dobrar sua coluna para beijar uma criança de estatura bem mais baixa poderá causar dores em sua coluna vertebral.

A audição e a paciência certamente também já não são as mesmas e, nesse caso, se as pessoas falam baixo e ele não ouve, fica irritado, o que também ocorre com os gritos e manhas das crianças, sejam netos ou desconhecidos.

Por outro lado, muitas são as alegrias dos avós, como a que senti quando há poucos dias ouvi de um neto: “Vovô, eu gostei muito de suas brincadeiras”, uma declaração simples, inesperada e ao mesmo tempo tão profunda, que não soube sequer o que responder. Não pensei que aquela simples brincadeira estivesse provocando sentimentos que certamente permanecerão em por décadas em sua mente.

Todos esses detalhes são demonstrações de como as etapas são diferentes e cada uma só será bem cumprida por quem estiver com sua idade apropriada para tal. Os jovens não possuem experiência ou estrutura psicológica para serem avós e estes já não possuem a física para voltarem a ser pais.

Educar e cuidar do futuro dos filhos é função e responsabilidade dos pais, enquanto a dos avós é de simplesmente brincar, passear e se relacionar com os netos da maneira que não puderam fazer com seus filhos.

 

 

 

 

 

JOÃO BOSCO LEAL, é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. Campo Grande, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 11:32
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - PÍLULA DE EMERGÊNCIA

 

 

 

       

 

 

 

 

 

 

 

Na “Folha de São Paulo” (C3), no domingo 11 de março, é destaque uma matéria sobre o acesso precário à pílula de emergência, também conhecida por pílula do dia seguinte. Segundo a jornalista Cláudia Collucci, a principal dificuldade para consegui-la, através do SUS, é que as unidades de saúde exigem receita para fornecer o contraceptivo e que nem sempre, na hora que a mulher o procura, existe um médico para assinar a prescrição. As adolescentes, de acordo com a reportagem, encontram obstáculo maior, pois muitos postos exigem a presença de pais ou responsáveis para liberá-la, embora diretrizes do Ministério da Saúde garantam o direito à privacidade e ao sigilo de informações. Em destaque, na mesma reportagem, sobre como o remédio age antes ou depois do processo de fertilização, existe a afirmação de que a pílula atua antes que a gravidez ocorra e, portanto, não é um abortivo. Dentre os efeitos colaterais mais comuns estão alteração no ciclo menstrual, dor de cabeça, sensibilidade nos seios, náuseas e vômitos e há riscos para quem sofre de hipertensão, obesidade mórbida, doença hematológica ou vascular.

Como defensora da vida humana e contra o aborto provocado, sinto-me na obrigação de voltar ao assunto, sobre o qual já escrevi em outras oportunidades.  Vivemos na contradição e, através dela, nos tratam como idiotas.

O Estatuto da Criança e do Adolescente garante a proteção aos menores de idade e chama seus pais à responsabilidade. Como se pode permitir que a adolescente tenha acesso a um medicamento que possui riscos para a saúde física, sem que o adulto responsável por ela não saiba?

A colocação de que não mata é falsa. Precisamos estar atentos ao sentido das palavras. Fertilização: espermatozoide se une ao óvulo. Concepção: implantação do óvulo fecundado no útero materno. Embrião: o ser humano após a implantação. No caso da mulher não ter ovulado, a pílula impede que o ovário libere o óvulo, evitando a fertilização e pode, ainda, se a mulher ovulou, alterar a secreção vaginal, tornando o ambiente hostil para os espermatozoides, que não conseguem chegar às trompas e fertilizar o óvulo. Nesse caso, a pílula não mata. Mas se ouve a fertilização, a pílula altera a parede uterina e impede a fixação do óvulo, matando-o por falta de condições de sobrevivência.  Como não existe a possibilidade de um ser humano apenas a partir da concepção - quando o óvulo se fixa no endométrio -, é necessária a fase da fertilização, a pílula de emergência destrói o ser humano em sua primeira fase.

É incrível a capacidade de se criar e propor caminhos que cada vez mais tirem as responsabilidades das pessoas sobre seus atos. É incrível como ocultam a verdade no jogo de palavras.

As consequências das contradições, da destruição da família e da escolha do prazer pelo prazer estão às claras na sociedade em que vivemos, tão plena de promiscuidade sexual, de máscaras, mortes, angústia, desespero, fugas e drogas.

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coordenadora da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí



publicado por Luso-brasileiro às 11:23
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - PULA FOGUEIRA, PULA FOGUEIRA IOIÔ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           

            Creio que grande parte dos brasileiros, em algum momento de suas vidas, já tenha participado das tradicionais e tão típicas festas juninas. Embora eu as tenha frequentado com mais frequência quando era criança e adolescente, nunca deixei de gostar delas e fico feliz ao constatar que, mesmo em metrópoles como São Paulo, esse festejo nacional ainda tem certo fôlego.

            Uma das coisas que eu mais gostava era da pescaria. Atormentava meus pais pedindo fichas para poder tentar a sorte pescando peixinhos de papel e depois os atormentava quando o prêmio não era exatamente aquele que eu esperava. O curioso é que, desde sempre, com raríssimas exceções, os tais prêmios ou prendas para os melhores pescadores, eram compostos de bobagens, de coisas sem grande valor econômico, mas, mesmo assim, tinham um significado especial, um jeito de vitória. Eu, que chorei quando fui pescar de verdade pela primeira vez, porque não queria que o peixe morresse e que chorei muito mais quando me fizeram comer o mesmo peixe, jamais voltei a pescar, mas ainda amo os peixinhos de papelão e, quando tenho alguma criança ao meu lado para me servir de álibi, ainda me faço de boba e deixo a criança dentro de mim se divertir um pouco mais.

            Quando cresci um pouco, passei a ter outro problema. Eu era tímida com os garotos e tinha vergonha de pedir para alguém ser meu par nas quadrilhas. Quase matava minha mãe de tanto importuná-la para me ajudar a arrumar um menino que dançasse comigo. Eu não sei em que momento essa timidez me abandonou, mas, por muito tempo, eu, que brincava o dia todo no meio dos garotos, jogando queimada, brincando de esconde-esconde, tinha pavor só de pensar em não ter um par para poder participar da quadrilha.

            A quadrilha, por sinal, era uma festa à parte. Depois de resolvida a questão do par, começava a diversão propriamente dita. Todos adoravam os ensaios, momentos para descontrair, dar risadas, paquerar e até para sairmos um pouco da sala de aula. Em alguns anos dançamos a tradicional quadrilha caipira e, em outros, a quadrilha americana. Ainda tinha a roupa. Todos os anos eu queria fazer um vestido novo, colorido, cheio de fitas, acompanhado de bota e chapéu de palha com trancinhas. No dia da festa, era um desfile de roupas, todos os meninos e meninas vestidos de caipirinhas, rindo uns dos outros, sobretudo dos bigodes e barbichas pintadas.

            Nem preciso dizer que a comida desse tipo de festa sempre esteve entre as minhas prediletas. Cachorro-quente, pipoca, quentão, milho cozido, curau, canjica e outras tantas guloseimas davam e dão às festas juninas um gosto todo especial, único mesmo. Para mim, até hoje, tem gosto de infância, de um tempo que só existe na mente e nos corações de quem o compartilhou.

            Muitas são as reminiscências que as festas juninas me trazem. Os correios elegantes sempre deixavam meu coração de menina batendo mais forte, cheio de esperanças tolas e saudáveis. Hoje, as festas juninas ainda me enchem de alegria e emoção. Ainda, em algum lugar de mim, lá bem escondida dos olhos alheios, existe uma menina esperando para comer as “gordices” e para dançar a quadrilha, depois de uma bela pescar.

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 11:11
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