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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A LEGISLAÇÃO PERMITE MUDANÇA DOS NOMES QUE EXPÕE SEUS PORTADORES AO RIDÍCULO. MAS HÁ CANDIDATOS QUE PREFEREM PARA CHAMAR ATENÇÂO.

 

 

                                                

 

 

 

O nome é um dos mais importantes atributos da pessoa natural, ligando-se a ela com o nascimento e persistindo até mesmo depois da morte. Alguns indivíduos, no entanto, sofrem inúmeros problemas em função de suas identificações nominais, sendo alguns nem sabem que a Lei de Registros Públicos permite a mudança de prenomes quando eles ocasionarem evidentes constrangimentos aos seus portadores. Por outro lado, há alguns candidatos que até gostam da estranheza de suas denominações, para chamar a atenção dos eleitores.

 

 

 

 

Uma das primeiras preocupações dos pais é, sem dúvida, escolher os nomes dos filhos. Inúmeras são as opções, mas no Brasil chegam a ser freqüentes determinadas designações excêntricas, e por vezes, grosseiras ou obscenas, frutos da extravagância e da própria ignorância dos progenitores. “Barrigudinha Seleida, Bom Filho Persegonha, Eduardo Lembrança do Aliás, Jacinto Dores Peta, João da Mesma Data e Marina Truburina Cataerva”, listados em recente levantamento realizado junto ao cadastro do Programa de Integração Social – PIS são alguns dos exemplos. No entanto, há uma infinidade de casos mais graves e depreciativos, que na  maioria das vezes, colocam os seus detentores em situações de tão manifesto ridículo, que muitos até acabam adotando  apelidos mais brandos para fugirem de tal estigma.

            A escolha sempre ocorre de maneira apaixonante e ao mesmo tempo fatigante. É por isso que ela deve ser feita com serenidade e cuidado, pois os psicólogos alertam sobre os  inúmeros casos de indivíduos, notadamente crianças, que desencadeiam perturbações somáticas e psiquícias em função de suas identificações nominais. Em entrevista ao jornal “Diário Popular”(15.03.1998 – pág. 05), o consagrado psicoterapeuta Jacob Pinheiro Goldberg, afirmou que o gosto pessoal dos pais deve sofrer uma autocrítica porque existe uma aproximação muito forte entre o nome e a personalidade social. E explica:-  “O nome é uma imagem que o indivíduo passa. Ele pode facilitar ou dificultar momentos de uma vida. O nome é carregado de uma série de informações sobre a origem do indivíduo e de sua família”. 

            O nome, portanto, é um dos mais importantes atributos da pessoa natural, ligando-se a ela com o nascimento e persistindo até mesmo depois da morte. O prof. Washington de Barros Monteiro, em seu livro “Curso de Direito Civil”(vol. I , pág. 86, Ed. Saraiva), oferece, a propósito, interessante opinião de Josserand no sentido de que “o nome é como uma etiqueta colocada sobre cada um de nós, e lhe dá a chave da pessoa toda inteira”. Nicolau Zarif, citado por Antonio Macedo de Campos na sua obra “Comentários à Lei de Registros Públicos” (vol. I, pág. 170, Ed. Jalovi) oferece definição sintética e dentro da realidade jurídica: “nome é a designação pela qual a pessoa é conhecida ou se faz conhecer”.

No direito pátrio, o nome se forma pelo prenome e pelo patronímico (sobrenome), permitindo-se a este último ser paterno ou materno, ou ainda conter os dois,  e possibilitando-se ao primeiro, ser simples (ex. Luiz) ou composto (ex. Luiz Otávio). O parágrafo único do art. 55 da Lei de Registros Públicos dispõe que “os Oficiais do registro civil não registrarão prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores. Quando os pais não se conformarem com a recusa do Oficial, este submeterá por escrito o caso, independente de cobrança de quaisquer emolumentos, à decisão do Juiz competente”.

Por outro lado, o mesmo diploma legal dita expressamente que o prenome é imutável, mas  admite eventual retificação, quando for evidente o erro gráfico na sua   composição. Da mesma forma, acata sua mudança, mediante sentença judicial e a requerimento do interessado, na hipótese de se revelar em objeto de escárnio (ridículo) e não ter sido impugnado pelo Oficial de Registro. Assim, embora muitos leigos entendam o contrário, os portadores de prenomes exóticos, extravagantes ou imorais, têm suporte legal para modifica-los e se livrarem da execração a que ficam sujeitos, restabelecendo o equilíbrio psicológico de que tanto às vezes necessitam.

            Em sentido contrário, há candidatos a cargos eletivos que preferem nomes extravagantes e se não os têm, arranjam ou destacam determinados apelidos, alguns até de infância, para chamarem a atenção dos eleitores, como se fosse esse um critério de escolha dos futuros representantes populares. Como muitos se elegem por força de tal circunstância, proliferam inúmeras indicações estranhas. A título ilustrativo, baseado em reportagem publicada pelo jornal “Correio Popular” (26/08/2012- A-14), divulgamos algumas delas em algumas cidades da região de Campinas: Arthur Nogueira (Lemão do Rodeio (PMDB), Podão (PPS), Maluco do Cavalo (PSDB), Pezão (PPS) e Zé Baixinho (PSC); Engenheiro Coelho (Buchada do Povo (PMDB), Neuza Mandioqueira (PMDB) e Zé Tomada (PCdoB);

Americana (Adelmo do Triu Virgulino (PCdoB); Maritaca (PV); Pernão da Coleta (PCdoB), Fumaça (PT), Capivara (PR), Passarinheiro (PCdoB) , Foca (PDT) e Paty Loira (PCdoB), Lulu Santos (PRB) e Sabiá (PT).

 

           

 

                                                       

 

 

Há candidatos a cargos eletivos que preferem nomes extravagantes e se não os têm, arranjam ou destacam determinados apelidos, alguns até de infância, para chamarem a atenção dos eleitores, como se fosse esse um critério de escolha dos futuros representantes populares. A título ilustrativo, cartaz postado na internet pelo radialista Luiz Carlos Baggio em seu blog “Minha Tia Amélia”.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário, mestre em Direito Processual Civil pela PUCCamp e membro das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas.



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - SOBRE O SINAL DOS TEMPOS

 

    

 

 

 

 

 

 

 

 

Encorajou-se na partilha sobre o que passara ao me encontrar sozinha. Havia em seu peito  amargura cinza-esverdeada. Era preciso exorcizá-la, em parte, através de palavras.

Acontecera há poucas semanas. Os netos e as poucas coisas foram colocados na viela. A noite chegou logo e trouxe chuva. Os utensílios domésticos, os colchões e os netos se encontram danificados. Os primeiros pela força das águas. Os últimos pela experiência forte de exclusão. A caixa com vestuários e objetos novos, entregues a ela para comercializar como emprego, alguém levou. Ela não estava. Saíra fazia pouco, levando a filha, em dores de parto, para a maternidade.

Tudo muito rápido. Veio para o Estado de São Paulo porque, em sua terra no Norte, diziam que aqui era fácil de conseguir emprego, comprar uma casinha e sobreviver com dignidade. Acreditou. Quem partia, raramente retornava. Na roça, ouvia sobre casas com suíte, escola boa, nortistas que se transformavam em doutores. Juntou o que possuía em trouxas, de acordo com a compleição física de cada filho, e se deslocou rumo ao desconhecido. Era preciso arriscar.

Na cidade, na qual moravam vizinhos antigos, fixou residência. Ajeitou-se em barraco da periferia. Alguns dos filhos se arrumaram. Outros, ao vagar pelos meandros das habitações em decadência, tropeçaram em disfarces de alegria. O álcool chegou primeiro. A pedra abriu espaço para desencontros diversos. Despediram-se em viagem para conviver com desconhecidos que tinham um ponto em comum: a miséria material que desvia e empobrece: o caráter, a convicção, o discernimento, a firmeza para reagir.

Cansada de, na distância, preparar curativos ineficazes para os filhos sinuosos, decidiu se tornar presença. Talvez os salvasse. Alugou, nas bordas da proximidade com a metrópole, uma construção de três cômodos e abrigou os oito, na soma de netos e filhos. O responsável pela construção informou que a proposta era a venda do local. Mais seguro para ele comercializar, de imediato, as “residências” diminutas da área invadida, com paredes sem orientação de técnicos. Se mandarem demolir, o problema não é mais dele. Originário, como ela, de outras plagas do Brasil da seca, retirante, migrante, assimilou, com fatos obscuros – sinal dos tempos -, que poupança se faz com o ilícito e para isso é necessário esterilizar os sentimentos bons, o respeito ao próximo, a caridade. Ela tentou conseguir o valor através da venda de um terreninho onde nasceu. Não conseguiu de imediato. Solicitou a ele mais um tempo de aluguel. O “proprietário” se calou. Talvez tivesse realmente planejado, ao ver a gravidez da filha, a ação de despejo, sem lei e sem defesa.  As crianças não reagiriam.

Alguns vizinhos tentaram cobrir as suas poucas coisas com plástico, porém não adiantou. Chamaram as crianças para dentro. Elas preferiram ficar, sob a chuva, sentadas no sofá de cobertura rasgada. Horas depois, no retorno da avó, sugeriram que chamasse a polícia. Uma pessoa desaconselhou. Poderia assoprar a fumaça consumida nas madrugadas. Propuseram justiça com a própria mão. A avó não quis. É de coração manso e humilde. Silenciou a sua dor e revolta e, sem trouxas, caminhou cm os netos pela escuridão, enquanto rezava para que a filha, que ficara na maternidade, tivesse uma boa hora.

Há situações em que não sei o que falar. Observo a dor da pessoa, através de seus olhos, e converso com o Céu. Ela quebrou o silêncio e me disse: “Sinal dos tempos. As pessoas se esqueceram de Deus”. Encontrou a sua justificativa para quem a feriu profundamente e é nela que acende sua fé, sua esperança, sua paz. Ela não se esqueceu de Deus e Ele, por certo, cuidará dela e de seu mundo.

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coordenadora Diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil



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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012
FELIPE AQUINO - ACEITE-SE PARA SER FELIZ ll

 

         

 

 

 

 

 

                 

Um caminho para a felicidade

 

 

 

Gilbert Chesterton, o grande escritor inglês, ensina que devemos pedir a Deus serenidade para aceitar o que não pode ser mudado; coragem para mudar o que pode ser mudado, e sabedoria para discernir uma coisa da outra. Quando você se aceita como é, já está se modificando. Se você não tem confiança em si mesmo, as outras pessoas também não terão confiança em você.

Não fique se comparando com outros senão a sua auto-imagem nunca será real. Sempre você encontrará gente melhor ou pior em qualquer atividade. Se preocupe apenas em servir com as qualidades que você recebeu e desenvolveu, e nada mais. Faça tranquilamente a vontade de Deus em sua vida. Seja um bom filho, um bom trabalhador, um bom pai, uma boa mãe, um esposo fiel, um funcionário honesto e competente…Se você adquirir esta maturidade, não ficará mais culpando os outros por seus erros; ao contrário, irá aceitá-los e tirará proveito deles para o seu amadurecimento. Com esta maturidade você será capaz de rir ou de chorar na hora e na medida justa, sem receios. Sua alegria ou sua tristeza virão, de fato, do interior. Assim, você saberá mudar de atitude ou de decisão, se curvará sem receios quando for necessário; será comprometido com a verdade e não com o seu orgulho disfarçado.

Li certa vez uma bela história de um garoto que queria comprar um cachorrinho; foi até a loja de animais e perguntou o preço ao dono: – Entre 30 e 50 reais, respondeu o dono da loja. O menino  puxou uns trocados do bolso e disse: – Eu só tenho 2,50 reais,  mas eu posso ver os filhotes? O dono da loja sorriu e chamou Lady, que veio correndo,  seguida  de cinco bolinhas de pêlo. Um dos cachorrinhos vinha mais atrás, mancando de forma visível. Imediatamente o menino apontou aquele cachorrinho e perguntou: – O que é que há com ele? O dono da loja explicou que o veterinário tinha examinado e descoberto que ele tinha um problema na junta do quadril, sempre mancaria e andaria devagar. O menino se animou e disse: – Esse é o cachorrinho que eu quero comprar! O dono da loja respondeu: – Não, você não vai querer comprar esse. Se você realmente quiser ficar com ele, eu lhe dou de presente. O menino ficou transtornado e, olhando bem na cara do dono da loja, e disse: – Eu não quero que você o dê para mim. Aquele cachorrinho vale tanto quanto qualquer um dos outros e eu vou pagar tudo. Na verdade,  eu  lhe dou 2,50 reais agora e 50 centavos por mês, até completar o preço total. O dono da loja contestou: – Você não pode querer realmente comprar este cachorrinho. Ele nunca vai poder correr, pular e brincar com você e com os outros cachorrinhos. Aí, o menino abaixou e puxou a perna esquerda da calça para cima, mostrando a sua perna com um aparelho para andar. Olhou bem para o dono da loja e respondeu: – Bom, eu também não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que entenda isso…

Que belo exemplo! Sempre podemos ser úteis e importantes para alguém! A pessoa que se aceita não se sente ameaçada por ninguém; ao contrário, até agradece quando é corrigida ou quando lhe dão sugestões melhores.

Não se deixe irritar e aborrecer pelas pessoas, pelas coisas e pelos acontecimentos. Sorria para os outros, para o mundo, mesmo para o céu cinzento porque atrás dele há um sol a brilhar. Viver bem pode ser a arte de aceitar as coisas da vida. Aceite aquela insônia, sem brigar com ela, sem revolta, assim ela deixará de ser sua inimiga e transformará em amiga. Aceite aquela perda sem revolta, aceita aquela doença sem amargura, trate-a como amiga.

Aprenda a transformar os males em bens e os inimigos em amigos. Aceite o vizinho desagradável, por amor a Deus, porque ele é seu irmão, e assim você o transformará em um bom amigo. A aceitação é uma poderosa alquimia que transforma o mal em bem dentro de nós mesmos. Quanto mais você rejeitar as coisas que o desagradam, mais elas se voltarão contra você como inimigos.

É muito importante também saber se colocar no lugar dos outros para poder entender os seus problemas, e aceita-los. Havia um cego sentado na calçada em Paris, com um boné a seus pés e um pedaço de madeira que, escrito com giz branco, dizia: “Por favor, ajude-me, sou cego”. Um publicitário da área de criação, que passava em frente a ele, parou e viu umas poucas moedas no boné. Sem pedir licença, pegou o cartaz, virou-o, pegou o giz e escreveu outro anúncio. Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi embora. Pela tarde o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmola. Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas. O cego reconheceu as pisadas e o perfume e lhe perguntou se havia sido ele quem reescreveu seu cartaz, sobretudo querendo saber o que havia escrito ali. O publicitário respondeu: “Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras”. Sorriu e continuou seu caminho.

O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia: “Hoje é Primavera em Paris, e eu não posso vê-la”. Veja, uma mudança de atitude pode mudar muita coisa.

Não importa a beleza do seu corpo: a feiúra é dos homens. Não importa o formato do seu nariz: o que importa é inspirar e expirar a fé. Não importa o desenho de suas orelhas, mas o que ouve a sua alma quando Deus e os outros falam. Não importa a cor e o formato dos seus olhos, mas a inocência com que ele vê as coisas. Não importa a fragilidade do seu corpo pouco atlético, mas a fortaleza espiritual do seu coração.

Não importa se você é gordo ou magro: importa que você, de qualquer jeito, seja uma pessoa que ama. Não importa se suas mãos são delicadas ou grossas, negras ou brancas: importa que elas façam o bem e enxuguem as lágrimas dos que choram. Não importa o tipo de cabelo que você tem sobre a sua cabeça, mas os pensamentos que tem dentro dela. Não importa que as suas pernas não sejam belas e bem torneadas, mas que elas sejam ágeis para fazer o bem.

Não importa que a sua voz seja grossa e seu canto seja desafinado, o que importa é suas palavras possam consolar os que choram. Não importa o comprimento dos seus braços: mas o bem que eles fazem. Não importa o perfil do seu corpo: mas a beleza do seu espírito. Não importa a cor da sua pele, mas a brancura da sua alma. Não importa que o seu corpo vá envelhecendo e morrendo aos poucos, importa que o seu espírito vá se renovando dia a dia. Não importa que um dia este mundo acabe para você, o céu é eterno.

 

              

 
 

 

 

FELIPE AQUINO   -   Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 11:34
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - COISA DE CRIANÇA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Algumas vezes eu tenho a impressão de que foi ontem mesmo que deixei de ser criança. Em alguns aspectos, na realidade, nunca deixei. Em outros, parece-me que, tal como acontece com muitos adultos, esqueço-me de que um dia eu também fui criança. O tempo, afinal de contas, furta de nós muitas coisas, embora traga outras tantas, mas não raramente leva nossa própria percepção sobre o passar dele.

            Dia desses, enquanto conversava com uma das crianças da família, filho de primos, acabei prometendo que daria a ele um presente especial, no dia das crianças. Eu de fato prometi algo que me ofereci a tanto e que nunca tive a intenção de não cumprir. Não gosto de quem promete as coisas e não cumpre, diga-se de passagem. Assim, ele me disse o que queria e ficamos combinados.

            Dias depois, enquanto eu entrava no facebook, meu priminho me perguntou se eu já havia comprado o tal boneco. O detalhe é que, para o dia das crianças faltavam ainda uns três meses e nem se passara uma semana desde que conversáramos. No dia seguinte, lá veio ele com a mesma pergunta e isso se repetiu praticamente todos os dias. Lembrei-me, de cara de outra criança...

            Quando eu tinha 5 anos, todos os dias, invariavelmente, eu atormentava meus pais para poder ganhar um cachorro. Minhas lembranças são de que fiz isso por quase uma eternidade, embora possam ter sido semanas ou meses. O fato é que venci pelo cansaço e minha mãe me avisou, uma certa tarde, de que poderia ficar com um dos cachorrinhos que iriam nascer, na casa de uma vizinha, dentro de dois meses.

            Talvez eu tenha imaginado que dois meses passariam em uma semana, mas passei a atormentar a pobre mulher, diariamente, perguntando se já os cães já haviam nascido. Mil anos depois, eu soube que enfim chegara o dia. Nascidos, passei a ir, novamente, todos os dias, perguntar se já podia pegar o meu... Sorte da vizinha que não havia facebook naquela época. No quesito insistência, deixei meu priminho para trás fácil...

            De volta para o presente, acabei de comprar o tal boneco e nem é preciso pensar muito para imaginar que já recebi mil vezes a pergunta “o dia das crianças demora?” ou “não dá para mandar pelo correio, agora?”... Ele vai ter que esperar, contudo. A duras penas (alheias, é claro, rs) eu esperei dois meses para conhecer meu tão sonhado cachorrinho, aquele que seria meu companheiro por incríveis 14 anos. Esse boneco, com certeza, até o Natal já será até assunto velho, como são passageiros muitos dos desejos infantis. Tenho certeza, entretanto, que vou adorar vê-lo receber o brinquedo...

            Por minha vez, em uma análise crítica, sou obrigada a confessar que ainda guardo essa característica em mim. Ainda sou uma insistente por natureza. Não consigo me conter, sobretudo quando alguém me promete algo. Uma criança que nem faz muita conta de se esconder, habita em mim, tal qual uma criança que, agora, acreditem, enquanto escrevo esse texto, está me chamando no facebook. O que será que ele quer saber, hein???

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA -Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:30
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A CONSTITUIÇÃO PUGNA POR UMA PROGRAMAÇÃO DE TV COM QUALIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebra-se a 18 de setembro, o DIA DA TELEVISÃO, pois nesta data, em 1950, ocorreu a inauguração da TV Tupi de São Paulo, a primeira emissora do Brasil. A comemoração foi instituído pela lei federal no 10.255, de 9/7/2001. Atualmente, é inquestionável a importância da televisão em todo o mundo e em nosso país, com a ausência de políticas públicas de diversão e cultura, ela ganha ainda maior destaque.

No entanto, a qualidade das programações em muitos casos é de indiscutível mau gosto, situação que não pode prosperar, pela próprio alcance que obtém junto ao público, inclusive crianças e adolescentes. Por isso, cresce entre amplos setores da sociedade uma indignação muito grande quanto a determinados programas, novelas, filmes e músicas, seja por reforçarem estereótipos, seja por desrespeitarem o ser humano ou pela erotização vulgar.

           Na realidade, em busca de audiência e patrocínio, assiste-se à disputa da vulgaridade e do mau gosto na maioria das redes abertas, observando-se esses aspectos até fantasiados de ajuda humana. Qualquer ação no sentido de barrar os abusos é desencorajada pelo receio de que possa ser confundida com a censura. Ledo engano. Os brasileiros têm direito a uma TV de qualidade, situação constitucionalmente perfilada.

            Com efeito, o art. 221 da Carta Magna dispõe que a produção e a programação das estações de televisão atenderão, entre outros, aos princípios de “preferência a finalidades artísticas, culturais e informativas” e “respeito aos valores éticos e sociais das pessoas e da família”. Efetivamente, o poder está vinculado à responsabilidade. A televisão, poderosa e influente, necessita ter algumas balizas éticas operativas, sem as quais ela se torna uma promotora da decomposição moral da sociedade.

          O baixo nível de determinados programas, cujos excessos expõe aos lares situações escatológicas de violência, pornografia e degradação humana, especialmente em horário nobre, contraria frontalmente disposição da Constituição Federal. E o que é pior: diante de uma injustificável inércia das autoridades e de uma cômoda omissão das pessoas em geral. Assim, nossas autoridades não podem mais permanecer indiferentes a tais desrespeitos; nem tentar justificar a ausência de critérios, sob a alegação de que eventuais condutas operativas em relação à matéria, conflitariam com a garantia da liberdade de expressão.

Espera-se por uma instrumentalização que coíba os excessos, já que há respaldo da Lei Maior para tanto, sem necessidade de ferir outros de seus preceitos. O que não se pretende prevenir hoje, talvez seja difícil de remediar amanhã. Por  outro lado, nós telespectadores precisamos ter a coragem de contestar o culto da sensação e privilegiar a qualidade de informação e de diversão.

 

 

 

           JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário, mestre em Direito Processual Civil pela PUCCamp e membro das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas.



publicado por Luso-brasileiro às 11:21
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FAUSTINO VICENTE - JUNDIAÍ DE TODOS OS TEMPOS

      

                                 

 

 

 


 

 

 

 

Estivemos ministrando uma palestra em homenagem a Mulher Ferroviária, em atenção ao honroso convite que recebemos da Exma. Diretora do Museu – Profª Karin Bizzarro. Além de algumas dinâmicas, exibição de DVD e da nossa apresentação, enriquecida com um CD com slides que montamos, apresentamos um texto de recordações do cotidiano da nossa cidade. Iniciamos assim: “Se você...dançava boleros, no Grêmio CP, ao som das orquestras City Swing e Universal...ia às quermesses da Cruzada, no pátio da Igreja São Bento...comprava sapatos na Vencedora,...fazia footing na rua Barão de Jundiaí, ao lado da Catedral N.S.do Desterro...era freguês da Farmácia Martins...foi à inauguração do Bolão...lia o jornal A Comarca...foi aluna (o) do professor Anselmo Mazzola e, da sua esposa, professora Oscarlina Mazzola...fez pic-nic, pescou ou nadou na lagoa Vila Iracema...passou em frente ao Hotel Petroni...ia a procissão de sexta-feira da Paixão, que tinha o acompanhamento da Banda do Maestro Mário de Souza...

 

tomava Café Avenida...assistiu missas celebradas pelo Monsenhor Ricci...era paciente do Dr. Nicolino de Luca...se lembra da administração do Prefeito Vasco Antonio Venchiarutti...corria pra dentro de casa, e fechava as portas, quando a boiada passava rumo ao matadouro...se lembra da visita dos alunos do Liceu (salesiano) N. S. Auxiliadora, de Campinas, em 09 de outubro de 1952...assistiu filmes no Cine Ideal...comprou peças de vestuário no Rei das Roupas Feitas... conheceu o chafariz da Vila Arens...levava sapatos para o Sr. Onofre consertar...foi à inauguração do Viaduto da  Ponte São João...fez compras no Mercado Municipal, hoje Centro das Artes Glória Rocha...,.e assistiu jogos do Paulista F. C. ,quando o campo era em frente ao Velório Central, dê graças a Deus por estar aqui, hoje.”

 

O aceno de cabeça, o sorriso nos lábios, o brilho nos olhos e a alegria pelas doces lembranças, durante o desenrolar das citações acima, evidenciaram que a beleza, também, pode estar nas rugas do rosto, no branco dos cabelos, na voz pausada ou nas  passadas lentas da terceira idade.

 

Pra você, que está nos prestigiando com a leitura deste texto e vivenciou algumas estas  situações e,  tantas outras que poderiam estar aqui destacadas, apresentamos as nossas desculpas por não serem mencionadas por absoluta falta de espaço. O Museu da Cia. Paulista de Estradas de Ferro tem uma importância singular para a vida da nossa cidade, pois ele é “a testemunha ocular da história” das transformações econômicas, sociais, sindicais e culturais de Jundiaí, e de grande parte do interior do estado de São Paulo.

 

Ligando cidades, fazendo circular riquezas e transportando pessoas, o trem teve papel significativo na logística dos tempos idos. Esse meio de transporte, negligenciado  pelos governantes brasileiros, tem até hoje, máxima importância para a economia dos países desenvolvidos. Da antiga “Maria Fumaça” ao supermoderno Trem Bala que “voa” a 300 quilômetros por hora, a ferrovia mantém a sua importância, hoje, com o valor agregado da tecnologia da nova estrada – a infovia.

 

Registramos, como justo reconhecimento, o sucesso de empresas genuinamente jundiaienses  que, graças ao espírito empreendedor de seus executivos, há décadas desenvolvem o progresso da indústria, do comércio, da prestação de serviços e da nossa agricultura, principalmente do cultivo da uva, – legado da saga dos imigrantes italianos.

 

Não há necessidade de destacar nomes, pois a massa consumidora sabe reconhecer as organizações que investem em excelência de gestão. O poder público e a iniciativa privada da cidade souberam  vencer  o desafio  das descobertas científicas, das inovações tecnológicas e da globalização, posicionando Jundiaí como uma das mais pujantes cidades do Brasil.

 

Visitar um museu é ratificar a certeza de  que o passado estará sempre presente no nosso futuro.

 

 

 

 Faustino VicenteConsultor de Empresas e de Órgãos Públicos. Professor e Advogado – e-mail: faustino.vicente@uol.com.br -  Jundiaí (Terra da Uva) – São Paulo - Brasil .



publicado por Luso-brasileiro às 11:12
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FRANCISCO VIANNA - HUGO CHÁVEZ GARANTE QUE HAVERÁ GUERRA CIVIL CASO NÃO SEJA REELEITO

 

 

 

 

 

(da mídia internacional)

Quarta feira, 12 de setembro de 2012

 

 

O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tem estado de muito mau humor ultimamente, provavelmente ao sentir que suas possibilidades de ser novamente reeleito parecem minguar inexoravelmente. Então o irado caudilho resolveu engrossar de vez e adotou uma linguagem mais violenta para meter medo no povo e parece disposto a ser eleito na marra, mostrando que falta pouco para eliminar os últimos resquícios de democracia no seu país. A tática do medo substitui a fracassada tática de despertar simpatia e até piedade por parte do eleitor em função de sua doença. Sua campanha, cujo lema é “coração venezuelano”, deixou de vender a imagem petista de “Chávez paz e amor” e, em discursos de uma ira mal contida, ameaça agora o eleitor venezuelano com uma guerra civil que ele tem como certa caso perca as eleições de 7 de outubro próximo para seu concorrente Henrique Capriles.

 

Os venezuelanos estão embasbacados com tamanha irresponsabilidade por parte de um presidente que diz uma coisa de tal teor que vai contra todos aqueles que acreditam ainda que vivem numa democracia. Imagine o eleitor votando com um revólver apontado para a sua cabeça pela mão de um homem que lhe diz: “vote como achar que deve, mas se não votar no presidente, poderá nunca mais votar”... Modus in rebus, a situação é equivalente.

 

Muitos devem estar perguntando: “Mas, o que é isso? Como um presidente que é o comandante em chefe das forças armadas do país e de outras milícias que mal intencionadamente organizou, vem a público “garantir” que haverá guerra civil se ele não for eleito?” “Como poderá haver ‘eleições livres e limpas’ no país sob tamanha ameaça?”

 

O absurdo de tal declaração faz supor tratar-se de um gesto demente gerado pelo desespero, não apenas da doença que o consome, mas das inúmeras pesquisas de intenção de voto que mostram Capriles com uma vantagem que provavelmente se ampliará até a eleição, a não ser que a ‘tática do medo’ – terrorismo de governo – dê certo. Um juiz da Corte Suprema de Justiça chegou a dizer que talvez seja necessário manter o presidente numa ‘camisa de força’ e internado em uma instituição psiquiátrica.

 

Num momento de “semancol”, o tiranete chegou a dizer pela TV, que havia sido “mal interpretado” pela mídia, que é o seu saco de pancada predileto e desculpa para toda a sua incompetência e descaminho governamental. Mas o mundo inteiro está exibindo as imagens do aprendiz de ditador brandindo a ‘guerra civil’ como ameaça para intimidar o eleitor.

 

A maneira rude e debochada com que Chávez trata o seu concorrente ao Palácio Miraflores vem criando um crescente mal estar entre os venezuelanos, o que contrasta com a campanha “coração venezuelano” que, no início, tentava mostrar o tenente coronel como uma pessoa amorosa, cristã, e preocupada com o bem estar do povo. Como isso sempre soou cínico e oportunista, o eleitor venezuelano parece não quere engolir essa pílula dourada no populismo e na demagogia. O eleitor da Venezuela está cansado das lorotas de Chávez e o país está em queda livre tanto política como economicamente. Embora a curriola de Chávez já tenha gasto milhões na campanha, de nada adiantou porque Capriles aparece à frente em diversas enquetes.

 

Então o jeito foi tirar a mascara de “bom moço” e partir para ignorância (sua especialidade) e apelar para a ameaça e o medo para tentar ganhar a eleição “na marra”. Um ex-deputado disse que, “para Chávez, o medo é um instrumento que ele usa em benefício próprio e, em face da possibilidade real de seu adversário vencer a eleição, a Venezuela agora teme um golpe continuísta caso Capriles seja o eleito”. E conclui: “dessa maneira, as pessoas terão que arranjar coragem cívica para ir votar e coragem de expor a vida para defender o resultado da eleição”. É esse o medo que Chávez quer incutir nas pessoas, no seu povo empobrecido pelo “socialismo do século XXI” e que tem uma tradição especificamente pacifista.

 

Tais ameaças são particularmente preocupantes pelo enorme poder o mandatário acumula em suas mãos, que não apenas é o chefe do poder militar, como também tem um controle quase absoluto sobre o Legislativo e o Judiciário do país. Sem falar no controle que exerce sobre as milícias paramilitares que ele mesmo organizou, compostas de milhares de civis armados até os dentes que o obedecem diretamente e não aos generais e almirantes das forças armadas regulares do país.

 

 

 

 

 

FRANCISCO VIANNA   -    Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil.



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PAULO ROBERTO LABEGALINI - TUDO EM FAMÍLIA

 

                                                 

 

 

 

 

Li Cunxin nasceu no ano de 1961 durante o governo chinês de Mao Tsé Tung, sexto filho de um total de sete. A hora das refeições era sempre triste, conta ele, porque sua mãe, muitas vezes, não tinha o que cozinhar. Inhame seco era a base da alimentação na maior parte do ano. Ocasionalmente, havia pão de milho, farinha na dispensa e, por isso, guardados para oferecer a visitas importantes.

Às refeições, as sete crianças ficavam esperando que o pai começasse a comer. Almoçavam inhames secos ou cozidos, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Os pais comiam bem devagar para que sobrasse mais para os filhos.

A mãe dizia aos menores que deixassem a melhor porção para o pai, pois era ele quem garantia o sustento, mas o pai sempre arranjava desculpas e pedia que dessem a melhor parte para a mãe. Não fosse ela, enfatizava, nada teriam para comer senão‘vento noroeste’. Uma vez por mês, após enfrentarem longas filas, podiam comprar um pedaço de porco gordo.

E Li Cunxin narra em suas memórias que, numa tarde, sua mãe o mandou comprar carne no açougue da comuna onde moravam. As filas eram enormes. Ele esperou mais de uma hora e, finalmente, conseguiu comprar um pedaço pequeno de carne porco. Saiu a correr e a saltar de felicidade por sua conquista.

Sua mãe cortou a carne em pedaços pequenos, igualmente feliz pela gordura que iria durar, com certeza, um bom tempo. Naquela noite, quando foi servida a carne com acelga, todos podiam ver o óleo precioso flutuando no molho.

Certo dia, um dos meninos encontrou um pedaço de carne de porco em sua porção. Sem pestanejar, colocou no prato do pai. Este repassou imediatamente a carne para o prato da mãe. Ela devolveu, dizendo:

– Não seja tolo! Fiz a comida especialmente para você. Precisa ficar forte para trabalhar!

Próximo ao pai estava o filho mais novo. O pai olhou para ele, chamou-o pelo nome e disse:

– Deixe-me ver seus dentes.

Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, ele colocou a carne na boca do filho. O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo longo suspiro da mãe. Sempre era assim: um raro pedacinho de carne em uma tigela de vegetais era passado de um para outro. Os olhos famintos pediam mais, mas sempre faltava. Todos sabiam que era difícil conseguir comida.

Assim era a vida naquela família, onde o pai trabalhava da madrugada ao entardecer por miserável pagamento mensal e a mãe lavava, limpava, cozinhava, costurava e, ainda, ia trabalhar no campo para conseguir um pouco mais de recursos.

Cuidado uns com os outros, é isso que o fato narrado nos ensina. Será que em nosso lar estamos passando esses valores para nossos filhos? Lendo a história da miséria vivida por Li Cunxin, podemos pensar que jamais seremos tão pobres a ponto de disputar um alimento. O importante a ressaltar é que cultivemos o amor – esse sentimento que se demonstra em pequenos gestos, em preciosas doações. Pode ser: ofertar uma flor, um favor, um mimo. Pode, com doçura, se resumir em fitar os olhos do outro e perguntar:

– Você está muito cansado? Como foi o seu dia? Que posso fazer para você se sentir melhor?

E isto não pode acontecer somente em família, mas também com pessoas que precisam de nossos cuidados, sejam ricas ou pobres. Você pensa nisso? Sua consciência está tranqüila? Às vezes, meio por instinto, agimos corretamente sem querer, mas isso não pode acontecer só esporadicamente. Cristão que honra a condição de ser filho de Deus precisa ter um comportamento digno com freqüência. Esta historinha mostra que a sorte nem sempre está conosco e, um dia, a máscara cai:

Os pais levaram o filho de oito anos e a irmãzinha de sete para a igreja. Eles sentaram na primeira fila para que o filho pudesse apreciar bem a missa, mas ele adormeceu no meio do sermão. O padre notou e decidiu dar-lhe um susto. Então, fez uma pergunta direta para ele:

– E você, meu jovem, diga: quem foi que criou o céu e a terra?

A irmã do guri espetou um alfinete na perna do menino, que acordou de sobressalto e gritou:

– Meu Deus!

– Muito bem, meu filho – disse o padre.

O pessoal que estava por perto olhou para o menino, mas daí a pouco ele voltou a dormir e o padre viu que precisava acordá-lo outra vez. Então perguntou:

– Responda-me agora, quem foi o filho de Maria e José?

A menina voltou a enfiar um alfinete no menino, que disse alto:

– Jesus!

O padre percebeu o que aconteceu, mas não podia dizer nada. O povo prestou ainda mais atenção no menino que deu a resposta correta, mas logo depois ele cochilou novamente e o padre questionou:

– O que disse Pedro para Jesus quando andava sobre as águas e começou a afundar?

Assim que a irmãzinha deu-lhe outra alfinetada, o menino berrou:

– Se você fizer isso comigo de novo eu lhe arrebento a cara!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - SERÁ NOVA MODA ?

 

 

                                              

 

 

 

 

 

 

 

Correu em Coimbra, o julgamento de menores, envolvidos no abuso sexual a colega de 12 anos.

Trago este caso à presença dos leitores, porque ilustra, e bem, o estado a que chegou a juventude, resultante da lavagem cerebral, que ao longo dos anos a mass-media tem realizado nas camadas mais jovens,

O descuido dos pais, a educação livre de “preconceitos”, tanto do agrado de libertinos, a perda de valores e o ateísmo que campeia na sociedade, incentivado por quem confunde liberdade com libertinagem, leva a casos como este.

Mas vamos aos factos relatados no “ Correio da Manhã” de 09/06/2012.

Um jovem torna-se amigo de estudante da escola que frequenta.

A determinado passo, pede à colega, que tem 12 anos, foto ao natural, e ela não viu inconveniência.

Na posse do retrato da menina nua, começa a exigir, sob ameaça de a mostrar a colegas e aos pais, relações sexuais.

Com o andar do tempo, a mocinha viu-se constrangida a aceitar agressões e aceder que as cenas fossem filmadas e assistidas por outros colegas da escola.

Receosa, tudo fazia, até o dinheiro para alimentação, que os pais lhe davam, tiravam-lhe. Desesperada, violada semanalmente pelos colegas, humilhada por todos, terminou por tentar suicídio, cortando-se com vidros.

A vitima - apesar da pouca idade, - também é , a meu ver, responsável, já que achou natural dar a colega, foto em que aparecia nua.

Caso semelhante aconteceu, igualmente, em Coimbra. Interveniente no caso acima descrito, tinha namorada de 14 anos, e como lhe pedisse fotografia, esta entregou-lhe uma em que estava despida.

O resultado foi ser chantageada, e não teve outro remédio senão entregar-lhe corpo e dinheiro.

Casos semelhantes de entrega de fotos sem roupa, chegam ao nosso conhecimento, ocorridos em escolas ou Internet.

Não culpo as jovens, que são vítimas da influência nefasta da televisão. Internet e até da imprensa, que sem pudor, mostra fotos obscenas no “Relax”; e também por “ conselheiras” de revistinhas femininas, verdadeiros antros de perversão de jovens, acicatando-as a entregarem-se ao prazer livre e irresponsável.

As mocinhas, e também rapazes - mormente na puberdade, - são presas fáceis desses torpes verdugos, que as desrespeitam e as animalizam, tornando-as despudoradas, transformando-as em puros objectos de prazer.

Que futuro terá a nossa sociedade? …a mesma, certamente, de todas que descambaram na lama imunda. 

 

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



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EUCLIDES CAVACO - TERROR EM NOVA IORQUE
 
                                     
 
 
 
TERROR EM NOVA IORQUE Apesar dos 11 anos que nos separam da grande tragégia que fez estremecer o mundo o tempo não fez esquecer as nefandas memórias deste tétrico momento . Aqui lhe deixo a minha versão poetica desta tragédia, declamada por Anna Muller, que poderá ver e ouvir  aqui neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Terror_em_Nova_Iorque/index.htm
Euclides Cavaco cavaco@sympatico.ca
 
 
 
EUCLIDES CAVACO   -   Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá
 
 

 

 

 

ACABA DE SAIR O NUMERO DE OUTUBRO DO "FRI-LUSO", PUBLICAÇÂO AO SERVIÇO DA COMUNIDADE PORTUGUESA NA SUIÇA.
 
 

 
 
 
                                   
          http://friluso.no.sapo.pt
 

 

 

 

 

 

JÁ SAIU O NÚMERO DE SETEMBRO DO:  "JORNAL POVO DE PORTUGAL!

 

 

    

 

                                                                           www.jornalpovodeportugal.eu

 

 

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 11 de Setembro de 2012
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - APROVEITEMOS A SEMANA DA PÁTRIA PARA REFLETIR SOBRE A NOSSA PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

 

 

                       

     

 

 

 

Além de votar e ser votado, todo cidadão deve fiscalizar os eleitos, cobra-los e reivindicar por seus anseios fundamentais, cumprindo desta forma, uma das obrigações legais inerentes à cidadania. É preciso acabar com a comodidade de simplesmente ir à zona eleitoral. Proclamados os resultados, a partir daí é que efetivamente se inicia o maior procedimento de participação popular: observar e tentar corrigir quando preciso, o trabalho dos escolhidos pelo povo.

 

 

Brevemente ocorrem as eleições municipais o que aumenta a nossa responsabilidade como cidadãos na escolha dos futuros representantes populares, que cuidarão dos destinos de milhares de cidades nos próximos quatro anos e um pleito eleitoral se revela num dos mais importantes instrumentos do exercício da cidadania.

Para Meirelles Teixeira, “a cidadania consiste na prerrogativa que se concede a brasileiros, mediante preenchimento de certos requisitos legais, de poderem exercer direitos políticos e cumprirem deveres cívicos”. E explica: o conteúdo da condição ou “status” de cidadão consiste, portanto, no gozo de direitos políticos (“Curso de Direito Constitucional”, Ed. Forense, 1991). . Na nossa visão, entretanto, tal circunstância deve ser manifestamente abrangente. Com efeito, além de votar e ser votado, todo cidadão deve fiscalizar os eleitos, cobra-los e reivindicar por seus anseios fundamentais, cumprindo desta forma, uma das obrigações legais inerentes a esta condição.

É preciso acabar com a comodidade de simplesmente ir à zona eleitoral. Proclamados os resultados, a partir daí é que efetivamente se inicia o maior procedimento de participação popular: observar e tentar corrigir quando preciso, o trabalho dos escolhidos pelo povo. Para se combater problemas como a desigualdade social, a corrupção, a violência, e tantos outros, é necessário mais que a simples indignação. Tal percurso passa pela organização cada vez maior da sociedade civil e pelo exercício concreto da cidadania, também no cumprimento de se exigirem posturas compatíveis com as necessidades fundamentais da população, garantindo-lhe seus direitos básicos e que são o sustentáculo da vida social.

Como já se disse, a solidariedade e a capacidade de reivindicar são armas poderosas e imprescindíveis, que nos outorgam a convicção de que, apesar das adversidades, somos e devemos ter capacidade de resistir ao embrutecimento espiritual e moral, tão bem produzidos por uma cultura consumista, embasada exclusivamente pelo poder econômico, muitas vezes, estritamente ligado à área política. Assim, as atividades parlamentares e do Poder Executivo necessitam ser permanentemente acompanhadas visando a promoção do bem-estar de toda a comunidade, respeitados o desenvolvimento sustentável e a proteção ecológica.

Atuar no sentido de propiciar uma vida mais digna para todos é, inclusive, um dever constitucional, dispondo a Constituição Federal ser obrigação do Estado erradicar a miséria. Daí a enorme responsabilidade dos órgãos do Poder Público na consecução de tais objetivos primordiais,  infelizmente,  quase  nunca observados. Todavia, só conseguiremos atingir um mundo melhor se respeitarmos e obedecermos as normas do Direito em geral, os direitos humanos e os ditames do bom-senso na gestão dos negócios públicos, cobrando permanentes posturas de nossos representantes. Além do mais, a participação de todos é de suma relevância.

 Por isso e para tanto, precisamos considerar o próximo como nosso irmão e aproximarmo-nos de Deus, o grande ausente na maioria das questões que afligem a humanidade. O saudoso Papa João Paulo II apontou sete condições para o restabelecimento da paz: 1) educação e consciência ecológica; 2) o respeito pela vida desde o útero materno até o seu fim natural; 3) a dignidade da pessoa humana que supõe a igualdade de dignidade de todos, 4) o zelo pelos direitos humanos, 5) uma nova ordem econômica, 6) a ética na política e 7) diálogo inter-religioso em favor da unidade. Que tal nos esforçarmos para colocá-las em prática?

Na trilha para modificarmos a situação do país transcrevemos parte do editorial publicado pelo jornal “Pioneiro” de Caxias do Sul (23/07/2007 – pág. 04 – OPINIÃO): “Características tão arraigadas não podem ser encaradas como imutáveis, nem devem gerar a ilusão de que podem ser enfrentadas com facilidade. O primeiro e decisivo passo para a mudança será dado quando a sociedade se decidir de vez a cobrar menos improviso e mais planejamento de seus governantes e os administradores públicos ouvirem o clamor por mais eficácia. Se cada cidadão fizer a sua parte, privilegiando a ética nos seus próprios atos e cobrando o máximo de seriedade dos governantes e das instituições, de forma permanente, o país poderá se encaminhar finalmente para deixar no passado essa imagem de displicência e de leniência”.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário, mestre em Direito Processual Civil pela PUCCamp e membro das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas.

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:26
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - QUANDO O PERDÃO ASSUSTA

 

            

 

 

 

 

 

Surpreendeu-me a reação dela. Temerosa por um reencontro, aproximava-se da entidade quando a pessoa por ela agredida e as que testemunharam não se achavam. Fazia tempo. Na época carregava o poder da agressividade. Seu jeito valente, ao se deixar possuir pelo álcool ou pelas drogas, atemorizava os que vagavam, como ela, pelas ruas. Porte altivo, gíria da malandragem, fala com som estridente e faca na cintura intimidavam a ponto de lhe entregarem valores e objetos. Chegara a cobrar pedágio das mulheres que se prostituíam na praça. A quantia era estipulada para o início da madrugada. Procuravam um jeito, mesmo que a noite fosse deserta, a fim de “honrar o compromisso”. Promessa desfeita poderia se transformar em sangue. Seus olhos embaçados declaravam que era capaz de qualquer coisa se tivesse sua “autoridade” arranhada.

Naquele dia distante foi assim: uma mulher lhe prometera uma porção em dinheiro que não possuía, para fugir do cerco do perigo. Não cumpriu. No dia seguinte, foi em busca do débito em reunião da Igreja. Esperou-a na saída da sala, enquanto uma a uma foi obrigada a lhe entregar certa quantia, às vezes o correspondente à passagem de ônibus. A devedora encolheu-se, enquanto ela proferia palavras de ordem e de vingança. Tentaram proteger a verdadeira vítima. Vieram os primeiros bofetões sem destino determinado, que prosseguiram na escada, na rua... Apanhou a mulher e quem tentava resguardá-la. Um homem, de vida marginal anteriormente, interrompeu sua fúria, estancou a perversidade que aflorara em sua mente insana e a colocou em fuga na lucidez.

Depois do acontecido, por alguns anos não se soube mais dela. Diziam que fora assassinada em uma briga ou por dívida no tráfico. Não faz muito que ressurgiu. Os sentimentos acalmados. A vida continua dura, mas enfrentá-la ao lado do companheiro que a tirou da situação de sarjeta é preferível ao incerto. Sobraram-lhe poucos locais, fora de casa, para um convívio no equilíbrio. Retornou, portanto à entidade, mas em horário em que não corresse o risco de desforra. Conhecia bem o mundo e o submundo, que condena e pune, sem espaço para indulto.

Naquela manhã, chegara ao local carregada de medos. Assustou-se ao ver quem agredira. Maior, contudo, foi seu espanto ao se perceber perdoada. A instituição acredita que é possível o reconstruir-se para todo ser humano, por mais danificado que esteja, e que, para isso, são indispensáveis pedir perdão, ser perdoado e perdoar a si e aos outros.

Na entidade, se fez presença o sonho de Deus e a moça regressou para casa vestida de esperança do céu.

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coordenadora da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí.



publicado por Luso-brasileiro às 19:20
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