PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 25 de Novembro de 2012
EUCLIDES CAVACO - MEU BURGO - POEMA FEITO FADO
 
   
 
 
 
 
Prezadíssimos amigos
MEU BURGO - Poema feito fado É o tema interpretado pelo pelo meu grande amigo ALFREDO LOURO com o qual presto tributo à peculiar cidade de Oliveira de Azeméis e mais particularmente ao maravilhoso grupo de amigos que ali tenho a honra de possuir e sempre me recebem com um carinho muito especial. Escute e veja este fado, aqui neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Meu_Burgo/index.htm

Com as minhas calorosas saudações
 
Euclides Cavaco  - Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá
cavaco@sympatico.ca

 

 

 

 

 

 

 
 


publicado por Luso-brasileiro às 18:50
link do post | comentar | favorito

Sábado, 17 de Novembro de 2012
PAULO ROBERTO LABEGALINI - SENTIMENTOS QUE NÃO PASSAM

                                                              

 

 

 

 

Quando servi o Exército em Itajubá – NPOR, 1975 –, eu ainda estava amadurecendo na personalidade que carrego hoje. E quando converso com amigos daquela época, vêm à mente algumas imagens agradáveis e outras recordações um pouco tristes. O importante para mim é concluir que o saldo é positivo a favor de momentos felizes.

 

Um dia em particular marcou minha vida de aluno aspirante a oficial da reserva. No exercício de ‘Fuga e Evasão’, éramos prisioneiros e conseguimos fugir do acampamento inimigo. Apenas nove pessoas resolveram escapar num momento de desatenção dos guardas, e eu estava no grupo.

 

Fazia frio e chovia muito nas montanhas, contribuindo para o nosso sofrimento, já que vestíamos apenas calção. E partimos em direção à cidade de Maria da Fé, lugar ainda mais frio; mas o que incomodava muito era a fome. Estávamos há 24 horas sem comer e ficamos felizes quando avistamos uma casinha no campo.

 

Ao nos aproximarmos, uma senhora veio ao nosso encontro e, imediatamente, ouviu o pedido meio incomum do aluno Rennó:

 

– Dona, a senhora tem um arrozinho com ovo pra gente comer?

 

A resposta alegrou nossos corações:

 

– Tenho sim. Já fiz a janta de hoje e vou servir vocês. Esperem um pouco.

 

Devia ser mais ou menos 10 horas da manhã e, para nossa sorte, até o jantar estava pronto naquele abençoado lar. Imaginamos que era mais prático e econômico fazer a comida de uma só vez, antes do almoço, mas, por nossa causa, aquela senhora teria que cozinhar tudo de novo!

 

E logo chegaram os nove pratos bem caprichados. Não lembro exatamente o que tinha de comida, mas sei que havia feijão, arroz, tomate e carne de porco. O ovo que o Rennó pediu, não recordo se fazia parte do cardápio. E comemos como padres! Hehehe...

 

Abastecidos, chegamos a Maria da Fé e as áreas alagadas não nos permitiram continuar. Ficamos abrigados numa oficina mecânica, aguardando a chuva passar. Como o aluno que mais tremia de frio era eu, aceitei vestir um macacão todo sujo de graxa, que me salvou de ‘morrer congelado’.

 

À noite, o pai de um dos fugitivos chegou para nos levar de caminhonete para Itajubá. E após o banho, pedi à senhora da pensão onde eu morava ir comprar um lanche na padaria, pois eu não podia me expor na rua para não ser preso pelos inimigos.

 

Bem, mas sabe por que estou contando tudo isso? Na verdade, quero me reportar a um sentimento de ingratidão que guardo no coração, porque não me lembro como agradeci – e se agradeci – as pessoas que me ajudaram. ‘Obrigado’ eu acredito ter dito, mas somente isso foi muito pouco! Hoje, não sei se estão vivas, nem mesmo alguns rostos ou lugares que viviam me recordo. Como reparar isso?

 

Eu rezo pela senhora da casinha no campo, pelo mecânico que me emprestou o macacão, pelo pai do amigo que nos transportou na caminhonete e pela dona da pensão – esta sim, sei que já faleceu. Peço a Deus que tenham paz abundante assim na Terra como no Céu, mas ainda carrego um pouco de culpa por não lhes ter retribuído todo o bem que fizeram. Na época, por alguns meses sustentei o desejo de ir a Maria da Fé levar um presente ao mecânico, mas nem o macacão devolvi pessoalmente – seguiu pelo caminhão de leite.

 

Então, não somente eu, mas também você, leitor, temos que aproveitar todas as oportunidades para retribuir o amor que recebemos. Não podemos deixar os agradecimentos de cada dia para depois, porque novas oportunidades poderão não existir.

 

Na semana passada, fui convidado a proferir duas palestras: uma em Itajubá e outra em Pedralva. A primeira fez parte da programação da Semana da Enfermagem e ocorreu na excelente Escola de Enfermagem Wenceslau Braz. O tema que propus falar foi o título de um de meus livros: Mensagens que agradam o coração. E falei de amor, de paz e de motivação para servir o próximo com alegria. Com mais de 200 pessoas presentes, encerrei a palestra cantando e, pela graça de Deus, fui muito aplaudido.

 

No sábado, em Pedralva, lugar que me ‘adotou como filho’ e me faz sentir em casa, falei para um grupo de católicos no centro pastoral da Paróquia São Sebastião. O local também estava lotado e o tema foi o título de outro livro: Minha vida de milagres. Muita gente se emocionou comigo e lágrimas rolaram quando me referi às graças que alcancei de Nossa Senhora. Depois, eu e minha esposa recebemos algumas homenagens e cantei com os amigos na missa da noite.

 

Em cada lugar, fiz questão de agradecer imensamente o carinho que recebi. Cheguei a dizer: ‘Deus lhes pague pela caridade que estão dirigindo a mim’. Enquanto não tive certeza que entenderam a gratidão que eu sentia pelo caloroso acolhimento, insisti no agradecimento.

 

Amar como Jesus amou não é fácil, porém, amar como percebemos que somos amados por tanta gente é o mínimo que o mundo espera de nós. Há carinho suficiente emanando dos corações e não temos o direito de segurar isso conosco, sem retribuir. Faça também a sua parte para não se arrepender.

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

.

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:50
link do post | comentar | favorito

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - UM POUCO DE TUDO

 

 

 

 

 

 

            Acho que isso não acontece somente comigo, embora eu nunca tenha conversado com outros cronistas ou escritores sobre essa questão, mas muitos de meus textos nascem depois dos títulos. Muitas vezes um título me vem à cabeça, sem que eu faça a menor idéia do que é que virá a seguir, nem do que significa.

 

            Hoje mesmo, ao acordar, lembrei-me de que meu prazo para o texto semanal estava expirando. Como de costume, comecei a pensar sobre o que iria escrever, quando me veio a mente a frase “um pouco de tudo”... Já era um começo: eu tinha um título, porém, nem imaginava o conteúdo.

 

            Enquanto preparava meu café da manhã, refeição que não dispenso jamais, continuei refletindo sobre o que “um pouco de tudo” podia significar. Comi a minha fruta, tomei iogurte com pedaço de bolo e depois meu café preto com pãozinho aquecido na torradeira. De fato, pensando bem, eu tinha comido um pouco de tudo que eu tinha para o desjejum, mas ainda não era isso...

 

            Corri para fazer feira, como de costume. A menos de 200 metros de casa, sempre é uma atividade que me diverte. Converso com os feirantes, dou risadas, escolho frutas, verduras e legumes. Gosto dos aromas, dos sabores dos pedaços que me vão sendo oferecidos, das cores. Admiro as mudas de plantas medicinais, de flores, os botões de rosa que são oferecidos a qualquer mulher que passa e ainda admiro a criatividade dos feirantes na tentativa de atrair a clientela. Enfim, uma grande dose de um “pouco de tudo”...

 

            Voltei para casa ainda sem ter certeza do que é que me inspirara pela manhã. Guardei as coisas, coloquei água nas plantas, limpei meus aquários, mandei meus cachorros para o banho e coloquei espigas de milho frescas para minhas calopsitas. Depois, aproveitei para marcar horário na manicure, terminei de ler um livro e arrumei uma gaveta com cacarecos. Nada, contudo, de saber o que raios era “um pouco de tudo”!

 

            O tempo estava correndo, eu só tinha uma hora para enviar o texto e o pânico começou a bater. Quando eu sei sobre o que vou escrever, consigo preencher a página em menos de meia hora, mas hoje, tudo o que eu via era um grande vazio. Eu ainda tinha que escrever, enviar, tomar banho, almoçar, ir trabalhar, fazer as unhas e dar aulas à noite. Meu medo não era o restante do dia, mas era não dar conta daquela parte, ou seja, de conseguir escrever antes que fosse tarde demais...

 

            De repente, tive uma epifania: só podia ser isso. Meu texto de hoje seria exatamente um pouco do meu tudo, contando um pouco de tudo, sobre um pouco do tudo que faço, sobre um pouco do todo, pequeno, que sou...

 

 

 

 

 

 



 
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo


publicado por Luso-brasileiro às 14:47
link do post | comentar | favorito

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - FÍSTULAS QUE EXPLODEM

 

   

 

 

 

 

 

 

Creio que todo ser humano está sujeito a fístulas no emocional, com maior ou menor frequência, de acordo com sua história e o seu agora. Nas situações passageiras, as fístulas podem murchar e o pus ser absorvido sem sequelas pelo pensamento ou por atos que enobrecem como o de perdoar. Quando um fato, contudo, embora sórdido, se incorpora no cotidiano de alguém, as consequências podem ser trágicas.

Quantos casos de mulheres agredidas dentro de casa. Nada está bom. O companheiro, por certo mal resolvido, destila na mulher as suas frustrações através de palavras e hematomas. Não há nela algo que o agrade, com exceção de enxergá-la como um saco apropriado para ensaiar  a luta de boxe de suas insatisfações. E a mulher, presa a um ou mais fios - como os filhos e a esperança de que ele recupere os sentimentos de ternura dos primeiros tempos -, sobrevive aos socos e aos tombos, embora algo, que ela desconhecia, cresça por dentro e os lábios, outrora de mel, se tornam de bílis. Criativo em seus desencontros, ele busca outras formas de humilhá-la, de fazer dela uma insignificância. Dentre essas maneiras, trazer outra mulher para dentro de casa e exigir que a companheira a respeite e a veja, naqueles instantes, como a preferida dele, é uma delas. E se a companheira fala em separação, o homem anuncia que a encontrará em qualquer lugar do mundo e a matará. E se a companheira busca a lei, ele encontra um caminho que a leve a se arrepender, por medo ou sonho, e arquivar o clamor.

Na fístula emocional, com denúncia ou não, o pus cresce. E uma hora, perdida em suas conclusões solitárias sobre a melhor maneira de reagir, ela tira a vida dele, na crença de que, assim, destruirá os fantasmas que a assombravam. Existe sempre, porém, o dia seguinte. É nesse dia que ela se encontra consigo mesma. Vem um arrependimento intenso, não tanto pelas grades que a afastam do convívio com os filhos, com a sociedade, mas por se sentir capaz de atrocidades. Grita que não é um monstro, mas os do entorno a olham, enjaulada, como se fosse. Na verdade, passou por uma “capacitação” para a morbidez, treinada por um psicopata que a contaminou, sem que ela buscasse a medicação certa.

Fica uma angústia sobre como prosseguir. Tem consciência de que jamais esquecerá o acontecido. Deseja, um dia, retomar seus passos na normalidade de atitudes e emoções. Perdeu-se, não há dúvida, do discernimento e exercitou a crueldade que abominava.

Há um ensinamento de São Josemaria Escrivá de que gosto muito. Ele afirma: “O inimigo quase sempre age suavemente. E depois, quando parece não haver remédio, tenta um desespero como de Judas, sem arrependimento”.  Apagar as atitudes é impossível. O trato da fístula, todavia, em carne viva, no qual creio, é através do reconhecimento do erro, sem se justificar, e da fé na misericórdia de Deus, que perdoa e reconstrói.

É urgente uma estrutura maior para o tratamento dos violentadores, a fim de que os violentados não se tornem discípulos da violência.

 

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coord. Diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 12:40
link do post | comentar | favorito

FELIPE AQUINO - PODE A ALMA SAIR DO CORPO E VOLTAR A ELE ?

 

 

 

 

 

As pessoas narram certas experiências vividas, segundo as quais a sua alma teria deixado o corpo e viajado pelo espaço, de tal modo que a pessoa viu o seu corpo estando fora dele. Isto é real, pode acontecer?

 

 

Bem, a Igreja Católica diz que somos formados de duas realidades unidas: corpo e alma; cuja separação significa a morte da pessoa. O Catecismo da Igreja explica que: “A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a “forma do corpo” (Concílio de Viena, 1312: DS 902); ou seja, é graças à alma espiritual que o corpo constituído de matéria é um corpo humano vivo; o espírito e a matéria no homem não são duas naturezas unidas, mas a união deles forma uma única natureza” (§365).Portanto, se a alma deixar o corpo, a pessoa experimenta a morte. Se esta voltar ao corpo, será então um caso de milagre de ressurreição, como Jesus fez com Lázaro, a menina Talita, o filho da viúva de Naim e outros casos.

Assim, não tem base teológica a afirmação de que algumas pessoas viveram a experiência de “sair do corpo”, e continuaram vivas. Isto pode ser devido a alguma sugestão ou algo que a ciência deva explicar.

 

 

 

 

No dia 24 de agosto de 2007, o jornal  “Folha de São Paulo”, publicou uma matéria sobre neurociência, sob o título “Realidade virtual faz pessoa se sentir “fora do corpo””  (Eduardo Geraque) sobre uma matéria publicada na Revista “Science”, onde se diz o seguinte:

 

“Você é você ou o seu avatar (representação virtual)? Ao depender dos experimentos apresentados hoje na revista “Science”, essa pergunta é cada vez mais pertinente. Dois grupos de pesquisa conseguiram iludir o cérebro a partir de estímulos visuais e fazer com que a pessoa real pensasse que era a virtual. O grupo liderado por Olaf Blanke, do Hospital Universitário de Genebra, conseguiu quebrar a ligação que existe entre a autoconsciência e o corpo físico a partir de um experimento até simples. Os voluntários, com óculos 3D, foram colocados diante de uma câmera. A imagem projetada para o ser real era das suas próprias costas. Uma caneta passou a ser pressionada, ao mesmo tempo, tanto na pessoa quanto na sua representação virtual. Os voluntários eram deslocados e então solicitados a voltar ao lugar onde estavam antes. E eles foram na direção do clone virtual”.

 

O estudo, diz o autor, prova que o conflito multissensorial fez os voluntários se sentirem no corpo virtual. Pelo menos mentalmente, eles se deslocaram “para fora do corpo”.

 

 

Cadastre-se grátis e receba os meus artigos no seu e-mail

 

“Isso mostra que o nosso sistema nervoso entende algumas coisas como real, mas que não aconteceram realmente”, disse à Folha o neurocientista Luiz Eugênio de Mello, da Unifesp.

 

“A outra pesquisa, do grupo de Henrik Ehrsson, do Instituto Karolinska, na Suécia, também fez a realidade virtual enganar o cérebro. O toque físico fez com que pessoas sentissem que estavam sentadas em um local diferente de uma sala”.

 

Portanto, a ciência começa a revelar que os ensinamentos da Igreja têm base científica, embora sejam apresentados apenas como princípios religiosos. Ninguém pode viver a realidade de sua alma deixar o seu corpo sem experimentar a morte.

 

 

 

FELIPE AQUINO   -   Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:26
link do post | comentar | favorito

JOSÉ RENATO NALINI - REABILITAÇÃO RODRIGUIANA

   

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando eu era criança, Nelson Rodrigues era proibido. Quando adolescente, ele era considerado vulgar. De repente, foi resgatado como autor importante, um dos poucos escritores que o Brasil não esqueceu. Este ano se comemora seu centenário, pois nasceu no Recife em 23 de agosto de 1912, registrado Nelson Falcão Rodrigues e morreu amado e admirado em 21 de dezembro de 1980.

Ele sabia que estava a mexer em vespeiro quando escreveu “Vestido de Noiva”, em 1943. Por isso usou pseudônimo: Suzana Flag. Conhecia bem a alma brasileira. Suas frases o eternizaram. Quem não repetiu mais de uma vez “toda unanimidade é burra”? Há outras menos conhecidas: “a mais sórdida pelada é de uma complexidade shakesperiana”. 

Sua obra é permanente. Bárbara Heliodora, severa crítica teatral, diz que pelo menos 4 de suas peças tendem a se eternizar, como Shakespeare. São “Vestido de Noiva”, “Boca de Ouro”, “A Falecida” e “O Beijo no Asfalto”. Seu humor ácido não hesitou em colocar o nome de um amigo numa peça: “Bonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Resende”.

Suas provocações estão em seus aforismos: “A companhia de um paulista é a pior forma de solidão”, “Só os profetas enxergam o óbvio”, “Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”. “Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo”. “Toda mulher bonita é um pouco a namorada lésbica de si mesma”, “Nada nos humilha tanto como a coragem alheia”, “Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral”, “O que atrapalha o brasileiro é o próprio brasileiro.

Que Brasil formidável seria o Brasil se  brasileiro gostasse do brasileiro”, “Acho a liberdade mais importante que o pão”, “No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte”, “A fome é mansa e casta. Quem não come não ama, nem odeia”, “Não reparem que eu misture os tratamentos de tu e você. Não acredito em brasileiro sem erro de concordância”. “Não há ninguém mais vago, mais irrelevante, mais contínuo do que o ex-ministro”, “Jovens: envelheçam rapidamente!” e “Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista”. Salve Grande Nelson!

 

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



publicado por Luso-brasileiro às 12:15
link do post | comentar | favorito

LAURENTINO SABROSA - O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO E ALGUMAS DIVAGAÇÕES A PROPÓSITO - Vlll

 

 

 

 

 

 

 

 

As regras de utilização do hífen sempre foram complicadas, e este Acordo não simplifica mesmo nada, apesar do seu texto dizer o contrário. A ideia que presidiu à supressão do hífen foi a de que não deve ser utilizado em termos compostos em que se perdeu a noção de composição. Assim, pára-quedas passa a ser paraquedas; mas pára-raios passa a ser para-raios, ou seja, continuando, neste caso, com o hífen. Eu não compreendo porque num caso existe a ideia de composição e no outro não. Por outro lado, também não se compreende muito bem porque assim é, porque uma das normas estabelece que quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, é abolido o hífen, duplicando-se a consoante: Exemplos: antirreligioso, minissaia. Assim, por esta norma, para-raios, devia ser pararraios

Outra norma diz que não se emprega o hífen em locuções de qualquer tipo sejam substantivas, adverbiais, etc. Assim, deverá ser cão de guarda e não cão-de-guarda ; fim de semana e não fim-de-semana ; cor de açafrão e não cor-de-açafrão. No entanto, o próprio Acordo estabelece algumas excepções, admitindo que deve ser água-de-colónia, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, e isto porque, repare bem o leitor no argumento, é nestes casos a maneira de escrever consagrada pelo uso. Ora, o que o Acordo mais faz é precisamente desprezar dezenas de coisas que estão consagradas pelo uso, como, por exemplo, a abolição do hífen nas formas do verbo haver acompanhado da preposição de. Assim, deve ser, ignorando o que está consagrado pelo uso, hei de, hás de, há de, hão de, não hei-de,  hás-de, há-de  e hão-de .   

A BASE XV do Acordo estabelece, e muito bem, que se deve manter o hífen nas combinações de palavras em que o conjunto dos elementos mantêm a noção de composição, formando um sentido único ou uma aderência de sentidos. Isto é doutrina que já vem do ainda vigente sistema ortográfico. O problema, em muitos casos e quanto a mim, é saber quando é que há ou não a tal noção de composição. Creio, por exemplo, que é um bocado difícil concluir que em troca-tintas há essa noção, e em girassol não. O uso do hífen deve depender em alguns casos, não das normas mas do estilo ou sentimentos do escritor. Um conhecido sacerdote, antigo colaborador do jornal VOZ PORTUCALENSE, escrevia muitas vezes DEUS-PAI-TODO-PODEROSO, ou ainda AQUELE-QUE-É, porque, para ele, estas palavras tinham “sentido único e aderência de sentido”. No Evangelho, diz-se uma palavra muito importante de Jesus: SEDE PERFEITOS COMO VOSSO PAI DO CÉU É PERFEITO. Isto é uma ordem ou é um convite? Como cristão, eu acho que a devemos considerar como ambas as coisas e, então, ao pensar no convite penso também na ordem, e devo ter como ideal corresponder o melhor que me for possível, à ordem-convite de Jesus.

Outro ponto em que o Acordo quis fazer mexidas, foi no uso de iniciais maiúsculas e minúsculas. Trata disso a BASE XIX, onde, pelo que parece, pouco importa a classificação dos substantivos em próprios e comuns – os próprios, escritos com inicial maiúscula, os comuns com inicial minúscula. Em todo o articulado desta BASE quase não se alude a isso. Mantém-se em grande parte o que já está estabelecido, mas, na ideia de simplificar, de modernizar, de agradar a outrem, como não podia deixar de ser, também aqui há usos facultativos de maiúscula ou de minúscula: nomes de ciências, de disciplinas escolares - matemática ou Matemática, português ou Português; nomes de lugares públicos, monumentos, templos – igreja da Lapa ou Igreja da Lapa, rua da Alegria ou Rua da Alegria; formas de tratamento – santo António ou Santo António, senhor doutor ou Senhor Doutor.

Tal como no uso do hífen, em minha opinião, o uso ou não de maiúsculas em certos casos pode depender da consideração ou importância que se atribui às pessoas ou coisas.

Se eu escrever ao meu médico e o tratar por Senhor Doutor, estou a tratá-lo com mais deferência e, talvez, com mais amizade do que se o tratasse por senhor doutor.

Como é fácil calcular, o texto do Acordo é muito extenso, mas muito em síntese abordei os pontos principais, o suficiente para mostrar as razões da minha não aceitação, por se ter mexido em coisas que estavam quietas e bem colocadas, a pretexto duma dignificante modernização e duma universalidade da língua muito discutíveis. Da minha parte, os comentários sobre o Acordo acabaram Estas minhas opiniões são muito pessoais, embora partilhadas por muita gente.

No entanto, vou continuar a zurzir, expondo opiniões pessoais que, para bem da Língua Portuguesa, devem (ou deviam…) ser opiniões de toda a gente, mesmo – e principalmente – dos fautores e dos grandes adeptos do ACORDO ORTOGRÁFICO-1990 

 

 

(Continua)

 

 

 

LAURENTINO SABROSA   -   Senhora da Hora, Portugal

      laurindo.barbosa@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 12:07
link do post | comentar | favorito

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS

 

 

 

 

 

 

 

 

O aviltamento do sexo é a

 principal causa de propagação da doença

 

 

 

 

 

                            Celebra-se a 01 de dezembro o DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS, ocasião em que serão realizadas inúmeras manifestações destinadas a lembrar às pessoas que essa terrível doença pode ser evitada. As campanhas brasileiras são referencias internacionais, registrando-se avanços importantes. Tanto que, graças à mobilização da sociedade, foi possível melhorar a prevenção e já há alguns anos é garantido, de forma democrática e gratuita, o acesso ao tratamento para mais de seiscentas mil pessoas soropositivas.. Ao mesmo tempo, o pânico, a desinformação e o preconceito diminuíram.

 

                     No entanto, a luta ainda não está ganha.  Apesar das vitórias, são muitos os desafios: a epidemia cresce em direção às mulheres, cruza com a miséria e a exclusão social, chega às periferias dos grandes centros, explode nas cadeias e presídios, e já alcança três mil das cinco mil e quinhentas cidades. E o principal motivo, que precisa ser amplamente debatido, é o aviltamento do sexo, responsável direto por uma perigosa promiscuidade que vem atingindo adolescentes, jovens e adultos.

 

                     Com efeito, “a sexualidade, corretamente entendida, é uma das dimensões profundas da personalidade, algo que toda pessoa sadia sabe que não pode ser tratada com a mesma ligeireza com que se fala do tempo”, afirmou  Carlos Alberto Di Franco, professor de Ética jornalística  em artigo publicado pelo jornal “O Estado de São Paulo” (06/12/1999 – pág. A2). Na mesma linha, reitere-se certa observação do teatrólogo e escritor Nelson Rodrigues, que se constitui num contraponto ao pragmatismo aético de certos setores do entretenimento que alimentam a desumanização da sexualidade:- “Acredito que a maior tragédia do homem tenha ocorrido quando ele separou o amor do sexo. A partir de então, o ser humano passou a fazer muito sexo e nenhum amor.”

 

                     Na realidade, as pessoas efetivamente se esquecem de construir um relacionamento, antes de trazer a ligação sexual até ele. A nossa sociedade, estritamente consumista, tem respaldado a publicidade quase sempre na luxúria, associando mercadorias com fantasias eróticas (as mulheres das cervejas, dos carros ou de tudo que possa ser vendido) , o que contribui para condutas vazias e até perversas como o fetichismo, voyeurismo, exibicionismo e sadomasoquismo. São comportamentos anormais que ganham predominância, relegando ao segundo plano a satisfação e o prazer obtidas numa relação natural e solidificada no verdadeiro amor.

 

                     A Aids pode ser transmitida entre os seres humanos através do sangue e do sêmen masculino, não se comprovando a especulada possibilidade de contágio através da saliva e, conseqüentemente, pelo beijo. Desta forma, a transfusão de sangue contaminado (que foi tão comum nos primeiros anos de conhecimento da doença), transmissão de mãe para filho através da placenta, infecção  inadvertida através de agulhas contaminadas entre os usuários de drogas venosas e, naturalmente, a relação sexual com penetração do esperma humano se tornou as formas declaradas ou constatadas de disseminação da doença. A contaminação pelo sexo oral e a transmissão do vírus da mulher para o homem, ainda que sejam teórica e praticamente possíveis, requerem vários condicionantes, o que os tornam vias muitíssimo menos prováveis, se comparadas às vias pouco referidas, mas plenamente viáveis à sua contaminação.

 

                     A proteção dos valores morais, sem os quais a sociedade entra em decomposição, é um ato de legítima defesa social. A democracia, sistema que mais genuinamente respeita a dignidade humana, reclama a preservação dessas normas.

 

Por isso, mais que nunca é preciso outorgar uma educação sexual desde cedo, incluindo-se aí o aprendizado de regras e princípios que mais tarde influirão na conduta  das pessoas. Deve-se combater a doença de todas as formas possíveis, mas não se olvidar da questão da preparação e formação, para que o sexo se realize com informação, conhecimento, responsabilidade, embasamento religioso e espiritual.

 

                    

                                


JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI
(advogado, jornalista, escritor e professor universitário. Recebeu o Prêmio Quality Golden de Direitos Humanos em 2011.)

 

.



publicado por Luso-brasileiro às 11:58
link do post | comentar | favorito

FRANCISCO VIANNA - ISRAEL - TEAVIV É ATINGIDA POR FOGUETES PALESTINOS E INVASÃO DA FAIXA DE GAZA PARECE IMINENTE.

   

 

 

 

 

15 de novembro de 2012

:: FRANCISCO VIANNA (da mídia internacional)

 

 

 

 

            Dois projéteis, que se acredita serem mísseis Fajr-5 devido ao seu alcance, atingiram os arredores de Tel Aviv -- um ao sul do limite urbano e outros que caiu na água fora do subúrbio de Bat Yam, ao sul da capital israelense. Não houve danos relatados. Um porta-voz da Força de Defesa de Israel negou que um foguete tenha atingido a cidade de Tel Aviv, muito embora tal afirmação conflita com relatos de testemunhas oculares e pode estar a refletir o fato de que tais projéteis tenham de fato caído em áreas ao sul dos subúrbios da cidade.

 

 

 

 

Os foguetes iranianos são disparados pelo Hamas de dentro de áreas residenciais de Gaza propositalmente para criar o maior número possível de 'mártires do Islã'

 

            Tanto o Hamas como a Jihad Islâmica Palestina assumiram a responsabilidade pelo ataque. Tal ataque é o mais demorado que o Hamas já efetuou conta o territporio israelense e sinaliza uma grande escalada. O Hamas foi além de uma simples retaliação pelos ataques aéreos a Cidade de Gaza de anteontem para matar seletivamente líderes da organização terrorista seguiu relamente, mas ainda sem se engajar em uma guerra aberta. Agora, uma ofensiva terrestre israelense contra a Faixa de Gaza é praticamente certa. Contudo, não se espera uma declaração de guerra formal, oelo fato da Palestina não ser ainda um Estado formal.

            A região central de Israel está agora sob fogo de foguetes pela primeira vez sepois que Saddam Hussein lançou mísseis Scud em Tel Aviv durante a primeira Guerra do Golfo. Tal escalada ocorre em sequência a uma série de ataques aéreos sobre a Faixa de Gaza, de onde os palestinos tem lançado com frequencia crescente seus misseis contra as cidades do sul do país, nas três últimas semanas.

            Apesar da "Operação Pilar de Defesa" ter neutralizado a maioria dos foguetes em voo, alguns deles já causaram duas mortes de civis me Israel. Com isso a Força Aérea de Israel já atingiu mais de 200 alvos e as mortes do lado palestino já a quinze e dezenas de feridos. A possibilidade de os maiores centros populacionais de Israel serem atingidos, aumenta o espectro de uma ampla operação de solo onde o npumero de baixas poderá ser muito alto do lado palestino.

 

 

 

O sistema antimísseis "Pilar da Defesa" tem sido eficiente em destruir em pleno voo mais de 90 % dos foguetes disparados de Gaza.

 

            Equanto o fogo de foguetes estava limitado às pequenas povoações israelenses ao longo da fronteira com a Faixa de Gaza, Israel se limitou a procurar destruir tais foguetes em voo, o que nde maioria dos casos o sistema antimísseis judeu conseguiu fazer. No entanto, hoje houve a convocação de 30 mil reservistas para serviço imediato, o que pressupõe que Israel não vai se limitar a uma atitude apenas defensiva e que a invasão de Gaza pode ser executada a qualquer momento, por mais que isso tenha um custo imenso em termos de vidas humanas, o que leva a pensar que a ameaça ao estado judeu tenha se tornado intolerável.

            Independentemente de onde os foguetes palestinos possam atingir, o quadro mostra que Gaza tem ainda foguetes iranianos Fajr-5, apesar do esforço de Israel em eliminar seus estoques e de todo o controle para evitar que eles cheguem do Irã à Gaza. Isso mostra que, por um lado, os ataques aéreos de anteontem não conseguiu destruí-los todos e foi incompleto, e por outro lado sugere que pode estar a haver contrabando desses misseis com a facilitação secreta de outros países, entre os quais se acreditam figurar o Egito, o Libano e a Síria.

            A inteligência militar de Israel, uma das mais eficientes do mundo, está colecionando informação sobre os pontos de disparo desses mísseis e pode-se esperar novos ataques aéreos para eliminar a ameaçam muito embora o sacrifício de civis deva ser grande, uma vez que faz parte da estratégia do Hamas, manter esses estoques prócimos a escolas, hospitais e áreas residenciais da cidade de Gaza, justamente com o propósito de criar mártires e sensibilizar a opinião mundial contra os israelenses.

            As Forças de Defesa de Israel já estão dispostas e fortemente armadas ao longo da fronteira com a Faixa de Gaza, aguardando apenas a ordem superior de proceder a invasão, por terra, ar e mar. Enquanto isso não acontece, a invasion por terra da Faixa de Gaza é iminente, e o fogo na área Central de Israel agora a torna mais provável. Entretanto, Tel Aviv parece aguardar que os ataques aéreos destruam os estoques dos mísseis de maior alcance, procurando agir de forma mais metódica para eliminar tal ameaça.

 

 

 

 

 

FRANCISCO VIANNA   -   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 11:47
link do post | comentar | favorito

HUMBERTO PINHO DA SILVA - A INGRATIDÃO DOS FILHOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

      À sombra de frondoso castanheiro, na vizinhança de carriça transmontana, a velhinha fia. Tem o rosto sulcado pela goiva do tempo, olhos sumidos, lábios finos e sorriso desdentado.

      Fia; e o fuso: gira… gira… e gira… pressionado pelos descarnados dedos. Foi moça fagueira: esbelta, de farta cabeleira calamistrada e de belas faces coradas. Casou; foi mãe. Criou filhos, que abalaram. Todos partiram: uns, para o Céu; outros, em busca de vida melhor.

      Ficou; mergulhada em saudade e nos cuidados de quem a deixou.

      De tempo a tempo telefonam, escrevem. Prometem interná-la num lar. Daqueles onde se guardam pais e mães que deixaram de ser prestáveis.

      Cuidou dos filhos com amor: ensinou-os a caminhar, a comer, a portarem-se à mesa; aparou a baba que lhes escorregava do beicinho; enxugou-lhes o húmido nariz; branqueou-lhes a roupa enegrecida pela traquinice da juventude; passou horas de agastamento à cabeceira do berço. Os meninos eram tudo e tudo era para eles.

      Agora é a mãe que carece de mão amiga: quem a ampare; quem cuide; quem lave a veste enodoada; quem apare as unhas endurecidas; quem trate do maneio da casa; quem desvele para que nada falte.

      Mas os filhos não têm disponibilidade... Olvidam que chegou o tempo de retribuírem; esquecem-se de pagarem os cuidados, os carinhos que amorosamente receberam.

      Meditativa, embebida em alegres recordações, a velhinha fia; pelos desgastados olhos desenrolam-se cenas amorosas, recreações pueris, que a memória afectuosamente guardou.

      Agora só Deus permanece com ela. Só Ele ficou. Os gerados de suas entranhas, esquecem-se que: a felicidade, a riqueza que usufruem, é fruto daquela encarquilhada velhinha, que junto à pobre carriça, arrimada ao castanheiro, fia... fia... fia…sem parar.

 

       Ziguezagueantes lágrimas de saudade, docemente deslizam pela face, que o tempo e o Sol riscaram impiedosamente.

      A velhinha chora; e muito baixinho, em discreto sussurro, quase inaudível, pode-se ouvir:

      “Coitado! Tem muito que fazer…; a culpa é da mulher... Trabalha muito...; por vontade dele já estava na sua casa…” e ténue sorriso enche-lhe a boca de festivos risos.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:20
link do post | comentar | favorito

EUCLIDES CAVACO - MARIA SEVERA
 
   
 
 
 
Olá amigos...
MARIA SEVERA é um leve poema com que presto homenagem a esta grande figura do nosso fado que hoje preenche também o espaço do poema da semana e poderão ver  aqui neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Maria_Severa_Onofriana/index.htm

Desejos dum resto de dia muito agradável para todos.
 
 Euclides Cavaco  - Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá
cavaco@sympatico.ca

 

 

 

 

 

 


 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 


publicado por Luso-brasileiro às 10:41
link do post | comentar | favorito

Domingo, 11 de Novembro de 2012
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - BAGUNÇA CANINA

 

                                          
 
                                     

           

 

 

 

 

 

 

 

            Quem me conhece já sabe e quem acompanha meus textos há algum tempo, sabe da mesma forma. Tenho dois cães de estimação, o Peteco, um dachshund e o Floquinho, um poodle que um dia foi preto  e que hoje é um cinza desbotado.

            Quando eu menciono suas idades, as pessoas logo me dizem que agora deve estar tranquilo, pois, velhinhos, já devem estar sossegados, não dando mais muito trabalho. Poucas vezes alguém esteve tão equivocado. Se eles estão idosos, caninamente falando, acredito que ninguém os avisou disso.

            Quando saímos para andar, os dois mais parecem cães puxadores de trenó. Por mais que aumentemos nossos passos, nunca é suficiente para o ritmo dos dois.  A sensação de que tenho é de que eles caminham em 5ª marcha e nós, em 2ª...

            Por mais que estendamos o percurso, eles permanecem como quem está esperando a hora na qual, por fim, vamos começar a andar de verdade. Voltamos para casa desejosos de que os dois calmos durante um certo tempo, ao menos, mas isso também é um grande equívoco. Logo após se fartarem com água e comida, com as consequentes esvaziadas de recipientes corpóreos, eles simplesmente estão prontos para recomeçar, ou seja, para fazer tudo de novo, além de um pouco mais.

            Embora não sejam daquele tipo de cachorro que late o dia todo, de forma intermitente e irritante, meus dois pestinhas caninos são exímios fazedores de bagunça. Basta que os deixemos sozinhos em casa e, por azar, esqueçamos algum pano ao alcance deles e o estrago está feito. Assim, andamos colecionando buracos com algum pedaço de pano... Tenho dito que meus cachorros tem certo pendor para o artesanato, sobretudo o patchwork...

            Com a comida se dá algo parecido. Creio que no auge de uma espécie de revolta por estarem sozinhos, eles decidem que alguém ou algo tem que pagar por isso. Às vezes, portanto, isso sobra para os coitados dos pratos de comida, que são revidados e jogados para baixo do armário. Fico pensando o que aconteceria se os cachorros tivessem mãos, pois se conseguem fazer o que fazem, com uso de focinho, dentes e patas...

            Meus dois “velhinhos”, portanto, fazem-me refletir que a idade não é só cronológica mesmo. Há outros fatores que nos envelhecem mais rapidamente, inclusive de alma. Penso que eles se mantem como crianças do mundo porque não fazem ideia de que podem estar vivendo seus derradeiros anos ou de que não seria, se humanos fossem, o comportamento esperado, viver tão repletos de euforia. Talvez, se nós, humanos, também nos libertássemos mais das convenções e dos medos, fossemos capazes de viver mais e melhor...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.



publicado por Luso-brasileiro às 20:03
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
arquivos

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
links