PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 3 de Novembro de 2012
PAULO ROBERTO LABEGALINI - O BBB ESTÁ VOLTANDO!

 

   

 

 

 

 

Sou da época que ‘BBB’ significava ‘Bom, Bonito e Barato’ – saudoso tempo em que se podia confiar nas aparências e promessas das pessoas. Hoje, sem grandes compromissos com a educação e a moralidade nas famílias brasileiras, faz-se qualquer coisa em troca do lucro e da fama. É claro que não podemos generalizar, mas, se não denunciarmos coisas erradas que vêm acontecendo aos montes, em breve só restarão exceções de ‘Brasileiro Bobo e Burro’.

 

A TV contribui muito para os ‘modismos’ que estamos vivendo e, infelizmente, não sobra quase nada de bom na programação da Globo se deixarmos de fora do horário nobre: notícias, filmes e esportes. E não podemos negar que a culpa disso é só nossa, que damos audiência máxima às novelas e ao ‘Big Brother Brasil’. Quem fica mais de uma semana fazendo palhaçadas ou se despindo na frente das câmeras vira ídolo e, a partir disso, começa a enriquecer com novos trabalhos na mídia. Não importa se o ‘famoso’ tem escolaridade ou boa comunicação, basta ser popular!

 

Enquanto Moacyr Franco, Joanna, Toquinho, Benito di Paula, Belchior e outros grandes talentos ficam fora dos nossos lares, vamos espiando o que acontece na ‘casa mais vigiada do Brasil’, onde besteiras e brigas não têm limites para acontecer. Talvez alguém pudesse defender esse tipo de programa afirmando que ‘faz parte da nossa realidade’; será mesmo?

 

Você concordaria em deixar filmar algum tipo de confusão em sua casa? Gostaria que pessoas rissem dos seus problemas? Esse tipo de ‘realidade’, que não contribui em nada para a formação cultural do nosso povo precisa vir à tona? Ah, mas a Globo ganha demais com isso, não é verdade?

 

E a explicação para o sucesso popular do BBB é simples: tem quem gosta; aliás, tem muita gente que gosta! E os que não gostam, o que fazer? Há noites que dá vontade de ver programas melhores para aliviar a carga de trabalho daquele dia, mas... Bem, os poucos que recorrem à TV Canção Nova, por exemplo, encontram alimento espiritual e conforto para a alma.

 

Como pouca gente se interessa em aprender os ensinamentos evangélicos e colocá-los em prática, uma opção seria recorrer a bate-papos com os amigos; contudo, há bons amigos para conversas sadias? Acho que todos responderiam ‘sim’, porém, há pesquisas indicando que isto já não é tão fácil como antigamente. Então, que tal cuidar das boas companhias?

 

Uma história retrata um grande terremoto onde morreram milhares de pessoas e animais, entre eles: João de Deus, seu cavalo e seu cachorro. Algum tempo depois, acordaram num lugar desconhecido com várias opções de caminhos para seguirem. Entraram na estrada mais próxima, logo chegaram numa porteira e foram atendidos por uma linda jovem:

 

– Que bom que vieram! O que desejam?

 

– Queremos um lugar para ficar eternamente; podemos entrar? – perguntou João.

 

– Infelizmente animais não entram aqui. Se desejar, somente o senhor será aceito – respondeu a moça.

 

– Eu agradeço, mas onde meus amigos não podem ficar eu também não entrarei.

 

E seguindo por outro caminho, avistaram mais uma porteira e foram igualmente bem atendidos por outra jovem:

 

– Olá, seu João, seja bem-vindo! Estávamos à sua espera.

 

– Mas eu não entrarei sem estes fiéis amigos que trouxe comigo. Fizeram parte de minha vida e não os abandonarei.

 

– Não se preocupe, eles serão nossos convidados especiais e não os deixaremos do lado de fora; na verdade, eu precisava ter certeza que o senhor os amava para liberar sua entrada no Céu.

 

Assim, os três amigos descansaram juntos no Paraíso.

 

Shakespeare também escreveu a respeito de amor e amizade:

 

“Perguntei a um sábio a diferença que havia entre amor e amizade, ele me disse essa verdade... O amor é mais sensível, a amizade mais segura. O amor nos dá asas, a amizade o chão. No amor há mais carinho, na amizade compreensão. O amor é plantado e com carinho cultivado, a amizade vem faceira e, com troca de alegria e tristeza, torna-se uma grande e querida companheira. Mas quando o amor é sincero ele vem com um grande amigo, e quando a amizade é concreta ela é cheia de amor e carinho. Quando se tem um amigo ou uma grande paixão, ambos sentimentos coexistem dentro do seu coração.”

 

Então, quem sabe, valorizando mais o convívio ético e moral na sociedade, aos poucos poderemos deixar de prestigiar imoralidades na televisão. E se você é contra tudo isto que escrevi, respeito sua opinião e continuarei rezando para que a vontade de Deus prevaleça muito além da nossa. Não sou o dono da verdade, mas sou o filho do Dono.

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -   Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 16:50
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LAURENTINO SABROSA - O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO E ALGUMAS DIVAGAÇÕES A PROPÓSITO - Vl

 

       

 

 

 

 

 

 

Quando se diz que o povo é que faz a língua, referimo-nos, por só assim ser verdade, à linguagem falada, na sua fonética e na sua sintaxe, não na ortografia.

É evidente que esta é posterior à pronúncia e à construção da frase. Como foi fixada a pretendida correcção da grafia da palavra? Basicamente, essencialmente, por convenção. Esta palavra convenção encerra em si uma convenção : a de que se deve escrever convenção  e não convenssão . E por que não é convenssão? Porque a etimologia da palavra assim o indica. Devo dizer ao leitor, porventura menos informado que a formação das palavras não obedece sempre à etimologia – há muitas vezes intervenção de fenómenos linguísticos complexos, entre os quais os relacionados com o aparelho fonador do ser humano. A Fonética, que no seu estudo também tem em conta esse aparelho fonador, é um capítulo essencial e nada fácil, quando se quer abordar toda a estrutura de uma língua.

Se convencionarmos estabelecer uma ortografia segundo a pronúncia, então alguns milhares de palavras, para que haja uma certa lógica, devem ser alteradas. Em minha opinião, não faz muito sentido virem-nos dizer que deve ser batismo e não baptismo, em virtude de o p ser consoante muda, mas continuar a ser habilidade e hífen, apesar de aí termos um h como consoante muda. Quer-se fazer uma total aproximação da ortografia à pronúncia por fases? Parece. Já se escreveu herva, estando o h inicial abolido por não ser pronunciado. No entanto, continua a ser herbáceo. Vá-se lá compreender! A linguagem falada, em expressões populares, em manifestação de ideias e sentimentos, muitas vezes não tem lógica, e isso enriquece-a muito; a linguagem escrita, essa sim, talvez tivesse mais beleza e perfeição se tivesse mais lógica do que a falada. Se sempre se tivesse escrito erva e herbáceo, eu atribuía isso aos tais fenómenos linguísticos,  a que me referi; mas se me vêm dizer, ao fim de tantos anos, que herva afinal deve ser erva (sem h) mas continua a ser herbáceo (com h), eu começo a duvidar da justeza da ordem e da idoneidade de quem a dá. Portanto, para uma aproximação da ortografia à pronúncia, como parece ser preocupação do Acordo, o h inicial devia desaparecer por em português ser consoante muda. E muitas outras coisas deviam ser modificadas. Por exemplo: deve ser pessoua e abençoua, não pessoa e abençoa; se o e soa como i, porque não ser mesmo i?; se o o soa como u, porque não ser mesmo u ?

O que é português vernáculo? O termo vernáculo tem na sua origem uma certa ideia de escravidão, ou, pelo menos, de obediência às origens, à terra, à casa em que se nasceu. Por extensão de significado, um termo é vernáculo se no seu uso, na sua grafia, obedecer à pureza com que foi formado. Será que, por exemplo, ator, fator, setor, seleção, batismo, é português vernáculo? quando no latim de que derivam, existe a consoante que o Acordo lhes roubou, e ainda continua a existir em francês, em inglês e, em certos casos, até em alemão?

Os teóricos do Acordo dizem pretender uma simplificação do idioma. Mas, na verdade, se simplificam em alguns pontos, em muitos mais complicam grandemente. A “ortografia unificada”, conforme designação oficial, estabelece que:

 

1) – pára (do verbo parar) passa a ser para, não se distinguindo de para (preposição)

2) – mas pôr (verbo) continua a ser pôr para se distinguir de por (preposição);

3) – forma (subst.) pode ser, forma ou fôrma, se a quisermos distinguir de forma (do verbo  formar)

4) – mas substantivos como acordo, acerto, cerca, que agora não têm acento, continuam sem acento, não havendo preocupação de os distinguir das formas verbais;

5) – pode (pretérito perf. de poder) tanto pode ser pode como pôde, conforme quisermos, embora se recomende a forma pôde para a distinguir de pode (presente do indicat. de poder);

6) – demos (presente do conj.), poderá ser demos ou dêmos, para se distinguir de demos (pret.perf. do indicat. de dar);

7) – as formas verbais em -amos (pretérito perfeito dos verbos de tema em ar, como amar), poderão ser escritas sem acento, embora possam confundir-se com as formas verbais do presente do indicativo; assim o que agora se escreve passámos, pode ser escrito passamos, e só pelo sentido se pode saber se é presente ou não : “nós passamos”, é agora ou foi há duas horas?

8) – são abolidos os acentos de palavras graves com ditongo em oi; assim, passa a ser

joiaboia – mas a verdade é que vai custar bastante não ler  aquele oi como na palavra boi .

 

(continua)

 

 

 

 

LAURENTINO SABROSA    -   Senhora da Hora, Portugal

                            laurindo.barbosa@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 16:20
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - FINADOS

  

               

 

 

 

Quando Finados se aproxima, sinto no ar o perfume de pinheiros balançando ao vento. Um perfume viril que me traz acenos de quem destruiu o mal que tentava derrubá-lo, no sentido de convencer que suas fragilidades, limites e a doença que o acometeu tornaram sua vida inútil. A morte não é nulidade, é apenas uma passagem. A ruína está em permanecer em si próprio e ir amargando por dentro até o coração apodrecer. Recordo-me agora de minha avó paterna, Virgilina, que não tive a felicidade de conhecer, por ter partido antes de meu nascimento. Penso que seríamos muito amigas. No auge da doença, ainda teve forças para pedir que fizessem um bolo no aniversário do meu pai e rezou com ele, agradecendo a Deus o dom da vida. Faleceu no dia seguinte. O corpo sucumbia, porém os sentimentos continuavam preservados da degeneração. Era a mãe cuidando de celebrar a vida do filho. Chamo a isso de vitória. E há inúmeras pessoas que conheci e outras sobre as quais me dizem que impregnaram de valentia os caminhos pelos quais passaram, apesar da dor, do desencanto da proximidade do adeus.

Quando Finados se aproxima, enxergo, dentro de mim, uma alameda infinita com quaresmeiras dos dois lados. As flores desabrocham brancas e, gradativamente, vão se tornando violáceas, passando pelo rosa. Em meio a elas, vejo canteiros com girassóis e túmulos brancos. E há nas beiradas violetas lilases. Traz o silêncio da contemplação, interrompido somente pela sinfonia de asas.  O cemitério não me deprime, embora as ausências doam. Busco, também lá, o Senhor que rolou a pedra e clareou o sepulcro.

Compreendo que tanto o perfume viril dos pinheiros como as violetas, os girassóis e as árvores com seus ninhos e flores possuem um misto de beleza e melancolia e um sentido profundo porque Cristo venceu a morte. A melancolia me diz dos que já se foram e que eu desejava que estivessem conosco. Recorda-me que aqui sou peregrina e me assusta, às vezes, não visualizar o porto da eternidade. É a constatação de que a criatura não tem domínio sobre os mistérios do Criador. A flores, que se ajeitam em minha essência, indicam o Deus que acarinha e nos fez para sempre.

Quando Finados se aproxima, revive outro sentimento muito forte: a saudade. A saudade ultrapassa a melancolia. Os olhos, ao se banharem com lágrimas repentinas, trazem a silhueta daqueles que amamos e por quem nos sentimos queridos. Desejo imenso de abraçá-los.

Rubem Alves comenta que “a saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar”. Em Finados existem várias facetas: o anúncio da Ressurreição, a dor pelas partidas dos que eram de nosso mundo e a vontade de que voltassem para um reencontro, mesmo que fosse por instantes. Na impossibilidade, agiganta-se a prece e Finados se faz de homenagens, pétalas e conversa com Deus Pai.

 

 

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coord. Diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 16:15
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FELIPE AQUINO - COMO EVANGELIZAR OS MEUS FILHOS?

 

 

 

 

Os pais não devem apenas mandar os filhos para a igreja, mas levá-los

 

 

 

A Igreja ensina que os primeiros catequistas são os pais. É no colo deles que toda criança deve aprender a conhecer a Deus, aprender a rezar e dar os primeiros passos na fé; conhecer os Mandamentos e os Sacramentos.

Os pais são educadores naturais, e os filhos assimilam seus ensinamentos sem restrições. Será difícil levar alguém para Deus se isso não for feito, em primeiro lugar, pelos pais. É com o pai e a mãe que a criança tem de ouvir em primeiro lugar o nome de Jesus Cristo, Sua vida, Seus milagres, Seu amor por nós, Sua divindade, Sua doutrina… Eles são os responsáveis a dar-lhes o batismo, a primeira comunhão, a crisma e a catequese.Quando fala aos pais sobre a educação dos filhos, São Paulo recomenda: “Pais, não exaspereis os vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e na doutrina do Senhor” (Ef 6, 4). Aqui está uma orientação muito segura para os pais. Sem a “doutrina do Senhor”, não será possível educar. Dom Bosco, grande “pai e mestre da juventude”, ensinava que não é possível educar sem a religião. Seu método seguro de educar estava na trilogia: amor – estudo – religião.

Nunca esqueci o terço que aprendi a rezar aos cinco anos de idade, no colo de minha mãe. Pobre filho que não tiver uma mãe que o ensine a rezar! Passei a vida toda estudando, cheguei ao doutorado e pós-doutorado em Física e nunca consegui esquecer a fé que herdei de meus pais; é a melhor herança que deles recebi. Não é verdade que a ciência e a fé são antagônicas; essa luta só existe no coração do cientista que não foi educado na fé, desde o berço.

Os pais não devem apenas mandar os seus filhos à igreja, mas, devem levá-los. É vendo o pai e a mãe se ajoelharem que um filho se torna religioso, mais do que ouvindo muitos sermões. A melhor maneira de educar, também na fé, é pelo exemplo. Se os pais rezam, os filhos aprender a rezar; se os pais vivem conforme a lei de Deus, os filhos também vão viver assim, e isso se desdobra em outros exemplos. Os genitores precisam rezar com os filhos desde pequenos, cultivar em casa um lar católico, com imagens de santos em um oratório, o crucifixo nas paredes, etc.; tudo isso vai educando os filhos na fé. Alguém disse, um dia, que “quando Deus tem seu altar no coração da mãe, a casa toda se transforma em um templo.”

 

 

Um aspecto importante da educação religiosa de nossos filhos está ligado à escola. Infelizmente, hoje, se ensina muita coisa errada em termos de moral nas escolas; então, os pais precisam saber e fiscalizar o que os filhos aprendem ali. Infelizmente, hoje, o Governo está colocando até máquinas para distribuir “camisinhas” nesses locais. Os filhos precisam em casa receber uma orientação muito séria sobre a péssima “educação sexual” que hoje é dada em muitas escolas, a fim de que não aprendam uma moral anticristã.

Outro cuidado que os pais precisam ter é com a televisão; saber selecionar os programas que os filhos podem ver, sem violência, sem sexo, sem massificação de consumo, entre outros. Hoje temos boas emissoras religiosas. A televisão tem o seu lado bom e o seu lado mau. Cabe a nós saber usá-la. Uma criança pode ficar até cerca de 700 horas por ano na frente de um televisor ligado. Mais uma vez aqui, é a família que será a única guardiã da liberdade e da boa formação dessa criança. Os pais precisam saber criar programas alternativos para tirá-las da frente do televisor, oferecendo-lhes brinquedos, jogos, contando-lhes histórias, etc.. Da mesma forma, ocorre com a internet: os pais não podem descuidar dela.

Mas, para levar os filhos para Deus é preciso também saber conquistá-los. O que quer dizer isso? Dar a eles tudo o que querem, a roupa da moda, a camisa de marca, o tênis caro? Não! Você os conquista com aquilo que você é para o seu filho, não com aquilo que você dá a ele. Você o conquista dando-se a ele; dando o seu tempo, o seu carinho, a sua atenção, ajudando-o sempre que ele precisa de você. Saint-Exupéry disse no livro “O Pequeno Príncipe”: “Foi o tempo que você gastou com sua rosa que a fez ser tão importante para você”.

Diante de um mundo tão adverso, que quer arrancar os filhos de nossas mãos, temos de conquistá-los por aquilo que “somos” para eles. É preciso que o filho tenha orgulho dos pais. Assim será fácil você levá-lo para Deus. Muitos filhos não seguem os pais até a igreja porque não foram conquistados por estes.

Conquistar o filho é respeitá-lo; é não o ofender com palavras pesadas e humilhantes quando você o corrige; é ser amigo dos seus amigos; é saber acolhê-los em sua casa; é fazer programas com ele, é ser amigo dele. Enfim, antes de dizer a seu filho “Jesus te ama”, diga-lhe: “eu te amo”.

 

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -   Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 16:07
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FRANCISCO VIANNA - A CRISE DE QUALIDADE DAS UNIVERSIDADES DA AMÉRICA LATINA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Enquanto a mídia canalizava a atenção de toda a América Latina para as eleições na Venezuela, na semana passada, poucos repararam numa notícia que deveria ter produzido impacto na região e ser manchete de primeira página na mídia latinoamericana: um novo ranque das melhores universidades do mundo revelou uma ausência quase total de instituições da América latina.

                         

            No último dia 3 de outubro, em Londres, o jornal britânico ‘The TIMES’ publicou o seu já tradicional ranque das melhores universidades de educação e ensino superior do mundo (Higher Education World University Ranking), que assinala as 400 melhores universidades do planeta, revelando que — apesar do fato de o Brasil “ser a sexta economia do mundo”, e o México a décima quarta — não há uma única universidade latinoamericana sequer entre as 100 melhores do mundo, e apenas quatro delas estão entre as 400 melhores da Terra. A USP (Universidade de São Paulo), do Brasil, é a universidade latinoamericana que ocupa a melhor posição e ocupa o 158º lugar no ranque publicado. A UNESC (Universidade Estadual de Campinas), também no Brasil, está no grupo genérico onde se amontoam as universidades que vão do 251º ao 275º lugares, ao passo que a Universidade Los Andes, da Colômbia, e a Universidade Nacional Autônoma, de México (UNAM), estão no grupo situado entre o 351º e o 400º lugar.

 

            Por incrível que pareça, não há qualquer universidade argentina, chilena, peruana, nem venezuelana entre as 400 melhores do mundo neste ranque. Em compensação, há 22 universidades asiáticas entre as 200 melhores e 56 instituições asiáticas de ensino superior entre as 400 melhores do mundo.

            O ranque segue, em escala mundial, sendo encabeçado por universidades dos Estados Unidos da América (para o desespero dos americanófobos) — o Instituto de Tecnologia da Califórnia é a 1ª do mundo, e sete das primeiras 10 são universidades estadunidenses —, mas as instituições asiáticas estão ascendendo com rapidez. Várias instituições chinesas, japonesas e sulcoreanas estão subindo no ranque, ao passo que 51 universidades estadunidenses perderam terreno quando se comparam as posições que ocupavam no ano passado.

 

            Outros dois respeitados ranques internacionais publicados este ano revelam resultados igualmente deprimentes para as universidades latinoamericanas. Nem o QS World University Ranking, de Londres, nem a relação publicada pela Universidade Jiao Tong de Xangai, na China, incluem qualquer universidade latinoamericana entre as primeiras 100 melhores do mundo, onde também predominam as universidades estadunidenses.

 

            Phil Baty, editor do ranque de Ensino Superior do jornal londrino Times, disse numa entrevista telefônica que o motivo pelo qual há essa escassez de universidades latinoamericanas nos ranques é, entre outras coisas, porque os países latinoamericanos oferecem pouco apoio econômico às suas universidades, os professores são muito mal remunerados, as pesquisas científicas de âmbito universitário são praticamente inexistentes e o corpo discente delas está eivado de “alunos profissionais” que são remunerados por partidos, invariavelmente de esquerda, para transformar as universidades em foros políticos e ideológicos onde o menos importante é a qualidade do ensino e da preparação profissional do aluno.

 

            Com poucas exceções, como a ajuda financeira que o Estado de São Paulo oferece às suas universidades, quase todas as instituições de ensino técnico e superior da América latina recebem escassos fundos governamentais, tanto locais, como estaduais e nacionais. Ao passo que os EUA e a Coreia do Sul investem 2,6 por cento de seus PBIs no ensino superior, o Chile investe 2,5 por cento, e o México e a Argentina 1,4 por cento respectivamente, mas é preciso ter em conta o que isso representa, ou seja, 2,6 por cento de um PIB de 17 trilhões de dólares é consideravelmente muito mais recursos do que, por exemplo, os 2,5 por cento que o Chile investe de seu PIB de apenas 181 bilhões de dólares, disse Baty. No ensino superior, o Brasil investe apenas 0,8% do PIB, sendo o 4º país que menos gasta nesse nível de ensino. Já com pesquisa e desenvolvimento o Brasil apresenta o menor gasto entre os 36 países avaliados pela OCDE (Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico): apenas 0,04% dos investimentos em universidades vão para o setor de pesquisas avançadas. As universidades paulistas mais bem situadas recebem auxílio financeiro do governo do estado e não de Brasília.

 

            “Os países asiáticos estão investindo muito nas suas universidades e as universidades de primeira linha custam dinheiro. Na América latina, vemos una concentração de recursos nas universidades que têm um enorme número de estudantes e que exigem, por isso, um gasto muito maior em infraestrutura, o que lhes torna difícil investir em pesquisas avançadas”, completou.

 

            Mitos governos latinoamericanos não aceitam estes ranques, alegando que a dezena de indicadores que empregam nos seus cálculos — incluindo enquetes com professores universitários de todo o mundo e publicações acadêmicas reconhecidas — tende a ‘favorecer os países de língua inglesa’.

 

            “Vários países latinoamericanos estão trabalhando num projeto apoiado pela UNESCO com o propósito de poder produzir um novo ranque que só inclua universidades latinoamericanas (?!). Mas, segundo Baty, “a enquete mundial que serve como um dos 13 indicadores do ranque do Times está geograficamente equilibrada e inclui muitos acadêmicos latinoamericanos e espanhóis. Além disso, o idioma não é desculpa para se deixar de publicar trabalhos científicos nas melhores revistas acadêmicas do mundo. As universidades asiáticas publicam muito em inglês, porque querem que suas pesquisas tenham um público maior e um impacto maior”, diz Baty. “Na América latina isso não ocorre, porque normalmente não há mesmo trabalhos de pesquisa avançada que mereçam a atenção, em qualquer língua, das melhores revistas científicas do mundo”.

 

            A verdade é que a tendência de muitos governos latinoamericanos é a de subestimar os principais ranques mundiais de universidades, e o projeto de produzir um ranque regional “feito sob medida para as universidades latinoamericanas”, é de uma cretinice absurda e tais projetos são receitas para a autocomplacência, a paralisia e o atraso.

 

            A inveja é o sentimento por trás de projetos como esse que, se levados a efeito, terão como consequência apenas o isolamento científico da região do resto do mundo. Com governos que, em sua maioria, desconsideram a excelência do ensino e da formação profissional, não é de se estranhar que reajam dessa forma, decadente e invejosa.

 

            Alegar, como têm feito vários ministros de educação de esquerda, na região, que “as universidades latinoamericanas têm metas diferentes” — tais como de dar ensino gratuito aos pobres — não é desculpa para não competir em escala mundial de excelência. É como se decidissem participar de um campeonato regional de futebol ao invés de jogar uma Copa do Mundo, apenas usando o futebol como meio de comparação tão em voga entre os políticos populistas de esquerda.

 

            Ao invés de serem subestimados ou ignorados, os ranques das melhores universidades do mundo deveriam ocupar as primeiras páginas da mídia latinoamericana (e também dos Estados Unidos), muito embora eles não sejam mais úteis do que nos lembrar que os países asiáticos estão escalando posições rapidamente na economia do conhecimento, enquanto muitos de nossos países, da América latina, estão ficando cada vez mais para trás.

 

 

 

  (com base na mídia internacional)

         08 de outubro de 2012

 

 

 

 

FRANCISCO VIANNA   -   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 15:59
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O VALOR DO MÉRITO

 

 

                                             

 

 

 

 

 

Que grande parte do mérito de cada um depende dos amigos que tem, e da cor política que defende, todos nós sabemos.

Assim como sabemos que prémios e concursos, sejam literários ou científicos, mesmo quando são atribuídos com justiça, escondem, quase sempre, interesses e amizades.

Acabo de ler a “Carta do Canadá”, que a jornalista Fernanda Leitão, envia periodicamente desse país, onde vive. A determinado passo, a conhecida jornalista, assevera: “ Jorge Amado devia ter sido o primeiro Prémio Nobel da língua portuguesa, e não foi. Ele mesmo disse o porquê numa entrevista na tarde da vida: “ eu nunca neguei ter recebido da União Soviética a Ordem de Estaline e outras distinções, não escondo nada, mas abandonei o comunismo, por isso eu acho que o Nobel vai para o Saramago.” - “ O Inesquecível baiano” - “ A Ordem” 27/Set./2012.

Não se enganou o grande mestre da literatura portuguesa, de facto Saramago viria a receber o maior prémio de literatura do mundo.

Ao ler isto recordei a conversa que meu pai teve na livraria Guimarães, em Lisboa, com certo escritor, seu amigo:

Lamentava-se o prosador da dificuldade que há em editar uma obra. E a propósito contou que certa ocasião foi apresentado a célebre escritor, para que avaliasse o mérito de manuscrito.

Decorrido semanas de ansiedade, apareceu a desejada carta. Aberta com sofreguidão, e lida de jacto, ficou dececionado:

Após palavras elogiosas ao estilo e desenrolar do romance, a missiva declarava que teria muito gosto de o apresentar ao editor, mas que o livreiro só editava se fosse militante de determinado partido.

Meu pai, que era jornalista, viu muitas crónicas rejeitadas pelos diretores de empresas, apenas porque era conectado como homem da direita, ainda que fosse  mais de esquerda, que muitos  que se dizem esquerdistas.

Houve até chefe da redação, de diário lisboeta, que lhe disse que gostaria muito de publicar seus artigos, que taxava de brilhantes, mas para isso teria que deixar de publicar a coluna no periódico “X”.

Essa recusa não foi por motivo de ética, porque o jornal em questão, era editado a centenas de quilómetros de distância.

Assim se mede o mérito em Portugal, e infelizmente não é só neste país. Dá-se mais valor à filiação política, ao cargo que ocupa, e até à crença que professa, que ao mérito.

Mas isso não são modernices. Sempre assim foi e por certo assim será.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -    Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 15:35
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EUCLIDES CAVACO - AMIZADE
 
 
                                                
 
 
 
 
 
 

 
Bom dia prezados amigos,
AMIZADE é o poema com que vos saúdo e reitero a minha incondicional e transparente amizade que compartilho com todos vós não obstante a distância que nos separa. Ouçam e vejam o poema declamado em poema da semana ou aqui neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Amizade/index.htm

Desejos dum resto de dia muito agradável
 
 

 

EUCLIDES CAVACO  

 

cavaco@sympatico.ca
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 
 
 
 
 
 

 

DIOCESE DE JUNDIAÍ – SP

PASTORAL DA MULHER – SANTA MARIA MADALENA

30 ANOS – 1982-2012

ASSOCIAÇÃO MARIA DE MAGDALA

17 ANOS - 1995 – 2012

 

 

 

MISSA EM AÇÃO DE GRAÇAS, presidida pelo Reverendíssimo DOM VICENTE COSTA – Bispo Diocesano – e concelebrada pelo Reverendíssimo PADRE JOSÉ BROMBAL – Assessor Espiritual da Pastoral.

Data: 08 de novembro de 2012 (quinta-feira) – às 17h00.

 

Local: CAPELA DO CARMELO SÃO JOSÉ

           Av. Dom Pedro I, 531 - Anhangabaú

 

 

 

FICAREMOS FELIZES COM SUA PRESENÇA

PARA REZARMOS JUNTOS.

 

 

 


PASTORAL DA MULHER-SANTA MARIA MADALENA

ASSOCIAÇÃO “MARIA DE MAGDALA”

C.G.C 01217945/0001-22

Declarada de Utilidade Pública – Lei 4.906/96

Rua Senador Fonseca, 517 – Fone (011) 4522-4970

13201-789 – JUNDIAÍ

http://associacaomagdala.wordpress.com



publicado por Luso-brasileiro às 15:22
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