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Sábado, 22 de Dezembro de 2012
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CENA DE NATAL

 

 

 

 

 

 

 

            Há milênios, o profeta Isaías (9, 1-6) deu uma grande notícia ao povo que habitava na escuridão e nas sombras da morte: a vinda de uma luz resplandecente para fazer crescer a felicidade. Falava sobre o Menino com a marca da realeza nos ombros e cujo nome é: Conselheiro admirável, Príncipe da paz. Acontecimento do amor zeloso do Senhor.

 

            Alguns séculos depois, o evangelista Lucas (2.1-14) relata que no tempo de César Augusto foi publicado um decreto ordenando o recenseamento. Todos iriam registrar-se, cada um em sua cidade natal. O carpinteiro José, como era da cidade de Davi, partiu para registrar-se com sua esposa, que estava grávida, em Belém. Lá se completaram os dias para o parto e Maria deu à luz o seu Filho numa gruta onde os animais se escondiam das intempéries, pois não havia lugar para eles na hospedaria. Enfaixou-O e O colocou numa manjedoura. Os pastores, excluídos da época, presenciaram a claridade e o anjo que lhes disse: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo; hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um salvador, que é o Cristo Senhor”.

 

            Há tempo sentimos que esse mesmo Salvador desejava que fosse anunciado, a mulheres em situação de vulnerabilidade social que se juntavam – sem comunhão – na penumbra das ruas e nos bares, que Ele era presença real nos caminhos da humanidade para acender a chama que se apagara na miséria, na exploração do comércio do sexo, nas carências mal resolvidas, na baixa autoestima, na violência sexual infanto-juvenil, nas dependências funestas, nos desequilíbrios e desajustes. E fomos pelas veredas das histórias de tragédia, por precipícios de corações de pedra que se consideram em superioridade, pelos jardins daqueles que carregam um coração de carne e se fazem solidários.

 

            Trinta anos se passaram durante os quais nasceu a Pastoral da Mulher

-
Santa Maria Madalena e a Associação “Maria de Magdala”.

 

            Neste ano, na Festa Natalina, da qual os familiares também participam, aconteceu – sob a direção do prof. Jorge Valter Romualdo -, a montagem de uma cena que traduziu a claridade anunciada por Isaías e efetivada em Belém e que nos motivou a adentrar em um mundo que desconhecíamos, também para a nossa conversão.  Os filhos e netos, vestidos com túnica verde, formaram uma árvore festiva. Em seguida, tocou o sino para revelar a essência da festa. As mulheres entraram, caracterizadas pelos personagens do presépio: Maria, José, o Menino, os pastores, os reis, enquanto se ouvia “Noite feliz”. Muitas delas da sombra dos postes com lâmpada fúnebre para o esplendor onde os anjos cantam “Glória a Deus no mais alto dos céus...” Todas elas, porque o Senhor é bom, dentro da árvore montada com seus pequenos descendentes, transformadas em seiva pura para que se afastem dos desvios e floresçam no reino que é de Deus.

 

            Feliz Natal a todos que me acariciam a alma por me lerem! Gratidão para sempre aos parceiros e colaboradores, de ontem e de hoje, da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala!

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coord. Diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil.


 

 

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade



publicado por Luso-brasileiro às 18:18
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RENATA IACOVINO - VIDA EM COLEÇÕES

 

 

           

 

 

 

 

            Sempre tive mania de guardar. Objetos, papéis, lembranças, um pouco de mim...

 

            Tenho dificuldade em me desapegar dos meus pertences, afinal, sinto-os como parte de minha história. Então, o que parece inútil, em mim guarda um significado imenso.

 

            Mesmo assim, de tempos em tempos (e aqui, leia-se o conceito de "tempo" de quem nasceu no século passado), com a dificuldade que me é peculiar, arrisco-me a algum descarte...

 

            A relutância manifesta-se, inclusive, em pequenas mudanças de leiaute dentro de casa ou no trabalho. Gosto de manter tudo no seu lugar, por meses, anos. E se tiro algo de onde está, em seguida já tenho que guardá-lo.

 

            Minha tranquilidade é saber que outras pessoas são assim e que isto não é uma compulsão, mas um modo de encarar a vida, já que aí reside, também, nossa personalidade, nosso gancho para outras situações que vivenciamos, opinamos e nos colocamos.

 

            Serei, pois, conservadora? Prefiro permanecer longe de definições fechadas.

 

            Não sei se por conta dessas características é que, desde criança, adquiri o hábito de colecionar.

 

            Dizem os especialistas que o colecionismo beneficia a memória, a paciência, a ordem e a perseverança. Se isto é verdade, não sei se absorvi tudo ou parte disto.

 

            Enfim, colecionei algumas coisas, como selos, chaveiros, figurinhas, gibis, autógrafos, canetas, ídolos, revistas, matérias de jornais, cartões postais, frases... Alguns destes objetos colecionáveis tenho até hoje. E de outros, continuo uma ávida amante, como canetas, por exemplo.

 

            Depois passei a colecionar livros e discos, o que faço até hoje. Isto sim se tornou um hábito. Digo hábito, pois a mim me parece que manter e apreciar estes objetos - e muito mais que objetos! - não é um vício.

 

            Dos chaveiros guardo boas recordações. Lembro-me que, pequena, montei uma barraquinha no portão de casa e coloquei à venda alguns de minha coleção. Não os favoritos, claro. E não é que arrumei alguns compradores?

 

            Já os selos me levaram ao meu primeiro contato com o clube filatélico de Jundiaí, à época, que remonta à década de 1980.

 

            Não tenho ideia de como funciona o colecionismo na atualidade, em tempos que nada é feito para durar, desde objetos mais descartáveis, passando pelos de longa duração, até chegar nos sentimentos... "Lembranças", como a palavra já diz, parece algo do passado.

 

 

 

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:10
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - ANO NOVO - QUE MUDANÇAS CONCRETAS SE SOBREPONHAM AOS SENTIMENTOS REPENTINOS E ÀS MANIFESTAÇÕES ARTIFICIAIS !

 

 

 

 

 

 

Após as comemorações,  voltamos a viver em constante tensão, preocupados com a sobrevivência e isolados em nossos mundos particulares. Mais do que nunca, é hora de assimilarmos gestos de boa vontade e unirmos nossas mãos em atitudes concretas de partilha, para a construção de uma nova sociedade, em que as desigualdades não sejam tão ostensivas e chocantes e o Direito possa efetivamente regular a ordem social.

          

Já se disse que a condição humana está determinada pelo caráter do tempo. Por isso, no fim de cada ano, fazemos de conta que o seu fluir inexorável abre uma porta e fecha outra, lançando uma ponte para podermos atravessar de uma época para outra. Até tentamos mitificar esse momento de passagem, criando novos propósitos, prometendo o abandono de vícios e comodismos, além de aspirarmos cuidar melhor de nós mesmos, da família e do próximo. Enfim, esse período nos convida a um balanço e reflexões, ao mesmo tempo em que impõe a inevitável sensação de urgência  em terminarmos e fecharmos assuntos pendentes.

 

                        No entanto, transcorridos os festejos e o “reveillon”, vem a triste realidade:- continuamos os mesmos do ano passado e os problemas, os suplícios e os conflitos mais primitivos permanecem assolando nossa convivência e a mídia em geral. Parece que todas as esperanças lançadas entre os dias 31 de dezembro e 01 de janeiro são de artifício, como os fogos que estouram durante a euforia sem limites das comemorações tradicionais de final de ano.

 

                        Na realidade, buscamos ser felizes, mas não conseguimos nos realizar coletivamente. Sonhamos em ser iguais, mas cultuamos os piores contrastes. O egoísmo gera o anonimato que impede o surgimento de alianças sólidas entre os indivíduos e as relações tendem a ser fortuitas e passageiras. O tempo passa mais rápido que nossa capacidade de doação e um cenário promissor à solidariedade acaba sempre se distanciando.

 

                        Assim, não haverá prosperidade, tão desejada nos votos de “boas festas”, enquanto persistir a concentração de riquezas nas mãos de poucos; as gritantes injustiças cometidas sob os mais frágeis argumentos; a corrupção devassadora e outros males provocados pela prevalência das questões econômicas sobre as sociais – verdadeiros acintes aos valores cristãos. E voltamos, após as comemorações, a vivermos em constante tensão, preocupados com a sobrevivência e isolados em nossos mundos particulares.

 

                        Diante da ameaça que paira sobre todos, é hora de assimilarmos gestos de boa vontade e unirmos nossas mãos em atitudes concretas de partilha, para a construção de uma nova sociedade, em que as desigualdades não sejam tão ostensivas e chocantes e o Direito possa efetivamente regular a ordem, para progredirmos em conjunto rumo a tão almejada paz, compreendida como fruto da eliminação da miséria e do desenvolvimento integral de todos os povos.

 

                        A título de reflexão, publicamos um trecho da mensagem do saudoso papa João Paulo II para o Dia Mundial da Paz , em primeiro de janeiro de 2000:- “Os pobres, quer dos países em vias de desenvolvimento quer dos países prósperos e ricos, pedem o direito de participar no usufruto dos bens materiais e de fazer render a sua capacidade de trabalho, criando assim um mundo mais justo e mais próspero para todos. A elevação dos pobres é uma grande ocasião para o crescimento moral, religioso, cultural e também econômico da humanidade inteira”.

 

           Vale dizer que será muito bom quando sentirmos sede de justiça, para lutarmos pelo direito de todos.. Será ótimo, enfim, quando nos motivarmos a seguir o caminho correto, para transformarmos esse mundo velho em um mundo novo, mais fraterno e solidário. Nesta época do ano sobram simpatias, análises, cultos esotéricos e religiosos para que tudo melhore. Sobram desejos e pedidos de paz, prosperidade, saúde. Ao encerrarmos, esperamos sinceramente que as mudanças concretas se sobreponham aos sentimentos repentinos ou as manifestações artificiais.

 

 

 

*JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É vice-presidente da Academia Jundiaiense de Letras.

 

 

 

                                    



publicado por Luso-brasileiro às 17:59
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - NATAL E ANO NOVO

 

 

Certa época, o Padre Maristelo encaminhou aos agentes da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coracão uma mensagem de final de ano com trechos muito bonitos, assim

“Chegou o Natal. O que dizer? A linguagem é impotente para expressar a realidade, nos diz a filosofia da linguagem. Para tocarmos a realidade, sobretudo as mais profundas da vida, só podemos por meio de metáforas, tocando-as com as pontas dos dedos e não as abarcando com a mão, como se acaricia o rosto de quem se ama. Metáforas como Moisés tirando as sandálias diante da sarça ardente.

Com o que poderemos comparar o Natal?

O Natal é como a alegria de um filho que recebe um telefonema de seu pai depois de anos sem contato nenhum. É isso e muito mais. É o pai que nos doa o filho para que sejamos filhos no Filho, dando-nos a alegria e a liberdade  de viver.

O Natal é como a alegria de uma família que acolhe uma gravidez indesejada, mudando a vida, os corações e a reações das pessoas. É isso e muito mais. É a chegada do desejado, do esperado desde toda a eternidade, da criança que nos desinstala.

O Natal é como a Maria do presépio de Sartre: ‘A Virgem está pálida e olha para o menino. O que seria preciso pintar em seu rosto é uma admiração ansiosa que só apareceu uma vez num rosto humano. Pois Cristo é o seu filho, a carne da sua carne, e o fruto do seu ventre... E em certos momentos a tentação é tão forte que ela esquece que o menino é Deus. Aperta-o em seus braços e diz: meu pequeno! Mas, em outros momentos, fica desconcertada e pensa: Este Deus é meu filho. Esta carne divina é a minha carne. É feita de mim, tem os meus olhos’.  É isso e muito mais. É a Amada encontrando o seu Amado.

O Natal é também como o José do mesmo presépio de Sartre: ‘E José? José, eu não o pintaria. Mostraria apenas uma sombra no fundo do celeiro e dois olhos brilhantes. Pois não sei o que dizer de José, e José não sabe o que dizer de si mesmo. Adora e está feliz por adorar e se sente um poucoem exílio. Creioque sofra sem confessar. Sofre porque vê o quanto a mulher que ama se parece com Deus, o quanto está perto de Deus. Pois Deus estourou como uma bomba na intimidade dessa família. José e Maria estão separados para sempre por esse incêndio de luz. E toda a vida de José, imagino, será para aprender a aceitar’. É isso e muito mais. É José acordando do seu sonho para sonhar o sonho de Deus.

O Natal é como o Menino Jesus de Fernando Pessoa: ‘Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo materno até Ele estar nu. Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes Ele acorda de noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de pena pro ar, põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho, sorrindo para os meus sonhos. Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro da Tua casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu brincar’. É isso e muito mais. É o Menino nos chamando para a manjedoura, nos dizendo que há lugar para nós na gruta do seu coração.

O Natal é como a Canção Amiga de Drummond: ‘Eu preparo uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças’. É isso e muito mais. É uma canção que acorda a criança adormecida dentro das pessoas e adormece os adultos.

O Natal é como a pergunta de Machado de Assis: ‘Mudaria o Natal ou mudei eu?’ É isso e muito mais. Muda cada natal, mudamos todos a cada natal. Mudaríamos no natal?

O Natal é tudo isso e muito, muito mais do que isso. O Natal é Natal. O Natal é.

Feliz Natal! E muito mais...”

Quanta poesia e imaginação de primeira qualidade do nosso querido sacerdote, não? São coisas de Deus! Porém, o mundo não vive somente o Natal, mas também muito mais.

Há muito tempo, Pilatos resolveu lavar as mãos e condenar Jesus ao invés de Barrabás. Os políticos lavam as mãos para não condenar os parlamentares por corrupção. Muitos governos resolveram não tomar providências para evitar o aquecimento global e, agora, não há retorno para o superaquecimento do planeta. Países ricos investem em armamentos de guerra e deixam centenas de milhares de pessoas morrendo de fome.

Em nome do modernismo, famílias inteiras ficam diante da TV vendo imoralidades, tipo Big Brother, enquanto igrejas padecem por falta de voluntários que desejam se salvar. Bebidas são consumidas com exageros em todos os lugares, tirando a paz de muitos corações que dependem da recuperação de pessoas viciadas.

Até quando deixaremos nossa sociedade ser violentada pelo mal? Até quando lavaremos as mãos e ficaremos sem rezar o suficiente para que as coisas mudem? O relativismo do pecado corrompe os bons costumes e o chamado de Cristo para que sejamos ‘sal da terra’ e ‘luz do mundo’ ficaem segundo plano. Serásempre assim?

Levante suas mãos para o Céu e peça ajuda! Ainda é tempo de fazer bem feito a sua parte! Lembre-se que estamos iniciando um feliz novo ano.

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI

 

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:38
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FELIPE AQUINO - SERÁ QUE O ÚNICO PECADO DO NATAL É O CONSUMISMO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

Li um comentário num folheto da missa de domingo (04/12/2011), segundo do Advento, quando a liturgia da Palavra coloca a preparação de João Batista para a chegada do Salvador. O Precursor vem pedir a conversão do coração; deixar o pecado.

 

Neste comentário o autor falou apenas do pecado do CONSUMISMO. É certo que é um grave pecado, mas está longe, muito longe, de ser o único que João veio denunciar e combater. Ele denunciou os pecados das prostitutas, dos soldados, dos fariseus e doutores da lei… Os Apóstolos do Senhor, e o próprio Jesus, colocaram imensas listas de pecados; penso que seja importante recordar algumas delas:

 

“Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias” (Mt 15,19).

 

“Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus”.  (1 Cor 6,9-10).

 

“Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!”  (Gl 5,21).

 

“Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção. Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia”. (Ef 4,30-31).

 

 

 

 

 

 

 

 

“Nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!” (2Tm 3, 1-5).

 

“Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria. Dessas coisas provém a ira de Deus sobre os descrentes”. (Cl 3,5-6).

 

“Baste-vos que no tempo passado tenhais vivido segundo os caprichos dos pagãos, em luxúrias, concupiscências, embriaguez, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias”. (1Pe 4,3)

 

“São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia.” (Rm 1, 29-31)

 

 

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“Porque também nós outrora éramos insensatos, rebeldes, transviados, escravos de paixões de toda espécie, vivendo na malícia e na inveja, detestáveis, odiando-nos uns aos outros”. (Tt 3,3).

 

“Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte”. (Ap 21,8).

Será que não há mais esses pecados no meio do povo?

 

Por que no Natal escutamos apenas a mesma cantilena do consumismo? Será que esta “evangelização” não está esvaziada daquilo que Jesus e os Apóstolos pregavam? Será que a sociologia e a ideologia não estão esvaziando o Evangelho? Será que assim o povo não vai continuar buscando as seitas e as comunidades protestantes para se saciar de Deus?

 

 

 

FELIPE AQUINO   -   Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:21
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CLARISSE BARATA SANCHES - A SAGRADA FAMÍLIA VEIO À TERRA

                          

   

 

 

 

 

 

 

 

 

Deus, meditando no que se está a passar no mundo actual, mormente na quadra do Natal, resolveu mandar cá o Menino Jesus com quatro anos de idade, acompanhado de sua Mãe, Nossa Senhora e S. José, a fim de verem com os seus próprios olhos como se celebra hoje a data do Nascimento do seu filho: Jesus Cristo.

Visitaram Belém e outras terras próximas que têm andado em guerra, e mais com a desgraça do terrorismo e dos homens bombas, até que chegaram também a Portugal. Muitas pessoas da região das Beiras, interrogavam-se: - Mas quem será esta família vestida com roupas estranhas e simples?!

 

O Menino vinha sentado em cima de um jumento e falou assim:

- Oh mãe, as luzes de cores são bonitas, mas aqueles bonecos vermelhos e brancos, pendurados nas varandas das casas o que significam, sabeis dizer-me?

 

   Olha, Jesus, antigamente festejava-se aqui o Natal de maneira diferente. Montavam um presépio com muito carinho ao pé da lareira e adoravam o Menino Jesus com lindos cânticos. Agora, lembraram-se de fazer também, um velho vestido de vermelho a quem chamam de Pai Natal. Tudo isto para venderem coisas que nada têm a ver com a História do Teu nascimento.

 

- Também estou admirado – volveu S. José. Quando regressarmos ao Céu, embora Ele saiba, temos de contar a Deus como estão celebrando o Natal no mundo.

 

Saiu-se, então o Menino Jesus, com esta:... E se levássemos um boneco daqueles para Ele ver melhor ao pé. – Oh filho, não vamos gastar dinheiro nesses bonecos de barbas, sabendo que há crianças a morrer de fome, sem conhecerem o que é um brinquedo. Vamos, mas é embora, porque Deus deve estar ansioso pela nossa chegada.

- Sabe, mãe, quanto ao Presépio, burro já nós temos, só faltam as imagens que já só devem existir nas Igrejas e pouco mais. Tirava-se o retrato e levava-se para o Céu, como linda recordação da nossa vinda à Terra.

 

      - Não, filho, o Presépio vivo e verdadeiro somos nós, mas não podemos dizer isto a ninguém, percebes? Vamos visitar à Igreja e, depois, seguimos embora, filhinho, que o Natal da Terra está desvirtuado na sua essência e já não sabem comemora-lo de maneira cristã. Antes substituem o espírito Natalício, que deve ser de humildade, fé e amor, por bonecos de barbas, que penduram nas janelas para reclame... Ultimamente algumas pessoas põem num estandarte o teu retrato como viste. Já é melhor, mas o boneco vermelho das barbas não deixa de existir às centenas. Eu era assim lindo como no estandarte? Tu, filho, eras lindo como as estrelas.

 

-        O Natal de hoje é uma coisa alegórica e comercial e nada tem a ver com a História verídica de há dois mil e doze anos. Fazem-se grandes ceias; há velhos abandonados nos lares com saudades da família, aldeias desertas, apenas com algumas almas velhinhas, sofrendo solitárias e doentes; guerras por toda a parte e sobretudo Governos mal dirigidos. É verdade que nesta quadra alguns pobres enchem um bocadinho mais a barriga, e outros são confortados pelas famílias, mas não é o suficiente para tanto penar. Até dizem que os mais pobres estão sem dinheiro para comprar os medicamentos que lhes são necessários. Em Portugal onde estamos, agora, é uma terra com muitos corruptos. Ó mãe daqueles que põem branco o dinheiro. Não é? É sim meu filho branqueiam para enganarem o Zé-povinho e dar fachada ilícita de dinheiros que escondem. Depois, ficam uns muitos pobres e outros muito – ricos. Justiça, só no Tribunal Divino, meu filho roubam e matam--se uns aos outros e até crianças e velhinhos.

 

      Temos de regressar – diz S. José, colocando o Menino Jesus no burro, a caminho do Céu, mas triste e quase chorava por aquilo que havia presenciado na Terra e teria de contar a Deus.

 

 

 

CLARISSE BARATA SANCHES   -   Góis, Portugal

 

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:06
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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012
HUMBERTO PINHO DA SILVA - LER MUITO PODE SER UM MAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O célebre Bispo de Nova Iorque, Fulton Sheen, recomendava: “ Livros, revistas, jornais - são como inúmeras pessoas que encontramos nos carros eléctricos, nos cinemas, nas feiras e nas festas mundanas. Como é evidentemente impossível travar relações com essa gente toda, procedemos a uma selecção.” -“ Os Problemas da Vida

 

 

Se é mister seleccionar amigos é, igualmente necessário, escolher na multidão que enxameia os escaparates do livreiro, obras que, pelo conteúdo e valor literário, servem para a formação, não só moral, mas também intelectual.

 

Muitas vezes o livro que agrada na juventude, não é apreciado em idade adulta. Gostos, interesses, alteram-se, consoante, idade, educação e desenvolvimento intelectual.

 

Nem sempre os mestres de literatura, pelo facto de o serem, devem ser lidos.

 

Platão, avisa na República”- Livro lll:

 

Pediremos a Homero e aos outros poetas que não levem a mal que apaguemos estas passagens, e todas do mesmo género” - e explica a razão, - “ não porque lhes falte poesia e não soem aos ouvidos da maioria; mas quanto mais poética são menos convêm deixar que sejam ouvidas por crianças e homens.”

 

O bom escritor, pode ser mau conselheiro. Ninguém se encontra imune. Não é verdade que Cervantes declara que Don Quixote, por ler muitos livros de cavalaria “ se enfracó tanto en su lectura, que se le pasabom las noches leyendo de claro en claro, y los dias de turbio em turbio.”

“Del poco dormir y del mucho leer se le secó el cerebro de manera que vino a perder el juicio.”

 

Perderam, também, o juízo, os pais, que inadvertidamente, metem nas mãos dos filhos, livros malsãos, por estarem na moda e terem sido premiados, sabe Deus como, e porquê.

 

É que o livro tanto pode perturbar a mente, como modificar o carácter. Santo Agostinho, após ler obra de Cícero, converteu-se ao cristianismo ao analisar textos de S. Paulo.

 

Há livros que elevam. Há livros que podem ser manuseados desde a infância. Há livros que formam e informam; e há livros que melhor fora não terem saído do prelo.

 

Durante anos, meu pai, que era jornalista, foi adquirindo imensa biblioteca, livros que, segundo confessava, raras vezes os lia.

 

Comprara-os, seduzido pelo nome do autor e opinião da critica.

 

No andar dos anos, amadureceu. Escolheu na “floresta”, uma dúzia de “ amigos mudos”, como dizia Padre Manuel Bernardes, e lia-os e relia-os; e sempre que os abria, encontrava, segundo afirmava, pensamentos, frases, pareceres, que lhe tinham escapado.

 

Peneirar o trigo da ervilhaca, limpar o grão que vai para a eira, não é fácil; por isso é que professor responsável ou sacerdote culto, pelo menos na adolescência, devem ser consultados, se não se quiser andar à deriva, comprando obras, que em vez de instruírem e formarem, pervertem a alma e cavam perniciosas marcas, que  podem durar uma vida.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:15
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EUCLIDES CAVACO - AZINHADA DA SAUDADE
 
 
 
 
BOM DIA PREZADOS AMIGOS
A preencher o espaço de  poema da semana temos hoje um poema feito fado a que o nosso nobre amigo JOÃO BALÇAS emprestou a sua melodiosa voz. Veja e ouça AZINHADA DA SAUDADE  aqui neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Azinhaga_da_Saudade/index.htm
Desejos dum resto de dia muito agradável para todos
 
 
 

 

Euclides Cavaco  - Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

cavaco@sympatico.ca

 
 
 
 
 

 


publicado por Luso-brasileiro às 11:59
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Sábado, 15 de Dezembro de 2012
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - O SENHOR DO CÉU

 

 

 

 

 

Às vezes percebo que Deus, por instantes, me tira da terra para que eu entenda que Ele, como o Senhor do Céu, não cabe em minhas conclusões medíocres, em meus sentimentos e decisões cinzas. Não é Ele feito à minha imagem e semelhança e Seu Amor ultrapassa a compreensão humana. É amor que tira da cruz a claridade da ressurreição.  Por aqui é diferente, pois Ele nos deu o livre arbítrio e a liberdade pode ser usada para o bem ou o mal, para a meiguice ou aspereza.

Aconteceu na semana passada. Em uma de minhas leituras ao amanhecer, leitura com proposta de prece, encontrei de Santa Teresa D’Ávila: “Aprendei a discernir quais as coisas que se devem sentir e compadecer. E sempre que virdes qualquer falta notável, sintam muito. É ocasião de mostrar e exercitar concretamente o amor, sabendo sofrê-la sem se escandalizar. O mesmo farão com as vossas faltas, talvez muito mais numerosas, embora não as conheçais inteiramente”.

Uma hora e meia  depois, minha mãe me pediu que levasse ao portão merenda, por ela preparada, para um dependente de drogas, morador de rua, que esporadicamente aparece para pedir algo. No início do ano, por três vezes, durante a madrugada, antes que aumentássemos as grades de proteção, ele entrou na parte externa e furtou pequenos objetos, talvez para troca por uma pedra de crack. Naquela época, costumava-me dizer que ficava observando a luz da mamãe. Para mim, ele se referia ao lustre da sala, de valor emocional, pois pertenceu à minha avó paterna, falecida em 1944. É possível vê-lo do outro lado da rua. Assustava-me, já que a impressão era de que, de uma hora para outra, ele avançaria à parte interna da casa.

Ao lhe entregar o café da manhã, voltou ao assunto a respeito de observar a luz da mamãe.  Respondi-lhe que o lustre não passava de uma armação de arame com lâmpadas. Retrucou de imediato. Não era essa a luz a que se referia, mas sim à do céu que paira sobre minha mãe, segundo ele.

Envergonhei-me de meu julgamento no início do ano e no dia. Nem mesmo  lhe escutara com paciência sobre a luminosidade que lhe chamava a atenção. Ele, apesar de seus descaminhos, olhava maior do que eu, olhava além do brilho artificial da luminária. Sinal do céu que é de Deus, onde a pequenez do julgamento que marginaliza e destrói o ser humano não existe.

Creio que não entenderia em plenitude a colocação de Santa Teresa de Jesus sobre a aprendizagem das coisas que se devem sentir e compadecer, se aquele homem, resumido como “nóia”, não tivesse me falado sobre a majestade da luz do céu sobre a terra. Foi essa luz, com certeza, que moveu os pastores e os magos ao encontro do Menino em Belém. E é essa a única luz da qual preciso para que o Natal não se perca, em meio a pacotes, laços e guloseimas, do Príncipe da Paz, do Salvador.

 

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coord. Diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil.

 



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RENATA IACOVINO - PROTESTO NAS ENTRELINHAS

 

 

 

 

 

 

 

            Dentre tantas preciosidades poético-musicais que convergem, talvez a questão do exílio tratada no poema Canção do Exílio de Gonçalves Dias e na canção Sabiá, de Chico Buarque e Tom Jobim, soem, até hoje, como um marco dialogal importante em nossa história.

 

            Este poema de Gonçalves Dias foi considerado responsável pelo reconhecimento do autor, como o primeiro grande poeta do Romantismo brasileiro. A distância da pátria, em razão de estar cursando Direito em Coimbra, inspirou-o a versos como: "Em cismar, sozinho, à noite,/Mais prazer encontro eu lá;/Minha terra tem palmeiras,/Onde canta o Sabiá.". O dilema "lá" e "cá" encontra-se em vários momentos: "Não permita Deus que eu morra,/Sem que eu volte para lá;/Sem que desfrute os primores/Que não encontro por cá;/Sem qu’inda aviste as palmeiras,/Onde canta o Sabiá."

 

            O tom saudoso também está presente na letra de Chico, colocada sobre a melodia de Tom, já pronta, e que recebia, até ali, o título de "Gávea". Feita a parceria e desenhado o cenário poético, a música ganhou o nome definitivo: Sabiá.

 

            "Vou voltar/Sei que ainda vou voltar/Vou deitar à sombra/De uma palmeira/Que já não há/Colher a flor/Que já não dá". A referência à palmeira está presente em ambas composições. Assim como o "sabiá" (ave símbolo do Brasil), a palmeira foi utilizada por Chico como menção à Canção do Exílio e ao nosso país. Estava ele, à época, em Veneza, tendo partido logo após a finalização da letra. A música, vencedora do III Festival da Canção, ocorrido no Maracanãzinho, em 1968, concorreu diretamente com Pra não dizer que não falei de flores, de Vandré, e foi vaiada em peso por uma plateia irredutível e engajada politicamente. Não perceberam, então, que o conteúdo existente na canção vencedora apresentava um protesto tão significativo quanto a concorrente. Mas o calor do momento histórico fez nascer aquela reação.

 

            Uma palmeira que já não há e uma flor que já não dá denotam uma pátria esvaziada e, neste contexto, Chico bebeu na fonte de seu pai, o historiador Sérgio B. de Hollanda.

 

            Neste sentido, o texto de Gonçalves Dias apresenta um cenário mais otimista, embora, ao final, Chico sinalize um quadro esperançoso: "Vou voltar/Sei que ainda vou voltar/Para o meu lugar/Foi lá e é ainda lá/Que eu hei de ouvir cantar/Uma sabiá/Cantar uma sabiá".

 

 

 

 

Renata Iacovino, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:04
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VALDEREZ DE MELLO - NATAL PARTICULAR

 

 

 

 

 

 

 

 

Arranque da face a máscara da hipocrisia, jogue no balde imenso da vaidade a arrogância, retire dos olhos a trava escura da ignorância, lave com água de cândidas flores as mãos que ardem por restarem sempre fechadas e passe a usá-las para o carinho... Deixe que a alma brote do fundo da mais profunda emoção, renasça em alegrias e seja apenas o ser humano que Deus construiu com amor. Escancare as gavetas de seu coração, há muito trancafiadas e atire pelas janelas da solidão os rancores, a raiva, o amargor e, principalmente, aquele feixe ressequido de lamúrias. Reorganize todos os sentimentos e deixe apenas nos gavetões agora arejados de seu coração, o amor, a alegria e a paz. Então, tranquilamente, tal menino entretido na brincadeira favorita, sem conflitos, faça pacotinhos de alegria, embrulhe-os delicadamente com todo amor na seda fina de seu sorriso, marre-os com fitilhos de carinho e ofereça-os a quem encontrar pelo caminho.

 

 E quando seu coração estiver bem leve, sopre-o com todo o ar de humildade que puder expirar e deixe-o vagar pelo mundo maravilhoso da solidariedade, pois um coração pacífico é muito mais feliz e tal pássaro da amizade voa ao encontro de outros corações. Então, num repente, você estará abraçado por pessoas maravilhosas que caminham ao seu lado e nunca mais a solidão habitará seu viver e sua mente resplandecerá para a festa maior: o surpreendente Natal particular.  Não mais o baile de máscaras! Não mais a enfadonha fantasia rebordada de preconceitos rançosos, apenas o leve e delicado manto da imensa pequenez dos humanos envolverá seu coração que restará iluminado pelo brilho intenso da autenticidade. Somente quem faz da alma um renascer de atitudes poderá sentir a importância do Natal na mais pura e refinada essência.  

 

     Imperativo é descobrir que a felicidade é o melhor presente a ser ofertado. Portanto, abrace o amigo, perdoe o inimigo, estenda as mãos, agradeça a graça de viver e ofereça sempre na despedida um largo sorriso para quem fica. Jamais diga adeus deixando rastros de mágoas, pois ninguém sabe se haverá tempo e oportunidade de retorno para o pedido de perdão, por desconhecemos o momento da última vez. Estas as grandes e únicas certezas dos humanos: a surpresa do fim e a gélida verdade do nunca mais. Portanto, vamos construir nosso Natal particular enquanto sorvemos da vida, quiçá, os últimos momentos?

 

 

 

 

Valderez de Mello   -   Escritora, advogada, pedagoga, psicopedagoga Autora do livro: FLORES SOBRE O ROCHEDO!



publicado por Luso-brasileiro às 11:59
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - MORTOS VIVOS

 

 

 

 

 

 

            Antes que alguém pense que vou fazer uma apologia à onda de filmes sobre zumbis, já ressalto que não estou entre os fãs desse tipo de monstro. Confesso que os vampiros, lobisomens e fantasmas, de alguma forma sempre habitaram meu imaginário, suscitando não só o meu medo, mas também meu fascínio. Já com os ditos mortos vivos, daqueles que ficam caindo aos pedaços, verdes e gosmentos, a coisa é diferente.

 

            Há nos vampiros e nos homens lobos certa dose de erotismo, de mistério e de sedução, que proporcionam a esses personagens certo quê de atraentes. O cinema e a literatura, aliás, muito já trouxeram e exploraram sobre a temática do amor estranho entre humanos e criaturas da noite. Mas falando sério, alguém consegue imaginar um romance agradável entre um vivente e alguém que vai apodrecendo, deixando pedaços pelo caminho e com muita vontade de comer seu cérebro ou um pedaço qualquer que você deixe à mostra, sem querer? Então...

 

            Mas eu já estou desviando do meu foco. Minha intenção não era entrar no universo das criaturas mortas que parecem vivas. Ao contrário, é falar sobre as criaturas vivas, mas que parecem mortas. Qualquer um que tenha olhos para ver, poderá entender o que quero dizer... Basta, por exemplo, circular pelo centro de São Paulo, a qualquer hora do dia, e, sobretudo, da noite.

 

            Há uma horda lamentável e gigantesca de pessoas “vivendo”, ou melhor dizendo, habitando as ruas. E o pior que isso nem causa espanto ou comoção a praticamente ninguém. Ao menos eu não consigo notar intervenções efetivas do Poder Público, seja na seara da Assistência Social, da Política ou da Polícia/ Judiciário, para mudar, efetivamente, esse estado de coisas.

 

            São os verdadeiros marginais, no sentido semântico da palavra, daqueles que vivem à margem de todas as coisas e, no meu sentir, à margem da vida... Vivem perambulando pelo dia e pela noite, dormindo onde o corpo cair, esgotado pelas drogas lícitas e ilícitas e pela droga da desesperança e do desamparo. Eu jamais vou entender que possamos definir alguém como sendo das ruas, como se estivéssemos nos referindo ao segundo gênero humano. Os zumbis reais, talvez? Pena que esses não tenham o glamour daqueles que aparecem nas telonas e nas telinhas...

 

            Fico pensando, assim, que é provável que a razão pela muitos de nós se admirem dos mortos-vivos do cinema e fechem os olhos para os vivos-mortos da vida real, seja porque é mais fácil dormir crendo que os primeiros são somente ficção e não vão invadir as nossas casas gritando “cérebro, cérebro”. Meu problema é que os outros, os vivos-mortos, vivem invadindo os meus sonhos, gritando “compaixão” e é o medo da minha indiferença que não me deixa dormir...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:54
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