PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - LUTHER KING

           

 

 

 

 

 

 

 A Verdadeira paz somente não é a falta de tensão,

   é a presença de justiça."(Martin Luther King)

                  

                            

 

Certa feita, G.Bachelar, com raro brilhantismo, expressou-se: “Conquistamos a liberdade à medida que destruímos os preconceitos”. Em homenagem a Martin Luther King, cujo aniversário comemoramos no dia 15 de janeiro, feriado nos EUA, invocamos alguns aspectos de  sua desenfreada luta pela conscientização da humanidade sobre o respeito ao princípio de que todos são iguais perante a lei, vedadas as discriminações e os privilégios.

 

 

 

 

Quarenta e quatro anos depois de seu assassinato em Memphis, nos EUA, milhares de americanos – especialmente da comunidade negra – aproveitam a data de l5 de janeiro, quando se comemora o nascimento de Martin Luther King Jr., para reivindicarem direitos iguais para todos os seres humanos. Ainda hoje, não conseguimos consolidar o seu ideal, porém sua vida e o seu trabalho são sinônimos de coragem, enfrentamento, dedicação, altruísmo e desprendimento na busca de um mundo onde os seres se compreendam, respeitem-se e procurem viver dentro dos parâmetros eminentemente traçados por uma legislação embasada na democracia e nos princípios basilares da Justiça.

 

 

 

A grandiosa obra que nos legou em prol da proteção dos direitos humanos atingiu uma escala que transcendeu os limites de sua nação e como um dos grandes líderes do século passado, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1964, num justo reconhecimento por sua luta a favor da igualdade e da liberdade. Quando foi assassinado em 04 de abril de1968 por um fanático branco na sua terra natal, no momento em que comandava uma monumental marcha de protesto, pessoas de todos os credos e posições políticas lamentaram a morte daquele que tentou conscientizar a humanidade sobre respeito ao princípio da isonomia da lei, vedadas as discriminações e privilégios.

 

 

 

Efetivamente, se pretendemos ter uma sociedade onde o viver e o conviver se revelem em valores máximos, faz-se necessário um esforço maior em dar a todos, iguais possibilidades de participação, já que, “quando uma pessoa tem negado os seus direitos todos estão perdendo” (Dalmo Dallari).

 

 

 

A Declaração das Nações Unidas assim reza em seu artigo primeiro: “A discriminação entre seres humanos, por motivos de raça, cor ou origem étnica, é uma ofensa à dignidade humana e deve ser condenada como negação dos princípios da Carta das Nações Unidas, como violação dos direitos do homem (...) como obstáculo às relações amigáveis e pacíficas entre as nações, e como fato capaz de perturbar a paz e a segurança entre os povos”. Atitudes racistas, assim, são mesquinhas e contrariam os direitos inalienáveis de cada homem. E, sob outro prisma, somente demonstram que alguns duos não estão vivendo dentro dos justos limites do plano criador de Deus e da lógica da vida em comunidade.

 

 

 

É preciso que certos absurdos anti-humanos sejam coibidos enquanto é tempo, para que os reais valores se sobreponham a supostas potencialidades biológicas, propiciando um nível normal de convivência, sem diferenças entre as relações das diversas pessoas.  Por isso, e a título de reflexão, citemos trecho de discurso de Martin Luther King: - “Pode ser verdade que é impossível decretar a integração por meio da lei, mas pode-se decretar a não-segregação. Pode ser verdade que é impossível legislar sobre moral, mas o comportamento pode ser regulamentado. Pode ser verdade que a lei não é capaz de fazer com que uma pessoa me ame, mas pode impedi-la de me linchar”.

 

 

 

 

                 Algumas de suas frases famosas

 

 

 

 

 Pela profundidade de seus pensamentos e de suas concepções, novamente invocamos algumas de suas frases mais famosas: "Um líder verdadeiro, em vez de buscar consenso, molda-o." - O que mais preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." -“Quase sempre minorias criativas e dedicadas transformam o mundo num lugar melhor."-  "Se um homem não descobriu algo por que morrer, ele não está preparado para viver."- "Sonho com o dia em que a justiça correrá como água e a retidão como um caudaloso rio."- "O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor”. - "Nós temos que combinar a dureza da serpente com a suavidade da pomba, uma mente dura e um coração tenro.” - "Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa."; e  "O Amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo."

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. Recebeu da Câmara Municipal de Jundiaí a Medalha Monsenhor Hamilton Bianchi de Direitos Humanos em 2001 e  o Prêmio Nacional Quality Golden de Direitos Humanos de 2011

                       

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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VALDEREZ DE MELLO - O LIXO E O LUXO

 

 

 

 

 

 

            Num reino desencantado, onde a injustiça campeia, moravam, entre  extremos sociais, o Lixo e o Luxo, camaradas da cidade grande onde tudo se escancara vergonhosamente alinhavado à disparidade. O Luxo espiava atentamente dos altos de luxuoso arranha-céu, o Lixo humilde atirado à sarjeta, onde cães famintos competiam pela conquista das sobras. Então, o Luxo lá das alturas bradou com incauta soberba:  Olá Lixo! Que vida ingrata a tua! No chão, exalando o aroma da decadência! Quanta diferença! Vivo na  mais completa fartura, amanteigados, geleias e queijos, toalhas de linho, lençóis egípcios de incontáveis fios, talheres de prata, porcelana austríaca e cristais tchecos a tilintar  saúde, tudo exalando fragrâncias importadas!

 

            O Lixo, com voz embargada, própria dos sábios já resignados, levanta a cabeça para encontrar o olhar ousado do vizinho e responde: Bom dia Luxo!  Que vidão hein? Tens tempo de espiar a vida alheia, sorrir das desgraças dos menos favorecidos, desdenhar dos famintos e por incrível que pareça, ainda sobra ociosidade para a ojeriza e o escárnio da realidade. Pois é,  estou aqui na calçada com os cães famintos, antigos frequentadores de luxuosos petshops ! E pensar que muitos deles viviam luxuosamente, mas foram covardemente descartados pelos requintados donos. Porém, não somente os cães sobrevivem de minhas imundícies, há muitos humanos que aqui encontram o sustento para matar o arder da fome. Como vês sou útil, apesar de fétido. Afinal é desse imenso condomínio que recebo queijos finos, quase inteiros, verduras e frutas em ótimo estado, nacos de carnes rejeitados, embalagens de doces exóticos e pacotes de bolachas importadas, tudo descartado pela insignificância. Como vês, alguém precisa ser útil neste mundo. Nisso, o homem magro, retrato da miséria urbana, atrelado à tosca carroça, estacionou e deu início à busca no gratuito armazém dos ignorados! Papelão, plástico, madeira e alimento! E por ser tudo muito precioso,  o aroma da miséria, que ali marcava presença, sequer era sentido!

 

            O Luxo percebeu que tudo era efêmero e de pouca utilidade e que um belo dia poderia fazer companhia para o astuto e inteligente Lixo, assim como os cães.        Então, descobriu que a ostentação nada significa e que o Lixo era  deveras útil e importante, pois servia para matar a fome dos excluídos, anônimos que todos fingem não enxergar! Enfim, uma simples vogal pode mudar o mundo: lixo ou luxo? Depende da maneira como aprendemos a ler e interpretar as histórias que a vida escreve!

 

 

 

Valderez de Mello

 

Advogada, escritora, poetisa, articulista do Jornal da Cidade de Bauru

Autora dos livros Lágrimas Brasileiras e Trama e Urdidura entre outros.

Membro efetivo da Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas, Academia Jundiaiense de Letras e Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí.



publicado por Luso-brasileiro às 17:54
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RENATA IACOVINO - RETRATOS EM BRANCO E PRETO

 

 

 

 

 

 

 

 

“Toda gente homenageia/Januária na janela/Até o mar faz maré cheia/Pra chegar mais perto dela”.

 

Bela imagem desse mar reverenciando a figura de uma mulher! Poesia cantada e composta por Chico Buarque, numa homenagem ao quadro que ganhou de Di Cavacanti. A composição data de 1967, mas a gravação se deu no ano seguinte, em disco que guarda o registro de outros clássicos do autor.

 

Poesia, música e artes visuais, na história e no conteúdo desta canção, misturam-se, unificam-se e são motivo de inspiração, inclusive, para novas criações, pois a música Januária acabou servindo como mote para que outros pintores dessem vida a esse personagem.

Os versos são redondilhas maiores (divididos em sete sílabas poéticas) e as rimas intercaladas. Chico, uma vez mais, utiliza-se de recursos poéticos para criar sua composição.

 

A poesia permeia, igualmente, os versos de Até pensei, do mesmo disco: “Junto à minha rua havia um bosque/Que um muro alto proibia/Lá todo balão caía/Toda maçã nascia/E o dono do bosque nem via”. Esse ambiente nos sugere não só a nostalgia de uma infância remota, mas nos chama atenção, ainda, para o quão despercebido pode passar o mundo pelos nossos olhos, sem que captemos a beleza contida no aparentemente invisível. E também o quanto a ilusão, por vezes travestida de esperança, pode alimentar os nossos sonhos: “A felicidade/Morava tão vizinha/Que, de tolo/Até pensei que fosse minha”.

 

E quando toda gente “já está sofrendo normalmente”, a moça descrita em Ela desatinou continua sambando. Enquanto a vida, para os outros, volta à rotina, para ela, mesmo após as alegrias mortas, a fantasia rasgada e o dia sem sol, o carnaval não se findou. Todos invejam o infeliz desatino, que a ela parece sinônimo de felicidade.

 

Mas as músicas de Chico contêm história não só nos conteúdos, em si, mas no que está atrás (ou na frente) desses conteúdos. Em Retrato em Branco e Preto, parceria com Tom Jobim, este sugeriu uma inversão na expressão, para “preto e branco”, por ser mais usual. Chico, de imediato, mostrou ao parceiro como ficariam os versos após esse ajuste. Onde estava “Vou colecionar mais um soneto/Outro retrato em branco e preto/A maltratar meu coração”, ficaria “Vou colecionar mais um tamanco/Outro retrato em preto e branco/A machucar meu coração”. Ficou como estava.

 

 

 

 

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:48
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PAULO LABEGALINI - MÃE É MÂE

 

 

 

Este testemunho foi dado por uma médica dermatologista da cidade de Cruzeiro, SP:

“Em mais de vinte anos de vivência na medicina, já presenciei inúmeras cenas e situações que me marcaram, porém, se eu tivesse que escolher a cena que mais me comoveu como médica escolheria a que mais me marcou como mãe.

Foi em uma visita a uma Unidade de Terapia Intensiva, local onde geralmente os pacientes  estão necessitando de cuidados o tempo todo. Foi neste ambiente frio, cheio de aparelhos e medicamentos, que vivenciei a importância da maternidade.

Não se tratava de uma paciente grávida. Quem me chamou a atenção foi um velho homem, aparentando bem mais de oitenta anos, deitado em posição fetal, que gritava em meio ao seu delírio:‘Mamãe! Mamãe! Ah, minha mãe...’

Para uma pessoa no fim da vida, doente, o que lhe  restara era chamar por sua mãe, e era um clamor  que vinha do coração, da alma! Somente quem poderia acolher sua dor, sua solidão naquele momento, era sua mãe. Todos os sons e ruídos da UTI desapareceram frente ao chamado choroso daquele homem que insistia em resgatar a mais importante de suas memórias: a sua mãe. Naquele momento, a médica deu lugar à mãe e me dei conta do quanto importante é ser mãe.

Quando Deus escolheu a mulher para acolher a vida em seu ventre, deu-lhe a responsabilidade de gerar seres humanos que são a imagem d`Ele. E para isso lhe deu uma infinita capacidade de amar, renunciar e esperar. Amar, sem impor condições; renunciar a tudo, até a si mesma pelos filhos; e esperar com muita paciência todas as condições que a vida lhe apresentar: a começar pela espera de nove meses para que a vida em seu corpo se torne vida para o mundo.

Durante a gestação, a mulher é a perfeita moradia. É no corpo da mulher que Deus fez a primeira morada de todo ser humano, e é neste corpo sagrado que abriga a vida, que a mulher experimenta a plenitude de ser mulher.

Quando seu ventre cresce, seu corpo ganha novas formas, as mamas se preparam para alimentar sua cria, todo o ser feminino se enche de glória para esperar o dia de dar a vida a um novo ser... E depois, fora do nosso corpo, acompanhamos toda uma trajetória: somos o porto seguro para passos cambaleantes... para abraços aflitos... para choros carentes... Por mais que os homens cresçam e envelheçam, somos nós, as mães, que ficamos em suas memórias.

Aquele velho homem me mostrou o quanto importante é o papel da mãe para todo ser humano. Fez-me também questionar porque tantas meninas na idade de serem filhas, e não mães, violentam seus corpos. Maquiadas por uma falsa liberdade, colocam em risco suas e outras vidas inocentes, com a desculpa de serem modernas. O corpo sagrado é violado e, muitas vezes, jovens, quase crianças, tornam-se mães, perdendo a oportunidade de vivenciarem com plenitude o divino mistério da vida.

Depois daquele dia na UTI, acrescentei mais uma responsabilidade ao meu papel de mãe. Pode ser que um dia – quando a gente pensa que os filhos não precisam mais de mãe –a gente seja a última lembrança na vida deles. Quero ser não só a última, mas  a  melhor lembrança!”

E depois de ler este relato, posso afirmar que muitas coisas passam pela mente: bate a saudade em quem já se despediu da mãe; aumenta a responsabilidade àquelas que ainda têm filhos para cuidar; dá vontade de abraçar a esposa que cedeu o corpo para formar uma família; enfim, fica a eterna gratidão às mulheres que marcaram presença no mundo na missão de ser mãe.

Um dia, na aula da Escola Vivencial do Cursilho, também falei de uma grande Mãe através do Movimento de Shöenstatt. Disse que tudo teve início em 18 de outubro de 1914, quando o Pe. José Kentenich manifestou seu desejo a um grupo de Jovens Congregados Marianos: transformar a Capela de São Miguel num Tabor de manifestações de glórias a Maria. Era seu plano criar um movimento de renovação religiosa e moral a partir dos tesouros e milagres de Nossa Senhora. Isto aconteceu na Congregação Mariana situada no vale de Schöenstatt, Alemanha.

Hoje, a Obra de Schöenstatt está presente em todo o mundo com Institutos, Uniões, Ligas, Movimentos Populares etc. Os santuários são reproduções fiéis do Santuário de Schöenstatt, e o Movimento Internacional já tem 180 capelas ao redor do mundo! Quem recebe uma capelinha em casa com a imagem da Mãe Rainha Três Vezes Admirável sabe por que é grande essa devoção em todo o planeta.

Na convicção do Pe. Kentenich, uma autêntica espiritualidade mariana deve conduzir a uma profunda espiritualidade cristológica e trinitária, a uma séria aspiração à santidade e a um generoso compromisso com a missão evangelizadora da Igreja. E a Mãe Rainha ‘faz esse papel’ porque é três vezes admirável: ela é Mãe de Deus, Mãe do Redentor e Mãe dos remidos. Ninguém alcançou tamanho mérito na humanidade!

Essa nossa Mãe nos atenderá sempre que chamarmos por ela, dentro ou fora da UTI. Viva Nossa Senhora!

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -   Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:42
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LAURENTINO SABROSA - NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO E ALGUMAS DIVAGAÇÕES A PROPÓSITO Xll

 

 

 

 

 

 

 

Comecei estes artigos expondo opiniões pessoais sobre o ACORDO, mas, conforme disse ao leitor, passei a expressar opiniões que, lamento, parecem ser opinião de poucas pessoas. Parece que quase ninguém têm consciência da quantidade de estrangeirismos que enxameiam a nossa língua e dê a isso a devida importância. Se até o Dicionário da Academia os sanciona!...Mas a mim parece-me que se o Dicionário eliminasse o que nesse aspecto tem a mais, reduziria confortavelmente o volume dos seus dois volumes e ficaria verdadeiramente enobrecido. Um certo DICIONÁRIO UNIVERSAL DA LINGUA PORTUGUESA, de que já falei ao leitor, sem as pretensões e as responsabilidades culturais do Dicionário da Academia, regista apenas os tais que estão já de tal maneira implantados que já fazem parte do cerne da língua, por não termos vocábulo correspondente, e nem todos (não é uma propaganda, é um merecido elogio). Os ramos que mais vocábulos têm desse tipo são a Informática e a Economia, embora possivelmente haja alguns abusos. Um desses termos é franchising, que designa um certo tipo de contrato comercial. O Dicion. da Acad. regista-o, como de costume, dando a sua tradução como se fosse dicionário inglês-português

O meu computador assumiu, automaticamente e sem a minha autorização ( o que considero um abuso…), a grafia do Acordo. Assim, se eu escrever espectáculo , marca-me erro, mas, se eu escrever meeting, não – é que, pelos vistos, espectáculo não é português, mas meeting é. É mesmo um espectáculo !... Na realidade, os termos e expressões em inglês que estão a ser usados já vão sendo tantos que o meu computador agora aceita-os a todos, e, como sabe mais inglês que eu, se eu me enganar, logo marca erro. Experimentei o computador em espanhol e em alemão – cada palavra cada erro! Só o inglês é que é nosso! Ensinaram-me, e até há pouco tempo assim era, que qualquer termo estrangeiro devia ser colocado entre aspas. Agora, os termos estrangeiros são tantos que isso deixou de se fazer, se calhar pelo trabalhão que dava – por isso, o termo é apresentado com a maior das naturalidades, como se fosse português legítimo, conforme se vê nos jornais e TV.  Dei-me ao trabalho de coligir os que fui encontrando, pelo que, além dos já citados, posso relacionar:

Abat-jour,  aplomb, apport, atelier, barman, briefing, brushing, cartoon, cast, catering, chair man, check in, deck, display, élan, empowerment, entertainment, fast food, feed back, gadget, gag, gay, glacé, grill, hi-fi, holding, hovercraft, impeachment, jackpot, jet,  low cost, low profile, master, off set, offshore, parte time, placard, plafond, playboy, playback, puzzle, set, shoemaker, skate, sketch, sightseeing, slide, slip, slogan, smoking, snack, snif, sniper, snob,standby, stick, stock, stop, stress, striptease,  t-shirt, take away. top less, performance, spread, weekend, welcome.

Mas há muitos mais. Alguns já são antigos e bem conhecidos, alguns totalmenteinúteis por terem perfeito correspondente em português. Há tempos, uma das TVs anunciou que havia em certo sítio um espectáculo com a presença de cinco actings (nem o meu computador conhece este termo e “o nosso DICIONÁRIO” também não); outra TV anunciou que uma certa notoriedade dos espectáculos tinha feito uma lifting e há dez anos tinha feito um peeeling, e fê-lo como se isso fosse acção de grande brilho e mérito, a merecer um Prémio Nobel a inventar (como a tal disse que não gostava de parecer velha, não é preciso ir a dicionários para sabermos que se trata de operações plásticas-o nosso DICIONÁRIO regista o primeiro termo, mas não o segundo); depois, em algures, havia em Portugal “o primeiro espectáculo de storytelling”; a capa de certa revista dizia: ”ser happy está dentro de si”(se calhar, se a revista dissesse que“ser feliz está dentro de si”,ninguém se acreditava); há tempos foi anunciado que no Estádio do Dragão havia um stock off fashion – devia ser uma exposição, talvez venda de artigos fora de moda, velharias ; a capa de um caderno escolar aconselha ao estudante be yourself, keep your style – se dissesse sê tu próprio, mantém o teu estilo, se calhar o conselho não era aceite; em Setembro passado anunciou-se nos autocarros que numa certa semana havia um“Porto Wine Fest” – para mim isto é famoso : quem escreveu este anúncio devia saber  que “Vinho do Porto” não é “Porto Wine” mas “Port Wine” ; que “fest” (tanto quanto sei não existe em inglês e o meu dicionário de inglês também não regista)não significa “festa” como se pretendeu – festa é inglês é feast (que se lê aproximadamente fícete) , embora  haja em inglês festival correspondente ao nosso festival ou mesmo festa. Assim, aquela comunicação aos passageiros dos autocarros, é  uma triste exibição de ignorância e de petulância.

 

 

 

 

LAURENTINO SABROSA    -   Senhora da Hora, Portugal

                            laurindo.barbosa@gmail.com

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:36
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FRANCISCO VIANNA - CUBA PREPARA A TRANSIÇÃO NA VENEZUELA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

:: FRANCISCO   VIANNA (com base na mídia internacional)

Domingo, 06 de janeiro de 2013

 

 

O caudilho   socialista Hugo Chávez está com “insuficiência respiratória” devido a uma   “severa pneumonia pós-operatória”, segundo o seu ministro da “informação”,   Ernesto Villegas, que não disse se ele tem metástases pulmonares ou não.

 

 

O Presidente da Assembleia Nacional da   Venezuela, Diosdado Cabello, deverá assumir temporariamente a presidência do   país até a realização de novas eleições, nas quais o atual vice-presidente,   Nicolás Maduro, deverá ser o candidato do comunismo chavezista caso o   mandatário reeleito não esteja vivo ou em condições de exercer a presidência,   de acordo com o plano concebido em Havana com uma ampla participação do PCB   de Havana, segundo fontes próximas ao governo. Tal plano, cujos detalhes   teriam sido ultimados esta semana em Cuba, esboça a ordenação interna dentro   do ‘politburo’ chavezista diante da expectativa de que Chávez não esteja em   condições de saúde para assumir o novo mandato para o qual foi eleito em   função do adiantado estado do câncer que padece.

 

Uma das fontes consultadas informou   que os preparativos da transição começaram há meses conforme planejado pelo   próprio Chávez — cujo estado de saúde é desconhecido pela imensa maioria dos   venezuelanos — e que agora apenas determinará a sucessão dos fatos finais do   drama chavezista. Outra fonte, que teve acesso à informação diretamente das   reuniões em Cuba, explicou que a ditadura de Raúl Castro exerce uma grande   influência sobre as decisões que estão sendo tomadas pelo governo venezuelano   neste momento. Essas fontes só puderam ser ouvidas sob a condição de   anonimato.

 

“Os agentes   cubanos trabalham nos bastidores para tentar criar uma espécie de politburo   comunista, um conselho que haja em consenso com Havana e garanta a   estabilidade do regime chavezista na Venezuela pela união de potenciais herdeiros   rivais”, como comentou a fonte junto à ditadura castrista de Cuba. Segundo   essa fonte, “os cubanos querem que Nicolás Maduro assuma (temporariamente) a   presidência, e que encabece esse conselho, servindo de mediador entre as   diferentes facções e personalidades do chavezismo”, mesmo que a Constituição   determine que seja o Presidente da Assembleia Nacional quem deve ser   empossado para esse mandato tampão até a realização de novas eleições   presidenciais.

Todavia, os   planejadores da transição consideram inconveniente que Maduro chegue de   imediato ao Palácio Miraflores, pelo fato de que a Constituição venezuelana   estabelece que seja o presidente da Assembleia Nacional quem deve assumir as   rédeas do executivo para um curtíssimo mandato tampão, caso contrário temem   por uma deterioração de legitimidade do chavezismo. Assim, ao que parece,   Cabello deverá assumir tal mandato ao passo que Maduro seria o candidato   chavezista das próximas eleições.

 

No entanto,   essa estratégia causa preocupação ao politiburo cubano pelo fato de que   Cabello tem acumulado muito poder nos últimos anos e representa, pois, um   setor bem mais nacionalista dentro do chavezismo com escassos vínculos com a   ditadura cubana. Não obstante, os planejadores da situação consideram que   Cabello, neste momento, é indispensável à sustentabilidade do regime chavezista   numa era pós- Chávez, em função da grande influência que tem entre os   militares venezuelanos.

 

A oposição   diz que “caso o pilar fundamental do regime já não possa mais agir, a   situação precisará fazer uma espécie de ‘pacto de governabilidade’. Se eles tiverem   que comprar vontades dentro da oposição, eles o farão”. Essa necessidade de   pactuar com a oposição se manifesta em meio às dificuldades econômicas   previstas que o país enfrentará esse ano.

 

Há,   todavia, uma forte impressão de que a Constituição será posta de lado e que o   vice Maduro assumirá a presidência com o adiamento indefinido da ‘posse de   Chávez’, o que seria a versão de um “golpe inconstitucional”. Como a situação   econômica da Venezuela é crítica, principalmente com relação às vultosas   dívidas com Rússia e China, muitos analistas estão achando que o “golpe” é a   medida mais provável de ser tomada, mesmo que isso aumente o risco de uma   revolta armada no país.

 

É   impressionante como um punhado de políticos ‘socialistas’ conseguiu, em uma   década, transformar um país promissor como a Venezuela numa nação   extremamente empobrecida e miserável onde a quase totalidade dos que tinham   algum capital no país já saiu de lá de mala e cuia. A Venezuela conseguiu   empobrecer o suficiente para se transformar num “paraíso” de miséria e   pobreza socialista tal como Cuba, o que deixa claro que não é qualquer   “bloqueio” americano que estabelece tais padrões, tanto na Venezuela quanto   na ilha cárcere dos Castros.

Afinal, em   casa que não tem pão, todo muito grita e ninguém tem razão. E, afinal, o povo   não come petróleo…

 

 

 

FRANCISCO VIANNA   -   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:27
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A PÁTRIA É UM GRANDE CONDOMÍNIO

 

 

 

 

 

 

 

Por certo já vos contei o que aconteceu quando fui a loja chinesa comprar material escolar. Na hora do pagamento, o comerciante, num português macarrónico, disse-me que não sabia o que era: “ factura”.

 

Como o material era para uma escola, havia necessidade de provar a saída de verba, com recibo ou factura.

 

Bem expliquei, tintim por tintim, o que era factura, mas o negociante, de olhos oblíquos, sorrisinho velhaco, apenas repetia em português quase inelegível: - “ Facturra!? … facturra !?… Não sei o que é! ; Recibo!? …recibo!?; também nõ sei.”

 

Não tive outro remédio se não trazer o material – que era barato – sem a respectiva fatura.

 

Vem este grotesco episódio a propósito da obrigatoriedade dos negociantes passarem factura.

 

Após ter saboreado o cafezinho, na confeitaria habitual, fiquei a conversar com um dos sócios, sobre essa obrigação.

 

Levantando a voz, declarou que é uma estupidez impraticável, que levará à ruína muitos comerciantes.

 

Discordei, argumentando que as farmácias fazem-no, seja qual for o preço do medicamento.

 

Respondeu-me que eram ricas, e bem podiam viver sem fugirem ao fisco.

 

Esquecem-se que a Pátria é um imenso condomínio. Se todos contribuírem, todos ganham. Se os condóminos não pagarem atempadamente, a manutenção do prédio não se faz. Por isso, muitos imóveis encontram-se em estado lastimoso. O mesmo acontece à Nação.

 

Esta mentalidade, característica dos povos latinos, leva-os à miséria e à ruína dos países.

 

Certa vez escutei o Dr. Bagão Félix, então Ministro das Finanças, declarar: que fizera obras em casa. Ao pedir o orçamento, o mestre-de-obras, perguntou-lhe: “ Senhor Ministro com IVA ou sem?”; ou seja com recibo ou sem recibo?

 

Com povos assim é impossível haver bons governantes.

 

E assim, os povos mais honestos, têm melhor nível de vida, do que os latinos, que se orgulham, declaradamente, de sonegarem os impostos, sempre que podem.

 

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA  -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 17:17
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EUCLIDES CAVACO - CANTO À AMIZADE
 
 
 
 
 

 
 
Bom dia prezados AMIGOS
CANTO À AMIZADE É o poema a que o nosso amigo e intérprete Luís Salsa emprestou a sua voz e que preenche esta semana este espaço habitual de Poema da Semana que dedico a todos vós com um caloroso abraço de transparente AMIZADE. Veja e ouça este tema  aqui neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Canto_a_Amizade/index.htm
Com  sincera amizade
 Euclides Cavaco
 

Euclides Cavaco  - Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

cavaco@sympatico.ca
 
 
 
 
 
 "Confraria Japi de Haicai"
 
 
 
 
 
 
 


publicado por Luso-brasileiro às 17:05
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Sábado, 12 de Janeiro de 2013
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - COMO COMPREENDER A BELEZA LITERÁRIA DA BÍBLIA

    

 

 

 

 

 

 

 

A Bíblia Sagrada, além de exprimir a Palavra de Deus e, enquanto tal, constituir uma obra de caráter eminentemente religioso, também é, sem dúvida, uma obra literária de grande beleza, com perfeições maravilhosas que o espírito humano pode indefinidamente ir aprofundando e sempre encontrará coisas novas.

 

No conjunto dos seus 73 Livros inspirados, a Bíblia se revela de beleza, profundidade e lógica impecáveis. Tem uma unidade extraordinária e, ao mesmo tempo oferece uma riquíssima variedade de temas e de estilos. Nela se encontram livros épicos, líricos, místicos, históricos, jurídicos, de provérbios e ditos curtos etc. Temos, nela, textos populares ao alcance de qualquer pessoa e temos tratados profundíssimos. E, tanto uns quanto outros, todos têm uma densidade que desafia os cérebros mais poderosos de todos os tempos, que sempre descobrem coisas novas e nunca conseguem chegar ao fundo de tanta riqueza escondida.

 

Para usar uma metáfora extraída da própria Bíblia, eu diria que sua leitura oferece nutrição e prazer sensorial similares ao do maná, o alimento milagroso que sustentou os hebreus durante sua longa caminhada pelo deserto, em demanda da Terra Prometida. O maná continha em si não somente todos os elementos nutritivos, mas também todos os sabores desejáveis ao pálato humano. Era, portanto, um alimento completo de todos os pontos de vista. Daí a liturgia católica aplicar analogicamente à Eucaristia, o Alimento da Vida, as passagens bíblicas que falam do maná, por ser este verdadeiramente uma prefigura simbólica da Eucaristia: o maná era o alimento que acompanhava os hebreus na sua jornada rumo à Terra Prometida, alimentando-os e sustentando-os; da mesma forma, a Eucaristia é o Pão Celestial que acompanha os fiéis durante a peregrinação neste mundo, nutrindo-os e dando-lhes forças, na peregrinação rumo à Vida Eterna – da qual a Terra Prometida dos judeus foi, também, uma prefigura.

 

Mesmo abstraindo de seus elementos religiosos, a Bíblia fornece abundantíssima (ou melhor, inesgotável) matéria para considerações de ordem literária. Uma coisa muito importante, entretanto, para bem entendermos isso, e para não nos perdermos em falsos dilemas que mais desnorteiam do que orientam, é ter presente que a Bíblia não deve ser lida com espírito matemático... Se houver algum matemático entre meus leitores, não me leve a mal, mas o próprio do espírito matemático é a lógica fechada do 2 e 2 são 4. Isso é verdade numa certa dimensão, não porém em outras, que admitem e requerem uma liberdade muito maior.

 

É preciso considerar, inicialmente, a diferença enorme que existe entre o espírito ocidental (que é o nosso, aquele em que formamos nosso espírito e ao qual estamos habituados) e o espírito oriental. Por exemplo, é preciso compreender bem uma coisa muito presente nas Escrituras: o midraxe.

 

O gênero midráshico é difícil de entender para nós, ocidentais, mas para um oriental ele é muito normal, muito natural. Uma vez perguntei ao cultíssimo beneditino D. Estevão Bettencourt qual seria a melhor tradução para o termo hebraico midrash. Ele respondeu que seria glosa. Quando se glosa alguma coisa, não se repete a coisa glosada pura e simplesmente, mas se desenvolve com liberdade, por analogias, por extensão, coisas que têm alguma ligação com ela. Essa abundância de sentidos analógicos desnorteia, por vezes, uma cabeça ocidental como a nossa...

 

Daí o extremo perigo de se analisar os textos bíblicos com nossas cabeças que, queiramos ou não, foram influenciadas pelo cartesianismo e, mais recentemente pelo positivismo.

 

Um exemplo, entre inúmeros outros: quando se lê, no início do evangelho de São Mateus, a genealogia de Jesus Cristo, desde Abraão, em 42 gerações, dividida em 3 séries de 14, temos, claramente, um recurso midráxico. Um ocidental, quando lê essa nominata de ancestrais do Messias, imediatamente se põe a fazer contas, a calcular o tempo, a verificar cartesianamente se aquela genealogia pode estar realmente correta. Se for um espírito crítico e racionalista, quererá apontar, possivelmente, erros na Bíblia, contradições com outros fatos da própria Bíblia etc. etc. Para um oriental, entretanto, a reação é completamente diferente. Ele contempla a beleza simbólica da tríplice série de ancestrais, ele se encanta com essa beleza, ele usa a divisão das três séries como recurso mnemônico, e nem sequer se incomoda fazendo contas...

 

É curiosa, sem dúvida, essa diferença profunda entre ocidentais e orientais, mas é inegável que ela existe... Ora, a Bíblia, inspirada por Deus, se destina, mediatamente, ao gênero humano em todos os tempos e lugares, mas direta e imediatamente foi escrita por orientais para orientais. Se não se tem isso em vista, é inevitável que nos percamos pelo caminho, interpretando quadradamente trechos que exigem compreensão muito mais matizada.

 

Esse é um cuidado elementar, que devemos ter para podermos apreciar a imensa beleza literária da Bíblia.

 

 

 

 

 ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS   -     Historiador e jornalista, diretor da Revista da Academia Piracicabana de Letras

 



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RENATA IACOVINO - CHEGAR E PARTIR

 

 

 

 

 

 

 

Chegar e partir, esse é o ritmo da vida, já protagonizado por Fernando Brant, na música (parceria com Milton Nascimento) intitulada Encontros e Despedidas.

 

O vai e vem é a metáfora de morte e vida. Como escreveu Dolores Duran na canção Olha o Tempo Passando, “a vida acaba um pouco todo dia”, pensamento disseminado em inúmeros outros contextos artísticos, religiosos e filosóficos. Assim, a efemeridade é mais do que uma sensação, mas uma constatação palpável e passível de identificação no campo prático.

 

Somos autores e atores de micro-histórias que, se por um lado já estão escritas, por outro, dependem de nossa interferência, nosso livre-arbítrio, para serem cumpridas... ou não.

 

Mas, o amanhã já é hoje e o hoje já é ontem. Como alcançar o que está à nossa frente, o inatingível?

 

“Quando se vê, já são seis horas!/Quando se vê, já é sexta-feira!/Quando se vê, já é natal.../Quando se vê, já terminou o ano.../Quando se vê perdemos o amor da nossa vida./Quando se vê passaram 50 anos!”, quando se vê, a morte chegou.

 

Mário Quintana é poeticamente enfático: “A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.”

 

“Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.” Oportunidade imperdível para nós, passageiros do século XXI!

 

Aparentemente, todas as vagas que temos, hoje, são para nada. Para o nada. Nossa concentração contemporânea é tão estéril que busca, via radar, algo que não inclua esforço, que dispense algum conteúdo, minimalista que seja.

 

Para quem sofre de necessidades maiores, estes versos tocam fundo: “E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo./Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.”

 

Medo de ser feliz... e quem lida com felicidade hoje em dia? Tal palavra está se tornando quase um vocábulo de museu, um traço obsoleto.

 

Parece-me que, atualmente, tudo se divide em dois aspectos: o que tem sabor e não possui nutrientes, e o que aparentemente não contém quase sabor, mas nos leva a uma vida mais saudável.

 

Podemos dividir as pessoas dessa forma... Lê-las e decifrá-las por meio de tais códigos: aqueles que optam pela primeira alternativa – a do artificialismo, do individualismo e da megalomania – e as que se inclinam pela segunda opção – a da busca de alternativas, da resistência e da fuga da alienação.

 

 

Renata Iacovino, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
http://reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:31
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FELIPE AQUINO - EVANGELIZAR PARA QUE ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dizer que “Vida de Deus existe em todas as religiões”, é lançar joio no trigo puro do Senhor; é um convite terrível para que os católicos se liguem a outras religiões, já que em todas elas existe “Vida de Deus”. No mínimo essa afirmação dá à Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo um sentido relativo; algo dispensável.

 

Se todas as religiões são boas, se em todas elas está a “Vida de Deus”, então, todos os deuses são verdadeiros e todos os credos dessas religiões são válidos e a morte de Cristo foi em vão, o trabalho de evangelização da Igreja é inútil; os mártires morreram e morrem hoje em vão.Desta forma se nivela Jesus Cristo com Buda, Maomé, Massaharu Tanigushi, Alan Kardec, etc. Se é assim, então, para que 2000 de lutas da Igreja contra as heresias, os 21 Concílios ecumênicos para vencer o arianismo, o pelagianismo, o nestorianismo, o macedonismo, o monofisismo, o monoteletismo, o iconoclasmo, o jansenismo, o protestantismo e outras heresias?

 

Será que tudo isso foi em vão? Uma perda de tempo da Igreja e dos seus santos Padres, santos e doutores? Não, ao aprovar o Catecismo em 1992, na “Constituição Fidei depósitum” o Papa disse: “Guardar o depósito da fé é a missão que o Senhor confiou à sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos”. A Igreja sabe que se o sagrado “depósito” (1Tm 6,20) , a “sã doutrina” (1Tm 1, 10; Tt 2, 1), for corrompido, tudo estará perdido. Para São Paulo, a salvação está na verdade e esta está na Igreja. “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade!” (1Tm 2, 4); mas, “A Igreja é a coluna e fundamento da  verdade” (1Tm 3,15). S. Paulo fala do perigo das “doutrinas estranhas” (1 Tm 1,3); dos “falsos doutores” (1 Tm 4, 1-2).

 

Evangelizar é levar o Evangelho da salvação a todos os povos. A ordem do Senhor é esta: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,19-20).

 

E sabemos que não há salvação fora de Jesus Cristo e da Igreja Católica. São Pedro diz claro:

 

“Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos”. (At 4, 12). São Pedro explica-nos que essa salvação eterna foi conquistada “não  por  bens  perecíveis,  como a prata e o ouro… mas pelo  precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imolado” ( I Pe 1,18).

 

“Carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro, para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados” (1 Pe 2,24).

 

 

 

 

 

 

Jesus não disse: eu sou “um” caminho, como se houvesse muitos, não. Ele disse: eu sou “o” Caminho, “a” Vida, “a” Verdade. Fora de Jesus Cristo não há vida eterna. O nosso Catecismo diz no seu §846 que:

 

“Fora da Igreja não há salvação”. “Como entender esta afirmação, com frequência repetida pelos Padres da Igreja? Formulada de maneira positiva, ela significa que toda salvação vem de Cristo-Cabeça através da Igreja que é o seu Corpo: Apoiado na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição, [o Concílio] ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. O único mediador e caminho da salvação é Cristo, que se nos torna presente no seu Corpo, que é a Igreja. Ele, porém, inculcando com palavras expressas a necessidade da fé e do batismo, ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo, como que por uma porta. Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar, ou então perseverar (LG 14)”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fora da Igreja Católica, há sementes de verdade e de bem, que devem ser reconhecidas, como disse o Concílio Vaticano II, mas não a verdade plena, e nem a “plenitude dos meios da salvação”, que só existe na Igreja Católica (Unitatis Redintegratio, 3).

 

No Consistório dos Cardeais, em Roma, de 4 a 6 de abril de 1991, o Cardeal Josef Tomko, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, fez um alerta importante: apresentou uma nova teoria nascida em alguns ambientes teológicos que distingue entre o Cristo cósmico Logos e Jesus Cristo histórico. O Cristo Logos cósmico “estaria presente em todas as religiões do mundo”, não só no Cristianismo, ao passo que o Cristo histórico só no Cristianismo. Isto leva à conclusão de que não se deveria fazer um esforço missionário de evangelização e catequese dos povos não católicos, mas apenas cuidar da promoção temporal e econômica de todos os povos.

 

A tese é muito perigosa, pois anula o conceito de verdade e relativiza todas as mensagens religiosas, colocando no mesmo plano o politeísmo, o panteísmo e o monoteísmo, como se todas as religiões fossem boas e igualmente verdadeiras.

 

Eis um resumo das colocações do Cardeal sobre este perigo:

 

“As conseqüências sobre a missão são simplesmente devastadoras. A finalidade da evangelização é desviada e reduzida, a necessidade da fé em Jesus Cristo, do batismo e da Igreja, é posta em dúvida. “Neste contexto do pluralismo religioso – exclama um teólogo indiano – ainda tem sentido proclamar Cristo como o único Nome em que todos os homens encontram a salvação a chamar a fazerem-se discípulos mediante o batismo e a entrar na Igreja”?

A evangelização no sentido global, em que o “novo ponto focal” é a construção do Reino, ou seja, da nova humanidade, consistiria só no diálogo, na inculturação e na libertação. Estranha mas significativamente, é omitido o anúncio ou proclamação; antes, ela é classificada como propaganda ou proselitismo.  A evangelização é reduzida ao diálogo de tipo social ou à promoção econômico-social e à “libertação” das raças com todos os meios, incluída a violência.  Sobre a conversão, um teólogo indiano escreve: “A conversão religiosa é o resultado do jacobinismo ocidental e da sua intolerância… A conversão nasce do sentido de superioridade de uma religião a respeito de outra, enquanto nenhuma religião tem o monopólio da verdade”.

 

 

 

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O abandono das estações missionárias, das pregações do Evangelho e da catequese, por parte dos missionários, do clero, das religiosas, e a fuga para obras sociais, como também o contínuo falar em sentido redutivo dos “valores do Reino” (justiça, paz) é um fenômeno difundido na Ásia e propagandeado por alguns centros missionários, também noutros continentes.”

 

Note que este Jesus histórico teria outras manifestações paralelas e equivalentes. Assim,  o objetivo do catolicismo não seria reunir todos os povos na Igreja fundada por Jesus Cristo, e entregue a Pedro e seus sucessores (cf. Lumen Gentium nº 14; Decreto Ad. Gentes nº 7), mas apenas reunir todos os homens, de qualquer religião, no Reino de Deus. Mas este Reino não seria caracterizado por uma única crença religiosa, um Credo católico, mas, por amor, justiça, paz, bem estar da humanidade, ecologia, libertação dos homens…; logo, o zelo missionário seria condenável como proselitismo e intolerância, e a evangelização se reduziria à promoção econômico-social e à libertação das raças.

 

 

 

FELIPE AQUINO   -  



publicado por Luso-brasileiro às 11:19
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - COR DO ESQUELETO

 

 

 

 

 

O menino tem apenas seis anos e já questiona algumas coisas ao seu redor. A mãe biológica, ao constatar que não conseguiria criar mais um filho, o embalou nas entranhas e nos primeiros dias de hospital. Depois, partiu, com certeza em prantos, sem indicar o seu rumo. Voltou, talvez, para a terra de origem, de onde veio a fim de tentar dignidade na capital. Se o seu sonho acontecesse, traria mais tarde os outros, que ficaram sob a tutela de alguém próximo, e lhes ofereceria condições melhores do que a dela de sobrevivência.  O bebê, cuja relação era apenas de pele até aquele momento, ficou, no abrigo, no aguardo de um colo somente dele, com cheiro de mãe e de pai, que aconteceu alguns meses após. Para o casal de coração fértil, o menino foi a resposta da decisão pela maternidade e paternidade responsáveis.  Três anos mais tarde, aportou a menina. Agora são quatro: os dois, a mãe e o pai com laços que não vieram pelo sangue, mas por uma ternura grande, que engravida de esperança o convívio.

 

O menino está, apesar de idade pouca, em fase de percepção. A irmã e ele possuem um tom forte de pele, diferenciado da maioria das pessoas que lhes são familiares.  Na escola particular, são raros os que têm a mesma ascendência que eles. Um dia desses, o pequeno perguntou aos pais se o seu esqueleto era branco como o dos demais, ou seria da cor da pele. Preocupação dolorosa para a sua idade. Existem garotos nascidos na mesma época  ou um pouco maiores que o irritam com apelidos e comparações de que não gosta. Quando ele reage, a escola chama os pais e diz que o pequeno necessita de profissional especializado para tratar suas emoções.  Não sou contra, mas gostaria de saber o que a direção da escola diz aos pais de filhos que se acham no direito de segregar, de alguma forma, aqueles que são de raça diferente e em minoria nas salas de aula. Sem dúvida, crianças brancas de seis e sete anos, que se sentem superiores às negras, trouxeram de casa essa deformação do caráter.  Como disse, certa vez, Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”. Discriminar ou conviver em igualdade é uma aprendizagem da mesma forma.

 

O racismo é filho da arrogância e em nosso país temos uma história de desrespeito com a raça negra, que persiste de alguma forma, por mais que existam leis que o considerem crime ou negros que se destaquem no cenário nacional, bem como no cotidiano das pessoas. O racismo perdura nos brancos com raciocínio, sentimentos e posturas medíocres e, insolentes,  insistem em pisar naqueles que, sugados por uma raça que se considerava no topo, carregam em seu sangue coágulos das dores da escravidão.

 

Ainda de Nelson Mandela: “A educação é a mais poderosa arma pela qual se pode mudar o mundo”. Escolas comprometidas com o desenvolvimento pessoal e a paz assumem também o papel de mostrar aos pais e aos alunos que o racismo é infame, próprio dos bárbaros.

 

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coord. Diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil.

 



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