PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2013
ANTÔNIO JOAQUIM COELHO DA CUNHA - HOMENAGEM AO ROTARY INTERNATIONAL PELA PASSAGEM DO SEU 108º ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO

 

 

 

 

                       

 

 

 

 

 

 

 

O ROTARY É CERTAMENTE A MAIOR E UMA DAS MAIS RESPEITÁVEIS  ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS DA HUMANIDADE

 

 

 

Rotary Club, é uma Associação de Profissionais, que congrega líderes das comunidades em que vivem ou atuam, fomentando um elevado padrão    de ética ajudando a estabelecer  a  paz  e  a   boa   vontade  no  mundo,  e  que  prestam serviços   voluntários não remunerados   em  favor  da   sociedade   como  um  todo ou  beneficiando  em casos específicos,    pessoas  necessitadas ou  entidades  que   atuam também   em  favor de desamparados.

 

Fundado por Paul Harris, em Chicago  USA,  em  23/02/1905,  tem hoje representação em 207 países, estando  o  Rotary  dividido  em   532   Distritos, nos quais se aglutinam a apreciável  marca  de    33.054  Clubes,  congregando  mais de 4.000.000 associados (incluídos os clubes de Rotary e outras instituições rotárias: Casas da Amizade, Rotaract, Interact e Fundações).  

 

No Brasil são 52.148 Rotarianos, 2.305 Clubes, em 38 Distritos,  626  Rotaract Clubs, 689 Interact Clubs e 9.447 Rotarianas.

 

A vertiginosa expansão  da  filosofia  rotária, entusiasmando esta imensa legião de voluntários pelo mundo, todos eles irmanados no ideal de servir, é a   maior prova do acerto de Paul Harris ao fundar esta maravilhosa organização.

 

 

 

 

 

 

 PAZ ATRAVÉS DO SERVIR, é o lema do ROTARY INTERNATIONAL na gestão do Presidente SAKUJI TANAKA - 2012/2013, No Blog “Luso-Brasileiro”, PAZ é a marca que caracteriza este periódico da internet.

 

O tema PAZ norteia nosso BLOG e motiva o mundo rotário. O  Rotary International celebra no dia 23 de fevereiro de 2013, 108 anos de fundação sabendo-se que o primeiro Rotary Club foi fundado na cidade de Chicago, nos Estados Unidos da América no ano de 1905.

 

Para esta homenagem, é válido transcrever as palavras do livro “Meu Caminho para o Rotary”, escrito por Paul Percy Harris, idealizador e fundador do Rotary,

 

“Uma noite – conta  ele – fui com um amigo profissional até sua casa nos arrabaldes (de Chicago). Depois do jantar, enquanto passeávamos pela vizinhança, o meu amigo saudava pelo nome vários comerciantes que estavam nos seus estabelecimentos. Isto fez-me lembrar a minha aldeia da Nova Inglaterra. Ocorreu-me então: por que não arranjar em Chicago uma roda de companheiros de diferentes ocupações, sem restrições de política ou religião, com ampla tolerância pelas opiniões uns dos outros? Não poderia vir a existir nesse companheirismo um mútuo auxílio?”

“Não agi imediatamente segundo o meu impulso. Meses e até anos se passaram. Caminhei sozinho, mas por fim, em fevereiro de 1905, convidei três jovens homens de negócios para se reunirem comigo e expus-lhes um plano muito simples de mútua cooperação e amizade, sem constrangimentos, tal como havíamos outrora conhecido em nossas aldeias. Concordaram com meu plano, Sylvester Schiele, comerciante de carvão, o meu amigo mais íntimo de Chicago e um dos três que primeiro se reuniram comigo. Foi escolhido como nosso primeiro presidente, e tem sido um membro permanente do clube. Gustavus Loehr, engenheiro de minas e Hiran Shorey, dono de alfaiataria, eram os outros dois, mas, não continuaram. Porém outros que rapidamente se juntaram ao grupo com entusiasmo, ajudaram a desenvolver o projeto.”

“Crescemos em número, em companheirismo, no espírito de auxílio à nossa cidade. Aprendemos o quanto tínhamos em comum. Sentíamos prazer em podermos ajudar-nos uns aos outros.”

 

 

 

“Na terceira reunião do grupo, apresentei várias sugestões quanto ao nome a dar ao clube, entre elas o de Rotary, e esse foi o nome escolhido, visto que nos reuníamos nessa altura, em rotação, nos nossos escritórios e locais de negócios. Mais tarde, ainda em rotação, reuníamo-nos em hotéis e restaurantes. Assim, começamos como “rotarianos” e como tal continuamos a ser.”

“No terceiro ano fui eleito presidente e as minhas ambições então eram, primeiro, desenvolver o clube de Chicago, segundo, estender o movimento a outras cidades, terceiro, intensificar o serviço à comunidade como um dos objetivos do clube.”

 

O texto reproduzido são palavras do próprio Paul Percy Harris extraídas de seu livro autobiográfico ao contar como foi o início do movimento em 1905. O desenvolvimento do Rotary foi incrivelmente rápido. Em 1908 foi criado o segundo clube na cidade de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos. No ano seguinte, foi instalado o terceiro, no outro lado da baía de São Francisco, na cidade de Oakland. O quarto clube foi em Seattle e o quinto em Los Angeles. Em 1910 já contava com 15 Rotary Clubs. Nesse mesmo ano  realizaram a primeira convenção rotária em Chicago, surgindo Associação Nacional do Rotary Clubs, com a presença de aproximadamente 1.500 associados. Nesse mesmo ano, o Rotary cruzou a fronteira com o Canadá, para a fundação do clube de Winnipeg. Já em 1911, do outro lado d o Atlântico, chegou à Irlanda e Grã-Bretanha. Em 1912 a organização passou a denominar-se “Associação Internacional dos Rotary Clubs”. A designação “Rotary International” só foi adotada a partir da convenção de 1922, em Los Angeles.

 

A primeira convenção realizada fora dos Estados Unidos foi a de Edinburgo, na Escócia, e essa convenção teve uma importância extraordinária para os destinos do Rotary. É que os delegados decidiram criar uma comissão especial para estudar a estruturação de um estatuto único, bastante flexível, para todos os clubes do ROTARY INTERNATIONAL.

O presidente dessa comissão declarou: “A razão pela qual fomos convocados, decorreu do tremendo crescimento do Rotary. Estávamos tratando de tornar um grande sucesso em um sucesso ainda maior.”

Foi o resultado do trabalho dessa comissão, e de outras que se seguiram, que foi discutido e aprovado o estatuto único do Rotary International.

 

Na verdade, o Rotary caminhava rapidamente em direção a outros países e outros continentes. A partir de certo momento, era o próprio Rotary International que enviava emissários a determinados países para realizarem a tarefa de fundar novos clubes. Em muitos casos financiava as despesas de abnegados construtores de clubes, como fez com o casal Davidson, um rotariano canadense, que passou cerca de dois anos fundando clubes no sul da Europa, no Egito, no Sião, na Índia e no Japão. Outro construtor de clubes foi o Secretário Geral do RI na época, Cheley Perry. Entre as dezenas de clubes que fundou, está o Rotary Club do Rio de Janeiro, em 1923, o primeiro do Brasil, às vésperas de completar seus 90 anos.

 

Antes de falecer, em 27 de janeiro de 1947, Paul Harris pode ver o Rotary em volta do mundo. Ele nunca exerceu o cargo de presidente da Associação Internacional dos Rotary Clubs, ou do Rotary International. Mas a sua influência e os seus ideais, estavam sempre presentes na expansão do movimento. Ele tinha o título vitalício de “Presidente Emérito do Rotary International.

 

DO TEXTO DO EGD ALBERTO BITTENCOURT

 

Nesta homenagem aos 108 anos de ROTARY, sirvo-me do que escreveu o EGD ALBERTO DE FREITAS BRANDÃO BITTENCOURT – D. 4500 (Recife).  

É o momento de voltarmos ao relato que fez o próprio Paul Harris no seu livro autobiográfico já referido.

 

São palavras de Paul Harris:

 

Conquanto o enorme desenvolvimento expansional do Rotary constitua um dos mais interessantes capítulos da sua história, também o desenvolvimento de seus ideais e práticas tem caminhado rapidamente. As ações precederam a palavra escrita. Depois de terem prestado serviços sob múltiplas formas, a palavra “servir”, com todas as suas conotações e acepções foi introduzida no movimento rotário. O Rotary deixou de ser aquele grupo local reunido na cidade de Chicago, para benefício próprio e mútua ajuda, para se expandir em uma organização de visão internacional e inegável nobreza de fins”.

“Muitos rotarianos, continua ele, especialmente os do Brasil, afirmam que há na realidade um único objetivo no Rotary, e que esse é o conceito de servir. O Secretário Geral do RI, Cheley Perry, considera o servir como a via suprema do Rotary.”

 

 

 O Companheiro Alberto Bittencourt, continua: A opinião de Paul Harris sobre a sadia influência dos ideais rotários no mundo, tinha uma dimensão que precisa ser cultivada, sobretudo nesses momentos em que vivemos.

“O Rotary, escreveu ele, é uma força de integração, num mundo em que as forças de desintegração são demasiado preponderantes. O Rotary é um microcosmo de um mundo em paz, um modelo que as nações fariam bem em seguir.”

“A influência do Rotary na opinião pública dos 60 países onde estão localizados os nossos mais de 5 mil clubes, tem sido mais eficiente do que muitas pessoas supõem. É certo que o número dos nossos sócios é pequeno, comparado com a população do mundo, mas o caráter dos rotarianos, de uma maneira geral, e as posições que eles ocupam, justifica, parece-me, a afirmação que fiz.”

 

Que diria hoje o fundador do Rotary, quando somos hoje mais de 1 milhão e 214 mil rotarianos espalhados em 34.431 clubes agrupados em 532 distritos rotários em 215 países?

A entrada do Rotary International no Brasil, ocorreu com a admissão do Rotary Club do Rio de Janeiro no Rotary International em 28 de fevereiro de 1923, data esta que passou a ser a data de aniversário da organização no Brasil.

A semente plantada em 1923 pelo RC do Rio de Janeiro, germinou e deu frutos: hoje, são 38 distritos no Brasil, com 2.394 unidades rotárias, das quais fazem parte 56.894 rotarianos.

No mundo rotário, o Brasil encontra-se em terceiro lugar em número de clubes e quinto em número de sócios. Além disso, duas convenções internacionais já foram realizadas no Brasil: uma em 1948, na cidade do Rio de Janeiro, com 7.511 participantes, e outra na cidade de São Paulo, em 1981, com 15.222 participantes. Está programada uma terceira convenção internacional para 2015, na cidade de São Paulo. Três ilustres rotarianos brasileiros também já ocuparam a posição de Presidentes de Rotary International: Armando de Arruda Pereira (1940-41), Ernesto Imbassahy de Mello (1975-76) e Paulo Viriato Correa da Costa (1990-91), todos já falecidos.

 

Temos, é certo, o dever de nos mantermos fiéis aos ideais pelos quais lutou Paul Harris. E não podemos perder de vista a advertência que ele nos deixou, na última mensagem que em vida pronunciou, por ocasião do aniversário do Rotary. Disse ele:

“Acredito que os dias pioneiros do Rotary apenas começaram. Há ainda tantas coisas novas a serem feitas hoje como em qualquer outra época da história. O Rotary deve certamente continuar a ser pioneiro ou se verá abandonado na retaguarda do progresso”.

 

Na verdade surgiram coisas novas no Rotary. A Fundação Rotária criada como um fundo de dotações em 1917, por Arch Klumph, para fazer o bem no mundo, e que recebeu o nome pelo qual é conhecida, na convenção rotária de 1928, foi uma delas. Iniciou um programa de Bolsas de Estudo de Pós Graduação no ano rotário de 1947-48, como um tributo à memória do fundador, Paul Harris.

As ações da Fundação Rotária multiplicaram-se no correr dos tempos e abrangem hoje muitos campos, sempre coerente com a MISSÃO, constante de seus Estatutos:

“A missão da Fundação Rotária do Rotary International é capacitar os rotarianos para que possam promover a boa vontade, paz, compreensão mundial, por meio do apoio à iniciativas de melhoria da saúde, da educação e do combate à pobreza.”

 

Entre os programas da Fundação Rotária, destaca-se o da Pólio Plus, que todos nós conhecemos e para o qual muitos de nós colaboram.

Com sua rede mundial de contatos, o Rotary é uma referência em serviços voluntários e primeiro contribuinte do setor privado a participar da parceria global dedicada à erradicação da pólio. Desde seu lançamento em 1988, a Iniciativa Global de Erradicação da Pólio – liderada pela OMS, Rotary International, CDC e Unicef – diminuiu em mais de 99,81 % os casos de pólio em todo o mundo. Na época, a pólio era endêmica em mais de 125 países e mais de 350.000 crianças ficavam paralisadas anualmente por causa dessa doença. Mais de 2 bilhões de crianças foram imunizadas, prevenindo 5 milhões de casos de paralisia e 250.000 mortes. .

Grande progresso foi feito: apenas 650 casos foram reportados no mundo em 2011. Já fazem dois anos desde que o último caso de pólio foi diagnosticado na Índia. Para que esse país seja declarado pela OMS oficialmente livre da pólio, deve ficar três anos sem nenhuma ocorrência. Atualmente apenas três países são endêmicos: Afganistão, Nigéria e Paquistão.

O Rotary recebeu recentemente mais um subsídio de US$ 50 milhões da Fundação Bill e Melinda Gates, totalizando US$405 milhões e ultrapassou em janeiro de 2012 o desafio de arrecadar US$200 milhões adicionais. Estas verbas são utilizadas para fornecer vacina antipólio, apoio operacional, equipe médica, equipamentos de laboratórios e materiais educacionais para agentes de saúde e pais das crianças. Além disso, o Rotary tem desempenhado um importante papel junto a governos doadores, resultando em mais de US$8 bilhões em contribuições para o esforço.

Embora mais visível, a Pólio Plus não empana o brilho de outros programas dos setores da educação, da saúde pública, do desenvolvimento comunitário no mundo. As bolsas de estudo têm sido concedidas todos os anos, desde a sua criação em 1947. Os Centro Rotary de Estudos Internacionais na Área da Paz e Resolução de Conflitos já formaram, desde a primeira turma em 2002-04, mais de 500 pacifistas que hoje militam em órgãos de governos, empresas privadas e ONGs muitas de sua própria criação.

Os recursos financeiros para a realização de serviços e compra de equipamentos em projetos que emparceiram clubes rotários em todo o mundo, realizam verdadeiros milagres, sobretudo porque os projetos são formulados com finalidades humanitárias.

A Fundação Rotária está bem posicionada para Fazer o Bem no Mundo com seu Plano Visão de Futuro, que lhe dará mais agilidade, eficácia e vantagem estratégica. Os 100 distritos pilotos, entre os quais se encontra o D.4500, testaram e aprimoraram o plano durante 3 anos, com vistas ao seu grande lançamento mundial, a partir de 01/07/2013. Na Assembleia Internacional de San Diego, em Janeiro deste ano, governadores e presidentes das 532 CDFR do mundo inteiro foram treinados para esse lançamento.

 

Pode-se dizer que a Fundação Rotária é o braço forte do Rotary na realização do objetivo de SERVIR. Não há rotariano que não se sinta feliz por sua contribuição financeira espontânea, voluntária.

Paul Harris teria ficado orgulhoso com o Projeto Pólio Plus e outros programas voltados para a Paz Mundial.

Para encerrar, deixamos esta bela reflexão de Paul Harris, que consta de sua autobiografia:

“Certa vez, durante os primeiros anos do movimento, o secretário Chess Perry veio ao meu escritório para apresentar os ótimos rotarianos canadenses que tinham sido encarregados de fundar clubes na Austrália e na Nova Zelândia. Eles haviam expressado o desejo de me conhecer, designando-me como “O Fundador do Rotary”. Agradeci e aceitei a honra, mas sugeri que meu papel tivesse sido posto demasiadamente em relevo. Perry respondeu pelos meus visitantes e disse: Suponho que os visitantes vão ver, Paul, mais ou menos com o mesmo espírito com que vão visitar a nascente de um grande rio.

 

 

 

 

“Tenho muitas vezes pensado naquelas palavras: constituíram um grande cumprimento feito na forma de uma bela analogia. Aceitei o cumprimento segundo a sua intenção, mas pergunto: Será verdade que a corrente de um grande rio provém somente de uma nascente especial? Não, o grande rio é a soma total da contribuição de centenas, talvez de milhares de pequenos ribeiros e riachos, que vêm montanha abaixo, cantando enquanto correm, ansiosos por se lançarem no canal do grande rio. Pois é tal o crescimento do Rotary. Tornou-se grande em virtude das contribuições desinteressadas de milhares de rotarianos de muitas nações.

 

 

Antônio Joaquim Coelho da Cunha

Integrante da CIP – PLOP - Comissão Interpaíses

Países da Língua Oficial Portuguesa

Membro da Academia Duquecaxiense de Letras e Artes

Rio de Janeiro - Brasil

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:57
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - FEITO PURPURINA

 

         

 

 

 

 

            Todos os anos ela vestia a fantasia. Escolhia os tecidos com meses de antecedência. Tudo era meticulosamente pensado, tais como as cores, as texturas, o viés e mesmo as linhas. Ela mesma desenhava, fazia os moldes, cortava os panos, juntava tudo como quem pinta um quadro sonhado e, com as linhas da vida, ia tecendo sua fantasia.

 

            Se nada fora como ela tinha imaginado, ao menos no Carnaval ela podia se libertar. Não havia justificativas, frustrações, sofrimento ou decepções. Estava tudo ao seu alcance, eu seu poder, tudo como nunca seria, pois não havia mais tempo para ser. Ela sabia que o tempo havia escoado à revelia de suas aspirações, do que ela imaginara que seria.

 

            Com ela, contudo, nada se deu como de costume, como esperado. Ela fazia parte das exceções e odiava isso com todas as forças de sua alma. Em algum lugar a vida deveria ter um rascunho, algum ensaio. Só que as cortinas já estavam quase cerradas e ela sequer havia participado do número de entrada, sem que, assim, pudesse ter a chance de participar do número principal.

 

            Decidira, para não enlouquecer, que, a sua forma, seria feliz, mesmo que fosse por poucos dias a cada vez. Tomou, por fim, as rédeas imaginárias que poderiam levá-la a lugares que ela sabia que nunca iria, mas que, ainda assim, queria saborear. No Carnaval, vestia suas fantasias, criadas em seu coração e arquitetadas em sua alma.

 

            A vida podia não ter ensaio, mas ela criara outro mundo; um mundo no qual ela era igual a todos os outros, no qual ela não precisava explicar suas escolhas ou suas ausências de escolha. Não precisava colocar um falso sorriso no meio do rosto, não precisava se arrepender do que não fora, do que não pudera ser.

 

            No Carnaval, enquanto os outros vestiam máscaras, ela tirava a sua. Mostrava o que era, o que sempre deveria ter sido, o que nunca poderia ter sido diferente. No Carnaval, ela era plena, repleta da juventude que não tinha, dos sonhos que ainda poderia viver, da vida que deveria sido e não foi.

            No Carnaval, ela era princesa, era rainha, era amada, era amante, era colombina, era purpurina... No Carnaval, os confetes lhe pertenciam, os aplausos também. No Carnaval, ela não era diferente, mas sim, normal. No Carnaval, no meio da folia, ela vestia, por fim, a fantasia, a fantasia da vida que ela queria poder viver e não vivia..

 

            Na quarta-feira, feita em cinzas, ela ressurgia como a fênix invertida, de volta ao arremedo do que chamava vida...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:44
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RENATA IACOVINO - VÍCIOS EXEMPLARES

 

 

 

 

 

 

 

Empenhamo-nos nas campanhas antitabagismo e antiálcool.

 

Fumantes – que antes conviviam socialmente nos mais variados meios – veem-se e são vistos à margem, sob olhares recriminatórios e encurralados num beco de preconceitos.

 

Crianças são preparadas para não aceitar os que se inserem nesse contexto.

 

Este preâmbulo não se presta a defender as drogas ou comportamentos fora da moda da moral vigente. Tampouco pretende fazer apologia a uma vida não saudável. Mas antes, tal reflexão veio-me à mente, quando, num restaurante, vi, na mesa ao lado, uma família. Parecia... uma família exemplar (pelo modismo moral vigente?).

 

As três gerações presentes. E a criança caçula já inserida num contexto tão necessário a ela quanto a eles...

 

Ela – com alguns meses de vida – estava sentada em seu cadeirão e à sua frente, um computador onde desenhos e imagens faziam sua... alegria.

Estabeleço, então, o paralelo de que lhes falei acima. O efeito daquela cena chocou-me mais do que ter uma fumaça de cigarro adentrando em minhas narinas enquanto mastigo. Hoje, não tenho mais esse dito incômodo da fumaça, até porque alguém decidiu por mim que isso me seria um incômodo.

Porém, ofende-me as retinas a má educação a que esse pequeno vai submetido. Sem escolhas. Já grandinho, não terá mais poder de distinguir sobre a nocividade ou não do que hoje lhe é aplicado. Estará, pois, submerso no vício.

 

Moderados de plantão dirão que esta é uma postura radical. Talvez os mesmos moderados que rechaçam os consumidores de fumo e álcool.

 

Tudo que nos é permitido adquire aspecto de normal. Então, nossa vista turva quando temos que encarar os possíveis malefícios que podem causar o fato de jogarmos no colo de um ser, sem discernimento ainda, um instrumento que contribui para futuros problemas a serem encarados e tratados pelos envolvidos. E os envolvidos somos todos, uma sociedade calcada no consumismo e no mínimo esforço.

 

Atribuímos o peso do consumo de tabaco aos próprios fumantes. Por que permitimos – sociedade civil e poder público – que os fabricantes continuem com as portas abertas?

 

Talvez pelos mesmos motivos que nos faz condescendentes com toda grade televisa e suas publicidades. A conveniência surge para criarmos um bem-estar aparente.

 

A mesma sociedade que condena uma droga, absolve outra. É... a droga da moda.

 

 

 

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:39
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JOSÉ RENATO NALINI - TOLERÂNCIA IANQUE

 

 

 

 

 

Convencer as pessoas de que ter armas é melhor do que não ter é a toada dos armamentistas. Eles são intolerantes em relação a quem abomina o uso da arma de fogo. Pior ainda, quanto a radicais – como eu – que acham que alguma coisa fabricada para matar nem deveria existir. Logo após mais uma chacina americana, agora com muitas crianças vitimadas, renasce o movimento frágil daqueles que são contra a venda indiscriminada de arma para o americano “se defender”.

 

Um jornalista que ousou contrariar o lobby dos fabricantes de armas teve sua cabeça a prêmio. Os ativistas pró-armas pediram à Casa Branca a deportação do britânico Piers Morgan, âncora da CNN. Isso porque num debate, ele afirmou que Larry Pratt, Diretor da Associação de Donos de Armas dos EUA, era um homem “perigosos”. Para o lobista, a chacina que matou 20 crianças e 6 adultos só foi possível porque a escola era um local sem armas.

 

Para ele, “os índices de homicídio são muito baixos onde as armas podem ser levadas livremente. Nós só temos problemas nas cidades e, infelizmente, nas nossas escolas, porque pessoas como você foram capazes de aprovar leis que impedem as pessoas de se defender”. O jornalista afirmou que isso era uma estupidez. Onde estão as estatísticas a comprovar que o uso de armas reduz a violência?

 

Ao contrário, é até intuitivo que aquele que possui arma de fogo vai se utilizar dela quando necessário. E existe vasto material já coletado na rotina forense e policial a demonstrar que o inocente portador de armas é um fornecedor gratuito de armamento para a bandidagem. Esta é profissional. O “homem de bem”, com armas “para se defender”, não sabe como evitar o golpe de quem se apodera de revólveres e pistolas dos jejunos.

 

Enquanto houver armas à vontade – e estamos num país onde consta existir um “Estatuto do Desarmamento” – os crimes violentos continuarão a ocorrer. Desarmar não é a solução, mas um eficiente paliativo.

 

Quantas as mortes que teriam sido evitadas se o assassino tivesse sido abordado e sua arma apreendida? O jornalista inglês ainda não foi expulso. Respondeu com a liberdade de expressão, também contida na mesma Constituição que permite ao americano possuir arma de defesa.

 

 

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



publicado por Luso-brasileiro às 11:33
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - A RESPEITO DE DANOS

 

 

 

 

 

 

 

 

Incomodam-me, demais,  campanhas de prevenção a isto ou aquilo, em que se propõe a redução de um dano sem que se aprofunde em consequências maiores. Acontecem há anos. Dentre elas se encontram algumas, no Carnaval, que dizem respeito ao uso de preservativo e, se beber, à troca de motorista. E deixo claro que não tenho nada contra o Carnaval como manifestação da alegria popular, do qual participei por vários anos, conduzida por marchinhas, confetes e serpentinas.

 

A proposta, das tais campanhas, é mais ou menos assim: pode-se encharcar de bebida, se pegar carona na volta para casa.  E, nos relacionamentos que surgirem, “põe camisinha e faz folia”. Dessa forma, ria à toa, pois “saúde vale ouro” e a DST passa longe.

 

Jamais neguei minhas convicções de formação familiar e de caminhada na Igreja.  Os princípios morais, nos quais fui criada, me fazem feliz e me ajudam a pedir perdão nas quedas. Possuo plena consciência de que as pessoas são livres e de que o Estado é laico e, por isso,  tenho o direito, como cidadã, de opinar. Em primeiro lugar, se fosse possível escolher, os impostos que pago não poderiam ser revertidos na compra de preservativos.  Seriam usados para material educativo que levasse as pessoas a um conhecimento mais profundo dos danos da promiscuidade sexual e do uso indiscriminado de bebidas alcoólicas, pois o que se vê é a disseminação das ideias, acrescentando termos chulos, de que basta trocar de banco do carro e usar preservativo “pra poder dar no couro”.

 

Não identifico, nessa época de festa, um material de aprofundamento sobre as doenças decorrentes do alcoolismo, de como se dá a dependência de álcool, do álcool como porta de entrada para o uso de outras drogas.  Ou se não dirigir, quando estiver alcoolizado, inviabiliza outros efeitos do álcool no organismo? Não encontro, igualmente, a preocupação com o estímulo à promiscuidade sexual, além das doenças sexualmente transmissíveis: desajustes emocionais, vazio interior, autoestima rebaixada, prostituição, distância da espiritualidade etc. É o chamado “vale tudo” que chega, na passarela e nas portas dos clubes, a todas as idades.  Pode-se argumentar que é uma escolha.  Mas será que estão todos realmente preparados, em seu discernimento, para essa escolha? E os adolescentes que são atingidos pelo mesmo tipo de “campanha” e, na rebeldia própria da idade, resolvem experimentar o uso de aguardente e de corpos?

 

Lamentável!

 

Como escreveu São Paulo em sua Carta aos Coríntios ( 6, 12): “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém”. 

A omissão é parte da ruína de um povo. Quem sem habilita, diante de conceitos equivocados, a protestar e  a mostrar as inconveniências do incentivo ao uso de álcool e da promiscuidade sexual, através de  propagandas equivocadas?

 

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coord. Diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:24
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CÔN. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO - O LEGADO DO PAPA BENTO XVl

 

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Diante da decisão do Papa Bento XVI de renunciar a partir do dia 28 de fevereiro o importante é, sem dúvida, que se reflita sobre o legado que o sucessor de bem-aventurado João Paulo II deixa para a História. Além de seu acendrado amor à Igreja, com sua invejável cultura, Ele soube sabiamente interpretar o Vaticano II apresentando orientações condizentes a este contexto pós-moderno. Bento XVI é um dos maiores intelectuais do mundo contemporâneo e se tornou um dos mais notáveis pontífices da História da Igreja, um Pastor de almas dedicado, a exemplo de São Paulo, fazendo-se tudo para todos para a todos salvar. Ele ofereceu à Igreja e ao mundo uma extraordinária lição de um estilo pastoral o qual revelou um serviço eclesial que patenteou um Pontífice inteiramente atento a todas as necessidades dos homens e mulheres de todas as nações, raças e crenças. Tal foi sempre sua postura em suas alocuções, nas suas viagens apostólicas na Itália e em outros paises, nos livros que publicou e, sobretudo, nas suas três monumentais encíclicas: “Deus é amor”;Spes Salvi sobre Esperança cristã e “Caridade na Verdade”. Ele soube recolher a herança deixada pelo seus predecessores e, com seu modo de ser doce e reservado, com suas palavras moderadas e profundas, com seus gestos medidos, mas incisivos fez um trabalho apostólico de uma relevância tal que superará todas as declarações tendenciosas daqueles que querem uma Igreja desestruturada e que pregam uma teologia libertária, bem longe da verdadeira libertação preconizada na Bíblia. Ele sempre soube escutar a palavra e a vontade divinas, se deixou guiar continuamente pelas luzes do Espírito Santo. Por isto ele foi um profeta que sempre falou de Deus com uma fidelidade, com um destemor dos grandes personagens bíblicos. Com coragem apontou sempre os erros do mundo hodierno, criticou a violência que pretende ter uma justificação religiosa, execrando sem cessar o relativismo e o hedonismo. Procurou corrigir os desvios éticos com prudência, mas com inflexibilidade. No centro de seu pensamento nunca deixou de estar presente a questão da relação entre a fé e razão, entre a religião e a renúncia à violentação da liberdade religiosa.  Não houve neste pontificado uma involução como certos comentaristas apressados estão propalando, nem ele foi um mero pontífice de transição, mas, isto sim, foi um papa de progressão, que impulsionou um movimento histórico ou marcha para diante da grei de Cristo, resguardando com firmeza os princípios que fundamentam uma fé esclarecida, baseada no amor de Deus pelo homem e que encontra na cruz do Redentor e na sua ressurreição sua máxima expressão. É que para Bento XVI a fé nunca foi uma questão a ser solucionada, mas um dom que deve ser redescoberto dia a dia, trazendo alegria e a plenitude da paz.   As especulações sobre as causas da renúncia do Papa são fruto de interpretações fantasiosas. Na sua declaração o Papa foi claro: “No mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice”. É um papa que deixará marcas positivas na história. Cabe agora aos fiéis rezarem para que os Cardeais, iluminados pelo Espírito Santo, escolham o novo Papa que prosseguirá impulsionando a Evangelização no mundo como o fez com galhardia e muito talento Bento XVI. Até lá haverá o abuso indevido dos termos conservador, progressista e quejandos, rotulando aquele que supostamente será o 265o sucessor de Pedro .

 

 

 

 

CÔN. JOSÉ GERALDO VIDIGAL DE CARVALHO   -  da Academia Mineira de Letras. Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos. - Viçosa, Brasil.

 

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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A SEMANA DE ARTE MODERNA E A CONSTRUÇÃO DE UMA CULTURA ESSENCIALMENTE NACIONAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com a Semana de Arte Moderna de 1922 passou a se desenvolver uma arte genuinamente brasileira. O evento não foi tão importante no seu contexto temporal, mas o tempo o valorizou sobremaneira, influenciando sucessivas gerações de artistas nacionais.

 

 

No período de 11 a 17 de fevereiro de 1922, realizou-se no saguão do Teatro Municipal de São Paulo, a Semana da Arte Moderna, manifestação cultural que constituiu no núcleo principal de todas as transformações que passaram a ocorrer no campo artístico a partir daquele ano até nossos dias. Dezenas de escritores, músicos, artistas plásticos e outros intelectuais propiciaram dias de dança, música, palestras, exposições de quadros, leitura de poesias e trechos de romances. O objetivo era fazer uma revolução cultural no País e introduzir no Brasil alguns dos mais novos conceitos de arte, já vigentes na Europa há mais de dez anos.

 

Na ocasião, foram expostas esculturas de Victor Brecheret, quadros de Anita Malfati, Tarsila do Amaral e Emiliano Di Cavalcanti. No palco do teatro os discursos de Graça Aranha, os poemas de Manuel Bandeira, a prosa de Menotti del Picchia e a música de Heitor Villa Lobos, tendo ao fundo o piano de Guiomar Novaes. Não faltaram também peças de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Sergio Milliet e Cassiano Ricardo.

 

            O movimento criou polêmica, angariando simpatizantes e detratores. No Brasil daquela época, apenas 20% da população era alfabetizada. Os jornais dispensavam pouco espaço ao assunto e a plateia que lotava o Municipal, constituída na sua maioria por uma elite de fazendeiros e empresários conservadores, vaiou os artistas. Hoje, decorridos noventa e um anos, outorga-se grande admiração para aquele provocativo grupo de jovens – erroneamente chamados, na época, de futuristas,  que influenciaram sucessivas gerações de artistas brasileiros.

 

            Tanto que, de acordo com Reinaldo Seriacopi, em artigo publicado na revista “Família Cristã”, “o regionalismo ganhou força nos anos 30 e 40, promovendo um encontro do Brasil consigo e trazendo para a literatura a linguagem do povo - dos sertões nordestinos de Graciliano Ramos aos pampas gaúchos de Érico Veríssimo. Eles eram diferentes da maioria dos romancistas anteriores, que idealizavam o povo, como acontecia com os índios românticos de José de Alencar, por exemplo” (02/1992- ps. 54/55).

 

            Na mesma matéria, o professor de literatura da USP, Valentim Facioli, se expressou no sentido de que os artistas surgidos depois da Semana de 22 continuaram e superaram o projeto inicial dos modernistas. “É um bom sinal, pois do contrário, ficaria provado que o movimento não era tão grandioso quanto se imaginava”. Para ele, a arte brasileira continua com muito potencial a ser desenvolvido “e as raízes estão no Modernismo”. Para Augusto Massi, a geração de 22, por ter atuado em todas as áreas culturais, foi responsável pela abertura de novos e variados caminhos artístico. “O tropicalismo representa, em termos de cultura de massa, o mesmo que a Semana de Arte Moderna” – afirma.

 

            Diz-se por isso, que o principal legado da Semana de Arte Moderna foi libertar a arte brasileira da reprodução nada criativa de padrões europeus, e dar início à construção de uma cultura essencialmente nacional e as ideias inovadoras continuaram a ser propagadas ao longo do tempo, criando-se concepções eminentemente próprias de nosso país.

 

Esperamos que a fraca memória popular não a apague de nossa história para que continue influenciando novos eventos que dinamizem não só a arte em geral, mas a própria cultura, ressaltando a sua função social, integrando-a ao projeto de auto realização de cada cidadão. Vale ressaltar, uma vez mais que, enquanto a os projetos  permanecerem  prerrogativas de reduzidos grupos sociais - como comprovadamente indicam as pesquisas atuais - afastando-se as massas populares por circunstâncias étnicas, econômicas, políticas, eleitoreiras ou por caprichos pessoais e meras disputas de forças unilaterais, dificilmente coexistirão moral pública, progresso material e vida familiar elevados, e que no entanto, são essenciais à consecução do bem comum e à satisfação das exigências humanas.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, escritor, jornalista e professor universitário. É autor de diversos livros, entre os quais, “Direito à Vida” (Ed. Litearte- 1999).

 

 

 

 

 

 

 

“Abaporu”, quadro de Tarsila do Amaral, um dos principais nomes da Semana de Arte Moderna de 1922

 

 



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PAULO ROBERTO LABEGALINI - OS DOZE "SIM" DE MARIA - PARTE ll

 

 

 

 

 

 

 

 

Oração é um banho em Deus, um mergulho no amor Divino; e quem faz uma experiência profunda na fé altera o futuro de muitas pessoas, como São Francisco que, mudando de vida, transformou o rumo da História. Portanto, o banho em Deus nunca é sozinho.

 

Ouvi isto em um retiro que participei. Foram feitas reflexões a partir do documento: ‘Maria, rumo ao novo milênio, publicado pela CNBB em 1998. Irei citar os doze‘sim’ da Santíssima Virgem no final do texto, mas, até chegar nesse parágrafo, transcreverei minhas anotações do retiro.

 

Sabemos que, embora batizados para uma vida na santidade, quase todos reclinam dessa condição e caem nos piores pecados. Com Maria Santíssima não foi assim. Concebida sem pecado original, se tornou a primeira discípula de Jesus, além de a mais pura alma que passou pela Terra, a mais santa e a escolhida do Pai. Para São Lucas, ela é a perfeita discípula, aquela que respondeu sempre: ‘Eis-me aqui, Senhor’. Por isso, Nossa Senhora ocupa um lugar especial na Igreja e, considerando que nossa consciência afetiva está no coração, nós a veneramos ainda mais a cada dia.

 

Na minha vida, muita coisa aconteceu e mudou para melhor com ela. Eu me chamaria Maria Auxiliadora se nascesse mulher e, desde pequeno, as comunidades que freqüentei foram todas marianas: Fátima, Medalha Milagrosa, Soledade, Agonia e do Sagrado Coração. Minha conversão maior em 1994 aconteceu quando comecei a rezar o terço e coloquei no peito uma medalha de Nossa Senhora.

 

Todas as curas e grandes graças que alcançamos em família tiveram a intercessão de Maria. E mesmo sabendo que todo poder vem do Altíssimo, sem a ajuda da querida Mãezinha nossa caminhada teria sido mais difícil. Então, faz muito sentido para mim a frase:‘Tudo por Jesus, nada sem Maria’. Também a música que cantamos nas missas é sempre oportuna: ‘Oh, vem conosco, vem caminhar, santa Maria vem!’.

 

Quem não perde a devoção em Nossa Senhora é mais feliz, porque somos seus filhos pelo laço da fé e ela é a imagem daquilo que a Igreja quer. E o que mais me ajuda a viver com ela é a perseverança na fé. Caminho sabendo que nunca estou sozinho e posso receber aquela ajuda que mais preciso. Também acredito piamente nos quatro dogmas de Maria: Mãe de Deus, Virgem Santa, Imaculada Conceição e Assunção ao Céu.

 

Os doze ‘sim’que disse a Deus fizeram dela a santa maior da Igreja. Eis um pouco daquilo que aprendi e guardo no coração:

O ‘sim da salvação’ na anunciação do anjo, o ‘sim da caridade’ na visita à prima Isabel, o ‘sim da vida’ no nascimento do Filho, o‘sim da obediência à tradição’ na apresentação do Menino no Templo, o ‘sim do Plano de Deus’ na fuga para o Egito, o ‘sim à família’ na perda e encontro do Filho, o ‘sim da humildade’ao saber que Jesus disse “minha mãe e meus irmãos são os que fazem a vontade do meu Pai”, o ‘sim da intercessão’ quando pediu vinho ao Filho nas Bodas de Caná, o ‘sim do silêncio’ quando acompanhou Jesus caminhando para o Monte Calvário, o ‘sim de Mãe da Humanidade’ ao acolher aos pés da cruz a vontade de Deus: “Mulher eis aí teu filho”, o ‘sim da felicidade’ ao saber da ressurreição, e o ‘sim de Mãe da Igreja’ em Pentecostes.

 

Eu gostaria de explicar um a um, mas prometi que contaria esta história neste artigo:

 

Construía-se uma grande catedral e muitos operários se ocupavam dos acabamentos. Um pavilhão fora especialmente preparado para outro importante trabalho – era o atelier dos escultores das imagens.

 

Um dia, um senhor resolveu penetrar na intimidade daquele recinto e, tendo identificado o mestre escultor, aproximou-se e contemplou o que fazia. Era a estátua de uma figura humana, entalhada em fino mármore. Lá pelas tantas, atreveu-se a indagar:

 

– Esta é a imagem que irá para o altar-mor?

 

O escultor voltou-se para ele como quem emergisse de profunda concentração e contestou:

 

– Não, este é um dos doze apóstolos que serão colocados ao longo do alinhamento mais elevado da cobertura.

 

– Nesse caso, as imagens ficarão a grande altura do solo e os detalhes jamais poderão ser apreciados! Vale a pena dedicar tanto tempo a isso?

A resposta do escultor veio rápida, encerrando o diálogo com sabedoria:

 

– Ele verá!

 

Pois é, caro leitor, mesmo que nem todos saibam de nossa paixão pela Mãe do Nosso Senhor, Ele sabe. A partir disso, Jesus fará florir no deserto da nossa vida. Isso aconteceu com o Padre Júlio Chevalier, que pediu para esculpir a imagem de Nossa Senhora do Sagrado Coração, onde o Menino aponta para a Mãe, como se dissesse: ‘Ela soube como chegar ao meu Coração’

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A MELHOR ESTATUETA DE EÇA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando entrevistei D. Emília Cabral, neta do autor dos Maias, fui recebido numa  sombria salinha onde havia muitas fotos de família, livros empilhados e sobre  mesa de roscas, em local de destaque, a estatueta de Gouveia, representando Eça de Queiroz.

 

A neta do escritor, reparando na minha curiosidade, declarou:

 

- Minha avó dizia: Se querem conhecer o avô, tal qual era, basta olhar a estatueta de Gouveia - e acrescentou: Conhece-a?!

- Perfeitamente, tenho um exemplar de gesso.

 

- Pois há poucas! - continuou D. Emília, - que eu saiba, existem quatro, (1) em Portugal: uma, é esta, outra a da minha mana, a Marquesa do Ficalho; há ainda a que se encontra na família da Duquesa de Palmela e a do Palácio de Belém, que pertencia a D. Carlos, julgo que se extraviou pelas caves, há muito….(2)

 

A palestra prosseguiu enquanto mostrava velhas lembranças das famílias: Eça de Queiroz e Condes de Resende.

 

 

 

 

 

 

 

                                                     Desenho a craião, feito pelo autor da célebre estatueta de Eça

 

Por certo a maioria dos leitores nunca ouviram falar do escultor Francisco da Silva Gouveia, ilustre portuense, que os livros de arte registam, a Wikilusa menciona e o dicionário de Eça de Queiroz nomeia e dá-lhe merecido relevo.

 

Tentarei, por maior, esboçar brevíssima biografia do escultor que - segundo a esposa do romancista, Dona Emília de Castro Pamplona (Resende), - conseguiu a melhor representação plástica de Eça:

 

Nasceu no Porto a 12 de Agosto de 1872, na Rua dos Ingleses, filho de abastado comerciante da Rua de S. João, da mesma cidade.

O pai, João Maria de Gouveia Pereira, pretendia prepará-lo para administrar os negócios paternos, mas o rapaz inclinava-se para o desenho.

Certa vez o tio Caetano - irmão da mãe - vendo o pai repreender acerbamente a inclinação, acicatou-o a matriculá-lo na Escola de Belas Artes.

 

Concluídos os estudos na Academia Portuense, deslocou-se a Paris para prosseguir o ensino com reputados mestres da escultura europeia.

Em França foi discípulo de Rodin e Injalbert e recebeu aulas de Falguière, Pueche e Rolard, sendo admitido na Academia Julien e Calaron.

 

O jovem artista torna-se rapidamente conhecido em Paris, graças a tertúlias e às concorridas recepções que Eça de Queiroz organizava na embaixada.

Certa tarde do ano de 1890 estava Gouveia a trabalhar no atelier quando deslumbra, pela janela de guilhotina, graciosa menina, de tez clara e lhano meneios.

 

Abeirou-se da vidraça e verifica que a jovem trajava uniforme do Liceu Fenelon.

 

Era Claire Jeancourt, órfã, oriunda de Boult-aux-Bois. Gouveia ficou entusiasmado com a beleza, mas não se encorajou a declarar-lhe afeição.

Semanas mais tarde, conversando com amigos da precisão de aperfeiçoar o seu francês, pediu-lhes que indicassem professor. Qual não foi o assombro quando soube que a mestra era a menina por quem andava enamorado.

 

Meses depois casaram na Igreja de Notre Dame de Champs, apadrinhados pela Senhora Duquesa de Palmela.

 

Infortunadamente, em 1914, “Fran” - diminutivo carinhoso como a mulher o tratava, - adoeceu gravemente e regressa inopinadamente a Portugal.

Consultado o Dr. Manuel Correia de Barros, oftalmologista, avisaram-no que havia perigo de cegar.

 

Receoso, agasalha-se com a esposa no lar da Ordem do Carmo, no Porto, abandonando os tasselos e as matrizes de fundição.

 

 Nos anos quarenta era frequente vê-los passear pela baixa portuense. Ele, baixo, gordo, segurando guarda-chuva de paninho preto, quase sempre aberto; ela, muito branca, rosada nas faces, esquelética e de estatura elevada.

 

Gouveia iniciou em Portugal as exposições individuais - de inicio nos salões de casas fotográficas; - e foi agraciado pelo Rei D. Carlos, Cavaleiro de S. Tiago; reconhecimento pátrio do elevado valor artístico de sua obra.

 

Na Grande Exposição Universal de Paris do ano de 1900, obteve a medalha de prata e várias menções honrosas pelas obras expostas.

 

Ficou na memória dos que o conheceram a extrema dedicação da esposa. Conta-se que certa manhã de Primavera, Claire, já viúva, deixou tombar, por descuido, o retrato do marido. Curvou-se vertiginosamente e com os olhos azuis, azul miosóte, turvados de lágrimas, beijou-o com ternura e afectuosamente disse:

 

- “ Oh! Perdon, mon amour!

 

Das obras de Silva Gouveia destaca-se a célebre estatueta do escritor, considerada a melhor caricatura de Eça de Queiroz e talvez a estatueta mais notável de Portugal, segundo o parecer de reportados críticos de arte.

 

Exemplar da “Estatueta Célebre” - como foi conhecida na época, - foi adquirida pelo Rei D. Carlos. Até à data do regicídio permaneceu sobre a secretária do seu gabinete de trabalho.

 

Francisco da Silva Gouveia faleceu a 28 de Dezembro de 1951, no Porto, no Hospital dos Terceiros do Carmo.

 

Aqui tem, caro leitor, a breve biografia do artista que conseguiu prender, no bronze, a melhor representação do genial escritor.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal.

 

 

 

 

 

1 - Equivocou-se a neta do Eça. Deve haver dezenas, em colecções particulares, além das que foram adquiridas pela: Sociedade “Amigos da Arte” de Bordeux, Academia de Ciências de Lisboa, Museu de Arte Contemporânea, e a que se encontra em Tormes. No Rio de Janeiro, há também um exemplar, pertença de António do Nascimento Cottas. Existe, também, um excelente baixo relevo, de Gouveia, que em nada é inferior à estatueta. Esse sim, é raríssimo; assim como desenho a craião, que ilustra este artigo,do ano de 1927, feito pelo autor da "estatueta célebre".

2 - A estatueta de bronze, que pertencia a Rei D. Carlos, foi adquirido, mais tarde, pelo Marquês de Ficalho , num antiquário lisbonense.

 

 

 

 



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EUCLIDES CAVACO - O DIA DOS NAMORADOS
 
 
 
 
 
 
Olá prezadíssimos amigos
Acabadas as folias de Carnaval, ressurge mais um dia romântico para celebrar O DIA DOS NAMORADOS Aqui lhes deixo a minha versão poética dedicada a esta efeméride tão especial que poderão ver e ouvir em Poema da Semana ou aqui neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Dia_dos_Namorados/index.htm

 

 

FELIZ DIA DOS NAMORADOS E DE SÃO VALENTIM.
 
 
 

Euclides Cavaco  - Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

cavaco@sympatico.ca


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Sábado, 9 de Fevereiro de 2013
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - TUDO ISSO É FÈ

 

 

 

 

 

 

 

Participei, com outros integrantes da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, do 8º dia da novena da 13ª. Festa do Padroeiro São João Bosco, no bairro Eloy Chaves, com Missa presidida por Dom Gil Antônio Moreira, atual arcebispo de Juiz de Fora. O tema da festa foi a colocação de Dom Bosco: “Nossa vida é um presente de Deus e o que fazemos dela é um presente a Ele”. O cuidado e o carinho do pároco, Padre Leandro Megeto – desde Seminarista - e dos organizadores, dentre os quais também destaco o Diácono Benedito Pedro, com o Sagrado e o humano, em todas as situações, incensa com perfume do céu a alma dos que participam das celebrações daquela paróquia.

 

A partir da Carta Apostólica do Papa Bento XVI, com a qual se proclamou o Ano Fé, de 11 de outubro de 2012 a 24 de novembro de 2013, Dom Gil Antônio, em sua homilia, refletiu sobre a mesma, trazendo claridade e alegria aos que encontram em Deus o sentido maior de sua vida.  E nos convidou a viver uma fé renovada, celebrada, determinada e compromissada, testemunhando-a na certeza da Eternidade. Cristo ressuscitou e nossa fé, portanto, nas situações agradáveis e desagradáveis, não é vã.

 

Dentre os ensinamentos da fé, que guardo de Dom Gil, em outras situações,  é o de acolher as horas de Deus e elas se diferenciam.  Há horas das trevas, mas o Senhor também nos conduz no vale da escuridão. E nessas horas não se pode esquecer Jerusalém do Calvário e da Páscoa. O Salmo 136 retrata bem isso: “Às margens dos rios de Babilônia,/ nos assentávamos chorando,/ lembrando-nos de Sião./ Nos salgueiros daquela terra,/ pendurávamos, então, as nossas harpas,/ porque aqueles que nos tinham deportado/ pediam-nos um cântico. (...) Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor/ em terra estranha?” Mas testemunha, em seguida, a fé na Cidade Santa: “Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém,/ que minha mão direita se paralise!/ Que minha língua se me apegue ao paladar,/ se eu não me lembrar de ti,/ se não puser Jerusalém acima de todas as minhas alegrias”. É um cântico de dor e de resistência à Babilônia, cujo reinado humano se rebela contra Deus.  O amor apaixonado por Jerusalém e pelo Senhor está acima de tudo.

 

Dom Gil destacou que a fé vivida e celebrada nos transporta aonde não podemos chegar. Creio nisso. Quantas vezes experimentei, além de mim, a emoção da epifania. Quantas vezes ouvi uma voz diferente de minhas conclusões humanas e que me desviou do vale da morte. Quantas vezes vislumbrei uma carícia de Deus numa paisagem, nos tons de uma borboleta, no voo de uma avezinha, em um abraço inesperado. E, diante das intempéries, o Senhor nos diz: “No mundo havereis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo”. Tudo isso é fé.

 

 

 

Maria Cristina Castilho de Andrade

Coord. Diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala, Jundiaí, Brasil.



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RENATA IACOVINO - REVOLUÇÃO E SENSIBILIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Falar em pontualidade relacionada a horário, neste país, soa estranho. Ou melhor, ser pontual parece estranho, porque falar... todos falamos.

            Queremos pontualidade, criticamos a falta dela, mas parece que sempre corremos atrás de sermos pontuais.

 

            Comentei, em outro artigo, sobre como, nos dias atuais, o empenho da palavra perdeu sua força. "Dar a palavra" é quase equivalente a não dar. Uma face de uma mesma moeda. A moeda que nada vale... Coitada da palavra, pobre palavra, reduzida à miséria (des) humana do descaso, do descarte, da abreviação desmedida e perversa, que faz de nossa rica Língua, um bueiro de verborragias tóxicas e anômalas.

 

            Não é de se admirar que conceitos básicos como "ser pontual", dirigir-se ao outro educadamente, e antes, lembrar que existe o outro, respeitá-lo em sua diferença, saber que há o diverso, inclusive... tornou-se atitude obsoleta.

 

            Pois vivemos a cultura do uniforme, dos cérebros massificados, do tudo igual que é legal, do modismo medíocre e apático, desvestido de olhar crítico, desvestido de olhar...

 

            Em outros tempos - e é interessante lembrar que há bem pouco - ser diferente era o que provocava a transformação. A diferença é o que praticamente sempre fez a revolução. Mas não mais queremos a revolução, queremos a involução. A busca pelo crescimento estagnou-se em prol de uma tecnologia embebida de fetiches e artifícios que levam quase qualquer um ao claustro anti-intelectual.

 

            E a revolução está em pequenos atos. Não falo apenas da revolução feita por alguns e sonhada por tantos outros idealistas. Refiro-me, principalmente, àquela que está ao nosso alcance no dia a dia. Uma revolução poética. A que nos faz acordar da automação, nos dirigirmos ao outro de maneira verdadeira, sem cordialidades hipócritas. Olhar para o outro e, de fato, vê-lo, ouvi-lo.

 

            O que existe, hoje, é um eco surdo: falamos para que nós mesmos ouçamos. Ouvir o outro? Nem pensar! Parece que com tanta tecnologia, vimos evoluindo um dispositivo que repulsa o diálogo e coisinhas do gênero.

 

            O peixe que se vende é que toda essa nova forma de informação e de... evolução (?), cria uma nova geração dotada de potencialidades diferentes. Resta saber se essas potencialidades não estão deteriorando outras.

 

            O cérebro é passível de ser substituído. E como destruiremos a sensibilidade?

 

 

 

 

Renata Iacovino, escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /
reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 14:28
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