PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2013
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - SÃO BRÁS, UM EXEMPLO DE VIDA A SER SEGUIDO

 

        

 

 

 

 

03 de fevereiro é Dia de São Brás, protetor da garganta. Por sua atuação, obteve enorme evidência na comunidade cristã. “A vida e os feitos de São Brás atingem aquele ápice de alguns poucos, que atraem a profunda fé e a admiração popular”. Seguindo seu exemplo, vamos construir um mundo melhor que começa a partir de uma atitude pessoal de respeito ao próximo que pode se refletir posteriormente em diversos campos da vida.

 

 

 

 

Quem nunca ouviu alguém invocar São Brás quando se depara com uma pessoa se engasgando ou com dores de garganta?  A Igreja Católica Apostólica Romana consagra o dia 03 de fevereiro a este santo, destacando que ele é venerado no Oriente e Ocidente com a mesma intensidade ao logo de séculos, o que não é um quadro comum.  Sua vida é marcada por inúmeras passagens que lhe outorgaram títulos como “Protetor da Garganta”, “Médico dos Pobres” e “Padroeiro dos Veterinários” junto com Santo Egídio.

 

Nascido na Armênia, no século III, atuou como médico e bispo em Sebaste. Como profissional da medicina, usava dos seus conhecimentos para resgatar a saúde, não só do corpo, mas também da alma, pois se ocupava em evangelizar os doentes que tratava. Além do mais, preocupava-se em atender a todos, indistintamente e sem quaisquer preocupações pecuniárias ou ganhos materiais. Por atribuir grande valor à parte espiritual e por conta da dedicação e do cuidado extremos com seus pacientes, obteve enorme evidência na comunidade cristã.

 

Depois de intensa perseguição religiosa, refugiou-se em um lugar solitário e longínquo. Porém, após ser descoberto e preso, foi duramente torturado e degolado no ano de 316. E foi exatamente durante esse período que surgiu a fama de protetor da garganta. De acordo com o catolicismo, ao se dirigir para o martírio, foi-lhe apresentada uma mãe desesperada com seu filho, que estava sufocado por uma espinha de peixe entalada na garganta; diante desta situação teria curado milagrosamente a criança. Hoje, São Brás é bastante invocado na cultura popular, principalmente quando alguém se engasga. Para tanto, existe até a rima “São Brás, São Brás, ajuda este rapaz. São Brás, São Brás, desengasga por trás. São Brás, São Brás, para frente e para trás, No prato tem mais”.

Em muitas dioceses existe o uso de no dia de hoje se dar aos fiéis a bênção de São Brás. O sacerdote de sobrepeliz e estola vermelha traz na mão esquerda, em forma de cruz, duas velas bentas e, benzendo as pessoas que se apresentam, diz: “por intercessão de São Brás, Bispo e Mártir, defenda-te Deus contra os males da garganta e contra qualquer outro mal, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

 

Outra história que lhe é atribuída o coloca como protetor de animais selvagens. Durante a perseguição aos cristãos, os homens que o caçavam descobriram uma caverna cercada de bichos ferozes que estavam doentes. Dentro do local estava São Braz, que andava entre eles, sem que o atacassem. Reconhecido como bispo foi levado para julgamento. No caminho de volta ele convenceu um lobo a soltar um porco que pertencia a uma camponesa. Por isso, também é tido, ao lado de Santo Egídio, como padroeiro dos Veterinários.

 

Conforme o Pe. Sérgio J. Souza indicou em seu blog, “a vida e os feitos de São Brás atingem aquele ápice de alguns poucos, que atraem a profunda fé e a admiração popular”. Efetivamente, um missionário que nasceu de uma família nobre e recebeu uma educação cristã, a ponto de abandonar os bens materiais para se dedicar à evangelização. Um exemplo de solidariedade, que nos convida a uma séria reflexão sobre a importância de desenvolvermos uma convivência mais fraterna, notadamente numa época em que o desenfreado consumismo se sobrepõe a inúmeros princípios, tornando as pessoas mais frias e insensíveis.

 

Em homenagem a São Brás, vamos respeitar a vida e a diversidade, rejeitar a violência, ouvir o outro para compreendê-lo, preservar o planeta, redescobrir a convivência solidária, buscar equilíbrio nas relações de gênero e étnicas, fortalecer a democracia e os direitos humanos. Seguindo seu exemplo, vamos construir um mundo melhor que começa a partir de uma atitude pessoal de respeito ao próximo que pode se refletir depois em diversos campos da vida, no meio ambiente, na sociedade, na saúde coletiva entre outros.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. Atualmente é vice-presidente da Academia Jundiaiense de Letras e professor de Direitos Humanos da Faculdade de Direito do Centro Universitário Pe. Anchieta de Jundiaí



publicado por Luso-brasileiro às 18:17
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LAURENTINO SABROSA - POSTAL DE PARABÉNS AOS NAMORADOS

   

 

 

 

 

 

                                                                                                  

                                 PREZADOS ANIVERSARIANTES

 

 

 

 

 

O dia 14 de Fevereiro, Dia de São Valentim, é tradicionalmente o Dia dos Namorados. Nesse dia, esse santo espalha as suas benesses com bonomia e alegria aos casais bem intencionados que se namoram e se amam.

Antigamente, havia duas espécies de namorados: os que se conheciam, se namoravam para se conhecerem melhor e amarem mais, para depois de toda esta fase de preparação, iniciarem nova fase da vida num casamento; havia ainda, sempre houve, os que iniciavam a fase de preparação por se  conhecerem, mas logo, sem passarem pelo intermédio, se lançavam na fase de casamento, sem casamento.

 Modernamente, abunda esta espécie de namorados, que assim se consideram perante a sociedade, e entre si se consideram como tal, talvez numa ilusória sensação de sólida felicidade.

Será que São Valentim dispensa a esta espécie de namorados as suas benesses com a mesma alegria que com os outros? Não podemos julgar ou saber ao certo, mas nós, se fossemos “namorados” tínhamos a sensação de que não.

Cada qual procura a sua “cara-metade”. No namoro provisório que é substituído pelo casamento definitivo, a sua “cara metade” é uma incrustação, firme e imóvel como se fosse uma implantação óssea: no namoro definitivo que substituiu o casamento, a sua “cara-metade” é um encosto flexível e amovível, como se fosse uma prótese.

Prezados aniversariantes, qualquer que seja a situação pessoal, estimamos que tenham celebrado com felicidade o Dia dos Namorados e que com igual felicidade tenham celebrado o dia do aniversário. Para além desses votos de felicidade por uma longa vida, esperamos que Deus lhes conceda com complacência as suas bênçãos e as suas graças, no que será secundado por São Valentim com bonomia e alegria, principalmente por não terem preferido a prótese.

 

Em meu nome e em nome do PAZ

 

 

LAURENTINO SABROSA    -   Senhora da Hora, Portugal

                            laurindo.barbosa@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 18:11
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - O FUTURO JÁ CHEGOU ?

 

 

 

 

 

 

Leia esta história:

 

‘Meu avô com noventa e tantos anos, estava sentado no banco do jardim olhando suas mãos. Sentei-me ao seu lado e lhe perguntei se estava bem. Ele levantou a cabeça e sorriu:

 

– Estou bem, obrigado – disse em voz suave. – Alguma vez, querido, voce já olhou suas mãos?

 

Lentamente as abri e contemplei. Virei as palmas para cima e para baixo, fiquei sem palavras e não sabia exatamente o motivo da pergunta. Então, meu avô explicou:

 

– Pense um momento sobre como suas mãos têm lhe servido através dos anos. As minhas, hoje enrugadas, secas e débeis, têm sido ferramentas que usei toda a minha vida para pegar e abraçar. Elas puseram comida em minha boca e roupaem meu corpo. Quandocriança, minha mãe me ensinou a juntá-las em oração. Estiveram sujas, esfoladas, ásperas e dobradas. Mostraram-se inábeis quando tentei embalar minha filha recém nascida; decoradas com uma aliança, revelaram ao mundo que eu amava  alguém muito especial.

 

Comecei a entender que aquela conversa reservava momentos de muita emoção e resolvi prestar mais atenção quando meu avô continuou:

 

– Elas tremeram ao enterrar meus pais, minha esposa, e suaram quando entrei na igreja com minha filha no dia de seu casamento. Estas mãos têm penteado meu cabelo, lavado todo meu corpo e, até hoje, quando quase nada em mim funciona bem, estas mãos me ajudam a levantar, a sentar e ainda se juntam para rezar. Elas são as marcas de onde estive e, o mais importante, são estas mãos que Deus tomará nas Suas quando me levar à sua presença.

 

Desde então, nunca mais vi minhas mãos da mesma maneira, e lembro perfeitamente quando Jesus esticou Suas mãos, tomou as de meu avô e o levou. Agora, sempre que uso as mãos penso em meu querido avô. Jamais esquecerei que, na verdade, nossas mãos são uma benção!’

 

E você, leitor, o que está fazendo com suas mãos? Elas expressam carinho ou repulsam os outros? Preciso dizer-lhe para dar graças a Deus por elas, pois somente aqueles que amam com o coração limpo têm motivos para se orgulhar das mãos que receberam.

 

Sem medo de errar, posso afirmar que as mãos do nosso tempo não são como as de antigamente. Quando criança, ladrões só apareciam de vez em quando e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os ‘lanterninhas dos cinemas’ nos expulsassem pelas batidas de pés nas matinês de domingo. Mães, pais, professores, avós, tios e vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração. Confiávamos plenamente nos adultos.

 

Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror. Hoje, dá tristeza por tudo que perdemos, por tudo que meus netos um dia temerão, pelo medo no olhar de crianças, jovens e velhos. Matar os pais, os avós, seqüestrar, roubar, passar a perna, tudo virou banalidade de notícias policiais, logo esquecidas após o primeiro intervalo comercial.

 

Dizem abertamente que não levar vantagem é ser otário e pagar dívidas em dia é bancar o bobo. Há milhares de ladrões nas esquinas das cidades grandes, assassinos com cara de anjo no interior, pedófilos de cabelos brancos sorrindo como se nada de grave estivesse acontecendo! O que há conosco? Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas, recém-nascidos morrendo de fome! Que valores são esses?

 

Os carros valem mais que abraços, celulares coloridos são encontrados nas mochilas dos recém saídos das fraldas, TV ligadas o dia todo, DVDs com filmes pornográficos, vídeos-game de matança... O que mais virá em troca de um abraço? Mais vale um baseado do que um sorvete, mais valem dois vinténs do que um sorriso!

 

Fico pensativo quando leio isto nos blogs:

 

“Quando foi que o que existia de bom sumiu ou virou ridículo? Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho? Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado, sem sentir medo? Quando me fechei ou me fecharam? Posso querer de volta a minha dignidade, a minha paz? Tenho o direito de sentar na calçada e ficar com a porta aberta nas noites de verão? Quero a vergonha e a solidariedade de volta à minha vida! Abaixo o ‘ter’! Viva o ‘ser’!”

 

Bem, se você e eu fizermos nossa parte bem feita e contaminarmos mais pessoas, muita coisa poderá melhorar. Também temos que rezar mais para Nossa Senhora nos abençoar.

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:06
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FRANCISCO VIANNA - O PAULISTA ESTÁ ENTREGUE À PROPRIA SORTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A pior coisa que pode acontecer a um país é a deterioração da segurança pública. A saúde até que a gente se vira e consegue obter de modo mais ou menos razoável. A educação e o ensino também, embora a lavagem cebral marxista as tenha desvirtuado. Mas quando as pessoas vivem com medo até de sair de casa, aí a coisa pega de vez. E essa é a situação do Brasil, principalmente das grandes cidades e, em particular, a maior da América do Sul, ou seja, São Paulo.

A situação beira os limites da tragédia nacional, pois a megalópole brasileira é a sede das grandes empresas nacionais e transnacionais, além de ser a capital econômica da nação e o maior centro cultural da América do Sul.

Um casal de excelentes amigos meus, hoje, mora e concentra seus negócios e atividades de uma empresa familiar em Jacareí, que dista de São Paulo cerca de setenta quilômetros. Conhecem São Paulo como as palmas de suas mãos, mas não suportaram mais viver lá, depois que ele foi assaltado mais de quarenta vezes e chegou a ser baleado no joelho, que hoje o incomoda muito. Estão sempre indo lá para quase tudo, mas, na hora de deitar e dormir com segurança e depreocupação, dirigem os setena quilômetros de volta para a segurança paga do condomínio onde moram e são meus vizinhos.

E não são apenas eles, pois conforme uma pesquisa realizada recentemente, 56% dos que vivem em São Paulo, mudariam de cidade, caso pudessem; 71% têm medo da violência urbana; 63% não saem de casa à noite, a não ser em caso de absoluta necessidade. São números impactantes que refletem a crua realidade da falência da segurança pública na megalópole, onde a municipalidade se tornou refém da bandidagem e onde os marginais, simplesmente, entravam a maior cidade do país.

Pergunta-se, em intermináveis mesas redondas e debates prolixos, como combater e reverter uma situação trágica como essa?

Como carioca, inevitavelmente me lembro da década de 1960, quando a bandidagem começava a sitiar a cidade do Rio de Janeiro, onde eu ainda morava, e como o chamado “esquadrão da morte”, colocou os pingos nos is e passou a despachar bandidos dessa para pior com uma eficiência invejável. Os “presuntos” se multiplicaram a cada dia e apareciam nos locais de “desova” com seus corpos cravejados de balas dos mais diversos calibres e quase sempre com um cartaz rústico de papelão que em poucas palavras “qualificava” o bandido e dava o nome do próximo a ser executado.

Foram anos de sossego e segurança para a família carioca, que gostava de se reunir à noite nas calçadas para tomar cerveja, discutir futebol e jogar buraco. A bandidagem que não foi executada, conseguiu se espaventar para São Paulo, para Minas Gerais e para o Espírito Santo, para salvar a própria pele. Isso no escalão inferior, já que a bandidagem do escalão superior começava a se transferir para o planalto central do país. Paulistas, mineiros e capixabas se apavoraram com o súbito crescimento da criminalidade em seus estados, fruto dessa diáspora maldita e, como se poderia esperar, começaram a combater o EM (que para uns era “esquadrão motorizado”, mas para a maioria era mesmo “esquadrão da morte”) e conseguiram acabar com essa milícia paramilitar que trouxera quase uma década de segurança e tranquilidade para a família carioca.

O resultado disso foi que a bandidagem retornou ao Rio de Janeiro, tanto no baixo escalão como no alto, com o governo do gaúcho Leonel Brizola. Aí juntaram-se a fome com a vontade de comer. O retorno das gangues à “terra prometida” e o “socialismo moreno” de Brizola estupraram a cidade e criaram o crime organizado na antiga “cidade maravilhosa”. Daí a estender-se para uns 450 quilômetros ao sul e se estabelecer em Sâo Paulo, foi um pulo.

O que ocorre na ”pauliceia desvairada” de hoje é a concentração de um fenômeno que já se dissemina por todo o Brasil, qual seja a “era da bandidagem organizada e impune, tanto em nível comunitário como em nível governamental”, ambas as instâncias interagindo para se protegerem da justiça e da indignação das pessoas de bem, que trabalham e geram a riqueza deste país.

Em São Paulo o crime organizado, tanto por baixo como por cima – ou como diz uma conhecida charge: tanto ‘privado’ como ‘estatal’ –, adquiriu características de “grande empresa”, com apoio local, nacional e até internacional, de traficantes de drogas, das FARC, de políticos corruptos, de outros tantos tentando subverter – e conseguindo – a ordem democrática e institucional do país, tudo como uma orquestra sob a regência do famigerado Foro de São Paulo, uma organização espúria de “socialistas” na maioria deles ‘viúvas da Queda do Muro de Berlim’, com sede em Brasília, e que, no seu afã de trazer para o Brasil o atraso socialista do qual o mundo já tem se livrado, tem gerado mais mortes do que todas as guerras atuais do mundo juntas são capazes de produzir.

Há uma guerra civil, não declarada mas não surda, atuante em curso no Brasil, centrada em São Paulo, com suas “cracolândias” e com uma bandidagem estimulada a detornar com a cidade, para mostrar o “quão ineficiente é o governo não petista”...

Justamente pela cidade contar com os maiores veículos de comunicação, a criminalidade é estimulada de forma covarde com fins políticos e econômicos espúrios, onde sua ação passou a ser rotineira, intimidante, criando o espectro mais assustador de uma população que cresceu e se desenvolveu com as armas do trabalho e do capital.

São Paulo deixou de ser hoje o destino de brasileiros egressos de outras regiões mais atrasadas, porque o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo, e aqueles que para aqui vieram e não se educaram e se capacitaram estão voltando às suas regiões de origem. A cidade, no entanto, continua sendo o ‘El Dorado’ dos bandidos de todo o país e até do exterior, alguns até condenados em seus países, mas ideologicamente protegidos em Pindorama.

Eles formam hoje a principal força contra o trabalho e a empresa produtiva, esta última tendo ainda que enfrentar a maior extorsão fiscal de todos os tempos impostas pela “ilha da fantasia” na qual Brasília foi transformada nas duas últimas décadas. O brasileiro – e a maior parte de São Paulo – gera a sexta maior economia do mundo... Gera, mas não consegue geri-la! Quem o faz é a restrita burguesia do politiburo armado em Brasília e composto de “sucialistas”, ou seja, de pessoas representantes do “socialismo de súcia”, de quadrilheiros, a predarem o dinheiro público. Está aí o imenso rosário de escândalos que se sucedem diuturnamente, com mais ênfase nas duas últimas décadas.

A lei dos grandes números, no entanto, ainda situa a criminalidade paulistana, com base no índice de assassinatos por cada cem mil habitantes, como um dos menores do Brasil, e issso significa apenas que essa mesma criminalidade ainda tem muito espaço para se expandir. E os recursos que já são gastos no combate tradicional da violência pela violência desfalcam de forma inexorável as aplicações que a cidade deveria alocar em educação, transporte público, infraestrutura e assistência médica e hospitalar.

Pergunto, então, se a segurança pública não seria algo a ser “terceirizado”, privatizado, feita através de “milícias empresariais”, uma espédie de “EMs” oficiais? Já que, mesmo de forma clandestina deu tão certo para os cariocas por mais de uma década, por que não daria certo também para os paulistanos?

É claro que o nosso judiciário teria que criar uma metodologia legal que desse a essas “empresas de segurança por concessão”, o poder de operar uma limpeza sumária da bandidagem, pelo menos no “baixo clero” da sociedade paulistana, uma vez que na cúpula, a coisa é bem mais complicada. Sabe-se que, “havendo vontade política” – e é aí que a porca torce o rabo – o Judiciário brasileiro, cuja maleabilidade de interpretação da lei já é antológica, poderia perfeitamente criar as condições para esse tipo de “modus operandi” empresarial.

Com mais tranquilidade e paz social, o poder público poderia gastar muito menos no setor e passar a ter um montante de recursos maior para investir na educação e ensino, na formaão de mão de obra competitiva, na melhoria da assistência médica e hospitalar – inclusive para a imensa legião de drogados que povoam as ruas da cidade – e para combater a exclusão social, inserindo os excluídos no mercado de trabalho e não mantendo-os marginalizados pela simples distribuição de esmolas e bolsas.

A maior população urbana do país, São Paulo, tem hoje também a maior população carcerária e, quando se tem um Ministro da Justiça a dizer que “preferiria a morte a ser internado numa penitenciária brasileira” – alocução que proferiu muito mais em vista da condenação de seus colegas e amigos réus do mensalão do que por qualquer outro motivo antropológico –, vemos que, na prática, a polícia prende e a justiça solta, mais para aliviar a pressão carcerária do que por qualquer convicção de uma pseudo-reeducação social dos que cumprem pena.

Ora, se tal círculo vicioso cresce exponencialmente, resultando em mais mortes, então há motivos de sobra para se crer que a tal “terceirização da segurança pública”, possa de fato direcionar essa mortandade em grande parte para as hostes criminosas, pelo menos do ‘baixo crime’, já que, no ‘alto crime’, o buraco é mais embaixo.

 

Uma coisa me parece certa: ou se encontra um meio de, literalmente, limpar a cidade de São Paulo, fazendo prevalecer o conceito de conhecido delegado de polícia que afirmava que “bandido bom é bandido morto e enterrado de pé para não ocupar muito espaço”, ou veremos cada vez mais a barbárie sendo incorporada ao dia a dia dessa imensa cidade e, por via de consequência, ao do país inteiro.

Não nos iludamos, estamos em guerra e numa guerra que está matando muito mais do que as guerras habituais matam. Assim sendo, temos que prover bunkers e trincheiras eficientes para proteger a vida e o patrimônio daqueles que de fato trabalham e geram a riqueza nacional, mesmo sem poder gerí-la.

Que venham, então, os EMs terceirizadores e concessionários da segurança pública. A media é mais radical, menos dispendiosa, e mais eficiente para combater a criminalidade comum de “baixo clero”... A cena final do filme nacional "Tropa de Elite" mostra em cinemascope a causa de toda a bandidagem que atua em São Paulo. Cena mais explícita não poderia ser concebida. Se você não viu o filme, veja, e saberá a resposta.

 Segunda feira, 28 de janeiro de 2013

 

 

 

 

FRANCISCO VIANNA  -   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 17:58
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - LILICA: UM EXEMPLO PARA TODOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lilica é cachorrinha vira lata. Não tem dono, nem casa, nem casota, para se abrigar. Vive desamparada, em imunda lixeira.

 

Cansados da cadelinha, abandonaram-na em local onde abunda ferro velho e velhos utensílios imprestáveis.

 

Ficou só, triste, perdida entre asquerosos desperdícios, entre animais muito magrinhos, muito enlameados, muito raquíticos., que vegetavam, ruminando comida suja e deteriorada.

 

Para aumentar a desdita, teve oito encantadores cachorrinhos, que eram seu enlevo. Mas, se o alimento escasseava para ela, como iria saciar a fome dos filhinhos queridos?

 

Como mãe, e mãe carinhosa, sabia que competia-lhe a obrigação de cuidar dos filhotes.

 

Desesperada, de coração contrito, abala, em busca do sustento, por ruas e becos da cidade.

 

Depois, mais afoita, caminha, cautelosamente, por movimentada estrada. Conhece a indiferença, a maldade, os sentimentos cruéis dos humanos.

 

Se nada fizer, seus filhos morrerão. Mergulhada nesse aflitivo pensamento, procura, busca, pede, suplica. É mãe, e como mãe extremosa, ama os filhotinhos.

 

Quis Deus; sim quis Deus, porque, como dizia o Santo de Assis, os animais também são criaturas do Omnipotente, que deparasse com quem a compreendesse.

 

Terminada a farta e saborosa refeição, Lilica lembrou-se dos filhinhos, que lá longe, esfomeados, aguardavam seu regresso. Tenta, sem êxito, arrastar a saquita, que continha a apetitosa comida. Depois, desanimada, volvendo o focinho, atira  olhar suplicante para a benfeitora.

 

Entenderam-na, e caridosamente, ataram a saquinha plástica.

 

Por curiosidade ou amor, vão no encalço, no propósito de descobrirem onde morava.

 

Galga dois quilómetros, pela borda da estrada, sempre com a saquinha bem presa nos dentes, e vai depositá-la junto dos filhos, que ansiosamente a esperavam.

 

Os cachorrinhos cresceram. Foram adoptados; mas Lilica, recorda que no ferro-velho há animais indefesos, que precisam dela.

 

E assim, diariamente, pela quietude da noite, quando o movimento acalma, embuçada na negridão da noite, trilha a estrada, evitando assim a crueldade da molecagem, para tomar a refeição, que benfeitora prepara com ternura e amor.

 

Abarca depois a saca, e percorre dois perigosos quilómetros, para chegar ao local onde os esfomeados animais a esperam.

 

O gesto altruísta, já é admirado e divulgado, por todos que se sensibilizam com a atitude, de extrema caridade, da humilde Lilica. A meiga cachorrinha bem merecia – a exemplo do que se passa noutros países, por gestos menos nobres – que a população e o Município de São Carlos, erguesse, como exemplo para a juventude, monumento, em praça pública da cidade, para que não se esqueça o extraordinário gesto de bondade, da pobre cachorrinha.

 

Bem queria que todas as mães fossem tão carinhosas e tão altruístas, como a rafeira de São Carlos.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:29
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EUCLIDES CAVACO - NOITES DE LISBOA

 

 

 

 

 

Olá caríssimos amigos e amantes da poesia...

 

NOITES DE LISBOA Faço-vos aqui um convite especial para virem comigo numa excursão imaginária até Lisboa para apreender como o FADO inebria as noites de Lisboa. Imagine-se vagueando pelos bairros alfacinhas ao ouvir este tema em poema da semana ou aqui neste link:

 

 

 http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Noites_de_Lisboa/index.htm

 

 

 

Euclides Cavaco  - Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

cavaco@sympatico.ca

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 16:51
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