PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 21 de Dezembro de 2013
JOÃO CARLOS MARTINELLI - LOUVAR O NATAL É COMEMORAR A VIDA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Mais do que comprar presentes e encher a geladeira de comes e bebes, é  necessário cultivar a espiritualidade e a prática social da solidariedade que ajuda  a transformar a sociedade. Procuremos fazer do Natal, uma festa permanente, capaz de renovar para todos, sem quaisquer distinções, a esperança de tempos melhores e dias mais felizes

 

 

Até mesmo em países onde a população cristã é minoritária, o Natal marca a grande festa da solidariedade universal. Por mais que tentem revestir essa data de um caráter manifestamente comercial, ela tem resistido aos mecanismos de consumo, mostrando que sua mensagem é mais forte do que qualquer manipulação de seus símbolos, que  freqüentam tanto as vitrines iluminadas dos grandes magazines como a sala de visita de quase todas as casas, nos lugares mais recônditos do planeta.

 

Efetivamente, num mundo tão cingido por desavenças e injustiças de toda espécie, o menino que nasce em Belém nos convida a olhar fundo para o nosso próximo e lembrar que ele é irmão de Cristo e, portanto, nosso irmão, renovando as esperanças de que um dia os homens conseguirão viver em paz e fraternidade.

 

Louvar o Natal é comemorar a vida, reafirmando na família e na comunidade, os valores do Evangelho libertador de Jesus, pois a encarnação é um ato que nasce da liberdade e do amor. Por isso, todos os anos, a sua celebração deveria se transformar em momento de meditação e nessa trilha, enquanto forem furtados ao povo, em especial à criança, os direitos de acesso à educação, à saúde, à moradia digna não haverá festejo natalino, porque falta libertação.

 

Os indivíduos sem tempo ou condições para pensar, oprimidos e espoliados terão maiores dificuldades em acreditar também no amor divino. Aí está a nossa grande responsabilidade: contribuir para que este país propugne por uma distribuição igualitária de renda e por dignidade para sua gente, constantemente explorada em suas aspirações mais primordiais.

 

Com um pouco mais de ânimo, apesar da insegurança do tempo, da fragilidade dos relacionamentos que nos envolve  e rouba de nós o essencial, sem que  percebamos isso, precisamos colocar em prática os ensinamentos do Menino que veio nos libertar, para amarmos e transformarmos nossa vida por amor, fazendo da convivência,  num momento marcado por conflitos e opressões, a grande escola de harmonia e isonomia entre os seres. Invocamos aqui, a título de reflexão, Maria Helena Brito Izzo, terapeuta clínica e familiar: - “Tomar consciência do lento e gradativo processo de transformação que acontece, diariamente, conosco e com as demais pessoas ao nosso redor, ajuda-nos a lidar melhor com as mudanças  e nos beneficiar delas” (Revista “Família Cristã”- 12/96- p.29).

 

O clima natalino envolve as pessoas, sobretudo num clamor de poesia e ternura, singeleza e encanto, fazendo renascer  sentimentos de sincera humanidade, de compreensão e de compaixão, alimentando a confiança mútua. Os sorrisos afloram com mais facilidade e as armaduras construídas na dura batalha cotidiana parecem menos impenetráveis, talvez em sinal de reverência, mesmo que inconsciente, a um Deus que se fez homem, para assumir o mundo.

 

E cada pessoa assume o Natal toda vez que com um gesto de fraternidade, um apelo à justiça, um abraço de perdão, permite que Jesus nasça em seu coração. Desejamos assim, aos nossos leitores e amigos, que a festa do menino de Belém aconteça na concórdia e em plenitude de amor e um 2014 iluminado pela Boa Nova de vida, realizações e respostas para os anseios da grande maioria.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI  é advogado, jornalista, escritor e professor universitário .

 

 

 

 

 

             



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LAURENTINO SABROSA - NATAL 2013

 

 

 

 

 

 

 

O tema mais versado em toda a Literatura, poesia, contos, autos teatrais, cenas de romances, etc., tem sido o Natal. Muito mais que a Páscoa, o que, canonicamente, é um contra senso, porque teologicamente a Páscoa tem um significado muito superior. E porquê? É possível que os sofrimentos da Paixão de Cristo tenham um profundo efeito na psicologia colectiva, e a alegria da Ressurreição fique um tanto esbatida. Na Páscoa há Cristo sem haver Jesus; no Natal, há Jesus sem haver Cristo. E é a figura de Jesus, que desde logo, até pelo próprio nome, é Salvador, é aquele adorável bebé pobre, de doce nome, que concita o nosso amor, que nos fascina, encanta e nos faz despertar para a poesia e alegria.

 

 Eu ainda acredito, mesmo sem já saber quem mo ensinou, que quando a Santíssima Trindade “resolveu” mandar à Terra Deus-Filho como Seu Plenipotenciário, a grande maioria dos anjos da corte celeste nem sequer se apercebeu disso, foi furtada a esse conhecimento, para não sentirem a tristeza da solidão, tão grande era o fascínio e o encanto por Ele, tão excelsa e querida era entre eles a Sua presença. Foram destacados apenas alguns, especialmente instruídos para, por entre as nuvens e sob o luar, anunciarem a glória de Deus e abençoar quem a quisesse reconhecer.

E deve ser por isso, por até na mansão celeste poder haver solidão, que existe cá neste tugúrio terrestre um sentimento atroz que tem exactamente esse nome de solidão, de que se diz, quando é menos atroz, que “mais vale só que mal acompanhado”, mas, quando é mesmo atroz e pungente, nos faz sentir que mais vale estar mal acompanhado que não ter companhia nenhuma.

 

O aspecto da solidão, que na época do Natal se agiganta cruelmente, é nas poesias ou contos de Natal, especialmente focado. Tenho em memória uns versos muito simples de Ruy Belo, poeta que podia ser dos nossos dias se não tivesse tido vida tão curta:

 

 

 

                     É dia de Natal, a festa da família,

              Um deus nasceu.

              Não me sinto sozinho mas estou sozinho,

             Toda a minha família sou só eu

 

 

 

Mas, se no Céu é possível os anjos sentirem solidão, há uma coisa que nós neste tugúrio terrestre podemos ter, mas eles não. Céu é Céu, ricamente Céu; Terra é Terra, pobremente Terra, porque há muita terra e muito saibro, e, por isso, as limitações e maldades humanas criaram a penúria, que sobretudo nos dias de hoje, talvez mais do que nunca, aflige a humanidade.

 

Caro leitor. Segundo os conceitos humanos, para termos Natal feliz basta não termos nem solidão nem penúria. Mas, conforme dizem os grandes espíritos, “eu não tenho direito a ser feliz sozinho”, e, para este efeito, eu sou eu e toda a minha família. Eu, um só com a minha família, tenho obrigação de não ter solidão, sendo eu sozinho a não ter solidão e a não ter penúria. Diz-se muitas vezes que Natal deve ser todo o ano e apela-se para a fraternidade humana, de maneira tão vaga e imprecisa que não passa de palavras de circunstância. Que podemos fazer, então, para que os outros não tenham nem penúria, nem solidão? Podemos dar ajuda moral e a ajuda pecuniária ao nosso alcance. E podemos, ainda, fazer um pouco mais. Principalmente quem estiver razoavelmente bem instalado na vida, deve dirigir as suas orações a Deus em agradecimento por isso, e a pedir para os outros, tanto quanto possível segundo a vontade divina, o que temos e até aos nossos olhos é bom, como o conforto da nossa cama, a segurança do nosso tecto, a abundância da nossa mesa.

 

 Vou fazer ao leitor uma proposta, que a muitas pessoas talvez pareça alucinada ou febril. Arranje um grupo de amigos com quem reze a uma certa hora combinada, por cinco minutos, cada qual no refúgio do seu lar, por intenção e a favor dos castigados, por sua culpa ou não, pela penúria e pela solidão. Eu costumo fazê-lo às 21 horas, após a labuta diária, após o jantar, hora de serenar e de meditar. Se lhe apraz, pode fazê-lo também a essa hora, e, se formos muitos, haverá então uma grande união de pensamento à distância, uma cadeia espiritual de solidariedade, em uníssono, embora silenciosa e anónima, mas operosa perante Deus, que a acolherá segundo os seus desígnios, que não podemos conhecer e muito menos contestar.

Caro leitor. Se fizer o que estou a sugerir, pode ter a certeza de ter aquele Natal que lhe desejo, cheio de felicidade, alegria e poesia.

 

 Em meu nome e em nome do Blog Luso-Brasileiro  P A Z  

 

 

 

 

LAURENTINO SABROSA    Senhora da Hora, Portugal

laurindo.barbosa@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

    

                                                                                 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:28
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - BUSCA POR BELÉM

 

 

 

 

 

 

 

 

Aluna de meu tempo de magistério, que retornou há alguns anos como presença, por suas indagações a respeito da morte trágica da mãe, partiu sem que eu soubesse que adoecera. Na época de seu luto, encaminhei-a para conversar com Sacerdotes amigos e lhe ofertei livros de reflexão, que poderiam ajudá-la. Embora não nos víssemos com frequência, continuava em minhas preces e no meu desejo de que a chama de seu coração se acendesse e a afastasse das sombras.

 

Menina ainda, de uniforme azul-marinho, caderno impecável, chorava demais para não se manter em sala de aula. Caso a mãe ficasse no corredor, se acalmava. Invertera os papéis: sentia-se responsável por preservar a mãe. Talvez a sua rebeldia, em certas situações, fosse uma maneira de que se ocupassem com ela e, dessa forma, desviaria a atenção sobre a mãe, em seu conceito: desprotegida. E aconteceu exatamente assim: faltou segurança para que a mãe não se fosse.

 

A morte dela doeu em mim e, por compreender um pouco de seu íntimo, me ocorreu de imediato o soneto “Eu” de Florbela Espanca: “Eu sou a que no mundo anda perdida,/ Eu a que na vida não tem norte,/ Sou a irmã do Sonho, e desta sorte,/ Sou a crucificada... a dolorida.../ Sombra de névoa tênue e esvaecida,/ E que o destino amargo, triste e forte,/ Impele brutalmente para morte!/ Alma de luto sempre incompreendida./ (...) Sou talvez a visão que Alguém sonhou,/ Alguém que veio ao mundo pra me ver,/ E que nunca na vida me encontrou!”.  Era um pouco de sua história.

 

Embora o consumismo tente encobrir, estamos no Advento, época de preparação para celebrar uma história diferente, a história do Natal de Jesus. Os pastores, excluídos naquele século, que guardavam rebanhos na monotonia da noite, envoltos pelos gritos das aves agourentas, avistaram um resplandecer estranho, que venceu a escuridão e trouxe com ele os anjos no anúncio do nascimento do Salvador. Deixaram tudo e se dirigiram à gruta de Belém. Os reis também, pelo sinal dentre planetas e astros, notaram o grande acontecimento para a humanidade e saíram em viagem. São histórias repletas de vida.

 

A história de minha ex- aluna foi de busca incessante pela estrela que leva à Belém do Menino e, nessa procura, tombou inúmeras vezes. Não cabe a ninguém julgá-la. Somente ela e Deus sabiam o quanto sangrava o emaranhado de espinhos que a sufocavam por dentro. Somente ela e Deus sabiam aquilo que lhe dificultara os passos para caminhar sem titubeios de naufrágio.

 

A outra história, a do Natal, é a de Quem aportou no mundo para se encontrar com você, com ela, comigo.  As trevas, às vezes disfarçada de luz, fecham as portas a Ele e entortam caminhos. As trevas, infelizmente, atravessam gerações. Faltam coragem e vontade para clarear a noite e ouvir o cântico dos anjos.

 

Desejo que a menina, da década de setenta, esteja, com seu sorriso aberto e seu olhar de brilho e ternura, diante dAquele que veio ao mundo também para vê-la e, embora ela não percebesse, a encontrou desde o ventre materno.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE   -É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:23
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FELIPE AQUINO - ELE VEIO PARA O QUE ERA SEU

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade. (Jo 1, 8)

 

 

Nas quatro semanas do Advento a Igreja nos leva a meditar e preparar o coração para celebrar as duas Vindas de Jesus Cristo. As cores e símbolos da liturgia nos ajudam nisso. A Coroa do Advento com as quatro velas que vão sendo acendidas uma a cada semana nos preparam e ensinam.

 

A vela vermelha significa a Fé que o Menino traz ao mundo; a certeza de que Deus está conosco, armou a sua tenda entre nós; “revestido de nossa fragilidade, Ele veio uma primeira vez para realizar o seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação”, diz um dos Prefácios do Advento.

 

A vela branca a simboliza Paz; este Menino é o “Príncipe da Paz”, disse o profeta Isaias (11,1s). Quando o Seu Reino for implantado, “a justiça será como o cinto de seus rins, e a lealdade circundará seus flancos. Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi.  A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu santo monte, porque a terra estará cheia de ciência do Senhor, assim como as águas recobrem o fundo do mar.” (Is 11, 5-8).

 

 

 

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A vela roxa (quase rosa) simboliza a alegria do Menino que chega para salvar. É a alegria mitigada pela cuidadosa vigilância do tempo da espera.

 

A vela verde traz a simbologia da Esperança que o Deus Menino traz a todos os homens de todos os tempos e todos os lugares. “Sem Deus não há esperança”, disse há pouco o Papa Bento XVI na encíclia “Spe Salvi (Salvos pela Esperança); e “sem esperança não há vida”, concluiu o Pontífice. É esta esperança  de uma vida feliz aqui e no Céu que o grande Menino veio anunciar com sua meiga e frágil presença na manjedoura de Belém.

 

 

 

 

 

 

 

A primeira vinda de Cristo mostra todo o amor de Deus por nós. Ninguém mais tem o direito de duvidar desse Amor. Ele deixou a glória do Céu, dignou-se assumir a nossa frágil humanidade, para nos levar de volta para o Céu; Ele aceitou viver a nossa vida, derramar as nossas lágrimas, comer nosso pão de cada dia… e, por amor puro a cada um de nós dar um mergulho nas sombras da morte para destruí-la.

 

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo 1, 1s).

 

 

 

 

 

 

O amor de Deus não é o amor de novelas, com músicas românticas e palavras sensuais; é amor que se revela por fatos, atos, renúncia, sofrimento…  É amor que gera a vida.

 

São João apresenta o Menino que vai chegar: “A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam… Ele era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam”. A Luz de Cristo resplandeceu nas trevas mas essas não a compreederam; as trevas fogem da luz, tem medo dela, porque a luz revela o erro. Quem faz o mal, pratica o crime, busca a calada da noite para que a luz não o denuncie. Por isso Jesus foi logo perseguido pelo cruel tirano Herodes Magno.

 

Disse a Lumen gentium que “só Jesus Cristo revela o homem ao próprio homem”; Ele é “a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo”; é por isso que o Papa João Paulo II disse em sua primeira encíclica “Redemptor Hominis” que: “ o homem que não conhece Jesus Cristo permanece para si mesmo um desconhecido, um mistério inexplicável, um enigma insondável”.

 

Sem Jesus Cristo o homem não sabe quem é, não sabe o que faz neste mundo, não sabe o sentido da vida, do sofrimento, da morte, da dor e das estrelas… é um coitado e um perdido como muitos filósofos ateus que se debateram em meio de suas trevas e acabaram arrastando muitos outros consigo para uma vida vazia e triste. Não foi à toa que muitos jovens suicidaram-se lendo o “Werther” de Goethe e a “Comédia Humana” de Balzac. Depois de ler “A Nova Heloisa” de Jean Jacques Rosseau uma jovem estourou os miolos em uma praça de Genebra e vários jovens se enforcaram em Moscou depois de ler “Os sete que se enforcaram” de Leonid Andreiv”. Só Jesus Cristo “é a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo”. Um dia Karl Wusmann, escritor francês, entre o revolver e o crucifixo, escolheu o crucifixo… e viveu. (J. Mohana, Sofrer e Amar).

 

“Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.”

 

O Natal nos traz esta certeza e esta enorme alegria: somos filhos amados de Deus; que nos fez para Ele, por amor. Ele fez para nós as estrelas, o cosmos, as pedras , os rios, as montanhas, os animais, os peixes das águas e os pássaros do Céu,  o doce fruto da terra, o perfume das flores, a harmonia das cores e o mar que murmura o Seu Nome a cantar… Obrigado Senhor!

 

 

 

 

 

 FELIPE AQUINO   -  Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:09
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - ANO NOVO COM AMOR NO CORAÇÃO

 

 

 

 

 

 

Este texto ensina como montar um presépio espiritual. Já que Natal é o ano inteiro, sugiro que siga estes conselhos em 2014:

 

ESTÁBULO – Ofereça frequentemente o seu coração ao Menino Jesus. Peça-Lhe para fazer dele a Sua casa.

 

TELHADO – Procure construir o telhado do estábulo em boas condições, para que o Menino esteja protegido da chuva e do sol. Faça isto evitando cuidadosamente qualquer pecado contra a caridade.

 

FENDAS – Tape todas as fendas nas paredes do estábulo, para que o vento e o frio não entrem lá. Guarde os desejos de tentações na caixa de orações. Guarde especialmente os seus ouvidos contra as conversas pecaminosas.

 

TEIAS DE ARANHA – Limpe as teias do seu presépio espiritual. Tire do coração qualquer necessidade excessiva de ser louvado.

 

MANJEDOURA –Arranje o canto melhor e mais quente do coração para a manjedoura de Jesus. Consegui-lo-á abstendo-se do que gostar mais na linha do conforto e do divertimento.

 

PALHA – Forneça palha macia à sua manjedoura, fazendo pequenos atos de mortificação, como suportar o frio sem se queixar, sentar-se e ficar meditando etc.

 

COBERTORES –Forneça à manjedoura cobertores macios e quentes. Evite palavras ásperas e não se zangue. Seja gentil para com todos.

 

COMBUSTÍVEL – Traga combustível para o presépio de Jesus. Desista da sua vontade própria: obedeça prontamente a sua Igreja.

 

ÁGUA – Consiga água fresca e limpa para o presépio. Acabe com toda palavra que não seja verdadeira e todo o ato traiçoeiro.

 

PROVISÕES – Forneça comida para o presépio. Prive-se de alguma coisa nas horas das refeições ou de guloseimas.

 

FOGO – Tenha o seu coração aquecido por um fogo acolhedor. Seja grato a Deus pelo amor que Ele nos mostrou em Se tornar homem.

 

BOI – Ofereça ao Divino Menino a sua força física. Use-a ao serviço dos outros.

 

PRENDAS – Reúna alguns presentes para Deus e Sua Mãe. Dê esmolas aos pobres e reze uma dezena extra do rosário.

 

PASTORES – Convide os pastores mansos e humildes de coração a prestarem homenagens ao nosso Rei recém-nascido. Imite as suas vigilâncias e insista no discurso de que o Natal é importante porque Jesus nascerá novamente em nós.

 

ANJOS –Permita aos anjos adorar a Deus consigo. Obedeça as inspirações do seu anjo da guarda e da sua consciência cristã.

 

SÃO JOSÉ –Acompanhe a dor de São José ao ver fecharem-se-lhe as portas em Belém. Aprenda pelo silêncio e pela paciência a suportar recusas e desapontamentos.

 

VIRGEM MARIA – Vá ao encontro da sua Bem-aventurada Mãe. Leve-a à manjedoura do seu coração e peça-lhe que ponha nele o Menino Jesus. Substitua as suas demoradas conversas telefônicas por mais tempo junto à Sagrada Família.

 

Será um ano fascinante se tudo isto for praticado. Fascinante também é ter esperanças no amanhã, não invadir o espaço alheio, ser espontâneo, amar as pessoas incondicionalmente, vencer a tristeza, perdoar a todos, brincar feito criança e chorar de felicidade.

 

E como é fascinante ter pensamento positivo, respeitar os sentimentos dos outros, ser sincero, encontrar motivação nas pequenas coisas, entender que somos pessoas únicas neste mundo, não se apegar a bens materiais, adorar um dia de chuva, enxergar além das aparências e descobrir que precisamos uns dos outros.

 

Fascinante ainda é ver a beleza da alma limpa, vencer a passividade, saber que a vida é conseqüência das nossas atitudes, praticar a humildade, curtir as vitórias, viver apaixonado pela pessoa certa, entender que há limites para tudo, fazer parcerias com os amigos, dormir em paz, melhorar os relacionamentos, aproveitar as boas oportunidades e acreditar na vida eterna!

 

Quantos bons conselhos para vivermos um grande ano, repleto de bênçãos e felicidade! É um lindo presente de Deus permitir a qualquer pessoa se converter, amar e perdoar sempre. Pena que o tempo vai passando e muita gente não se deixa convencer que ser cristão é servir o próximo gratuitamente. É tão fácil experimentar e se apaixonar pela caridade!

 

Pense um pouco e responda: ‘Sou capaz de renunciar alguns dos meus sonhos para aceitar a vontade de Deus em minha vida?’. Para isto acontecer, basta você colocar mais amor no relacionamento com as pessoas.

 

Que tenhamos um santo Natal, um lindo adeus a 2013 e um feliz 2014 com muita fé no coração.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:56
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FAUSTINO VICENTE - NATAL, VALIDADE TEMPORÁRIA

 

 

 

 

 

 

 

 

Presenciamos uma cena  num supermercado que nos levou a uma reflexão sobre a validade temporária do espírito natalino.Estávamos na fila de um caixa e na nossa frente um garoto que, ao pedir  que lhe desse dinheiro para pagar o pacote de açúcar e de café, que trazia nas mãos,teve a sua iniciativa bruscamente interrompida.

 

Ato contínuo, ao seu pedido, surgiu um segurança bem trajado,boa aparência pessoal e avantajada compleição física que,inclinando-se para o garoto, disparou a seguinte frase: “você tem trinta segundos para cair fora da loja...29,28,27...”.Assustado, o garoto largou as mercadorias e saiu em disparada.

 

Essa foi a constrangedora cena protagonizada por um garoto pobre e um segurança despreparado profissionalmente.No exato momento nos veio a mente o pensamento do pacifista indiano Mahatma Gandhi (1869-1948), que dizia – “a pobreza é a mais cruel das violências”.

 

Mesmo que o garoto estivesse simulando uma eventual compra, apenas para comover as pessoas a lhe dar dinheiro, a orientação da empresa poderia ser outra.Acreditamos que o segurança agiu por pura ignorância, que o dicionário conceitua como: “Ausência de conhecimento, falta de saber, condição de quem não é instruído.Estado de quem ignora ou desconhece alguma coisa,não tem conhecimento dela.”

 

Foi exatamente o que o funcionário demonstrou não ter,conhecimento dos mais elementares princípios de respeito ao ser humano, de cidadania e da essência dos programas de responsabilidade social,cujos resultados têm sido eficazes. Cabe as empresas capacitar à todos os seus dirigentes e funcionários,á dar soluções adequadas à cada uma das situações similares a presenciada por nós.

 

A inadequada atitude do segurança pode ter incentivado no garoto o espírito de revolta contra a sociedade.

 

Participar de ONGs, como voluntário em projetos de responsabilidade social do Terceiro Setor, é uma das formas disponíveis para a redução  da cruel desigualdade social existente hoje no mundo. Será no relacionamento interpessoal do dia-a-dia que vamos revelar se,realmente, estamos exercitando o mais nobre dos sentimentos - o amor ao próximo.

 

Na família, na escola, no  trabalho e nas nossas atividades recreativas,esportivas e sociais temos inúmeras oportunidades de demonstrar a nossa responsabilidade social (individual)  tratando as pessoas como gostamos de ser tratados -  como seres humanos.

 

Cabe ao Primeiro Setor – poder público – a responsabilidade maior de diminuir o abismo existente entre a ilha de ricos e o oceano de pobres,desenvolvendo políticas públicas que levem educação e saúde de excelente qualidade à todos os cidadãos. A elevadíssima carga tributária e as altíssimas taxas de juros bancários, pré-embutidas nos preços dos produtos, são  os mais vorazes predadores do poder aquisitivo das pessoas assalariadas.

 

O Segundo Setor – iniciativa privada – tem, na manutenção de um clima organizacional prazeroso, a oportunidade de demonstrar o seu respeito aos funcionários através do estilo de liderança compartilhada, programas de incentivos motivacionais, sistema de comunicação interativa,oportunidades de carreiras e salários compatíveis com a função. O comportamento ético da classe empresarial poderá minar o mais poderoso império do planeta – o Quarto Setor. O “faturamento” das atividades da chamada - informalidade – representa o maior “PIB” do mundo. O tão famigerado CD pirata é apenas a ponta do iceberg de uma gigantesca “nuvem” financeira que gravita em torno da terra semeando desemprego informal,sonegação de impostos e operações comercias com elevado grau de ilicitude.

 

A cena de discriminação ocorrida no supermercado nos leva à concluir que Albert Einstein (1879-1955) tinha razão: “é mais fácil  quebrar um átomo do que um preconceito.”

 

A nossa esperança é que, a (curta) temporada de espírito natalino, agregue valores não materiais ao nosso cotidiano.

 

 

 

 Faustino  VicenteConsultor de Empresas e de Órgãos Públicos, Professor e Advogado

 

 

 

 



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - BRINCANDO AO SOL

 

 

 

 

 

 

 

Domingo. Tarde de Verão. Anos sessenta.

 

 

Na ampla varanda, virada para a cidadela, a menina de pele morena, brinca.

 

Descalça, perna descoberta, num leve cicio, tagarela baixinho com o boneco Bonifácio.

 

Ao redor, espalhado no chão de marmorite, há fragmentos de antigos brinquedos, roupinhas de variegadas cores, e folhas de papel de jornal, que lhe servem de tapete.

 

A luz quente do sol da tarde, patina-lhe a pele bronzeada, cor de centeio, e arranca brilhos e rebrilhos doirados, dos delicados e macios cabelos castanhos.

 

Seus olhos escuros, lampejam de contentamento. Balançam, dançam, sem cessar: ora se cravam no desengonçado boneco; ora se fixam, enternecidos e ridentes, nos meus.

 

Paira no tépido ar, doce perfume rescendente, que vem da cozinha. É a mana, que tem a massa do bolo da merenda, no forno.

 

Ao longe, muito ao longe, andorinhas acrobáticas riscam arabescos no céu azul - ferrete; e passarinho, todo cinza, de peito manchado de amarelo, que descansa na arvorezinha do quintal, canta, a espaços, chilreios tão harmoniosos, que dir-se-ia que são para alegrar este quadro de sublime beleza.

 

Recostado no largo varandim de ferro, olho inebriado, em fascínio e amor, a menina de pele morena.

 

Seus olhos meigos riem-se e saltam de alegria, e dos delicados lábios vermelhos, vermelhos como cerejas, soltam-se inteligíveis palavras, tão suaves, num murmúrio tão doce, que mal quebram o silêncio desta serena tarde de domingo.

 

Se tivesse poder, poder mágico, a visão encantadora, permaneceria para sempre, parada no tempo.

 

Mas a amorosa aguarela, de tons quentes, cheia de sol e poesia, não passa, infelizmente, de saudosa recordação.

 

 

 

***

 

 

Debruçado no parapeito da janela de meu quarto, sentindo a luz reconfortante do sol de Inverno, bafejar - me o rosto, recordo o passado, que se esfuma, deixando na memória, pálidas lembranças de felizes momentos.

 

Esse quadro, ocorrido num passado longínquo, vive dentro de mim: vejo, nitidamente vejo, de alma enlevada: a menina, na flor da infância, na idade da inocência, brincando descuidadamente, na sacada de sua casa.

 

Esta luz clara que acaricia-me a face; este sol refulgente e acolhedor, é o mesmo que iluminou o quadro amoroso, o momento sublime, que vivi: de menina, na flor da idade, brincando ao sol, na sacada de sua casa.

 

No crepúsculo da vida, na quietude do quarto, em época natalícia, recordo, a menina que brincava ao sol, numa tarde de domingo.

 

Menina que esperava-me no portão de sua casa, e corria, enlaçando os frágeis bracitos, ao redor de meu pescoço.

 

Onde estarão, agora, os lábios rubros, que se franziam em botão, para cobrirem-me de carinhosos beijos insalivados?

 

E as mãos macias, cor de areia, minúsculas e aveludadas, que se colavam às minhas, para correrem casas de sua casa?

 

E a menina, que brincava, inundada de sol, numa tarde de domingo, na varanda de sua casa?

 

Decerto á casada. Cercada de filhos. Uma santa e sisuda mamã.

 

A tez, já não deve ser macia, como pétalas de rosas, nem, os lábios rubros como cerejas, nem, os cabelos se doiram ao receberem luminoso raio de sol.

 

Mas no corpo disforme - pelos anos e maternidade, - vive, dormindo e sonhando, a menina de outrora, que brincava na sacada encharcada de sol.

 

Ao envelhecer, rodeada de netinhos travessos, há-de, por certo, recordar com saudade, esse e outras cenas da infância feliz.

 

Compreenderá, então – se ler este recordo, – meu doce recordar.

 

Aguça, o rodar dos anos, as lembranças, e deixam-nos sensíveis ao tempo que já não é…ao passado que passou.

 

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 

 

 

 

 

 

 

 



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Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2013
EUCLIDES CAVACO - PRESÉPIO DE NATAL
 
 
 

PRESÉPIO DE NATAL Para esta semana seleccionei um tema simples que nos tenta conduzir ao preciso local onde o Menino teria nascido. Este tema é musicado e interpretado pelo Geraldino e seus filhos que lhe dão asim um formato mais aliciante e mais Natalício. Ouça e veja Presépio de Natal aqui neste link:


 

Euclides Cavaco - Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

cavaco@sympatico.ca
 
 
 
***

 
                   NATAL 2013
 

Todos os anos me vem à ideia

As lembranças ternas do Natal

Adorava o presépio e a candeia

Que iluminava Jesus naquele curral!

 

Tempos de criança, muita emoções

Que enchia a minha existência

Hoje vejo o que vai nos corações

Alegria do Natal com sua esência!

 

E em atropelos sas lojas se invadem

Procurando a prenda, um achado

Apesar que Jesus é para ali achado.

 

Tempo de alegria e de fraternidade

Para vivermos em comunhão e acreditar

Que Natal e Jesus é coisa para meditar!

 

JORGE VICENTE Director do Periódico "Fri-luso", Suiça.

 


 
 
 
 
 


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Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2013
JOÃO CARLOS MARTINELLI - O NATAL E A CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE VERDADEIRAMENTE JUSTA E FRATERNAL.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Infelizmente, a metamorfose do Natal em festa consumista já foi incorporada à rotina, ocupando lugar de destaque no calendário comercial. A popularização da figura simbólica de são Nicolau, sob as vestes de um generoso ancião, acabou por deixar em segundo plano a imagem do nascimento de Jesus Cristo, o motivo da celebração. Mais do que nunca, por isso, precisamos recuperar o verdadeiro sentido da comemoração natalina, resgatando o caráter humanista de que é dotada. 

 

 

Estamos chegando  ao Natal e, com ele, nos é oferecido um momento especial para refletir novamente sobre o significado desta data e principalmente, afastarmos o risco da perda do sentido do sagrado em nossas relações. Realmente a santidade assusta e incomoda já que desnuda a nossa mesquinhez. É sempre um acicate, mas também atrai. Madre Tereza de Calcutá, doente e desvalida permaneceu generosa e operante, deixando um magnífico exemplo de doação e um indelével rastro de bondade. Tanto que está sendo canonizada e brevemente será consagrada santa pela Igreja Católica Apostólica Romana.

 

Nessa trilha, lembremos que o Deus que assumiu a condição humana preencheu impreenchível abismo que separa o Criador da criatura, o infinito do finito, o eterno do tempo. É o mistério do amor que torna possível o que parecia impossível. Ao homem totalmente perdido, solitário, confuso, incapaz de entender a si mesmo, Deus não deu um ensinamento, uma doutrina, uma ideologia, ele se deu a si mesmo.

 

Já se disse que a fé cristã se mede pelo amor. Celebrar o Natal equivale a deixar que o amor de Deus se encarne dentro de nós para nascer a cada dia, em cada circunstância, em cada relacionamento humano. Significa então assumir um empenho e não só para esse dia, ou seja, efetivar uma permanente conduta, séria e concreta, que garanta a mudança da situação de abandono social que aflige os menos favorecidos. É inegável que, ao longo do tempo, os apelos comerciais têm conseguido anuviar, em muitos lares, o verdadeiro significado desta celebração. As preocupações, para alguns, resumem-se em perambular pelas lojas à procura de presentes ou em se esmerar na organização de fartas ceias e almoços natalinos.

Não se assume uma postura contrária a tais costumes, já que a confraternização também é importante. É preciso, contudo, alertar para o fato de que, nos lares cristãos, tais preocupações deveriam ser secundárias, deixando-se no centro desta comemoração uma reflexão, íntima e familiar, a respeito das mensagens de amor, humildade e esperança expressas no nascimento de Jesus Cristo.

 

Invoquemos aqui o brilhante escritor Frei Betto:- “... Por que o imperativo de dar presentes no Natal? A central única dos consumidores deveria decretar uma greve geral ao consumo. E, em vez de presentes, daríamos carinho, atenção, alegria, apoio, solidariedade. Os pais levariam os filhos aos hospitais para doarem, no valor dos presentes, algo indispensável aos doentes mais pobres. A família ofertaria uma cesta básica a outra carente. Seriam presenteados os sofredores de rua, os presos, os loucos, os que se tratam de dependências químicas, os portadores do vírus da Aids e os que vivem sem terra, sem teto e sem pão. Trocar-se-ia Papai Noel pelo Menino Jesus, o shopping pela igreja, a mercadoria pela compaixão. Aquecidos pela fé, celebraríamos, assim, uma verdadeiro festa, aquela que, no dia seguinte, não deixa ressacas de farturas, faturas e fissuras, mas enche o coração de júbilo” (“O Estado de São Paulo” – 11/12/96 – pág. 02).

 

 Se o Natal é o mistério do amor e Deus vem e se faz homem por amor e assume a sua dor para estabelecer conosco uma nova aliança, apontando o caminho da comunhão, da doação e da solidariedade como um ideal de vida possível, a resposta do homem só poderá ser o amor. “Se nascer é começar a morrer por um caminho de dor, o Natal nos diz algo deste mistério: Deus nos salva pela solidariedade que assume sobre si os nossos sofrimentos e a nossa morte. Rejeitado desde sua entrada dramática na cena deste mundo, ele é humano para resgatar nossa humanidade...” (Pe. Luiz Carlos Susin).

 

Desprezando os excessivos apelos consumistas e os exageros do comércio, devemos nos inspirar na real importância da comemoração natalina e na ampla dimensão de fraternidade que ela evoca, contribuindo à anulação dos graves problemas sociais que afligem nossos irmãos

 

Que o espírito de paz e solidariedade que reina no mês de dezembro, inspire nossos pensamentos e ilumine nossos corações, a fim de podermos, juntos, criar um amanhã melhor para toda a humanidade. Que este Natal alimente a nossa certeza de que Deus continua dando sentido a nossos empreendimentos para a construção de uma sociedade verdadeiramente justa e fraternal!

 

 

                        Reflexão

 

 

“O Natal é tempo de saudade, como sabia tão bem Fernando Pessoa: “Natal... Na província neva./ Nos lares aconchegados,/ Um sentimento conserva/ Os sentimentos passados.” Saudade do que se foram, saudades de nós mesmos saudades dos tempos idos, mas, sobretudo, saudade de um cortejo de valores de simplicidade, de intimidade, de amor e sacralidade, hoje desbancados pelos interesses profanos da riqueza e do poder, devastando e esvaziando um mundo cada vez mais opulento e mais carente de sentido” (Gilberto de Mello Kujawsky- 23/12/2004- “O Estado de São Paulo”).

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É vice-presidente da Academia Jundiaiense de Letras e da Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:10
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JOSÉ RENATO NALINI - FAÇA O QUE EU DIGO

 

 

 

 

 

 

 

 

Pessoalmente, eu gosto do horário de verão. Durmo pouco, naturalmente acordo cedo. Não me custa levantar uma hora mais cedo. Em geral, estou a responder mensagens eletrônicas de madrugada, ávido à espera dos jornais do dia.

 

Não desconheço, porém, que muitos se incomodam com essa praxe. Lamentam a perda de uma hora de sono, dizem que demoram para se acostumar com o novo fluxo horário, que passam o dia cansados e com sensação de desconforto.

 

Convencemo-nos todos, os favoráveis e os detratores, com a notícia de que a medida é salutar. Representa a economia do dispêndio de energia elétrica correspondente a uma cidade como Brasília.

 

Mas justamente Brasília dá o mau exemplo. Ao assistir o “Bom Dia Brasil” do último dia 8, vi que os prédios oficiais da Esplanada dos Ministérios permanecem com as luzes acesas durante a noite e também no fim de semana. Ninguém está ali, mas os edifícios todos iluminados. E o mesmo acontece com as torres gêmeas da Câmara Federal.

 

Essa é mais uma evidência de que a coisa pública no Brasil não é levada a sério. Enquanto em países civilizados o que é público “é de todos”, aqui o público “não tem dono”. É de ninguém.

 

A empresa privada tem controles eficazes desses gastos que pesam no orçamento. Não há por ela o erário a suprir todas as necessidades. Depende de sua performance, de seu trabalho, da produtividade e da eficiência. Já o governo, sustentado pelo povo, não precisa se preocupar. “A viúva” – como a sabedoria popular costuma dizer – suprirá todas as necessidades. Ela é a fonte inesgotável supridora dos desperdícios.

 

Nada custaria – ou o custo benefício justificaria – a utilização de um sistema inteligente, que apague as luzes assim que o recinto fique vazio. Essa tecnologia é barata e plenamente disponível. Mas não é objeto de preocupação do governo. Assim como não se procura substituir a iluminação pública por modalidades menos dispendiosas e mais efetivas. Sabe-se que a escuridão é o refúgio das ilicitudes. Assim como a ética é uma verdadeira creolina a desinfetar maus hábitos, a claridade afugenta quem se anima e é estimulado a exercer seus maus instintos valendo-se das sombras.

 

Lamentável que no Brasil o governo imponha sacrifícios aos súditos e não assuma a sua parte. Há como corrigir esse hábito?
 
 
 
 
 
 JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.


publicado por Luso-brasileiro às 11:05
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FELIPE AQUINO - OS FILHOS TORNAM O CASAMENTO MAIS FELIZ

 

 

 

 

 

Pesquisa comprova que filhos são a felicidade do casal

 

 

Isso é o que prova uma pesquisa feita por cientistas de Glasgow, no Reino Unido

 

O que deixa você feliz – pensar no sorriso do seu filho, passar horas brincando com ele ou vendo aquele DVD no sofá pela 10ª vez? Pois uma pesquisa realizada em na Universidade de Glasgow, no Reino Unido, acaba de comprovar: casais que têm filhos são mais felizes. E quanto maior o número de filhos, maior é a satisfação.

 

O coordenador da pesquisa, Luis Angeles, acredita que o resultado é simples de entender: quando responderam sobre as coisas mais importantes de suas vidas, a maioria das pessoas casadas colocou os filhos no topo da lista. E a influência das crianças na satisfação dos pais está relacionada à maneira com que a família passa as horas de lazer e a satisfação da família com a vida social.

 

 

Fontes: http://www.gla.ac.uk/media/media_110444_en.pdf http://www.springerlink.com/content/a34114m070112044/

 

 

 

 

 

 

Confirma-se o ensinamento de Deus e da Igreja:

 

“A tarefa  fundamental da família é o serviço à vida. É realizar, através da história, a bênção originária do Criador, transmitindo a imagem divina pela geração de homem a homem. Fecundidade é o fruto e o sinal do amor conjugal, o testemunho vivo da plena doação recíproca dos esposos” (Familiaris Consortio, 28).

 

“O amor conjugal deve ser plenamente humano, exclusivo e aberto à nova vida” (GS, 50; HV, 11; FC, 29).

 

“Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas.

 

Tais como as flechas nas mãos do guerreiro, assim são os filhos gerados na juventude.

 

Feliz o homem que assim encheu sua aljava: não será confundido quando defender a sua causa contra seus inimigos à porta da cidade”.  (Sl 126,3-5)

“A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais”. (Cat.§ 2373).

 

“Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais” (§ 2378).

 

O Papa João Paulo II disse:

 

“Alguns perguntam-se se viver é bom ou se não teria sido melhor nem sequer ter nascido. Duvidam, portanto, da liceidade de chamar outros à vida, que talvez amaldiçoarão a sua existência num mundo cruel, cujos temores nem sequer são previsíveis. Outros pensam que são os únicos destinatários da técnica e excluem os demais, impondo-lhes meios contraceptivos ou técnicas ainda piores.

 

“Nasceu assim uma mentalidade contra a vida (anti-life mentality), como emerge de muitas questões atuais: pense-se, por exemplo, num certo pânico derivado dos estudos dos ecólogos e dos futurólogos sobre a demografia, que exageram, às vezes, o perigo do incremento demográfico para a qualidade da vida.

 

“Mas a Igreja crê firmemente que a vida humana, mesmo se débil e com sofrimento, é sempre um esplêndido dom do Deus da bondade. Contra o pessimismo e o egoísmo que obscurecem o mundo, a Igreja está do lado da vida” (Familiaris Consórtio, 30).

 

Disse Papa João Paulo II: “Não tenham medo da vida.”

 

 

 

FELIPE AQUINO   -  Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:48
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - O POETA DO MAR

 

 

 

 

 

 

 

            “Só a leve esperança, em toda a vida,/ Disfarça a pena de viver, mais nada;/ Nem é mais a existência, resumida,/ Que uma grande esperança malograda./ O eterno sonho da alma desterrada,/ Sonho que a traz ansiosa e embevecida,/ É uma hora feliz, sempre adiada/ E que não chega nunca em toda a vida./ Essa felicidade que supomos,/ Árvore milagrosa que sonhamos/ Toda arreada de dourados pomos,/ Existe, sim: mas nós não a alcançamos/ Porque está sempre apenas onde a pomos/ E nunca a pomos onde nós estamos.”.

 

            Tendo o autor nascido (1866) e falecido (1924) em Santos, compreende-se que a temática do mar seja recorrente em sua obra. Mas, foram seus lirismo e talento que consolidaram Vicente de Carvalho como verdadeiro artista de versos de uma espetacular fase do Parnasianismo.

 

“Ouves acaso quando entardece/ Vago murmúrio que vem do mar,/ Vago murmúrio que mais parece/ Voz de uma prece/ Morrendo no ar?/ Beijando a areia, batendo as fráguas,/ Choram as ondas; choram em vão:/ O inútil choro das tristes águas/ Enche de mágoas/ A solidão.../ Duvidas que haja clamor no mundo/ Mais vão, mais triste que esse clamor?/ Ouve que vozes de moribundo/ Sobem do fundo/ Do meu amor.”.

 

Apenas a julgar pela mostra acima, indiscutivelmente, deste vate há muitos méritos de que se falar.  Delimitados por caracteres, entretanto, ativemo-nos – de forma breve – a observar uma face deste que foi o segundo ocupante da cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras, advogado, jornalista, político, magistrado, poeta e contista.

 

            A referida cadeira, adiante, seria ocupada pelo recém-falecido José Mindlin, que em seu discurso de posse disse: “Vicente de Carvalho foi um grande poeta paulista, hoje injustamente menos lido e ouvido, mas que inegavelmente é um dos grandes nomes da poesia brasileira (...) A tendência de diminuir a importância do Parnasianismo me parece um grande equívoco, pois não foram  poucos os poetas que o engrandeceram.”.

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí. vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 10:41
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