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Sábado, 18 de Janeiro de 2014
JOSÉ RENATO NALINI - BRASIL: PARAÍSO DA MÁFIA

 

 

 

 

 

 

O Brasil poderia exportar corruptos. Não faltaria oferta. É o produto nacional que prolifera em todos os níveis. Mas em lugar de exportá-los, nós ainda importamos gente do mal.

 

A máfia italiana escolheu o Brasil para se instalar e para prosperar, renovando a sua experiência bicentenária. É o que se extrai do livro “Os últimos chefões”, de Alessandra Dino. A autora traça o perfil dos três mais conhecidos líderes da “Cosa Nostra”. Dois deles estão encarcerados e o terceiro foragido há dez anos.

 

No mundo globalizado, a máfia se moderniza. Estreitam-se as relações com os políticos e os empresários. Os recursos são movimentados na economia formal e atenuam-se as fronteiras entre crime financeiro e crime organizado, negócios lícitos e ilícitos.

 

Os “novos chefões” são sensatos. Não há mais necessidade de matar, ameaçar, disparar, ser invisível. A truculência, a crueldade e a precipitação não são mais úteis. A liderança é conquistada hoje pelo gerenciamento sensato dos instrumentos do Direito e do poder político-administrativo.

 

São também versáteis. Precisam evidenciar a capacidade de alternar o moderno e o arcaico. A sutileza e a simpatia valem mais do que a demonstração de força. A máfia percebeu que se conquista mais com uma gota de mel do que com um barril de vinagre. Os agrados, as propinas, a aproximação cordial abre mais portas do que o uso das armas.

 

O Brasil é o paraíso dessa nova gente. Aqui há espaço para tudo. O brasileiro é cordial, tanto na receptividade ao novo, principalmente quando esse novo oferece vantagens, quanto na superficialidade dos contatos que se estabelecem de imediato, fazendo de quem sabe nos agradar, amigos de infância mal nos são apresentados.

 

Mercado emergente, o Brasil é campo atraente e fértil para mesclar a quase-honestidade com a falta absoluta de ética a permear atividades lucrativas, pois o que vale é faturar, exibir-se como vitorioso e até mesmo transigir com modesta caridade, a merecer reconhecimento público e oficial pelo “bom mocismo”. Sem falar em outras organizações criminosas bem sucedidas, nativas e importadas. Pobre Brasil!

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI   -  é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br. Visite o blog no endereço http://renatonalini.wordpress.com e dê sua opinião sobre seus artigos.

 

 

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 12:46
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - AMIZADE É MERCADORIA COMERCIALIZÁVEL?

 

 

 

 

 

 

 

 

Fiquei sabendo que existe, e tende a ser cada vez mais valorizada, a profissão (sic) dos “personal friends”, pessoas contratadas para fingir que são amigos. Acompanham quem os contratou em visitas, passeios, sessões de teatro, atividades esportivas, conversam, debatem assuntos culturais, jogam cartas etc. etc. Fazem tudo o que um amigo faz, mas atuam profissionalmente. E, é claro, cobram por hora de “serviço”.

 

O trabalho só tem início depois de assinado um contrato, no qual são estipuladas as condições da prestação de serviço e no qual, também, fica claro que não há, no relacionamento entre contratante e contratado, nenhuma natureza sexual. Não se trata, pois, de prostituição disfarçada. Também não vale alegar, após algum tempo de “amizade pessoal”, que houve “relacionamento estável”, com as consequências jurídicas de tal condição.

 

No seu portfólio de propaganda, o “personal friend” inclui, entre outros elementos, seu currículo universitário, as línguas que fala, os temas que domina, os seus gostos culturais e artísticos, suas preferências culinárias - tudo de modo a poder, o interessado em seus serviços, avaliar se encontrará nele, realmente, um “personal friend” com o perfil desejado.

 

Confesso que foi de espanto minha primeira reação quando tomei conhecimento da existência dessa nova profissão. Nunca podia imaginar que amizade fosse mercadoria passível de ser comercializada. Sempre entendi que a amizade – assim como o amor – ou se dá de graça ou não existe. O sexo pode até ser objeto de comércio, mas o verdadeiro amor não se vende nem se compra.

 

Daí minha surpresa, e quase minha indignação, diante da ideia de transformar a amizade em mercadoria comercializável. Eu jamais contrataria um “personal friend”, mesmo porque sou, graças a Deus, muito sociável e facilmente me relaciono com as outras pessoas. Creio que nunca me faltarão interlocutores, ou pelo menos assim espero...

 

Mas, à medida que fui refletindo, comecei a compreender a perspectiva de um infeliz (ou de uma infeliz) que precisam pagar para ter um “amigo pessoal”. E comecei a ver com outros olhos o drama desses infelizes.

 

Entre os instintos da natureza humana, sem dúvida o da sociabilidade é um dos mais vigorosos e atuantes. O homem, segundo o velho ensinamento de Platão e Aristóteles, é um ser racional e social, um “animal político”, sendo-lhe próprio viver em sociedade e relacionando-se com seus semelhantes. A solidão e o isolamento fazem sofrer enormemente o homem ou a mulher. “Ai de quem está só!” – diz a Bíblia Sagrada.

 

O instinto de sociabilidade é algo tão entranhado na vida humana que, nas prisões, a pior situação não é a de quem está trancafiado numa cela superlotada, na companhia de criminosos violentos, mas é precisamente a de quem está sozinho, na famosa e terrível “solitária”.

 

A Marinha brasileira remunera muito bem os guardas de farol, profissionais contratados para acender os faróis, ao cair da tarde, e apagá-los quando amanhece. É um trabalho simples, leve e muito bem pago, mas tem o ônus de exigir um isolamento total. Os candidatos se apresentam em grande número, e logo após os primeiros dias desistem quase todos, porque não aguentam a solidão e receiam enlouquecer. O resultado é que estão sempre em falta os guardiães de farol.

 

Ora, as condições da vida moderna fazem com que as pessoas, ainda que vivendo em cidades de milhões de habitantes, muitas vezes se sintam mais isoladas do que um guardião de farol ou do que um Robinson Crusoe na sua ilha.

 

Famílias desunidas, relações sociais e econômicas conflituosas, anonimato e indiferença nas multidões, falta de calor humano – tudo isso é antinatural e faz sofrer. Quantas doenças mentais e até mesmo suicídios não têm aí sua origem!

 

Neste mundo globalizado, mercantilista e hiper-tecnologizado em que vivemos, os indivíduos se sentem indefesos e desprotegidos diante de forças macroeconômicas que dirigem e condicionam sua vida, diante de um Estado cada vez mais onipotente e invasivo da sua privacidade, diante de fatores que ele não é capaz de controlar e nem sequer de compreender inteiramente. No passado, quando a vida familiar e associativa era mais intensa, havia uma série de mecanismos de sustentação psicológica que hoje, infelizmente, não mais atuam.

 

Nessas condições, como estranhar que, à falta de alternativas válidas, se recorra a “personal friends” pagos comercialmente, para atenuar ao menos um pouquinho a solidão? É um paliativo, bem sei, mas pode representar um alívio considerável para muita gente.

 

 

 

 

 

  Armando Alexandre dos Santos    -   é historiador, jornalista profissional e ex-diretor da Revista da Academia Piracicabana de Letras.

 



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PAULO ROBERTO LABEGALINI - SE EU TIVESSE TEMPO...

 

 

 

 

 

 

 

 

Se eu tivesse como expandir o tempo, diariamente assistiria a um filme, veria um jogo de futebol no canal de assinatura, leria parte de alguma revista que recebo, faria mais exercício físico, passearia com a família, visitaria mais vezes o pobre, planejaria com calma o meu trabalho na universidade, escreveria capítulos de novos livros, assumiria outras funções nas pastorais que sirvo e, principalmente, rezaria mais também.

 

Como o tempo é limitado, procuro fazer isso tudo de acordo com a prioridade diária de cada atividade, porém, de vez em quando, dou mais importância às minhas vontades e inverto a ordem de algumas coisas. Por exemplo, quando compro uma nova série de filme em DVD, vejo tudo em curto espaço de tempo: um pouco na hora do almoço, outros trechos no final da noite e no final de semana.

 

Em junho, mês de Copa do Mundo da FIFA, assistirei futebol todos os dias, mesmo que seja gravado. O interesse em saber como cada seleção está jogando me motiva a conseguir encaixar uma partida a mais no meu planejamento diário de atividades, sacrificando umas horas de sono. E, assim como eu, acredito que você também tem seus hobbies e os pratica periodicamente para sair da rotina, certo?

 

Mas, é preciso haver equilíbrio entre o compromisso profissional, a diversão, a responsabilidade familiar e o serviço a Deus. Assim como o nosso corpo necessita de exercício e descanso, também o nosso espírito precisa se alimentar da sabedoria Divina para disponibilizar amor. E entre uma coisa e outra, o corpo e o espírito se unem para planejar o bem comum. Pelo menos, assim deveria ser.

 

E como nossa Mãezinha Santa nunca descuida de mim, alcanço algumas graças às pessoas que rezo. A fé que tenho no coração me dá a certeza que isso continuará acontecendo cada vez mais, porque o meu tempo anda curto e, mesmo assim, faço a minha parte na missão cristã que Deus me deu. Aliás, a missão de evangelizar é a mesma para todos os batizados. De acordo com os dons de cada um, uma nova tarefa pode ser realizada.

 

Eu costumo dizer que o tempo não passa; nós é que passamos pelo tempo – ele permanece o mesmo, independente de o aproveitarmos ou não. Unindo o útil ao agradável, momentos de paz e de alegria, de amor e de confraternização, uma nova luz brilhará em nossa vida.

 

Eis uma história:

 

Uma nova igreja foi construída e as pessoas vinham de todas as partes para admirá-la. Passavam horas vendo a beleza da obra, mal sabendo que lá em cima, no madeiramento do telhado, um pequeno prego assistia a tudo. Ouvia as pessoas elogiando as partes da encantadora estrutura, exceto a ele! Então, um dia, ficou irritado e, com ciúmes das partes mais elogiadas, disse:

 

– Se sou tão insignificante, ninguém sentirá minha falta.

 

Então, o prego desistiu de sua contribuição na obra, deixou de fazer pressão no madeiramento e foi deslizando até cair ao chão. Naquela noite choveu e choveu muito! Antes do amanhecer, onde faltava um prego, o telhado começou a ceder, as telhas se separaram, a água escorreu pelas paredes e murais. O gesso começou a cair, o tapete ficou sujo e a Bíblia manchada. Tudo isto porque um pequeno objeto desistiu do seu trabalho!

 

E o prego, onde ficou no final da história? Ao segurar o madeiramento do telhado, era obscuro, mas era útil. Agora, enterrado na lama, não só continuou obscuro como se tornou completamente inútil, e acabou desaparecendo pela ferrugem.

 

Alguém disse que ‘o segredo da vida não é ter tudo aquilo que se quer, mas amar tudo o que se tem’. Por isso, valorize as oportunidades que Deus lhe dá a cada dia e coloque-se humildemente no lugar onde Ele lhe chama. Quanto a estar disponível, isso é questão de coração.

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:35
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FELIPE AQUINO - VOCÊ SABE COMO A BÍBLIA FOI ESCRITA ?

 

 

 

 

 

 

 

Como foram escritos os primeiros livros da Bíblia?

 

 

Os textos da Bíblia começaram a ser escritos desde os tempos anteriores a Moisés (1200 a.C.). Escrever era uma arte rara e cara, pois se escrevia em tábuas de madeira, papiro, pergaminho (couro de carneiro). Moisés foi o primeiro codificador das leis e tradições orais e escritas de Israel. Essas tradições foram crescendo aos poucos por outros escritores no decorrer dos séculos, sem que houvesse uma catalogação rigorosa das mesmas. Assim foi se formando a literatura sagrada de Israel. Até o século XVIII d.C., admitia-se que Moisés tinha escrito o Pentateuco (Gen, Ex, Lev, Nm, Dt); mas, nos últimos séculos, os estudos mais apurados mostraram que não deve ter sido Moisés o autor de toda esta obra.

 

A teoria que a Igreja Católica aceita é a seguinte: O povo de Israel, desde que Deus chamou Abrão de Ur na Caldéia, foi formando a sua tradição histórica e jurídica. Moisés deve ter sido quem fez a primeira codificação das Leis de Israel, por ordem de Deus, no séc. XIII a.C.. Após Moisés, o bloco de tradições foi enriquecido com novas leis devido às mudanças históricas e sociais de Israel. A partir de Salomão (972 – 932), passou a existir na corte dos reis, tanto de Judá quanto da Samaria (reino cismático desde 930 a.C.) um grupo de escritores que zelavam pelas tradições de Israel, eram os escribas e sacerdotes. Do seu trabalho surgiram quatro coleções de narrativas históricas que deram origem ao Pentateuco:

 

 

 

 

 

1. Coleção ou código Javista (J), onde predomina o nome Javé. Tem estilo simbolista, dramático e vivo; mostra Deus muito perto do homem. Teve origem no reino de Judá com Salomão (972 – 932).

 

 

2. O código Eloista (E), predomina o nome Elohim (=Deus). Foi redigido entre 850 e 750 a.C., no reino cismático da Samaria. Não usa tanto o antropomorfismo (representa Deus à semelhança do homem) do código Javista. Quando houve a queda do reino da Samaria, em 722 para os Assírios, o código E foi levado para o reino de Judá, onde ouve a fusão com o código J, dando origem a um código JE.

 

 

 

 

 

 

 

3. O código (D) Deuteronômio (= repetição da Lei, em grego). Acredita-se que teve origem nos santuários do reino cismático da Samaria (Siquém, Betel, Dã,…) repetindo a lei que se obedecia antes da separação das tribos. Após a queda da Samaria (722) este código deve ter sido levado para o reino de Judá, e tudo indica que tenha ficado guardado no Templo até o reinado de Josias (640 – 609 a.C.), como se vê em 2Rs 22. O código D sofreu modificações e a sua redação final é do século V a.C., quando, então, na íntegra, foi anexado à Torá. No Deuteronômio se observa cinco “deuteronômios” (repetição da lei). A característica forte do Deuteronômio é o estilo forte que lembra as exortações e pregações dos sacerdotes ao povo.

 

4. O código Sacerdotal (P) – provavelmente os sacerdotes judeus durante o exílio da Babilônia (587 – 537a.C.) tenham redigido as tradições de Israel para animar o povo no exílio. Este código contém dados cronológicos e tabelas genealógicas, ligando o povo do exílio aos Patriarcas, para mostrar-lhes que fora o próprio Deus quem escolheu Israel para ser uma nação sacerdotal (Ex 19,5s). O código P enfatiza o Templo, a Arca, o Tabernáculo, o ritual, a Aliança. Tudo indica que no século V a.C., um sacerdote, talvez Esdras, tenha fundido os códigos JE e P, colocando como apêndice o código D, formando assim o Pentateuco ou a Torá, como a temos hoje.Se não fosse a Igreja Católica, não existiria a Bíblia como a temos hoje, com os 73 livros canônicos, isto é, inspirados pelo Espírito Santo.

 

Foi num longo processo de discernimento que a Igreja, desde o tempo dos Apóstolos, foi “berçando” a Bíblia, e descobrindo os livros inspirados. Se você acredita no dogma da infalibilidade de Igreja, então pode acreditar na Bíblia como a Palavra de Deus. Mas se você não acredita, então a Bíblia perde a sua inerrância, isto é, ausência de erro.

 

Demorou alguns séculos para que a Igreja chegasse à forma final da Bíblia. Em vários Concílios, alguns regionais outros universais, a Igreja estudou o cânon da Bíblia; isto é, o seu índice.

 

Garante-nos o Catecismo da Igreja e o Concílio Vaticano II que: “Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados” (DV 8; CIC,120).

 

Portanto, sem a Tradição da Igreja não teríamos a Bíblia. Santo Agostinho dizia: “Eu não acreditaria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja Católica” (CIC,119).

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -  Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 12:23
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FAUSTINO VICENTE - ANO ATÍPICO

 

 

 

 

 

 

 

Apesar de se caracterizar como ano  atípico teremos, como sempre, o nosso carnaval como “comissão de frente” de 2014.

 

Quando Presidente da Associação Anhanguera da Qualidade, tivemos a felicidade de trazer para Jundiaí o maior carnavalesco da história do Brasil, o  genial Joãozinho Trinta (1933-2011).

 

No Seminário sobre Criatividade e Motivação, cujo vídeo encontra-se disponível na Secretaria de Cultura de Jundiaí, ele enfatizou que o nosso carnaval é uma autêntica ópera de rua e a maior manifestação cultural ao ar livre do planeta.

 

Logo após o carnaval, todas as “baterias” de marketing estarão focadas para a Copa Mundo de Futebol que, depois de 65 anos, será realizada em nosso país. Embora o Brasil surja como o grande favorito do evento, Alemanha, Espanha, Argentina e Itália são consideradas, pela imprensa esportiva, como forças capazes de provocar mais um – maracanaço -, a inesquecível  derrota para o Uruguai,  em 1950.

 

Passada a Copa a classe política, que desde o ano passado articula-se para as eleições majoritárias, colocará seus “blocos nas ruas” com os mesmos monótonos discursos:  fizemos mais e melhor (situação) – fizeram menos e pior (oposição).

 

O que realmente a população espera é que o foco da propaganda política deixa a mesmice de lado e debata, profundamente, projetos para as 05 reformas estruturais: política, tributária, trabalhista, judiciária e administrativa (federal, estadual e municipal), capazes de reduzir custos, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade.

 

Essas reformas são estratégias para vencermos nossos grandes desafios: 4° ano seguido de crescimento abaixo da media dos países da América Latina, segundo previsão da CEPAL, forte pressão inflacionaria, demanda maior da população por melhores serviços públicos, elevadíssima carga tributária e Custo Brasil incompatível com o retorno à população.

 

Para que os eloquentes discursos, que os políticos brasileiros fizeram sobre a vida de Nelson Mandela (1918-2013), se transformem num tributo singular, esperamos que eles sigam ( apenas ) um de seus exemplos: exercer cargo eletivo público somente uma vez na vida.

 

Para justificar a atipicidade deste ano, teremos o desfecho do mais famoso julgamento da nossa história política: o mensalão.

 

 

 

Faustino Vicente – Consultor de Empresas, Professor e Advogado – e-mail: faustino.vicente@uol.com.br – Jundiaí (Terra da Uva) – São Paulo - Brasil.

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:18
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FRANCISCO VIANNA - ELEIÇÕES IMPORTAM, MAS INSTITUIÇÕES IMPORTAM MAIS

 

 

 

 

 

 

Há uma crença muito difundida de que “eleições livres e limpas” são fundamentais e suficientes para que haja democracia. De fato, este é apenas um dos aspectos que realmente importam para o bom funcionamento de qualquer processo político democrático.

 

Todavia, eleger é muito mais do que simplesmente escolher candidatos e votar neles. Como em tudo na vida, é preciso que quem elege, opina, ou sequer comente ou diga alguma coisa sobre qualquer assunto, tenha conhecimento mínimo dos assuntos em pauta. Não é diferente na atividade política, que deveria ser a principal atividade do cidadão e, no entanto, no Brasil, é uma atividade execrada por muitos sob o estigma de que não é para pessoas de bem e honestas. O resultado desse afastamento das pessoas bem formadas e competentes é o de que a política acabou ficando entregue aos corruptos, vivaldinos, e desonestos.

 

O que acabo de escrever acima pode parecer a muitos um lugar comum e, como dizia Nelson Rodrigues, a expressão do “óbvio ululante”. Todavia, para quem minimamente se debruça sobre a frágil democracia brasileira, constata que esse óbvio parece passar despercebido por aqueles que são responsáveis pelas instituições democráticas no Brasil.

 

Ora, todos nós sabemos que o gênio das democracias robustas e eficazes do Ocidente consiste, em si, na força de suas instituições e nem tanto assim nos eleitores, como ensina o professor Samuel P. Huntington, da Universidade de Harvard, nos EUA.

 

O sistema federativo, no Brasil, está amplamente corrompido e chegou ao ponto de se tornar totalmente invertido. Os municípios que deveriam estabelecer a grande maioria das legislações, para que, então, os estados pudessem funcionar a contento deles, de preferência abrangendo regiões geossociais definidas, com a união se restringindo a legislar sobre aspectos gerais de segurança nacional, infraestrutura dos setores produtivos, e prestação de serviços públicos de qualidade pelo menos decente, veem a coisa toda se processar no sentido inverso. Não fazem mais do que obedecer a tudo o que ditam as legislações estaduais e os estados têm seu funcionamento atrelado às legislações federais. Eis um quadro real de antifederalismo.

 

Nesse rastro de regime imperial, as instituições democráticas passam a ter um valor secundário e são violentadas na medida em que o interesse do grupelho governante central assim o determina.

 

Na verdade, a observação do professor Huntington pode ser levada mais adiante quando afirmamos que o cerne da civilização ocidental é constituído, em geral, pela força e a eficiência de suas instituições.

 

Certamente, a democracia é a base para isso tudo, mas a democracia é, também, um fato à parte e uma consequência dessa força institucional, haja vista que algumas ditaduras da Ásia têm também conseguido edificar instituições robustas e meritocráticas, ao passo que as fracas democracias da África e da América latina não conseguem atingir o mesmo objetivo.  

 

As instituições são os elementos jurídicos de tal forma mundanos na civilização ocidental, que as pessoas tendem a obedecê-las sem maiores questionamentos como organizações capazes de estabelecer legislações garantidoras de verdade da ordem e da segurança pública. Mas, tal visão é tanto mais verdadeira quanto mais locais ou municipais essas instituições possam ser. Não é o que ocorre, infelizmente em nosso país, onde as instituições locais, quando existentes, não têm a menor capacidade de se gerar e gerir a riqueza produzida no município e muito menos de corrigir a sua pobreza.

 

Obter, por exemplo, uma licença ou um simples documento não costuma ser uma questão de esperar na fila por alguns minutos, mas sim a necessidade de dar “aquele jeitinho” que não raro significa o pagamento de subornos e o uso do tráfico de influência de padrinhos e conhecidos, geralmente em troca de “favores eleitorais”.

Os serviços que deveriam ser públicos e financiados por contribuições específicas dos usuários, se tornam privados pela “mágica” espúria da “terceirização” tornando a maioria das instituições meras centrais “fiscalizadoras” de empresas credenciadas por concessão, como uma decadente prática de pseudoadministração de suas infraestruturas.

 

Acredito que, no Brasil, ainda não chegamos ao ponto de que, ter um amigo ou um parente trabalhando na Receita Federal vá salvá-lo de pagar o imposto de renda, mas tal situação funciona mais ou menos assim em muitas repúblicas bananeiras da América latina.

 

Instituições eficazes tratam a todos de um modo equânime, uniforme, e de forma impessoal. Mas esse não é o caso que ocorre nos chamados “países em desenvolvimento” – sabe-se lá como possam estar a se desenvolver.

 

Mesmo nas democracias mais poderosas eficientes do Ocidente, há reclamações e os aperfeiçoamentos são justamente provenientes delas. Todavia, no Brasil, tais protestos e reclamações são ainda vistas como ações políticas de oposição aos governos.

 

As instituições, ou a falta delas, explicam muito do que tem acontecido no mundo nas últimas décadas. Os meios de se avaliar o desenvolvimento no Brasil não consistem em apenas entrevistar elementos da sociedade civil que vivem nas capitais, mas sim ir buscar nos ministérios e em outras burocracias locais as informações; e aguardar na fila para ver como as coisas funcionam – caso funcionem.

 

Na verdade, as pessoas mentem a si próprias e então mentem aos jornalistas. Assim, não ouça o que as pessoas dizem (especialmente as da elite); apenas observe como elas se portam. Elas pagam impostos? De onde elas sacam seu dinheiro? Elas aguardam na fila para obter documentos? E assim por diante. É o comportamento delas, e não a sua retórica, que indica a existência de instituições, ou a falta delas. E caso existam, qual é a força delas.

 

Já eleições são fáceis de serem convocadas e conduzidas e indicam muito menos do que os jornalistas e os cientistas políticos alegam pensar. Uma eleição é um acontecimento que dura de 24 a 48 horas, frequentemente organizada com ajuda de observadores estrangeiros. Mas uma secretaria municipal bem engrenada e com pessoal realmente eficiente tem que funcionar 365 dias por ano.

 

Quem conhece a cidade-estado de Singapura, sabe por que Lee Kuan Yew é um dos grandes homens do século XX, graças às instituições que construiu e que tornaram o minúsculo país num dos mais prósperos do planeta. Ele sabia muito bem que, sem uma ordem básica não pode haver liberdade significativa e muito menos progresso. O lema positivista da nossa bandeira só tem razão de ser se formos capazes de edificar instituições locais fortes e eficazes como ferramentas fundamentais para a existência da ordem e do progresso.

 

A devida compreensão de tudo isso exige, por sua vez, que as pessoas convocadas a eleger, a escolher, a opinar e a legislar, tenham um nível mínimo de escolaridade que implique numa educação de humanidades e num ensino profissionalizante, principalmente nos dias atuais de alta competitividade global. Quanto maior for a escolaridade do cidadão, maior será sua capacidade de se fazer representar e mais robustas serão as instituições demográficas que edificarão no município, no estado e no governo central, necessariamente, nessa ordem.   

 

A força das instituições, principalmente as locais e as estaduais, depende destarte da escolaridade mínima que possamos determinar para o exercício da cidadania. Até mesmo o socialismo, a mais desmoralizada de todas as ideologias, conseguirá produzir resultados positivos, caso a cidadania seja minimamente qualificada o suficiente para evitar que os politiburos centrais funcionem como burguesias restritas improdutivas a viver nababescamente do trabalho do povo. 

 

Destarte, as estórias da grande mídia frequentemente dão uma pobre indicação das perspectivas de um país em particular. A chamada “democracia popular” é a rota da perdição para as ditaduras e para o agravamento da centralização antifederalista e do capitalismo estatal, o mais selvagem de todos os regimes econômicos.

Os empreendedores e os cidadãos livres, que labutam para se capitalizar e empreender, devem estar mais atentos, em suas previsões com base na inteligência, ao funcionamento das instituições do que ao que dizem as personalidades do país, nas quais votam ou irão votar.

 

A melhor plataforma política é a que tem em seu bojo o planejamento de tornar o regime político do país uma democracia meritocrática e o regime econômico num capitalismo produtivo de viés eminentemente privado. Fora disso, o destino é a paralisação e o recuo, a antiordem e o antiprogresso.

 


Sexta feira, 17 de janeiro de 2014

 

 

FRANCISCO VIANNA-   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:07
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O QUARTO "F" DE D. PEDRO I

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Após o Imperador do Brasil haver abdicado a favor do filho, reuniu na ilha de S. Miguel, sete mil e quinhentos homens. Obtido o apoio da Inglaterra e da França, rumou às amenas areias de Mindelo - povoaçãozinha do concelho de Vila do Conde, - no intuito de destronar o irmão, D. Miguel, e seus correligionários.

 

Sentindo fome, deambulou pela localidade, e avistou modesta locanda. Entrou, e perguntou ao taberneiro, se havia coisa que se coma.

 

Prontamente, este, esclarecendo-o; disse que tinha: peixe de três “Fs”.

 

Admirado com o que ouvira D. Pedro, interroga-o.

 

- Que quer você dizer com os três “Fs”?

 

O vendeiro, que não conhecia o Imperador, apressou-se a esclarece-lo:

 

- Há: faneca, fresca e frita.

 

Veio a faneca e veio o pão, e também o bom e saboroso vinho verde.

 

Abancou-se o Imperador diante de larga e sólida mesa de pinho, escrupulosamente esfregada, e comeu com sofreguidão.

 

Ao terminar o frugal repasto, que lhe soube divinamente, o Imperador, para sua desdita, verifica que não trazia dinheiro.

 

Volta-se, então, para o taberneiro, e sorrindo:

 

-Estava bom!; estava ótimo!; mas agora a faneca fica com mais um “F”.

 

- Como assim!? - Interroga, atónito, o vendeiro.

 

De lábios a transbordar de risos, D. Pedro dispara:

 

- Faneca, fresca, frita e … fiada!

 

Não posso asseverar se o taberneiro perdoou a divida, ao reconhecer o Imperador, mas creio que sim, ao saber que na praia havia sete mil e quinhentos homens armados.

 

Também não sei esclarecer se D. Pedro liquidou o que devia. Sei que os liberais chegaram a Lisboa, após diversas escaramuças, e Mouzinho implantou as reformas que considerou necessárias; mas com tantas nomeações políticas, que o funcionalismo público cresceu exageradamente.

 

Então, como agora, os oportunistas e os desonestos, são, quase sempre, os únicos que beneficiam das revoluções, que se fazem em nome do povo, e da liberdade.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:38
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EUCLIDAS CAVACO - CADÊNCIA DA VIDA
 
 
 
CADÊNCIA DA VIDA Com a passagem de mais um ano e neste triste dia de adeus a Eusébio, vamos constatando que as nossas vidas vão ficando cada vez mais curtas e que cada dia que passa é menos um que nos resta para viver, como nos tenta consciencializar este soneto declamado que poderá ver e ouvir  aqui neste link:
 

                                    http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Cadencia_da_Vida/index.htm
 
EUCLIDES CAVACO   -   Director da Rádio Voz da Amizade. London, Canadá.
cavaco@sympatico.ca


publicado por Luso-brasileiro às 11:34
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Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - A ORDEM DA TORRE E ESPADA

               

 

 

 

 

 

 

 

Falerística é o nome que se dá ao estudo científico das ordens honoríficas, condecorações e medalhas de qualquer natureza, civis, militares ou eclesiásticas. É palavra pouco frequente em nosso vocabulário e quase desconhecida no Brasil, embora entre nós haja grandes estudiosos do assunto, como meus amigos Wallace de Oliveira Guirelli e Lauro Ribeiro Escobar, ambos do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. No Rio de Janeiro, até há poucos anos vivia um grande sábio, profundo conhecedor de Falerística, meu saudoso amigo Rui Vieira da Cunha.

 

Na Europa, realiza-se periodicamente um Encontro Europeu de Sociedades Falerísticas, cada vez num país diferente. Em Portugal, existe uma  Academia Falerística, que reúne numerosos especialistas dessa ciência e edita um boletim intitulado “Pro Phalaris”, além de uma coleção de monografias autônomas, os “Cadernos de Falerística”. Um dos seus membros mais ativos é o Dr. José Vicente de Bragança, ao qual fui apresentado por nosso comum amigo D. Marcus de Noronha da Costa, da Academia Portuguesa de História e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 

O Dr. José Vicente de Bragança, que possui o título de Conde de Arnoso e é sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, foi Secretário-geral da Presidência da República e da Chancelaria das Ordens Portuguesas. Ele é autoridade internacional em Falerística, participando com frequência de congressos internacionais dessa especialidade e tem muitas publicações sobre a matéria.

 

Nos últimos meses, o Dr. Bragança me vem obsequiando com diversas publicações de sua lavra, sempre escritas e editadas primorosamente, com grande precisão científica e notável seleção iconográfica. A iconografia, no caso, não é elemento secundário e puramente decorativo, mas é essencial. Isso porque, nas pesquisas de natureza falerística, muitas vezes são utilizados retratos antigos que reproduzem condecorações que já não mais existem ou, quando existem, são de acesso muito difícil. Os recursos modernos da fotografia digitalizada em alta resolução, com ampliações muito facilitadas, permitem que um retrato de museu, fotografado num país, seja reproduzido comodamente no computador de um falerista de outro país, que consegue ampliar bastante um detalhe do quadro, podendo examinar até nos seus pormenores uma condecoração que figura no peito de um retratado.

 

A leitura de cada um dos trabalhos do Dr. Bragança é instrutiva. Abre nossos olhos para realidades que vão muito além do campo visual do pesquisador comum e, mesmo, do historiador. Cada pormenor, cada minúcia, tem um significado, permitindo que o falerista dele deduza uma série de consequências que lhe permitem compor uma visão de conjunto. Por vezes, intrincados problemas diplomáticos ou políticos têm relação com pormenores aparentemente insignificantes de uma medalha conferida a um chefe de estado estrangeiro.

 

O último livro que recebi, do Dr. Bragança, intitula-se “El-Rei D. João VI e a Ordem da Torre e Espada (1808-1826)”. Foi editado em Lisboa, em 2011, num belo volume de 142 páginas, com texto bilingue em português e inglês.

 

A Ordem da Torre e Espada foi instituída pelo Príncipe-Regente D. João, futuro D. João VI, em maio de 1808, logo que chegou ao Rio de Janeiro, depois de ter atravessado o Atlântico e ter permanecido algumas semanas na Bahia. Desejando condecorar oficiais dos quatro navios de guerra ingleses que haviam acompanhado a viagem da Corte ao Brasil e não podendo lhes conferir as tradicionais condecorações militares portuguesas - das Ordens de Cristo, Avis e Santiago da Espada - por não serem católicos os referidos oficiais, decidiu D. João criar uma ordem nova, puramente civil e sem o caráter religioso inerente às antigas Ordens militares.

 

A nova Ordem pretendia restabelecer a lendária Ordem da Espada, que alguns autores afirmavam ter sido criada em 1459, pelo Rei D. Afonso V, para celebrar a conquista da praça-forte africana de Alcácer-Seguer.

 

O livro do Dr. Bragança é extremamente minucioso, mas consegue sê-lo sem cansar o leitor. O autor sabe, passo a passo, situar nos contornos gerais da História episódios saborosos da “petite histoire”, de modo que a leitura é sempre prazerosa e instrutiva. E sabe, sobretudo, ser um especialista extremamente erudito sem perder de vista os grandes panoramas que, quase sempre, são esquecidos pelos especialistas de qualquer área.

Aos interessados, recomendo que busquem o site www.acd-faleristica.com .

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS   -  é historiador, jornalista profissional e ex-diretor da Revista da Academia Piracicabana de Letras.

 



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - NOVENTA ANOS DA MAMÃE

 

 

 

 

 

 

A mamãe completa 90 anos neste primeiro de janeiro. Interessante, pode parecer muitos anos, mas quando o convívio edifica, a soma se extingue e dá lugar à intensidade da vida que vale a pena, como a Eternidade. Cálculos são inexatos e inúteis na força do amor.

 

Nascida em São Paulo, passou a residir em Jundiaí, com a avó materna e a irmã, aos 12 anos, com o propósito de estudar. Fez parte da última turma da Escola Normal Livre de Jundiaí, sob a direção de Da. Ana Pinto Duarte Paes, conhecida por Da. Aninha. Inúmeras as colegas que carrega nas lembranças bonitas, como Da. Teresinha Pontes,  já no Reino dos Céus, e a Irmã Maria Inês, no mundo Odete Tripi, do Carmelo São José. O ensino eficiente substituiria muitas das atuais faculdades. Ensino e formação humana com limites que moldavam para o bem crianças, adolescentes e jovens.

 

Antes de constituir família, atuou como professora na Fazenda Ipê em Itatiba e, em seguida, como Visitadora Profilática no Dispensário de Tuberculose de Jundiaí, sob o comando do Dr. Luís Gilberto Pereira da Silva, trabalho semelhante ao de assistente social, cuja profissão não existia na década de quarenta.

 

 

 


Da direita para a esquerda:mãe da articulista, Dom Gil , Dom Joaquim e o irmão João Carlos

 

 

 

O namoro com meu pai foi de um ano, embora se vissem com brilho nos olhos desde 1942. Casaram-se em 10 de janeiro de 47. Ele, solteirão, nascido em 1898, considerava que os 25 anos de diferença impossibilitariam o matrimônio, porém acabou não resistindo aos encantos dela. Guardo comigo o diário do período de namoro, de 15 de janeiro de 46 a 10 de janeiro de 1947, e ao reler sempre me emociono. Fala de distância e proximidade. Na época meu pai morava em São Paulo, embora passasse alguns dias na chácara de meu avô, conhecida por Chácara Castilho, hoje Vila Liberdade. Em 15 de fevereiro, ela escreve: “Recebi-o em Jundiaí e desde este momento nasceu um amor tão forte, que poderá ser imortal”. E se tornou. Pedida em casamento, dois anos após a partida de meu pai, por um parente dele, respondeu: “Quem foi casada com o Joanico, não se casa com mais ninguém”. Os comentários maldosos sobre o namoro dos dois também marcaram esses meses. Em 15 de abril, ela coloca: “Um amigo dele nos viu na porta do Bocchino. (...) Na hora de irmos para casa, fomos de braços dados, afrontando a língua jundiaiense”. Ao término: “Chegou a hora finalmente de minha felicidade. É o ponto culminante que atingi. Casei-me às 9 horas. Que nervosa estava. Estou em minha casa em Poços de Caldas. Uma nova vida surgirá, por isso aqui termino meu diário”.

 

Depois vieram os filhos, meu irmão e eu. A minha cunhada Regina e os meus sobrinhos Felipe e Renata. Todos muito amados.

 

Esposa e mãe exemplar, determinada e sensível, nos ofereceu tanto, sem medir as suas renúncias para isso. Testemunhei, durante 17 anos, na invalidez de minha avó, ela sozinha – e não havia falda geriátrica naquele período - cuidando da mãe e não permitindo que lhe falassem sobre asilo, clínica para idosos etc. Recordo-me que, no velório, alguém afirmou que minha avó descansara e ela da mesma forma. Respondeu de imediato: “Quem lhe disse que eu estava cansada?”.

 

Após a despedida de meu pai, há quase 27 anos, manteve-se nos afazeres domésticos, nos cuidados com as plantas e felinos e se dedicou  às aulas de artesanato, atualmente na Catedral NSD e na Casa da Fonte, além de ser parceira em diversas atividades da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Permaneceu, portanto, tecendo a rede que sustenta a esperança, a solidariedade e a ternura.  Dentre as alunas dos cursos de artesanato, é incrível como as que se encontram acometidas por depressão se dirigem de imediato a ela. Da. Guiomar Genari, que da mesma forma se incumbe de tecer redes de coragem e beleza, brinca que a música tema da mama Irene deveria ser: “Eu era criança, não tinha talco, mamãe passou açúcar em mim”.

 

Capaz de escutar as pessoas e iluminá-las em determinados acontecimentos, sustenta-se na fé nas coisas do Alto e nas preces.

 

Bendito seja Deus pela vida de minha mãe, por sua história de fidelidade ao essencial e por seus 90 anos!

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 



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RENATA IACOVINO - VICIOS REAIS E VIRTUAIS

 

 

 

 

 

 

 

 

Angústia, insegurança, medo de morrer... Sintomas de mais uma das intermináveis fobias, cujo nascedouro encontra-se no sistema econômico contemporâneo, o capitalismo.

 

A que ponto de escravidão chegamos! A nomofobia é o medo de perder o celular ou de ser incapaz de ficar sem ele por mais de um dia, afetando, principalmente, os viciados em redes sociais, que não suportam a ideia de ficar desconectados. Parece surreal, mas é – bem! – real! Desconectados estamos todos nós... da realidade! Trocando o real pelo virtual, a afetividade pelo individualismo, a busca do conhecimento pela crença no duvidoso, a reflexão pelo deboche, a maturidade pela infantilidade, a conversa pela supressão das palavras e por aí vai...

 

Especialistas aconselham que crianças antes dos nove anos não tenham aparelho celular. Se adultos viciam-se com facilidade, imagine crianças... Mas se adultos são viciados, qual a competência temos para coibir tal atitude em menores impúberes?

 

E qual importância tem isto, se a regra é não nos preocuparmos com o futuro? O futuro só terá importância quando se tornar presente...

 

Assim vamos seguindo, a bordo de nossos celulares de última geração até que esta última se torne penúltima, ou nenhuma. Rapidamente passamos para o próximo modelo. E a capacidade de conseguir se adaptar de pronto a tudo que ele nos oferece é o que chamamos, hoje, de “ser inteligente”.

 

Somos vítimas? Talvez. Talvez parcialmente vítimas. Meio vítimas, meio vilões.

Os viciados em tabaco são vítimas?

 

Se somos massacrados por publicidades que de maneira implacável nos induzem a consumir algo, todos, sem exceção, deveríamos ser atingidos. Por que isto não acontece? Está certo que uma porção esmagadora deixa-se levar pelos modismos e adjacências, restando uma minoria gritando à sombra do próprio eco.

 

Dentre a tal porção esmagadora, estão, inclusive, os não detentores de verba para gastar com inutilidades, os potencialmente superendividados. Mas isto também não tem importância. O que vale no consumismo patológico (redundância!) é ter, mil vezes ter! Os fins justificam os meios. Faça o que eu digo e não faça o que eu faço. Ou faça o que eu digo e o que eu faço (sou coerente com minhas ações).

 

Anos... mera representação simbólica de um tempo inventado. Nada muda de um para o outro, a menos que nós mudássemos.

 

 

 

 

 

Renata Iacovino, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br / reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 

 



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Sábado, 11 de Janeiro de 2014
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - 15 DE JANEIRO, DIA DE LUTHER KING, SIMBOLO DE LUTA PELOS DIREITOS HUMANOS.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Martin Luther King Jr., foi um grande ativista político norte-americano, que     atuou em defesa das aspirações sociais para os negros e mulheres,         combatendo o preconceito e o racismo, defendendo pacificamente seus     preceitos. O seu trabalho repercutiu em todo o mundo, transformando-se num símbolo da luta pelos direitos humanos. Consagrou-se também por suas frases         de efeito, que até hoje são utilizadas como inspiração e estímulo nas      reivindicações pelo respeito irrestrito à dignidade humana. Quinze de janeiro,   data de seu nascimento, é feriado nos Estados Unidos e momento de refletirmos sobre sua grandiosa obra em favor da igualdade entre os homens.

 

 

 

Há pessoas que se sobressaíram e se imortalizaram por suas obras, embasadas na busca de tolerância, de solidariedade, de fraternidade e principalmente, da paz universal. Dedicaram-se de forma extrema à consecução de seus ideais e pregaram o amor e o respeito ao próximo, como objetivos necessários à manutenção da ordem. Depreendidas e corajosas, empenharam-se na luta pela convivência civilizatória entre os envolvidos através da reverência aos verdadeiros valores e princípios, única circunstância capaz de outorgar e solidificar a dignidade humana como propósito fundamental da vida em grupo.

 

Entre esses relevantes homens, que pautaram suas jornadas na incansável perseguição da igualdade e da inclusão social, podemos citar Mater Luther King, cujos pensamentos e preceitos até hoje servem de exemplo e de incentivo àqueles que não se conformam com as injustiças; com as discriminações, notadamente raciais e com o esbulho aos direitos humanos ou fundamentais. Sua trajetória foi marcada por uma infindável série de calorosos e eufóricos discursos às multidões que se formavam para ouvi-lo, cientes de que obteriam gestos de afeto, estímulos para se oporem aos preconceituosos e palavras de esperança à reversão de situações opressivas e violentas impostas pela segregação nos EUA, país onde muitos brancos se sentiam superiores, durante muito tempo, aos membros de outras raças.

 

A legislação e os políticos amparavam este estado de coisas, que só começou a mudar com os inflamados apelos deste líder religioso e de outros que comungavam dos mesmos pensamentos. Com uma conduta irreparável, clamava pela união dos mais fracos e menos favorecidos em torno da efetiva distribuição de Justiça, levando-se em consideração uma real isonomia, onde todos fossem concretamente considerados idênticos perante a lei.

Assim, Martin Luther King, Jr., foi um grande ativista político norte-americano, que atuou em defesa dos direitos sociais para os negros e mulheres, combatendo o preconceito e o racismo, defendendo pacificamente seus preceitos. Nascido em 15 de janeiro de 1929 na cidade de Atlanta (estado da Geórgia), formou-se em sociologia em 1948 e três anos depois concluiu o Seminário Teológico Crozer, tornando-se em 1954, pastor da Igreja Batista da cidade de Montgomery (estado da Virgínia). No ano seguinte, conseguiu ser “Phd” em Teologia Sistemática pela Universidade de Boston. Em 1957, participou da fundação da Conferência de Liderança Cristã do Sul, que lutava pelos direitos civis, tendo a dirigido por muitos anos. Em 14 de outubro de 1964, Luther King recebeu o Prêmio Nobel da Paz em função de seu trabalho, combatendo pacificamente o preconceito racial nos Estados Unidos.

Em função de sua atuação social e política, Luther King despertou muito ódio naqueles que defendiam a segregação racial. Na manhã de 04 de abril de 1968, antes de uma marcha, foi assassinado no quarto de um hotel na cidade de Memphis. Seu desempenho foi fundamental nas mudanças que ocorreram nas leis norte-americanas nas décadas de 1950 e 1960, primordialmente segragacionistas e que paulatinamente foram dando espaço para uma legislação mais justa e igualitária. O seu trabalho repercutiu em todo o mundo, transformando-se num símbolo da luta pelos direitos humanos. Consagrou-se também por suas frases de efeito, que até hoje são utilizadas como inspiração e estímulo nas reivindicações pelo respeito irrestrito à dignidade humana. Abaixo, transcrevemos algumas delas:

 

“O que mais preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."/ "Se um homem não descobriu algo por que morrer, ele não está preparado para viver." / "Sonho com o dia em que a justiça correrá como água e a retidão como um caudaloso rio."/ "Nós temos que combinar a dureza da serpente com a suavidade da pomba, uma mente dura e um coração tenro."/ "A verdadeira paz somente não é a falta de tensão, é a presença de justiça."/"O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor”./ "Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa."

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.



publicado por Luso-brasileiro às 12:35
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