PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 15 de Fevereiro de 2014
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A IMPORTÂNCIA DA RÁDIO EM TODO O MUNDO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebra-se anualmente a 13 de Fevereiro, o Dia Mundial da Rádio. A data foi escolhida, pois foi neste dia que a United Nations Radio emitiu pela primeira vez, em 1946, um programa em simultâneo para seis países. A comemoraçãofoi oficializada em 2011, pela UNESCO, ao reconhecer que, em situações de emergência, a rádio pode ser a melhor maneira de fazer chegar informações àqueles que mais precisam – e, em outros momentos, ela também pode ajudar a mobilizar as pessoas em torno de assuntos que afetam o seu cotidiano.

 

A rádio acompanhou os principais acontecimentos históricos mundiais e hoje continua a ser extremamente importante à população, que recebe a notícia na hora, sendo esta uma de suas principais características. Mesmo diante das inovações tecnológicas e do avanço da Internet, permanece relevante em todo o mundo. Tanto que o site da UNESCO cita o arcebispo Desmond Tutu: “… o rádio é o meio de comunicação mais importante no continente africano. É dele que as pessoas recebem notícias e informações, e é nele que assuntos são debatidos. A rádio é onde as comunidades falam – onde elas discutem coisas que as afetam especificamente e encontram soluções para os próprios problemas.”

 

Efetivamente, continua a ser o instrumento de massas que atinge as maiores audiências e basicamente, revela-se no aliado de muita gente que passa o dia ouvindo suas programações, mesmo realizando inúmeras atividades concomitantemente. É um meio bastante útil, seja como ferramenta de apoio ao debate e divulgação, na promoção cultural ou em casos de emergência social. Tanto que é bem verdade que quando perdemos um documento, por exemplo, normalmente recorremos primeiramente a uma estação de rádio, para anunciar a perda ou  mesmo  para verificar se alguém o encontrou e deixou lá para ser entregue. Da mesma forma, inúmeras notícias locais, regionais, nacionais e internacionais nos são passadas prontamente através das ondas radiofônicas.

 

Apenas um detalhe ainda entristece: o preconceito de alguns em negar a sua importância. São inúmeros àqueles que ouvem rádio diariamente, mas acham que é fora de moda enaltecê-la ou mesmo mencioná-la. Que bobagem! Em países bem mais desenvolvidos, como os Estados Unidos, só para ilustrar, ela continua tendo o respeito que merece.

 

         Por ocasião do Dia da Rádio, profissionais da área, defensores, publicitários, emissoras e outros, festejam esse importante instrumento, que continua a nos envolver com seus encantos e características próprios, com seus serviços em prol das comunidades, constituindo-se num companheiro diário e ininterrupto de milhares de indivíduos. Nossas homenagens a este poderoso veículo de diálogo de massas. Há quem diga e com razão que a imagem tem mais facilidade para captar e manter a atenção do telespectador, mas ela tem outra função e a exerce com maestria: desperta a imaginação de quem está ouvindo.

 

Finalizando, vale ressaltar que a rádio consegue cumprir com mais facilidade o objetivo social da comunicação, que é atender aos interesses da sociedade em nível de circulação e pluralidade da informação sem excluir ou impedir alguém de recebê-la e da sua capacidade de transmissão, alcançando propósitos altamente democráticos.

 

 

João Carlos José Martinelli é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.



publicado por Luso-brasileiro às 11:53
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - LIBERDADE DE ESCOLHA

 

 

 

 

 

 

Quarta-feira passada, na reunião de evangelização com as integrantes da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena, refletíamos sobre um episódio narrado por São Marcos (5, 1-20), em seu Evangelho, quando Jesus expulsou o demônio de um homem e muitos do território dos gerasenos, ao saber do acontecido, ficaram em pânico e rogaram-Lhe que se retirasse de sua região. Uma das mulheres, que está sempre atenta à Palavra, comentou sobre o mal entrar na pessoa através de uma fresta (fraqueza), que ela não percebe.  

 

Pensei bastante sobre isso e creio que o mal se alastra por se investir pouco em lucidez. Uma explosão de propagandas, de apelo ao consumismo, de caminhos para o lucro e o prazer nos atinge todos os dias. Quem convive com adolescentes observa, assim que os hormônios entram em ebulição, que grande parte deles perde o controle sobre o corpo, os sentimentos e se distancia de ideais da infância. E os pais? Além da desagregação familiar, muitos não se importam com os lugares que os filhos frequentam, com quem se relacionam, com o que ouvem, veem, curtem, salvam nos celulares. Consideram como coisas da modernidade, encantamento da fronteira que separa os púberes dos jovens. E não é assim. A muitos dos pais também falta perspicácia na observação de pequenas atitudes dos filhos que podem chegar a grandes desastres. E quanta dificuldade e comodismo em se dizer “não”.

 

Na virada da noite da mesma quarta-feira, a Associação “Maria de Magdala” foi furtada. Fala-se que o autor talvez seja aquele que há alguns anos cometeu o mesmo delito. Se for, é uma pessoa destruída pelo crack e que não aceitou tratamento. Viram-no pelas imediações naqueles dias.

 

Diversas pessoas avaliaram o acontecimento e foram e estão sendo solidárias à entidade. Minha prima, Vivian Costa Manso, fez uma colocação interessante: “Parece-me que o desrespeito de assaltar uma casa como a de vocês tem a ver com desestruturar aqueles que ajudam desvalidos. (...) Como se com esse ataque eles demonstrassem uma raiva por aqueles bem diferentes deles... Aqueles que se compadecem dos outros”. Acrescentaria que pode ser por observar mulheres, que passaram por problemas semelhantes e, hoje, fortalecidas, restauraram sua história. E a minha amiga Marisa Dodi destacou: “Todas essas pessoas não percebem que, por umas pedrinhas, roubam o próprio oxigênio”.

 

Os gerasenos insistiram que Jesus fosse embora. A mensagem libertadora dEle os obrigaria a alterar sua rotina de vida. E a liberdade verdadeira, que torna a pessoa senhora de seus atos, desfeita de escravidões, não pode ser imposta a ninguém, assim como o Evangelho, mas é possível educar as crianças e os adolescentes para o domínio de suas paixões.

 

Nós vamos, com o bem, em nome do Bom Pastor, continuar insistindo: em fechar as frestas por onde o mal entra nas pessoas e na caridade que expulsa demônios e recupera o oxigênio da salvação.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:47
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - EM EXCESSO, ATÉ ÁGUA MATA....

 

 

 

 

 

            Na falta de título melhor para esse texto, foi essa a frase que me veio à mente. Lembrei-me de que um de meus últimos textos apelava para que São Pedro nos enviasse um pouco de abençoada chuva, para o bem das plantas, dos bichos e dos seres humanos. Por precaução, inclusive, antecipei-me no sentido de que ninguém me viesse culpar caso a água despencasse meio louca lá do céu, pois, pelo que tenho visto, ultimamente é tudo ou nada.

 

            Pois bem, andei de fato procurando um índio para executar a dança da chuva, mas juro que não achei e que a chuva que abalou a cidade de São Paulo no final dessa semana em nada me é devida. Até faria bem pensar que disponho de algum canal direto com o dono do tempo, mas isso, no máximo, seria um “gato”... Por outro lado, a essa altura, eu estaria sendo massacrada por muitas pessoas, inclusive por mim mesma.

 

            De fato, solicitei os valiosos préstimos celestes no sentido de que a chuva viesse mansa, paulatina e que fosse capaz de amenizar o calor excessivo que estava consumindo as forças de todos. Quando o tempo começou a ficar mais escuro ontem, quando as nuvens foram tomando suas posições, eu cheguei a crer que a água fluiria leve e delicada. Ledo engano...

 

            A chuva já começou com aqueles tipos de pingos grossos, que ao bater nas pessoas causa a sensação de que se levou uma pedrada. Os pingos, inicialmente esparsos, foram se juntando e, em poucos minutos, era como estar embaixo de uma ducha de alta pressão. Se não se considerasse o fato de que eu tinha uma consulta médica, tinha que estar apresentável, que levava nas mãos um momento de papel e que estava no meio do canteiro de uma avenida congestionada, a sensação até poderia ter sido boa...

 

            Corri o quanto pude e entrei no prédio parecendo meio molhada, meio suada e inteira desalinhada. Ajeitei os cabelos com as mãos, conferi o estado dos exames que eu carregava em um envelope de papel e subi para consulta. Depois de aguardar por mais de 45 minutos, a médica me atendeu e assim que colocou meus exames no visor luminoso, ouvimos um trovão e todas as luzes se apagaram.

 

            Eu não conseguia acreditar! Não depois de todo tempo que eu levara para ir até La, bem como esperando lá mesmo. Minutos depois a luz voltou e a consulta caminhou tranquilamente. Voltei para casa, embaixo de chuva, mas para minha tristeza, pelo percurso, foi notando os estragos que a chuva causara.

 

            Em casa, tudo escuro e até as 5 da manhã do dia seguinte, continuou do mesmo modo. Doía meu coração ver meus peixes ficando letárgicos pela falta de oxigênio, como se estivessem brincando de “roxinho”. Descobri que chuva foi bem forte em vários locais da cidade, com alagamentos, queda de árvores e muitas famílias no escuro.

 

            Eu juro que não tive culpa... Só pedi a chuva doce, mansa, daquela que traz consigo a esperança de um mundo no qual haja equilíbrio. Dos homens, entre os homens, entre os homens e os bichos e até o equilíbrio de humor do Santo...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA -  Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora   -  São Paulo.

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:43
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JOSÉ RENATO NALINI - ACORDA BRASIL !

 

Copa do Mundo e eleições vão tomar todo o cenário midiático brasileiro neste ano. País dos feriados, do ufanismo, da propaganda enganosa, os reais problemas serão varridos para baixo do tapete. E haja tapete!

O último balanço da educação mundial, o chamado Pisa, organizado pela OCDE, um organismo internacional que congrega as maiores economias do mundo, reservou para o Brasil o 57º lugar dentre os 65 países avaliados. Embora estejamos no país dos bacharéis, não é difícil verificar que no último ano do bacharelado há alunos que não sabem ler, que não sabem concatenar as ideias, que não têm vocabulário. Entretanto, logo estarão a vencer o exame da OAB e porão o seu talento a serviço dos incautos.
Em lugar da multiplicação das vagas no ensino superior, precisamos investir na educação básica. Ensinar a pensar. Mediante leitura crítica. Investir na capacidade de extrair conclusões e não na memorização. Fazer com que os pais lúcidos participem da gestão da escola pública. Propiciar a todos um uso inteligente da informática, muito além das mensagens e torpedos que até as crianças sabem usar, mas que não tem aberto para elas a porta do futuro.
Não há lugar para comemorar sucesso inexistente. Campinas, que é a cidade mais desenvolvida do Brasil, apurou numa pesquisa da Federação das Entidades Assistenciais que um em cada cinco jovens na faixa dos 18 aos 24 anos já é chefe de família. De todo esse contingente, 60% não estudam. Só metade deles chegou a concluir o ensino médio.
Mais da metade dos campineiros entre 18 e 24 anos vive em famílias com renda per capita inferior a 2 salários mínimos. Muitos desempregados, outros subempregados. Sem chance de resgate da escolaridade formal. Uma situação frustrante. E falamos da cidade mais rica do Brasil. Será que em outros municípios a condição é diferente?
Em vez de Copa e de eleições, reconheçamos a falência da educação brasileira. Uma escola desinteressante, que afasta o alunado. Tanto que em qualquer estabelecimento de ensino, em qualquer horário, há mais jovens fora dele do que dentro das salas de aula. Esse é o “país do futuro” ou o futuro passou longe e estamos colecionando derrotas num acelerado retrocesso?

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JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br. Visite oblog no endereço http://renatonalini.wordpress.com e dê sua opinião sobre seus artigos.

 


publicado por Luso-brasileiro às 11:32
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FRANCISCO VIANNA - FATOS E NÃO VERSÕES

 

 

 

 

 

 

 

"Eles nos ensinaram sobre o ‘inimigo sionista’. Mas, quando nos encontramos com os sionistas, percebemos que eles não eram nada parecido com o que nos haviam dito sobre eles”.

 

 

 

AS FORÇAS DE DEFESA DE ISRAEL RESOLVEM MOSTRAR AO MUNDO O QUE VÊM FAZENDO COM SEU HOSPITAL DE CAMPANHA SECRETO NAS COLINAS DE GOLAN.

 

 

 

 

 

            Esssa instalação militar já atendeu a 700 sírios, de crianças a idosos, e quebra estereótipos disseminados pelos fundamentalistas islâmicos sobre "os sionistas", en quanto a guerra civil continua a enviar suas vítimas através da fronteira sírio-israelense.

 

 

 

 

 

Soldados israelenses escoltam um paciente sírio ferido num hospital de campanha militar secreto nas Colinas de Golã. (foto: captura de tela, Canal 2 da TV Israelense)

 

            O Exército israelense permitiu, pela primeira vez que câmeras e jornalistas fizessem uma reportagem num hospital de campanha militar, até então secreto, na fronteira com a Síria. Na sexta-feira de ontem, à noite, o Canal 2 de Notícias de Tel Aviv levou ao ar a matéria e as imagens de vídeo da instalação nas Colinas de Golan Heights, até então vedadas à imprensa, que já tratou mais de 700 pacientes da Síria desde que foi criada a menos de um ano atrás.

 

            O hospital, composto por soldados de uniforme, inclui uma sala de emergência, uma unidade de terapia intensiva, uma sala de cirurgia, um laboratório móvel, uma farmácia, e uma unidade de raio-X. Ele trata pacientes sírios que atravessam a fronteira, independentemente de credo – ou a que lado do conflito lutam ou fogem.

 

            O tratamento de cidadãos sírios em Israel, que antes era esporádico, agora se tornou uma rotina, conforme o documentário da TV israelense mostrou: fugitivos e feridos atravessam a fronteira e encontram não a “hostilidade sionista” de qual lhes haviam falado, mas a atenção humanitária de equipes médicas militares de Israel atuando nas Colinas de Golã. O socorro é imediato, com procedimentos médicos, exames e medicamentos. Aqueles que estão bem o suficiente são enviados de volta através da fronteira e aqueles que necessitam de tratamento adicional são transferidos para um hospital militar, como mostrou o referido documentário exibido na noite de ontem no Canal 2. Desta forma, o hospital de campanha, que era até ontem secreto, trata cerca de cem sírios por mês.

 

            O Major Itay Zoarets, um cirurgião veterano, descreveu a situação como "surreal". Ele disse que enquanto soldados e comandantes no corpo médico das Forças de Defesa de Israel passam por um rigoroso treinamento para aprender a tratar ferimentos de batalha, o exército israelense não tinha até então encontrado tais lesões desde as últimas grandes guerras.

 

            Os sírios feridos, segundo ele, sofrem dos mais variados e graves ferimentos na cabeça e estômago, assim como amputações traumáticas e uma gama de outros ferimentos. Casos extremos são transferidos para hospitais civis israelenses no norte e no centro do país. Ninguém fica sem atendimento e o número de óbitos tem sido inacreditavemente baixo.

 

            Os pacientes também atravessam a fronteira armados e assustados demonstrando equívocos grosseiros sobre Israel e seu povo. "Eles dizem que antes de chegarem, pensavam que os sionistas eram o “Grande Satã”, os inimigos, e chegavam como cães amedrontados com os rabos entre as pernas", na expressão de um deles.

 

 

 

 

Soldados israelenses tratam um homem sírio ferido num hospital de campanha militar secreto nas Colinas de Golã. (foto: captura de tela, Canal 2)

 

 

            Disse ainda que que o hospital de campanha esteve envolto em segredo, quando começou a funcionar – até mesmo dentro das próprias Forças Armadas israelenses.

 

            "Não sabíamos para onde estávamos indo e achávamos que seríamos presos ou executados pelos ‘sionistas’, mas simplesmente encontramos equipes médicas que nos atenderam sem estabelecer qualquer condição econômica, política, ou religiosa”, contaram os pacientes ouvidos pela reportagem da TV.

 

            Quanto ao pessoal militar convocado para atender no hospital de campanha, apenas os mais graduados souberam com antecedência a missão estabelecida por Tel Aviv na fronteira com a Síria. “O exército foi chamado, e por isso viemos servir aqui".

 

            Uma enfermeira do hospital, a capitã Shirin Parizadeh, disse que, embora os pacientes sírios fossem "suspeitos", para a equipe médica israelense, isso foi algo que foi logo superado em face do seu sofrimento evidente".  

 

            Firas, um combatente rebelde que estava sendo tratado no hospital no momento da filmagem, criticou o governo do presidente sírio, Bashar Assad por negligenciar e oprimir o povo da Síria. "Todos os dias há bombardeios aéreos sobre as cidades. Cada cidade é bombardeada três ou quatro vezes ao dia por aviões de combate".

 

            Firas, que desertou do exército de Assad para se juntar aos rebeldes que lutam para derrubá-lo, disse: "Bashar [Assad] não cuida de nós. Aqui, em Israel, estamos sendo atendidos. O Bashar não se preocupa conosco, enquanto que Israel sim, o faz, e sem ter qualquer obrigação. Bashar dispara projéteis contra nós, ele não se importa conosco".

 

            Outro paciente, Latif, disse: "Eles nos ensinaram sobre o inimigo sionista, o opressor sionista. Mas, quando encontramos os sionistas, percebemos que eles não eram nada parecido com o que tinham nos dito sobre os judeus. Eles são seres humanos como nós... Humanos e até mesmo mais do que isso".

 

 

 

Enfermeira Militar Shirin Parizadeh se prepara para tratar um paciente sírio. (foto: captura de tela, Canal 2)

 

 

            Ahmed, que também estava sendo atendido no hospital de campanha no momento da filmagem, disse que, na sequência da revolta contra Assad, "nós passamos a entender melhor quem é inimigo e quem é amigo". Disse ainda que, como a luta se alastrou por toda a Síria, muitos sírios começaram a duvidar do que tinha sido ensinados a eles sobre os países ao longo de toda a sua própria fronteira. "O regime nos convenceu que todos os que nos cercam são nossos inimigos", disse ele.

 

            O Coronel Tarif Bader disse que, embora a decisão de administrar a ajuda humanitária às populações de fora de Israel sempre foi um dilema, neste caso, foi "a escolha certa" e que estava orgulhoso por participar da iniciativa. O militar acrescentou que a maioria dos pacientes chega com "graves ferimentos de batalha e entre eles estava um idoso com mais de 83 anos, assim como crianças”, que outro membro da equipe descreveu como fortes e comunicativas. "Elas não parecem estar com medo", observou o coronel.

 

 

 

Hospital militar próximo à fronteira síria nas Colinas de Golã, criado pelas FFAA israelenses para tratar sírios feridos. (foto: captura de tela, Canal 2)

 

 

            A equipe de profissionais de saúde descreveu os muitos momentos em que trabalharam no hospital de campanha militar numa experiência que clasificaram de “surreal”. Uma vez, quando um morteiro caiu perto do hospital, segundo eles, soldados e sírios juntos correram a se abrigar num pequeno abrigo escavado no subsolo da área do hospital.

 

            "Foi uma situação incrível", disse Zoarets se referindo a experiências como essas, antes de ser chamado para cuidar de um recém-chegado.

 

            A preocupação de analistas políticos, como Ehud Ya'ari, é que este hospital seja apenas a ponta do iceberg, insinuando as muitas ligações que Israel vem forjando do outro lado da fronteira como esforços que tem feito para evitar confrontos, nos quais as forças da al-Qaeda estão ligadas e envolvidas. Tais confrontos têm ocorrido perto da fronteira onde está o hospital de campanha militar israelense e que, eventualmente, possa atender também a israelesnses, caso os atentados terroristas ocorram do lado judeu da fronteira.

 

            A revolta síria teve início com as chamadas “manifestações pacíficas” exigindo reformas em março 2011 e se transformou numa guerra civil na medida em que o governo de Damasco começou a infiltrar uma espécie de “black blocks” nessas manifestações, causando dezenas de mortos e centenas de feridos entre os manifestantes. Desde então, antes de conseguir inibir ou reprimir, o conflito se degenerou numa guerra civil fratricida em grande parte financiada pelo Irã e pela Arábia Saudita (leia-se Irmandade Muçulmana) apoiando lados opostos, o que já ceifou a vida de mais de 130 mil pessoas até o momento.

 

 

 

 

Soldados israelenses desembarcam de um helicóptero um paciente ferido que é levado ao hospital militar secreto de campanha na fronteira com a Síria. (foto: captura de tela, Canal 2)

 

 

            Combatentes estrangeiros e extremistas islâmicos se infiltraram nas hostes rebeldes, da oposição, provocando brigas que prejudicam a rebelião contra Assad e agrava a crise humanitária provocada pelo conflito.

 

(Com a colaboração da agência de notícias Associated Press)


 

 (da mídia internacional)

Sábado, 1º de fevereiro de 2014

 

 

 

 

FRANCISCO VIANNA-   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 10:49
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - CINCO MOMENTOS

 

 

 

 

 

 

 

Se alguém lhe perguntasse sobre os cinco melhores momentos de sua vida, quais você citaria? Sei que é preciso um bom tempo para pensar, mas como todos nós temos mais de cinco para comentar, talvez fosse melhor dividir em outros cinco segmentos: infância, pessoal, profissional, familiar e religioso.

 

Começando pelos momentos que deixaram sentimentos de grande felicidade na infância, eu citaria: o dia em que ganhei um radinho de pilha de meus pais – eu passava quase o dia todo ouvindo música e esporte; os torneios de jogo de botões – eu era bom nisto; o convívio com minha irmã na sala da nossa casa em São Paulo – brincando com objetos simples e divertidos; os jogos de futebol de rua no bairro – pés descalços e bola de borracha; e o dia em que recebi o diploma do primário – medalha no peito e elogios da professora.

 

Passando para aspectos pessoais de alegria no passado, eu me recordo: quando comecei a namorar a minha esposa; quando fui aprovado no vestibular; quando comprei o meu primeiro carro, um Passat lindo; quando recebi alta do hospital em Campinas após dois meses internado; e a noite em que o Palmeiras ganhou o título de Campeão da Libertadores da América em 1999.

 

No lado profissional, só tenho boas lembranças; entre elas: o primeiro dia como professor da EFEI; ao pegar nas mãos o livro Mecânica Geral e ver o meu nome escrito na capa; ao defender a minha tese na USP; ao ser convidado para atuar na Pró-reitora de Cultura e Extensão e poder aliar trabalho com caridade; e ao presenciar os felizes resultados do Projeto Natal no Campus em cada ano.

 

Em família, tenho que destacar: o nascimento de cada filho; o dia em que disse à minha esposa que nunca mais brigaríamos; a missa de bodas de prata celebrada pelo Pe. José Maria; a aprovação no vestibular de meu filho Alexandre; e o nascimento da Luísa, minha querida neta.

 

Finalmente, pensando nos aspectos religiosos, como foram bons estes momentos: gravação do nosso primeiro CD; entrevistas na Tribuna Independente da Rede Vida; primeira reunião na Pastoral Familiar da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração; convite para fazer o Cursilho de Cristandade; e o sonho realizado de publicar ‘Minha Vida de Milagres’ – onde conto outros importantes momentos e graças que recebi da Virgem Maria.

 

Na verdade, relatei muito mais do que 25 momentos de felicidade, já que citei os nascimentos dos meus três filhos, todos os programas de TV que participei, além de torneios etc. Agora, melhor pensando, também citaria outros: quando me tornei monitor do Hermeto na engenharia; quando comprei nossa casa; quando servi o altar pela primeira vez como Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística; enfim, Deus é muito bom comigo! Vaidades à parte, sempre é bom servi-Lo na construção de um Reino novo.

 

Esta história dará sentido a tudo o que escrevi:

 

Dois irmãos gêmeos seguiram caminhos diferentes nos estudos: um foi para o seminário e o outro se dedicou a artes cênicas. Anos após exercerem as atividades de cada vocação, resolveram passar uma semana juntos.

 

Primeiro, o padre foi assistir uma peça de teatro em que o irmão era o ator principal. Ficou impressionado com a quantidade de pessoas pagando ingresso e aplaudindo de pé no encerramento. Sucesso total!

 

Depois, viajaram para a cidade do outro, onde o padre celebraria uma missa na sexta-feira. Pouca gente participou da Celebração da Eucaristia, quando o sacerdote fez uma linda homilia, falando da ressurreição. E na mesma noite, durante o jantar, o padre comentou com o irmão:

 

– Puxa, no teatro havia centenas de pessoas e, na igreja, muito pouca gente. Você tem explicação para isso?

 

– É claro que tenho – respondeu o ator. – Na peça que encenei, falamos muitas mentiras e, na missa, só se diz verdades. Infelizmente para a evangelização cristã, poucos gostam de vestir a carapuça pelos pecados que cometem e, em vez disso, preferem pagar para ver ficções.

 

Pior que é verdade! Se as pessoas fizessem as duas coisas, rezando e divertindo-se, ótimo; mas a maioria despreza a responsabilidade missionária que Deus lhe deu. Falar em ‘amar como Jesus amou’ assusta mais do que histórias do inferno! E como são bons estes cinco momentos na missa: pedir perdão; cantar louvores a Deus Trino; escutar a Palavra; viver a transubstanciação de pão e vinho em corpo e sangue de Cristo; e recebê-Lo na comunhão! E mais: aprender com as ricas reflexões do sacerdote; poder oferecer a própria vida; desejar a paz ao irmão; rezar pelas intenções pessoais e da Igreja; cumprir o intransferível dever cristão da semana; além de melhor aprender a amar com as bênçãos instantâneas recebidas.

 

Quem dá valor à Eucaristia e se alimenta do Corpo e da Palavra de Deus, não precisa se apressar em contar outros cinco momentos de felicidade que estão por vir. Aliás, pode parar de contar no ‘número quatro’, porque o quinto será no Céu.

 

Fique em paz!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 10:20
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - JEAN GUITTON - UMA CENA CURIOSA DA SUA VIDA

 

 

 

 

 

 

 

 

Prestes a iniciar a vida militar, Jean Guitton, acercou-se de sacerdote para expor-lhe problema que há muito o inquietava.

 

Estava acostumado, ao entrar no seu quarto, ajoelhar-se para fazer as orações da noite. Ora, receava que os colegas o levassem ao ridículo, por manter tal prática.

 

O sacerdote, ligeiramente embaraçado, respondeu-lhe que era dever do católico, não se envergonhar da sua fé, e de a demonstrar em público, mas que compreendia o receio.

 

Jean Guitton, logo na primeira noite, antes de se deitar, ajoelhou-se, vencendo o medo, e em plena caserna, orou, diante dos companheiros. Para seu assombro, ninguém disse palavra de reprovação.

 

Passaram-se vinte anos. Guitton é professor catedrático e pensador de renome internacional, quando teve conhecimento que colega de camarata, havia falecido.

 

Como amigo e colega do pai - diretor da Faculdade de Ciência, - sentiu-se na obrigação de apresentar condolências.

 

Ao vê-lo, muito contristado com a morte do filho, avizinhou-se e após agradecer a presença do colega. Disse-lhe:

 

-Meu filho, que era ateu, como eu, tinha grande admiração por si. Não tanto por ser um grande filósofo, mas pelo gesto e exemplo que deu ao ajoelhar-se, para rezar, diante de todos os camaradas.

 

Para concluir, e por considerar curioso, queria reproduzir o que Jean Guitton declarou sobre “ O medo do Além “ a uma revista francesa (tradução, publicada no jornal “ Diálogo Europeu “, de 18/02/95):

 

“ Tenho medo do Juízo Final. Vós sabeis, nas fórmulas da confissão, acusamo-nos dos pecados que se cometeram por Acão, e por omissão. A mim, o que me inquieta, são os pecados que cometi por omissão. Tenho medo que Deus me diga: “ Então Guitton, dei-te muitos talentos, coloquei-te numa sociedade muito interessante, ajudei-te em colóquios excecionais, e o que tu fizeste?”. Não sei como, no outro mundo, se põem de acordo a justiça de Deus e a Sua Misericórdia.”

“Naturalmente, penso que a segunda é superior à primeira, e que Deus acabará por perdoar a toda a gente, que Ele esvaziará completamente o inferno. Mas não estou seguro. ..”

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:09
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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2014
EUCLIDAS CAVACO - SÃO VALENTIM
 
 
 
 
SÃO VALENTIM Celebra-se esta semana uma das datas mais românticas do ano o dia de São Valentim, cuja efeméride originou este meu poema que poderão ver  neste link abaixo:
http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Sao_Valentim/index.htm

Desejos dum feliz dia de São Valentim para todos vós.

Euclides Cavaco  - Director da Rádio Voz da Amizade.London, Canadá

cavaco@sympatico.ca
***

 

 

 

 

Revista digital brasileira  abre cadastro para escritores e artistas de todo o mundo que queiram publicar poesias, crônicas, resenhas, artigos, notícias, vídeos, pinturas, etc, gratuitamente. A Revista PROTEXTO - letras, artes & atualidades (www.remisson.com.br)   tem centenas de colaboradores, famosos e iniciantes,  escrevendo em diversos idiomas e seu conteúdo é publicado imediatamente em diversas redes sociais e outras páginas conveniadas, possibilitando grande difusão dos autores e das obras. Para fazer parte basta se cadastrar no topo da página e aguardar um e-mail de confirmação com os dados para o acesso. Depois, é só publicar à vontade, de acordo com seu tempo e disposição.
Espero sua visita.
Um abraço do Remisson Aniceto
www.remisson.com.br
 

 


publicado por Luso-brasileiro às 18:59
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Sábado, 8 de Fevereiro de 2014
RENATA IACOVINO - CORRENDO DA COMPETIÇÃO

 

 

 

 

 

 

Competição, até onde eu me lembro, nunca foi uma palavra que me atraiu. Nem a palavra, nem a ação...

 

Atualmente, menos afinidade, ainda, tenho com a dita cuja. Os competidores acirrados dirão que isso é conversa de perdedor... Deixo pra lá, afinal, não vou entrar nessa competição que não leva a nada.

 

Ela parece estar na moda. Eu, pouco adepta a modismos, afasto-me naturalmente desse modo de vida.

 

Não deve ser normal não gostar de competir, pois para todos os lados que olho, é isso, em resumo, o que acontece. Estrangeiro-me, então, aqui e ali.

Se competimos, normalmente, é com o intuito de vencer. Necessitamos ser mais e melhor que o outro; precisamos estar à frente, mesmo que seja um mísero passo à frente.

 

Competimos na maneira de nos vestir, buscando a roupa mais cara, a marca tão cobiçada, os modelos ditados como ideais para o momento...

 

Competimos no trabalho, utilizando-nos de meios éticos ou não a fim de obter uma escalada profissional.

 

Competimos nas amizades, quando desejamos que o êxito do amigo seja nosso próprio êxito, e a inveja nos corrói.

 

Competimos na aquisição de bens e no descarte destes.

 

Competimos no campo religioso, pois cremos que a nossa fé é a mais milagrosa e o nosso Deus é o verdadeiro, contradizendo qualquer princípio de liberdade de crença e fomentando o egoísmo e o preconceito.

 

Competimos no campo da beleza, submetendo-nos aos ditames do que momentaneamente o mercado determina que é belo.

 

Competimos na oratória, no conhecimento... e até na ignorância!

 

Competimos com o tempo, correndo atrás de cada minuto deixado pra trás.

 

Competimos com a natureza e com os animais, sobrepujando-nos, de maneira a assegurar nossa suposta liderança nesse mundo.

 

As ruas e os lares estão tomados de competidores.

 

Competimos, enfim, conosco mesmo, pois estamos sempre em busca de atingir algo que não alcançaremos, que se encontra externo a nós... A busca feroz por algo que nos coloque num patamar que nos distinga dos outros, gera uma competição insana, porém, não nos faz sentir vencedores, mas fabrica a ilusão de que somos.

 

Alguém dirá que competição é saudável. Eu ainda prefiro uma boa caminhada ou uma ida à praia, sem competir com ninguém que estiver pelo caminho...

 

 

 

Renata Iacovino -  escritora, poetisa e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 

 

 



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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - NO DIA DO ENFERMO, DESTAQUE PARA A IMPORTÂNCIA DA SAÚDE.

 

 

 

 

 

 

 

 

            Desde 1993, a Igreja Católica celebra anualmente em 11 de fevereiro – dia de Nossa Senhora de Lourdes -, o Dia Mundial do Enfermo, terça-feira próxima. A celebração foi estabelecida pelo saudoso Papa João Paulo II que será canonizado em abril deste ano. or ocasião desta celebração, a Santa Sé envia uma mensagem, chamando a atenção de toda a comunidade cristã sobre um tema específico que merece atenção de todos e está ligado ao cuidado da vida, vulnerabilizada pela doença e pelo sofrimento, enfocando questões relevantes sobre bioética e temas ligados à Pastoral da Saúde.

A data também é oportuna para lembrar a todos que saúde é coisa séria. O artigo 196 da Constituição Federal do Brasil dispõe que ela é um direito de todos e um dever do Estado, e o 198, inciso II, determina que obrigação de assistência à saúde é integral, com prioridade à prevenção. Note-se que a Constituição determinou que o Poder Público assista o cidadão em todas as suas necessidades relativas à questão, dando ênfase à ao caráter preventivo. Em nosso país, no entanto, a realidade é bem diferente e a situação bastante caótica.

 

Com efeito, são inúmeros os aspectos negativos, tais como o acesso dificultado com filas em postos de saúde e hospitais; a marcação de consultas e de cirurgias com longos períodos de espera; os hospitais com tecnologia desatualizada e sucateada, restringindo ou mesmo impedindo o bom atendimento; profissionais nem sempre atualizados, muitas vezes em decorrência do excesso de horas de trabalho mal remunerado, que impede disponibilidade de tempo e recursos econômicos para sua imprescindível reciclagem e tantos outros que tornam a sua estrutura, um grande problema.

Saúde e sociedade se constituem de uma complexa relação em que, como parceiras, andam de mãos dadas e na mesma direção. Dentro desta tese, é muito difícil, senão impossível, uma sociedade caminhar para um progressivo desenvolvimento e a saúde seguir na sua contramão. Assim, mais do que nunca, é preciso modificar esse quadro e nesta trilha, há diversas metas a serem alcançadas visando o seu aprimoramento.

 

Invocando o saudoso Luciano Mendes de Almeida, a saúde deve ser prioridade no Orçamento do governo, observando os seguintes propósitos: “a) requer-se amplo programa preventivo, incluindo vacinas e especial cuidado das gestantes e recém-nascidos; b) é urgente manter hospitais com número suficiente de leitos e garantia do SUS, de equipamentos atualizados e de fornecimento de remédios a preço acessível para o povo; c) devido ao elevado custo de cursos superiores na área da medicina nas universidades particulares, é preciso promover mais vagas nas universidades federais e estatais e agilizar o sistema de bolsas e d) acompanhar e desenvolver as iniciativas da medicina alternativa com surpreendentes resultados para a saúde do povo. Em todo esse conjunto de esforços, o mais importante é o cuidado, a atenção e o afeto que cada doente precisa e merece receber” (Folha de São Paulo – 14/02/2004 – A-2).

 

A manifesta relevância de que se reveste, infelizmente, não obtém respaldo no Brasil. E apesar da saúde se revelar numa incumbência pública, constitucionalmente garantida, o que se vislumbra é uma enorme distorção que também evidencia a dramática característica da desigualdade, inerente a outros aspectos sociais de igual relevância, a ponto de se dizer que a vida saudável é privilégio econômico em vez de direito do cidadão. Em verdade, a sua conquista como aspiração humana repousa na possibilidade de fazê-lo deixar a abstração para aterrissar no mundo real, pois a sua situação é caótica e deficitária. E apesar se revelar numa incumbência pública, constitucionalmente garantida, o que se vislumbra é uma enorme distorção que também evidencia a dramática característica da desigualdade, inerente a outros aspectos sociais de igual relevância. Atualmente, o contexto dos desafios e problemas que a cercam, evidenciam uma ação urgente de toda a sociedade, notadamente do Poder Público, para que volte a ser um direito acessível a todos e não privilégio de poucos, amparados por planos de saúde particulares. 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI   -  é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.



publicado por Luso-brasileiro às 14:45
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - PROCURA-SE UM ÍNDIO

 

 

 

 

 

 

            E o calor está de rachar! Como se diz, está de rachar a moringa, a cabeça, rachar o pote! Não sei se dá para fritar um ovo no asfalto, mas que dá para fritar o couro, isso dá. Tão quente que não se consegue dormir direito sem um bom ar-condicionado ou, ao menos, um potente ventilador.

 

            Eu andei escrevendo, tempos desses, que estava com saudades do verão. Sou obrigada a me redimir e pedir perdão aos meus leitores se, porventura, eu possa ter colaborado com as decisões superiores, naquele já meu esquecido clamor. Deixo claro, contudo: estava com saudades de um calor razoável, um calor que não cozinhe os miolos, as ideias, que não evapore até as lágrimas furtivas.

 

            Concordo que São Pedro já deva até estar exausto dessa bipolaridade humana, mas também, custava ser razoável? Acho que há tempos não procedem a ajustes nos botões que regulam o calor, o frio, a chuva, a seca. Porque ou não cai nada ou despenca, ou congela ou frita. Assim fica difícil contentar os eleitores. Bastava a aplicação do princípio da razoabilidade, sabe? Moderação, Pedro, moderação...

 

            O fato é que não apenas está muito quente como não tem chovido há algum tempo e isso logo trará consequências desoladoras. As represas e reservatórios de muitas cidades, inclusive de São Paulo, estão com seus níveis assustadoramente baixos, o que muito provavelmente, se não tivermos um pouco de sorte ou recebermos clemência, irá levar ao racionamento e/ou falta de água.

 

            Nunca concordei com o desperdício, diga-se de passagem, mas estou controlando ao máximo o uso da água em minha casa. Por certo que, sozinha, praticamente nada mudo, mas preciso, para minha consciência, saber que faço a minha parte, que não jogo lixo na rua, que não fico lavando calçadas, que não tomo banhos intermináveis...

 

            Agora, fico pensando o que mais, além de rezar, eu posso fazer para que volte a chover ou para que o calor diminua até índices suportáveis. Concluo, meio de maneira óbvia, que quase nada. Talvez, em uma última e desesperada tentativa, eu pudesse contratar um índio versado em dança da chuva, de preferência com doutorado na área...

 

            Minutos depois, estou certa de que também não seria um bom negócio, tampouco um feito fácil de realizar. Primeiro porque não é simples encontrar um índio verdadeiro aqui pelas redondezas, sobretudo um que já não tenha perdido toda sua tradição e costumes. Provavelmente ele sabe a dança da chuva tanto quanto eu sei ler mandarim. Era capaz de ficar tocando uma flauta na rua e me pedir um dinheiro para o CD independente que ele gravou. Ah, na verdade esse é outro povo. Fiz confusão...

 

            Por fim, na remota hipótese de que eu encontrasse um índio gabaritado, ele provavelmente riria de mim, de nós. Talvez me esfregasse na cara que nós cortamos as árvores, canalizamos os rios, matamos os peixes, muitos bichos e plantas, além de asfaltarmos quase tudo e agora, CARA PÁLIDA, queremos que ele desse um jeito nisso tudo? Só se a chuva for o dilúvio, para começarmos tudo de novo...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA -  Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora   -  São Paulo.

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:41
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FAUSTINO VICENTE - CARNAVAL, FESTIVAL DE ARTES

 

 

 

 

 

 

O brasileiro é, realmente, um privilegiado em termos de festividades, pois logo após as festas de final de ano e início das férias de verão, vem o carnaval, que pode ser considerado a maior festa popular ao ar livre do planeta. Tendo como “Comissão de frente” a incorrigível alegria as nossa gente, ele apresenta-se como um autêntico abre-alas da indústria do turismo e garoto-propaganda das nossas exportações.

 

O carnaval, a arte e o mundo dos negócios são destaques do mesmo carro alegórico. O processo de evolução do nosso carnaval transformou-o numa singular ópera de rua ou, como querem outros, no mais criativo e democrático festival de artes do mundo. O carnavalesco, protagonista do núcleo de criação da escola de samba, está comprometido com a verdade ao associar a arte às circunstâncias históricas e geográficas.

 

A imaginação e a emoção simbolizam o corpo e a alma do artista. Da mais famosa passarela – a Marquês de Sapucaí – a mais simples viela, a nossa musicalidade desfila a sua maior riqueza – a diversidade de seus ritmos – como  o samba, originário do batuque africano. Ao lado da música, a literatura se faz presente com o samba-enredo que pode reescrever o nosso descobrimento ou relembrar os ciclos de desenvolvimento e a pintura retratar o colorido da nossa flora e da nossa fauna.

 

A escultura homenageia as nossas celebridades e as artes plásticas fazem o lixo transformar-se em luxo. A dança exibe todo nosso “jogo de cintura”. Os nossos artesãos mostram a sua genialidade com o aproveitamento dos nossos recursos naturais: a arquitetura também se faz presente, especialmente, revelando os carnavalescos como verdadeiros “arquitetos sociais”.

 

A fotografia, o cinema, artes cênicas e gráficas todas elas se fazem presentes na fantasiosa corte do Rei Momo. O carnaval, que possui a magia de transformar artistas em passistas e passistas em artistas, é responsável pelo mais abrangente da nossa cultura popular. Senão vejamos. Redescobrindo a nossa história, nada tem escapado à sensibilidade dos carnavalescos que, da tradição à globalização ou da tragédia à comédia, têm retratado nossos usos e costumes – pauta para os mais diversos meios de comunicação.

 

A nossa geografia tem sido motivação para os compositores explorarem os milhares de quilômetros de nossas praias, o imenso “mar verde” da selva amazônica, o paraíso ecológico do Pantanal, as serras e cachoeiras do sul, biodiversidade da mata atlântica e todas as riquezas naturais deste país continente.

 

No campo empresarial, o destaque fica para o formato empreendedor da gestão que faz da ousadia, da criatividade e da empregabilidade – somas das competências e habilidades – o tripé de um modelo exemplar de organização competitiva. Ao mundo dos negócios fica a lição que somente um ambiente de trabalho harmônico  produzirá a excelência.

 

O prazer, no seu mais refinado conceito, é a energia que gera vencedores. Até a modernização do Terceiro Setor, com suas ações de responsabilidades sociais através do voluntariado, de há muito faz parte do “DNA” das escolas de samba e de outras agremiações similares, que têm desenvolvido excelentes projetos especiais, que vão da pedagogia a tecnologia, contribuindo para reduzir os índices de exclusão social.

 

A elevação da expectativa de vida, a nova estrutura do mercado mundial de trabalho e as mudanças de estilo de vida das pessoas, são tendências que elegem a indústria do turismo como um dos mais promissores empreendimentos do futuro.

Ao som dos seguidores do lendário Mestre André – bateria nota 10 – concluímos  com o nosso cautelar grito carnavalesco: vamos explorar o turismo, não os turistas.

 

 

 

 

Faustino Vicente – Advogado, Professor e Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos – e-mail: faustino.vicente@uol.com.br – Jundiaí (Terra da Uva) – São Paulo – Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 14:35
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