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Sexta-feira, 11 de Abril de 2014
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - INCÊNDIO NO LICEU DE ARTES E OFÍCIOS

 

 

 

 

 

 

 

 

Na primeira semana de fevereiro, os meios culturais de São Paulo e de todo o Brasil foram abalados pela triste notícia de que um incêndio destruíra o centro cultural do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, na Rua João Teodoro, na região central de São Paulo. Os bombeiros acorreram e rapidamente controlaram o sinistro, sem poder, entretanto, impedir danos materiais muito consideráveis, do ponto de vista cultural. Segundo a imprensa, quadros, esculturas, painéis fotográficos e móveis históricos produzidos no passado nas dependências do próprio Liceu foram danificados. Com toda a área interna do centro cultural atingida pelo fogo, o forro e o piso em parte foram destruídos pelas chamas, mas a rapidez da intervenção dos bombeiros, aliada ao cuidado especial que estes tomaram, para não causarem com os jatos de água danos ainda maiores, dão esperanças de que, pelo menos em parte, o acervo precioso possa ser restaurado.

 

O Liceu de Artes e Ofícios é uma das instituições culturais mais antigas e respeitáveis do nosso Estado. Foi fundado em 1873 por iniciativa pessoal de D. Pedro II (que se inspirou no Lycée d'Arts et Métiers, de Paris). Na mesma ocasião, a Princesa Isabel estava tomando os primeiros contatos com São João Bosco, para a vinda dos missionários Salesianos para o Brasil. Somente dez anos depois, em 1883, se concretizaria a vinda desses educadores italianos, que se estabeleceram inicialmente em Niterói e, depois, vieram para São Paulo e se espalharam por todo o Brasil.

 

Essas iniciativas do Imperador e de sua filha faziam parte de um projeto mais amplo, de proporcionar a jovens de poucos recursos e a descendentes de antigos escravos o que hoje em dia se chama "educação profissionalizante". Na ótica e nos planos da Princesa Isabel, essa educação era passo importante para a plena e condigna integração, na vida social e econômica brasileira, dos antigos escravos que nas décadas de 1870 e 1880 iam adquirindo, em número crescente, sua emancipação.

 

Em São Paulo, a iniciativa imperial encontrou boa acolhida em membros das elites cafeeiras, que se empenharam para que o Liceu se tornasse uma realidade.

 

Marcenaria, escultura, pintura, fundição de ferro e bronze, encadernação e cerâmica foram especialidades lecionadas no Liceu, que formou gerações de excelentes artesãos e cuja história registra a passagem de nomes como Victor Brecheret, Santos Dumont e Ramos de Azevedo.

 

Durante muito tempo, o mobiliário das melhores casas de São Paulo, sem falar em escritórios e edifícios públicos, foi produzido nos ateliês do Liceu. Mesas, sofás, armários, guarda-roupas, estantes, lustres, corrimãos, grades - tudo o Liceu produzia, com sua marca inconfundível de bom gosto e qualidade. Este artigo mesmo, que o leitor está tendo a paciência de ler, foi escrito numa escrivaninha de madeira de lei, produzida no Liceu há mais de 70 anos, por encomenda de um diretor de banco. Depois de ter servido a esse banqueiro e ter passado por um escritório de engenharia, acabou chegando às mãos deste modesto escrevinhador.

 

O trabalho de entalhe da porta da Catedral de São Paulo foi inteiramente executado no Liceu. Igualmente o foram as ferragens e lustres do Teatro Municipal. Também a estátua do Duque de Caxias, na Praça Princesa Isabel, foi modelada e fundida no Liceu, num laborioso trabalho que durou vários anos.

 

O Liceu é uma entidade privada, sem fins lucrativos, e nunca cobrou qualquer tipo de mensalidade dos alunos. Para manter o ensino profissionalizante gratuito, desde princípios do último século existe uma empresa comercial, a LAO Indústria, que tem como objetivo arrecadar fundos para o Liceu.

 

Essa empresa se tornou muito forte, especialmente na produção de hidrômetros e medidores de gás - artigos que passou a vender para todo o Brasil e para muitos países da América Latina. As esquadrias de sustentação do MASP, na Av. Paulista, foram produzidas pela LAO, assim como o revestimento de aço do edifício-sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro, e muitas peças metálicas do Metrô de São Paulo e dos aeroportos do Rio e de Guarulhos. Quiosques de caixas eletrônicos de bancos também fazem parte da linha de produção da empresa.

 

As atividades da LAO Indústria garantiram ao Liceu décadas de estabilidade econômica, com o que os cursos gratuitos puderam ser tranquilamente mantidos.

 

Nas últimas décadas, entretanto, uma sucessão de fatores contrários abalou essa estabilidade. De início, a globalização da economia, com a decorrente invasão do mercado por produtos chineses baratíssimos e de péssima qualidade, prejudicou a venda de alguns produtos da LAO. Depois, a mudança de política do Governo no tocante à isenção de impostos para empresas sem fins lucrativos, também repercutiu de modo muito negativo nas finanças do Liceu, levando-o, alguns anos atrás, a uma situação próxima da falência.

 

Atualmente, a empresa procura conter os gastos, encerrando atividades menos lucrativas e deitando maior empenho nos produtos mais rentáveis, de modo a assegurar ao Liceu a continuidade de sua missão primordial, que é ministrar gratuitamente educação profissional de excelente nível. Esperemos que o incêndio provoque, nas autoridades e no empresariado, um susto salutar e os anime a colaborar efetivamente para que uma instituição tão antiga e venerável resista às provações e continue atuante.

 

 

 

 

 

 ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS   -    é historiador, jornalista profissional e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:47
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - FACE DESCONTRAÍDA E FACES REFEITAS

 

 

 

 

 

 

 

Aguardava para confessar na Igreja São João Batista. Aliás, gosto muito de me confessar. É um momento ímpar em que testemunho omissões, pensamentos e atos contrários à escolha de Deus que fiz. Escolha essa sem imposição, mas por perceber, ainda adolescente, um olhar que comoveu minha alma e fez o coração bater além das fronteiras humanas. Na confissão, encontro-me com Pai do filho pródigo, que me abraça, acalenta e faz festa por Lhe pedir perdão, reconhecendo as nódoas que escorrem em mim e danificam a Sua imagem e semelhança, impressas em toda a criatura humana. Nomeio o que apaga a caridade e me desvia do Céu. E quanta claridade me vem das mãos ungidas que se elevam em sinal de absolvição.

Creio com firmeza que o Sacerdote, em nome de Deus e da Igreja, tem o poder de absolver os pecados, através do Sacramento da Penitência, instituído por Jesus Cristo (Jo 20, 22-23).

 

Ao meu lado, uma mãezinha com filha de quatro ou cinco anos no colo. A menina cuidava de sua boneca de cabelos longos. Ajeitava-lhe os fios rebeldes de um lado para outro. Prendia-os com elásticos e diminutas fivelas coloridas. Observava o rosto e não ficava satisfeita. Havia algo destoante da versão original.  Era com paciência que tentava devolver à boneca a aparência anterior.

 

Refleti que ali estávamos em situação parecida.  No Sacramento da Penitência, é Deus que vem ao encontro do ser humano para nele restaurar Sua imagem e semelhança. Que sinal imenso de misericórdia!

 

Jesus Cristo, em nome do Pai, se desfigurou.  No livro do Profeta Isaías (cap. 53), encontramos: “Não tinha beleza nem atrativo para O olharmos, não tinha aparência que nos agradasse. Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por Ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso. (...) Foi maltratado e submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que o tosquiam. Foi atormentado pela angústia e foi condenado”.

 

Pesaram sobre Ele os açoites, a cruz, o corpo coberto de sangue, a coroa de espinhos, a fraqueza, a dor emocional, o abatimento, a vestes sorteadas, os pregos de ferro que lhe rasgaram a carne, dilacerando mãos e pés...

 

Enquanto a face de Cristo era desconstruída por nossos pecados, individuais e sociais, nosso rosto era reconfigurado pela misericórdia, que vai além de nosso discernimento.

 

É tempo de meditação.  É tempo de se refazer.

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 

 

 

 

 

NB: Participe conosco da Via-Sacra pelo centro da cidade, nesta segunda-feira, dia 14, a partir das 18h30, saindo da sede da Associação Maria de Magdala (Rua Senador Fonseca, 517) em direção à Praça Rui Barbosa e prosseguindo por todas as praças centrais, com o término no interior da Catedral NSD. Vamos rezar, dentre outras intenções, para que o Senhor restaure a face das vítimas do tráfico humano e para que o tráfico humano seja banido da face da terra.



publicado por Luso-brasileiro às 11:38
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - TIRADENTES E A " LIBERDADE, AINDA QUE TARDIA "

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           A data de 21 de abril tem uma grande importância à história da Nação; nela se presta homenagem a JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER, o TIRADENTES, revolucionário de 1789 e que foi enforcado pela repressão portuguesa, no reinado de D. Maria I, a “Rainha Louca”. Para muitos historiadores, o caso de Tiradentes é relevante por ele ter participado de uma conspiração, junto com figuras proeminentes da vida econômica e cultural da sociedade mineira e que pretendiam realizar a independência do país, ou melhor, de Minas Gerais e capitanias vizinhas.

 

       A razão mais forte do movimento era a constatação da decadência em que se encontravam as finanças públicas e a política fiscal extorsiva do Governo português, ameaçadora de devassas e arbítrios para o recebimento de tributos. Os conspiradores tinham inúmeros planos: pretendiam criar um exército brasileiro, montarem indústrias e fundarem uma universidade. Fizeram até uma bandeira, com os dizeres, “LIBERDADE, AINDA QUE TARDIA”.

 

         Com a delação do grupo por um de seus integrantes, Joaquim Silvério dos Reis, os bravos patriotas – poetas, magistrados, sacerdotes, advogados, militares – foram tidos como subversivos e condenados por tentarem livrar o Brasil do jugo português. Sofreram sérias sanções, como as deportações de José Álvares Manuel para Angola e Tomaz Antonio Gonzaga para Moçambique, constituindo-se na pior punição, no entanto, a que recaiu sobre Tiradentes: foi enforcado e seu corpo esquartejado.

 

 

 

 

 

         Apesar dos atos inibitórios e repressivos dos portugueses, as idéias libertárias prosperaram, ganharam novos adeptos e se estenderam por quase todo o território nacional, até que em 1822 foi proclamada a independência do país.

 

          O mártir da Inconfidência queria não somente libertar o País do domínio colonial, como alinhá-lo com as nações desenvolvidas do seu tempo. Tiradentes será sempre o profeta daquele Brasil com que sonham todos os brasileiros, não apenas uma nação livre e soberana, como uma sociedade capaz de construir-se a si mesma a partir de suas próprias forças.

 

            Aproveitemos a data para uma reflexão: o Brasil necessita procurar a sua identidade, cultuar os seus heróis como Tiradentes e banir os inúmeros traidores que impedem o seu progresso, por interesses pessoais ou de grupos que ainda não admitem uma vida digna para todos e lutam contra o pleno Estado de Direito, tão almejado à consolidação da verdadeira democracia. Está mais do que na hora de separarmos o joio do trigo (ou os traidores dos heróis).

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor, professor universitário e autor de vários livros, entre os quais “O Sentimento de Justiça”(Ed. Litearte- 2000)e “O Direito de Envelhecer Num País Ainda Jovem, em 4ª. ed., Ed. In House).



publicado por Luso-brasileiro às 11:29
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - PALAVRA DADA

 

 

 

 

 

 

  Muitas vezes eu me surpreendo verificando o quanto me aproximo de me tornar alguém a cada dia mais parecido com meus pais e mesmo com meus avós. Na verdade, algumas coisas somente se tornam claras com o tempo, com a vivência, com certa dose de maturidade. O difícil é que, antes disso, não temos como saber que não temos como saber antes o que só conseguiremos saber depois! “Simples” assim! Rs...

 

            Seja como for, várias são as vezes nas quais me vejo reproduzindo frases como “no meu tempo” era diferente. Nesses instantes, internamente eu me repreendo por esquecer que o tempo no qual estou viva sempre será meu tempo e, do mesmo modo, concluo que, se eu tiver sorte, quase metade da areia dos meus dias já fugiu da ampulheta do tempo. Inclusive, esse pensamento me ocorre novamente agora, já que, creio, muita gente sequer sabe o que é uma ampulheta, mas isso fica para outro texto, se eu me lembrar...

 

            Ocorre que, ao meu sentir, há realmente muita coisa que mudou desde que eu era criança, por exemplo. Até aí, estranho e lamentável seria se não fosse dessa forma. O progresso vem para tornar a vida de todos mais fácil e melhor. Não fosse o espírito de adaptação e de mudança dos seres humanos, ainda estaríamos nas cavernas, com medo do escuro, do novo, do desconhecido.

 

            Por outro lado, nem sempre é necessário ou salutar mudar tudo, sobretudo aquilo que é bom, que permite à vida em sociedade ser mais palatável. Assim, por exemplo, entre tantas coisas, o hábito de cumprir com a palavra empenhada. Valores como ética e honra, que levam alguém a seguir à risca o que falou ou ao que se obrigou, parecem estar caminhando para o desuso. Muitas pessoas mudam as versões dos fatos de acordo com o que lhes convém e quantas vezes forem necessárias.

 

            Desalentador viver assim, sem a esperança de que as pessoas honrem com a palavra que deram, que cumpram sua promessas. Isso se encaixa tanto na vida pública quanto na privada. Triste assim que alguém minta e desaponte um coração, bem como que um político quase nunca cumpra como as promessas de campanha. E o pior é que me parece que as pessoas já se acostumaram a isso, como se fosse um desdobramento natural e não uma conduta diversa, não desejada ou não tolerada.

 

            Nesse ponto, saudosismo ou não, concluo que estamos nos tornando piores como sociedade. Aprendemos mais sobre a impunidade do que sobre honra e, mensurando os riscos, a balança começa a pender para o pior lado. Diante de certas posturas, ficamos sem saber se o ideal é ser ingênuo ou desconfiado, se assumimos que o risco de sermos passados para traz é maior do que a chance de que as pessoas sejam sinceras.

 

            Difícil saber, no fim das contas, mas tudo o que podemos fazer é dar o exemplo e, mesmo em meio às turbulências, mantermos nossa palavra, doa a quem doer.

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA -  Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora   -  São Paulo.

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:22
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - FRUTOS DO AMOR DE DEUS

 

 

 

 

 

 

Paulo (ou Saulo), um dos maiores apóstolos da Igreja, nasceu em Tarso por volta do ano 8 e faleceu decapitado pelo imperador Nero no ano 67, na mesma perseguição em que São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo. Convertido após o encontro com o Senhor no caminho de Damasco, no ano 39 São Paulo se encontrou com Pedro e Tiago em Jerusalém (Gal 1,18) e depois voltou para Tarso (At 9,26-30), um tanto decepcionado com o fracasso do seu trabalho.

 

Certamente ali, Paulo repensou toda a sua vida e ouviu a voz do Senhor com mais clareza. Depois de 5 anos, seu primo Barnabé, que era discípulo de São Pedro em Antioquia, o levou para lá. Então, em 44, Paulo e Barnabé foram encarregados pela comunidade para levar ajuda financeira aos irmãos pobres de Jerusalém. E uma nova missão teve início.

 

Há hoje uma certa frieza no zelo apostólico e, mesmo dentro da Igreja, há um pouco de acomodamento no sentido de não levar o Evangelho a todos os povos da Terra, deixando que os mesmos se salvem em suas próprias crenças, dentro de uma mentalidade perigosa de que a salvação está em todas as religiões. É o relativismo religioso que condenamos insistentemente.

 

Nada mais oposto ao Evangelho, aceitar isso seria trair radicalmente Jesus Cristo, que instituiu a Igreja para levar a única salvação a todos os povos – “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (At 16, 15-16).

 

O rigor paterno e a ternura materna têm obrigação de mostrar às suas descendências o amor da Virgem Maria e a misericórdia do Coração de Jesus. Assim começa a igreja doméstica, que produz frutos maravilhosos em todo o mundo, como nesta história contada por quem a viveu:

 

Lá estava eu com minha família em férias, num acampamento isolado e com o carro enguiçado. Tentava dar a partida no veículo, e nada! Caminhei para fora do acampamento e, felizmente, meus palavrões foram abafados pelo barulho do riacho. Minha mulher concluiu que éramos vítimas de uma bateria arriada.

 

Sem alternativa, decidi voltar a pé até a vila mais próxima e procurar ajuda. Depois de uma hora e um tornozelo torcido, cheguei a um posto de gasolina. Ao me aproximar, lembrei que era domingo e, é claro, o lugar estava fechado. Por sorte, havia um telefone público e uma lista telefônica com as folhas em frangalhos.

 

Consegui ligar para a única companhia de auto socorro que encontrei na lista, localizada a cerca de 30 km dali.

 

– Não tem problema – disse a pessoa do outro lado da linha. – Normalmente estou fechado aos domingos, mas posso chegar aí em mais ou menos meia hora.

 

Fiquei aliviado e, ao mesmo tempo, consciente das implicações financeiras que essa oferta de ajuda me causaria. E logo seguíamos, eu e o Zé, no seu reluzente caminhão-guincho em direção ao acampamento.

 

Quando saí do caminhão, observei com espanto o Zé descer com aparelhos na perna e a ajuda de muletas para se locomover. Ele era paraplégico! Enquanto se movimentava, comecei novamente minha ginástica mental para calcular o preço da sua ajuda.

 

– É só bateria descarregada. Uma pequena carga elétrica e vocês poderão seguir viagem – disse ele.                                                                                                                                                                          

 

O homem era impressionante; enquanto a bateria carregava, distraiu meu filho com truques de mágica e chegou a tirar uma moeda da orelha, presenteando o garoto. Depois de algum tempo, quando ele colocava os cabos de volta no caminhão, perguntei quanto lhe devia.

 

– Absolutamente nada – respondeu, para minha surpresa.

 

– Tenho que lhe pagar alguma coisa – insisti.

 

– Não – reiterou ele. – Há muitos anos, alguém me ajudou a sair de uma situação muito pior, quando perdi as minhas pernas. O sujeito que me socorreu simplesmente disse: ‘Sempre que tiver oportunidades, passe este favor adiante’.

 

Fiquei em silêncio por alguns instantes, sem reação, e o Zé ainda completou:

 

– Eis minha chance novamente; você não me deve nada! Apenas lembre-se: quando tiver uma oportunidade semelhante, faça o mesmo. Aprendi que somos anjos de uma asa só; precisamos nos abraçar para alçar voo ao Céu.

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:15
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RENATA IACOVINO - PASTEL DE FEIRA

 

 

 

 

 

 

 

 

            A principal lembrança que tenho, ao falar sobre pastel de feira, é acompanhar minha avó e minha mãe às feiras livres de terça, no centro (morávamos na rua de baixo) e de sexta, na Vila Rio Branco.

 

            Adorava o ritual, logo cedo, desde o preparo para sair de casa até a chegada à feira, quando indo às bancas, entretinha-me com as conversas. E as paradas obrigatórias com as mesmas pessoas que cruzávamos naqueles dias.

 

            Talvez eu não tivesse noção do que diziam, mas era como se compreendesse tudo. Talvez o que me fizesse compreender fosse o gostar...

 

            E as conversas com os feirantes, já que elas tinham os lugares certos onde compravam.

 

            Adorava o momento de encontrar a banca de doces. Dali, quase sempre eu escolhia alguma guloseima, que minha avó comprava e levávamos para casa. Assim, eu sempre ficava com aquele gostinho de feira pairando enquanto desfrutava do que comia.

 

            Mas minha preferência era o pastel de queijo. Esse era sagrado. À época eu não me dava conta, mas minha avó talvez tivesse mais prazer em me proporcionar aquilo, do que eu tê-lo.

 

            Prazeres simples, infantis e bem distantes dos dias atuais.

 

            Creio que minha avó continuaria frequentando as feiras livres ao invés de um shopping. E penso, também, que isso dialogaria mais com minha natureza do que ir ao shopping.

 

            O contato com as pessoas, a troca de carinho e de, por que não dizer, vivências, era algo mais consistente ali, naquele ambiente.

 

            Depois... depois parece que tudo foi ficando mais distante.

 

            Mas ainda com relação ao pastel, eu fui crescendo, e mudei o período e o horário de estudo. Já não podia ir à feira.

 

            E não é que o pastel vinha até mim?

 

            Elas saíam bem cedinho de casa (hoje calculo que mais cedo ainda) para que quando voltassem, eu, iniciando o café da manhã, pudesse saborear o tal pastel de queijo. É, em pleno café da manhã, e ainda um pouco quentinho.

 

            São sabores de infância, lembranças que se perpetuam a uma memória.

 

            Hoje, quando às vezes, às sextas-feiras, ando dois quarteirões para almoçar dois pastéis na feira próxima ao trabalho, são essas reminiscências que me vêm à mente. O sabor certamente não é o mesmo, afinal o sabor das coisas que nos dão prazer, guardam algo especial e ímpar na sua fonte.

 

            Porém, de certa forma, isso contribui para me situar, ainda, em quem sou eu.

 

 

 

 

Renata Iacovino, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br / reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:10
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FELIPE AQUINO - O FILME NOÉ E O DILÚVIO

 

 

 

 

 

 

 

Este filme ‘Noé’, que recentemente foi estreado no Brasil, apresenta uma visão que não se coaduna com a interpretação que a Igreja dá do episódio do dilúvio e da aliança de Deus com Noé. O filme traz uma interpretação que nada tem a ver com a visão da Igreja. Senão vejamos.

 

Os quatro capítulos do Gênesis(6-9) narram o dilúvio bíblico e significa uma expressão do pecado que, a começar com Adão e Eva vão se alastrando cada vez mais. Esta narração contém, como pode-se notar quando se lê atentamente, repetições e contradições. Os exegetas (estudiosos da Bíblia) concluem que a narração é a fusão de dois documentos (fontes Sacerdotal P e Javista J) conservando cada qual os seus detalhes próprios, sem que o autor sagrado tivesse a preocupação de harmonizá-los entre si. Isto mostra que o autor sagrado não estava preocupado com detalhes menores, e visava sim um sentido mais profundo, uma mensagem religiosa.

 

Nas tradições dos povos antigos há cerca de 290 histórias antigas de dilúvio, e todas com uma base comum: há uma grande catástrofe por conta de uma grande ofensa dos homens contra a divindade. O elemento do castigo que mata os homens e os animais pode ser a água, o fogo, o terremoto, etc.

 

 

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Na Babilônia há quatro versões semelhantes de dilúvio, semelhantes ao da Bíblia. Note que Abraão foi oriundo da Mesopotâmia. Aos olhos da ciência é certo que não houve um único dilúvio universal.

 

Quando o texto bíblico fala de “terra inteira” e “todos os homens” não fala em sentido geográfico, mas religioso, hiperbólico (Gn 41,54.57; Dt 2,25; 2Cr 20,29; At 2,5)  isto é, o gênero humano para o autor sagrado se reduzia àqueles que transmitiam os valores religiosos da humanidade.

 

 

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A mensagem do relato do dilúvio (Gn 6-9) quer mostrar o seguinte: Deus é santo e puro; Deus é justo; não pode deixar o mal imperar; Deus é clemente;  convida à conversão antes de corrigir. O dilúvio marca o fim de um período da história religiosa da humanidade e marca o início de uma nova era; é como se fosse o início de um novo mundo, onde Deus faz aliança com Noé, o “pai” da nova humanidade.

 

Noé é uma imagem de Cristo. Noé salvou a humanidade pelo lenho da arca, Cristo vai salvá-la pelo lenho da cruz, do dilúvio do pecado. A arca de Noé é uma figura da Igreja; assim como ninguém sobreviveu fora da arca, ninguém se salva fora da Igreja. Todos os que se salvam, mesmo que não pertençam à Igreja, se salvam por meio de Cristo e da Igreja, ainda que não saibam disso;

 

As águas do dilúvio são figura do Batismo, que pela água dá vida aos fiéis e apaga os pecados; o dilúvio, como nova criação, prefigura “os novos céus e a nova terra” (2Pe 3,5-7.10) que haverão no fim da história.

 

Como se pode ver, esta visão da Igreja nada tem a ver com a visão apresentada no filme ‘Noé’.

 

 

 

FELIPE AQUINO   -  Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:58
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FRANCISCO VIANNA - NOVO SATÉLITE ESPIÃO DE ISRAEL É POSTO EM ÓRBITA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Ministro da Defesa judaica, Moshe Ya’alon, disse que o satélite Ofek 10, que já começou a transmitir dados à Terra, proporcionará a Israel uma ‘capacidade melhor de lidar com as ameaças tanto próximas quanto distantes’.

 

 


 

 

O novo satélite israelense Ofek-10 decola da base aérea de Palmachim na região central de Israel. (Foto do Ministério da Defesa e das Indústrias aeroespaciais de Israel)

 

 

As agências de notícias France Press e Associated Press divulgaram que um novo satélite espião israelense entrou em órbita na madrugada desta quinta feira, conforme declarou também o Ministro da Defesa de Israel, ampliando a capacidade do estado judaico de monitorar seu arqui-inimigo Irã.

O satélite Ofek 10, dotado de moderníssimos sensores de observação, foi lançado ao espaço impulsionado por um foguete Shavit de fabricação israelense nas últimas horas de quarta feira, anteontem, em cooperação com a estatal israelense “Indústrias Aeroespaciais de Israel, que supera os modelos anteriores com a sua capacidade de ‘pular’ de um alvo para outro, ao invés de simplesmente fazer uma ‘varredura’ das áreas”, como explicaram funcionários do ministério aos repórteres.

O equipamento em órbita já começou a transmitir dados e imagens de firma contínua. Espera-se que se torne totalmente operacional em alguns meses. Trata-se de um satélite de baixo peso do qual se espera uma melhora da capacidade israelense de reconhecimento de solo e de instalações, assim como, de movimento em tempo real, a qualquer hora do dia ou da noite, e em qualquer condição atmosférica e meteorológica, disse um representante da Indústria Aeroespacial de Israel, Ofer Doron. “Tem uma incrível capacidade de imagem… para tomar fotos e filmes precisos a até uma distância de aproximação de um metro”, disse Doron.

 

O Ministro da Defesa, Moshe Ya’alon, lembrou que o Ofek 10 “habilitará a Segurança Nacional a lidar melhor com as ameaças externas, próximas e distantes, durante todas as 24 horas do dia e com qualquer condição de tempo”. “Com isso, continuamos a fortalecer nossa tremenda vantagem qualitativa e tecnológica em relação aos nossos vizinhos hostis”, acrescentou o ministro.

 

Ao contrário do que fazem os países que lançam satélites no sentido oeste-leste da órbita terrestre, Israel desta vez inovou lançando seu novo satélite no sentido contrário, leste-oeste, oposto ao da órbita planetária, para evitar que o equipamento se choque com fragmentos originários de lançamentos de terra em países inimigos a leste de Israel, disse Doron. O satélite completa uma órbita completa em torno da Terra a cada 90 minutos, acrescentou Doron.

 

 

 (da mídia internacional)

10 de abril de 2014

 

 

 

FRANCISCO VIANNA-   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 10:41
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2014
HUMBERTO PINHO DA SILVA - CAIA NEVE NA CIDADE...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dizem que à hora da morte, o filme da vida, desenrola-se: cenas, episódios, posturas, ocorridas ao longo da jornada, voam a velocidade estonteante.

 

Acredito que assim seja.

 

Com o avançar da idade, ao envelhecer, velhas recordações, esquecidas no armário da memória, imergem, com pormenores tão nítidos, que parecem contemporâneos.

 

O que vou contar, saltou da gaveta, das muitas que o subconsciente guarda.

 

Acordara a cidade nessa longínqua manhã de Inverno, coberta de fino manto de neve. Estava frio de rachar. O cinzento pálido do céu, parecia crivo, peneirando neve, como se fosse alva farinha.

 

No final da tarde estava na praça principal da cidade. Nem viva alma… Três entroncados homens, envoltos em quentes samarras, enfrentavam a nevada, arrastando os pés, enfiados em rijas botas de cano alto.

 

À porta da igreja, mulher trajada de negro, com o rosto quase sumido por lenço preto, espreitava, de esgueira, o cair da neve.

 

Conversavam, animadamente, à porta de livraria, dois sujeitos de meia-idade, esfregando freneticamente as mãos enregeladas:

 

- A neve é perigosa… para quem anda no campo!

 

O outro concordava, sacudindo a cabeça, batendo com força os pés, na soleira da porta:

 

- Conheço quem ficasse marcado, devido a queda. A neve é bonita… mas traiçoeira!

 

Endireitei, a passos miúdos, para a “Casa da Ribeira”. Para não escorregar, cosi-me, o mais que pude, às paredes.

 

A neve caía em rolão. Varrido de mansinho pelo vento frigidíssimo, que soprava da serra, flutuavam leves flocos de neve, verdadeiros farrapinhos de fofo algodão.

 

Levemente, bati à porta.

 

Silêncio absoluto.

 

A rua era toda branca. Crianças brincavam, pulavam e corriam, soltando alegres gargalhadas, lançando bolinhas de neve amassada.

 

Por descuido, uma atingiu homem baixo e gordo, que subia a rua. O bando, como passarinhos assustados, dispersou.

 

Dos quintais, cobertos de neve, cachorros, transidos de frio, choravam lugubremente, num pranto canino.

 

Torno a bater.

 

De longe, chegou o som estridente de um galo, rasgando o ar com seu imponente: cocorocó!...

 

Aconchego, ainda mais ao pescoço, o largo cachecol de lã.

 

Na janela iluminada, da casa contígua, garotinho, de nariz esmagado na embaciada vidraça, e olhos esbugalhados de espanto, mirava o cair da neve.

 

Abre-se a porta.

 

De mansinho, galgo o pequeno lance de escadas.

 

Silêncio. Nem um ruído. Terão saído?!

 

Nesse instante, vem da salinha, voz doce, arrastada, suave como murmúrio:

 

  - “ Entre…Entre… venha p’ra aqui. A braseira está acesa…"

 

A passos leves, caminho, encolhido.

 

A saleta estava mergulhada em sombra acolhedora.

 

Beijo, respeitosamente, a dona de casa: senhora jovem, de beleza cativante.

 

Timidamente, acerco-me da lareira, colocando as pesadas botas na borda do suporte que sustinha a braseira, onde três tronquinhos incandescentes, refulgiam.

 

À volta, tudo permanecia nos mesmos lugares: Ao fundo o armário. À esquerda, o aparelho de TV. Arrimada à janela, que dava para o quintal, a mesinha redonda, coberta pela camilha verde, que caía até aos pés. Sobre ela, a toalhinha beije

 

Na cozinha, além da porta entreaberta, tudo era negro.

 

- "Janta connosco."

 

Agradeço, recusando:

 

- "Aguardam-me para jantar…" - Esclareço, exaltando de alegria.

 

- "Telefone a dizer que janta aqui." - Insiste.

 

Acedi. Era o que desejava: estar na companhia amiga, das únicas amigas que tinha.

 

Em breve, para minha alegria, chegaram as meninas. Traziam sorrisos nos lábios e alegria nos olhos. Estavam a estudar.

 

Com elas vinha rapazinho, de pele clara, face risonha, tão amoroso, que ganhara há muito a minha afeição.

 

Colocados, com cuidado, os pratos de porcelana e os talheres, na mesinha, foram abertas as lâmpadas elétricas. A louça e os talheres faiscavam intensamente. A salinha saíra da penumbra.

 

Durante o repasto, acicatado pela curiosidade, levantei a vista. Que agradável surpresa!... Com a sagacidade própria da adolescência, uma das mocinhas, a Flavinha, dissimuladamente, observava-me com fixidez… e leves sorrisos de pejo bailavam nos lábios delicados.

 

Encheu-se-me a alma de jubilosa alegria; e onda de felicidade afogueou-me o rosto, rosando-me a face.

 

Era noite. Caía neve… Vento frio percorria as ruas da cidade… mas no âmago do coração, vivas chamas de esperança, esquentavam-me a alma.

 

 Minhas fantasias de adolescente eram inocentes bolinhas irisantes de sabão: subiam, brilhavam, resplandeciam, quebravam-se, e sumiam-se como as ondas nas areias da praia.

 

Dos velhos sonhos, que se esfumaram no deslizar dos anos, ficaram apenas, para minha dor: tristezas, desilusões, desencantos…e saudades do tempo perdido, que já não é.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:10
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EUCLIDES CAVACO - OLHOS DO CORAÇÂO
 
 
 
 
 
Muito bom dia prezados amigos

OLHOS DO CORAÇÃO Um poema romântico para melhor iniciar a sua semana que poderão ver e ouvir em PS ou aqui neste link:
 
 

                http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Olhos-do_Coracao/index.htm

.
.

Tenham uma semana muito romântica.

.
 
EUCLIDES CAVACO   -    Director da Rádio Voz da Amizade, Canadá
cavaco@sympatico.ca


publicado por Luso-brasileiro às 17:02
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