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Sábado, 24 de Maio de 2014
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - AS TRÊS MATRIZES DO PENSAMENTO OCIDENTAL

 

 

 

 

 

 

Sócrates, com a maiêutica, ensinou o parto das ideias, ensinou a pensar, estabeleceu as regras básicas do pensamento lógico. Seu discípulo Platão aplicou e desenvolveu as ideias do mestre, teorizando acerca de um mundo ideal que deve servir de baliza e modelo ideal para a realidade humana. Seu pensamento é dedutivo, parte do geral e se aplica ao particular, mantendo-se sempre ambos em perfeito equilíbrio.

 

Já Aristóteles, discípulo de Platão, desenvolveu e aperfeiçoou os ensinamentos socráticos e platônicos de um ponto de vista diverso. Aristóteles era cientista, filho de médico e ele próprio estudou medicina. Seu método era o estudo dos casos concretos e particulares para, a partir deles, chegar ao conhecimento e formulação das regras gerais. Seu pensamento era indutivo, ao contrário de Platão. Mas ambos se completam admiravelmente. Em ambos se nota o mesmo equilíbrio fundamental da natureza humana, o geral com o particular, o todo com as partes, a teoria com a prática.

 

Um exemplo mostra bem as diferenças dos dois. Na República, Platão concebeu um regime político ideal, se bem que, no sentido original do termo, utópico, ou seja, não existente em lugar algum. Já Aristóteles escreveu a Política seguindo o caminho inverso. Possuindo um generoso e rico Mecenas, Filipe da Macedônia, dispunha de verbas abundantes para seus estudos. Pôde, assim, enviar emissários a todos os povos então conhecidos,  coligindo mais de duzentos relatos de como se governavam em concreto os povos. Foi a partir desse rico material de pesquisa que teorizou e elaborou sua obra. Ambos, Platão e Aristóteles, por caminhos diferentes influenciaram profundamente o pensamento político do Ocidente, sendo ambos considerados ainda hoje, a justo título, luminares da Ciência Política.

 

O pensamento grego, assimilado e adaptado pelo gênio romano, recebeu ainda um terceiro componente, de importância fundamental: a influência hebreia, que nos chegou por intermédio do Cristianismo, trazendo o elemento religioso da revelação divina. Essas são as matrizes do pensamento original do Ocidente, profundamente lógico, coerente e completo.

 

Já na Era Cristã, o pensamento de Platão teve numerosos seguidores, dos quais, talvez, o maior e mais brilhante tenha sido Santo Agostinho, Bispo de Hipona e profundo pensador e intelectual fecundíssimo. De conhecimentos enciclopédicos, escreveu com profundidade e espírito criativo sobre todos os ramos do conhecimento humano - sempre sem perder de vista a unidade fundamental desse conhecimento.

 

Aristóteles teve, na Idade Média, um discípulo igualmente genial, São Tomás de Aquino, que cristianizou, renovou, desenvolveu e aperfeiçoou o aristotelismo, num conjunto de mais de cem obras, igualmente abarcativas de todos os ramos do conhecimento. O pensamento aristotélico-tomista também privilegia a visão global do conhecimento humano, especialmente na Summa Contra Gentiles (que é  exclusivamente filosófica e faz abstração da Revelação) e na Summa Theologiae (a qual, como o próprio nome indica,  focaliza temática religiosa e teológica, sem embargo de incorporar poderosamente o arcabouço filosófico).

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS   - Historiador,  jornalista, ex-diretor da Revista da Academia Piracicabana de Letras

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:20
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2014
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - BASTA OBSERVAR

 

 

 

 

 

 

 

Pessoas, sejam elas conhecidas ou desconhecidas, me chamam a atenção.  Concreto e objetos não me atraem. Observo as pessoas e componho uma história que possam ter de acordo com o que sinalizam. Histórias sempre me fazem compreender as atitudes do ser humano. E os contos infantis ainda me comovem e despertam devaneios. Recentemente, assisti ao filme “Meu Monstro de Estimação”, sobre o solitário garoto escocês, Angus MacMorrow. Sonha que o pai, convocado para a guerra, retorne ao lar. Na praia, encontra um objeto misterioso, o qual leva para casa. Logo descobre que se trata de um ovo do lendário monstro do lago Loch Ness. Ao romper a casca, o menino lhe dá o nome de Crusoé. Tocou-me o coração.

 

Na subida da Rua Torres Neves, meu caminho de segunda a sexta-feira, logo após a Rua XV de Novembro, reparo, do carro, um senhor sentado no degrau de uma das lojas. Acompanha-o um cão. Aliás, agora, são dois cachorros sem raça definida. Os três com meiguice nos olhos e sintonia.  O senhor é de gestos e sorriso serenos e creio que há em seus dedos resquícios de sementes. Sem dúvida, caminhou e caminha na dignidade e acumulou, dos anos vividos, o fundamental, aquilo que não passa. Não é de bagagem que danifica o caráter, embora as plateias, de alma vazia, costumem aplaudir as aparências. O local não é de fácil acesso para estacionar, mas, a qualquer hora, passo a pé por lá, com o propósito de saudá-lo. Gente da simplicidade e da paz merece homenagens.

 

Outro senhor, provável aposentado, notei uma única vez na Rua Senador Fonseca. Cabelos brancos, bem aprumado, gravata debaixo da blusa de cashmere azul. Conversava de maneira eufórica, mostrando, na coleira, um gracioso poodle. Questionei-me: o animal de estimação representaria um desejo frustrado da infância ou mais um gesto de cuidador que incorporara em sua forma de ser?

 

Há algo em comum entre dois: a pureza que os anos não conseguiram encobrir.

 

O jornalista e escritor Fausto Wolf (1940-2008) considerava que: “Escrever bem é importante, mas não é essencial. Essencial é a sinceridade. Pelo menos tentar ser sincero de todo o coração. Isso, em si só, já é um estilo. Um livro que não é o autor não serve para nada”.

 

Nas crônicas que elaboro, tento usar de franqueza com o que me enternece. Às vezes, me embaraço por dentro e vem Deus e me desembaraça. Em meus textos vou me traduzindo, mas ainda não sei tudo sobre mim. Preciso, em inúmeras situações, me domar de acordo com os anseios do Céu.  Uma certeza tenho e bem grande: contemplar fatos do cotidiano me faz um bem imenso e, para isso, basta observar com a alma.

 

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014
JOSÉ RENATO NALINI - USUCAPIÃO EM CARTÓRIO

 

 

 

 

 

 

 

Uma das excelentes previsões do novo CPC é a possibilidade de usucapião administrativa, sem necessidade de um juiz para reconhecer a propriedade do possuidor de boa-fé. A usucapião é velha conhecida da classe jurídica. É o decurso de tempo convertendo a posse em propriedade. Instituição essencial para um país como o Brasil, em que parcela considerável da população não é dona da terra que ocupa.

 

E não consegue se tornar proprietário, sem passar pelos trâmites de uma ação de usucapião. Em juízo, é um processo demorado. Demanda citação de todos os confinantes, de interessados incertos e não sabidos, do Poder Público, de realização de perícia, às vezes mais dispendiosa do que o montante do valor do imóvel. Já a possibilidade aberta pelo Deputado Paulo Teixeira (PT-SP) abre excelente perspectiva aos possuidores.

 

Prevê que, sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de reconhecimento extrajudicial da usucapião, diretamente no cartório do registro de imóveis. Basta o requerimento do interessado, representado por advogado, instruído com ata notarial lavrada pelo tabelião, atestando o tempo de posse do requerente e seus antecessores.

 

Mais a planta e memorial descritivo, assinado por profissional habilitado e confinantes, titulares de domínio ou de direitos reais. Também é necessária a juntada de certidões negativas dos distribuidores da comarca de situação do imóvel e do domicílio do requerente e justo título ou documentos que demonstrem a origem da posse, continuidade, natureza e tempo. Isso pode ser feito com a juntada de comprovante de pagamento de impostos e taxas que incidirem sobre o imóvel.

 

Pode parecer complicado, mas é muito simples diante da burocracia de um processo de usucapião convencional. Se houver impugnação, quem decidirá será o juiz. Mas se não houver, como ocorre na maioria dos casos, o registrador procederá ao assento de aquisição do imóvel com as descrições apresentadas e abrirá a matrícula.

 

É um grande passo no sentido da desjudicialização, tendência irreversível de uma população que se vê aturdida diante do excesso de ações judiciais em curso. 93 milhões de processos mostram uma Nação enferma. A saúde está na conciliação, na pacificação, na obtenção de resultados mais eficazes e mais rápidos do que a invencível lentidão do Judiciário, mercê de inúmeras causas e assunto que merece outra reflexão.

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



publicado por Luso-brasileiro às 11:22
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - PECADO OU MISERICÓRDIA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não há como falar de pecado sem refletir na misericórdia de Deus. Ele nos criou para sermos filhos muito amados e caminharmos na verdade e na justiça. Se aceitássemos esse Plano Divino sem vacilar, seríamos muito mais felizes colhendo os frutos plantados em união com os irmãos, mas nem sempre agimos segundo a vontade do Pai e, infelizmente, caímos em tentação.

 

A cada pecado grave cometido, nos distanciamos mais do nosso Criador e, se não fosse a grande misericórdia que Ele tem por nós, tudo estaria perdido. Tudo significa tudo mesmo! Por mais que ‘aproveitássemos’ a vida de pecados, sem a graça Divina seríamos condenados ao fogo eterno; porém, a qualquer momento podemos retomar o caminho do Céu se nos arrependermos das ofensas a Deus e prometermos não mais pecar. A bondade do Senhor é infinita e imediatamente nos receberia de braços abertos porque Ele é rico em misericórdia.

 

Somente quem já fez alguma grande experiência com Nosso Senhor compreende perfeitamente isso. Seu amor é o dom maior que vem do alto, brota em nossos corações e se manifesta em gestos concretos de fraternidade ao próximo. Por exemplo, quem ama perdoa e é perdoado, trilha bons caminhos com Jesus à frente e deixa o pecado para trás. Mas, é possível não mais pecar? Para responder isto, é preciso primeiro entender o que é pecado.

 

O pecado se apresenta no mundo como oposição aos valores do Reino de Deus e só traz desgraça ao homem. Não é apenas uma atitude inconsequente, mas, principalmente, um ato de desamor àquilo que recebemos de mais sagrado: a vida. Ao fazermos opção pelo pecado, passamos a alimentar o egoísmo, o poder, o dinheiro, o prazer, ou seja, o ter toma o lugar do ser.

 

Ao pecar contra os Mandamentos, o indivíduo diz não a Deus, diz não ao irmão que sofre, nega a graça e prejudica a si mesmo, renunciando um projeto de vida em Cristo. Rompendo a comunhão com tudo o que é sagrado, passa a viver isolado e sem objetivos espirituais.

 

Tanto é pecado fazer coisa errada como omitir-se em fazer o bem, desde que se tenha pleno conhecimento da ação ou da omissão. E o pior: a cada pecado cometido, muito mais do que os prejuízos pessoais, há sérias repercussões comunitárias, sociais e estruturais: ruptura da unidade, violência, injustiça etc. É muita ingratidão ao amor de Deus continuar perseverando no pecado, mas, como eu já disse, a qualquer momento é tempo de conversão.

 

E havendo conversão sincera, de coração, as atitudes mudam completamente. O Reino passa a contar com mais uma pessoa que valoriza os sacramentos, que persevera na oração, que confia na Virgem Maria e caminha com a Igreja. Na luta por um sistema mais justo, o agente comprometido honra sua missão de discípulo-missionário de Cristo.

 

Na liberdade que Deus nos dá, é muito melhor identificar e fugir dos obstáculos que impedem nossa salvação do que correr sozinho atrás do prejuízo. Fortalecidos pelo Espírito Santo, teremos mais coragem de enfrentar as tentações para continuar em sintonia com a graça.

 

Conheço a história de um pregador que pegou um copo d’água em uma das mãos e o segurou acima da cabeça. Então perguntou:

 

– Quanto acham que pesa este copo?

 

Entre as pessoas que ouviam a mensagem, uns disseram pesar 100, outros falaram 150 ou 200 gramas. Sorrindo, o pregador respondeu:

 

– Para mim, o peso depende do tempo que vou ficar segurando o copo. Quanto maior o período que o sustento, mais difícil será mantê-lo no alto. Chegará o momento que eu só conseguirei segurá-lo se jogar um pouco d’água fora. Assim também acontece com o pecado: se não confessarmos e aliviarmos periodicamente da carga que carregamos, não conseguiremos caminhar a passos largos para o Céu.

 

Viver não é questão de quantidade, mas de qualidade. De nada adianta ficar dezenas de anos na Terra sem amor nas atitudes do dia-a-dia. A rotina sem uma boa dose de espiritualidade cristã é muito triste! Rezando a partir da Bíblia, passamos a saber o que o Senhor quer de nós e, assim, podemos corresponder mais à Sua vontade. Quem tenta negociar graças segundo as conveniências pessoais a cada momento, normalmente se decepciona e culpa alguém. Só enxerga a si e despreza o bem comum. É justo usar e abusar de Deus sem louvá-lo e glorificá-lo?

 

No Evangelho de São Lucas, leia o capítulo 7, versículos de 36 a 50: A Pecadora Perdoada. É um dos mais bonitos trechos da Bíblia.

 

Concluindo, temos a liberdade de opção até para errar, mas podemos contar com a bondade do Pai que sempre perdoa. “Ele amou e se entregou por mim” (Gal 2,20), por isso, a minha resposta deve ser amor-doação – fixar-me mais na caridade gratuita do que no pecado. E lembre-se: pecar não é somente praticar o mal, mas, principalmente, o bem que se deixa de fazer. Entre pecar e amar, cada um decide o caminho a seguir e assume as consequências.

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



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LAURENTINO SABROSA - PREZADOS JOVENS ANIVERSARIANTES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                    Prezados Jovens Aniversariantes

 

 

 

Não sei se alguém já vos disse que quem não é capaz de perdoar um insulto, muito provavelmente é bem digno dele. Por isso, quando fordes vítimas de um insulto ou difamação, o melhor é ignorar, desculpar, e, se, em recta consciência, houver uma sombra de verdade, aproveitar a oportunidade para uma revisão de vida. É bom que nos digam o que de mal pensam de nós, para nos podermos justificar ou para nos podermos corrigir. Pela vossa conduta, mostrareis que “o outro” que vos queria ofender, só vos beneficiou, passando a laborar em erro a vosso respeito. É a maior “vingança” que lhe podeis dar, o maior “castigo” que lhe podeis infligir, porque nada é mais impróprio e impuro para o espírito humano que viver no erro e na ignorância.

 

 Mas, se alguém vos dedica um elogio, tendes de analisar e meditar muito, para avaliardes bem em que medida ele é merecido. Se, sem presunção, vos achais enquadrados nele, tendes, mesmo assim, a obrigação de nele vos aprimorardes e aperfeiçoardes. Um elogio recebido é responsabilizante. E se, sem falsa modéstia, achardes que no elogio há exagero ou engano? Pela vossa conduta, ireis mostrar que “o outro”, sem dar por isso, vos beneficiou muito, porque assimilastes os teus procedimentos à ideia dele.

 

Caros jovens, vimos também nós, o Blog PAZ e eu, como seu colaborador, celebrar o vosso aniversário, com estas palavras amigas e augurando felicidade em vida longa e com saúde. Nessa vida longa que vos desejamos, ireis ter muitas vezes necessidade de rechaçar afrontas imerecidas, o que só vos fortalecerá o espírito, vos dará carácter, e é um dos melhores caminhos para receber elogios merecidos. Mas não deixem que quem vos elogie viva enganado a vosso respeito, porque não há nada mais impróprio e impuro para o espírito humano que viver no erro e na ignorância.

 

 

 

 

LAURINDO SABROSA   -   Senhora da Hora, Portugal

laurindo.barbosa@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 11:10
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FELIPE AQUINO - A IMPORTANTE MISSÃO DE EDUCAR PARA A VIDA

 

 

 

 

 

 

“Diante dos filhos os pais não podem ser super-heróis, que nunca erram. Ao contrário, os filhos devem saber que os seus pais também erram e que também têm o direito de serem perdoados”.

 

Os pais e professores são agentes determinantes na educação da criança e do adolescente. Especialmente os pais têm uma responsabilidade especial nisso. Para que a criança seja amanhã um adulto equilibrado em todas as suas dimensões humanas: física, psicológica, afetiva, sexual, moral, profissional, familiar, etc., ela precisa ter recebido dos pais uma boa “herança” de amor, segurança, carinho e firme correção dos seus erros.

 

Mas para que os pais possam cumprir bem esta sagrada missão precisam, antes de tudo, saber “conquistar” os filhos; não com dinheiro demais, roupa da moda, tênis de marca, etc., mas com aquilo que eles são para os filhos; isto é, seu bom exemplo, carinho, atenção, tempo gasto com os filhos… O filho precisa ter “orgulho” do seu pai, ter “admiração” pela sua mãe, ter prazer de estar com eles, “ser seus amigos”, partilhar a vida e os problemas, tristezas e alegrias com eles. Assim ele ouvirá os seus conselhos e as suas correções com facilidade.

 

Se não conquistarmos os nossos filhos, com amor, carinho e correção sadia, eles poderão ir buscar isto nos braços de alguém que não convém. É preciso que cada lar seja acolhedor para o jovem, para que ele não seja levado a buscar consolo na rua, na droga, na violência… fora de casa.

 

Sobretudo é primordial o respeito para com o filho; levá-lo a sério, respeitar os seus amigos, as suas iniciativas boas, etc. Se você quer ser amigo do seu filho, então deve tornar-se amigo dos seus amigos, e nunca afastá-los. Acolha-os em sua casa. Deixe que o seu filho traga os seus amigos para a sua casa; então, você os poderá conhecer e evitar as más companhias para eles.

 

Diante dos filhos os pais não podem ser super-heróis, que nunca erram. Ao contrário, os filhos devem saber que os seus pais também erram e que também têm o direito de serem perdoados.

 

O educador francês André Bergè, diz que “os defeitos dos pais são os pais dos defeitos dos filhos”. Parafraseando-o podemos dizer também que “as virtudes dos pais são os pais das virtudes dos filhos”. Isto faz crescer a responsabilidade dos pais.

 

É importante que os pais saibam corrigir os filhos adequadamente, com firmeza é certo, mas sem humilhá-los. Não se pode bater no filho, não se pode repreendê-lo com nervosismo, ofendê-lo na frente dos seus amigos e irmãos. Isso tudo humilha o filho e o faz odiar os pais. Há pais que gritam com seus filhos e os ofendem e magoam na frente de outras pessoas; ora, esta criança ficará com ódio deste pai.

 

São Paulo diz aos pais cristãos: “Pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós, mas criai-os na disciplina e correção do Senhor” (Ef 6,4).

 

 

 

 

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O livro do Eclesiástico diz que: “Aquele que estraga seus filhos com mimos terá que lhes curar as feridas” (Eclo 30,7).  A criança mimada torna-se problema; pensa que o mundo é dela, e que todos devem servi-la.

 

Podemos e precisamos corrigir os filhos, em todas as idades, sem traumatizá-los. Não é raro eu ver alguns pais tomando tapas de crianças com 1 ou 2 anos, sem fazer nada… Hoje em dia é difícil ouvir alguém dizer não para os filhos. Ora, é precisa dizer: “Você não pode bater no seu amiguinho”. “Não vai assistir a uma novela feita para adultos”. “Não vai fumar maconha”. “Não, você não vai passar a madrugada na rua”. “Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação”. “Não, essas pessoas não são companhias pra você”. “Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate”. “Não, aqui não é lugar para você ficar”. “Não, você não vai faltar na escola sem estar doente”. “Não, essa conversa não é pra você se meter”. “Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque”. Quem mais usou o Não em seus sagrados Mandamentos, foi Deus, para nos guiar.

 

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons justos e necessários NÃOS, crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro Não que a vida dá se revoltam. Alguém muito sábio disse que se não educarmos a criança, teremos de castigar o adulto.

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO   -  Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 11:04
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O HOMEM É SEMPRE O MESMO BICHO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O califa Omar, em 642, em nome de Alá, mandou Emir Amr- Ibn- Al, incendiar a famosa Biblioteca de Alexandria, porque, a seu parecer, os ensinamentos do Profeta, reunidos no Alcorão, bastavam. Tudo mais era secundário.

 

Aconteceu o mesmo às imponentes bibliotecas, do império Asteca e Maia, na época em que Cortez, de forma bárbara e desonesta, destruiu as civilizações.

 

Livros que reuniam conhecimentos preciosos, serviram para alimentar braseiros de espanhóis e missionários pouco esclarecidos.

 

Mas são acontecimentos ocorridos em épocas em que os espíritos andavam embrutecidos, e a ignorância grassava, como erva daninha.

 

O que nos deve admirar é que no século XX, em que a ciência atingiu elevado grau, cenas semelhantes acontecessem, provando que a mente humana não soube acompanhar o desenvolvimento da ciência.

 

É o caso do derrube das gigantescas e valiosas estátuas de Buda, no Afeganistão.

 

Mas mais de pasmar é o que sucedeu há cerca de quarenta anos: o nosso Ministério de Educação e Investigação Cientifica, a 17 de Outubro e a 31 de Dezembro de 1974, ordenou a destruição de todos os livros das bibliotecas públicas, que defendessem ou encorajassem ideias fascistas!

 

E não satisfeitos com a façanha, a Direção Geral de Educação, exigiu que mutilassem as obras que apresentassem pensamentos ou frases do Prof.. Doutor Oliveira Salazar.

 

Pode-se discordar e até combater ideologias, sejam políticas ou religiosas, mas é descarado desconchavo, queimar, destruir e aniquilar livros, que foram escritos por quem difundiu pareceres opostos ao nosso; porque é prova inefável que se condena a democracia e a liberdade.

 

A História da humanidade repete-se: violência, homicídios, vinganças, torturas, guerras e terrorismo, não têm fim, porque o “bicho” que atiçou os romanos a levar cristãos para a arena, alimentar crocodilos com crianças, e tratar cativos como animais de carga, é o mesmo que se anicha no coração do homem do século XXI, desde que as circunstâncias o despertem da letargia.

 

Neros, Hitlers, Lenines e outros endiabrados seres, continuam a “encarnar” em figuras atuais, apesar de dois mil anos da santa doutrina de Jesus.

O Mundo modifica-se, mas o coração do Homem é sempre o mesmo.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:52
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EUCLIDAS CAVACO - CANTO A PORTUGAL
 
 
 
 
 
CANTO A PORTUGAL É o poema declamado com que vos saúdo em antecipação da minha partida para Portugal amanhã de manhã. Vejam e ouçam Canto a Portugal em Poema da Semana ou aqui:
 
 

                    http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Canto_a_Portugal/index.htm

Desejos dum maravilhoso fim de semana para todos.
 
 
 

EUCLIDES CAVACO   -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.
cavaco@sympatico.ca
***
Foto: CONTAMOS COM A SUA COLABORAÇÃO, DIVULGANDO E ALMOÇANDO CONOSCO!


publicado por Luso-brasileiro às 10:48
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2014
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - DESILUSÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A senhorinha voltou para Juazeiro da Bahia, à procura de sua história primeira. Guardava imagens da infância e adolescência. O Rio São Francisco, o velho Chico, canta em suas memórias. O povoado de Rodeadouro. Os barcos. Com a mãe e o pai conviveu pouco. Morreram muito cedo. O irmão e ela eram pequeninos. O feitor do sítio, onde nasceram e cresciam, resolveu, com a esposa, criá-los de seu jeito, sem escola. Aos sete anos, manuseava a enxada com destreza. Criou o gosto pela terra com sementes e se deslumbrava ao observar as espigas de milho. E as manga de Sobradinho?! Jamais experimentara doçura e maciez iguais. Curiosa com a preparação dos quitutes, em dia de festa e do cotidiano, guardou na cabeça as receitas e, mais tarde, ao prepará-las, acrescentava suas deduções, que provocavam aplausos.

 

Ao se deparar com a capital do Estado, era moça feita, de mais de vinte anos de roça por ela cuidada, de covas prenhes. A seca enrugara a plantação e encolhera as sementes.

 

Aceitou, de imediato, o emprego de faxineira em uma grande empresa. Poderia, assim, no final do mês, mandar um pouco de dinheiro para a patroa que a criara e pelas intempéries perdera quase tudo. Uma cobra venenosa empurrara o patrão para a morte.

 

Todos a admiravam pela limpeza com esmero e também por seu silêncio, sem intromissão ou queixume. Moldou o cômodo do cortiço com sua fé: dois quadros grandes, um de Nossa Senhora das Grotas e o outro do Senhor do Bonfim.

 

Cinco anos mais tarde, a empresa se transferiu para o Sul do país. Viu-se em desalento. Uma conhecida a levou na área prostituição. Não se sentia confortável, mas enfraqueceu a coragem de tentativas diferentes. Passou por mais duas capitais e cinco cidades do interior, na esperança de mudar a paisagem de sua alma, até que se inseriu em um projeto, no centro do município próximo de uma das capitais, que lhe oferecia espaço para produzir sabores. Fez-lhe bem. De certa forma, resgatava a cozinha grande da fazenda, com seu chão vermelho e os tachos fumegando. Goiabada, queijo... Havia, no espaço, um pequeno quintal, em que passou a cultivar legumes e plantas medicinais.  O bolo de fubá, com pedaços de queijo parmesão, se tornou famoso no entorno da Igreja Matriz.

 

Nos cabelos que começaram a embranquecer, o tempo lhe mostrou que avançava. Foi por isso que voltou a Juazeiro. Levou com ela algumas comprovações de que trabalhara no campo. Ansiava por aposentadoria pelo Funrural. Comprovantes de serviço insuficientes. Deram-lhe o benefício de “prestação continuada” da Lei Orgânica de Assistência Social- LOAS.

 

Não comemorou. Desgostou-se. Considerava, se fosse o Funrural, ocultar o período da venda do corpo, detendo-se somente na atividade na terra. O benefício responde a muitas de suas necessidades, mas não constata apenas o cheiro da terra que braços fortes, como o seu, fecundam e forjam no trigo o milagre do pão, da música “Cio da Terra” de Milton Nascimento e Chico Buarque.

 

Retorna, no entanto, em breve, aos bolos de fubá para recuperar, no que for possível, o princípio de seus dias.

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 10:32
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2014
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - MÃES DO MUNDO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Fiquei pensando em que tipo de homenagem eu poderia fazer para o dia das mães, sobretudo depois de já ter escrito sobre o assunto, no mínimo, umas quinze vezes. O que eu poderia escrever que ainda não fiz? Sinceramente, comecei e recomecei várias vezes, sem muito êxito. Não que me faltem sentimentos ou palavras para dizer o quanto as mães são maravilhosas, bem como que deveriam ser eternas, mas tudo isso já foi dito, por mim e por muita gente, de forma infinitamente melhor.

 

            Pensando nas mães da minha vida, buscando uma inspiração especial, lembrei-me de várias mães, quase sem querer. Quando eu era criancinha, pequena mesmo, costumava chamar, além da minha mãe, outra pessoa de mãe. Era a mulher que cuidava de mim enquanto minha mãe trabalhava, a Dona Edna. Eu nunca pensei que ela fosse minha mãe e posso me recordar disso, mas, igualmente, eu achava natural chamá-la daquela forma.

 

            Seguindo pelas minhas memórias, lembrei-me de minha sobrinha Isadora que, também quando pequena, certa vez, ficava atrás de mim, em uma visita a minha casa, chorando e chamando-me de mãe. Não tenho a menor dúvida de que ela soubesse quem era sua verdadeira mãe, mas ainda assim ela me chamou assim durante algum tempo.

 

            Em meio a esses pensamentos, lembro-me de todas as pessoas que se colocam como mães de seus animais de estimação, enchendo a boca e os olhos quando dizem: “Vem com a mamãe, vem!”. Uma vez mais, estou convicta de que nenhuma humana se entende biologicamente mãe de um animal, porém, essa palavra vem facilmente à boca e à mente de muitas mulheres que estimam seus bichinhos.

 

            Escrevendo isso é quase inevitável não pensar nas meninas que embalam bonecas, ursos de pelúcia e o que mais tiverem pela frente, em um gesto de proteção, dizendo-se mamães. Parece-me agora que essa conduta é reflete muito mais do que a mera imitação ou instinto maternal precoce. Quem quer que já tenha presenciado essa cena ou mesmo protagonizado-a, é capaz de perceber que há muito mais ali envolvido, em termos de sentimentos.

 

            No mundo animal, do mesmo modo, vi uma cena que ilustra o que estou delineando aqui. Um cãozinho, macho, encontrou uma ninhada de gatinhos que estava na mesma praça na qual ele mesmo havia sido abandonado e os levou, um a um, para a casa da pessoa que o adotou. Fotografado com os gatinhos, ele se deitou em volta deles, protegendo-os, tal qual uma mãe canina ou felina o faria.

 

            O que levaria, então, no mundo todo, tantas mulheres e até homens, autodenominarem-se mães de animais? O que faz com que tantas crianças chamem de mãe quem sabem não o ser? Por que razão gatinhos se aninham sob um cão? O que, afinal de contas, significa ser mãe e o que essa palavra traz consigo que a faz tão doce, tão acolhedora, até universal, no conteúdo?

 

            Pensando, concluo que seria perfeitamente possível substituir a palavra mãe por outra, sem que o sentido se perdesse, sobretudo nas situações que narrei acima. Mãe, sem dúvida, nada mais e tudo mais é do que AMOR e, ao amor, damos o nome que quisermos...

 

            Assim, a todos aqueles e aqueles que, das mais possíveis e variadas formas, são mães e tem a alegria de uma mãe, seja ela quem for, rendo aqui minha singela homenagem: FELIZ DIA DAS MÃES...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA -  Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora   -  São Paulo.

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:51
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - VERNIZES E AFINS

 

 

 

           

 

 

 

 

           “Não tinha um adjetivo para o dia e desejei ficar triste./ Fui moer lembranças,/ remoê-las com a areia pobre mas grossa / de minha desmesurada moela” (Adélia Prado).

 

           Excitadíssimos movem-se caneta sobre papel ou dedos pelo teclado e a mente pelo largo, se convocados são.

 

          Atrás do instante pensamento, um sem-número de outros se atropelam – diuturnamente, no sagrado ofício catártico.

 

          Separados, quem escreve e quem lê, são metades cósmicas apenas; partículas mudas, caso não se rocem nas entrelinhas, afinal, sem o encontro não ecoará a sublime música celestial, seu fruto.

 

            O mesmo se dá no âmbito pessoal, porque dentro em si, cada um de nós é composto destas metades, e tudo perde o ritmo se, por um instante, por qualquer motivo, dissociam-se.

 

            Corre-se atrás da palavra perfeita, como cão a perseguir o próprio rabo. No fundo, somos seres-meio-palavra. Deste neologismo, faz menos sentido cada signo do que a sua inteira significância, o que, no final das contas é o que importa.

 

            E o que dizer desta indizível metamórfica glória de dançar pelos períodos, curtos aqui, longos acolá, trafegando pelo texto feito anfíbio tresloucado?

 

            – Travessões, digam por nós o que não podemos! Exclamações, vírgulas, reticências...

 

           Particularmente, adoro as inversões! Ai, e os adjetivos, estas inadjetiváveis criaturas, pois, mágicas, dúbias, sobretudo, se precedem os substantivos. Supostamente servis, ora lhes cobrem de pétalas o chão à sua passagem, ora espalham por ela os espinhos, ou mesmo lhes jogam pedras. Potencializam àqueles; os fazem maiores ou menores nas virtudes e nos defeitos.

 

           Enfim, falar da palavra é também rezar por ela, chorar até. Escrever, portanto, para alguns é um exercício de carpidação, isto sim.

 

           E é preciso pranteá-la sem cessar pela faca que lhe enfiam no peito, dia após dia. Pela morte que lhe impõem por meio de heresias vestidas de gentilezas, elogios acobertadores de desmazelos, vernizes e afins.

 

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:43
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - SANTO IVO, PATRONO DOS ADVOGADOS E MENTOR DA " JUSTIÇA GRATUITA "

    

 

 

 

 

 

 

 

 

         Santo  Ivo, francês, empregou a sua mocidade no estudo das letras.       Dedicou-se com particular desvelo (sem  esperança alguma de interesse humano) no seu ofício de advogado à proteção dos miseráveis, órfãos e viúvos, por onde veio a merecer o título de "Advogado dos Pobres”, sendo posteriormente considerado o PADROEIRO DOS PROFISSIONAIS DO DIREITO. A dezenove de maio, celebra-se o DIA DE SANTO IVO, que faleceu nesta data,  a mesma  em que também foi canonizado em 1390. Trata-se de um momento manifestamente oportuno para se meditar sobre os seus ensinamentos e sua obra, voltados ao desempenho no amor ao próximo e no cumprimento de sua missão de fé.

 

          "Ó Deus de Misericórdia, dignai-vos a conceder-me a graça de desejar com ardor o que é de Vosso agrado, procurá-lo com prudência, reconhecê-lo com sinceridade e cumpri-lo com perfeita fidelidade para honra e glória de Vosso Nome. Amém". Assim rezava, no início de cada estudo ou trabalho, o santo padroeiro que hoje reverenciamos, recordando no aniversário de sua morte, há setecentos e um anos, o seu insuperável ensinamento duma vida inteira dedicada a fazer  o bem  e amar ao próximo.

 

         Nascido na Bretanha América em 1253, pertencente à alta pobreza da França, ele foi advogado, juiz e sacerdote da ordem franciscana. Durante toda a sua vida, lutou pelos direitos dos pobres, principalmente contra os senhores feudais e demais poderosos da época, tendo como magistrado, criado a isenção de custas para os necessitados, razão pela qual muitos o indicam como criador da JUSTIÇA GRATUITA.

 

            O seu juramento, prestado na Catedral de Tregular, aos quatorze anos de idade, quando sagrado Cavaleiro do Santo Sepulcro, constitui-se num verdadeiro símbolo do Cristianismo:- "Juro pela pureza das minhas intenções. Quero ser a fortaleza dos fracos, dos humildes dos pobres e dos necessitados."

 

            Sua atuação se pautou no entendimento de que as virtudes do homem de Justiça são a probidade e a competência, comuns e naturais à atividade honesta e, principalmente, o amor à verdade, que desvenda e impõe a causa justa. Por isso, o seu primeiro mandamento recomenda aos advogados que recusem o patrocínio de causas contrárias à Justiça, ao decoro ou a própria consciência.

 

         Homenageando o patrono dos advogados, invocamos Dr. Ruy Homem de Melo Lacerda, ex-presidente da Associação dos Advogados de São Paulo, Brasil:.

 

                            "Nesta época de transformações sociais em todo o mundo, quando se procura assegurar, também nas nações menos desenvolvidas, o desfrute pleno da vivência democrática, valorizando o ser humano, mais se acentua em nós, homens dedicados à defesa do Direito e à  realização da Justiça, o dever de contribuir, na luta cotidiana, como Santo Ivo, para a elevação dos costumes e a garantia de vida digna, notadamente aos mais humildes e desassistidos, que hoje abrangem   grande porção da coletividade brasileira.

 

                            Que o seu exemplo nos inspire, na certeza de atender com essa conduta, ao mandamento maior da nossa fé, deixado pelo Divino Mestre. E que saibamos, como nos orienta o Decálogo herdado de Santo Ivo, pedir ajuda de Deus nas nossas demandas, pois Ele é o primeiro protetor da Justiça."  (ASSP nº 1692 - Suplemento)

 

 

                          ADVOCACIA

 

 

                        Um povo só pode ser tido como civilizado quando crê na Justiça e quando ela efetivamente se realiza. A cidadania só se exerce por meio da certeza  do respeito que cada um tem do direito alheio. Violado esse direito, a sua reparação deve se tornar efetiva, perante um Judiciário célere, imparcial e eficiente. Nesse sentido, há muito a comemorar no Dia de Santo Ivo, considerado até o ano de 2000 no Brasil, o Dia do Advogado, quando o Conselho Federal da OAB, transferiu esta data comemorativa para 11 de agosto, dia da criação dos Cursos Jurídicos no país. Enquanto instituição, a advocacia tem sido líder da cidadania. Através dela, os princípios fundamentais insculpidos na Carta Magna são cumpridos e respeitados. O advogado, no seu ministério privado, presta um serviço público essencial e as entidades representativas dos profissionais do Direito não se omitem nas questões institucionais. Sempre estarão presentes, onde houver ofensa à dignidade e aos direitos humanos.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI  é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.

           



publicado por Luso-brasileiro às 11:36
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