PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quarta-feira, 18 de Junho de 2014
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - AS FESTAS JUNINAS ENRIQUECEM O FOLCLORE BRASILEIRO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estamos em junho, um mês muito importante à preservação das tradições e do folclore brasileiros. Com ele, comemoramos as festas juninas – para Santo Antônio, São João e São Pedro, que a cada ano, infelizmente, vêm se descaracterizando.  Com exceção do Nordeste - onde representam um importante momento econômico, pois muitos turistas visitam cidades nordestinas para acompanhar os festejos e os hotéis, comércios e clubes aumentam os lucros e geram empregos nestas cidades - em muitos lugares, praticamente sumiram do mapa.

Em São Paulo, por exemplo, restringem-se a algumas escolas e clubes, pequenos focos de resistência ou se reduzem a quermesses de    paróquias. No entanto precisamos, mais do que nunca, preservar nosso patrimônio cultural, como forma de revitalizar a cidadania, por isso precisamos participar e prestigiar   eventos que valorizem nossos usos e costumes, como os    festejos juninos.

Eles foram e ainda continuam sendo marcantes em determinados lugares. Há fogueiras, que servem como centro para a famosa dança de quadrilhas, com os casais vestidos como caipiras, liderados pela noiva, envoltos a inúmeras situações, que só provocam diversão de pura qualidade ao som de músicas típicas sempre muito animadas.  As suas comidas e bebidas típicas: pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca, bolo de milho, arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bombocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais nos deixam com água na boca. Os balões,  em função das leis que proíbem esta prática pelos riscos de incêndio que representam, ainda compõem o cenário, pendurados junto às bandeirinhas.

 

Os santos homenageados são cheios de mística e crendices populares. É o caso de Santo Antônio, considerado “casamenteiro”. São comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar e no dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Diz a tradição que o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa, para que nunca faltem alimentos e as mulheres que querem se casar, diz a tradição, devem comer deste pão e se possível, também do bolo.

 

 As festas juninas somam hoje, contribuições culturais de vários povos que aqui se estabeleceram com o passar do tempo, embora cada vez mais escassas. O momento se mostra bastante oportuno para refletirmos: o Brasil é um país muito rico em acervo cultural, mas é de fundamental importância conhecê-lo, para poder compor a identidade de nosso povo. É através destas manifestações folclóricas como os festejos de junho que mantemos vivas as tradições e costumes do povo brasileiro, preservando deste modo, sua história para futuras gerações. Devemos assim festejá-las e valorizá-las.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.



publicado por Luso-brasileiro às 12:05
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - MÚSICA PARA OS OLHOS

 


 

 

 

 

 


 
Dia desses alguém me disse que a voz de fulana era música para os olhos dele. Na hora, secretamente, ri pensando na estranheza da frase, embora, por delicadeza, nada tenha dito a respeito.


Passado um tempo, contudo, voltei a pensar no assunto e concluí, surpresa, que, para mim, a música muitas vezes salta aos olhos. Vou tentar explicar sem parecer muito louca, mas, de fato, é o que se dá comigo.


Gosto muito de música e tenho o hábito de cantar o tempo todo, mesmo à revelia de eventual e até desconhecida platéia. Para dizer a verdade, preciso me policiar o tempo todo para não ser tomada por aquele tipo de maluco que anda falando sozinho por aí.


Para minha tristeza, entretanto, não tenho talentos musicais. Tentei tocar violão por algum tempo, mas nem perto de medíocre eu cheguei a ser. Em meus delírios musicais, porém, eu sonho que domino um violino, um violoncelo ou mesmo um saxofone. Ainda bem que imaginar é um verbo que domino bem, pois ele me permite ser tudo que jamais serei...


Escuto, assim, música sempre que posso, em todo lugar que posso fazê-lo, mas como meus conhecimentos musicais são precários, eu descobri que em verdade eu mais leio a música do que a escuto, pois saboreio a letra, os sons que as palavras produzem em conjunto, ao se tocarem levemente ou ao se fundirem e isso tudo me parece mágica, música para meus olhos...


Curiosamente, quando leio, sou capaz de ouvir música. Não a música que nasce da leitura de partituras, pois elas para mim são complemente mudas, incapazes de traduzir uma língua que ignoro. A música que leio é aquela que é irmã da música que sinto através de meus olhos, pois é a que resulta da combinação das palavras, da cadência da rima, da leveza da prosa, do ritmo da narrativa e das pausas das reticências...


Busco me conformar com a música que consigo perceber e que pode estar escondida, dormente, travestida em palavras, brincando de esconde-esconde, como se cansadas de serem notas musicais.


E que toda palavra possa virar música aos olhos de quem as ouve e que toda cifra seja som que se possa ler, para que todos, músicos ou não, possamos entoar nossas canções, sentidas, no fim de tudo, com o coração...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA -  Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora   -  São Paulo.

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:01
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - A CIGARRA E O BRIGADEIRO

 

 

 

 

 

 

 

            Eu a chamara para, à janela, assistir como as gotas da chuva deslizavam pelas folhas do cajueiro.

 

            – E não é tudo igual? O jeito que todo pingo corre por qualquer folha?

 

            Claro que não, elucidei. Da textura da planta depende o ritmo da queda. E não só disso...

 

            – Tá tá tá. Vamos fazer brigadeiro de colher?

 

– Tá tá tá. Desarmei-me, pois, do interesse no assunto depende o ritmo da conversa. E não só disso...

 

Na cozinha, o celular camuflado sobre o mármore da pia, programado, sem gaguejar, repetia a mesma música e repetia e repetia e...

 

            Perguntei-lhe se o vocalista não explodiria, afinal, persistia feito cigarra determinada em monólogo determinante.

 

            É claro que eu não falei assim; não me entendam mal. Falo-lhes desta maneira, porque esse é nosso idioma, menos monossilábico, no meu caso, um tanto quanto verborrágico.

 

            Que eu sossegasse. Ele não estouraria não (porém meus miolos quase estouravam). E que eu soubesse: tratava-se da música tema do momento do beijo do casal daquele filme. Foi uma amiga que se apaixonou pela canção, descobriu na internet, mandou pra ela, que me contava naquela hora. E eu, então, estou contando a vocês.

 

            Estamos ou não estamos todos enrolados?

 

            De um rolo a outro, lá íamos, no capítulo seguinte deste moderníssimo e desajeitado conto de fadas doméstico, saboreando, grudadinhas, a iguaria grudenta a assistir “Enrolados”, uma, digamos assim: releitura da saga de Rapunzel.

 

            Lado a lado, vi-nos ali, de repente: a jovem heroína descobrindo seus poderes mágicos de seduções várias, e eu, aquela a quem ela tinha, agora, dificuldades em distinguir: se bruxa ou se outra coisa.

 

            “E não é tudo igual?”, ecoava a frase em meus sensibilíssimos ouvidos.

 

            Foi-se o tempo da inocência, eu pensava, ao passo que o doce descia amargando um pouquinho garganta abaixo, acumulando-se cintura acima.

 

            O que será que ela pensava? À pergunta que não calava, só o tempo, esse eterno vilão que não deixa sós as más madrastas responderá.

 

            Tudo isso se passando e o mais velho, na outra sala, rindo gostosa e alienadamente às passagens da comédia.

 

            Ele, penso desta vez, também já teve em mim uma rainha.

 

 

 

 

  

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:53
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FELIPE AQUINO - POR QUE O SEXO SÓ NO CASAMENTO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

“A mulher não pode dispor do seu corpo: ele pertence ao seu marido. E também o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa.” (1 Cor 7,4)

 

A Lei de Deus diz que a vida sexual é para o casamento; e se é a Lei de Deus, é bom e necessário para o nosso bem.

 

Deus é Pai e é amor; quer o nosso bem. São Paulo há dois mil anos já ensinava isso aos coríntios. O Apóstolo não diz que o corpo da namorada pertence ao namorado, e nem que o corpo da noiva pertence ao noivo; ou que o corpo de um amigo pode ser usado por outro amigo; ou que duas amigas podem ter relacionamento sexual. Ele fala de marido e esposa; já que a vida sexual exige um compromisso de vida para sempre assumido diante de Deus e da comunidade.

 

 

Por isso, o namoro e o noivado não são ainda a hora de viver a vida sexual. Ensina o nosso Catecismo que:

 

 

“Os noivos são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provação eles verão uma descoberta do respeito mútuo, uma aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade.” (§ 2350)

 

Não é fácil mesmo para os noivos esperarem o casamento para iniciar a vida sexual, mas esta é a lei de Deus, então é bom e belo, e vale a pena o casal cristão esperar. O Catecismo reconhece que é uma “provação”, mas esse exercício, além do mais, vai fortalecer o casal para as futuras provações conjugais.

 

O Papa João Paulo II, em suas catequeses sobre a “Teologia do corpo” mostrou que nossos corpos revelam que somos feitos para ser dom (entrega) para os outros, e para receber outros como dons. De forma belíssima, Ele mostrou o sentido esponsal do corpo.

 

 

A Igreja ensina que:

 

 

“Pela união dos esposos realiza-se o duplo fim do matrimônio: o bem dos cônjuges e a transmissão da vida. Esses dois significados ou valores do casamento não podem ser separados sem alterar a vida espiritual do casal e sem comprometer os bens matrimoniais e o futuro da família. Assim, o amor conjugal entre o homem e a mulher atende à dupla exigência da fidelidade e da fecundidade.” (CIC § 2363)

 

Por isso “o ato sexual deve ocorrer exclusivamente no casamento; fora dele, é sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental” (CIC §2390).

 

“A união carnal não é moralmente legítima, a não ser quando se instaura uma comunidade de vida definitiva entre o homem e a mulher. O amor humano não tolera a “experiência”. Ele exige uma doação total e definitiva das pessoas entre si.” (§ 2391)

 

As consequências do sexo vivido fora do casamento são terríveis: pode gerar famílias destruídas; mães e pais jovens solteiros; filhos muitas vezes abandonados e hoje muitas crianças “órfãs de pais vivos”. Muitos destes podem se tornar meninos frustrados, sofredores, muitas vezes buscando nas drogas, na bebida e no crime a compensação de suas carências.

 

Ora, sabemos que é difícil educar um filho com pai e mãe ao seu lado. Sem um deles é muito mais difícil.

 

É verdade que hoje muitas jovens mães solteiras possuem dignidade e sabem educar seus filhos com muito amor e carinho, se desdobrando para educá-los, fazendo de tudo para suprir a falta do pai, mas não há como negar que isto é um imenso sacrifício para elas. A presença do pai da criança a seu lado daria a ela muito mais tranquilidade e conforto.

 

Quantos abortos são cometidos porque se busca apenas egoisticamente o prazer do sexo, se eliminando depois o fruto: a criança! E assim, a vida é descartada acintosamente. Isso não é justo! Os animais não fazem isso! As doenças venéreas são outro flagelo do sexo fora do casamento. Ainda hoje convivemos com a sífilis, blenorragia, cancro… sem falar do flagelo moderno da AIDS. Na vida conjugal, marido e mulher não transmitem a AIDS um para o outro, a menos que tenham adulterado.

 

A moral católica ensina que aquilo que não está de acordo com a lei natural, não está de acordo com a lei de Deus, ou seja, é imoral.

 

A sociedade promove o sexo acintoso, especialmente através da televisão e da Internet, sem responsabilidade e sem compromisso. E depois se assusta com as milhares de meninas grávidas, estupros, separações, adultérios e famílias destruídas. É claro, pois “quem planta ventos, colhe tempestades”.

 

 

 

cpa_brilho_da_castidade

 

 

 

Sabemos que grande número de mulheres que dão à luz na rede do SUS, grande parte delas são adolescentes que ainda deveriam estar brincando com bonecas; mas já são mães. Algum malvado, egoísta, usou seu corpo de menina, mas não abraçou sua alma. Usou-a como se usa uma laranja para se satisfazer, e não teve a honestidade de assumir seu gesto e o seu próprio filho. Penso que você nunca viu um animal rejeitar seu filho.

 

Nem a vaca, nem a galinha, e nem mesmo a cobra venenosa. Mas o ser humano é capaz de ficar apenas com o prazer do sexo fora do lugar e rejeitar o seu próprio filho. Este não merece o nome de homem.

 

Aqui você pode, então, entender toda a importância e beleza da castidade. Ela preserva a vida, a saúde, o verdadeiro amor e a felicidade da pessoa e da sociedade.

 

A moral exige ensinar aos jovens o autocontrole de suas paixões, vencer a AIDS pela castidade, e não pelo uso vergonhoso da “camisinha” que incentiva ainda mais a imoralidade, a fornicação e a promiscuidade.

 

Conquistar esse domínio próprio é uma grande riqueza que dignifica a pessoa; e isso não se dá da noite para o dia, leva tempo, requer luta, persistência, paciência e maturidade.

 

 

Ensina o Catecismo que:

 

 

“O domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida. O esforço necessário pode ser mais intenso em certas épocas, por exemplo, quando se forma a personalidade, durante a infância e a adolescência.” (§2342)

 

O crescimento na castidade é marcado pela imperfeição e muitas vezes pelo pecado. É um trabalho diário onde a pessoa casta se constrói por meio de opções livres com luta e perseverança.

 

“A castidade comporta uma aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara, ou o homem comanda as suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz (Eclo 1,22).” (§2339)

 

A dignidade da pessoa humana exige que ela saiba agir de acordo com uma opção consciente e livre e não por força de um instinto interno cego. O homem só é livre e digno quando, liberto de todo cativeiro das paixões, busca realizar um ideal na vida. Sem isso o homem se desvaloriza.

 

A luta contra a AIDS deveria ser uma ótima oportunidade para se ensinar os jovens a viver a beleza da castidade, mas infelizmente tem acontecido exatamente o contrário. Faz-se a banalização do sexo e a propaganda de seu uso fora do casamento. É a maneira doentia deste mundo enfrentar os problemas difíceis dando para eles soluções fáceis, rápidas e inócuas.

 

 

Do livro: “O Brilho da Castidade”

 

 

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FELIPE AQUINO   -  Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 11:42
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - TESTE A SUA FÉ

 

 

 

 

 

 

 

Há fatos que somente a fé explica ou, pelo menos, quem tem fé consegue entender melhor, como este no Estado do Novo México, Estados Unidos:

 

Em Santa Fé, um mistério já dura 130 anos e atrai cerca de 250 mil visitantes por ano! A Capela Loretto é a personagem do suposto milagre ocorrido no final do século dezenove. Quando estava quase pronta, as freiras precisavam de uma escada que as levasse até o pavimento superior. Passaram nove dias rezando para São José, que foi carpinteiro de profissão.

 

Então, um desconhecido bateu na porta da capela no último dia. Disse que era carpinteiro e poderia dar conta da tarefa. Aceito para o trabalho e sem ajuda de ninguém, ele construiu a escada espiral que é considerada um prodígio da carpintaria. Até hoje não se sabe como ela ficou de pé, pois não tem suporte central, nem prego e nem cola. Depois do trabalho, o homem sumiu sem deixar vestígios e receber o pagamento.

 

Uma lenda nasceu na cidade de Santa Fé, que passou a acreditar que o carpinteiro era São José, enviado por Jesus Cristo para atender as súplicas das freiras. Desde então, a escada foi considerada milagrosa e virou ponto de peregrinação.

 

– Há três mistérios aqui – explica um porta voz da capela. – O primeiro é que não se sabe até hoje quem é o homem que construiu a escada. O segundo é que arquitetos, engenheiros e cientistas dizem que não entendem como a escada se equilibra. E o terceiro mistério: de onde veio a madeira?  Já fizeram análises e não existe nada parecido em toda a região!

 

Um detalhe só reforçou a crença no suposto milagre:  a escada tem 33 degraus, a idade de Cristo.

E então, leitor, o que você conclui? Acredita na possibilidade de ter sido São José o carpinteiro? Se precisar ver a imagem da escada para ter certeza que ela existe, entre na internet e acesse o site:

 

                     www.fimdostempos.net/escada-misteriosa.html

 

Agora, leia esta outra história que dizem ser real:

 

Desejando encorajar o progresso do filho ao piano, uma mãe levou seu menino ao concerto de Paderewski – um grande pianista! Depois de sentarem, a mãe viu uma amiga na plateia e foi saudá-la. Curioso para explorar as maravilhas do teatro, o pequeno se levantou, chegou até uma porta onde estava escrito: ‘Proibida a entrada’, e foi em frente.

 

Quando o espetáculo estava prestes a começar, a mãe retornou ao seu lugar e deu falta no filho. De repente, as cortinas se abriram e as luzes apontaram um impressionante piano Steinway no centro do palco. Horrorizada, a mãe viu o menino sentado ao teclado, inocentemente tocando as notas de ‘Cai, cai, balão’.

 

Naquele momento, o grande mestre entrou em cena e sussurrou no ouvido do menino: ‘Não pare, continue tocando’. Então, debruçando, Paderewski estendeu sua mão esquerda e começou a preencher a parte do baixo. Depois, colocou sua mão direita ao redor do menino e acrescentou um belo

acompanhamento de melodia. Juntos, o exímio pianista e o noviço transformaram a situação embaraçosa numa experiência maravilhosamente criativa. Ao final, o público aplaudiu de pé!

 

É assim que as coisas de Deus acontecem. Com as mãos do Mestre, as obras de nossas vidas podem ser lindas. É só não desanimarmos e ouvirmos atentamente Sua voz dizendo: ‘Não pare, continue tocando a vida com caridade e oração’. Então, será possível sentir os braços fortes e amorosos ao nosso redor, ajudando a concluir o grande concerto que iniciamos sozinhos.

 

Bem, mas este caso do pianista, por não envolver aspectos sobrenaturais, é mais fácil de acreditar do que o anterior da Capela Loretto, certo? Se respondeu ‘sim’, permita-me discordar. Eu acredito muito mais no primeiro, porém, respeito quem pensa o contrário, pois é uma questão de fé. E diante de tanta maravilha, será possível alguém não perceber o Espírito Santo pairando no ar?

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 11:36
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FRANCISCO VIANNA - O SEQUESTRO DOS RAPAZES ISRAELENSES DETERMINA O FIM DO PACTO DE UNIÃO ENTRE O HAMAS E O FATAH

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dias após ter assinado o acordo com a Autoridade Palestina, o HAMAS, o grupo terrorista palestino da Faixa de Gaza determinou o fim do pacto de unidade com Mahamud Abbas — e se expôs ao risco de sofrer a ira de Israel — ao sequestrar três adolescentes judeus. O fim da Faixa de Gaza pode estar com os dias contados.

 

 

 

 

Militantes palestinos mascarados em Beit Lahia, ao norte da Faixa de Gaza, no dia 12 deste junho (foto: AFP)

 

 

A condenação do presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, pelo sequestro de três adolescentes israelenses na segunda feita última, pela manhã, não é por acaso; nem o é a sua conversa por telefone com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

 

Ao longo das últimas 48 horas, ao que parece, algo mudou nos escalões superiores da AP e no partido de Abbas, o FATAH. Essencialmente, Abbas acabou por perceber que o recente pacto de unidade, firmado com o HAMAS, foi ignorado e rasgado no momento do sequestro dos meninos.  

 

Em conversas não oficiais, elementos da confinaça de Abbas dizem que o HAMAS irá pagar bem caro pelos sequestros dos jovens judeus — além da operação maciça de Israel para recuperar os rapazes abduzidos, Eyal Yifrach, Gil-ad Shaar e Naftali Frenkel — sob a forma de providências punitivas com as quais a AP planeja atingir o HAMAS em Gaza.

 

Desde que foi anunciado em abril último, o acordo de unificação FATAH-HAMAS tem sido visto pelos analistas como uma espécie de jogo, tanto em função da sua rejeição indignada por parte de Israel como pela postura ambíbua dos EUA (Washington tem sustendo que continujará a trabalhar com a AP, muito embora ainda considerem o HAMAS como uma organização terrorista). E já que Abbas decidiu dar uma checada, pela enésima vez desde o racha palestino em 2007, para ver se uma reconciliação com o HAMAS seria ou não possível. Par Abbas, era uma questão praticamente pessoal – um assunto de importância crítica.

 

Foi com essa visão que o HAMAS divergiu da visão do FATAH e saiu do governo, na Cisjordânia, para criar seu próprio governo em Gaza, e Abbas tinha a esperança de que conseguisse restaurar a unidade palestina antes que seu mandato presidencial na AP terminasse.

 

No entanto, a partir do momento em que o acordo foi finalizado, cerca de duas semanas antes do sequestro de quinta feira, as forças de segurança de Abbas dizem que o Hamas já estava tentando minar a relativa paz na Cisjordânia e fomentar tumultos contra Israel e a Autoridade Palestina. Com tal propósito, a greve de fome dos presos tornou-se uma ferramenta com a qual o Hamas instigou protestos, capitalizando com o sentimento das pessoas para fortalecer sua própria posição como o "protetor dos presos", e enfraquecendo o Fatah. Desde, então, veio a ação relativamente intensa por parte das forças de segurança da AP contra ativistas do Hamas, nos dias que antecederam o sequestro. A polícia palestina prendeu vários ativistas do Hamas e da ‘Jihad Islâmica’, ao irromperem os protestos organizados pelo HAMAS, "em solidariedade aos grevistas de fome".

 

E, então, os sequestros foram perpetrados. 

 

A história tem mostrado que o resultado imediato de tais ações é uma onda de apoio ao Hamas. Mesmo em Hebron, onde os moradores estão sendo obrigados a lidar com um toque de recolher - imposto pelas FDI que lhes nega o acesso a Israel e ao Reino da Jordânia, o sequestro foi tido como um "ato de coragem". A questão é saber se os palestinos da cidade continuarão a ver os sequestradores como heróis, caso o toque de recolher se arraste por um mês ou mais, prejudicando de forma severa o seu sustento. Hebron é frequentemente descrita como a capital comercial da Cisjordânia e um toque de recolher prolongado pode significar um desastre econômico para os seus residentes.

 

Entrementes, as reações ao sequestro entre os líderes do Hamas têm sido hesitantes e ilegíveis. Juntamente com suas declarações elogiando a "operação", membros da direção do HAMAS afirmaram que não têm qualquer informação sobre o crime. Talvez estejam dizendo a verdade; a maioria das ações complexas executadas pelo Hamas é gerenciada pelo braço militar da organização, que não fornece todos os detalhes ao seu escalão político. E, no entanto, os líderes do Hamas estão dolorosamente conscientes de que, seja qual for o caso, o que acontecerá aos três jovens israelenses poderá, eventualmente, lhes custar a vida, mesmo que isso viesse a desencadear uma chacina em Gaza pelas forças israelenses.

 

Deve-se notar que, até agora, não há nada que indique que os sequestradores estão tentando negociar os adolescentes por prisioneiros palestinos. Os sequestradores não fizeram abordagens nesse sentido - em Israel, na AP ou em outro lugar qualquer - com a intenção de negociar a libertação dos rapazes. Mesmo o Egito, de a muito considerado o negociador corriqueiro entre Israel e o Hamas em tais situações, não recebeu uma palavra sequer.

 

À medida que o tempo passa só se agravam os temores quanto ao destino dos jovens sequestrados, tornando evidente a previsão de que Israel passe a encetar um maciço ataque a Gaza de consequências inimagináveis quanto ao custo de vidas.

 

A Faixa de Gaza pode estar com seus dias contados.

 

 

Segunda feira, 16 de junho de 2014

 

 

 

 

FRANCISCO VIANNA  -   Médico, comentador político e jornalista  - Jacarei, Brasil.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:22
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - UM MISSIONÁRIO EM TERRAS DO TIO SAM

 

 

 

 

 

 

 

 

Numas das minhas viagens a terras de Santa Cruz, encontrei-me com missionário, que administrava programa religioso, numa emissora de rádio.

 

Após visita aos estúdios, onde se faziam as gravações, cavaqueamos sobre evangelização, e o melhor forma de levar Cristo ao povo.

 

A conversa descambou, e passamos a falar da sociedade e mentalidades de povos, quiçá, criada pela mass-media e figuras publicas que vivem em cada país.

 

Contou-me, então, o sacerdote, a viagem que fizera aos Estados Unidos, a fim de angariar donativos para o programa que mantinha na rádio.

 

Após contactar pastores e fieis das paróquias, houve membros que solicitaram a passagem pelas residências, para buscar donativos.

 

Selecionou endereços, por ruas e bairros, e iniciou as visitas.

 

Para seu espanto, verificou, que na maioria das casas, era recebido de modo semelhante:

 

Viviam em moradias, colocadas em relvados, ou apartamentos, onde o condomínio prestava os serviços essenciais, ao bom funcionamento do lar.

 

Ao entrar, encontrava, casal e filhos, descalços, estirados no chão, a ver TV.

 

Antes que dissesse ao que vinha, o chefe da família, sem se erguer, dizia-lhe para ir ao escritório, abrisse determinada gaveta, e retirasse determinada quantia.

 

Assim fazia, e espantava-se, ao verificar que na gaveta havia centenas de dólares, em dinheiro vivo.

 

E concluiu assim a narração:” No Brasil, ninguém, faria o mesmo. Mas os crentes americanos não acreditavam, que sacerdote,  indicado pelo pároco, fosse desonesto.

 

Em Portugal, por mais santo que fosse o missionário, não havia crente que confiasse, quanto mais a um desconhecido e estrangeiro.

 

É bem verdade: cada povo, cada nação, tem mentalidades diferentes.

 

Nos Estados Unidos, os poucos que sonegam impostos, negam, mesmo perante amigos. Em Portugal, e Brasil, quem consegue sonegar ao fisco, não só o faz, como ainda se gaba de o ter feito.

 

Talvez seja por isso que uns progridem e outros, por maior que sejam as riquezas, não passam de nações de futuro.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:03
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JORGE VICENTE - GUITERRA TOCA BAIXINHO

 

  

  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JORGE VICENTE    -   Fribourg, Suiça.


publicado por Luso-brasileiro às 11:00
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2014
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VÍTIMA E VITIMISMO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vítima e vitimismo são diferentes.  Vítima é uma pessoa: ferida, que sucumbe a uma desgraça, sacrificada aos interesses ou paixões de outrem, vencida, dominada. Vitimismo é um estado de quem se considera prejudicado em todos os acontecimentos.  Em uma ou mais experiências de sofrimento, se acovarda em lugar de resistir com coragem. Fica de braços cruzados, à espera que alguém se prontifique a resolver os seus problemas, incluindo os emocionais. E, no cotidiano, se não houver privilégios, se não levar vantagem, emite frases como: “Ninguém gosta de mim” ou “Não me retribuem como eu merecia” e, ainda, “Não esperava que fizessem isso ou aquilo”... O vitimismo não é uma característica inerente às vitimas, pois grande parte delas reage com bravura e honradez.

 

A psicóloga Miriam Maion Codarim explica que o vitimismo demonstra uma personalidade com autoestima reduzida. Quem se vitimiza deseja que o outro o compreenda no quanto ele sofre, embora seja bom. E coloca um terceiro como aquele que faz mal a ele, o culpado por suas frustrações e fracassos. Muda-se essa forma de ser somente no autoconhecimento, na compreensão de que não é vítima.

 

 No aspecto espiritual, o vitimismo é manifestação da soberba, origem de todos os males.  De acordo com Dom Joaquim Justino Carreira (1950 – 2013), de saudosa memória, em seu livro: “Trevas e luz”, a soberba tem três manifestações fundamentais: o domínio, o vitimismo e a mágoa. “O domínio significa que só estamos bem quando as pessoas fazem o que queremos, como queremos e quando queremos. (...) O vitimismo significa que quando não fazem o que queremos, comportamos como vítimas dos outros e das situações (...) e pensamos que tudo o que fizemos ou estamos fazendo, não vale a pena, pois ninguém reconhece. (...) A mágoa, como dizem os Padres do Deserto: ‘é orgulho ferido’. A pessoa erra e você se magoa com a dificuldade do outro como se fosse o centro do mundo e tudo fosse organizado contra você. (...) A mágoa mata a pessoa no coração”.

 

Em alguns acontecimentos de minha história, experimentei o vitimismo. Fortaleci-me contra essa sensação a partir da dimensão espiritual.  E que gosto horrível  o vitimismo tem! E que odor putrefato exala, afastando os que estão em volta. Hoje, noto de imediato, ao se aproximar esse sentimento inadequado, e me encorajo na Cruz de Jesus Cristo.

 

Na Liturgia das Horas – 9ª. Semana do Tempo Comum – há duas leituras do Abade São Doroteu (Séc. VI), que enfocam a razão do vitimismo. Diz ele que, diante do questionamento sobre reações diferentes, ao se ouvir uma palavra desagradável, os que se perturbam, o motivo é este: ninguém acusa a si mesmo.  E conclui: “Esta é a verdade. Por mais virtudes que tenha um homem, ainda que sejam inumeráveis e infinitas, se se afasta deste caminho – acusar  a si mesmo -, nunca encontrará a paz, mas ao contrário, andará aflito ou afligirá os outros, e perderá o mérito de todos os seus trabalhos”.

 

É essencial, penso, para que o ser humano se liberte da escravidão do domínio, do vitimismo e da mágoa, a percepção de suas fragilidades e traumas, a saída do comodismo e do conformismo e o desejo de mudanças que permitem evoluir e se renovar.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



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Quarta-feira, 11 de Junho de 2014
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - UMA OBRA CLÁSSICA E SEMPRE ATUAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O poema “Os Lusíadas” é dividido em 10 cantos e tem um total de 1102 estrofes, oitavas rimadas no esquema clássico de ab, ab, ab, cc – ou seja, o primeiro, o terceiro e o quinto versos rimando entre si, e alternadamente, também rimando entre si, o segundo, o quarto e o sexto versos; e, por fim, fechando a oitava, o sétimo e o oitavo também rimados entre si.

 

Na imensa maioria, são versos heróicos, com acentuação na 2ª. ou 3ª., na 6ª. e na décima sílabas; excepcionalmente, encontram-se no poema alguns poucos versos sáficos, decassílabos com acentuação na 4ª. e na 8ª. sílabas. Essa intercalação de alguns sáficos num poema composto por heróicos tempera agradavelmente a homogeneidade rítmica, impedindo que se transforme em monotonia.

 

À maneira das epopéias clássicas, o poema se inicia com a proposição do assunto, expressa nas três primeiras estrofes do canto I. Vêm, depois, nas duas estrofes seguintes, a invocação das Tágides, as ninfas do rio Tejo, instadas a ajudar o poeta e a lhe proporcionar inspiração para seu canto. E, a seguir, ainda dentro do esquema tradicional dos poemas épicos clássicos, vem a dedicatória, ao Rei D. Sebastião, ao qual é oferecido o poema. São doze estrofes, de números 6 a 18, dirigidas ao rei, de quem se esperava fosse um guerreiro vitorioso contra as hostes maometanas que então ameaçavam a Cristandade europeia;

 

Na sequência, tem início a trama da epopéia, com a narrativa da viagem de Vasco da Gama, interrompida a certa altura quando, à maneira de um moderno flashback, é introduzido um longo relato de Vasco da Gama, recordando toda a História gloriosa de Portugal. Outros episódios também intercorrem, introduzindo no poema uma nota de variedade muito agradável ao leitor. Por exemplo, a descrição do concílio dos deuses no Olimpo, debatendo entre si sobre se deveriam ou não ajudar os portugueses em sua navegação (I, 20-41); o episódio dramático do gigante Adamastor (V, 41-59), a descrição igualmente dramática da tempestade, a que já aludi (VI, 70-84), o episódio dos Doze de Inglaterra (VI, 43-69) e muitos mais.

 

Há nele exemplos muito variados de estilos. Há elementos descritivos bem caracterizados, por exemplo, no relato de batalhas, como na de Aljubarrota, (IV, 28-31), de uma vivacidade extraordinária, em que o leitor tem a nítida impressão de estar assistindo a um filme, tal a força expressiva do poema.

 

Há trechos de lirismo comovedor, como, no final do canto III, o episódio de Inês de Castro, “a mísera e mesquinha / que depois de morta foi rainha”. Principia com os célebres versos:

 

Há passagens que se destacam pela ironia e uma, pelo menos, em que o senso de humor é bem marcado, com o episódio de Veloso, no início do canto V. Esse Veloso era um português muito convencido, ao que parece, de sua valentia, muito seguro de si e um tanto fanfarrão. A certa altura, desceu de sua canoa junto à costa africana e afoitamente se pôs a subir um outeiro, mas, estando envolvido pela vegetação, não via que, no alto do mesmo outeiro, estava um grande número de negros com ares hostis. Os companheiros de Veloso, que estavam avistando perfeitamente o alto da colina, em altos brados, tentavam advertir Veloso do perigo, mas o valentão não ligava, pensando tratar-se de brincadeira dos amigos. Quando chegou ao alto da colina, porém, e se viu diante de tantos homens hostis, deu-se conta do perigo em que estava e desembalou em carreira até à praia, onde conseguiu embarcar na canoa, em meio a uma chuva de flechas... Veloso, descendo a colina, “... ao mar caminha, / Mais apressado do que fora, vinha”, ironiza o poema.

 

E prossegue: «Disse então a Veloso um companheiro / (Começando-se todos a sorrir): / – «Oulá, Veloso amigo! Aquele outeiro / É milhor de decer que de subir!» / ~ «Si, é (responde o ousado aventureiro); / Mas, quando eu pera cá vi tantos vir / Daqueles cães, depressa um pouco vim, / Por me lembrar que estáveis cá sem mim.» (V, 35).

 

Há ainda, ao longo do poema, numerosos versos que, pela sua concisão e conteúdo de fundo moral, se transformaram em verdadeiros ditados, repetidos por muita gente que nem mesmo sabe que sua origem está nos Lusíadas. De memória, cito apenas três: “O fraco rei faz fraca a forte gente”; “inimiga não há, tão dura e fera, / Como a virtude falsa, da sincera”; e “... sempre por via irá direita / Quem do tempo oportuno se aproveita”.

 

O poema é, na forma, muito constante e regular, mas é cheio de variações que o tormam extremamente agradável de ser lido.

 

Camões foi, sem a menor sombra de dúvida, o maior expoente da língua portuguesa e contribuiu poderosamente para sua afirmação, assim como contribuiu para a afirmação da nacionalidade portuguesa e, por extensão, da brasileira. Papel análogo representou Dante, para o italiano moderno, Shakespeare para o inglês, Cervantes para o castelhano. Embora autores antigos e quase arcaicos, os quatro continuam sendo, e nunca deixarão de ser, referenciais para todos os estudiosos de seus idiomas. Esse o imenso valor das obras clássicas, sempre atuais porque nunca envelhecem – como sempre gosta de realçar meu ilustre amigo e mestre Ricardo da Costa.

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS    -   é historiador e jornalista, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 

 

 



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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIA MUNDIAL DE COMBATE AO TRABALHO INFANTIL

 

 

 

 

 

 

 

 

Por decisão da Organização Internacional do Trabalho (OIT), desde 2002, o 12 de junho é consagrado como o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, pois nessa data a entidade tornou público um relatório sobre o tema na Conferência do Trabalho que ocorre anualmente em Genebra (Suíça). No Brasil, o evento foi oficializado em 2007 pela lei 11.542, sancionada pelo presidente Lula. Nessa data, no entanto, temos mais para refletir do que para comemorar.

 

Com efeito, o número de crianças que trabalham em nossa Nação é manifestamente alarmante e muitas vezes, são submetidas a jornadas superiores a oito horas e algumas chegam a ganhar menos do que um salário mínimo, podendo ser vistas em carvoarias e mineradoras, na agricultura e até na coleta de lixo. A realidade mostra um acúmulo de outros fatos chocantes, entre os quais, a exploração de menores na prostituição e a existência de milhares deles, entre sete e 14 anos, fora das escolas, apesar de todas as proibições legais.

 

            O nosso País ratificou no ano 2000 a convenção 182 da OIT, a qual dispõe sobre as ações imediatas para eliminar as piores formas de trabalho infantil, tendo o Ministério do Trabalho criado a Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, composta de representantes do governo, do Ministério Público do Trabalho, da sociedade civil, dos trabalhadores e dos empregadores. Tal comissão elaborou, em 2003, o Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador. Mesmo assim, a questão ainda não é prioritária e a sociedade não está conscientizada sobre os graves efeitos que podem dela advir.

 

            Nessa trilha, invocamos Floriano Pesaro e Ricardo Montoro: “Precisamos chegar a um consenso e agir com mais rigor. Criança não pode trabalhar em nenhuma hipótese. Essa é uma violação de direito incontestável. O trabalho infantil, em todas as suas formas, é proibido por lei. Está mais que provado que ele prejudica o desenvolvimento integral a criança....As perdas decorrentes da privação de um cotidiano de estudos, esportes, brincadeiras e afetos são severas. Além das seqüelas físicas, cognitivas e psíquicas, a criança que trabalha tem grande possibilidade de, alcançar a idade adulta, receber um salário cinco vezes menor do que o de quem começa a trabalhar aos 18 anos....O trabalho infantil está intimamente relacionado ao baixo rendimento escolar, à evasão e à repetência. Ele empobrece as pessoas e o país....”(Folha de São Paulo-12/06/2007- p.3 “Hoje e sempre: não ao trabalho infantil”).

 

Realmente, a ação mais efetiva no combate ao trabalho infantil deve ser focada na educação. A própria OIT reconhece que as crianças necessitam de uma formação de qualidade para adquirirem as qualificações necessárias a um possível êxito no mercado de trabalho.  De acordo com o sociólogo Floriano Pesaro, “ investir na educação é também uma sábia decisão de caráter econômico. Eliminar o trabalho infantil e substituí-lo por uma educação universal oferece grandes benefícios – que, segundo recente estudo, superam os custos em uma relação superior a 6 para 1” (Folha de São Paulo- 12/06/2008- p. 3- “O trabalho infantil e o futuro do país”).

 

Não podemos perder de vista que o valor simbólico da educação fecunda o processo civilizatório, dos valores às leis, da política à vida e que ela se enquadra na Segunda Geração dos Direitos Humanos, os quais traduzem a relevância da igualdade e dizem respeito aos direitos sociais, culturais e econômicos. Um dos aspectos que agravam a situação é o da justiça social desconhecer a aspiração de todos à educação, reservando a cultura a uma classe privilegiada, fossilizando, assim, muitas forças humanas, mesmo porque, o seu fim é determinado pelo objetivo último do homem. Com efeito, através de uma formação adequada e crítica, visando sobretudo a elevar o indivíduo, decorrerão inúmeros benefícios para toda humanidade, porque quando as pessoas se sentem partes integrantes de um todo, colaboram grandemente para o crescimento desse todo.

 

 

                           

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.         



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JOSÉ RENATO NALINI - O PARTIDO DA POBREZA

 

 

 

 

 

 

 

Dentre os centenários a serem comemorados em 2014, um bastante especial é o de Irmã Dulce. Seu nome era Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes (1914-1992). Foi chamada de “Anjo Bom” da Bahia e considerada uma das mais relevantes ativistas humanitárias do século 20, cogitada para receber o Nobel da Paz em 1988. Em 2011 foi beatificada e é mais uma das candidatas ao altar cujo processo de canonização tem curso pela Santa Sé.

 

Sua luta em favor dos oprimidos foi reconhecida por todos, independentemente da confissão religiosa. Um dia, ao pedir ajuda a um empresário, este cuspiu em sua mão. Irmã Dulce não se abateu. Limpou a mão e disse: – “Isto foi para mim. Agora quero a ajuda para meus pobres!”. Vestiu a camisa dos excluídos. Ajudava-os material e espiritualmente.

 

Não era “bolsa”, mas estendia a mão e os fazia levantar da degradação, da sub-humanidade, das condições indignas, para alçarem-se ao status digno de criaturas da espécie racional. Exemplos como os de Irmã Dulce fazem falta. Despojamento, desinteresse, devoção à causa. As políticas assistenciais têm sempre uma dupla face.

 

De um lado significam a tentativa de reduzir a miséria. De outro, o intuito de cativar os dependentes para torná-los eternos devedores e reféns do interesse hegemônico de quem patrocina sua subsistência. Quem faz caridade é movido por outro móvel. Reconhece no outro um semelhante, alguém que não merece passar por privações pois é irmão. Se Deus é pai, o próximo é meu irmão. Essa é a mensagem evangélica e é muito difícil segui-la, porque o outro nem sempre é amorável.

 

Fácil é gostar de quem gosta da gente. Amar por reciprocidade. Amar quem tem o mesmo sangue a correr nas veias, como se ama os pais e se idolatra os filhos. Já em relação ao estranho, o primeiro sentimento nesta época de desconfiança é a suspeita de que ele nos atacará. Então é comum que a primeira defesa seja o ataque.

 

De quando em vez a Providência envia ao mundo alguém como Irmã Dulce, que será interpretada por Regina Braga num filme que está sendo rodado na Bahia. Uma mulher que não servia a interesses escusos nem a partidos. O Partido dela era o Partido do Pobres.

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@tjsp.jus.br

 

 

 

           Natal das crianças do Centro Educacional Santo Antônio – Créditos: http://www.irmadulce.org.br/

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:25
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