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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2015
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - " TOMARA QUE CHOVA TRÊS DIAS SEM PARAR..."

 

 

 

 

 

 

Cinthya Nunes Vieira da Silva.jpg

 

           

 

 

 

 

 

 

O tempo tem passado muito rápido ou sou eu que estou acelerada, mas já é Carnaval novamente e todos se preparam para cair na folia ou para simplesmente descansar. Confesso que não sou nada avessa à ideia do descanso, pois quem trabalha sabe o quanto um período de descanso pode ser um oásis, até para renovar as forças para os demais dias. No entanto, muita coisa no feriado de Carnaval, sobretudo, acaba me incomodando...

            Não vou e nem tenho cabedal suficiente para isso, entrar na questão história que deu origem às festividades de Momo, mas muitas razões pouco dignas me parecem convenientemente sustentar a ênfase que se dá esse período do ano.

            Quando eu era adolescente, curtia pular o Carnaval no Clube Linense ou no Country Clube de Lins, cidade onde morava com meus pais, entoando as marchinhas clássicas ou mesmo os sambas-enredo das escolas de samba do momento. Naquela época, minhas preocupações juvenis eram as provas, o vestibular, os amigos, os paqueras. Penso, agora, faltava-me a maturidade para entender que, abaixo de toda aquela folia, sempre houve um pano de fundo nacional.

            Que o cenário político, econômico e de abastecimento hídrico e elétrico do Brasil está caótico e em crise, creio que nem os mais alienados duvidam. Notícias de corrupção para todo lado, insatisfação, violência e outras tantas mazelas, contudo, não são suficientes para tirar das pessoas o ânimo de curtir o Carnaval.

            Se de um lado isso se justifica pela estafa que as pessoas estão passando, desiludidas pelo descaso do Poder Público e carentes de um refúgio temporal no qual possam, momentaneamente esquecerem-se de tudo, por outro, é assustador, pois essa pausa pode acabar apaziguando os ânimos em demasia, de forma a levar ao esquecimento o fato de que os homens e mulheres ocupantes do Poder estão a nos dever, e muito, satisfações, para dizer o mínimo.

            Historicamente, pão e circo (ou carnaval) sempre foram a panaceia e a cortina dos incompetentes e dos desonestos, mas eu espero que o povo brasileiro esteja mais politizado e não se deixe enganar tão facilmente dessa vez. Espero que todos aproveitem o feriado para descansar, para brincar, para curtir família, para ler bons livros ou assistir a bons filmes, mas que, na quarta-feira, seja capaz de identificar quais são as verdadeiras cinzas, resultado da pira na qual arde nosso patrimônio, nossa idoneidade como país e a vergonha na cara de muita gente de poder.

            Da minha parte, continuo gostando de muitos sambinhas, mas não brinco mais o Carnaval, até porque não é possível fazê-lo como fiz no passado, por milhares de razões. A despeito de tudo, creio que uma das musicas mais executadas nesse Carnaval venha a ser exatamente a que dá nome a esse texto e que também não me sai da cabeça. Que Momo proteja todos nós. Bom Carnaval a todos!

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.



publicado por Luso-brasileiro às 11:37
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na verdade, viemos ao mundo para servir...

                              

 

 

 

Na próxima quarta-feira, dia 18 de fevereiro, terá início a quaresma,ocasião em que somos chamados a rever nossas posturas, a fim de corrigirmos falhas e melhorarmos as atitudes para com Deus e o próximo. E para ajudar-nos a obter êxito em tais propósitos, foi instituída em no Brasil, há cinquenta e um anos pela Conferência Nacional dos Bispos - CNBB, a Campanha da Fraternidade, que propõe, a cada realização, pontos concretos à conversão de faltas coletivas e o aperfeiçoamento na prática da fraternidade.

Escolhe-se anualmente um tema diretamente relacionado a questões sociais, priorizando reflexões sobre as circunstâncias e situações que exacerbam as desigualdades entre os seres humanos. Ao mesmo tempo, incentiva a renovação do compromisso de cidadania, pautado pela valorização da fraternidade e da solidariedade entre os homens, transformando-se num privilegiado momento de evangelização nacional, aliado a um canal de expressão daqueles que, na sociedade, excluídos, nunca têm voz, nem vez.

O tema de 2015 é “Fraternidade: Igreja e Sociedade” com o lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45) com os quais o evento buscará recordar a vocação e missão de todo o cristão e das comunidades de fé, a partir do diálogo e colaboração entre Igreja e Sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II. O texto-base reflete a dimensão da vida em sociedade que se baseia na convivência coletiva, com leis e normas de condutas, organizada por critérios e, principalmente, com entidades que “cuidam do bem-estar daqueles que convivem”.

Na apresentação do texto, o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, explicou que a Campanha da Fraternidade 2015 convida a refletir, meditar e rezar a relação entre Igreja e sociedade. “Será uma oportunidade de retomarmos os ensinamentos do Concílio Vaticano II. Ensinamentos que nos levam a ser uma Igreja atuante, participativa, consoladora, misericordiosa, samaritana. Sabemos que todas as pessoas que formam a sociedade são filhos e filhas de Deus. Por isso, os cristãos trabalham para que as estruturas, as normas, a organização da sociedade estejam a serviço de todos”, comentou dom Leonardo.

Trata-se de um tema de grande relevância. Com efeito, buscamos ser felizes, mas não conseguimos nos realizar coletivamente. Sonhamos em ser iguais, mas cultuamos os piores contrastes. O egoísmo gera o anonimato que impede o surgimento de alianças sólidas entre os indivíduos e as relações tendem a ser fortuitas e passageiras.

O tempo passa mais rápido que a nossa capacidade de doação e um cenário promissor à solidariedade acaba sempre se distanciando. Assim, não haverá prosperidade, enquanto persistir a concentração de riquezas nas mãos de poucos; as gritantes injustiças cometidas sob os mais frágeis argumentos; a corrupção devassadora e outros males provocados pela prevalência das questões econômicas sobre as sociais – verdadeiros acintes aos valores cristãos.

Vivemos em constante tensão, preocupados com a sobrevivência e isolados em nossos mundos particulares. Reiteramos, por isso, que diante da ameaça que paira sobre todos, é hora de assimilarmos gestos de boa vontade e unirmos nossas mãos em atitudes concretas de partilha, para a construção de uma nova sociedade, em que as desigualdades não sejam tão ostensivas e chocantes e o Direito possa efetivamente regular a ordem, para progredirmos em conjunto rumo a tão almejada paz, compreendida como fruto da eliminação da miséria e do desenvolvimento integral de todos os povos.

Na verdade, viemos para servir...

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário (martinelliadv@hotmail.com).



publicado por Luso-brasileiro às 11:32
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - DEBATE RECORRENTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            “Oh! Bendito o que semeia/ Livros... livros à mão cheia.../ E manda o povo pensar!/ O livro caindo n'alma/ É germe — que faz a palma,/ É chuva — que faz o mar.” (Castro Alves).

Assunto dos mais debatidos diz respeito à sobrevida dos livros impressos.

            Uns tomam-lhe a defesa a ferro e fogo nas contendas, havendo, em contrapartida, quem os atire aos leões.

– “Antiecológicos”, gritam extremistas. Apaixonados debulham-se em lágrimas e as enxugam nas folhas, nisto expondo, inclusive, mais um atributo dos objetos em questão.

            Se, por um lado, é tormentoso o meio pelo qual se obtém a matéria-prima para a sua confecção, por outro, o mesmo deveria dar-se no que tange, por exemplo, a todo e qualquer uso exacerbado das fontes renováveis e não renováveis de energia. Delas usufruir não nos isenta de provocar impactos ambientais.

Se, por um extremo, falta espaço onde guardar tanto papel, noutra ponta, é demasiado oneroso e exige responsabilidade gigantesca o emprego de quaisquer recursos naturais.

Assim como carro e avião não serviriam de armas, não fosse essa a intenção do condutor, o livro igualmente. O vilão, amigos, não é este aglomerado de páginas. Nem comparsa ele é, mas, a preguiça de aderir a pequenos gestos cotidianos que, somados, tomariam vulto bastante para sobrepor, entre tantos, o monstro do lixo eletrônico, para com o qual nossa irresponsabilidade e descompromisso corroboram.

A solução em situações de conflito aponta inexoravelmente para o equilíbrio, sem o qual – esqueça!

Pessoalmente, eu não queria ter vivido para assistir tal dilema.

Corrijo-me. Usando e abusando, ora da letra impressa (por meio da qual assinantes ou leitores eventuais me leem, em gloriosos veículos que, como dizem por aí, hoje dão furos para amanhã embrulhar quinquilharias, sem contar que a tinta se apaga em algum tempo, e a página derrete sob uma chuvinha), ora defronte àquele que me perscruta os pensamentos perfilhados pelo cursor saltitante, corrijo-me.

E ei-la, a correção: não queria ter vivido para assistir a moleza de pensar, fosse a reflexão advinda de fonte impressa... fosse doutra.

           

 

 

VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI , escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:26
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JOSÉ RENATO NALINI - TER CARRO É BREGA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Essa é a atual postura do jovem norte-americano de nossos dias. Ao menos daqueles mais conscientes de que se continuarmos na volúpia da velocidade ao volante, o futuro será ainda mais preocupante do que já se anuncia.

O Brasil cometeu o pecado mortal de abandonar as ferrovias, eficientes e não poluentes, e adotar a cultura automobilística. As cidades foram convertidas em espaço privilegiado para o carro e em inferno para as pessoas. Em lugar de priorizar o transporte coletivo, especializamo-nos em rodovias e em autovias. Veja-se, por exemplo, a Bandeirantes. Quando construída, a largura entre os leitos carroçáveis se destinaria ao maior espaço verde contínuo do mundo. Aos poucos essa área foi virando mais pistas. Anuncia-se com orgulho a quinta faixa e ninguém mais fala em verde.

Houve tempo recente em que todos deveriam ter o seu “carrinho”. Daí o estímulo à aquisição de veículos populares em prestações mensais. Até 72 meses de financiamento! Quando terminava de pagar, o pobre adquirente já precisaria ter outro carro. E quem pudesse deveria adquirir um segundo, para fugir ao rodízio.

Resultado: o flagelo dos congestionamentos. Todos os dias e a qualquer hora. Os acidentes de trânsito que ceifam vidas úteis e enlutam famílias. O estresse, a exaustão, a perda de paciência e de alegria de viver.

Nos Estados Unidos, que foram nossa inspiração para esse culto ao carro, a população fanática por automóvel está envelhecendo. E os jovens dizem, de verdade, que “ter carro é brega”. Cenário perfeito para a criatividade de tecnologia destinada a mobilidade urbana. Quem já ouviu falar do “Uber”? É um aplicativo para “caronas” profissionalizadas: articula motoristas em carros executivos, espalhados pela cidade por meio de algoritmos. O lema da empresa é “fazer com que ter carro seja coisa do passado”. Isso funciona em conjugação com a blitz do consumo etílico. É muito melhor ir de carona ou de táxi do que dirigindo seu carro, se você vai consumir bebida alcoólica.

Tomara que o hábito de copiar os americanos seja preservado também para reduzir a aquisição e o uso do automóvel. Vamos incentivar o uso de ônibus, metrô, bicicleta. Andar a pé faz bem à saúde. E devolvamos oxigênio ao misto gás poluente que respiramos todos os dias.

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



publicado por Luso-brasileiro às 11:19
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FELIPE AQUINO - POR QUE REZAR?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para os exercícios espirituais da Quaresma a Igreja recomenda o jejum, a esmola e a oração, além de outras práticas como a meditação da Palavra de Deus, a Via-sacra, as peregrinações aos santuários, a Confissão, etc.

Sem oração é impossível caminhar na fé e fazer a vontade de Deus. Ela é a nossa força; por ela os santos chegaram à santidade; e, sem ela ninguém experimentará a glória e o poder de Deus. O Senhor Jesus nos manda “orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1), e São Paulo nos recomenda: “Orai sem cessar” (1Ts 5,17). Jesus foi muito claro, “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

A oração é para a alma o que o ar é para o corpo. Uma alma que não reza é uma alma que não respira; não tem vida. Ninguém pode servir a Deus sem muita oração, pela simples razão de que é Ele, e somente Ele, que realiza todas as coisas; nós somos apenas seus instrumentos. Quanto mais comungamos com Ele pela oração, mais nos tornamos um instrumento útil em suas santas mãos. É uma grande ilusão querer fazer algo por Deus, e para Deus, sem rezar. Esta é a maior tentação que sofremos: rezar pouco, não rezar ou rezar mal.

A oração pode mudar todas as coisas; o Anjo Gabriel disse à Maria: “Para Deus nada é impossível” (Lc 1,37). “Tudo é possível ao que crê” (Mc 9,23), nos garantiu o Senhor. E mais, “pedi e vos será dado” (Lc 11,9), “Tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado” (Mc 11,24).

São Paulo recomenda com insistência: “Orai em todo o tempo” (Ef 6,18), “perseverai na oração” (Col 4,2), “orai sempre e em todo o lugar” (1Tm 2,8). “Antes de tudo recomendo que se façam súplicas, orações, petições, ações de graças por todos os homens…” (1Tm 2,1).

E São Pedro nos adverte: “Lançai em Deus todas as vossas preocupações porque Ele tem cuidado de vós” (1Pd 5,7).

 

 

Por que rezar

 

 

O Papa Paulo VI disse certa vez: “Quando consideramos as mais verdadeiras, mais profundas e, ao mesmo tempo, mais negligenciadas necessidades dos homens do nosso tempo, não podemos deixar de concluir pelo primado da oração no campo da atividade multiforme da Igreja. A Igreja é a sociedade dos homens que oram. Seu principal objetivo é ensinar a rezar”. “A Igreja proclama a identidade entre a oração e a caridade; afirma Bossuet: É certo que não existe senão a caridade que ora” (L’Osservatore Romano- 21/7/1966). “… A oração está no ponto mais alto da razão, no vértice da psicologia, no ápice da moralidade e da esperança.” (Idem – 14 de março de 1976).

Além do mais, o próprio Senhor nos deu o exemplo: “Entretanto espalhava mais e mais a sua fama, e concorriam grandes multidões para o ouvir e ser curadas das suas enfermidades. Mas ele costumava retirar-se a lugares solitários para orar” (Lc 5,15-16).

Há muitas formas de oração e todas elas são boas, desde que sejam feitas “com o coração”.

Reze “com o coração”, sem pressa, esqueça o relógio, e entregue-se ao Coração de Jesus. “Tudo pode ser mudado pela oração”.

O grande pregador de Notre Dame de Paris, Padre De Ravignân S.J., dizia: “ Meus queridos amigos, acreditem-me, depois da experiência de 30 anos de ministério, eu sinto o dever de notificar e testemunhar o seguinte: Todas as defecções e todas as deficiências; todas as misérias e todas as falhas; todas as quedas assim como os passos mais horríveis fora do caminho reto, tudo isto deriva de uma única fonte: falta de constância na oração”.

“Vivam uma vida de oração; aprendam a transformar qualquer coisa na oração, quer os sofrimentos, quer as dores e qualquer tipo de tentação”.

“Rezem na calma e na tempestade, rezem à noite como ao longo do dia, rezem indo e voltando, rezem embora se sintam cansados e distraídos”.

“Rezem também a contragosto e peçam a Jesus que agoniza no Jardim das Oliveiras e no Calvário aquela força e aquela coragem de rezar que Ele nos mereceu com suas dores e seu sangue”.

“Rezem, porque a oração é a força que salva, a coragem que dá a perseverança, a mística ponte lançada por Deus sobre o abismo que separa a alma de Deus.”

São João Maria Vianney, sobre a oração, dizia: “Prestai atenção, meus filhinhos: o tesouro do cristão não está na terra, mas nos céus. Por isso o nosso pensamento deve estar voltado para onde está o nosso tesouro. Esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar. A oração nada mais é do que a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria e uma luz maravilhosa que o envolve. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos em um só, de tal modo que ninguém mais pode separar. Como é bela esta união de Deus com a sua pequenina criatura! É uma felicidade impossível de se compreender”.

Santo Agostinho recomendou: “Ser orante, antes de ser orador”. “Falar com Deus, mais do que falar de Deus”. “Teu desejo é a tua oração; se o desejo é contínuo, também a oração é contínua”.

As orações geradas nos corações de grandes homens e mulheres da Igreja, de todos os tempos e lugares, que souberam, com o auxílio da graça de Deus e grande perseverança, “buscar o rosto de Deus”, no silêncio e na meditação, nos ajudam a rezar bem. Essas Orações, além de nos ajudarem a penetrar no coração de Deus, nos revelam também a profundidade da “sã doutrina”, cultivada pela Tradição e pelo Magistério, pois, como se sabe, “reza-se conforme se crê”, isto é, a oração expressa aquilo que nós cremos. Assim, os grandes homens e mulheres de Deus nos legaram através de suas orações, um riquíssimo tesouro de sabedoria e de fé.

Santo Afonso de Ligório disse que “quem reza se salva, quem não reza se condena”. Deus nos ama e quer estar conosco familiarmente. Ele disse pelo profeta Isaías: “O nome de vocês está gravado na palma de minhas mãos” (Is 49,16). Feliz o cristão que adquiriu o hábito de conversar, coração a coração, familiarmente, com Deus!

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 11:15
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - NOSSA SENHORA ME CUROU

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando a Igreja de Monte Sião estava sendo elevada a Santuário, entreguei ao Pe. Ramon uma declaração, confirmando a cura milagrosa que recebi da padroeira da cidade. O documento – assinado e com firma reconhecida – encontra-se arquivado entre outros de igual importância.

Eis o relato que escrevi:

“Declaro, por livre vontade que, em novembro de 1991, recebi uma grande graça de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa – padroeira da cidade de Monte Sião, sul de Minas Gerais.

Nessa época, encontrava-me internado no Hospital Vera Cruz, em Campinas, com uma enfermidade gravíssima no coração, chamada ‘endocardite’, além de uma trombose venosa na perna direita. O chefe da equipe médica, Dr. Vitório Verri, disse à minha esposa e a familiares próximos que eu tinha cerca de 2% de chance de vida. O mesmo médico foi contra a minha transferência para o Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, porque achava que eu não chegaria vivo ao local.

Sabendo do meu estado clínico, minha tia, Waldina Gottardello Tavares da Silva, residente em Monte Sião, certa tarde se dirigiu à Igreja Matriz e anunciou no alto falante que eu estava precisando de oração. Um grande número de pessoas se reuniu diante da imagem de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e rezou um terço por mim.

A partir daquele dia, comecei a me recuperar, por intercessão da Virgem da Medalha Milagrosa e, na véspera do Natal daquele ano, tive alta no hospital. Na saída, após dois meses internado, o próprio Dr. Verri me perguntou se eu havia feito alguma promessa pela minha cura, pois confirmou que não havia explicação médica para isso. Disse-me, ainda, que por não haver ficado nem sequer uma seqüela em meu organismo, o caso era para ser citado e discutido em conferências médicas como ‘extraordinário em nível mundial’. Emocionado, pude dizer ao médico que a Mãe de Deus me curou.

Hoje, trabalho incansavelmente na construção do Santuário de Nossa Senhora da Agonia, em Itajubá, agradecido a Maria Santíssima – com o título de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa – pela minha cura.

Por ser verdade, este filho mariano apaixonado data e assina esta declaração. Itajubá, 10 de agosto de 1999.”

Pois é, o tempo passa e a cura permanece. Serei eternamente agradecido a todos que rezaram por mim e continuo fazendo o mesmo pelos enfermos, pobres e desesperados. Quando dou este testemunho em palestras, geralmente choro ao falar do amor que sinto pela Mãezinha querida e de tantas outras graças que ela me concedeu. Viva Nossa Senhora!

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 11:00
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A DANÇA DAS PLACAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Existe, no centro da cidade do Porto, rua muito comercial, cujo nome varia consoante o regime político instalado em Lisboa. É a Rua de Santo António ou 31 de Janeiro, como velhos e saudosos republicanos gostam de chamar.

Logo que o regime, implantado pela Revolução de 28 de Maio, caiu, alguns democratas, apressaram-se a mudar a placa, que homenageava o santo português.

O mesmo aconteceu em Vila Nova de Gaia, na avenida principal, que sempre a conheci por Marechal Carmona, mas já fora da República, e depois rebatizada com o nome do mais popular Presidente da República do Estado Novo.

Que ditadores queiram apagar nomes de democratas, compreende-se, mas os que apregoam a liberdade, o façam, é de pasmar!

Em Lisboa, a Ponte Salazar, construída sem subsídios da Europa, ou de grandes potencias, passou, após a Revolução dos Cravos, a ser: 25 de Abril; mas como nada tinha a ver com a revolução, o povo - que é sempre mais sensato que os políticos, - resolveu chamá-la: Ponte Sobre o Tejo, e assim - penso, - ficará para sempre.

No país irmão - será o Brasil país irmão? - Creio que sim, pelo menos, a maioria da população é, também, a “dança” das placas é frequente.

Com a queda da monarquia, as ruas do Rio mudaram de nome: o Largo da Imperatriz, passou a praça Quintino Bocaiuva, e a Rua da Princesa, a Rui Barbosa.

A da Misericórdia - como se a misericórdia fosse monarquista, - passou a Batalhão Académico, e assim por diante.

É interessante saber que os republicanos, no Brasil, prometeram, em 1890, realizar referendo, para o povo legalizar o novo regime; mas, talvez, receando que preferissem a monarquia, só se realizou em 1993, quando, pelas sondagens, se sabia não haver perigo para o regime.

Em Portugal, ainda se aguarda oportunidade do povo escolher o regime que prefere; talvez, porque se considera que a população não tem, ainda, capacidade de saber o que quer, ou para não se ter que repetir, o referendo… como aconteceu com o do “aborto”

Amigo, já falecido, certa tarde de domingo disse-me: “Todos dizem ser democratas…mas muitos há, que não passam de ditadores mascarados….”

Creio que tinha razão.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA - Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:49
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EUCLIDES CAVACO - RECORDAR É VIVER
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RECORDAR É VIVER

É o tema da canção , hoje aqui feita poema da semana que dá também
título ao CD com 15 temas românticos de autoria de Euclides Cavaco,
gravado e interpretado pelo artista John Pimentel.
Veja e ouça esta canção romântica  aqui neste link:
 


http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Recordar_e_Viver/index.htm
 
 
 

Desejos duma excelente semana

EUCLIDES CAVACO - Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá


publicado por Luso-brasileiro às 10:41
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2015
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - CRIME E CASTIGO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Por mais que eu prefira a leveza dos temas cotidianos, para não ser mais uma a engrossar a horda de notícias ruins que nos arrebata todos os dias via imprensa escrita e falada, há momentos nos quais sentimentos de revolta e de tristeza se apoderam de mim e da minha escrita.

            Desde sempre fui preocupada com a questão ambiental. Nunca concebi alguém jogar lixo no chão, nas praias, nos rios, bem como me entristece sempre que árvores são derrubadas ou a natureza é maculada de qualquer modo. Poucas vezes consegui mudar, com meu sentir ou com minhas palavras, qualquer pessoa que fosse, mas tenho feito a minha parte, embora isso pouco signifique.

            Agora, diante da crise hídrica que vivemos em vários estados do Brasil, parece-me que a natureza finalmente resolveu reagir às infinitas ofensas que lhe foram perpetradas. Como não houve planejamento e investimento, nada foi feito que pudesse, agora, amenizar a falta de água para consumo.

Para além da habitual roubalheira, da falta de caráter e da incompetência que envolve muitos setores da sociedade brasileira, a população em geral também tem sua parcela de culpa. No fim das contas, dinheiro desviado, obras superfaturadas, inobservância da legislação ambiental, rios poluídos e encanados, bem como o lixo que muitos jogam em qualquer lugar, aliado ao desperdício, só poderia dar nisso. Era tragédia anunciada.

Penso, contudo, que as pessoas tinham a esperança de que não fossem viver o bastante para passar por esse momento que agora passamos, ou que os recursos naturais eram infinitos, que o Brasil era abençoado por Deus e rico de natureza e toda essa conversa para alienar quem ousasse a pensar criticamente.

Passei meus anos escolares ouvindo que nosso bem mais precioso era a água e que, um dia, provavelmente, outros países viriam bater a nossa porta implorando por nossas reservas de água doce e potável. Acreditamos nisso enquanto vivemos no tempo da ingenuidade. Era confortador pensar que jamais teríamos que nos preocupar com essa mazela.

Olhando para o que fizemos dos nossos rios, matas ciliares e floresta em geral, chega a ser vergonhoso pensar que acreditamos um dia em toda aquela conversa mole de que nunca ficaríamos sem água. Olho o rio Tietê e fico pensando que por certo estaríamos bem melhores, em vários sentidos, se suas águas fossem limpas e se suas curvas, seduzindo São Paulo, estivessem pontilhadas de peixes e outras formas de vida aquática.

A cada dia que passa, nossa reserva de água diminui. Vivo, mesmo sem ter ficado um só dia sem água, como se já estivesse em estado de guerra. Reaproveito água da chuva, do banho e de qualquer forma que seja possível. Tomo banho quase na velocidade da luz e não admito desperdício. Viro o quarteirão de casa, no entanto, e vejo gente lavando a calçada, sem pressa e sem pudor. Penso se é burrice, despeito ou desrespeito e concluo que deve ser tudo isso junto.

Fico pensando por que as pessoas continuam achando que tudo está certo e que nada é responsabilidade delas. Entristeço-me ao perceber que meus esforços para economizar água, diante do desperdício de outros, são praticamente inúteis. Entristeço-me mais ainda ao pensar que esse mundo, outrora tão belo, agoniza sob os pés mortais da humanidade.

O curioso é que a chuva que caí, embora insuficiente para resolver os problemas da falta de água para as cidades, serve de refresco para as plantas, deixando-as verdes e radiantes. Parece-me uma certa e devida ironia, o castigo cruel, mas merecido, para um crime cometido por gerações de seres humanos. Pobres de nós...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.



publicado por Luso-brasileiro às 12:08
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIA MUNDIAL DO ENFERMO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O saudoso Papa João Paulo II, canonizado em abril do ano passado, instituiu em 1993, o dia 11 de fevereiro, indicativo à memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, como o DIA MUNDIAL DO ENFERMO. Na ocasião, ressaltou entre outros aspectos, que a celebração tem por finalidade sensibilizar as pessoas para a necessidade de assegurar melhor assistência aos enfermos; de ajudar quem está doente a valorizar o sofrimento, no plano humano e, sobretudo, no plano sobrenatural e de favorecer o empenho cada vez mais valioso do voluntariado.

            Anualmente, a Santa Sé envia uma mensagem, chamando a atenção de toda a comunidade sobre um tema específico, ligado ao cuidado da vida, com questões relevantes sobre bioética e relacionados à Pastoral da Saúde, sendo o ponto central de 2015,   «Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo» (29, 15).  A data também é oportuna para lembrar a todos que saúde é coisa séria.

O inesquecível Dom Luciano Mendes de Almeida destacou que “toda pessoa tem direito à estima e ao respeito, mais ainda quando enferma e incapaz de tratar de si própria. Necessita de amparo, de assistência médica, de presença amiga e de conforto espiritual”.

No Brasil, entretanto, tais aspectos nem sempre são outorgados aos pacientes e inúmeros, complexos e gravíssimos são os problemas no atendimento médico e hospitalar da população que se depara com uma estrutura ineficaz (filas de espera, hospitais com tecnologia desatualizada e sucateada, mau atendimento, profissionais nem sempre atualizados, excesso de horas de trabalho mal remunerado, marcação de consultas e de cirúrgicas com longos períodos de espera etc.) e desprovida de recursos, mercê ausência quase absoluta de vontade política em amenizar a situação.

            O artigo 196 da Constituição Federal dispõe que ela é um direito de todos e um dever do Estado, e o art. 198, inciso II, que é obrigação de assistência integral, com prioridade à prevenção. Note-se que a Lei Maior impõe que o Poder Público ampare o cidadão em todas as suas necessidades relativas à questão, dando ênfase ao caráter preventivo, o que não ocorre, e ao contrário, pode-se dizer que o setor em nossa Nação está enfermo, carente de fundos e de uma organização eficaz.

Dentre os inúmeros e sérios empecilhos que afetam e prejudicam a área, talvez o mais grave se constitua no fato do sistema atual transformá-lo de um direito do cidadão constitucionalmente garantido em um privilégio econômico, acessível a poucos. Perante a fragilidade dos órgãos públicos, proliferam os planos de saúde da área privada. E apesar de se revelar numa incumbência pública, o que se vislumbra uma enorme distorção que também evidencia a dramática característica da desigualdade, inerente a outros aspectos sociais de igual relevância. E não há como uma sociedade caminhar para um progressivo desenvolvimento, se a saúde não seguir ao seu lado. Infelizmente, como podemos constatar aqui ela tem andado na sua contramão.

 

 

O DIREITO A NÃO TER DOR

 

 

“O alívio da dor deveria ser incluído entre os direitos humanos”. Foi com essa frase de efeito que a ONU – Organização das Nações Unidas e a Associação Internacional para o Estudo da Dor (JASP) lançaram uma campanha mundial para tentar atenuar os sintomas de dores, tema que se posiciona hoje entre as mais graves questões de ordem pública. Uma nova realidade num mundo em mutação acelerada exige da comunidade científica uma reformulação de suas estratégias. Ocorre que o ser humano é criado para o amor e para a felicidade, tendo em conseqüência, anseio às condições necessárias para lograr seu desenvolvimento, priorizando-se enfoque ético e humano. É por isso que a questão dos direitos humanos está adquirindo outra concepção em relação aos doentes com algum tipo de sofrimento físico, pois envolve circunstâncias que originam exigências de respeito, acatamento, solidariedade e assistência psicológica, além de perseguir permanentes estudos e pesquisas visando, senão eliminá-la em definitivo, pelo menos minimizá-la ao máximo possível.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário(martinelliadv@hotmail.com).                      



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ENSINO: OTIMISMO E PREOCUPAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A utilização cada vez mais intensa de tecnologias digitais nas escolas de nível fundamental e médio está alterando profundamente a dinâmica ensino/aprendizado. Alterando para o bem, dizem muitos; para o mal, pensam outros.

Eu diria que as tecnologias digitais dos tempos em que vivemos representaram, na escola, o papel de um verdadeiro “salto qualitativo brusco” no processo de aprendizado. Explico-me.

Fundamentalmente, o processo de ensino tem dois polos, dois elementos essenciais: quem ensina e quem aprende. O ensino se faz pela comunicação de ambos. O professor, ou mestre, ou tutor, ou orientador (tenha lá o nome que tiver) é alguém mais experimentado que comunica ao aluno algo do seu conhecimento. O aluno recebe, critica, aplica, completa e vai, assim, montando seu próprio arcabouço cultural, formando sua visão do mundo (a famosa “weltanschaung”, ou cosmovisão). Esses dois polos, o docente e o discente, são os elementos essenciais do processo de ensino. Tudo o mais (livros, apostilas, cadernos, aulas, escolas, horários, métodos etc. etc.) é acessório, é complementar, é instrumental.

Na cultura oral (ainda existente em numerosas sociedades tribais de nossos dias), tudo se passa do modo mais simples: um fala, outro ouve. Um tira o conteúdo ensinado de sua memória, outro procura memorizar o que ouviu. Sem intermediários, sem mecanismos auxiliares.

É muito difícil, para nós, entendermos e apreciarmos a enorme capacidade de memorização dos antigos. Nós vivemos atulhados de informações e nem prestamos atenção às coisas ouvidas, mas os antigos ouviam com muita atenção e tinham uma retentiva impressionante.

A utilização da escrita representou, de fato, um salto qualitativo no processo de ensino, pois passou a dispensar a proximidade física entre mestre e discípulo. Este passava a poder ler, com toda a comodidade, o que aquele havia escrito a grande distância, ou até mesmo muito tempo antes. Escrever significava superar as barreiras do espaço e do tempo.

Os filósofos gregos clássicos, que tanto admiramos e que tanto marcaram nossa cultura, podem bem assinalar a passagem da cultura oral para a escrita. Se tomarmos, por exemplo, um Sócrates que só ensinou oralmente, e um Platão que ouviu e escreveu os ensinamentos do seu mestre, fixando-os para os séculos e milênios seguintes, temos bem nítida essa transição.

A invenção da tipografia, a difusão cada vez maior dos livros, dos jornais e das revistas, marcou saltos não qualitativos, mas meramente quantitativos nesse processo de transmissão do conhecimento por meio da escrita. Já o cinema, o rádio e a televisão marcaram, a meu ver, um outro salto, já não quantitativo, mas qualitativo. E mais recentemente, com a generalização das tecnologias digitais, é a um novo e enorme salto qualitativo que nossa geração presenciou, no que diz respeito ao ensino.

Sócrates era crítico da escrita. Segundo ele, o pensamento, enquanto oral, era aberto e dinâmico, podendo ser questionado e, portanto, aperfeiçoado. Mas, uma vez escrito, fixava-se e perdia seu dinamismo. Em outras palavras, morria. Pensamento escrito era pensamento morto, no seu modo de entender. Por isso, nunca quis escrever.

Seu discípulo Platão escreveu muito. É graças a ele que conhecemos o pensamento de Sócrates. Mas Platão também era, a seu modo, crítico da escrita, pois notava que esta, ao mesmo tempo, ajudava a memorização e a enfraquecia a capacidade de memorização, ela era ao mesmo tempo auxiliar e assassina da memória.

Se a adoção da escrita despertou críticas ou dúvidas por parte de tão grandes mestres, também a utilização das tecnologias de comunicação e informação da presente era histórica podem ser questionadas. Na verdade, elas despertam, em espíritos críticos, um misto de otimismo e preocupação.

Sem dúvida, a escola pode e deve se aproveitar das tecnologias da comunicação e informação. Deve utilizá-las em toda a medida do bom senso, em toda a medida do razoável.

A internet, que é, sem dúvida, um meio muito útil e eficaz de difusão do conhecimento, pode e deve ser utilizada, mas, repito, com bom senso, com os devidos cuidados. A excessiva facilidade de acesso a bancos de dados fabulosamente amplos pode limitar uma série de operações do espírito humano, fazendo minguar seu senso de pesquisa, seu gosto pela leitura, seu espírito crítico. Há que tomar cuidado, muito cuidado! Há que incentivar os alunos a procurarem fontes escritas em papel e, sobretudo, a criticarem, discutirem, raciocinarem oralmente.

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

A

 



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - AFOGADA EM PEDRAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As pessoas entram no coração pelo olhar, pelo abraço, pelo sorriso, pela palavra, pela música, pela compaixão... É assim comigo. Independem das aparências, das escolhas, das quedas, das vitórias, dos fracassos, do que possuem ou deixam de possuir. Tornam-se queridas minhas.

Nós a conhecíamos, aqui de casa, faz anos. Creio que desde o final da década de oitenta. Tocava a campainha, encostava-se ao canto do portão e me chamava pelo nome. Pedia algo: um pacote de bolacha, um quilo de açúcar, um pedaço de bolo nos dias de festa ou ajuda em dinheiro. Gostava quando lhe oferecíamos balas ou bombons. Sem murmúrios, não insistia nas negativas e não deixava de perguntar sobre como a mamãe se encontrava. Às quartas-feiras, era comum estar na calçada, no aguardo de meu retorno da reunião da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena, para a qual lhe fiz inúmeros convites. Mansa de coração. Delicada nos gestos. Breve nos contatos.

Sugeria-lhe, ao percebê-la propensa a conversar, alguns caminhos, a fim de que, fortalecida, deixasse as drogas com o propósito de viver um novo tempo. Refletia por alguns instantes e se retirava.

Escreveu São João da Cruz que: “Só seremos felizes quando sairmos de nós mesmos e formos ao encontro do mistério de Deus e do próximo”. Sem que eu soubesse dos mistérios dela, de quem ou o que lhe cavara os vazios, adentrou o meu mundo e eu o dela na certeza de que, além da fuligem do cotidiano, que a encobria, a enxergava na verdade: criatura de Deus.

De dois anos para cá, seu pranto doía fundo pelo fracasso e a impotência diante do filho detido por furtos. As crateras dela se reproduziram nele. O seu menino de sandália de dedo, bermuda rota e paletó de terno duas vezes maior que seu corpo esquálido, vagando pelas ruas à procura, talvez, de desatar os nós do emaranhado de suas emoções.

Senti sua falta. Apenas agora soube que, antes da virada do ano, após o consumo de crack, encolheu-se na sarjeta. Veio enxurrada, arrastou-a para um bueiro e dias depois seu corpo apareceu boiando no rio. Senti demais! Habitava meu coração. Que vida em tragédia e que morte trágica! As águas misturadas com as pedras venenosas a afogaram.

Guardo comigo a cópia de sua Certidão de Nascimento, o perfil franzino que não pesou sobre a terra e o seu pedido de sempre para que rezasse por ela.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 11:48
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