PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 20 de Abril de 2015
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - 22 DE ABRIL. DIA DO PLANETA TERRA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O DIA DA TERRA, celebrado a 22 de abril, reveste-se de grande importância diante das inúmeras questões ambientais que suscita, relevantes à sobrevivência da espécie humana. A solenidade surgiu nos Estados Unidos, sendo hoje exaltada na maioria dos países. Constitui-se numa homenagem ao lugar em que vivemos e ao mesmo tempo, oportunidade para fazermos uma reflexão sobre os diversos problemas que o homem está criando, como a poluição ambiental, o desmatamento e outras agressões ao meio-ambiente.

 

 

 

O Dia da Terra é celebrado a 22 de abril desde 1970 quando o senador democrata Gaylord Nelson, representante do Estado de Wisconsin, no norte dos Estados Unidos, chamou a atenção para a necessidade de ações a favor do meio ambiente. Com o tempo, outros países passaram a comemorar a data, inclusive o Brasil. No entanto, esse chamado em defesa do planeta, embora tenha repercutido em todo o mundo, não trouxe os resultados práticos esperados.

Com efeito, inúmeros interesses econômicos interferem no equacionamento dos problemas, adiando políticas eficazes para a restauração ambiental de forma sustentável – entendida como a maneira mais adequada de compatibilizar desenvolvimento e o respeito incondicional à natureza como “habitat” compartilhado. Nessa trilha, tenta-se criar, a todo custo, a falsa idéia de que meio ambiente é entrave ao desenvolvimento, quando, na verdade, é sua condição.

Uma gravíssima advertência de Lévi-Strauss - “O MUNDO COMEÇOU E ACABARÁ SEM O HOMEM”- serve como um grande alerta para o desastre na área decorrente das lógicas da globalização e do consumo. Invoquemos aqui o economista Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP:- “Há, pois, fortes evidências de que a civilização está em xeque. Urge aos governos e às instituições internacionais tomarem medidas preventivas drásticas imediatas em nome dos óbvios interesses dos nossos descendentes. Mas, como fazê-lo, se o modelo de acumulação que rege o capitalismo global exige contínuo aumento de consumo e sucateamento de produtos, acelerando brutalmente o uso de recursos naturais escassos? O dilema é ao mesmo tempo simples e brutal: ou somamos o modelo ou envenenamos o planeta, sacrificando de vez a vida humana saudável sobre a terra” ( Folha de São Paulo-30/01/2007- A- 3).

Efetivamente, não temos o direito de destruir – por ignorância nossa, por incompetência técnica ou por pura ganância – os recursos naturais e o meio ambiente que são patrimônio das futuras gerações. Assim, cultivar o debate sobre o tema e criar comprometimento com as soluções a serem adotadas é o caminho para que a questão seja encarada com seriedade e como aspecto inerente à própria sobrevivência da espécie.

E mesmo que haja excepcionalmente alguns excessos dos preservacionistas, a luta em defesa da natureza é uma causa das pessoas em geral a merecer apoio de toda a comunidade, que deve ser motivada a partir da educação infantil nos lares e nas escolas. O artigo 225 do Capítulo VI da Constituição Federal do Brasil, determina que é direito dos cidadãos um ambiente ecologicamente equilibrado. Assim, é dever do Poder Público e de toda a coletividade, o cuidado, a defesa, a preservação e o respeito à ecologia, reavaliando-se constantemente hábitos e costumes que alterem e prejudiquem o ecossistema.

Por outro lado, a Terra é o terceiro planeta do Sistema Solar, tendo uma distância média de cento e cinqüenta milhões de quilômetros do Sol, a estrela mais próxima. Sua massa está estimada em cinco sextilhões e oitocentos e oitenta e três quintilhões de toneladas. Sua área total é de 510.100.000 quilômetros quadrados, dos quais 148.940.000 são ocupados por terra, o restante, por água. Toda a superfície está dividida em várias nações com povos de costumes e línguas diferentes, as quais infelizmente, além dos problemas ambientais, vivem marcadas por guerras étnicas, religiosas, raciais e por profundas manifestações de desigualdades sociais. A sociedade concreta em que vivemos, está marcada pelas desigualdades, pelo egoísmo e pelas injustiças. As comunidades estão cada vez mais individualistas e o consumo parece ditar todas as normas, gerando a omissão daqueles que não são financeiramente úteis. O materialismo absoluto determina o êxito das pessoas e a mídia quase sempre destaca os mais ricos e poderosos, incentivando o crescimento exclusivo da área econômica. Por isso, mais do que nunca também é preciso despertar a consciência da humanidade para uma melhoria nas condições de vida, destacando o espírito de paz e fraternidade que deveria prevalecer entre os todos seres do mundo.

 

Caetano e uma homenagem à Terra

 

Para comemorar o “Dia da Terra”, invocamos um poema do cantor e compositor CAETANO VELOSO, que concebeu uma verdadeira declaração de amor ao ao nosso planeta: “Quando eu me encontrava na cela de uma cadeia foi que vi pela primeira vez as tais fotografias em que apareces inteira. Porém lá não estavas nua e sim coberta de nuvens. Terra, Terra por mais distante o errante navegante quem jamais te esqueceria./ Ninguém supõe a morena dentro da estrela azulada na vertigem do cinema manda um abraço pra ti, pequenina como se eu fosse a Paraíba Terra, Terra.../Eu estou apaixonado por uma menina Terra, signo de elemento Terra, do mar se diz Terra à vista. Terra, para o pé firmeza. Terra para a mão carícia. Outros astros lhes são guia. /Terra...Eu sou um leão de fogo. Sem ti me consumiria a mim mesmo eternamente e de nada valeria acontecer de eu ser gente e gente é outra alegria diferente das estrelas. Terra... De onde nem tempo nem espaço que a força mande coragem pra gente te dar carinho durante toda a viagem que realizar no nada através do qual carregas o nome da tua carne./ Terra... Nas sacadas dos sobrados da velha São Salvador. Há lembranças de donzelas. Do tempo do imperador tudo, tudo na Bahia. Faz a gente querer bem. A Bahia tem um jeito Terra...”.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário (martinelliadv@hotmail.com).



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - AMÁLIA: A CURA DE UMA DEPRESSÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um dos fados mais divulgados da célebre cantora portuguesa Amália Rodrigues (1920-1999) tem precisamente o seu nome. É o famoso “Fado Amália”, que inicia com estes versos: “Amália – disse-me alguém com ternura / Amália – da mais bonita maneira”.

A certa altura de sua carreira, Amália Rodrigues já era uma cantora consagrada, já cantara nos mais diversos países e gozava de fama internacional, mas estava em um momento de depressão e tinha resolvido abandonar a carreira. Saiu de Portugal e veio morar no Rio de Janeiro, onde vivia incógnita e andava sempre disfarçada, com óculos escuros, para não ser reconhecida por ninguém. Estava decidida a jamais voltar a cantar em público.

Conta-se que, certo dia, estava em um mercado carioca, andando no meio das barraquinhas, quando se aproximou dela uma moça, toda vestida de branco, visivelmente grávida e perguntou em inglês se ela era “Mrs. Rodrigues”.

Amália falava bem o inglês, mas respondeu “I don´t speak english” e quis fugir. Então a moça insistiu:

- Senhora, note que eu estou grávida e há quatro meses ando pelo mundo à sua procura. Por favor, pelo menos me ouça, pois tenho uma coisa muito importante para lhe dizer.

Amália parou e se dispôs a ouvir. A moça, então, explicou que era judia, que havia nascido em Israel e que quis casar com um não-judeu e que por isso fora amaldiçoada pela sua mãe. Entre os judeus, a maldição materna é algo terrível, é a pior coisa que pode existir. “A bênção do pai fortifica as casas dos filhos, mas a maldição da mão as destrói pelos alicerces”, está escrito no Eclesiástico (3,11).

Amaldiçoada pela mãe, a jovem, em desespero, resolveu se matar. No momento em que ia realizar seu intento, porém, aconteceu de ouvir numa rádio a bela voz de Amália, cheia de louçania, a cantar um fado. A emoção produzida pela voz e pela música ocasionaram uma transformação profunda na jovem, despertando nela uma esperança que parecia para sempre perdida.

- No momento em que eu ia me matar, eu ouvi uma música sua e não me matei por sua causa e cheguei à conclusão de que a única pessoa que pode me absolver da maldição de minha mãe é a senhora. Por isso, estou há quatro meses à sua procura, viajando de país em país.

Pegou, então, a mão da Amália, colocou-a sobre sua barriga e disse:

- Esta menina, que vai nascer, quero que se chame Amália e tenha sua bênção. A senhora consente?

É claro que Amália consentiu. E, emocionada, se pôs a chorar, abraçada à judia grávida, que instantaneamente se tinha transformado numa amiga muito querida.

Naquela mesma noite, Amália telefonou a Portugal e contou o episódio a um poeta amigo, que o versejou, criando a letra do fado. Foi esse episódio que curou a depressão de Amália Rodrigues, marcando o recomeço de sua brilhante carreira artística.

 

 

 

 ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 

 



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JOSÉ RENATO NALINI - REDE DE MALEDICÊNCIA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ninguém recusa o reconhecimento de que o mundo virtual mudou nossa cultura, nossa conduta e nosso modo de relacionamento. Hoje a informação está on line, instantânea e disponível. Qualquer criança maneja a bugiganga eletrônica de forma desenvolta. Vejo bebês entretidos a assistir filmes e animações, sem o que não aceitam o alimento que a mãe, entre paciente e ansiosa, os obriga a consumir.

É fantástica a possibilidade de conversar com pessoas que estão do outro lado do planeta, vê-las e ouvi-las, atenuar as saudades e verificar que se encontram muito bem, pese embora longe das asas maternas. Também o acesso a todo tipo de dado é mágico. Menciona-se algo ainda desconhecido e em instantes o “Santo Google” esclarece do que se trata. E os aplicativos então? Localizar o melhor trajeto, identificar o vinho que se consome pelo seu pedigree e custo, reconhecer a gravação e saber quem está a cantar e qual o autor da música é um divertimento inteligente.

Mas, – e tudo tem um mas – as redes também servem a um exercício muito em voga: o da maledicência. Tudo aquilo que as pessoas não querem ou não têm coragem de dizer com a franqueza que deveria presidir as relações, é lançado na internet como se fora um segredo. Parece que os autores dessas maldades ignoram que tudo aquilo é replicado, reproduzido, multiplicado e espalhado por incontáveis contatos. Nada mais é sigiloso, tudo ganha divulgação. E assim é que se conhece o caráter de tantos indivíduos, de todas as idades, de todas as origens, de todas as formações.

Se existisse ainda um terrestre capaz de acreditar na visão rousseauniana de que o homem é um “bom selvagem” e que, no estado de natureza, viveria em paz e harmonia, ao ler as listas de discussões logo se convenceria de que a razão está com Hobbes. O homem é o lobo do homem. Com “a melhor das intenções”, a cumprir “dever de lealdade”, o fogo amigo propaga suas versões e estimula os menos afeiçoados à crítica a um protagonismo eficiente. Se houvera fogueiras, quantos não teriam sido levados ao sacrifício, tudo em nome do bem, da pureza de propósitos e do mais saudável dos intuitos?

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:36
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SONIA CINTRA - EDUCAÇÃO E CULTURA

 

 

 

 

 

 

 

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Sem dúvida um dos grandes desafios de nosso século é a Educação, e todos nós, queiramos ou não, estamos envolvidos com ele. Ante a decadência dos valores éticos humanistas, não só o magistério, mas outras profissões perderam a aura da admiração e do respeito público, como bem lembrou o Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini, no programa Roda Viva, da TV Cultura, segunda-feira.

Apesar do empenho de professores, funcionários, técnicos e administradores, algumas escolas, longe de ser lugar de aprendizagem criativa, realização pessoal, estímulo à construção de uma sociedade melhor, têm sido cenário de violência e segregação, parceiras da ignorância. O trabalho do mestre tornou-se invisível dentro e fora de sala de aula. O diretor escolar tornou-se ilustre desconhecido. Houve empobrecimento do saber pela ênfase exagerada à escolarização e o prejudicado é o cidadão, por isso, certas diretrizes e reflexões têm sido retomadas, como a importância do conhecimento e da cultura na vida do ser humano.

            Em sua primeira entrevista, o novo ministro da educação Renato Janine Ribeiro declarou: “Acredito na Educação como libertação. Saber não é uma transmissão de conteúdos, não é padronização. Penso que um dos pontos importantes é como a gente aproxima isso do mundo da cultura.”, e citou o filme “Lincoln”, de Spielberg como uma aula sobre escravagismo e abolição. Professor de ética e filosofia da Universidade de São Paulo também teceu reflexões sobre democracia, mobilização política e cultura política, ponderando que um dos problemas mais graves é a recusa de diálogo: “Política quer dizer que não existe um lado totalmente certo e outro totalmente errado”, e acredita que o melhor modo de lidar com os excessos da TV é ter um público crítico, o que nos leva à necessidade de repensar o papel da Educação e o valor do Professor.

            No mesmo rumo se alinha a Secretaria de Educação de Jundiaí, com o também novo secretário José Renato Polli, a quem não falta formação acadêmica e experiência. Licenciado em Filosofia pela PUC-Campinas e Pedagogia pela Unifia, Polli é mestre em História Social pela PUC-SP e doutor em Educação pela USP. Dedica-se ao magistério há anos, tem 14 livros publicados, é articulista do JJ, priorizando temas polêmicos e atuais. Assim como Janine, Polli traz significativa bagagem de saber e cultura humanista. Novo fôlego e esperança para enfrentar um velho desafio brasileiro.

 

 

 

SÓNIA CINTRA - ESCRITORA E PROFESSORA UNIVERSITÁRIA

           

           



publicado por Luso-brasileiro às 11:31
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FAUSTINO VICENTE - REFORMAS ESTRUTURAIS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como as promessas de um próspero 2015, alardeadas na campanha das últimas eleições, se transformaram em mais uma tremenda decepção popular, restou a classe política ouvir a ensurdecedora “voz rouca das ruas”, inconformada com ineficiência e a ineficácia de grande parte dos Gestores públicos.

O que realmente o Brasil precisa e o que o povo quer assistir, é tão somente, um debate (profundo) sobre as seguintes reformas: tributária, administrativa, trabalhista, politica e judiciária.
A classe política precisa se comprometer a detalhar cada projeto e como ele será apresentado, debatido com a sociedade, aprovado, regulamentado e implementado, com a maior brevidade possível.
Apesar do interesse pela Política, a nossa caminhada profissional foi pautada pela iniciativa privada (banco e empresa de grande porte), o que nos levou a recusar convites para assumir cargos comissionados, candidatura a vereador e filiação partidária. Trabalhamos, durante muitos anos, em dias de eleições e em contagens de votos em Jundiaí e em Londrina (PR).
As “alfinetadas” habituais por parte da classe política, sobre o momento turbulento pela qual passa a nossa economia, parecem ditar o incorrigível tom, ou seja: discurso da situação – fizemos mais e melhor – afirmação da oposição: fizeram menos e pior. O povo está cansado da mesmice.
Somente “oxigenando” as estruturas vigentes, o país dará o indispensável salto de excelência, para que a sétima economia do planeta deixe de amargar, segundo o PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - o nada honroso 85° lugar de IDH ( Índice de Desenvolvimento Humano). O empreendedorismo na gestão pública, com participação popular, deve levar o nosso país a melhorar a qualidade de vida, facilitar a competitividade das empresas e reduzir o Custo Brasil, cuja elevadíssima carga tributária é incompatível com a baixa qualidade dos serviços públicos.
A baixa produtividade dos serviços públicos – fazer cada vez mais, com cada vez menos (recursos humanos e materiais) -, tem um efeito catastrófico na iniciativa privada e no bolso do cidadão.
Os baixos índices de crescimento do PIB ( Produto Interno Bruto) destes últimos anos, que não será diferente em 2015, e a forte pressão inflacionária são fatores, mais do que evidentes, que uma “melhoria pontual” não nos levará aos patamares de países com elevados índices de qualidade de vida. O excesso de burocracia, ineficaz contra a corrupção, é o “calcanhar-de-aquiles” do Estado brasileiro.
Somente com reformas estruturais, com a classe política “cortando na própria carne”, poderemos reduzir a cruel desigualdade (brasileira) existente entre a ilha de ricos e o oceano de pobres.

 

 

 

 

Faustino Vicente Advogado, Professor e Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos – e-mail: faustino.vicente@uol.com.br – Jundiaí (Terra da Uva) – São Paulo - Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 11:17
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PAULO ROBERTO LABEGALINI - A HISTÓRIA DE MARIA NOS APÓCRIFOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fiquei muito tempo atarefado com tantas atividades no Instituto Federal Sul de Minas que deixei de dar atenção às revistas católicas que recebo. E para não acumular esse material tão precioso ao coração, passei tudo em frente para que outras pessoas se reforçassem espiritualmente. Mas, o que senti mais falta foi estar desinformado das homenagens que Nossa Senhora recebe em diversos lugares do mundo.

Então, procurei na internet e li um extenso artigo do Frei Jacir de Freitas Faria, ofm, publicado no Jornal Estado de Minas, referente à história da Virgem Maria nos evangelhos apócrifos – textos das origens do cristianismo, que não fazem parte da Bíblia. Ele me trouxe novidades sobre a vida dessa personagem tão santa e polêmica entre os cristãos. É uma viagem fascinante e quem começa não quer parar. Muitas curiosidades são sanadas diante dos relatos maravilhosos.

Os principais textos e evangelhos apócrifos que falam de Maria são: O Nascimento de Maria: Proto-evangelho de Tiago; O Nascimento de Maria: Papiro Bodmer; Evangelho do Pseudo-Mateus; História de José, o Carpinteiro; Evangelho Armênio da Infância; Evangelho dos Hebreus; Livro da Infância do Salvador; Pistis Sophia; Aparição à Maria: Fragmentos de Textos Coptas; Lamentação de Maria: Evangelho de Gamaliel; Maria Fala aos Apóstolos: Evangelho de Bartolomeu; Trânsito de Maria do Pseudo-Militão de Sardes; Livro do Descanso; e O Evangelho Secreto da Virgem Maria.

Eu li este último e posso garantir que é uma obra literária belíssima que coloca Nossa Senhora narrando a própria história a João, seu discípulo predileto. Os apóstolos a chamavam de mãe, porque ela era exemplo de mulher integrada.

Frei Jacir diz que muitas tradições religiosas em relação a Maria têm suas origens nos apócrifos, assim como: a palma e o véu de nossa Senhora; as roupas que ela confeccionou para usar no dia da morte; sua assunção ao céu; a consagração à Maria e de Maria; os títulos que recebeu na ladainha dedicada a ela; os nomes de seu pai e de sua mãe; a visita que ela e Jesus receberam dos magos; o parto em uma manjedoura etc.

A virgindade de Maria é defendida pela quase totalidade dos textos. Ao falar da virgindade, a comunidade dos apócrifos tem intenção mais apologética que histórica. A pureza de Maria é demonstrada pela sua vida consagrada no templo de Jerusalém. Ela está sempre em contato com o sagrado e, quando Jesus nasce, a virgindade de Maria é mantida.

Os irmãos de Jesus eram de criação. Nem é preciso recorrer à interpretação de Jerônimo (séc. IV E.C.) que entendeu o substantivo ‘irmão’ dos evangelhos canônicos como primos. Além disso, José tinha 93 anos quando se casou com Maria – uma jovem entre 14 e 15 anos.

João – aquele que recebeu o encargo de cuidar dela – levou a palma da virgindade de Maria porque também se manteve virgem. Por isso, ainda hoje, se oferece a palma nas coroações de Nossa Senhora.

Maria também seguiu os costumes judaicos. Ela casou-se com José, conforme previa a Lei (Torá) que ela tanto observava e estudava. Seus pais eram descendentes de Davi e também o seria seu filho, Jesus. O nascimento dela foi impedido pela esterilidade da mãe, mas a bênção de Deus possibilitou o milagre. Somente uma boa judia podia receber essas bênçãos de Deus!

Toda a história da assunção da Virgem Maria está nos apócrifos. Os escritos sobre ela foram respostas aos questionamentos sobre a sua vida. Eles são as expressões da fé: na virgindade, assunção, santidade e liderança de Maria entre os primeiros cristãos. Não só esses escritos sobre Nossa Senhora ajudaram a difundir a fé nela como mãe de Deus, mas a arte e a liturgia.

Continuando o relato do frei, em 1950 a Igreja católica proclamou o dogma da Assunção de Maria, confirmando simplesmente um ensinamento tradicional. A assunção só foi possível porque ela era virgem. A presença dos apóstolos no momento em que Cristo vem buscá-la no sepulcro demonstra a legitimidade da assunção.

E Paulo estava entre eles. Ele não poderia conhecer os mistérios que se passava com ela, pois era apenas um iniciado na vida cristã. Os apóstolos não concordavam com as opiniões de Paulo, mas Jesus apareceu e o acolheu, o que significou que bastava um coração puro como o de Paulo ou de Maria para poder atingir a salvação.

Pois é, a nossa religião tem uma grande mulher. No cristianismo e no imaginário coletivo, Nossa Senhora permanecerá sempre como modelo de mãe intercessora; mas não estaria na hora de acrescentar a esse dado de fé a liderança apostólica e missionária de Maria que os apócrifos nos legaram? Ademais, nos apócrifos, Maria não deixou de ser mulher para ser a mãe de Jesus. Vale a pena ler os apócrifos sobre ela.

Bendito seja o Papa Emérito Bento XVI que disse: “Maria é o ideal da autêntica vida litúrgica”. Quem pode negar isto?

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil.Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre



publicado por Luso-brasileiro às 11:13
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - CRIANÇAS DE AGORA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nasci nos anos quarenta. Nessa recuada época, os meninos da classe média iam para a escola a pé, não levavam dinheiro e brincavam com joguinhos que os próprios fabricavam e a imaginação fantasiava. As meninas entretinham-se às casinhas e tinham bonecas de trapos.

Pelo Natal e aniversário, os mais afortunados, recebiam carrinhos de folha, movidos a corda ou boneca de cartão prensado, se fossem meninas. As avós fabricavam vestidinhos de chita, e outros de malha, para a “filharada” da menininha.

Nesse tempo não havia Internet, computadores, televisões, e o automóvel era privilégio de rico.

Os meninos respeitavam os idosos; pediam a bênção aos avós, principalmente no interior; e coadjuvavam a mãe no maneio da casa.

Correram os anos, mudaram-se os usos, os costumes, os valores.

Os filhos passaram a princípezinhos birrentos. A família verga-se aos caprichos do menino. Avós, pais, tios, professores cuidam, quase subservientes, para que nada lhe falte.

Crescem sem limites, convencidíssimos que os outros vivem para os servirem. A adolescência chega, e encontra-os mentalizados que nada lhes é vedado.

Mas em breve os jovens deparam contrariedade: surgem conflitos com condiscípulos, mestres, e colegas de trabalho…e julgam-se incompreendidos…

Aqui está o pensamento da maioria dos jovens. Jovens que – na maior parte das vezes, – não puderam conviver com os avós (que se encontram depositados em lares,) nem pais, porque o tempo é necessário para cuidarem da carreira profissional.

Jovens, que se criam sem família, sem elos que os liguem ao passado, sem valores e afectos. Viveram a meninice no infantário e a adolescência na escola.

Educados ou deseducados pela educadora, TV e pela revistinha cor-de-rosa. Criados colectivamente, cunhados como moedas, com pareceres parecidos, inculcados pelos fazedores de opinião.

Como querem que da geração, criada desse jeito, possam surgir políticos honrados, defensores da família e respeitosos com a velhice?

São órfãos de pais vivos. Incapazes de pensarem, serem responsáveis, agir corretamente e tornarem-se cidadãos honestos e cumpridores dos seus deveres.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA - Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 11:05
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EUCLIDES CAVACO - POETAS DO MEU PAÍS
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
POETAS DO MEU PAÍS
 

 Com este poema exalto e presto homenagem a alguns vultos imortais da nossa poesia que a marcaram a letras de oiro.
Veja e ouça está récita  aqui neste link:
 


http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Poetas_do_Meu_Pais/index.htm
 
 
 
EUCLIDES CAVACO - Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.


publicado por Luso-brasileiro às 10:56
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Segunda-feira, 13 de Abril de 2015
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - COOPERATIVAS E O TRABALHO COM EQUIDADE SOCIAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A maioria dos doutrinadores é unânime no sentido de que o desafio atual dos Direitos Humanos é estabelecer os limites mínimos à lógica do mercado e da globalização. Nesta trilha, mostra-se cada vez mais necessário diminuir a distância entre as pessoas pobres e os benefícios gerados pelo processo de universalização, principalmente nos países em desenvolvimento.

E o cooperativismo, que se constitui num sistema de organização que prega a livre adesão de sócios, autonomia, cooperação e interesse pela comunidade, aparece como um dos instrumentos de maior eficácia à justiça social com equilíbrio.       Ele surgiu em 1844, quando foi formada a primeira cooperativa formal em na Inglaterra, reunido vinte e oito pioneiros que estabeleceram alguns princípios.

        Baseando-se nos seus preceitos, podemos dizer que as cooperativas são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas interessadas em utilizar seus serviços e dispostas e aceitar as responsabilidades da sociedade, sem discriminação social, racial, política, religiosa e sexual.

Da mesma forma são democráticas e controladas por seus associados, que contribuem igualmente e participam ativamente na fixação de suas políticas, nas tomadas de decisões e na administração do capital;

são autônomas e de auto-ajuda, fornecendo educação e treinamento a seus integrantes, aos representantes eleitos e empregados, para que possam contribuir efetivamente no desenvolvimento dos grupos aos quais pertencem; servem seus associados mais efetivamente e fortalecem o movimento cooperativista, trabalhando juntas através de estruturas locais, regionais e internacionais, buscando o desenvolvimento sustentável de suas comunidades através de políticas aprovadas por seus membros.

         Na Europa, 45% da população participam de alguma cooperativa, enquanto nos EUA, esse percentual chega a 35%. As cooperativas de trabalho legitimamente constituídas geram trabalho e renda, criando mais de 300 mil postos no Brasil.

Assim, ressaltamos a sua função em gerar renda e trabalho com equidade social, contrapondo-se à prática devastadora do mercado, objetivo que se alinha à satisfação das necessidades básicas dos seres humanos, constituindo-se em evidente instrumento de realização de direitos fundamentais e comprovando a sua capacidade em possibilitar uma globalização justa e solidária.

                  

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário (martinelliadv@hotmail.com).



publicado por Luso-brasileiro às 12:10
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - EM 20 ANOS, UMA ENORME TRANSFORMAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A palavra “revisionismo” se reveste, por vezes, de caráter um tanto pejorativo. Mas nem todo revisionismo é malsão. Há revisionismos úteis e até necessários. Um exemplo sadio de revisionismo se deu com a Idade Média, longamente injustiçada. Até hoje há pessoas que não acompanharam a evolução dos tempos e ainda usam a preconceituosa expressão “Idade das Trevas” para designar esse período histórico, ou usam o adjetivo “medieval” como sinônimo de inculto, bárbaro, selvagem, fanático.

Estudos sérios, feitos por medievalistas das mais variadas linhas teóricas e preferências ideológicas, demonstram, pelo contrário, que a verdadeira Idade Média foi muito diferente do que os estereótipos fazem crer. Participo com regularidade dos congressos bienais da ABREM (Associação Brasileira de Estudos Medievais), sempre interessantes e fecundos. O último se realizou na Universidade de Brasília.

Nesses congressos se reúnem especialistas de três grandes vertentes científicas: os que estudam a História, a Filosofia e as Artes na Idade Média. Nos congressos da ABREM, a tônica é dada, a cada dia, a uma dessas três vertentes, mas, de um modo geral, todos os presentes participam de tudo, pois os temas apresentados são muitas vezes polivalentes, e apresentam interesse para especialistas de outras áreas do conhecimento.

Já comentei em artigo recente que, no final do Ancien Régime, a Idade Média estava tão desprestigiada que no conselho do Rei Luís XVI chegou a ser decidida a destruição da Catedral de Notre Dame, em Paris, para no seu lugar ser erigido um novo templo, em estilo grego.

A magnífica catedral medieval, naqueles anos que precederam a Revolução Francesa, envergonhava os franceses, porque significava uma recordação dos tempos bárbaros, pouco cultos, tenebrosos da Idade Média... Se não tivesse ocorrido a Revolução Francesa, provavelmente não teríamos hoje, bem no coração de Paris, a Catedral que atrai turistas do mundo inteiro, mas teríamos, em seu lugar, uma postiça ampliação do Parthenon, uma extemporânea Madeleine aumentada em tamanho.

No início do século XIX, já na atmosfera do Romantismo, retornou o gosto pelo passado medieval. A Idade Média voltou a estar na moda. Começaram a proliferar romances como os de Walter Scott (Ivanhoe é o mais famoso deles), Victor Hugo (Notre Dame de Paris) e, um pouco mais tarde, Alexandre Herculano (Eurico o Presbítero, O Bobo, O Monge de Cister. Lendas e Narrativas). As óperas do século XIX deram, também, enorme realce a temas medievais. Na Arquitetura, revalorizou-se o gótico. Notre Dame não somente foi poupada, mas foi até concluída no século XIX, com a sua famosa agulha que não tinha nunca chegado a ser completada. O Mont-Saint-Michel também foi acabado. Tanto Notre Dame como o Mont Saint-Michel foram concluídos pelo mesmo grande arquiteto, Viollet-le-Duc.

Os estudos medievais, que estavam praticamente abandonados havia séculos, voltaram com novo ímpeto. Em 1829, Joseph-François Michaud publicou, em 4 volumes, a monumental "Bibliothèque des Croisades", na qual ele resume e comenta 400 crônicas sobre as Cruzadas, pesquisadas durante décadas em bibliotecas e arquivos de toda a Europa e, também, de países do Oriente. Foi uma obra monumental, realizada com o auxílio de toda uma equipe de especialistas. Ela serviu para Michaud redigir sua famosa “História das Cruzadas”, obra de extraordinário valor, extremamente bem documentada e redigida, que foi ilustrada por Gustave Doré e, traduzida para o português, foi publicada no Brasil, na década de 1950, pela Editora das Américas, em 7 volumes.

Na introdução ao primeiro volume da "Bibliothèque des Croisades", Michaud dá um testemunho muito interessante sobre essa transformação de mentalidades, no início do século XIX, que permitiu o reinício dos estudos sobre a Idade Média e, assim, o amplo movimento revisionista sobre esse período histórico. Traduzo o próprio texto de Michaud:

“Há cerca de 20 anos eu teria hesitado em apresentar ao público uma compilação como esta que ora lhe apresento. A simplicidade ou, se preferirem, a barbárie das velhas crônicas não produzia então nenhum encanto nos leitores; mas agora, quando se tornou agradável remontar à infância das sociedades, os costumes de nossos antepassados nada mais têm que fira nosso orgulho ou nossa sensibilidade. Espero que meu trabalho não seja desprezado, e que eu possa me beneficiar da indulgência, ou melhor, da simpatia que se atribui a todos os que se aplicam àqueles tempos passados”.

Como depoimento, pareceu-me interessantíssimo. Aqui o compartilho com meus leitores.

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.



publicado por Luso-brasileiro às 12:07
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - LÁGRIMAS MINHAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Como se costuma popularmente dizer, eu sou do tipo “manteiga derretida”. Não me envergonho de admitir que facilmente choro de emoção. O mais engraçado é que, por outro lado, não vou às lágrimas por questões de trabalho, de dor física ou mesmo quando estou com medo. Minhas lágrimas vertem com abundância quando algo me toca o coração, seja pelo amor, pela tristeza, pela comoção ou pela saudade.

            Já me habituei a ouvir me perguntarem: _Mas você está chorando por isso??

            Estou! Choro mesmo. E isso me faz bem, diga-se de passagem. Penso que não vale guardar certos sentimentos dentro da gente. Se eles transbordam, que uma das vias seja pela lágrima. Dentro de mim não há espaço para represamentos, para explosões iminentes. Tudo que acumulamos produz algum subproduto, às vezes bom, às vezes nem tanto. Creio, inclusive, que mesmo o amor que não se expande, que não vira verbo que se conjugue, vira dor e arrependimento em algum momento.

            Assim, choro em desenho animado, choro em finais tristes e felizes de filmes, de livros. Choro em comerciais nos quais há crianças, velhos e animais. Chorei horrores quando vi uma foto de uma menininha síria que confundiu uma câmera com uma arma e levantou os braços em sinal de rendição. Choro quando vejo imagens de animais submetidos a maus tratos ou abandono. Choro quando percebo o quanto os seres humanos podem ser cruéis, mas o quanto alguns podem ser bons e melhores do que o restante de nós.

            Choro quando meu coração tem saudades. Saudades dos mortos e dos vivos. Choro sempre que me despeço de minhas irmãs, meus sobrinhos, meus pais e do meu amor, pois sempre tenho o medo da vez que poderá ser a última. E ao pensar nisso agora, enquanto escrevo, choro de novo.

            Quando minha madrinha de Crisma, a tia Edna, de 82 anos, abraçou-me forte e disse que amava, eu sequer fui capaz de articular as mesmas palavras, pois dois segundos após, a minha voz já estava embargada. Ouvir de alguém que ajudou a criar você desde os dois meses de idade, que continuou te amando por mais de quarenta anos, é mais do que minhas frágeis comportas de lágrimas podem aguentar.

            Cada vez que um de meus sobrinhos me disse que me amava, foi quase como se uma enxurrada se apoderasse de mim. Dessa vez, ouvir o Otávio, de 2 anos e 9 meses, responder ao meu “eu te amo” com “e eu, que te amo tanto?!”, colocou um arco íris em meu coração e um rio em meu olhar...

            Choro quando olho para meus cães, de 13 e 12 anos e penso em quanto tempo ainda teremos juntos e minhas lágrimas rolam quentes pelo meu rosto, externando o desejo que meu coração tem de eternidade. Não consigo sequer pensar na idade de meus pais sem que isso me dê um aperto n’alma. Para quem ainda se sente uma criança do mundo, qualquer expectativa menor do que cinco décadas parece uma grande injustiça divina.

            Igualmente não fui capaz de segurar as lágrimas quando minha vizinha, Dona Emília, aos 93 anos, ligou-me para dizer que, por fim, teria que ir morar com os filhos, pois estava difícil permanecer sozinha na casa. Ver a casa que agora vive fechada, levou-me a evitar olhar para aquele lado, pela falta que uma pequena luz acesa me faz.

            Enquanto eu for capaz de emoções, irei chorar, mesmo quando eu não quiser, mesmo quando eu implorar aos Céus por não ter que fazê-lo, mas saberei que estou viva...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:04
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - OLHOS SEM BARRO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Volto à Via-Sacra no centro da cidade em 30 de março. A proposta, em 2012, foi das mulheres que integram a Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. De acordo com as sugestões delas, fomos e vamos dando forma a alguns gestos.

Neste ano, Deus me surpreendeu com algumas constatações. Aliás, Deus sempre me surpreende. O prof. Jorge Valter Romualdo, da diretoria da entidade, para marcar as estações, recortou formas de pé em chapas de radiografia e nelas os sinais das chagas do Cristo. Sem dúvida, passam pelas ruas incontáveis pessoas com suas feridas em sangue vivo. E quem poderá sarar essas fístulas, às vezes desde a infância ou mesmo no ventre materno, a não ser Aquele que foi contado como malfeitor (Isaías 53, 12) para nos oferecer um caminho novo? Nas pegadas chagadas de Cristo as nossas pegadas purulentas, pedindo a cura das úlceras que adoecem o povo e das nossas próprias; suplicando força para colaborar na extirpação dos tumores que atormentam a humanidade. Manifestação da esperança que resgata.

Agradou-me perceber o olhar sem barro do Padre Leandro Megeto, coordenador diocesano de ação evangelizadora, que este ano veio conosco, trazendo com ele o Padre João Estêvão, vigário geral, e seminaristas de filosofia. Padre Leandro enxergou, através do Hospital São Vicente, os enfermos e nos convidou a nos virarmos para eles, em prece pela saúde e coragem. Alcançou os que passavam pelas ruas ou se detinham para nos observar. Descortinou o acontecimento de cada lugar onde se fez a via-crúcis, pontos de negação à vida. Já na Praça Governador Pedro de Toledo, ao contemplar as pessoas no seu entorno, convidou os consagrados a abraçarem os irmãos assolados por todos os tipos de miséria. As integrantes da Pastoral se emocionaram. Elas sabem o que é permanecer nas praças sob olhos de arbítrio e cárcere.

A “Comunidade Dominus Salus”, que traz aconchego e sabedoria à Pastoral da Mulher, cantava de Thiago Brado: “Recebe o meu nada/ Refaz a morada (...) Me pega em Teu colo/ Me acalma em Teu peito...”

Na Catedral, onde se realizou a 15ª Estação, dirigida por nosso assessor espiritual, Padre José Brombal, de coração sem terra, olhou para cada uma, para cada um e proclamou: “Vocês são santos”! Olhos sem barro. Anúncio do amor infinito de Deus, que ressuscita.

Olhar sem barro, olhar que salva.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



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