PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 17 de Maio de 2015
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - TUDO SOBRE MINHA MÃE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Há um filme de 1999, de Pedro Almodóvar, de onde tirei o título acima. Devo confessar que não o assisti, entretanto, bem como mal sei do que se trata. Apenas que, ao pensar sobre o que escrever nessa semana, ocorreu-me que acabei não escrevendo algo temático no dia das mães e, refletindo sobre isso, tal título me veio à mente.

            Na verdade, não pensei em escrever sobre a minha mãe, a Dona Beth. Sobre ela, eu, mesmo sabendo-o humana e falível, somente conseguiria escrever sobre os inúmeros predicados com os quais ela veio a esse mundo e isso seria mais do mesmo que já fiz em vários outros momentos. Para quase todos os filhos, suas mães são as melhores do mundo e embora possa parecer um clichê, de fato é uma verdade. Se cada um de nós é um mundo, um conjunto de fatos, emoções e células únicas, a mãe que a vida nos dá, se nos ama, é o que de melhor esse mundo pode nos conceder. Nesse sentido, minha mãe é também uma dádiva que divido com minhas irmãs.

            À mente vieram-me, portanto, outros pensamentos. Fui visitar um abrigo de crianças e adolescentes, aqui na cidade de São Paulo, na semana passada, levando comigo um grupo de alunos da faculdade de Direito, da disciplina de Estatuto da Criança e do Adolescente. Queria que eles conhecessem um pouco mais da realidade daqueles para os quais a sorte dá um inicial sorriso torto ou tímido demais. Futuros advogados, defensores, delegados, juízes ou promotores, pensei que seria bom terem uma visão mais panorâmica e menos teórica da sociedade.

            Eu mesma já fui voluntária em um abrigo há alguns anos e sabia que, por mais que todos fossem muito bem tratados e cercados de cuidados, não era o mesmo que estar nas próprias famílias. Conheci histórias de mães doentes, física e psicologicamente, mães abusadoras, mães alheias, mães violentas, mães ausentes, mães incapacitadas e dominadas por companheiros doentios e ciumentos. Em nenhum momento eu fui capaz de achar que era normal abandonar um filho ou colocá-lo em segundo plano, abaixo de caprichos, vícios ou outras paixões.

            Embora concebidos para serem locais de passagem, de acolhimento temporário, a verdade é que muitos lá chegam ainda em tenra idade e apenas saem ao completarem 18 anos, quando cessam as medidas impostas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Após esgotadas as tentativas para reintegrar a criança ou o adolescente à família de origem, ele fica em situação de ser adotado. Na prática, entretanto, após adentrados na pré-adolescência ou mesmo na adolescência, com louváveis exceções, o que era para ser provisório acaba se tornando definitivo.

            Vários acabam rompendo irremediavelmente os laços afetivos com seus parentes, inclusive com as mães e vivem a vida toda ou a maior parte dela, sem saber o que significa ter alguém na retaguarda de seus corpos e corações e eu me pergunto quais cicatrizes essa ausência é capaz de deixar.

            Uma menininha que eu conheci nos tempos nos quais eu visitava semanalmente o abrigo, falou-me, certa vez, que a mãe dela era uma fada e por isso não podia ficar com ela, já que as fadas tem muitas coisas a fazer. De algum modo eu sabia que ela não acreditava que a mãe fosse, de fato, uma fada, mas talvez esse fosse o meio dela se proteger, de poder dizer sobre a mãe tudo o que ela gostaria que fosse verdade. Eu soube que, na realidade, a mãe havia perdido a guarda da filha, pois era usuária de drogas e não conseguia se recuperar. Quiçá, assim, isso fosse tudo que ela queria saber sobre a mãe, tudo o que importava saber.

            Lá mesmo na visita que fizemos ao Abrigo eu notei outras tantas criancinhas apartadas de suas famílias disfuncionais, separadas de suas mães. Difícil não se comover ou questionar o futuro, mas tudo o que eu conseguia pensar era se todos elas se sentiam filhas de fadas, órfãos da magia que é ser feliz...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.



publicado por Luso-brasileiro às 19:47
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - MARGARIDAS E VIDA

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta crônica chegou-me através de um vaso com muitas margaridas, recebido pelas integrantes da cozinha semi-industrial da Associação “Maria de Magdala”. A entidade atua junto a mulheres em situação de vulnerabilidade social, que tiveram a vida sugada, em algum instante de sua história, principalmente na infância ou no início da adolescência. Quem lhes enviou, como homenagem pela doçura que produzem nos bolos e pela delicadeza na massa, foi outra mulher, autoridade nomeada por concurso público, de sensibilidade que compreende flores de cerejeira e preserva lírios.

Ao chegar à Magdala, como faço no início da manhã, a moça de idade de décadas, veio radiante ao meu encontro para contar das margaridas. Perguntei-lhe de onde vinha aquela emoção toda, além da própria formosura do vaso com flores. Respondeu-me que, através das margaridas, a autoridade, que vêem com carinho, embora não a conheçam pessoalmente, lhes ofertara vida.

No passado, a margarida era considerada a flor das donzelas e, ainda, se acreditava que remédios à base da margarida poderiam curar doenças nos olhos. Quem vê com nitidez de alma chega ao coração das pessoas.

Entrei na beleza do acontecimento de devolução da vida. Quem suga vida se reduz e exala cheiro de carne pútrida. O poder, sem a consciência do serviço, suga vida nas guerras, nos conflitos, em acordos espúrios, para se manter em superioridade. O preconceito, que separa as pessoas entre as que prestam e as que não prestam, as que merecem respeito e as que podem ser desconsideradas, as que devem ter os pés lavados e as que devem lavar os pés, retiram o fôlego do próximo por meio de atitudes, falas, olhares... O exercício dos instintos selvagens, sem estima, absorve a essência do semelhante, que se encontra em situação de fragilidade, e lhe condena ao extermínio nas sarjetas.

Quantas pessoas conheço de vida sugada: pelo abuso sexual infantojuvenil, mascarado dentro ou fora de casa, na rua ou nos tribunais, para preservar o abusador e o grupo social a que pertence; pela miséria ligada à promiscuidade sexual; pelos interesses financeiros da exploração do comércio do sexo; pelo uso de drogas; pela violência e por inúmeras outras razões!

É possível, no entanto, o milagre da renovação da vida, por aqueles que contemplam as cerejeiras em flor e distribuem bem-me-queres
 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 19:42
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - MENTALIDADE FRONTEIRIÇA NO BRASIL COLONIAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tratamos no nosso último artigo da pobreza que caracterizou São Paulo até à chegada do ciclo cafeeiro. Devemos chamar a atenção para outro aspecto digno de nota: nos tempos “coloniais”, São Paulo era fronteira. E fronteira perigosa.

Existe uma mentalidade própria dos habitantes de regiões fronteiriças, sobretudo quando perigosas, devido à vizinhança com potências rivais. Essas regiões tendem a atrair os elementos mais corajosos, de mais futuro, as pessoas mais atentas, mais vigilantes, menos acomodadas. O perigo constante apura o senso de vigilância e desperta uma série de energias que ficariam dormentes e tenderiam a desaparecer se não houvesse o perigo.

Essa característica tende a se manter por muito tempo, até mesmo décadas ou séculos decorridos do último conflito armado. No Brasil atual, temos um curioso exemplo disso na cidade de Uruguaiana-RS. É um município brasileiro que faz fronteira, de um lado, com o Uruguai, de outro com a Argentina, estando ainda bem próximo do Paraguai. As capitais desses três países vizinhos estão à mesma distância de Uruguaiana que Porto Alegre.

A região de Uruguaiana foi objeto, nos séculos XVIII e XIX, de lutas prolongadas pelo seu domínio, entre portugueses e espanhóis, e entre brasileiros, argentinos e uruguaios. No início da Guerra do Paraguai, a cidade de Uruguaiana foi tomada pelos paraguaios, sendo logo libertada pelos brasileiros, à cuja testa se encontrava o Imperador D. Pedro II.

Há quase 150 anos não ocorre, felizmente, nenhum conflito armado do Brasil com seus vizinhos. As fronteiras do Brasil – bem estabelecidas, consolidadas e reconhecidas por tratados internacionais firmados na primeira década do século XX, graças à atuação inteligente e eficaz do Barão do Rio Branco – são pacíficas, não existindo a menor razão ou pretexto para conflito com qualquer um dos nossos vizinhos.

Uruguaiana situa-se à margem de um rio. Do outro lado dele, está a cidade argentina de Paso de los Libres. Bem no meio da ponte internacional que une as duas cidades está a fronteira oficial, entre Brasil e Argentina. É uma fronteira aberta, passa-se sem nenhuma formalidade de um lado para o outro, a qualquer hora do dia ou da noite. Economicamente, as duas cidades estão integradas. Muita gente mora em um dos lados e trabalha no outro, há relacionamento social, há namoros, há casamentos entre habitantes dos dois lados.

No entanto, até hoje, por remota tradição oral, argentinos e uruguaios ainda são designados, pela população de Uruguaiana, como “castelhanos”, numa alusão aos antigos inimigos de Portugal que lutaram em Aljubarrota, no ano de 1385 e, nessa memorável batalha, foram derrotados por D. João I, o Rei de Boa Memória, e pelo Santo Condestável D. Nuno Álvares Pereira. Não são argentinos, não são uruguaios, são “castelhanos”... Castela não existe mais, como nacionalidade, desde 1492, quando foi incorporada ao Reino da Espanha pelos Reis Católicos, Fernando e Isabel, mas para os moradores de Uruguaiana, ainda está ali perto o “castelhano”, o eterno rival, o eterno inimigo... É “o outro”, de que fala Todorov em “A conquista a América: a questão do outro”...

Tenho um tio, já nonagenário, que nasceu em Trás-os-Montes, no Concelho de Miranda do Douro, numa aldeola que faz divisa com a Espanha, separada apenas por um rio. Do outro lado da fronteira, bem à vista, um “pueblito” espanhol. Qual era o divertimento dos portuguesinhos e dos espanhoizinhos na década de 1920, quando meu tio era menino? Era “invadir” o país inimigo! Nadavam, em grupos, até o outro lado, onde eram esperados pelos coetâneos rivais. Brigavam, batiam, apanhavam, trocavam pedradas. Os pais, de ambos os lados do rio, assistiam à guerra infantil, batiam palmas, estimulavam os seus, vaiavam os “inimigos”, faziam apostas sobre o desempenho dos “exércitos” etc. etc. Isso não impedia o relacionamento entre ambas as populações, o comércio e até o estabelecimento de vínculos familiares. Quando meu tio nasceu, fazia bem mais de 100 anos da última guerra contra Espanha, mas ela permanecia viva na memória dos fronteiriços transmontanos.

Se aqui relembro essa minúscula recordação familiar, é para destacar que São Paulo foi longamente a fronteira do extremo sul do Brasil. E foi fronteira diante de adversários hostis: índios ferozes e castelhanos. Na frase famosa de Belmonte, a doença, o índio e o castelhano eram “três perigos distintos num só inimigo verdadeiro: o sertão” (No tempo dos bandeirantes, 4ª. ed., p. 180).

A famosa trilha do Peabiru, o caminho cômodo que ligava vários pontos do litoral brasileiro ao Peru, aberto e bem estabelecido pelos incas, foi desestimulado e até proibido pelas autoridades portuguesas, por receio de que os castelhanos descessem de Potosi e, de surpresa, atacassem São Paulo, como destacou Hernâni Donato em seu livro “Sumé e Peabiru”.

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:34
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - SANTO IVO, INSPIRADOR DA JUSTIÇA GRATUITA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comemora-se a 19 de maio o DIA DE SANTO IVO, padroeiro dos advogados. Sob sua inspiração, rendemos nossas homenagens àqueles que sempre lutam na tentativa de demonstrar o justo e o legítimo, praticando aquilo que o santo protetor da classe fez em sua vida, como exemplo de dignidade e proteção aos oprimidos, revitalizando a advocacia como ação, como um constante serviço aos verdadeiros valores que regem a conduta humana.

 

 

Santo Ivo, francês, empregou a sua mocidade no estudo das letras e já adulto, no exercício da advocacia, dedicando-se com particular desvelo (sem esperança alguma de interesse humano) à proteção dos miseráveis, órfãos e viúvos, a ponto de lhe outorgarem o título de "Advogado dos Pobres”, sendo posteriormente considerado o “Padroeiro dos Profissionais do Direito”. A dezenove de maio celebra-se o DIA DE SANTO IVO, que faleceu nesta data, a mesma em que também foi canonizado em 1390. Trata-se de um momento manifestamente oportuno para se meditar sobre os seus ensinamentos e sua obra, voltados ao desempenho no amor ao próximo e no cumprimento de sua missão de fé.

"Ó Deus de Misericórdia, dignai-vos a conceder-me a graça de desejar com ardor o que é de Vosso agrado, procurá-lo com prudência, reconhecê-lo com sinceridade e cumpri-lo com perfeita fidelidade para honra e glória de Vosso Nome. Amém". Assim rezava, no início de cada estudo ou trabalho, o santo que hoje reverenciamos, recordando no aniversário de sua morte, há seiscentos e dezessete anos, o seu insuperável ensinamento duma vida inteira dedicada a fazer o bem e amar ao próximo.

         Nascido na Bretanha América em 1253, pertencente à alta nobreza da França, ele foi advogado, juiz e sacerdote da ordem franciscana. Durante toda a sua vida, lutou pelos direitos dos pobres, principalmente contra os senhores feudais e demais poderosos da época, tendo como magistrado, criado a isenção de custas para os necessitados, razão pela qual, muitos historiadores apontam-no como criador da Justiça Gratuita. O seu juramento, prestado na Catedral de Tregular com quatorze anos de idade, quando sagrado Cavaleiro do Santo Sepulcro, constitui-se num verdadeiro símbolo do Cristianismo:- "Juro pela pureza das minhas intenções. Quero ser a fortaleza dos fracos, dos humildes dos pobres e dos necessitados”.

          Sua atuação se pactuou no entendimento de que as virtudes do homem de Justiça são a probidade e a competência, comuns e naturais à atividade honesta e, principalmente, o amor à verdade, que desvenda e impõe a causa justa. Por isso, o seu primeiro mandamento recomenda aos advogados que recusem o patrocínio de causas contrárias à Justiça, ao decoro ou a própria consciência.

Destacando o patrono dos advogados, podemos dizer que enquanto instituição, a advocacia tem sido líder da cidadania. No exercício do Poder Judiciário, ela se revela em peça básica à consolidação do princípio constitucional de que todas as pessoas têm de solicitar o pronunciamento da função jurisdicional através do denominado direito de ação. Tanto que a Constituição Federal do Brasil estabelece, em seu artigo 133, que “o advogado é indispensável à administração da Justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”. Ao alça-lo ao nível de “preceito constitucional”, o constituinte definiu-o para além de sua atividade estritamente privada, qualificando-o como prestador de serviço de interesse coletivo e conferindo a seus atos, “múnus público” .

            De acordo com Roberto Busato, ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, “não há outra profissão com status equivalente. Para alguns, trata-se de privilégio, mas, na verdade, trata-se de compromisso com a coletividade, verdadeira promissória social que assumimos ao proferir o juramento solene do advogado, que vincula o exercício da profissão, ente outras coisas, à defesa da Constituição, da ordem jurídica do Estado de Direito Democrático, dos direito humanos e da justiça social” (Folha de São Paulo – A-3- 22.09.2004).

Além das atividades que lhes são inerentes à profissão, por sua própria conduta social, o advogado desperta as mais nobres aspirações de liberdade e de defesa das instituições democráticas. Liderando e comandando uma eterna batalha em prol do bem estar da humanidade, ele se posiciona sempre na defesa, inclusive, em seus momentos mais críticos e históricos. Assim, rendemos nossas sinceras homenagens a esses profissionais, cuja missão é a de praticar aquilo que Santo Ivo fez em sua vida, como exemplo de dignidade e proteção aos oprimidos, revitalizando a advocacia como ação, como um constante préstimo aos valores que regem a conduta humana.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí (martinelliadv@hotmail.com).


 



publicado por Luso-brasileiro às 19:27
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RENATA IACOVINO - RETRATOS DE ONTEM E DE HOJE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           

 

 

 

 

 

 

 

 

             Vem final de ano, férias e acumulam-se providências que deviam ter sido tomadas ao longo do ano, mas que, devido à escassez de tempo, cansaço e pouco ânimo para resolvê-las, são empurradas pra frente.

            Há pessoas que gostam de arrumar armários, desfazer-se de objetos, documentos não mais necessários. Notei que essas pessoas, geralmente, não se importam em jogar coisas fora, ao contrário, têm verdadeiro prazer.

            Estou na ponta oposta desse comportamento. Tenho extrema dificuldade em colocar no lixo elementos de quem sou. Começo a olhar tudo que vai passando pelas minhas mãos e percebo que minha história poderia ser contada apenas com o que tenho guardado... ou tinha. Desde que saímos da casa em que morávamos e fomos para um apartamento, boa parte do que estava enraizado ali... se foi.

            Pessoas que se desapegam facilmente não possuem este discurso nostálgico e lidam com as lembranças de maneira muito melhor. Tento racionalizar um pouco essa relação, mas confesso que não consigo. Se ainda muito jovem eu já me flagrava com uma nostalgia de velha, imagina agora!

            Em meio a esses pertences (que não mais me pertencem), que me fizeram viajar por inúmeros momentos e revivê-los um a um, encontrei fotografias. Estas sim, conservadas ainda em meus armários.

            Notei que em grande parte desses registros há sorrisos, como que cravando na memória daquele tempo, que o instante era de felicidade, alegria... Dá a impressão que não era (não é) permitido esboçar outra face que não a da felicidade. Afinal, se estamos prontos a nos deixar fotografar, é porque estamos bem, alegres...

            Penso o que esses sorrisos escondem; o motivo deles estarem ali; a causa da face verdadeira não poder aparecer...

            Tal pensamento me carrega àquelas fotos antigas, bem antigas, que mais pareciam uma pintura, e que a família se preparava especialmente para aquele evento - posar para a foto! - colocando suas melhores roupas.

            Hoje, ao nos depararmos com retratos assim, temos a impressão de que aquelas pessoas estavam voltando de algum velório, tamanhas eram as faces carrancudas, sem expressar um mínimo sorriso. Eram mais tristes do que nós, que hoje apagamos tantas fotos quanto quisermos num toque de dedo, deixando apenas aquela em que aparentamos estar melhores?

            Tempos distintos, e ambos carregados de seus mistérios...

 

 

 

 

RENATA IACOVINO, escritora, poetisa e cantora /reiacovino.blog.uol.com.br /reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:22
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SONIA CINTRA - OS BEIJOS DE MINHA MÃE

 

 

 

 

 

 

 

 

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Em nossa família o bolo de fubá sempre esteve presente à mesa. Antonia, sem que minha avó materna precisasse pedir, logo cedo já o tinha assado com erva-doce, desenformado e coberto com açúcar e canela, à moda do interior. Aquele cheirinho caseiro nos dava bom dia, quando sentávamos à mesa da cozinha para tomar o café selado com o beijo de minha mãe. Depois, quando íamos para o quintal brincar de amarelinha e subir nas árvores, ela costumava deixar um bom pedaço escondido no guarda-comida, para o chá da tarde de meu avô. Quando soavam as cinco badaladas do sino do relógio do largo, corríamos para o portão. Ele chegava do trabalho e nós levávamos sua pasta de couro para o escritório e o velho guarda-chuva para o porta-chapéus, onde pendurava o cachecol xadrez e o Prado de feltro cinza. Minha mãe sempre nos acompanhava sorrindo e selava esse ritual com seu beijo.

            Em casa de minha avó paterna, na capital, o bolo de fubá também fazia parte do café e do chá, conforme receita com goiabada, do tempo do onça. De quando em quando, ela nos contava da vida na fazenda, do moinho de farinha de milho, dos tachos de doce apurando no fogão à lenha, do leite morno, espumante, tirado de manhãzinha das tetas da vaca malhada e batizado com conhaque. Falava das botas de montaria e dos dois cachorros, um amarelo e outro preto, que aguardavam meu pai na soleira da porta, todos os dias. Lembrava o passeio de trole à cidade aos domingos. Quando o cafezal florescia, dizia, parecia coberto de neve. Conforme os grãos amadureciam e eram carreados para secar no terreiro, o aroma do café recém-colhido invadia todos os cantos da casa. Depois de beneficiados eram transportados pelos trilhos da Cia. Mogiana e da Cia. Paulista de Estradas de Ferro, para serem ensacados em Jundiaí, cidade de grandes tecelagens e sede das oficinas inglesas, e chegavam ao porto de Santos, descendo a Serra do Mar pela São Paulo Railway Company. Essas histórias de ferrovias eram seladas com o beijo de minha mãe.

            A convivência com meus avós nos dias de criança é sagrada pelo tempo. Apesar das crises econômicas e políticas que vivenciaram nunca se tornaram perversos ou amargos. A fortaleza da sua presença tem embalado o berço de nossas gerações, assim como a doçura do bolo de fubá tem guarnecido nossas mesas, não é, João? Que eu jamais esqueça o sabor e o saber deles e, como diz Fernando Pessoa, o que aprendi com os beijos de minha mãe.

 

 

 

SÓNIA CINTRA - ESCRITORA E PROFESSORA UNIVERSITÁRIA

 

           



publicado por Luso-brasileiro às 19:18
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FELIPE AQUINO - O PAPA JOÃO PAULO II E A VIRGEM DE FÁTIMA

 

 

 

 

 

 

 

 

As mãos maternais de Nossa Senhora de Fátima e o trabalho de São João Paulo II mudaram a história do mundo

 

No dia 13 de maio de 1980, o Papa São João Paulo II foi baleado na Praça de São Pedro, pelo turco Ali Agca, a mandado da KGB, polícia secreta russa, segundo o inquérito da polícia italiana: “Esta Comissão acredita, indubitavelmente, que a liderança da União Soviética tomou a decisão de eliminar o papa João Paulo II”, diz o Relatório. (http://noticias.uol.com.br/ultnot/ – ROMA (Reuters).

 

No mesmo dia, do ano seguinte, o Papa foi a Fátima e levou a bala que o tinha atingido para ser colocada na coroa de Nossa Senhora de Fátima, como agradecimento por Ela lhe ter salvado a sua vida.

O atentado ao Papa foi a “queima roupa”, uma das balas atingiu o seu abdome, e por milagre de Nossa Senhora ele não morreu. Ele disse depois que “uma mão puxou o gatilho, mas outra Mão dirigiu a bala”, de modo que esta não o matasse. O Papa se referia à proteção que Nossa Senhora de Fátima lhe dera.

Essa bala foi colocada na Coroa de Nossa Senhora, que as mulheres portuguesas mandaram confeccionar para agradecer a Virgem de Fátima por ter livrado Portugal de participar da Segunda Guerra Mundial, e não ver seus filhos morrerem em campos de batalhas.

Quando os especialistas foram colocar a bala na Coroa da Virgem, não sabiam onde iriam encaixá-la sem comprometer a bela arte; mas eis que notaram que havia um orifício bem na frente da Coroa; e não sabiam por que o deixaram ali. Então os especialistas ali colocaram a bala que se ajustou perfeitamente no orifício; uma enorme surpresa. Quem poderia ter deixado ali aquele orifício?

O Papa foi eleito em 16 de Outubro de 1978, no auge do comunismo ateu e materialista que ele tanto condenou e trabalhou para extingui-lo. Consagrou seu pontificado a Nossa Senhora; no seu brasão colocou a frase: “Totus tuus”.

Juan Lara, vaticanista, disse que João Paulo II passaria para a história como o Pontífice que contribuiu decisivamente para a queda do comunismo, que nele viveu durante mais de três décadas. Fortemente ligado à Polônia, impulsionado pelo sindicato livre “Solidariedade”, e com o forte apoio da Igreja começou o trabalho de libertação do seu povo do jugo comunista.

O golpe definitivo viria em janeiro de 1989, quando Solidariedade foi legalizado definitivamente e, em agosto desse mesmo ano, quando o católico Tadeusz Mazowiecki, que foi assessor do sindicato, chegou ao poder, derrotando os comunistas.

A Polônia foi a primeira ficha do “efeito dominó”. Sua queda arrastou a Hungria, que abriu suas fronteiras e seus cidadãos fugiram para a Áustria; depois a Alemanha Oriental, cujos cidadãos também fugiram propiciando em 9 de novembro de 1989, a queda do Muro de Berlim.

Em 1º de dezembro de 1989, o Premiê russo Mikhail Gorbachov cruzou a praça de São Pedro do Vaticano para o encontro histórico com o Papa. Depois caíram os regimes da Bulgária, Tchecoslováquia, Romênia e já em agosto de 1991, o da URSS.

Foi um fato impressionante a queda retumbante do comunismo no Leste Europeu em 1989, sem derramamento de sangue, como queria João Paulo II. De fato, isso não pode ser explicado sem considerarmos a ação de Deus e de Nossa Senhora através do Papa. Nas aparições de Fátima, em 1917 a Virgem tinha prometido que se a Rússia fosse consagrada a Seu Coração, seu Coração triunfaria no país comunista. E isto aconteceu. Ela tinha dito às crianças que haveria uma Segunda Guerra e que a Rússia espalharia seus terríveis erros (o comunismo) por muitos países, como de fato ocorreu.

O mundo vivia a “guerra fria” entre a União Soviética e os países ocidentais. O medo imperava com a possibilidade real de uma Terceira Guerra mundial, e nuclear, que pulverizaria o planeta. De repente, o bloco comunista se dissolve como um castelo de areia, da noite para o dia. Como explicar isso?

 

 

 

 

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João Paulo II viveu e sofreu sob este terrível regime na Polônia; cabendo a ele, por vontade de Deus, ser o principal artífice de sua queda, depois de ter por mais de 70 anos escravizado muitas nações da Europa e as ter confinado sob o chamado Muro de Berlim ou “Muro da Vergonha”. Milhões de pessoas foram vítimas deste terrível flagelo. O “Livro negro do comunismo” (Stephan Courtois, Ed. Bertrand Roussel, 2005) fala em cem milhões de mortos na Rússia, China, Hungria, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Romênia, Bulgária, Polônia, Cuba, Vietnam, Laos, Cambodja, etc. Milhões viveram sob este pesadelo. Lamentavelmente ainda vivem sob este cativeiro a ilha de Cuba, a Coréia do Norte e a China.

O jornalista Bernard Lecomte, especializado em assuntos da União Soviética e dos países do Leste Europeu, depois de investigar os arquivos do Leste europeu e de Paris, escreveu, em 1991, um livro sobre a história da queda do comunismo,

mostrando ao mundo que foi fundamental a ação do Papa João Paulo II para que isto acontecesse.

 

 

 

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Quando o comunismo caiu, os autores Bernstein e Politi escreveram que: “boa parte do mundo passou a saudar Wojtyla como o vencedor de uma guerra que começara em 1978” (Revista PR, nº 420/1997).

Quando da revelação do Terceiro Segredo de Fátima, o Cardeal Ratzinger, disse que: “Com relação ao “Bispo vestido de branco” (o Papa) que é ferido de morte e cai por terra, a Irmã Lúcia concordou plenamente com a afirmação do Papa João Paulo II: “Foi uma mão materna que guiou a trajetória da bala e o Santo Padre deteve-se no limiar da morte” (Meditação com os Bispos italianos na Policlínica Gemelli, 13 de maio de 1994).”

O Cardeal fez questão de recordar o que a Irmã Lúcia disse ao Papa em 12 de maio de 1982, um ano após o atentado que ele sofreu: “A terceira parte do segredo se refere às palavras de Nossa Senhora: “Senão [a Rússia] espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas.”

Pelas mãos maternas de Nossa Senhora de Fátima, e o trabalho de São João Paulo II, o Leste Europeu ficou livre do comunismo ateu, materialista e sanguinário. Demos graças a Deus! Mudou a história do mundo.

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 19:08
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Sábado, 16 de Maio de 2015
PAULO ROBERTO LABEGALINI - PROVAÇÕES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um rato vivia correndo do gato da casa e, assim, lutava diariamente pela sobrevivência. Sua maior preocupação era com os filhos, pois sabia que se um ratinho caísse nas garras do felino, seria um desastre!

O gato também tinha filhotes e precisava se alimentar muito bem para tratar da família. Seu único problema era fugir do cachorro feroz. Quando o perdigueiro caçador estava por perto, os pais dos gatinhos ficavam vigilantes. Mas nem o cachorro era completamente feliz. Ele sempre perdia alguns companheiros, que eram levados pela carrocinha. Isso o magoava muito e o fazia mais bravo a cada dia.

Naquela fazenda, apenas a vaca parecia não ser ameaçada pelas provações que os outros animais experimentavam; porém, com o passar do tempo, foi sacrificada pelo dono e virou churrasco. Sua carne alimentou também o cachorro, seu leite fez falta para o gato e, ao rato, nada mudou.

Assim é a vida: lutamos pela sobrevivência, nos preocupamos com os filhos, perseguimos os inimigos, ameaçamos a liberdade dos irmãos, nos acomodamos quando a situação nos favorece, mas continuamos dependendo uns dos outros. Àqueles que julgam estar acima do bem e do mal, quando menos esperam, a provação aparece. E nem sempre as piores consequências machucam os mais fracos – como aconteceu com a vaca da história que perdeu a vida!

Então, como se preparar para sofrimentos marcantes? Rezando e se conscientizando que a felicidade completa só encontraremos no Céu. E como sermos solidários com o sofrimento alheio? Amando os irmãos a ponto de praticarmos a verdadeira caridade: sem exclusão, sem hora marcada, com partilha material e espiritual. Mas, nas provações inesperadas, o que fazer? Bem, isso merece uma reflexão maior.

Há muitas dores na vida que mal entendemos: a perda de um parente próximo, uma traição, um desemprego na família, alguma doença grave e outras mais. Cada caso é um caso e as atitudes que tomamos são distintas, mas, em primeiro lugar, devemos permanecer em oração e confiar na providência Divina.

Da mesma forma, Deus nos dá força e confia na nossa dignidade cristã. Só assim alcançaremos a graça de sermos curados da dor que sentimos. Com humildade e perdão, será ainda mais fácil.

O perdão, por exemplo, é um dom especial que deve ser praticado sempre porque agrada muito ao nosso Pai eterno. Quem não perdoa, sofre as piores consequências e mata sua própria alma. Eu admiro demais quem estende a mão a quem lhe ofendeu. Sei que é preciso muita fé para perdoar, mas somente assim estaremos em sintonia com Deus para anunciar Jesus Cristo a todos.

E ser humilde é um comportamento realmente necessário nas tribulações? Eu sempre digo que sim se a humildade vem do coração. Quem erra, precisa de humildade para se redimir; quem trai, precisa de humildade para pedir e aceitar ajuda. Ser humilde é ser inteligente e usar a sabedoria sempre.

Quem está munido dos sete dons do Espírito Santo vence todas as provações sem vacilar na fé. Quem não os tem, sente-se órfão do amor do Criador de vez em quando. Eis os dons: temor de Deus, piedade, ciência, fortaleza, conselho, sabedoria e inteligência. Há como negar que já praticamos todos eles em nossa vida? Eu, por exemplo, em minha pequenez, os pratico todos os dias – mesmo involuntariamente. Usando e abusando dos dons que confirmamos no Crisma, nos tornamos mais resistentes às tentações. O óleo que recebemos nos deixou mais lisos para escaparmos do pecado.

O selo de cristão nos reveste com o Espírito santificador. É a maior garantia de qualidade que existe! Então, por que temer as provações se a coragem que precisamos vem de Deus? Ele não se doa a nós todos os dias na Eucaristia? Quem não procura Jesus na igreja e no pobre, tem direito de reclamar dos problemas que enfrenta?

Contaram-me a história do comandante de um batalhão que vivia perseguindo um sargento, fazendo-o passar por inúmeros vexames. Certo dia, quando passava em revista à tropa, parou na frente do sargento, puxou o crucifixo que ele trazia na corrente e o jogou no chão. O subordinado, mesmo sabendo que poderia ser punido, saiu de forma, pegou o crucifixo, colocou-o no bolso e voltou à posição de sentido.

Mais tarde, o sargento foi chamado ao comando e achou que receberia uma grande advertência. Ao contrário, o comandante lhe disse: ‘Amanhã lhe darei uma promoção porque se você defende o seu Deus com tanto amor, é digno de ser um oficial do exército para defender a pátria’.

Esse é apenas um tipo de recompensa que recebemos quando enfrentamos as provações com dignidade cristã. Jesus, o Filho da Rainha, morreu por nós e isso prova que jamais nos abandonará. Portanto, coragem! O Senhor marcha à nossa frente!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O QUE ESTAMOS A FAZER AOS NOSSOS AVÓS?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Merendava numa confeitaria, nas proximidades do Jardim de S. Lazaro, no Porto, quando o empregado, confidenciou-me, que tudo fora liquidado por senhora, que se encontrava no fundo do salão.

 

Estupefacto, ergui-me, para avizinhar-me e agradecer a generosidade, quando velhinha, de braços abertos, dirigiu-se para mim.

 

Era antiga colega de trabalho.

 

No curto diálogo que travei, fiquei a conhecer que ficara viúva. Vivera meses de solidão, rodeada de tristes recordações, que mais triste a deixavam ficar.

 

Contaram-lhe que existiam religiosas que acolhiam, como hóspedes, senhoras idosas, cobrando parte da pensão.

 

Procurou, e acabou por entrar numa dessas casas.

 

Estava feliz. Tão feliz, que praticamente era uma delas. Não que as Irmãs a incentivassem, mas sentia-se bem em participar em todas as devoções que faziam.

 

Mas nem todos os idosos têm igual sorte: ou porque a pensão é muito baixa, ou porque, abandonados pela família, não têm outro remédio senão entrar num lar de fraca qualidade.

 

Conheço senhora, viúva, que vendo-se só, sem carinhos dos filhos, resolveu internar-se numa residencial.

 

Após cuidadosa busca, “ comprou” quarto, tendo, para isso, vendido o apartamento em que vivia.

 

Decorridos meses, verificou que se tinha enganado. Não gostou do convívio, da comida, nem da forma como a tratavam.

 

Decidiu sair; mas não lhe devolveram o dinheiro. Rapidamente verificou que perdera tudo que possuía.

 

Alugou, então, pequeno apartamento mobilado, e está agora em pior, circunstâncias, do que então.

 

Escolher lar não é tarefa fácil, tanto mais que a maioria não tem possibilidade de volta, já que praticamente entrega tudo que tem à administração, ficando à mercê desta.

 

Para que assim não aconteça, seria vantajoso, haver a possibilidade de transferência de residencial, sem despesa para o utente.

 

Seria também bom, que Ordens Religiosas, que possuem grandes espaços, abrissem, a troco de módicas quantias, as instalações a idosos. Seria rendimento para a Casa e obra de caridade.

 

Outrora, os avós, eram figuras estimadas, imprescindíveis para a felicidade dos netos. Atualmente, ou por falta de espaço ou falta de tempo, os filhos atiram os pais para lares e residenciais, como eufemisticamente se apelidam os antigos asilos.

 

Receio, que chegará o tempo, que a sociedade, incentivará a eutanásia, para se livrar dos idosos de baixo recursos, do mesmo jeito que hoje matam o nascituro, porque os pais não podem ou não querem cuidar e o Estado não quer encargos com sua educação.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA - Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:44
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EUCLIDES CAVACO - RAINHA DO FADO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Um leve poema em jeito de tributo à nossa saudosa AMALIA.
Veja o poema  aqui neste link:

 


http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Rainha_do_Fado/index.htm

 

 

 

EUCLIDES CAVACO - Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.



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Segunda-feira, 11 de Maio de 2015
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - UM FENÔMENO ESSENCIALMENTE PAULISTA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O povoado de São Paulo teve início num modesto colégio da Companhia de Jesus, estabelecido em 1554 no altiplano, a cerca de 60 km. do mar, numa área conhecida como os Campos de Piratininga. Era um local estrategicamente bem escolhido, pois ficava no alto de uma colina, cercada por dois rios, o que lhe assegurava facilidades de defesa e abastecimento de água e de peixes. Ademais, a proximidade dos aldeamentos de índios amigos dos portugueses favorecia a escolha do local, assim como a proximidade da vila de Santo André da Borda do Campo, na qual vivia, com numerosos descendentes mamelucos, João Ramalho, genro e amigo do morubixaba Martim Afonso Tibiriçá. Por ali perto também passava o rio Anhembi, atual Tietê, via de entrada natural para o interior. Tudo isso fazia do local um ponto estratégico muito feliz.

Ali se estabeleceu o colégio, em torno do qual se constituiu um povoado que se tornou vila e foi, aos poucos, adquirindo importância, chegando a elevar-se à condição de cidade e diocese no século XVIII.

Segundo Auguste de Saint-Hilaire, na passagem do século XVI para o XVII, ou seja, em 1600, havia apenas 200 moradores em S. Paulo, e na passagem do século XVII para o XVIII havia apenas 700 (Quadro Histórico da Província de São Paulo, p. 159).

Em 1766, D. Luís Antonio de Sousa Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, que governava a recém-criada Capitania de São Paulo, ordenou que fosse feito um recenseamento da sua capitania, e registrou que ela era composta por uma cidade (a capital), 18 vilas (Sorocaba, Paranaguá, Santos, Guaratinguetá, Itu, Taubaté, Parnaíba, Atibaia, Jacareí e outras mais), 9 aldeias de índios e 38 freguesias, possuindo um total de 58.071 habitantes (apud Aureliano Leite, História da Civilização Paulista, p. 95).

No tocante à capital da Capitania, registrou textualmente o Morgado de Mateus: “Conta esta cidade atualmente segundo a lista que mandei tirar de 392 fogos, 649 homens e 867 mulheres, porém a sua freguesia que se estende a 12 léguas tem 899 fogos, em que se compreendem 1748 homens e 2900 mulheres, contando neste número os de maior e menor idade”.

Por essa altura havia, pois, apenas essa minúscula população, dispersa na área bastante extensa que hoje, grosso modo, constitui a chamada Grande São Paulo, que abrange o Município de São Paulo e numerosos outros ao seu redor, constituindo uma das maiores e mais povoadas regiões metropolitanas de todo o mundo.

Somente por volta de 1800 a freguesia terá atingido a cifra das 10 mil almas.

Foi essa urbe subpovoada que, paradoxalmente, forneceu os recursos humanos para o ciclo do bandeirismo e, mais tarde, para seu sucedâneo, o ciclo do tropeirismo.

O bandeirismo foi um fenômeno essencialmente paulista.

Houve, sem dúvida, algumas iniciativas esporádicas de entradas no sertão, a partir de outros pontos do Brasil, como a Bahia, Pernambuco, Maranhão, até mesmo do Amazonas, mas foram iniciativas episódicas e sem maior alcance. Bandeirismo sistemático, com amplitude, continuidade e importância nos resultados obtidos, só ocorreu a partir de São Paulo. Foi um esforço bem sucedido, que teve como efeito estender o território brasileiro muito além da linha de Tordesilhas.

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:57
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - AS MÃES SE CONSTITUEM EM APOIO PARA A VIDA E EM FONTE DE TRANSFORMAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por ocasião deste domingo que lhes é dedicado, homenageamos as mães em geral, de diferentes povos, raças e culturas, não só pela constante eloquência de gestos autênticos, como pela imensa sensibilidade e permanente devotamento, inerentes ao poder materno que naturalmente traduz uma história de habilidade insuperável de desprendimento e profunda compreensão do ser humano como obra-prima do Criador.

 

Dentre as inúmeras versões sobre a criação do Dia das Mães, a mais conhecida e divulgada é a que indica maio de 1905, numa pequena cidade do Estado da Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos, onde Anna Jarvis, filha de pastores e que tinha perdido sua mãe, junto com algumas amigas iniciaram um movimento para se estabelecer uma data em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães. Em 1914, o presidente Thomas Woodrow instituiu o Dia Nacional das Mães a ser celebrado no segundo domingo de maio enquanto no Brasil, a promoção foi da Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, a partir do dia 12 de maio de 1914, tendo o presidente Getúlio Vargas oficializado a celebração em 1932.

Trata-se de uma festividade que apesar de seus inúmeros apelos comerciais, carrega um grande significado de reconhecimento, gratidão e ternura pela maternidade que é um dom natural de vida, fortalecedor da união dos casais e da estrutura da instituição famíliar, e que se firma como o aspecto principal da dignidade feminina. Nessa trilha, invoquemos Simone Regina Paccanaro: “E Deus criou os céus, a Terra, os rios, os mares, os peixes, as aves, os animais, o homem e por fim criou a mulher: a obra prima de sua criação. A missão da mulher é nobre, suprema e divina, pois em comunhão com Deus, ela recebeu o dom sagrado da maternidade. Não há dom maior no mundo que este. A influência da mãe sobre os filhos não pode ser calculada, mensurada ou concebida. Pois, além de prover as necessidades básicas de subsistência de seus filhos, ela gera a segurança emocional e espiritual, tão necessárias ao bem estar familiar” (Correio Popular, 09/05/20101- p.A3).

Com efeito, já se disse que se todo ato humano deve ser regido pela responsabilidade de quem o pratica, muito mais isto é válido em se tratando da riqueza que é o ato de gerar uma nova vida, um ser que significa poder garantir-lhe tudo de que ele necessita para tornar-se uma pessoa digna, nas condições normais do ambiente em que vive. Daí as normas jurídicas protetoras da concepção e dos filhos. No entanto, há muito ainda a se concretizar nesse amparo legal, devendo-se cobrar de nossos legisladores a edição de diplomas que valorizem de modo irrestrito a maternidade, para o próprio bem das comunidades em geral, sem nunca lhes negar direitos básicos.

Por outro lado, nada mais justo do que homenagear as mães exaltando seus permanentes atributos, mostrando-lhes quanto representam ao equilíbrio da ordem social, oferecendo-lhes ainda as mais variadas manifestações de afeto e de respeito. Reitere-se que cada uma possui sua própria vivência pessoal, mas são semelhantes nos objetivos que as movem e nos desafios que enfrentam: são elas quem mais sofrem no físico e na alma as dores dos rebentos desempregados, marginalizados, injustiçados, viciados ou afastados por quais motivos. São elas também que estão aos seus lados em todos os momentos, tristes ou alegres, agasalhando em si mesmas, os percalços e os êxitos daqueles que conduziram ao mundo após aninha-los em seus ventres. Constituem-se em apoio para a vida e em fonte de transformação.

Ao comemorarmos o dia das mães, reproduzimos o poeta Mário Quintana: “Mãe. São três letras apenas desse nome bendito. Também o céu tem três letras e nelas cabe o infinito. Para louvar a nossa, todo bem que se disser, nunca há de ser tão grande, como o bem que ela nos quer”. E no dizer de Simone Regina Paccanaro, “sejamos sempre gratos por aquelas que nos trouxeram a vida, que com sacrifício nos criaram e nos deram o melhor que podiam nos dar dentro de sua compreensão, capacidades e limitações próprias”.

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí



publicado por Luso-brasileiro às 11:50
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