PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 5 de Julho de 2015
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CATIVEIROS TANTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Faz-me um bem imenso conviver com o povo de lugares, experiências, sonhos diferentes e, em especial, com aqueles que insistem e resistem para sobreviver. Com essa gente aprendo que basta pouco para momentos de felicidade. Com seus relatos, capacito-me a não julgar e a eliminar os excessos que carrego.

Há pouco tempo uma moça me contava sobre sua angústia na época em que a mãe visitava o companheiro na cadeia, que não era o pai dela. Por não ter com quem deixá-la, necessário estar junto. Passar pelos acessos com grade, nos quais via correntes e cadeados, intensificava a inquietude da véspera. Depois o pátio com poucos conhecidos – da semana anterior - e numerosos estranhos. O tormento, contudo, crescia, quando a mãe se ausentava, para namorar na cela. Algumas crianças a chamavam para brincar. Não ia. Ficava atenta ao retorno da mãe para desacelerar a respiração. Pelo que me descreveu, da entrada do estabelecimento penitenciário até que chegasse a hora de pisar de volta na calçada, era naufraga em cinzas. Faltava-lhe sopro. Que doloroso para as fragilidades que toda menina carrega!

Semana passada, uma senhora me disse sobre o período, de dez anos mais ou menos, em que a filha usava drogas. Venceu-se há três anos e compreende que necessita continuar distante de determinados lugares, pessoas e situações, para se manter limpa nas próximas 24 horas. Trabalha com carteira assinada, cuida de parte da família e foi promovida no emprego. A senhora costuma citar uma frase da sabedoria popular ao se referir a quem adere ao uso de drogas: “Besta é o coco, que dá os olhos para que os outros furem”. Para ela, os dependentes químicos se igualam ao coco. Ao concluir a conversa a respeito da filha, exclamou: “Graças a Deus ela se libertou desse cativeiro”.

Fiquei pensando sobre o cativeiro das drogas, da menina que era obrigada a ir com a mãe à cadeia ao encontro de um homem com quem não tinha afinidade... Quantos outros cativeiros existem, que alguns propalam como independência! A internet e certos programas televisivos propõem diversos.

E por que será que permanecem invisíveis determinados “sequestradores”, que mantêm seres humanos sob tirania, em troca de prazer, poder e lucro? E por que será que não se investe na educação do olhar, a fim de impedir que inúmeros tenham os olhos furados?

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 18:59
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PAULO R. LABEGALINI - MAIS TEMPO PARA A FAMÍLIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Numa pesquisa feita pela Revista Fortune com os principais executivos das grandes empresas, 48% dos entrevistados gostariam de ter um trabalho que os realizassem profissionalmente e deixassem tempo livre para a família e o lazer. E 64% deles admitiram que nesse estágio da carreira escolheriam ter mais tempo do que dinheiro!

Pois é, cada vez mais a família tem sido deixada de lado em função das urgências do dia-a-dia; mas, se vivêssemos 100% do tempo em família, provavelmente ficaríamos entediados e gostaríamos de novos desafios, certo?

Então, é fácil concluir que o equilíbrio entre o trabalho e a família é o passo certo para a felicidade. O problema é que, quando estamos com a família, muitas vezes continuamos trabalhando e mal temos tempo para conversarmos tranquilamente com a esposa, com os filhos etc.

O texto da revista ainda destaca: “muitas famílias moram juntas, mas não vivem juntas – a união familiar está sendo vencida pela falta de tempo! Quando nos damos conta, alguns pequenos problemas já se acumularam, se juntaram e causam rupturas familiares”.

No meu livro ‘Administração do Tempo’, procuro mostrar que para começarmos a viver com qualidade e para não dar tanto valor na quantidade do trabalho processado, precisamos usar o tempo com sabedoria. Isso significa: técnica e arte!

E além de paz nos lares, também precisamos resgatar bons momentos de relacionamento em grupo em nossa cidade porque há aqueles que explicitamente são desobedientes aos Mandamentos e vivem enfurnados no pecado. Como recuperar essas pessoas?

Contam que, um dia, um aluno pediu ao professor uma folha em branco para refazer a primeira questão da prova. Olhando o espaço disponível, ele lhe disse que poderia riscar os erros e resolver o exercício na própria página. Em casa, ao corrigir a questão, logicamente não considerou a parte nula e deu valor àquilo que ele havia acertado.

Deus também age assim conosco; aliás, ao invés de riscar o passado, Ele sempre permite que usemos uma nova folha em branco. E reflita se não é maravilhoso podermos confessar os pecados, sermos perdoados por tudo que fizemos de errado e, ainda, escrevermos uma nova história que nos levará à salvação!

Tudo isso só depende de cada um de nós, mas, infelizmente, muita gente diz que acredita em Deus só da boca pra fora, porque na hora de deixar de pecar e aceitar os Mandamentos, prefere continuar repetindo os erros. E – o pior! – deixando de se confessar, a folha de sua vida continuará manchada e será avaliada com fatos condizentes à condenação. É importante lembrar que a falta de perdão também é um pecado!

Não vale a pena deixar de perdoar sabendo que tudo passará com o tempo, queiramos ou não? E assim como há semelhanças entre pessoas, também há diferenças, e quem insiste em guardar mágoa, na verdade tem vergonha de ser igual aos bons e perder a identidade – além de desobedecer a Cristo!

Jogue fora sentimentos de tristeza, de menosprezo, de mágoa, de ódio, de injustiça contra você. Pare de remoer o passado, de abrir mão do direito de fazer justiça, de colocar diante de Deus sua frustração por não conseguir o que você quer.

Seja um espelho de fé! Se você caiu, levante-se! Se você perdeu, tente de novo! Nunca é tarde para reconstruir e recomeçar sua vida. Não deixe para amanhã; comece hoje! Você vai vencer se souber aliar: tempo, perdão, disciplina e oração. Parte disso sairá desta história:

Um mecânico estava desmontando o cabeçote de uma moto, quando viu na oficina um cardiologista muito conhecido. Deu um sinal a ele e falou: ‘Doutor, olhe este motor. Eu abro seu coração, tiro as válvulas, conserto-as e ponho tudo de volta para trabalhar perfeitamente. Como é que ganho tão pouco comparado ao senhor, se o nosso trabalho é praticamente o mesmo?’. O cirurgião deu um sorriso, se inclinou e disse baixinho ao mecânico: ‘Tente fazer isso com o motor funcionando!’.

Independente de quanto cada um ganha, pense no seguinte: Você gostaria que Jesus operasse um grande milagre no seu coração? Para que isso acontecesse, escolheria estar vivo ou morto? E quanto pagaria a Ele por isso? Seria capaz de pedir-lhe perdão e deixá-lo morar em você para sempre? Se respondeu ‘sim’, tem absoluta certeza disso?

Então, chegamos a um método de salvação: ‘Plantar a verdade para colher confiança; plantar o amor para colher amizade; administrar o tempo para colher gratidão; plantar a fé para colher milagres; e plantar o perdão para, enfim, colher salvação’. Boa colheita!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre



publicado por Luso-brasileiro às 18:55
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - SAUDADE...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vivo de saudade, dos vivos e dos mortos. Dos vivos, que se perderam no turbilhão da vida; dos mortos, que conheci…; e até das casas e lugares que desapareceram, sinto saudade…

Saudade do menininho que fui, do tempo de infância, quando pela mão morena de minha mãe, ia à cidade.

Como eu gostava de passear pelas ruas do Porto! …

As montras iluminadas, os carros deslizando pela calçada, as pessoas, a confusão, a luz, as cores vistosas das viaturas e das roupas… Tudo para mim, para meus olhos de menino, era um encanto…um deslumbramento…

Certa ocasião, ao dobrar a rua das Flores – então conhecida pelo ouro, – para os Loios, minha mãe escorregou.Quase caiu. Amparei-a.

Virando-se para mim, muito séria,disse: - “ Se não fosses tu, tinha caído…” – Fiquei orgulhoso! …Teria seis anos. Não mais.

Saudade dos meses quentes de Verão, que passei na Vilariça, na simpática “ Quinta do Bem “.

Dos animais, da vida campestre,mormente do tanque de pedra, de água corrente, toldado de densa parreira,convidando-me à preguiça; à delícia da sonolência…nas cálidas tardes de Estio.

Saudade do Nero. Canzarrão meigo, amigo inseparável, que sempre permanecia junto de mim. De noite, quando a aldeia adormecia, ficava estendido na soleira da porta principal, porque não o deixavam entrar…

Saudade da velha e amiga cidade de Bragança, onde permaneci quatro longos anos, que foram os melhores e os piores da minha existência….

Saudade, saudade que lasca de dor o coração envelhecido, entranhando-se na retina e na alma, sinto daquela que foi para mim, “irmã” inesquecível:

Tinha carita de boneca, de porcelana antiga, e nos olhos meigos, sorrisos de ingenuidade. Boca pequenina. Lábios cor-de-rosa. Por eles saíam ternas palavras que faziam sonhar…sonhos amorosos…

Por que boa fada não nos encantou num sonho perpétuo, o quadro fascinante?! … - Ela sorrindo, doirada de sol; eu ,enlevado na beleza, na graciosidade, na formosura, de menina que despertava para a vida…

Saudade das tardes de sábado, quando visitava velhas senhoras… Poder correr livremente ao redor do frondoso pessegueiro, sentido no ar o perfuma adocicado do roseiral florido e a glicínia, de grandes e vistosos cachos roxos, espiando a rua, debruçada em tosco muro de pedra insossa…

Saudade de certo mês de Dezembro, que passei na Costa do Sol. Época dolorosa, triste, que espertou em mim sentimentos que não conhecia…

Saudade do Manuel Maria Magalhães e das aprazíveis caminhadas por velhos becos e antigas vielas tripeiras…

Saudade de Roma. Do reconfortante silêncio do claustro, vendo monges de sandálias e burel castanho, deslizarem pelos corredores sombrios, envoltos em luz misteriosa, convidativa à oração… –“ Aquele fraterno é um santo…como já não há!” – Disse-me o meu companheiro.

Saudade de Frei António, sempre prestável,sempre afável, mostrando-me belos rincões da Cidade Eterna…

Saudade da Pauliceia. Das pessoas que conheci, e das figuras simpáticas que me apresentaram: - “ Você é português?! …Então é quase brasileiro…” afirmou-me arquitecto de Porto Alegre.

Saudade de Itanhaém. Da casinha encantadora,perdida em verduras, na Praia dos Sonhos…

Ai, nesse bocadinho da cidade abençoada, convivi com a que se tornou, para sempre, a companheira de jornada.

Saudade do velhíssimo prédio de alforge, que tinha mais de duzentos anos, onde nasci…e me criei; e da humilde casinha do bairro de Sumaré…pequenina e aconchegante, como a da Branca de Neve…

Saudade dos mortos, que legaram o que sou e o que sei.

Tudo e todos vivem dentro de mim….Neste corpo envelhecido, que dia e noite se aproxima do fim…

Tudo e todos deixaram-me um pouco do que foram. Devo-lhes o que fui e o que sou.

A todos agradeço. Tudo e todos conservo no meu coração, envolto em saudade e muito Amor…

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA - Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 18:46
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EUCLIDES CAVACO - MURMÚRIOS DO MAR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MURMÚRIOS DO MAR - Poema e voz de Euclides Cavaco.
Aqui onde estou junto ao mar, todas as manhãs acordo com os
MURMÚRIOS DO MAR, que poderão ouvir e ver aqui neste link:

 


http://www.euclidescavaco.com/Po…/Murmurios_do_Mar/index.htm

 

 

 

EUCLIDES CAVACO - Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.



publicado por Luso-brasileiro às 18:40
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