PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 7 de Setembro de 2015
JOSÉ RENATO NALINI - SEGURANÇA: UMA AGENDA POSITIVA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma das maiores preocupações do brasileiro é com a segurança. Há uma sensação de insegurança produzida por uma série de fatores, dos quais o menor não é a divulgação das más notícias. Sensação até exagerada, considerados os índices toleráveis do que acontece em conurbações insensatas como a Grande São Paulo. Ocorre que as boas práticas não merecem a mesma divulgação. E a inércia, que costuma reinar na Administração Pública, prepondera nessa área. É preciso renovar as estratégias. Não permanecer na defesa e partir para a proatividade.

Chego a sugerir que a Polícia Militar, aquela que tem a incumbência do policiamento preventivo e que está na trincheira dos acontecimentos, treine policiais para um contato mais próximo com a população. Conheço excelentes quadros milicianos que têm formação superior, talento e condições hábeis a um projeto de comunicação eficiente. Por que não fazer com que esses agentes promovam encontros em escolas, sedes de comunidades de bairros, igrejas e clubes e mostrem o que a população pode fazer para ajudar a combater o banditismo e a delinquência? Afinal, a segurança pública é responsabilidade também da sociedade e esta não pode permanecer alheia, enquanto o cidadão comum sente-se desprotegido, alvo fácil de investidas de drogados e de outros indivíduos que se desviaram do bem e passaram a trilhar a sombria sina da criminalidade.

A polícia precisa ficar próxima à comunidade a que serve. O Tribunal de Justiça já adotou uma política de prestigiar o PM que ficará vinculado a cada uma das unidades judiciárias em funcionamento pelo Estado de São Paulo. Radicar o profissional da segurança a um ambiente que passe a conhecer e pelo qual dependerá dele ser respeitado e objeto de afeição e admiração é uma receita menos dispendiosa do que arquitetar utópicos projetos que não resultam em eficácia e deixam o panorama tão desalentador como antes deles.

 

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 03/09/2015

 

 

 


JOSÉ RENATO NALINI é presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.



publicado por Luso-brasileiro às 10:30
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PAULO R. LABEGALINI - NOSSO QUERIDO PADRE LÉO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De vez em quando, bate mais forte a saudade de quem partiu deste mundo e ganhou outra morada. Quanto maior a afinidade que essa pessoa tinha conosco, maiores também as lembranças. Mas, como superar isso e voltar a viver dias felizes?

Disse Jesus aos apóstolos: “Não vos deixarei órfãos. Voltarei para vós. Ainda um pouco de tempo e o mundo já não me verá. Vós, porém, me vereis porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia conhecereis que estou no Pai e vós em mim e eu em vós” (Jo 14, 18-20). Dá para imaginar a dor que a ‘perda’ do Mestre trouxe para aqueles corações? O próprio Jesus lhes antecipou: “Em verdade, em verdade vos digo, haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria” (Jo 16, 20).

Eles superaram a tristeza da separação unindo-se no amor e na fé. Jesus também os orientou nisso: “Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas, e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 25-26); “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando” (Jo 15, 12-14).

Portanto, se Deus nos deu a graça de termos fé na ressurreição dos mortos, só nos resta continuarmos amando os nossos irmãos – vivos e mortos. A paz em nossos corações será mais completa se soubermos corresponder ao amor que o Pai nos concede para compartilharmos em comunhão fraterna.

Amar como Jesus amou e aceitar a vontade do Pai como Maria aceitou: estes são os nossos desafios sempre. Agindo e pensando assim, veremos que: embora os nossos entes queridos – chamados à glória de Deus no Céu – tenham deixado muitas saudades, as maravilhas que vêm d’Êle a cada instante em nossas vidas, superam a tudo e merecem um grande sorriso.

Recordo que a minha participação na ‘Tenda do Senhor’ da TV Canção Nova, dia 12 de abril de 1998, foi muito importante em vários aspectos: falamos da devoção à nossa Padroeira; cantamos duas músicas do CD que estávamos gravando; contamos com a força do saudoso Pe. Aquilino ao vivo; e tivemos a presença do Pe. Jonas conosco no mesmo programa.

Muitos nos assistiram através de parabólica, retransmissoras locais e sistemas de TV por assinatura. Houve dezenas de ligações telefônicas, evidenciando a audiência em várias partes do Brasil. Eu me lembro de pessoas ligando de Cuiabá, Brasília, Pato Branco, Lorena, Caratinga, São Paulo etc.

O Pe. Léo sempre dispensou comentários elogiosos. Na minha opinião, era o Faustão da Canção Nova – no sentido de alavancar audiências. Suas histórias, descontração e espiritualidade divertiam e comoviam muita gente. Uma história contada naquele dia foi esta:

Certa época, quando ganhava projeção como autor de livros, ele recebeu um telefonema solicitando que enviasse a sua biografia para fazer parte de alguma obra importante que não me recordo mais. Disse-nos que passou a escrever coisas maravilhosas a seu respeito, até completar seis páginas. Esgotando suas lembranças, foi até o Santíssimo pedir inspiração para escrever mais. Lá, teve uma visão…

Ao lado de sua casa de infância, no Biguá, viu seu pai trabalhando, animais pastando e um monte de estrume no chão. Assim que a imagem que lhe veio à mente se aproximou do estrume fresco, Deus lhe disse: ‘Eis você aí’.

Aquilo o deixou chocado por alguns dias, sem entender o significado. Passou a rezar, pedindo discernimento do ocorrido, até que voltou a ver novas imagens. O lugar era o mesmo, mas o estrume já estava seco. Seu pai, então, se aproximou, o pegou com uma pá e o transportou até o terreno ao lado.

Chegando ao local, uma mão o esfarelou e passou a jogá-lo sobre a plantação quase morta, precisando de vida nova. Naquele momento, novamente Deus lhe falou: ‘É melhor ser estrume em minhas mãos do que ser ouro nas mãos do diabo’.

No programa, aplaudimos estas palavras do Senhor e espero que elas sirvam para nortear as nossas vidas, como serviram ao Pe. Léo até o dia de sua morte. Nós, filhos de Nossa Senhora, não podemos deixar de vigiar e orar, pois a caridade e a oração são forças inseparáveis que unem os cristãos.

Acredito que o nosso querido sacerdote esteja agradecendo e abençoando a todos que rezaram por ele. Que Jesus, Maria e José continuem sempre nos nossos corações para encontrarmos o grande comunicador da Palavra de Deus no Céu.

Eu quase me despedi deste mundo algumas vezes e continuo vivo; outros, esbanjando saúde, partiram cedo. A vida é assim mesmo: como Deus quer, ou como Deus permite, ou como merecemos, sei lá!

Parabéns pelas suas obras cristãs, Pe. Léo. Muito mais que o estrume do seu sonho, agora o senhor é um presente de ouro que oferecemos ao Senhor.

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:20
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - PARECE MAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nos anos sessenta apareceu por nossa casa, universitária francesa, que viera ao Porto ao abrigo de programa de intercâmbio de estudantes.

Era jovem de pouco mais de dezoito anos, moderna, desempoeirada, que tinha atitudes e costumes a que não estávamos habituados.

Um deles era beijar os homens. Prima de meu pai, que a recebera em sua casa, incomodava-se com esse “feio” hábito de beijocar os rapazes da família.

Com severidade a repreendia e terminava dizendo-lhe:

- “ Parece mal! …”

- “ Parece mal?! … Porquê?! Que mal há em beijar um homem?! …”

E como avisasse que em Portugal não era costume, principalmente rapazes que não fossem de família, a francesa reclamava desolada:

- “ Na minha terra todos se beijam e ninguém leva a mal! …”

Hoje as moças beijam jovens da sua idade ou mais velhos. É normal – beijam colegas de trabalho, de escola, namorados…e ninguém repara.

Mas nessa recuada época, em Portugal, não era costume, e o que não era costume, para minha boa prima, parecia mal.

Conheço senhora que durante anos recusou usar meias elásticas, porque parecia mal.

Outra, já idosa, que apesar de saber que sapatos de tacão alto são perigosos para sua saúde, não deixa de os trazer, porque o raso não faz toalhete…

Homem que tinha vertigens, a ponto de recear andar sozinho na rua, não usava bengala, porque era coisa de velhos…

Desde que a consciência não acuse nem se ofenda ou se escandalize o semelhante, acho que cada um deve usar o que goste ou precisa, indiferente à moda ou ao “parece mal”.

A moda e o “parece mal”, na maioria das vezes, são convenções, que se alteram consoante o tempo e o lugar.

Dizia D. Francisco Manuel de Melo, que tinha na sua livraria um livro de Alonso Carraça, criticando as guedelhas, e outro de Pedro Mexia, que censurava os homens tosquiados, e conclui – a razão é o uso; e termina: “São coisas que não sendo más nem boas, o uso as faz boas ou não.”

Ande cada um conforme precisa e haja do jeito que mais lhe agrade, indiferente à critica ou ao “parece mal”.

Minha querida prima toda se arrepelava pelo facto da francesa beijar os homens, coisa que hoje todos fazem e ninguém vê nisso malícia ou ousadia.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:05
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SONIA CINTRA - UMA CIDADE

 

 

 

 

 

 

Sonia Cintra.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

               pode ser

               uma flor

               uma bala

               um amor

               uma vala

 

               um resto de árvore

               uma raiz de concreto

               uma esperança

               um desastre

 

               uma cidade pode ser

               uma morada

               um deserto

               um estar longe

               um ficar perto

 

 

 

SÓNIA CINTRA - ESCRITORA E PROFESSORA UNIVERSITÁRIA



publicado por Luso-brasileiro às 10:04
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