PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2016
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - PELO OLHAR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estivemos, neste mês, no Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Gostamos de estar lá, agradecendo e pedindo a bênção à Mãe de Jesus.
Na basílica e em seu entorno, há muitos sinais além da construção e de seus ícones, dentre eles o de um povo, muitas vezes judiado, que se deixa guiar pela fé e entende de Eternidade. Observei a leveza e o sorriso de pessoas com limites físicos e mentais e de idosos, sem pressa, em alerta e à espera, como Simeão e Ana, conforme narra São Lucas (2, 25-38), da consolação, da salvação, da luz que cura a descrença no hoje e no amanhã.
Na visita deste ano, me parece que as pessoas, especialmente as com necessidades especiais, que lá se encontravam, tocaram-me mais forte e se fizeram claridade no coração.
No banco da frente, uma moça de trajes simples, na faixa de trinta anos. Via-se, através da blusa, nas costas, a tatuagem: “Meu anjo, minha vida” e o nome do filho que a acompanhava. Menino de 11 ou 12 anos, com algum problema sério de saúde, cabelos ralos, um terço azul no pescoço. Sentados e atentos o tempo inteiro. Ele com a cabeça no ombro dela e ela, de pouco em pouco, encostava a cabeça na dele. Era um amor tão grande! Amor que sara dificuldades e investe em esperança. Amor que não se detém nas perspectivas humanas, mas decifra acenos do Alto. Senti-me minúscula diante da grandeza daquela mulher com quem não tive oportunidade de conversar, de quem não sei o nome e muito menos de onde veio. A serenidade e a silhueta dela que protegiam o filho falavam muito mais forte do que qualquer explicação e revelavam que estava ali em perfeita sintonia com a Senhora Aparecida, do “sim” que nos trouxe o Bom Pastor, que protege e dá sentido a todos os acontecimentos.
Enquanto a contemplava, também mexia comigo o cântico do ato penitencial: “Quantas Vezes” (J. Thomaz Filho – Ir. Miria T. Kolling): “Quantas vezes olhei com desdém as sementes, dezenas, centenas. Quão inútil parece Teu reino, se descuido das coisas pequenas. (...) Quantas vezes passei por aqui, sem notar o tesouro que havia. Quão distante parece Teu reino, se descanso esperando meu dia. Senhor, Senhor, por nossa voz, tende piedade, olhai por nós”.
Trouxe em minhas entranhas, a partir da mãe com seu filho enfermo, o olhar da Senhora Aparecida para os peregrinos que compreendem a linguagem do Céu.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE   -    Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:42
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - PENSAMENTOS SOLTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

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Há dias nos quais me coloco a frente do teclado e, enquanto me decido sobre o que escrever, acabo divagando por bastante tempo, sobre questões cuja coragem me falta para fazer chegar ao papel. Concluo que há ideias, pensamentos, que resistem em existir fora de mim, talvez porque eu  acredite que sejam meus demais ou porque eu não  os queira ver soltos pelo mundo.

Seja como for, hoje estou em um desses dias, cheia de pensamentos soltos, mas também estranhamente aprisionados. Daí começo uma linha, escrevo um parágrafo e na sequência apago três. Acordei com os parafusos soltos, como se diz por aí. Uma virada de pescoço e lá se vai a ideia que estava aqui, possuída por outra, igualmente volátil.

Conheço-me o suficiente pra saber que não fico assim à toa. Não me perco nas curvas do meu cérebro sem que haja uma razão para isso. Normalmente isso acontece porque estou com algo me perturbando, como um pensamento encravado, que incomoda com o simples piscar de olhos. E assim, fico evitando não apenas escrever sobre o que quer que seja, mas sobretudo sobre o que está me assombrando.

Tenho pensado muito sobre o caminhar do tempo e sobre o tempo que tenho depositado no banco na vida, cujo saldo não me é dado conhecer ou estimar com algum acerto. Fico pensando em como é possível ter certeza de que a maior parte das ocupações humanas é pura tolice e perda de tempo e, ainda assim, continuar sofrendo pelo que nada ou pouco importa.

Olho para trás e me dou conta de quanto tempo perdi com o que não deveria e o quanto desperdicei do tempo de pessoas que já não posso alcançar, exceto nas lembranças, eis que já habitam outro plano e sei que é outra perspectiva, projetada para o futuro, que vem tirando meu sossego e colocando uma lágrima escondida no canto dos meus olhos. Sei que faz parte da vida, mas não acho justo e tenho o direito, inútil, de sonhar que nunca houvessem despedidas.

O que tem me doído, mas que não quero escrever com todas as letras, porque preciso preservar meu coração e acreditar que algo que não exteriorizo, não torno concretamente exposto, pode ficar mais longe de acontecer, é o medo da saudade inevitável, do amor imenso que não aceito viver só em recordações.

Se eu fosse Deus, daria mais tempo de vida aos seres humanos. Já que nos deu o peso da consciência, deveria ter dado a nós um tempo para aprender a viver. Esse espetáculo ao vivo, sem chance para ensaios ou pausas, não nos deixa tempo de qualidade. E enquanto vamos correndo, bobos e sem rumo, o destino nos rouba aqueles que amamos. Para vermos crescer e florescer as gerações vindouras, temos que nos despedir de quem nos antecedeu, estejamos ou não prontos pra isso e eu acredito que nunca é possível estar.

Hoje, enquanto fui fazer a feira, hábito que cultivo há anos, fui até a barraca de um senhor do qual eu compro queijos há uns 7 anos. Hoje reparei que ele está mais frágil, movendo-se com alguma dificuldade. Perguntei sobre a mulher dele, também idosa, que sempre o acompanha e ele me disse que ela dormia no carro, cansada. Pensei em outro casal e meus olhos se encheram de lágrimas. A velhice não é justa, mas não pelas rugas e sim pelas ausências que projeta ou impõe.

Nesse momento, sou incapaz de escrever mais do que isso sobre essa dor que me come pelas beiradas da alma. Não aceito a morte e não aceito mais ainda o fato dela não se importar com meus sentimentos. Quando penso no futuro sem aqueles que amo, compreendo porque o hoje se chama presente. É aqui que quero morar, nesse lugar onde meu coração encontra par, enquanto há quem olhe por mim, enquanto tenho vários lugares para chamar de lar, enquanto sou filha, enquanto ainda tenho a ilusão de que a eternidade é logo ali...

Perdida nos pensamentos que não quero conectar, respiro e resolvo não apagar mais linha alguma desse texto. Hoje, dou-me ao direito de ter a nostalgia como inspiração, mesmo que possa não agradar...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 10:37
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RENATA IACOVINO - MARCHINHAS DE CARNAVAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No século XIX o carnaval que acontecia no Rio de Janeiro mostrava suas claras influências dos hábitos portugueses mesclados ao tempero africano.

Foi nesse clima que, em 1899, a maestrina Chiquinha Gonzaga compôs a marcha de carnaval “Ó Abre Alas”, a primeira marcha-rancho, sendo também a primeira composição carnavalesca da história brasileira.

À época, o cordão Rosa de Ouro, com suas danças, batuque e canto, desfilava em frente à casa de Chiquinha entoando o tal bordão, e a partir desse cenário a inspiração lhe trouxe a referida composição.

Mesmo havendo controvérsias nas versões que explicam a origem exata que motivou sua criação (se feita a pedido de membros daquele cordão ou não), a marcha carrega, em si, uma parte da história do carnaval brasileiro.

A marcha escrita pela compositora possuía, então, o andamento do cordão Rosa de Ouro, que era o andamento das antigas procissões religiosas. Sagrado e profano marchando de mãos dadas... Ficção imitando realidade.

Anos mais tarde surgem outras marchinhas conhecidas e entoadas até os dias de hoje por blocos de rua e em salões.

Lamartine Babo compôs algumas delas, como O teu cabelo não nega e Linda Morena; em resposta a esta última, Braguinha fez Linda Lourinha, e é autor da famosa Balancê, de 1936, em parceria com Alberto Ribeiro; Mario Lago, o multiartista, compôs em parceria com Roberto Riberti a consagrada Aurora; de Benedito Lacerda e Humberto Porto é a composição A Jardineira; e tantas outras desfilam no rol de nossas ilustres conhecidas... Cabeleira do Zezé, Saca-rolha, Cachaça, Me dá um dinheiro aí...

Músicas que ao mesmo tempo em que consagraram uma época, conseguem ser atemporais.

Composições que carregam memória e eternidade.

Fico pensando: que bom que elas foram feitas ali no passado, num tempo em que canções, roupas, casas, empregos, relações e tudo o mais que se queira duravam e/ou perduravam. Se fossem compostas hoje, amanhã já estariam em processo de extinção e não mais ecoariam junto à animação de nenhum bloco carnavalesco.

 

 

 

RENATA IACOVINO, escritora e cantora / reiacovino.blog.uol.com.br /http://reval.nafoto.net / reiacovino@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 10:33
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VALQUIRIA GESQUI MALAGOLI - NÃO HÁ JUSTIFICATIVA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           

 

 

 

 

 

 

 

 

Existe algo mais charmoso do que justificar ausência?

            Mas, o charme não é completo se, antes, eu não disser: claro, vou, sim!

Aí, crio um grupo no facebook, e convido todo mundo, que também diz que vai. E pronto – já temos um evento lotado!

            Virtualmente.

            Em tempos de relações virtuais – perfeito.

            Pena que da mesma maneira que palavra apetitosa não enche barriga, confirmação vazia não encha sala.

            Faz parte da etiqueta explicar-se após a falta.

            Quanto a não apresentar desculpas posteriores, aí, me desculpem... para isso não há desculpa!

            Até porque quem sempre convida já se habitou a receber os tais pedidos, e traz na ponta da língua algo como “imagina, imprevistos acontecem”.

            Os novatos em desculpar-se vão se escandalizar com o que ora digo. Contudo, cuidem-se: justificativas são viciantes. E, penso, que, talvez, até prazeroso, haja vista ter virado moda.

            Uma amiga ficou, há tempos, magoada comigo quando afirmei que não poderia comparecer, tão logo me fez determinado convite.

            “Não diga isso, vai sim. Como não? Todo mundo disse que vai; não me decepcione.”

            “Ouça o que lhe digo: não quero eu, isso sim, que você crie essa expectativa e sofra depois; eles não irão.”. Soou cruel de minha parte a honestidade tal.

            Por óbvio, a essa altura, vocês adivinharam que se lhes conto o ocorrido agora, é porque de fato duas ou três pessoas apenas apareceram.

            “Ah, tudo bem... os outros pelo menos tentaram”. Foi o que me disse, tentando convencer-se.

            Tanto eu quanto ela sabemos que não foi isso. Disseram e não cumpriram simplesmente, porque hoje em dia é assim.

            É assim e funciona.

            É assim e aceitamos.

            Hoje em dia não há quase olho no olho. Só boca a boca. E a boca, vocês sabem, fala daquilo de que o coração está cheio. E os corações andam vazios.

            Graças a Deus, se para tanto justificativas não há, não falta ao contrário, consolo, como por exemplo o de Gilberto Gil: “É sempre bom lembrar/  Que um copo vazio/ Está cheio de ar.”.

            Espero que, portanto, toda essa gente que reclama e clama por mais Cultura, inspire-se, e esvazie as cadeiras cheias só de belas intenções, pois, de boas o inferno está cheio!

           

 

 

VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI, escritora e poetisa,  vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br

           



publicado por Luso-brasileiro às 10:27
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Domingo, 24 de Janeiro de 2016
FELIPE AQUINO - VOCÊ CONHECE OS SANTOS BRASILEIROS ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofrem violência, e são os violentos que o conquistam” (Mt 11,12).

 

 

Em Florianópolis (18/10/91), na canonização de Santa Paulina, o Papa João Paulo II nos deixou uma mensagem muito especial e que até hoje deve falar alto em nossos corações: “O Brasil precisa de santos; o Brasil precisa de muitos santos!” Algo profético!

 

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O Brasil precisa de santos! Esse grito do Papa não foi a toa. O Brasil é um dos países mais católicos do mundo, mas que infelizmente ofende muito a Deus. A família está sendo destruída por uma onda de imoralidade: divórcio, casamento de pessoas do mesmo sexo, pornografia, nudismo, prostituição, adultérios, uma destruidora ideologia de gênero, neopaganismo, sexismo acintoso, novelas imorais, uma desorientação sexual e perversa imposta às crianças nas escolas, etc…

Além disso, o nosso país está numa das piores situações financeiras da América do Sul, enorme desemprego desestabilizando as pessoas e as famílias, PIB negativo, corrupção deslavada e institucionalizada, falta de estradas, leitos em hospitais, casas, escolas, portos, aeroportos…

Somos, graças a Deus um país católico, mas infelizmente Deus ainda está ausente em muitos corações, lares, escolas, governos e instituições. Há muita imoralidade em nosso país. E só é feliz “a Nação cujo Deus é o Senhor!”

Ora, os sinais dos tempos no Brasil estão a nos lembrar que de nada servem os planos econômicos se não há, em todos os nossos concidadãos, autêntica conversão, do egoísmo, da cobiça de interesses particulares, para o amor ao próximo e a capacidade de renunciar a si, a fim de ajudar e salvar os irmãos. Isto tudo só há num coração que ama a Deus

 

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O salmista canta: “Se não é Deus que edifica a casa, em vão trabalham os seus construtores; se não é Deus que guarda a cidade, em vão vigiam as sentinelas” (Sl 126,1). A Igreja nos ensina que “os santos intercedem por nós sem cessar”. Por isso o Brasil precisa de santos, muitos santos. E graças a Deus eles estão surgindo.

Se alguém te perguntasse agora, qual é o seu santo de devoção. O que responderia? Provavelmente, diria Santa Teresinha, Santo Padre Pio, São João Paulo II, Santo Antônio, São Benedito, Santa Rita…enfim, são tantos os santos de nossa devoção! Mas, acho bem difícil encontrar alguém que dissesse: sou devoto de São José de Anchieta, de São Frei Galvão, ou de algum outro santo ou beato brasileiro.

Não há mal algum em ser devoto de santos de qualquer outra nacionalidade. Todos têm seus méritos igualmente diante de Deus. No entanto, porque não pedir a intercessão dos santos que viveram em nosso país, que conheceram as raízes dos problemas de nossa nação, e que daqui desfrutaram seu tempo nesta Terra? Eles rogam por nós sem cessar, e nossa devoção a eles, torna mais eficaz sua intercessão por nós.

Sabemos que muitos de nós ainda não somos devotos, pois ainda não os conhecemos… É preciso conhecer aqueles que viveram em nosso país e que hoje estão junto de Deus intercedendo por nós.

Leia também: Frei Galvão, um santo brasileiro

Você conhece os Mártires do Brasil?

Você sabia que, atualmente, o Brasil possui 6 santos canonizados oficialmente pela Igreja?

São eles: São Roque Gonzales, Santo Afonso Rodrigues e São João de Castilho (mártires do Rio Grande do Sul); Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus (Madre Paulina, nascida na Itália); Santo Antônio de Sant’Ana Galvão (Frei Galvão, nascido no Brasil); São José de Anchieta, SJ (nascido em Portugal). Todos se tornaram brasileiros em sua nacionalidade.

Além disso, hoje já contamos com 81 beatos: Beato Inácio de Azevedo e 39 companheiros mártires (Quarenta Mártires do Brasil);Beatos André de Soreval, Ambrósio Francisco Ferro e 28 companheiros (Mártires de Cunhaú e Uruaçu);Beato Eustáquio van Lieshout ;Beato Mariano de la Mata Aparício;Beata Albertina Berkenbrock (mártir);Beato Manuel Gonzalez e Beato Adílio Daronch (mártires);Beata Lindalva Justo de Oliveira, FDC (mártir);Beata Bárbara Maix (Madre Maria Bárbara da Santíssima Trindade);Beata Dulce dos Pobres; Beata Assunta Marchetti; Beata Francisca de Paula de Jesus (Nhá Chica) e o Beato Francisco de Paula Victor (Padre Victor), recentemente nomeado pelo Vaticano.

Dez já receberam o título de Veneráveis, ou seja, já tiveram suas virtudes reconhecidas pela Igreja. E ainda, uma lista enorme, com os servos de Deus que já tiveram suas causas de canonização oficialmente abertas.

Em uma de Suas revelações à Santa Catarina de Sena, Deus disse: “Quero que sejais santos. Tudo o que vos acontece tem essa finalidade”. Esse é o grande desejo de Deus: que sejamos santos. São João Paulo II, ao pedir santidade ao Brasil, não pensava, só nos santos formalmente canonizados, mas também numa Igreja chamada à semelhança com Deus que é santo, numa “santidade fundamental da Igreja, também na vida dos leigos”, capaz de gerar frutos de justiça e paz.

Como podemos notar, muitos de nossos irmãos brasileiros, já alcançaram ou irão alcançar oficialmente a santidade. Uma prova de que se eles conseguiram, nós também o podemos. Por isso, também se faz importante que nós, católicos, nos interessemos mais pela vida, pela história, de cada um desses gigantes que passaram por este mundo e hoje estão bem pertinho de Deus, no Reino das Bem-aventuranças. Eles são para nós exemplos de vida e intercessores.

 

 

 

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“O Brasil precisa de santos; o Brasil precisa de muitos santos!” …essas de São João Paulo II ainda ecoam forte, a ensinar que a santidade não é algo distante, estranho a nossa realidade. O saudoso Papa polonês se empenhou nesse sentido, proclamando santos e beatos mais que todos os papas juntos que o antecederam desde 1538. “Se a Igreja de Cristo não é santa, não é a Igreja de Cristo”, dizia ele.

Que tal conhecermos melhor os santos brasileiros? Quem foram, onde e como viveram, o que fizeram? É um bom ponto de partida!

O Brasil já tem alguns Santos, mas precisa de mais. Precisa de um povo santo. Espelhemo-nos na vida daqueles que já alcançaram a eterna vitória! Que esse grito continue a ressoar em nossos ouvidos e corações: “O Brasil precisa de santos!” Eles conhecem nossas misérias e nos ajudam.

 

 

FELIPE AQUINO Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:15
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PAULO R. LABEGALINI - QUAL SEU MAIOR FRACASSO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Certa vez, no programa ‘Prazer em Conhecê-lo’ da Rede Vida, Idalina de Oliveira perguntou à entrevistada: “Qual o seu maior fracasso?”. Ela pensou, pensou, e disse não se lembrar. Acredito que refletiu em fracassos profissionais, já que é uma jornalista de sucesso; mas, e os pecados de cada dia, não são fracassos pessoais?

Nesse sentido, todos nós já fracassamos, e muito! Quem discordar, é porque não se arrepende de ter ofendido a Deus e, nesse caso, ainda não foi perdoado. Mesmo aquele que só cometeu pecadinhos, deve haver algo um pouco mais grave que justifique um tipo de fracasso.

Entendo que contar pecados na TV é muito constrangedor e eu também pensaria bastante antes de abrir o coração em rede nacional; porém, no cursilho, o fazemos com naturalidade. Levados pela emoção e verdade, mostramos o quanto nos afastamos de Deus a cada tropeço na fé. E não há quem discorde: é impossível chegar ao Céu sem praticar os ensinamentos de Cristo.

Tenho um amigo que contesta a vida que levo. Segundo ele, basta rezar um pouco em casa, não prejudicar ninguém e gozar a vida. É claro que cada caso é um caso e a Misericórdia Divina é infinita, mas, considerando tudo quanto recebemos gratuitamente de Deus, concluo que temos muitas obrigações para com Ele – sempre!

Se dependesse de tempo sobrando, eu nem entraria na igreja! Se dependesse de oportunidades para diversões e passeios, eu nem estaria escrevendo este artigo. Se dependesse de períodos de cansaço, não atenderia alguns chamados do Pai. Portanto, ou é prioridade cumprir a nossa missão de cristão, ou corremos um sério risco de um grande fracasso após a morte!

Todos ouviram que Deus nos ajuda e nos perdoa enquanto vivos, e nos julga quando morremos. Quem tem fé e não duvida disso, com racionalidade cumpre os Mandamentos entregues a Moisés; porém, como cada um se salva por opção própria, precisamos rezar por aqueles que condenam a alma, mal usufruindo a liberdade que têm. Se priorizarmos levar Jesus no coração, tempo para as obras do Reino não faltará e nenhum outro grande fracasso virá!

Mas, e se um sonho de ‘ser rei’ fracassou, por onde recomeçar? Recebi este texto de um amigo; reflita nos seus ensinamentos:

“Certo homem, após uma longa e exaustiva caminhada, parou para descansar. Ao se deitar, fechou os olhos e num instante dormiu. Enquanto dormia um sono profundo, teve a oportunidade de fazer a retrospectiva do momento da sua concepção até os dias atuais. Em seu sonho, pôs a pensar cada etapa e instante vivido de maneira muito clara. Tudo lhe vinha à mente como num filme da melhor qualidade. Foi então que começou a perguntar sobre o seu desejo de ser rei: ‘O que foi que fiz até hoje? Quais foram minhas realizações? Onde foi que errei?’.

Após estes questionamentos, as respostas começaram a surgir naturalmente:

Você fez muitas coisas, mas não as fez uma de cada vez, quis fazer tudo ao mesmo tempo como se cada coisa não precisasse tempo e exclusividade. Suas ações têm méritos e não podem ser descartadas. Apesar das atribulações, você não foi de todo um instrumento sem valor. Mas, com tudo isso, acabou perdendo o seu desejo e o sonho de ser rei, porque, para ser rei, algumas coisas são imprescindíveis.

Em primeiro lugar, é preciso saber escutar os outros e você não tinha tempo. Lembra quando aquele amigo que você dizia gostar tanto o procurou para desabafar a vida e você disse que precisava terminar uma tarefa e depois o procuraria? Isto não aconteceu! Vou lhe dar mais um exemplo para ver que o seu tempo era escasso:

Certa vez, seu filho pequeno perguntou:

– Papai, quanto é que o senhor ganha na empresa onde trabalha?

E você meio que apressado respondeu. Passados dez dias, seu filho falou:

– Papai, hoje o senhor pode sair uma hora mais cedo do trabalho! Eu juntei os jornais, ferro velho, garrafas de plástico que estavam lá na garagem, consegui vender e arrumei R$ 18,50, o preço de uma hora extra do seu trabalho. Este é o tempo que preciso para poder dizer que cresci. Eu lhe amo muito e quero lhe dar um abraço porque não consigo lembrar quando foi a última vez que nos abraçamos, e eu sinto tanta falta disso!

E o homem refletiu: ‘Mas, onde foi que errei?’.

Às vezes, queremos ganhar o mundo e perdemos a vida. Talvez não tenha observado à sua volta. À nossa volta, existem pessoas que precisam de nós e que não podem esperar. Ser rei é ir além, é sair de si, é morrer para si mesmo, é viver para o outro. Pode parecer estranho tudo isso, mas têm coisas que só vivendo é que se pode entender.

Erramos quando acreditamos somente em nossa força, não damos ouvido aos outros, não perdoamos, não amamos e não nos amamos! Erramos mais ainda quando não acreditamos que, para ser rei de verdade, os palácios são dispensados, basta ter um grande coração e ser sonhador.

E o tempo? O tempo se encarrega de arrumar tempo quando for necessário ter tempo. Para ser rei não é preciso ter tempo, basta ‘ser humano’ somente. Como dizia Santa Terezinha do Menino Jesus: Tudo é Graça!”

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



publicado por Luso-brasileiro às 19:12
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - SER DO "CONTRA"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ouvi ou li, não me recordo onde, nem quando, que Aquilino Ribeiro, certa vez, asseverou: que era “ Contra tudo e contra todos”.

Desconheço se o foi; mas há episódios, na sua vida, que levam a crer que sim.

Todavia, sabemos, que nada: seja doutrina política ou filosófica; seja Arte ou Literatura, consegue reunir audiência “respeitável”, se não for: “contra”, "anti", “ contra tudo, contra todos”.

Por regra, o intelectual é do “ contra”; não que haja, muitas vezes, motivos para o ser, mas porque reconhece: ser do “contra”, aumenta a venda de livros, e é eficaz para arrebanhar “fans”.

Também é do “ contra” o operário oportunista; desse modo, sem esforço, em regra, alça-se na hierarquia sindical ou na hierarquia da empresa. Certo, que esta,acaba por entregar-lhe o cargo pretendido, para emudecê-lo.

Mas ser do “contra”, não basta para ter sucesso na vida: é preciso dar nas vistas; pôr-se em bicos de pés, como vulgarmente se diz, e principalmente: bradar.

Bradar, fazer barulho, é imprescindível, para ser famoso.

Com brados, os judeus, conseguiram que o procurador romano condenasse O inocente, sabendo que O era; e,  bradando, xingando, berrando,  a ala esquerdista e direitista do parlamento, consegue fazer-se ouvir e ganhar simpatia.

O humilde, o respeitador, o honesto,o que pesa seus atos, pela razão e pela Moral, dificilmente vai longe… Porque os que labutam nas trevas são mais unidos, mais camaradas… Já Cristo o dizia.

A conversa conciliadora. A cavaqueira delicada, que fazia a delicia de muitos, quase desapareceu da nossa coletividade. Agora, discute-se… Ser do “contra”, discutir, ser polemista, dá prestigio e até: “ inteligência”.

O povo, que não consegue raciocinar - grande manada acéfala, que em democracia ordena, - acredita sempre no que ouve: aos gritos, aos berros, aos brados…; e reconhece sempre autoridade e sapiência, à voz atrevida, que se eleva.

Mas ser do “contra”, discutir, bradar, ainda não é suficiente, para o medíocre alcançar o desejado Olimpo.

É - lhe necessário: o escândalo.

A mass-media – que devia viver de notícias e opiniões, – só aumenta a audiência, com o escândalo.

O ambicioso, o falho de talento, precisa -  é-lhe imprescindível,-  recorrer ao escândalo, para ser reconhecido.

Escandaliza: no modo de trajar; com gestos e atitudes, fora do vulgar; desnudando-se; e exprimindo conceitos chocantes…que chocam cada vez menos...

Já poucos se escandalizam, seja com o que for: se o artista plástico apresenta “bezerro”, a crítica - para não parecer ignorante, - admira, e o público, repete, para dar ar de entendido....  Diz Unamuno, em: “Solilóquios y Conversaciones”, que: “ A crítica, costuma ser, de ordinário, o comentário da moda”… e raros são os que não querem estar com a moda…

Em matéria Moral e bons costumes, poucos se aventuram a comentar: receiam cair no ridículo; receosos de serem taxados de retrógrados; de velhos caducos… de ignorantes…

Ser do “contra”, bradar, e escandalizar, é o meio seguro do “Zé-ninguém” parecer ser “alguém”; ter acesso aos meios de comunicação e tornar-se conhecido nas Artes, e quantas vezes, até, na ciência! …

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 18:19
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EUCLIDES CAVACO - FRONTEIRAS DO SABER
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Mais um poema para refletir sobre a nossa condição humana e quão pouco sabemos sobre as eternas interrogações da vida.
Veja e ouça o poema declamado em PS ou aqui neste link:
 
 

http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Fronteiras_do_Saber/index.htm
 
 


Desejos duma maravilhosa semana.
 
 
 
EUCLIDES CAVACO - Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.
 
 
 
 
 
 
 
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PINHO DA SILVA   -   MINHA VIDA COM
TERESINHA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   ( Continuação )
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em certa tarde de Outono...
 
 
 
 
 

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(Continua para a próxima semana)

 

 

 

PINHO DA SILVA - (1915 – 1987). Nasceu a 12 de Janeiro, em Vila Nova de Gaia, (Portugal). Frequentou a Escola de Belas Artes, do Porto. Discípulo de Acácio Lino, Joaquim Lopes e do Mestre Teixeira Lopes. Primo do escultor Francisco da Silva Gouveia (autor da celebre estatueta de Eça de Queiroz).Vila-florense adotivo, por deliberação da Câmara Municipal. Redator do “Jornal do Turismo”. Membro da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Foi Secretário-geral da ACAPPublicou " Minha Vida Com Teresinha", livro autobiográfico.

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 17:44
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Domingo, 17 de Janeiro de 2016
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - SÓ NO ÚLTIMO PAU DE ARARA

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sempre que posso, tento programar uma viagem nas minhas férias. Na época de faculdade eram sempre pequenos passeios, normalmente contando com a boa vontade de amigos ou parentes que nos emprestavam seus imóveis em alguma cidade de praia. O tempo passou e agora eu me organizo para alguma viagem mais distante, sobretudo porque existe uma condição chamada parcelamento.

Assim, nesse ano, foi a vez de conhecer um pouco do Ceará. Embora não seja uma adepta de torrar ao sol, eu amo praia. Gosto da brisa, de caminhar de manhã pela areia, do céu azul em contraste com o verde esmeralda da água. Outra coisa que me atrai é a culinária, porque gosto muito de peixe e de frutos do mar. E cada vez que ouço alguém dizer que camarão é barata do mar, eu penso que se as baratas caseiras fossem tão gostosas quanto, vários problemas estariam resolvidos...

Assim, após avaliar as possibilidades, resolvemos por um hotel situado em uma praia menos badalada, própria para quem quer descansar e tomar banho de mar.  A praia do

Cumbuco foi nossa escolha. À trinta quilômetros da capital Fortaleza, a praia fica no minúsculo município cearense de Caucaia. Infelizmente, minha primeira impressão de Fortaleza não foi das melhores, porque tudo que eu pude ver foi sujeira e pobreza. O caminho do aeroporto para a praia só passava pela periferia e, desse modo, constatei  que o descaso dos governantes com a população carente é reincidente. Não é de se espantar, pelo pouco do que vi, que Fortaleza seja mais uma cidade com surtos de toda espécie de doenças transmitidas por mosquitos. Tenho certeza de a cidade deve ter lugares bonitos a conhecer, mas vai ficar para outra oportunidade.

Já no Hotel, que era muito gostoso, várias coisas chamaram a minha atenção. Primeiramente, achei o povo cearense extremamente gentil e solícito, bem diferente de outros lugares nos quais já estive. Uma triste constatação foi ver que não importa quantas estrelas um hotel tenha, gente mal educada frequenta todo tipo de lugar. Ainda que a praia seja limpa, daria para fazer castelos de tampinhas de garrafa e de copos de plástico e eu me pergunto se levar as coisas até o lixo seja um esforço cívico tão intenso.

Outra coisa que me deixou a ponto de arrumar uma confusão na praia foi ver que um rapaz trazia um pequeno Jerico para que as pessoas pudessem nele seguir montadas pela praia. Para começo de conversa, o sol estava escaldante e pobre animal não tinha uma sombra na qual se abrigar, tampouco água que eu pudesse ver a ele ser servida. Quando uma mulher imensa foi até o dono do  animal, que no máximo deveria dar voltas com crianças, e nele montou, eu vi, ao longe, as pernas do bicho fraquejarem. Enlouquecida, foi na direção deles, mas fui detida pela turma do "deixa disso", sob o argumento de que não adiantaria nada. O pior é sei que eles estão certos, mas isso não tira a minha certeza de que, talvez eu pudesse fazer alguma diferença. Sob o peso da minha omissão, vi a cretina se distanciar e lamentei pela falta de sensibilidade e de senso de justiça que vem se tornando a regra entre as pessoas.

Depois de alguns dias no hotel, comecei a reparar para os rapazes e moças que faziam a recreação na beira da piscina, também eram encontrados divertindo as crianças, fazendo show de  humor à noite e também eram vistos vestidos de personagens que iam abordando os hóspedes, de modo divertido, dentro do hotel. Quando encontrei uma das moças sendo responsável pela entrega das toalhas, pensei que, se não fosse o caso de serem "umpa lumpas", essa era uma prova de que o povo é trabalhador e talvez um pouco explorado.

Já nos últimos dias da nossa estadia, fomos conhecer uma praia nas redondezas, em uma cidadezinha ainda mais afastada da capital. Fui olhando o caminho e, além de pés de caju e carnaúba, não vi nada mais plantado, o que achei curioso. Na cidade, vi uma placa de advogado, o que me fez pensar que, de fato, já estamos em todo lugar mesmo. Notei também que a cadeia pública era na esquina, e as janelas da cela davam para a rua! Tinham vista panorâmica!

O comércio não era de todo ruim e, ainda que mal houvesse asfalto, tinha uma loja do Boticário! O cemitério ocupava meio quarteirão, ao lado de casas e outras lojas. Era a morte como parte da comunidade...

Não sei se terei a oportunidade de voltar ao  Ceará, mas saio daqui levando muita história na memória e com o desejo de que os cearenses possam ter mais oportunidades para não deixarem esse belo estado no último pau de arara...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:49
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - APODERAMENTO DO BEM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

São dois acontecimentos fortes que sei do moço. Conheço-o há muito, desde que era caixa em um restaurante. Tempos depois, deparei-me com ele em passos ágeis pelos desvios do álcool e do crack. Observava-o, com sua bicicleta enferrujada, em rotas sombrias, que lhe dariam a droga.  Pedia dinheiro para marmitex e guardava para o consumo de álcool e pedra. A comida vinha do lixo que revirava. No ano retrasado, um acidente o quebrou por fora e por dentro. Durante a longa internação, não houve chance de fazer com que suas emoções e seu espírito fugissem pela fumaça. Na alta, foi para uma clínica de recuperação. Não aguentou e retornou à “moradia antiga”. Como escreveu Mia Couto em “Mulheres de Cinza” (pg. 42): “... bebíamos para fugir de um lugar. E tornávamo-nos bêbados porque não sabíamos fugir de nós mesmos”.   Percebeu, no entanto, que, debilitado fisicamente, não sobreviveria sozinho. Voltou para a clínica e de lá saiu fortalecido para viver na verdade, sem subterfúgios daninhos.
         Em meados de 2015, comemorou o emprego com carteira assinada. No atendimento ao público, em seu trabalho, conheceu a moça de sorriso largo, olhar atento às necessidades das pessoas e feliz pelo casamento que se aproximava. A maneira, sem preconceito, com que ela acolhia a todos lhe chamava a atenção. Em dezembro, admirou a sua alegria com os pacotes de brinquedos destinados a cinco crianças que escolhera a partir das cartinhas do correio. Faltava apenas uma bicicleta para a menina de quatro anos. Propôs-se, ele, de imediato a repartir o valor. Não conseguiria, sozinho, presentear alguém com roupas e brinquedos, mas partilhar sim. Era uma forma de agradecer as graças recebidas e testemunhar as mãos abertas de quem vencera as dependências perversas.
Uma semana após os brinquedos entregues, beirada do Natal, um limite de saúde interrompeu, do lado de cá, a vida da moça. No velório, o moço disse à família que ela chegara diante de Deus com a marca da santidade. Concordo plenamente: a caridade burila, liberta e salva o ser humano.
Embora abatido com a brevidade da vida da moça de história generosa, o moço renovou o seu compromisso com a dignidade e a bondade.
Quando se permite apoderar-se pelo bem, que é uma escolha e não o acaso, há um sentido maior em cada acontecimento, seja ele doloroso ou alegre.

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE   -    Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.
 
 



publicado por Luso-brasileiro às 19:45
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - RECORDAÇÕES DE UM SOBREVIVENTE DOS GARIMPOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Meu amigo Wilson Pereira da Silva, aviador profissional residente em Piracicaba, é um homem cheio de histórias. Quando começa a narrar, com fala mansa e voz bem impostada, as aventuras incríveis pelas quais passou, em sua longa carreira de comandante de aeronaves e empresário, nos garimpos do Pará, vai desfiando os acontecimentos mais impressionantes despretensiosamente e quase sem emoção, como se tivessem acontecido com outras pessoas. Mas aconteceram com ele, mesmo!

Incentivado por amigos, escreveu há alguns anos uma primeira versão de seu livro “Voo noturno: memória da aviação nos garimpos do Baixo Amazonas”. O governo do Estado do Pará premiou e editou a obra em 2013. Agora, dois anos depois, vem a público a segunda edição, cuidadosamente revista e bastante ampliada, pela Scortecci Editora, de São Paulo. Essa editora, fundada e dirigida pelo também amigo e companheiro João Scortecci, tem um grande mérito. Edita e lança obras de autores que não têm condições de furar o bloqueio do pequeno grupo de grandes editoras. Em 33 anos de trabalho, João, cearense que também é poeta e intelectual, montou uma gigantesca máquina editorial que já obteve, com seus lançamentos, vários prêmios Jabuti e revelou ao público numerosos talentos de primeira grandeza no mundo das letras, os quais, sem a ajuda dele, estariam até hoje nas penumbras do anonimato. Atualmente, João é o editor que lança o maior número de livros em todo o Brasil. Saem a público, graças ao seu grupo editorial, cerca de 600 livros novos por ano – o que significa mais de dois títulos a cada dia útil! Num país em que livro é artigo considerado de luxo e não essencial, isso é um verdadeiro prodígio.

Quando jovem universitário, João estudava Economia no Mackenzie, em São Paulo, e fazia parte de um grupo de jovens poetas, idealistas e sonhadores como são todos os poetas e quase todos os jovens. Imprimiam suas poesias em mimeógrafos a álcool, grampeavam toscamente os cadernos e saíam vendendo suas produções pelos bares e botecos de Higienópolis. Com isso, mantinham acesa a chama do entusiasmo criativo e, de quebra, conseguiam alguma ajuda financeira para pagarem o curso universitário e se manterem.

Quando terminaram o curso, os colegas disseram a João: - Agora acabou o sonho, vamos cair na realidade e trabalhar para ganhar dinheiro.

João respondeu: - Vocês estão enganados, agora é que o sonho vai virar realidade.

Ele tinha razão. Fundou sua editora, especializada em ajudar sonhadores a realizar seus projetos literários. Edições pequenas, baratas, com pagamento facilitado, permitindo a novos autores vencerem a barreira do anonimato. Hoje, com os recursos modernos da edição digital sob demanda, muitas empresas fazem isso, mas no início da década de 1980 era uma novidade. João foi um precursor. E venceu.

É precisamente nessa editora tão cheia de méritos que Wilson Pereira da Silva lançou a nova edição, corrigida e ampliada, de seu livro, que deve ser lido e saboreado. Revela um aspecto pouco conhecido, quase oculto, do Brasil.

Os dramas, as paixões, as aventuras e as desventuras dos garimpeiros, as verdadeiras montanhas de ouro que eram extraídas da terra, passavam por suas mãos e rapidamente desapareciam por condutos intermediários misteriosos, até chegarem às joalherias mais sofisticadas do Primeiro Mundo, são contados pelo Comandante Wilson, que iniciou sua trajetória 30 anos atrás, pilotando um pequeno avião que transportava pessoas e víveres para os garimpos, fazendo pousos arriscados em pistas improvisadas da Floresta Amazônica. Com muita garra, passando por perigos incríveis, Wilson conseguiu montar uma pequena frota de aviões, ajudou muitos colegas aviadores, tornou-se depois empresário e conseguiu o maior prodígio de todos: saiu com vida e com relativa saúde daquela espiral inebriante de riquezas e de perigos, conservando um pequeno patrimônio suficiente para realizar o maior de seus sonhos: dar ótima formação a suas quatro filhas.

Eram enormes os ganhos, eram fabulosas as riquezas que passavam pelas mãos dos garimpeiros e aviadores que se aventuravam pelas regiões de mineração, mas duravam muito pouco. Milhares e milhares de homens e mulheres de coragem eram atraídos pela miragem aurífera da Amazônia, mas a imensa maioria por lá ficava para sempre, vitimada pela malária ou por acidentes de aviação, devorada por onças ou assassinada. Muitos saíram de lá doentes e sem recursos, carregando para o resto da vida apenas as sequelas de malárias mal curadas e a memória de um Eldorado para sempre perdido.

Pouquíssimos tiveram sabedoria e temperança de poupar e aplicar com bom senso o que conseguiam poupar, e conseguiram sair a tempo de gozar uma bem merecida aposentadoria. Entre esses raros sobreviventes dos garimpos da Amazônia está entre nós, aqui em Piracicaba, o Comandante Wilson Pereira da Silva. Vale a pena ler seu revelador e apaixonante depoimento.

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:42
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - O "FUSCA" TEM ATÉ DATA OFICIAL NO BRASIL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conversando recentemente com um amigo de longa data e recordando nossos tempos de juventude, surgiram lembranças de um carro que nos contagiava à época, o fusca (Volkswagen). Realmente, quem que já passou dos cinquenta anos de idade que não tem uma história com ele para contar? Um automóvel que foi de tudo: radiopatrulha, ambulância, táxi, veículo de entrega, de concessionárias de serviços públicos etc., mas principalmente de passeio.

No uso particular, os “carrinhos” geralmente recebiam apelidos carinhosos e passavam a fazer parte de muitas famílias. No mundo inteiro, foi eleito “o carro do século XX” e até hoje tem um enorme número de admiradores, embora não seja mais fabricado. Em nosso país, ao lado dos poucos usuários cotidianos, uma grande quantidade de pessoas se reúne em associações ou não, para cultuarem e trabalharem pela manutenção de suas ricas memórias.

O Fusca possui duas datas comemorativas. No dia 20 de janeiro é celebrado o Dia Nacional do Fusca, informalmente decretada pelo Fusca Clube do Brasil em parceria com a montadora Volkswagen do Brasil de São Bernardo do Campo e festejada anualmente com extensa programação. Na cidade de São Paulo, inclusive, ela é oficial, estabelecida pela Lei n.° 12.202/96. Por outro lado, em vários países do mundo, a solenidade em sua homenagem ocorre a 22 de junho, tido como o Dia Mundial do Fusca, pois no ano de 1934, nessa ocasião foi assinado o contrato entre Ferdinand Porsche e a Federação da Indústria Alemã para o desenvolvimento do seu projeto.

É o primeiro e talvez o único automóvel que tem uma efeméride formal num município brasileiro. E ele merece: um pequeno carro, de motor pouco potente, mas que obteve enorme êxito. Além do carinho e afeto especiais que lhe devotamos como seus ex-usuários e simpatizantes, ele foi mola propulsora do progresso da indústria automobilística no Brasil. Desbravou fronteiras e serviu praticamente todos os brasileiros. Foi moda, teve projeção internacional, estrelou filmes – quem não se lembra do Herbie do “Se Meu Fusca Falasse” – contracenou com uma série de produtos nas propagandas destes e dele mesmo.

Embora seja visto em desfiles, exposições e promoções diversas realizadas por seus apreciadores mais fanáticos, esse simpático veículo deixou muita saudade, principalmente naqueles que viveram os chamados anos dourados, que para nós atravessam as décadas de 50 a 70. Por isso, sabemos que crescer não é só ter sucesso, poder e dinheiro. Na hora da morte, ninguém leva os bens consigo. Leva as vivências, as emoções e os sentimentos que cultivou. Diante dessa realidade, o Fusca fez parte dos valores e dos sonhos de muita gente.

 

            Aposentados, triste situação

 

Celebra-se a 24 de janeiro, o DIA NACIONAL DO APOSENTADO. Mais do que uma data comemorativa, ela foi criada para chamar a atenção da sociedade para os problemas que afligem essas pessoas que durante muitos anos trabalharam em prol do engrandecimento da Pátria e contribuíram com a Previdência Social, mas sofrem uma série de injustiças e questões burocráticas que acabam por prejudicá-las, já que seus rendimentos são constantemente reduzidos, colocando-os muitas vezes, à margem daqueles que estão na ativa. Uma triste situação.

 

      Deus, presença necessária!

 

            Por ocasião do “Dia Mundial da Religião” (21 de janeiro), vale refletir: de nada adianta nos mostrarmos pessoas religiosas se os atos que praticamos são contrários aos princípios básicos do Direito, da Moral e da Ética. Por inúmeras circunstâncias, nossa sociedade é marcada por gritantes contrastes, descasos, segregação, violência, crimes ambientais e uma série infindável de ocorrências que lesam e impedem a satisfação das mínimas aspirações populares. Esses quadros demonstram que a presença de Deus na vida humana se faz necessária para propiciar o equilíbrio dos justos. Por outro lado, aliados a nossa fé e à simpatia que temos por determinado credo, precisamos alcançar uma convivência humana harmoniosa, na qual todos os seres humanos sejam respeitados, independentemente de sexo, raça, situação financeira e principalmente da crença que adotam.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)



publicado por Luso-brasileiro às 19:34
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