PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 17 de Janeiro de 2016
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - RECORDAÇÕES DE UM SOBREVIVENTE DOS GARIMPOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Meu amigo Wilson Pereira da Silva, aviador profissional residente em Piracicaba, é um homem cheio de histórias. Quando começa a narrar, com fala mansa e voz bem impostada, as aventuras incríveis pelas quais passou, em sua longa carreira de comandante de aeronaves e empresário, nos garimpos do Pará, vai desfiando os acontecimentos mais impressionantes despretensiosamente e quase sem emoção, como se tivessem acontecido com outras pessoas. Mas aconteceram com ele, mesmo!

Incentivado por amigos, escreveu há alguns anos uma primeira versão de seu livro “Voo noturno: memória da aviação nos garimpos do Baixo Amazonas”. O governo do Estado do Pará premiou e editou a obra em 2013. Agora, dois anos depois, vem a público a segunda edição, cuidadosamente revista e bastante ampliada, pela Scortecci Editora, de São Paulo. Essa editora, fundada e dirigida pelo também amigo e companheiro João Scortecci, tem um grande mérito. Edita e lança obras de autores que não têm condições de furar o bloqueio do pequeno grupo de grandes editoras. Em 33 anos de trabalho, João, cearense que também é poeta e intelectual, montou uma gigantesca máquina editorial que já obteve, com seus lançamentos, vários prêmios Jabuti e revelou ao público numerosos talentos de primeira grandeza no mundo das letras, os quais, sem a ajuda dele, estariam até hoje nas penumbras do anonimato. Atualmente, João é o editor que lança o maior número de livros em todo o Brasil. Saem a público, graças ao seu grupo editorial, cerca de 600 livros novos por ano – o que significa mais de dois títulos a cada dia útil! Num país em que livro é artigo considerado de luxo e não essencial, isso é um verdadeiro prodígio.

Quando jovem universitário, João estudava Economia no Mackenzie, em São Paulo, e fazia parte de um grupo de jovens poetas, idealistas e sonhadores como são todos os poetas e quase todos os jovens. Imprimiam suas poesias em mimeógrafos a álcool, grampeavam toscamente os cadernos e saíam vendendo suas produções pelos bares e botecos de Higienópolis. Com isso, mantinham acesa a chama do entusiasmo criativo e, de quebra, conseguiam alguma ajuda financeira para pagarem o curso universitário e se manterem.

Quando terminaram o curso, os colegas disseram a João: - Agora acabou o sonho, vamos cair na realidade e trabalhar para ganhar dinheiro.

João respondeu: - Vocês estão enganados, agora é que o sonho vai virar realidade.

Ele tinha razão. Fundou sua editora, especializada em ajudar sonhadores a realizar seus projetos literários. Edições pequenas, baratas, com pagamento facilitado, permitindo a novos autores vencerem a barreira do anonimato. Hoje, com os recursos modernos da edição digital sob demanda, muitas empresas fazem isso, mas no início da década de 1980 era uma novidade. João foi um precursor. E venceu.

É precisamente nessa editora tão cheia de méritos que Wilson Pereira da Silva lançou a nova edição, corrigida e ampliada, de seu livro, que deve ser lido e saboreado. Revela um aspecto pouco conhecido, quase oculto, do Brasil.

Os dramas, as paixões, as aventuras e as desventuras dos garimpeiros, as verdadeiras montanhas de ouro que eram extraídas da terra, passavam por suas mãos e rapidamente desapareciam por condutos intermediários misteriosos, até chegarem às joalherias mais sofisticadas do Primeiro Mundo, são contados pelo Comandante Wilson, que iniciou sua trajetória 30 anos atrás, pilotando um pequeno avião que transportava pessoas e víveres para os garimpos, fazendo pousos arriscados em pistas improvisadas da Floresta Amazônica. Com muita garra, passando por perigos incríveis, Wilson conseguiu montar uma pequena frota de aviões, ajudou muitos colegas aviadores, tornou-se depois empresário e conseguiu o maior prodígio de todos: saiu com vida e com relativa saúde daquela espiral inebriante de riquezas e de perigos, conservando um pequeno patrimônio suficiente para realizar o maior de seus sonhos: dar ótima formação a suas quatro filhas.

Eram enormes os ganhos, eram fabulosas as riquezas que passavam pelas mãos dos garimpeiros e aviadores que se aventuravam pelas regiões de mineração, mas duravam muito pouco. Milhares e milhares de homens e mulheres de coragem eram atraídos pela miragem aurífera da Amazônia, mas a imensa maioria por lá ficava para sempre, vitimada pela malária ou por acidentes de aviação, devorada por onças ou assassinada. Muitos saíram de lá doentes e sem recursos, carregando para o resto da vida apenas as sequelas de malárias mal curadas e a memória de um Eldorado para sempre perdido.

Pouquíssimos tiveram sabedoria e temperança de poupar e aplicar com bom senso o que conseguiam poupar, e conseguiram sair a tempo de gozar uma bem merecida aposentadoria. Entre esses raros sobreviventes dos garimpos da Amazônia está entre nós, aqui em Piracicaba, o Comandante Wilson Pereira da Silva. Vale a pena ler seu revelador e apaixonante depoimento.

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:42
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - O "FUSCA" TEM ATÉ DATA OFICIAL NO BRASIL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conversando recentemente com um amigo de longa data e recordando nossos tempos de juventude, surgiram lembranças de um carro que nos contagiava à época, o fusca (Volkswagen). Realmente, quem que já passou dos cinquenta anos de idade que não tem uma história com ele para contar? Um automóvel que foi de tudo: radiopatrulha, ambulância, táxi, veículo de entrega, de concessionárias de serviços públicos etc., mas principalmente de passeio.

No uso particular, os “carrinhos” geralmente recebiam apelidos carinhosos e passavam a fazer parte de muitas famílias. No mundo inteiro, foi eleito “o carro do século XX” e até hoje tem um enorme número de admiradores, embora não seja mais fabricado. Em nosso país, ao lado dos poucos usuários cotidianos, uma grande quantidade de pessoas se reúne em associações ou não, para cultuarem e trabalharem pela manutenção de suas ricas memórias.

O Fusca possui duas datas comemorativas. No dia 20 de janeiro é celebrado o Dia Nacional do Fusca, informalmente decretada pelo Fusca Clube do Brasil em parceria com a montadora Volkswagen do Brasil de São Bernardo do Campo e festejada anualmente com extensa programação. Na cidade de São Paulo, inclusive, ela é oficial, estabelecida pela Lei n.° 12.202/96. Por outro lado, em vários países do mundo, a solenidade em sua homenagem ocorre a 22 de junho, tido como o Dia Mundial do Fusca, pois no ano de 1934, nessa ocasião foi assinado o contrato entre Ferdinand Porsche e a Federação da Indústria Alemã para o desenvolvimento do seu projeto.

É o primeiro e talvez o único automóvel que tem uma efeméride formal num município brasileiro. E ele merece: um pequeno carro, de motor pouco potente, mas que obteve enorme êxito. Além do carinho e afeto especiais que lhe devotamos como seus ex-usuários e simpatizantes, ele foi mola propulsora do progresso da indústria automobilística no Brasil. Desbravou fronteiras e serviu praticamente todos os brasileiros. Foi moda, teve projeção internacional, estrelou filmes – quem não se lembra do Herbie do “Se Meu Fusca Falasse” – contracenou com uma série de produtos nas propagandas destes e dele mesmo.

Embora seja visto em desfiles, exposições e promoções diversas realizadas por seus apreciadores mais fanáticos, esse simpático veículo deixou muita saudade, principalmente naqueles que viveram os chamados anos dourados, que para nós atravessam as décadas de 50 a 70. Por isso, sabemos que crescer não é só ter sucesso, poder e dinheiro. Na hora da morte, ninguém leva os bens consigo. Leva as vivências, as emoções e os sentimentos que cultivou. Diante dessa realidade, o Fusca fez parte dos valores e dos sonhos de muita gente.

 

            Aposentados, triste situação

 

Celebra-se a 24 de janeiro, o DIA NACIONAL DO APOSENTADO. Mais do que uma data comemorativa, ela foi criada para chamar a atenção da sociedade para os problemas que afligem essas pessoas que durante muitos anos trabalharam em prol do engrandecimento da Pátria e contribuíram com a Previdência Social, mas sofrem uma série de injustiças e questões burocráticas que acabam por prejudicá-las, já que seus rendimentos são constantemente reduzidos, colocando-os muitas vezes, à margem daqueles que estão na ativa. Uma triste situação.

 

      Deus, presença necessária!

 

            Por ocasião do “Dia Mundial da Religião” (21 de janeiro), vale refletir: de nada adianta nos mostrarmos pessoas religiosas se os atos que praticamos são contrários aos princípios básicos do Direito, da Moral e da Ética. Por inúmeras circunstâncias, nossa sociedade é marcada por gritantes contrastes, descasos, segregação, violência, crimes ambientais e uma série infindável de ocorrências que lesam e impedem a satisfação das mínimas aspirações populares. Esses quadros demonstram que a presença de Deus na vida humana se faz necessária para propiciar o equilíbrio dos justos. Por outro lado, aliados a nossa fé e à simpatia que temos por determinado credo, precisamos alcançar uma convivência humana harmoniosa, na qual todos os seres humanos sejam respeitados, independentemente de sexo, raça, situação financeira e principalmente da crença que adotam.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)



publicado por Luso-brasileiro às 19:34
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SÔNIA CINTRA - A NOITE DO MEU BEM

 

 

 

 

 

 

 

 

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            O título deste artigo é o do livro de Ruy Castro, inspirado da letra de Dolores Duran, que conta lindamente a história e as histórias do samba-canção. Belo presente de Natal! Na capa, a foto de casais dançando lembra os bons bailes de gravata borboleta e vestido de alcinha roletê. Coisas do tempo de meus pais, que também curtiram o Rio de Janeiro, na década de 1950. Long plays de samba-canção e jazz não faltavam em casa. Mal terminava dezembro e as marchinhas de Carnaval já soavam nas rádios.

Na orelha esquerda do livro, a breve contextualização nos põe a par da política da época e suas consequências no cenário da capital: “Até 1946, quando o presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu os jogos de azar no Brasil, a noite carioca girava em torno dos grandes cassinos: o da Urca, o do Copacabana Palace, o Atlântico, ou mesmo, subindo a serra, o Quitandinha, em Petrópolis. Eram verdadeiros impérios da boemia, onde a roleta e o pano verde serviam de pretexto para espetáculos luxuosos, atrações internacionais e muito champagne. A canetada presidencial gerou uma legião de desempregados – músicos, cantores, dançarinas, coristas, barmen, crupíês – e um contingente ainda maior de notívagos carentes. Os cassinos fecharam para sempre, mas os indestrutíveis profissionais da noite, sem falar nos boêmios de plantão, logo encontraram um novo habitat: as boates de Copacabana. Eram casas em tudo diversas dos cassinos. Em vez das apresentações grandiosas, dos espaçosos salões de baile e das orquestras em formação completa – que estimulavam uma noite ruidosa -, as boates, com seus pianos e candelabros, favoreciam a penumbra e a conversa a dois”.

Em Jundiaí, os grandes bailes e as boates se alternavam nos clubes da cidade, na década de 1970. Depois foi a vez das brincadeiras dançantes, onde a juventude se despedia do final de semana, antes de retornar às aulas da segunda-feira. As guitarras roubavam a cena dos saxofones e a bateria dos pandeiros. A dança era solta, com passos ensaiados, ou de rosto coladinho quando eram românticas ou italianíssimas, e as minissaias e calças jeans embalavam as tardes de domingo. A luz estroboscópica dos dancing days apagou a luz de velas dos salões e a jogatina foi para a sala dos fundos.

Conversando com o amigo Leonel Brayner, que, juntamente com Aninha, sua mulher, ajudou Ruy Castro na pesquisa de letras das músicas para o livro A Noite do Meu Bem, ele me disse que iria pintar um painel de Jundiaí, cidade onde residiu durante anos. O livro Rio, Pena e Pincel com reproduções de suas pinturas e crônicas de Ruy Castro já é deslumbrante, imaginem só como será o daqui.

 

 

SONIA CINTRA - ESCRITORA E PROFESSORA UNIVERSITÁRIA .

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:25
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JOSÉ RENATO NALINI - O FEIO É MAIS BARATO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fico desolado quando viajo e constato a pobreza estética dos núcleos habitacionais. Uma casinha encostada à outra, sem espaço para um jardim, para uma horta. Sem árvores defronte às casas, numa repetição monótona e feia.

Será que é mais barato construir conjuntos idênticos, padronizados, que não admitem distinção entre uma residência e outra? Será que não temos arquitetos nem estudantes de Arquitetura que poderiam elaborar projetos mais ambiciosos, mais estéticos e até mais baratos?

Nesse ponto, como em tantos outros, evidenciamos nossa indigência ou pobre imaginação. Enquanto reproduzimos o modelo arcaico e pobre de uma arquitetura medíocre, esquecendo-nos que produzimos Niemayer, Paulo Mendes da Rocha, Vilanova Artigas, Jean Maitrejean, Ariosto Mila, Araken Martinho e tantos outros, povos que se encontram anos-luz à nossa frente adotam soluções consentâneas com as necessidades ambientais e com a beleza.

O Centro de Convenções Jacob K.Javitz, em Nova York, era um edifício causador da morte de inúmeras aves que se chocavam com sua fachada espelhada. Depois de uma reforma que levou cinco anos, novos painéis de vidro com estampas reduziram em 90% a morte de aves. Construiu-se um telhado verde coberto de sedum, planta rasteira resistente e utilizada em coberturas verdes. O resultado foi atrair mais de onze tipos de aves: tordos, falcões, gaivotões-reais e tantos outros. Morcegos e insetos, que servem de alimentação, também se hospedaram no espaço ambiental.

As abelhas também voltaram. Três colmeias foram montadas e ali produziram mel. Outro projeto interessante foi uma horta plantada sobre um telhado em St. Louis, no Missouri. Verduras orgânicas plantadas pelo projeto Food Roof Farm – Horta Alimentícia de Telhado, abastecem a comunidade.

Além de tudo o que produzem para melhoria da qualidade de vida, provocam a solidariedade entre as pessoas. Quem trabalha em conjunto num jardim, horta ou pomar, fica amigo, companheiro e convive em harmonia. Reduz-se a violência, o estranhamento e até o estresse.

Aqui, o lixo toma conta de todos os espaços. Pessoas se acomodam em desvãos e vivem na rua, na mais absoluta indignidade. Também, o que o governo oferece em termos de moradia é um amontoado horroroso de gente que se acotovela, sem um verde, uma flor, uma árvore. Pobre Brasil!

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:20
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FELIPE AQUINO - A RESPONSABILIDADE DOS PREGADORES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Ninguém prega em seu próprio nome, mas é enviado pela Igreja; então, o pregador precisa ser fiel à Igreja que representa.

Em suas homilias sobre os Evangelhos, São Gregório Magno (540-604), papa e doutor da Igreja, nos deixa uma profunda reflexão sobre a missão de todo pregador da Palavra de Deus. (Hom. 17,3.14: PL 76,1139-1140.1146).

Ele começa lembrando as palavras do Senhor: “A messe é grande, mas poucos os operários. Rogai, portanto, ao Senhor da messe que envie operários a seu campo. São poucos os operários para a grande messe” (Mt 9,37-38).

Sem meias palavras ele critica os maus sacerdotes do seu tempo: “Não podemos deixar de dizer isto com imensa tristeza, porque, embora haja quem escute as boas palavras, falta quem as diga. Eis que o mundo está cheio de sacerdotes. Todavia na messe de Deus é muito raro encontrar-se um operário. Recebemos, é certo, o ofício sacerdotal, mas não o pomos em prática… Que a língua não se entorpeça diante da exortação, para que, tendo recebido a condição de pregadores, nosso silêncio também não nos imobilize diante do justo juiz. Com frequência, por maldade sua, a língua dos pregadores se vê impedida. Por sua vez, por culpa dos súditos, muitas vezes acontece que seus chefes os privem da palavra da pregação. Por maldade sua, com efeito, a língua dos pregadores se vê impedida… Por sua vez, por culpa dos súditos, cala-se a voz dos pregadores”.

Neste tempo de relativismo moral, em que nem sempre os pregadores obedecem aos ensinamentos do Magistério da Igreja, muito bem definidos no Catecismo da Igreja, preferindo às vezes ensinar os “seus” conceitos, São Gregório diz:

“Porque se o silêncio do pastor às vezes o prejudica, sempre causa dano ao povo, isto é absolutamente certo. Há ainda outra coisa, irmãos caríssimos, que muito me aflige na vida dos pastores… Um cargo nos foi dado pela consagração e, na prática, damos prova de outro. Abandonamos o ministério da pregação e, reconheço-o para pesar nosso… Aqueles que nos foram confiados abandonam a Deus e nos calamos. Jazem em suas más ações e não lhes estendemos a mão da advertência. Quando, porém, conseguiremos corrigir a vida de outrem, se descuramos a nossa? Preocupados com questões terrenas, tornamo-nos tanto mais insensíveis interiormente quanto mais parecemos aplicados às coisas exteriores.”

 

Leia também: A Palavra de Deus é viva e eficaz!

O testemunho do Pregador do Papa

 

Estas exortações não são apenas para os padres e bispos, porque hoje há muitos pregadores leigos, e todos nós precisamos pensar nisso. A Igreja, desde o Concílio Vaticano II, confiando nos leigos abriu-lhes as portas da evangelização. Mas isso tem uma consequência séria; é preciso que nós leigos estejamos preparados para pregar ao povo segundo aquilo que nos ensina a Igreja, e não aquilo que escolhemos pregar. Só a Igreja recebeu de Cristo o carisma de ensinar sem erro e de participar de sua infalibilidade. Diz o Catecismo da Igreja que:

“Para manter a Igreja na pureza da fé transmitida pelos Apóstolos, Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação em sua própria infalibilidade, ele que é a Verdade ” (n.889).

De modo especial, os Catequistas, que exercem uma missão tão importante na Igreja, precisam conhecer muito bem o que ela nos ensina, tudo que recebeu do Espírito Santo, desde Cristo até hoje.

Cristo continua a chamar os pregadores “de todas as horas”: “Ao sair pelas nove horas da manhã, viu outros, que estavam ociosos, e disse-lhes: Ide vós também para a minha vinha” (Mt 20, 3-4).

Na exortação “Catechesi Tradendae”, São João Paulo II disse que: “A catequese foi sempre considerada pela Igreja como uma das suas tarefas primordiais, porque Cristo ressuscitado, antes de voltar para o Pai, deu aos Apóstolos uma última ordem: fazer discípulos de todas as nações e ensinar-lhes a observar tudo aquilo que lhes tinha mandado (cf. Mt 28,19).

 

 

 

 

apostolado

 

 

Disse o Papa: “Todos os catequistas deveriam poder aplicar a si próprios a misteriosa palavra de Jesus: “A minha doutrina não é minha mas d’Aquele que me enviou” (Jo. 7,16). Está enunciado nesta passagem um tema frequente no quarto Evangelho: (cf. Jo. 3,34; 8,28; 12,49 s.; 14,24; 17,8.14. 13). É isso que faz São Paulo, ao tratar de um assunto de grande importância: “Eu aprendi do Senhor isto, que por minha vez vos transmiti” (1 Cor 11,23). A Igreja também nos adverte na Apostolicam Actuositatem: “Grassando em nossa época gravíssimos erros que ameaçam inverter profundamente a religião, este Concílio [Vat II] exorta de coração todos os leigos que assumam mais conscientemente suas responsabilidades na defesa dos princípios cristãos”. (Apostolicam Actuositatem, 6)

Que frequente e assíduo contato com a Palavra de Deus transmitida pelo Magistério da Igreja, que familiaridade profunda com Cristo e com o Pai, que espírito de oração e que desprendimento de si mesmo deve ter um catequista, para poder dizer: “A minha doutrina não é minha”!

Ninguém prega em seu próprio nome, mas é enviado pela Igreja; então, o pregador precisa ser fiel à Igreja que representa. Esta é a segurança de quem prega. Assim pode “pregar com autoridade”, como Jesus, certo de que ensina o que Deus quer

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:07
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PAULO R. LABEGALINI - O PODER DA FÉ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Você que tem o coração mariano sabe que fazemos qualquer coisa para agradecer as graças que recebemos da nossa Mãezinha, não é mesmo? E quando tudo contribui para nos desviar do caminho santo, caímos de joelhos e fortalecemos nossa proteção.

Nesse sentido, recebi um texto enfatizando que uma das primeiras reações das pessoas diante de problemas difíceis é ver obstáculos. Foi o que Maria, irmã de Marta, enxergou: “Senhor, já cheira mal, porque é de quatro dias”. E concluiu que de nada adiantaria remover a pedra da entrada do túmulo de seu irmão Lázaro.

Fazê-lo voltar à vida era uma tarefa impossível aos homens, mas possível a Deus. Remover a pedra, porém, era uma tarefa que os homens poderiam realizar. E Jesus deixou esse trabalho a cargo deles, dizendo: “Tirai a pedra”.

Pois é, um milagre requer a parceria entre Deus e o homem. O ser humano entra com a fé e Deus entra com a ação sobrenatural. Se o homem não faz a sua parte, o milagre não acontece. É óbvio que Deus pode fazer tudo sozinho, mas lhe agrada a fé nele depositada pelo homem. Por isso, a Bíblia diz: “Agrada-te do Senhor e Ele satisfará os desejos do teu coração” (Salmo 37,4).

O Evangelho de Matheus registra que Jesus deixou de fazer milagres em Nazaré devido à incredulidade das pessoas. Uma coisa é a fé teórica; outra, é a fé viva – a maravilhosa experiência da relação homem-criador nos momentos mais difíceis da vida.

Há vezes em que, diante de uma tribulação, sentimo-nos desanimados e não temos disposição para remover a pedra que impede nosso acesso à solução do problema. Só pensamos no ‘mau cheiro’ que nos incomoda, mas Deus, que é maior que todos os problemas, nos diz: ‘Tirai a pedra!’. Se não removermos o obstáculo da nossa incredulidade e não exercermos a nossa fé, perderemos a oportunidade de receber uma nova graça.

E você, está passando por alguma situação difícil? Esse problema já é de ‘quatro dias e cheira mal’? Já recorreu a Jesus e a resposta ainda não chegou? Continue confiando porque Ele sabe o tempo de lhe dar a bênção. Não desanime; remover a pedra significa fazer a sua parte na solução do problema. Exerça sua fé e verá a glória do Pai Misericordioso.

Era impossível a Naamã mergulhar no rio sete vezes e ficar curado da lepra? Era impossível aos discípulos lançarem a rede outra vez ao mar para terem sucesso na pescaria? Era impossível aos apóstolos recolherem cinco pães e dois peixes para que Jesus os multiplicasse e alimentasse a multidão? E era impossível aos serventes, nas bodas em Caná, encherem as talhas com água para que Jesus a transformasse em vinho? Para Deus, nada foi impossível!

Queremos ver mais milagres em nossa vida, certo? Então, não duvidemos das promessas de Deus. Se diante de um problema Ele nos mandar remover a pedra que serve de obstáculo à solução esperada, obedeçamos. Ele sabe até onde vai a nossa capacidade de lutar e não deixará que carreguemos fardos superiores à nossa força. Ele não espera o impossível de nós e sabe o tempo certo de agir em nosso favor.

Portanto, quando diante de um problema você sentir que nada pode fazer e que esgotou toda sua capacidade física, mental e emocional, lembre-se: Deus é maior que tudo e ainda lhe resta o recurso espiritual: o maravilhoso dom da fé!

Disse Jesus: “No mundo passais por aflições, mas tende bom ânimo: eu venci o mundo!” Então, comece a retirar algumas ‘pedras menores’ do caminho. As grandes, Nossa Senhora cuidará.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:01
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - AMOR DE INFÂNCIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No meu tempo de estudante, tive companheiro, que se tornou intimo amigo. O jovem fora bafejado com traços apolínicos, mas não primava pela inteligência; e somava à desdita, o facto dos pais serem da classe média baixa.

O rapaz conhecera menina, e apaixonou-se. A moça, não sendo de família nobre nem endinheirada, tinha “ nome”, e o bastante para parecer rica.

A rapariguinha, inexperiente na arte de amar, engraçou com ele, demonstrando afeto no olhar, atitudes e atenções.

Deu-se o caso das famílias serem amigas e visitarem-se mutuamente – nessa recuada época era uso fazerem-se visitas e retribui-las, – e as mães, possuidoras de apurada sagacidade feminina, descobriram ou desconfiaram dos encontros furtivos e dos olhos risonhos e brilhantes dos filhos.

A mãe do mocinho rejubilou de alegria, mas o mesmo não aconteceu com a mãe da jovem. Porém, a prudência, aconselhava não revelarem os pensamentos e desejos.

Certa tarde de Primavera - estavam os pequenos nas férias da Páscoa, - encontraram-se para tomarem chá e provarem o bolo de chocolate, feito com receita nova.

A mãe da moça, encaminhou, habilidosamente, a conversa para casamentos.

Disse, que gostava que a filha casasse com médico, pois queria ter na família alguém formado em medicina… A menina, ainda era jovem para pensar nisso - esclareceu, - mas é sempre bom cuidar desde já. Não vá  ser enganada por caçador de dotes…

O rapaz, que tudo ouvira em silêncio, veio contar-me com a tristeza no rosto.

Tocou-me de profunda amargura, o coração, ao confidenciar-me:

- “ Se pudesse iria para medicina! …Mas sou burrinho! …Não sirvo para nada!…”

Certo é que a menina esfriou, deixando de corresponder aos ternos olhares do rapazinho; talvez por recomendação materna.

Os anos correram, correram e correram…

Numa tarde chuvosa de Inverno, encontrei o Manel, descendo os “ Clérigos”.

Disse-me que casara e tinha um garotinho de cinco anos.

Falei-lhe da Bélinha. Ficou muito sério, com olhar de espanto, e esclareceu-me, que casara, também.

- “Sabes?... - Confidenciou-me, - nunca a esqueci! Foi paixão entranhada; das antigas! …Daquelas que se cravam no coração… e para sempre ficam…”

Coitado do Manel! …Se tivesse um pouco mais de inteligência e algum dinheiro no bolso ou na bolsa, teria sido o marido ideal da Belinha; a feitiçeirinha que o encantou.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 18:50
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EUCLIDES CAVACO - RELIGIÕES
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Filosofia poética sobre um tema dominante dos nossos dias que poderão ver em PS ou nos seguintes links:


http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Religioes/index.htm

https://www.youtube.com/watch?v=sakHpvFwp-s&feature=youtu.be
 
 
 
 
 
 
EUCLIDES CAVACO - Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.
 
 
 
 
 
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PINHO DA SILVA   -   MINHA VIDA COM
TERESINHA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   ( Continuação )
 
 
 
 
 
 
 
 
AQUELA VOZ TÃO DOCE...
 
 
 

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                                      (Continua para a próxima semana)

 

 

 

PINHO DA SILVA - (1915 – 1987). Nasceu a 12 de Janeiro, em Vila Nova de Gaia (Portugal).Frequentou a Escola de Belas Artes, do Porto. Discípulo de Acácio Lino, Joaquim Lopes e do Mestre Teixeira Lopes. Primo do escultor Francisco da Silva Gouveia (autor da celebre estatueta de Eça de Queiroz).Vila-florense adotivo, por deliberação da Câmara Municipal. Redator do “Jornal do Turismo”. Membro da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Foi Secretário-geral da ACAPPublicou " Minha Vida Com Teresinha", livro autobiográfico.

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 18:46
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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2016
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A IMPORTÂNCIA DO RISO NAS RELAÇÕES ENTRE AS PESSOAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

         Embora pouco divulgada, celebra-se a 18 de janeiro uma data comemorativa inusitada, o DIA INTERNACIONAL DO RISO, festejado pela primeira vez no Brasil em 2009, por ocasião do lançamento do livro “Sorria, você está sendo curado” do humorista Marcelo Pinto, conhecido como “Dr. Risadinha”. Mundialmente, teve origem em Mumbai, na Índia, em 1998, quando 12.000 membros de clubes sociais de diversas partes do mundo juntaram-se em uma mega sessão de riso, num evento criado pelo fundador do movimento “Yoga do Riso”, Dr. Madan Kataria.

            Apesar de curioso, o acontecimento tem propósitos louváveis, já que objetiva ressaltar a importância do riso como demonstração de bem estar que aproxima as pessoas e traz alegria. Tanto que o genial cineasta Charles Chaplin dizia: "Creio no riso e nas lágrimas como antídoto contra o ódio e o terror”. “Um dia sem rir é um dia desperdiçado”. “É saudável rir das coisas mais sinistras da vida, inclusive da morte. O riso é um tônico, um alívio, uma pausa que permite atenuar a dor”.

            Com propriedade, Ariano Suassuna, grande escritor brasileiro, afirmou: "Tenho duas armas para lutar contra o desespero,    a tristeza e até a morte:/o riso a cavalo e o galope do sonho/É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver."

             Indicam os especialistas que rir faz bem para a saúde mental, pois relaxa as tensões, ameniza o estresse diário e abafa os efeitos da competição provocada pelo consumismo desenfreado. Por outro lado, é ótimo para a saúde como um todo, pois quando rimos, praticamos exercícios faciais que retardam o surgimento de rugas e mexem com o corpo inteiro, produzindo excelentes resultados. Sabe-se hoje que o riso fortifica o sistema imunológico, estimula as funções cardiovasculares e libera endorfinas que combatem a dor. Assim, ele é um ato simples, com inúmeras conseqüências agradáveis.

              Há quem diga que ao sorrimos para alguém, podemos estar mudando a vida desta pessoa ou, pelo menos, parte dela. Antoine de Saint-Exupéry escreveu: "No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoa para ele". Nessa trilha, Fiodor Dostoievski se expressou: “Conhecemos um homem pelo seu riso; se na primeira vez que o encontramos ele ri de maneira agradável, o íntimo é excelente”.

             Efetivamente, rir é um ótimo remédio para o corpo e para o espírito. Por isso a recomendação:             devemos praticar constantemente a terapia do riso. Pesquisas científicas mostram que pessoas felizes vivem mais e melhor. Existe até um “Movimento Mundial do Riso!” que fundado em 1995 conta com mais de 6 mil clubes da risada, espalhados por todo o mundo. Portanto, aquele conhecido ditado "rir é o melhor remédio" efetivamente traduz uma concreta realidade.

 

                                   LUTHER KING

 

            Com um feriado nacional antecipado para a segunda-feira mais próxima da data, os norte-americanos comemoram em 15 de janeiro, o nascimento de Martin Luther King Jr., incansável ativista e um dos mais importantes líderes pelos direitos civis no mundo, através de uma campanha de não-violência e de amor ao próximo. Por isso, foi-lhe outorgado o Prêmio Nobel da Paz em 1964, tendo sido a pessoa mais jovem a receber tal honraria. A sua morte, em 1968, vítima de assassinato, chocou a humanidade, que à época tinha em suas pregações, as esperanças de um mundo melhor, sem discriminações e respeito recíproco entre os indivíduos. Sua vida e o seu trabalho são sinônimos de coragem, enfrentamento, dedicação, altruísmo e desprendimento na busca dos princípios da igualdade, da liberdade e da isonomia da lei, vedadas as discriminações e privilégios. Esperamos que as suas aspirações cada vez mais se tornem reais e palpáveis, e que os homens, em todo mundo, nasçam e permaneçam livres e iguais em todos os sentidos e aspectos. Reverenciando sua nobre figura, invocamos duas de suas célebres frases: "O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor”/ “O que mais preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

 



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - AS INCRÍVEIS AVENTURAS DE DOM BOSCO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

São João Bosco, cujo segundo centenário de nascimento se comemorou em setembro último, disse certa vez que sua vida era tão cheia de aventuras prodigiosas que se alguém, no futuro, a lesse, teria dificuldades para acreditar. Julgaria estar lendo um romance...

Possuía uma extraordinária memória, sendo capaz de decorar longos textos após uma simples leitura. Sua imaginação e criatividade eram espantosas. Sabia fazer mágicas, era malabarista e prestidigitador. Todos os seus talentos foram colocados a serviço da sua obra apostólica, de formação de meninos pobres.

Foi acusado de louco, de feiticeiro, de inimigo da ordem pública. Teve sua casa várias vezes invadida pela polícia, sofreu atentados violentos, viveu toda a vida sem dinheiro, mas, cheio de confiança em Deus, empreendia obras grandiosas que nunca deixaram de ser felizmente concluídas. Ao mesmo tempo, montou uma gigantesca editora de livros católicos, e ele próprio escreveu mais de 150 obras. Exerceu influência na política e na sociedade, fundou congregações religiosas, foi conselheiro de reis, de papas, de ministros de Estado.

No fim da vida, escreveu suas recordações, narrando as aventuras pelas quais passara. Não as escreveu por iniciativa própria; escreveu-as por obediência a uma ordem formal do Papa Beato Pio IX.

Foi em 1858 que pela primeira vez, o Pontífice recebeu em audiência o fundador do Oratório de São Francisco de Sales. Imediatamente os dois homens de Deus se entenderam perfeitamente. O Papa fez, ao humilde sacerdote turinense, uma série de perguntas sobre as origens de sua obra, sobre os motivos que a inspiraram, sobre as dificuldades ingentes pelas quais passara.

Encantado pelas respostas que recebeu, aconselhou Dom Bosco a escrever tudo aquilo, para estimular e orientar seus filhos espirituais. Mas o conselho do Papa não foi suficiente para fazer Dom Bosco vencer a profunda repugnância que sentia por falar de si próprio. A humildade do Santo somente foi vencida nove anos depois, quando, em novo encontro com Pio IX, este lhe perguntou se já havia escrito o que lhe recomendara. Dom Bosco respondeu que ainda não escrevera nada, desculpando-se com suas múltiplas ocupações.

Dessa vez o Papa foi muito mais incisivo: – Se é assim, deixe de lado alguma outra ocupação e escreva. Note que não lhe estou dando somente um conselho, mas uma ordem. O Sr. não pode calcular o bem que isso fará aos seus filhos.

Foi para obedecer à ordem papal que Dom Bosco escreveu as Memórias do Oratório de São Francisco de Sales, nas quais conta sua vida desde a infância até o ano de 1855. Essas memórias foram, mais tarde, naturalmente prosseguidas pelas crônicas da Congregação Salesiana.

As Memórias se destinavam exclusivamente à formação dos salesianos. Dom Bosco não desejava que elas tivessem qualquer forma de divulgação externa, e até proibiu formalmente que fossem publicadas, mesmo depois de sua morte.

Evidentemente, a partir do momento de sua canonização, o patrimônio espiritual de São João Bosco passou a ser universal, e ordens superiores às do próprio autor determinaram, para proveito de toda a Igreja, a publicação dessa maravilhosa série de recordações pessoais.

Anos atrás, traduzi alguns trechos selecionados dessas Memórias e as publiquei num volume, intitulado “Aventuras de São João Bosco (narradas por ele mesmo)”. A edição rapidamente se esgotou, e agora está sendo relançada pela Livraria Petrus Editora.

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.   

 

 

                              

                             



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - INCOMPREENSÍVEL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Sinceramente, quando eu penso que já vi de tudo, no que tange à crueldade e à covardia humanas, eu descubro, com tristeza, que nem cheguei perto disso. Tenho chegado à conclusão de que a raça humana é a pior besta da natureza. A par das falhas e defeitos que a maior parte dos seres humanos é detentora, traços que não nos diminuem necessariamente, embora nos individualizem, há aqueles entre nós que são a verdadeira escória, a pior espécie de lixo vivente.

            Navegando pela internet eu me deparei com um vídeo dando conta de que um urso polar, na Rússia, foi alimentado com fogos de artifício. Enquanto os fogos explodiam no interior do pobre animal, os dementes que perpetram tal barbárie prosseguiam aos risos, gravando tudo, deliciando-se com a desgraça do bicho, ignorantes, contudo, de que pior desgraça sofreu o mundo quando eles vieram a ele.

            Eu não tenho qualquer pudor em admitir que chorei ao ver a imagem e a agonia do urso. Não assisti ao vídeo na íntegra, contudo. Primeiro que não preciso dele para ficar mais sensibilizada ou mais revoltada do que já estou e, segundo, porque não quero dar audiência para o terror nascido de mentes doentias e perversas. Não sou idiota a ponto de pensar que esse urso tenha sido o único animal a sofrer pelas mãos humanas, mas meu pesar aumenta quando penso que está longe de ser o último e que foi uma morte tão vil, tão inútil, que coloca quem a perpetrou, ao meu sentir, na categoria de desperdício de vida.

            Vendo a matéria, eu fiquei imaginando o que eu, tão longe de lá, poderia fazer em prol de um urso polar, agora já um corpo sem vida. A resposta óbvia foi que, de efetivo, nada, infelizmente. O máximo que eu posso fazer é levar a notícia adiante, com o propósito não de chocar as pessoas, mas de cientificá-las de que ainda há maldade demais no mundo e, talvez, se outras pessoas se sentirem tão mal como me senti, quem sabe cada uma delas, do seu jeito, dentro de suas possibilidades, possa evitar a dor de outros animais indefesos.

            Não consigo tirar de minha mente a imagem do urso se contorcendo e o som das risadas ao fundo. Não gosto de imaginar que nossas crianças possam um dia achar isso normal ou que fiquem indiferentes a situações análogas. Seria monstruoso se tal abominável ato houvesse sido praticado contra uma pessoa, mas é igualmente tenebroso por ter ocorrido com um animal. Creio que, de fato, pessoas não são iguais a animais, muito embora, tenho certeza, possa causar certo espanto e repulsa a ciência de qual deles eu penso ser melhor, mais digno de piedade.

            A crueldade, a vilania, a maldade e toda forma de violência não deveriam ter lugar na civilização. Os humanos deveriam ser os primeiros a zelar pelas demais vidas que habitam esse planeta e, sobretudo, por esse planeta, mas, ao contrário, parecem buscar, a cada dia, novas formas de corromper, de destruir e, mesmo diante de um mundo que se desfaz, parecem viver como se nenhum ato tivesse consequências e como se sempre houvesse para onde fugir.

            Lamento profundamente pelas agruras que causamos aos nossos iguais e aos animais. Lamento ainda mais pertencer à espécie que se julga dona do mundo e ocupar o topo da evolução. O que mais lamento, no entanto, é não ter o poder de, verdadeiramente, fazer algo para mudar tudo isso...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com

 



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