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Domingo, 22 de Maio de 2016
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CONTEMPLANDO-SE NO MORRO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O menino tem nove anos e inúmeros questionamentos. De onde viriam seus pais biológicos? Que aconteceu à sua mãe após deixar o hospital, com a promessa de que retornaria com os documentos necessários? Perdeu-se pelos caminhos? Foi acometida por um mal súbito? Ou planejara não ficar com ele, devido à situação de miséria? Não queria para ele o seu sofrimento.
Há gente com recursos tão minguados! Já cantava Adoniran Barbosa em “Despejo na Favela”: “Pra mim não tem ‘probrema’/ Em qualquer canto eu me arrumo. / de qualquer jeito eu me ajeito./  Depois, o que eu tenho é tão pouco,/ Minha mudança é tão pequena, / Que cabe no bolso de trás”.
Decifrar os mistérios que nos envolvem é próprio do ser humano. Saber se existe algo impresso em nós, vinda de nossos ancestrais, que nos motiva a agir deste ou daquele jeito pode também inquietar alguns ou muitos. Gosto de saber sobre meus antepassados, não tanto sobre quem eram, mas sim a respeito de que como reagiam diante dos fracassos e das vitórias; de suas emoções. Embora não tenha conhecido a maioria deles, sinto em minha alma os murmúrios de quem me precedeu.
Mas voltando ao menino: sua árvore genealógica é a dos pais que o geraram no coração. Não consegue ainda discernir o quanto isso é essencial. Filhos que não passam pelo coração, mesmo que convivam com a família biológica, tropeçam no fracasso do desamor. Gravidez no coração é muito mais intensa do que apenas no útero. O ideal, lógico, é que seja plena, contemplando o coração e o biológico.
Semana passada, ele estava na casa em frente ao morro no qual, há décadas, se encontram moradias dependuradas. Ficou silente, observando as habitações irregulares, os caminhos íngremes, a ausência de vegetação na terra ocupada, a falta de beleza exterior...  Os carrinhos improvisados com sucata. 
Olhava como se percorresse as vielas e desvendasse, pelas janelas abertas, a história de cada morador. Creio que, ao analisar a paisagem diversa da sua, de certa forma contemplava-se, desvendava-se.
Poderia haver, na pobreza da cena, pegadas maternas e paternas? E onde estaria ele nos atalhos tortuosos?
O morro não é seu endereço, a metrópole sim. Mas e os seus nós?
Não existe quem não os tenha.
Espero que um dia, em meio às suas inquietudes, com resposta de certa forma impossível, ele se encontre na linhagem de Deus.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE   -   Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.
 



publicado por Luso-brasileiro às 20:47
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RENATA IACOVINO - UMA VOLTA AO PASSADO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Criança, gostava de acompanhar minha avó materna (que morava conosco) em seus passeios: visitas a parentes, a amigas que moravam ao redor, idas à feira livre, à padaria, ao armazém... Os programas eram feitos a pé, pois morávamos no Centro e quase tudo girava naquele entorno.

Havia um lugar que minha avó ia algumas vezes com minha mãe, e eu as acompanhava. Também se situava muito próximo de nossa residência e subíamos a pé. Elas iam ao Cemitério Municipal lavar o jazigo da família de minha avó, levar plantas e flores para a floreira... Aquele ato me fascinava. Fazia-me bem estar ali, parecia uma maneira de conhecer um pouco a respeito de parentes que eu não tivera a oportunidade de conviver, como seus pais e irmãos.

Ouvia um pouco das histórias e saía caminhar pelo cemitério, apreciando os jazigos mais suntuosos, pertencentes a famílias tradicionais ou de personalidades famosas de nossa cidade. Num determinado momento, após idas anos seguidos, eu já sabia o que estava escrito aqui e ali, a que família pertencia tal jazigo e por aí vai.

Quando nos reuníamos no Natal ou Páscoa, por exemplo, as histórias também eram contadas e eu não me importava em ouvir quase sempre os mesmos enredos, ao contrário, ficava esperando por aqueles de minha preferência.

Nessas ocasiões, após comermos exageradamente, íamos “fazer o quilo”, no que consistia, algumas vezes, em uma ou duas voltas no quarteirão, e em outras a caminhada era feita toda ao redor do cemitério.

O ponto de referência de casa era o cemitério. Para indicar onde residíamos, bastava dar essa referência.

Um pouco mais crescida, já explorando vários cantos da cidade a pé ou de bicicleta, eu tinha o costume de passear pelas ruas do cemitério, especialmente quando estava triste ou chateada. Lá me sentia em paz.

Depois fui morar em São Paulo, foi escasseando a oportunidade de estar com parentes vivos ou mortos.

Mais adiante minha avó se foi. E lá estava seu nome junto aos demais que por tantas vezes eu lia quando ali estava com ela em vida.

E assim os entes queridos foram partindo.

Hoje, após tantos anos, estive lá. Com a dúvida se ainda saberia encontrar a rua onde se encontra a campa. Mas encontrei-a de pronto. E lembrei que Natal feliz mesmo foi aquele de minha infância, embora à época não tivesse a menor ideia disto...

 

 

 

RENATA IACOVINO,  poeta e cantora / facebook.com/oficialrenataiacovino/ reiacovino@uol.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 20:42
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VALQUIRIA GESQUI MALAGOLI - PASSADOS NOEL E REIS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sensibilizo-me, é verdade, com depoimentos do tipo “acreditei em Papai Noel até os doze anos”.

Em contrapartida, como se diz: cada um é cada um.

            Ninguém fica imune às circunstâncias em que se fez. Eu não fiquei.

            Longe de mim ser cética. Sou poeta por natureza. Há, portanto, uma inalienável carga de ficção em toda verdade que palpo.

            Rege-me alguma fé, inclusive, no mais (in)verossímil (im)possível que (in)existe. Fazer o quê? Se cada um é cada um... por que eu não seria o que sou? E você o que é?

            Da minha parte, sem traumas, nunca esperei pelo bom velhinho. Meus presentes sempre vieram do trabalho suado do meu pai, que nos levava à festa de fim de ano da empresa em que trabalhava como motorista de caminhão.

Lá, distribuídos pelas idades dos contemplados, víamos acomodados em blocos os presentes nossos e das demais crianças.

            É óbvio que, ao mesmo tempo em que nos deleitávamos com nossos regalos, invejávamos os que não nos cabiam. Da natureza humana não se foge, desde a tenra idade. O segredo é administrar. Além do que, frustração enrijece o amadurecimento.

            O fato é que chamei Noel, desencantos à parte, de pai desde que me lembro de haver Natal. Encontrei encanto aí, e por que não? Alegrava-me por saber quem e como me provia tanto o sustento quanto a diversão.

            Não obstante, meus filhos festejam essa e outras datas como manda o figurino. Rezamos, depois abrimos presentes: espécie de simbologia bastante apropriada de um tempo em que fé e consumismo se debatem.

            Oxalá essa alegoria contribua no sentido de eles não virem a ser extremistas céticos, nem crédulos exacerbados. Espero!, porque, a propósito das simbologias, há uma besta em cada canto, esperando apenas o momento para devorar o sonho nascituro, e implantar o pesadelo da alienação e do individualismo.

            Quero crer que, passados Noel e Reis, ou seja, findo o tempo de desembrulhar pacotes, prevaleça a alegria memorável desse tempo festivo.

            Desejo que sobreviva a esperança tão festejada; que meus gatos continuem resistindo bravamente aos fogos; que acima das formalidades sejamos todos os verdadeiros motivos de festa uns para os outros.

 

 

VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI, escritora e poetisa,  vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 20:38
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JOSÉ RENATO NALINI - A IGREJA DO DIABO

 

 

 

 

 

 

 

 

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É o nome do conto que Machado de Assis escreveu há 132 anos e narra a intenção do demônio de ter também uma Igreja. Ressentido quanto à multiplicação de templos, todos eles voltados à latria, pensou que o grupo dos já por ele conquistados poderia cultuar o Príncipe das Trevas.

Foi conversar com Deus a respeito. Pedir licença, pois não desconhece quem é que manda. Volta à Terra e começa a arrebanhar os que preferem exatamente o inverso das virtudes cristãs. “Clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram as naturais e legítimas. A soberba, a luxúria, a preguiça foram reabilitadas e, assim, também a avareza”. Enfim, tudo ao contrário do que prega o catecismo.

Havia um lugar muito especial para a fraude. Para o diabo, enquanto o braço direito do homem é a força, seu braço esquerdo é a fraude. E há muitos canhotos no mundo!

Antecipando-se quase século e meio de uma situação lamentável, porém aparentemente entranhada nos hábitos humanos, o “bruxo do Cosme Velho” relata como é que o demo enxerga a venalidade. A venalidade é o exercício de um direito superior a todos os direitos. “Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo?

O diabo fez funcionar sua Igreja e a ela aplicou toda a sua inteligência e todo o seu empenho. Não são poucos. Afinal, ele é príncipe das milícias celestes, embora expulso do Paraíso. Sua maior façanha é fazer a humanidade acreditar que ele não exista.

Só que ele se frustrou. Alguns de seus fiéis continuavam, às escondidas, a praticar as virtudes cristãs. Foi reclamar a Deus, que respondeu: “Que queres tu, meu pobre Diabo? É a eterna contradição humana!

Graças a isso, ainda existem políticos honestos, pessoas idealistas, desapegadas e generosas. Desistam os maledicentes, pois a humanidade é assim mesmo: heterogênea, complexa, mesclada de todos os matizes.

 

 

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 19/05/2016

 


JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.



publicado por Luso-brasileiro às 20:33
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DEZ CONSELHOS DE BENTO XVI AOS JOVENS

    

 

 

 

 

1 – Conversar com Deus

 

“Algum de vós poderia, talvez, identificar-se com a descrição que Edith Stein fez da sua própria adolescência, ela, que viveu depois no Carmelo de Colônia: ‘Tinha perdido, consciente e deliberadamente, o costume de rezar’. Durante estes dias podereis recuperar a experiência vibrante da oração como diálogo com Deus, porque sabemos que nos ama e, a quem, por sua vez, queremos amar”.

 

2 – Contar-lhe as penas e alegrias

 

“Abri o vosso coração a Deus. Deixe-vos surpreender por Cristo. Dai-lhe o ‘direito de vos falar’ durante estes dias. Abri as portas da vossa liberdade ao seu amor misericordioso. Apresentai as vossas alegrias e as vossas penas a Cristo, deixando que ele ilumine, com a Sua luz, a vossa mente e toque com a sua graça o vosso coração                                                                         

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3 – Não desconfiar de Cristo

 

“Queridos jovens, a felicidade que buscais, a felicidade que tendes o direito de saborear tem um nome, um rosto: o de Jesus de Nazaré, oculto na Eucaristia. Só ele dá plenitude de vida à humanidade. Dizei, com Maria, o vosso ’sim’ ao Deus que quer entregar-se a vós. Repito-vos, hoje, o que disse no princípio de meu pontificado: ‘Quem deixa entrar Cristo na sua vida não perde nada, nada, absolutamente nada do que faz a vida livre, bela e grande. Não! Só com esta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só com esta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só com esta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta’. Estai plenamente convencidos: Cristo não tira nada do que há de formoso e grande em vós, mas leva tudo à perfeição para a glória de Deus, a felicidade dos homens e a salvação do mundo”.

 

4 – Estar alegres: querer ser santos

 

“Para além das vocações de consagração especial, está a vocação própria de todo o batizado: também é esta uma vocação que aponta para um ‘alto grau’ da vida cristã ordinária, expressa na santidade. Quando encontramos Jesus e acolhemos o seu Evangelho, a vida muda e somos impelidos a comunicar aos outros a experiência própria. A Igreja necessita de santos. Todos estamos chamados à santidade, e só os santos podem renovar a humanidade. Convido-vos a que vos esforceis nestes dias por servir sem reservas a Cristo, custe o que custar. O encontro com Jesus Cristo vos permitirá apreciar interiormente a alegria da sua presença viva e vivificante, para testemunhá-la depois no vosso ambiente”.

 

5 – Deus: tema de conversa com os amigos

 

“São tantos os nossos companheiros que ainda não conhecem o amor de Deus, ou procuram encher o coração com sucedâneos insignificantes. Portanto, é urgente ser testemunhos do amor que se contempla em Cristo. Queridos jovens, a Igreja necessita de autênticos testemunhos para a nova evangelização: homens e mulheres cuja vida tenha sido transformada pelo encontro com Jesus; homens e mulheres capazes de comunicar esta experiência aos outros”.

 

Leia também: Juventude, tempo de crescer

A juventude é o maior tesouro da humanidade

Carta de São João Bosco para os jovens

Qual a vontade de Deus para os jovens?

Oração do adolescente

 

6 – Ir à Missa no Domingo

 

“Não vos deixeis dissuadir de participar na Eucaristia dominical e ajudai também os outros a descobri-la. Certamente, para que dela emane a alegria que necessitamos, devemos aprender a compreendê-la cada vez mais profundamente, devemos aprender a amá-la. Comprometamo-nos com isso, vale a pena! Descubramos a íntima riqueza da liturgia da Igreja e a sua verdadeira grandeza: não somos os que fazemos uma festa para nós, mas, pelo contrário, é o próprio Deus vivo que prepara uma festa para nós. Com o amor à Eucaristia, redescobrireis, também, o sacramento da Reconciliação, no qual a bondade misericordiosa de Deus permite sempre que a nossa vida comece novamente.”

 

7 – Demonstrar que Deus não é triste

 

“Quem descobriu Cristo deve levar os outros para Ele. Uma grande alegria não se pode guardar para si mesmo. É necessário transmiti-la. Em numerosas partes do mundo existe hoje um estranho esquecimento de Deus. Parece que tudo anda igualmente sem Ele. Mas, ao mesmo tempo, existe também um sentimento de frustração, de insatisfação de tudo e de todos. Dá vontade de exclamar: Não é possível que a vida seja assim! Verdadeiramente não.”

 

8 – Conhecer a fé

 

“Ajudai os homens a descobrir a verdadeira estrela que nos indica o caminho: Jesus Cristo. Tratemos, nós mesmos, de conhecê-lo cada vez melhor para poder conduzir também os outros, de modo convincente, a Ele. Por isso é tão importante o amor à Sagrada Escritura e, em consequência, conhecer a fé da Igreja que nos mostra o sentido da Escritura.                                        

                                                                             cpa_sede_santos

 

 

 

9 – Ajudar: ser útil

 

“Se pensarmos e vivermos inseridos na comunhão com Cristo, os nossos olhos se abrem. Não nos conformaremos mais em viver preocupados somente conosco mesmo, mas veremos como e onde somos necessários. Vivendo e atuando assim dar-nos-emos conta rapidamente que é muito mais belo ser úteis e estar à disposição dos outros do que preocupar-nos somente com as comodidades que nos são oferecidas. Eu sei que vós, como jovens, aspirais a coisas grandes, que quereis comprometer-vos com um mundo melhor. Demonstrai-o aos homens, demonstrai-o ao mundo, que espera exatamente este testemunho dos discípulos de Jesus Cristo. Um mundo que, sobretudo mediante o vosso amor, poderá descobrir a estrela que seguimos como crentes.”

 

10 – Ler a Bíblia

 

“O segredo para ter um ‘coração que entenda’ é edificar um coração capaz de escutar. Isto é possível meditando sem cessar a palavra de Deus e permanecendo enraizados nela, mediante o esforço de conhecê-la sempre melhor. Queridos jovens, exorto-vos a adquirir intimidade com a Bíblia, a tê-la à mão, para que seja para vós como uma bússola que indica o caminho a seguir. Lendo-a, aprendereis a conhecer Cristo. São Jerônimo observa a este respeito: ‘O desconhecimento das Escrituras é o desconhecimento de Cristo’”

 

Fonte: http://opusdei.org.br/pt-br/article/dez-conselhos-de-bento-xvi-aos-jovens/

 



publicado por Luso-brasileiro às 20:16
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PAULO R. LABEGALINI - CARA - DE - PAU

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A correspondência abaixo foi enviada por um devedor a uma das várias lojas credoras:

 

“Prezados senhores, esta é a oitava carta de cobrança que recebo de Vossas Senhorias. Sei que não estou em dia com meus pagamentos, acontece que devo também em outras lojas e todas esperam que eu lhes pague. Contudo, meus rendimentos mensais só permitem que pague duas prestações no final de cada mês. As outras, ficam para o mês seguinte.

Estou ciente de que não sou injusto, daquele tipo que prefere pagar esta ou aquela empresa em detrimento das demais. Ocorre o seguinte: todo mês, quando recebo meu salário, escrevo o nome dos credores em pequenos pedaços de papel, que enrolo e coloco dentro de uma caixinha. Depois, retiro dois papéis, que são os sortudos que irão receber o meu dinheirinho suado. Os outros, paciência, ficam para o mês seguinte.

Afirmo aos senhores que sua empresa vem constando todos os meses da minha caixinha. Se não os paguei ainda, é porque estão com pouca sorte. Finalmente, faço-lhes uma advertência: se continuarem me enviando cartas de cobrança ameaçadoras, serei obrigado a excluir o nome de Vossas Senhorias dos meus sorteios mensais. Sem mais, obrigado.”

Como tem gente esperta, não? Aliás, o adjetivo seria outro, mas deixa pra lá.

Quem tem Deus no coração e segue uma religião séria – vivendo o Evangelho dia-a-dia –, não prejudica outras pessoas porque sabe que o pecado irá condenar eternamente sua alma. Eu diria que precisa até ser cara-de-pau de vez em quando, mas buscando o bem.

Quantas vezes eu já ‘calcei a cara’ e saí pelas ruas pedindo ajuda para alguma obra de caridade! Hoje, se precisar, volto a fazê-lo sem constrangimento, mas nem sempre foi assim. Precisei vencer a timidez e me convencer da minha missão. Uma regra básica para conseguir os recursos necessários para cada obra é esta: ‘se não foi esmola e tomou emprestado, devolva’. Infelizmente, nem todos pensam assim, como nesta história:

Quase todos os dias, a vizinha de dona Carla lhe pedia o moedor de carne emprestado – que não gostava de cedê-lo porque era presente de casamento e o conservava há 35 anos sem quebrar. Além disso, moedor como aquele nem existia mais, pois os modernos têm rosca frouxa, cabo que enrosca e manivela que gira em falso.

Tanto a vizinha o emprestou que ele mudou de casa, já que a ‘nova dona’ não se preocupava em devolver o utensílio após o uso. Então, quando dona Carla precisava moer suas carnes, tinha que pedi-lo à vizinha! E embora achasse a situação muito injusta, a proprietária do aparelho tinha alma boa e procurava viver em paz com a amiga.

Um dia, porém, dona Carla foi até a casa da vizinha dizer que precisava usar por uma hora o seu utensílio:

– Oi, querida, poderia me emprestar o moedor de carne agora à tarde? Prometo que lhe devolvo rapidinho.

– Sinto muito, Carla, mas hoje estou preparando uns croquetes para o jantar e vou usá-lo o dia todo. Eu gostaria de ter um moedor elétrico, que rende mais, mas vou quebrando o galho com este velho por enquanto.

Pois é, quanta gente cara-de-pau vive se aproveitando da boa vontade dos outros, não é mesmo? Mal sabem que temos uma missão na Terra e também precisamos atuar junto às pessoas que não creem. Ser cristão inclui ser enviado ao mundo como representante de Jesus Cristo. A missão de Jesus, agora é a nossa missão: anunciar a vida eterna!

Mas, um problema do cristão que se converteu há muito tempo é se esquecer de como é triste viver sem Cristo. Não importa o quanto as pessoas pareçam estar felizes e bem sucedidas, se não mudarem, estarão destinadas à separação eterna de Deus. E mesmo que você julgue precisar ser cara-de-pau para entrar na vida dos outros, vá em frente na evangelização porque os anjos do Céu o acompanharão.

Quem se isola, enterra seus dons e perde a oportunidade de dar e receber amor sincero. Lembre-se também da lição deste caso:

Havia uma pessoa que morava numa casa sem janelas e revestida de espelhos, inclusive o chão e o teto. Olhava sua imagem de vários ângulos dezenas de vezes ao dia e analisava: suas doenças, suas limitações físicas, seu baixo salário, sua infelicidade e outras mazelas.

Certa manhã, um espelho do quarto quebrou e, em substituição, foi colocada uma janela. Passando a olhar por ela de vez em quando, aquela pessoa egoísta foi percebendo que lá fora existiam muitas pessoas que choravam, que eram mais pobres que ela, que sofriam e que se ajudavam também.

Isso se tornou um verdadeiro tormento, porém, quando outro espelho quebrou e outra janela foi instalada, percebeu também que existiam outras pessoas diferentes daquelas que passavam pela janela da frente. Eram mais alegres e sempre paravam para conversar umas com as outras. Isso se repetiu com o tempo e outras janelas foram instaladas naquela casa.

Então, a pessoa que residia ali pode experimentar o sabor da felicidade, passando a conversar com muita gente e não enxergando somente os seus problemas. A cada gesto de caridade que praticava, dava mais valor à vida.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas



publicado por Luso-brasileiro às 20:10
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - UMA VELHA HISTÓRIA DA NOSSA BEIRA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rezar uns pelos outros, é recomendação bíblica, e o Apostolo recomendou, mormente pelos doentes; mas a oração só será eficaz, se o enfermo colaborar.

Gonçalo Fernandes Trancoso, conhecido escritor do século XVI, reconta em: “ Histórias de Proveito e Exemplo” o antiquíssimo conto popular beirense:

Reza a tradição, que em determinado local, da nossa linda Província da Beira, havia piedoso eremita, que erguera, na crista de empinada serra, humilde casebre.

Perigoso salteador de estrada – talvez após séria reflexão, – avizinhou-se do eremita, para lhe pedir um favor, já que, segundo lhe disseram, falava com Deus:

- “ Tu que falas com o Altíssimo, pede-Lhe, que me liberte desta ruim vida, em que ando, que não me dá sossego.

“ Se não me conceder, essa graça, talvez venha a praticar o feio desatino de te matar! …”

Ficou o servo de Deus, aflito, temendo o temível sicário, que espalhava o terror em toda a região; e nas suas orações, rogava, fervorosamente, para que Deus o atendesse.

Mas, o ladrão e assassino, continuava sempre, na vida solta, que sempre levara. Como não sentisse coragem – embora a consciência o acusasse, – para se emendar, pensou que o servo de Deus não fizera caso do seu pedido, apesar de constantes ameaças: gestos e palavras ofensivas.

Convencido que o eremita não apresentara a petição, a Deus, assentou concretizar as ameaças, já que as não levara a sério.

Uma manhã, ao romper do sol, aproximou-se, cautelosamente, com facalhão na mão, da humilde choupana.

O eremita, que estava de atalaia, apareceu-lhe de ar sereno:

-” Se vens matar-me, primeiro teremos que levantar a laje, que será colocada sobre a minha sepultura…”

Concordou o assassino; e foram suspender a pesada laje de granito, que conservava em casa.

Reparou o facínora que o servo de Deus puxava a pedra para baixo, enquanto ele a tentava levantar, e disse-lhe de mau modo:

- “ Como posso levanta-la, se puxais para baixo!? …”

Ao que o eremita repostou, em voz macia:

- “ Compreendes agora, como nada é possível, quando cada um puxa para lado contrario?! …Nada adianta pedir a Deus, para que te tornes um homem honrado, se não te arrependeres, e desejares, do fundo do coração, afastar-te da má vida que levas?! …”

Se não houver vontade de emenda, de nada serve sermos religiosos.

O que nos salva, é o desejo, o esforço – mesmo infrutífero, – de sermos cada vez mais perfeitos.

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 20:02
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JORGE VICENTE - MULHER MODELO

 

 

 

 

                                                 És mulher, amor - ternura,

                                                 Um pecado, um sofrimento

                                                 E andas a ser meu tormento

                                                 Nesta paixão que perdura !

 

 

                                                 Chama-lhe, sim, aventura

                                                 Que pra mim és  amor eterno

                                                 A lembrar amor materno

                                                 Com essa alma tão pura.

 

 

                                                 Dá-me também alegria

                                                 Para que eu me sinta bem;

                                                 Como eu disso gostaria!

 

 

                                                 És mulher, amor - saudade,

                                                 Tudo que a vida contém

                                                 Prá viver na Eternidade!

 

 

 

 

JORGE VICENTE   -   Fribourgo, Suiça

 

 

 

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PINHO DA SILVA   -   MINHA VIDA COM
TERESINHA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

                                                   

 

Ainda na via dolorosa...

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PINHO DA SILVA - (1915 – 1987). Nasceu a 12 de Janeiro, em Vila Nova de Gaia, (Portugal). Frequentou a Escola de Belas Artes, do Porto. Discípulo de Acácio Lino, Joaquim Lopes e do Mestre Teixeira Lopes. Primo do escultor Francisco da Silva Gouveia (autor da celebre estatueta de Eça de Queiroz). Vila-florense adotivo, por deliberação da Câmara Municipal. Redator do “Jornal do Turismo”. Membro da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Foi Secretário-geral da ACAPPublicou " Minha Vida Com Teresinha", livro autobiográfico.

 

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 19:50
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Sábado, 14 de Maio de 2016
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - COMPROMETIMENTO

 

 

 

 

 

 

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            Embora estejamos de presidente novo, vou me abster de tocar nesse assunto novamente, ao menos por enquanto. Deixemos, agora, que o tempo se encarregue de mostrar os erros e os acertos, bem como, àqueles que não concordam com A ou B subsiste o direito constitucional de se socorrerem do Judiciário. Hoje, assim, eu quero escrever sobre uma outra coisa que tem me incomodado muito: a falta de comprometimento!

            Na minha vida profissional e pessoal, ao que me consta pelo menos, tenho buscado manter a minha palavra acima de todas as coisas. Não preciso ter escrito algo e assinado embaixo para que isso tenha valor. Se eu falei, se eu prometi, farei tudo que estiver ao meu alcance para cumprir e honrar a palavra que empenhei. Se eu não tenho certeza sobre poder ou não fazer, nem prometo. Se por alguma razão, alheia a minha vontade, eu ficar impossibilitada de cumprir, sou a primeira a avisar.

            Quero deixar claro que não faço isso para registrar meus acertos, mas porque fico muito injuriada quando os outros agem de forma diversa comigo e, estou certa, cada um de vocês que igualmente cumprem o combinado, devem ficar desgostosos quando gente sem comprometimento falta com o avençado. Já ensina a sabedoria popular que “o que é combinado não é caro”!

            Assim, uma coisa que me irrita ao extremo é alguém combinar algo comigo, não cumprir e depois simplesmente não dar a menor satisfação, como se prometer não significasse coisa alguma. De fato, para esse tipo de gente, a palavra compromisso parece ser destituída de significado. Um compromisso é uma obrigação assumida, escrita ou oralmente. Quando me comprometo com alguém sei que essa pessoa conta comigo e que, não raras vezes, a partir da minha palavra, compromete-se com outras coisas ou outras pessoas.

            Dia desses, para homenagear um amigo, resolvi convidar outros tantos para ratearmos um presente especial.  Um desses amigos, no entanto, de forma reincidente, foi um dos primeiros a aderir e, quando o presente já ia ser comprado, simplesmente disse que não iria mais participar, assim, em razão alguma. Tudo bem mudar de ideia, mas avisar somente depois da conta ter levado em consideração a parte que lhe cabia, já é falta de respeito ou hombridade mesmo. Acabei pagando eu mesma a parcela que cabia à dita pessoa. Em prol de evitar maiores aborrecimentos, deixei para lá, mas agora sei que não posso, em absoluto contar com essa pessoa para coisa alguma.

            Atitudes desvinculadas do senso de responsabilidade fazem com que eu me decepcione profundamente e que acabe me afastando de gente assim, inevitavelmente. Acredito que não dá para viver sem assumir compromissos. Viver é para gente grande, não gente que se apequena. Viver é para gente corajosa.  Para viver e se relacionar com o próximo é preciso ter palavra, é preciso saber que não se passa por essa existência sem um preço, sem um custo. 

            Ao meu sentir, quem não é fiel às próprias palavras também não é fiel às ideias e nem a nada, tampouco aos amigos. Cansada de gente adulta que vive como criança, no pior sentido disso...

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:00
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - EM HOMENAGEM A SANTO IVO, A ORAÇÃO DO ADVOGADO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Até o ano de 2000, comemorava-se a 19 de maio no Brasil, como em muitos outros países ainda assim o fazem, o Dia do Advogado, em homenagem a Santo Ivo, que foi canonizado nesta data em 1390. Durante toda a sua vida, lutou pelos direitos dos pobres, principalmente contra os senhores feudais e demais poderosos da época, tendo como magistrado, criado a isenção de custas para os necessitados, razão pela qual, muitos historiadores apontam-no como criador da Justiça Gratuita. Sua atuação se pactuou no entendimento de que as virtudes do homem de Justiça são a probidade e a competência, comuns e naturais à atividade honesta e, principalmente, o amor à verdade, que desvenda e impõe a causa justa. Por isso, o seu primeiro mandamento recomenda aos advogados que recusem o patrocínio de causas contrárias à Justiça, ao decoro ou a própria consciência.

Destacando o patrono dos advogados, podemos dizer que enquanto instituição, a advocacia tem sido líder da cidadania. No exercício do Poder Judiciário, ela se revela em peça básica à consolidação do princípio constitucional de que todas as pessoas têm de solicitar o pronunciamento da função jurisdicional através do denominado direito de ação. Além das atividades que lhes são inerentes à profissão, por sua própria conduta social, o advogado desperta as mais nobres aspirações de liberdade e de defesa das instituições democráticas.

Esperamos que todos os operadores do Direito, em qualquer posição, ajam com a mesma dignidade e o desprendimento deste santo homem, rendemos nossas sinceras homenagens a esses profissionais, cuja missão é a de praticar aquilo que Santo Ivo fez em sua vida, como exemplo de dignidade e proteção aos oprimidos, revitalizando a advocacia como ação, como um constante préstimo aos valores que regem a conduta humana. E nessa trilha, apresentamos a  ORAÇÃO DO ADVOGADO:     

 

“Senhor, Deus!

                   Abençoai a          nossa função social, despertando-nos constantemente às mais nobres aspirações de liberdade, de proteção aos princípios democráticos e de   resistência a quaisquer ataques e investidas arbitrárias.

                 Dai-nos sensibilidade de compreendermos que a injustiça é um  sentimento que machuca profundamente o ser humano, tornando-nos  assim, os primeiros e  mais eficazes instrumentos de defesa dos injustiçados.

                   Elevai-nos espiritualmente para que recusemos o patrocínio de causas contrárias à Justiça, ao decoro ou à própria consciência e para que, entendendo a extensão de nossa missão, prestemos assistência aos humildes e oprimidos, assegurando-lhes uma vida digna e decente.

                   Iluminai-nos no sentido de correspondermos à confiança e à esperança que nos são depositadas, fazendo jus à imensa fé outorgada ao nosso ofício, tão relevante, a ponto de se invocar a Virgem Maria, na oração Salve Rainha, como nossa advogada perante Vosso Filho. 

                   Fazei-nos com que sejamos testemunhos verdadeiros a serviço do Direito, da paz e do exercício pleno da cidadania, inspirando-nos a realizar nosso ministério com presteza, seriedade e amor ao próximo, continuamente apoiados na força da razão e da palavra.

                   Amparai-nos em momentos críticos, mantendo-nos leais, sábios e equilibrados, numa constante busca de aperfeiçoamento no cumprimento de nossos deveres, e livrai-nos de todas as  tentações mercenárias e inescrupulosas, protegendo-nos também da ira dos que forem insensíveis aos legítimos interesses da humanidade.

                   Agradecendo pela elevada vocação que nos concedeste, rogamos-Lhe que, a exemplo de Santo Ivo, nosso padroeiro,  ajudai-nos  sempre a revitalizarmos  a advocacia como ação, num constante serviço aos valores reais que regem a conduta dos homens, visando a edificação de um mundo mais fraterno, solidário e socialmente justo.

                   AMÉM!” (J.C.J.Martinelli)

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. Presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmai.com)

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:54
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - FILHOS NA ADOLECÊNCIA

 

 

 

 

 

 

 

 

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Há algumas semanas, a pedagoga da E.E. “Parque Residencial Almerinda Chaves”, Rosana Sueli Biagiotto, que também atua na Casa da Fonte – CSJ, solicitou-me um texto, que comento abaixo, para a reunião de pais do referido estabelecimento de ensino, tendo em vista as ameaças que rondam os jovenzinhos, principalmente os que têm pouco acesso a um lazer saudável.
A adolescência é tempo de sonhos com asas; é tempo de questionamentos, indagações, tantas vezes sem resposta.
O corpo adquire características diferentes. Sobrevive-se com um pouco do que se era e o novo. O novo encanta ou desencanta; de quando em quando surpreende na alegria ou assusta.
E os sonhos? Ah, os sonhos! Oscilam entre o possível e o impossível.
O importante é o cuidado com as asas nos espaços das carências e vazios.
Há asas que, muito cedo, se prendem ao lodo que existe em inúmeros lugares.  No lodo, se afunda e se perde a capacidade de voo. O lodo, no caso, é a violência, o álcool, são as drogas, são os relacionamentos amorosos sem propostas de afeto. Recentemente, li, em uma página do Facebook, um menino de 15 anos convidando o amigo para uma balada. O mocinho respondeu que não iria pelo insucesso com as garotas. A argumentação foi para que não se preocupasse, porque, no tal evento, bastava se posicionar como cachorro em tempo de cio, encostando-se a esta ou àquela menina. Doloroso!
Quantas pessoas afetadas pela dependência química, pelas doenças sexualmente transmissíveis, pela gravidez de pai ignorado! Quantas pessoas lesionadas por gente sem escrúpulo!
O sonho é sempre um voo na expectativa de encontrar o melhor, o que coloca brilho nos olhos. Não oferecerá, contudo, riscos de quedas que danifiquem o ser humano se houver quem coloque limites, ensine, ampare e mostre vantagens e desvantagens em conversa diárias.  Imprescindível o acompanhamento pelos pais em tudo: na internet, no celular, nas mochilas... Pais omissos, filhos destruídos.
Que os pais não permitam que seu filho ou sua filha saiam em voo do ninho sem os ensinar sobre os perigos, sem saberem aonde vão, sem observarem o ambiente ao qual se integram.
Viver não é simples e nem fácil. Ilusão sem lucidez é atalho para os pântanos. A única forma de não perder a formosura que a vida tem, em todas as suas fases e transformações, é voar com os olhos no horizonte.

 

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE   -   Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil 


 



publicado por Luso-brasileiro às 17:52
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RENATA IACOVINO - A PERSISTÊNCIA DA ALMA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

               

            Entre os assuntos abordados com colegas que buscam colocar sua arte a público, quase sempre a pauta é: viver ou não dela.

            Trabalho com duas linguagens artísticas e é bastante comum me perguntarem qual é a mais difícil no mercado.

            Creio que o mais difícil seja você chegar às pessoas sem contar com o respaldo de uma grande mídia e de muito dinheiro, portanto, isto atinge a todos nós, pessoas comuns, que investimos em nossas criações e financiamos nossos projetos, e, a duras penas, tentamos fazer o papel de vendedor.

            Não é fácil sobreviver de música ou de literatura. Não vivo disto, infelizmente, no entanto, tal fato não torna menor o que realizo, ou faz com que minhas atividades deixem de ser profissionais. Ao contrário, sempre tive uma dedicação além do que algumas vezes é possível observar por aí. E isto acaba até nos desestimulando face ao despreparo e à negligência com que nos deparamos em algumas situações.

            Em contrapartida, há muita gente boa tentando das mais variadas formas, mostrar sua arte.

            Minha opção foi trilhar por outro caminho, também. Minha intenção não era trabalhar exclusivamente com arte, posto que eu tinha outras áreas de interesse. Busquei isto, embora a música e a literatura nunca tivessem me abandonado, até que num dado momento, por uma necessidade de alma, comecei a exercer profissionalmente tais atividades.

            Penso: se alguém pode ser professor e vender cachorros-quentes, ou se é possível ser balconista e vender laranjas, ou seja, se qualquer pessoa, conseguindo, pode ter dois empregos, por que, eu, músico ou escritor, devo dedicar-me somente à minha profissão, justamente um ofício que produz cultura, leia-se: praticamente sem valor no mercado capitalista?

            Por vezes chegamos a desanimar, especialmente frente a situações esdrúxulas. Exemplo:  as pessoas acharem que o fato de termos livros publicados ou CDs lançados, estamos com a vida ganha, quando o problema começa exatamente aí. Inicialmente porque alguns imaginam que o meu produto é para ser dado e não adquirido. Isto porque mesmo que vendido, não recuperarei o capital que nele investi. Outra questão é porque há, ainda, o pensamente de que quem faz arte o faz por diversão, hobby, ou coisa do gênero.

            Mas, persistência também é uma arte e é nela que tenho investido ultimamente.

 

 

Renata Iacovino,  poeta e cantora / facebook.com/oficialrenataiacovino/ reiacovino@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 17:33
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