PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 2 de Outubro de 2016
HUMBERTO PINHO DA SILVA - FOI EM BRAGANÇA, NO MÊS DE MARIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Corria o mês de Maio…Mês das flores e de Maria.

Batidas pela luz luminosa da manhã primaveril, as velhas pedras, do velho castelo, ganhavam novo brilho, e refulgiam, cintilantes, por entre antigas casas da cidadela medieval.

O delicado recorte, do vetusto burgo – ex-libris da cidade, – invocativo de gestas, de gloriosos tempos; tempos de homens robustos, que se entregavam à morte: pela Fé, pela Pátria, e pela Honra, pareceu-me, nesse recuado dia de Maio, Dia das Cantarinhas, antiquíssima iluminura, arrancada a velha e amarelecida página, da nossa velha e gloriosa História.

Chegavam diluídas à ampla e panorâmica varanda, banhada pelo sol doirado da manhã, quebrando o silêncio, o rosnar murmuroso de viaturas, com vozes longínquas e frases esgaçadas, trazidas pela brisa fresca da Sanábria, à mistura, com alegres pipios, de pardalitos, que festivamente saudavam o sol matinal.

A menina dos totós, agora senhora de acetinado rabo-de-cavalo, folgava, esfuziante, correndo solta, pela casa paterna; balanceava, ritmicamente, os mimosos bracitos, bem torneados; e sacudia, esvoaçando, o fino cabelo castanho, que escorria, doirado, pelos ombros e pelas costas, quase até à cintura.

O semblante era alegre; o andar leve, como leve é o andar da jovem gazela; e os olhos, bem arregalados, eram duas pequenas pérolas saltitantes, de azeviche, sorrindo de felicidade.

Ora se debruçava no parapeito verde da grade; ora penetrava, borboleteando, na estreita salinha, envolta em silêncio, onde a jovem mãe, lia, atentamente, o jornal da localidade; ou rompia, como tufão, pela cozinha, onde a mana querida, cuidava, zelosamente, da sobremesa do almoço; ou mergulhava no sombrio corredor, sempre em desenfreadas corrimaças.

De súbito, estaca.

Fica pensativa, de olhos sonhadores, enxergando não sei quê. Volta a correr; galga, dois a dois, os degraus de acesso à porta da rua; e saltitando sempre, como feliz passarinho, envereda para o quintal.

Era uma manhã doirada do mês de Maio; mês de Maria e das flores…

Pintara-se o céu de azul; azul encharcado de luz, translúcido e misterioso.

Entre a vegetação rasteira do quintal, havia raquítico arbusto, arvorezinha anã, que medrava em terra pobre e ressequida.

A garotinha, de tez doirada, cor de areia, dona de soberbos e expressivos olhos, irradiantes de ternura, mansamente, avizinhou-se do arbusto.

Estática, mira-o por instantes; entorta a cabecinha. Depois…num ápice, estica-se; apruma-se; ergue-se em biquinhos dos pés; e num salto certeiro, encarrapita-se num garfo, enlaçando-se, de pés e mãos, ao fino e frágil tronco.

A arvorezinha, oscila, cambaleia, balança, parece quebrar, mas de novo se ergue.

A menina, baloiçando, eufórica, solta risadinha de prazer, mostrando a brancura dos dentes, emoldurados pelos lábios rubros e o doirado-moreninho do rosto traquina.

 

Pelourinho e Castelo de Bragança.jpg

 

É um flash; uma cena fugidia; centelha, que saltou da profundeza da memória, há décadas sepultada em remota gaveta.

Por sortilégio de benfazeja fada, emerge, de longe a longe, dos recôncavos do meu subconsciente, em turbilhão: episódios, diálogos do tempo de outrora.

Torno a escutar, antigos ecos ancestrais de vozes amigas, e chilreios de crianças, que já não são.

Vozes e chilreios, que se sumiram num tempo, que foi, mas já não é.

Esses flashes, são, para mim, saudosas recordações, que me enchem de alegria ou de amargura, a alma, já de si, e por natureza, nostálgica.

Nessa época passada, que passou – e jamais passará, – ainda acreditava, ingenuamente: que o amor era para sempre…; as promessas eternas…; e só por um ideal valia a pena viver! …

Para mim, a amizade, era infinita; e só seria feliz, se todos o fossem…

Era simples; simples, como a mais simples e humilde florzinha do campo, que acorda ao espreguiçar do primeiro raio da aurora, e morre no crepuscular, antes que as trevas cheguem.

Mas era feliz. Feliz, porque desconhecia as vicissitudes da vida, e a maldade e orgulho dos adultos: dos que sempre vivem de máscara no rosto e hipocrisia no coração…

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 17:33
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CLARISSE BARATA SANCHES - PASSANTES DA TERRA

 

 

 

 

 

 

 

 

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                    A Terra imensa e tão magnificente,

                    Em nada nos pertence, enquanto vivos…

                    Mesmo saudáveis, jovens e ativos,

                    Somos dela, passantes, simplesmente!

 

 

 

                    Felicidade, Amor, honra influente,

                    Por mais que sejam bens estimativos,

                    São todos, eles, dotes fugitivos

                    Que a morte leva, um dia, de repente!

 

 

                    Há quem se julgue rico e proprietário,

                    Quando muito, será usufrutuário

                    Dum bem que pensa ter, mas não é seu…

 

 

                    A nossa Vida é qual sopro divino,

                    E porta entreaberta, do destino,

                    A fazer-nos passagem, rumo ao Céu!

 

 

CLARISSE BARATA  SANCHES   – Góis,  Portugal

 

 

***

 

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ACABA DE SAIR

 

 "Leva-me Contigo, a senhora S & outras histórias"

de

 

REMISSON  ANICETO

 

 

 Publicado pelos competentes Tonho França e Wilson Gorj (Editora Penalux, 220 páginas, 14×21 – R$ 40,00),  apresenta 23 contos e crônicas numa linguagem leve, fluida e emocionante.

 
Com prefácio de Angelo Mendes Corrêa, texto recomendação de Daniella Basso e orelha de Plínio Camillo, eis um livro que nasceu lentamente, sem a mínima pressa, quase a conta-gotas (ou seria melhor a conta-letras?), vindo cada conto a lume somente depois de medido e pesado, com todas as suas proporções minuciosamente calculadas para que pudesse se apresentar ao leitor da melhor forma possível.
 
Um ator que não consegue dissociar sua vida conjugal das suas atuações no palco; um homem que sonha ser amante e defensor de todas as mulheres e outro que firma um acordo com o Diabo; um padre apaixonado pela modelo Gisele Bündchen; um candidato a deputado extremamente sincero;  um reino onde qualquer manifestação de alegria era severamente castigada; um menino índio que descobre uma forma inusitada de se proteger das maldades do homem branco…
 
Esperando atender às expectativas de quem lê, transitando entre a seriedade e o humor e com uma linguagem clara e cadenciada, as histórias cuidadosamente selecionadas para esta edição abordam variados temas do nosso cotidiano, como a vida e a morte, o amor e o desamor, o casamento, a sexualidade, a solidão, a intolerância, a política, a loucura, os sonhos, a infância, a crise da água e muitos outros.
 
Sugestivamente, Leva-me Contigo, a senhora S & outras histórias pede colo e em seguida oferece abrigo, passando por tantos caminhos que fizeram, fazem e farão parte da vida de muitos de nós.
 
Livro Leva-me Contigo, a senhora S & outras histórias, de Remisson Aniceto – contos e crônicas – R$ 40,00 (Editora Penalux – 220 páginas: 14×21)
 
Disponível a partir de Outubro/2016 em: www.editorapenalux.com.br/loja
 
 
Pedidos: vendas@editorapenalux.com.br
 
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10209831635929501&set=a.3600145044196.2167329.1290641951&type=3&theater

 



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