PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2016
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - AMOSTRAS DO ANEDOTÁRIO LAETIANO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Continuo a matéria da última semana, sobre o fino humorismo do jornalista católico e monarquista Carlos de Laet (1847-1927). Sua inventividade era incrível, não havia recurso jornalístico que ele não usasse para defender com igual paixão suas ideias religiosas ou políticas, e até mesmo suas preferências gramaticais e literárias. Ainda hoje, mais de um século depois de escritos, seus artigos são em extremo atraentes e surpreendem pela originalidade e variedade de recursos jornalísticos. Como registra Homero Senna, “Laet inventava os mais diversos expedientes para encher a sua coluna de jornal. Ora forjava cartas de leitores imaginários; ora atribuía o que se ia ler a um cidadão desalojado de uma das favelas da cidade; ora fantasiava um colóquio com animais do Jardim Zoológico. Certa feita, chegou a dar a sua crônica como reproduzida de um jornal de circulação restrita, lançado por um grupo de doentes do Hospício da Praia Vermelha” (Introdução a “Obras Seletas de Carlos de Laet”. Rio: Fundação Casa de Rui Barbosa/Agir, 1983, vol. 1, p. 17).

Em torno de Laet criou-se um verdadeiro mito. É imenso o anedotário verdadeiro ou falso que se lhe atribui. Aqui vão alguns exemplos do que disse...  ou do que se disse que ele disse.

* Conta-se que D. Pedro II certa vez lhe mostrou um soneto que fizera, no qual observara todas as regras da rima, da métrica e do ritmo, mas em que era irremediável a falta de inspiração.

─ Que tal os meus versinhos, “seu” Laet?

─ Muito bons... Mas Vossa Majestade bem que poderia fazer coisa melhor.

* Um escritor jovem, polemizando com Laet, à falta de melhor argumento, chamou-o velho. A resposta foi cortante: ─ Na escala zoológica, meu jovem, velhice é um conceito muito relativo. Um homem de sessenta anos, como é o meu caso, ainda está forte e lúcido. Mas um burro de vinte e tantos anos, como o Sr., não presta para mais nada.

* Durante uma aula, enquanto lecionava no Colégio Pedro II, Laet fez referência à criação do homem. Um aluno atrevido ousou interrompê-lo: ─ Professor, o Sr. está muito desatualizado. O meu pai disse lá em casa que todos nós descendemos do macaco.

Laet, com sua voz fanhosa e terrível, deu pronta resposta: ─ Eu não me meto em questões de família, menino. Seu pai deve saber melhor do que eu de onde ele veio...

* Ao sair de uma conferência realizada no Círculo Católico, verificou que alguém havia furtado seu guarda-chuva. Imediatamente pegou uma folha de papel e afixou um aviso, com estes dizeres: ─ Peço ao ladrão católico apostólico romano que furtou meu guarda-chuva o favor de devolvê-lo.

* As sociedades protetoras de animais começavam a fazer suas propagandas. Ainda não havia propugnadores dos chamados “direitos dos animais”, como os há hoje, mas já havia quem sustentasse que deviam ser proibidos os freios, as esporas e os chicotes.

Um desses tentou, certa vez, impressionar Laet com sua pregação: ─ É realmente uma desumanidade torturar um pobre animal. Devia haver cadeia para esses desalmados que usam freios, esporas e chicotes.

Carlos de Laet ponderou: ─ Mas se eu montar sem esporas, num cavalo sem freios, arrisco-me a levar um belo tombo.

─ Não seria nenhuma tragédia...

─ A tragédia é que eu sairia machucado... E eu tenho o direito de ser protegido, porque sou um animal racional, como também são animais o Sr. e o cavalo...

* Laet havia impiedosamente ridicularizado o médico Dr. Oliveira de Menezes, que também era professor no Colégio Pedro II. Alguns dias depois, durante uma reunião do corpo docente do colégio, Menezes não se conteve e investiu furiosamente contra o colega: ─ O senhor é um decrépito, um decadente, um moribundo! Não quer se convencer de que já está com os pés na sepultura!

Enquanto ouvia esses insultos, Laet calmamente chupava seu charuto, sem se abalar. Quando o outro parou, perguntou: ─ É como inimigo ou como médico que o Sr. diz está dizendo essas coisas?

─ Falei como médico.

─ Ainda bem! Posso então ficar tranquilo...

* Uma das decepções do grande Laet foi não ter conseguido arrastar Rui Barbosa para uma polêmica. Não foi por falta de tentativas... Laet provocou Rui repetidas vezes, mas este não quis correr os riscos de enfrentar Laet no seu terreno preferido.

Rui era Conselheiro de Estado do Imperador, mas foi um dos membros do primeiro Governo republicano, e essa traição Laet jamais lhe perdoou: Rui ─ dizia ele ─ foi um conselheiro que aconselhou mal o seu aconselhado...

Certa vez, Rui, conhecido pela sua prolixidade, fez uma conferência sobre Camões. No dia seguinte, Laet registrou o fato, elogiou a eloquência do orador, seu vocabulário prodigioso, sua cultura invejável, seu brilho inigualável etc. etc. E, no final da crônica, concluiu venenosamente com estas palavras que toda a gente repetiu e glosou: ─ Às 4 horas da manhã, para grande alívio de toda a assistência, afinal morreu Camões...

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOSé historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 

 

 

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Domingo, 18 de Dezembro de 2016
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - CRIANÇA FELIZ, FELIZ A CANTAR

 

 

 

 

 

Cinthya Nunes Vieira da Silva.jpg

 

 

 

 

 

 

 

            Na semana que passou acompanhei um grupo de voluntários, integrantes da OAB São Paulo, na visita a um hospital na cidade de São Paulo, para entrega de presentes de Natal. Nosso destino era a ala infanto-juvenil. Devo dizer que estava um tanto temerosa de não ser forte o suficiente para levar aquela tarefa a cabo, pois não sabia qual a gama de sentimentos que me invadiria a visão de crianças e adolescentes enfermos, muitos deles em estado grave.

            Assim que chegamos ao local, cujo nome prefiro preservar, fomos muito bem recebidos e notei que o hospital era muito limpo e organizado, além de estar todo enfeitado para o Natal. A atmosfera do lugar, assim, restava abrandada pela presença do espírito de Natal, com mensagens de esperança estampadas em vários locais, disputando espaço com anjos, “Noéis” e estrelas.

            Cada um dos voluntários deveria entrar nos quartos e proceder a entrega de um brinquedo. Apoderei-me de alguns e iniciei o que havia me proposto a fazer. Devo dizer que o sorriso das crianças diante do vislumbre do embrulho colorido já me desarmou de primeira. Impossível não sorrir junto, não inundar os olhos d´água e o coração de orações. Acompanhados sempre de um dos pais, quase sempre das mães, meninos e meninas das mais variadas idades e patologias ocupavam as enfermarias no desejo e na esperança de se recuperarem. No semblante dos pais, um misto de cansaço, medo, fé e dor por não poderem trocar de lugar com seus pequenos, por não poderem curá-los com um beijo.

            Não sou médica, mas era possível identificar crianças com doenças crônicas, com patologias muito severas, algumas delas até aparentemente ausentes, com olhares fixos no nada, como quem não quer voltar ou como quem talvez nunca tenha vindo de verdade a esse mundo, talvez pairando em lugar melhor pelo meio do caminho. Conversei o quanto me foi possível com cada um para quem entreguei um brinquedo e, quando a criança não podia ou não sabia falar, conversei com quem os acompanhava e fiquei me perguntando o custo emocional de se estar naquela condição, concluindo que, de uma forma ou de outra, eu estava diante de lutadores.

            Não consigo me lembrar de quantos presentes entreguei, mas carrego hoje comigo as imagens de cada um deles, indeléveis dentro de mim. Eu não seria capaz de me esquecer, nem que assim o desejasse. Voltei meus pensamentos ao Divino, rogando que todos ali se curassem prontamente, mesmo sabendo que não assim tão simples e nem exatamente provável, mas é que não me parece justo tamanho sofrimento imposto a quem mal começou a viver. Saí daquele lugar me sentindo minúscula, insignificante mesmo, para além de impotente diante da dor do outro.

            Já fora do hospital, na rua, vi crianças correndo em uma pracinha próxima, cheias de saúde, vida e esbanjando anos no porvir. Pensei que aquela deveria ser a normalidade das coisas, o destino reservado aos pequeninos. Sei que nada me dado saber dos mistérios desse mundo, mas se eu pudesse falar com Deus, pediria que nunca permitisse que crianças adoecessem assim, porque, nesse mundo, elas e os animais são o mais próximo que podemos chegar dos anjos.

            Difícil passar por experiências como essa e permanecer a mesma pessoa. Impossível não ser tocada pela mão de Deus que, misteriosa e aparentemente contraditório, segurava as mãos de todos, pais e filhos, naquele lugar. Para mim, mais uma e talvez a melhor lição desse louco e pesado ano de 2016.

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com

 

 

 

 

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RENATA IACOVINO - O CELULAR, O ABRAÇO E OS CHOCOLATES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Morar parte da semana em São Paulo nos surpreende, às vezes, não só por tristes histórias.

            Por trás desta selva de pedra há um respiro de humanidade que nos faz suspirar de alívio.

            Dividir a sala com várias pessoas de segunda a sexta-feira nos faz rir e chorar. E às vezes até ao mesmo tempo.

            Foi assim que adentrou a sala, logo cedo, uma de minhas colegas: rindo e chorando, no afã de contar a aventura há pouco vivida.

            Como muitos de nós ainda fazemos (até que algo de ruim aconteça), ela saiu do metrô Marechal e imediatamente pegou o celular para fazer uma ligação. Quando colocou-o no ouvido, um homem de bicicleta passou e o arrancou de sua mão e... tchau!

            Desesperada, começou a gritar, xingar, em vão. Saída de uma experiência recente de perda de outro aparelho celular, com fotos que nunca havia baixado, perdendo todo seu conteúdo, o desespero se tornava maior ao pensar que ia pagar a segunda parcela deste, então, novo aparelho.

            Restando-lhe apenas o caminho em direção ao trabalho, envolta às lágrimas, no meio do quarteirão de uma rua onde havia optado por pegar, um taxista foi parando ao seu lado e indagou se era dela um celular que acabara de ser furtado, ao que a moça respondeu positivamente, sem entender o que estava acontecendo.

            Ele abriu uma das mãos e mostrou-lhe o dito cujo. Disse o taxista - que naquele momento estava dando plantão como anjo - que observava o movimento e viu que todos passavam por ela, mas que o tal rapaz de bicicleta ficava para trás, não fazendo a ultrapassagem, o que fez com que o motorista desconfiasse... Vendo, pois, a cena, correu atrás do larápio e resgatou o celular de minha colega.

            Os detalhes de como isso se deu, claro, ela nem lembrou de perguntar, mesmo porque, era o que menos importava naquele momento.

            O único gesto que conseguiu ter foi o de abraçar o taxista. Ao narrar isto para todos nós, presentes na sala, foi uma risada em uníssono, tendo em vista que ela é uma pessoa dada a poucos carinhos.

            Imbuída do espírito de gratidão, decidiu que compraria chocolates e procuraria o taxista no dia seguinte. Após uma semana, andando com a caixa de chocolates pelo caminho percorrido cotidianamente, não teve sucesso, não o encontrou. O jeito foi ela mesma dar cabo da caixa de chocolates, mas ainda com a esperança de reencontrá-lo.

 

 

 

 

RENATA IACOVINO, escritora e cantora / www.facebook.com/oficialrenataiacovino/

 

 

 

 

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SÓNIA CINTRA - É OUTRO NATAL

 

 

 

 

 

 

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            Mamãe era alegre e brincalhona. Sua presença risonha contagiava os ambientes que costumava frequentar, era solidária às amigas e aos colegas de magistério. Sempre praticou em silêncio a caridade para com os necessitados. Inúmeras foram as instituições a que ela se dedicou voluntariamente. Trabalhou na Secretaria de Educação e supervisionou a qualidade da merenda escolar nas escolas de Jundiaí, durante a gestão do Prefeito Walmor Barbosa Martins. Prezava a família e fazia o que podia por todos nós.

Lembro-me do orgulho que sentíamos quando diziam, lá vem Mariinha, vejam que linda! Sim, mamãe era linda por fora e por dentro. Adorava a casa em que morou e onde passou seus últimos dias. Apreciava as flores de jardim, sobretudo as murtas e as azáleas plantadas por meus avós. Em tempo de manga, as crianças da vizinhança faziam a festa no quintal. Da velha paineira, depois de a paina ser recolhida e cardada, pedia que a levássemos ao convento e ao asilo, para as freiras encherem os novos travesseiros, que eram batizados com aromas de alecrim, lavanda, hortelã, erva-doce e camomila.

Todo final de ano separava aquilo que seria doado aos bazares da cidade. Quantos bibelôs e badulaques foram entregues às quermesses das igrejas de Amparo. No Carnaval, usava  fantasias exóticas, que ela mesma as criava. Colecionava recortes de revista, gostava dos álbuns de fotografia e amava enviar e receber cartões de Boas-Festas. Não suportava sapato apertado, e dizia que salto muito alto tira a elegância da mulher. Bolsa, só pequena, do tamanho necessário para o batom, o lencinho de renda perfumado e para caber no bolso do paletó de meu pai.

Na Páscoa, mamãe enfeitava a escada de casa com coelhos de louça e escondia ovinhos de chocolate nos lugares mais inusitados. Certa vez meus filhos os acharam pendurados no lustre da sala. Em tempos juninos decorava as janelas com bandeirinhas coloridas. No Natal amarrava a guirlanda e sininhos na porta de entrada e não perdia uma apresentação de orquestra e coral. Tudo era alegria. Quando nasceram os netos, enquanto os carregava no colo, olhava no espelho para se ver como avó. Acreditava piamente na fonte da juventude. A vinda do bisneto deixou-a exultante, mas não chegou a cantar parabéns em seu primeiro aniversário, ou, quem sabe, cantou com os anjos. Mamãe tinha um orgulho danado da prole e nós também o tínhamos dela. Que Nossa Senhora das Candeias ilumine seu caminho para que nos abençoe e proteja.

 

 

SÔNIA CINTRA - ESCRITORA E PROFESSORA UNIVERSITÁRIA.

 

 

 

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FELIPE AQUINO - POR QUE A IGREJA É TÃO ATACADA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz” (João 18,37).

 

Jesus veio ao mundo para salvá-lo, ensinando a verdade de Deus que nos liberta e salva; Ele é sinal de contradição. Quando seus pais o levaram para apresentarem-no a Deus no Templo de Jerusalém, o velho Simeão profetizou: mãe: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e como um sinal de contradição, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações” (Lc 2, 34-35).

Jesus veio como a Luz de Deus a brilhar nas trevas do mundo pagão; como disse o evangelista São João: “Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (Jo 1,4-5). Falando de João Batista, o evangelista diz: “Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por Ele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.” (v. 7-11).

E Jesus deixou a Igreja, Seu Corpo Místico, para continuar Sua obra de salvação da humanidade, pela Verdade que salva (cf. Cat. n. 851).

O mundo de trevas e de pecado odeia a Cristo e a Igreja porque tornam visível o seu mal; e o mundo sem Deus não suporta isso. Assim, vemos hoje no Ocidente, outrora todo cristão, um laicismo anticristão e anticatólico como nunca vimos antes.

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A Lei da Igreja é a Lei de Cristo. “Eu vim ao mundo para dar testemunho da Verdade”. “Eu sou a verdade” (Jo 14, 6); não apenas “uma” verdade, mas “a” verdade; a única. Mostrou ao mundo que sem a verdade não há salvação: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32). Ele é o Verbo que “se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade. (Jo 1, 14)

“Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más. Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus” (Jo 3,21).

 

Leia mais: A Igreja Católica salvou a Civilização Ocidental

Por que alguns não concordam com a Igreja?

Como entender que a Igreja não erra?

 

Aqueles que fazem o mal amam as trevas, as caladas das noites para praticar os crimes, as corrupções, os conchavos…

Cristo não recuou diante das ofensas e perseguições; hoje a Igreja precisa imitá-lo como fez nesses dois mil anos.

São Mateus narrou no capitulo 10 do seu Evangelho, as recomendações que Jesus deu aos Doze Apóstolos; e lhes deixou claro a perseguição que sofreriam. Quase todos morreram martirizados por causa de Jesus. E hoje esse martírio continua.

“Cuidai-vos dos homens. Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas. Sereis por minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos… Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo. Se vos perseguirem numa cidade, fugi para uma outra. Em verdade vos digo: não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que volte o Filho do Homem. O discípulo não é mais que o mestre, o servidor não é mais que o patrão. Basta ao discípulo ser tratado como seu mestre, e ao servidor como seu patrão. Se chamaram de Beelzebul ao pai de família, quanto mais o farão às pessoas de sua casa! Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena… Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada… Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa”. (Mt 10,17-42)

Mais do antes hoje se nota uma aversão a Cristo e à Igreja Católica porque ela é fiel a Ele e a seus ensinamentos. Especialmente nas universidades se nota uma repulsa à Igreja Católica e às verdades que ela ensina; e procura-se a todo custo mostrar aos jovens que ela é obscurantista, como se fosse contra a ciência, e destaca-se os erros dos filhos da Igreja sem mostrar a beleza de tudo quanto a Igreja fez e faz pelo mundo.

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Há no Ocidente hoje uma verdadeira Cristofobia. O Papa Bento XVI desde o início do seu pontificado tem condenado o que chama de “ditadura do relativismo” que quer proibir as pessoas de serem e pensarem diferente do que se chama hoje de “politicamente correto” (ser a favor do aborto, eutanásia, cultura marxista, casamento de homossexuais, coabitação livre, manipulação de embriões, útero de aluguel, inseminação artificial, sexo livre, camisinha, contracepção, etc.).

Vai se formando uma mentalidade, uma cultura social, no sentido de fazer, inclusive os cristãos, acharem “normal” essas imoralidades. Começamos a ver jovens e adultos cristãos acharem que a Igreja está “exagerando em suas exigências”, e que “é preciso ser mais tolerante…” É bom lembrar que Jesus amava o pecador, mas era intolerante com o pecado. “Vai e não peques mais”.

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 

 

 

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PAULO R. LABEGALINI - UM JULGAMENTO PARA A POSTERIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Há muito tempo atrás num tribunal de júri, referindo-se ao réu, o relator do processo leu as laudas sobre o caso, concluindo:

– Portanto, por sua culpa, alguns administradores sentem-se prejudicados, não conseguindo atingir os resultados esperados.

O réu, embora limitado, perante a acusação que lhe pesava, mantinha-se irreversível. Sua conduta era constante. A sessão prosseguiu e a palavra coube à promotoria, que argumentou:

– Conviver com o réu é praticar de forma desgastante a ciência do comportamento humano. A ele cabe organizar o nosso trabalho, nos aliviando da tensão interna e pressões externas. Torna-se insubstituível e nos obriga a definir objetivos, a concentrar nas prioridades e a controlar resultados no trabalho. Façamos dele um deus?

A defesa foi eloquente:

– O acusado não exige nada de ninguém, aliás, é benevolente com todos. Quem o menospreza, acaba rendendo-se a ele, mais cedo ou mais tarde. Se o aceitarmos com disciplina e organização, seremos proativos e teremos maiores possibilidades de sucesso; caso contrário, nossa produtividade estará comprometida.

Embora pairasse no ar certa concordância por parte dos jurados, a acusação rebateu:

– Nascemos sob sua égide e dizem que para o bem vivermos é necessário técnica e arte. Onde buscá-las se ele não as oferece?

A defesa intercedeu:

– É simples e lógica essa resposta. Um bom treinamento e planejamento diário resolvem quase todos os problemas nesse sentido. E como consequências, surgirão reeducação de hábitos e maior objetividade de ações. Pode-se negar a isso?

Novamente a promotoria:

– Nossas atividades consomem energia e possuem o seu custo. Não fosse o réu, certamente não teríamos sobrecargas de trabalho, desgastes físicos e emocionais em nosso meio. Peço a sua condenação, pois é um absurdo que o tenhamos como limite em nossas vidas.

E a defesa finalizou:

– Não façamos injustiça, senhores jurados. Ninguém pode acusar o réu de não se doar a todos de forma equitativa, até mesmo aos animais irracionais. Se ele foi colocado singular na natureza, uma razão a mais para que não o desprezemos nem o desperdicemos. Analisá-lo a cada dia e discuti-lo sempre, nos condiciona a melhorar o nosso desempenho profissional, familiar e pessoal. Basta administrá-lo adequadamente a partir de agora. Clamo pela sua absolvição.

Após o veredicto dos jurados, o meritíssimo juiz leu a sentença final:

– Absolvo o Tempo Improdutivo, esse período cronológico que limita as nossas atividades diárias, e o devolvo à vida de vocês com o nome de Tempo Planejado. Façam dele um bom uso, não o menosprezem nem o desperdicem ou, quem sabe, estarão aqui um dia em seu lugar prestando contas de suas vidas.

E nunca mais, em qualquer época, soube que o Tempo Planejado deixou de existir no trabalho dos profissionais eficazes.”

Bem, quando escrevi esta história há mais de vinte e cinco anos, a titulei de ‘A Lenda da Administração do Tempo’; e ainda hoje insisto que gerenciar o tempo é uma arte. Muitos acham que conseguem fazê-lo bem através de disciplina rígida no comportamento pessoal; outros procuram se organizar com moderação nas mudanças de hábitos. Respeito o estilo de cada um, mas ensino que estes cinco passos são essenciais à pessoa que procura melhorar a sua produtividade e a qualidade do serviço que presta:

1. ter um objetivo desafiador, mas alcançável;

2. elaborar uma lista de tarefas a realizar;

3. estabelecer escala de importância e urgência para as tarefas, de acordo com o objetivo proposto;

4. fazer um planejamento diário de atividades, priorizando mais tempo para as coisas importantes; e

5. minimizar os desperdiçadores de tempo no trabalho, para tentar cumprir o planejamento.

Se, com o tempo, isso tudo funcionar com naturalidade, certamente existirá uma parcela de ‘tempo ganho’ pelo profissional que conseguiu melhorar a autodisciplina e organização pessoal. Mas, o que fazer com esse tempo?

Nos cursos que já ministrei, ao fazer esta pergunta, cheguei a ouvir de tudo um pouco, menos ‘rezar’. Por que será? Seria vergonha de professar a fé em público? Acho pouco provável esta hipótese e acredito ser falta de prioridade à oração.

São Vicente de Paulo rezava sete horas por dia! Dizia que só assim seria possível praticar obras de caridade em nome de Deus. Quanto mais rezava, mais caridade praticava, iluminado pelo Espírito Santo. Valeu a pena priorizar dessa maneira o tempo; hoje, ele também é santo e intercede por nós!

Ação e oração, oração e ação, não importa a ordem. O importante é sabermos administrar o nosso tempo e deixarmos uma parcela maior desse precioso recurso para evangelizar. Evangelizar orando! Evangelizar testemunhando o amor de Jesus e de Maria por nós! Evangelizar participando dos trabalhos da comunidade! Evangelizar dando as mãos ao irmão mais pobre!

Meus Deus, me ajude. Haja tempo!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 

 

 

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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O VELHO ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Havia na casa de meu pai, velho álbum de fotografias, coberto a madrepérola, de folhas grossas, de cartão amarelecido, como amarelecidas eram as fotos.

Deliciava-me, em menino, a folhear esse velho álbum. Algumas vezes, meu pai – que o manuseava com extremoso cuidado, pois fora de sua mãe, – ao mostra-me as fotos (que estavam e estão, porque ainda o tenho, muito velhinho com folhas a soltarem-se da lombada,) ia-me contando quem eram aqueles “ figurões” de largos bigodes, em poses estudadas, quase todos recostados a sólidas colunas de madeira.

Fascinava-me ouvir o que ele dizia dos senhores de bengala, que surgiam a cada virar de página:

- Este, foi teu trisavô – dizia meu pai, apontando a foto com dedo mindinho. - Chamava-se, José de Pinho. Teve carpintaria, na rua Direita. Combateu nas hostes de D. Pedro. Foi agraciado, pelo Rei, com alta condecoração. Este – continuava, virando a página, – era o Manuel. Foi para o Brasil, ainda criança. Dizem que casou com mulata, que o envenenou. Este, de chapéu de abas largas e botas à caçador, é o tio Caetano. Foi homem muito rico. Ficou com a carpintaria do pai e transformou-a em importante indústria madeireira. Casou com fidalga. Esta Senhora, é tua avó. – Continuava. - Foi excelente pianista, e muito aplaudida…

E, lentamente, ia virando as folhas. Diante de meus olhos curiosos, “desfilavam” graves cavalheiros, senhoras de grandes chapéus, e meninos de fatinho de marujo, que sorriam para mim.

Por vezes, aparecia, ao abrir o álbum, homem elegante, musculoso, de enormes bigodes, rosto voluntarioso, tostado pelo sol.

Era o tio Francisco.

Emigrara para o Brasil. Pouco se conhecia da sua vida, apenas que possuía importante frota de barcos, no rio Amazonas. Um dia desequilibrou-se, e morreu afogado.

O primo Alberto, que vivia em São Paulo, dizia que era muito rico: milionário. Como era solteiro, ninguém reclamou a herança. Foi direitinha para o Estado.

Os antigos álbuns amarelecidos, desbotados pelos anos, fazem parte da história da família.

São retratos de antepassados, que não conhecemos; mas são as nossas raízes. Sem sabermos seus nomes e o que fizeram, somos como órfãos.

São, os objetos, que passam de geração a geração; as tradições; os gestos heroicos, dos que nos antecederam, que nos dão identidade.

Neste tempo, em que se vive em pequenos apartamentos, que não permitem guardar invocadoras velharias. Neste tempo, em que se pretende esquecer o passado. Neste tempo, em que os avós, e até os pais, encontram-se em residenciais, mais ou menos luxuosas, consoante as possas, a coletividade, priva, as novas gerações, de conhecerem suas origens.

De conhecerem: histórias, factos, acontecimentos, que passavam, oralmente, de pais para filhos.

Os jovens do nosso tempo, desconhecem o prazer, que se sente, ao folhear os velhos álbuns de fotografias; fotografias de antepassados, que apesar de nunca os termos conhecido, fazem parte de nós. Certamente, sem eles, não existiríamos, pelo menos tal como somos.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 

 

árvore de natal



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Sábado, 17 de Dezembro de 2016
EUCLIDES CAVACO - NATAL DA MINHA ALDEIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poema e voz de Euclides Cavaco.
Um poema que ainda reflete a saudade de muitos de nós que residimos na diáspora mas não esquecem o seu berço natal. Veja e ouça o poema aqui neste link ou no texto anexo:

 


http://www.euclidescavaco.com/…/Natal_da_Minha_Te…/index.htm

 

 

 

EUCLIDES CAVACODirector da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

***

 

FALECEU O JORNALISTA

 

 

 

 

MANUEL VENTURA DA COSTA

 

 

 

Nunca colaborou neste blogue, mas era seu leitor assíduo, segundo comunicou-me por correio eletrónico.

Era diretor do “ Jornal de Tondela”. Tinha noventa anos (1926-2016).Nasceu em Tourigo (Tondela). Emigrou para a Republica do Congo, onde permaneceu 30 anos.

Foi várias vezes condecorado. Recebeu a Medalha de Ouro de Cavaleiro da Ordem Nacional do Zaire, em 1981.

Foi correspondente, em Kinhasa, do: “ Tempo” – semanário de Lisboa.

Era jornalista brilhante. As crónicas, publicadas na penúltima página do “ Jornal de Tondela, eram apreciadíssimas. O “Ponto Final”, primavam, sempre pelo estilo: elegante, simples e despretensioso.

 

 

 

 

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Neste Natal de 2016, recordemos os nossos colaboradores falecidos. Quase todos fizeram parte, durante anos, da já grande família deste blogue Luso-brasileiro: “PAZ”. Que Deus os guarde e lhes dê o descanso merecido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POR QUE ESTADOS TÃO GRANDES?

 

 

 

 

 

 

 Quem olha com um pouco de atenção ao atual mapa oficial do Brasil, nota as enormes discrepâncias que existem entre um Sergipe, por exemplo, com um Estado do Amazonas. Ou de uma Paraíba com um Estado do Tocantins – só para citar o último território a ganhar emancipação do antigo mapa originado logo após a independência de 1822. E há de notar também que de lá até hoje muito pouca coisa mudou. Goiás foi dividido em dois ao criar-se o Estado do Tocantins.  Mato Grosso gerou o Estado do Mato Grosso do Sul. E do antigo Amazonas surgiram os Estados do Acre, Rondônia e Roraima. E do Estado do Pará, surgiu o Estado do Amapá.
Acontecera que, ao se tornar independente da Coroa Portuguesa, este país continental chamado Brasil, embora muito rico, era vazio de instituições e escasso de população. Eis que, a não ser numa estreita faixa litorânea que ia do Nordeste e ao  extremo Sul, e no imenso interior alguns bolsões com população indígena – remanescentes do massacre promovido pelos colonizadores, o restante do território era habitado somente por macacos e araras.
Daí que, na época da independência de nada teria adiantado retalhar o mapa, subdividindo aqueles espaços vazios em províncias menores.  Por isso temos o que são hoje os estados do Pará, Amazonas, Mato Grosso (já subdivididos uma vez) Minas Gerais, Maranhão e Bahia, que, além de a distância entre as comunidades mais afastadas do centro de decisões e poder, ser enorme (mais de mil quilômetros), isso torna praticamente impossível administrar com equidade um grande território.
Entretanto, os tempos são outros. Em 180 anos de crescimento vegetativo da população, somado ao considerável contingente de imigrantes que o país recebeu nos séculos XIX e XX, mais as correntes migratórias internas que proporcionaram a ocupação do Centro-Oeste e da Amazônia, elevaram o número de habitantes dos modestos 20 milhões em 1822 aos cerca de 200 milhões atualmente, estão a exigir um novo redimensionamento no mapa Brasil. E, queiram ou não as forças que detém o poder terão que acatar os anseios das populações destes territórios que sonham com emancipação. Inclusive deste nosso território que é conhecido historicamente como “Além São Francisco”. Mesmo por que, quando foi anexado ao mapa da Bahia em 1824 – através do decreto do imperador Dom Pedro I –  moravam do lado de cá do rio São Francisco ao longo de seus afluentes, cerca de 10 mil descendentes de europeus, que tinham por atividade econômica uma pecuária extensiva. Números estes completados por outro tanto de indígenas, que talvez totalizassem um conjunto de 20 mil habitantes no território da antiga Comarca do São Francisco, no tempo que pertencia à Província de Pernambuco. E hoje, em consequência dos fatores supracitados, vivem e trabalham, neste que pretende ser no futuro o Estado do Rio São Francisco, mais de um milhão brasileiros
E se isso não fosse o bastante, teríamos a considerar que historicamente somos apenas um apêndice, ou um anexo provisório, no mapa da Bahia – em acordo ao o decreto imperial de 1824, que retirou a Comarca do São Francisco da Província de Pernambuco e anexou-o a Minas Gerais e depois à Bahia, como dito decreto rezava: “até que um novo ordenamento das províncias da Nação Brasileira seja realizado.”
 Entrementes, entendemos que este novo ordenamento não depende tão somente da vontade das populações desses territórios – que ao todo somam nove a reivindicar autonomia – mas deverão obedecer aos interesses e desígnios dos governos centrais dos respectivos estados, em comum acordo com o Governo da União.  E estes interesses, a medida em que ditas regiões crescerem em importância econômica e desenvolvimento humano, mais forte será o desígnio dos governos estaduais em obstaculizar  o desiderato preconizado pelo decreto  de Dom Pedro I em 1824. Portanto não vemos no horizonte, por enquanto, o tão ansiado novo mapa deste país continente que ocupa metade  da América do Sul,  ser redesenhado.

 

 

VINICIUS AZZOLIN LENA - Jornalista - Editor do jornal: "NOVA FRONTEIRA" de Barreiras BA. Presidente da Academia Barreirense de Letras. 

 

 

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 A DIVULGAÇÃO DA CULTURA PORTUGUESA ATRAVÉS DAS ASSOCIAÇÕES LUSO-BRASILEIRAS

 

 

 

 

Com cerca de 170 agremiações espalhadas por todo o vastíssimo território brasileiro, o papel que têm cumprido na divulgação da Cultura Portuguesa ainda não foi devidamente avaliado pelos especialistas nem tão pouco pelos governantes dos dois paises que costumam atravessar o Atlântico mais pela devoção turística do que ao serviço dos reais interesses de Portugal e Brasil.

As associações lusobrasileiras, cujo pioneirismo foi inaugurado pelo Real Gabinete Português de Leitura, em 1837, no Rio de Janeiro, têm feito mais pela Cultura Portuguesa do que todos os políticos seja ele qual ele for. Num passado já remoto, lembramos dois estadistas portugueses que tentaram estimular a aproximação de Portugal e Brasil - o Rei D.Carlos, que preparava a sua visita quando foi barbaramente assassinado, juntamente com o filho mais velho, e o Presidente da República, António José de Almeida, que em 1922 veio participar das comemorações do centenário da independência. E os outros reis e presidentes que fizeram – e neste capítulo incluímos os dirigentes dos dois lados, perguntamos o que é que eles fizeram para que portugueses e brasileiros possam unir-se na construção de um futuro comum. Que responda quem souber!

Às associações de espírito lusíada no Brasil já devemos bastante assim como ressaltamos alguns intelectuais e artistas lusos, entre os quais apontamos as obras de Hipólito José da Costa, João Lúcio de Azevedo, Raphael Bordallo Pinheiro e dos contemporâneos Gilberto Freyre, Jaime Cortesão, Pedro Calmon, Ferreira de Castro, Miguel Torga, Serafim Leite e de tantos outros!

Do ponto de vista associativo, o Clube Português passou a ter, desde 1920, uma posição de relevo, no plano cultural, mas, nos últimos decênios anos, foi dos que mais se ressentiu, em São Paulo, da queda do surto emigratório e apenas na presidência de Rui Mota e Costa a crise econômico-financeira foi debelada. Uma nova fase cultural começou em 2010 com a mesa - redonda, coordenada pela escritora Teresa Rita Lopes (da Universidade Nova de Lisboa) e a participação de professores e escritores brasileiros e portugueses, em torno de “As idéias políticas de Fernando Pessoa”, desmentindo que o poeta da Mensagem fosse um mero seguidor do regime fascista. E não o foi, conforme revelaram os documentos do livro Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo, assim como as conclusões do debate (em 14-7-2010), no Clube Português, nas comemorações, no Brasil, do 75º aniversário da morte de criador dos heterônimos.

 

 

Um livro foi lançado – 90 anos do Clube Português, sob a coordenação do Centro de Estudos Luís de Camões (órgão cultural da entidade), e nesse volume de 160 páginas reunimos os principais episódios da história da agremiação luso-paulistana, desde 1920 até hoje. Foram recolhidos depoimentos daqueles que têm acompanhado a vida associativa e vão continuar a fortalecê-la enquanto puderem. O volume reúne dezenas de manuscritos e fotografias dos fundadores e colaboradores dos principais acontecimentos, testemunhando o muito que fizeram pela dignificação cultural da Nação Portuguesa no Brasil e da receptividade da acção que tiveram e que ainda cumprem no país irmão. Por fim, vale a pena ressaltar que o espírito lusíada do Clube Português de São Paulo tem como símbolos os dois maiores poetas de Portugal de ontem e de sempre - Luís de Camões e Fernando Pessoa!

 

 

 

JOÃO ALVES DAS NEVES  -  Escritor português, radicado no Brasil. Foi redator - editorialista de "O Estado de S. Paulo", durante trinta e um anos e professor - pesquisador da Faculdade de Comunicação Social Gasper Libero (São Paulo), durante um quarto de século. Autor de cerca de três dezenas de livros publicados, seis dos Quais sobre a obra de Fernando Pessoa. O seu último livro foi lançado em em Lisboa, pela Editora Dinalivro, sob o titulo de "Dicionário de Autores da Beira-Serra", região onde nasceu.
 

 

 

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ALUIZIO DA MATA - MARIA, OBRA PRIMA DO CRIADOR
 
 
 
 
 
 

 
Na ermida da Canção Nova, onde o Terço é rezado, existe uma figura de Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços. O artista que fez a obra conseguiu dar às imagens uma beleza muito grande. Poderíamos dizer que, conseguiu dentro das possibilidades humanas, uma perfeição de traços e cores.
Ao rezar o terço hoje, como sempre o faço às seis horas da manhã, ligado na TV Canção Nova, veio-me ao pensamento fazer uma comparação:
- Se um ser humano conseguiu dar a Jesus Menino e à Sua Mãe expressões tão bonitas, imagine Deus ao gerar Jesus e criar Maria! Pode nossa mente imaginar o que fez Deus nessas duas pessoas?
Já não falo pelo lado espiritual, pois nelas não há defeitos. Aventuro-me a falar sobre o aspecto físico. É sabido, por relatos bem antigos e transmissão da tradição, que Jesus era um homem muito bonito. Nele a perfeição dos traços fisionômicos se fazia notar.
Mas, e Maria? Pode alguém imaginar diferente daquele que pensa que Maria foi a criatura mais bonita que Deus fez? Pode, por mais crítico que seja, alguém pensar em Maria sem uma beleza digna da perfeição? Se um pintor procura dar a maior beleza à sua obra, imagine Deus, que é o maior artista que possa existir!
Pelos cálculos possíveis de serem feitos, Maria viveu 13 anos e dois meses depois da Ressurreição de Jesus. Levando em consideração que ela tenha se casado aos 15 anos, como era o costume da época e somados os 33 anos que Jesus viveu, ela teria vivido em torno de 60 anos. Sabendo que ela passou por grandes privações, por grandes medos e angústias, por enormes sofrimentos físicos e espirituais, lógico será pensar que isto pos a ter refletido em sua aparência. Que mulher que sofrendo o que ela sofreu, vendo a trajetória e o fim de Jesus, não teria estampado em suas feições tantos sofrimentos?
Mas, aí vem a grande Obra de Deus! Ele faz com que a pessoa depois de deixar esta vida terrestre, tenha um aspecto diferente daquele que tinha quando vivia neste mundo.
A perfeição do espírito se faz presente. Com Maria muito mais que isto aconteceu, pois além do espírito ela foi assunta ao Céu de corpo e alma. Primeiro, porque ela teve a assistência de Deus desde antes de nascer e a tem até agora. Segundo, porque nas diversas aparições dela em épocas diferentes, a descrição de sua figura é feita como a de uma mulher muito jovem, de beleza indescritível.
Por isto, mesmo que o autor que pintou Maria e Jesus Menino tenha conseguido fazer uma obra de arte, não pode ter expressado totalmente a beleza real dos modelos. Pode ter alguém a pretensão de ser melhor artista do que o Criador de
todas as artes? Feliz é quem ama Jesus, mas que ama também Maria Santíssima. Feliz é o vicentino que a tem como protetora. Pense sempre em Maria, criatura sem mancha ou defeito, físico ou espiritual, pois ela é a Obra prima de Deus.
 
 
 
 
ALUIZIO DA MATA - Vicentino, Sete Lagoas, Brasil

 

 

 

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Era uma vez um menino (a estória começa assim, e já não sei se a sonhei, se ma contaram a mim).
De qualquer forma, é tão gira que não deixo de a contar.
Escutem-na, pois, com atenção, que é uma estória de pasmar.
Era uma vez um menino irrequieto e teimoso. Muito rico, tinha tudo, mas era mau, orgulhoso. Não se dava com ninguém, julgava-se tão importante que até dos próprios colegas estava sempre distante. Nunca brincava com eles nem, ao menos, lhes falava. Virava as costas a todos e a todos desprezava, porque ele tinha tudo: comboios, carros, aviões, cd’s e computadores, barcos e foguetões; tinha brinquedos a esmo, tinha jogos aos montões, bicicletas, patins, tinha enormes camiões, tinha gruas, tinha barcos, violas e acordeões, tinha lindas espingardas e gigantescos canhões; tinha arcos, setas, pistolas, tinha índios aos milhões, tinha pianos, violinos, tinha gigantes e anões, bonecos articulados, elefantes e leões, tinha palhaços que riam e que davam trambolhões.
Tinha tudo este menino, tinha tanta, tanta coisa que não brincava com nada e, se alguma coisa fazia com os seus divertimentos, era parti-los em pedaços, em pequenos elementos, e não sentia a alegria que sentiam os colegas com os seus próprios inventos, os colegas que brincavam com carros de rolamentos, que jogavam à sameira nas bermas dos pavimentos, que sabiam transformar um pedaço de papel no mais saboroso invento: num avião, num batel ou mesmo num viravento, até mesmo um foguetão, e, de um pedaço de arame, faziam uma bicicleta, e da vara de um guarda-chuva faziam um arco e uma seta, com pedaços de madeira cheios de pregos e pó, bastava pôr-lhes um fio e era logo um trenó.
E o nosso menino rico que nada disto sabia, de cada vez que brincava tinha menos alegria. De facto, não precisava de pensar ou de inventar: aquilo que desejava tinha à mão de semear. E a criada, coitada, era a que mais aturava com as birras do Pedrinho que tanto a arreliava.
Até que um dia, em Dezembro, pouco antes do Natal, começaram a fazer um Presépio colossal. O Pedrinho, agitado, foi às gavetas buscar bonecos de porcelana coloridos, a brilhar.
Nossa Senhora era enorme e tinha um manto azulado de veludo, tão macio, e todo a oiro bordado.
S. José, o Carpinteiro, que tinha cabelo loiro, vestia um manto castanho também bordado a oiro. Os Reis Magos, imponentes, traziam cofres de metal e os camelos, gigantes, eram todos de cabedal. Os cordeiros, pequeninos, eram brancos como a cal e estavam todos cobertos por lã fina e natural.
A própria vaca, agachada, cheirava mesmo a jasmim, a preto e branco pintada e com cornos de marfim. O burrito era cinzento e tinha um pelo sedoso, e abanava o pescoço todo feliz e garboso. Lá no alto havia a estrela que inundava de luz (com uma lâmpada por trás) o bom Menino Jesus. O bom Menino Jesus, numa caminha deitado, sobre palhas feitas de oiro, num riquíssimo brocado.
Estavam todos tão contentes, que até se iam esquecendo de pôr o anjinho branco que do céu vinha descendo e, quando deram por ela, o Pedrinho, a protestar, pega no anjo com raiva e vai pô-lo no seu lugar. Fê-lo, porém, de tal forma, tão brusco e arreliado, que escorregou no soalho e caiu desamparado! E ao seu lado ficou o anjo feito em pedaços, com o corpo para um lado e para o outro... os dois braços!
Batendo com os pés no chão e teimando, renitente, o Pedrinho jogou fora o anjo deficiente.
O Papá ainda tentou, a Mamã ainda quis colar os braços do anjo mas, o Pedrinho, infeliz, teimoso, desobediente, não queria no Presépio um anjo deficiente. E o anjo foi para o lixo com os dois braços partidos. Em seu lugar, colocaram outro de lindos vestidos.
Entretanto, já na rua, um colega do Pedrinho viu, no caixote do lixo, os restos daquele anjinho.
Como era muito pobre, fez um Presépio em cartão, com bonecos desenhados por pedaços de carvão e aproveitou o anjinho, o tal dos braços quebrados, e, colando-os com carinho, pô-los de novo ligados. Meteu-o no seu Presépio e, como não tinha luz, para que o Menino o visse pô-lo ao lado de Jesus.
Chega a Noite de Natal e, em casa do Pedrinho, estava tudo tão contente! Estava tudo tão quentinho que até o próprio Pedrinho estava feliz, sorridente. Havia pinhões e figos, uvas-passas, rabanadas, avelãs, amêndoas e bolos e frutas cristalizadas, tortas, aletria e nozes, bolo-rei, perú, pão-de-ló, pastéis, creme, filhozes, champanhe e Vinho do Porto e bolinhos de bolina, arroz-doce, frutas várias e licor de tangerina... Ei!, tanta coisa, meu Deus! Que aquela gente nem sabia distinguir bem o sabor de tanta coisa que comia.
Mas, perto da meia-noite, quando o Pai-Natal chegava e o Pedrinho, ansioso, suas prendas aguardava... fez-se escuro como breu, foi-se a luz, num arrepio, e o Pedrinho ficou cheio de medo... e de frio.
Parou o aquecimento. Nem uns aos outros se viam. Foi-se a alegria dos rostos: dos rostos que já não riam. Não tinham uma lanterna, nem ao menos uma vela, e o Pedrinho, muito triste, veio chorar p’rá janela...
Foi então que, ao longe, viu uma luz muito brilhante para lá do seu jardim, sobre um casebre distante!
E, pé – ante - pé, saiu para ver o que se passava, donde vinha aquela luz que tanto o fascinava. E seguiu pela estrada fora. Andou, andou, e já cansado chegou, finalmente, ao casebre, todo ele iluminado!
Espreitou pela janela: e que viu ele, afinal?
Viu o colega da escola celebrando o seu Natal. Era aquele menino pobre que recolhera o anjinho, afagando o Deus Menino com infinito carinho, um Deus Menino em cartão a fingir que era Jesus, com o Anjo deficiente a inundá-lo de luz. E era tal a luz do Anjo, enchendo a casa de luz, que até parecia que o Anjo era o Menino Jesus!
Bateu à porta o Pedrinho, muito triste e arrependido. Veio abrir-lha o colega, muito alegre e divertido.
- Que fazes aqui, Pedrinho? Eu não contava contigo, mas dás-me grande alegria se quiseres ficar comigo.
O Pedrinho, arrependido, a chorar, sentidamente, ajoelhou-se e beijou o Anjo deficiente.
Foi então que o Deus Menino (que era feito de cartão) se ergueu, beijando o Pedrinho e dando-lhe o seu perdão.
As coisas simples, amiguinhos, têm sempre mais valor se as rodearmos de carinhos e de muito, muito amor.

 

 

 
FERNANDO PEIXOTO - Escritor, Professor do Ensino Superior, Vila Nova de Gaia, Portugal

 

 

 

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 VÉSPERA DE NATAL...

 

 

 

 

 

 

Um frio de enregelar vinte e três anos, em cima da bicicleta, deixava a aldeia, seguia para o campo, um cesto atrás com a ceia para a tia Guilhermina.

 

A tia Guilhermina, velhinha de oitenta e muitos anos, vivia sozinha numa barraca perto do rio. Quase não se podia entrar, a porta da rua e única, mal se começava a abrir batia logo na cama de ferro, sempre por fazer. As forças já começavam a faltar à tia Guilhermina e ninguém a ajudava. Ao lado ficava uma mesa com um fogão, panelas, pratos, copos e talhares. Era tudo o que tinha, ali, naquele ermo, sem família, sem mais ninguém, segundo dizia, sós os pássaros, os coelhos e as lebres lhe faziam companhia mas ela não era propriamente a branca de neve. Curvada pelo peso dos anos e do reumatismo sobrevivia sem grandes queixumes, resignada mesmo. Se tivera passado, tinha-o esquecido, nunca falava nele e apenas dizia que não tinha ninguém Ela não insistia, não queria ser indiscreta e imaginava uma vida tormentosa cheia de faltas de todo o género e compadecia-se ainda mais.

 

Pensando na tia Guilhermina pedalava mais forte, o cesto quase se desequilibrava, o vento batia-lhe forte na cara, gelado, puxava para cima a gola de raposa da samarra, mas atenta à curva que se aproximava. As luzes da aldeia tinham ficado para trás. A escuridão era profunda quando finalmente chegou, saltou da bicicleta e começou a andar pelo meio dos campos. Se fosse Verão haveria pelo menos grilos a cantar. Assim, além da escuridão era o silêncio que também a assustava. O silêncio e os cães que ladravam, mas felizmente ao longe. Foi andando com cuidado, não fosse cair, ou torcer um pé, a lanterna acesa, com aquele medo miudinho de se sentir sozinha naquele ermo, mas a tia Guilhermina também vivia sozinha, dizia para si mesma a animar-se. Que corajosa era, pensava a seguir. Ela não seria capaz. E lá continuava a andar, pois a barraca ainda ficava longe.

 

Foi há muitos anos, agora seria impensável.

 

Quando finalmente chegou e bateu à porta e chamou, mas apenas lhe respondeu o mesmo silêncio. Quase a prever desgraças, empurrou a porta devagarinho, entrou. Nada. Ninguém. A sua aflição aumentava, onde se teria metido a tia Guilhermina ? Teria caído. Coitadinha. Tornou a sair, a lanterna mal iluminava a terra e começou a procurar e a chamar. O silêncio sempre como única resposta. Acabou por deixar o campo, voltar para a estrada, para a bicicleta, caminho da aldeia.

 

Foi quando tornou a ver gente e perguntou pela tia Guilhermina. Que estava a cear em casa da filha, disseram-lhe e indicaram-lhe o caminho. Filha ? estranhou, pois se sempre lhe dissera que não tinha família.

 

Foi, o cesto pesava, o frio parecia que aumentava, puxou as meias de lã, e de novo a gola da samarra, tocou à campainha.

 

---- Quem é ? ouviu perguntar uma voz ordinária e logo uma mulher com um bonito vestido e saltos altos, colar de pérolas ao pescoço, bem penteada, que quase poderia parecer uma senhora se não fosse a voz, lhe entreabriu a porta e antipática, continuou: ---Que quer a estas horas ? Não incomode. Não a posso atender.—disse.

 

Até ela chegava a música da telefonia, objecto raro e de luxo ao tempo. Discretamente espreitou para dentro da casa e pareceu-lhe ver na sala de jantar uma mesa comprida com toda a espécie de petiscos e aguarias.

 

Olhou para o seu cesto de palha, recheado, para a samarra, as meias de lã. Olhou para si mesma, deu meia volta e voltou para casa acabar de enfeitar o presépio. O cão e os gatos esperavam por ela. Acendeu a lareira, sentou-se a olhar as chamas e à espera do marido que tinha ficado a fazer serão no escritório.

 

Era a véspera de Natal…

 

 

 

 

TEREZA DE MELLO (Maria de Lourdes Brandão de Mello) - Faleceu em Outubro de 2009, na cidade de Abrantes,(Portugal) onde vivia. Foi durante anos colaboradora assidua  do Blogue luso-brasileiro "PAZ" . Autora de vários livros de poemas, e de " A Casa da Barca", edição da Câmara Municipal de Ponta da Barca - Outubro de 2000.

 

 

 

 

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PINHO DA SILVA -  Nasceu a 12 de Janeiro, em Vila Nova de Gaia, (Portugal). Frequentou a Escola de Belas Artes, do Porto. Discípulo de Acácio Lino, Joaquim Lopes e do Mestre Teixeira Lopes. Primo do escultor Francisco da Silva Gouveia (autor da celebre estatueta de Eça de Queiroz). Vila-florense adotivo, por deliberação da Câmara Municipal. Redator do “Jornal do Turismo”. Membro da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Foi Secretário-geral da ACAPPublicou " Minha Vida Com Teresinha", livro autobiográfico.

 

 

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 Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

 Horário das missas na Diocese do Porto( Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 19:19
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2016
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - PROSA SESQUIPEDAL, TROPOS SAFADOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carlos Maximiliano Pimenta de Laet, o jornalista e polemista católico e monárquico, meu patrono no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, era terrível... Seus adversários o temiam porque era mestre na arte de esgrimir argumentos. Desde a primeira polêmica que travou, sendo ainda bem jovem, com o já consagrado Camilo Castelo Branco, até a última, em que terçou armas com Jackson de Figueiredo, nunca resistiu à tentação de se meter numa boa polêmica. Argumentava com vigor e tinha um especial talento para colocar seus adversários em posição ridícula, atraindo para si as simpatias dos incontáveis leitores que gostavam de rir.

Laet não é nome francês e não se pronuncia à moda francesa, como geralmente se pensa, mas é nome holandês e deve ser pronunciado mais ou menos como La-â-te – segundo me explicou, certa ocasião, um erudito conhecedor desse idioma. De fato, Laet descendia remotamente de holandeses. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1847, falecendo na mesma cidade, no ano de 1927. Fez seus estudos no Colégio Pedro II, onde se bacharelou em Letras, e depois cursou a Escola Central (atual Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro), nela se graduando como engenheiro.

Preferiu, entretanto, dedicar-se ao jornalismo e ao magistério. Desde 1873 lecionou no Colégio Pedro II, como Professor Catedrático de Português, Geografia e Aritmética. É curioso que três disciplinas tão díspares estivessem, na época, reunidas sob a alçada de um único docente.

No jornalismo, deixou milhares de artigos dispersos por jornais cariocas, muitos deles escritos sob pseudônimos variados. Publicou relativamente poucos livros em vida, mas sua obra, se reunida, encheria dezenas de volumes. Infelizmente a imensa maioria da produção intelectual de Laet ficou dispersa pela imprensa. Algumas coletâneas se fizeram, mas incompletas e insuficientes. Na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, pude compulsar a mais completa das coleções de artigos de Laet existente, resultado, segundo me informaram, da junção de três coleções privadas laboriosamente constituídas, as do Pe. Leopoldo Aires, de Mons. Deusdedit de Araújo e do Prof. Alexandre Correia.

Foi eleito deputado à Assembleia Geral, nas últimas eleições realizadas no Império, pelo Partido Liberal, mas não chegou a tomar posse. Já na República, foi demitido da condição de professor catedrático do Colégio Pedro II, por haver protestado contra a mudança do nome dessa escola. O Governo Provisório, pelo Decreto n° 9, de 21-11-1889, pretendeu denominá-lo "Instituto Nacional de Educação Secundária".

Laet era catedrático do Pedro II desde 1873, tendo prestado duas vezes concurso para essa função, e em ambas obtido o primeiro lugar. Mas somente em 1915, por decreto do Presidente Venceslau Brás, pôde retornar à atividade docente no Pedro II ─ que já então havia retomado o nome tradicional que conserva até hoje ─ e a partir de 1917 assumiu o cargo de Diretor do Colégio, até 1925, quando se aposentou. Era membro-fundador da Academia Brasileira de Letras e recebeu do Papa São Pio X, em 1913, o título de Conde, por seus méritos como ativo líder católico e Presidente do Círculo Católico da Mocidade.

Até morrer, em 1927, com 80 anos de idade, manteve-se fiel aos mesmos princípios religiosos e políticos, sendo muito temido pelos adversários do trono e do altar por sua polêmica cerrada e por seu fino humorismo. É precisamente o cunho humorístico dos seus escritos que pretendo focalizar neste artigo.

 

Laet, sendo adversário implacável dos modernismos literários, opôs-se desde o primeiro momento aos poetas futuristas. Certa ocasião, zombando de Graça Aranha, publicou o seguinte soneto em estilo modernista:

“Noite. Calor. Concerto nos telhados. / Cubos esferoidais. Gatas e gatos. / Vênus. Graças. Aranhas. Carrapatos. / Melindrosas. Poetas assanhados. /        Rabanetes azuis. Sóis encarnados. / Comida no alguidar. Cuspo nos pratos. / Três rondas a cavalo. Mil boatos. / Prosa sesquipedal. Tropos safados. / Avenida deserta. Bondes. Grama. / Chopes Fidalga. Leite. Pão-de-ló. / Carros de irrigação. Salpicos. Lama. /          Vacas magras. Esfinge. Triste. Só. / Tumor mole. São Paulo. Telegrama. / Dois secretas. Cubismo. Xilindró.”

O saboroso desse soneto está não só em ter imitado o estilo “futurista” de Graça Aranha, mas na alusão a um episódio ridículo que então todo o público conhecia: Graça Aranha, que estava envolvido numa conspiração contra o governo, passara a um seu correligionário, de São Paulo, um telegrama em termos cifrados, anunciando que rebentaria naquela noite um levante. Assim rezava o telegrama: "Tumor mole rebentará esta noite". A polícia, que rastreava a correspondência dos adversários do governo, não teve qualquer dificuldade para decifrar a mensagem e “dois secretas” trancafiaram a tempo, num “xilindró”, o malogrado conspirador político. O impagável Laet comentou:

─ Esse Aranha publicou um livro simbolista, “Canaã”, e ninguém compreendeu nada... Agora, envia um telegrama secreto, e todo mundo entendeu tudo... Que estilista fantástico!

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS, é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.



publicado por Luso-brasileiro às 12:17
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - NATAL, TAMBÉM REVERENCIADO NA POESIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Natal é uma época de encanto, mas também de saudade. O grande autor português Fernando Pessoa já sabiamente indicava: “Natal... Na província neva./ Nos lares aconchegados,/ Um sentimento conserva/ Os sentimentos passados”.         

Efetivamente, recordamos dos nossos entes queridos, alguns já em outra dimensão; os encontros familiares que gradativamente acompanhavam o nosso crescimento; do presépio e da árvore de Natal montados na sala da casa; dos presentes, embora modestos, mas dados com muito amor e dentro das possibilidades econômicas da época. Pessoalmente também vem à memória os passeios pelas ruas e vitrines das lojas enfeitadas; do boneco de Papai Noel da extinta Loja Magalhães em Jundiaí, que subia e descia constantemente; das missas do Galo irradiadas por meu pai, Com. Hermenegildo Martinelli e dos sermões afins de Frei Clemente; das grandes festas realizadas para os seus empregados nas dependências da CICA e de Waldemar Cortz, que encarnava o personagem Noel de forma simpática e serena, fazendo a alegria das crianças.

 

Vinicius de Moraes, poeta e diplomata, dizia em seu “Poema de Natal”: “Para isso fomos feitos:/ Para lembrar e ser lembrados/ Para chorar e fazer chorar/ Para enterrar os nossos mortos —/ Por isso temos braços longos para os adeuses...” As festas natalinas nos trazem lembranças dos tempos que se foram, mas principalmente de uma série de valores de simplicidade, de intimidade, de amor e sacralidade, hoje desbancados pelos interesses comerciais. Nessa trilha Carlos Drummond de Andrade em “ O Que Fizeram do Natal”, expôs: “As beatas ajoelharam/ e adoraram o deus nuzinho/ mas as filhas das beatas/ e os namorados das filhas/foram dançar black-bottom/ nos clubes sem presépio”.

 

É bem verdade que a espiritualidade e o sentido natalinos estão sendo ofuscados muitas vezes pelos apelos mercantilistas e pela alegria consumista que tentam imprimir à ocasião. O Natal, porém, tem resistido a todos esses mecanismos mostrando que suas mensagens, para uns tristes e para outros alegres, persistem apesar de qualquer manipulação de seus símbolos. Sua mística continua envolvendo as pessoas, sobretudo num clima de poesia e ternura, propiciando ainda uma boa oportunidade de reavaliação do que efetivamente são valores e virtudes. Olavo Bilac descrevia: “Natal! Natal!/Em toda a natureza/Há sorrisos e cantos, neste dia.../Salve Deus da humildade e da pobreza/Nascido numa pobre estrebaria”.

Frutos da ganância, do egoísmo e do poder, são inúmeros os acontecimentos e os comportamentos que demonstram o desvirtuamento de princípios básicos, gerando manifestações de desânimo e derrotismo daqueles que ainda sonham, buscam e lutam pelo bem comum, felizmente afastadas pelo empenho na concretização de seus ideais. Desta forma, o sentido mais profundo do Natal precisa ser cultuado no pensamento e no coração das pessoas: que o ser humano é o valor máximo a ser respeitado, resgatado e conduzido à felicidade, devolvendo a todos o direito de viver e de participar dos bens terrenos. “A desigualdade social, a pobreza, a miséria, a fome não são vontade de Deus, mas fruto da forma como os homens organizam a sociedade” (Dom Cláudio Hummes).

Com certeza, não é fácil comemorar esta data, mas também não é impossível fazê-la da forma mais coerente com os seus próprios preceitos, que vão se modificando com o passar dos anos, mas não perdem a essência. Tanto que em 1901, Machado de Assis já proclamava em seu “Soneto de Natal”: “Um homem, — era aquela noite amiga,/Noite cristã, berço no Nazareno, —/Ao relembrar os dias de pequeno,/E a viva dança, e a lépida cantiga,/Quis transportar ao verso doce e ameno/As sensações da sua idade antiga,/Naquela mesma velha noite amiga,/Noite cristã, berço do Nazareno./Escolheu o soneto... A folha branca/Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,/A pena não acode ao gesto seu./E, em vão lutando contra o metro adverso,/Só lhe saiu este pequeno verso:/ "Mudaria o Natal ou mudei eu?".

Depois de muita reflexão, vale dizer que o Natal deve estar presente em nossas vidas, buscando primordialmente fortalecer a comunhão dos homens.  

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É vice-presidente da Academia Jundiaiense de Letras e da Academia Jundiaiense de Letras Juridicas.

 

 





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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - PATRIMÓNIO CULTURAL

 

 

 

 

 

 

 

 

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                Para infelicidade dos defensores da causa animal, o Presidente Michel Temer, no último dia do mês de novembro, sancionou a Lei 13.364, que reconhece a vaquejada e o rodeio como patrimônios culturais imateriais e manifestações da cultura nacional. É muito provável que me faltem palavras para, nesse único texto, expressar a minha mais profunda indignação com tal norma e com todos aqueles que, de alguma forma, estão relacionados a sua aprovação.

            O mais curioso é que o Supremo Tribunal Federal, há pouco mais de dois meses, havia proibido a prática, considerada como cruel aos animais e que, por isso, fere a Constituição Federal de 1988, que expressamente proíbe tal conduta. Ainda que a função essencial do Legislativo seja a elaboração das leis, a do Judiciário é a de julgar não apenas os atos contrários às normas, à moral, aos princípios e aos costumes jurídicos, mas também a de analisar a constitucionalidade das normas. Desse modo, uma vez tal apreciação já tendo ocorrido previamente pela mais alta Corte brasileira, a aprovação de uma lei nefasta como essa, ridícula em seus quatro pobres artigos, é não apenas de desrespeito aos seres vivos, mas também ao Poder Judiciário e à opinião nacional.

            Em consulta pública sobre o então projeto, no site do Senado, é possível verificar que as manifestações contra a sua aprovação superaram em três vezes as favoráveis. Fica a clara ideia de que pouco importa o que pensam os brasileiros de uma forma geral, mas o quanto o poder daqueles que se beneficiam da crueldade praticada contra seres indefesos fala mais alto.

            Várias pesquisas veterinárias conduzidas por profissionais sérios realizadas no Brasil já concluíram que a maior parte das práticas envolvidas nos Rodeios e Vaquejadas causam sofrimento aos animais. Não se trata do achismo de quem defende um ou outro lado. Muitos pontos podem ser analisados nesse caso, inclusive se, de fato, práticas como essas são patrimônio cultural. Não me parece que o sejam, até porque, em vários municípios, foram proibidas. Considerando, porém, que o fossem, pergunto se isso justifica a aprovação de uma lei que atende apenas aos interesses de alguns, que autoriza a dor e o sofrimento impingido aos animais de forma desnecessária, até porque nem uma ressalva faz nesse sentido e, o mais grave, contraria a nossa Lei Maior.

            Vivemos tempos sombrios. A esperança dos homens e mulheres de bem que sustentam esse país com o suor de seu trabalho honesto, a cada dia sofre novos golpes. A Constituição Federal pouco mais fez do que garantir aos brasileiros uma cidadania de papel, vilipendiada que é a cada nova investida daqueles que se preocupam tão somente com o valor que lhes será destinado, sem que outros valores, os mais importantes, sejam levados em conta.

            Fico eu, na minha insignificância, esperançosa de que o Judiciário venha novamente a apreciar a validade dessa Lei sem sentido e retrógrada, restaurando a fé daqueles que ainda sonham que esse venha a ser um país seguro, em todos os sentidos, para as futuras gerações, tanto de pessoas como de animais...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - DISTÂNCIA DOS SONHOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Junto dois temas para escrever hoje: “Eu tenho voz” e “Nos passos do Mágico de Oz”.
“Eu tenho voz” é um projeto fantástico do Instituto Paulista de Magistrados, que tem à frente a juíza Hertha Helena de Oliveira, com o propósito de desenvolver diferentes ações contra o abuso sexual de crianças e adolescentes de 7 a 15 anos. Inclui a peça “Marcas da Infância” da Companhia “NarrAr Histórias Teatralizadas”, seguida de debate com a participação de autoridades no assunto e com a entrega de uma cartilha de orientação sobre o que fazer nos casos de assédio ou abuso, incluindo locais e números de telefone para denúncia. É o empoderamento de menores de idade para resistir ao abuso sexual, que arrebata a magia própria da idade e tatua essa violência sombria na alma. Quantos adultos destruídos, desde a infância, por abusadores.
A Casa da Fonte – CSJ –, no final de novembro, foi beneficiada, com o projeto, por indicação do Secretário de Estado da Educação – um dos parceiros do trabalho -, Dr. José Renato Nalini, em seu compromisso de defesa do ser humano e da formação do caráter. Poucos dias depois, tivemos a apresentação, no Teatro Polytheama, com o tema “Nos passos do Mágico de Oz”, do Festival de Talentos da Casa da Fonte e parceiros – Escolas Municipais “Cléo Nogueira Barbosa” e “Ivo de Bona”, Escolas Estaduais “Alessandra Pezzato” e “Almerinda Chaves” e o Centro Esportivo “José De Marchi”. Como convidado especial, o Centro Esportivo “Aramis Poli”. Foi um musical, numa versão contemporânea da história, com interpretações, teatro, dança, ginástica rítmica e artística, literatura, capoeira. Muitas luzes, ritmos, sons de “Somewhere Over The Rainbow”.
Todos nós somos mais do que pensamos: Doroty – com sua determinação -, o espantalho, o homem de lata, o leão medroso.
 “Eu tenho voz” e “O Mágico de Oz” se completam. Embora existam depravados, sedutores, crápulas travestidos de “gente do bem”, bruxas más e enrascadas, é possível vencê-los. E a estrada de tijolos amarelos brilhantes, para chegar à Terra das Esmeraldas, deve ser construída no coração de todas as crianças e adolescente, a fim de que vençam os medos, se fortaleçam e absorvam o que diz a música do filme sobre a história: “Em algum lugar além do arco-íris/ Os céus são azuis/ E os sonhos que você ousa sonhar/ Realmente se realizam”.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 



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