PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 19 de Fevereiro de 2017
FELIPE AQUINO - COMO VENCER A NÓS MESMOS ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Está cansado da caminhada? Pensa em desistir? Nada disso! Tenha paciência! Não desanime, faça a sua parte e conte com a de Deus.

 

 

Jesus disse que “a carne é fraca” (Mt 26,41); carne na Bíblia significa a nossa natureza humana, fraca, miserável, depois que o pecado entrou em nossa história. Todos nós experimentamos isso, até mesmo São Paulo se lamentava, como podemos perceber em Romanos 7.

Mas, é preciso entender que a nossa santificação é mais um trabalho de Deus em nós, do que de nós mesmos. Não temos força e poder de vencer sozinhos o mal que há em nós. Por isso, precisamos lutar com todos os recursos que a Igreja nos oferece, mas sabendo que “é Deus quem, segundo o seu beneplácito, opera em nós, o querer e o fazer” (Fil 2,13).

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Deus nos conhece antes de sermos gerados. “Nele existimos nos movemos e somos” (At 17,28), e sabe como agir em nós para a nossa santificação. Temos de ter paciência não só com os outros, mas também conosco e saber esperar a maturação do nosso espírito, como acontece a maturação da flor e do fruto na natureza.

Deus nos dá lições diárias para a vida espiritual. A natureza não se cansa e não se exaspera; não desanima. Deus não tem pressa porque é eterno, o tempo é todo Dele. São Paulo diz ainda que “é Ele quem nos capacita”; Ele é “Aquele, cujo poder, agindo em nós, é capaz de fazer muito além, infinitamente além de tudo o que nós podemos pedir” (Ef 3,20). Então, paciência! Não desanime, faça a sua parte e conte com a de Deus.

Vamos fazer uma comparação para entender melhor isso. Jesus contou uma parábola sobre o Reino de Deus, comparando-o ao agricultor que lançou a semente na terra, e dormiu; levantou-se de dia e de noite, e a semente germinou sem ele saber como. Porque a terra, por si mesma, produz primeiro o caule, depois a espiga, e depois o trigo maduro na espiga. Só então o homem mete a foice, porque chegou o tempo da colheita. (cf. Mc 4,26-29)

O agricultor esforça-se para preparar bem o terreno, retirar as pedras, arar bem a terra, adubar o solo para a sementeira; mas, uma vez semeado o grão, já não pode fazer por ele mais nada, a não ser esperar com paciência, até o momento da ceifa. Ele espera a terra germinar a semente, espera a chuva do céu; e somente pode tirar as ervas daninhas.

 

Leia também: Como vencer as batalhas contra nós mesmos?

Nunca desanimar na luta contra o pecado: sempre é tempo de conversão!

“Crescer na confiança enfrentando as tribulações” (Jó 1,20)

Sim. Há um caminho mais inteligente e mais suave!

Não nos perturbemos com os nossos defeitos

O que é tomar a cruz a cada dia?

Tem paciência contigo!

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Ele não pode realizar o milagre de fazer a semente germinar; o grão se desenvolve por sua própria força interna. Ora, com esta comparação o Senhor mostra-nos o vigor íntimo do crescimento do Reino de Deus no mundo e em nós também, até o dia da colheita (cf. Joel 3,16; Ap 14,15).

Jesus quer mostrar que a pregação do Evangelho, que é a semente abundantemente espalhada, dará o seu fruto sem falta, não dependendo de quem semeia ou de quem a rega, mas de Deus, “que dá o crescimento” (1 Cor 3,5-9). Tudo se realiza sem que os homens se deem conta.

 

Assista também: Devemos lutar sempre contra o pecado e nunca desistir

Como faço para me livrar do peso dos pecados que cometi, mesmo já tendo me confessado?

 

Ao mesmo tempo o Reino de Deus indica a operação da graça de Deus em nossas almas: Deus opera silenciosa e pacientemente em nós, respeitando nossa realidade, sem queimar etapas para não nos queimar.

Assim Ele faz uma transformação em nós, enquanto dormimos ou enquanto velamos e trabalhamos, fazendo surgir no fundo de nossa alma resoluções de fidelidade, inspirações de entrega, desejo de fazer Sua vontade…, até nos levar àquela idade perfeita, “o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo” (Ef 4,13); “conformados à imagem de Cristo” (Rom 8,29), como falava São Paulo.

O nosso esforço é indispensável para vencer nós mesmos, o nosso egoísmo, os apegos às coisas e criaturas, sensualidade, ira, inveja, preguiça, gula, etc., mas, em última análise é Deus quem atua, porque “os que são conduzidos pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rom 8,14), e Deus cuida deles.

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É o Espírito Santo que, com suas inspirações, vai dando um tom sobrenatural aos nossos pensamentos, desejos e atos. Precisamos, então, fazer a nossa parte, mas ter paciência e saber esperar a vitória sobre nós mesmos florescer como a planta que cresce lentamente, para poder crescer forte.

Alguém disse que “o que nasce grande é monstro”, feio. Na obra de vencer a nós mesmos, e superar nossa miséria, a grande arma é a paciência. Santo Agostinho disse que: “Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência”.

Como Deus faz crescer em nós a paciência? Fazendo-nos exercitar nela. É para isso que ele permite as tribulações, doenças, pessoas “chatas” ao nosso lado, gente que nos criticam, condenam, que nos desprezam… Tudo isso para treinar a nossa paciência, senão ela não cresce e não se fortalece para enfrentar os combates da vida. O mesmo Santo Agostinho disse: “Ainda não alcançamos a Deus, mas temos o próximo perto de nós. Suporta aquele com o qual andas e alcançarás Aquele junto do qual queres permanecer eternamente”.

 

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 17:24
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PAULO R. LABEGALINI - COMPROMISSO DE PERDOAR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um dia, um aluno me pediu uma folha em branco para refazer a primeira questão da prova. Olhando o espaço disponível, eu lhe disse que poderia riscar os erros e resolver o exercício na própria página. Em casa, ao corrigir a questão, logicamente não considerei a parte nula e dei valor àquilo que ele havia acertado.

Bem, mal comparando, Deus também age assim conosco; aliás, ao invés de riscar o passado, Ele sempre permite que usemos uma nova folha em branco. E reflita comigo se não é maravilhoso podermos confessar os pecados, sermos perdoados por tudo que fizemos de errado e, ainda, escrevermos uma nova história que nos levará à salvação!

Tudo isso só depende de cada um de nós, mas, infelizmente, muita gente diz que acredita em Deus só da boca pra fora, porque na hora de deixar de pecar e aceitar os Mandamentos, prefere continuar repetindo os erros. E – o pior! – deixando de se confessar, a folha de sua vida continuará manchada e será avaliada com fatos condizentes à condenação.

Ainda bem que já queimei uma papelada imensa ao receber Sacramentos nas confissões que fiz. Agora, continuo escrevendo numa folha limpa e espero não sujá-la tão cedo; porém, se isso acontecer, pedirei ao querido Pai uma nova página, prometendo caprichar mais na história que estarei vivendo. Mas é importante lembrar que a falta de perdão já é um pecado!

Ainda refletindo na educação que muitos recebem na escola, contam que um professor pediu aos alunos que trouxessem uma sacola de casa. Depois, mostrando um saco de batatas que se encontrava na sala de aula, solicitou que pegassem uma batata para cada pessoa que os magoou, e algumas sacolas ficaram muito pesadas!

A tarefa seguinte consistia em carregar consigo a sacola durante uma semana para onde quer que fossem. Com o tempo, as batatas foram se deteriorando, ficou incômodo carregá-las o tempo todo e ainda sentir o mau cheiro. Foi assim que os alunos entenderam a lição de que carregar mágoas é tão ruim quanto carregar batatas. Perceberam, também, que perdoar e deixar os ressentimentos irem embora é a única forma de viver em paz e aliviar o peso do sofrimento.

Agora, que tal jogar fora suas ‘batatas’? Não é muito melhor sorrir ao invés de estar triste desejando mal para os outros? Se eu lhe perguntasse se tem experiência em perdoar ou guardar mágoa, tenho certeza que responderia: ‘Sim, já fiz as duas coisas’.

Então, veja se concorda que quase todo mundo: já fez bola de chiclete e lambuzou o rosto; já passou trote por telefone; já raspou o fundo da panela de arroz doce; já escreveu no muro da escola; já sentiu medo do escuro; já gritou de felicidade; já roubou flores num jardim; já chorou por ver amigos partindo; e já descobriu que, apesar de tudo, a vida continua.

Foram tantas coisas iguais guardadas no nosso coração que chegamos à conclusão que não vale a pena deixar de perdoar sabendo que tudo passará com o tempo, queiramos ou não. E assim como há semelhanças entre pessoas, também há diferenças, e quem insiste em guardar mágoa, na verdade tem vergonha de ser igual aos bons e perder a identidade – além de desobedecer a Cristo!

Você sabe por que a maioria das pessoas fracassa em seus sonhos? Não é por falta de capacidade, mas sim por falta de compromisso. O compromisso produz entusiasmo e gera recompensas cada vez maiores. Nada cai do céu de mão beijada! A Bíblia nos diz: “Esforça-te e tem bom ânimo, estou contigo por onde quer que andares” – Josué 1, 6.

Não adianta você ficar sentado esperando um milagre; faça alguma coisa. Lute com a verdade! Reze! Verifique na história da humanidade e conclua que não conhece uma só pessoa que tenha sido vencedora sem ser disciplinada. A disciplina é a chama através da qual o talento se transforma em capacidade.

Roy Smith disse: “Você produzirá muito mais se fizer uso do chicote contra si mesmo”. Isto significa que disciplina com compromisso fará de você o que a maioria das pessoas não poderá ter: sucesso! Quem sabe hoje você precisa tomar esta decisão: romper com tanta coisa que lhe faz mal, fazendo uma limpeza no coração. Deus dá a vara, mas você tem que buscar a isca!

Jogue fora aqueles sentimentos de tristeza, de menosprezo, de mágoa, de ódio, de injustiça contra você. Pare de remoer o passado, de abrir mão do direito de fazer justiça, de colocar diante de Deus sua frustração por não conseguir o que você quer.

Se você caiu, levante-se! Se você perdeu, tente de novo! Nunca é tarde para reconstruir e recomeçar sua vida. Não deixe para amanhã. Decida hoje. Comece hoje. Você vai vencer se souber aliar: perdão, compromisso, verdade, disciplina e oração. Ninguém vai lhe deter!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:19
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - MEU TIPO INESQUECÍVEL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entre a minha parentela – que não é grande, – havia figura, que se destacava, não pela inteligência, e ainda menos pelo dinamismo, mas sim, pela bondade e simpatia.

Para muitos, era um pobre diabo. Homem de fraca personalidade, de pouca vontade própria, facilmente manipulável. Mas, para mim – que sempre o admirei, e para os que sabem observar o interior da alma, – era: homem extremamente bom; sempre preocupado com os outros: pronto a prestar pequenos favores e pequenas atenções.

Era o que Cristo havia dito, em Confarnaun, no célebre Sermão da montanha: um pobre de espírito.

Se alguém caia doente, mesmo sem ser familiar, certo era, que o Júlio o ia visitar, oferecendo, com lealdade, seus préstimos.

Um dia meu pai foi hospitalizado. Bem desejava que os amigos o fossem visitar… mas quase todos tinham muitos afazeres…

Um, que era Religioso, e vivia na cercania da Casa de Saúde, telefonou-lhe, desculpando a ausência: falta de tempo… e de transporte.

Mas o Júlio, não só o visitava assiduamente, como se pôs logo à disposição, para tudo que fosse necessário.

Já em casa, após o tratamento hospitalar, meu pai, devido à doença, que o vitimou, não podia sair.

Prontamente o Júlio, se ofereceu para entregar, na redação, a crónica semanal, que mantinha na terceira página do periódico.

Não havia funeral de amigo ou conhecido, que o Júlio, não fosse. Ia, não para ser visto, mas para oferecer seus préstimos.

Na juventude, devido à educação que recebera, o Júlio, não frequentara a Igreja; todavia, nas últimas décadas, graças ao primo Mário, passou a participar diariamente, na missa das seis, na igreja da Trindade, no Porto.

Encontrei-o, muitas vezes, nos primeiros bancos do transepto, de joelhos, recolhido diante do Altíssimo.

Meu pai faleceu. Era jovem e inexperiente. De imediato, o Júlio, se prontificou a cuidar de tudo, auxiliando em tudo que fosse preciso.

Por ser simples, de coração simples, tornou-se, para mim, no meu primo inesquecível.

Como ele, tenho apenas um amigo (por razões obvias, não o menciono,) que está sempre presente, nos momentos mais difíceis. Ter amigos destes, é um privilégio…já que é tão raro!...

Não admira, portanto, que o Júlio, seja lembrado com carinho, por todos que tiveram a felicidade de terem convivido com ele.

São homens, como o meu primo Júlio, que nos levam acreditar que ainda há gente boa, capaz de viver, para servir.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 17:11
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EUCLIDES CAVACO - MÃE DO FADO
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Um poema declamado que relembra os tempos áureos da eterna SEVERA que foi possivelmente a primeira fadista portuguesa.
Veja e ouça este tema em PS ou aqui neste link:
 

http://www.euclidescavaco.com/Poemas_Ilustrados/Mae_do_Fado/index.htm
 


Desejo uma excelente semana para todos vós.
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

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 Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

 Horário das missas na Diocese do Porto( Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 17:05
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Domingo, 12 de Fevereiro de 2017
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - ESCOLA DOM JOAQUIM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Por feliz iniciativa do Secretário de Estado de Educação, Dr. José Renato Nalini, a Escola Estadual do Parque Residencial Almerinda Chaves, desde o final de dezembro do ano passado, passou adenominar-se “ Dom Joaquim Justino Carreira”.  A Escola não possuía um nome próprio, mas somente o do bairro onde se localiza.
A denominação de um estabelecimento de ensino, ao possuir um patrono, carrega a proposta de que seja ele referência na formação educacional. Para issoé necessário que se conheça o perfil do homenageado e o que motivou sua história.
Deus foi a grande razão da história de Dom Joaquim (Bispo Católico Apostólico Romano - 1950 – 2013) e, para servi-Lo, dedicava-se à coerência, ao acolhimento, aos estudos, ao anúncio e à vivência do “caminho de luz”, com o propósito de que as pessoas encontrassem a verdadeira felicidade. E o que seria o caminho de luz? Aquele que carrega os valores da humildade, do discernimento, do bom senso, da perseverança, do caráter, da espiritualidade, da responsabilidade sobre as ações pessoais, da renúncia a qualquer vantagem que não seja por meios honestos e que faz da vida um generoso serviço ao semelhante. É o caminho da união fraterna, enquanto o oposto  como da soberba, do aproveitar-se dos demais, da inveja, da difamação, da fofoca, da crueldade, da vingança, da preguiça, da vadiagem – caminho das trevas – leva à solidão.
Enfatizava que a pessoa deveria preocupar-se com suas mudanças pessoais e não em querer mudar os outros, pois o testemunho, sim, pode influir positivamente no próximo. Insistia que: “Fortaleza é ficar firme diante dos acontecimentos, principalmente das dificuldades, tendo consciência de que não estamos sozinhos no caminho da vida”.
Em meio aos trabalhos de Dom Joaquim, no compromisso em curar os feridos, reanimar os abatidos e trazer de volta os que estão no erro, atuou junto: aos encarcerados nos presídios das cidades pelas quais passou, através da Pastoral Carcerária; às mulheres excluídas na Associação Maria de Magdala e aos moradores de rua no SOS e na Casa Santa Marta. Deixava claro que a caridade mata o mal, constrói a paz e liga o ser humano a Deus.
Que essa escola, tão bem dirigida pela Profa. Marisa Pires Vicentim e equipe, possa permanecer como sinal forte de que a verdadeira sabedoria e a benevolência podem salvar a sociedade.

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil



publicado por Luso-brasileiro às 16:34
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - OUTRAS MODALIDADES DE ESTUDOS GENEALÓGICOS

             

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Falei, no último artigo, de uma modalidade muito comum nos antigos estudos genealógicos: a religiosa, aquela que focalizava a dimensão sagrada da transmissão da vida em determinadas estirpes, de geração em geração e através dos tempos.

Além dos registros genealógicos de cunho religioso, valorizavam-se no passado os de cunho nobiliárquico. Certas estirpes se destacavam por sua liderança, por sua maior capacidade de ação, por sua dedicação ao bem comum das sociedades grandes ou pequenas, não apenas se preocupando com o seu interesse individual ou familiar, mas também gerindo a sociedade e cuidando de prover às necessidades coletivas. Os membros dessas estirpes tendiam, muito explicável e naturalmente, a ser vistos com especial respeito pelos demais.

Já na Antiguidade, um tanto mesclado com o preponderante elemento religioso, constituíram-se aristocracias no verdadeiro sentido etimológico do termo (ou seja, os melhores ou os mais fortes exercendo o governo), as quais possuíam senso nobiliárquico, tendo noção clara de que constituíam uma elite, tinham conhecimento de seu passado e tinham esperança e disposição para um futuro na mesma orientação. Manda a verdade que se diga essas aristocracias antigas muito frequentemente degeneravam naquilo que é, segundo Aristóteles e São Tomás de Aquino, a corrupção da aristocracia, ou seja, a oligarquia.

Passando agora da Antiguidade para as origens da Idade Média, ou seja, após a verdadeira derrocada que representou, para o Império Romano do Ocidente, a avalanche das invasões bárbaras, à medida que os povos bárbaros se foram civilizando, que foram sendo expulsos os restos de paganismo, a tendência natural era para se constituírem e se consolidarem estirpes aristocráticas. É muito explicável que se procurasse registrar e conservar os feitos e os fastos dessas estirpes, de onde os linhagistas medievais que existiram em todos os países da Europa. Para falar em termos portugueses, recorde-se o famoso Livro Velho das Linhagens, também conhecido como Nobiliário do Conde D. Pedro.

A essas três modalidades clássicas de Genealogia, poderíamos acrescentar a do falso nobre. Ou seja, a da pessoa que se pretende nobre, se imagina nobre, e procura doidamente, numa ascendência irremediavelmente plebeia, algum antepassado nobre. E, como reza o velho ditado, "não há geração sem conde e ladrão", pode acabar encontrando algum nobre. Então começa o delírio: supervaloriza-o, põe-se a falar dele para toda a gente, começa a usar anel de nobreza sem ter a isso direito, e comete toda espécie de desatinos que a convertem verdadeiramente numa caricatura de nobre... e numa caricatura de verdadeiro genealogista.

Essa ridícula posição, naturalmente, sempre foi alvo fácil de sátiras de todo tipo. Seria um não mais acabar se fôssemos aqui transcrever algumas dessas sátiras, verdadeiramente espirituosas. Apenas à guisa de exemplo, lembrem-se a de Alexandre de Gusmão (Genealogia Geral para desvanecer a errada opinião dos Senhores Puritanos, Biblioteca Nacional, Lisboa, Códice 7663, pgs. 48, in "Brasil Genealógico", tomo 1, n° 1, 1960); a do Abade de Jazente, com seu famoso soneto satirizando os que supervalorizam linhagens fabulosas (apud Armando Barreiros Malheiro da Silva, A Genealogia em Portugal e o desafio do presente, em "Armas e Troféus", Lisboa, 1984, V série, tomo V, n°s 1-3); a de Frei Antonio de Santa Maria Jaboatão, que no final do seu Catálogo Genealógico das principais famílias da Bahia e Pernambuco, escreve em duas páginas a genealogia fabulosa da família Fialho (apud Luiz Marques Poliano, Heráldica, Edições GRD/Instituto Municipal de Arte e Cultura-Rioarte, São Paulo, 1986, pp. 330-333).

Por fim, outra modalidade que tinham os estudos genealógicos até 20 ou 30 anos atrás, era quando se destinavam a assegurar a transmissão de patrimônios pela via da sucessão hereditária. Em Portugal, por exemplo, nos séculos XVI a XVIII eram clássicas as querelas judiciárias prolongadíssimas (algumas se arrastando por diversas gerações) pela disputa de um vínculo, de um morgadio, de um senhorio qualquer que, por vontade do primitivo proprietário, se transmitia indivisível de geração em geração, pela linha da primogenitura, segundo certas regras gerais fixadas nas Ordenações do Reino, e segundo certas normas específicas estabelecidas pelo instituidor. Ao cabo de 100, 200 ou 300 anos, muitas vezes extinguia-se o ramo primogênito, e acontecia que se apresentavam vários pretendentes. Entravam então em cena genealogistas que, com ou sem razão, procuravam sustentar a precedência de umas linhas sobre outras, ou contestar a legitimidade de certas sucessões.

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS, é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 



publicado por Luso-brasileiro às 16:30
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - CARNAVAL, NOSSA MAIOR FESTA, NÃO SE ORIGINOU NO BRASIL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Carnaval é, sem dúvida, a grande festa brasileira. Nesta ocasião, o País é visto praticamente em todo o mundo. Mais do que qualquer outro, o nosso povo sabe fazê-lo de forma marcante e gigantesca, tendo se tornado o seu próprio sinônimo. Muita gente não sabe, no entanto, mas ele é uma celebração muito velha, talvez a mais antiga do mundo.

A raiz de toda essa festividade surgiu há milhares de anos, ligada aos rituais de fertilidade e de mudança das estações. De acordo com Kevin Moloney da National Geographic, “muitos estudiosos a remetem à Lupercália romana, um festival criado para celebrar a chegada da primavera que se transformou num período de orgias e de lutas de gladiadores. A Lupercália foi considerada pecaminosa pelos primeiros cristãos, mas os fundadores da Igreja não conseguiram erradicá-la. O jeito foi transformar os costumes pagãos em festivais e programá-los para antes da Quaresma, o período de 40 dias de jejuns e ritos solenes que precede a Páscoa”.

Alguns estudiosos dos festejos populares afirmam que ele surgiu entre os adeptos do culto à deusa egípcia Íris. Outros especialistas colocam o seu início nas homenagens que os gregos faziam ao deus Dionísio. Há também quem mencione as celebrações romanas, dedicadas a Baco, Luperco e Saturno, divindades brindadas com festas animadas. Tudo o que se sabe é que se constitui numa grandiosa comemoração pública, cujas características foram mudando com o passar dos anos, mas provavelmente ainda é a maior do planeta.

Reúne alegres multidões nas ruas de muitas cidades, leva enormes plateias a assistirem aos desfiles em outras, e, mesmo nas localidades menores, o evento se faz presente em clima de alta e genuína animação. No Brasil, a primeira festa dessa natureza foi em 1641, realizada por iniciativa do governador Correia de Sá e o motivo da comemoração foi a elevação de Dom João VI ao trono de Portugal. Mas nessa época, o povo não participava. Até o século XIX, chamava-se entrudo, que era uma festa de origem açoriana, caracterizada pelas violentas batalhas com farinha, água e fuligem. Desse tempo para cá as brincadeiras se modificaram, surgindo os blocos fantasiados, os carros alegóricos e os cortejos de escolas de samba.

            É também uma época na qual algumas pessoas deixam de lado os seus problemas e suas situações sociais, para viverem sonhos e fantasias, adquirindo caráter de folia. “O carnaval afasta os pobres de sua vida cotidiana”, diz o médico Hiram Araújo, pesquisador da história do carnaval carioca. “É algo que eleva suas vidas.” Por conta dessa circunstância, também se evidenciam ilusões e muita irreverência.

Por outro lado, seus ingredientes de malícia e transgressão de certas regras, foram substituídos por outras posturas. E hoje a coisa está bem diferente do passado. Ao lembrarmos os carnavais de outras épocas, o fazemos com doçura dos saudosos tempos passados. As fantasias eram mais originais, as músicas alegres e bem elaboradas. O clima era muitas vezes romântico e até namoros e casamentos surgiram de encontros carnavalescos.

            E com aspectos positivos ou negativos, o Carnaval vai sobrevivendo. A esperança é que os blocos populares resgatem a simplicidade e ingenuidade das comemorações populares, afastando as circunstâncias consumistas que o cercam, voltando os salões a terem bailes envolventes, com músicas que efetivamente encantem e animem, sem modismos chulos e pré-concebidos, recuperando a espontaneidade que durante muito tempo o caracterizou em nosso país. É preciso deixar de ser espetáculo para ressurgir como uma festa sadia, da qual todos indistintamente participem e brinquem, invertendo até como outrora, papéis sociais e pessoais.

 


DIA DO ENFERMO

 

 

Por ocasião do Dia do Enfermo, a 11 de fevereiro, além da finalidade precípua da data, que é a de despertar para o cuidado, a atenção e o afeto que cada doente precisa e merece receber, ela também destaca a importância da saúde. Atualmente em nosso País o contexto dos desafios e problemas que a cercam, evidenciam uma ação urgente de toda a sociedade, notadamente do Poder Público, para que volte a ser um direito acessível a todos e não privilégio de uns  poucos amparados por planos de saúde particulares. 

 

Os mais desavisados consideram que o Carnaval é uma comemoração exclusivamente brasileira. No entanto, apesar do Brasil ser considerado o País do Carnaval, não foi aqui que nasceu essaa festa cujas origens são obscuras e diversas.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

 



publicado por Luso-brasileiro às 16:26
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - MIRANDO O CÉU

 

 

 

 

 

 

 

 

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                Desde sempre eu soube que vim a esse mundo com uma dose de curiosidade um tanto além do normal. Tenho curiosidade em saber as coisas desse mundo e de outros, sejam reais ou ficcionais. Vivo em busca de entender não apenas as razões pelas quais as coisas são, mas o que e como elas são. Tenho vontade de fazer cursos de todas as coisas, das mais simples as mais complexas, de ler todos os livros que já foram ou poderão ser escritos e para além disso, curiosidade sobre o que eu mesma sou capaz de fazer, quais os limites da minha mente e do meu corpo. Todos os dias, para mim, o mundo é um lugar novo, repleto de possibilidades.

                Não quero dizer que sou alguém que está sempre bem, pois tenho minhas fraquezas e meus defeitos e longe de parecer falsa modéstia, sei que não são tão poucos quanto a minha vaidade gosta de imaginar, mas, no geral, acho mesmo que, apesar de todos os pesares, de toda crueldade, de todo desamor, violência e outras barbáries perpetradas pelo ser humano, esse mundo ainda é um lugar incrível, maravilhoso.

                Em algum momento da minha infância eu fui apresentada a duas máquinas que me permitiriam fazer o que meus olhos não eram capazes, de enxergar o mundo em miniatura e o céu que envolve nosso planeta: os microscópios e os telescópios. Assim que eu soube do que eles eram capazes, fiquei enlouquecida! Ainda criança, creio que durante a passagem do Cometa Halley, fui com meus pais até um local onde havia sido instalado um telescópio e, para além de mirarmos o cometa, ainda podíamos contemplar estrelas, constelações e planetas. Se Deus não morava lá no Céu, eu pensava, não estaria em lugar nenhum. Que pena não podermos voar além da luz, não sermos tão evoluídos a ponto de planejarmos nossas férias pelo Céu.

                Na escola conheci de perto o microscópio e saber que o mundo que não enxergamos é tão fantástico quanto o que nos é permitido ver a olho nu, fez com eu que desejasse, profundamente, ter um daqueles só para mim. No colegial, fã das aulas de Biologia, eu andava atrás do meu professor Luiz Alberto, doida para os momentos nos quais o uso do microscópio fosse necessário. Ali eu imaginei que estudaria biologia e era feliz imaginando quantos mini mundos eu poderia conhecer, decifrar. Quis a vida que eu seguisse outros caminhos, mas mantive o meu desejo de ter um microscópio.

                O tempo passou e, já adulta, acabei ganhando um pequeno microscópio. Mesmo limitado, eu usei e abusei dele, observando por outra ótica tudo aquilo que minha curiosidade me incitava a fazer. Dia desses, enquanto eu navegava pela internet vi um telescópio à venda, com lentes capazes de me permitir observar a lua, planetas e estrelas. Nada muito especialmente potente, mas foi o suficiente para trazer de volta aquela criança que um dia, encantada, olhou para o céu pela primeira vez com olhos maiores. Sem pestanejar, comprei a máquina e, desde então, venho perscrutando o céu, olhando para o imenso, divino e misterioso que nos cobre. Confesso que tem sido um alento, sobretudo em tempos nos quais nosso olhar vem procurando refúgio para sobreviver.

                Mirando o céu eu penso que deve haver vida em outros lugares, que tudo isso aqui é tão fugaz e que perdemos tempo demais sendo os tolos da Criação. Não vou viver para viajar a outros planetas, mas posso sonhar que, lá encima, em algum lugar, há lugares nos quais a ganância não destruiu quase tudo que há de bom, de puro, de belo. Olhando para o alto, todos os dias, recordo-me de quanto sou pequena, um mísero ponto no meio do universo e isso, para longe de me deixar triste, só me faz entender meu lugar, meu espaço e minha missão nesse mundo...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com

 



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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - A VIDA É UM GESTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            “– Olha! Como o tempo mudou/ E como mudei eu!/ Fausto exposto a vento e chuva,/ Desapropriado do claustro,/ Tomo a fadiga por luva/ Ao corpo inteiro exausto.../

– Olha! Como o tempo mudou/ E como mudei eu!/ O escudo, o coração,/ Foi doado para estudo./ Escreve o silêncio a versão/ Deste último verso mudo.”.

Algumas coisas só existem para duas coisas na vida: para serem idealizadas, e, depois, jogadas fora.

            Idealizadas, valem o fôlego que o sonhar ingênuo ou cego impulsiona.

            Chegada a hora, porém, da contemplação nua e crua da realidade desdenhosa da idealização que a precedeu – puft!

            A certa altura, a realidade basta-se. E, considerada a concretude, findo o véu de luz, a nuvem de esperança; seco o ilusório oásis, enfim, chegado o momento de acordar, a verdade é que falta lixo à mão para receber tanto entulho.

            Ops! Meia volta volver – o presente texto não é triste.

            Isto posto, (tudo às claras?) tomemos tento!

            Minha felicidade é gritante. E grita porque acordei. Ou acordei porque ela gritou? O que importa é que estou feliz, mesmo sabendo que a felicidade é coisa inventada.

            Melhor inventar bobagem do que inventar, inventar e noves fora nada!

            O que idealizei? A palavra. Escrita, dita, versejada, proseada também.

            Melhor dizendo (socorram-me, palavras!!!): escrita, dita, versejada, proseada, de todas as formas possíveis e i(ni)magináveis...

            Idealizei-a, a ponto de torná-la mais que a mesma em si. Fez-se ela mais que eu em mim mesma.

            Pedra fundamental, a palavra em mim e por meio de mim, e por que não dizer, através de mim?, pôs tudo abaixo, ao chão, em ruínas.

            Tudo se refere, é claro, ao pouco à minha volta. Tudo para mim.

            O que é o tudo para si, senão a extensão de seu mundinho igualmente? Não me venha julgar menor que isto, que aquilo, que si.

            Quer saber? Esqueça! Só passei para dizer que a palavra é sim inútil.

“Sim, é inútil escrever./ Certamente que é./ Mas, e daí?/ Eu nunca vi/ Homem ou mulher/ Só o que é certo fazer./ Tanta coisa faz-se à toa./ Ah... deixa estar!/ Deixa quieto!/ Mesmo feto/ Já vamos a errar/ Chovendo na garoa.../ Ademais resto é resto./ Dia vai dia vem/ Esse é o jeito/ Dito e feito:/ O tempo é um trem/ E a vida – só um gesto.”.

 

 

 

VALQUIRÍRIA GESQUI MALAGOLI, escritora e poetisa,  vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 16:13
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SONIA CINTRA - SÃO PAULO - 463 ANOS !

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Celebrando o 463º aniversário da cidade de São Paulo, fundada em 25 de janeiro de 1554, pela missão jesuítica dos padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, para homenagear o Apóstolo São Paulo, seu padroeiro, na data da conversão de Saulo de Tarso ao cristianismo, às portas de Damasco, no século I, lembremos a profunda identificação de Mário de Andrade (1893-1945) com nossa Metrópole, presente em sua produção literária lírica e narrativa.  Da narrativa, citamos Macunaíma (1928), “a obra central e mais característica do movimento modernista”, no dizer de Antônio Cândido. Da lírica, destacam-se, Paulicéia desvairada (1922), que surge de um cenário de transformação em São Paulo, ao ganhar uma paisagem cada vez mais urbana e menos rural, e Lira Paulistana (publicada postumamente, em 1946).

Deste último livro, transcrevemos os versos iniciais do poema “Quando eu morrer...”, de autoria desse imortal da Academia Paulista de Letras, que nos deixou um grandioso legado cultural a par de uma imensa saudade: Quando eu morrer quero ficar,/ Não contem aos meus inimigos,/ Sepultado em minha cidade,/ Saudade.

No célebre poema, a morte é a ideia de despedaçamento do corpo, que corresponde à fragmentação de nosso tempo-espaço.  Cada pedaço de seu ser - pede o Poeta - seja enterrado em um lugar especial e simbólico da capital paulista, seu berço natal. A imagética do despedaçamento corporal encontra raízes no imaginário universal, sendo comum a diferentes culturas, dentre elas, a cultura popular brasileira. Em “Quando eu morrer...”, o eu lírico se identifica com a cidade de São Paulo, que, por sua vez, é síntese do país e do mundo pela diversidade humana com que é constituída.

Conversado com Dr. Roque e D. Nuncy, no Vinha da Luz, ele contava, com saudade do tempo de criança, quando residia com os avós em uma casa na esquina da Ipiranga com a São João, cruzamento imortalizado em “Sampa” por Caetano Veloso. A Ipiranga, dizia, era rua de terra e ali ficaram por muito tempo os cinco buraquinhos que fizemos para jogar bolinha de gude com os meninos da vizinhança.

Hoje, a cidade de São Paulo cresceu, em alguns lugares anda feia e maltratada, seus monumentos não mais inspiram orgulho na maioria dos cidadãos, mas ainda é a cidade de nosso coração, assim como na poesia de Mário de Andrade: No Pátio do Colégio afundem / O meu coração paulistano. O que podemos fazer por sua conversão?

 

 

 

SONIA CINTRA    -    É doutora em Letras Clássicas e Vernáculas pela Universidade de São Paulo. Pesquisadora da Cátedra José Bonifácio - IRI/USP e membro efetivo da UBE. Fundadora e mediadora do Clube de Leitura da Academia Paulista de Letras e do Clube de Leitura Jundiaiense. Ex-presidente da AJL, oradora da Aflaj e madrinha do Celmi. Pós-graduada em Educação Ambiental, ensaísta e articulista de jornais, revistas e blogs nacionais e internacionais. Tem 13 livros publicados com tradução para o italiano, francês e espanhol.

 



publicado por Luso-brasileiro às 15:53
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FELIPE AQUINO - É NO SOFRIMENTO QUE SE DESCOBRE O SENTIDO DO CASAMENTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Minha esposa teve câncer durante seis anos até falecer. Dos quarenta anos de casados, este foi o período mais doloroso de nossa vida, mas também o mais rico espiritualmente, onde vivemos de “puro amor”, nada mais.

No dia 25 de setembro de 2005, dia de meu aniversário, eu voltava de Cachoeira para Lorena; meu celular tocou e eu vi que era ela, a Zila me chamando. Atendi. Com muita calma ela me contou que tinha feito uma mamografia e que foi acusado um tumor cancerígeno em uma de suas mamas. Meu sangue gelou! A gente acha que isso nunca vai acontecer com a gente ou perto de nós. Mas são os desígnios de Deus.

A partir dai começou uma luta que durou seis anos até o seu desfecho. Foi uma longa história de fé, amor, luta, sacrifícios, orações… Ela passou por uma longa cirurgia em São Paulo, onde foram retirados mais de dez nódulos cancerígenos comprometidos pelo câncer. A nossa filha médica, que acompanhou tudo, sabia da gravidade. Quando ela me contou, eu percebi que o caso era grave, mas a gente parece que faz força para não acreditar.

É nessas horas que Deus põe em cheque a nossa fé; muitas vezes eu já tinha repetido em muitas palestras que: “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus, daqueles que são seus eleitos, segundo os seus desígnios” (Rom 8,28). E mais: “Vivei sempre contentes, orai sem cessar. Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus” (1 Tes 5,16-18).

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Chega um momento que a gente não tem mais que ensinar isso para os outros, mas para nós mesmos, e tem que viver, tem de mostrar a Deus a coerência de nossa fé. Na oração da missa do 7º domingo depois de Pentecostes a gente lê: “Ó Deus, a Providência divina nunca falha!” Mas será que a gente crê nisso? Santa Teresa dizia: “Deus tudo sabe, tudo pode, e me ama.” Quantas vezes eu já tinha lido isso!

É a hora da fé. São Paulo disse que “o Justo vive da fé” (Rom 1, 17); “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6). O profeta Isaías disse que “Os meus caminhos não são os vossos caminhos e o vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor.” (Is 55,8).

A fé faz a gente compreender que quando Deus permite que a dor nos atinja é porque Ele precisa arrancar do jardim de nossa alma a erva daninha que a pode mata-la. E Ele não pode permitir isso, pois tem ciúme de nós, nos ama loucamente, não aceita nos perder. No fundo Ele faz a mesma coisa que eu fazia quando levava meus filhinhos chorando para tomar uma injeção no bumbum; ou quando eu o levava ao hospital para dar pontos doloridos no corte do queixo.

O sofrimento é um mistério, um enigma, entrou na nossa história por causa do pecado. “O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23). Mas Jesus, fez aquilo que parecia impossível, “transformou o sofrimento em matéria prima da salvação” quando o abraçou radicalmente na Cruz. Não compreendemos bem as coisas, nem mesmo o que é a felicidade. Mas, se Deus é meu Pai, aconteça o que acontecer, que terei a temer?

Depois da longa cirurgia de quatro horas da Zila, vieram seis longos anos de quimioterapia e radioterapia. Um dia, logo nos primeiros dias do tratamento, ela me disse: “eu não vou morrer, não, fique tranquilo, eu sei que você não sabe viver sem mim”. Algumas vezes eu tive de esconder dela para derramar as lágrimas; nunca deixei que ela visse. Mas ela não abaixava a cabeça não, seus cabelos caíram, mas ela não deixou a vida cair. Continuou o seu trabalho na Editora Cléofas como se nada tivesse acontecido. Passei a amá-la e cuidar dela como nunca tinha feito.

Mas é nessas horas que a gente agradece a Deus por ter uma boa família; os filhos e eu, o genro e as noras, abraçamos esta sua luta como se fosse de cada um de nós; essa é a parte consoladora de tudo. Sou muito grato a Deus por tudo isso. Nos seis anos que ela lutou não teve tréguas; a quimioterapia em São Paulo se repetia a cada quinze dias rotineiramente. O câncer que já tinha alcançado a metástase, passava de um lugar para outro. Do seio migrou para os ossos, dos ossos para o fígado, do fígado para não sei mais onde… até tomar o cérebro e os pulmões; foi o fim.

 

Leia também: O verdadeiro sentido do casamento

Os 5 ingredientes do casamento feliz

Por que o amor é para sempre?

O que é o amor?

 

Mas nós ficávamos impressionados com a sua resistência; dificilmente a quimioterapia, longa e pesada, derrubava a sua imunidade. Poucas vezes precisou de antibióticos para vencer uma infecção ou algo parecido. Nada mudou em sua vida; não teve depressão e nem medo da morte, embora soubesse da gravidade; tocava a vida normalmente como se fosse viver muitos anos.

É claro que ela tinha seus momentos de irritação, coitada, e com todo o direito. Mas nunca a vi culpar a Deus ou se queixar dele. Ao contrário, a vi dar graças a Deus por muitas coisas: os netos que ela tanto amava, os filhos, a nós todos. Não deixou de fazer uma festa sequer como gostava de fazer nos aniversários.

Ela amava a vida, por isso viveu até o seu último dia. Antes de partir para a eternidade, ela ficou internada por cerca de um mês em São Paulo. Nós nos revezamos com ela; sempre dois em sua companhia. Precisou colocar um “stent” na garganta porque o câncer fechou o esôfago e ela não conseguia mais comer; precisou fazer radioterapia no cérebro porque a quimioterapia não chegava lá. Não reclamava de nada.

Este mês foi para mim como que um mês de retiro espiritual. Como Deus é bom! No hospital há uma bela capela com o Santíssimo Sacramento no Sacrário o dia todo; e Missa todos os dias. Eu dividia meu tempo entre o quarto dela e a capela. Pude rezar muito por ela, graças a Deus; é o melhor que a gente pode fazer nestas horas. A fé me sustentou e sustentou a todos nós.

Na noite em que faleceu, 19 de setembro de 2012, uma semana antes de meu aniversário, eu fui à Missa às 18.00 horas com o Mateus. Voltamos para o quarto um pouco antes da 19 horas. E eu fiquei sozinho com ela, porque os filhos estavam na sala de espera com um parente que chegou ao hospital. Sozinho com ela eu rezei mais uma vez o Terço da Misericórdia, da Irmã Santa Faustina. Em seguida, segurando em sua mão eu fiz esta oração:

 “Senhor Jesus, o Senhor está comigo aqui agora pela Eucaristia em minha alma; se ela está pronta para ir para o Senhor, se estiver preparada, a leve, pois está sofrendo. Eu a entrego e agradeço por esses quarenta anos que vivemos juntos…”

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Tão logo eu terminei esta oração, sua respiração foi diminuindo e ela se foi para Deus. Eram 19.05 horas. Acho que ela não quis que os filhos a vissem partir…

Eu tinha pedido a Nossa Senhora que ela partisse em um dia de uma de suas festas. E que isso fosse para mim um sinal. Pois bem, depois que ela se foi, pude verificar que o dia 19 de setembro é dia de Nossa Senhora de La Salette. Nunca dei tanto valor a nosso casamento!

Deus quis que a sua Missa de sétimo dia fosse exatamente no dia de meu aniversário! Tudo isso pode parecer trágico, mas para mim foi sinal do amor de Deus. Nesta data eu pude agradecer a Deus pelos meus 63 anos e também pelos 40 anos que Ele deu-me ela como um raro presente. A leitura da Missa neste dia era a do Eclesiastes que dizia: “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado; tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir; tempo para chorar, e tempo para rir…” (Ecl 3,1-8). Deus seja louvado!

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



publicado por Luso-brasileiro às 15:43
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PAULO R. LABEGALINI - ACEITE O FILHO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Eis uma linda história que me contaram:

Um senhor extremamente rico vivia com muita fartura. Bens materiais ele tinha todos, mas não conseguia dar à esposa aquilo que ela mais desejava: um filho. Após muitos anos tentando ter a criança tão esperada, um tratamento no exterior permitiu que o herdeiro viesse ao mundo.

Devido ao parto prematuro, o menino nasceu com alguns problemas de saúde e foi crescendo tomando muitos remédios. Aos doze anos, ele contraiu uma doença seríssima e, antes de morrer, quis pintar um quadro com a melhor qualidade que conseguisse; porém, por estar na cama de um hospital, as pinceladas não saíram tão bonitas. Mesmo assim, o quadro foi colocado na sala da mansão da família após sua morte.

Pouco tempo depois, os pais do menino perderam a vontade de viver e foram se entregando nas mãos de Deus, até que faleceram também. E por não terem parentes próximos, deixaram uma fortuna em quadros famosos a uma creche da cidade. Todos foram a leilão, inclusive o quadro do filho.

Assim que o leiloeiro deu início aos lances, começaram a gargalhar quando viram que aquela primeira obra era de péssima qualidade. Todos só olhavam para os Van Gogh e Picasso que viriam depois, mas o leiloeiro insistiu:

– Tenho ordens de não prosseguir o leilão enquanto este quadro não for vendido.

Como nenhuma oferta foi feita, uma senhora de idade se levantou no fundo da sala e disse:

– Minha gente, perdoe a minha intromissão, mas trabalhei na casa do benfeitor da creche e proprietário destes quadros. Sei que este que está sendo leiloado foi pintado com muita dificuldade motora e também sou testemunha que o menino artista era muito amado pelos pais. Se ninguém quiser comprá-lo, dou vinte reais e vinte centavos por ele. Só não dou mais porque não tenho.

Muitos continuaram rindo e um senhor gritou:

– Vamos, venda logo a ela para que possamos prosseguir o leilão.

E quando o quadro foi arrematado pela senhora, o leiloeiro leu um bilhete deixado pelo ricaço falecido, assim: ‘Quem comprar a obra do meu filho, terá direito de ficar com todas as outras’.

Pois é, a senhora não investiu apenas vinte reais e vinte centavos naquilo que deu valor, mas investiu tudo que tinha na obra do filho! E nós, será que também valorizamos a obra do Filho de Deus a ponto de nos doarmos completamente para nos tornarmos herdeiros do Pai? Quanto vale pra você o sacrifício do Filho na Cruz?

E para não ficar a impressão de que já perdemos muito tempo na vida e agora não adianta mais tentarmos um lugarzinho no Céu, lembre-se do bambu chinês. Depois de plantar sua semente, não se vê nada por aproximadamente cinco anos, exceto um pequeno broto. Todo crescimento é subterrâneo: uma complexa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra. Então, ao final do quinto ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de vinte e cinco metros!

Muitas coisas na vida são iguais ao bambu chinês. A gente investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir o crescimento pessoal e, às vezes, não vê nada por semanas, meses ou anos; mas, se tiver paciência para continuar trabalhando, o ‘quinto ano’ chegará e, com ele, virão mudanças jamais imaginadas.

Sempre é preciso muita ousadia para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita profundidade para agarrar-se ao chão. Bem, mas continuar preso à terra ainda é mais fácil do que se aproximar do Céu, porém, com humildade, caridade e paciência, vamos buscando a santidade. Não devemos perder as esperanças em obter a cura do corpo e da alma, porque foi o próprio Filho quem disse: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (João 10, 10).

Então, sugiro que deixemos as ‘obras mais famosas’ para serem disputadas nos leilões da vida e passemos a buscar a maior obra de todas: aquela que pode ser partilhada e não custa caro. O preço justo por ela não está no bolso de cada um, mas no coração. Quem souber valorizar os ensinamentos do Evangelho, estará oferecendo sua gratidão a Deus e investindo sua vida para herdar a eternidade no Paraíso.

Nenhuma tecnologia de ponta pode produzir fé, esperança e caridade nas pessoas como você, se quiser. Basta acreditar que o Espírito Santo estará ao seu lado na luta contra o mal, e nunca é tarde para começar. Nem mesmo os pecados cometidos lhe atrapalharão. Recorde que a única diferença entre a traição de Pedro e a do outro apóstolo – Judas Iscariotes – foi o comportamento que tiveram depois: Judas, em desespero, se enforcou; Pedro, arrependido, chorou amargamente e pediu perdão.

O santo morreu crucificado de cabeça para baixo e foi sepultado na Colina do Vaticano, onde hoje está a grande Basílica de São Pedro. Não precisamos morrer como ele, mas também nunca devemos deixar de aceitar o Filho – nem em pensamento!

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas

 



publicado por Luso-brasileiro às 15:32
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