PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 12 de Fevereiro de 2017
HUMBERTO PINHO DA SILVA - SERÁ MALDIÇÃO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Admirava-se meu pai, que a maioria dos turistas franceses, que visitavam o nosso país, nos anos cinquenta e sessenta, fossem operários e modestos trabalhadores.

Admirava-se, porque nessa recuada época, a classe média portuguesa, limitava-se a idas à praia e passeios ao campo.

Anualmente, em regra, em excursão, davam uma volta pelas cercanias; os mais abastados ou iam para a “quinta” ou passavam quinze dias na estrangeiro.

Os mais humildes, viajavam, se emigravam, e regressavam, quando obtinham meios de fortuna, ou bastante para parecerem ricos.

Meu pai pertencia à classe-média. Pessoas, que à custa de economia apertada, pareciam, por vezes abastadas. Era classe sanduichada, entre ricos, que viviam desafogadamente, e pobres, que, em certos casos, obtinham rendimento igual ou superior, aos que se consideravam da classe-media.

Nesse tempo, amigos de meu pai – que pensavam ser entendidos em política, – contradiziam Salazar, declarando, em surdina – não fosse a PIDE ouvir, – que o futuro de Portugal era a Europa, e não a África, como asseverava, teimosamente, o estadista.

Mas, meu pai, que sempre foi muito ponderado, ouvia-os…ouvia-os… e rematava: “ Vivemos em paz. Pode-se andar, sem receio, mesmo de madrugada, por este Portugal… Pelo menos temos paz…”

Por fim, sopraram, os famosos ventos da História, há muito esperados. Os detratores do estadista, tomaram o poder em Lisboa e em África.

Entramos, então, finalmente, na tão desejada Europa.

A guerra terminou. O país ficou reduzido à Lusitana. Com o dinheiro europeu, Portugal modernizou-se, vestiu-se de novas roupagens. O povo, entusiasmado, regozijou: “ Agora sim! Agora somos europeus! …”

Rapidamente verificou, que se enganara: em breve os jovens seguiam as passadas dos avós: a emigração. A diferença é que os de outrora eram analfabetos ou quase; os de agora instruídos, dominando línguas…; mas partem como partiram no tempo da Primeira Republica e de Salazar.

Verdade é que o país ficou mais bonito; pode-se dizer: mais rico; mas o povo? Esta contínua pobre. A classe-media quase desapareceu, e foi – a que não quis emigrar, – engrossar o número da pobreza.

Por que será que o fado português se repete de geração a geração? Por que será? Quem sabe responder?

Os nossos políticos são ótimos, e brilham nos organismos internacionais; os nossos desportistas são o melhor que há; as nossas Universidades são respeitadas em todo o mundo; e os que emigram, em regra, são trabalhadores exemplares.

Então, por que nunca deixamos a cauda dos países do primeiro mundo?!

O que nos falta? Saberá o leitor? Confesso que não sei. Será maldição?

Se não é; o que será?

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -  Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 15:28
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EUCLIDES CAVACO - ALMA PORTUGUESA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Aqui partilho mais este meu tributo ao nosso FADO com este este poema declamado e elaborado em video por Gracinda Coelho, que poderão ver e ouvir neste link:

 

 

 


https://www.youtube.com/watch?v=bX9NjUaKuNc&feature=youtu.be

 

 

 

Desejos dum resto de dia muito agradável.
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

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 Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

 Horário das missas na Diocese do Porto( Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 15:18
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2017
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - COMO SE ESTUDAVA GENEALOGIA, NO PASSADO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nas últimas décadas, em todo o Ocidente tem ocorrido um curioso fenômeno: a generalização do interesse pela Genealogia, pelo estudo das origens familiares. É um fenômeno de características próprias, muito diferente do que no passado entendiam e praticavam os cultores de estudos genealógicos.

Em livro recentemente lançado (“À procura de Tructesindo: Por que tanta gente hoje em dia pesquisa as próprias raízes?”. S. Paulo: Scortecci Editora, 2016) analisei as principais características desse fenômeno, que denominei “Neo-Genealogia", para distinguir da Genealogia tradicional.

Os estudos genealógicos, no passado, eram basicamente: 1) ou de cunho religioso; 2) ou de cunho nobiliárquico; 3) ou se destinavam a assegurar a transmissão da propriedade.

Falemos das genealogias de cunho religioso: basta, no caso da nossa cultura ocidental, tão influenciada pela herança cultural judaica que impregnou o cristianismo, lembrar as genealogias bíblicas: Moisés, que sob inspiração divina redigiu o Pentateuco, os primeiros cinco livros das Sagradas Escrituras, talvez possa ser considerado o primeiro genealogista da História da Humanidade. Há, na Bíblia, extensos e pormenorizados registros genealógicos.

Não só entre os hebreus, mas entre os povos antigos em geral (pelo menos entre os que possuíam certo grau de cultura), eram muito frequentes tais registros. Egípcios, Romanos, Assírios, Caldeus, Gregos, Persas, sempre deram grande valor às estirpes, e na valorização dessas estirpes estava presente um elemento religioso mais preponderante ou menos, mas sempre constante e claro. O culto pela memória dos antepassados, reverenciados pelo que tinham sido e pelo que significavam para os seus descendentes, adquiria, o mais das vezes mesclado com um caráter um tanto supersticioso, um cunho de culto religioso. Isso era constante na Antiguidade.

A esse respeito, cabe lembrar aqui uma obra excelente, que em nossos dias vem sendo reapreciada devidamente: o clássico livro de Fustel de Coulanges La Cité Antique (Paris: Hachette, 19ª ed., 1905), que recentemente tem sido publicado por diversas editoras brasileiras. Fustel de Coulanges mostra que tal era o respeito que entre os antigos se tributava aos antepassados que, quando alguém se afastava do torrão natal em demanda de novas terras, para fundar novas cidades, para constituir novas sociedades, novas comunidades políticas, era costume levar, num vasinho, um pouco de terra do local em que nascera e onde estavam sepultados os antepassados. Essa porção de terra, levada com respeito, era também com respeito depositada no local em que se erigiria a nova fundação, para que, de certa forma, pelo menos simbolicamente, fosse algo das cinzas dos antepassados que se transferisse para o novo local, e a continuidade daquela estirpe, na interpenetração profunda entre esses dois valores, a família e o torrão natal, fosse mantida.

As catacumbas romanas também têm origem, segundo teorias das mais categorizadas, nesse culto respeitoso dos antepassados - os Manes - (ao lado dos Lares e dos Penates). Como fizesse parte dos costumes que os membros de uma família fossem sepultados dentro dos limites do próprio lar, costumava-se escavar, dentro da urbe romana, por baixo das casas ou dos palácios, túneis em níveis diversos de profundidade, para, dentro dos limites da propriedade, sepultar os membros daquela gens. Cada família vivia, assim, no sentido mais estrito do termo, sobre um cemitério em que jaziam seus antepassados, sem sair dos limites territoriais do lar. Ao cabo de algumas gerações, inevitavelmente esses condutos subterrâneos se comunicavam uns com os outros, constituindo uma vastíssima rede de galerias que com o passar dos tempos perdeu a primitiva significação, mas na qual a Igreja perseguida, nos três primeiros séculos da Era Cristã, encontrou abrigo seguro (pois os pagãos conservavam um temor supersticioso de penetrar naquelas galerias escuras, e mesmo quando eles penetravam, os cristãos, que conheciam o mapeamento daquela cidade subterrânea, com relativa facilidade conseguiam ocultar-se), na qual sepultou seus mártires e que até hoje é visitada com comovida veneração por incontáveis peregrinos que acorrem à Cidade Eterna.

Tratarei, no próximo artigo, do cunho nobiliárquico de que se revestiam, no passado, os estudos genealógicos.

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS, é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:21
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - CAMPANHA DA FRATERNIDADE E A PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

        Para muita gente, essa época ressalta, antes e acima de tudo, o carnaval – um período de folia desmedida, de alegria fugaz, de sonhos e de ilusões, tão bem cantados nas modinhas carnavalescas de antigamente. Mas há outras comemorações, algumas de inegável importância, como a Quarta-Feira de Cinzas que marca o início da Quaresma e que propõe uma reflexão comprometida sobre os problemas que afligem o povo, através da Campanha da Fraternidade, que desde 1964 tem como objetivo histórico, a luta pela justiça social e pela solidariedade, enfrentando o desafio da pobreza e a urgente transformação das estruturas sociais.

        Nesse período, que se inicia no dia primeiro de março, trilha à Páscoa que anuncia o início de vida nova. Aproveitando deste tempo forte de conversão, a Igreja no Brasil, propõe a todos uma reflexão comprometida sobre os problemas que afligem o povo. Desta feita, os questionamentos giram em torno do tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15).  Bioma é o conjunto formado pelo clima, vegetação,hidrografia e relevo de uma determinada região. No Brasil existem alguns tipos a saber: Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Amazônia. O primeiro,  localizada nas regiãões Sudeste e Sul do Brasil, é o segundo mais importante bioma do Brasil, sendo inclusive tombado pela UNESCO como patrimônio histórico devido à sua grande biodiversidade. Na época do descobrimento do Brasil  estendia-se por toda a costa brasileira, sendo que atualmente é encontrado em reservas no Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

O enfoque desse ano é relevante, não só para o exercício da cidadania como também para o próprio desenvolvimento da Nação. Com efeito, as escolhas das atitudes para a preservação da vida no planeta Terra devem ser orientadas por critérios coerentes com o propósito de mais justiça e paz. Tais opções devem contribuir para a superação das desigualdades e das agressões à criação.  Vários países até que tentaram, mas o esforço internacional ainda está muito abaixo do necessário para frear o extermínio da biodiversidade do Planeta. Esse é o resultado de um estudo do Programa de Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas, assinado por quarenta e cinco especialistas, publicado a 30 de abril de 2010, que ainda comprovou que a economia global sofreu prejuízos de quase um trilhão de dólares por conta de desastres naturais nos últimos anos.

         Tais constatações demonstram que a questão ecológica, de grande importância à qualidade de vida do ser humano, permanece praticamente inalterada diante da comodidade e dos interesses econômicos de muitos políticos, empresários e da grande maioria das pessoas.

 

                   Oitenta e cinco de arte moderna

 

No período de 11 a 17 de fevereiro de 1922, realizou-se no saguão do Teatro Municipal de São Paulo, a Semana da Arte Moderna, manifestação cultural que constituiu no núcleo principal de todas as transformações que passaram a ocorrer no campo artístico brasileiro a partir daquele ano até nossos dias. Dezenas de escritores, músicos, artistas plásticos e outros intelectuais propiciaram dias de dança, música, palestras, exposições de quadros, leitura de poesias e trechos de romances. O objetivo era fazer uma revolução cultural no  Brasil e introduzir alguns dos mais novos conceitos de arte, já vigentes em algumas outras nações.

Na ocasião, foram expostas esculturas de Victor Brecheret, quadros de Anita Malfati, Tarsila do Amaral e Emiliano Di Cavalcanti. No palco do teatro os discursos de Graça Aranha, os poemas de Manuel Bandeira, a prosa de Menotti del Picchia e a música de Heitor Villa Lobos, tendo ao fundo o piano de Guiomar Novaes. Não faltaram também peças de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Sergio Milliet e Cassiano Ricardo.

         O movimento criou polêmica, angariando simpatizantes e detratores. No entanto, o  principal legado da Semana de Arte Moderna foi libertar a arte brasileira da reprodução nada criativa de padrões europeus, dar início à construção de uma cultura essencialmente nacional e as ideias inovadoras continuaram a ser propagadas ao longo do tempo, criando-se concepções eminentemente próprias de nosso país. 

Esperamos que a fraca memória popular não a apague de nossa história para que permaneça influenciando novos eventos que dinamizem não só a arte em geral, mas a própria cultura, ressaltando a sua função social, integrando-a ao projeto de auto realização de cada cidadão.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:16
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - DEIXANDO O PELOURINHO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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São duas crianças afrodescendentes, que se tornaram irmãs pelo coração do casal que as adotou. De certa forma, pode-se dizer que o início da vida escolar deles, em colégio pago de “princípios cristão”, exceto por alguns posicionamentos desse ou daquele, foi no “pelourinho”. Crianças que incomodaram a escola, além da cor, por desconhecerem o que continha na árvore genealógica.  Intolerância é degrau de pelourinho. A certeza é de que são filhos da miséria que assola as periferias das cidades grandes e dos Estados nos quais a seca se agiganta. O tal colégio deve ter estremecido por possuírem pais com condições de pagar as mensalidades e os acréscimos. Passa-me a impressão de que o estabelecimento de ensino, excluo as ressalvas, se tornou, para eles, coluna de pedra de castigo, por não serem filhos biológicos de gente tradicional e de dinheiro, pois, caso contrário, não teriam ouvido, amiúde, frases pejorativas, sem represália aos autores. Quando um deles, para tentar conter o sangue do coração machucado, começou a reagir, foi a deixa: comportamento inadequado para permanecer no tradicional colégio, de vitória no conhecimento e de tragédia na formação do caráter. Os objetivos educacionais permanentes do mesmo, que dizem de incentivo e vivência de valores nobres consigo, com os outros e com Deus, atraem aplausos, mas somente no papel. Contrário ao que pede o Papa Francisco.
Os pais consideravam impossível que essa hostilidade estivesse intrínseca em “formadores” e que uma criança de dez anos e outra de nove ameaçassem o “bom nome” do “estabelecimento de ensino”. Foi por isso que não buscaram, antes, uma escola de verdade para eles. Concordo que entrar com ação, contra a empresa, exporia mais os dois. O tempo mostrará a real performance do colégio.
Recordo-me do conto “Mineirinho” de Clarice Lispector. Mineirinho, um criminoso, que morreu com treze tiros, e que dói nela. Clarice comenta em um dos parágrafos: “Quero uma justiça que tivesse dado chance a uma coisa pura e cheia de desamparo... (...)... essa coisa é um grão de vida que se for pisado se transforma em algo ameaçador – em amor pisado; essa coisa, que em Mineirinho se tornou punhal...”
Infelizmente, existem instituições e indivíduos que transformam gente em punhal. Ainda bem que as crianças, neste ano, iniciam um novo tempo.

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil


 



publicado por Luso-brasileiro às 18:12
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - A MOÇA DO QUADRO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Eu a vi meio sem querer, enquanto seguia para o trabalho. Jogada aos pés de uma árvore, ela jazia imóvel, anônima e quase imperceptível para a grande maioria dos olhares dos transeuntes. O que chamou minha atenção foram os olhos dela. Intensos, grandes e vivos como se fossem reais, como se ela não fosse uma pintura em uma tela rasgada e descartada na rua.

            Fiquei me perguntando qual seria a razão para que ela tivesse sido jogada fora, provavelmente depois de ter enfeitado alguma parede, talvez até um quarto de menina. A pintura em si não era nada extraordinária, mas ainda assim havia nela algo de único, como se uma chama de vida lá tivesse ido se alojar. Pintada em tons quentes, o desenho retratava uma mulher jovem, sem idade precisa, de olhos esverdeados e um sorriso suave, aprisionada em meio a tela de fundo colorido para todo o sempre.

            No dia em que eu a vi chovia bastante e o efeito da água sobre a tela conferia um efeito ainda mais impressionante e eu tinha a sensação de que ela, em silêncio, clamava por ajuda, como se implorasse para que alguém a resgatasse dali, eis que de nada vale um quadro manchado e rasgado, jogado à própria sorte. Dali, assim que fosse levado pelo caminhão de lixo, deixaria de existir, seja como arte, seja como imitação da vida.

            Embora eu saiba que possa parecer uma certa (ou completa) maluquice, o fato é que fiquei mesmo pensando naquele quadro e na história que por certo há por detrás dele. Será que quem o pintou o fez no desejo de retratar ou homenagear alguém ou apenas terá copiado um modelo disponível em alguma aula de artes? Seria talvez a obra de algum Gepeto, no desejo de deixar de lado a solidão? Sonharia, que o fez ou quem o abandonou à sombra de uma árvore, imaginado que o quadro seria capaz de, silenciosamente, rogar por ajuda?

            No final daquele mesmo dia, quando eu voltava das minhas atividades, ao passar pelo mesmo local, lancei outro olhar em busca da moça do quadro e, uma vez mais ela continuava lá, com olhos suplicantes, quase em um grito de socorro. Concluí que ali, de fato, havia uma anônima obra de arte, capaz de se expressar de uma forma como poucas o podem. E assim como tantas obras desse mundo, em breve seria esquecida para sempre, sem direito a qualquer espécie de aclamação.

            Apesar de ter sido sensível à suplica dela, confesso que não fui capaz de retirá-la do lixo e levá-la para casa. Como explicaria colocá-la, no estado em que se encontrava, em alguma parede? Para ela o tempo, esse algoz de quase todas as coisas, vivas ou nem tanto, havia se esgotado. Por mais estranho que possa parecer, por outro lado, eu não podia deixar que ela se fosse desse mundo sem algum registro, sem que mais alguém soubesse que ela estava ali, presa, imóvel, mas inexplicavelmente viva. Pensei em tirar uma foto para que ao menos eu pudesse mostrar a outras pessoas, mas quando a ideia me ocorreu, quando voltei até onde ela "pré-jazia", apenas encontrei vestígios dela e nada mais. Por certo, deve ter sido recolhida pelo caminhão de lixo que passava naquele dia da semana.

            Pouco mais me restava fazer, exceto sobre ela escrever e, com isso, dar a ela novo lugar para viver, agora não mais nas cores, mas nas letras, nas linhas que minha imaginação gosta de acrescentar ao papel. De algum jeito ela permanecerá viva e eu terei sido sua fiel escudeira, salvando-a do dragão do esquecimento e disseminando um pouco dela pelos olhos e corações daqueles que tiverem a bondade de prosseguir na leitura desse texto. No fim das contas, penso, todos nós, mortais que somos, em carne, tinta ou papel, tememos o esquecimento, eis que da morte não temos fuga...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:04
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RENATA IACOVINO - AMIGO MEDO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            "Amigo medo,/ A quem fui apresentado muito cedo,/ Bom dia, boa tarde, boa noite!/ Poupe-me de ironias e do açoite,/De suas criações repentinas,/De suas armações/clandestinas./Amigo medo,/Não me ameace com peste ou degredo,/Você que controla o tempo até o fim,/Não jogue sua fúria de cinema contra mim,/Porque entendo sua função e controvérsia,/Sem sua sombra, talvez só houvesse inércia."

            Certa vez li este poema do querido parceiro de música Carlos Thompson e guardei-o porque sabia que de tempos em tempos eu abriria "o caderno" para relê-lo.

            Soube disto devido à presença constante desse tal medo em nossas vidas. E o primeiro verso já chamou-me atenção, em sua simplicidade, mas... especialmente em sua complexidade.

            Tentei resolver o paradoxo em minha cabeça, pois: como o medo pode ser... amigo?! Eis que lendo e relendo os versos, verso a verso, algo foi se revelando. Parece tão evidente, pois! Sim, e é!

            Primeiro porque o dito cujo é companheiro para a vida toda, algo como "até que a morte nos separe".

            Segundo porque é na contradição do tal mal necessário que ele nos faz sermos e experimentarmos as sensações mais diversas. Com ele é ruim; sem ele, pior.

            Pois não é a partir dele - também - que brotam nossa resistência, nossa transformação, nosso autoconhecimento, o conhecimento do outro e... a coragem? Dois lados de uma mesma moeda, não há como separar.

            Quando crianças temos aqueles medos que são abatidos pelos pais, familiares e pessoas próximas queridas.

            Quando jovens nos tornamos destemidos (será?) e quase nada nos segura, tudo é possível. Enfrentamos o tal com uma força de leão, ignorando seus avisos e perigos.     Ora, mas isto também faz parte da lição, não é?

            Uma lição que permanecemos fazendo a vida toda. E quando resolvemos uma equação, viramos a página e encontramos outra tão mais complicada.

            Quando a curva do tempo mostra-se declinando, evidenciam-se tantos outros, aparentemente até banais.

            As pequenas perdas e as grandes. De menor significado e de avassaladora representação... Tudo vai sendo computado no nosso baú de medos, que vez por outra abrimos para encarar e fazer um balanço. Medo e coragem frente a frente.

            Sem ele a inércia dominaria, como menciona o poema ao final. Se a representação máxima da inércia é a morte, o medo, de fato, é imprescindível.

 

 

 

 

 

RENATA IACOVINO, escritora e cantora / www.facebook.com/oficialrenataiacovino/

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:54
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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2017
ARTUR VILLARES - A PROPÓSITO DE "SILÊNCIO", DE MARTIN SCORSESE

 

 

 

 

 

 

 

 

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De Hollywood, nos últimos anos, só temos recebido mediocridade. A sétima arte parece ter abandonado essa região de vaidosos privilegiados, promovendo cada vez mais em mim o gosto incontornável pelo seu período de ouro, entre os anos 20 e 50 do século passado. Para lá desta indigência recente – há excepções, “Hacksaw_Ridge”, de Mel Gibson é um oásis – eis que o Mestre Martin Scorsese nos brinda com um brilhante “Silence”. Do ponto de vista cinematográfico Scorsese é absolutamente magistral, como sempre em cada filme nos habituou. Desta feita sem música – não é impunemente que o filme se chama “Silêncio” – e sem os virtuosismos de movimentos de câmara, sua marca desde que os Italianos do neo-realismo o inspiraram, o filme é naturalmente contido na sua linguagem cinematográfica. Verdadeiro toque de obra-prima é o seu final à “Citizen Kane”. Mas para perceberem isto terão de ir vê-lo!

Porém, o que verdadeiramente o torna uma agradabilíssima surpresa é o seu cristianismo: o filme é dedicado “aos cristãos japoneses e aos seus pastores”. As suas quase três horas desenvolvem e abordam questões complexas da teologia, que, aliás, ao longo da História da Igreja, foram sendo levantadas, nos paradoxos até ao limite que a confissão de fé cristã provoca nos seus seguidores. Claro que para os nossos media, confrangedoramente ignorantes do fenómeno religioso, para quem o cristianismo se reduz a citarem uns ditos aqui e ali do Papa Francisco, este filme acaba por ser um verdadeiro mistério, Daí o chorrilho de banalidades que se vão destilando nas tv’s e nos jornais. Retirou-se o cristianismo do espaço público, agora aguentem a dramática iliteracia religiosa!

Igreja Clandestina, Igreja dos Silêncio, milhões de cristãos passam hoje nos regimes islâmicos e/comunistas pelas mesmas dificuldades que o “Silêncio” nos lembra. Com a mesma fé, porventura com os mesmos dilemas e quedas, mas sempre firmados nas palavras do Evangelho: 
Mateus 5:11-12
"Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós."

 

 

 

ARTUR VILLARES   -   Doutor em História, pela Faculdade de Letras do Porto. Graduado em Teologia, pelo Instituto Concordia, de São Paulo. Docente de: "História e Cultura Portuguesa e de Património Cultural", na licenciatura, em Turismo, no ISLA. Pastor luterano.



publicado por Luso-brasileiro às 19:02
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FELIPE AQUINO - APRESENTAÇÃO DE JESUS NO TEMPLO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo… Brilhe a vossa luz diante dos homens para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5, 13-16)

 

 

 

A Igreja nos revela com clareza o sentido profundo da Apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém, algo que era previsto para todo primogênito do sexo masculino. O menino era consagrado a Deus, mas para leva-lo de volta para casa os pais deviam deixar como que um “resgate”, um boi, uma ovelha ou um casal de pombos para os pobres. Os pais de Jesus pagaram também esse resgate, mas sabiam que era só por um pouco de tempo, pois esse Menino seria o Messias de Deus, o enviado para salvar a humanidade. Ele só voltaria ao mundo para salvar o mundo.

A apresentação de Jesus no Templo mostra-o como o Primogênito pertencente ao Senhor. Com Simeão e Ana, é toda a espera de Israel que vem ao encontro de seu Salvador. Jesus é reconhecido como o Messias tão esperado, “Luz das nações” e “Glória de Israel”, mas também “sinal de contradição”. A espada de dor predita a Maria anuncia esta outra oblação, perfeita e única, da Cruz, que dará a salvação que Deus “preparou diante de todos os povos”. (§ 529)

Vemos ai o destino messiânico de Jesus. “Quando se cumpriu o tempo da sua purificação, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para O apresentarem ao Senhor, conforme está escrito na lei de Deus: Todo o primogênito varão será consagrado ao Senhor e para oferecerem em sacrifício, como se diz na lei do Senhor, um par de rolas ou duas pombinhas” (Lc. 2, 22-24).

Maria e José obedecem a vontade de Deus, de maneira simples e oculta. Na Casa do Senhor, o Filho de Deus humanado é consagrado a Seu Pai. Ele é o verdadeiro Cordeiro, que vai “tirar o pecado do mundo” (Jo 1,29).

Neste dia fazia-se também a “purificação” da mãe, após o parto, prescrita pela lei. Não se tratava de purificar a consciência de Nossa Senhora, Virgem Imaculada, de alguma mancha de pecado, mas somente de readquirir a pureza ritual. Segundo as ideias do tempo, a mulher era atingida pelo simples fato do parto, sem que houvesse alguma culpa.

No Templo José e Maria encontram-se com Simeão, “homem justo piedoso, que esperava a consolação de Israel” (Lc. 2, 25). “O Espírito Santo estava nele” e “tinha-lhe revelado que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor” (2, 26). Simeão, “impelido pelo Espírito” (Lc. 2, 27), tomando o Menino nos braços, bendiz a Deus: “Agora, Senhor, podes deixar o Teu servo partir em paz, segundo a Tua palavra” (Lc. 2, 29).

 

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Leia também: A Apresentação do Senhor

A apresentação de Jesus no Templo

 

Neste momento da Apresentação do Senhor, temos o encontro da “esperança de Israel com o Messias esperado” há tanto tempo e anunciado pelos profetas. A entrega do Menino por Maria a Simeão, simboliza a entrega do Filho de Deus aos homens pela Mãe. De Eva veio o pecado, de Maria, da Mãe a salvação.

E Simeão faz referência à profecia do “Servo de Javé”. A Ele o Senhor diz: “Formei-Te e designei-Te como aliança do povo e luz das nações” (Is. 42, 6). E ainda: “Vou fazer de ti luz das nações, a fim de que a Minha salvação chegue até aos confins da terra” (Is. 49, 6). “Os meus olhos viram a Salvação, que preparaste em favor de todos os povos: Luz para iluminar as nações e glória de Israel, Teu povo” (Lc. 2, 30-32).

José e Maria estavam admirados “com o que se dizia d’Ele” (Lc. 2, 23), e compreendem a importância do seu gesto de oferta: no Templo de Jerusalém apresentam Aquele que, sendo a glória do Seu povo, é também a salvação da humanidade inteira.

 

Assista também: Qual é o sentido da festa da apresentação do Senhor ao templo?

 

De modo especial hoje é dia dos Consagrados a Deus, todos aqueles que de uma forma ou de outra colocaram Deus como o centro da vida, deixaram as coisas do mundo e suas consolações, para servir ao Senhor, sem olhar para trás, como disse Jesus: “Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus.” (Lc 9, 62). É o dia de renovar esse voto tão difícil e suplicar a graça de Deus.

Não só os sacerdotes e religiosos, consagrados oficialmente pela Igreja, devem fazer hoje a sua consagração, mas todos os cristãos, pois, pelo Batismo, somos todos “consagrados” ao Senhor. Somos todos ovelhas do seu rebanho, “discípulos e missionários”. Os casados se consagram na “igreja doméstica”, na fidelidade ao cônjuge, no esmero da educação dos filhos e no serviço do Reino de Deus. São sacerdotes do lar, de onde nascem e se formam os filhos de Deus para um dia habitarem o céu.

Hoje é dia de acolher o Menino em nossos braços como Simeão, e mais ainda em nossos corações, para que ai Ele viva e nos forme em nós a Sua bela imagem.

Não podemos esquecer que Simeão disse que Aquele Menino era colocado no mundo como “Sinal de contradição”; por isso foi eliminado pelos homens. O Papa Bento XVI disse que hoje devemos estar preparados para enfrentar um novo tipo de martírio: o “martírio da ridicularização”. “Ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam” (Jo 1,11). Esta realidade continua ainda hoje, e perdurará até Jesus voltar. A Sua Luz brilha nas trevas, mas as trevas a rejeitam. Ser consagrado ao Senhor é ser luz para o mundo, como a Lua que reflete a luz do Sol sobre a terra.

Ser consagrado é ser todo de Deus, viver para Deus, mesmo no mundo, deixar-se guiar por Deus a cada momento, ter o coração em Deus. Como disse São Paulo: “Tudo o que fizerdes, fazei de bom coração, não para os homens, mas para o Senhor”. (Col 3,23)

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 18:55
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O INTELECTUAL É UM ETERNO IMCOMPREENDIDO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para o vulgo, estudar, escrever  e pensar, não é trabalho. Para a maioria das pessoas, trabalho : é o braçal. O do espírito: é puro passatempo ou divertimento.

Diz Fulton - Sheen, que quando se observa alguém com a cabeça entre mãos, logo lhe perguntam, se está com dor de cabeça…

Alçada Baptista, certa ocasião, em entrevista realizada pela RTP, contou que seu antepassado, conheceu velhinha que fora criada de Herculano.

Quando lhe perguntavam: - A senhora conheceu o Senhor Alexandre Herculano? Não conheceu?”

Ria-se muito, e dizia com indiferença:

_ “Conheci, conheci… Era um grande preguiçoso!…Passava o tempo a ler e a escrever!…”

Meu pai era jornalista. Frequentemente era abordado por amigos e leitores, que inqueriam quanto ganhava pelos “escritos”.

Como lhes dissesse que fora a remuneração mensal, nada mais recebia, e ainda colaborava, graciosamente, noutras publicações, pelo prazer que isso lhe dava. Ficavam admiradíssimos. Pasmados… Como podia passar horas a escrever sem receber nada!

Ao falar de Herculano, recordei-me da admiração que o Imperador do Brasil, D. Pedro II, tinha pelo historiador.

Veio visitá-lo na quinta de Vale de Lobos.

O escritor, receou recebe-lo. Em sua opinião, a casa era demasiadamente modesta para um Imperador.

D.Pedro II insistiu, e foi convidado para almoçar.

Conversaram quase três horas. Tão encantado ficou com o Imperador, que logo, que pode, o foi visitar. A simplicidade e a cultura de D. Pedro II ,a todos cativava.

Também o Imperador nunca o esqueceu. Na última visita, que fez a Portugal, a caminho do exílio, ao passar por Lisboa, depositou uma coroa de flores, sobre o tumulo de Herculano, no Mosteiro dos Jerónimos.

O Imperador tinha atenções, pouco usuais, em reis do seu tempo.

Mas, como ia dizendo, o povo admira-se que possa haver, quem escreva por prazer, e muitos, também não entendem, que haja quem trabalhe na vinha do Senhor, apenas para servir.

Amiga minha, sabendo que tinha uma filha catequista, na paróquia da localidade onde reside, inqueriu-me: “Quanto ganha” (!); porque pensava  empregar uma “pequena” como catequista!…

Dizem que Miguel Torga recusou o cargo de ministro, porque precisava de tempo, para pensar e escrever.

Esse prazer, era, para ele, superior à honra de ser Ministro de Estado…

Para o povo, o intelectual é um excêntrico, que passa horas e horas a ler e a escrever, apartado de tudo e de todos.

Mas, como podem compreender o intelectual, se a maioria trabalha, exclusivamente, por dinheiro, para amealharem sempre e sempre mais?!

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -  Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 18:50
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PAULO R. LABEGALINI - O VALOR DE CADA UM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Há muito tempo, um aluno foi procurar o professor em seu gabinete de trabalho, dizendo:

– Venho aqui porque não tenho forças para fazer mais nada. Dizem que não realizo bem as tarefas, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar e conseguir que me valorizem mais?

– Sinto muito, meu jovem, mas agora não posso orientá-lo porque devo resolver com urgência um outro problema. Se quiser me ajudar, tento desocupar mais cedo e conversaremos sobre aquilo que lhe perturba.

– Claro, professor. O que preciso fazer?

– Pegue este meu anel com brilhantes, monte no cavalo e vá até o mercado. Venda-o pelo maior preço que conseguir para que eu possa pagar uma grande dívida, mas não aceite menos do que trinta moedas de outro, entendeu?

Mal chegou ao mercado e o rapaz percebeu que ninguém se interessava pelo anel. Uns riam e outros nem davam atenção quando ouviam a proposta de trinta moedas de ouro pelo objeto. Somente depois de oferecer a todos, ele voltou à sala do professor contando os fatos:

– Infelizmente é impossível conseguir o que me pediu. Tenho ofertas de moedas de prata e bronze, mas nenhuma de ouro porque dizem que não vale essa quantia!

– Bem, então, temos que ter certeza do valor do anel. Vá ao joalheiro e pergunte o quanto ele paga, mas não o venda agora, seja por quanto for.

Chegando à joalheria, o jovem acompanhou o profissional examinar com cuidado a joia: primeiro com uma lupa e depois com testes de reagentes e pesagem. Em seguida, veio a oferta:

– Embora valha 70 moedas, no momento só posso lhe pagar 60 se quiser vendê-lo com urgência.

– Moedas de prata ou de bronze?

– Não, eu estou falando de moedas de ouro!

O garoto, emocionado, foi correndo contar ao mestre o que ocorreu e, depois de explicar, ouviu do professor:

– Eu já sabia que isso iria acontecer e o fiz aprender mais uma lição. Lembre-se que você, meu jovem, é como este anel: uma joia valiosa e única! Poucas pessoas podem descobrir o seu verdadeiro valor, mas isso não o desvaloriza jamais.

E voltando a colocar o anel no dedo, completou:

– Você me convenceu a não desfazer do meu precioso objeto e espero tê-lo convencido a não desanimar ao ser julgado por pessoas que não conhecem o seu valor. Com humildade, prove a todos que tem muitas virtudes e a sua cotação irá subir no mercado.

Pois é, acho que algumas vezes já passamos por isso, não? Há fases na vida que precisamos de palavras amigas e muita oração para superarmos as dificuldades, mas tudo passa! Da mesma forma, quem se acha melhor do que os outros, um dia cai do pedestal – em vida ou após a morte. O ideal seria que pelo menos a autoconfiança nunca acabasse, permitindo que nos reerguêssemos com nossas próprias forças.

Isso é perfeitamente possível quando caminhamos com Jesus e Maria no coração. Eles nos impulsionam a não perdermos a esperança e até darmos força àqueles que mais precisam. E há pessoas que são carentes de algumas palavras apenas, o que se torna muito fácil de remediarmos quando nos comprometemos em ajudar o próximo.

Também é importante lembrar que da mesma maneira que gostamos de receber ajuda nas dificuldades, todos gostam, e uns precisam muito mais da nossa compaixão do que imaginamos, como neste próximo caso:

Um jovem disse ao abade do mosteiro:
– Eu gostaria de ser um monge, mas nada aprendi de importante na vida exceto jogar xadrez. Por ser uma bela e nobre diversão, quem sabe se este lugar não está precisando de mim?
O abade estranhou o pedido, mas pegou um tabuleiro, chamou um velho monge e solicitou que jogasse com o rapaz. Antes de começar a partida, porém, acrescentou:
– Embora precisemos de diversão, não podemos permitir que todos fiquem praticando xadrez. Então, teremos apenas o melhor dos jogadores aqui. Se nosso monge perder, ele sairá do mosteiro e abrirá uma vaga para você, meu jovem.
O abade falava sério e o rapaz sentiu que jogava sua própria vida. Começou a suar frio e a olhar para o tabuleiro como se fosse o centro do mundo! E, com muita habilidade nas jogadas, atacou o monge que, mesmo perdendo, não escondia seu olhar de santidade.
Vendo a serenidade do adversário, o rapaz começou a errar de propósito, afinal, não seria justo entrar para o mosteiro daquele jeito. De repente, o abade colocou  o tabuleiro no chão, dizendo:
– Jovem, você aprendeu muito mais do que lhe ensinaram. Primeiro, concentrou-se para vencer e foi capaz de lutar pelo que desejava. Depois, teve disposição para sacrificar-se por uma nobre causa. Seja bem-vindo ao mosteiro, porque mostrou que sabe equilibrar a justiça com a misericórdia.

Portanto, leitor, em todo julgamento precisa haver justiça e em todo sofrimento precisa haver compaixão. Assim, cada um sempre terá o valor que merece e receberá a caridade que agrada a Deus.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:39
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JORGE VICENTE - V. N. DE FOZ CÔA

 

 

 

 

 

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JORGE VICENTE      Fribourgo, Suiça

 

 

 

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***

 

 Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

 Horário das missas na Diocese do Porto( Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

***

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:59
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