PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 23 de Abril de 2017
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CIGARROS ELETRÔNICOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Os cigarros eletrônicos, chamados de e-cig, em meio a adolescentes na periferia me angustiam. Talvez se encontrem em outros grupos sociais e a aflição será a mesma.
É um aparelho mecânico-eletrônico, muitos deles se parecem com uma caneta, dividido em três partes principais, bateria (recarregávelque fornece energia para o funcionamento da parte eletrônica; atomizador, comporta a resistência que esquenta o líquido armazenado no cartucho e recipiente que armazena a solução química.  Não deixa mau cheiro na pessoa que fuma e no ambiente. O fumante traga o vapor com substâncias tóxicas.  Segundo o site o Hospital A.C. Camargo Câncer Center, por se tratar de um aparelho quente também é um fator de risco para inflamações na mucosa bucal ou de câncer de boca e garganta.
Além da nicotina, óleo de maconha e de haxixe, extraídos a partir de material vegetal, da mesma forma pode ser colocado no cartucho. O óleo é obtido através de destilação ou extração com solventes de origem orgânica (álcool, acetona, butano etc.) posteriormente evaporados.
Parece-me que, para alguns meninos de 11, 12, 13 anos, sem grande perspectiva de futuro, compartilhar com outros, da mesma idade, um cigarro eletrônico com maconha seria como um rito de passagem. Que judiação! São púberes que, inúmeras vezes, se percebem à margem da escola, da família, da sociedade... Meninos de comportamento difícil, que gente perversa chama de lixo e joga para fora de espaços que são dele por direito.
Que diferença dos ritos de passagem, por exemplo, da tribo dos Karajás. Existem celebrações que marcam a mudança do indivíduo, dando importância ao momento. São pintados com o preto azulado do jenipapo e ficam confinados durante sete dias numa casa ritual chamada de Casa Grande. Recebem ensinamentos dos mais velhos como caçar, pescar e se comportar como adulto.
Desconheço se é possível, no cigarro eletrônico, tragar vapor do crack ou do oxi – mistura de pasta-base de cocaína, querosene e cal virgem ou de outros ingredientes como cimento, acetona, ácido sulfúrico, amônia e soda cáustica -, que produz o dobro da euforia do primeiro.
Os púberes usuários, das bordas estéreis, que são seduzidos para o uso dessas substâncias, em entrega de ovos de Páscoa, abraçados com quem veste a fantasia de coelho, demonstram felicidade e pureza. É urgente salvá-los!

 

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



publicado por Luso-brasileiro às 19:05
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - MENTIRAS, ÍNDIOS E INCONFIDENTES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            O mês de abril é um mês curioso sob alguns aspectos. Para início de conversa ele já começa com uma mentira. De acordo com uma rápida pesquisa que fiz na internet, o Dia da Mentira, comemorado no dia 1o de abril tem origem controversa, ganhando significados diferentes de acordo com o país. Seja como for, lembro-me de que costumava ser uma diversão pregar pequenas peças nos amigos e familiares desavisados e depois gritar a pleno pulmões: _ MENTIRA!!! Acredito que a coisa toda fosse mais engraçada porque era uma exceção ao primado ético de que mentiras não deveriam ser contadas, tampouco recontadas e juramentadas. Assim, em um único dia do ano era possível escolher uma boa mentira para passar para frente, desde que, é claro, pudesse ser desmentida depois.

            Ainda no mês de abril, na maior parte dos anos, comemora-se a Páscoa. Mesmo para aqueles que não são católicos a prática de presentear com ovos de chocolate acaba fazendo parte dos eventos familiares e sociais. Por baixo do imenso comércio que fervilha nessa época do ano, movimentando a fabricação de doces, brinquedos e a venda de peixes como bacalhau, acabam ficando soterrados o espírito e o significado da Páscoa. Ultimamente parece que renovação, seja de atitudes ou de esperanças, está mais para pegadinha do começo do mês do que algo a se acreditar, ainda mais diante de todo o caos político, ético e moral que o país vem atravessando.

            Comemorado no dia 19 de abril, o Dia do Índio, único e verdadeiro dono (embora desapossado) desse pais, pouco tem de glória. Com várias etnias dizimadas pelas doenças e crueldade do homem branco e autointitulado civilizado, os índios que sobraram não recebem no Brasil o tratamento e o respeito adequados. Não digo que não existam aqui programas sérios e iniciativas boas nessa área, mas por óbvio não dão conta de colocar os índios a salvo da miséria, dos grileiros, dos madeireiros, das doenças, da fome e do vício. Se o Dia do Índio ganhasse no Brasil o mesmo destaque que se dá ao Halloween, por exemplo, já seria um começo para ganhar a simpatia das gerações vindouras e mesmo da mídia. No entanto, não é isso que acontece, como se pode facilmente constatar. Restrito a algumas pontuais atividades escolares, o Dia do Índio acaba mesmo passando à larga da importância que merece.

            No dia 21 de abril, por sua vez, comemora-se o Dia da Inconfidência Mineira, ou o Dia de Tiradentes. Curiosamente, grande parte das pessoas sequer saber dizer, mesmo que remotamente, que feriado é esse e o nome do alferes Joaquim José da Silva Xavier, igualmente pouco ou nada significa para milhares (ou quiçá milhões) de brasileiros. Com o tempo, fica para mim a impressão de que o dia da execução de Tiradentes, que teve partes de seu corpo cortadas, salgadas e pregadas pelos locais por onde o inconfidente fazia seus discursos, apenas é mais um feriado, um hiato na rotina de trabalho.

            No caso de Tiradentes há ainda a versão segundo a qual a história toda teria sido destorcida para que ele ficasse simbolizado como um herói, até mesmo conferindo-lhe a aparência de Jesus Cristo. Não sei se isso procede e nem sou alguém com o conhecimento de história que reputo deveria ser o adequado, mas seja como for, na história do país o evento teve um significado que deve ser registro para servir, no mínimo, de reflexão.

            Nos últimos dias, sobretudo, cada vez que leio ou assisto aos jornais, tenho a sensação de que parte do país anda à procura de um novo Tiradentes, ao menos da figura histórica, enquanto que a outra vive apenas esperando o momento para fazê-lo em pedaços, em mais uma mostra de que não se deve questionar o Poder. Por outro lado, diante de tanta notícia de corrupção, de mau-caratismo, de podridão ética e moral, parece que, tal como os pobres índios, os brasileiros honestos estão fadados à extinção, ao descaso e ao esquecimento dos governantes, quase todos tiranos acostumados a mordomias sem sentido em qualquer país desenvolvido.

            A mentira, então, de tão repetida fica para muitos com cara de verdade, até porque cada um acredita no que quer ou no que lhe é mais conveniente. Quem dera um único dia do ano fosse destino às inverdades. Já ando rogando para que ao menos o inverso seja possível, tristemente. Pudera fosse mentira o fato de que quase a totalidade dos mais importantes políticos desse país está soterrada pela improbidade administrativa, desviando verbas imprescindíveis para que a população tivesse uma vida mais digna. Enquanto bandidos se refestelam no dinheiro alheio, os brasileiros  e brasileiras de bem ficam fazendo contas para ver se conseguirão honrar seus compromissos, lamentando os empregos e os direitos trabalhistas perdidos.

            Tenho vergonha da política brasileira. A esmagadora massa dos políticos brasileiros não me representa. Não espelham os valores nos quais acredito e sequer merecem meu voto. Ainda acredito em um ou dois, mas talvez isso se dê muito mais pelo meu desejo de que haja alguma esperança, do que qualquer outra coisa...

 

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:58
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SONIA CINTRA - DA EDUCAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Lê-se no dicionário etimológico que a palavra educação vem do latim educare, educere, “conduzir para fora” ou “direcionar para fora”. O termo latino educare é composto pela união do prefixo ex “fora” e ducere “conduzir” ou “levar”. O significado era empregado no sentido de preparar pessoas para viver em sociedade, ou seja, conduzi-las para fora de si mesmas, mostrando as diferenças existentes no mundo. Será que essa semântica permanece em nosso tempo? Apesar dos obstáculos e dificuldades presentes, tudo leva a pensar que sim.

Nesse diapasão a Academia Paulista de Letras é pioneira. Há mais de dez anos, quando comecei a frequentar as sessões da APL, a convite do então Presidente Ives Gandra da Silva Martins, trouxe para as bibliotecas das academias de letras de Jundiaí um exemplar do livreto “Escritor na escola”. Projeto notável que levou, entre outros acadêmicos, Paulo Bomfim, Lygia Fagundes Telles e Paulo Nathanael de Souza a dialogarem com alunos no auditório do CIEE-SP e nas escolas paulistas.

Aperfeiçoado de acordo com necessidades próprias das Escolas e da Academia, nas gestões de José Renato Nalini, atual Secretário da Educação do Estado, e de Antonio Penteado Mendonça, o projeto se amplia na gestão de Gabriel Chalita, educador por excelência: Maurício de Sousa tem encontro marcado mensalmente com estudantes na bela sede do Arouche; os escritores Anna Maria Martins e Mafra Carbonieri coordenam o Clube de Leitura com êxito absoluto na capital, Luiz Carlos Lisboa ministra magníficas palestras literárias.

Em Jundiaí alguns acadêmicos aderiram à ideia. Sem excluir os demais, vale a pena citar o empenho altruísta da confreira Valderez de Mello (Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí) e do confrade Márcio Martelli (Academia Jundiaiense de Letras). De minha parte a Literatura é abordada nas escolas pelo viés da poesia que educa para o respeito e cultiva a benquerença ao meio ambiente. Trabalho modesto que recolhe e dissemina bons frutos, contribuindo para o ensino-aprendizagem ducere e dulcis.

Sabe-se que a Educação no Brasil tem buscado modelo em currículos avançados, onde a densidade dos conteúdos, habilidades socioemocionais, raciocínio lógico, capacidade de resolver problemas e de saber argumentar unem-se ao uso de novas tecnologias, para tornar mais rica a investigação científica, e à prática da leitura e do diálogo, com vistas ao exercício da reflexão filosófica para a vida. Prossigamos, pois.

 

 

 

 

 

SONIA CINTRA    -    É doutora em Letras Clássicas e Vernáculas pela Universidade de São Paulo. Pesquisadora da Cátedra José Bonifácio - IRI/USP e membro efetivo da UBE. Fundadora e mediadora do Clube de Leitura da Academia Paulista de Letras e do Clube de Leitura Jundiaiense. Ex-presidente da AJL, oradora da Aflaj e madrinha do Celmi. Pós-graduada em Educação Ambiental, ensaísta e articulista de jornais, revistas e blogs nacionais e internacionais. Tem 13 livros publicados com tradução para o italiano, francês e espanhol.

           



publicado por Luso-brasileiro às 18:54
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - CUTUCAR A ONÇA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Venho sentindo uma agonia profunda”...

            Mal nos despedimos, a sua frase me pegou de jeito. Agarrada aos meus calcanhares, ecoou pelo resto do percurso: existe agonia sem profundidade?

            A palavra em si dá uma agonia, não dá?

            A malvada é uma taça cheia, amarga.

            Um, em si mesma, deleitar-se de ir – transbordante – sem jamais derramar-se, sem, portanto, esgotar-se.

            É um tomar-nos por esgoto!

            Um despejar-se em nós, em jorro intenso, viscoso, misto de asqueroso e desejável.

            Assemelha-se exatamente a quê? Um nó por demais apertado, talvez.

            Mas, aí, sim, seria mesmo uma agoniazinha. Afinal, nós, por mais apertados que estejam, impossível não será desfazê-los. Estão lá pra isso, para entregar-se ao desafio. Quando a hora chegar. São enigmas e não permanências.

            Pareceria outro tipo de nó, então?

Nó no estômago? De fome ou de medo; frio na barriga.

            Lembraria, quem sabe, aquele tal nó na garganta?

Seria, neste caso, a própria, numa de suas muitas formas.

            Agonia-me, isto sim, tentar descrevê-la.

Ela já vem, nisso somente de eu intentá-lo, querer instalar-se.

            Contudo, se o fizesse, fazê-lo seria leve. Uma agonia leve essa de querer dizer algo preso à garganta, à ideia. Não seria agonia, por conseguinte.

            Seria um fracassozinho idêntico ao de todo e qualquer ser antes e, provavelmente, depois de mim, este – o de querer traduzi-la.

            Não vou cutucar a onça, nem fazer da tentativa a própria agonia.

            Vou esperar até o próximo encontro com meu amigo, numa dessas desagonizantes caminhadas matinais. E, antes que ele de novo se vá, vou dizer-lhe, entre uma e outra curva, qualquer coisa animadora, arrancada de algum poema iluminado de algum poeta consagrado, senão não tem graça.

A experiência da gente é coisa barata, descarte, inútil... Não serve para alentar o coração nem de gente próxima. É idiotice de que se ri desdenhosamente.

Coisa boa é aquele riso oblíquo, arrancado da audição de algo majestoso, do jeito como você vai sorrir agora com Augusto dos Anjos: “Agonia de amor, agonia bendita!/ - Misto de infinita mágoa e de crença infinita (...) - Calor que hoje me alenta e há de matar-me em breve,/ Frio que me assassina, amor e frio, neve (...) Agonia, agonia, agonia, agonia!”.

 

 

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa,  vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 18:50
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FELIPE AQUINO - QUAL A VONTADE DE DEUS PARA OS JOVENS ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A juventude é chamada de “a flor da idade”; porque é bela, forte, pujante, cheia de vida e de desafios. Mas, muitos jovens estão sofrendo em nossos dias porque não sabem o sentido da vida e porque não lhes foi mostrada a sua beleza, conforme a vontade de Deus. Muitos, perdidos no tempo e no espaço, debatem-se no tenebroso mundo do crime, das drogas, da violência, do sexo sem compromisso, e de outras mazelas. Que tristeza!

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O jovem não tem o direito de abandonar ou deixar estragar a sua vida; pois ele é a mais bela Obra do Criador!

Paul Claudel, um teatrólogo francês, disse que “o jovem não foi feito para o prazer, mas para o desafio”.

Mas, só Cristo pode dar ao jovem o máximo. Jesus lhe revela a sua beleza e o seu valor; e mostra-lhe a grandeza de ser “filho amado de Deus”.

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O jovem cristão deve honrar os seus pais, como ensina o quarto Mandamento; deve ser fiel a seus amigos e irmãos, deve estudar e trabalhar, nunca perder tempo e jamais jogar a vida fora com coisas vazias. Terá que descansar e se divertir, mas de maneira saudável, sem pecar, sem fazer do prazer um fim, mas apenas um meio de descansar e poder viver bem e fazendo o bem aos outros.

É na juventude que Deus nos chama a um encontro pessoal com Ele; para alguns será o chamado para a vida sacerdotal ou religiosa, vivendo no celibato e entregando a sua vida radicalmente a Deus a serviço do seu Reino. Não existe nada mais belo para um jovem do que a vocação sacerdotal. Sem o sacerdote não há Igreja, não há o perdão sacramental dos pecados, não há a Eucaristia, não há salvação.

O jovem cristão é também um evangelizador; especialmente com seu exemplo no meio de seus amigos, sem ter vergonha de sua fé e de sua Igreja. Hoje é difícil dar testemunho de Jesus; viver como a Igreja ensina, rejeitando o sexo fora e antes do casamento, fugindo das diversões perigosas e de todo pecado; mas, quanto mais isso for difícil, mais necessário será para a sociedade voltar para Deus.

 

Leia também: Oração do adolescente

A juventude é o maior tesouro da humanidade

Carta de São João Bosco para os jovens

Juventude, tempo de crescer

 

 

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O jovem cristão precisa conhecer a doutrina católica; ler e estudar o Catecismo para saber dizer a seus parentes e amigos qual a sua esperança e as “razões de sua fé” (1 Pe 3,15).

Sabemos que o jovem tem grande dificuldade para a perseverança religiosa; por isso precisa rezar constantemente; participar dos sacramentos da Eucaristia e Confissão, meditar a Palavra de Deus e se engajar em um trabalho pastoral. Tudo isso sem descuidar de sua formação humana, seus estudos, trabalhos e ajuda à família. Assim será um jovem de Deus e que faz a sua vontade.

A maioria dos jovens é chamada à vida matrimonial; então, cabe-lhes começar bem se preparando para o matrimônio. Essa preparação exige uma vida de estudo e trabalho para encontrar o seu lugar no mercado de trabalho, e, no momento adequado começar um namoro cristão para procurar a pessoa com quem se casar um dia.

Deus quer o jovem alegre, casto e dedicado ao que faz. Que espalhe a alegria no seu rosto, viva a castidade no pensamento, nas leituras, no que assiste e no namoro; estude com seriedade e trabalhe com dedicação. É na juventude que se constrói o futuro próprio, da família e da sociedade. A juventude é a força motriz da sociedade, o perfume saudável da vida. O jovem cristão deve imitar Aquele que viveu em Nazaré, e que deu a vida por todos.

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:40
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PAULO R. LABEGALINI - AS DECISÕES ACERTADAS QUE TOMEI

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Os fatos abaixo foram alguns passos importantes que dei na vida e que, em cada momento, mudaram completamente o meu destino. Para tecer esses comentários, omitirei os nomes completos das pessoas envolvidas.

Em 1972, após um ano de namoro, eu e a Fátima nos separamos. Passados alguns meses, ela foi a um baile de formatura em São Paulo, onde eu residia, e chorou o tempo todo ao me ver com outra namorada. Aquilo me comoveu, me fez ver o quanto ela ainda me amava, voltamos a namorar e estamos juntos até hoje. Que baile marcante, hein?

Após um ano, no último dia de carnaval em Monte Sião, conversando com um colega – Zezinho – que também cursaria o terceiro colegial, fui convidado a estudar com ele para o vestibular. Se eu aceitasse, teria que me desligar do emprego em São Paulo e me mudar para lá. Não demorou muito para eu rasgar a passagem de ônibus do dia seguinte e dizer que iria ser engenheiro. Aquela decisão deu início à minha carreira profissional.

Mais três anos se passaram e, numa aula do professor Hermeto, a nossa turma foi desafiada a fazer um exercício de Mecânica Geral no quadro negro. Como ninguém se prontificou e percebendo a decepção dele conosco, resolvi enfrentar o problema. Meio aos ‘trancos e barrancos’, consegui chegar à solução, fiquei motivado a continuar aprendendo o assunto e me tornei monitor da matéria. Considero que abracei a docência naquele dia e, formado, trabalhei na UNIFEI por 36 anos!

Depois, muita coisa aconteceu, mas vou direto a 1992. Muitas pessoas sabem que fiquei internado em Campinas e só tinha dois por cento de chance de sair vivo do hospital. Graças a muitas orações, fui curado e passei a ter mais ânimo para encarar novos desafios. Então, no ano seguinte, o professor Turrioni me animou a fazer doutorado com ele na USP e, como as demais decisões, foi rápida e abençoada.

E, agora, vem o mais importante, que aconteceu em 1997 na Capela de Nossa Senhora da Agonia. Ao final da missa, o amigo Valadão anunciou que estavam precisando de pessoas para ajudar na comunidade. De pronto, fui ao seu encontro, comecei a grande missão de evangelização em minha vida e, tenho certeza, não há volta, pois experimentei o Amor do Pai e vivo aceitando os seus chamados.

Esses chamados acontecem a toda hora e, vários, influem até hoje em tudo o que faço para o Reino de Deus. Eis aqueles convites que melhor recordo: do Manezão, para eu ser vice-presidente da Associação Nossa Senhora da Agonia; do Ernani e da Meire, para ser vicentino; do Pacheco, para escrever semanalmente no jornal ‘O Sul de Minas’; do Luiz Antônio, para participar da Tribuna Independente, na Rede Vida; do Cesário, para gravar o primeiro CD; da Ângela do Aldo, para escrever um livro de artigos católicos; da Helena, para ingressar na Pastoral da Comunicação; do Inácio, para a Pastoral Familiar; do Júlio César, me indicando para colunista de jornais e revistas vicentinos; do José Vítor, para animar os encontros da Escola de Caridade Antonio Frederico Ozanam; do Paulinho, para fazer concurso no Instituto Federal em Pouso Alegre; enfim, isso não tem fim!

Como eu nunca disse ‘não’ aos chamados, continuo caminhando para entrar em muitas outras portas que Deus me abrirá, porque sei que posso contar com as orações da minha mãe, dos familiares e amigos; posso sempre recorrer à intercessão do meu pai, dos parentes falecidos e de muitos santos protetores; posso continuar contando com os bons comportamentos de minha esposa e filhos, que me dão paz suficiente no dia-a-dia; e conto, ainda, com a bênção maior daquela que é a paixão da minha vida: Nossa Senhora.

Se eu tivesse comido uma batata a cada decisão acertada que tomei, já teria engordado tanto que não poderia sequer andar; mas, pensando bem, não foi quase isso que Jesus fez por nós? Só que, ao contrário, Ele foi assumindo os nossos erros e acabou, realmente, sem poder andar – pregado na Cruz! Eu, pelo menos, aprendi que é mais fácil caminhar com oração e acertar em cada decisão do que pecar e não ter sempre alguns ‘anjos’ de prontidão.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:35
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - FIM DE CURSO DE DELINQUENTES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Recentemente, um grupo numeroso de finalistas do ensino secundário, foi de excursão a Espanha.

Estranhei, que em lugar de professores (será que foram?) eram acompanhados e vigiados por agentes de autoridade e pela agência que organizou o passeio.

Mas, mais estranho é, que uma vez instalados no hotel de quatro estrelas, tenham tomado atitudes de arruaceiro:

Sujaram paredes; escreveram nas portas; lançaram colchões pelas janelas; brincaram com extintores de incêndio; e outras tropelias impróprias de gente civilizada.

Curioso é, que ao comentarem a ocorrência, houve quem afirmasse: que  casos semelhantes – e até piores, – tem acontecido em anos anteriores, com estudantes!

Houve mesmo quem aprovasse, declarando: que tinham seguro, e que o hotel já devia saber: que em passeios de fim de curso, há sempre excessos e destruição…

Querem dizer: os adolescentes, os futuros doutores… e educadores, comportam-se como os criminosos! …

Há exagero, bem sei, na comparação, mas verdade é: tanta violência e desrespeito pela propriedade alheia, é fruto da má ou nenhuma educação, que receberam.

Não me venham dizer: “São jovens, querem divertir-se “, porque também participei em passeios de estudantes, e nunca se comportaram como marginais! …

A culpa do desvario, não é dos jovens, mas dos pais e das autoridades – diria melhor da sociedade, – que tudo desculpam e parecem terem medo de dizerem: “NÃO”.

A coletividade está, infelizmente, cada vez mais violenta:

O Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, revelou: que, em Portugal, a violência no namoro, aumentou 60% em três anos!

A maioria das vítimas são mulheres, mas o número de homens, tem aumentado (de 2014 a 2016, teve uma subida de 83,3%!).

 A razão plausível de tanta violência – que já chegou ao interior, – é a má educação que os jovens – de ambos os sexos, – recebem.

Até no desporto – onde devia haver “ espírito desportivo”, se verifica o recrudescimento da violência! …

O único caminho, é: responsabilizar os jovens, e educá-los à “ moda antiga”.

Não é preciso bater: basta “ obrigá-los” a respeitarem: os pais, os avós, os professores e os idosos.

Se conseguirem isso, é meio caminho andado.

Mas é bom lembrar, o que diziam os antigos:

“É de pequenino que se torce o pepino”…

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:29
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EUCLIDES CAVACO - HERÓIS DE ABRIL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Neste poema deixo refletir poeticamente um momento da nossa história que aqui recordo fundamentado no seu implícito sentido.
Ouça e veja aqui o poema formatado neste link:

 

 



https://www.euclidescavaco.com/herois-de-abril

 

 

 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

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ISTO PODE-LHE SER ÚTIL

 

 

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 NOVO SITE PARA AJUDAR EM PEQUENOS PROBLEMAS DE SAÚDE

 

 

 

 

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 Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

 Horário das missas na Diocese do Porto( Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 17:57
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A PÁSCOA E A LIBERTAÇÃO COMO IDEAL MAIOR DAS PESSOAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Já se disse que para cada ceia eucarística ser honesta, deverá haver pão sobre as mesas e justiça nas ruas. Infelizmente, a nossa realidade tem se distanciado cada vez mais dos mínimos padrões morais de convivência. É por isso que o Domingo de Páscoa é muito importante, já que o sentido de sua celebração leva a repensar nossa vida à luz do Cristo ressuscitado, para criar outro modo de ser, de pensar e de se relacionar com Deus, com os irmãos e com a natureza.                      

A festa pascal mostra a premente necessidade de se provocar uma transformação de base no relacionamento humano, no qual todos tenham voz e vez, e seja possível firmar entre os homens uma aliança que elimine o isolamento, a marginalização e a exploração humana.

É profundamente lamentável que nesta época, muitos somente pensem nos feriados prolongados, nas viagens planejadas, nos descansos brandos, na gastronomia variada e em tantas outras atividades estritamente prazerosas. Caracterizam-na como um período recreativo e ainda, incentivados por um consumismo desenfreado elegem uma nova data para o comércio faturar com ovos e coelhinhos de chocolate.

Essa indiferença demonstra que o egoísmo e o individualismo prevalecem na atualidade, provocando uma inversão de valores. Alguns passam a seguir uma trilha vulnerável às questões espirituais, mas fortemente afeita às coisas materiais, de tal sorte que somente são considerados aqueles que detêm grandes riquezas terrenas. Um quadro vergonhoso, deturpador dos verdadeiros princípios e manifestamente alienante em relação a terceiros, que diariamente sucumbem sem quaisquer considerações.

         No entanto, com sua ressurreição, Jesus inaugurou uma nova era para a humanidade, decretando a vitória da vida sobre a morte e apontando a libertação como o ideal maior de todo o indivíduo. Da mesma forma, atualmente, são evidentes as implicações éticas de nossa conduta, quer como cristãos, quer como cidadãos: a solicitude pelos pobres, migrantes e excluídos; a educação em favor da paz; a defesa dos direitos humanos; a promoção da saúde e da moradia; a luta ecológica; a formação político-cristã do povo.

Para que alcancemos tais propósitos, precisamos compreender o momento pascal como passagem do egoísmo que acumula para a partilha do amor que divide; da tristeza e do vazio existencial para a alegria de horizontes definidos; do desânimo diante das dificuldades para o estímulo de verdadeiras conquistas; da ganância que isola para o desapego e a fraternidade, e do pecado para a graça.

         Na mesma linha, propõe que lutemos contra as injustiças, as discriminações, a pobreza e a agressividade, tentando consolidar a dignidade humana, e consequentemente, a paz social.  Desejar “Feliz Páscoa”, por isso, é contribuir com princípios éticos que reafirmem a primazia da pessoa humana, buscando os reais valores no plano da convivência social e distribuição de renda. Aproveitemos a ocasião para anunciar com ênfase o valor da vida e do amor como critério fundamental na construção de uma nova era, onde o acesso aos direitos fundamentais seja facilitado para todos, sem exceções.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com).



publicado por Luso-brasileiro às 21:19
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - COMO SE ESTUDAVA GENEALOGIA, NO PASSADO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nas últimas décadas, em todo o Ocidente tem ocorrido um curioso fenômeno: a generalização do interesse pela Genealogia, pelo estudo das origens familiares. É um fenômeno de características próprias, muito diferente do que no passado entendiam e praticavam os cultores de estudos genealógicos.

Em livro recentemente lançado (“À procura de Tructesindo: Por que tanta gente hoje em dia pesquisa as próprias raízes?”. S. Paulo: Scortecci Editora, 2016) analisei as principais características desse fenômeno, que denominei “Neo-Genealogia", para distinguir da Genealogia tradicional.

Os estudos genealógicos, no passado, eram basicamente: 1) ou de cunho religioso; 2) ou de cunho nobiliárquico; 3) ou se destinavam a assegurar a transmissão da propriedade.

Falemos das genealogias de cunho religioso: basta, no caso da nossa cultura ocidental, tão influenciada pela herança cultural judaica que impregnou o cristianismo, lembrar as genealogias bíblicas: Moisés, que sob inspiração divina redigiu o Pentateuco, os primeiros cinco livros das Sagradas Escrituras, talvez possa ser considerado o primeiro genealogista da História da Humanidade. Há, na Bíblia, extensos e pormenorizados registros genealógicos.

Não só entre os hebreus, mas entre os povos antigos em geral (pelo menos entre os que possuíam certo grau de cultura), eram muito frequentes tais registros. Egípcios, Romanos, Assírios, Caldeus, Gregos, Persas, sempre deram grande valor às estirpes, e na valorização dessas estirpes estava presente um elemento religioso mais preponderante ou menos, mas sempre constante e claro. O culto pela memória dos antepassados, reverenciados pelo que tinham sido e pelo que significavam para os seus descendentes, adquiria, o mais das vezes mesclado com um caráter um tanto supersticioso, um cunho de culto religioso. Isso era constante na Antiguidade.

A esse respeito, cabe lembrar aqui uma obra excelente, que em nossos dias vem sendo reapreciada devidamente: o clássico livro de Fustel de Coulanges La Cité Antique (Paris: Hachette, 19ª ed., 1905), que recentemente tem sido publicado por diversas editoras brasileiras. Fustel de Coulanges mostra que tal era o respeito que entre os antigos se tributava aos antepassados que, quando alguém se afastava do torrão natal em demanda de novas terras, para fundar novas cidades, para constituir novas sociedades, novas comunidades políticas, era costume levar, num vasinho, um pouco de terra do local em que nascera e onde estavam sepultados os antepassados. Essa porção de terra, levada com respeito, era também com respeito depositada no local em que se erigiria a nova fundação, para que, de certa forma, pelo menos simbolicamente, fosse algo das cinzas dos antepassados que se transferisse para o novo local, e a continuidade daquela estirpe, na interpenetração profunda entre esses dois valores, a família e o torrão natal, fosse mantida.

As catacumbas romanas também têm origem, segundo teorias das mais categorizadas, nesse culto respeitoso dos antepassados - os Manes - (ao lado dos Lares e dos Penates). Como fizesse parte dos costumes que os membros de uma família fossem sepultados dentro dos limites do próprio lar, costumava-se escavar, dentro da urbe romana, por baixo das casas ou dos palácios, túneis em níveis diversos de profundidade, para, dentro dos limites da propriedade, sepultar os membros daquela gens. Cada família vivia, assim, no sentido mais estrito do termo, sobre um cemitério em que jaziam seus antepassados, sem sair dos limites territoriais do lar. Ao cabo de algumas gerações, inevitavelmente esses condutos subterrâneos se comunicavam uns com os outros, constituindo uma vastíssima rede de galerias que com o passar dos tempos perdeu a primitiva significação, mas na qual a Igreja perseguida, nos três primeiros séculos da Era Cristã, encontrou abrigo seguro (pois os pagãos conservavam um temor supersticioso de penetrar naquelas galerias escuras, e mesmo quando eles penetravam, os cristãos, que conheciam o mapeamento daquela cidade subterrânea, com relativa facilidade conseguiam ocultar-se), na qual sepultou seus mártires e que até hoje é visitada com comovida veneração por incontáveis peregrinos que acorrem à Cidade Eterna.

Tratarei, no próximo artigo, do cunho nobiliárquico de que se revestiam, no passado, os estudos genealógicos.

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS, é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - OVOS DE OIRO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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             Nessa semana eu li, em um rede social, que os ovos de Páscoa estão tão caros esse ano que devem trazer de brinde um carro zero quilômetro. Exageros à parte, de fato, os ovos de Páscoa estão com um custo bem elevado, fora da realidade econômica da população brasileira. Como as crianças são as principais consumidoras dessas guloseimas, é comum que quem os produza use de todos os apelos possíveis para atrair seu público alvo e, assim, nessa época do ano, muitas famílias se apertem para poder atender ao desejo de seus filhos.

            O fato é que as fábricas e os lojistas sabem que, embora o valor de um simples ovo de Páscoa equivale a várias caixas de bombons ou muitas barras de chocolate, pais, padrinhos, avós e tios não fazem a conversão na hora de escolher uma delicia de Páscoa para seus pequenos. E é assim que um simples ovo de chocolate, ainda que recheado com um brinquedo inútil, custa cerca de R$60 reais. Se o ovo de Páscoa for de grife ou tenha na sua elaboração algum componente mais caro, o céu dos preços parece ser o único limite.

            Quando eu e minhas irmãs éramos crianças, ganhar ovos de Páscoa era um evento extremamente aguardado e festejado, e dentre deles só encontrávamos bombons e nada mais. Diferenciavam-se apenas pelo tipo de chocolate e novidades eram os brancos e os crocantes. Ganhávamos também coelhos de chocolate e mini ovinhos e eles nos faziam igualmente felizes. Acredito que os preços praticados não fossem tão exorbitantes à época, pois se deixados para serem adquiridos nos dias imediatamente anteriores ao domingo de Páscoa, havia o sério risco de não serem mais encontrados nos supermercados.

            Atualmente, mostra fiel de que os preços estão muito além do que deveriam ser é a quantidade ovos que permanece nos estabelecimentos mesmo depois do feriado de Páscoa. É como se tivessem perdido o significado, pois se dissociaram do evento ao qual estavam atrelados, virando tão somente um produto de consumo, cada vez mais para poucos. Aos poucos, para além de não terem de fato dinheiro, tamanha a crise que se instalou no Brasil, acredito que as pessoas estejam se dando conta de que mais vale comprar chocolate em outras tantas apresentações do que pagar por algo que atualmente é mais plástico do que doce.

            Sei que há boas opções no mercado e os ovos caseiros podem ser de qualidade de com preço bem melhor, mas normalmente são capazes de contentar os adultos e não as crianças. Da mesma forma há ovos de Páscoa que são mesmo verdadeiras obras de arte, seja pela apresentação, seja pelos ingredientes ou pelo conjunto dos dois. É que se os mais simples são caros, sobre esses então é melhor nem comentar.

            Não sou muito fã de chocolate e assim, para mim, deixei de adquirir ovos de Páscoa há bastante tempo. A minha parte prefiro em outras coisas, como bacalhau, por exemplo. Deixo o chocolate que consumo para a cobertura de bolos de cenoura. Contudo, tenho sobrinhos e um afilhado e, para eles, crianças, adquiro os tais ovos de Páscoa. Há semanas, assim, aventurei-me a fazer as compras pascais e depois de passar pelo Caixa com quatro pequenos ovos de personagens de desenho, pensei que, para o bem de todos, era melhor que fossem maravilhosos, exceto se viessem com uma jóia dentro.

            Haverá o dia no qual eles não irão mais esperar pelos ovos de Páscoa, crescidos que estarão e, provavelmente, desse dia em diante eu sequer me detenha na seção onde eles ficam, inúteis que me serão. Por ora, embora pudessem ser mais acessíveis, ter preço mais condizente com o chocolate que carregam, seguirei escolhendo ovos de Páscoa para crianças que os esperam como eu mesma um dia os esperei, repleta de emoção.

            Nesse sentido, para mim, os ovos de Páscoa são de ouro. Renasço um pouco todas as vezes nas quais, com carinho, escolho o que mais possa agradar, recordando-me da criança que um dia eu mesma fui, ansiosa pelos tios que os traziam consigo. Ainda que nos seja impossível uma viagem física no tempo, temos a dádiva de viajarmos por ele através de nossas lembranças.

            Seria bom se todas as crianças pudessem ganhar seus ovos de Páscoa, pois isso significaria que teriam o necessário para sobreviver, que teriam quem as amassem suficientemente para se importar se o ovo comprado foi o que foi pedido. Os ovos de Páscoa, para mim, permanecem símbolos de que os tempos mudaram, mas que as crianças continuarão sendo crianças. Pena que a Páscoa, por si só, nao seja capaz de fazer renascer os melhores sentimentos nas pessoas de um modo geral, restaurando na sociedade o bom-senso, a honestidade e a percepção de que não é preciso vender uma mercadoria a preço de ouro para que ela seja de fato importante ou para que se tenha ganhos.

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora - São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 21:04
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - LEMBRANÇAS QUE SALVAM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O rosto do moço não me é estranho. Já nos vimos em algum lugar e são tantos os pelos quais passei... Possuo facilidade em guardar olhares e sorrisos, contudo a origem deles... E não é de agora, foi sempre assim.
Ao me ver chegar em casa, ficou à espera. Dessa vez, carregava uma mochila de ursinho. Imaginei, de imediato, que tivesse para ele algum significado. Antes de me pedir alguma coisa, sempre me mostra as mãos calejadas por fazer alguns trabalhos com madeira que encontra descartada ou por conseguir carpir um terreno em troca de pequenos valores. Não possui residência fixa, um dia aqui, outro acolá. O dinheiro que solicita com respeito talvez seja para o uso de alguma droga lícita ou ilícita, contudo, nas poucos momentos que conversamos, não me parece de comportamento alterado ou insano. Fala com coerência e de olhos nos olhos, entretanto, por vagar pelas ruas, vive em alguma situação de desequilíbrio.
Não tenho dúvida de que o uso de substâncias inadequadas provoca desorganização mental e corrói o pensamento. Como despertar púberes e adolescentes para a realidade que os aguarda na viagem do prazer que envenena?! Fico assustada com as estratégias para o uso de drogas no caminho de meninos e meninas. O conhecimento do cigarro eletrônico é recente para mim. É possível colocar nele maconha, haxixe, ecstasy... E vem se espalhando em meio aos adolescentes.
Perguntei ao moço a razão da mochila de ursinho. Sou “perguntadeira” por natureza. Gosto de saber o que motiva as pessoas, principalmente as marginalizadas, para tentar traduzi-las e pensar nas possibilidades de construção/reconstrução. Ele me contou sobre a lembrança de um ursinho de pelúcia que foi o único brinquedo de sua infância. Eram pobres demais. Do pai nunca soube. A mãe trabalhava no entorno de um aterro sanitário. Separava os recicláveis. Encontrou o ursinho, lavou, costurou os rasgados, embrulhou e lhe deu de presente no aniversário de seis anos. Dois anos depois, ela faleceu de “doença do lixão”. O ursinho se perdeu em suas jornadas para a casa deste ou daquele parente, até que se notou intruso e se fez da rua.
A lembrança bonita que carrega no coração se estende, por certo, na mochila desgastada que o acompanha pelas avenidas cinzentas. Sua companheira nas marquises que o acolhem na madrugada. Dor e salvação. Morte e vida.

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 
 



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