PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 1 de Julho de 2017
RENATA IACOVINO - ANTES DO PONTO FINAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Era cedinho, o dia clareava, embora cinzento, devido à garoa de um outono híbrido.

            No ponto de ônibus fiz sinal para que ele parasse, e para minha surpresa, em véspera de feriado prolongado, encontro um lugar para sentar, logo atrás dos bancos reservados aos preferenciais. Ali estava, também, um jovem com uma mochila e com um capuz sobre a cabeça, que cobria quase todo o rosto.

            Dormia profundamente?

            Mais à frente, uma idosa sobe e cedo meu lugar. Ela olhou para o garoto ao meu lado e disse para todos ouvirem: "ele é quem deveria se levantar. Olha que sono ele tem - dizia irônica, mas sutil. Toda vez ele faz isso!". E então me agradeceu e sentou-se.

            No assento ao lado uma moça também se levantou, pois logo desceria. A senhora, então, optou por ali se sentar e pediu que eu voltasse a ocupar o lugar, o que fiz, agradecendo.

            O cobrador incomodou-se, até porque já conhecia a rotina de alguns passageiros e desaprovou a atitude do rapaz.

            O trânsito fluía bem, mesmo em pontos onde o fluxo de veículos seria intenso. Muitos já deveriam estar na estrada, a fim de aproveitar mais cedo o feriado.

            Em meio a este e outros pensamentos, que corriam à velocidade do ônibus, uma senhora junto com uma criança de aproximadamente sete anos sobem e olham buscando um lugar. Novamente me levanto, concomitantemente à fala do cobrador: "Ô rapaz, levanta! Não vê que esse lugar não é para você? Acorda!". À essa manifestação somou-se à da primeira senhora, que tornou a dizer quase as palavras que havia dito antes.

            O jovem despertou! Constrangido (ou não!), passou por meio dos que ali estavam e também pela catraca, sob o olhar indignado do cobrador.

            Também me levantei e passei, assim a senhora e seu neto puderam se acomodar juntos.

            O motorista pergunta ao garotinho, falante e simpático, se sua irmã já nasceu, ao que ele respondeu que ainda não, mas que vai nascer logo. A avó então se encarrega de dizer que ainda vai demorar um pouco e conta para o motorista (e para os que estão acompanhando esta e outras histórias) que o irmão disse que ele é quem cuidará da irmãzinha. O menino, todo afirmativo, atesta o que a avó narra.

            O adolescente desceu, mas não sem antes ouvir, de forma didática do cobrador, para que servem os assentos de cores diferentes.

            Ponto final: Vila Mariana.

 

 

 

 

RENATA IACOVINOescritora e cantora / www.facebook.com/oficialrenataiacovino/

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:54
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SONIA CINTRA - VIDAS ILUMINADAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O Concurso Literário Vida Iluminada, promovido pela Associação Mulher Unimed do Estado de São Paulo para pessoas com deficiência visual, tem obtido grande aceitação na cidade e região. Com o esforço conjunto do Instituto Luiz Braille, do Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas e da Comissão Julgadora, este ano foram abrangidas Cabreúva, Cajamar, Campo Limpo Paulista, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itupeva, Jarinu, Jundiaí, Louveira e Várzea Paulista. A comissão julgadora, composta por professores, escritores e psicólogos reuniu-se para ler e reler os textos inscritos e classificá-los nas categorias juvenil e adulto. O primeiro lugar adulto coube ao poema “Minha Vida”, de autoria da acadêmica Yole Antiqueira Mendes Pereira, e o juvenil, ao poema “Através de olhos especiais”, da estudante Mariah Eduarda Menezes Oliveira.

A solenidade de premiação foi alegre e motivadora da próxima edição, prevista para 2018. Após a abertura pela presidente da AMU-Jundiaí Márcia Lourenção Delamanha houve apresentação dos alunos do Peama e do Coral Unimed. Em seguida, os jurados leram os textos vencedores de cada categoria, entusiasmando o público presente com o efeito benéfico das Oficinas de Textos coordenadas pela Profª. Cleide Papes.

            Iniciado em 2000, o Programa Vida Iluminada trabalha para o desenvolvimento integral das pessoas com deficiência visual e sua integração na comunidade, e o Concurso Vida Iluminada, implantado em 2013, vem ganhando novos adeptos desde então. A Antologia com os trabalhos dos participantes é transcrita em linguagem comum e em braille, para que todos a compreendam.

            Neste ano em que Lima Barreto (RJ 1881-1922), pré-modernista, iluminado e injustiçado cronista do suburbano carioca, que denunciou os vícios da Primeira República e dos literatos da época, é o autor homenageado na Feira do Livro de Parati (Flip), penso não faltem palavras sobre sua vida e obra. Por isso, caro leitor, peço licença para encerrar este breve artigo transcrevendo uma estrofe de cada poema vencedor da edição 2017 do Concurso Literário Vida Iluminada.

A principiar por Yole: “Percebi a vida pulsante / do Universo que me envolve, / observando os detalhes / e os efeitos tão lindos / da luz que brilha no alto / e que se reflete em mim”. E a terminar por Mariah: “Nascer igual, tornar-se diferente / Nascer diferente tornar-se especial / Aprender a reconhecer os encantos da vida / Através dos olhos do coração”.

 

 

 

 

SONIA CINTRA    -    É doutora em Letras Clássicas e Vernáculas pela Universidade de São Paulo. Pesquisadora da Cátedra José Bonifácio - IRI/USP e membro efetivo da UBE. Fundadora e mediadora do Clube de Leitura da Academia Paulista de Letras e do Clube de Leitura Jundiaiense. Ex-presidente da AJL, oradora da Aflaj e madrinha do Celmi. Pós-graduada em Educação Ambiental, ensaísta e articulista de jornais, revistas e blogs nacionais e internacionais. Tem 13 livros publicados com tradução para o italiano, francês e espanhol.



publicado por Luso-brasileiro às 14:49
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FELIPE AQUINO - BEM AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Bem aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mt 5,8).

 

 

 

A pureza de coração foi colocada por Jesus entre as oito bem-aventuranças, pois, não pode faltar na vida do santo. E São Paulo faz eco às palavras de Jesus, ao dizer aos tessalonicenses:

“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza, que cada um de vós saiba possuir o seu corpo em santificação e honestidade, sem se deixar levar pelas paixões desregradas como fazem os pagãos que não conhecem a Deus… Deus, não nos chamou para a impureza, mas para a santidade” (1Ts 4,3-7).

Jesus, embora misericordioso com aqueles que eram vítimas do pecado da carne, Madalena, a mulher adúltera, a samaritana do poço de Jacó, em Sicar, etc., no entanto, foi duro contra esse pecado. Na verdade, ele é radical nesse ponto. No Sermão da Montanha ele não deixa dúvidas:

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: Todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração” (Mt 5,28).

Mais do que um corpo puro, Jesus exige um coração puro, uma mente pura, liberta das escravidões. A castidade, antes de ser uma virtude do corpo, é uma virtude da alma. Acabamos realizando aquilo que concebemos no coração. O Apóstolo São Tiago explica isso:

“Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia. A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado, e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg 1,13-15).

O pecado original desvirtuou a beleza das faculdades de nossa alma, entre elas, a sensualidade. Colocada em nós, para ser o veículo do amor para o casal, nos aspectos unitivo e procriativo, tornou-se, pela concupiscência, uma fonte de desordem, se não for redimida pela graça de Deus. O coração do homem foi ferido de morte pelo pecado, por isso dele é que procede agora todo o mal da criatura:

“Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele… Porque é do coração que provém os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias” (Mt 15,10-19).

 

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Leia também: Abra seu Coração

Por que são tão importantes as bem-aventuranças?

Você deseja alcançar a santidade?

Povo de Deus: santo e pecador

Bem-aventurados os mansos

É Deus quem nos santifica!

 

 

Jesus quer limpar o nosso coração de tudo isso, e para tal derramou o seu sangue.

A castidade unifica a pessoa e coloca à sua disposição todas as suas energias físicas, racionais e espirituais.

Mahatma Ghandi, mesmo não sendo cristão, bebeu no Sermão da Montanha os ensinamentos de Jesus. Aos quarenta anos decidiu, de comum acordo com sua esposa, renunciarem à vida sexual, tal era o valor que dava à castidade. E não tinha dúvidas em afirmar que: ‘a educação sexual deve ter como objetivo o superamento e a sublimação da paixão sexual’. E dizia que: ‘a vida sem castidade parece-me vazia e animalesca. Um homem entregue aos prazeres perde o seu vigor, torna´se efeminado e vive cheio de medo. A mente daquele que segue as paixões baixas é incapaz de qualquer grande esforço’.

 

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Ao falar da força da Igreja dizia:

 

 

”Eu penso que é exatamente graças ao celibato dos seus sacerdotes que a Igreja católica romana continua sempre vigorosa”. Para Ghandi, a castidade significa o controle de todos os órgãos do sentido, não apenas o sexo. Para ele, ‘aquele que dominou os sentidos é o primeiro e o mais importante dos homens’.

Sem dominar as paixões, do sexo, da gula, dos olhos, do ouvido e da língua, o homem não tem paz e tranquilidade, pois elas são para o coração o que as tempestades são para o oceano, como dizia Ghandi.

É importante notar como um grande homem, não cristão ‘embora fascinado por Cristo e pelo Evangelho’ valorizava tanto a castidade e a temperança.

 

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Perseguindo uma pureza integral, Jesus acrescenta:

 

 

‘Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o para longe de ti, porque te é preferível perder-se um só de teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na geena’ (Mt 5,29).

 

 

E mais:

 

 

‘O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado. Se teu olho estiver em mal estado, todo o teu corpo estará nas trevas’ (Mt 6,22).

Como se peca hoje com os olhos! Praticamente não há mais um veículo de comunicação, que não tenha se transformado em veículo de pornografia e imoralidade. A televisão, o cinema, as revistas, os videos, etc., trazem a marca profunda de um sexo ascintoso. As campanhas vergonhosas para que o povo use a ”camisinha”, levada a efeito pelas próprias autoridades, revelam a grande decadência moral da nossa civilização. Incita-se ao pecado, sem a mínima vergonha!

 

 

Para São Paulo o pecado da impureza é grave porque atenta contra a santidade do corpo, que é o tempo santo de Deus:

 

 

‘Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, então, os membros de Cristo, e os farei membros de uma prostituta? De modo algum. Ou não sabeis que o que se ajunta à prostituta faz´se um só corpo com ela?’ (1Cor 6,15-16).

 

 

E o apóstolo insiste no assunto:

 

 

‘Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual vos foi dado por Deus?’ (6,19).

‘Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus, que sois vós, é santo’ (1Cor 3,17).

 

São Paulo, ao contrário dos maniqueistas dualistas do seu tempo, que desprezavam a matéria e o corpo, enfatiza a sua importância e convida-nos a darmos glória a Deus pela pureza dos nossos corpos:

 

‘Não sabeis que assim já não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai pois a Deus no vosso corpo’ (1Cor 6,19).

‘O corpo não é para a fornicação e, sim, para o Senhor, e o Senhor é para o corpo’ (6,13).

É preciso notar que para São Paulo a gravidade da impureza está no fato de sujarmos o Corpo de Cristo, já que, pelo Batismo, somos os seus membros. A vida sexual afeta a pertença a Cristo e deve ser compatível com a dignidade de membro do seu corpo.

 

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Aos casados, a fim de evitarem o adultério, o apóstolo ensina:

 

 

 ‘Para evitar a fornicação, tenha cada homem a sua mulher e cada mulher o seu marido’ (1 Cor 7,2).

A moral católica reconhece a legitimidade da vida sexual somente no casamento. No entanto, não reconhece como legítimas todas as formas de relações sexuais. O que não está de acordo com a natureza não está de acordo com a lei de Deus. Assim, o sexo oral ou anal, e outras estrepolias, não são legítimas para o casal cristão.

 

 

Sobre esse assunto diz o Catecismo da Igreja:

 

 

‘Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, testemunham e desenvolvem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido’ (N.2362).

 

 

E de forma alguma a Igreja aceita o adultério:

 

 

”O matrimônio seja honrado por todos, e o leito conjugal, sem mancha, porque Deus julgará os impuros e os adúlteros” (Hb 13,4).

Mais do que em outros assuntos, é indispensável a vigilância e a oração, que Jesus recomendou aos apóstolos, pois ‘a carne é fraca’. Entre os muitos conselhos sábios o livro do Eclesiástico nos diz:

”Não olhes para a mulher do outro, e não te ponhas junto do teu leito” (41,27).

‘Não lances olhares para uma mulher leviana, para não acontecer que caias em suas ciladas’ (9,3).

‘Não detenhas o olhar sobre uma donzela, para não acontecer que a sua beleza venha a causar tua ruína’ (9,5).

 

 

O Catecismo da Igreja, de maneira clara, condena o que chama de ‘as ofensas à castidade’. É a palavra oficial da Igreja. São os seguintes casos:

 

 

”Luxúria” desejo desordenado do prazer sexual, quando buscado por si mesmo, isolado das finalidades de procriação e da união (nº 2351).

”Masturbação” excitação voluntária dos órgãos genitais a fim de conseguir um prazer sexual. Ato intrínseco e gravemente desordenado (nº 2352).

”Fornicação” união carnal fora do casamento entre um homem e uma mulher livres. ‘É gravemente contaria à dignidade das pessoas e da sexualidade humana, naturalmente ordenada para o bem dos esposos, bem como para a geração e a educação dos filhos’ (nº 2353).

”Pornografia” retirar os atos sexuais, reais ou simulados, da intimidade dos parceiros para exibi-los a terceiros de maneira deliberada. Atenta gravemente contra a dignidade daquele que a pratica (nº 2354).

”Prostituição” viola a castidade à qual a pessoa comprometeu no seu batismo e mancha, seu corpo, templo do Espírito Santo. É um flagelo social. (nº 2355).

”Estupro” penetração à força na intimidade sexual da pessoa. Fere a justiça e a caridade. É sempre um ato intrínsecamente mau (nº 2356).

”Homossexualidade” sua origem psiquíca continua amplamente inexplicada. ‘Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (Gn 19,1-29 ; Rm 1,24´27; 1 Cor 6,10; 1 Tm 1,10), a tradição sempre declarou que os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados. São contrários a lei natural. Em caso algum podem ser aprovados´(nº 2357).

 

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São Paulo fala muitas vezes em suas cartas sobre a impureza:

 

 

 ‘Fornicação e qualquer impureza ou avareza nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos’ (Ef 5,3).

‘Pois é bom que saibais que nenhum fornicário ou impuro ou avarento ‘que é um idolatria’ tem herança no Reino de Cristo e de Deus’ (5,5).

 

 

É interessante notar como o Apóstolo chama a atenção para as conversas obcenas:

 

 

‘Nada de baixezas, de conversas impróprias, de palavras incovenientes; em vez disso, ações de graça (5,4).

E Paulo mostra o perigo também do excesso no beber: ‘Não vos embriagueis com vinho, que leva à luxúria, mas enchei-vos do Espírito’ (5,18).

 

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:32
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PAULO R. LABEGALINI - VALEU A PENA !

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Santa Cecília viveu no século III e pertencia a uma das famílias mais tradicionais de Roma. Assim que atingiu a maturidade, seus pais prometeram-na em casamento para um jovem chamado Valeriano, também membro da alta sociedade local.

Mesmo contra sua vontade, Cecília aceitou a decisão dos pais, mas pediu que o rapaz se convertesse ao cristianismo e respeitasse seu voto de castidade concedido ao Senhor. Somente após receber a visita de um anjo, Valeriano se converteu, foi catequizado e batizado pelo Papa Urbano.

Mas, Cecília foi presa e levada a julgamento por negar-se a adorar outro Deus. Condenada à morte por asfixia, colocaram-na numa câmara de banho turco totalmente fechada. Então, começou a cantar incessantemente músicas de louvor a Cristo – por este motivo, foi eleita padroeira dos músicos.

E como não faleceu após várias horas, tentaram também matá-la numa casa em chamas, porém, ela saiu intacta. Então, quase foi degolada, mas inexplicavelmente o soldado não conseguiu cortar sua cabeça. Ela somente viria a morrer três dias depois, devido aos ferimentos no pescoço. Anos após, o Papa Paschal I ordenou que suas relíquias fossem levadas para a cidade de Trastevere, na Itália, onde hoje se encontra a grande catedral de Santa Cecília.

Pouco antes de sua morte, ela pediu ao papa Urbano que transformasse sua bela casa num templo de orações e que todos os seus bens fossem doados aos pobres. Atualmente, na Europa, dentre todos os santos da Igreja Católica, Santa Cecília é a que possui o maior número de igrejas e capelas. Portanto, além de salvar a alma, seu exemplo cristão se perpetuou e valeu a pena tanta abnegação ao amor de Deus, concorda?

Outra história conta que um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada, resolveu procurar uma pousada para descansar. Em poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome: Hotel Venetia. Quando chegou à recepção, o hall estava iluminado com luz suave. Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou amavelmente: ‘Bem-vindo ao Venetia, senhor’.

Três minutos após a saudação, o hóspede já se encontrava confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os procedimentos: uma discreta opulência, uma cama impecavelmente limpa, uma lareira e um fósforo tentador – em posição perfeitamente alinhada para ser riscado. Aquele homem que queria um simples quarto para passar a noite, começou a pensar que estava com sorte.

Mudou de roupa para o jantar. A refeição foi deliciosa, como tudo o que tinha experimentado naquele local até então. Assinou a conta e retornou ao quarto. Fazia frio e ele estava ansioso pelo fogo da lareira. Qual não foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a ele, pois havia uma chama crepitante na lareira. A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e uma bala de menta sobre cada um.

No dia seguinte, o cliente deixou a pousada muito feliz por ficar num lugar tão acolhedor, e pensou: ‘Valeu a pena ter descansado naquele local’. Mas, o que lhe ofereceram de especial? Principalmente, um fósforo e uma bala de menta? Sim, mas acontece que o valor das pequenas coisas conta, e muito! O bom relacionamento fez com que ele, cliente, percebesse o quanto era um parceiro importante!

Isso vale também para nossas relações na família. Pensar no outro como ser humano é sempre uma satisfação para quem doa e para quem recebe. Seremos muito mais felizes, pois a verdadeira felicidade está nos gestos mais simples do nosso dia-a-dia e, na maioria das vezes, passamos despercebidos pelos detalhes.

Se Deus nos permitisse viver sem obstáculos, não seríamos como somos hoje. A força também vem dos problemas que temos para resolver e, a coragem, pode estar no perigo para superá-los. Às vezes, a gente se pergunta: não recebi nada do que pedi a Deus; mas, na verdade, recebemos muito mais do que precisamos e nem percebemos! Cada oração nos traz uma graça.

Portanto, estas duas histórias que contei servem de referência para comprovar as palavras de Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Tanto a morte de mártires cristãos como os simples gestos de serviço ao próximo, contribuíram para o mundo que vivemos. Se ainda está longe do ideal, certamente seria pior se pessoas de bem não tivessem plantado exemplos de dignidade.

Então, não quebre essa corrente de amor. Quando doar uma bala ao próximo, faça com um sorriso no rosto e veja o resultado. Quanto mais nos envolvermos no Projeto de Amor de Deus, maior será a certeza de que um dia ouviremos pessoalmente do Pai: “Valeu a pena, meu querido filho!”.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:19
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A VELHA AMARRADA AO BURRO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acontecia, outrora, aos médicos da província, cada uma, que nem ao mais levado mafarrico lembrava.

Fernando Namora, narra, com a graça que lhe era peculiar, as suas aventuras, em: “ Retalhos da Vida de um Médico”.

E muitas pitorescas e engraçadas historietas, se contam, desses humildes “ João Semanas”: - verdadeiros heróis, que alcançavam “ milagres” com os escassos recursos que dispunham.

Ora, havia nesse tempo, jovem médico, com consultório montado no centro da cidade de Bragança, considerado e respeitado, por todos os brigantinos.

Suas curas, espampanantes, espalharam-se por todo o distrito, desde Bragança até a terras de Miranda, porque não havia maleita, que não sarasse, nem mal que não passasse.

Tinha o jovem doutor, tia, velha, teimosa e rabugenta, que sofria de graves males, que seriamente a atormentavam. Mas – apesar dos rogos, – recusava, peremptoriamente, ir ao médico.

Os familiares andavam deveras preocupadíssimos. Como demove-la da contumácia?

À Vila não queria ir. Também o médico, que ai clinicava, estava tão ancilosado, que mal conseguia diagnosticar a mais leve enfermidade.

Os desconfiados aldeões, preferiam as antigas mezinhas das avós, ou a arte mágica de bruxas da região. - Por sinal, poucas e ignorantes, e tão néscias como os rústicos campesino, - do que ir à Vila.

O que fazer, então?, já que a velhinha piorava a olhos vistos?

Após muito matutarem e altercarem, entre si, os parentes da velha casmurra, assentaram encetar a árdua e perigosa viagem, por vales e montes e caminhos escabrosos, até Bragança. Terra grande, onde havia hospital e vivia o sobrinho (?) da enferma, que granjeara reputação de “ sapiente”.

Mas como, se a velha não queria?! …

Nessa recuado tempo, não havia quem tivesse automóvel - nem na aldeia, nem, talvez, no concelho. - O remédio era transportá-la de burro – animal pachorrento e amigo de fazer vontades.

Mas como convencer a velha?; se não queria sair de casa?

Acordaram, por unanimidade, chamar dois valentões, que agarraram e amarraram a mulher, com grossas cordas, à albarda, coberta por velha e surrada liteira.

Bem segura e bem atada, lá foi a nossa velha, bracejando e chorando, até à Praça da Sé, e da Praça até, à porta do consultório do famoso médico, onde arreataram o jerico,

Estava o clínico, de estetoscópio na mão, a auscultar conscientemente o peito de respeitosa idosa, quando escuta grande alarido, que subia da rua. Algazarra infernal, chinfrinado endiabrado, à mistura de muitos guinchos, berros e vozearia.

“ O que seria?!” – Pensou, atónito, o jovem médico.

Esclareceu-lhe a curiosidade a solicita empregada, que entrou afogueada no consultório, explodindo num misto de surpresa e indignação:

- “ Senhor doutor: Está uma mulher, a gritar e a estrebuchar, amarrada a um burrico! …e muita gente à volta! … Dizem que é tia do Senhor doutor!!! …”

- “ Pois vá dizer: que não sei quem é. E mande-os embora…Não atendo ninguém que venha amarrado a um burro! …”

Não houve outro remédio, apesar dos rogos e altercações, senão regressarem à terra, com a velha amarrada, e mais séquito de festiva garotada, até ao Loreto, que em risos e chalaças, galhofavam com a grotesca e hilariante cena.

Mais tarde, parentes do jovem médico, diziam, entre si, e para quem os queria ouvir, com olhos de indignação cravados no céu:

_ “ Parece impossível! Ter vergonha da tia! … Sangue do seu sangue! …”

E os aldeões, que os ouviam, repetiam, com cibinho de ira, sacudindo negativamente a cabeça:

- “ Vão estudar para a cidade. Ficam ricos, e não querem saber dos pobres! … É para isso que uma mãe cria o filho! …”

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 14:13
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JOSÉ RÉGIO - NOSSA SENHORA

 

 

 

 

 

 

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Tenho ao cimo da escada, de maneira

Que logo, entrando, os olhos me dão nela,

Uma Nossa Senhora de madeira

Arrancada a um calvário,de capela.

 

 

Põe as mãos com fervor e angústia. O manto

Cobre-lhe a testa, os ombros, cai composto;

E uma expressão de febre e espanto

Quase lhe afeia o fino rosto.

 

 

Mãe das Dores, seus olhos enevoados

Olham, chorosos, fixos, muito além...

E eu, ao passar, detenho os passos apressados,

Peço-lhe - " A sua benção, Mãe!"

 

 

Sim, fazemo-nos boa companhia

E não me assusta a sua dor: quase me apraz,

O Filho dessa Mãe nunca mais morre. Aleluia!

Só isto bastaria a me dar paz.

 

 

- " Porque choras, Mulher?" - docemente a repreendo.

Mas à minh'alma, então, chega de longe a sua voz

Que eu bem entendo:

- " Não é por Ele..."

Eu sei! Teus filhos somos nós.

 

 

 

JOSÉ RÉGIO

 

 

 

 

 

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O jornalista PINHO DA SILVA, sentado na mesa de trabalho, do poeta José Régio, na sua casa de Vila do Conde.

 

 

 

 

***

 

 

 

 

 Dissertação do Mestrado de Padre Vicentino Lourenço Mika

 

 


       O Padre Lourenço Mika, de Curitiba, é colaborador do "Diário Católico", e responsável pelo site:  www.maikol.com.br . Amigo, e antigo leitor, do nosso blogue: "luso-brasileiro", autorizou-nos a publicar a sua interessante Dissertação, apresentada no Mestrado em Comunicação e Linguagens, na Universidade TUIUTI, do Paraná, sobre:

 

RADIONOVELA, SEMPRE PRESENTE 

 

que agradecemos, esperando que seja do inteiro agrado do leitor  . 

 

 

 

***

 

 

 

 

RESPIGANDO NA NET

 

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As crianças não são hiperactivas, são mal-educadas

A Tempo e a Desmodo



http://expresso.sapo.pt/blogues/Opinio/HenriqueRaposo/ATempoeaDesmodo/as-criancas-nao-sao-hiperactivas-sao-mal-educadas=f780888

 

 

***

 

 

Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

 

 Horário das missas na Diocese do Porto( Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

***

                                                     



publicado por Luso-brasileiro às 13:12
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