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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - QUE REI SOU EU ?

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Perto da nossa casa, no meio de uma região valorizada da cidade de São Paulo, situada entre a zona central e sul, há uma favelinha, ou, segundo o politicamente correto, uma comunidade. Seja o nome que se quiser dar, a verdade é que isso não muda a situação de quem vive ali, na favela ou na comunidade.

Moramos nas redondezas há nove anos. Quando nos mudamos para o lugar, para ser honesta, não tinha notado a existência da dita cuja, o que se deu apenas alguns dias depois. Confesso que fiquei com um pouco de medo, pois além de um estigma social, havia boatos, ou mais do que isso, envolvendo o local.

Por outro lado, segundo nos disseram, não era preciso que nos preocupássemos, pois os moradores da referida comunidade não incomodavam ninguém da região. Com o passar do tempo, de fato, acabamos conhecendo muita gente boa, honesta e trabalhadora que residia naquele lugar e, via de regra, nosso relacionamento com o entorno sempre foi tranquilo.

Nem tudo, porém, são flores. Há ali um entra e sai de pessoas que por certo lá não se dirigem para comprar flores e é inegável que a criminalidade orbita pelo local. De amigos policiais eu já ouvi várias histórias que me deixaram de cabelo em pé, dando conta de que até cativeiro com reféns de sequestro já foi encontrado ali. Se é verdade, contudo, também não posso afirmar peremptoriamente.

Infelizmente, a presença de pessoas totalmente embriagadas ou sob efeito de entorpecentes é uma constante, o que causa um pouco de receio a quem circula pelo bairro a pé, sobretudo de noite.

Há por certo, um preconceito que acaba maculando as pessoas que ali vivem. Já soube de uma moça, excelente manicure, que era mandada embora sempre que descobriam onde ela morava. Por óbvio que há um despropósito, um descabimento nisso, porque o lugar que você mora não deveria limitar quem você.

Hoje, ao acordar, escutamos muitas sirenes de bombeiros e o barulho estava muito próximo. Assim que saí de casa descobri que a ocorrência era na comunidade. Aparentemente um “líder” local foi morto em uma ação policial e isso desencadeou o furor das pessoas que, em represália, incendiaram caçambas de lixo, fechando o acesso à rua. A polícia foi acionada e, após a intervenção dos bombeiros, permanece no local, ainda inacessível aos transeuntes não moradores.

Fico pensando que além de haver um imenso descaso com a população por parte do Poder Público de forma geral, e considere-se que a comunidade ali já se encontra instalada há pelo menos 5 décadas, há ainda, claramente, a existência de Estados paralelos, os quais ditam suas próprias regras e que não se submetem aos Poderes constituídos.

Em tempos de escassez ética e moral, fica difícil decidir entre o bandido de colarinho branco e o bandido comunitário. Enquanto isso, quem não ocupa poder algum fica no meio do caminho, desviando de balas e sonhos perdidos...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada na Silva Nunes Advogados Associados, professora universitária, membro da Academia Linense de Letras e cronista.       São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 15:12
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS DE TRAGÉDIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Quantas vivências de tragédia na vida de mães com filhos dependentes químicos. A primeira vez que a vi, há uns 14 anos, veio me pedir notícias sobre o filho. Estava detido, no cadeião do Anhangabaú e eu, na época, participava da Pastoral Carcerária. Mocinho ainda, ao conversar com ele, falou-me de suas esperanças: vencer o vício, tirar os documentos, arranjar emprego e dar orgulho à mãe. Era grato por ser filho de mãe presente, que substituiu, desde bebê, também o pai ausente. Ao contar para a mãe, que me aguardava na saída, choramos juntas. Logo depois, estava ela com a carteirinha pronta para a visita ao filho.
Alguns anos mais tarde a reencontrei. O filho retornara ao presídio. Não conseguira livrar-se da droga e, em decorrência dela, inserira-se no tráfico. Vendia para consumir. Mas agora estava decidido firmemente a se superar. Relatou-me diversos bate-papos deles a respeito de vitórias sobre o mal. 
Procurou-me a semana passada para uma informação sobre o desligamento do sinal analógico e o conversor digital. Percebi que era pretexto para desabafo. Alquebrada, os olhos repletos de lágrimas.
O filho não está no sistema penitenciário, contudo permanece cada vez mais envolvido com fumaça e pó. Não comenta sobre sonhos e nem sobre êxitos. O cérebro “atrofiou”. Um dia desses, alucinado, quebrou inúmeras coisas da casa. Fez “parceria” com uma moça de histórico parecido. Para manter o vício de ambos, vendeu objetos da mãe, que possui pouco.  Deu parte. A “autoridade” que a atendeu expôs que furtar objetos da própria casa não é delito.  Questionou se não seria crime, igualmente, colocar veneno na comida dele. Responderam que seria presa de imediato.
Doeu-me tanto essa situação toda, com quase nada de perspectiva de mudança! De minha parte, apenas a possibilidade de ouvi-la.
Ao se despedir, afirmou que o ideal seria mesmo colocá-lo de volta ao útero e, durante nove meses, cantar de Oswaldo Montenegro para ele:
“Dorme, dorme menininho/ Eu estou aqui, vá sonhar, ainda é tempo (...). / Sonha sonhos cor-de-rosa passeia no céu e no mar apanha o mundo no teu sonho,/ menininho,/ e não deixa ninguém roubar”.
 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 15:05
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - RELIGIÃO DA NATUREZA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            A cada dia que passa mais convictamente assino embaixo do que disse Mia Couto em entrevista: “sou ateu não praticante”.

            Não à toa.      

Caso palavras valessem mais que atitudes, já teriam me convencido de muita balela por aí...

Infelizmente para esses tais profetas às avessas, à antiga, ainda procuro identificação entre o fraseado e a malfadada prática.

Vou aprendendo, pois, a retirar-me à menor sugestão do belo palavrear.

            Os ouvidos aprendem a fechar-se frente certos discursos devotados, que, se têm algum mérito, é o de testemunhar ao contrário.

            Esgotei-me de ouvir, uma atrás da outra, piadas preconceituosas, racistas e desumanas dos mesmos que, adiante, vêm perguntar: “onde está deus na vida das pessoas?”.

            Folgo em contar entre essas pessoas, cujo deus não é este – minúsculo!

No embalo de facebook e quetais, sem peso ou medida alguma, coloca-se todo mundo – à exceção é claro de si mesmo – no mesmo saco, não importando a quem se magoe ou acuse infundadamente, desde que se mantenha ali, imaculada, sua imagem de fiel, enquanto o mundo ao seu redor borbulha em pecado.

            Tão ruins quanto são os impropérios fanáticos de quem julga seu candidato o próprio deus, ao passo que o opositor é a encarnada representação do mal.

Fanatismo se alimenta desse tipo e de outros piores de credulidade que leva tanta gente a aparentar um engajamento político-religioso exemplar, apenas e tão somente enquanto a água não bate na bunda.

            Política e religiosamente, rezo pela cartilha de Alberto Caeiro: “se Deus é as flores e as árvores E os montes e sol e o luar, Então acredito nele, Então acredito nele a toda a hora, E a minha vida é toda uma oração e uma missa, E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos. E por isso eu obedeço-lhe, (Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?), Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, Como quem abre os olhos e vê, E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, E amo-o sem pensar nele, E penso-o vendo e ouvindo, E ando com ele a toda a hora.”.

            Amém.

Embora sabendo que “(Isto é talvez ridículo aos ouvidos De quem, por não saber o que é olhar para as cousas, Não compreende quem fala delas Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)”.

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 15:02
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LOURENÇO MIKA - LENDAS, CRENDICES E SUPERSTIÇÕES

 

 

 

 

 

 

 

 

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A doutrina cristã, da Igreja Católica, deriva da Bíblia Sagrada e do Magistério da Igreja. Ocorre que nas convicções de fé do povo, há muitos elementos contrários à sã doutrina. Por exemplo, alguns católicos acreditam na reencarnação ensinada pelo espiritismo. Neste começo de século e milênio, as crendices e superstições estão voltando com força total, misturadas aos ensinamentos da Nova Era. Por isso, o católico, para viver a verdadeira fé, deve se purificar das crendices e superstições, as quais derivam da cultura pagã.

 

Definições:

 

Lenda: Narração escrita ou oral, de caráter maravilhoso, na qual os fatos históricos são deformados pela imaginação popular ou pela imaginação poética.

 

Crendice: Crença popular absurda e ridícula.

 

Superstição: Sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes; crença estranha à fé religiosa e contrária à razão, atribuindo efeitos espirituais a coisas ou objetos inanimados.

 

As principais lendas, crendices e superstições são:

 

Boitatá = pelo folclore, gênio que protege os campos contra os incêndios; ou, touro furioso que lança fogo pelas narinas e queima tudo. Facho de luz que surge espontaneamente sobre o banhado, fenômeno natural.

 

Lobisomem = homem que, segundo a crendice vulgar, se transforma em lobo e vagueia nas noites de sexta-feira pelas estradas, assustando as pessoas, até encontrar quem, ferindo-o, o desencante. É uma lenda.

 

Saci Pererê =  uma das mais populares entidades fantásticas do Brasil, negrinho de uma só perna, de cachimbo e com barrete vermelho, de poderes mágicos e que, consoante a crença popular, persegue os viajantes ou lhes arma ciladas pelo caminho. É lenda.

 

Mula-sem-cabeça = conforme a crendice popular, concubina de padre, que, metamorfoseada em mula, sai, certas noites, cumprindo o seu fadário, a correr desabaladamente, ao fúnebre tilintar de cadeias que arrasta, amedrontando os supersticiosos; mulher que namora padre vira mula-sem-cabeça.

 

Curupira = ente fantástico que, segundo a crendice popular, habita as matas e é um índio cujos pés apresentam o calcanhar para diante e os dedos para trás.

 

Caipora = ente fantástico e azarado. oriundo da mitologia tupi, representado, segundo as regiões, ou com a forma de uma mulher unípede que anda aos saltos, ou como uma criança de cabeça grandíssima, ou como um caboclinho encantado, ou como um homem agigantado, montado num porco-do-mato, ou com um pé só, redondo, seguido do cachorro papa-mel.

 

Iara = ente fantástico, espécie de sereia de rios e lagos. Criada pelo folclore brasileiro.

 

Fantasma = suposto reaparecimento de defunto ou de alma penada, em geral sob forma indefinida e evanescente, quer no seu antigo aspecto, quer usando atributos próprios, como sudário, cadeias, etc.; alma do outro mundo, aparição, assombração, assombramento, assombro, mal-assombrado, visagem; seres estranhos que aparecem às pessoas... São lendas, isto é, histórias criadas pela tradição popular, algumas absurdas ou ridículas.

 

Coisas que dão azar - gato preto, sexta-feira, número 13, passar por debaixo de uma escada, quebrar um espelho...

 

Atitudes para afastar o azar - figa, pé de coelho, ramo de arruda atrás da orelha, plantar espada de São Jorge ou jurema, bater na mesa 3 vezes com o dorso dos dedos dizendo "isola", defumação com incenso vendido pelos esotéricos...

 

Feitiços para causar o mal a alguém - feitiço feito com fitas amarradas; despacho de comidas deixado na esquina, ou no cemitério ou na barranca do rio; olho gordo; encosto; escrever o nome da pessoa num bilhetinho e colocar o bilhetinho na boca de um sapo seco ou sob a sola do sapato; espetar alfinetes na fotografia da pessoa; acender vela preta ou vermelha; amassar os nomes de um marido e esposa com pimenta malagueta para separar o casal; jogar terra de cemitério no quintal; galo preto; bruxaria...

 

Simpatias para atrair a sorte - entrar com o pé direito, benzer-se, pregar na porta da casa uma ferradura encontrada na estrada, trevo de quatro folhas, pirâmide, estátua de elefante colocada de modos a ser vista por trás, amuletos, estátua de buda, duende (boneco) no jardim, olho ou pele de lobo, panelinha da fartura...

 

Superstições de Passagem de ano - roupa branca, lentilha na ceia, pular as sete ondas, flores oferecidas à iemanjá...

 

Ler a sorte - há várias maneiras de se ler a sorte: ler a mão, como fazem as ciganas; cartas de tarô; numerologia; jogar búzios; consultar vidente ou espírita; fazer o mapa astral; adivinhar o futuro impondo as mãos numa bola de cristal...

 

Horóscopo - é certo que a lua, os planetas e os astros influenciam a vida das plantas e dos animais da Terra, podendo interferir até no clima (marés, chuva, geada, furacões, el niño). Porém, até hoje ninguém conseguiu provar a influência dos astros sobre o futuro da vida particular das pessoas, com base na data do nascimento. O horóscopo veiculado pelos jornais, pela rádio e pela televisão, não passa de uma espécie de auto-sugestão, na qual não há nada de científico.

 

Interpretar sonhos - os sonhos nada mais são do que criações da mente inconsciente, dado que o homem possui o consciente, o subconsciente e o inconsciente. É certo que Deus pode falar à pessoa através de sonhos; isso aparece na Bíblia. Porém, tudo depende da interpretação do sonho. Por exemplo, se um motorista sonha com um acidente, não significa que lhe vá acontecer um acidente; mas, se ele interpretar que o acidente lhe vai acontecer, o acidente pode acontecer pelo auto-condicionamento.

 

Fazer 30 cópias de uma oração e deixar na igreja - isso é uma devoção popular que a Igreja nunca aprovou e nem incentivou. São orações ao Espírito Santo, a São Judas, a Santa Edviges, a Santa Rita, a Santo Antônio e a outros santos. Em alguns folhetos há ameaças para quem quebrar a corrente. Rezar, é válido; porém, a Igreja nunca disse a alguém que deva fazer 30 cópias de uma oração e deixá-las nos fundos da Igreja, ou que devesse publicar a oração num jornal. Outra devoção popular sem nenhuma fundamentação é a das 13 almas benditas.

 

Acender velas - nenhum santo e nem Jesus Cristo nunca pediram a ninguém para acender velas; normalmente, são os benzedores que mandam acender velas. O que a Igreja adota é o uso da vela (Cristo-Luz) no Batismo, na Crisma, na 1ª Eucaristia, na procissão, na visita ao doente... E o que a Igreja desaprova é o acender maços inteiros de velas no cemitério ou no candeeiro; não seria mais sensato comprar algo para uma família carente do que queimar dezenas de velas?

 

Promessas - Há muito pagador de promessa caminhando por longos trajetos sob o peso da cruz. Há muita mãe que promete não cortar o cabelo do filho até os 7 anos de idade. Nos locais de peregrinação, muitos a andar ajoelhados. Promessas absurdas. Ainda há aqueles que batem na secretaria da paróquia e dizem: "Padre, me dê uma ajuda porque eu fiz a promessa de ir na Basílica de Aparecida!" Esclarecendo - a Igreja mantém apenas as promessas do Batismo; e explica que ninguém é obrigado a cumprir uma promessa errada.

 

O 3º Segredo de Fátima - circulam por aí centenas de textos xerocados que tentam descrever o 3º segredo de Fátima, predizendo três dias de trevas... Nisto não há nada de científico ou aprovado pela Igreja. O 1º segredo de Fátima foi o fim da I Guerra Mundial; o 2º, a conversão da Rússia; o 3º segredo, o atentado ao Papa João Paulo II na Praça da Basílica Vaticana, em 1981. Nos casos de aparições de Nossa Senhora a Igreja é muito prudente e lenta para declarar uma aparição como verdadeira.

 

Espiritismo e Fenômenos Paranormais - o espiritismo fala de incorporação de espírito, transe, curas, cirurgias invisíveis, mediunidade... É tudo invenção, charlatanismo e caso de polícia. Já a Parapsicologia explica cientificamente fenômenos como telepatia, premonições, casas mal-assombradas, colchões que pegam fogo, imagens que choram, pessoas que narram fatos do passado (psicografia não existe)... São fenômenos originados pelas vivências contidas no inconsciente da pessoa, onde estão arquivadas informações de até 8 gerações anteriores, se exteriorizando em algum fenômeno. A hipnose é científica, bem como a sugestão, a regressão da memória e o poder da mente.

 

Reencarnação - o homem se compõe de corpo (organismo), psiquismo (cinco sentidos aliados às faculdades mentais) e espírito (sobrenatural). Nasce uma vez, vive uma vez, morre uma vez e parte para a eternidade uma vez. Não há como admitir a volta do espírito a um outro corpo. E nenhum aleijado está pagando pecados de vidas pregressas.

 

Liberdade e destino - há os que acham injusto o sofrimento de pessoas de bem ou a morte prematura de um jovem. Dizem que foi o destino traçado por Deus. Estão errados. Deus dá a liberdade e a vontade a toda pessoa humana para ela mesma decidir o seu rumo na vida, ainda que haja escolhas que não dependam da pessoa porque são escolhas inerentes à natureza humana. A felicidade plena está reservada para o céu. Aqui na terra, antes de se revoltar com um filho que nasceu deficiente ou teve uma morte prematura, é aconselhável cair de joelhos e dizer o que Jesus ensinou: "Pai, seja feita a Vossa Vontade", e não a minha vontade. Admitir o destino é negar a liberdade humana.

 

 

Questões a responder:

Quais as crendices e superstições que existem na sua comunidade?

Você conhece alguma crendice ou superstição que não foi citada aqui?

Existem pessoas azaradas? Seria coincidência ou acaso?

 

 

 

LOURENÇO MIKA   -   Padre Vicentino, Curitiba.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:42
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FELIPE AQUINO - 10 ENSINAMENTOS DE SÃO LEÃO MAGNO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O santo de hoje mostrou-se digno de receber o título de “Magno”, que significa Grande, isto porque é considerado um dos maiores Papas da História da Igreja, grande no trabalho e na santidade.

 

 

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Ele nos deixou riquíssimos ensinamentos. Aproveitemos o dia de hoje, em que a Igreja celebra sua memória litúrgica, para conhecer alguns desses ensinamentos e meditá-los:

 

  1. “Ele se fez filho do homem para que pudéssemos ser filhos de Deus”.
  2. “Se somos o templo de Deus e o Espírito Santo habita em nós (1Cor 3,16), cada fiel guarda em sua alma mais do que tudo que se admira no firmamento”.
  3. “A verdadeira paz consiste em não se afastar da vontade de Deus e só se comprazer naquilo que Deus ama”.
  4. “Há muitos que, aferrados às suas ideias e mais prontos para ensinar do que para aprender o que ainda não compreenderam, naufragaram na fé (1Tm 1,19)”.
  5. “Que não vos detenham as coisas deste mundo, pois os bens do céu vos esperam”.

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Leia tambémCarta de São Leão

Qual foi o primeiro Papa a ser chamado “Magno”?

10/11 – São Leão Magno

 

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  1. “A prática da sabedoria cristã não consiste em profusão de palavras, nem em sutileza de raciocínios ou na ambição dos louvores e glória, mas na humildade sincera e voluntária que o Senhor Jesus Cristo, desde o seio de sua mãe até o suplício da cruz, escolheu e apontou como a plenitude da força (Mt 18,1-4)”.
  2. “Cristo ama a infância que ele assumiu de início em sua alma como em seu corpo. Cristo ama a infância, mestra da humildade, norma de inocência, modelo de mansidão”.
  3. “São grandes os méritos e a eficácia das esmolas. Sem dúvida, beneficiamos a nossa própria alma cada vez que socorremos por misericórdia a indigência alheia”.
  4. “Deposita no céu o seu tesouro quem alimenta a Cristo no pobre”.
  5. “Não seja um homem desprezível a seu semelhante, nem se menospreze aquela natureza que o Criador de todas as coisas fez sua”.

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:28
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PAULO R. LABEGALINI - O TERÇO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A oração diária do Santo Rosário é um dos cinco pedidos que Nossa Senhora nos faz em suas mensagens de Mediugórie para a salvação do mundo. Não devemos nos esquecer que o Terço tem sido - e sempre será - uma “poderosa arma” do cristão contra as forças do mal aqui na terra.

 

Quanto podemos aprender com Maria!

 

1.   Muitos, nos sofrimentos e provações, se revoltam contra Deus e até O abandonam, afastando-se Dele e da Sua Igreja. Se seguissem o exemplo da Mãe celeste - na aceitação da vontade de Deus em sua vida -, teriam a certeza de que o Senhor nos ama e de que através do sofrimento podemos crescer na fé, pois, de todo mal aparente, Deus tira um bem maior.

2.   Ao oitavo dia do nascimento de Jesus, Maria O leva para ser circuncidado e, após se completarem os dias de purificação, como todo primogênito de Israel, se dirige ao Templo para consagrá-Lo ao Senhor. Assim, Maria nos ensina que a primeira preocupação e atitude dos pais deve ser a de iniciar os filhos na fé, através do Sacramento do Batismo.

3.   São Lucas nos relata, na visita dos pastores a Jesus recém-nascido, que, eufóricos, revelam a José e a Maria tudo o que ouviram dos anjos, e adoram o Menino-Deus. O texto diz que “Maria meditava estas palavras em seu coração”. Certamente, a Virgem Maria compreendeu que Deus lhe falava através daqueles simples pastores que seu filho era o Salvador esperado por Israel. E, mais uma vez, nossa Mãe Santíssima vem nos ensinar a refletir em todos os fatos e acontecimentos de nossa vida. Isso é preciso, porque Deus nos fala através de fatos e de pessoas para que, com a simplicidade e a humildade de Maria, possamos ter o coração alimentado em nossa caminhada rumo à Casa do Pai.

4.   Se olhamos para Jesus e imaginamos o Seu sofrimento e a Sua agonia na Cruz, podemos também olhar para Maria e tentar imaginar a dor que sentiu naqueles momentos. Mas, diante dessa cena, a postura de Maria muito nos ensina. Diz São João que ela “estava de pé” junto à Cruz e isso significa que, mesmo na maior dor, ela não estava em desespero, em revolta. Mais uma vez, estava entregue nas mãos de Deus, aceitando Sua vontade até finalmente ouvir:Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito”.

 

Vamos, portanto, neste tempo de tantas injustiças com os filhos de Deus, olhar para Maria e examinar a nossa postura diante do sofrimento e das tribulações. Se ela nos pede que rezemos o Santo Terço diariamente, ainda muito pouco se compararmos com as bênçãos que todos os dias recebemos em nossas vidas, vamos logo atender a este pedido da Mãe com o nosso generoso “sim”.

Como diz Roberto Carlos na sua composição ‘O Terço’: Com o Terço na mão peço a vós, minha Virgem Maria: minha prece levai a Jesus, Santa Mãe que nos guia . . .”.

Sou apaixonado por ela!

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 14:19
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Havia, nos anos da minha juventude, slogan muito em voga, que sintetizava a conduta do Estado e do cidadão. Era: “ Deus, Pátria e Família

Em primeiro lugar estava Deus. Todos devíamos seguir os Mandamentos, a doutrina ensinada na Bíblia – manual de conduta, por excelência, da vida do cristão. Todos aprendiam, na escola e na catequese, as normas ensinadas por Jesus. Por sua vez, os pais, não descuravam de incutir, nas crianças, as obrigações morais e cívicas.

Nesse tempo – quiçá por isso, – havia mais paz na via pública, mais respeito e mais ordem.

Depois, vinha a Pátria: que era sagrada. Era dever de todos – sem exceção, – defende-la. Cumpria-se o serviço militar obrigatório, para se saber manobrar armas e conhecer técnicas de defesa e ataque.

Havia, nessa época, orgulho em ser cidadão do país onde se nasceu, sem odiar as outras nações; porque: assim manda o Senhor: Somos todos irmãos; filhos do mesmo Pai.

Por último, vinha a Família: união sagrada de homem e mulher, ligados por laços de amor.

A Pátria era o conjunto das famílias; e a Família, a pequena Pátria.

Os irmãos deviam (tinham obrigação,) – assim se ensinava, – de auxiliarem-se mutuamente.

Ao filho mais velho ou o que teve mais sorte e oportunidade, cabia-lhe a obrigação moral, de proteger os irmãos mais débeis e menos afortunados.

Os mais generosos, chegavam a pagar estudos superiores ou procuravam ocupações dignas. As nossas aldeias encontram-se enxameadas de exemplos desses.

Havia até quem protegesse a parentela mais próxima. Não queriam, que, quem usasse, o mesmo apelido, tivesse necessidade…

Assim se criou a sociedade, que longe de ser perfeita, permitia circular pela via pública, sem se correr o risco de se ser espoliado: de bens, até da vida.

Contribuía, também, para a segurança: policiamento eficaz, mesmo de madrugada…

A coletividade, que se formou com esses valores, não era perfeita: havia injustiça, havia pobreza, havia exploração do mais fraco; mas havia, igualmente: caridade, e sobretudo, misericórdia.

 Será esta – que agora existe, – melhor?

Creio bem que não. Muito pelo contrário.

É gritante a injustiça social: porque se perdeu o temor a Deus, o respeito pelo idoso, e pela vida humana

E, como não se respeita os Mandamentos divinos, ninguém está seguro:

Não está segura a criança, na escola.

Não está segura a família, no lar.

Não está seguro o professor, na sala de aula.

Não está seguro o cidadão, na via pública.

Não está seguro a mercadoria do comerciante; nem a honra da moça, no emprego.

Não está segura a própria polícia; nem sequer Deus, no Seu templo e Seus santos…

Ninguém se sente seguro: porque expulsaram Deus da: Escola, da Empresa, da Repartição Publica, do Hospital, do Parlamento, do Estado.

E se O expulsaram, Ele, apesar de ser Amor, abandonou-nos…

O Homem ficou órfão, e busca, afadigadamente, qualquer coisa que seja sucedâneo de Deus. Até quando?

Assim vai a nossa civilização.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:34
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JORGE VICENTE - SOPRA O VENTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça

 

 

 

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JANTAR DOS CONJURADOS

 

 

 

 

 

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(Recorte do jornal portuense:  " A ORDEM"  de 16 de Novembro de 2017)

 

 

 

 

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PALESTRA SOBRE ANGOLA

 

 

 

 

Dia 18Nov (Sábado) pelas 20H30
Jantar do RC CARNAXIDE
 
no Restaurante MULEMBA X'ANGOLA ( no Largo José Afonso nº42, em Olival Basto - mesmo depois do final da Calçada de Carriche, na saída de Lisboa para a A8).
 
Palestra pelo Prof Doutor Alberto Oliveira Pinto, subordinada ao tema "Um olhar sobre a História de Angola, até à independência".
 
Poesia sobre Angola.
 
Jantar só com "moambada".
 
Teremos a presença do Exmº Sr. Dr. Luandino Carvalho - Adido Cultural da Embaixada de Angola, em Portugal.
 
Preço = 20€ (vinte Euro)
Inscrições: franciscoqueiroz.emrotary@gmail.com
Esclarecimentos:
+351967026038
 
Saudações Rotárias
 
 
 
 
 

 

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Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

Horário das missas na Diocese do Porto( Portugal):

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 10:59
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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2017
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - AINDA A INTOLERÂNCIA PREVALECE EM NOSSOS DIAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estamos verificando muitos casos de ódio entre pessoas de raças, crenças e países diferentes. Por outro lado,  postagens em redes sociais demonstram que há muito intolerância no Brasil e em todo o mundo, orrendo manifestações discriminatórias até contra regiões específicas brasileiras. Realmente, tal descontrole em relação a falta de respeito com os outros revela  incapacidade de milhares de pessoas em conviver com o diferente e aceitar a opinião e a liberdade de expressão de terceiros. Infelizmente, são constantes e até diárias acontecimentos dessa natureza, provocando milhares de vítimas de uma violência injustificada. O conceito de civilidade é sempre colocado à prova quando o assunto é o acatamento à diversidade, a defesa dos direitos de minorias sociais e culturais, a atenção devida a idosos, crianças e deficientes físicos.

Sempre que os cidadãos são motivados a se manifestar ou agir em situações diferenciadas, deixam transparecer o grau de deferência e cultura de civilidade, atestando o seu nível de evolução social. E assim, continuamos a verificar que o preconceito ainda domina, gerando insegurança jurídica, agressões abusivas e um clima de prepotência e superioridade absurdo, que só encontra embasamento na ignorância humana e reduzem sensivelmente nossos índices de boa convivência.

E nesse mês debatemos mais a questão pois o Dia Internacional para a Tolerância,  foi instituído pela Organização das Nações Unidas a dezesseis de novembro de cada ano em reconhecimento à Declaração de Paris, assinada no dia 12 deste mês, em 1995, tendo 185 países como signatários e que criou a UNESCO, incentivando a  condescendência para a harmonia entre os povos.

Mais do que nunca, é preciso combater veementemente quaisquer formas de discriminação e exclusão social, constituindo-se tal premissa num compromisso não só do governo, mas de toda a população em geral.

Está mais do que na hora de entendermos que todos são iguais perante a lei e na concepção divina, todos são irmãos, independentemente de opção sexual, cor da pele, status social, crença religiosa, naturalidade e outros aspectos, merecedores de idêntico respeito e consideração.

 

 

DIA MUNDIAL DA CIÊNCIA PELA

PAZ E PELO DESENVOLVIMENTO

 

 

Estabelecido em 2001 e celebrado no Brasil desde o ano 2005, o “Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento” é comemorado todo dia 10 de novembro, sexta-feira passada. Essa data representa uma oportunidade para que se reflita sobre a função que a ciência desempenha na construção de um mundo melhor e nela pretende-se reiterar o compromisso da UNESCO em: • fortalecer a consciência pública do papel da ciência na promoção de sociedades sustentáveis e pacíficas; • promover o intercâmbio nacional e internacional do conhecimento científico; • renovar o compromisso nacional e internacional no uso da ciência em prol da sociedade e • enfatizar os desafios enfrentados pela ciência e fomentar o apoio à promoção do desenvolvimento científico.

 

                  PARA NÃO SENTIR TÉDIO...

 

 

Não sente tédio quem ama a verdade. Quem gosta de estudar, de ler, de conhecer, de descobrir novos horizontes. Quem sabe admirar as maravilhas da natureza e da arte. Quem tem um pouco de poesia para descobrir o encanto das pequenas coisas da vida. Quem sabe superar o próprio egoísmo para abrir ao amor de Deus e dos homens. Não sente tédio, enfim, quem possui um ideal de vida.

          

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

 



publicado por Luso-brasileiro às 15:36
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - TRÊS PERGUNTAS SOBRE A HISTÓRIA DOS EXCLUIDOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

        Participei, tempos atrás, de um fórum de historiadores no qual nos foi proposto que respondêssemos, por escrito, a três perguntas sobre a chamada “História dos Excluídos”: 1) Pode-se realmente falar na existência de uma “história dos excluídos”?  2) Quem são os excluídos na era moderna? 3) Como resgatar sua história?

           Transcrevo a seguir as respostas que dei a cada uma delas:

          1) Sim, pode-se falar na existência de uma história dos excluídos. Se entendermos por essa designação todos aqueles cujos feitos não são ou não foram registrados pela historiografia; eles também fazem história, embora de modo menos espetacular, menos visível, mas nem por isso de pouca importância.

          2) Depende do que se entende por “era moderna”. Se por “era moderna” entendermos a Idade Moderna (ou seja, o período que se estendeu desde o fim da Idade Média até a Revolução Francesa), excluídos eram os plebeus, os artesãos, os camponeses, o baixo clero e a pequena burguesia.  Já a grande burguesia, embora não dispondo ainda de representação política, não poderia, na verdade, ser incluída no rol dos excluídos. Se por “era moderna” entendermos os tempos atuais, eu diria que excluídos são todos aqueles que, de alguma forma, ficam à margem da sociedade de consumo moderna, ou por falta de dinheiro, ou por falta de representatividade, ou por falta de comunicação, ou de voz ou de vez. Eu somente ressalvaria que muita gente esperta, por oportunismo ou malandragem, quer passar por “excluída” e, assim, gozar das benesses e privilégios que tal condição hoje em dia proporciona...

         3) Um caminho é o utilizado por Carlo Ginzburg, no livro “O queijo e os vermes”, publicado em 1976; sua metodologia foi a de pegar as atas do processo inquisitorial do moleiro Menocchio, desconstruir o seu discurso e, por via de representação, tentar reformulá-lo e, assim, descrever minuciosamente a sociedade em que se passou o episódio. Ginsburg produziu um livro clássico, verdadeiro modelo no seu gênero, mas que sofreu fortes críticas de ter-se deixado levar pela imaginação além do devido, e por ter generalizado muito sua interpretação, a partir de um único caso.

          O resgate da história dos excluídos enfrenta, como Ginsburg enfrentou, duas dificuldades. A primeira é que não existem, normalmente, documentos escritos provenientes dos próprios excluídos. Os documentos existentes são os conservados pelos “incluídos”, presumivelmente suspeitos de parcialidade. A segunda é que, utilizando-se esses documentos suspeitos, há que desconstruí-los, pelo caminho das chamadas representações, reinterpretando-os - e esse é um processo extremamente perigoso, pois facilmente incorremos no pecado mortal do historiador, que é o anacronismo. Facilmente somos levados a atribuir a pessoas de outros tempos nossos pressupostos e a mentalidade de nossos dias.

           Vou dar um exemplo. Se eu quiser escrever sobre a casta dos párias, na Índia, na ótica que imagino ser a de um pária, eu direi que é um infeliz, uma pessoa ferida em seus mais elementares direitos etc. etc. Estarei, assim, descrevendo o que eu, Armando Alexandre dos Santos, sentiria se um dia adormecesse em Piracicaba, no meu apartamento, e por uma misteriosa metamorfose kafkiana acordasse pária no interior da Índia...

          Estarei sendo correto nessa interpretação? Não necessariamente. Confesso que foi enorme a minha surpresa quando conversei, há cerca de dez anos, com uma amiga que foi passar uma temporada na Índia. É uma mulher inteligente, muito esclarecida, é professora universitária e já foi Secretária da Educação em seu estado natal. Para minha surpresa, ela me contou que, na Índia, fez questão de conversar com pessoas de todas as castas e pôde certificar-se de que, por mais espantoso que isso nos pareça, os párias de lá não são infelizes, nem revoltados. Simplesmente, eles são párias, porque nasceram párias e acham isso natural. Não invejam os não-párias, nem sequer se comparam com eles. Como entender isso, com a nossa cabeça? Confesso que não entendo, mas é assim.

          Ao reconstruirmos o mundo dos excluídos do passado, é preciso tomar muito cuidado para não projetarmos artificialmente, para a cabeça deles, reivindicações, anseios e perplexidades próprios do nosso tempo. O risco de cometer tal erro é muito grande.

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História



publicado por Luso-brasileiro às 15:33
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - DESPERTADOR ANIMAL

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Aqui na rua de casa há vários moradores caninos e felinos. A propósito, embora moremos em uma rua de um único quarteirão, a mesma é bem eclética quanto aos moradores. Temos o escritório executivo de um famoso confeiteiro, de onde há um entra e sai de pessoas vestidas como chefes de cozinha e várias bandejas carregadas de doces, eis que a escola dele fica na rua do lado, a pouco menos de 100 metros de distância.

            Temos ainda uma agência de publicidade e é bem fácil identificar quem trabalha lá, pois são todos jovens descolados, com aquela aparência de publicitários de filmes ou de séries de televisão. Mas nem só de glamour vive a nossa rua, eis que há também uma clínica que acredito seja de uma psicóloga ou terapeuta, eis que sempre há pessoas com lágrimas nos olhos ou retorcendo as mãos de forma nervosa, esperando que a profissional chegue para atendê-los.

            Quando nos mudamos para cá, há mais de nove anos, a rua era marcadamente residência de idosos. De fato alguns ainda estão por aqui, mas outros tantos ou se mudaram ou deixaram realmente esse plano. Alguns fazem falta, enquanto outros, honestamente, nem um pouco. Temos também várias crianças, meninos e meninas que, em dias mais tranquilos, brincam no meio da rua de bola ou de pega-pega.

            Toda diversidade, acredito, é representada aqui. Temos casais de todas as conformações, bem como aqueles que se tornaram casais depois de morarem vizinhos e até quem tenha deixado de sê-lo depois de muitos anos. A despeito da doida mistura que somos, grosso modo nos damos bem. Sempre há, é claro, aquele vizinho com o qual temos mais afinidade e um ou outro que não apreciamos tanto, mas, no momento, o saldo é positivo.

            Uma coisa, registre-se, nesses anos todos, nunca deixou de ser uma constante nessa nossa ruazinha: os habitantes de quatro patas. É fato que muitos morreram nesse tempo, mas outros tantos chegaram, enchendo de alegria e de barulho a vizinhança. Aqui em casa mesmo, quando nos mudamos, éramos dois humanos e dois cães. No presente somos dois humanos, um cão e três gatas (intrometidos dirão que há também pássaros e peixes, mas isso é outra história, rs).

            Há nove anos tínhamos o Trovão, um imenso cão branco, que ficava na janela que dava para rua e que, assim que nascia o sol dava um latido tão forte que me fazia pensar em trovões. Muitos anos depois, quando ele já estava doente e em seus derradeiros meses, descobri que se chamava Rogério. Seja como for, Rogério/Trovão me acordou cedo, mesmo em domingos e feriados, por bons anos.

            Em um determinado momento, nosso cachorro Floquinho (que Deus o tenha), um poodle cinza, começou um estranho ritual, dirigindo-se toda santa madrugada ao quintal e, posicionado embaixo da janela do nosso quarto, punha-se a choramingar baixinho. Se adotássemos a estratégia de ignorar, a coisa ia aumentando de volume e para evitar problemas com os vizinhos, ou descíamos para dar uma bronca e força-lo a voltar a dormir, ou acabávamos levantando e iniciando o dia muito mais cedo do que seria normal.

            Quando adotamos a primeira de nossas gatas descobrimos que os gatos possuem um costume muito chato de acordar seus donos nos primeiros raios do dia. Não sei se com todos é assim, mas notamos que o comportamento se repete sempre que são bebês e segue assim até perto de fazerem um ano. São longos meses nos quais andamos por aí com caras de zumbis, cochilando sempre que surge uma oportunidade. Depois, por Deus, isso passa.

            Há coisa de um mês uma vizinha de muro adotou um filhote de cachorro. Vira-latas, meio cruza de Basset e sei lá o que, a criaturinha é muito fofa, parecida com um cachorro de desenho animado. O grande problema é que, mesmo não sendo eu a terapeuta do quarteirão, já pude identificar que ele sofre de algum trauma de separação, pois não suporta que suas donas, uma mãe e suas filhas crianças, saiam de casa. Isso porque ele não fica sozinho, eis que veio exatamente para ser companhia para outra cachorra.

            Inegavelmente o bicho tem bons pulmões. Assim que a mulherada saí ele desata um choro sofrido, chegando a quase soluçar. O problema é que faz isso diariamente às 7 da manhã. Para quem dorme depois da uma, esse horário é considerado madrugada. A coisa todos não dura mais do que alguns minutos, mas é o suficiente para acabar com meu sono, interrompido antes do horário programado.

            Quero crer que o tempo faça como que ele aceite melhor o fato de que todos os dias haverá momentos de quase solidão. Enquanto isso não acontece, estou eu aqui, debruçada sobre as teclas do computador, sem conseguir pensar em outra coisa senão um bom cochilo.

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada na Silva Nunes Advogados Associados, professora universitária, membro da Academia Linense de Letras e cronista.       São Paulo.  -  cinthyanvs@gmail.com

 



publicado por Luso-brasileiro às 15:23
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - IDEOLOGIA DE GÊNERO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A ideologia de gênero nega a biologia e aniquila a imagem de Deus Criador, como repete o Papa Francisco. Uma definição clara é a do Dr. Christian Schnake, médico chileno, especialista em Bioética: “A ideologia de gênero é um tentativa de afirmar para todas as pessoas que não existe uma identidade biológica em relação à sexualidade. Quer dizer que o sujeito quando nasce não é homem nem mulher, não possui um sexo masculino ou feminino definido, pois, segundo os ideólogos de gênero, isto é uma construção social”.
Robert Stoller, psiquiatra e psicanalista norte-americano, defendeu a substituição do termo sexo por gênero, justificando que o termo sexo masculino e feminino constituía uma séria problemática para a identidade sexual do indivíduo. E a ONU, desde a conferência de Pequim (1995), vem empregando o termo “gênero” como substitutivo de “sexo” em muitos textos oficiais.
As “feministas de gênero” insistem na desconstrução dos papéis socialmente construídos, devido ao machismo. Sem dúvida, o machismo é um mal, contudo não será vencido na proposta de uma geração que renegue a sua própria natureza, pensando-se criadora de si mesma.Homens e mulheres são iguais e complementares. A natureza humana não é redutível. O marxismo, o existencialismo ateu, as filosofias da “desconstrução” são fortes aliados históricos da ideologia de gênero. E os pais, portanto, que creem na importância da fé e na família humana projetada pelo Criador, não permitam, na escola, a imposição dessa ideologia aos seus filhos.
O fato de ser contra a ideologia de gênero, contudo, não é ignorância dos fatores sociais e culturais no amadurecimento dos nossos jovens. Também não pressupõe o preconceito contra homossexuais e transgêneros. O preconceito é uma negação de Deus Misericórdia, como também todos os tipos de discriminação, que tenham como consequência expressões malévolas, violência e o ódio contra as pessoas quaisquer que sejam suas origens e situações de vida. Está impressa, em cada ser humano, a imagem do Divino Criador, que lhe dá a dignidade de ser respeitado, acolhido e amado. Todos são igualmente filhos de Deus e Jesus rompeu com os enquadramentos, anunciando a boa notícia do Amor do Pai para com todos, que faz chover sobre justos e injustos e deseja para seus filhos uma plena realização da sua verdade e dignidade.
 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 15:19
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