PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 20 de Janeiro de 2018
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - VELHOS PROBLEMAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Embora a gente viva acreditando que ao virar o ano as coisas possam mudar, a verdade é que nem de longe isso acontece como gostaríamos. O que nos move, no fundo, é a esperança de que novos ciclos comecem e que antigos se fechem. Já escrevi sobre isso várias vezes, inclusive. Fico até pensando que fiz isso de forma inconsciente, talvez pensando em caixa alta e tentando me convencer disso.

            O fato é que 2018 já gastou metade de seu primeiro mês e muito do que vejo por aí são os mesmos velhos problemas. Os pobres continuam pobres e os ricos continuam ricos. A classe média, como sempre, vive se espremendo para sobreviver, tarefa cada dia mais inglória. Passadas as festas de fim de ano, passou também o alívio de se ter superado mais uma etapa, bem como aquela sensação de que os problemas estavam pausados, meio suspensos pela animação e pela fé em dias melhores.

            Acabou o gás de cozinha e a alegria de encontrar um mero botijão beirando os cem reais é algo indescritível. A esperança de que a compra semanal sairia mais barata agora que não inclui nada para a ceia ou mimos para os amigos e família vai por água abaixo tão logo a moça do caixa pergunta se vou pagar com débito ou crédito, pois minha vontade é de perguntar se aceitam financiamento ou mesmo um pouco de sangue.

            Aqui em São Paulo o ano já começou quente: greve de metroviários e a passagem que aumentou. Inconformadas, as pessoas foram para as ruas, manifestando seu desgosto com mais uma perda em suas economias. A polícia, por dever, é chamada para acompanhar a ocorrência, mas estou certa de que, tão desgostosa quanto o restante da população, passaria para lado dos manifestantes sem pestanejar, caso pudesse. Claro, por óbvio, que me refiro ao legítimo direito de insurgência e não aos eventuais baderneiros oportunistas.

            Infelizmente, cá estamos nós de novo defronte àquilo que já nos incomodava em 2017 e nos anos anteriores e mais uma vez eu me questiono sobre o que é preciso fazer para que algo realmente mude para melhor. Sobretudo em ano de eleições, acredito que a grande maioria dos brasileiros se encontre preocupada com o destino que espera nosso país já tão assolado por falcatruas e bandidos de colarinho encardido de tão sujo.

            A verdade é que a população brasileira está no limite de sua paciência, já tendo praticamente esgotado sua inocência. Tanto vagabundo nos enganando, surrupiando dinheiro público para compra de mansões, para estudar filhos no exterior, para enriquecer a parentalha, que é quase impossível acreditar em alguém. Eu já não boto minha mão no fogo por mais ninguém. Cansei de perder a pele. Agora só acredito vendo e olhe lá. Em terra de política, quem vê cara e promessa, só vê isso mesmo.

            Enquanto uns enchem a burra de dinheiro alheio, outros vivem pelas ruas, sem nada, nem mesmo esperança. Assistência social parece nem existir. As pessoas vão perdendo a nitidez e se tornando mais invisíveis na medida em que deixam de ser pagadoras de impostos. Viram estorvo, nada mais. E lá vamos nós, de novo, discutir auxílio moradia de funcionários públicos... Tudo velho de novo. Mas tá tudo certo, porque logo vem o Carnaval. Isso é Brasil!

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA -Advogada,professora universitária, membro da Academia Linense de Letras e escritora.  São Paulo-



publicado por Luso-brasileiro às 17:12
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS COM BULLYING

 

 

 

 

 

 

 

 

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As vivências com bullying são dolorosas para as vítimas e, sem dúvida, deformam o caráter de quem o pratica com intenção de ferir.
Coloquei no meu Facebook a angustiante notícia do suicídio, após sofrer bullying na internet, da garota australiana Dolly, com 14 anos, no início de janeiro. Era ela ícone de uma famosa marca de chapéu, Akubra. 
Quero destacar dois comentários após minha postagem, o do músico Matheus Fachini e o da publicitária Fernanda dias. Fachini escreve: “É preciso voltar a criar pessoas com personalidade própria, que não ligam para o que os outros dizem. Mais bullying que sofri no SESI e hoje sou amigo dos trolls que enchiam. E acredite, ninguém se matou”. Fernanda reflete sobre não ser um fato isolado e a tristeza da situação. Diz ela: “É claro que o bullying é inaceitável e deve ser combatido, mas será que não estamos criando pessoas frágeis demais? Colocando os filhos numa redoma e, ao achar que os estamos protegendo do mundo, estamos na verdade impedindo que eles se fortaleçam? Pior que numa redoma, parece que as pessoas de hoje estão numa vitrine, se alimentando da aprovação alheia, dos likes em redes sociais. (...) Outro dia, conversando com uma sobrinha em torno dos 20 anos, ela comentou que ‘entre os universitários da geração dela, o índice de suicídio é alto porque eles sofrem muita pressão’. Já eu acho o que o índice de suicídio é alto porque temos uma geração absolutamente despreparada para ouvir não, para se frutar, para errar, cair e levantar. (...) Normalmente, é claro que devemos combater o bullying, mas até chegarmos a esse ponto utópico, o melhor que temos a fazer é tentar criar crianças mais fortes, com um pouco mais de anticorpos emocionais”.
Essencial a reflexão sobre os comentários de Matheus e Fernanda. Li e reli e faço questão de partilhar com meus leitores.
Bem isso: criar pessoas com personalidade própria, fora de redomas e vitrinas, fortalecidas para cair e se levantar e com “um pouco mais de anticorpos emocionais”.

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



publicado por Luso-brasileiro às 17:09
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - CRER OU NÃO CRER - EIS A QUESTÃO !

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Crer/ é refinar/ o ceticismo/ Toda lâmpada revela/ um novo abismo/ À luz dela/ luz vem atrás/ Luz basta à mente/ para luzes mais/ Desse oco à beira/ cujo medo apraz/ pela vida inteira/ recende paz/ Mas/ paz é luz de vela/ que ascende e deflagra/ para morrer à luz/ de maior estrela/ que também se apaga”.

Já fui muito crente.

Hoje tenho fé de que não mais volte a ser.

Esclarece-me o facho de fanatismos à volta.

Assim descrente, luzem tempos memoráveis em que não era necessário o apego a nomenclaturas que nos erguessem o nariz diante de outros narizes. Preferíamos os narizinhos nivelados pra cheirar o lanche do outro antes de pedir um teco.

Queríamos cochichar nenhuma improbidade nos ouvidinhos perfilados.

Àquela altura da vida e de tocos de gente, não nos cobravam posturas a não ser, no meu caso de menina, que mantivesse “as perninhas fechadas ao sentar”; “a boquinha fechada ao mastigar”; os “cabelinhos penteados ao sair”. Simplicidades tais e quais.

É verdade que era um porre ter que cumpri-las, haja vista tudo distrair-nos já que tudo – absolutamente tudo! – nos encantava e, portanto, urgia!

Tudo que não fosse encantamento nos aborrecia. Obrigações tipo comer, estudar, dormir.

E inconscientemente: crescer. Crescer era aborrecível na medida do dia a dia sem que disso nos déssemos conta, pois, não contávamos.

Contávamos, ao contrário, com alguma magia, uma providência que providenciasse, portanto, nossa permanência exatamente ali onde estávamos, exatamente ali como éramos.

Confiávamos, imagino, em algum congelamento. Algo assim.

Ou não. Vai ver não confiávamos nem nisso nem naquilo.

Não desconfiávamos – isso sim.

E por que razão desconfiaríamos, se o mundo era a extensão do supostamente jamais cansado colo materno, cuja idade macularia; da supostamente inabalável sombra paterna que os anos cuidariam de envergar; dos deliciosos perrengues com os irmãos que com perrengues outros viriam conflitar; dos ingênuos primeiros amoricos que durariam toda vida não fosse a vida “a vida como ela é”; das supostamente eternas amizades que uma mudança de bairro ou rua, que uma mudança de colégio ou trabalho tornariam lembrança?

Por que, enfim, desconfiaríamos?

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 17:04
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PÉRICLES CAPANEMA - BOFF: SÉRGIO MORO É PAU- MANDADO

 

 

 

 

 

 

 

 

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O Brasil assite atônito à inusitada tentativa de acovardar o Judiciário. Fervilham as redes sociais. Os morubixabas e corifeus da esquerda berram a todos os ventos enodoando os juízes. O manifesto “Eleição sem Lula é fraude” é disso claro exemplo.

 

Dou outros exemplos. Tuíte do ex-frei Leonardo Boff: “Não há nenhuma escritura que mostra Lula ser dono do tríplex de Guarujá. Nunca morou lá. Nunca dormiu lá. É condenado por ilações. Moro peca contra a virtude principal de todo juiz: a imparcialidade. Ele só persegue e quer acabar com ele. As ordens vem de cima. Ele é pau mandado”.

 

O velho demagogo começa assim o ataque boçal: “Não há nenhuma escritura”. Bem, escritura sem registro não garante a propriedade perante terceiros. A propriedade se prova pela matrícula (registro). Boff tem o vezo de escrever taxativamente do que não entende e sempre em mau português. Aqui repete o costume. Põe de lado um expediente antigo de malandros brasileiros: o laranja. Umas das possibilidades, o tríplex da propina (é o que dizem o chefe da OAS e outros) poderia até ficar em mãos de laranjas, nunca seria formalmente de Lula, mas o processo foi truncado.

 

Desce mais: “Nunca morou lá”. Existem milhares de donos de apartamentos que nunca moraram nos imóveis. “Nunca dormiu lá”. Dormir num imóvel é prova de propriedade? “É condenado por ilações. Moro só persegue [a ele]”. Mentira alvar. O magistrado condenou políticos de outros partidos, doleiros, empresários. O inescrupuloso demagogo não se detém diante da mentira descarada. As ordens vem [sic!] de cima. De fato, o português do enfurecido aldabrão tem o mesmo nível da argumentação, vale nada. Ele tem alguma prova, ou o mais leve indício, de que Sérgio Moro recebe ordens de pessoas bem situadas? É calúnia [imputação falsa de fato definido como crime]. “Ele é pau mandado”. A objurgatória suprime a decência do magistrado, reduzido a condição infame de pau-mandado. No caso, Leonardo Boff condena arrogantemente Sérgio Moro ao pelourinho da opinião pública com base em ilações delirantes. Ele pode caluniar por ilação.

 

A lógica impõe, as acusações valerão para os três desembargadores que julgarão o recurso em 24 de janeiro próximo, caso decidam, com base nos autos, pela condenação de Lula.

 

Falei em campanha de intimidação. Outro tuíte na mesma direção, agora de Emir Sader, professor aposentado da USP (é o nível a que despencou parte da intelectualidade): “Sim, Moro, o Lula tem 9 dedos (nine, como vc gosta de falar, no seu idioma preferido). Mas tem caráter integral [quis dizer íntegro, provavelmente], ao contrário de vc, juizeco a serviço da elite corrupta do Brasil”.

 

Pelas redes, João Pedro Stédile, líder do MST, divulgou vídeo amedrontante. Falando no plural, citou como determinação conjunta de 88 partidos e movimentos populares irem a Portuo Alegre de 22 a 24 de janeiro para deixar claro ao Poder Judiciário que “eleição sem Lula é fraude e [que] impediremos qualquer retrocesso democrático [quis dizer antidemocrático]”. O aqui soturno “impediremos” abre a porta para todo tipo de conjeturas sinistras.

 

São exemplos de lideranças atiçando nas bases o ódio contra o Judicário. Ou cede ou haverá consequências graves. Estamos diante de apocalíptico movimento de aterrorização do Poder Judiciário, nunca havido no País. Parece claro, seus mentores têm esperança de êxito, ainda que parcial. E também é claro, os juízes estão pensando no que poderão sofrer não apenas eles, mas os filhos, esposas, pais, parentes, amigos. Não será a primeira vez, é o que sucede ao lado, na Venezuela, aconteceu em Cuba, existe na China e na Coreia, onde governam irmãos ideológicos do PT. Roberto Veloso, presidente da AJUFE ▬ Associação dos Juízes Federais do Brasil ▬-manifestou temor generalizado na classe quanto à segurança pessoal e quanto à segurança dos prédios públicos: “As ameaças estão sendo públicas, não estão sendo veladas. Temos assistidos a vídeos com ameaças públicas”.

 

A esperança do PT e da frente totalitária em que se integra é, repito, pela intimidação acovardar o Judiciário. Conseguirão? Da resposta a esta questão pode depender o futuro do Brasil. Acarneirado, com a maioria do povo padecendo exclusão e preconceito ou altivo e independente.

 

Lembro a altanaria tranquila do Judiciário, mesmo nos tempos do absolutismo real. Anos atrás escrevi artigo, “A escabrosa desapropriação da Fazenda Limeira”, do qual pinço: “No século 18, um simples moleiro, diante da pressão de Frederico da Prússia, rei absoluto e grande guerreiro, de expropriar sua propriedade para ali fazer uma extensão do jardim do palácio de ‘Sans Souci’, negou argumentando que naquela terra seu pai havia falecido e seus filhos haveriam de nascer. O monarca absoluto insistiu, afirmando que poderia lhe tomar a propriedade. O moleiro respondeu tranquilo com palavras singelas, cujos ecos todos os séculos recolhem emocionados: ‘Ainda existem juízes em Berlim’. O rei desistiu, o moinho ficou no meio dos jardins, atestando o império da lei”. Para que a lei impere, indispensável juízes imparciais, refratários a qualquer tipo de pressão, mesmo as mais violentas. Esperemos que, passada a presente tormenta das pressões do tipo KGB ou Gestapo, possamos constatar o caminho da liberdade ainda aberto. Rezemos.

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA   -    é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas".



publicado por Luso-brasileiro às 17:00
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FELIPE AQUINO - COMO VOCÊ CORRIGE AS PESSOAS ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É um dever e uma necessidade corrigir aqueles que amamos, mas isso precisa ser feito de maneira correta!

 

Como você corrige seu filho, seu esposo, sua esposa, seu empregado, seu colega, seu subordinado de modo geral?

É um dever e uma necessidade corrigir aqueles que amamos, mas isso precisa ser feito de maneira correta. Toda autoridade vem de Deus e em seu nome deve ser exercida; por isso, com muito jeito e cautela.

Não é fácil corrigir uma pessoa que erra; apontar o dedo para alguém e dizer-lhe “você errou!”, dói no ego da pessoa; e se a correção não for feita de modo correto pode gerar efeito contrário. Se for feito inadequadamente pode piorar o estado da pessoa e gerar nela humilhação e revolta. Nunca se pode, por exemplo, corrigir alguém na frente de outras pessoas, isso a deixa humilhada, ofendida, e muitas vezes com ódio de quem a corrigiu. E lamentavelmente isso é muito comum, especialmente por parte de pessoas que têm um temperamento intempestivo (“pavio curto”) e que agem de maneira impulsiva. Essas pessoas precisam tomar muito cuidado, porque às vezes, querendo queimar etapas, acabam queimando pessoas. Ofendem a muitos.

Quem erra precisa ser corrigido, para seu bem, mas com elegância e amor. Há pais que subestimam os filhos, os tratam com desdém, desprezo. Alguns, ao corrigir os filhos, o fazem com grosseria, palavras ofensivas e marcantes. O pior de tudo é quando chamam a atenção dos filhos na presença de outras pessoas, irmãos ou amigos, até da namorada. Isto humilha o filho e o faz odiar o pai e a mãe. Como é que esse filho depois, vai ouvir os conselhos desse pai? O mesmo se dá com quem corrige um empregado ou subordinado na frente dos outros. É um desastre humano!

 

 

 

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Gostaria de apontar aqui três exigências para se corrigir bem uma pessoa:

 

  1. Nunca corrigir na frente dos outros

 

Ao corrigir alguém, deve-se chamá-lo a sós, fechar a porta da sala ou do quarto, e conversar com firmeza, mas com polidez, sem gritos, ofensas e ameaças, pois este não é o caminho do amor. Não se pode humilhar a pessoa. Mesmo a criança pequena deve ser corrigida a sós para que não se sinta humilhada na frente dos irmãos ou amigos. Se for adulto, isso é mais importante ainda. Como é lamentável os pais ou patrões que gritam corrigindo seus filhos ou empregados na frente dos outros! Escolha um lugar adequado para corrigir a pessoa.

Gostaria de lembrar que a Igreja como boa Mãe, garante a nós o sigilo da Confissão, de maneira extrema. Se o sacerdote revelar nosso pecado a alguém, ele pode ser punido com a pena máxima que a Igreja pode aplicar: a excomunhão. Isso para proteger a nossa intimidade, e não permitir que a revelação de nossos erros nos humilhe. E nós, como fazemos com os outros?

Só o fato de você dar a privacidade à pessoa a ser corrigida, ao chamá-la a sós, ela já estará melhor preparada para a correção a receber, sem odiá-lo.

 

 

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Leia também: Como viver a “correção fraterna”?

Só o coração que ama corrige bem

 

 

  1. Escolha o momento certo

 

Não se pode chamar a atenção de alguém no momento que a pessoa errada está cansada, nervosa ou indisposta. Espere o melhor momento, quando ela estiver calma. Os impulsivos e coléricos precisam se policiar muito nestes momentos porque provocam tragédias no relacionamento. Com o sangue quente derramam a bílis – às vezes mesmo com palavras suaves – sobre aquele que errou, e provoca no interior deste uma ferida difícil de cicatrizar. Pessoas assim acabam ficando mal vistas no seu meio. Pais e patrões não podem corrigir seus filhos e subordinados desta forma, gritando e ofendendo por causa do sangue quente. Espere, se eduque, conte até 10 dez, vá para fora, saia por um tempo da presença do que errou; e nem se lance afoito sobre o celular para o repreender “agora”.

Repito, a correção não pode deixar de ser feita; a punição pode ser dada, mas tudo com jeito, com galhardia. Estamos tratando com gente e não com gado.

 

 

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  1. Use palavras corretas

 

Ás vezes um Sim dito de maneira errada é pior do que um Não dito com jeito. Antes de corrigir alguém, saiba ouvi-lo no que errou; dê-lhe o direito de expor com detalhes e com tempo o que fez de errado, e porque fez aquilo errado. É comum que o pai, patrão, amigo, colega, precipitado, cometa um grave erro e injustiça com o outro. O problema não é a correção a aplicar, mas o jeito de falar, sem ofender, sem magoar, sem humilhar, sem ferir a alma.

Eu era professor em uma Faculdade, e um dos alunos veio me dizer que perdeu uma das provas e que não podia trazer atestado médico para justificar sua falta. Ter que fazer uma prova de segunda chamada apenas para um aluno, me irritava. Então, eu lhe disse que não lhe daria outra prova. Quando ele insistiu, fui grosseiro com ele, até que ele pode se explicar: “Professor, é que eu uso um olho de vidro, e no dia da sua prova o meu olho de vidro caiu na pia e se quebrou; por isso eu não pude fazer a prova”. Fiquei com “cara de taxo” e lhe pedi mil desculpas.

Nunca me esqueci de uma correção que o meu pai nos deu quando eu e meus oito irmãos éramos ainda pequenos. De vez em quando nós nos escondíamos para fumar escondidos dele. Nossa casa tinha um quintal grande e um pequeno quarto no fundo do quintal; lá a gente se reunia para fumar.

 

Ouça também: Quem ama corrige

 

Um dia nosso pai nos pegou fumando; foi um desespero… Eu achei que ele fosse dar uma surra em cada um; mas não, me lembro exatamente até hoje, depois de quase cinqüenta anos, a bela lição que ele nos deu. Lembro-me bem: nos reuniu no meio do quintal, em círculo, depois pediu que lhe déssemos um cigarro; ele o pegou, acendeu-o, deu uma tragada, e soprou a fumaça na unha do dedo polegar, fazendo pressão, com a boca quase fechada. Em seguida, mostrou a cada um de nós, a sua unha amarelada pela nicotina do cigarro. E começou perguntando: “Vocês sabem o que é isto, amarelo? É veneno; é nicotina; isto vai para o pulmão de vocês e faz muito mal para a saúde; é isto que vocês querem?”

Em seguida não disse mais nada; apenas disse que ele fumava quando era jovem, mas que deixou de fumar para que nós não aprendêssemos algo errado com ele. Assim terminou a lição; não bateu em ninguém e não xingou ninguém; fomos embora. Hoje nenhum de meus irmãos fuma; e eu nunca me esqueci dessa lição. São Francisco de Sales, doutor da Igreja dizia que “o que não se pode fazer por amor, não deve ser feito de outro jeito, porque não dá resultado”.

E se você magoou alguém, corrigindo-o grosseiramente, peça perdão logo; é um dever de consciência.

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 16:50
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PAULO R. LABEGALINI - A RECEITA DE COCA-COLA

 

 

 

 

 

 

 

 

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Dona Maria, uma senhora humilde, ia passando pelo centro da cidade em que morava quando viu a seguinte faixa na fachada de uma casa: ‘Escola de Culinária – Ensinamos fazer Coca-Cola’. Parou por um instante e pensou o quanto seus filhos gostavam daquele refrigerante e na economia que faria se aprendesse a receita. Então, entrou no recinto e matriculou-se para o curso.

Chegando em casa, anunciou à família que não mais precisariam comprar garrafas e latinhas de coca porque logo iria produzir bastante para o consumo. Os vizinhos souberam da novidade e ficaram na expectativa de ganharem alguns litros de vez em quando. E, falando com um parente por telefone, dona Maria também se animou com a ideia de fabricar o refrigerante para vender no bairro.

O curso de culinária começou na segunda-feira de manhã. Após a primeira aula, a senhora voltou para casa e viu a mesa arrumada para o almoço com muitos copos sobre ela. Seu filho mais novo perguntou:

– Mãe, vai fazer coca pra gente?

– Não, querido, hoje nós só aprendemos ‘higiene na cozinha’, mas logo teremos aulas sobre receitas de refrigerantes.

Mais alguns dias se passaram e dona Maria foi ficando sem graça por ter que dizer à família que ainda não sabia fazer Coca-Cola! E, após a penúltima aula, voltou pra casa confiante:

– Olha, amanhã vou aprender a receita que vocês adoram!

Bem, aconteceu que, no dia seguinte, quando os alunos chegaram para a última aula, a casa alugada que servia de ‘escola’ estava fechada e ninguém nunca mais soube dos professores. Foi outro golpe aplicado na praça, aproveitando da inocência de pessoas de bem.

O dinheiro que dona Maria pagou aos impostores daria para ter comprado dezenas de litros de Coca-Cola para os filhos. E o tempo que ela perdeu, quanto vale? Mas, o pior foi consolar seu filho caçula. Ele chorou muito ao escutar a mãe falando da tristeza que as amigas do curso ficaram. Para consolá-lo, ela contou esta história:

Lá no fundo do oceano, uma ostra abriu bem a sua concha para deixar a água passar e extrair o alimento que precisava. De repente, um peixe grande levantou uma nuvem de areia com um movimento do rabo. Rapidamente a ostra se fechou, mas um grãozinho duro se alojou no seu interior.

Puxa, como aquele grãozinho de areia a incomodava! Mas, as glândulas especiais que Deus lhe havia dado para revestir o interior de sua concha começaram a produzir uma substância brilhante para cobrir o grão de areia irritante. A cada ano que passava, a ostra acrescentava mais camadas sobre o grãozinho, até que produziu uma pérola reluzente e de grande valor.

E dona Maria completou:

Às vezes, meu filho, os problemas que temos se assemelham um pouco a esse grãozinho de areia. Eles nos chateiam e nos perguntamos: por que será que temos que passar por esse incômodo? Mas, se permitirmos, Deus começa a transformar os nossos problemas e fraquezas em algo muito precioso!

É nas dificuldades que nos aproximamos mais do Senhor, rezamos com maior fervor, ficamos mais humildes e capacitados para enfrentar os problemas. Como bênçãos disfarçadas, o Senhor pega esses grãozinhos ásperos de areia na nossa vida e os transforma em pérolas preciosas de força espiritual, e eles também se transformam em esperança e inspiração para muitos.

Portanto, Deus nos faz mais fortes com cada vitória. É mais ou menos como uma vacina: Ele nos dá pequenas doses para não pegarmos a doença e para, de uma forma constante e gradual, aumentar nossa resistência. Mas, se você – que também às vezes sofre – não for posto à prova e não tomar uma dose da vacina, nunca conseguirá administrar doses grandes.

De certa forma, Jesus faz isto com você: insiste para dar um pouco mais de si, sacrificar-se um pouco mais, lutar um pouco mais e crescer muito mais também.

No final destas palavras, o filho de dona Maria não mais chorava. Acredito que ele entendeu que aquilo que plantamos, colhemos. Semeando: verdade, alegria e fé; colhemos: milagres, esperança e amor. Porém, como dizem, quem semeia vento, colhe tempestade. Entenda-se por ‘vento’, os sete pecados capitais: gula, avareza, soberba, luxúria, preguiça, ira e inveja.

É no sofrimento que Deus experimenta a nossa fé, pois não há ressurreição sem calvário! É preciso que façamos sempre boas confissões com nossos queridos sacerdotes, deixando a carga do pecado para trás e permitindo que Deus nos preencha com seu Espírito.

Nem só de Coca-Cola vive o homem; porém, não sobrevive sem a graça divina.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



publicado por Luso-brasileiro às 16:45
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - TUDO DEPENDE DA EDUCAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma das causas de haver tanta violência, desrespeito, e falta de hombridade, é devido à forma como estamos a educar os nossos filhos.

 

Outrora, no tempo dos nossos avós, as crianças, eram, em regra, criadas sob rígida disciplina. Não faltavam severos corretivos, e humilhações, tanto em casa, como na escola.

 

Tal educação, cerceava iniciativas, e incutia medos e complexos que acompanhavam as crianças mais sensíveis, pela vida fora.

 

Se a educação austera, é perniciosa e traumatizante, a que atualmente, a maioria dos pais, administram, não é melhor.

 

Julgando, que, suprimindo qualquer forma de disciplina, estão a dar provas de carinho, deixam a criança crescer, sem limitações, sem regras: cívicas e morais.

 

O resultado é: virem a ser adolescentes, que não respeitam ninguém, nem os próprios progenitores.

 

Dai advêm o desrespeito, em que se vive na escola, a delinquência, e o “bulling”, a colegas e professores.

 

A criança, quando é criada sem regras e disciplina, dificilmente reconhecerá a autoridade, e mais tarde, tornar-se-á, num revoltado, contra a sociedade em que vive: - Será contra tudo e contra todos.

 

Como primeiros educadores, a obrigação dos pais é ajudá-los a formarem o carácter – que é o conjunto de hábitos, que foram adquiridos desde a meninice.

 

Cabe, aos que realmente amam seus filhos, tentarem que estes criem bons hábitos; que, por sua vez, irão, no futuro, plasmar a personalidade e o carácter.

 

Os pais – além de afectos, – devem auxiliá-los a pensar e a raciocinar, para mais tarde serem capazes de enfrentarem dificuldades, que forçosamente irão deparar.

 

Ao escrever “auxiliá-los”, não pretendo dizer: impor-lhes regras inflexíveis, coagindo-os, pelo medo, a obedecerem, cegamente.

 

À medida que crescem, as crianças, ganham o direito de tomarem decisões; de poderem fazer escolhas.

 

Infantilizá-los, tratando-os como se fossem sempre meninos, é tão prejudicial, como deixa-los à deriva, sem qualquer limite.

 

Em suma: Nem autoridade excessiva, nem liberdade sem balizas, mas, principalmente, educar-lhes a alma, para virem a ser cidadãos responsáveis, de boa formação moral.

 

Mostrar-lhes, não apenas com palavras, mas, mormente, com: exemplos e boas condutas, a vereda do bem, para que aprendam, por imitação, e depois pelo hábito, serem: justos, caridosos e honestos.

 

Se me perguntarem: se é possível, sem religião, e sem fé adulta em Deus, o adolescente, formar bom carácter. Responderei: que duvido.

 

Mas, pode ser que sim…; mas será tarefa árdua, de resultado duvidoso.

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   - Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 16:35
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EUCLIDES CAVACO - CARAVELA QUINHENTISTA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Mais um retalho da nossa história que aqui partilho neste poema que poderão ver neste video elaborado por Gracinda Coelho.

 



https://www.youtube.com/watch?v=TVZUsGYcp4k&feature=youtu.be

 

 

 

 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

 

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3º  Domingo do Tempo Comum - Dom Vicente Costa

 

https://youtu.be/7wJNeolYjmY

 

 

 

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Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

Horário das missas na Diocese do Porto( Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

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Sábado, 13 de Janeiro de 2018
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A TRISTE SITUAÇÃO DOS APOSENTADOS NO BRASIL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em 24 de janeiro, celebra-se no Brasil o Dia Nacional do Aposentado, porque nessa data,  em 1923, ocorreu a assinatura da Lei Eloy Chaves, criando a caixa de aposentadorias e pensões para os empregados de todas as empresas privadas das estradas de ferro. Esse diploma legal, cujo autor é de Jundiaí, Estado de São Paulo e dá nome a um dos mais importantes bairros dessa cidade, constitui-se no marco histórico da Previdência Social, que até então atendia apenas os funcionários do governo federal.

 

No entanto, não há o que comemorar atualmente. Ao contrário, tornou-se oportunidade para ressaltar os problemas que afligem os aposentados, que prestaram durante muitos anos os mais variados serviços em prol do engrandecimento da Pátria. Eles sofrem uma série de injustiças e seus rendimentos são constantemente reduzidos. Tanto que, os que recebem mais de um salário-mínimo de benefício são aumentados em índices bem inferiores ao do acréscimo real desse valor referencial, mostrando as pesquisas que está havendo um acelerado processo de pauperização da faixa intermediária deste grupo de pessoas. Enfrentam assim, não só o fator previdenciário, com a quebra da paridade, mas a ausência de reconhecimento a quem já entregou parte de sua vida ao trabalho. É por isso que um em cada três inativos do país, diante do achatamento de seus salários e pensões, continua trabalhando ou está em busca de uma posição de sobrevivência.

 

            Em meu livro “O Direito de Envelhecer num País ainda Jovem” (4ª. Edição, Ed. In House), destaco que o idoso não precisa de esmolas, mas de justiça e de direitos como o de viver, de envelhecer, de lazer e de ter uma medicina preventiva. Há, assim, necessidade urgente de reformulação da política que rege as aposentadorias, no sentido de evitar que se tornem fonte geradora de problemas sociais e preparar a infra-estrutura de instituições e empresas para que os pré-aposentados tenham condições de pensar, discutir e planejar a aposentadoria. Compete à Previdência Social propiciar dignidade àqueles que compõem a memória viva da humanidade. Eles não querem mais ser lembrados somente às vésperas de eleições, atuando indiretamente como simples trampolins políticos, para posteriormente serem relegados a um plano eminentemente secundário, com o adiantamento constante de possíveis soluções às suas questões.

 

            Por outro lado, invocamos a luta efetivada pelo ex-vereador jundiaiense Antonio Galdino, um dos fundadores da Associação dos Aposentados de Jundiaí, cujo trabalho alcançou repercussão nacional, a quem conheço e admiro desde criança quando ainda trabalhava numa sapataria no Largo São José, tendo exercido vereança junto com meu pai, saudoso Hermenegildo Martinelli. Inspirando-me nele, destaco que os próprios aposentados e pensionistas, não podem aceitar passivamente o desinteresse com que são recepcionados e o desrespeito com uma legislação que desconhece os anseios de uma parcela da sociedade já tão rejeitada e abandonada. A mobilização, a luta, a dedicação, a cobrança aos representantes populares eleitos e uma permanente participação demonstrando a força do movimento poderão promover as mudanças necessárias, alcançando-se a igualdade de direitos, tão distante deles e que muitas vezes são tratados como cidadãos de segunda categoria, dada à negligência do Poder Público para com suas justas solicitações.

 

 

                                               DIA DA RELIGIÃO

 

 

No dia 21 de janeiro, comemora-se o Dia Mundial da Religião, com o objetivo de fomentar a compreensão, a reconciliação e a harmonia inter-religiosa, ou seja, a unidade na diversidade, mediante a ênfase no denominador comum que existe em todas as devoções, a crença num Ser superior e um sentido corporativo ou de comunidade. Trata-se de uma data muito especial no Brasil, que conta com dezenas de credos religiosos, ligados às culturas dos povos que ajudaram na sua construção. Reitero, por ocasião dessa data comemorativa, que professar uma crença, não é apenas ir ao templo e rezar. É amar todas as coisas vivas sobre a terra, ajudar o próximo, ser solidário e generoso, perdoar e respeitar os outros. Mais do que nunca temos que nos conscientizar que a generosidade com as pessoas e o respeito à natureza, bem como a fé em Deus devem abalizar qualquer religião.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - O SONHO DA SRA. PILATOS

                      

 

 

 

 

 

 

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Um sonho registrado apenas de passagem, na Bíblia, foi muito discutido e até hoje não existe consenso sobre seu real significado. Refiro-me ao célebre sonho que teve a esposa do governador romano Pôncio Pilatos, que ficou muito preocupada com a prisão de Jesus Cristo, porque sabia ser ele justo e inocente e receava que seu marido o condenasse. Tal preocupação a atormentou nos sonhos e a levou a aconselhar o marido a que nada fizesse contra Jesus. A referência bíblica é, como disse, apenas de passagem: “Enquanto ele estava sentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Nada haja entre ti e esse justo, porque fui hoje muito atormentada em sonhos por causa dele” (Mateus, 27,19).

Tal episódio foi objeto de interpretações conflitantes e bastante curiosas, por parte dos exegetas e comentaristas da Escritura. Há autores que consideram o sonho da esposa de Pilatos como tipicamente natural, sem nenhuma intervenção de natureza sobrenatural, tendo sido produzido tão-só pela grande preocupação que a prisão de Jesus Cristo tinha causado na mulher. Essa é a posição do erudito Pe. Henri Lesêtre, autor do verbete “Songe” do clássico “Dictionnaire de la Bible”, de Fulcran  Vigouroux (Paris, 1911).

 

O exegeta Cornélio a Lapide cita, nos Commentaria in Matthaeum, cap. XXVII, 18, alguns autores que atribuem a inspiração dos sonhos da mulher de Pilatos a Deus, pelo ministério de algum santo anjo. Entre esses autores, elenca Orígenes, S. Hilário, S. Jerônimo, S. João Crisóstomo, Eutímio, Teofilato, Jansênio, Maldonado, S. Agostinho e S. Ambrósio. As razões dessa posição: 1) era conveniente que a inocência de Cristo, que já tinha sido declarada de público por Pilatos, também o fosse por alguém do sexo feminino, de modo que todos os elementos da humanidade estivessem representados nessa declaração; 2) convinha, como expôs S. João Crisóstomo, que sonhasse a mulher e não o marido, porque se Pilatos tivesse recebido o sonho tê-lo-ia guardado para si, em segredo, e não o teria tornado público, diante dos príncipes e dos judeus, como fez a mulher: 3) convinha que a mulher de Pilatos (que se chamava, segundo a tradição, Cláudia Prócula, e parecia ser pessoa honesta, piedosa e inclinada à misericórdia), viesse a conhecer, por meio desses sonhos, que Jesus era o Messias Salvador do mundo, nele cresse e, assim, se salvasse. A Lapide cita ainda o Evangelho de Nicodemos “que, apesar de apócrifo, contém muitas coisas verdadeiras e dignas de respeito”, segundo o qual, quando a mensagem de Prócula foi transmitida em voz alta a Pilatos, os judeus que acusavam a Jesus interpelaram o governador, dizendo: “Porventura não te dissemos que esse homem faz malefícios? Eis que ele mandou um sonho à tua mulher”.

A Lapide também registra que alguns autores, entre os quais São Bernardo, São Cipriano (ou quem quer que tenha escrito o Sermão da Paixão atribuído a São Cipriano), Caietano, Lirano, Cartusiano,  Barônio e Barrádio consideram que os sonhos da mulher de Pilatos lhe foram enviados pelo demônio, porque este já estava convencido, àquela altura da Paixão, de que Jesus era o Messias Salvador, e queria impedir que por sua morte fosse salva a humanidade.  

 

 

 Na iconografia cristã, há exemplos de representações nestes dois últimos sentidos, pois ora aparece a mulher dormindo e tendo ao seu lado um anjo inspirador, ora ela aparece com um demônio que lhe incute o sonho.

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:25
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - ÉRAMOS SEIS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Ao contrário do clássico romance da escritora Maria José Dupré, esse não é um texto sobre perdas, mas sobre ganhos ou acréscimos, como se preferir. Lembro, inclusive, de que quando eu era uma aluna do hoje nomeado ensino médio, o livro figurava entre os de leitura obrigatória e embora eu sempre tenha gostado muito de ler, não gostei da tristeza que a história carregava, da dor das perdas que nos diminuem com o passar dos anos.

            Retomando o mote desse texto de hoje, o caso é totalmente outro. Pois bem, como já relatei aqui, no final do ano, enquanto eu passava as festas com meus pais e irmãs, achei pela rua dois filhotinhos de gatos, ambos pretinhos e machos. Muito dóceis, foi extremamente fácil fazer com que viessem até mim. Constatado que não tinham dono e que corriam risco sozinhos pelas ruas, resolvi resgatá-los, nomeando-os provisoriamente de Benedito e Bento.

            Rapidamente, com uma única mensagem de whatszapp e o Benedito já tinha um lar esperando por ele na cidade de Taboão da Serra. O destino era a caso do meu tio José e de sua esposa Junia, para fazer companhia a uma gatinha que já tinham resgatado anteriormente. Sem fazer ideia de para onde eu mandaria o Bento, segui acreditando que conseguiria um lar para ele também com alguns conhecidos.

            Chegou o dia de voltar para São Paulo e segui viagem com os dois pequenos na caixa de transportes, já devidamente vacinados e asseados. Por sinal, gostaria de agradecer ao Dr. Roberto Camargo, veterinário, e à esposa Roseli, que não apenas hospedaram os bichanos lá, mas que também abriram as portas da clínica em pleno dia 31/12, perto das 19h, para que o Bento, encontrado nesse dia, pudesse ter onde passar a noite e aguardar meu retorno à capital paulista.

            O fato é que um dia após chegar em casa o Benedito seguiu para sua nova casa e horas depois recebi fotos dele de coleirinha vermelha, com pose de rei. Tarefa cumprida. Mas e o Bento? Coloquei foto dele em todas as redes sociais e fiz o texto mais fofo que pude, rogando por um lar. Enquanto isso, coloquei nele também uma coleirinha vermelha, até para ver se ele ficava mais atraente nas fotos.

            Foram várias as curtidas e os comentários, mas ninguém nem remotamente se interessou. Tirando o fato de que muita gente, quem gosta de animais e se importa, já terem muitos animais consigo, a real é que quase ninguém quer um animal sem raça aparente, dessas de vitrine. O Bento, por exemplo, tem a ponta do rabo torta e está tão magrelo que dá dó. Na mesma semana vi um aviso de uma pessoa doando um gatinho persa e faltou gato para tanta gente.

            Acredito que todos tem seu destino nesse mundo. Nada é por acaso. Já mandei fazer a coleira de identificação do Bento. Arrumei um lar legal para ele. Já tem outras três gatas lá e um cachorro rabugento de quinze anos, mas é um lugar bacana de ser viver. Éramos seis, mas agora, porque assim quis o destino, somos sete!

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA -Advogada,professora universitária, membro da Academia Linense de Letras e escritora.  São Paulo-



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS E CONVIVÊNCIAS LITERÁRIAS

 

 

 

 

 

 

 

 

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Vivências e convivências literárias acontecem, mesmo que não se conheça pessoalmente o escritor. Habitam-me diversos deles e delas. Algumas vezes, ressurgem em um fato novo ou em uma lembrança. É assim faz anos, como com Clarice Lispector, por exemplo, sobre a qual fiz meu TCC na faculdade, em especial a respeito do livro “Água Viva”. Foi ela que destacou: “Abro a janela e me sinto responsável pelo mundo”. Traduz-me em tantas coisas! Bem antes de Clarice, passei a me relacionar com Machado de Assis, por influência de meu pai e de um amigo dele, Sr. Hermelindo Scavone. Isso sem dizer das personagens infantis das histórias lidas e contadas por minha mãe. Meu pai e Sr. Hermelindo carregavam Machado de Assis em diferentes conversas e recordações de locais no Rio Janeiro. Como apreciava ouvi-los. No momento, Machado de Assis tem me retornado através de mensagens que recebo de meu amigo de alma com poesia e música: Fernando Diniz Marcondes, jundiaiense que reside em Salvador. 
Senti muito a morte do escritor e jornalista Carlos Heitor Cony. Gostava demais, há décadas, de lê-lo. Era a primeira crônica que eu buscava, aos domingos, na Folha de São Paulo. Mesmo que a opinião dele sobre um determinado assunto não fosse a minha, lia até o fim. É preciso conviver com conceitos diversos. Sua escrita era perfeita, sua inteligência brilhante e sua memória surpreendente. Incrível como ele costurava, em seus textos, filosofia, história, mitologia, passado, presente... E comunicava-se, igualmente, muito bem com crianças e adolescentes. “O Mistério das Aranhas Verdes”, li mais de uma vez.
Existia, também, o Cony do lirismo e do amor à Mila, uma de suas Setters, a cachorrinha que fez ninho em seu coração. Escreveu inúmeras vezes sobre ela na “Gazeta do Povo”. Fantástica a colocação dele sobre a cachorrinha, no dia em que ele perdeu o pai: “Naquela noite não pulou, nem olhou meus olhos. Cabeça baixa, rabo entre as pernas, ela sabia. Não avisara a ninguém, mas a ela precisava dizer. Encostou-se aos meus joelhos, cúmplice e solidária. E ela, que do mundo lá fora esperava um pai, do mundo lá fora recolheu um órfão”. E sua crônica, na morte de Mila, encerra-se dessa forma: “Até o último momento, olhou para mim, me escolhendo e me aceitando. Levei-a, em meus braços, apoiada em meu peito. Apertei-a com força, sabendo que ela seria maior do que a saudade”.
Cony permanecerá como lição de coerência e saber literário na releitura de seus textos.
 
 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



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