PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 24 de Fevereiro de 2018
FALECEU SÓNIA CINTRA

 

 

 

 

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 Sonia Cintra com Lycia Fagundes Telles

 

 

 

 

 

 

 

 

        Acabamos de conhecer a triste notícia do falecimento da conhecida ensaísta e escritora, brasileira, Sónia Cintra, vítima de doença cancerosa. Ilustre e assídua colaboradora, do nosso blogue.

           A Profª Doutora Sónia Cintra, nasceu em Amparo, a 3 de Junho de 1949. Era cidadã honorária de Jundiai. Casada com o Arquiteto Araken Martinho, e mãe de Sandra e Fernando.

        Formou-se em Filosofia, Ciências e Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas; é  doutora em Letras Clássicas e Vernáculas pela Universidade de São Paulo. Pesquisadora da Cátedra José Bonifácio - IRI/USP e membro efetivo da UBE. Fundadora e mediadora do Clube de Leitura da Academia Paulista de Letras e do Clube de Leitura Jundiaiense. Ex-presidente da AJL, oradora da Aflaj e madrinha do Celmi. Pós-graduada em Educação Ambiental.

 

 Autora de numerosos obras, traduzidas, em: italiano, francês e espanhol.

 

 

***

 

UMA CIDADE

 

 

Por Sónia Cintra

 

 

                    Nesses dias, o vento forte que varre Jundiaí trouxe de volta o tempo em que ele levantava a saia rodada das moças, ao passarem pela esquina do Credicity, no centro da cidade. Eram saias franzidas, pregueadas ou plissadas, hoje tão em moda. Saias listadas, lisas e floridas, de algodão, linho ou seda, que cobriam as delicadas anáguas de cetim, jérsei ou morim, com barra debruada de renda, fita ou sinhaninha. Os moços, à porta da Pauliceia, pigarreando com o primeiro cigarro, enquanto aguardavam a saída da Missa das 11, apostavam qual das saias iria se levantar mais alto naquele domingo. Cientes disso, as moças as seguravam junto ao corpo e passavam por eles de nariz empinado, até a quadra seguinte, onde desatavam-se em risos.

            Jundiaí era, então, uma cidade em que amizades e relações de vizinhança não permitiam solidão ou violências. Não raro, a vizinha de casa retribuía os ovos caipiras trazidos do sítio com aquela polenta especial que se cortava com linha. Um milagre, dizia minha mãe. Meu irmão e colegas apanhavam jabuticabas maduras no pé e as lavavam no balde de flandres, para serem chupadas ali no quintal, ainda amornadas de sol, à sombra da frondosa árvore. Que delícias a fruta, a companhia, os segredos e os planos. A escola era o grande tema e os professores estavam sempre em pauta. Quanta curiosidade e gratidão. Quanto respeito e desordem. No Bolão, praticávamos esporte, sob o olhar atento do Maffia, do Nelsão e da Serra do Japi. Aos torneios e campeonatos íamos de trem: todos por um e um por todos, tais e quais os Mosqueteiros.

                  Em tempos de aula, os horários dedicados aos estudos eram rígidos e, nas férias, praças e clubes da cidade alegravam nossas brincadeiras. O Jardim das Rosas era o lugar para torneios de bola de gude; o Largo São Bento, para ouvir o cântico em latim dos frades e admirar as noivas; a Praça da Cadeia (atual do Fórum), para ouvir a passarada cantar nas seculares figueiras; a das Bandeiras, para troca de figurinhas; a Ruy Barbosa, para leitura de gibis; da Matriz, para observar passantes e pessoas que se sentavam nos bancos para conversar, entre canteiros de arbustos e flores. No Escadão, namorados se beijavam. Do Coreto, a banda nos encantava. Sabíamos de cor o Hino de Jundiaí, composto por D. Haydée Dumangin Mojola, e assistíamos ao poente entre as pipas coloridas da Chácara Urbana. Havia feiras no Parque da Uva, festas de imigrantes e procissões nas ruas centrais e nos bairros, como hoje, e muito mais. A cidade era um lugar bonito e acolhedor de convivência com o outro, e a Cidadania era um Bem natural, a ser ampliado “pela tecnologia doce” do futuro, previa o saudoso geógrafo Milton Santos.

Como diz José Saramago: “Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória”. Ser cidadão também é isso.

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 18:15
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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - A INFIDELIDADE É A MAIOR CAUSA DE DIVÓRCIOS EM DIVERSOS PAÍSES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Recentes pesquisas apontam a traição conjugal como a maior causa de divórcios em diversos países, inclusive o Brasil onde se registrou aumento de mais de duzentos por cento de acordo com o Conselho Notarial (representantes de cartórios) após a lei que facilitou a dissolução matrimonial. E esse assunto sempre vem à tona após o período carnavalesco, famoso por ocorrem possíveis transgressões a essa disposição legal.

Embora o adultério não seja mais um delito criminal, a fidelidade recíproca, ao lado do respeito mútuo, da vida sob o mesmo teto, do amparo conjunto e da educação, guarda e sustento dos filhos, constitui-se em dever  do casamento, consoante determinação expressa do Código Civil Brasileiro. Assim, qualquer descumprimento à obrigação de lealdade entre os cônjuges, autoriza o inocente a interpor pedido de rompimento do enlace.

Efetivamente, com a infidelidade, desaparece a estima, a confiança e exatidão, levando uma união ao seu final, às vezes, precocemente. Por isso,   compreendamos que, juridicamente, o matrimônio é o mais solene de todos os atos e possui, no seu interior, aspectos totalmente diversos dos demais contratos, já que envolve interesses afetivos sublimes que culminam na criação da família, na procriação e na assistência entre os consortes.

Atrelada a um conjunto de regras de condutas consideradas válidas, a vida conjugal deve se fixar em elementos básicos que a preservem das constantes ameaças da realidade cotidiana. Assim, com o cultivo da maturidade humana, afastar-se-ão não só a possibilidade de transitoriedade, como substituirá permanentemente as questões débeis por atitudes vigorosas, sérias e responsáveis para que a conjunção entre homem e mulher se solidifique.

`        Para superar quaisquer problemas o casal deve fazer um esforço permanente no sentido de preservar valores como o respeito, a cumplicidade, a solidariedade e a honestidade em seu relacionamento, compreendendo que a fidelidade está intimamente ligada à felicidade. Sendo uma escolha definitiva na vida e comprometendo as partes  no mais íntimo de seu ser, o casamento não pode ser encarado como algo descartável, mas como um laço permanente, adaptado à lógica, a razão e à consideração aos sentimentos.

Realmente, do ponto de vista moral e jurídico, seja o marido, seja a mulher a cometer o adultério, inexiste qualquer diferenciação: ambos atentam contra a lei, a moral e a religião e por mais que se o conceba como algo natural, acaba trazendo inúmeros dissabores, principalmente quando há filhos, frutos da comunhão. Não custa nada pensar nisso, antes de se lançar em qualquer aventura, por melhor que possa parecer.

 

 

                   Repórter, “o caçador de notícias”

 

 

Tecnicamente, pode se dizer que a reportagem é o relato jornalístico de um acontecimento de interesse público que é feito através de um órgão de imprensa que pode ser jornal, revista, rádio, televisão, cinema e internet.  E para contar o que houve há um profissional, o repórter, que é conhecido como caçador de notícias, cuja principal tarefa  é a cobertura de pautas e notícias, com investigação profunda dos fatos, entrevistas e produção de um texto explicativo, imparcial e direto para o leitor ou telespectador.

Lembro-me com grande saudade quando comecei minha carreira no Jornal de Jundiaí em 1971 no qual uma equipe competente me despertou à  arte do jornalismo, que é justamente saber escolher os assuntos que  atraem o público para posteriormente apresentá-lo do modo mais apraz  possível.

Comemorou-se em 16 de fevereiro último o Dia do Repórter. Embora atrasados, homenageamos todos os profissionais da área que não medem sacrifícios para alcançar o objetivo de informar e contribuir para a melhoria social e principalmente, que primam pelo exercício profissional lastreado na verdade, na lealdade, no compromisso com os cidadãos, na independência, nos interesses coletivos e na imparcialidade. No Brasil ainda são comemoradas datas específicas para o Dia do Repórter Fotográfico (2 de setembro) e o Dia do Repórter Policial (31 de outubro).

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com).



publicado por Luso-brasileiro às 18:07
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - TERRITÓRIOS PSICOLÓGICOS EM SALAS DE AULA

                  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Existe uma tendência natural para que os grupos humanos - e até mesmo as pessoas individuais - assentem seu domínio sobre uma área física. Pode ser território nacional, um Estado propriamente dito, como também pode ser um clube, um sítio de fim de semana, uma casa, um escritório, um “espaço gourmet”, até mesmo um mero “cantinho” dentro de casa... Mas é sempre um lugar, físico, concreto, que constitui um “território” psicológico do grupo ou da pessoa, conferindo uma agradável sensação de soberania, de plenitude de liberdade, de autossuficiência e segurança.

Lembro de ter lido, na obra clássica “A cidade antiga”, de Fustel de Coulanges, que quando um grego saía de sua terra natal e embarcava rumo a qualquer outro ponto da bacia do Mediterrâneo, para fundar novas colônias da “Magna Grécia”, costumava levar um vasinho com terra do seu local de origem, para enterrá-lo nos fundamentos da nova cidade que iria edificar alhures. Simbolicamente, a terra do local de origem continha as cinzas dos seus antepassados; levar um pouco daquela terra significava estender até o novo lar a mesma continuidade com seu passado ancestral.

Sou de família portuguesa, muito tradicional e observante dos nossos costumes ancestrais em tudo, até mesmo na alimentação. Éramos camponeses do Norte de Portugal transplantados para São Paulo... Nossa casa era, psicologicamente falando, “território português”. Cheguei a conhecer a aldeia em que meu pai nasceu em 1913, há mais de um século. Cheguei a conversar com uma velhinha que, quando menina, meu pai carregou no colo... Tenho em casa uma miniatura, feita de barro, da casinha de pedra em que, durante mais de 300 anos, morou nossa família. Foi-me enviada por uma prima que ainda tem casa ao lado da nossa aldeia. Coloquei essa miniatura dentro de uma armação de vidro, no meu apartamento. Dentro da miniatura, instalei um vasinho com um pouco de terra que trouxe da aldeia. Fiz exatamente o mesmo que faziam os gregos da Antiguidade. Minhas duas irmãs têm, em seus apartamentos, miniaturas iguais, também mandadas pela nossa prima. Algo do nosso “território psicológico” está simbolizado e marca presença nesses objetos.

Convivi muito, desde a infância, com realidades culturais diferentes de colegas e amigos que tinham, igualmente, seus “territórios”, com costumes próprios que faziam lei e todos, nas respectivas comunidades, observavam. Convivi com famílias italianas, de regiões diferentes da Itália. Os “baresi”, provenientes de Bari, no extremo Sul da Itália (com os quais se aparenta meu bom amigo e colega João Umberto Nassif), eram completamente diferentes dos napolitanos, dos romanos ou dos vênetos, na comida, nos costumes, na fala, até mesmo na filosofia de vida. Convivi muito com um tio por afinidade, florentino, da região Centro-Norte da Itália, completamente diferente de todos os demais italianos.

Tive colegas sírios e frequentei muito suas casas, seus ambientes e seus clubes. Entrei dentro de sua cultura, de seu modo de ser, e cheguei a sentir profundas afinidades com eles, que viviam em um ambiente tão diferente do meu. Até hoje, a comida árabe é uma das minhas prediletas. Também os sírio-libaneses tinham seus “territórios” e exigiam respeito. Igualmente convivi com judeus, com japoneses, com gregos e com alemães. Todos com os seus costumes, suas regras de conduta, seus “territórios”.

Compreender e saber respeitar essa legítima variedade é indispensável para um professor. Cada aluno, numa sala de aula, traz consigo uma bagagem cultural que, ainda que subconscientemente, constitui seu “território” próprio. Constitui gravíssima ofensa ultrapassar os limites da individualidade. Isso é regra básica do convívio social e, para um professor, é obrigação sacratíssima, tanto mais que, pela diferença de condições e de idades, o aluno se sente como “parte mais fraca” nesse relacionamento. Se não tiver muito senso, facilmente o docente pode fazer, em relação ao discente, uma violência terrível, sem se dar conta disso.

Já tenho visto professores zombarem abusivamente e sem qualquer direito, das crenças religiosas de alunos. Isso é inadmissível. Pode-se não concordar, mas é preciso respeitar. O mundo das crenças faz parte do “território” soberano e inviolável do outro.

Para um professor, é muito importante tentar entender cada aluno, nas suas peculiaridades, nas suas idiossincrasias, nas suas crenças, nos seus critérios valorativos. É preciso intuir - no sentido etimológico do termo, ou seja, entrar dentro de - o interior de cada um, com respeito, com real vontade de compreender e ajudar. Muitas vezes, isso é difícil, mas quando um docente consegue adquirir o costume de proceder assim, tesouros surpreendentes se revelam a cada momento. É por isso que sempre digo que numa sala de aula os bons professores aprendem muito mais do que ensinam.

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS, é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.



publicado por Luso-brasileiro às 17:58
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS DE CARNAVAL E DESATINOS

 

 

 

 

 

 

 

 

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Vivências de Carnaval e desatinos, em Jundiaí, foram assunto em destaque nas redes sociais e em outros meios de comunicação. Li diversos deles, tanto os que demonstraram o entusiasmo de inúmeros foliões, como os de reclamos. Participei dos festejos do Momo, de 1967 a 1986, nos bailes do Grêmio CP: cinco noites e dois matinês. No carnaval de 1987, meu pai se encontrava acometido da doença grave, que o levou. Não tinha gosto para diversão.  Acabei perdendo o ritmo de confetes e serpentinas. Mas não deixo de considerar que faz parte da cultura brasileira e que se divertir, sem excessos que prejudiquem o folião e o entorno, é muito bom.
Na tarde da segunda-feira de Carnaval, fui ao centro da cidade para uma compra e me surpreendi com o número de jovenzinhos de olhar embaçado, com garrafa de Vodka, de pinga azul Bala Blue...  Aparentavam 13, 14, 15 anos... Que judiação! Conversando com uma professora de ensino fundamental, contou-me que orientara os adolescentes para que se divertissem sem bebida alcoólica. Recebeu como resposta que bebiam para “curtir um barato”.  E quando enjoarem desse “barato”? Em seguida, questionou se a mãe sabia sobre uso de bebida por alguns deles. Retrucaram que também bebia e lhes ofertava. Difícil!
Em 1985, participava de um trabalho denominado “Pró-Menor”, sob a coordenação do Juiz de Menores da época, o inesquecível Dr. Paulo Sérgio Fernandes de Oliveira, e o também saudoso empresário Francisco Siqueira Filho. Dentre outras ações, promovíamos, no final de semana, eventos culturais e esportivos em bairros distantes, com destaque para os valores do local.  Considerávamos a importância de recuperar a identidade dos anônimos sociais. Saber que alguém é fulano de tal, ou reconhecer que é filho desta ou daquela pessoa, é uma maneira de inibir determinadas atitudes desagradáveis.  Penso, portanto, que a apresentação regionalizada dos blocos facilita a identificação e dificulta atitudes incompatíveis com as normas dos bons costumes por parte dos desordeiros.
Quanto ao bloco Refogado do Sandi, é tradição no centro. A organização acontece o ano todo, via “deretora” Gisela Vieira e equipe.  E organização bonita, que reúne as pessoas em eventos diversos em nome da alegria. Não participo, mas acompanho através das redes sociais e imprensa e aplaudo. O Refogado do Sandi me faz lembrar o frevo de Caetano Veloso: “A Praça Castro Alves é do povo / como o céu é do avião/ um frevo novo,/ eu peço um frevo novo/ todo mundo na praça/ e muita gente sem graça no salão...”
Perdoem-me os que pensam o contrário, mas considero adequado o “Refogado do Sandi”, nos seus 25 anos, no centro. Possui história e raízes em um nobre ponto cultural da cidade, o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa.  Quantos aos desatinos de alguns – minoria -, será preciso refletir em conjunto sobre uma forma de resolver, sem “enjaular” o Carnaval.




 
 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 17:42
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JOSÉ RENATO NALINI - QUEM NÃO É ROBÔ ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Umberto Eco disse que as redes sociais abriram espaço para todos se manifestarem. Antes da web, as tolices eram ditas com a barriga no balcão do boteco. Hoje a plateia é o mundo. A imbecilidade se universalizou.

Mas qual é a relevância da disseminação de todas as opiniões no mundo real? O superlativo divulgado altera, por exemplo, o resultado das eleições?

O tema continua a ser discutido nos Estados Unidos, onde as eleições presidenciais surpreenderam até mesmo o eleito, a se confiar no conteúdo de “Fire and Fury”, o livro que está causando furor ali e no mundo. Credita-se à internet a reiteração de “fake News”, que teriam derrotado a candidata favorita Hillary Clinton.

As opiniões divergem. Há quem diga que o uso midiático dessa milagrosa possibilidade de fazer sua manifestação explícita chegar a um universo incomensurável gerou o recrudescimento do fanatismo. Há razões para acreditar que a inteligência artificial se sirva de algoritmos para enfatizar as posturas radicais de maneira a obter crescente intensificação do fundamentalismo.

Aparentemente, há uma polarização de dois grandes grupos. Um mais conservador e o outro à esquerda. Temas culturais se abrigam sob os guarda-chuvas de ambos. As teses minoritárias encontram guarida na esquerda. Os reacionarismos, à direita.

O fenômeno lamentável é a enxurrada de insultos, de aleivosias, de injúrias e de ofensas veiculadas nas redes. Não se economizam adjetivos cruéis. Destila-se maldade sob múltiplas formas. É o regresso à barbárie, à idade da pedra. Os tacapes são verbais, mas não menos nefastos.

A partir da manipulação da informação, seja ela verdadeira ou falsa, na gradação de milhares tons de cinza que uma falácia pode adquirir, o resultado é uma espécie de “robotização” do fanático. Ele só presta atenção àquilo que coincide com sua concepção do mundo. Ele só quer acreditar naquilo que reforce o seu preconceito, a sua pré-compreensão, a sua visão deformada da realidade.

Não caminha rumo à edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária uma turba irada que não sabe ouvir o outro lado, que não se interessa pela argumentação alheia, que não respeita o outro.

O ano de 2018 promete uma sucessão de espetáculos midiáticos. Nem todos eles edificantes. Quem viver, verá.

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação e docente da Uninove



publicado por Luso-brasileiro às 17:37
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - DETALHES E ENTRE ASPAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se há uma coisa que anda fora de moda é a “amizade”.

Não falo desses inúmeros pseudoamigos com os quais se curte e compartilha, salvo raríssimas exceções, superficialidade.

Pouca gente, a essa altura, na verdade, compreende o que eu digo.

Mas, toda gente, naturalmente, pensa compreender. Ou apenas, por orgulho, não dá o braço a torcer.

E torce, por isso, para o mundo acabar mesmo em barranco, pois, se depender de alguma amiga mão... babau!

O conceito de tudo anda torto. Então, por que não os de “amizade” e “compreensão”? São os fatos...

Vamos a um deles: material escasso, peça de museu, babado antigo, do tempo do onça é o tal amigo de fato!

Particularmente, sempre tive poucos e caros.

Hoje, a maioria é só lembrança. O que nos leva a... elementar, meus caros, menos amigos ainda.

Pode-se chamá-lo de “seleção natural”. A natureza cuida de fazê-la.

Lembro-me, por exemplo, de uma queridíssima amiga que, não sei por que cargas d’água, tomou para si que fiquei “famosa”.

Aí sumiu. Antes que eu, graças à suposta fama, desaparecesse.

Preferiu, talvez, antecipar-se à perda para, quem sabe, dela tirar alguma vantagem.

Não guardo mágoa não. Ao contrário. Guardo belas e caríssimas lembranças! Ô, se guardo!

É claro que fica uma pontinha de tristeza...

Hoje mesmo, agorinha há pouco, quando tirei o pão doce, receita nova, do forno... hummm... aquele aroma de coco e baunilha que chegava a derreter até as firmes paredes azulejadas (modéstia à parte) me trouxe à mente certas tardes.

E que certas! Deliciosas tardes regadas a chá gelado cujas folhas colhíamos na hora.

Outra amiga (estou voltando no tempo, retrocedendo a cada citação de amizade), quando queria dizer que odiava algo, dizia: “ai, como eu ódio isso!”.

E eu tinha comigo que devia ser um sentimento colossal, digno do uso insólito do substantivo.

Outra, minha primeira amiga de infância, dizia com propriedade desde a mais tenra idade: “é nas brincadeiras que a gente diz as maiores verdades, sabia?”.

Tenho saudades dos bonitos olhos dessa, do sorrisão largo da outra, e do abraço sincero da outra.

Tenho “saudade”. Guardo-a a sete chaves.

Afinal, fora os detalhes e entre aspas, é o que em suma fica.

Viver é pra lá de efêmero!!!

 

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 17:25
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FELIPE AQUINO - 13 DECLARAÇÕES DE LÍDERES JUDEUS EM DEFESA DO PAPA PIO XII

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O site forumlibertas.com, publicou em 16 de abril de 2007, declarações de 13 grandes líderes judeus em defesa do grande Papa Pio XII, acusado injustamente por muitos de ter sido omisso na defesa dos judeus diante de Hitler. Na verdade a Igreja, por orientação do Papa, agindo de maneira diplomática, conseguiu salvar cerca de 800 mil judeus de serem mortos pelos nazistas.

 

Segundo o site citado, essas declarações desmentem esta calúnia que foi fortemente propagada pelos adversários da Igreja católica. Elas começaram com a propaganda comunista nos anos 60 e se transmitiram pela “nova esquerda” por toda a Europa, junto com a obra financiada pela União Soviética “O Vigário”, de Huchhoth. Nela se baseia o filme “Amém”, de Costa-Gavras.

As declarações a seguir (tradução nossa para o português), são testemunhos desde 1940, desde Einstein até os grandes rabinos de Bucarest, Palestina e Roma. Os historiadores judeus afirmam que Pio XII salvou a vida de muitos judeus.  

 

 

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As declarações dos líderes judeus:

 

  1. Albert Einstein:

 “Quando aconteceu a revolução na Alemanha, olhei com confiança as universidades, pois sabia que sempre se orgulharam de sua devoção por causa da verdade. Mas as universidades foram amordaçadas. Então, confiei nos grandes editores dos diários que proclamavam seu amor pela liberdade. Mas, do mesmo modo que as universidades, também eles tiveram que se calar, sufocados em poucas semanas. Somente a Igreja permaneceu firme, em pé, para fechar o caminho às campanhas de Hitler que pretendiam suprimir a verdade. Antes eu nunca havia experimentado um interesse particular pela Igreja, mas agora sinto por ela um grande afeto e admiração, porque a Igreja foi a única que teve a valentia e a constância para defender a verdade intelectual e a liberdade moral.”

 

[Albert Einstein, judeu alemão, Prêmio Nobel de Física, na Revista norte-americana TIME, em 23 de dezembro de 1940. Einstein teve que fugir da Alemanha nazista e foi acolhido nos EUA na universidade de Princeton]

 

Leia também: Mais um testemunho judeu em favor de Pio XII

Papa convida a praticar a misericórdia como Pio XII ao salvar os judeus dos nazistas

Pio XII conseguiu salvar 63,04% dos judeus de Roma durante a perseguição nazista

 

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  1. Isaac Herzog

“O povo de Israel nunca se esquecerá o que Sua Santidade [Pio XII] e seus ilustres delegados, inspirados pelos princípios eternos da religião que formam os fundamentos mesmos da civilização verdadeira, estão fazendo por nossos desafortunados irmãos e irmãs nesta hora, a mais trágica de nossa história, que é a prova viva da divina Providência neste mundo.”

 

[Isaac Herzog, Gran Rabino da Palestina, em 28 de fevereiro de 1944; “Actes et documents du Saint Siege relatifs a la Seconde Guerre Mondiale”, X, p. 292.]

 

  1. Alexander Shafran

“Não é fácil para nós encontrar as palavras adequadas para expressar o calor e consolo que experimentamos pela preocupação do Sumo Pontífice [Pio XII], que ofereceu uma grande soma para aliviar os sofrimentos dos judeus deportados; os judeus da Romênia nunca esqueceremos estes fatos de importância histórica.”

 

[Alexander Shafran, Gran Rabino de Bucarest, em 7 de abril de 1944; “Actes et documents du Saint Siege relatifs a la Seconde Guerre Mondiale”, X, p. 291-292]

 

  1. Juez Joseph Proskauer

“Temos ouvido em muitas partes que o Santo Padre [Pio XII] foi omisso na salvação dos refugiados na Itália, e sabemos de fontes que merecem confiança que este grande Papa estendeu suas mãos poderosas e acolhedoras para ajudar aos oprimidos na Hungria”.

 

[Juez Joseph Proskauer, presidente do “American Jewish Committee”, na Marcha de Conscientização de 31 de julho de 1944 em Nova York]

 

  1. Giuseppe Nathan

“Dirigimos uma reverente homenagem de reconhecimento ao Sumo Pontífice [Pio XII], aos religiosos e religiosas que puseram em prática as diretrizes do Santo Padre, somente viram nos perseguidos a irmãos, e com arrojo e abnegação atuaram de forma inteligente e eficaz para socorrer-nos, sem pensar nos gravíssimos perigos a que se expunham.”

 

[Giuseppe Nathan, Comissário da União de Comunidades Israelitas Italianas, 07-09-1945]

 

  1. A. Leo Kubowitzki

“Ao Santo Padre [Pio XII], em nome da União das Comunidades Israelitas, o mais sentido agradecimento pela obra levada a cabo pela Igreja Católica em favor do povo judeu em toda a Europa durante a Guerra”.

 

[ A.Leo Kubowitzki, Secretario Geral do “World Jewish Congress” (Congresso Judeu Mundial), ao ser recebido pelo Papa em 21-09-1945]

 

  1. William Rosenwald

“Desejaria aproveitar esta oportunidade para render homenagem ao Papa Pio XII por seu esforço em favor das vítimas da Guerra e da opressão. Proveu ajuda aos judeus na Itália e interveio a favor dos refugiados para aliviar sua carga”.

 

[William Rosenwald, presidente de “United Jewish Appeal for Refugees”, 17 de março de 1946, citado em 18 de março no “New York Times”.

 

  1. Eugenio Zolli

“Podem ser escritos volumes sobre as multiformes obras de socorro de Pio XII. As regras da severa clausura cairam, todas e cada uma das coisas estão a serviço da caridade. Escolas, oficinas administrativas, igrejas, conventos, todos têm seus hóspedes. Como uma sentinela diante da sagrada herança da dor humana, surge o Pastor Angélico, Pio XII. Ele viu o abismo de desgraça ao qual a humanidade se dirige. Ele mediu e prognosticou a imensidão da tragédia. Ele fez de si mesmo o arauto da voz da justiça e o defensor da verdadeira paz”.

 

[Eugenio Zolli, em seu livro “Before the Dawn” (Antes da Aurora), 1954; seu nome original era Israel Zoller, Gran Rabino de Roma; durante a Segunda Guerra Mundial; convertido ao cristianismo em 1945, foi batizado como “Eugenio” em honra de Eugenio Pacelli, Pío XII]

 

  1. Golda Meir

“Choramos a um grande servidor da paz que levantou sua voz pelas vítimas quando o terrível martírio se abateu sobre nosso povo”.

[Golda Meier, ministra do Exterior de Israel, outubro de 1958, ao morrer Pío XII]

 

  1. Pinchas E. Lapide

“Em um tempo em que a força armada dominava de forma indiscriminada e o sentido moral havia caído ao nível mais baixo, Pio XII não dispunha de força alguma semelhante e pôde apelar somente à moral; se viu obrigado a contrastar a violência do mal com as mãos desnudas. Poderia ter elevado vibrantes protestos, que pareceriam inclusive insensatos, ou melhor proceder passo a passo, em silêncio. Palavras gritadas ou atos silenciosos. Pio XII escolheu os atos silenciosos e tratou de salvar o que poderia ser salvo.”

 

[Pinchas E. Lapide, historiador hebreu e consul de Israel em Milão, em sua obra “Three Popes and Jews” (Três Papas e os Judeus), Londres 1967; ele calcula que Pío XII e a Igreja salvaram com suas intervenções 850.000 vidas].

 

  1. Sir Martin Gilbert

“O mesmo Papa foi denunciado por Joseph Goebbels – ministro de Propagando do governo nazista – por haver tomado a defesa dos judeus na mensagem de Natal de 1942, onde criticou o racismo. Desempenhou também um papel, que descrevo com alguns detalhes, no resgate das três quartas partes dos judeus de Roma”.

 

[Sir Martin Gilbert, historiador judeu inglês, especialista no Holocausto e a Segunda Guerra Mundial, em uma entrevista em 02-02-2003 no programa “In Depth”, do canal de televisão C-Span]

 

  1. Paolo Mieri

“O linchamento contra Pio XII? Um absurdo. Venho de uma família de origem judia e tenho parentes que morreram nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Esse Papa [Pio XII] e a Igreja que tanto dependia dele, fizeram muitíssimo pelos judeus. Seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas e quase um milhão de judeus salvos graças à estrutura da Igreja e deste Pontífice. Se recrimina a Pio XII por não ter dado um grito diante das deportações do gueto de Roma, mas outros historiadores têm observado que nunca viram os antifacistas correndo à estação para tratar de deter o trem dos deportados. Um dos motivos por que este importante Papa foi crucificado se deve ao fato de que tomou parte contra o universo comunista de maneira dura, forte e decidida.”

 

[Paolo Mieri, periodista judeu italiano, ex-diretor do “Corriere della Será”, apresentando o livro “Pio XII; Il Papa degli ebrei” (Pio XII; O Papa dos hebreus), de Andrea Tornielli, a 6 de junho de 2001.]

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Assista também: A verdade sobre o Papa Pio XII

 

  1. David G. Dalin

 “Pio XII não foi o Papa de Hitler, mas o defensor maior que já tiveram os judeus, e precisamente no momento em que o necessitávamos. O Papa Pacelli foi um justo entre as nações a quem há de reconhecer haver protegido e salvado a centenas de milhares de judeus. É difícil imaginar que tantos líderes mundiais do judaísmo, em continentes tão diferentes, tenham se equivocado ou confundido a hora de louvar a conduta do Papa durante a Guerra. Sua gratidão a Pio XII permaneceu durante muito tempo, e era genuína e profunda.

 

[David G. Dalin, rabino de Nova York e historiador, 22 de agosto de 2004, entrevistado em Rímini, Itália]

 

Contra essas declarações inequívocas de ilustres judeus, é impossível alguém mais sustentar as antigas calúnias contra o Papa Pio XII; se assim o fizer, será por ignorância histórica ou maldade consumada.

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 17:11
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PAULO R. LABEGALINI - TODO ATEU É TRISTE ?

 

 

 

 

 

 

 

 

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Há anos, uma edição do jornal ‘O Lutador’ de Belo Horizonte publicou uma matéria assinada por Carlos Scheid, que respondeu à declaração do teólogo Leonardo Boff: “Prefiro ser um ateu alegre a ser um religioso do tipo do Pe. Marcelo”.

Inconformado com a alternativa apontada pelo teólogo, escreveu Scheid:

“Ateu alegre não existe. Todo ateu é triste. Quando um ateu honesto e autêntico se vê diante de uma pessoa que crê, não consegue evitar o comentário: ‘Eu gostaria de crer como você!’ Na prática, os ateus são pessoas muito úteis. Prestam à humanidade o precioso serviço de dar o exemplo – triste exemplo! – da extrema infelicidade que é viver (e morrer!) sem Deus. Ao contemplar o ateu e seu beco sem saída, o homem de fé pode dar graças a Deus pelo dom da fé.

Sim, todo ateu é triste. Sua vida não tem sentido. Ignora sua fonte. Ignora seu destino. Se o ateu escreve, destila amargura. O verme do ceticismo e da descrença rói suas noites insones. Se pensa na morte, nela vê um terrível absurdo. No polo oposto, o homem de fé sabe que a vida se projeta além da morte e pode celebrar antecipadamente o retorno ao coração do Pai.”

Eu sei que você, leitor(a), gostaria de continuar lendo essa belíssima reflexão do citado autor da matéria, mas acredito que já foi o bastante para consolidarmos uma opinião a respeito do Pe. Marcelo, afinal, o que ele tem feito de errado?

Deus lhe deu uma linda missão evangelizadora e ele a cumpre com Jesus e Maria no coração – como poucos o fazem nesse mundo de tantos pecados e de tantas injustiças com os nossos irmãos necessitados. Talvez a incompreensão de muitos exista porque o Pe. Marcelo se tornou famoso e vende milhares de CDs cantando, mas se esquecem que ele se dedica integralmente às obras da Igreja – inclusive, doando os direitos autorais para a sua congregação!

Sabemos que na falta de assunto, vale tudo: até criticar o abençoado Pe. Marcelo. Seria muito mais louvável ‘imitá-lo’, procurando levar a Palavra de Deus ao povo via emissoras de rádio e televisão – ocupando um espaço que a Igreja Católica poucas vezes conseguiu.

Também o Papa nos convoca a darmos testemunhos de fé cristã e sermos missionários; então, como discordar dos meios usados pelo Pe. Marcelo? Portanto, felizes aqueles que, de coração aberto, seguem os seus passos, pulam e cantam: “Os animaizinhos subiam de dois em dois...”

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

           



publicado por Luso-brasileiro às 17:01
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - ERA BOM... MAS ACABOU-SE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Naquela tarde de Agosto, em pleno Inverno brasileiro, estava em Blumenau.

Estar em Blumenau, é quase ir a território alemão, e conviver com esse povo alegre e bonito; já que tudo nos faz lembrar o encantador rincão europeu.

Trajos e cores são festivos; a cada esquina, ouve-se melodias suaves e saudosas da velha Alemanha, que fica tão longe, e parece tão perto.

Entrei num restaurante típico. Decorado ao gosto germânico. Até o pessoal pareceu-me caído de pára-quedas para nos servir, vindo da encantadora Baviera.

Na mesa ao lado, sentou-se um guapo rapaz: alto, magro, de cabelo ruivo, que olhava para mim, de soslaio.

Não me contive, e perguntei-lhe se era de Blumenau.

Respondeu-me, que não. Era de Florianópolis; melhor: de Santo António de Lisboa, e ia para Curitiva.

Como lhe dissesse que era português, informou-me: que a mãe era de família açoriana, e o pai de origem alemã.

E esclareceu-me que ia a Curitiva tratar de papéis, para adquirir a nacionalidade do avô materno.

- “ Então é quase português! …Os meus parabéns! …”

Logo adiantou, aproximando-se mais de mim:

- “ Preferia ser alemão…; mas é difícil adquirir essa nacionalidade… A portuguesa já me serve…”

-” Quer ser português, para emigrar para a Alemanha?” – Interroguei.

- Não. - Respondeu com rasgado sorriso. - Felizmente estou bem aqui, no Brasil, mas ser europeu, dá vantagens. A principal, é o sistema de saúde…”

- “ Sistema de Saúde?!” – Repeti, atónito.

- “Sim. Como sabe, a assistência médica, para quem não tem plano de saúde, no Brasil, é péssima. Ninguém sabe se vem a necessitar de fazer tratamento dispendioso…”

Fiquei intrigado – “ O que tinha haver, a nacionalidade, com a saúde!” – (pensei,) mas rapidamente fiquei esclarecido:

- ” Conheço cara, que teve que fazer operação dispendiosa. Então resolveu ir para Londres, e pedir, a amigo, residente nessa cidade, para declarar que vivia com ele. Como sabe, o sistema de saúde britânico, é o melhor do mundo, e quase gratuito, para cidadãos europeus… O caro foi optimamente tratado, sem despender um real! …”

A ideia era óptima, digo: “era”, porque, agora, com o “ Brexit”, acabou-se…

A galinha de ovos de oiro, que tanto emprego dava a portugueses e brasileiros, ao abandonar a U. E., deixou – penso eu, – de pagar tratamentos dispendiosos…

Era bom… mas acabou-se…

Deve ter sido uma grande desilusão, para a barriga-verde, que queria ser alemão, mas… teve que ser português…

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 16:54
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JORGE VICENTE - PÁRA-QUEDISTAS DE PORTUGAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça

 

 

 

 

***

 

 

 

 

 

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 Palavra do Pastor, com Dom Vicente Costa, 

 

bispo diocesano de Jundiaí

 

2º Domingo do Tempo da Quaresma

 

 

https://youtu.be/7wJNeolYjmY

 

 

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O principal objetivo deste Concurso organizado pela Câmara da Trofa com o apoio do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., é defender e consolidar a língua portuguesa como expressão universal da nossa cultura e motivar a produção literária.

Este Concurso literário internacional que aposta na promoção e salvaguarda da literatura infanto-juvenil e da cultura lusófona estende-se a todos os países de língua oficial portuguesa, nomeadamente Portugal, Angola, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Timor.

As obras devem ser enviadas, sob pseudónimo, até ao último dia útil do mês de maio de 2018 e em Portugal, podem fazê-lo, em mão (até às 18h00, do último dia útil do mês de maio de 2018), na Casa da Cultura da Trofa, Avenida D. Diogo Mourato, durante o horário do expediente ou via correio, através de carta registada.

Já nos outros países a entrega dos contos pode ser efetuada no Centro Cultural Português em Luanda (Angola), no Centro Cultural Português em Brasília (Brasil), no Centro Cultural Português na Praia (Cabo Verde), no Centro Cultural Português em Bissau (Guiné-Bissau), no Centro Cultural Português em Maputo (Moçambique), no Centro Cultural Português em S. Tomé (S. Tomé e Príncipe) e no Centro Cultural Português em Díli (Timor).

 

 

Consultar regulamento em: http://www.mun-trofa.pt

 

"intercambios"

 
 
 

 

 

***
 
 
 
 
 


publicado por Luso-brasileiro às 16:22
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