PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 21 de Julho de 2018
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - LAR, DOCE LAR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Gosto de viajar e de programar as minhas viagens. Não viajo muito, no entanto. Primeiro porque não é fácil economicamente me ausentar por longos períodos. Como professora universitária, eu tenho que conciliar minhas férias com as férias escolares, período de alta temporada, o que encarece, infelizmente, quase todos os destinos. Além disso, tenho vários animais de estimação e não é tarefa simples deixá-los aos cuidados de outras pessoas por muito tempo. Tanto as viagens nacionais como as internacionais sofrem um expressivo aumento em seu custo, o que acaba dificultando viagens para locais mais distantes.

            Mas a questão financeira não é o único empecilho para maiores viagens. O fato é que não fico confortável ficando afastada de casa por muito tempo. É até difícil de explicar, mas chega um ponto em que sinto legítimas saudades de casa. Fico com banzo. Sinto falta do cheiro e da maciez da minha cama, dos meus programas de televisão, dos meus bichos, dos meus livros. Em resumo: daquilo que verdadeiramente é meu, no sentido mais filosófico da coisa.

            Viajar, é claro, é sempre muito bom. Conhecer lugares, pessoas, culturas, paisagens, tudo acrescenta aos olhos e ao coração. Se as companhias são boas, o trajeto é ainda melhor. Toda viagem, penso, é uma espécie de missão de reconhecimento ou de reencontro. Não se sai ileso, emocionalmente, de uma viagem a lugares desconhecidos. Sempre voltamos maiores, repletos de outras pessoas, aquelas que conhecemos ou apenas notamos em meio às multidões.

            Costumo tirar sempre muitas fotos das minhas viagens, feitas com meu celular mesmo, muito menos para exibi-las aos outros, mas muito mais para eternizar as imagens que me marcaram. Lamento a infelicidade de não sermos capazes de registrar de forma perene tudo o que vemos, lugares, pessoas e mesmo aquilo que sentimos nessas horas, nos momentos nos quais o vento nos acaricia ou açoita a pele, nos quais o sol nos aquece daquela forma que só sentimos quando estamos em férias, quando desligamos de nossas preocupações.

            Viajar, inegavelmente, expande nossos horizontes, mas eu acredito que um de seus principais efeitos está nas novas cores nas quais pinta nossas antigas e às vezes já desbotadas paragens. Acredito, de o fato de nos distanciarmos um pouco de nossa realidade faz com que sejamos capazes de enxergar nossos lugares de forma mais isenta. Ao menos é o que acontece comigo: o retorno sempre me significa um recomeço.

Quando chego de viagem, com a cabeça a mil e a mala repleta de roupas sujas e souvenires, após matar a saudades daqueles que por aqui ficaram, sinto uma paz de espírito por estar onde tudo é familiar, onde os sabores e aromas são conhecidos. Gosto de voar, literal e simbolicamente, mas amo a segurança de sentir o chão sob meus pés. Sou grata por ter um porto a aportar, por saber um pequeno lugar nesse mundo eu posso chamar de lar. Chegar significa ter vencido mais uma aventura. Estar de volta é uma benção, pois só assim serei capaz de partir novamente...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada,professora universitária, membro da Academia Linense de Letras e escritora.  São Paulo



publicado por Luso-brasileiro às 17:38
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS DE RANCOR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sinto-me chamada a escrever sobre as vivências de rancor. Aquilo que escrevo é para minha própria reflexão e, por certo, para encontrar um ponto de luminosidade com quem me lê, a fim de me melhorar a partir do outro. Escrever é um ato que prevê comunhão.
Penso no sentimento rancor que é antítese do amor: mágoa profunda instigada por uma ofensa ou pelo vitimismo. Não importa a causa, alimentá-lo envenena por dentro e o entorno. Na ofensa, o melhor antídoto é o perdão, No vitimismo, recordo-me das Instruções de São Doroteu, abade do séc. VI: “... o motivo de toda a perturbação é este: ninguém se acusa a si mesmo. (...) Na realidade, se alguém se examinar com diligência e temor de Deus, nunca se sentirá completamente inocente e cairá na conta de que, por obras ou palavras ou atitudes terá dado algum motivo de queixa”. Entrar na verdade pessoal e na verdade do próximo, com coragem, assumindo erros, sem pedras nas mãos, liberta.
Estou lendo o livro: “Amar no es acertar – Espiritualidad para náufragos” do padre espanhol carmelita descalço, Miguel Márquez Calle. Em dos textos, ele comenta sobre os demônios, sobre o Mal, com maiúscula, que destrói a pessoa, a divide, a afasta de seu lugar, de seu centro. O mal no próprio coração, que o endurece, que o amesquinha, que se relaciona com os demais à base de violência. E essa hostilidade, por certo, inúmeras vezes, se encontra nas palavras e no modo com que se olha.Padre Calle conclui o texto com uma afirmação e uma pergunta: “É verdade que há muitos demônios soltos por aí, então, por que não nos convertemos em anjos, anjos da luz, de paz, de solidariedade compassiva?”
Incomodam-me o surgir de meus rancores nesta ou naquela circunstância.Ah, como é difícil domar o coração! A proposta dos carmelitas descalços para buscar a Deus, em horas assim, é evitar o confronto, calar os pensamentos e sentimentos de amargura, ressentimento, raiva, não desviar os olhos da Cruz e juntar-se ao sonho e ao projeto de Jesus.
Que o Senhor me ilumine, fortaleça-me no bem e me livre dos rancores!

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



publicado por Luso-brasileiro às 17:35
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ALEXANDRE ZABOTE - COMO O MICROCOSMO E O MACROCOSMO REVELAM DEUS ?

 

 

 

 

 

 

 

 

Alexandre Zabot

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diz a Bíliba que “narram os céus a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos” (Sl 18, 2); e ainda “é a partir da grandeza e da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece o seu autor” (Sab 13, 5). A natureza revela Deus aos homens pois Ele nos criou capazes de conhecê-Lo e de ler na natureza os sinais da Sua existência. O microcosmo e o macrocosmo revelados pela ciência nos mostram esses sinais de Deus através da beleza, bondade e verdade que podem ser captados pelo homem.

O Catecismo da Igreja Católica (parágrafos 31 a 35) diz que o homem traz em si o desejo de procurar a Deus. É um desejo inscrito pelo próprio Criador. Não importa o quanto queiramos fugir, sempre somos atraídos para Ele. Ninguém explicou isso melhor do que Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti.” (Confissões 1, 1).

Mesmo os cientistas ateus pressentem algo de divino nas suas pesquisas. É comum ouví-los falar de “ordem cósmica” ou de “grandes harmonias”. Acontece com eles o que fala santo Agostinho:

"Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar interroga a beleza do ar que se dilata e difunde, interroga a beleza do céu (...) interroga todas estas realidades. Todas te respondem: Estás a ver como somos belas. A beleza delas é o seu testemunho de louvor. Essas belezas sujeitas à mudança, quem as fez senão o Belo, que não está sujeite à mudança?" (St Agostinho, Sermão 241. Apud CIC 32)

Todos os físicos que conheço têm uma admiração imensa pela beleza das leis físicas e pela maneira majestosa e sofisticada como a Física é construída a partir da Matemática. Para o cientista, a beleza de uma teoria está ligada à verdade que essa teoria pode representar do mundo natural. Uma teoria feia e desarmoniosa não pode ser correta.

Hoje a Física está construída de tal modo que as leis que regem os fenômenos das escalas mais pequenas (coisas que acontecem dentro do núcleo de um átomo) são importantes para eventos em larga escala do universo. Tudo está conectado, e as explicações para os mais diversos fenômenos se complementam formando um quadro único e harmonioso. Na divulgação científica dos jornais fala-se com frequência dos muitos aspectos que ainda não foram explicados pela ciência, mas na verdade estão tratando de pequenos detalhes de acabamento num edifício enorme e imponente que é a ciência moderna.

Tamanho é o encanto que as descobertas da ciência causam nos cientistas e nas pessoas que muitos se perdem adorando a criação, ao invés do Criador. É comum ouvir falar de uma “consciência cósmica”, ou de uma divindade manifestada nas leis naturais. São expressões neopagãs, que atiram o homem na lama das crendices, da magia e das superstições mais uma vez.

O cristão sabe que a natureza não é Deus, é criatura sua. Tampouco a natureza revela Deus completamente, é só uma sinalização. Infelizmente, o homem ferido pelo Pecado Original já não consegue distinguir com clareza os sinais que Deus nos deixou. Alguns se perdem adorando a natureza, e não o Criador:

"São insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus, e, através dos bens visíveis, não souberam conhecer Aquele que é, nem reconhecer o Artista, considerando suas obras. Tomaram o fogo, ou o vento, ou o ar agitável, ou a esfera estrelada, ou a água impetuosa, ou os astros dos céus, por deuses, regentes do mundo." (Sab 13, 1s)

 

 

 Escrito em 02/02/2016

 

 

 

ALEXANDRE ZABOT   -    Fisico. Doutorado em Astrofisica. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina.  www.alexandrezabot.blogspot.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:34
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JOSÉ RENATO NALINI - COMO SERÁ 2025 ?

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Faltam apenas sete anos. Mas segundo os informes do Fórum Econômico Mundial, com seu relatório “Deep Shift”, os impactos que ocorrerão até lá vão modificar ainda mais nossa vida.

            Os pontos de inflexão mostram que dez  por cento das pessoas usarão roupas conectadas à internet. Noventa por cento da população contarão com armazenamento ilimitado e gratuito, financiado por propaganda publicitária. Um trilhão de sensores conectados à internet. Já estará em ação o primeiro farmacêutico robótico dos Estados Unidos.

            Dez por cento dos óculos de leitura estarão conectados à internet. Será produzido o primeiro carro impresso em 3D. Já existirá o governo a substituir o censo por fontes de big-data. Haverá telefone celular implantável e comercialmente disponível.

            Cinco por cento dos produtos aos consumidores serão impressos em 3D. Noventa por cento da população terá e usará smartphones. A mesma percentagem terá acesso à internet.

            Carros sem motorista chegarão a dez por cento de toda a frota automobilística. Haverá transplantes de fígado impresso em 3D. Trinta por cento das auditorias corporativas serão realizadas por Inteligência Artificial. Haverá arrecadação de impostos através de um blockchain. Dez por cento do produto interno bruto mundial será armazenado pela tecnologia blockchain.

            Mais de cinquenta por cento do tráfego de internet será voltado para os utilitários e dispositivos domésticos. Globalmente, haverá mais viagens e trajetos por meio de partilha do que em carros particulares. Haverá cidade sem semáforo, independentemente do número de pessoas.  A primeira máquina de Inteligência Artificial integrará um Conselho de Administração.

            Não se exclui a possibilidade de outros avanços, hoje ainda não detectados. A mutação causada por essa escalada científica e tecnológica afetará profundamente a economia, a sociedade, a cultura e o convívio entre as pessoas.

            O mais importante é garantir que o desenvolvimento não separe ainda mais as pessoas, entre as que são servidas por esse arsenal de novidades e aquelas que vão continuar excluídas. Esse o principal desafio posto a uma era em que as pessoas se mostram egoístas, consumistas e insensíveis. Ressalvadas as honrosas e cada vez mais raras exceções.

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista



publicado por Luso-brasileiro às 17:25
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FELIPE AQUINO - O MARTÍRIO DAS CARMELITAS NA REVOLUÇÃO FRANCESA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A escritora Gertrud von le Fort mostrou em seu livro A ÚLTIMA AO CADAFALSO, por meio de recursos literários, o quão perversa e sanguinária foi a Revolução Francesa (1789) que nada teve de “Igualdade, liberdade e fraternidade”, como se propaga, mas foi a encarnação diabólica do mal na França, especialmente contra a Igreja Católica.

 

 

O texto abaixo, faz parte da narrativa que, baseada em fatos reais, mostra o assassinato covarde e revoltante de 16 irmãs carmelitas de Compiègne, na guilhotina, acusadas maldosamente de serem “subversivas” e inimigas da Revolução. Como, se eram enclausuradas? Foi o ódio de Satanás contra aquelas que ofereciam a Deus a sua vida para aplacar a cólera de Deus na França.

Esta obra de uma forma geral, por meio da trama que se desenrola para explicar o que aconteceu com Carmelitas de Compiègne, nos ajuda a compreender profundamente o contexto da Revolução Francesa e o quanto foi cruel.

 

 

 

 

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Leia também: Os Quatro “Nãos” da história

O que pensar sobre a intolerância religiosa?

 

 

 

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Leia este pequeno trecho:

 

“São cerca de oito horas da tarde. É verão e o céu ainda está claro. A multidão comprime-se em volta da guilhotina, erguida no centro da antiga Place du Thrône, atual Barriére de Vincennes. Junto dos degraus que conduzem ao cadafalso, o carrasco, Charles-Henri Sanson, espera respeitosamente de pé, flanqueado por dois ajudantes. O calor é opressivo, e em toda a praça reina um odor mefítico de sangue. Vindos da cidade, despontam os carroções. Hoje são dois, e vêm bastante cheios: ao todo, serão quarenta vítimas. Recebem-nas as exclamações e ameaças habituais, mas o barulho logo se abafa em murmúrios de espanto. Acontece que, entre os condenados, se veem diversas mulheres de capa branca: são as dezesseis carmelitas do convento de Compiègne, Ao contrário dos seus companheiros de infortúnio, não deixam pender a cabeça nem choram ou gritam; trazem o rosto erguido, e a linha firme do corpo é sublinhada pelas mãos amarradas às costas. E cantam: aos ouvidos de todos, ressoam as notas quase esquecidas da Salve Rainha em latim e do Te Deum. Até para o mais empedernido dos basbaques presentes, é um espetáculo inaudito.

Quando os carroções param ao pé do cadafalso, o burburinho faz-se silêncio absoluto. Até essas mulheres histéricas, as chamadas “fúrias da guilhotina”, que sempre estão na primeira fila dos espectadores, emudecem.

As primeiras a descer são as carmelitas. Uma delas, a priora, Madre Teresa de Santo Agostinho, aproxima-se do carrasco e pede-lhe que lhes conceda uns minutos para poderem renovar os seus votos e que a deixe ser a última a sofrer a execução, para que possa animar cada uma das suas filhas até o fim. Sanson, o carrasco, alma delicada, concorda de bom grado.

Todas juntas, cantam o Veni Creator Spiritus. A seguir, renovam os seus votos religiosos. Enquanto rezam, uma voz de mulher sussurra na multidão: “Essas boas almas, vejam se não parecem anjos! Pela minha fé, se essas mulheres não forem diretas ao paraíso, é porque o paraíso não existe!…”.

A priora recua até a base da escada. Tem nas mãos uma estatueta de cerâmica da Virgem Maria com o Menino Jesus ao colo. A primeira a ser chamada, a mais jovem de todas, é a noviça Constança. Ajoelha-se diante da Madre e pede-lhe a bênção. Segundo uma testemunha, ter-se-ia também acusado nesse momento de não haver terminado o ofício do dia.

Com um sorriso, a Madre diz-lhe: “Vai, minha filha, confiança! Acabarás de rezá-Io no Céu”…, e dá-lhe a beijar a imagem. Constança sobe rapidamente os degraus, entoando o salmo Laudate Dominum omnes gentes, “Louvai o Senhor, todos os povos”. “Ia alegre, como se se dirigisse para uma festa”. O carrasco e seus ajudantes, com gesto profissional, dispõem-na debaixo da guilhotina. Ouve-se o golpe surdo do contrapeso, o ruído seco da lâmina que cai, o baque da cabeça recolhida num saco de couro. Sem solução de continuidade, o corpo é lançado ao carroção funerário.

Uma por uma, as freiras ajoelham-se diante da priora e pedem-lhe a bênção e permissão para morrer. Cantam o hino iniciado por Constança. Quando chega a vez da Irmã de Jesus Crucificado, que tem 78 anos, os jovens ajudantes do carrasco têm de descer para ajudá-la a vencer os degraus. Ela diz-lhes afavelmente: “Meus amigos, eu vos perdoo de todo o coração, tal como desejo que Deus me perdoe”.

Só falta a Madre. Com gesto simples e firme, beija a estatuinha e confia-a a primeira pessoa que tem ao lado*. Tem 41 anos, um rosto expressivo, nem muito bonito nem feio; o porte é, mais do que altivo, descontraído. Os olhos castanhos, sofridos, mas irradiando bondade, procuram os do Pe. Lamarche, que as confessara no dia anterior na prisão e que se encontra entre a multidão. Como quem tem pressa em concluir uma tarefa urgente, sobe por sua vez os degraus. Agora tudo terminou. Pode-se cortar o silêncio como se fosse um queijo. Muitos dos assistentes choram baixinho. Anos mais tarde, encontrar-se-ão – registrados em cartas pessoais, diários íntimos e memoriais – os ecos da emoção que experimentaram e dos efeitos que ela lhes causou: muitos sentiram a necessidade de mudar de vida, de retomar a prática dos sacramentos, um ou outro de ingressar num convento… Um deles, um menino que presenciara a cena das janelas de um prédio situado em frente da guilhotina, guardou dela uma impressão tão profunda que, anos mais tarde, quando fazia o serviço militar, carregava sempre consigo as obras de Santa Teresa de Ávila e acabou por fazer-se sacerdote. “O amor vence sempre”, costumava dizer a Madre priora; “o amor vence tudo”.

 

 

 

 

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Ouça também: Curiosidades sobre a Revolução Francesa

 

 

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(*) Essa imagem foi devolvida mais tarde à Ordem e encontra-se hoje no Carmelo de Compiègne, novamente fundado em 1867.

Os corpos foram levados às pressas para o antigo convento dos agostinianos do Faubourg de Picpus. Lá foram lançados na fossa comum e cobertos de cal viva. Hoje há ali um gramado cercado de ciprestes, com uma simples cruz de ferro. É um lugar de silêncio e oração.

Na capelinha anexa a esse cemitério, há uma lápide que traz o nome das dezesseis mártires beatificadas em 27 de maio de 1906 por São Pio X.

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:09
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PAULO R. LABEGALINI - UMA HISTÓRIA INTERESSANTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Assisti um filme na TV que contou a história de um homem descrente em Deus. Certo dia, quando estava blasfemando porque não sarava logo de uma gripe, foi surpreendido com a visita de Satanás – que veio com uma proposta: se lhe entregasse a alma, não teria mais doenças e nunca iria morrer!

Maravilhado com a possibilidade de não envelhecer e ficar para sempre aqui na terra, o ateu aceitou prontamente a oferta. A partir daquele dia, usou e abusou dos “privilégios” de ser um imortal: se expunha a acidentes para receber o seguro, trocava de esposas quando elas envelheciam etc.

Passados alguns anos, cometeu um crime ao envolver-se numa briga e, mesmo preso, desafiava as autoridades a executá-lo na cadeira elétrica – pois sabia que não morreria. Mas, como tudo o que não vem de Deus não traz felicidade, foi condenado à prisão perpétua! Dali em diante, solitário numa cela, passava os dias chorando e pedindo a sua alma de volta para que pudesse deixar este mundo.

Caso trágico, não? Imagine agora você, leitor(a), quanta gente perde a própria alma cada vez que aceita definitivamente propostas que ofendem a Deus!

Nada melhor do que aproveitar para refletir melhor sobre a vida que levamos. Se negarmos mais esse chamado do Pai, será que teremos novas chances de conversão? Existe missão mais nobre do que salvar a própria alma?

Para chegarmos ao Céu, com certeza, temos que nos acostumar a praticar mais o perdão, a oração, a caridade e a justiça social. Adianta dizer ‘Pai nosso’ se o pão é só meu? Adianta pedir perdão a Deus pelos pecados se guardo ressentimentos de algum irmão? Estou agradando ao Senhor se não participo de nenhum movimento na Igreja em favor dos menos favorecidos? Com certeza, alguma conferência vicentina se reúne pertinho de você toda semana!

Procurando melhorar nisso tudo, peço a Nossa Senhora que me ajude a crescer em espiritualidade e fé cristã. Como ela nunca me desamparou e me sinto comprometido com as obras de Deus a cada dia, sugiro que você faça o mesmo.

Unidos, não nos arrependeremos de um dia testemunhar uma história muito mais interessante do que a que contei no início do artigo. E o título será: “Com Jesus e Maria, vencemos!”.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



publicado por Luso-brasileiro às 17:00
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - HÁ DE TUDO...COMO NA BOTICA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao ouvir, na TVI, o caso das crianças adotadas por dirigentes da IURD, lembrei-me de pobre-diabo, que conheci no Café “ Chave D’Ouro”, no Porto.

Certa tarde – já lá vão décadas, – achei-me a conversar com evangelista, que se intitulava: pastor.

Animado pela conversa, começou a contar-me um pouco da sua vida. Era operário da construção civil. Mais por brincadeira, do que por convicção – pois até era de esquerda, – inscreveu-se na “Legião”.

Diziam que era bom, e obtinha-se vantagens…” rapidamente verificou que, dessa atitude, nada ganharia… ainda se fosse funcionário publico! …Talvez….”

Passou a frequentar o culto numa Igreja Evangélica, e como verificasse que havia membros que recebiam “ regalos”, logo tentou ocupar lugar visível.

Conseguiu ser leitor. “ Pouco ou nada obti, mas ganhei experiência, e conheci gente, que me foi útil…“

Depois… passou para nova Igreja, de denominação diferente, até que teve a felicidade de ser escolhido para ir a congresso, que se realizou em Londres. “ Pagavam as viagens e deram-me estadia, em casa de irmão…”

Quando regressou, teve conhecimento, que havia padeiro, que fora convidado para pastor, com o vencimento de seis mil escudos! …

Tentou ser sacerdote, mas, por escassearem-lhe dons oratórios, e sofrer de fobia, ao falar diante de grande assembleia, não foi aceite.

Assentou, então, criar a “ sua Igreja”. Alugou garagem, e convenceu alguns membros a acompanha-lo. “ É grupinho pequeno, mas temos ranchinho de catraios. Recebo, de Londres, folhetos e livrinhos, e dou-lhos. Ficam tão contentes! …”

Andava, então, a oferecer, a várias Igrejas, os seus serviços, na esperança que alguma aceitasse o “ grupinho”, em troca de salário, que servisse para aumentar a renda! …

Nunca soube se chegou a conseguir a almejada renda.

 

***

 

Estando em Roma, instalado em aposentos da Faculdade Católica, conheci frade franciscano, transmontano, que me contou:

 Indo de férias, a Portugal, fora contactado para pastor de seita, oferecendo-lhe bom vencimento. Dinheiro que vinha da América. Não aceitou, porque estava na Ordem, por convicção.

Também, nessa ocasião, conheci, na via Merulana, pobre monge, de hábito remendado e puído, que me foi apresentado como verdadeiro discípulo de S. Francisco.

Dizia-me o “ fratello”, à puridade, ao apresentar: “ Esse sim, é um santo! …Bom era que todos nós fossemos como ele! …”

Devo esclarecer, em abono da verdade, que há, em todas as Igrejas, mesmo nas seitas, gente boa e santa.

Conheço pastor, licenciado, que recusou remuneração da Igreja, porque consegue viver com o que usufrui de seu emprego. E não é caso único…

Há de tudo – costuma-se dizer, – como na botica. Quem vê caras, não vê corações…Só Deus conhece o que pensa o coração de cada um.

Na religião, na política e também no desporto, como as portas estão abertas, entra toda a espécie de pessoa; por mais escolhas que se faça, há sempre “joio”, na rede.

Dizia minha prima Rosinha, quando falavam da má conduta de sacerdotes:” Para mim, o que interessa, é o que fazem no altar! O resto, é com eles!...”

E tinha razão…Já Jeremias avisava: que o Senhor aconselha a não confiar nos homens – Jr.17:5

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 16:40
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EUCLIDES CAVACO - ALMA LUSÍADA - poema e voz de Euclides Cavaco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais um poema de transparente portugalidade demonstrada neste video de Gracinda Coelho:

 



https://www.youtube.com/watch?v=21rmCWFFBDI&feature=youtu.be

 

 

 

Desejos duma magnífica semana.

 

 

 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

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Palavra do Pastor, com Dom Vicente Costa, 

 

bispo diocesano de Jundiaí

 

16º Domingo do Tempo Comum

                            

https://youtu.be/jtADkbknKDE

 

 

 

 

 

 

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NOTICIAS DE PORTUGAL

 

 

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 Fonte:Jornal " A Ordem" de 12/07/2018

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 16:23
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Quinta-feira, 12 de Julho de 2018
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - DIA INTERNACIONAL DE NELSON MANDELA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Após um trabalho em nível mundial para que o dia de seu aniversário, 18 de julho, fosse anualmente dedicado ao voluntariado, desde 2012 é celebrada nesta data o Dia Internacional de Nelson Mandela, outorgado pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Um ótimo momento para mobilizar no mundo a cidadania, através de ações efetivas, pressionando políticos e governo para enfrentarem concretamente a questão do racismo, já que a Justiça exige a igualdade, um de seus elementos intrínsecos. Com efeito, ela concebe que não se venham a tratar desigualmente pessoas ou situações entre si iguais.

No Brasil, a luta por isonomia parte de um pressuposto legítimo: de acordo com a Constituição Federal, preconceito contra um indivíduo ou um grupo social pela sua raça, ou seja, cor de pele, país ou cultura é crime inafiançável, sendo que a legislação penal prevê pena de um a seis anos de reclusão àqueles que o praticarem sobre quaisquer formas. Contudo, as estatísticas constatam que a desigualdade racial persiste, a despeito dos diplomas legais vigentes.

Por isso, vale a pena reverenciarmos a vida e obra desse grande líder mundial, marcadas pela decisão de libertar não só a si mesmo, mas a todos os negros oprimidos sob o “apartheid” - regime institucionalizado de segregação racial por supremacia branca, extremamente opressor e que prevaleceu durante longo período na África do Sul, sua pátria. Nascido em 1918 em Mvezo, com o nome de Rolihlahla (“criador de problemas”), passou a ser chamado de Nelson por sua professora em 1925.

Sua trajetória começou em 1943, quando aderiu ao partido Congresso Nacional Africano (CNA) cujos propósitos tomaram grandes proporções, com enfrentamentos e mortes. Em 1960, uma passeata de 10 mil manifestantes que entoavam canções de liberdade terminou com a morte de 69 pessoas e mais de 200 feridas. O CNA passou então para a clandestinidade em 1964 e milhares de militantes foram presos, inclusive ele, sendo condenado à prisão perpétua por sabotagem e conspiração contra o Estado sul-africano. E mesmo preso, continuou a fazer apelos pela continuidade das realizações  a favor do completo equilíbrio entre raças.

 Durante quase 27 anos, foi o detento 466/64 do presídio da Ilha de Robben, número esse que hoje dá nome à campanha contra a AIDS que ele promoveu durante muito tempo. O grito de seus partidários “Libertem Mandela”, com campanhas em inúmeros países e shows com a participação de consagrados artistas internacionais, fez eco por todo o mundo, até que, aos 72 anos, ele foi libertado. O maior evento foi o festival “Free Mandela” (Liberdade para Mandela), realizado em Londres em 1988, comemorando seus 70 anos.

 Ganhou incontáveis prêmios pela defesa dos direitos humanos, sendo o mais notório, o Nobel da Paz de 1993. Em 1994, pela primeira vez na história da África do Sul, os negros puderam votar – e o elegeram para governar o País. Honrando a palavra, ele foi presidente por apenas um mandato. Veio a falecer no dia 5 de dezembro de 2013, continuando a ser um dos homens mais admiráveis de todos os tempos.

 Por ocasião da data que avizinha e a qual o reverencia mundialmente, transcrevemos alguns de seus pensamentos, reveladores de suas firmes convicções: “Ninguém nasce odiando outro por cor, origem ou religião. Precisa aprender e pode ser ensinado a amar.” - "Sonho com o dia em que todas as pessoas levantar-se-ão e compreenderão foram feitos para viverem como irmãos." - "Uma boa cabeça e um bom coração formam uma formidável combinação."- "A queda da opressão foi sancionada pela humanidade, e é a maior aspiração de cada homem livre." - "A educação é a arma mais forte que você pode usar para mudar o mundo".

         Que seus gestos e suas palavras sirvam de inspiração e de exemplos para milhares de atividades positivas em todo o mundo, principalmente o Brasil, para extinguirmos definitivamente as manifestações discriminatórias, persistindo no firme propósito de alcançarmos o triunfo da igualdade!

        

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

 



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - OPORTUNA INICIATIVA PARA REVIGORAR A ARTE DOS PRESÉPIOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Os presépios são representações artísticas do cenário singelo e ao mesmo tempo rico em simbolismo da gruta de Belém, na qual nasceu Jesus Cristo, o Filho de Davi, o Esperado das Nações, Aquele que reconciliaria, por sua Paixão e Morte, a humanidade pecadora com o Criador.

Os Evangelhos são extremamente parcimoniosos no relato das circunstâncias concretas que cercaram o Natal. Dois Evangelistas, Marcos e João, silenciaram de todo. São Mateus, numa única frase, registrou que Jesus nasceu em Belém de Judá no tempo do rei Herodes, e logo a seguir passou ao relato da visita dos magos que vieram do Oriente, guiados pela estrela, para adorar o Menino (Mt, 2,1-12). São Lucas, o que mais extensamente tratou do acontecimento, limitou-se a dizer que José e Maria não encontraram alojamento na estalagem e por isso o Menino nasceu numa manjedoura, foi envolto em panos e ali recebeu a visita dos pastores (Lc 2,1-20).

Na tradição eclesiástica, em parte baseada em elementos confiáveis de alguns apócrifos muito antigos, firmou-se a ideia completa da gruta e dos animais que compuseram o quadro. Manjedoura, ou presépio, era o recipiente em que os animais comiam; essas mesmas palavras, por extensão, também podiam designar o estábulo ou aprisco, local em que os animais eram recolhidos à noite; tais abrigos, na região de Belém, geralmente eram localizados em grutas naturais. A presença do boi e do asno, reconhecendo e adorando o seu Senhor, foi textualmente registrada no apócrifo Evangelho do Pseudo Mateus (cap. XIX), que influenciou bastante a literatura e a arte medievais. Essa presença tem alguma base escriturística na aplicação, endossada pela autoridade de São Jerônimo (Epitaphium Sanctae Paulae, 10), de uma passagem do Profeta Isaías: “O boi conhece o seu dono e o jumento conhece o presépio do seu senhor, mas Israel não me conheceu e meu povo não teve inteligência” (Is 1,3).

A tradição, a piedade e a livre imaginação dos fiéis produziram, ao longo dos séculos, incontáveis representações de presépios, desde as mais simples e ingênuas, até as mais especiosas e requintadas. Os elementos essenciais do presépio são, evidentemente, Jesus, Maria e José. Elementos acessórios, mas quase indispensáveis, são o jumento e o boi. Quanto ao mais, a imaginação é livre. Não há limites para ela. A variedade é imensa e é inesgotável.

São Francisco de Assis, no início do século XIII, teve pela primeira vez a ideia de formar presépios vivos. Realizou seu intento na cidade italiana de Greccio. Coube à espiritualidade franciscana colocar os presépios tão no foco da devoção e da arte no mundo inteiro, mas já muito antes disso havia representações iconográficas e iluminuras natalinas. Algumas bem antigas foram preservadas até hoje, como por exemplo o afresco, provavelmente do século IV, que se vê numa das galerias do cemitério de São Sebastião da via Ápia; nele aparecem o boi e o jumento, ajoelhados diante do Menino-Deus envolto em panos.

Nenhum símbolo natalino é tão completo e tão universal quanto o presépio. A árvore de Natal, de origem germânica, o Papai Noel (modo artificial e pouco piedoso de laicizar a figura clássica do bispo São Nicolau), a estrela de Belém, os sinos - tudo isso exprime o Natal, sem dúvida, mas nenhum de modo tão perfeito quanto o presépio. Infelizmente, na vida moderna descaracterizou-se de todo o autêntico espírito de Natal e por isso até mesmo representações do presépio são prejudicadas por elementos que as distorcem.

Uma oportuna iniciativa está sendo tomada, em Santiago de Cacém, na província portuguesa do Alentejo, para restaurar a velha e venerável tradição dos presépios portugueses. Meu amigo Dr. José António Falcão - membro da Academia Portuguesa da História, autor de numerosos livros sobre museologia e História da Arte Portuguesa, alguns dos quais premiados pela UNESCO - e sua esposa, a conservadora-restauradora Sara Fonseca Falcão, articularam os esforços de um numeroso grupo de pessoas e estão lutando para restaurar no Alentejo a tradição do verdadeiro presépio português. No antigo quartel dos bombeiros de Santiago do Cacém, foi montado e estará aberto ao público neste mês de dezembro, um autêntico presépio lusitano. Durante o período, uma intensa atividade cultural será realizada, com conferências, concertos musicais e visitas guiadas. O objetivo é bem claro: preservar e revigorar a arte dos presépios, renovando-a criteriosamente, mas sem romper com o espírito tradicional.

Transcrevo da nota de imprensa que recebi as próprias palavras do Dr. José António Falcão, que além de idealizador da iniciativa é também dirigente da entidade que o está promovendo, o Centro UNESCO de Arquitetura e Arte (UCART): “O presépio português faz parte de uma rica tradição europeia, mas tem personalidade própria, em que marcam presença as cenografias baseadas em paisagens naturais, a multiplicação de cenas da vida rural e urbana, a alternância de escalas e o destaque conferido à Sagrada Família, que é o seu epicentro. Não se trata de manter a arte presepística como algo parado no tempo, há todo um espaço de inovação a valorizar, mas o que ocorre agora é uma amálgama de coisas sem sentido e sem gosto, que perturba inclusivamente a captação da mensagem de fundo do Presépio”.

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOSé historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História



publicado por Luso-brasileiro às 11:11
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - O LIVRO NOSSO DE CADA DIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Mesmo antes de aprender a ler eu já era fissurada por livros e pela mágica que são capazes de produzir assim que suas páginas são abertas. Tão logo aprendi a ler, nunca mais consegui me manter longe de um livro.  Não se passa um único dia no qual eu não tenha lido algo, sem que eu tenha me aventurado para dentro de alguma outra realidade, outro mundo ou simplesmente para vida de outras pessoas.

            Acredito até que quando o assunto é livro eu tenho praticamente uma compulsão. O detalhe é que não tenho o mesmo ímpeto consumista para praticamente nada. Sou uma pessoa de gastos ponderados, que planeja e gasta de acordo com os recursos disponíveis. Contudo, perco a cabeça quando entro em alguma livraria ou mesmo banca de jornal. Ainda que eu não faça loucuras, sempre saio carregada de livros. Na pior das hipóteses (ou na melhor?) saio de lá com ao menos um exemplar.

            Não adquiro livros, porém, para que se tornem acessórios em uma estante. Compro para consumi-los, devorá-los, em uma fome que me ultrapassa. Não estou aqui querendo me qualificar como intelectual ou coisa do gênero. Tampouco é falsa modéstia. Até mesmo porque meu gosto para leitura é muito variado, indo desde gibis, fontes das minhas primeiras leituras, passando pelos policiais e ficções das mais diversas, para somente depois encontrar os livros técnicos, relacionados às áreas nas quais milito.

            A coisa toda é que gosto mesmo de ler, compulsivamente. Assino revistas, jornais e boletins, físicos ou eletrônicos. Faço parte de dois clubes de livros e todos os meses fico alucinada quando vejo o correio trazer minhas caixinhas. Tenho ainda um kindle, dispositivo para leitura de livros digitais, capaz de armazenar milhares de livros e que, tendo iluminação própria, permite que eu leia em qualquer ambiente, mesmo onde não há luz ou no qual a luz poderia incomodar a quem está dormindo. Aliás, preciso ler para dormir, nem que sejam poucas páginas. É mais como o passaporte que adquiro como ingresso aos sonhos que se seguirão.

            Tenho o sincero propósito de ler todos os livros que tenho comigo. O grande problema é que enquanto leio uns 4 por mês, compro uns 5 e assim estou sempre um passo atrás de mim mesma. Além disso, sabendo desse meu hábito, sempre há quem me presentei com algum exemplar ou, tendo lido um bom livro, ofereça para me emprestar, o que prontamente aceito.

            Embora não empreste meus livros para qualquer pessoa, gosto de fazê-lo para aqueles que sei que os lerão e, sobretudo, devolverão. Tenho ciúme deles, confesso. São meus como são de alguém as suas memórias. São memórias alheias, dos autores ou dos personagens, das quais me aproprio despudora e eternamente.

            Não sou pessoa de dar conselhos, até porque apreendi que isso quase sempre é inútil, mas a quem deseja ampliar seus horizontes, viver várias vidas em uma, recomendo doses maciças de livros, até porque eles existem para todos os gostos, de todos os sabores. Livro é tão bom que deveria ser adjetivo, segundo li certa feita. Gosto tanto disso que, quando eu morrer, quero ser enterrada dentro de um...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada,professora universitária, membro da Academia Linense de Letras e escritora.  São Paulo



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - PELOS TRAÇADOS DE DEUS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Com a mãe me deparei no inicio da década de 80. Conheci aos poucos sua história de ascensão e queda. Escalada, ainda menina, nos palcos ébrios, que exalavam suor. E o tombo veio no degrau da realidade. Apareceram em seu rosto sinais prematuros de cansaço e fastio.
Retorno sempre ao assunto: abuso sexual infantil. É tão perverso. Como tanta gente tem dificuldade em perceber as sequelas tenebrosas. E se os abusados forem de situação de pobreza, pior ainda, pois as denúncias e as possibilidades de tratamento são menores. Os responsáveis, algumas vezes, veem no comportamento da filha ou do filho um aceno para que o abuso aconteça. E as vítimas encaram como sina e seguem seu destino de conformação com as tragédias.
A realidade dela, a partir dos sete anos, teve esse alicerce de desmoronamento. São 45 anos de procura pelo equilíbrio que lhe faltou e que poderia ter lhe oferecido uma proposta diferente. Foi pouco à escola. Difícil conciliar alfabetização e números com o coração em feridas pelas marcas de rompimento na pele ingênua. Ela própria se colocava nos cantos de solidão. 
Os ataques ao seu corpo de menina, contudo, não lhe impediram de ser defensora da vida. Nesse tempo de instabilidade, provocada pelos desacertos que lhe impuseram, vieram filhos. Os de seu entorno consideravam que essas crianças eram apenas o resultado de desatinos dela. Sem condições de criá-los, mas os reconhecendo como únicos e filhos de Deus, jamais considerou a hipótese de lhes tirar o direito à vida antes de nascer, embora, naquela época, uma aborteira rondava a praça de luzes sombrias, oferecendo seus préstimos. Levava-os, com a alma em prantos, ao Fórum, para adoção. No final de sua vida, essa aborteira, entre a lucidez e a insanidade, cuidava de uma porção de bonecas, que mantinha em sua cama. Dizia-me que eram bebês que ela destruíra e que, naquele tempo, recuperava para a sobrevivência. Tão forte isso!
Mas voltando à mulher, de pureza maculada, sem formas de defesa: apareceu, nas redes sociais, uma moça que talvez seja uma de suas filhas que foram para adoção. A mãe busca a filha para lhe explicar os acontecimentos da época. A filha busca a mãe para saber de suas origens. As duas me enviaram fotos para ver se identifico na filha semelhança com a mãe. Concluo que são traçados de Deus Amor para o reencontro.
 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



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