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Sábado, 27 de Outubro de 2018
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - OS LIVROS E AS POESIAS FALAM, A ALMA RESPONDE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   O Dia Nacional da Poesia no Brasil era comemorado em 14 de março, no aniversário de Castro Alves.  A partir de 2015, a Lei 13.131 mudou a data para a do nascimento de Carlos Drummond de Andrade, ou seja, 31 de outubro, próxima quarta-feira.

  Vale a pena comemorá-lo. Com efeito, a poesia é a voz da alma e, como tal, imprescindível para que possamos retratar nossa imaginação. Tanto que pouco antes de morrer em 1987 o próprio Drummond, com toda razão, se expressou: “A poesia, que é um alimento para o espírito e o coração, pode ser vivida todos os dias. Ela tem me acompanhado por toda a vida”. Tenho um hábito: leio e posto diariamente trabalhos de poetas, consagrados ou não, tornando minha existência mais alegre, serena e permanentemente esperançosa.              Agradeço a Deus por existirem pessoas que em determinados momentos recebem inspiração para criar obras poéticas que nos encantam e levam a um mundo de magia, fantasia e até de reflexão. Prestando-se como meio de comunicação e expressão, dotado de inúmeros recursos, é um gênero literário que se diferencia por ter como matéria prima a interioridade de seus autores.             Apesar de se originar do grego, significando criação ou fabricação, a palavra vem há muito tempo denominando a arte de escrever em versos e eu completo: para nosso deleite. Evan do Carmo escreveu que “poesia é a arte da contemplação, da beleza e do absurdo. Música que se exprime com palavras”, enquanto Cecília Meirelles dizia que “a arte de amar é a mesma de ser poeta”. E o ensaísta argentino Ernesto Sábato se expressou: “Arte e literatura se unificam naquilo que chamamos poesia”. Mário Quintana extremava-se: “A diferença entre um poeta e um louco é que o poeta sabe que é louco... Porque a poesia é uma loucura lúcida”. Qualquer que seja sua concepção, a poesia é necessária para exaltarmos nossa sensibilidade, inspirando-nos a compartilha-la com quem convivemos. “A poesia imortaliza tudo o que há de melhor e de mais belo no mundo (Mary Shelley)

Por isso novamente invoco a Sociedade dos Poetas Mortos: “Não lemos e escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana e a raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração e engenharia, são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor... é para isso que vivemos” Sociedade dos Poetas Mortos)

 

 

Segunda-feira é o Dia Nacional do Livro

 

 

O Dia Nacional do Livro, 29 de outubro, surgiu em homenagem à fundação da Biblioteca Nacional do Livro, em 1810, pela Coroa Portuguesa. Na época, D. João VI trouxe para o Brasil milhares de peças da Real Biblioteca Portuguesa, formando o princípio da Biblioteca Nacional do Brasil (fundada em 29 de outubro de 1810). A data, além de homenagear e destacar a importância da Literatura e dos escritores, também busca conscientizar as pessoas sobre os prazeres da leitura. Com efeito, desde a Antiguidade, a obra literária é a grande companheira do ser humano, tanto que André Maurois brilhantemente indicou: “A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde”

 

 

            31 de outubro, comemoração do Halloween

 

 

Mais do que nunca, necessitamos manter nossas tradições para que não sejam influenciadas diretamente pelas de outros países, sem quaisquer referências com o nosso passado e o próprio futuro. A não ser que despreocupadamente estejamos perdendo definitivamente a nossa identidade cultural. Respeitamos e até gostamos das comemorações do “halloween”, mas não podemos esquecer nossas tradições, cumprindo, inclusive, o disposto no art. 216 da Constituição Federal: é “obrigação do Poder Público, mas com a colaboração da sociedade em geral, promover e proteger o patrimônio cultural brasileiro”.

 

 

                   Breve reflexão

 

 

Perguntaram para Carlos Drummond de Andrade se ele gostava de poesia. Sua resposta: “Se eu gosto de poesia?
Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor. Acho que a poesia está contida nisso tudo”.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - MALEFÍCIOS DE UMA FALSA DEMOCRACIA

 

 

 

 

 

 

 

 

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No sentido filosófico primeiro, conforme a terminologia clássica, democracia é uma das três formas simples de governo, ou seja, aquele em que a multidão governa. Na linguagem corrente, entende-se por democracia um estatuto jurídico-institucional em que os cidadãos gozam de certos direitos - inclusive o de votar e, dessa forma, participar da condução da coisa pública - e de liberdades muito amplas. Não pretendo estar aqui dando uma definição cabal do que seja democracia, mas apenas uma noção sumária. Definir cabalmente democracia é tarefa assaz árdua... se é que seja realizável. Cerca de 300 definições de democracia foram registradas numa tese de doutorado defendida numa universidade norueguesa, informa Eugenio Vegas Latapie em seu livro "Consideraciones sobre la Democracia" (Madri: Ed. Afrodisio Aguado, 1965, p. 22). A célebre frase tantas vezes atribuída a Abraham Lincoln ("democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo"), na realidade não é uma definição; a primeira condição para que uma definição realmente defina é que seja clara, que não contenha termos ambíguos; ora, nessa batida, sonora e vazia frase, a palavra povo não é tomada em sentido unívoco, mas em três sentidos diferentes...  

É preciso não confundir a boa e verdadeira democracia - vigente, por exemplo, em muitos cantões suíços ou, em âmbito municipal, nas vilas de Portugal antigo e do Brasil colonial - com as falsas democracias, decorrentes da Revolução Francesa.

As democracias demagógicas da atualidade são na verdade, falsas democracias; nelas, o povo se ilude, julgando que é soberano apenas porque, de tempos em tempos, emite um voto que, matematicamente, nada significa. Essas democracias demagógicas baseiam-se numa série de equívocos e problemas mal colocados, que têm raiz no Iluminismo e que a Revolução Francesa espalhou pelo mundo. Tais equívocos são o individualismo e o igualitarismo exacerbados, o culto cego do valor numérico, a pretensa infalibilidade das multidões, a soberania absolutista da nação, a noção de que o Estado é onipotente e não precisa estar sujeito a nenhuma ordenação de ordem moral ou ética. Esses equívocos profundos são apriorísticos e cerebrinos, sem qualquer base na realidade.

As falsas democracias pressupõem na realidade toda uma filosofia de vida, de fundo igualitário e libertário, incompatível com o Direito Natural e com o Bom Senso, e o mais das vezes são meros disfarces de cruéis totalitarismos. Um exemplo: segundo a falsa democracia, lei é a mera expressão da vontade popular. O que a multidão quiser, independente de qualquer consideração de ordem moral, será lei e deverá ser imposta como tal.

 Um dos pressupostos da falsa democracia é o de que a multidão sempre acerta. Um homem pode errar, mas quando se reúne a muitos outros, as inteligências de todos, somadas, são uma inesgotável fonte de sabedoria. Ora, de fato não são só as qualidades que se somam, mas também os defeitos, as paixões, os unilateralismos, os preconceitos etc. não somente se somam, mas também se potencializam.

 Dessa pseudo-infalibilidade das multidões se infere - na lógica da falsa democracia - a inexorabilidade da vontade popular. A multidão quis algo, seus representantes legislaram, logo aquele algo se transformou em lei.  Algumas consequências decorrem disso. De um lado, como raríssimamente a multidão pode querer algo por unanimidade, convencionou-se, também a priori, que as maiorias - simples ou absolutas, conforme o caso - exprimem suficientemente a totalidade da multidão. Ou seja, se a metade mais um quer algo, esse algo tem força de lei e a metade menos um restante é obrigada a obedecer. Por outro lado, como a vontade popular é de si móvel e oscilante, a multidão pode, por si ou por meio de seus representantes, hoje querer uma coisa, amanhã o contrário. Na lógica do radicalismo democrático, entra no corpo legislativo um elemento de instabilidade, de descontinuidade, que só pode produzir o caos. Não será caótico, por exemplo, o sistema legal brasileiro, com mais de 600 mil leis em vigor, no âmbito federal, estadual e municipal? Lembro que somente no âmbito municipal de Piracicaba a legislação local ocupou, há alguns anos, um grande número de volumes...

Outra consequência, ainda, e gravíssima, é que a multidão pode querer algo mau, e nesse caso fará inevitavelmente uma lei injusta, que redundará em prejuízo do bem comum.
Por outro lado, se a vontade da multidão é lei e é lei inexorável, no caso de essa multidão querer acabar com a democracia e, por exemplo, instaurar um regime ditatorial, injustamente arbitrário e violento - ou seja, precisamente o oposto da democracia - a democracia... terá sido democraticamente destruída! Hitler, no plebiscito realizado em agosto de 1934, foi esmagadoramente - e democraticamente, note-se - apoiado por 90% do povo alemão. Foi com pleno respaldo democrático que o nazismo, uma das piores tiranias que a História registra, subiu ao poder e nele se manteve durante muito tempo.

É por isso que digo que o absolutismo democrático contém os germes destruidores da própria democracia. É por isso também que sustento que a autêntica democracia não pode ser absolutista, mas deve ser subordinada a um Ethos e ao Direito Natural. Tal subordinação é condição de autenticidade para a democracia, e é condição de sobrevivência para ela.
Outra noção de importância primordial para a avaliação da verdadeira democracia é a de opinião pública. Num regime democrático, o parlamento é tanto mais autêntico quanto, de fato, ele reflete autenticamente a opinião pública de que é representante. Teoricamente pelo menos, a opinião pública influencia seus representantes, estes fazem a lei, e o governo, executando a lei, cumpre a vontade da opinião pública, isto é, da nação. Daí a importância da opinião pública em si, e sobretudo - ponto particularmente importante e muitas vezes esquecido - dos organismos que influenciam e condicionam a fundo a livre expressão da opinião pública, ou seja, os chamados meios de comunicação social. Porque estes, em última instância, acabam sendo os verdadeiros dirigentes do país.

Na perspectiva da falsa democracia, cada cidadão não vale senão tanto quanto vale seu voto. E um voto individual, perdido na imensa caudal de outros votos, quase nada vale. Não deixa de ser curioso que a mesma falsa democracia, que tanto hipertrofiou o individualismo, acabe reduzindo cada indivíduo a mero grão de areia numa praia imensa, só, isolado, incapaz de efetivamente influir no andamento da coisa pública, à mercê da tirania das maiorias numéricas que se movem ao sabor de forças que não está ao alcance dele controlar e nem sequer influenciar.

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS, é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História e da Academia Ptracicabana de Letras.

 



publicado por Luso-brasileiro às 15:36
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - DEVANEIOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Esse segundo semestre de 2018 está sendo meio estranho. Ao menos para mim. Para começar, essas eleições que mais parecem um campo de batalha do que um exercício da democracia. Um monte de gente se ofendendo e sendo ofendido. Mentiras são disparadas como munição de metralhadora. Cada piscada é um tiro. Ninguém parece preocupado em demonstrar seu plano de governo, mas sim o quanto o adversário pode ser abominável. E eu, que nem gosto de política, sequer consigo deixar de pensar ou escrever sobre o tema. Isso porque me prometi que hoje não o faria.

Fora isso, até para mudar de assunto, normalmente os últimos meses do ano trazem consigo uma carga diferente. Talvez seja porque todo mundo fica louco para concluir os projetos inacabados. Aquele mundo de coisas que prometemos fazer e que, sugados pela rotina, acabamos descumprindo. E os piores são aqueles que prometemos para nós mesmos. Porque esses são constantemente lembrados pelas nossas consciências. Diante da inevitabilidade do ano vindouro, já renegociamos nossas promessas no Serasa da vida e juramos, uma vez mais, que tudo será diferente.

Enfim, sinto eu também que deixei faltando muita coisa e sou assolada pela quantidade de coisas que ainda tenho que dar conta até o fim do ano, principalmente de ordem profissional. Por essas e por outras tantas, pego-me andando pelas ruas de São Paulo pensando sobre o que irei escrever nessa semana. Queria a leveza de palavrinhas mais tolas, mais amenas, mas enquanto procuro por elas, olhando ao meu redor, noto cenas que me causam aperto ao coração.

Preocupada com o que escrever, quase tropeço em um menino que, maltrapilho, dorme na calçada, muito provavelmente consumido fisicamente pelas drogas e emocionalmente por sabe-se-lá o quê. Penso que é cruel a forma como praticamente nos acostumamos com imagens como essas. Falamos em direitos das minorias, brigamos por poder, por futebol, defendemos religião, mas não vejo quase nenhum de nós dando voz a quem de fato não a tem. Sinto-me meio hipócrita nesse momento, além de impotente.

Curiosamente, enquanto tento digerir esse misto de sentimentos, ouço o som de  bem-te-vis cantando e não posso deixar de me maravilhar, considerando principalmente o fato de que estou em pleno centro de São Paulo, no bairro da Liberdade. Concluo que paradoxo é o que define essa cidade e esses tempos em que vivemos. Inevitável pensar no que será de nós, brasileiros, seja qual for o resultado das eleições. E lá vou eu de volta ao tema do qual venho tentado fugir...

Preparo-me para dar uma aula para estudantes de Direito e assim que inicio o tema do noite, o assunto resvala na política e logo alguém me pergunta em quem vou votar. Por óbvio não me manifesto, até porque não gosto de misturar as coisas e nem acho justo fazê-lo. Saio pela tangente e digo que fora dali, em outro contexto, não me importo de dizê-lo.

Prossigo a aula, um tanto cansada e ainda sem uma ideia específica sobre o que escrever. Cabeça a mil e coração apertado. Tanto a fazer e na profusão de ideias soltas falta-me foco. Às vezes penso mesmo que nem sei como escrevo semanalmente há quase 18 anos. Eu, que tanto falo, vez ou outra fico muda, ensimesmada, encasquetado com ideias que teimam em não me abandonar. Convenço-me, meio fraquejando, que depois das eleições estarei livre para voltar ao que de fato me faz sentido e o que mais temo, por outro lado, é a possibilidade disso não ocorrer...

 

 

 

CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - Advogada,professora universitária, membro da Academia Linense de Letras e escritora.  São Paulo.

cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 15:32
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS DE TRANSFORMAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Há vivências de transformação em que apenas o tempo da maturidade permite.
Domingo passado, encontrava-me na Catedral NSD, à espera do início da Missa das 8h30, quando o vi o moço, que conheço das asperezas do cotidiano, dirigir-se rapidamente para a Capela do Santíssimo. Bermuda, camiseta e chinelão, como se veste de costume. Desconheço se possui família, sei apenas que mora em pensão e faz alguns serviços braçais para sobreviver. Apreciaria que tivesse me olhado, para poder sorrir a ele. Ignorava sua fé. Que bonito começar o dia, apesar das agruras de sua história, falando com o Senhor.
Recordei-me de um fato acontecido na década de 90. Achava-me no mesmo banco e aguardava a Missa das 18h15. Uma das quatro primeiras mulheres que integrou a Pastoral da Mulher, da porta da Igreja, gritou meu nome. Estremeci. Há pouco, estivera com ela, em conversa dolorosa de mais de uma hora. De coração inflamado pelos desencontros e dores, pensava em se suicidar. Disse-lhe sobre o amor e a misericórdia imensa de Deus, que a observava desde o ventre materno. Estremeci, porque tive a sensação de que as pessoas que lá estavam me notavam com olhos de condenação. Chamava-me uma mulher de pés descalços, de pele marcada pelo pó do asfalto, olhos ébrios, descabeladas. Levantei-me e, embora com expressão de reprova, ela se achegou, sentou-se e me disse que fora até ali para agradecer comigo ao Pai do Céu que, naquele dia, lhe salvara a vida. Dentro de mim, ficou uma mistura de sentimentos: a certeza de que Deus a abraçara e a preocupação com o que diriam aqueles que a presenciaram ali, daquele jeito, e não sabiam o que acontecera anteriormente. Na verdade, constato hoje que o julgamento era meu, atormentada com a minha imagem, e não de quem também participaria da Missa.
O tempo me ensinou a ser eu mesma, sem me deter no que possam pensar sobre minhas atitudes em relação aos excluídos. Saí do palco e a plateia não me impressiona mais. Constatei que esse desassossego era preconceito meu.  Foi a sensação que experimentei ao ver o homem seguir em direção à Capela do Santíssimo. Gostaria de ter lhe acenado, para lhe dizer que me alegro com sua amizade e que não tenho dúvida de que os indivíduos todos, mesmo que cobertos com a fuligem de suas divergências, são filhos do Criador.

 

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



publicado por Luso-brasileiro às 15:27
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PÉRICLES CAPANEMA - RADICALISMO GOELA ABAIXO DO POVO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Na entrevista coletiva de 29 de agosto, por ocasião do lançamento de seu livro, José Dirceu foi didático: “Temos um programa radical e a maioria do Parlamento precisa ser combinada com uma grande pressão popular”. Como exemplo de pressão popular, citou o cerco da militância à Câmara e ao Senado. A intimidação de legisladores ▬, aqui entra o uso inescrupuloso de dossiês, às vezes chega até a ameaças à família, sequestros e morte ▬ constitui tática revolucionária antiga, empregada na Revolução Francesa, a torto e a direito na Revolução Comunista e, mais recentemente, amplamente utilizada na Venezuela. Aplicá-la no Brasil é congruente com as raízes doutrinárias do PT, na prática o sucessor do Partido Comunista. Basta que a ocasião se apresente e seja politicamente conveniente. O leninismo continua vivo.

 

José Dirceu se dirigia em especial a petistas e a membros de correntes ideológicas a ele próximas; em verdade anunciava plano de transformar o Brasil tão logo factível em uma Venezuela ▬ a marcha do radicalismo goela abaixo do povo rumo ao bolivarianismo. Para tanto, estimulava a militância a procurar eleger tantos quantos possíveis para a Câmara e o Senado, ademais de tentar colocar Haddad no segundo turno das próximas eleições. E aí fazê-lo vitorioso. O dirigente petista acha que haveria suficiente transferência de votos de Lula para seu ungido (ou seu poste), o que lhe garantiria a vaga em 28 de outubro: “Para a margem de transferência de votos ser dentro do que a gente espera, 20 ou 30 dias são mais que suficientes. A Justiça decidirá até 17 de setembro. Teremos tempo para cada eleitor tomar conhecimento de que Lula é Haddad e Haddad é Lula”.

 

Observou, ladino: “Eu não diria que é um programa com a faca no dente, porque esta expressão é praticamente de confronto aberto”. Caso se despisse da cautela de político matreiro, diria a realidade, é programa faca no dente, não há dúvida. Outra questão é se a liderança do PT conseguirá executá-lo, não dependerá apenas do fanatismo revolucionário de dirigentes e militância e dos que de que disponham. Como reagirá o povo?

 

O PT tem cartas boas na mão em seu intento de venezuelizar (ou cubanizar) o Brasil. Faz décadas (já era assim no período militar), a esquerda, em seus vários graus de radicalidade, “grosso modo”, domina a universidade, os seminários, as redações e os clubes grã-finos. É um câncer que deitou gigantescas metástases e que só poderá ser curado por trabalho ideológico sério ao longo de anos e anos a fio. Não é rósea nossa situação. Kerensky pavimentou a via para Lênin; os girondinos facilitaram o caminho para os jacobinos. O Brasil, triste sina, está apinhado de kerenskys e de girondinos. Não constroem estradas, mas as pavimentam, para que outros nelas trafeguem.

 

Um exemplo, talvez o mais conhecido. Na Jovem Pan, FHC comentou a possibilidade do segundo turno entre Bolsonaro e Haddad ou entre Bolsonaro e Alckmin. Perguntado sobre possível aliança entre PT e PSDB, respondeu sereno: “Espero que o PSDB vá para o segundo turno e acho que o PT espera a mesma coisa, mas dependendo das circunstâncias, eu não teria nenhuma objeção a isso”. A declaração irritou apoiadores de Alckmin; afinal, era o maior líder tucano confessando, a vitória petista não despertava objeção nele. FHC precisou arranjar uma saída de momento. Contudo, a posição de FHC não deveria surpreender, era coerente com princípios seus e conduta.

 

Existem nas situações acima ventiladas consonâncias profundas quanto a objetivos. “Pas d’ennemis à gauche” ▬ Não há inimigos à esquerda, lembrando fórmula cunhada em fins do século 19. Em encontro com intelectuais no Rio de Janeiro, abril de 2014, ambiente descontraído, FHC se deixou levar: “Hoje, se eu disser que sou de esquerda, as pessoas não vão acreditar. Embora seja verdade. É verdade!”. Prosseguiu: “O Chávez só me chamava de 'Mi maestro'. Eu dizia para ele: 'Baixinho, por favor’”.

 

Falava de consonâncias. Elas influenciam fundo, por vezes são determinantes nas atitudes.

Via de regra, contudo, para os revolucionários, é melhor que tais sintonias passem despercebidas, pois podem chocar opinião pública desavisada. “Baixinho, por favor”. quando não é possível escondê-las, é sempre a diretriz. A nossa bússola, para esclarecimento do povo, aponta rumo oposto, brado alto e nítido contra o conluio deletério, ainda para muitos oculto. O artigo já estava pronto quando houve o horrendo atentado contra Jair Bolsonaro. Graças a Deus, depois da angústia inicial, parece que caminha bem sua recuperação. O artigo continua atual, talvez tenha até aumentado de atualidade. Não julgo que deva modificá-lo.

 

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 15:23
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2018
JOSÉ RENATO NALINI - SE NÃO COMEÇAR EM CASA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Uma das inúmeras tragédias brasileiras é o analfabetismo. Não apenas aquele de quem desconhece o alfabeto, não consegue ler nem escrever. Mas aquele disfarçado por dificuldades em soletrar, impossibilidade de entender o que leu, inviabilidade de descrever, em outras palavras, o trecho cuja leitura acabou de fazer.

Imensa a legião dos desprovidos de capacidade leitora neste pobre País. Já se tentou fazer do Brasil “uma nação de leitores”. Mas os sucessos são escassos. A situação rima com fracasso e não com êxito.

Por que isso?

Inúmeras causas. Evidencia-se um escancarado retrocesso intelectual nas últimas décadas. Universalizou-se o acesso à escola. Mas a escola adestra a memória e não estimula a criatividade.

O livro era o companheiro da decência. Não era necessário ser rico para ter acesso à leitura. Havia bibliotecas, havia Gabinetes de Leitura, havia Clubes do Livro e Círculos de Leitura.

Os pais interessados em estimular sua cria ao domínio do conhecimento, premiavam com livros. Quando alguém conseguia “melhorar de vida”, planejava uma casa em que a biblioteca merecia lugar de honra.

 E hoje? Os pais não leem para os filhos. Não dão livros para os filhos. Mas têm dinheiro para prover a criança de um celular. O mobile tem benefícios, é óbvio. Mas quanto tempo o filho passa a jogar, a procurar superficialidades e a visitar páginas perigosas, em lugar de se abeberar de sabedoria? Quem já viu uma criança ou jovem ler um livro eletrônico por inteiro?

As livrarias estão fechando. Por falta de clientes. Até aquelas que são pioneiras, consideradas espaços atraentes, sofrem com os contínuos passeios de circunstantes que olham, folheiam, examinam, observam. Saem sem nada comprar.

Jovens pais levam seus filhos à livraria que proveu considerável espaço para livros infantis. Deixam as crianças à vontade enquanto se distraem. Nem sempre chamam a atenção quando esses futuros “leitores” estraçalham o livro, rasgam, urinam ou vomitam sobre eles. Pois a criança é imprevisível. Quem tem filhos sabe disso.

O drama é que vão embora, tranquilamente, sem chamar a atenção ou sem indenizar o livreiro.

Prevalece o egoísmo, a insensibilidade, a falta de polidez e além de não colaborar com o projeto da permanência das livrarias, ainda se fornece eloquente mau exemplo para uma geração treinada para exercer a tirania.

Se isso não é a regra geral, não representa também a exceção. Tanto que o número de livrarias fechadas, de editoras que cerram suas portas, é crescente e contínuo.

O lar, a família, o recôndito doméstico é o lugar em que tais valores poderiam ressurgir. Alguém vislumbra prenúncios de que as coisas vão melhorar?

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista.

 



publicado por Luso-brasileiro às 13:34
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FELIPE AQUINO - QUEM FOI A SANTA DO CORAÇÃO DE JESUS ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Saiba quem foi Santa Margarida Alacoque e quais foram as doze grandes promessas que Jesus revelou a ela

 

 

 

 

Santa Margarida nasceu em 22 de julho de 1647 na Borgonha, França. Seu pai era juiz e notário real, homem de pequenas posses. Quando tinha 8 anos de idade, seu pai faleceu, e a família a enviou para a escola das Clarissas de Charolles. Ali, ela adquiriu uma estranha doença que a deixou tão fraca que sua mãe a levou de volta para casa. “Passei quatro anos sem poder caminhar”, disse ela depois. Vendo que nada a curava, ela voltou-se para Nossa Senhora e fez-lhe o voto de castidade e de entrar para a vida religiosa, se ficasse curada. Foi atendida com rapidez.

Quando Margarida tinha quatro anos de idade, já rezava assim: “Ó meu Deus, eu Vos consagro minha pureza e Vos faço voto de castidade perpétua”. Ela disse nas suas memórias que nem sabia o que isso significava. Na verdade Jesus já a preparava para uma grande missão; são essas almas escolhidas por Deus, para através delas socorrer a humanidade.

Por meio desta Santa, e da mensagem da qual ela foi portadora, Jesus quis mostrar à humanidade, de um modo extraordinário, a intensidade do amor que o Sagrado Coração de Jesus tem por cada um de nós. Era a época de uma triste heresia que crescia na Igreja, o jansenismo, de um Bispo herege Jansen, de Ypres. Por esta heresia entrou na Igreja uma religiosidade falsa, um medo de Deus castigador que pune a todos, uma piedade triste que proibia a Comunhão frequente, etc…

Quando Santa Margarida completou 17 anos, sua mãe e seus irmãos decidiram que ela devia se casar. E ela se deixou levar por isso, e começou a tomar parte nos programas de sua idade, e já pensava mesmo em se casar, pois já tinha vários pretendentes. Mas na sua alma começou a travar-se uma demorada batalha. De um lado achava que era um dever de piedade se casar para amparar sua mãe enferma. Mas a voz da graça recordava-lhe o voto de castidade que tinha feito a Nossa Senhora na infância, e de se consagrar-se como esposa de Cristo.

A tentação às vezes lhe dizia: “Você era muito criança para entender o que dizia, portanto, essas promessas não tinham valor; você agora é livre!”. Isto durou alguns anos. Mas, ajudada de modo especial pelo Senhor, a vocação religiosa venceu; e em 1671, ela entrou como postulante no Mosteiro da Visitação, de Paray-le-Monial.

Como vimos, desde a infância, Margarida fora beneficiada por experiências místicas. As mais importantes, porém, ocorreram no convento, a partir de 27 de dezembro de 1673, quando passou a receber uma série de revelações do Sagrado Coração de Jesus, o qual a incumbia de ser a encarregada de divulgar essa devoção em todo o mundo.

 

 

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Leia também: Qual a origem da devoção ao Sagrado Coração de Jesus?

As revelações do Coração de Jesus encorajam o pecador à confiança

12 Ensinamentos de Santa Margarida Maria Alacoque

 

 

 

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Na festividade de São João Evangelista de 1673, aos vinte e cinco anos, irmã Margarida Maria, recolhida em oração diante do SS. Sacramento, teve a primeira manifestação visível de Jesus, que se repetiria por outros dois anos, toda primeira sexta-feira do mês. Em 1675, durante a oitava do Corpo de Deus, Jesus manifestou-se-lhe com o peito aberto e, apontado com o dedo seu Coração, exclamou: “Eis aquele Coração que tem amado tanto aos homens a ponto de nada poupar até exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes o seu amor. E em reconhecimento não recebo senão ingratidão da maior parte deles”.

As três superioras que se sucederam no convento de Paray-le-Monial convenceram-se da santidade de Margarida e da autenticidade das revelações que recebia. Mas ela sofreu grande oposição dentro do Convento. A tratavam como uma visionária falsa. Mas Jesus a socorreu com uma ajuda fundamental, o seu diretor espiritual, São Cláudio de la Colombière, sacerdote jesuíta que foi durante certo tempo confessor das freiras e testemunhou serem reais as visões da Santa. Ele se incumbiu de propagar a devoção que Jesus revelava a Santa.

São Cláudio foi enviado à Inglaterra, como confessor da duquesa de York, esposa do futuro rei Jaime II, e ali pregou pela primeira vez a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, obtendo várias conversões entre as damas da nobreza. Mas ali sofreu uma perseguição por causa de um ataque anticatólico, e acabou sendo preso um tempo. De volta à França, doente, poucas vezes pôde encontrar-se com Santa Margarida, morrendo muito cedo. Mas Margarida continuou sua missão divina. Com fé, perseverança, docilidade, obediência e caridade, foi vencendo as dificuldades e conseguiu cumprir sua missão, começando por introduzir em 1686, no seu Convento, a festa do Sagrado Coração de Jesus, que se espalhou com rapidez por outros mosteiros da Visitação, e para fora da sua Congregação. No último período de sua vida, nomeada mestra das noviças, ela teve a consolação de ver propagar-se a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, e os próprios opositores de outrora mudarem-se em fervorosos propagadores.

Depois de uma vida de muito sofrimento, e verdadeira oblação a Jesus Sacramentado, consumindo-se por Seu amor, sem cessar no amor ao Sagrado Coração de Jesus, Santa Margarida Maria Alacoque morreu em 17 de outubro de 1690, aos 43 anos de idade. Foi canonizada por Bento XV em 1920. Seu corpo está colocado sob o altar da capela do Convento onde viveu, onde os peregrinos vão rezar.

 

 

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Jesus fez a ela DOZE GRANDES PROMESSAS, mostrando-lhe o Seu Sagrado Coração, para quem fizer as Nove Comunhões Reparadoras pelas ofensas que Seu Sagrado Coração recebe dos homens, nas nove primeiras sextas feiras seguidas de cada mês:

 

 

  1. Dar-lhes-ei todas as graças necessárias a seu estado de vida.
  2. Conservarei paz em suas famílias.
  3. Eu os consolarei em todas as suas aflições.
  4. Serei seu refúgio seguro durante a vida e especialmente na hora da morte.
  5. Derramarei abundantes bênçãos sobre todos os seus empreendimentos.
  6. Os pecadores acharão em meu Coração a fonte e o oceano infinito da misericórdia.
  7. As almas tíbias se tornarão fervorosas.
  8. As almas fervorosas se elevarão com rapidez a uma grande perfeição.
  9. Abençoarei as casas nas quais a imagem de meu Sagrado Coração for exposta e venerada.
  10. Darei aos sacerdotes a capacidade de tocar os corações mais endurecidos.
  11. As pessoas que propagarem essa devoção terão seus nomes eternamente inscritos em meu Coração.
  12. A todos aqueles que fizerem a Comunhão reparadora na primeira sexta-feira, durante nove meses seguidos, concederei a graça da perseverança final e salvação eterna. Meu Divino Coração será seu refúgio seguro nessa hora extrema.

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 



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PAULO R. LABEGALINI - MENSAGENS QUE AGRADAM O CORAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Hoje vou resumir vários contos que estão há algum tempo esperando a vez.

O primeiro diz que um grande artista havia pintado um lindo quadro e, no dia do leilão beneficente, compareceu muita gente importante no local. Quando viram a obra – Jesus batendo suavemente à porta de uma casa –, ficaram maravilhados e as ofertas não paravam de subir, até que a pessoa que o arrematou notou que a porta foi pintada sem fechadura. Questionado, o pintor lhe explicou: ‘Esta é a porta do coração humano, que só se abre do lado de dentro. Jesus estará sempre batendo, mas cabe a cada um de nós deixá-lo entrar.’

O segundo conto relata que o inglês George Tomas estava andando na rua e viu um menino carregando uma gaiola com três passarinhos. Perguntou ao garoto o que iria fazer com eles e soube que seriam objetos de diversão até morrerem por maltrato. O inglês, indignado, disse que queria comprá-los e ouviu do menino: ‘Por que o senhor os quer, se são pardais e não servem pra nada?’ George lhe respondeu: ‘Quero apenas soltá-los!’ E os comprou por dez dólares.

Da mesma forma, quando Jesus andava na Galiléia, soube que Satanás estava se divertindo com as pessoas aqui na terra. Perguntou-lhe porque fazia aquilo e ficou sabendo que era muito fácil para o maligno ensinar pessoas fracas na fé: a fazer bombas, a usar revólveres para matar, a divorciar, a usar drogas – até conseguir matá-las! Quando Jesus perguntou quanto ele queria por todos aqueles que o seguiam, foi questionado imediatamente: ‘Por que você iria querer pessoas traiçoeiras, mentirosas e avarentas? Irão lhe desprezar e até lhe cuspirão no rosto, mas, se insiste, quero todas as suas lágrimas e todo o seu sangue.’ E Deus pagou esse preço pelas nossas liberdade e salvação!

Na terceira história, o diabo fez um desafio a Jesus: ‘Não pode me vencer no computador, pois digito muito mais rápido que você!’ Mesmo sem querer competir, aceitou a aposta para ver até onde a maldade do demônio iria chegar. Na hora marcada, lá estava Satanás com uma máquina incrível! Jesus, na sua humildade, trazia consigo um simples XT, 4,77 MHz e 2 mega de memória. Aquele que digitasse o maior texto em 30 minutos seria o vencedor.

O diabo começa a competição de maneira feroz: 900 toques por minuto! Do outro lado, Jesus digita calmamente com dois dedos e, confiando na vitória do bem sobre o mal, segue ‘catando milho’ no teclado. Após vinte e nove minutos, quando Satanás já estava na casa dos 20 MB de texto contra 5 KB de Jesus, cai a luz! Os juizes resolveram considerar os tamanhos finais dos arquivos, assim que a energia voltasse. E Jesus venceu porque havia memorizado o seu texto. O diabo perdeu porque ele nunca salva!

Como se fosse uma quarta história, vou citar algumas cartinhas que crianças inglesas escreveram para Deus: “Querido Deus, eu não pensava que laranja combinava com roxo até que vi o pôr-do-sol que você fez terça-feira. Foi demais!”; “Querido Deus, você queria mesmo que a girava fosse assim ou foi um acidente?”; “Querido Deus, em vez de deixar as pessoas morrerem e ter que fazer outras novas, por que você não mantém nós que você tem agora?”; “Querido Deus, obrigado pelo meu irmãozinho, mas eu rezei por um cachorrinho!”; “Querido Deus, choveu o tempo todo durante as nossas férias e meu pai falou coisas feias sobre você! Não vou dizer quem sou para evitar que você possa machucá-lo.”

Continuando: “Querido Deus, por favor me mande um poney. Eu nunca lhe pedi nada antes, você pode checar.”; “Querido Deus, eu aposto que é muito difícil você amar todas as pessoas do mundo, não? Na nossa família só tem quatro e eu nunca consigo!”; “Querido Deus, se você olhar para mim na missa domingo, vou lhe mostrar o meu sapato novo.”; “Querido Deus, eu não acho que alguém poderia ser um Deus melhor do que você. Quero que saiba que não estou dizendo isso porque você já é Deus.”

Faça um bom proveito destes contos, mude seus hábitos para ser um cristão sempre melhor e não mande a sua ‘cartinha’ dizendo apenas: “Querido Deus, eu tenho um grande problema!” Escreva assim: “Querido Deus, eu disse ao meu problema que eu tenho um grande Deus!”

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 



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HUMBERTO PINHO DA SILVA - RECORDANDO OS MEUS MORTOS, NO DIA DE FIEIS DEFUNTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tudo ou quase tudo, foi dito e redito, sobre a Morte. Parece-me, portanto, descabido, vir neste dia triste de Fieis Defuntos, abordar o tema, tecendo considerações que, a maioria dos leitores, perfeitamente, conhecem.

Mas, ao folhear a “ Imagem da Vida Cristã” de Frei Heitor Pinto, deparei passagem que me impressionou, pela singeleza e verdade que encerra:

“ É muito para espantar de nossos cuidados, sendo nós mortais, e vestindo e calçando de animais mortos, e comendo coisas mortas, e falando a cada dia nos mortos, não nos lembremos dos mortos.”

Já Camões, em Carta, escrita de Ceuta, observava, que nunca vira: “ Cousa para lembrar e menos lembrada que a morte.”

Possuo (como a maioria dos leitores,) longo e infinito rosário de amigos e familiares, que me foram “ deixando” ao longo da vida; mas acompanham-me, em mudo silencio…metamorfoseados em seres etéreos.

Surgem-me, por vezes, de repente, em sonhos. Então, ouço-os com prazer. Escuto vozes e palavras familiares, tão nítidas, tão reais, que fico com a impressão, que regressaram ao mundo dos vivos.

Outras vezes, perpassando por locais, que me são queridos, revivem, dentro de mim, retalhos de conversas, perdidas num passado distante, que foi, mas já não é.

Ao sentar-me, a semana transacta, na Praça da Liberdade, defronte da estátua equestre de D. Pedro, saltou-me, de súbito, à memória, recorte agradável do passado: a cavaqueira, que certa manhã de Inverno, mantive com o Manel (o “M” à quinta, como se intitulava,) – Manuel Maria Meirelles de Mello Magalhães. Falávamos, então, de Bento de Amorim.

Há, também, cenas que relembro com carinho. - Ah! Como me lembro! … - Da acolhedora salinha, onde, em cálidas tardes de Verão, dialogava com: D. Eugénia Rapazote Flores. Espanto-me, ao descobrir, ainda dentro de mim, a voz branda, e o peculiar perfume do aconchegante lar!; hoje, totalmente, desfeito.

Noutras ocasiões, recordo, nitidamente – como se hoje fosse! - da querida prima Mariazinha, de Cascais; e do aprazível passeio que demos à Ericeira; terra onde a bondosa Rainha D. Amélia, embarcou para o exílio.

Lembro-me – com saudade!... – das tardes de sábado, na companhia de Frei Martinho Manta, no parlatório do conventinho. Era franciscano, simples, observador, e conselheiro. Verdadeiro discípulo do Homem da Porciúncula.

Quando o sono foge, na penumbra de meu quarto, em longas e intermináveis noites de insónia, desfilam, diante dos olhos, entes queridos, que “ partiram” para sempre. Até, os que apenas conheci epistolarmente, como Teresa de Mello – D. Maria de Lourdes Brandão de Mello – (Senhora, que se carteou comigo, legando-me muito da sua experiência,) participam no meu triste recordar.

Aflora-me, neste momento, à memória, muitos dos meus mortos, que me marcaram pelo saber e bondade: D. Celeste (da Família Borges Guedes), sempre bondosa e amiga; D. Eugénia (neta de D. João da Câmara); Isaura Correia Santos (que morava na Praça da Galiza); O Daniel (pai da Lalita, ex-aluna do Colégio da Baforeira, da Parede); D. Laura Cunha (que vivia em Gaia); Anselmo Tavares (homem bom, de Macieira de Cambra).

A lista não tem fim: Amadeu Neves; Reinaldo Pacheco; Alberto P. Vargas; Padre Querubim (pároco de S. Nicolau, no Porto); Roca Colomé (companheiro do liceu); Prof. Doutor, Padre, Videira Pires, que generosamente me apadrinhou, publicando meu primeiro conto, no: “ Mensageiro de Bragança”; e muitos outros, que sempre me acompanharam ao longo da longa jornada.

Neste meu recordar, ia esquecendo – esquecimento imperdoável, – do primo Júlio. Homem simples, mas sempre amigo e prestável. Nada que se lhe pedisse negava.

Todos fazem parte de mim. A todos sou devedor. Todos vivem sempre comigo. Todos me legaram um pouco do seu modo de encarar a vida.

Tenho, de todos, um pouco. É como continuassem a existirem dentro de mim…

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



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GRACIETTE BRANCO - HÁ HORAS, NESTA VIDA QUE ME CANSA

 

 

 

 

 

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GRACIETTE BRANCO    -    Soneto manuscrito da grande poetisa e escritora portuguesa, que iniciou a sua vida literário, no : "PIM-PAM-PUM", suplemento para a infância, do jornal " O Século".

 

 

 

 

 

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Palavra do Pastor, com Dom Vicente Costa, 

 

Bispo diocesano de Jundiaí

 

  30º Domingo do Tempo Comum

 

 

https://youtu.be/Cs3w5vX2qJw

 

 

 

 

 

 

 

***

 

 

 

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

 

 

 

 

 

 

***

 

 

 

Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

Horário das missas na Diocese do Porto(Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

***

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:18
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