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Sábado, 19 de Janeiro de 2019
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - A "VEIA" LOUCA DOS GATOS

 

 

 

 

 

 

 

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            Embora eu já estivesse intimamente decidida, foi por puro descargo de consciência que resolvi fazer uma quase consulta pública sobre o assunto. Nas redes sociais atrevi-me a perguntar se uma pessoa poderia ser considerada uma acumuladora de gatos se os tivesse em número de cinco. Para minha íntima satisfação, a maior parte das pessoas disse que não.

            A verdade é que muito provavelmente as pessoas tenham se manifestado dessa forma porque perceberam meu verdadeiro intuito, que nada mais era do que conseguir aval. Além disso, não costumo ter como amigos pessoas que não gostam de animais. Lógico que eu sabia que minha enquete era de imparcialidade duvidosa, mas foi legal ser incentivada.

            Por mim, verdade seja dita, eu teria um zoológico. Pena que minha casa, meus recursos financeiros e o que me sobra de bom senso não me permitem. Tento, dessa forma, ser coerente e não me deixar transformar em uma maluca, ao menos não em uma que possa ser identificada a olho nu.

            Durante muito tempo em minha vida, assim como sei que é o desejo de outros tantos amantes dos animais, alimentei o sonho de ter uma chácara, um espaço no qual eu pudesse abrigar uma expressiva parcela de animais abandonados e vítimas de maus tratos. O tempo foi passando e eu cheguei à conclusão de que isso talvez não se materialize. E vejam que nem se trata de pessimismo, mas de uma simples constatação.

            Resolvi que se não conseguirei fazer por vários animais, ao menos gostaria de fazer por mais um. Cachorros, após a morte daqueles que foram meus companheiros por quase 16 anos, não quero mais. Não em uma casa sem um quintal com terra ou espaço adequado. Já onde havia quatro gatos não seria tão insano ter mais um bichano. Ou seria?

            Comecei a ver fotos de filhotinhos para adoção e meu coração começou a se encher de vontade. Após consultar as bases, tomei a decisão final. Eu pegaria mais um gatinho. O último a integrar o bando. E foi assim que no feriado de finados, pesando 450 g, cabendo inteira na palma da minha mão, a Lika chegou à família multiespécie que criei.

            Toda branca e de olhos azuis, a gatinha, com cerca pouco mais de 30 dias de vida, já havia conhecido o pior lado da humanidade. Entregue a duas crianças em uma casa de rações, foi rejeitada pelos adultos que, moradores de uma comunidade, a jogaram no telhado, local onde passou a noite, em agonia, miando desesperadamente. Foi resgatada por uma amiga e entregue a mim.

            Resumida a pelos e ossos, ela mais parecia um ratinho albino. Hoje, após alguns perrengues, vacinas, remédios, banhos e muito amor, ela pesa quase dois quilos e parece uma pelúcia. Doce, mansa, ela é o quinto elemento. Cheguei agora ao meu limite, mas não me arrependo, pois amor com amor se paga, sobretudo quando o ser amado é inocente e puro como um animal de estimação. Ademais, não tenho salvação: em terra de patas, sou doida varrida...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES – jornalista, advogada e professora universitária.

cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 16:21
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS DE E COM IDOSOS

 

 

 

 

 

 

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Diferenciadas as vivências de e com idosos, embora exista sempre um ponto em comum.
As vivências dos idosos dependem  do que existe  ao redor, ou seja, a forma com que são acolhidos e aquilo que representam para quem convive ou se depara com eles.
Cada um possui a sua história e ignorar aquilo que um idoso, quando mais jovem representou na vida de sua família ou da comunidade, é perverso. Vivemos um tempo entre dois polos: utilidade e descarte. Infelizmente, em inúmeras situações também é assim, ao não servir mais, rejeita-se, ignora-se ou os cuidados são transferidos. Os laços, alimentados pelo idoso, ao longo das décadas, ao perceberem rompidos, mesmo que silenciem os gritos de dores, sem dúvida provocam uma erosão interior que sangra.
Em meio a outros fatos, percebe-se, por exemplo, no corre-corre do cotidiano, a irritação ao se ter os passos acelerados interrompidos por alguém com maior dificuldade de equilíbrio. O idoso detém fatos para contar – muitas vezes repetidos -, conclusões com sabedoria para partilhar, esquecimentos que sinalizam que o tempo se esvai – para ele, para mim e para você -, e necessidades que supriu para os filhos em sua infância. O idoso desconhecido, com quem se esbarra nas ruas e em outros locais, faz parte da construção de sua terra. Embora os ossos, a visão, a memória, a audição, os movimentos possam estar enfraquecidos, o coração continua batendo e a alma, que Deus soprou, permanece acesa e nela reflete as trevas dos que os desrespeitam. Tornam-se tatuagens sinistras.
Diante de um idoso, mais próximo ou anônimo, qual será a marca que deixamos? Damos a vez, sorrimos, somos pacientes, desconsideramos ou rangemos os dentes?
Vivências com idosos são intensas e fantásticas, quando alimentadas pela fé em Deus, ternura e gratidão. Um se torna cuidador do outro. O mais jovem com suas possibilidades físicas e de lucidez e o mais idoso com sua experiência de vida. Para isso, no entanto, é preciso, ao longo dos dias, desde a infância, a prática da renúncia. 
Quem exigiu ser mimado por seu entorno e se sente como o centro do universo, motivo de aplausos, com direitos sempre e dever algum que lhe retarde a caminhada e os prazeres, desconhecerá, agora, o quanto a coexistência com os idosos oferece um sentido profundo para a existência humana, mas experimentará mais tarde, infelizmente, na amargura, a realidade dos anciãos que desprezou.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



publicado por Luso-brasileiro às 16:17
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JOSÉ RENATO NALINI - INCLUSÃO COMEÇA EM CASA

 

 

 

 

 

 

 

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A sensação generalizada entre os humanos que ainda não estão completamente anestesiados pela turbulência crescente, é a de que mal-estar, insatisfação, angústia e desalento são os produtos gerados pela nossa época.

Múltiplas e simultâneas tendências prenunciam profundas mutações no convívio: urbanização, globalização, alterações demográficas, climáticas e tecnológicas, todas violentamente disruptivas.

No Brasil cresce a violência, o assassinato de uma geração sobre a qual recairia a responsabilidade de sustentar os idosos, desertificam-se grandes áreas, somem os empregos, aumenta a miséria e a exclusão. E os discursos da política-partidária são de uma indigência que provocaria riso, não fosse motivo para chorar.

Não se espere que Governo, com o “timing” curto e egoísta de cada eleição, cuide de problemas que um povo levado a se conduzir como objeto de tutela declinou de enfrentar.

É mais do que urgente transcender os limites tradicionais e forjar parcerias sustentáveis e inclusivas. O egoísmo de alguns privilegiados tem de ceder espaço para uma constatação inevitável: não adianta construir bunkers, nem blindar carros, nem se refugiar para esconderijos incrustrados em áreas contaminadas. O exemplo do Rio é eloquente: a riqueza mais exuberante e a miséria mais abjeta convivem no mesmo espaço físico. Não é muito diferente a indomável e insensata São Paulo. Favelas disputam território junto ao Morumbi, com vias públicas que a prudência determina evitar, principalmente à noite.

Ninguém está seguro numa sociedade injusta, de exclusão e de desrespeito à dignidade humana. Ou é respeitável uma cidade que suporta mais de vinte mil seres humanos ocupando as ruas, os vãos dos edifícios, os baixios dos viadutos, os canteiros daquilo que um dia já foi praça e hoje é terra devastada?

A missão é árdua, mas é confiada a todos. Não há governo, principalmente nesta Pátria em que o governante só pensa em si, que dê conta da situação calamitosa em que todos nos encontramos. Todos são interessados em encontrar alternativas e o engajamento de todos, sem exclusão, é a única via de fuga do caos que já tomou conta de inúmeros espaços.

As gerações mais novas têm de ser chamadas para atuar ao lado da academia, da Universidade, do empresariado, das entidades do Terceiro Setor, das Igrejas e de seres humanos vocacionados a cuidar do semelhante, que – felizmente – ainda existem e que deveriam servir de exemplo para os detentores de cargo público.

Incluir parceiros, incluir ideias, formular opções para sair desta verdadeira tragédia que é o noticiário da mídia espontânea durante vinte e quatro horas a cada dia, é a única opção. Encarar a verdade, reconhecer o erro e a falência da estratégia deformada de auscultar a vontade do único soberano reconhecido pela ordem fundante: o povo. O destinatário pouco ouvido e sempre desrespeitado. É hora de incluir a vontade de salvar o País em nossa rotina. Incluir na consciência o real compromisso de assumir os deveres e deixar de exigir apenas os direitos.

Nossos netos merecem um Brasil melhor. Cuidemos disso antes que o destino de infortúnios se torne irreversível. E comecemos em casa!

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI  é Reitor da Uniregistral, escritor e jornalista, conferencista e palestrante.



publicado por Luso-brasileiro às 16:12
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ALEXANDRE ZABOT - NÃO USE DEUS PARA TAPAR BURACOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alexandre Zabot

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nos mitos antigos, e na maioria das crenças atuais, o divino se apresenta como explicação para o mundo natural. Os deuses são aqueles seres que decidem sobre a chuva ou a seca, sobre a fartura ou a miséria. Quando não estão felizes, lançam pragas sobre o povo e, nesse caso, é preciso cumprir vários rituais diferentes para contentá-los. Estes deuses são por demais humanizados e, de certa forma, são carrascos dos homens pois não lhes oferecem a liberdade, mas os escravizam. Sempre pedindo algum agrado para não os castigarem com diversas pragas.

O nosso Deus, que é único e trinitário, é muito diferente. Na sarça ardente revelou Seu nome a Moisés: “Eu sou Aquele que É” (Ex 3, 14). O Deus cristão não é mais um falso deus usado para explicar os mistérios da natureza. Ele é o Criador, que nos deu a inteligência e nos submeteu a criação (Gn 1, 28ss). O homem, na visão cristã, não está mais escravizado pelos mistérios da natureza, Deus lhe deu o domínio sobre ela. Este mesmo Deus, é amor e misericórdia. Não lhe escraviza, como nas outras religiões, mas lhe ofereceu seu próprio Filho para sua redenção.

Apesar dessa superioridade do Deus de Abraão, muitos cristãos parecem querer diminuí-lo atribuindo-lhe um caráter parecido aos deuses pagãos. Quem nunca ouviu falar, por exemplo, que a AIDS é uma praga enviada por Deus, ou que os terremotos foram causados por Deus por causa da iniquidade do povo? Pensar desta forma é “rebaixar” Deus a uma mera explicação de fenômenos naturais. Ele deixa de ser “Aquele que É” para se tornar uma divindade castigadora, sem misericórdia, que usa da natureza para castigar os homens. Na teologia cristã, as coisas ruins acontecem porque nos afastamos de Deus, não porque Ele fica rogando pragas sobre nós.

Entretanto, não é só aspectos mais banais que se diminui o papel de Deus. Apesar da teoria da evolução ser compatível com a revelação cristã, algumas pessoas tentaram colocar Deus num papel mais ativo dentro da teoria. Segundo essas pessoas, a evolução acontece sim, mas em algumas etapas é preciso uma intervenção direta de Deus. É a teoria do design inteligente. Seus defensores argumentam que alguns órgãos, como o olho, por exemplo, não podem ser explicados simplesmente pela evolução. Seria preciso que Deus fizesse o olho. De fato, poucos biólogos discordam que a teoria da evolução ainda não está completa. Existem vários pontos em aberto que não podem ser explicados com o conhecimento atual. Para os adeptos do design inteligente, esses pontos em aberto são prova de que é preciso uma intervenção de Deus e, portanto, seriam prova da existência Dele.

Mas usar Deus para tampar buracos de teorias científicas é uma péssima idéia. Primeiro porque a ciência não é estática. Amanhã ela vai explicar o que não é entendido hoje. É só uma questão de tempo. É assim que o método científico funciona. Vai-se construindo o conhecimento aos poucos. Se vincula-se a existência de Deus a um aspecto científico não entendido hoje, o que será da existência do Criador quando a ciência conseguir explicar aquele fato? Em segundo lugar, como foi dito antes, usar Deus para explicar aspectos da natureza é reduzí-lo às deidades míticas antigas. Nosso Deus é muito maior que isso.

Nestes tempos de debate sobre células troncos, muitas pessoas correram para dizer que o fato de não haver resultados com as células embrionárias prova que elas não devem ser usadas. Parecem querer dizer que Deus permitiu ter resultados com as células tronco adultas mas não com as embrionárias, e que por isso não devemos pesquisar as últimas. Mas não é esse o ponto. Deve-se proibir a pesquisa por motivos éticos, não por falta de resultados. Eles virão se a pesquisa for permitida, não se tenha dúvida disso. Com este tipo de argumentos, só se desvia o foco da questão, que é moral. Aliás, se este fosse um argumento válido, Deus também não teria permitido que se construísse as bombas nucleares, mas somente os aparelhos de tratamento médico baseados em tecnologia similar.

O segundo mandamento é bem claro, “Não pronunciarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão” (Ex 20, 7). Como cristão e fã da ciência, penso que o mandamento também condena o uso indevido do nome de Deus para tapar buracos científicos. Mas não é só isso. Não se pode diminuir Deus desta forma para não cair no ridículo de ter-se, no futuro, uma explicação científica para algo que não era atributo de Deus. Se a revelação cristã nos libertou dos misticismos e das divindades da natureza, porque voltar à escravidão?

 

Escrito em 11/2008

 

 

 

 

ALEXANDRE ZABOT   -    Fisico. Doutorado em Astrofisica. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina.   www.alexandrezabot.blogspot.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 16:02
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FELIPE AQUINO - POR QUE MORRE A PLANTA DO AMOR ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se uma planta ficar sem água, adubo e sol, morre. Da mesma forma o amor de um casal.

 

 

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Muitos se esquecem de cuidar do amor conjugal; e por isso, a vida matrimonial cai numa triste monotonia que às vezes termina em separação. A planta do amor precisa ser regada diariamente: uma palavra de carinho a cada dia de um para o outro; não precisa ser poesia bonita ou música romântica, basta ser um simples elogio.

Os terapeutas conjugais dizem que a displicência com os estranhos pode ser até tolerada, mas não com o cônjuge; afinal foi ele ou ela que você escolheu para ser “seu amor”, “seu bem”. Às vezes tratamos com toda delicadeza e carinho a secretária, os clientes, o chefe, mas não o marido ou a esposa; é uma incoerência brutal. Que tal um jantar fora, um sorvete na praça, uma caminhada no bosque, uma visita ao shopping, uma missa na igreja?…

 

 

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Leia tambémO que é o amor?

Amor de verdade se conserta, não se joga fora

Por que o amor é para sempre?

O amor pode terminar?

O amor que se esforça

 

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Os terapeutas pedem que marido e mulher não gritem um com ou outro, pois gritar ofende, machuca, fere a alma e nada resolve. Se gritar resolvesse o porco não morreria na mão do açougueiro. Não use a razão da força, mas a força da razão. Não desenterre os erros do passado do outro, quando você está com raiva dele; isso seria o mesmo que pisotear a planta do amor. Quando um estiver irritado e nervoso, que o outro – por amor, não por covardia – se mantenha calmo, para salvar a paz. Evitem as uma discussões, aprendam a dialogar, que é bem diferente.

Muito cuidado ao chamar a atenção do outro; ninguém gosta de ser corrigido, dói no ego. Só faça isso se for inevitável; e nunca na frente dos outros; e muito cuidado com as palavras que usa, elas ferem mais que uma espada afiada. Que tal lembrar ao outro uma qualidade dele, antes de apontar um erro; funciona como um anestésico antes do corte.

É só na privacidade do quarto que o casal deve se corrigir. Jamais dormirem brigados, senão o dia seguinte amanhecerá azedo. Quando você cometer um erro, seja honesto e coerente, entenda que não há outra saída nobre senão aceitar o erro e pedir perdão. A humildade derruba muros de separação. E, sobretudo, entenda que “quando um não quer dois não brigam”. Ame seu casamento, seu lar, seus filhos, cuide deles. Cuide da planta do amor. E não se esqueça que foi Deus quem o uniu sob um juramento de amor e de fidelidade.

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 15:42
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PAULO R. LABEGALINI - MUITOS SERÃO OS CHAMADOS ...

 

 

 

 

 

 

 

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Muita gente quer viver por muitos e longos anos só no lazer, no pecado e sem oração. Vivem na certeza de que nada de mal lhes acontecerá até que tenham tempo de se arrependerem e de reservarem um bom lugar no Céu. Pensando e agindo assim, deixam de valorizar os bens espirituais e se arriscam – a cada minuto! – a perder a salvação eterna!

Será que alguém não conhece a Palavra sobre como deve agir um cristão? Disse Jesus: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á. Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar a sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida? Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos: e então recompensará a cada um segundo suas obras.” (Mt 16, 24-27)

Essa recompensa será tanto maior quanto maiores forem as nossas obras: “Deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis aos apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis. Se, porém, vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sob a Lei.

Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como vos já preveni: os que as praticarem não herdarão o reino de Deus!

Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei. Pois, os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito. Não sejamos ávidos da vanglória. Nada de provocações, nada de invejas entre nós.” (Gl 5, 16-26)

Mas, mesmo seguindo Jesus Cristo e valorizando as coisas do Espírito à espera da salvação, temos que aceitar as provações que o mundo nos impõe: “Se o mundo vos odeia, sabeis que odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa.

Mas vos farão tudo isto por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou. Se eu não viesse e não lhes tivesse falado, não teriam pecado; mas agora não há desculpa para o seu pecado. Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai.” (Jo 15, 18-23).

Sabemos que muitos serão os chamados, mas poucos os escolhidos (Mt 20). Portanto, se você quiser ser (ou continuar sendo) ‘sal da terra’, ‘trigo ao invés de joio’, reze bastante e guarde sempre estes ensinamentos de Jesus no seu coração:

Eu vim para que as ovelhas tenham a vida, e para que a tenham em abundância.” (Jo 10, 10); “Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas: porque vou para junto do Pai.” (Jo 14, 12); “Este é o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo.” (Jo 15, 12); “Referi-vos estas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.” (Jo 16, 33)

E sempre que se sentir chamado por Deus e quiser ajudar a levar mais almas para o Céu, espelhe-se no SIM de Nossa Senhora: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1, 38)

Com Maria, nossa Mãe, formamos a Igreja Viva do Terceiro Milênio – para a glória de Deus! Amém.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



publicado por Luso-brasileiro às 15:35
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2019
HUMBERTO PINHO DA SILVA - MÉRITO OU ANTIGUIDADE ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Durante muitos anos, a antiguidade, era – como se costumava dizer, – um posto.

As promoções, dependiam: dos anos de serviço, da assiduidade à empresa ou firma.

Nas últimas décadas, implantou-se – e bem, – o mérito.

Digo e bem, quando o mérito não depende da: cor política, credo, amizade ou outra coisa mais, que por respeito, ao leitor, peço licença para não revelar.

Conheci – já lá vão muitos anos, – pobre homem, que mourejou toda a vida, na mesma empresa.

Doente, com sacrifício, apresentava-se no local de trabalho, tentando, com esforço e dedicação, ser leal aos superiores hierárquicos.

Os anos correram… e muitos foram os que visaram, ao verem-no na tarefa de aumentar a receita da empresa:

- “ Vais receber a medalha de cortiça! Ninguém reconhece! …”

Mas o homem, na sua inocência, pensava lá consigo: “ Um dia alguém há-de fazer-me justiça.”

Os colegas de trabalho, riam-se à socapa, do zelo e do propósito, em tudo, contribuir para o enriquecimento da firma.

Por fim, já tinha trinta anos de casa, alguém, lembrou-se de o louvar. Foi motivo de orgulho. Não pelo louvor, mas pelo reconhecimento.

Andava alegre como um cuco; como sino em dia de Aleluia, quando o chamaram ao gabinete do diretor.

Entrou radiante. Sabia que se preparava importante reestruturação. Reestruturação, que equivalia aumento de salário. Semanas antes, garantiram-lhe que as  alterações, em nada o iriam prejudicar.

Diante do diretor, este, após agradecer a dedicação e lealdade, disse-lhe:

- “ Como sabe vai haver reestruturação de serviço, e o senhor vai ser dispensado…Por mim, ficava; mas, eles não querem! …”

O pobre homem teve um desfalecimento.

-” Mas Senhor Doutor… – balbuciou a medo, gaguejando. - Quem são eles?! …”

- “ Foram eles! …Foram eles! … – Pronunciou, o diretor, em voz intimadora; e saiu, deixando o ingénuo trabalhador atónito.

Colocaram-no – como se costuma dizer, – na prateleira, esperando a chegada da reforma.

Pelo menos tiveram a caridade de o tratarem com respeito e dignidade.

Disseram-lhe, então, que fosse para o tribunal. Que fosse ao sindicato…Mas, no íntimo, sabia que nada adiantava.

Um dia, encontrei-o, já no final da vida, amargurado. Voltou-se para mim, deu-me um abraço servil, e declarou:

- “ Podia ter reforma mais confortável, mas acreditei: que, zelando os interesses da empresa, era bastante… Disseram-me para me queixar…Olhe: aguardo que tudo seja resolvido no Tribunal de Cristo… Mas ainda penso de mim para mim: que força tão poderosa era,  que conseguiu abafar a consciência de homem, que parecia tão corajoso ?”

A dedicação, infelizmente, não chega…é preciso alguma coisa mais… para se ser promovido e singrar na vida…

Mas isso, não é para gente simples, que acredita na justiça humana e na palavra dos homens.

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 14:47
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JORGE VICENTE - EMOÇÕES

 

 

 

 

 

 

 

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JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça

 

 

 

 

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Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

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Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

 

 

 

 

 

 

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Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

Horário das missas na Diocese do Porto(Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 14:29
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Sábado, 12 de Janeiro de 2019
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - 13 DE JANEIRO. DIA DO LEONISMO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em comemoração ao nascimento de seu fundador, Me lvin Jones, e m 13 de janeiro de 1879 em Fort Thomas, Arizona, EUA, celebra-se nesta data, o Dia do Leonismo, que se revela num movimento universal que congrega homens e mulheres motivados pela finalidade de servir desinteressadamente à sua comunidade e aos seus semelhantes. Traduz um conjunto de normas e objetivos da Associação Internacional de Lions Clubes em prol do bem-estar cívico, cultural, social e moral da comunidade, sem ligações religiosas ou políticas. Através dos seus Clubes de Serviço estuda as necessidades da coletividade e apresenta meios ou sugestões para enfrentá-los, seja através dos seus próprios esforços ou em cooperação com terceiros.

Conforme a Declaração de Missão do Lions Clubs International, uma de suas finalidades primordiais é criar e fomentar um espírito de compreensão entre todos os povos com relação às necessidades humanitárias, fornecendo serviços voluntários por meio de envolvimento comunitário e cooperação internacional. Assim, aproximadamente 1,4 milhão de homens e mulheres realizam exames de vista e de saúde, construem parques, apoiam hospitais oftalmológicos, concedem bolsas de estudo, auxiliam jovens, distribuiem cestas básicas, dão apoio a entidades filantrópicas, fornecem ajuda em momentos de catástrofes e muito mais.

O Lions Clubs International foi fundada nos Estados Unidos da América em 1917 por Melvin Jones e se tornou internacional em 1920, quando foi fundado um Lions Club no Canadá. Atualmente, existem mais de 46.000 Lions Clubs espalhados por 206 países do mundo. Em nossa cidade, destacam-se pela execução  de inúmeras atividades filantrópicas.

Ressaltamos a atuação do leonismo pois ela se embasa na solidariedade que integra a Terceira Geração dos Direitos Humanos e nos convida a uma séria reflexão sobre a importância de desenvolvermos uma convivência mais fraterna e solidária, notadamente numa época em que o desenfreado consumismo se sobrepõe a inúmeros princípios, tornando as pessoas mais frias e insensíveis.

Como propósito moral que vincula o indivíduo à subsistência, aos interesses e às obrigações dum grupo social, duma nação ou da própria humanidade, fazendo com que ele partilhe construtivamente da vida do seu semelhante, a solidariedade encerra dois aspectos, ou seja, participação e ajuda: uma virtude que se subordina à disposição afetiva em relação a quem nos avizinha.

 O futuro, coletivo e individual, depende de esforços pessoais que se somam e começam a mudar pequenas questões para, estruturado em muito trabalho e nunca boa dose de renúncia, alcançar gradualmente, e o quanto antes, a consolidação de uma convivência afável e justa.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:20
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - UMA ILUMINURA DE MESTRE ROBTNET TESTARD

 

 

 

 

 

 

 

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Por vezes, tanto na Idade Média quanto no Renascimento, a representação da inveja se dava por meio da chamada “cavalgata dos vícios”, sequência de sete figuras, cada uma das quais alusivas a um dos vícios capitais, tendo como característica que em todas aparecia uma pessoa montada num animal, que podia ser um cavalo, um cão, uma fera, ou uma figura mitológica. A montaria, em via de regra, continha alguma referência simbólica ao vício focalizado no quadro. A própria ideia de “cavalgata” parecia aludir à dinâmica e à velocidade que têm os vícios capitais nas almas que se submetem ao seu império.

Encontramos um belíssimo exemplo no Livro de Horas pintado, bem no início de sua carreira, por Robinet Testard, mestre iluminurista que durante 60 anos (1471-1531) produziu obras de grande valor artístico. Esse Livro de Horas foi composto em Poitiers, por volta de 1475, e se encontra presentemente em Nova York (The Morgan Lybrary & Museum, Ms. 1001). Contém o Ofício de Horas da Virgem Maria, o Ofício de Defuntos, calendários e ladainhas, além de uma série dedicada aos sete pecados capitais, composta para ilustrar os sete Salmos Penitenciais.

Os sete vícios são representados em outras tantas iluminuras, cada uma delas dividida ao meio, tendo na parte superior uma pessoa montada e, na parte de baixo, um demônio tentador e uma cena da vida quotidiana, na qual é retratada, por vezes de modo caricato, a prática do respectivo vício.

No caso concreto da inveja, o cavaleiro monta um cavalo, que controla pelas rédeas com a mão esquerda, e ao mesmo tempo conduz, com a mão direita, uma ave. Sugiro que o leitor encontre essa iluminura em seu computador ou tablet e a amplie bem, para poder apreciar sua beleza e riqueza de pormenores (link: http://ica.themorgan.org/manuscript/page/14/76937).                  A posição do cavaleiro é tipicamente a de um caçador que leva no braço uma ave de rapina amestrada para a caça. Entretanto, não é um falcão que ele segura, mas o que tem na mão é uma pega, ave do gênero Pica, aparentada com os corvos, de coloração escura no dorso e com os flancos e o abdome claros. Atente-se ao simbolismo: na tradição cultural europeia, a pega não é uma ave nobre, mas é um pássaro barulhento e que tem a má fama de roubar objetos brilhantes e vistosos. Dentro dessa tradição cultural, compreende-se que o cavaleiro se deixe instrumentalizar por boateiros e ladrões da boa reputação alheia, como são de ordinário os invejosos. Compreende-se também que ele caminhe sobre um solo pedregoso, estéril e improdutivo, bem diverso da área coberta de vegetação que figura em segundo plano e do arvoredo avistado mais no fundo da cena. A inveja é, por sua natureza, esterilizadora, porque estiola e mata as potencialidades da alma, porque impede os lados melhores das pessoas de desabrocharem e produzirem bons frutos.  Compreende-se também a fisionomia profundamente melancólica do cavaleiro, pois nada se opõe tanto à alegria como a atitude recalcada, ressentida e amargurada do invejoso.

A parte de baixo da iluminura mostra uma representação bem concreta da inveja. Um gordo burguês tem diante de si uma volumosa quantidade de moedas de ouro, enquanto outro, ao seu lado, parece dirigir-lhe a palavra, talvez para propor algum negócio ou fazer alguma solicitação. Ao fundo, dois outros homens, em atitude furtiva e um tanto suspeita – um deles tem o olhar velado por um gorro e o outro se disfarça por trás da corcunda do primeiro – contemplam a cena imbuídos de sentimento de inveja, em relação ao argentário, e talvez também em relação ao que, mais hábil do que eles, conseguiu conversar com o rico mercador e com ele entabular negociações. No centro da cena, outro grupo de homens de menor estatura (e portanto, simbolicamente, de menor importância social e econômica), murmuram entre si, provavelmente a falar mal do burguês rico, que apontam a dedo. Dois deles portam bolsinhas com seu próprio dinheiro, de modo que fica insinuado se tratarem de pequenos burgueses a invejar e criticar o colega bem sucedido.

No lado esquerdo, um grande e vistoso demônio parece, à distância, comandar toda a cena. É a maior e a mais importante das figuras do quadro. Parece esboçar um riso sardônico e zombeteiro. Traz, amarrada à cauda, uma faixa com seu nome escrito: Bellezebuth.  Esse é um dos poucos demônios nominalmente referidos na Bíblia. No Livro Segundo dos Reis, é o nome do deus de Acaron, que o rei Acazias, de Israel, acometido por uma doença, mandou consultar para saber se recuperaria a saúde. O profeta Elias o censurou severamente por sua infidelidade, pois em lugar de recorrer ao Senhor Deus de Israel recorria a um deus falso e estrangeiro, venerado pelos filisteus, tradicionais inimigos de Israel, e lhe profetiza como castigo a morte próxima – o que de fato ocorreu. O fato é narrado em 2Rg 1,1-17.

O nome desse deus mitológico passou a designar, na tradição hebraica, um dos principais demônios, como se verifica no Novo Testamento, nos três Evangelhos Sinóticos. Em Mt 12,24-28, Mc 3,22-26 e Lc 11,14-20 reaparece o mesmo nome Belzebut, na boca dos fariseus que acusam Jesus Cristo de expulsar demônios pela virtude de Belzebut, o príncipe de todos os demônios. Jesus Cristo lhes responde apontando a contradição: desde quando o reino do diabo estaria dividido contra si mesmo, para que fosse possível expulsar um demônio pelo poder de outro demônio?

Entre a parte de cima e a de baixo, veem-se escritas algumas palavras latinas: “Beati quorum remissae sunt iniquitates et...” São as palavras iniciais do Salmo 31, o segundo dos sete Salmos Penitenciais: “Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades foram perdoadas e (cujos pecados foram apagados)”. Essas mesmas palavras foram repetidas na Epístola aos Romanos (4,7).

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS, é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História e da Academia Ptracicabana de Letras.

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:20
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - DEVAGAR COM O ANDOR

 

 

 

 

 

 

 

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            A vida anda corrida.

Mesmo eu, conservadora, hoje me rendo a inovações.

            E me rendi à corrida, inclusive. O exercício físico. Diário. Essa, comprovadamente, a melhor inovação em meu cotidiano.

No tocante às demais novidades, tenho escrito verso e prosa no teclado, até no do celular. Não que eu faça isso sempre ainda. Aí já seria salto demasiado para o meu perfil. “Devagar com o andor, que o santo é de barro”.

Mas, considerando que eu achava que não poderia extravasar os sentimentos por essa via (o que é um pensamento bobo, um pensamento raso) sinto um grande progresso.

Espero, isso sim, que sigamos a dominar máquinas em geral e nossos próprios sentimentos. E quiçá demore bastante para chegar o dia em que a máquina, já cônscia de que pensamos ainda tê-la a nosso serviço, de fato nos desumanizará por completo.

Tomara que, ao contrário, antes disso – e em tempo – a humanizemos.

Se bem que, antes disso, precisamos NOS reumanizar.

A verdade é que estamos sempre a sofrer por antecipação. Deixemos para daqui a pouco o daqui a pouco, quando saberemos sobre daqui a pouco. Mais ou menos isso.

Quando eu disse que a vida anda corrida, e corri em seguida a dizer que dei início à corrida enquanto hábito diário... pretendia dizer-lhes o seguinte...

Meus amigos próximos sabem que tenho costume de, após as corridas semanais, aos finais de semana caminhar pela ciclovia que liga o Jardim Botânico ao Parque da Cidade – coisa linda aqui em nossa Jundiaí.

Aconteceu que adoeci e não pude fazê-lo.

Aí se deu uma coisa linda mais linda do que a lindeza dos dois, Jardim e Parque juntos: um desses amigos, fazendo de bicicleta o mesmo percurso onde comumente nos encontramos, não tendo me visto, envia mensagem de celular.

Sabendo agora, pois, de meu estado, passa a enviar, trecho a trecho, uma foto, de maneira que eu me sinta ali, curtindo a natureza.

Do sofá onde eu, a custo de medicamento, chá e eteceteras lutava para me recuperar, chorei e ri de emoção.

Achei mesmo muito bonito aquilo!!!

Um gesto simples eu poderia achar. Porém para quem sabe o que significam as paradas quando você pretende impor um ritmo ao exercício isso foi significativo. E quanto!

            Aliás, já sarei, obrigada.

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoliescritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 18:59
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - MULHERES DE AÇO E FLORES

 

 

 

 

 

 

 

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Pensei em escrever hoje sobre a senhorinha que veio ao meu encontro, em primeiro de janeiro, na porta da Igreja do Rosário e São Benedito – Santuário Diocesano Eucarístico. Conheço-a faz algum tempo. Perguntei-lhe sobre o companheiro, morador de rua como ela: separaram-se. Roubou-lhe as moedinhas. Quantas vezes a vi de olhos roxos por violência dele. Não conseguia, contudo, distanciar-se, pois, com lágrimas me repetia: “Eu amo ele...” Falar o quê?
No dia seguinte, comecei a ler o livro “Mulheres de Aço e de Flores” do Padre Fábio de Melo. Com vinte contos, retrata mulheres diferentes, algumas delas doentes de amor. 
A cozinha, coloca como lugar de amor eterno e que esse amor mora nos potes de tempero, nos tabuleiros de bolos caseiros... 
Sobre linhas e bordados, no texto Antiguidades: “Linhos e linhas nas linhas da alma. O artesanato das mãos atingia as origens de nossas causas. O que bordávamos no pano bordávamos mesmo era dentro de nós...” E a costureira viaja nas cores dos tecidos. 
Em relação à cozinha como às teceduras, das quais pouco entendo, creio que seja exatamente dessa forma, pela minha convivência com mulheres dos quitutes e dos saberes com linhas e gostos diversos.
Verdadeira a afirmação de uma das personagens: ”Sou mulher de poucas palavras. Por vezes tenho medo, por vezes tenho coragem”. Por mais seguranças que se possua, sejam elas materiais, de proximidades, de poder, de fé, temores e valentia se misturam, conforme a que afirma: “A arquitetura de minha alma é barroca. Sou fraca, sou forte, sou luz e sou sombra. Sou de aço, sou de flores”.
Mas voltando à senhorinha, de doçuras e olhar de via crucis, que veio em minha direção: não resistiu à morte do filho. Perdeu-se no álcool e, mais tarde, no crack. Entregou os três cômodos, de propriedade sua, para pagar a dívida e conseguir um lote de pedras. Sem rumo, chegou aqui e, no moço, também dependente químico, de braços fortes, viu a possibilidade de recomeço. Em sua terra entendia de cozinha, de artesanato, de costura, de determinação. Talvez fosse ele o amor que a alcançara quando ruíam os últimos pilares de sua vida, como no conto “Amor de Sol Poente” do livro em questão.
O crack lhe roubou a dignidade e ele lhe tirou o valor da vela que acenderia pela alma do filho. Pediu-me para lhe indicar uma clínica para recuperação.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



publicado por Luso-brasileiro às 18:47
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