PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quinta-feira, 21 de Março de 2019
CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - JAVALI ESPITÓRIO

 

 

 

 

 

 

 

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            Acredito que somente a ignorância da população é que permite que algumas dúzias de bandidos, de gente mal intencionada mande e desmande no mundo. O conhecimento e a falta dele são armas muito mais eficazes do que do outras de destruição física. Quem domina mentes é capaz de manobrar o mundo e, para tristeza universal, grandes e cretinas guerras comprovam isso.

            Uma das coisas que sinto pena pelo fato da existência humana ser tão curta é a certeza de que irei embora desse mundo sem saber tantas coisas, sem compreender a magnitude de tudo que se move por esse mundo, bem como de pode me instruir plenamente, nos passos da inteligência humana voltada para o bem.

            Sempre que eu posso, procuro me informar sobre fatos que me interessam ou me revoltam, até mesmo porque eu talvez esteja enganada sobre o assunto. E assim eu fiz na semana passada, ao assistir um Seminário promovido pela ONG Olhar Animal, a respeito da Caça. Se eu já abominava a prática, ainda mais aquela por “esporte”, após quatro horas ouvindo pessoas qualificadas e ponderadas tratando do assunto, eu somente reforcei meu sentimento, mas agora munida de informações importantes.

            Nem vou gastar linhas para tentar explicar o quanto a retirada de uma vida animal por mero deleite, por cretinice, deixa-me chocada e entristecida. Contudo, sempre que eu lia sobre ameaças de liberação da caça no Brasil, por conta de um projeto de lei que vem tramitando nas Casas Legislativas, as noticias vinham acompanhadas da justificativa que isso era para controlar a praga do javalis.

            No último sábado, ouvindo biólogos, juristas, cientistas políticos, peritos  e psicólogos tratando sobre o assunto, entendi que, se de fato existe um problema envolvendo o javali, é muito mais verdade que esse animal vem sendo utilizado como bandeira para quem realmente só quer agradar bancadas ruralistas e pessoas que defendem o direito de se tirar uma vida por sádico prazer. Em outras palavras, o meio ambiente é a última preocupação daqueles que defendem o malfadado projeto.

            Não seria possível, nesse espaço, trazer todos os argumentos debatidos, mas alguns deles eu gostaria de compartilhar com quem lê o que escrevo, pois, se quem o faz há algum tempo sabe o que penso sobre temas que envolvem animais e, por certo, de algum modo simpatiza com o assunto também.

            Descobri que muitas das florestas brasileiras estão vazias, mudas do barulho dos animais que dantes nelas habitavam. A construção de estradas cortando matas e isolando populações de animais, que ficam sem acesso à agua, ou restritos a poucos membros, além das práticas predatórias, estão levando espécies à extinção. Assim, locais nos quais os javalis ingressaram, segundo estudos feitos, houve uma reintrodução de animais, responsáveis, inclusive, pela dispersão de sementes, fonte de manutenção vegetal.

            Há sim, por outro lado, problemas que surgiram devido à proliferação de javalis que, mas permite-se a caça deles não é o suficiente para que esse problema deixe de existir. Os argumentos são muitos e fundados em pesquisas e dados sérios. A grande questão, no entanto, é que ao se permitir a caça do javali, ninguém estará por perto para se certificar de que outros animais também não serão caçados. E não se iludam, o referido projeto em trâmite abre muitas brechas para que imbecis munidos de uma arma, corajosos atrás da pólvora, achem-se no direito de ceifar vidas.

            Minha conclusão, além dos sentimentos que eu já possuía, é que o javali, nessa história toda, é só um pretexto que se vale do desconhecimento das pessoas que se importam, que ainda acreditam que uma vida, qualquer que seja, vale mais do que a mesquinha satisfação de quem projeta sua pequenez na ponta de uma arma.

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e professora universitária – cinthyanvs@gmail.com



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - ACABRUNHADA

 

 

 

 

 

 

 

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Passei a semana passada acabrunhada. Conheço a pessoa desde criança. Carrega muitos dons artísticos. Há algum tempo, contudo, passou a cultuar o corpo através de fotos conquistadoras sem arte. Carne exposta pela carne que atrai aplausos de alguns. Confesso-lhes que fiquei triste. De certa forma, é o primeiro passo para o caminho da prostituição. Prostituir-se é um direito, contudo conheço bem aonde chega, depois de no máximo dez anos, quando o uso deixa de ser novidade.
Ao falar com a psicóloga Ana Cristina Codarin Rodrigues sobre minha angústia, comentou sobre o transtorno de personalidade histriônica (TPH). Nunca ouvira falar. É caracterizado por um padrão de emocionalidade excessiva e necessidade de chamar a atenção para si mesmo, incluindo a procura de aprovação e comportamento inapropriadamente sedutor. Que judiação, morre um artista e surge uma oferta no comércio do sexo.
Quase em seguida soube do indivíduo que foi detido após dois filhos com mães diferentes da mesma família. Pela lei, estuprador, devido à idade de uma das meninas. Pelo consenso de algumas pessoas próximas, oferenda de corpo com insistência, a que ele não resistiu. E, nos meus conhecimentos/desconhecimentos sobre o acontecido, reflito sobre as carências das mãezinhas, a desestrutura da família que não cuida, os homens rústicos que não compreendem idade e limites e reagem de acordo com quem motivar os seus instintos. Que triste!
E chega a tragédia de Suzano, envolta em sangue, morte, feridas, games,planejamento macabro, paranoia... O fórum extremista Dogolachan, no qual são discutidas, dentre outros assuntos, práticas de crimes, violência dos direitos humanos, racismo, misoginia. A colocação de um dos matadores: “Nascemos falhos, mas partimos como heróis”. Por que não aprenderam que todos somos limitados e com a possibilidade de nos melhorarmos? Heróis para quem, meu Deus, depois de uma barbárie dessas?
Nos três acontecimentos, desrespeito: consigo e com os outros. O século da ignomínia.
Assoprou-me o coração, com esperança, o texto do Padre Leandro Megeto, Pároco da Igreja Nova Jerusalém e coordenador diocesano de ação evangelizadora, a partir do Livro do Êxodo (3, 5): “Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é chão sagrado”, em que ele conclui: “Como mudar todo este quadro? Olhar para o outro como um solo sagrado”. 
 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



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JOSÉ RENATO NALINI - VIDAS SECAS

 

 

 

 

 

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Você que fica longos minutos no banho, deixa a torneira aberta para fazer a barba, não se preocupa com a crise hídrica porque “está pagando”… veja o que acontece hoje em grande parte do Brasil.

Sabe-se que o Nordeste é a região das secas. Mas o Nordeste começa no Norte de Minas. Em Berizal, as obras de uma barragem foram paralisadas. O mato cobre tudo. Apenas um caminhão pipa atende à população. Há seis anos o problema se agravou no norte de Minas. Chuva sempre abaixo da média e 70% dos rios e córregos secos.

Quando não há rio, nem barragens, poços e nascentes esgotados, a agropecuária fica sem alternativa. De 2012 para cá, o número de cabeças de gado da região caiu 25%. A área de pasto degradado chega a quase 90%. A perda de grãos na última safra quase chega a 90% também e a de leite quase 70%. Água para beber, só de caminhão pipa e a cada quinze dias.

A juventude vira estatística do êxodo rural. Há 20 anos, os rios eram caudalosos e piscosos. Ninguém imaginava uma seca destas proporções. É que o desmatamento impede a irrigação da água da chuva, essencial para recarregar os lençóis freáticos e nascentes. Montes Claros, a grande cidade do Norte de Minas também padece por falta d’água. E até Pirapora, cidade turística à margem do Rio São Francisco, tem dificuldades em captar água para atender à população de 60 mil habitantes. Além da falta d’água, – e por causa dela – 70% da renda do município se esvaiu.

Seca, desmatamento, assoreamento, tudo impede que a pouca água chegue à boca do mineiro nordestino. O orgulho da cidade era o barco a vapor “Benjamin Guimarães”, único do tipo em funcionamento em todo o planeta. Mas desde 2014 não consegue navegar, por falta de condições do rio. Este não atinge a profundidade mínima e o barco vai apodrecendo.

E é um barco bonito, como aqueles do Mississipi americano. Foi construído em 1913, nos Estados Unidos e levado ao São Francisco na década de 1920. Três andares, doze camarotes, bar, pode transportar até 244 passageiros. Até 1980, ano em que a navegação do rio entrou em decadência, o “Benjamin” transportava carga e passageiros de Juazeiro, na Bahia, até Pirapora. Aqui, por meio da Estrada de Ferro Central do Brasil, chegava ao Rio e a São Paulo.

Hoje a população vive à míngua e nada indica mudança nessa triste situação de um País onde se continua a malversar recursos do povo, como se não existisse Lava-Jato, Justiça, cadeia ou hora de acerto de contas.

 

 

 JOSÉ RENATO NALINI   é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Ambiental”, 4ª ed., RT-Thomson Reuters.

 

 

 

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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - O QUE A GENTE PRIORIZA

 

 

 

 

 

 

 

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            A fim de confabular, eu tomaria um poema por preâmbulo. Sempre há quem compre a ideia.

            Mas... vendo a coisa por outro ângulo, vejo que Poesia é gratuidade!!!

Então, vendarei os olhos. E passarei a dá-los ao invés de vendê-los.

Sim. Olharei com olhos gratuitos, não vendáveis.

            Vamos ao que interessa: fatos. E talvez alguma Poesia que neles haja.

            Porque já já a gente vira a página, e, antes sequer de ter digerido essa meia dúzia de palavras inócuas, devorará com sofreguidão as notícias do dia, isto é, o que importa.

            Poesia é fichinha em vista de problemáticas outras desproporcionais!

            A gente vai assumir compromisso com o que é poético pra quê? Observe-se a vida: ela é, por natureza, poética, e o que a gente faz senão morrer dia a dia?

O mundo pode explodir a qualquer momento e a Poesia não poderá mover uma palha para impedir que isso aconteça.

Escutem bem: estou para dizer que nosso viver talvez tivesse sido mais suave, não obstante às vezes grave – gravíssimo! – caso ouvíssemos menos o que sopram os ditos ventos da sensibilidade.

Bom é termos caules imponentes e hastes firmes. Nada de nos curvamos a qualquer vento despropositado.

Sejamos duros na queda. Donos de nós mesmos. Eficazes. Viver exige resultados.

É lá... é lá... na prática que a vida acontece. Não nos versejos cheios de boas intenções.

O que podem versos? O que pode a arte em geral? Dar alguma leveza, algum instante pra respirar em meio ao caos que é a poluição de sons, imagens, informações cotidianos.

Ah... é tão pouco! Respirar pra quê? Inspirar... transpirar...

Isto que partilhamos aqui se chama “palavras ao vento”. Assim mesmo: no plural, e nem por isso menos inútil.

            Quem ainda escuta vento, escuta porque é teimoso ou meramente esqueceu alguma janela aberta.

            Uma janela de alma.

            De resto... dou a mão à palmatória! Poesia é arte vexatória.

            Coisa ridícula, que a gente nunca nunquinha prioriza!

            A gente enxerga na poesia algo que nos extravia. Isso quando a enxerga.

Poesia é isso. É. Um extravio. Um disparate. Algo que se descarte. Algo que dá trabalho ver.

            Isso é o que a gente pensa.

            E de tanto pensar, morreu um burro. Pensam que pra nascer um ser excelso?

Nem. Só mesmo pra vingar outro néscio.

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:46
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FELIPE AQUINO - 40 RESOLUÇÕES CONCRETAS PARA VIVER UMA SANTA QUARESMA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sherry Antonetti é autora de “The Book of Helen” (O livro de Helen) e escreveu 40 resoluções concretas que podem ser aplicadas na vida cotidiana durante esta Quaresma para viver santamente este tempo.

 

 

“Com a Quaresma já iniciada, aqui estão algumas ideias sobre como começar nosso percurso espiritual no deserto de preparação para a Paixão, Morte e Ressurreição de nosso Senhor”, escreve Antonetti em seu blog publicado em ‘National Catholic Register’.

  1. Ir a Missa duas vezes por semana.
  2. Parar de beber café.
  3. Servir como voluntário em algum refeitório popular ou hospital algumas horas por semana.
  4. Não usar cartões de crédito.
  5. Rezar o Terço diariamente.
  6. Ler o evangelho do dia no jantar com a família.

 

Leia também: Como viver a Quaresma?

Qual penitência escolher para viver este período da Quaresma?

Como viver bem o tempo da Quaresma

Quaresma, tempo de voltar para Deus!

A Penitência da Quaresma

 

 

 

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  1. Jejum de junk food.
  2. Rezar uma novena ou uma devoção particular.
  3. Adorar o Santíssimo uma hora, além do tempo de costume.
  4. Ler na Missa ou servir no ministério de acolhida, ou levar a Sagrada Comunhão aos doentes.
  5. Escrever para seus amigos sobre sua fé.
  6. Fazer exercícios em uma academia ou ao ar livre como um oferecimento.
  7. Abster-se de alguma atividade favorita, como Facebook ou Twitter, ou do celular completamente.
  8. Abster-se de comentários desagradáveis, maliciosos ou sarcásticos, inclusive em pensamento.
  9. Dizer “eu te amo” todos os dias para a sua família.
  10. Fazer e oferecer a tarefa que mais te desagrade, mas fazê-la com um coração alegre.
  11. Confessar-se e fazer um exame de consciência diariamente.
  12. Aprender mais sobre o Catecismo ou a história da Igreja.
  13. Doar para caridade um valor igual aquele utilizado nos gastos adicionais (não essenciais).
  14. Descartar o uso de televisão ou outras telas que sirvam para o entretenimento.
  15. Não usar o telefone celular ou computador quando não estiver no trabalho.
  16. Visitar os doentes, idosos e prisioneiros.
  17. Rezar diariamente pelas almas do Purgatório.
  18. Procurar a reconciliação com a família e os amigos.
  19. Parar de desperdiçar seu tempo navegando na Internet, fazendo compras, na televisão, no telefone, etc.
  20. Não comer carne durante toda a Quaresma
  21. Convidar outras pessoas para irem à Missa com você.
  22. Doar para caridade os brinquedos e roupas em bom estado que você não usa.
  23. Confortar aqueles que sofrem o luto com uma refeição, sua presença e sua oração.
  24. Ajudar à caridade católica ou a uma ordem religiosa.
  25. Oferecer Missas como presentes para as pessoas.
  26. Defender a vida protestando contra a pena de morte, o aborto, escrever cartas ou participar de vigílias de oração.
  27. Convidar famílias para o jantar de sexta-feira e falar sobre sua fé.
  28. Cantar com voz forte na Missa, com alegria e reverência.
  29. Ajudar na catequese da sua paróquia. Tornar-se uma testemunha da fé.
  30. Envolver-se mais na sua paróquia e diocese. Ver onde a ajuda é necessária e tornar-se essa ajuda.
  31. Desistir de qualquer hábito pouco saudável que impeça você de se aproximar de Cristo.
  32. Reservar um tempo para descobrir a fé de um santo lendo seus escritos.
  33. Pedir a Deus as graças que você não tem, faça-o diariamente.
  34. Dar graças a Deus, todos os dias, pelo seu Filho.

 

Fonte: https://www.acidigital.com/noticias/40-resolucoes-concretas-para-viver-uma-santa-quaresma-98481

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:36
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PAULO R. LABEGALINI - LIVRO: PEGADAS NA AREIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Publicado este mês pelas Editoras Appris/Prismas, eis um texto do início de meu novo livro:

 

 

 

Certa tarde, quando eu tinha cerca de 13 anos, fui nadar com os amigos no chamado ‘Tanque do Assunto’ em Monte Sião. Lá, havia um cipó que nos permitia transpor a parte funda do rio. E como eu não sabia nadar, só soltava o cipó quando tinha certeza que cairia no raso.

Porém, numa das vezes em que me pendurei, minhas mãos escorregaram e fui parar no fundo! Graças a Deus, o Paulo Pintado percebeu que eu estava afogando, pulou n´água e me salvou. Depois, ainda me xingou e ficou furioso, porque eu o agarrei com tanta força pelo pescoço que quase morremos juntos.

A partir daquele dia – acho que para se vingar –, o Paulo começou a contar histórias de terror quando nos reuníamos à noite na praça da cidade. Acredito que alguém lhe tenha dito que eu tinha medo de assombração. E o danadinho era bom naquilo; tanto era que eu passava horas sem dormir à noite – ‘curtindo’ o medo!

Comecei a sair de perto quando as histórias começavam, o que não adiantou muito, porque ele já iniciava focando que, antigamente, na casa onde eu passava as férias, ouviam-se correntes arrastadas na madrugada e gritos de todo tipo. Nossa, aquilo era terrível para a minha imaginação!

Hoje, curado do medo, ainda penso o que leva uma pessoa ter prazer em praticar o mal. Sei que éramos crianças e o exemplo que citei pode não ser o melhor, mas, independentemente disso, há milhares de pessoas no mundo que não se importam com suas imagens aos que os cercam. Essas mesmas pessoas já praticaram o bem, mas também se alegram em fazer o mal!

E tristeza nunca dá bons frutos. Tanto é verdade que, também eu, quando morava em república e cursava engenharia, fiz uma maldade com um colega. Era seu aniversário e, por ele ser órfão, não teria festa em família; porém, para nossa surpresa, sua namorada trouxe um delicioso pudim para comemorarmos à noite. Ele ficou feliz da vida e nos prometeu repartir quando voltasse do treino de vôlei.

Ao retornar, por volta de 23 horas, nós quatro da república fingíamos dormir no quarto. Ele foi direto na geladeira e viu que só havia um prato com a calda do pudim! Rindo baixinho, nós ouvíamos o Zé Maria chorando e dizendo: ‘Que sacanagem! Não me deixaram nem um pedaço! Não acredito!’ E repetindo isso, ficou um bom tempo se lamentando na sala.

Quando acendeu a luz do quarto para dormir, nós o aguardávamos com o pudim nas mãos e cantamos parabéns. Ele não sabia se sorria ou se chorava, porque ficou triste por um bom tempo e comentava que a brincadeira foi de muito mal gosto.

‘Mal gosto’ também eu disse a um outro colega, Waldir, durante uma missa na época de adolescência. Aconteceu que, durante o ofertório, a cesta da coleta chegou ao banco em que estávamos e ele começou a procurar dinheiro nos bolsos. Ficou um bom tempo colocando a mão nos bolsos da frente da calça, nos bolsos de trás, procurou na jaqueta, voltou a conferir na calça... e a pessoa com a cesta esperando!

De repente, ele tirou um lenço e, sorrindo, enxugou o nariz. Eu fiquei morrendo de vergonha e balancei a cabeça, desaprovando a brincadeira de mal gosto do colega. Depois da missa, o Waldir repetia com ar de gozação: ‘Eu não disse que estava procurando dinheiro. Ela ficou esperando porque quis!’

E a última história pitoresca que lembro para contar – evidenciando algum tipo de maldade – ocorreu num feriado, na volta de Itajubá para Monte Sião. Meu primo, Toninho, dirigia o carro à noite na minha companhia e de mais três colegas.

Assim que cochilei, o Toninho combinou com os demais simularem um acidente. Então, num lugar seguro, apagou os faróis, saiu da estrada e, freando bruscamente, todos gritaram juntos. Eu acordei no banco de trás, percebi colegas meio caídos em cima de mim e, naquele silêncio, fiquei apavorado! Não sabia o que fazer e tentei sair a qualquer custo, mas as portas estravam travadas. Quando ‘acordaram’, se divertiram às minhas custas.

Pois é, nem toda brincadeira termina bem e, algumas, traumatizam e criam inimizades para sempre. Portanto, faça o bem, porque fazer o bem não faz mal a ninguém.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:29
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - MEU AMIGO MANEL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conheci-o na antiga Escola Académica, no Porto, onde fui parar, após ter sido o melhor aluno da turma, no “Alexandre”

O Manel, era um adolescente, franzino, elegante, de estatura meã. Tinha rosto moreno, e na boca, permanente sorriso gaiato e camarada.

Certa manhã, manhã doirada, marchetada a tons rosáceos, estava a caminhar no gracioso jardim, fronteiro ao edifício da escola, quando vi o Manel, a conversar, animadamente, com colegas. Falavam do Porto e de figuras portuenses.

 

 

 

 

 

Pé ante pé, avizinhei-me, e intervi na acalorada conversa.

Olharam-me surpreendidos; mas ele, escutou-me com muito atento e interesse, mormente, quando comecei, a determinado passo, a citar o Conde d’Aurora.

Em breve seríamos inseparáveis. Raro era o dia, que não trocássemos confidências. Contava-me, com graça - era excelente conversador, - as aventuras do pai, que adorava; e as “ diabruras” da irmã - menina encantadora e meiga, segundo dizia.

Uma tarde, por sinal chuvosa, mostrou-me sebenta escolar, onde esboçara, a lápis, complicada mecânica, de carro movido a água.

Tinha sido a sua última invenção…

Debatemos o funcionamento da engenhoca, recorrendo aos parcos conhecimentos de física e química, que tínhamos.

Nos longos passeios, que dávamos, falava-me de mundo, que não conhecia: de Bento de Amorim, e seu famoso automóvel; do Conde de Campo Belo; de Sousa Guedes; de Alberto Pinheiro Torres; Condes de Alpendurada; Magalhães Bastos…; e de amigos e amigas do higt-life.

Havia duas meninas, que não saiam dos seus olhos: uma, vivia na Avenida Rodrigues de Freitas; outra, perto do antigo liceu “ Carolina”. Mas, os olhos brilhavam de júbilo, ao referir-se à última. Seria namorada? Não sei…Certamente era…

Semanalmente, realizávamos curiosas e instrutivas excursões pelas velhas e típicas ruas e ruelas, do velho Porto. Nessa recuada época, alguns bairros, estavam infectadas de fartum enjoativo, bafiento, que nos obrigava a estugar o passo.

Juntos, calcorreávamos locais pitorescos da cidade. Não havia monumento, museu ou jardim, que não fossem visitado e apreciado, por todos os ângulos…

A vida militar separou-nos. Ainda recebi correspondência da Guiné; mas, por motivos que desconheço, cessaram os aerogramas…

Os anos passaram…Passou, também, a juventude…

Encontrei-o, mais tarde, já casado. Era o mesmo Manel, alegre e folgazão; mas, os olhos, brilhavam, agora, de tristeza e desanimo.

Ainda demos um passeio pela baixa gaiense. Visitamos a igreja de Santa Marinha, e armazéns de vinhos; e recordamos, com terna e profunda saudade, os felizes tempos, do passado, já longínquo…

Na despedida ficou de me telefonar…

Soube, pouco depois, que falecera. Desaparecera, assim, o meu melhor amigo da juventude…Nunca mais tive amizade, como a dele…

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:20
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JORGE VICENTE - N. SENHORA DA VEIGA

 

 

 

 

 

 

 

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JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça

 

 

 

 

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Palavra do Pastor, com Dom Vicente Costa, 

 

Bispo diocesano de Jundiaí

 

3º Domingo da Quaresma

 

https://youtu.be/GrOuZ_wWubE

 

 

 

 

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Homenagem de José Fernandes de Almeida,  a Clarisse Sanches, no jornal:"O Varzeense".

 

CLARISSE SANCHES   -  Foi nossa colaboradora, durante vários anos. Faleceu recentemente. Foi considerada, pelo Prof. Doutor João Alves das Neves, como notável poetisa popular, da região das Beiras.

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

 

 

 

 

 

 

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Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

Horário das missas na Diocese do Porto(Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 09:41
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Sexta-feira, 15 de Março de 2019
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - MAIS CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE A SÍNDROME DE DOWN E MENOS PRECONCEITO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No próximo dia 21 de março, quarta-feira, celebramos o Dia Internacional da Síndrome de Down, cujo objetivo é conscientizar as pessoas sobre a importância da luta pela inclusão e pelos direitos igualitários das pessoas que a portam na sociedade, bem como o seu bem-estar. Ressalte-se que ela não é uma doença, mas uma mutação do material genético humano, presente em todas as raças. São desconhecidos os motivos que determinam sua ocorrência, mas o que se sabe é que começa na gestação, quando as células do embrião são formadas com 47 cromossomos, sendo que o normal seriam 46.

A origem da data comemorativa (21/03), faz alusão aos 3 cromossomos no par número 21, característico das pessoas com Síndrome de Down e foi escolhida pela Down Syndrome International, através da ideia do geneticista Stylianos E. Antonarakis, da Universidade de Genebra. Está no calendário oficial da Organização das Nações Unidas, sendo comemorado pelos 193 países-membros.

No entanto, a realidade mostra um acúmulo de fatos chocantes, entre os quais, o desconhecimento sobre a questão, gerando muito preconceito e um gama enorme de atos discriminatórios, impedindo a inserção da pessoa portadora no convívio social. Precisamos lutar muito para que essa realidade mude. E uma das principais é a de promover a sua participação ativa na comunidade, propiciando condições para que se sinta vontade em meio aos colegas na escola ou em qualquer outro local. Apesar de serem especiais, essas crianças, como as outras, brincam, estudam e aprendem. Ao constarmos este distúrbio genético, elas devem ser muito amadas, estimuladas pelos pais, irmãos, amigos para que assim possam desenvolver todo seu potencial.    

Infelizmente, no geral, é certo o estado de abandono em que se encontra a infância e a adolescência no país. Diante deste triste quadro, tanto o Poder Público como a sociedade em geral, têm feito muito pouco para modificá-lo. É preciso por isso, deixar de lado o costumeiro comodismo e iniciarmos a resposta à situação, promovendo uma ampla mobilização no sentido de efetivarmos trabalhos com a população carente, buscando suprir as sempre deficientes políticas sociais do Estado e alcançarmos uma inclusão de convivência maior e mais justa.

Todavia, reitere-se que, apesar destas iniciativas emergências, as necessárias mudanças só ocorrerão e se estruturarão definitivamente se for dada maior atenção à educação, saúde e a um modelo econômico que resulte num desenvolvimento baseado em correta distribuição de rendas.

 

 

ÁGUA, DIREITO HUMANO E RECURSO NATURAL

 

 

Comemora-se a 22 de março, o DIA MUNDIAL DA ÁGUA, estabelecido pela ONU - Organização das Nações Unidas em 1992, durante a Agenda 21 da Conferência Rio/92 sobre Ecologia. Os principais objetivos desta celebração são destacar, entre outros, a importância da água, que além de vital à sobrevivência humana, toda a atividade econômica e social depende dela; a necessidade de economizá-la para evitar a sua completa escassez, o que provocaria uma situação manifestamente grave; a busca de soluções às questões decorrentes deste quadro e o interesse nas autoridades dos países em geral, pelo seu acesso a todas as pessoas do mundo.

Efetivamente, a água é ao mesmo tempo, um direito humano no contexto dos anseios fundamentais e também um recurso natural com valor econômico. Assim, a sua gestão responsável e consciente é de extrema importância, não só ao desenvolvimento dos países, como também à dignidade da pessoa, que dela necessita para atendimento de algumas de suas necessidades básicas, entre as quais, o acesso à água potável e o tratamento eficaz do esgoto.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Atualmente preside a Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

 

 



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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - FRAQUEZAS E QUEDAS MORAIS DO REI LEÃO

 

 

 

 

 

 

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A obra de Raimundo Lúlio (1232-1316), estrela de primeiríssima grandeza da cultura e da língua catalã, venerado como Beato na Catalunha e também nas casas mantidas por religiosos franciscanos de todo o mundo. é muito extensa e diversificada. Escreveu mais de 250 obras, em latim, catalão ou árabe, em prosa e em verso, sobre Filosofia, Teologia, Ciências e Literatura. Sua cultura era verdadeiramente universal e enciclopédica.

Lúlio conhecia bem a vida de corte, porque frequentou a de Jaime I, rei de Aragão, e foi preceptor de um dos seus filhos. Uma curiosa alegoria da vida cortesã foi feita no opúsculo que escreveu, sob o título Llibre de les Bèsties. (RAIMUNDO LÚLIO. Livro das Bestas. Tradução de Ricardo da Costa e Grupo de Pesquisas Medievais da UFES I. São Paulo: Escala, 2006). Trata-se de uma curiosíssima alegoria em que descreve a corte do rei Leão, cercado de animais que representam e simbolizam os vários tipos de áulicos que gravitam nas cortes em torno dos soberanos. Os usos e abusos, os costumes e os vícios, até mesmo as fórmulas de tratamento e cortesia dos palácios reais são graciosamente atribuídos aos personagens figurantes. Nem a pessoa do soberano, com suas fraquezas e quedas morais (por exemplo, o adultério com a bela Dona Leoparda, a mulher do seu leal servidor Leopardo) é poupada. Todos têm seus vícios, suas fraquezas e suas idiossincrasias expostas de modo vivo, em um texto de leitura muito agradável.

A inveja, que tão assiduamente marca presença nas cortes dos grandes da terra, é claro que não podia estar ausente. O elefante conta, a certa altura, a Dona Raposa, uma história acontecida na sociedade dos humanos, de um monarca que tinha dois pajens, um dos quais invejava o outro e foi, por isso, castigado exemplarmente. Um deles, certo dia notou que no manto real, confeccionado com alvíssima seda, ousara pousar uma pulga; aproximou-se com respeito do monarca e, depois de ter pedido sua licença, livrou-o da incômoda companhia do inseto. O rei achou graça no episódio e recompensou o pajem com cem moedas. O outro pajem, com inveja do primeiro, quis repetir o feito e, de propósito, colocou sobre o manto real um enorme piolho, na esperança de que, sendo o piolho bem maior do que a pulga, a recompensa que receberia seria proporcionalmente maior. Mas o tiro lhe saiu pela culatra, pois quando mostrou ao rei o enorme piolho que estava sobre sua vestimenta, o rei se indignou por ele, pajem, ter sido tão desleixado a ponto de não ter antes tirado aquele bicho. E mandou dar-lhe cem chibatadas.

No mesmo opúsculo, são ainda narradas as consequências da inveja da Onça em relação ao Leopardo. Foram ambos os nobres felinos despachados como embaixadores, para visitar o rei dos homens. Levavam, como presentes do rei dos animais para o seu colega humano, o Cão e o Gato, dois animais que os homens muito apreciam. Na corte humana, depois de longa espera, afinal conseguiram os mensageiros ser admitidos à presença do rei, que os recebeu de modo desigual: “Quando os mensageiros estiveram diante do rei, ele honrou mais o Leopardo que a Onça, dirigindo-lhe um olhar mais prazeroso e fazendo-o sentar mais próximo de si que a Onça. A Onça teve inveja disso e ficou irada com o rei, porque acreditava que ele a devia honrar tanto ou mais que o Leopardo.” (op. cit, p. 70).

As consequências dessa inveja são expostas ao longo de vários capítulos. Enquanto estavam ausentes os dois embaixadores, Dona Raposa, que não gostava do Leopardo, insinuara-se junto ao rei Leão e lhe facilitara o acesso a Dona Leoparda. Encantado com a beleza da felina, o rei a tomou como amante, coisa que logo se espalhou nos mexericos da corte e acabou por chegar aos ouvidos do marido traído. Este, quando tomou conhecimento da traição que lhe fazia o soberano ao qual sempre servira com lealdade, indignou-se, acusou-o de traição e o desafiou para um duelo. Um rei, entretanto, somente poderia aceitar combate singular com outro rei, de modo que foi preciso que outro animal o representasse no duelo. Apresentou-se a Onça, movida pela inveja que desde o episódio da audiência com o rei dos homens a atormentava. Fez-se o combate, o Leopardo matou a Onça, mas ficou extenuado com o esforço da luta. Ao final, o rei, traiçoeiramente atacou o Leopardo, que já não teve forças para resistir e morreu. O Leão, porém, também se viu castigado pela vilania que cometera, pois perdeu a sabedoria e a sutileza de espírito, atributos próprios dos monarcas: “Depois de o Leão ter pecado e matado o Leopardo, não teve mais tanta sutileza nem engenho como tivera antes...” (p. 78).

Todos esses acontecimentos, narrados no mundo da alegoria, não podiam deixar de ser aplicados, no tempo em que foram escritos, a personagens reais, no duplo sentido do termo: reais porque realmente existentes e reais porque se referiam a reis de verdade.

A obra pode ter tido caráter pedagógico, como realça o texto introdutório da edição aqui utilizada, assinado por Esteve Jaulent: “Talvez a intenção inicial de Lúlio fosse escrever um manual para os príncipes, que resumisse as qualidades que o governante deve possuir, e as precauções que deve tomar, para exercer com sucesso o seu poder. As palavras com que o livro termina permitem esta suposição: Assim acaba o Livro das Bestas, que Félix levou ao Rei. A crítica concorda em que este Rei é Felipe IV da França, para que ele, olhando o que fazem os animais, visse como deve reinar e como pode guardar-se dos maus conselhos e dos homens falsos.” (op. cit., p. 12-13).

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS   -   Licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Portuguesa da História e da Academia Piracicabana de Letra.

 

 

 

 

               



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - O QUE GUARDAS NO CORAÇÃO ?

 

 

 

 

 

 

 

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“O que guardas no coração?” será tema de um dia de conversas, como antídoto, para tratar da toxicidade presente em muitas dimensões da nossa vida, ou seja, o que afeta o planeta que habitamos, as construções sociais em que nos movimentamos, as relações que estabelecemos. Acontecerá em Coimbra – Portugal -, no CUMN – Centro Universitário Manuel da Nóbrega – da Companhia de Jesus. Serão três momentos: 1. Centrar; 2. Consertar; 3. Concentrar. Segundo a divulgação, feita pelos Carmelitas Descalços de Portugal, o evento “procura ajudar a focar no essencial, conhecer exemplos práticos de como descomplicar, promover a dimensão espiritual da vida e ir ao encontro da nossa verdadeira identidade para guardar no coração o que for, de fato, precioso”.
Se fosse por aqui, adoraria participar de algo semelhante. Fiquei com o título: “O que guardas no coração?” 
Aquilo que guardo move os meus atos e me melhora e melhora o mundo ou me piora e piora o mundo. Conter-se em suas inclinações é possível; educar o coração no que é bom, também. Jesus Cristo dizia sobre isso: “Ao contrário, aquilo que sai da boca provém do coração, e é isso que mancha o homem. Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias”.
Um problema sério, penso eu, é quando as paixões se sobrepõem à sensibilidade. Os olhos ficam vendados e pervertidos.
Há poucos dias, um avô famoso perdeu seu neto de sete anos. Julgar que não sangrava nele essa partida repentina, cuja criança inúmeras vezes foi sorriso em seus caminhos, e que faria política com o acontecimento, é cruel. Não faço parte de seus adeptos partidários, contudo me condoí com o fato, pelos familiares e amigos, pelo menino... Nada acrescenta de bem à humanidade denegrir a imagem do avô no acontecimento da morte do neto. Atroz, também, comentários de satisfação de alguns, no ano passado, com a facada que levou um candidato. Ser contra politicamente é uma coisa, desejar o mal, outra.
Ainda nesses dias, uma escola de samba da capital provocou polêmica ao apresentar, em sua comissão de frente, o demônio em vitória sobre Jesus Cristo. Sem dúvida, uma afronta aos cristãos. E no samba-enredo se encontrava: “... E o veneno da serpente/ Eu transformo em semente”. Que pena essas sementes peçonhentas darem frutos que brutalizam o ser humano. O Reino de Jesus não é desse mundo, como Ele mesmo disse, e a escolha pelo reino do mundo ou do Céu é de cada um.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - TIRO, PORRADA & BOMBA

 

 

 

 

 

 

 

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Diante dos acontecimentos dos últimos dias, achei difícil escrever sobre algo diferente do que o massacre ocorrido em Suzano, município situado na região metropolitana de São Paulo. Acredito, ainda, que qualquer um que tenha assistido aos noticiários, tenha ficado chocado com o fato que dois jovens, sendo um deles menor de idade, entrarem em uma escola pública e abrirem fogo contra todos que viram pela frente.

A pergunta que não cessa, não se cala, é sobre qual teria sido a motivação para um ato de tamanha barbárie. Impossível explicar uma tragédia dessas. Tragédia porque expõe a fragilidade das escolas, dos espaços públicos e da própria vida. Mas também é tragédia na medida em que os atiradores lograram êxito parcial em seu intento e colocaram pontos finais nas vidas de oito pessoas. Nas suas próprias vidas colocaram pontos de interrogação, embora tenham delas saído certos das exclamações.

Fico pensando que fatos como esses mostram o quanto a sociedade moderna está doente. A quantidade de pessoas que sofrem de desequilíbrios emocionais e psiquiátricos parece que só aumenta. Sanidade mental é moeda sem troca, é qualidade que, uma vez perdida, periga nunca mais se recuperar.

Os vídeos do atentado praticado mostram cenas de puro horror. Alunos e funcionários correndo, aos gritos, na tentativa de salvarem suas vidas e dos demais. Não consigo imaginar o que deve ter sido estar naquela escola, um local no qual as pessoas deveriam estar em segurança, tecendo as tramas iniciais de suas vidas. Imagino a dor de quem ao invés de ir buscar um filho, recebeu a dor de uma perda.

O que leva alguém a praticar assassinatos a esmo e depois retirar a própria vida? Qual a causa que valerá por tantas existências? Qual o sentido de tamanho sofrimento e violência? Acredito que dificilmente teremos uma resposta razoável, que possa dar algum significado ao que não tem explicação, ao que se quer admitir nem mesmo em pesadelos.

Li ou ouvi em algum noticiário que os rapazes tinham comportamentos aparentemente normais, que não permitiu que qualquer suspeita pudesse ter sido levantada de modo a evitar o que se deu. Outros veículos já noticiaram que um deles sofria bullying e que foi criado sem o cuidado dos pais que, drogados, relegaram a tarefa aos avós. Já outros falaram que os dois jovens eram fanáticos por videogames de violência extrema, que faziam parte de um cultos, de um jogo, que outros atentados já estavam planejados e mais um monte de outras coisas.

Embora eu goste do tema como objeto de estudo, sou leiga no assunto e não tenho autoridade para dizer o que causou ou não o desejo de tirar a vida de outras pessoas de forma absolutamente cruel e covarde. Sei que também sofri bullying na escola e na época nem sabíamos que isso tinha esse nome. Sofríamos um pouco e, mais fortes, tocávamos a vida. Sei ainda que sempre gostei de jogos de videogames, até de alguns violentos, mas que sou incapaz de matar até mesmo uma barata. Dou a ela alguma vantagem para fugir e, se ela o consegue, estou livre de ter que ser a responsável por um ser vivo a menos no mundo.

De várias maneiras, por mais que isso possa soar estranho, os dois também foram vítimas, cumulando essa posição com a de algozes implacáveis. O mundo tem que ser um lugar muito sem graça para alguém que delibera colocar tudo a perder. Quiçá um desejo de entrar para história? Não sei e isso é o que mais me amedronta! Se desconhecemos a motivação, nada podemos fazer para impedir ou previnir atos iguais ou parecidos.

Dói pensar que além da natural álea da vida, ainda estamos sujeitos a sermos vitimas de pessoas que, de tão doentes de espírito, sequer nos enxergam como semelhantes, como seres que merecem compaixão. Há uma enorme covardia em se atacar estudantes, pessoas indefesas que somente portam cadernos e lápis.

São tempos estranhos e obscuros. Nem mesmo entendemos de onde viemos e já estamos sem fazer ideia de para onde estamos indo. Não temos os porquês e nem sabemos as perguntas certas. Nesses dias, tudo o que temos é a dor...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e professora universitária – cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 12:24
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