PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quinta-feira, 18 de Abril de 2019
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - O AMOR QUE SINTO POR TI

 

 

 

 

 

 

 

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Deus me falou muito na Quaresma deste ano: dEle, do próximo e a meu respeito. 
Dentre as reflexões, segui o retiro online da Quaresma 2019, com Edith Stein, preparado pelo Frei Philippe de Jesus, ocd, do Convento de Avon - Inglaterra. 
Edith Theresa Hedwing Stein (1891-1942), filósofa e teóloga alemã, de origem judia, que se converteu a partir da leitura de um livro de Santa Teresa d’Ávila. No Carmelo, assumiu o nome de Teresa Benedita da Cruz. Faleceu no campo de concentração de Auschwitz. Canonizou-a o Papa João Paulo II.
Nesse tempo de interiorização, Deus me reafirmou o quanto Ele é misericórdia; Ele é e não muda, “Eu sou aquele que sou” (Êxodo 3, 14), assim se apresentou a Moisés, por isso, se desejo olhar o mundo com olhos do Céu - e anseio por isso - é preciso ver, em cada um,  a pepita de ouro que carrega.  Como escreveu Edith Stein, não julgar o próximo, pois só o Criador conhece a verdade.  E do retiro online, “Jesus morreu para dar a vida a todos. Todo homem torna-se um próximo por quem Cristo morre”, tanto aquele que faz bater meu coração com ternura como o que me traz a sensação de: “Argh”!
Em suas meditações a respeito da cruz, Stein escreve: “O mundo está em chamas. (...). Mas a cruz ergue-se ainda mais alto que todas as chamas”. É convite para erguermos os olhos em unidade com o Crucificado, para transformamos a nossa cruz pessoal em bem-aventurança. 
Fiz memória do caminho percorrido com o Senhor desde a minha infância. Recordo-me do quanto me enterneceu, aos cinco anos, em 1959, o coração da imagem de Jesus na Catedral NSD. Veio a Primeira Eucaristia, os Movimentos de Jovens, as mulheres em situação de vulnerabilidade social, a quem o Senhor me convidou a anuncia-Lo... E, nas lembranças, as tantas vezes que, por me colocar em lugar de Deus, em minha autossuficiência, enlameei minha alma, contudo Ele não deixou de me buscar.  Mas eu também necessitava de que o pedestal de barro, em que me apoiava, se fizesse pó e me derrubasse para, pelo menos, ter consciência do quanto o orgulho me impedia de ver o Deus da Revelação.
Concluo com uma música de minha juventude: “Houve um dia que a Ti disse sim... Muitas vezes é forte o sofrer, / e cem vezes repito o meu sim, / bem maior é o amor, / esse amor que sinto por Ti”. 
Uma Páscoa abençoada, querida leitora, querido leitor!

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 11:13
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - RENASCER

 

 

 

 

 

 

 

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  Essa semana li uma notícia que me deixou encantada. A França reconheceu o Direito das Árvores. Entendidas assim como seres vivos cuja permanência no mundo é indispensável para o meio ambiente e para sobrevivência dos seres humanos, as árvores tem direito a serem protegidas de práticas como vandalismo e de corte desnecessário.

            Infelizmente, em um país como o Brasil, em que até mesmo os seres humanos tem direitos de papel, é pouco provável que tenhamos iniciativas idênticas a essa inovadora da França. Aqui ainda estamos pelejando para que as pessoas tenham direitos iguais, para que não sejam tratadas de forma diferente, de acordo com sua cor de pele,  sua religião, sexo ou mesmo aparência.

            Há cerca de 20 anos, quando eu falava de Direitos dos Animais em sala de aula, tudo era muito vago, além de ser visto por muitos como algo inatingível ou sem importância. Ainda que os animais continuem sendo alvo de muitas atrocidades, sendo vendidos e expostos em lojas como coisas, já é possível vislumbrar-se um avanço, com prisões de seus agressores até fixação judicial de obrigações por seus tutores, com direito à visitação, alimentos e guarda compartilhada.

            Quando li sobre a notícia francesa, comemorei e muito. Alegra-me verificar que mesmo sendo apenas um começo, já há um novo olhar sobre esses seres magníficos que são as árvores. Cada vez que uma delas vem ao chão, todo um micro ecossistema rui. São ninhos de pássaros, habitat de pequenos roedores, além de flores e frutos que jamais fecharão seu ciclo. Todo o mundo morre um pouco quando morre uma árvore, sobretudo quando tombam em vão, sem que se faça um controle sustentável.

            Sempre comparo, pelas minhas andanças pelas ruas, os locais arborizados e aqueles onde só o cinza impera. A diferença é como vida e morte. Onde há árvores, comprovada e logicamente, a temperatura é mais amena, agradável. Um país que cuida de suas árvores, de suas florestas, cuida do seu futuro. Só não entendo como algo tão óbvio e importante sempre cede diante de interesses econômicos. Nesse país, no fim das contas, tudo se resolve em dinheiro.

            Penso que as árvores são como o milagre do renascimento. Nunca deixarei de me surpreender como uma semente tão pequena pode se transformar em uma estrutura que fornece oxigênio, que serve de moradia a insetos e vários animais, além de embelezar o mundo ou flores ou saciá-lo com frutos.  

            Nessa semana de Páscoa, pouco importando de fato a religião que se professe, que possamos renascer em nossas crenças, em nossos valores. Que sejamos como as árvores, oferecendo o refresco de nossa proteção, a beleza dos nossos sorrisos e frutificando pelos nossos exemplos. Que um dia, quem sabe, também sejamos capazes de reconhecer não só a grandeza das árvores, mas também os seus direitos de existir, fazendo, por fim, renascer nossas cada dia mais escassas florestas.

 

 

 

 

CINTHYA NUNES  jornalista, advogada e professora universitária.

cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 11:10
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DOM VICENTE COSTA - A SEMANA SANTA : CAMINHO PARA UMA VIDA NOVA

 

 

 

 

 

 

 

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 https://dj.org.br/a-semana-santa-caminho-para-uma-vida-nova/

 

 

 

 

A Semana Santa: Caminho para uma Vida Nova

 

 

 

“Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. O que era antigo passou: eis que tudo se fez novo” (2Cor 5,17).

 

 

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

Estamos prestes a vivenciar a Semana Santa, na qual celebraremos o Mistério Pascal de Jesus Cristo.

Entendamos o significado do “Mistério Pascal”. Em primeiro lugar, “mistério” não quer dizer algo escondido, difícil de entender. Para São Paulo (cf. Cl 1,26-27; Ef 3,4.9), “mistério” é um conceito-chave para entender Cristo e a salvação que ele nos comunicou. “Mistério” é o próprio Cristo, em pessoa, de modo que toda a história da salvação, preparada ao longo do Antigo Testamento, agora é plenamente realizada em Jesus Cristo, especialmente por sua morte na cruz, sua ressurreição dos mortos e a entrega do seu Santo Espírito.

Por sua vez, “Páscoa” vem da palavra hebraica “pessach” e significa “passagem”. No Antigo Testamento este termo lembrava a saída do povo de Deus da escravidão do Egito. Mas no Novo Testamento, a comemoração de antes agora se torna completa e plena através do sacrifício de Jesus Cristo, a verdadeira vítima imolada. Cristo, morrendo, destruiu a nossa morte e, ressuscitando, recuperou a nossa vida. O Senhor Jesus, “passando” deste mundo para o Pai, isto é, pela sua Páscoa, vence o pecado e a morte não só para si, mas para toda a humanidade. A tudo isto chamamos de “Mistério Pascal”.

É importante lembrar também que a ação litúrgica da Igreja, particularmente no domingo, dia do Senhor, não apenas recorda ou traz à memória os acontecimentos da vida de Jesus, como se celebra um aniversário. No final da Santa Ceia, o mandato de Jesus foi: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19). Trata-se de uma recordação eficaz, uma celebração que atualiza, isto é, torna presente e comunica a força salvadora dos acontecimentos passados de Jesus Cristo. Por isso, em seguida, ofereço-lhes algumas sugestões práticas de como poderemos viver os momentos mais marcantes desta abençoada semana.

 

1. Domingo de Ramos: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas! (Mt 21,9).

 

A Semana Santa tem início com o Domingo de Ramos, dia em que a Igreja comemora a entrada solene de Jesus em Jerusalém com cânticos de alegria e ramos de palmeira. Somos chamados a aclamar Cristo como nosso Rei e Senhor. Pedimos que ele entre em nossas vidas e que seu Reino se fortaleça em nossas famílias, em nossa Igreja e em nossa sociedade.

A celebração anual da Páscoa é constituída pelo Tríduo Pascal da paixão, morte, sepultura e ressurreição do Senhor, sendo o ponto culminante de todo o ano litúrgico. São três dias tão interligados entre si como se fossem um só. Vejamos!

 

2. Quinta-feira Santa:

 

(a) Missa do Crisma: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu” (Lc4,18).

Na manhã da Quinta-feira Santa realiza-se a Missa do Crisma ou dos Santos Óleos, quando o Bispo Diocesano abençoa o Óleo dos Catecúmenos, o Óleo dos Enfermos e consagra o Óleo do Crisma. Em nossa Diocese celebramos este rito a partir de suas primeiras Vésperas, ou seja, na Quarta-feira à noite, em nossa Catedral. Vale ressaltar ainda que, nesta celebração eucarística, os nossos sacerdotes renovam suas promessas assumidas no dia de sua ordenação presbiteral.

(b) Missa vespertina da Ceia do Senhor: “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15,12).

Na Quinta-feira Santa, à noite, na Missa “da Ceia do Senhor”, inicia-se o primeiro dia do sagrado Tríduo Pascal, com a celebração do momento santo no qual Jesus Cristo institui a Santíssima Eucaristia e o Sacramento da Ordem. Ainda nesta celebração se realiza o Rito do Lava-pés. Ao término dela, faz-se uma procissão para levar o Santíssimo a um lugar preparado com antecedência, onde permanecerá exposto durante a noite inteira e a manhã da Sexta-feira Santa. Esta é a celebração em que agradecemos ao Senhor por três grandes dádivas que nos deixou durante a Última Ceia: a Eucaristia, o sacerdócio ministerial e o mandamento do amor.

 

3. Sexta-feira Santa: Jesus, “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).

 

A Sexta-feira Santa, ou Sexta-Feira da Paixão, é a data em que lembramos o julgamento, paixão, crucificação, morte e sepultamento de Jesus Cristo. É o dia da prática do jejum e da abstinência da carne. Na Adoração da Cruz tenhamos presente que não estamos diante de um simples madeiro, mas sim, que osculamos a cruz banhada com o sangue do Redentor e de tantos irmãos sofredores.

 

4. Vigília Pascal: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Procedei como filhos da luz” (Ef 5.8-9).

 

A Vigília Pascal, que ocorre na noite do Sábado Santo, constitui o centro de todo o Ano Litúrgico, é considerada a mãe de todas as Vigílias. Cristo, vencedor da morte, faz-se presente em nós, comunicando-nos sua vida nova de Ressuscitado. A Páscoa de Cristo é nossa Páscoa, a Páscoa da Igreja.

 

5. Páscoa: “Ele (Cristo) ressuscitou! Não está aqui! (no túmulo”) (Mc 16,6).

 

Por fim, no domingo, a ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus confirma que a morte não é o fim e que Ele é, verdadeiramente, o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus na Sexta-feira transforma-se agora em esperança e júbilo. Sejamos testemunhas da ressurreição, demonstrando com nosso exemplo de vida que Cristo vivo continua amando e servindo através de nós.

Queridos diocesanos: viver o Mistério Pascal e a Semana Santa significa fazer memória de todas estas ações maravilhosas de Deus em nossa vida. Que o Cristo Morto e Ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, seja força e esperança em nossa caminhada.

De coração, desejo-lhes uma frutuosa e abençoada Semana Santa e a todos abençoo.

 

 

 

DOM  VICENTE COSTA     -    Bispo Diocesano de Jundiaí



publicado por Luso-brasileiro às 10:47
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PÉRICLES CAPANEMA - ENSINAR A ENXERGAR É O MAIOR PRESENTE DO EDUCADOR

 

 

 

 

 

 

 

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Vou falar de assunto que nunca sai de moda. Meio distraído, tardava o olhar pela “Oração aos Moços” de Ruy Barbosa (já a conhecia, pincei-a lá pelos quinze anos na biblioteca de um tio desembargador), quando tomei um susto. Fixei a vista: “Os que madrugam no ler convém madrugarem também no pensar. Vulgar é o ler, raro o refletir. O saber não está na ciência alheia, que se absorve, mas, principalmente, nas ideias próprias, que se geram dos conhecimentos absorvidos, mediante a transmutação, por que passam, no espírito que os assimila. Um sabedor não é armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas”.

 

Li de novo, devagar. Belas palavras, mas tomei outro susto. O famoso brasileiro, já então septuagenário, no texto, aconselhava a seus paraninfados, os moços da turma de 1920 da Faculdade de Direito do Largo São Francisco a levantar cedo (tudo bem) e a batalhar na aquisição do conhecimento. Como? Primeiro passo: ler, ler, ler. Chama a isso ocupação vulgar, no sentido de comum, corriqueira, menos importante. Ótima coisa. Muitos leem. Segundo passo, e agora o principal, refletir. Seria coisa rara e essencial para a boa formação, pensar sobre o que se leu. Pela transmutação, fazer do conhecimento ingerido, inerme, ativa ciência própria. Anima os paraninfados à peleja extra, a ruminação que os levaria a aproveitar bem o esforço da leitura. Aí chegaríamos ao homem sabedor, a pessoa que passa além do mero erudito, qualificado pelo douto jurisconsulto de “armário de sabedoria armazenada”. Não mais estante, peça inanimada, que empilha conhecimentos, o sabedor, espírito vivo, atinge o patamar de “transformador reflexivo de aquisições digeridas”.

 

O método bosquejado por Ruy Barbosa funciona na prática? Se funcionar, é suficiente para uma boa formação, fazer uma pessoa culta? No frigir dos ovos, soou-me um tanto cerebrino, descolado da realidade. Vou meter minha colher de pau.

 

Tudo se resume, afinal de contas, a conhecer, melhorando, a entender a realidade. O capiau a conhece e entende a seu modo sem nunca ter lido um livro. Dou de barato, é insuficiente, lamento, mas muitas vezes não percebemos em seus comentários mais senso do real que em observações eruditas de homens de gabinete? O frescor de suas expressões não reflete em várias de suas facetas percepção mais exata da realidade? Tal olhar tem valor inestimável.

 

Enfileiro a seguir, como pipocam na cabeça, alguns provérbios populares. Cada macaco no seu galho. Apressado come cru e quente. Antes só que mal acompanhado.  Casa de ferreiro, espeto de pau. Escreveu, não leu, o pau comeu. A cavalo dado não se olham os dentes. Em terra de cego quem tem olho é rei. Deus escreve certo por linhas tortas. Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça. Seguro morreu de velho e o desconfiado ainda vive. Para baixo, todo santo ajuda. Um dia é da caça, outro do caçador.

 

Poderia continuar sem fim. Foram necessários livros para burilar tais ditos? Não. Bastou explicitar, sintética e graciosamente, o que a vida ia ensinando. E é só um aspecto da cultura popular. O livro, porém, precisa deles, sob pena de, muitas vezes, ser digressão de nefelibatas. Adiante. O problema (talvez o maior) da cultura não tem sido sempre a erudição cortada da realidade? E sem o hábito de decifrar a realidade miúda terão vida reflexões sobre livros lidos? Ou serão folhas secas?

 

Amplio. Onde colocar no método do celebrado tribuno baiano a enorme contribuição de conhecimento que nos invade pelos cinco sentidos ▬ visão, olfato, paladar, audição, tato ▬ aprendizado direto do que sem cessar acontece ao redor nosso? E então, sem preguiça e de forma proveitosa unir as impressões que nos entram pelos sentidos, explicitá-las com critério, e incluir tal conhecimento em nosso acervo?

 

Tenho escutado muita gente que lê e reflete sobre o que lê. Mas tem preguiça em ver, cheirar, tocar. Observa pouco, não tira suco do convívio e da contemplação da natureza. Dispara comentários desfocados. Faltam ali conversas com mãe, tias, primos, o bate-papo com pessoas de todas as idades e condições sociais, a observação da natureza em sua vida miúda. A boa formação e a alta cultura precisam ter raízes na terra úmida. Não são plantas de estufa. Ensinar a enxergar é o maior presente do educador. E educadores estão em todos os ambientes. Ruminemos, sem dúvida, um olho nos livros, outro na realidade. Esse problema mexe com todo mundo, queiramos nós ou não, de sua solução depende o destino de cada um e da sociedade, nunca sai de moda.

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"



publicado por Luso-brasileiro às 10:39
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FELIPE AQUINO - O QUE É RESSUSCITAR ? QUEM RESSUSCITARÁ ? QUANDO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Catecismo da Igreja ensina que:

“Na morte, que é separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que sua alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida a seu corpo glorificado. Deus, em sua onipotência, restituirá definitivamente a vida incorruptível a nossos corpos, unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus” (§997).

“Todos os homens que morreram: Os que tiverem feito o bem (sairão) para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento” (Jo 5,29) (§998).

“Definitivamente “no último dia” (Jo 6,39-40.44-54); “no fim do mundo”. Com efeito, a ressurreição dos mortos está intimamente associada à Parusia de Cristo: Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro (1Ts 4,16)” (§1001).

De que maneira os mortos ressuscitam?

 “Cristo ressuscitou com seu próprio corpo: “Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu!” (Lc 24,39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma, nele ressuscitarão com seu próprio corpo, que têm agora”; porém, este corpo será “transfigurado em corpo de glória”, em “corpo espiritual”.

“Mas, dirá alguém, como ressuscitam os mortos? Com que corpo voltam? Insensato! O que semeias não readquire vida a não ser que morra. E o que semeias não é o corpo da futura planta que deve nascer, mas um simples grão de trigo ou de qualquer outra espécie (…) Semeado corruptível, o corpo ressuscita incorruptível (…) os mortos ressurgirão incorruptíveis. (…) Com efeito, é necessário que este ser corruptível revista a incorruptibilidade e que este ser mortal revista a imortalidade (1Cor 15,35-37.42.44.52-53)” (§999).

A Igreja sabe que haverá a ressurreição da carne; as almas de todos os homens se unirão a seus corpos no Último Dia, mas não sabe “como” isso será; ultrapassa nossa imaginação e nosso entendimento, sendo acessível só na fé. Mas, nossa participação na Eucaristia já nos dá um antegozo da transfiguração de nosso corpo por Cristo, como disse Santo Irineu (†202):

“Assim como o pão que vem da terra, depois de ter recebido a invocação de Deus, não é mais pão comum, mas Eucaristia, Constituída por duas realidades, uma terrestre e a outra celeste, da mesma forma os nossos corpos que participam da Eucaristia não são mais corruptíveis, pois têm a esperança da ressurreição” (Adv. Haer. 4.18,5).

 

 

 

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Leia também: Ressuscitou!

De que maneira os mortos ressuscitam?

O que a Igreja ensina sobre a morte?

Jesus ressuscitou de verdade?

O que há depois da morte?

 

 

 

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De certo modo, já ressuscitamos com Cristo. Pois, graças ao Espírito Santo, a vida cristã é, já agora na terra, uma participação na morte e na ressurreição de Cristo, como disse São Paulo:

“Fostes sepultados com Ele no Batismo, também com Ele ressuscitastes, pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. (…) Se, pois, ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus (Cl 2,12; 3,1)… mas esta vida permanece “escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,3). “Com ele nos ressuscitou e fez-nos sentar nos céus, em Cristo Jesus” (Ef 2,6).

A recomposição (ressurreição da carne) dar-se-á no fim dos tempos, quando Cristo voltar em sua Parusia ou plena manifestação para consumar a história. E o que ensina o Apóstolo em 1Cor 15,22s:

“Assim como todos morrem em Adão, todos receberão a vida em Cris to. Cada um, porém, na sua ordem: como primícias, Cristo; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda (Parusia)”.

“Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; em segundo lugar, nós, os vivos…, seremos arrebatados com eles nas nuvens para o encontro com o Senhor”.

“Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma habitação eterna no céu. E por isto suspiramos e anelamos ser sobrevestidos da nossa habitação celeste, contanto que sejamos achados vestidos e não despidos. Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma veste nova por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela vida” (2Cor 5,1-4).

A alma humana, sendo espiritual e imortal, sobrevive independentemente do corpo e recebe a sua sorte definitiva, no juízo particular, até a consumação dos tempos: a ausência do corpo não a impede de ter consciência lúcida. Quando Cristo retornar a alma humana receberá o corpo, porém numa nova dimensão de vida.

“Na ressurreição nem eles se casam nem elas se dão em casamento, mas são todos como os anjos no céu” (cf. Mt 22, 30).

A tese da reencarnação é contrária à da ressurreição, pois supõe que a matéria seja má; nela o indivíduo expia faltas de existências anteriores; reencarna-se em castigo de seus pecados, muitas vezes se necessário. A verdadeira felicidade consistiria em livrar-se da matéria ou desencarnar-se definitivamente. A Igreja sempre lutou contra o maniqueísmo gnóstico que considerava a matéria má, como se fosse obra de um deus mau. Na crença da ressurreição a Igreja valoriza tanto o corpo quanto a alma. Além disso, se a pessoa se salva pela reencarnação, então, não precisa da Redenção de Cristo. Isto esvazia o cristianismo.

 

 

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Dom Estevão Bettencourt ensina que:

“Para que haja a ressurreição não se requer que Deus recolha a poeira dos cadáveres a fim de com ela plasmar de novo os corpos. Lembremo-nos de que, já durante a vida terrestre de um homem, a matéria do respectivo corpo se vai renovando lentamente, de modo que, de sete em sete anos, cada qual tem outra constituição material; não obstante, esta é realmente o mesmo corpo do indivíduo… Deus pode reconstituir o corpo de uma pessoa falecida a partir do que os filósofos chamam “matéria prima”; esta, reunida à alma desse indivíduo, torna-se o corpo mesmo de tal pessoa, com as suas notas típicas, visto que a identidade da alma propicia a identidade das características do respectivo corpo (tal processo tem sua analogia no fato de que o metabolismo de um homem mortal incorpora ao organismo respectivo matéria nova; esta vem a ser o corpo típico de tal pessoa porque passa a ser animada pelo mesmo principio vital ou pela mesma alma). — O corpo dos justos ressuscitados é certamente glorioso, semelhante ao corpo de Jesus, mas conserva as características morfológicas do corpo mortal”.

 

 

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:29
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PAULO R. LABEGALINI - GUERRA OU PAZ; DEPENDE DE VOCÊ !

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Dar palpites na vida dos outros é fácil, não é mesmo? Até opinar em ‘qual seria a melhor ação dos americanos contra a Venezuela’ é um direito de cada um, mas praticar o que se prega é mais difícil.

Muita gente que defende uma grande retaliação militar por parte dos Estados Unidos provavelmente não se envolveria na guerra – com medo de morrer etc.; outros, que falam de paz, vivem discutindo e fazendo inimigos por toda parte. Se todos nós desejamos viver em paz, o que realmente temos feito para unir os povos?

Imagine um poderoso patrão que gritou com seu diretor porque estava com ódio naquele momento. No mesmo dia, chegando em casa, o diretor que foi ofendido gritou com a esposa porque ela estava gastando demais. A esposa, por sua vez, gritou com a empregada que quebrou um prato. A empregada, então, descontou a bronca dando um chute no cachorrinho.

O animal saiu correndo e mordeu uma senhora que atrapalhou sua saída pelo portão da rua. A senhora, furiosa, foi à farmácia e acabou esbravejando com o farmacêutico, porque a vacina doeu ao ser aplicada. O farmacêutico, à noite, gritou com sua mãe porque o jantar não estava do seu agrado.

A bondosa mãe, já idosa, passou a mão nos cabelos do filho, beijou-lhe a testa e disse: ‘Você está muito nervoso, pois trabalhou muito e a esta hora deve estar bastante cansado. Amanhã você se sentirá melhor.’ Abençoou lhe e foi se deitar. Naquele momento, o círculo do ódio se rompeu, pois o farmacêutico encontrou a tolerância, o perdão, a paz e o amor. No dia seguinte, ele acordou alegre e sorriu para todos.

Lembre-se que diariamente você se torna um personagem desta história e também poderá quebrar um círculo vicioso de ódio e vingança. Pense nisso sempre que estiver triste e descontente com alguém, pois, para que o mundo seja melhor, precisamos fazer bem feito a nossa parte a todo momento. É claro que com o Terço nas mãos e Jesus Cristo no coração fica muito mais fácil ter paciência e pregar a paz. Eis um bom exemplo:

Havia um viúvo que morava com suas duas filhas curiosas e inteligentes. Elas lhe faziam muitas perguntas e, algumas, ele não sabia responder. Como pretendia oferecer a melhor educação para elas, enviou-as para passar as férias com um amigo padre – aposentado, que morava no alto de uma colina. Este, por sua vez, respondia todas as perguntas das jovens, sem hesitar.

Muito impacientes por conviverem com um sacerdote sábio, as garotas resolveram inventar uma pergunta que o velho não soubesse responder. Certo dia, uma das meninas apareceu com uma linda borboleta azul e exclamou para a irmã: ‘Dessa vez o padre não vai saber a resposta!’

‘O que você vai fazer?’ – perguntou a outra. E a irmã revelou seu plano: ‘Ficarei com a borboleta azul em minhas mãos e vou perguntar a ele se está viva ou morta. Se me disser que está morta, vou abrir as mãos e deixá-la voar. Se disser que está viva, vou apertá-la rapidamente e matá-la. Assim, qualquer resposta que ele nos der, será a errada.’

As duas meninas foram então ao encontro do sacerdote sábio, que rezava o Terço sob um eucalipto na montanha. Uma delas aproximou-se e perguntou: ‘Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me, está ela viva ou morta?’ Calmamente o padre sorriu e respondeu-lhe: ‘Depende de você, querida. Ela está em suas mãos!’

Assim é a nossa vida: o nosso presente e o futuro só depende de nós! Não devemos sempre culpar alguém porque algo deu errado; o insucesso também é uma oportunidade para recomeçar – com mais inteligência e paciência.

É importante termos consciência que somos os maiores responsáveis por aquilo que ainda não conquistamos e, para lutarmos contra as guerras infernais de toda espécie, a Paz de Cristo sempre estará em nossas mãos – como uma borboleta azul! Cabe a cada um escolher o que fazer com ela.

Siga este conselho: ‘Esforce-se para quebrar o círculo vicioso do ódio, reze para que ninguém interfira negativamente nessa sua decisão e você verá lindas borboletas voando por muito tempo.’ Só depende de você!

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:14
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O QUE É CULTURA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dizia, certa vez, alguém, cujo nome já não me recordo, que: Cultura, é o que resta, depois de tudo se ter esquecido.

É a essência, que permanece da: educação, que recebemos; dos costumes; tradições e valores, que alicerçam a sociedade, em que estamos inseridos.

Saber: é ter conhecimento de certa matéria ou determinado assunto. Cultura: é o sumo de vários conhecimentos, que foram “ esquecidos”, ao longo da vida e servem para: pensar, criticar, raciocinar… e escrever.

Nem só o académico, que frequentou a Universidade, se pode dizer que é culto; o ignorante, o humilde trabalhador do campo, pode ser sábio, e ensinar-nos muito, que empiricamente foi adquirindo, por experiência própria ou recebida dos seus maiores.

Muitas vezes, a gente rude, são verdadeiros livros abertos, no modo como se exprime, e na vernaculidade dos termos que emprega.

Cultura e liberdade, andam de mãos dadas. Não pode sobreviver a cultura de um povo, se o invasor, impõe: religião, língua, tradições, valores da sua civilização.

Antigos conquistadores, conheciam que o modo eficaz de dominaram um povo, era inculcarem: costumes e tradições alheias, ao longo dos anos.

A lavagem cultural, pode ser pela violência (decreto); ou levá-lo a aceitar, por imitação ou complexo de inferioridade.

Foi o método usado pelos europeus, na época dos descobrimentos. Pelos romanos, ao expandirem o Império; e, segundo parece, o processo, que certos lideres muçulmanos pretendiam fazer, de modo pacífico, primeiro ao Ocidente, depois ao Oriente.

A globalização acelera o fim da cultura característica dos povos, criando a mestiçagem da cultura, e fomentando a mobilização, e a perda de identidade dos povos.

É, porém, verdade, que a amálgama de tradições e costumes, enfim, da cultura de vários povos, enriquecem os países; mas, também, é verdade, que os descaracteriza.

Cada povo tem sua cultura, seu modo de pensar e agir, transmitidos de geração a geração. A globalização, lentamente, vai igualando, impondo aos povos mais fracos, a perda de identidade; acabando assimilados.

Perseverar a língua, é defender a cultura de um povo.

Em “ A Correspondência de Fradique Mendes”, Eça, depois de afirmar que :” Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade”, exprime a opinião sobre o poliglota: “Nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se-lhe no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo.” (*)

Infelizmente, a língua portuguesa, tem sofrido tantos saltos de polé, enxertada de tantos estrangeirismos, tão desprezada, pelas figuras públicas, inclusive a classe politica, que anda mais remendada, que capa de pedinte, como dizia o nosso clássico.

Na época de Eça, éramos “ colonizados” pela França. Para se ser considerado culto, era necessário conhecer a língua francesa.

Tudo vinha de Paris: a moda, a ciência, a arte…e até os janotas da alta-sociedade, iam, à Capital da Luz, buscar noiva! …

Agora, tudo nos chega da terra do Tio Sam: os costumes, tradições, as ideias…; até a nossa língua sofre – e de que maneira, – com a subserviência…

 

 

(*) – Edição de Lelo & Irmão, Porto,1960 – Pág. 128

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



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JORGE VICENTE - AMANHÃ NASCE UM NOVO DIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça

 

 

 

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Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

 

 

 

 

 

 

***

 

 

 

Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

Horário das missas na Diocese do Porto(Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

 ***

 



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Sexta-feira, 12 de Abril de 2019
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - UMA SEMANA COM PROFUNDO SIGNIFICADO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                       

            A semana que se inicia com o Domingo de Ramos, dia 14 de abril, para os católicos, é chamada de “santa”. E assim a designam em razão dos grandes acontecimentos relembrados neste período. No entanto, ela tem profundo significado, quer religioso, quer histórico, porque marca o final da trajetória de Jesus Cristo na Terra.

             A sua importância transcende os aspectos que os cristãos lhes outorgam: mesmo os ateus e àqueles que professam outras crenças reconhecem o valor daquele que morreu pregando os princípios da igualdade, da liberdade e da solidariedade.

         Por outro lado, a sua celebração se revela em ótima oportunidade para a busca de maior e efetiva participação social e mais que simples representações religiosas, os fatos que se revivem despertam nos homens, o significado de que vêm carregados, atualizando em cada um de nós, os sentidos de fraternidade e de Justiça Social.

           Com efeito, a Semana Santa e principalmente a Sexta-Feira da Paixão se constitui num privilegiado tempo de meditação, época de pararmos para revisão de vida, de aprofundarmos a nossa vivência pessoal e compará-la à própria trajetória de inúmeros seres que também se entregaram aos supremos e verdadeiros preceitos vitais. Seus ritos cheios de beleza, de encantamento litúrgico e de mistério, são celebrativos de ocorrências que têm muito a ver com as esperanças e angústias dos dias atuais.

         Desta forma, deveríamos nos focar nas mensagens que se podem e devem extrair desse período, no qual são recordados os sofrimentos, os constrangimentos e principalmente as injustiças impostas a alguém que só pregou o bem, a ordem e principalmente o respeito ao próximo, fazendo-nos crer que ainda hoje, os indivíduos bem intencionados, éticos e idealistas são vítimas constantes de agressões e ofensas semelhantes, pois prevalece manifesta inversão de valores.

No entanto, o enfrentamento também caracteriza àqueles que dispõem a lutar pelo respeito irrestrito à dignidade da pessoa humana.

         Com efeito, na sociedade cada vez mais individualista, onde o consumo parece ditar todas as normas, necessitamos de momentos de coragem para tentar mudar o sórdido quadro que prevalece, a partir de uma consciente atividade comunitária e de uma renovação nas nossas formas de viver, convencidos de que precisamos procurar comprometimento humilde com o exercício do serviço fraterno, cientes de que nada é mais sereno do que priorizar as coisas do espírito em detrimento das materiais.

              Para isso Jesus Cristo veio ao mundo e se sacrificou por nós.

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

 

 

 

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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - NOSSA JOVEM SAPUCAIA COMPLETA 100 ANOS !

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Estamos neste mês de novembro completando dois centenários relacionados entre si. Há precisamente 100 anos chegou ao termo a Primeira Guerra Mundial e foi plantada a árvore símbolo da nossa cidade, a belíssima sapucaia (Lecythis pisonis) que se ergue na esquina da Rua Moraes Barros com a Avenida Independência, bem defronte ao Cemitério da Saudade e junto ao campo do XV de Novembro.

Essa árvore não é apenas símbolo e ponto de referência dos piracicabanos. É também um monumento (no sentido etimológico do termo) tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural do Município (decreto 10.935, de 12/11/2004) e protegido por força do decreto 13.354, de 19/11/2009, o qual declarou a árvore imune ao corte.

A sapucaia foi plantada pelo Sr. Antônio Caprânico (1875-1930), napolitano estabelecido em Piracicaba, que possuía uma fazenda em Ipeúna. Como informa a Profa. Valdiza Caprânico, atual presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba e neta de Antônio, este plantou na mesma ocasião numerosas outras árvores, provenientes de mudas de sua fazenda, em vários pontos do percurso Ipeúna-Piracicaba e na própria cidade de Piracicaba, mas a única que resistiu a 100 anos de expansão urbana foi a sapucaia. Por que Antônio Caprânico plantou essas árvores? Para celebrar à sua maneira o fim da Guerra e a aurora de novos tempos que se esperava fossem pacíficos e auspiciosos. Esse anseio por melhores tempos era generalizado no mundo, que não apenas sofrera com a guerra, mas também estava padecendo a terrível pandemia da “gripe espanhola”. Em novembro de 1918 já tinha sido superada a primeira onda dessa praga, mas ela estava retornando numa segunda e muito mais mortífera vaga, que se acentuaria nos meses seguintes e adentraria o ano de 1919.

Segundo o Atlas Histórico da Fundação Getúlio Vargas, cerca de metade da população mundial foi direta ou indiretamente atingida pela pandemia, que ceifou um número de vidas estimado entre 20 e 40 milhões de pessoas, bem mais, portanto, do que os 10 a 15 milhões vitimados pela Grande Guerra. No Brasil, foram registrados mais de 35 mil óbitos, sendo 1/3 deles (12.700 pessoas) no Rio de Janeiro. Em São Paulo, que então possuía uma população de menos de 500 mil habitantes, morreram 5.328 pessoas. Em Porto Alegre, com 140 mil habitantes, os mortos foram 1.316. No Recife, que possuía 218 mil habitantes, ocorreram, só no mês de outubro de 1918, 1.250 óbitos. Esses números de mortos, já de si muito elevados, exprimem apenas uma pequeníssima parcela dos atingidos pelo morbo. A Parca ceifou vítimas em todas as classes sociais, desde as mais humildes até o presidente da República, Rodrigues Alves, que não pôde tomar posse em 15 de novembro de 1918 e faleceu nos primeiros dias de 1919.

Nesse quadro geral de desolação e desconsolo, o ato de plantar árvores como sinal de esperança num futuro melhor se reveste de singular significado e é, também, de grande beleza. Motivo de alegria para nós, que nunca nos cansamos de ver e admirar a “nossa” sapucaia, é que apesar de centenária ela ainda é uma árvore bem jovem. O tempo de vida de uma sapucaia, em condições normais, é de 300 anos. Nossa sapucaia tem “apenas” um século... É verdade que ela se encontra no meio de uma cidade poluída, o que pode afetar sua resistência. Mas, felizmente, goza de boa saúde, está assentada com terreno não pavimentado em redor suficiente para lhe garantir uma boa irrigação, e conta, ademais, com o apoio de técnicos da ESALQ, que todos os anos a examinam e se necessário a “medicam”. Isso, mais as proteções legais, podem nos dar a segurança de que muitas gerações de piracicabanos ainda poderão ter o privilégio de a contemplarem no futuro.

Há mais: neste mês de novembro, intenso programa está sendo desenvolvido pela Prefeitura Municipal, pelo IHGP, pelo Esporte Clube XV de Novembro e pela Associação de Amigos da Sapucaia, comemorando o centenário da árvore, os 105 anos do Clube e os 22 anos da Associação de Amigos. Uma das atividades previstas consiste no plantio, em diversos pontos da cidade, de 100 mudas de sapucaia, simbolicamente “filhas” da árvore-mãe. A neta de Antônio Caprânico, que já plantou milhares de árvores nas últimas décadas, está pessoalmente participando do plantio das novas sapucaias. Dá, assim, continuidade a uma tradição de família. E, quem sabe, daqui a 100 anos, novos Caprânicos poderão estar plantando novas sapucaias, para celebrar os 200 anos da sapucaia de 1918, a qual, então, já será uma respeitável senhora de meia idade, mas ainda não terá atingido a gloriosa fase da velhice...

Um convite: da programação faz parte uma palestra minha, a ser realizada no sábado, dia 10 de novembro, às 10 horas da manhã, na sede do IHGP (Rua Prof. José Martins de Toledo, 109, bairro do Jaraguá). O tema: a participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial.  Entrada franca. Espero a todos lá!

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS   -   Licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Portuguesa da História e da Academia Piracicabana de Letra.



publicado por Luso-brasileiro às 12:01
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CINTHYA NUNES VIEIRA DA SILVA - DESUMANIZAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

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Acredito que de tanto vermos notícias ruins, vamos ficando anestesiados, até mesmo insensíveis diante de fatos que deveriam nos chocar. Uma dessas situações, no meu caso, envolve os moradores de rua. Antes, contudo, preciso mencionar que em vários textos já escrevi sobre meu inconformismo com essa expressão “morador de rua”, como se as ruas fossem um endereço digno, como se houvesse normalidade o fato de não se ter onde morar.

            Ocorre que mesmo eu me indignando com o descaso e o abandono das pessoas que vivem nessas condições, não raras vezes eu me incomodo com o fato de a cada dia haver mais moradores nas ruas da cidade, tomando conta das praças, parques e até mesmo terminais de ônibus. Difícil não se sentir com medo diante do aglomerado de pessoas maltrapilhas, malcheirosas e, em muitos casos, usuários de drogas.

            Aos poucos muitos espaços públicos vão sendo “favelizados”, tomados por barracas, colchões, aromatizados com cheiros de excrementos e repletos de lixo. Continuo achando que tudo isso é lamentável e deveria ser combatido, mas não como se ali não estivessem pessoas, seres humanos que, despojados de sua dignidade, vivem à margem de tudo.

            Dias atrás, andava eu pelo centro de São Paulo, em uma manhã fresca. Na ida até meu destino eu notei que umas pessoas que estavam na praça ao lado do fórum estavam com alguns gatos e cachorros. Como nem poderia deixar de ser, a cena chamou minha atenção, mas foi somente na volta que eu arrisquei parar e puxar papo, até para poder olhar direito para os bichos.

            Os gatos, em número de três, estavam com duas mulheres. Elas tinham um carrinho repleto dos pertences delas, que logo percebi sendo um casal, com dois dos gatos deitados por cima, dormindo profundamente, alheios a quem passava por ali. Estavam com a família deles, no fim das contas. O terceiro, um filhote branco e cinza, corria de um lado para o outro, sempre voltando para pertos das mulheres.

            Parei ali e comecei a puxar papo, perguntando dos gatos. Enquanto isso, um homem que por ali passava tentava convencê-las a vender um bichanos, ao que as moças respondiam que não estava à venda. _ Eles são nossa herança, afirmou uma delas. Fiquei pensando naquela frase e em outras coisas que pude notar nas entrelinhas do diálogo que entabulamos.

            Um passo a frente e havia um homem, negro, sem parte de uma das pernas. Ao lado do carrinho dele, que fazia as vezes de barraca, havia um cachorro amarelo, bem cuidado, descansando. Nas mãos dele, um lindo filhote, barrigudinho, rolava de um lado para outro, pleno de carinhos e afagos. Diante do meu olhar, mostrou-me num sorriso de dentes solitários, que a filhotinha havia roído a própria coleira, por ser muito danada.

            Despedi-me com um aceno e fiquei pensando que se não houvesse animais com eles, eu certamente não teria parado, muito menos puxado papo. Meu coração ficou apertado. Eram pessoas e animais, ambos merecedores de cuidado, de proteção. Foi como se eu retirasse uma venda que andava fechando meus olhos para o fato de que por detrás de cada barraca, embaixo da sujeira há também pessoas boas, ao menos tão boas que são capazes de dar aos animais aquilo que nem possuem, tal como a compaixão.

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e professora universitária – cinthyanvs@gmail.com



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - EMOÇÃO COM ARTE

 

 

 

 

 

 

 

 

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Emoção com arte foi o que aconteceu na semana de 26 de março a primeiro de abril, na Casa da Fonte, projeto mantido pela Companhia Saneamento de Jundiaí – CSJ. Segundo os alunos, envolvidos com a atividade, ajudou, em um mundo tão árido, perceber e demonstrar o que é amor, sem se perder da tecnologia a serviço do ser humano, que dá voz também aos silenciados e estimula o sonho por uma vida melhor.

Tudo se iniciou com um contato, em meados de março, do Marcelo Peroni, Gestor de Cultura da Prefeitura Municipal – de eficiência no que faz -, sobre sua amiga, atriz dinamarquesa, e o marido, que pretendiam realizar uma oficina de artes visuais com pequeninos e um pouco maiores residentes em bairro distante do centro.

Poucos dias depois, mensagem foi da Layla Mollerup, diretora e atriz da companhia dinamarquesa TeaterKUNST, desejando saber sobre o interesse em recebermos o projeto que ela e seu marido e parceiro artístico elaboraram para crianças e adolescentes brasileiros que habitam as periferias. Vieram, no mesmo dia, conhecer o espaço. Ele, Sonny Eintsen, diretor, fotógrafo e desenvolvedor de software de Loudcode. Entendimento perfeito com a nossa gente e o ambiente. De imediato, se tornaram um conosco. Algumas coisas só aprendemos com a sintonia do olhar e do coração. E como a Layla e o Sonny possuem isso! Há ensinamentos proclamados do alto de um pedestal e se perdem pelos meandros dos dias. Há sabedoria partilhada que dá leveza e encanta as pegadas de cada um para sempre, como o deles.

Chegaram as palavras que deram o tom para a musicalidade da alma: amor, segurança, insegurança, paz, amizade...Chegaram jogos de teatro e os minifilmes a respeito das emoções. Mais parceiros se somaram à Layla e ao Sonny, o artista mineiro Lucas Pradino para editar os filmes e Sammy Rasmussen que doou o servidor para o futuro site do projeto: “The World is our Playground”. Que lindo! Que maneira diferente de identificar aquilo que se sente e de se superar. E teve mais: os vídeos disponibilizados em QR Code, que a maioria ignorava. Como desvendar um mapa de tesouro; como esfregar uma lâmpada mágica, através da leitura do código de barras bidimensional, e o gênio aparecer e lhe falar: “Você é capaz. Você é um grande ser humano. Você vale a pena”.

Uma experiência incrível que permanecerá na história e no imaginário de nossos alunos. Um divisor positivo nessa fase de desenvolvimento dos adolescentes. Uma vivência incrível de saberes novos para nossa equipe.

Recordo-me da história do “Patinho Feio” do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. Com Layla e Sonny, nossos alunos foram cisnes.

Gratidão ao Marcelo, por nos sugerir, e à Layla e ao Sonny que são do conhecimento, da dedicação e da sensibilidade que acrescentam esperança.

Âncora 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:50
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