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Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
CINTHYA NUNES - COMER, COMER

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Gosto de dias que começam fresquinhos, de céu azul sem nuvens. Assim, o outono é uma de minhas estações de predileção. Só perde para o amor que tenho pela primavera. O único inconveniente dos dias frios é que, no meu caso, com eles vem também a fome ampliada, aquela que convida a comer coisas gostosas, quentinhas, acolhedoras e calóricas.

            Estou certa de que tal fenômeno não se dá exclusivamente comigo, porque observo várias pessoas, sobretudo as mulheres, reclamando do aumento de apetite durante essa época do ano. Se a fome fosse a única que aumentasse, não haveria problema, mas junto com ela aumentam regiões do corpo que não são geograficamente favorecedoras ao visual, por assim dizer.

            Curiosamente, completamente oposta à fome, a vontade de fazer exercícios só faz diminuir. A cada dia pareço arrumar uma nova justificativa para deixar de comparecer aos meus compromissos de condicionamento físico. Embora eu não goste disso e me cobre intimamente pelas ausências, o fato é que juntando a inércia do corpo com o esforço do garfo, o resultado não é exatamente o que desejo.

            Aqui em casa, acompanhando a tendência dos donos, os bichos também ficam especialmente famintos. Comem nada menos do que o dobro. Os sachês de ração úmida vão se sucedendo durante o dia e os vidros de ração seca igualmente continuam baixando o nível. Todo mundo fica mais sonolento e até mais recolhido. Há horários em que a casa é só silêncio, repleta de criaturas de barriga cheia e cobertas até as orelhas. De todos eles, somente os humanos sentem algum remorso.

            Outra injustiça é que todo mundo acha bonitinhos os bichos barrigudinhos, com aparência de animais de pelúcia, enquanto não se pode dizer que a sociedade dispensa o mesmo tratamento às pessoas. Ainda que se tenha um cuidado maior atualmente com animais obesos, a fim de lhes conferir maior tempo e qualidade de vida, eles mesmos nada se importam com isso. Usassem calças com zíper ou botões, talvez o fato não lhes fosse tão alheio.

            Brincadeiras e exageros à parte e excluindo do tema os exageros, comer em tempos de frio é mesmo um prazer à parte. A vasta carta de sopas a serem degustadas acompanhadas de queijos e torradas é um espetáculo. Na cidade de São Paulo há até festivais de sopas! Nos lugares mais gelados, os chocolates quentes dão um toque especial à elegância das pessoas com seus casacos e botas.

            Aqui onde moro, na capital do estado de São Paulo, o frio ainda está tímido, com picos de calor no meio do dia, mas a minha fome segue relógio distinto e bastou uma mera esfriada para já disparar o alarme por bolos com café, pães quentinhos e sopas de fubá e couve, bem fumegantes. Enquanto escrevo esse texto, embaixo de uma gostosa manta quentinha, lembrei-me de uma musiquinha antiga que repetia que “comer, comer, é o melhor para poder crescer”... Nem que seja para os lados!

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e professora universitária – cinthyanvs@gmail.com

(Visite meu site: www.escriturices.com.br)



publicado por Luso-brasileiro às 12:57
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CONVIVÊNCIA DE CORAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sou de convivência de coração e gosto de ser assim, embora tantas vezes seja sofrido. Meu coração bate por gente mais próxima ou distante e até mesmo por pessoas que desconheço, embora, constantemente, precise de reparos para o bem.  Bate, ainda, por animaizinhos e florestas. É o se colocar no lugar de quem não teve os mesmos cuidados com os quais contei. Essa oportunidade de colo com cantigas de ninar, de equilíbrio e de proteção é essencial.

Aprendi que aquilo que dói profundo em mim, pode não doer tanto em quem experimenta o sofrimento por sua maneira de encarar a vida, por sua história, contudo cada um é cada um.

 Nos últimos dias, ocupo-me com um fato que soube de uma pessoa da qual me inteiro de certa forma à distância. Gente de luta. Para sobreviver um pouco melhor, busca alternativas de prestação de serviço e, dentre elas, lavar túmulos com esmero.

Soube que se encontrava hospitalizada. Contaram-me que não era da elevação dos glóbulos brancos. Nem imaginava que possuísse problema no sangue. Coitada! Que esforço além dos limites para conseguir acrescentar moedas à diminuta aposentadoria. Disseram-me mais: às vezes, enquanto cuida dos túmulos, desmaia. Como a administração do cemitério sabe de seus limites, aciona o serviço de ambulância. Apertou-me tanto o coração saber disso! Uma sexagenária franzina, de bem com a vida, carregando infecções que a fragilizam, porém não a impedem da luta no dia a dia, em um país que tomaram as terras indígenas, ganharam à custa da venda e do trabalho forçado dos africanos, mandaram o ouro para Portugal e não se passa um dia sem denúncia de corrupção, com defesas excêntricas no entra e sai da cadeia, permanecendo apenas os chamados “ladrões de galinhas”...

Recordo-me de alguns dos versos do Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles:

“(...)

Do seu calmo esconderijo,

o ouro vem, dócil e ingênuo;

torna-se pó, folha, barra,

prestígio, poder, engenho...

E tão claro! _e turva tudo:

Honra, amor e pensamento. (...)”

 

Em um ponto de ônibus da periferia, uma senhorinha dá sinal, carregando a sacola com catálogos diferentes, um pãozinho e a garrafa de café. Desce em lugares diversos para entregar as encomendas e, por último, se detém nos sepulcros, dando brilho nas placas e ajeitando as flores, enquanto cantarola e agradece a Deus por mais um dia.

Dizer o quê?

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



publicado por Luso-brasileiro às 12:00
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - POR RUAS, AVENIDAS ETC.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Quando saí o sol estava alto.

Mesmo o girassol, saturado pelo calor, tombava a face.

Tudo fervia.

O asfalto era ambiente inóspito. E eu a ele, pelo maltrato, até parecia persona non grata.

Apesar disso era necessário que eu saísse.

...

De pele muito clara, sempre fugi de dar caras em dia ensolarado.

Aprendi, assim, desde menina a curtir menos uma boa praia do que um bom friozinho.

Se hoje me chamam de “cinza” não é à toa, nem reclamo do apelido. De fato nunca fui exatamente fúcsia.

...

Pé ante pé, cruzando ruas estreitas e avenidas largas, vias tranquilas e outras movimentadas, faz-se impossível não reparar, sobretudo caminhando todos os dias, o desentendimento entre motoristas e pedestres.

Isso sem entrar no mérito dos ciclistas.

Quando o lerem terá passado há tempo; para mim, entretanto, o susto de um quase atropelamento foi agorinha há pouco.

O culpado? Ninguém; imaginem. A culpa foi da seta. Dar seta pra quê? Ela que se dê, não é?

É... deixemos em paz os motoristas.

Enquanto caminhante, não posso fechar os olhos (nem a boca) aos meus companheiros (seja por hábito de exercício seja por necessidade de ir e vir a pé) apressados e aos folgados também: pedestres demais pensam ser a faixa que leva nosso nome um território onde pintar e bordar.

Canso de ver, em locais de fluxo intenso de automóveis, aqueles que vão se atirando confiantes a julgar que os que dirigem pararão instantemente em meio ao ir e vir para sua nobre pessoa atravessar, não levando em conta não serem os únicos que contam ali.

Eu, que, por minha vez, olho antes para os dois lados, inclusive em rua de mão única, aguento a troça de amigos e desconhecidos.

Eu não ligo. Até que gosto da vida, quando dela não desgosto, é claro.

Não vou ainda sair por aí me jogando displicentemente.

Mas, digam a verdade: este artigo com modos de cartilha está ficando bem entediante, hein?

...

Abro ao acaso o primeiro livro com que trombo aqui: "Quem somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,/Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas/E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada./Navios que se afastam ponteados de luz na treva,/Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro/Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe das águas.".

Salvos por Pessoa.

Salve Álvaro de Campos!

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:54
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JOSÉ RENATO NALINI - ALGUM DINHEIRO AJUDA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Antigamente as mães diziam aos filhos invejosos ou reclamões, que “dinheiro não traz felicidade”. Mas pesquisadores contrariam essa afirmativa que já desapareceu de muitos lares. Ou daquilo que restou da instituição “família” em nosso século.

Um zero a mais à direita do saldo bancário faz a pessoa mais feliz. O professor de economia e políticas públicas de Michigan, Justin Wolfers, escreveu um artigo para demonstrar que pessoas com renda maior são mais felizes. Não é “achismo” do mestre, mas resultado de uma pesquisa do projeto World Values Surveys, patrocinado pelo Banco Mundial e pelo Gallup. Apurou-se que um aumento de 10% na renda proporciona equivalente acréscimo de felicidade.

Não há um teto a partir do qual a correlação deixa de existir. Até os ricos – e principalmente os ricos – ficam mais satisfeitos quando sua fortuna engorda.

Também se pesquisou o impacto do dinheiro nos ganhadores de loterias. Também se concluiu que, maior o valor recebido, maior a sensação de felicidade. E um bem estar que não desaparece no curto prazo. Prolonga-se por mais de uma década, segundo os dados obtidos, agora na Suécia.

Outra pesquisa, realizada por profissionais da Universidade de Ohio, trabalhou com os correntistas milionários dos bancos americanos. Indagou-se a esses ricos, em meio a uma série de questionamentos, algo a respeito de felicidade. E a conclusão foi a mesma: quanto mais ricos, mais felizes eram. Mas também se chegou a uma constatação interessante: a forma como o dinheiro é obtido implica em grau diverso de felicidade. Quem trabalhou para conquistar a fortuna expressa felicidade maior do que o herdeiro de milhões. O ser humano continua a valorizar mais aquilo em que coloca esforço próprio.

Um professor de psicologia da Universidade Estadual de São Francisco trouxe um dado interessante: a felicidade é maior quando o dinheiro é empregado em experiências para o endinheirado, do que usado para itens e produtos de ostentação. A ciência demonstrou que comprar experiência de vida, em vez de bens materiais, é o que vale. Em tempos de redes sociais, não adianta ostentar bens ou até felicidade falaciosa. Estar de bem com a vida é algo personalíssimo. Não depende dos outros. Se depender, então não há felicidade verdadeira.

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI   é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson Reuters.

 

 

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***

 

 

A CRISE NO SISTEMA JUSTIÇA

 

 

Lembrando – Tenho a satisfação de convidá-lo(a) para a Reunião do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos – CONJUR – FIESP, a ser realizada no dia 27 de maio , às 10 horas, no Espaço Executivo do 15º andar do edifício sede da FIESP, na Av. Paulista, 1313 – São Paulo

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 11:41
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FELIPE AQUINO - TODAS AS GERAÇÕES ME PROCLAMARÃO BEM - AVENTURADA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A devoção a Nossa Senhora em todo o mundo é algo que ultrapassa o entendimento humano; é algo sobrenatural; não há país ou cidade onde não haja igrejas, praças, imagens, etc., a ela dedicadas. Os títulos de louvor e glória que Nossa Senhora recebe em todo o mundo são incontáveis; livros e livros já foram escritos sobre seus títulos, suas aparições, suas graças, seus milagres… Seus santuários se espalham pelo mundo todo: Lourdes, Fátima, Aparecida, Guadalupe…

 

 

 

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A Igreja encorajou e regulou essa devoção universal à Virgem Maria, mas jamais pode tê-la inventado ou criado. Nos momentos mais críticos da história, sobretudo quando a Igreja era mais ameaçada, os Papas orientaram os fiéis a recorrerem confiantes à proteção de Nossa Senhora e rezar o Rosário. É um sentimento universal que atravessou vinte séculos e chegou até nós mais forte do que nunca. Esse sentimento não teve uma origem humana, se assim fosse não teria tanta força e duração; foi o Espírito Santo quem difundiu nos corações dos cristãos.

 

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Leia também: Maria é a Mãe da Igreja

Influência da Virgem Maria na vida da Igreja

Maria, o Caminho de Jesus

Santa Maria, Mãe de Deus

A mediação de Maria

 

 

 

 

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Até mesmo os muçulmanos a respeitam e veneram como Aquela mulher que foi “a única não tocada pelo demônio”. Maomé, ao redigir o Corão, mostrou grande estima por Maria. O capítulo 19 tem por título “Maria” e faz várias belas referências a Mãe de Jesus. Ele dá testemunho da virgindade de Maria, e fala de sua vida. Na Caaba (santuário muçulmano principal em Meca) existe uma imagem colorida de Maria com o menino Jesus. É de notar ainda que Maria é mencionada trinta e quatro vezes no Corão, sendo a única mulher designada por seu nome pessoal. Os muçulmanos vão à casinha de Nossa Senhora em Éfeso, onde ela viveu com S. João, prestar-lhe homenagens. É chamada em língua turca “Meryem Ana”.

Lutero e Calvino a veneravam; e também os anglicanos. Lutero escreveu um belo comentário do Magnificat de Maria Santíssima, e o cantava todos os dias. Ele se refere à “doce Mãe de Deus” e exalta a Santíssima Virgem nestes termos: “Ela nos ensina como devemos amar e louvar a Deus, com alma despojada e de modo verdadeiramente conveniente, sem procurar nele o nosso interesse… Eis um modo elevado, puro e nobre de louvar: é bem próprio de um espírito alto e nobre como o da Virgem”. (“Maria Mãe dos homens”, Edições Paulinas). A Mãe de Jesus aparece em Lutero como o puro reflexo do olhar divino. Ela não atrai a nossa atenção sobre Si, mas leva-nos a olhar para Deus.”… “Maria não quer ser um ídolo; não é Ela que faz, é Deus que faz todas as coisas. Deve ser invocada para que Deus, por meio da vontade dela, faça aquilo que pedimos; assim devem ser invocados também todos os outros santos, deixando que a obra seja inteiramente de Deus” (idem p.574-575).

 

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:26
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PAULO R. LABEGALINI - QUEM NÃO TEM PECADOS NAS COSTAS?

 

 

 

 

 

 

 

 

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Quase dois mil anos após Jesus ter dito: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”, continuamos sofrendo as terríveis consequências da má conduta humana. O tempo passa, a Palavra de Deus é pregada pelos continentes a cada minuto, mas o pecado continua no coração do homem.

Certos pecados de nossa época são apenas mais ‘modernos’, do tipo: esbanjamento de automóveis, desperdício de água, aborto, corrupção política, violência nas ruas, contrabando de drogas, atentados diversos etc. Analisando caso a caso, conclui-se que alguns pecam por iniciativa própria e, outros, o fazem em grupo – o que é ainda pior!

Com isso, nos afastamos de Deus, o nosso planeta continua sendo destruído, a fome e a doença ficam fora de controle, enfim, a maldade ganha força e – por perverter o coração do homem – gera mais pecados na face da Terra. Que panorama triste, não? E mesmo sabendo que só existirá paz no mundo quando houver plenitude de amor em cada ser humano, pouco colaboramos para isso!

Pense nos seus amigos... inimigos, se tiver... parentes... mendigos... e, agora, responda: Você está fazendo bem feito a sua parte? Tem dito ‘sim’ ao amor que Deus manifesta em sua vida? Olha para Jesus Cristo com a consciência tranquila?

Saiba que, para não pecar, além de cumprir os dez mandamentos, você não deve: guardar ressentimentos de ninguém; se omitir em ajudar o irmão necessitado; trabalhar pensando somente em acumular bens materiais; ter a intenção de prejudicar outra pessoa com atos ou palavras; ou seja, os valores do Evangelho precisam ser vividos a cada dia e não somente em datas especiais.

É importante ressaltar que a vida muda para melhor se vivida com dignidade cristã. São João disse: “Onde existe o amor, Deus aí está”; portanto, deixando de lado o nosso egoísmo e as injustiças que praticamos, com amor, podemos realizar muito mais obras espirituais e prestar a verdadeira solidariedade que a Igreja tanto prega.

Eu tenho consciência que ninguém foi mais solidário conosco do que a Virgem Maria. Ela gerou o maior Tesouro que veio a este mundo e não O quis só para si, muito pelo contrário, O entregou à morte de cruz para nos salvar. Foi o mais significativo testemunho de fé de toda a história! É por isso que sou apaixonado por Ela e, através dela, consigo muitas graças – e quantos milagres já testemunhei!

Em nome de Jesus, praticando a solidariedade sem preconceitos, os nossos pecados deixam de pesar tanto nas costas e, assim, nos acostumamos a viver em paz – como autênticos cristãos.

Eis uma história que ajudará a concluir tudo isso:

Dois anjos viajantes pararam para passar a noite na casa de uma família rica, que se recusou a deixá-los ficar no quarto de hóspedes. Foram, então, colocados para dormir num pequeno e frio espaço no porão.

Quando estavam se ajeitando no chão duro, o anjo mais velho percebeu um buraco na parede e o consertou. O outro estranhou o que viu e logo perguntou o porquê daquilo. E o mais velho, apenas lhe respondeu: ‘As coisas nem sempre são o que parecem ser.’

Na noite seguinte, os anjos foram à casa de pessoas muito pobres, mas muito hospitaleiras. Depois de dividirem o pouco de comida que tinham, o bom fazendeiro e sua esposa acomodaram os viajantes na única cama de casal, onde poderiam ter uma boa noite de descanso.

Pela manhã, os anjos viram os donos da casa em prantos. A única vaca que tinham, cujo leite era a fonte de renda do casal, estava morta no campo. O anjo mais novo ficou indignado e desabafou com o colega: ‘Como você pode deixar isso acontecer? O primeiro homem tinha tudo e você o ajudou. Esta família tem pouco, mas se dispôs a dividir tudo... e você deixou a vaquinha morrer!’

O anjo mais velho, pacientemente lhe explicou: ‘As coisas nem sempre são o que parecem ser. Quando ficamos no porão daquela mansão, vi que havia ouro dentro daquele buraco na parede e, como o dono da casa era totalmente obcecado por dinheiro e incapaz de dividir sua fortuna, tapei o buraco para que ele não o achasse. Na noite passada, quando estávamos dormindo na cama do fazendeiro, o anjo da morte veio buscar sua esposa. Eu, então, lhe dei a vaca em troca dela.’ E concluiu: ‘Viu? As coisas nem sempre são o que parecem!’

Pois é, quando os fatos não se concretizam do jeito que gostaríamos, tendo fé e confiando na providência Divina, tudo irá se esclarecer algum dia. É preciso acreditar que até os anjos são solidários aos nossos problemas e se colocam a nosso serviço – sempre para nos ajudar! E se fizermos o mesmo com os nossos irmãos excluídos, maior será a ajuda que receberemos do Céu.

Diga ‘não’ à morte e ‘sim’ à vida. Confesse, se liberte dos pecados e obtenha a cura que você tanto precisa. Experimente! As coisas nem sempre são tão boas ou ruins como parecem.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



publicado por Luso-brasileiro às 11:13
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - ONDE ESTÁ DEUS, QUE NÃO NOS ACODE ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Certa vez, leitora – que se dizia assídua, – comentou crónica, que publiquei em jornal de Toronto. A determinado passo, perguntava-me: “ Como é que Deus permite tanta desgraça? Se Ele é bom, porque permite o mal, e aceita as crianças sofrerem? …

Lembrei-me, agora, dessa leitora, ao percorrer as ruas da minha cidade, no quadragésimo quinto ano da: “ Revolução dos Cravos”, e encontrar, quase todo o comércio, fechado.

É que dias antes, na Sexta-Feira-Santa – feriado nacional, como o da “Revolução”, – o burgo fervilhava de negócio! …

Pensei, de mim para mim: Esta gente, respeita mais a “Revolução”, do que a morte do Salvador! …

Recordei, então, a resposta que a filha do célebre Evangelista Billy Graham, Anne Graham, deu, quando lhe perguntaram, num popular programa de TV (*): - “Por que Deus permitiu a morte de tantos inocentes, no negregado atentado de 11 de Setembro?”

Eis, por palavras minhas, o resumo da resposta:

Durante ano, afastamos Deus, do governo, e das nossas vidas. Como queremos, obter Sua protecção, se não O deixam envolver-se nos nossos problemas?!

Disseram: Não é próprio orar, na Escola, nem ler a Bíblia. E nós concordamos…

Disseram: Não castiguem os vossos filhos, quando prevaricarem, para não os traumatizar. E todos concordaram…

Disseram: Os professores devem fechar os olhos a muita indisciplina…E todos aprovaram…ou quase todos…

Disseram: Nossas filhas devem rejeitar os filhos indesejados; e o aborto foi aceite…

Disseram: Liberdade sexual, antes do casamento; e distribuíram, nas escolas, preservativos. E todos apoiaram, em nome da liberdade…

Disseram: Tudo é permitido, desde que sejam cumpridos os deveres cívicos! E acharam que isso era bom…

Disseram: Como somos livres, podemos, em nome da liberdade, difundir a pornografia; e imagens perversas, surgiram…Era a democracia a funcionar…

Disseram, então: É apenas ficção… para entreter…

Agora, perguntam, admirados: Por que se perdeu a noção do bem e do mal?!”

Correram Deus: do Estado, da Escola, da Sociedade…. Disseram: Não precisamos mais d’Ele! …

E eu, acrescentaria, ainda:

Retiramos os símbolos cristãos, para não ofender os não crentes, e os que praticam outras religiões! …

E também, me admiro, e parece que ninguém se incómoda, até levam para casa (para regalo dos filhos ou das filhas?!) o estendal de fotos da secção: Relax, que alguns periódicos publicam! …

Admiram-se, depois, que Ele não venha em nosso auxílio, e não nos proteja de tanta barbaridade! …

 

*) Entrevista, no Early Show, realizada por Jane Clayson.

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:43
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EUCLIDES CAVACO - ESSÊNCIA DUM POEMA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Poema e voz de Euclides Cavaco.Elaboração videográfica do especial amigo Afonso Brandão.

Talvez seja levemente ousada esta minha divagação poética, mas é assim que sinto sobre o que deve dar ALMA a um poema.

 



https://www.youtube.com/watch?v=ltTBaiOJKjo&feature=youtu.be

 

 

 

Desejos dum agradável fim de semana.
Fraterno abraço




 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

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 PROCISSÃO DA LUZ NA CIDADE DA VIRGEM

 

 

 

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Palavra do Pastor, com Dom Vicente Costa, 

 

Bispo diocesano de Jundiaí

 

5º Domingo de Páscoa

 

https://youtu.be/nHgMQtxjRvA

 

 

 

 

 

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Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

 

 

 

 

 

 

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Horário das missas em, Jundiai ( Brasil):

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?opcoes=cidade_opcoes&uf=SP&cidade=Jundiai&bairro&submit=73349812

 

 

 Horário da missas em São Paulo:


http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=12345678&p=12&todas=0

 

http://www.horariodemissa.com.br/search.php?uf=SP&cidade=S%C3%A3o+Paulo&bairro&opcoes=cidade_opcoes&submit=5a348042&p=4&todas=0

 

 

Horário das missas na Diocese do Porto(Portugal):

 

http://www.diocese-porto.pt/index.php?option=com_paroquias&view=pesquisarmap&Itemid=163

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 10:26
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Sexta-feira, 17 de Maio de 2019
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - BRASIL. GRAVES CRISES QUE PRECISAM SER SUPERADAS, REDUZINDO A DESESPERANÇA NO FUTURO.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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São tão sérias e graves as crises de ordem moral e ética no Brasil, com profundos reflexos na economia e na vida em geral dos cidadãos que se mostram absolutamente apáticos com quaisquer ocorrências política, jurídicas e até econômicas.  Com efeito, a constante instabilidade  política, os escândalos de corrupção, a deficiente fiscalização e regulação por órgãos e autarquias governamentais e mesmo boa parte dos problemas sociais, inclusive a violência, têm um componente que continua impenetrável: o poder econômico. Na verdade, o resultado mais latente de sua influência é que relações de dominação e força, em vez de regras jurídicas fundadas na moral e na ética, passam a ditar os relacionamentos entre as pessoas.

         Tais aspectos são evidentes no nosso cotidiano e infelizmente vêm de cima para baixo, ou seja, muitas autoridades e setores administrativos do país sucumbiram aos resultados financeiros próprios e ao invés de combatê-las, acabaram por aderir a corrente dos seus interesses acima dos anseios da população.

     O povo está descrente dos atos que confrontam com o direito crescendo a censura social que decorre da capacidade de indignação e da não aceitação de condutas reprováveis que prejudica o segmento mais fraco, ou seja, o próprio povo que se vê privado do atendimento de suas necessidades básicas que são direitos fundamentais garantidos por nossa Constituição. Um quadro insólito criado pela ganância e falta de escrúpulos da maioria de nossos políticos.

          Realmente é preciso que todos se levantem e repudiem energicamente situações em que recursos públicos sejam desviados, e utilizados para atender interesses particulares e tantas outras que sobreponham a própria dignidade dos indivíduos,  que precisam estabelecer através de protestos, fiscalizações e cobranças uma linha de controle rigoroso e eficaz. Já se disse que o Estado brasileiro tem ainda um enorme papel a desempenhar, especialmente para cumprimento das determinações constitucionais.                 

Infelizmente, continuamos assediados em  todos os lados por problemas que nos impedem de desfrutar plenamente da própria cidadania. Precisamos, por isso, insistir para que a população não aceite os tenebrosos quadros impostos pelo egoísmo de grande parte de nossos representantes, incitando-a a buscar uma consciência participativa. Para tanto, o brasileiro deve ser orientado desde muito cedo a viver e a conviver com os demais indivíduos e ter as mesmas possibilidades de atuação.

Nesta trilha, não há espaços para o comodismo, o conformismo e principalmente a aceitação pura e simples das investidas contra o patrimônio público que precisa de melhor utilização na edificação de uma Nação mais justa, com o desenvolvimento dos seus cidadãos na procura da plenitude da vida.

Se quisermos uma sociedade onde os valores máximos se embasem no caráter, na formação crítica, na educação, na saúde de seus pares, faz-se necessário um esforço maior em fiscalizar, cobrar e participar da vida pública. Quem sabe assim, poderíamos reduzir e até eliminar da vida brasileira uma de suas manifestas angústias, a desesperança no futuro.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI   -    é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:18
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - GAFES E MAIS GAFES... E UM DESAFIO AO LEITOR !

 

 

 

 

 

 

 

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No convívio social humano, são inevitáveis as gafes. Qualquer pessoa, por mais educada e autocontrolada que seja, que de vez em quando comete alguma. Uma vez cometida, que fazer? Desculpar-se e mostrar arrependimento geralmente não resolve, pois acaba a emenda saindo pior do que o soneto. Quase sempre o melhor é fingir que não percebeu o mau passo e tocar adiante.

Recordo ter lido, num livro do grande psicólogo francês Pe. Raymond de Thomas de Saint-Laurent, que certo pregador foi convidado a fazer o elogio fúnebre de um senhor muito distinto e considerado, durante a Missa de corpo presente. Coletou às pressas alguns rápidos dados biográficos do falecido e se julgou em condições de falar ao púlpito.

Entretanto, aconteceu que, à medida ia falando, se foi entusiasmando com o que dizia e foi ampliando insensivelmente o âmbito da pauta que fixara. A certa altura, ocorreu-lhe louvar o morto como excelente esposo e pai de família. Ora, esse era precisamente o ponto fraco do falecido: toda a cidade conhecia suas aventuras extraconjugais...

Muitos ouvintes se entreolharam, se puseram a sorrir e a cochichar comentários. Só então, percebendo o procedimento da plateia, o fogoso orador se deu conta de que pisara em falso. Que fez ele? Fingiu que nada se passara e se pôs a discorrer sobre outro aspecto do falecido. E tudo prosseguiu com normalidade. Saiu-se bem. Não poderia ter feito outra coisa.

Pior foi o caso ocorrido com o Embaixador Manoel Pio Corrêa, conforme ele mesmo conta em suas interessantes memórias ─ que se leem com prazer e proveito, do início ao fim.

Quando jovem, ele participara de um curso nos Estados Unidos, proporcionado pelo Governo norte-americano a jovens diplomatas de vários países latino-americanos. Travou, durante o curso, amizade muito estreita com um colega oriundo de uma nação da América espanhola.

Os dois tinham quase tudo em comum: a mesma idade, a mesma profissão, as mesmas ambições, os mesmos gostos. Ficaram, realmente, grandes amigos. Mas, ao término do curso, separaram-se e depois de algum tempo perderam completamente o contato.

Trinta anos depois, já em fim de carreira, o brasileiro foi nomeado embaixador junto a um governo "X". Ao assumir o novo posto, consultou, como de hábito, a lista do corpo diplomático acreditado no local, e teve a alegria de nela encontrar o nome do antigo amigo, agora embaixador do seu país.

Na mesma hora, telefonou-lhe e imediatamente, como num passe de mágica, se reconstituiu a velha amizade. Sentiram-se, desde o primeiro momento, com a mesma intimidade de trinta anos antes. Emocionados, os dois combinaram um encontro, que se realizou logo depois na residência do hispano-americano.

Grandes abraços, grande confraternização, recordação de fatos de há muito tempo sepultados na memória...

De repente, entre outras lembranças do tempo de rapazes, ocorreu ao brasileiro perguntar:

- Ainda te lembras de uma porto-riquenha dentuça e horrorosa que queria a todo custo casar contigo?

Antes que qualquer resposta fosse dada, abriu-se a porta do salão e entrou, sorridente e comprazida, a embaixatriz.

Era precisamente a porto-riquenha dentuça e horrorosa...

 

                                                    *       *       *

 

Concluo com um desafio ao leitor: você seria capaz de imaginar uma saída para essa “saia justa” em que se meteu o nosso embaixador? Pense bem. Procure uma saída. Se lhe ocorrer alguma, me escreva (e-mail aasantos@uol.com.br ). Eu ainda estou procurando...

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS   -    É licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 19:13
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CINTHYA NUNES - O SONO

 

 

 

 

 

 

 

 

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  Normalmente tenho ao menos dois assuntos para escrever meu texto semanal, mas hoje eu preciso confessar que só um tema domina meu cérebro e corpo. Estou com tanto sono, tão cansada, que já perdi as contas de qualquer vez dei aquelas famosas “pescadas” sobre o computador. Sinto-me praticamente bêbada de sono.

                Normalmente durmo tarde, mas para além de estar com muito trabalho atrasado, mal tenho conseguido, nos últimos dias, permanecer acordada e produzindo algo depois das 23h. Até chegar a essa linha já escrevi e apaguei várias palavras sem sentido, tudo porque esqueci minhas mãos sobre o teclado, adormecidas como todo o restante de mim.

                O mais curioso é que, assim como nos demais dias, sou invadida por essa onde de sono incontrolável duas vezes ao dia: no fim do dia e após o almoço. E nem sei dizer qual deles é o momento mais intenso de sonolência. Depois do almoço, mesmo que eu tenha comido uma singela salada, sinto os olhos ficando tão pesados que chegam a arder. Tem sido bem difícil sentar-me à frente de um computador para trabalhar quando somente a ideia de dormir povoa meus pensamentos.

                Agora à noite, já bem tarde, momento que consegui reservar para escrever, entre um bocejo e outro fogem-me as ideias e novamente eu sinto minhas pálpebras se fecharem, escurecendo meu campo de visão. Tenho até medo de como devo estar escrevendo e antes de enviar o resultado dessa tentativa de produção textual por certo farei ao menos um revisão. Se estiver acordada para tanto, é claro.

                Como narrei há alguns dias, adotamos uma cachorrinha recentemente. O bichinho, que tem pouco mais de quatro meses, ainda choraminga quando se sente sozinha no meio da noite. De manhã bem cedo, em um horário que ainda considero madrugada, ou seja, às 5h, ela começa a chorar e é preciso que alguém levante para lhe dar o que comer ou para uma pequena bronca. Some-se ao meu ritmo já corrido mais essa maratona da madrugada e o resultado é um sono quase incapacitante.

                O mais louco de tudo é que na hora em que vou para o quarto para dormir até a abrição de boca cessa e eu desperto, para somente pegar no sono mesmo cerca de uma hora depois. Sinto como se meu sensor de sono estivesse desregulado e eu nunca conseguisse alcançar o botão de ajustes. Misteriosamente meu sono se vai e algumas vezes eu acordo de madrugada desperta, tudo para lutar para dormir mais duas horas e acordar com o dia já claro.

                Minha avó Nena, que Deus a tenha, tinha uma técnica muito boa, a qual eu invejo. Tinha a habilidade de dormir com um olho só, enquanto com o outro, que permanecia aberto, explorando tudo ao redor. Dera eu pudesse ou soubesse fazer isso para ter reforços para terminar esse texto que já escrevi e reescrevi. Se eu demorar um pouco mais para dormir estou certa de que vou me perder nas curvas de alguns esses ou ainda, o que é pior, ficarei presa nas linhas de um Z qualquer.

                E foi o que acabou de acontecer, por acaso. Cochilei no meio da frase e acordei com uma voz me chamando repetidas vezes. Eu poderia dizer que eram anjos ou vozes do além, mas era apenas para que eu não caísse de cabeça sobre o computador. Resolvo que cheguei no meu limite e subo para me deitar. Está chegando o fim de semana, penso. Tudo para que eu me esqueça do sono de agora e fique desperta, sem um pingo da vontade de dormir.

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e professora universitária – cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 19:09
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - RISCOS DA VELHICE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Há poucos dias, li a frase: “Não penso na velhice, tenho medo que a velhice pense em mim”, do escritor moçambicano Mia Couto, cujos textos me agradam demais. Couto costuma afirmar que as idades devem ser encaradas como travessias.
Nos meus 65 anos, que completei há pouco, concordo com ele que é perigoso permitir que a velhice pense através de mim. No caso, pelos conceitos culturais, me permitiria entregar à inatividade, alinhavar dissabores e considerar que os sonhos são limitados a um determinado período de vida. Nosso pai repetia: “Ah, se a juventude soubesse e a velhice pudesse...” Mas há algumas coisas que são próprias da sabedoria que se pode adquirir com o passar das décadas, dentre elas a compreensão de que cada indivíduo possui o direito em ser ele mesmo, com suas descobertas e escolhas. Inúmeros eventos perdem a importância à proporção que nos desapegamos dos aplausos de uma plateia que nada acrescentou ou acrescenta aos nossos dias. Embora os ossos e os músculos não respondam aos estímulos de antes, as asas me parecem mais leves e o exercício da tolerância também. Cultivar a paciência proporciona canteiros de girassóis na alma.
É uma questão de escolha os caminhos da travessia. Há dias que desperto com os olhos para me encantar e, em outros, para refletir sem magia. Para mim, é um acordo comigo mesma, com o meu entorno e, em especial, com Deus. Ah, quanto o Céu dá sentido às minhas encruzilhadas e às minhas idas e voltas!
Em entrevista na Mínima FM de Porto Alegre, Mia Couto diz que se sente velho às vezes. Palavras dele: “Em geral, é uma coisa quase irresponsável. Eu olho (...) como se houvesse uma vida inteira à frente. Tenho uma grande dificuldade de chegar em casa em me olhar no espelho ou sentir dor nas costas... Eu acho que prefiro não pensar nisso. Eu quero atravessar isso com uma grande distração. Eu tenho medo é que a velhice pense em mim”. Os versos finais de seu poema “Espelho”: “A idade é isto: o peso da luz / com que nos vemos”.
Verdadeiras as colocações e somente se revelam no embranquecer.
Ao observar a velhice, incomoda-me é o desrespeito com as bengalas por aqueles que buscam, com pressa, os seus intentos, sem considerar os direitos de pegadas de rugas e o empurrar os idosos para um canto que não é deles, desfeito de suas paisagens, cheiros, lembranças...

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 19:06
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