PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 21 de Junho de 2019
CINTHYA NUNES - SACODE A POEIRA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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            A vida é mesmo um amontoado de surpresas. Nem todas boas, infelizmente. Nesse momento em que me debruço sobre essas linhas que compõem um meu divã coletivo, estou com a alma doída. De uma só tacada eu perdi, no intervalo de 3 horas, os dois empregos dos quais tirava meu sustento. Foi como se um caminhão passasse por cima de mim.

            Segundo me informaram, e não posso saber ao certo se isso corresponde à verdade, os motivos foram puramente financeiros. Corte de gastos em tempos de crise. Claro que as faculdades precisam pagar seus funcionários e possuem várias outras despesas, mas o fato é que há muito o ensino superior privado, para os professores ao menos, vem em crescente transformação para a cada dia mais viver a filosofia mercantil. Praticamente tudo se resume a números.

            Não escrevo aqui para falar mal dos meus ex-empregadores. Até porque em um deles trabalhei por 10 anos. Em ambos conheci muita gente. Fiz vários amigos, os quais já integram meu núcleo próximo. Só por eles e pelos milhares de alunos, valeu a pena. Fiz o meu melhor, o que não significa que tenha sido o melhor desejado. Apenas o melhor do que fui capaz naquele período, naquelas condições. Seja como for, sempre o fiz com ética e dedicação.

            Nos dois lugares, em momentos distintos, eu fui gestora, tarefa que, nos moldes atuais, espero nunca mais exercer. Contudo, enquanto o fui, jamais agi de forma a prejudicar deliberadamente alguém e, mesmo que possa ter falhado nisso involuntariamente, nunca retirei aulas de quem quer que fosse para atribuí-las a mim ou a amigos. Tenho minha consciência tranquila. Por certo que nem sempre agradei, pois isso é algo que não está ao alcance de nenhuma criatura vivente, mas agi na convicção da ética.

            Não é a primeira vez que saio de um emprego. Ordinariamente essa situação não é boa. Remanescem dores indizíveis e até inexplicáveis. A sensação é das piores. Só que aprendi que a gente sobrevive. Somente da morte não temos escapatória ou alternativa. Do restante damos conta. A duras penas às vezes, mas damos conta.

            Acredito que a vida nos tire, periodicamente, das nossas zonas de conforto. Talvez sejam os ciclos evolutivos, talvez um pacto prévio que fizemos com o Criador. Não sei. Só que entendo que os ciclos se fecham sobre nós como casulos e é preciso ter força imensa para de lá sairmos renovados, borboletas.

            Talvez tenha chegado a hora de seguir adiante com outros projetos, com as levezas que minha alma cobra e as quais eu segui soterrando. Vou me retirar do trabalho por algum tempo. Resolvi respirar com mais vagar, comer melhor, dormir quando me der sono. Fazer uma pausa, um oásis no deserto de sensações no qual andei pisando. Escrever é um dos planos que seguirá comigo.

            Peço desculpas pelo texto hoje tão biográfico e particular. Provavelmente não interesse a ninguém, mas eu precisava expurgar esse sentimento. E àqueles que estiverem na mesma situação, desejo força e amigos da mesma qualidade que os meus...

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e professora universitária – cinthyanvs@gmail.com

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:45
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS DE DENÚNCIA E PERDÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

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A vivência de denúncia e perdão de Daniel Pittet, 58 anos, nascido em Friburgo, na Alemanha, causou-me impacto. Quando criança, sofreu abuso sexual, dos nove aos 13 anos, pelo frade capuchinho suíço Joël Allaz. Passou, segundo ele, por quase “200 atos de violação”, mas que bastaria apenas um para destruir a vida de uma pessoa.  Após uma longa terapia decidiu narrar os fatos de maneira direta. Lançou o livro: “Te perdoo, padre” e o Papa Francisco o prefaciou.
Joël Allaz, com quem esteve em 2016, foi condenado em 2011 a uma pena de dois anos de prisão com suspensão condicional da sentença após um julgamento.  Allaz  reconhece ser “este pedófilo monstruoso que deixou uma série de vítimas”, mas garante que não tem mais “este tipo de impulso”.
O autor afirma que muitas pessoas não conseguem entender que ele não o odeia. Perdoou-o e construiu sua vida em cima daquele perdão. No prefácio, o Papa Francisco escreve: “... que outros possam ler hoje o seu testemunho e descobrir a que ponto o mal pode entrar no coração de um servidor da Igreja. (...) Como pode uma padre, a serviço de Cristo e de sua igreja, causar tanto mal? Como pode ter consagrado a sua vida para conduzir as crianças a Deus e acabar, pelo contrário, por devorá-las naquilo que chamei de ‘um sacrifício diabólico’, que destrói quer a vida da vítima, como da Igreja?”
Infelizmente, a pedofilia se encontra em diversos segmentos da sociedade e existem também leigos que cometeram esse “sacrifício diabólico” e, travestidos de bonzinhos, quando detidos, não se incomodam em tentar prejudicar, para sua defesa mentirosa, a família das vítimas. E há quem creia nesses tipos que se escondem atrás de pele de cordeiro e, na realidade, são procriadores das seitas satânicas.
Constantemente, volto ao tema em repúdio à  tolerância a esse tipo de crime. Como disse Jesus Cristo: “Quem provocar a queda de um só destes pequenos que creem em mim, melhor seria que lhe amarrassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem no fundo do mar” (Mateus 18, 6).

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:39
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JOSÉ RENATO NALINI - A NOBRE CLASSE DOS ADESISTAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A matéria de que é feito o ser humano é miserável. Ordinária, naquele sentido vulgar na linguagem das pessoas simples. Antigamente, chamar alguém de “ordinário” era ofensa grave. Mas as palavras, como os costumes, vão perdendo a seiva. Transmutam-se. Para melhor ou para pior.

O que eu gostaria de sugerir é uma reflexão em torno ao comportamento daquelas moscas varejeiras que gravitam em torno ao poder. Qualquer espécie de poder. Qualquer dimensão de poder.

Em época eleitoral, exacerbam-se as paixões e a ronda se faz diante daquele que ostenta condições de vir a ser o vencedor. Promessas, compromissos, discursos, bravatas.

Apura-se o resultado do pleito. Aquele cortejado não foi eleito. Quase sempre fica sozinho, porque a vitória tem muitos pais, enquanto a derrota é órfã. De pai e mãe.

O mais vergonhoso é verificar que aqueles que ontem bravejavam contra o hoje vencedor, procurem aproximação a qualquer custo. Alguns não se pejam de ser “papagaios de pirata” e ficar ao ombro daquele que está a conceder entrevista. Outros procuram pessoas influentes, tudo para salvar o cargo, a função, o posto sem o qual não sobreviveriam. Pois não são daqueles que enfrentam o trabalho árduo. Não são aprovados em concurso, porque não estudam. Não sabem empreender. São minúsculos satélites em rotação permanente junto a quem simboliza o sol. O sol do poder, do comando, da glória e da fama.

Incrível como não se guarda o “luto” subsequente à derrota daquele que até ontem era seu favorito. Hoje é fácil renega-lo. Assim como Pedro: – Eu não conheço aquele homem! Pedro negou três vezes. Os pequenos traíras negam seguidas vezes. Tudo fazem para preservar as migalhas de um poder carcomido, no qual nem eles mesmos acreditam. Mas a sua tibieza e inferioridade não permitem alçar maiores voos.

Assistir de perto ou ao longe o rastejar dessa raça repugnante seria divertido. Não fora a confirmação de que o gênero humano tem muito a aprender para se tornar efetivamente humano.

Essa praga viceja e grassa em todos os círculos do poder. É a nobre classe dos adesistas. Daqueles que aderem depois da vitória. Querendo saboreá-la como se fosse conquista deles. Pobre gente!

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI   é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson Reuters.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:28
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FELIPE AQUINO - NOVENA DE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A exemplo de Jesus, também nós recorremos a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro diante das angústias de nosso coração

 

Preparação para todos os dias da novena

– Recolher-se em oração em casa ou numa igreja;
– Fazer o pedido da graça que tanto deseja alcançar;
– Rezar a oração de cada dia;
– Rezar um Pai-Nosso e três Ave-Marias;
– Praticar a boa obra de cada dia. Pode-se trocar por outra mais conveniente.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

 

 

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Primeiro dia

Eis a tua mãe” (Jo 19,27).

Bondosa Mãe do Perpétuo Socorro, que experimentastes a angústia da vida, acolhei o meu pedido. Sois Mãe e tendes o desejo de socorrer a todos, aqui está alguém que é pecador, mas que recorre a vós.

  • Boa obra: dar esmola a um pobre.

 

Segundo dia

“[…] meu espírito se alegra em Deus […]” (Lc 1,47).

Mãe do Perpétuo Socorro, ajudai-me a ser de Deus. Tudo passa como vento, Deus permanece. Quero ser d’Ele e, por isso, vos suplico: socorrei-me nessa vida, ajudai-me a não perder Deus nos sofrimentos e necessidades. Bondosa Mãe, aumentai a minha fé e confiança, socorrei-me com vosso amor.

  • Boa obra: em casa, fazer o trabalho com amor.

 

 

 

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Leia também: Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Você conhece a mensagem do Quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro?

Nossa Senhora sofreu as nossas dores

 

 

 

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Terceiro dia

“[…] seja feita a tua vontade […]” (Mt 6,10).

Bondosa Mãe, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, compreendestes e sempre fizestes o que Deus queria, afastai de mim a dureza do coração, o orgulho e o egoísmo. Ajudai-me, bondosa Mãe, a seguir a vontade de Deus e concedei-me a graça que vos peço.

  • Boa obra: antes de dormir, agradecer a Deus por tudo o que aconteceu no dia.

 

Quarto dia

“[…] foi a mim que o fizestes!” (Mt 25,40).

Mãe de Jesus e minha mãe, dai-me um coração generoso para ajudar o próximo e misericordioso para perdoar sempre. Dai-me um coração humilde e manso para suportar suas fraquezas. Jesus disse que faço a Ele o que faço aos outros, por isso, ajudai-me a melhor amar Deus e meus irmãos. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, socorrei-me na graça que vos peço.

  • Boa obra: dar algo ao pobre.

 

Quinto dia

“[…] eu estou ali, no meio deles” (Mt 18,20).

Bondosa Mãe, como vivestes com Jesus e José em casa? Concedei-me amar meus irmãos e aceitar cada um no seu jeito de ser. Dai-nos a paz, compreensão, bondade e alegria para que o Espírito de Jesus permaneça conosco. Bondosa Mãe, pedi a Ele por nós.

  • Boa obra: visitar alguém doente.

 

Sexto dia

“Vinde a mim, […] e eu vos darei descanso” (Mt 11,28).

Pode a mãe esquecer seu filho? Sei, ó Maria, que não nos esqueceis, mas tenho medo de me esquecer de vós. Peço-vos nunca perder Deus nem a fé, e sempre confiar em vós. Ó Maria, feliz de quem vos conhece e a vós recorre como o filho à sua Mãe. Ajudai-me em minha prece.

  • Boa obra: ir a uma igreja e rezar por alguém.

 

Sétimo dia

“Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

Maria, sempre fizestes tudo o que Deus vos pediu. Para que eu também seja assim, ajudai-me a ouvir a Palavra de Deus, a meditar, a ouvir o que Jesus ensinou. Atendei meu pedido nesta novena e não deixai que fique acomodado na vida.

  • Boa obra: ler Lc 1,39-56.

 

Oitavo dia

“[…] olhou para a humildade de sua serva” (Lc 1,48).

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, quantas vezes me torno orgulhoso, vaidoso, confiante nas coisas que passam. Tudo isso pode ocupar o lugar de Deus em meu coração. Maria, livrai-me desta tentação de trocar Deus pelas coisas da terra e descuidar da casa d’Ele em mim. Bondosa Mãe, socorrei-me com a graça de Jesus.

  • Boa obra: ouvir e conversar, bondosamente, com um idoso ou uma pessoa difícil.

Assista também: A devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

 

Nono dia

“Maria, porém, guardava todas as coisas, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19).

Quantas vezes, ó Maria, meu coração fica triste, atribulado, cheio de dúvidas e angustiado. Isso acontece, porque não me recolho no silêncio da oração nem procuro ver o que Deus quer de mim. Não sei escutar o Senhor. Maria, peço-vos a graça de acreditar que Deus me ama sempre, mesmo na dor.

  • Boa obra: passar o dia alegre e não se aborrecer.
  •  

Fonte: cancaonova.com

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.



publicado por Luso-brasileiro às 11:14
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ALEXANDRE ZABOT - A IGREJA NÃO PRECISA DA CIÊNCIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alexandre Zabot

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Padre Lemaître, cientista de fama mundial e criador da teoria do Big Bang, respondendo se a ciência é necessária à Igreja afirmou: “Certamente que não, a cruz e o evangelho bastam-lhe. Mas ao cristão nada de humano é alheio. Como poderia a Igreja desinteressar-se da mais nobre das ocupações estritamente humanas: a busca da verdade?” Nesta colocação simples, mas profunda, o sábio jesuíta coloca, como se diz, “os pingos nos is”. Num mundo dominado pela doutrina materialista, e seu filho mais “nobre”, o cientificismo, muitos são levados a sacrificar dogmas de fé em nome de uma suposta busca de harmonia entre ciência e fé.

Cristo fundou a Igreja Católica para anunciar a boa nova da salvação. Esta é sua missão. Mas como bem lembra o padre Lemaître, o bom cristão não pode ficar alheio às coisas do mundo. A ciência é uma forma de resposta ao anseio da busca da verdade, que se revela pela glória do Criador manisfestada na criação. Este desejo foi colocado por Deus no coração do homem. Sendo assim, muito interessa à Igreja, e aos cristãos em especial, a ciência. Entretanto, esta não lhe é necessária. É um algo mais, um instrumento útil, mas não lhe faz parte da base. Nosso amado João Paulo II explicou isso dizendo que “A ciência pode purificar a religião do erro e da superstição. A religião pode purificar a ciência da idolatria e do falso absolutismo”.

Quão inspiradoras as palavras do papa! Se no passado a ciência ajudou a eliminar qualquer traço de misticismo da religião, hoje é a ciência que precisa da religião para se livrar da “idolatria e do falso absolutismo” do cientificismo. Esta doutrina filosófica se mascara de verdade científica e tenta fazer-nos crer que o universo é regido e organizado unicamente por leis físicas e acaso. Não há propósito na criação. Ora, isso é instrumento da ciência, faz parte das hipóteses que a ciência, como método, assume para poder investigar a natureza. Mantendo isto como hipótese de trabalho, como método, não há problema. Entretanto, de forma alguma, isto pode ser estendido para doutrina filosófica, como fazem os cientificistas. Eles, em uma atitude anticientífica, assumem esta postura e negam qualquer direito de posição contrária. Quem se opõe, e muitos cientistas o fazem, é taxado de ignorante, fanático ou fundamentalista.

O que pode ser mais danoso do que um ateu cientificista? Um religioso cientificista! Em busca de tentar harmonizar estas doutrinas materialistas com a fé, algo impossível, abdica-se de dogmas fundamentais. De maneira geral, argumenta-se que não há necessidade de propósito para entender a natureza. Assume-se que Deus fez o universo e suas leis no início dos tempos e, depois, deixou que ele seguisse seus rumos. Previamente pensados e queridos por Ele. Isolar Deus na origem de tudo, deixando o universo seguir só, é uma maneira fácil de evitar qualquer choque entre o cientificismo e a nossa fé. Entretanto, como bem argumenta o cardeal Dulles, não é consistente com a doutrina cristã. Segundo ele, se Deus atuou na história com profetas, se enviou seu Filho para morrer por nós, se o ressuscitou no terceiro dia e realiza tantos milagres até hoje, esta posição não pode ser cristã. De fato, como lembra o cardeal, esta filosofia não é nova. Se chama Deísmo e já foi condenada pela Igreja há muitos séculos.

Atualmente, a postura Deísta é muito comum para tentar conciliar a fé com o darwinismo materialista. A teoria da evolução não é um problema para a fé cristã, mas interpretá-la conforme o deísmo é, pois, como ensina a Igreja, há propósito na criação e Deus atua na história do universo. De modo geral, o que é importante é que fique claro para todo cristão que a ciência é um método para investigar a natureza. Ela não é, em si, uma doutrina filosófica. Quem tenta convencer os outros disto, ou não sabe nada sobre filosofia da ciência, ou está agindo de má fé. Até mesmo cientistas ateus, sérios, não extrapolam as capacidades da ciência. Richard Feynmann, ganhador do Nobel em Física, dizia que a ciência é como observar uma partida de xadrez. “Não conhecemos as regras, e tudo que podemos fazer é observá-la. É claro que, se insistirmos na observação, acabaremos captando algumas das regras, e estas formam a física fundamental”. Mas acaba aí o papel da ciência, que se limita a observar e entender as regras.

A missão da Igreja não é científica, e portanto não precisa dela. Entretanto, reconhece nela um meio de vislumbrar as maravilhas do Criador e, por isso, caminho válido para a busca da verdade. O uso do método científico como filosofia, junto com a filosofia materialista, porém, é considerado grave erro pela Igreja. Os católicos e os cientistas que têm fé devem unir-se contra o monopólio cientificista da verdade, para o bem da própria humanidade.

 

 

Escrito em 11/2008

 

 

 

ALEXANDRE ZABOT   -    Fisico. Doutorado em Astrofisica. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina.   www.alexandrezabot.blogspot.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:03
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PAULO R. LABEGALINI - PRECISAMOS SERVIR COM O CORAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

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Existiu um ferreiro que, depois de uma juventude cheia de excessos, decidiu entregar sua alma a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas, apesar de toda dedicação, nada mais dava certo em sua vida; muito pelo contrário, seus problemas acumulavam-se cada vez mais.

Numa bela tarde, um amigo que o visitava, comentou: ‘É realmente muito estranho que, justamente depois de você se tornar um homem temente a Deus, sua vida começar a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas, apesar de toda sua crença, nada tem melhorado!’

O ferreiro já havia pensado nisso muitas vezes e, agora, acreditava saber a resposta. Começou, então, a falar:

‘Nesta oficina, eu recebo o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isso é feito? Primeiro, eu aqueço a chapa de aço num calor infernal até que fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado que tenho e aplico vários golpes até que a peça adquira a forma desejada. Depois, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche de vapor. E ainda tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita – uma vez apenas não é o suficiente!’

O ferreiro deu uma pausa, e continuou: ‘Às vezes, o aço que chega às minhas mãos não consegue aguentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras; e como jamais se transformará numa boa lâmina de espada, eu simplesmente o coloco no monte de ferro velho que você viu na entrada da minha ferraria.’

Mais uma pausa, e o ferreiro concluiu: ‘Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições e tenho aceitado as marteladas que a vida me dá. Às vezes, sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço, mas a única coisa que peço é o seguinte: Meu Deus, não desista até que eu consiga tomar a forma que o Senhor deseja. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser, mas jamais me coloque no monte de ferro velho das almas.’

Que história bonita, não? Quantas pessoas já passaram por isso e, por confiarem na Providência Divina, se transformaram em ótimas ‘lâminas de aço’! – leia o Livro de Jó na Bíblia Sagrada. Outros, por desistirem de servir a Deus com o coração à frente, estão cheios de rachaduras, esperando o pior acontecer.

Portanto, não há meio termo. Ou servimos a Deus ou servimos o diabo! E, para não deixar a impressão de que quem trabalha para Deus sofre como aço de espada e não recebe nada em troca, eis uma outra história interessante:

Numa noite, um homem estava dormindo em sua cabana quando, de repente, seu quarto ficou cheio de luz... e Deus lhe apareceu. O Senhor, então, mostrou uma grande rocha na estrada e explicou-lhe que deveria empurrar a rocha com toda a sua força, dia após dia.

E o homem assim o fez por muitos anos. Ele pelejou de sol a sol com seus ombros escorados na fria superfície da rocha imóvel, empurrando-a com toda a sua força. A cada noite, retornava aborrecido à sua cabana, sentindo que havia gasto todo o seu dia em vão.

E desde que o homem mostrou-se desencorajado, Satanás decidiu entrar em cena, colocando estes maus pensamentos em sua mente: ‘Você tem empurrado essa rocha por tanto tempo e ela ainda nem sequer se moveu? Desista!’ Isso dava ao homem a impressão de que a sua tarefa era impossível e que ele era um verdadeiro fracasso.

Assim, pensou em manter apenas o mínimo esforço na tarefa, mas, como era muito temente a Deus, resolveu rezar. E, ele disse: ‘Senhor, eu tenho trabalhado duro por muito tempo a Teu serviço, colocando toda a minha força para fazer aquilo que me mandou, entretanto, não consegui mover a rocha por nem um milímetro! O que está errado? Onde eu tenho falhado?’

O Senhor lhe respondeu com compaixão: ‘Meu filho, quando pedi que me servisse e você aceitou, eu disse que sua tarefa seria empurrar a rocha com toda a sua força, e é o que você tem feito. Eu nunca sequer mencionei que esperava que você a movesse; agora, você vem a mim, após todo o seu esforço, dizendo que falhou? Será isso realmente verdade?’

E continuou: ‘Olhe para si mesmo. Seus braços estão fortes e sadios, suas costas estão enrijecidas e bronzeadas, suas mãos estão calejadas pela pressão constante, suas pernas se tornaram musculosas e firmes. Você cresceu muito em saúde e agora suas habilidades superam o que você era antes! Apenas não moveu a rocha, mas seu chamado foi para ser obediente, exercitando sua fé e confiança na minha vontade, e isso você fez. De hoje em diante, meu bom amigo, eu mesmo moverei a rocha sempre que você precisar.’

Pois é, quase sempre, o que Deus deseja de nós é apenas um pouco mais de obediência e, em troca, passamos a ter crédito com Ele. Que ótimo ‘negócio’ poderemos fazer!

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



publicado por Luso-brasileiro às 10:39
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O HOMEM É SEMPRE O MESMO...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dizia em alta voz, Senhora, no salão de chá, de famosa confeitaria:         “ - No meu tempo não havia tanta desvergonha!”

Como ela, todos somos tentados a dizer o mesmo. Parece-nos – talvez porque presenciávamos com olhos inocentes de criança, – que a coletividade de outrora, era bem melhor.

Tirante a violência, que recrudesceu na via publica – que uns afirmam ser devido à miséria; e outros, à perda de fé e valores cívicos, – a sociedade pouco evoluiu.

No meu tempo de menino, dizia-se: A falta de civismo era resultado da fraca escolaridade da população.

Asseverava-se, com ênfase, que a educação – queria dizer: ensino, – resolveria todos ou quase todos, os males que afligiam a humanidade.

Estavam redondamente enganados! …

Agora, todos ou quase todos, estudam. Muitos cursam o ensino superior, e saem das Universidades, licenciados, como cerejas de um cesto.

E nem por isso os povos ficaram mais evoluídos…

Além de desvarios inclassificáveis, e insegurança constante: as guerras, são cada vez mais refinadas; a corrupção campeia por toda a parte, assim como a falta de escrúpulos e bandalheira…

Salvo raro e honrosas exceções, a classe politica, olha apenas para seus interesses, e não pelos interesses dos que os elegeram. Apesar do povo estar realmente mais culto, continua a não diferenciar: políticos honestos e desonestos. Qualquer papagaio palrador, o engana.

É verdade que a ciência evoluiu. Não tanto como se diz. A medicina ainda não resolve doenças que afligem a humanidade, e a sapiência de muitos clínicos, não passam de palavras… e mais palavras… apenas palavras…

0 Homem, continua o mesmo. Pouco difere do das cavernas. Basta criar-se ambiente favorável, para emergirem sentimentos animalescos.

Só há um meio, infalível, de melhorar o Homem: inculcar-lhe os ensinamentos de Jesus.

Se o Novo Testamento, fosse lido e relido; ensinado nas escolas; seguido como manual de conduta e educação; o mundo seria bem melhor.

Infelizmente, expulsaram Cristo de Escola…Apenas O deixam entrar nas prisões…Se fizessem o contrário, não haveria, certamente, tantos criminosos…

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:31
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EUCLIDES CAVACO - COIMBRA ETERNA CIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Após as celebrações do 10 de Junho, brindo-vos com este poema recitado dedicado à nossa eterna cidade de Coimbra. Ouça e veja neste magnífico vídeo executado pelo nosso talentoso amigo Afonso Brandão.

 



https://www.youtube.com/watch?v=oyF49p3N2bQ&feature=youtu.be

 

 

Desejos dum agradável fim de semana.
Fraterno abraço



 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

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NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

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Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

 

 

 

 

 

 

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HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confisões.



https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opcoes 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 10:03
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Sexta-feira, 14 de Junho de 2019
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - FESTEJOS JUNINOS TAMBÉM MANTÉM VIVAS AS TRADIÇÕES DO POVO BRASILEIRO.

 

 

 

 

 

 

 

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A tecnologia e a própria ciência têm perigosamente tornado o homem vulnerável na perda da sua identidade e do seu real papel dentro dos grupos a que pertence, colaborando para com esse quadro, a ausência na transmissão de princípios culturais pelos meios de comunicação em massa, já que os processos de divulgação são mais diretos e o próprio homem menos participante da coletividade e menos solidário com o próximo.

Além destes fatores que contribuem para a inexistência do espírito comunitário, somam-se outros como o consumismo desenfreado, a alienação e massificação dominantes. Tais aspectos têm colaborado decisivamente com a gradativa perda de nosso patrimônio cultural, tornando cada vez menores as demonstrações de nossos costumes, tradições e folclore.

Estamos em junho e tão ou mais populares do que o carnaval, na zona rural do Nordeste, as festas para Santo Antônio, São João e São Pedro, praticamente sumiram do mapa nas cidades grandes e o que ocorre ainda, como em Jundiaí, São Paulo (Brasil) nos pátios das igrejas e escolas, em alguns quintais de casas da periferia e sítios e chácaras, constituem um arremedo das comemorações trazidas ao Brasil pelos portugueses.

Na região nordestina, elas coincidem com a época em que se quebram as espigas de milho, ou seja, o tempo da colheita, do frio e o início do ano agrícola. É quando os moradores do campo acreditam precisar mais de proteção, para evitar a influência dos espíritos do mal e para espantá-los, soltam bombas e rojões.

Efetivamente, o ciclo junino, urbanizando-se, vem perdendo a sua originalidade, apesar de se vislumbrarem alguns pequenos focos de resistência e nesta trilha, outras ricas manifestações populares também se reduziram de forma significativa, dependentes de poucos entusiastas ou idealistas que procuram mantê-las a qualquer custo.

 

As celebrações juninas somam hoje, contribuições eruditas de vários povos que aqui se estabeleceram com o passar do tempo, embora cada vez mais escassas. O momento se mostra bastante oportuno para refletirmos: o Brasil é um país muito rico em termos culturais, mas é de fundamental importância conhecê-los, para poder compor a identidade de nosso povo. É através destas manifestações folclóricas como

os festejos de junho que mantemos vivas as tradições e costumes do povo brasileiro, preservando deste modo, sua história para futuras gerações, constituindo-se ainda numa questão de cidadania. Devemos assim comemorá-las e valorizá-las.

 

 

Hoje é o DIA MUNDIAL DO DOADOR DE SANGUE

 

 

 

Criado pela Organização Mundial de Saúde, essa data comemorativa visa difundir nas pessoas a importância de doarem sangue e salvarem a vida dos que dele necessitam, como vítimas de acidentes, mães com complicações durante o parto ou a gravidez, crianças anêmicas e pacientes com câncer, ressaltando-se que em nosso país, a cada dois minutos um ser humano precisa de sangue. Ainda assim, uma das maiores dificuldades é encontrar indivíduos dispostos a doá-lo para suprir a demanda diária dos hospitais pelo tecido. Para reverter essa situação, o melhor caminho, de acordo com a ONU, é investir em educação e infraestrutura e transformar a doação de sangue em uma questão prioritária das políticas nacionais de saúde.

 

 

DIA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO

DA VIOLÊNCIA CONTRA A PESSOA IDOSA

 

 

 

O Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, 15 de junho, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa em 2006, objetiva criar uma consciência mundial, social e política da existência da violência contra a pessoa idosa, e, simultaneamente, disseminar a ideia de não aceitá-la como normal. Por outro lado, o elevado número de agressões registrado exige políticas públicas que assegurem a dignidade a essa faixa da população, suscitando das pessoas de todo o mundo, providências no sentido de respeitá-la em todos os aspectos e circunstâncias.

A questão dos direitos fundamentais do ser humano, relevante por si só, adquire uma nova e inusitada dimensão quando considerada à luz do crescimento demográfico de todo o mundo, pois envolve, em relação à terceira idade, aspectos e peculiaridades que não podemos ignorar. Ela origina exigências de respeito, acatamento, reverência e solidariedade, tão importantes quanto os aspectos materiais e de saúde.

 

 

 

 

 

 JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e   professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas. Atualmente é vice-presidente da AJL (martinelliadv@hotmail.com)

 

 

 

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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - AINDA SOBRE O FILME " ELIZABETH"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Maria Stuart, preferida pelos católicos ingleses à sucessão do trono, era filha do Rei Jaime V, da Escócia, e de uma princesa francesa, da casa de Guise, dos duques soberanos da Lorena. Era sobrinha do Duque de Guise e do Cardeal de Guise, chefes do partido católico na França nos últimos reinados dos Valois. Sua beleza, de acordo com os relatos da época, era deslumbrante. Casou, ainda menina, com Francisco II, rei da França, um dos três reis irmãos Valois mortos sem descendência, e enviuvou aos 17 anos. Retornou então à Escócia, da qual era rainha, e assumiu seu papel num país dividido pelas lutas religiosas. Os clãs das Highlands - com exceção dos oportunistas Campbell e de poucos outros - propendiam para a religião católica, enquanto os das Terras Baixas eram mais simpáticos ao protestantismo, de duas facções rivais, episcopalianos e presbiteranos, as quais também se digladiavam entre si e continuaram a fazê-lo até muito depois.

Na Escócia, Maria casou com Lord Darnley, seu primo, membro como ela do tradicional clã dos Stuarts, a casa real da Escócia, apoiada por numerosos clãs fiéis, entre os quais se destacavam especialmente os Drummonds, aparentados com os Stuarts, já que a primeira rainha da Dinastia Stuart era uma Drummond (Anabela). Os Drummond, nos séculos seguintes, foram sempre fiéis aos seus primos Stuarts e, nas guerras civis do século XVIII perderam praticamente tudo quanto possuíam, títulos e terras.

Quando morreu Eduardo VI, Maria Stuart passou a reivindicar a coroa da Inglaterra e colocou em seu brasão de armas as insígnias heráldicas da Inglaterra. Isso, Elizabeth nunca perdoou à prima. Mais tarde, durante uma revolta de protestantes escoceses, Maria Stuart precisou refugiar-se em território inglês, caindo assim na armadilha de Elizabeth, que a fez prender, julgar e decapitar.

Elizabeth teve um longo reinado, até 1603. Foi calculista, impiedosa, ambiciosa e cruel, muito mais sanguinária que a irmã. Em seu reinado, mais de 40 mil pessoas foram mortas, por motivos religiosos, na sua maioria católicos, mas também protestantes de outras linhas que não a da soberana. As execuções de católicos eram particularmente cruéis. O costume era enforcá-los imperfeitamente, com uma corda curta, de tal modo que, na queda, não se partia a espinha dorsal do condenado. Ele era asfixiado, perdendo os sentidos por asfixia. Então a corda era cortada e o condenado era talhado a machadadas, ainda em vida. Durante seus 45 anos de reinado, foram executadas mais pessoas que em 300 anos de Inquisição Espanhola. Daí os católicos ingleses se referirem a ela como a verdadeira sanguinária.

Elizabeth foi salva pelo fato de a chamada "invencível armada", preparada por Felipe II para invadir a Inglaterra, ter sido dispersa por tempestades e se ter perdido quase completamente. Esse foi um dos muitos lances de sorte que marcaram seu reinado. Ela incentivou a guerra de corso, a pirataria e o mercantilismo. Está nas origens do chamado capitalismo selvagem inglês.

 É meio controvertida sua sexualidade. Passou para a História como "a rainha virgem", porque nunca se casou. O filme idealiza essa circunstância, dando a entender que ela nunca se casou porque preferia conservar sua liberdade a serviço da Inglaterra, sacrificando assim seu verdadeiro amor por um cortesão. Desconfia-se, entretanto, de que ela tinha algum defeito físico que lhe impossibilitava o ato sexual completo, o que não a impedia de ser devassa e ter vários amantes e favoritos, dos quais, talvez, o mais célebre tenha sido Francis Drake. Era, também, muito feia, mas exercia um fascínio misterioso sobre quantos se aproximavam dela. Sua feiura, mas também o seu fascínio, a meu bem foram muito bem representados por Cate Blanchett, graças à maquiagem soberba e ao seu grande talento de atriz.

Paradoxalmente, por não ter filhos, quem sucedeu a Elizabeth foi Jaime VI da Escócia e I da Inglaterra, filho de Maria Stuart. Mais paradoxalmente ainda, Jaime foi o continuador a obra de Elizabeth, distanciando-se de todo da trajetória de sua mãe, que Elizabeth mandara matar. Foi ele quem assinou a tradução oficial da Bíblia em inglês, a célebre King's James Bible, e quem formulou a doutrina do Direito Divino dos Reis, combatida tenazmente por teólogos católicos como São Roberto Belarmino e o Pe. Francisco Suárez. A teoria do Direito Divino dos Reis buscava dar sustentação teológica ao absolutismo régio. Segundo ela, os reis recebiam diretamente de Deus sua autoridade e a mais ninguém precisavam dar contas de seus atos.

Como retrato de costumes e como cenário, os dois filmes dirigidos por Shekhar Kapur (“Elizabeth”, de 1998 e “Elizabeth - the Golden Age”, de 2007) são belíssimos, embora distorçam de muitos pontos de vista a realidade histórica.

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS   -    É licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 

 



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CINTHYA NUNES - ORAI POR NÓS

 

 

 

 

 

 

 

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                Gostaria hoje de escrever sobre temas leves, daqueles que nos distraem e ocupam nosso tempo por alguns minutos. Entretanto, fiquei tão chocada com as notícias que acompanhei nessa semana que me sinto compelida a fazer uma reflexão nesse meu espaço semanal. Como costumo dizer a algumas pessoas próximas, não é porque fechamos os olhos que o mal se intimida. Há enfrentamentos que não podemos evitar.

                Confesso que a cada notícia que acompanho pela imprensa, mais fico perplexa com o alcance da maldade humana, quer ela se volte contra o meio ambiente, contra animais ou contra outras pessoas. Talvez eu seja uma pessoa limitada de percepções, mas simplesmente não consigo compreender como algumas pessoas são capazes de crueldades extremas.

                Chamo atenção daqueles que me acompanham nessa leitura, que por mais surreal que sejam os fatos dos últimos dias, não ganharam da mídia a mesma cobertura ou repercussão da mídia que casos semelhantes tiveram. Acredito que isso se deva ao fato de que não envolve pessoas conhecidas ou de alto poder aquisitivo.

                Uma mãe e sua companheira, ou melhor, sua cúmplice, após terem raptado o filho há alguns anos, retirando-o do pai que tinha sua guarda, castraram o menino em casa, a fim de “transformá-lo” em uma menina e, um ano depois, a facadas, enquanto ele dormia, colocaram fim à vida da criança. Laudos ainda apontam que o menino foi decapitado vivo. Por mais horripilante e inexplicável que essa barbárie seja, o destaque se deu ao fato foi bem pequeno.

                Não sou capaz de imaginar o sofrimento dessa criança que, aos 9 anos, teve sua miserável vida ceifada por aquela que deveria ser a primeira a protege-lo. Não sou especialista ou sequer tenho conhecimento necessário para fazer essa afirmação, mas acredito que se trate de uma pessoa louca ou uma psicopata. Se não pensar assim, tenho que crer no mal encarnado.

                Ainda na mesma semana, uma menina de 16 anos, ingênua por certo, foi até a casa de um rapaz de 17 anos que conheceu em uma festa na cidade de Araraquara-SP, onde ambos moravam. Enquanto a mãe do garoto estava na igreja, ele matou e desmembrou o corpo da jovem, tendo o “cuidado” de fazer isso sob o chuveiro da própria casa. Foi flagrado com a namorada, distribuindo os pedados por locais diferentes. Indagado sobre a motivação, respondeu que queria saber como era a sensação de matar alguém. E assim, colocou fim aos planos e sonhos de uma menina, arruinando também duas famílias.

                O mais assustador é pensar que esses são os casos que chegam ao conhecimento geral, mas que por certo há tantos outros que restam encobertos pelo descaso, clandestinos até na morte. Outro absurdo é a constatação de que a imprensa mais de preocupa em noticiar sobre um suposto estupro envolvendo um jogador de futebol milionário. Não que um estupro não seja um fato abominável, mas estou certa de que qualquer um com um pingo de discernimento consegue entender meu ponto de vista, mesmo que discorde dele.

                Houve um tempo no qual eu imaginava que a humanidade seguia evoluindo, mas há tempos tirei outras conclusões. As pessoas não estão em níveis idênticos, pouco importando a classe social ou intelectual. Não é disso que se trata, mas de algo mais profundo, mais complexo. O homem nem é mais o lobo homem apenas, mas mais do que nunca, o inferno é o outro.

                Dentro da imprevisibilidade do destino, resta-nos orar e vigiar...

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e professora universitária – cinthyanvs@gmail.com



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VAI, ADOLESCENTES...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Vai, adolescente... Mas aonde? O mundo convida mocinhas a tratar as formas do corpo e, em seguida, chegar a Paris.  E os mocinhos a conquistar fama e poder, que lhe possibilitarão brincar com os corpos que “comprarem”. E a família aonde vai?
A música “Vai malandra” torna-se hino de pertencimento a um grupo: “Desce, rebola gostoso/ Empina me olhando/ Te pego de jeito...”
O jornal “Folha de São Paulo”, no mês passado, promoveu o 3º Seminário de Exploração Sexual Infantil, que contou com palestra da ativista antipornografia Gail Dines, professora emérita de sociologia e de estudos de mulheres no Wheelock College, em Boston. É autora de “Pornland: como a pornografia invadiu a nossa sexualidade”.
Dines comentou que há crianças, de 7 a 12 anos, diagnosticadas com compulsão por pornografia e que a internet se tornou a maior fonte de educação sexual para meninos, na qual encontrarão brutalidade. Segundo ela, a forma, como a pornografia molda a cultura, torna-se aceitável que mulheres e crianças vendam seus corpos e dessensibiliza homens para com a dor sofrida por elas. “Capas de revistas, notícias e filmes que tendem a hiperssexualizar o corpo e a postura feminina demonstram como a cultura é moldada para essa indústria”, em sua opinião, e que as mulheres se tornam divididas socialmente entre “invisíveis” e “fuckables (algo como comíveis). Enfatizou, ainda, que não é possível viver numa cultura pornográfica sem ser impactada, citando o funk brasileiro.
Vai, adolescente... Mas aonde? Naquele local ermo de seu bairro. O menino a esperará. Sua chance de estar com ele. Horas depois de “tudo consumado” – às vezes com a violência que ele presenciou em pornografia -, todos já sabem que se tornou “rodada” e ele se afasta.  A menina não sentiu bem-estar algum e fica pensando no que faltou para conseguir segurá-lo? Autoflagela-se com o propósito de que a dor física supere a emocional.
A socióloga elogiou a legislação do Reino Unido que passará a exigir a verificação de idade – com cadastro antecipado - aos usuários de sites de pornografia. É o primeiro projeto de lei, no mundo, contra a indústria pornográfica.
Importante que as famílias e as escolas tenham consciência sobre o efeito funesto 0do acesso à pornografia por crianças e adolescentes e que o vício em pornografia evolui para conteúdo mais violento.

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



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