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Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
CINTHYA NUNES - ÉRAMOS ONZE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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    Lembro-me como se fosse hoje. Estávamos eu e minha irmã Ivy aguardando as notícias, ansiosas em nossos seis anos e meio e quatro e meio, respectivamente. Eis que meu pai chega com um sorriso no rosto e nos anuncia: É menina! Batemos palmas para o fato de que dali em diante seríamos em três irmãs. Deslumbradas, saímos pela vizinhança gritando a boa nova a plenos pulmões. Nascia ali a tríade que até hoje é a nossa força, a nossa união e o resultado do amor de nossos pais.

                Muito tempo se passou desde então, ainda que possa nos parecer poucos segundos atrás. A cena agora é outra. Estou ao lado do telefone, ansiosa pela mensagem que aguardo há algumas horas. Ligo para meus pais e divido a emoção com minha irmã Ivy. Estamos todos esperando por esse momento. Dessa vez já sabemos que é uma menina quem está para chegar. O parto, programado para as 19h do dia 15 do mês de julho. É a Olivia quem estamos aguardando, a filhinha caçula da minha irmã mais nova, Tricya.

                Agora não somos mais crianças, mas nossos corações ainda o são. Da mesma forma como esperávamos pelo instante de ter nossa irmãzinha no colo, ansiamos pela chegada da nossa sobrinha, filha dela. Confiro o celular a cada dois segundos. Meu Deus, será que está tudo bem? Faço mil coisas para distrair minha mente e eis que recebo uma foto. Com o rostinho vermelho, broto da vida, contemplo aquela que há alguns meses era somente uma esperança. Meu coração se enche de afeto. Amor à primeira vista...

                Não foram poucas as vezes nas quais lamentei a passagem do tempo. Quando o fiz, no entanto, não foi por conta dos efeitos do tempo sobre mim, mas pelas ausências que tempo traz. Entretanto, também sou grata ao tempo pelas muitas e maravilhosas pessoas que só pude conhecer porque ele passou. Assim me sinto em relação aos meus sobrinhos, que são como os filhos que não tive. Olivia é mais um desses presentes que decorrem da benção do girar dos ponteiros.

                Cada vez que uma criança escolhe nossa família para nascer, somos agraciados por mais uma leva de gracinhas, de sorrisos que por certo virão. Tudo se renova. Aumentamos em número, em qualidade e em felicidade. Mais uma página do livro do futuro que se abre, pronto para receber as lembranças de uma nova vida.

                Não me cabe predizer como será a existência dela, como aliás não é permitido a ninguém nesse mundo. Posso, porém, desejar que ela tenha uma vida plena, que seja uma pessoa de bom coração e que possa estar sempre segura de que tem uma família que a ama e que a protegerá de tudo que for humanamente possível.

                Há poucas horas eu a conheci pessoalmente. Senti aquele cheiro que só aos bebês é dado ter. Se eu tivesse que adivinhar qual o aroma que a vida tem, eu arriscaria dizer que cheira a bebês limpinhos. Olhei seus pezinhos e mãozinhas, tão frágeis, tão pequenas e tão poderosas. É a força da existência que se renova a cada nascimento. Não sei traduzir em palavras o que senti ao ver na minha sobrinha a imagem da minha irmã, como se as duas fossem o mesmo bebê, como se eu tivesse outra vez seis anos, como se toda a vida estivesse idêntica aos nossos pés.

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e professora universitária – cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 11:43
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CORAÇÃO NA CRUZ

 

 

 

 

 

 

 

 

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Não foi fácil para a mãe o nascimento da filha há quarenta anos. Fez-se primeiro da cruz da solidão. Fortaleceu-se no pulsar do sangue da bebê. Com seu trabalho, como diarista, pagaria a senhora que costumava olhar crianças. Foram seis meses assim até que, em um entardecer, a babá lhe disse que o desconhecido a raptara. Desequilibrou-se na calçada de suas desventuras, após fazer o boletim de ocorrência sem indício algum do destino da pequenina. Fez-se do álcool, das sarjetas, das noites ao relento. Um canto dela infeccionou com as dúvidas. Os dias do aniversário da filha, assombrada pelo passado, consolava-se um pouco ao olhar além do horizonte.
Trinta e poucos anos depois, a moça deu sinal de vida pelas redes sociais. Criada por um casal de outro Estado que não possuía filhos. Localizara as pegadas maternas pelo nome que continha em sua Certidão de Nascimento. Desejava apenas saber quem era sua família biológica, sem a perspectiva de criar laços. Mistério esclarecido: a senhora que cuidava dela a ofertou ao casal que não podia ter filhos e desejava muito uma criança. Naquele tempo, situações como essas não tinham um acompanhamento mais aguçado do entorno. A filha, no entanto, considerou “faz-de-conta” a história da mãee deixou claro que não a perdoava. Fez-se novamente da distância.
Há poucos dias, dez anos depois do reencontro sem encontro, chegou a intimação do Fórum por carta precatória. Era a solicitação para que a mãe assinasse a sua “doação” à família que a criara, com o propósito de que se tornasse oficialmente herdeira. Assinar ou abrir processo contra quem levou sua filha?
Dia 11 de julho, de alma sangrando,assinou pelo bem da filha, que não a considera de maternidade, e dos netos que desconhece.Dores mais fortes em suas entranhas do que as do parto difícil que foi o da nenê, que acontecera na mesma data há 42 anos.  Assinou firme. Assim esteve Maria diante da Cruz de seu Filho, oferecendo-O por todos nós. Mais tarde, postou em seu Facebook: “Hoje, um dia muito triste. Só Deus sabe o porquê, mas vai dar tudo certo, minha filha! Que Deus te proteja sempre”.
Contou-me em prantos. 11 de julho, festa de São Bento. A Cruz Sagrada foi a sua luz, não foi o dragão o seu guia. Grande mãe, de olhar com Céu.

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



publicado por Luso-brasileiro às 11:38
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ALEXANDRE ZABOT - O LIVRE ARBÍTRIO E A MECÂNICA NEWTONIANA

 

 

 

 

 

 

 

Alexandre Zabot

 

 

 

 

 

 

 

 

No passado o estudo da natureza levava o nome de “Filosofia Natural”. A obra prima de Newton, publicada no final do século XVII, levava este nome: Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. A publicação de Newton é um marco já bem sólido da Revolução Científica que começara e se desenvolvera por volta de um século antes com Bacon, Descartes, Copérnico, Galileu entre outros. É interessante relacionar o título da obra de Newton com o período em que ela foi publicada porque foi justamente a Revolução Científica que sagrou a separação entre a Filosofia Natural (que se tornou Ciência) e a Filosofia propriamente dita. Pensando Newton como ápice desta revolução, não é bem curioso que ainda tenha classificado seu trabalho como “Filosofia Natural”? Na verdade não, nem um pouco! A realidade é bem mais colorida do que o preto-e-branco com que a pintamos e Newton é o sujeito ideal para retratar este quadro. Genial, seu trabalho seria o pilar da Física e da Matemática nos próximos 2 séculos. Entretanto, passou a maior parte da sua vida como um alquimista e exegeta, bem longe do que hoje consideramos ciência.

As descobertas de Newton foram a base (e também boa parte da estrutura!) do que na Física é conhecido por “Mecânica”. A Mecânica é o estudo dos movimentos e, principalmente, das suas causas. Ou seja, como e porque um objeto se move. Esta é uma discussão que já vinha desde os pensadores gregos, especialmente Aristóteles. Mas foi Galileu quem começou a grande revolução científica nesta área quando deu o passo inicial descrevendo o movimento de um objeto sob a ação da gravidade da Terra. Depois, Newton propôs suas famosas três leis da Mecânica, que são capazes de explicar e prever o movimento de qualquer corpo. Para isso basta conhecer sua posição e velocidade em um dado instante e também que deste momento em diante sejam conhecidas as forças que atuam sobre ele ao longo de toda sua trajetória. Posteriormente, com a lei da gravitação universal e as três leis de Kepler, o homem passou a ser capaz de explicar todos os movimentos, nos céus e na Terra.

O sucesso destas teorias foi enorme. Tão grande que passou a imperar um sentimento de triunfalismo, uma posição filosófica que ficou conhecida por “determinismo”. Basicamente os deterministas acreditavam que com a nova mecânica era possível (pelo menos em teoria) prever tudo o que aconteceu e acontecerá no Universo. A dificuldade está em conhecer todas as forças que regem nosso mundo e, num dado instante, todas as posições e velocidades de todos os objetos do Universo. Claro que todos sabiam que isto nunca seria alcançado. Mas, na verdade, isso também não importava. O princípio de “poder conhecer” é que era fundamental, pois ele enterrava o livre arbítrio!

O homem deixava de ter liberdade sobre suas próprias decisões, todas elas eram, conforme esta visão, frutos de meras condições físicas que podiam ser previstas pelas leis da natureza. Em outras palavras, você não toma suas próprias decisões, tudo o que você faz já está traçado no livro da natureza, foi determinado desde o início dos tempos. Daí o nome, “determinismo”. Ora, a conclusão óbvia de não ser responsável por suas ações é que você também não pode ser responsabilizado e, portanto, punido.

O corolário continua pois outro personagem relevante que é suplantado pelo determinismo é Deus. Se tudo que acontece aqui neste mundo já está bem determinado e você não é sujeito das suas ações, Deus passa a ter, na melhor das hipóteses, um papel secundário no começo dos tempos, como primeira causa. Posição defendida pelos “deístas”. Claramente uma heresia para os católicos que sempre defenderam que Deus não só cria o mundo, mas o sustenta e age nele através da história. O “cientificismo” (o triunfalismo da ciência, supostamente capaz de explicar tudo) nasce junto com a ciência, é um efeito colateral que tem raiz na soberba de acharmos que somos capazes de conhecer tudo e não precisamos mais de Deus. Temos o conhecimento e somos como deuses. O pecado original se perpetua.

O deterministas, no entanto, jamais poderiam imaginar que a própria física de Sir Isaac Newton iria provar que eles estavam errados. Quem primeiro percebeu isso foi o grande matemático francês Henri Poincaré, no final do século XIX. Ele lançou as bases teóricas do que viria a ser conhecido por “Teoria do Caos”. Poincaré demonstrou que para certas classes de problemas físicos não é possível prever as posições e velocidades dos corpos após um determinado período de tempo. A causa deste comportamento não é difícil de entender. Como falei antes, para prever um movimento precisamos conhecer as leis de força e, num dado instante, a posição e velocidade do objeto. Mas tanto a posição quanto a velocidade precisam ser medidas, e não podemos medi-las com precisão infinita. Ainda que seja possível medir sempre com mais precisão se melhorarmos a técnica, sempre fica uma incerteza. O que Poincaré mostrou é que, por menor que seja esta incerteza, em certos problemas ela se amplia de tal forma depois de um tempo que é impossível prever o que acontecerá dali em diante. Isso acontece, por exemplo, no movimento orbital de mais de dois corpos, como no nosso sistema solar. Também acontece nas previsões meteorológicas ou no simples gotejar de uma torneira. Os deterministas estavam errados, a natureza nos prega peças e usando as próprias leis de Newton é possível mostrar que nem sempre é possível determinar o que acontecerá no futuro.

A verdade é que apesar das pretensões cientificistas, o método científico não tem o poder de compreender toda a realidade. A Ciência é só uma das possíveis leituras que se pode fazer da realidade. Uma leitura muito rica e que já demonstrou ser capaz de coisas incríveis, sem dúvida. Entretanto, querer transformar as conclusões pontuais das teorias, que se aplicam a contextos bem específicos, em conclusões gerais sobre nossa existência é, inexoravelmente, uma atitude que leva ao fracasso. Especialmente porque na Ciência, todas as teorias são transitórias. Mais cedo ou mais tarde, descobre-se que estavam erradas ou incompletas. Aqui eu só mostrei esse processo dentro do próprio escopo da mecânica newtoniana, nem cheguei a falar sobre a mecânica quântica ou a relativística. Nestas duas há muitos outros exemplos de como a natureza não nos permite traçar passo a passo o futuro. Continuamos livres, donos e responsáveis pelas nossas próprias decisões. E Deus, parece que joga mesmo dados com o Universo. Mas essa é outra conversa, precisamos falar sobre Mecânica Quântica.


06/2010

 

 

 

ALEXANDRE ZABOT   -    Fisico. Doutorado em Astrofisica. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina.   www.alexandrezabot.blogspot.com.br

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:31
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PÉRICLES CAPANEMA - RETROCESSO UFANO

 

 

 

 

 

 

 

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O mundo vai assistir, logo adiante, entre 6 e 27 de outubro, às sessões do Sínodo para a Pan-amazônia, que terá como tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. E logo virão seu documento final (cujas linhas gerais, se não a versão última, já estão sendo redigidas enquanto escrevo) e ações consequentes. Tal encontro vem gerando preocupação em meios eclesiásticos, nos quais as mais destacadas manifestações até agora foram as dos cardeais Walter Brandmüller e Gerhard Müller, que qualificaram de herético o documento preparatório, a “Instrumentum Laboris” (instrumento de trabalho), assim como em meios civis, até integrantes do governo brasileiro manifestaram za justo título receio com o rumo do encontro. Tratei a respeito em artigos anteriores, “O non possumus do cardeal alemão”, “Outro cardeal alemão entra na liça” (cfr. periclescapanema.blogspot.com).

 

Ressalto nesta matéria aspectos de especial interesse da “Instrumentum Laboris”. Texto longo, um pouco à maneira dos “cahiers de doléances” por ocasião da Revolução Francesa, 147 parágrafos, de alto a baixo bafeja a bem dizer todas as causas revolucionárias atuais; à vera o desenrolar das afirmações causa horror do começo ao fim. Dito de outro modo, peça de demolição, autodemolição e desagregação.

 

Poderia ser um texto do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) ou da CPT (Comissão Pastoral da Terra), ambos órgãos da CNBB, na prática linhas auxiliares do PT. Tais órgãos e tantos outros de orientação semelhante praticam às escâncaras a opção preferencial pela revolução ▬ no fim das contas, em detrimento dos pobres, pois perpetram diuturnamente agressões às esperanças e aos direitos deles, o mais imediato dos quais é o de crescer, ter condições para melhorar de vida ▬ basta ver Cuba e Venezuela, na rota para o paraíso prometido).

 

Mostro exemplo gritante, a “Instrumentum Laboris” quando fala dos santos e mártires da Igreja Amazônica elenca Chico Mendes entre eles. Deste, afirma a Enciclopédia Latino-Americana: “O líder popular Chico Mendes teve a fortuna de encontrar seu grande mestre, Fernando Euclides Távora, militante comunista. Em 1975, já militando nas comunidades de base – as CEBs – fundou o primeiro sindicato de trabalhadores rurais do Acre. [Foi] dirigente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Partido dos Trabalhadores (PT)”. Um agitador revolucionário, militante petista, entre os vários santos e mártires, a quem devemos venerar, modelo para os católicos. Despencou a essa demagogia desavergonhada o documento da Santa Sé.

 

Muitas vezes a linguagem é vaga, ambígua, sujeita a interpretações várias. Aqui e ali uma afirmação sensata a fazer contraforte com o tom geral revolucionário. Vale aqui regra de ouro da hermenêutica, exposta por Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira em livro sobre a missa de Paulo VI: “Vamos considerar, em tese, o princípio: as passagens obscuras e malsonantes de um documento não o tornam suspeito quando nele há também textos ortodoxos relativos às mesmas questões. A isso cumpre dar uma primeira resposta, de ordem hermenêutica: A) Em princípio, é verdadeira a regra segundo a qual os textos confusos e obscuros de um documento devem ser interpretados pelos claros. B) Mas a regra exige uma distinção: a) é aplicável quando as passagens suspeitas ou heterodoxas ocorrem apenas uma vez ou outra, à maneira de lapso; b) não vale quando as passagens suspeitas ou heterodoxas são numerosas (pois o que ocorre à maneira de lapso é, por natureza, casual e em pequeno número); nessa hipótese, deve-se recorrer a outras regras e a outros meios de interpretação; c) quando, além de numerosas, as passagens confusas, suspeitas e heterodoxas formam, umas com as outras, um sistema de pensamento, a citada regra de interpretação não vale, mas se aplica a regra oposta:  é mister então perguntar se não são os textos ortodoxos que devem ser interpretados à luz dos confusos, suspeitos e heterodoxos. O que ocorre à maneira de lapso não costuma ser frequente, e sobretudo não pode constituir sistema”. Não estamos diante de lapsos, fazemos frente a um sistema de pensamento, que impulsiona um movimento.

 

Enquanto lia a “Instrumentum Laboris” chocava-me de maneira particular o ataque ao progresso moderno e a glorificação idílica, romântica, descolada da realidade, da vida primitiva e dos parcos recursos indígenas. (“Como recuperar o território amazônico, resgatá-lo da degradação neocolonialista e devolver-lhe seu bem-estar saudável e autêntico?”). Passava-me pela cabeça uma frase que ouvi na infância: o diabo não dá o que promete. Já não está na moda o progresso, a ciência. Agora as mais extremadas correntes revolucionárias empurram de forma ufana para a vida primitiva, para a regressão e o atraso. Para tais correntes, decisivas na elaboração da “Instrumentum Laboris”, como tresanda a naftalina o mote, viçoso nos anos sessenta, do pontificado de Paulo VI: “o novo nome da paz é desenvolvimento”.

 

Extratos da “Instrumentum Laboris”, catados aqui e ali do amazônico texto. “O cuidado da vida supõe oposição a uma visão insaciável do crescimento ilimitado, da idolatria do dinheiro. Somos parte da natureza porque somos água, terra e vida. A terra tem sangue e está sangrando, as multinacionais cortaram as veias de nossa Mãe Terra. A selva não é um recurso para explorar, é um ser. [Na Amazônia] tudo é compartilhado, os espaços particulares – típicos da modernidade – são mínimos”. E vai por aí afora.

 

Só tem um problema. Nada mais impopular para a imensíssima maioria dos índios que querer mantê-los no primitivismo. Índio quer eletricidade, posto de saúde, escola, estrada. Crescer na vida. O programa revolucionário para os índios, excludente e isolacionista, um elitismo às avessas, esbofeteia seu impulso de inclusão, de melhorar, de ter acesso aos avanços civilizatórios.

 

Em livro publicado meses atrás, “Brigo pelos homens atrofiados”, um conto, sob o pseudônimo Zeca Patafufo, tratei de tais objetivos ▬ que agora vejo estampados em vários parágrafos da “Instrumentum Laboris” ▬, bem como de sua impopularidade entre os pobres. No referido conto pontificava o revolucionário Al Zuretta: “O Abu nunca entenderá que caducou a narrativa iluminista. E também está desvalorizada a narrativa modernista”. — Aí, arrematou: — “O Abu inda tem na cabeça, devemos ser construtores; patacoada. A ideologia do progresso contínuo e inelutável é o pior ópio do povo. Demora não e desfaremos as obsessões pela produtividade e empreendedorismo; é retrocesso patente o tal direito ao desenvolvimento. As aspirações e direitos são históricos; nascem, espigam e para um bocado deles, feitos anacrônicos, chega a hora de morrer. Estamos no caso. O revolucionário agora é o decrescimento, a dissociação social contestadora, a reinserção do homem na natureza enquanto parte e não senhor dela. Bandeiras com amanhã: decrescimento, ecologia, igualdade social, diversidade — a nossa, não a deles —, ideologia dos gêneros”. Aí levantou conformes: — “Tem uns poréns: a elas, às bandeiras, sobretudo à do decrescimento, falta magnetismo. As multidões detestam o minguamento, aspiram ao contrário, subir na vida. E ao povo repugnam também as exigências radicais dos naturebas, igualdade social, sexos indiferenciados. É duro mudar mentalidades; enquanto não as mudarmos, nosso programa permanecerá utópico” Utopia devastadora, prestigiada nos mais regressivos círculos revolucionários, em outubro próximo atroando ufana, se não for denunciada, salas vaticanas de alto luxo. Que São Pedro nos proteja.

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:25
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FELIPE AQUINO - O MARTÍRIO DAS CARMELITAS NA REVOLUÇÃO FRANCESA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A escritora Gertrud von le Fort mostrou em seu livro A ÚLTIMA AO CADAFALSO, por meio de recursos literários, o quão perversa e sanguinária foi a Revolução Francesa (1789) que nada teve de “Igualdade, liberdade e fraternidade”, como se propaga, mas foi a encarnação diabólica do mal na França, especialmente contra a Igreja Católica.O texto abaixo, faz parte da narrativa que, baseada em fatos reais, mostra o assassinato covarde e revoltante de 16 irmãs carmelitas de Compiègne, na guilhotina, acusadas maldosamente de serem “subversivas” e inimigas da Revolução. Como, se eram enclausuradas? Foi o ódio de Satanás contra aquelas que ofereciam a Deus a sua vida para aplacar a cólera de Deus na França.

Esta obra de uma forma geral, por meio da trama que se desenrola para explicar o que aconteceu com Carmelitas de Compiègne, nos ajuda a compreender profundamente o contexto da Revolução Francesa e o quanto foi cruel.

 

 

 

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Leia tambémOs Quatro “Nãos” da história

Hoje a Igreja recorda 16 carmelitas mártires decapitadas na Revolução Francesa

O que pensar sobre a intolerância religiosa?

 

 

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Leia este pequeno trecho:

 

 

“São cerca de oito horas da tarde. É verão e o céu ainda está claro. A multidão comprime-se em volta da guilhotina, erguida no centro da antiga Place du Thrône, atual Barriére de Vincennes. Junto dos degraus que conduzem ao cadafalso, o carrasco, Charles-Henri Sanson, espera respeitosamente de pé, flanqueado por dois ajudantes. O calor é opressivo, e em toda a praça reina um odor mefítico de sangue. Vindos da cidade, despontam os carroções. Hoje são dois, e vêm bastante cheios: ao todo, serão quarenta vítimas. Recebem-nas as exclamações e ameaças habituais, mas o barulho logo se abafa em murmúrios de espanto. Acontece que, entre os condenados, se veem diversas mulheres de capa branca: são as dezesseis carmelitas do convento de Compiègne, Ao contrário dos seus companheiros de infortúnio, não deixam pender a cabeça nem choram ou gritam; trazem o rosto erguido, e a linha firme do corpo é sublinhada pelas mãos amarradas às costas. E cantam: aos ouvidos de todos, ressoam as notas quase esquecidas da Salve Rainha em latim e do Te Deum. Até para o mais empedernido dos basbaques presentes, é um espetáculo inaudito.

Quando os carroções param ao pé do cadafalso, o burburinho faz-se silêncio absoluto. Até essas mulheres histéricas, as chamadas “fúrias da guilhotina”, que sempre estão na primeira fila dos espectadores, emudecem.

As primeiras a descer são as carmelitas. Uma delas, a priora, Madre Teresa de Santo Agostinho, aproxima-se do carrasco e pede-lhe que lhes conceda uns minutos para poderem renovar os seus votos e que a deixe ser a última a sofrer a execução, para que possa animar cada uma das suas filhas até o fim. Sanson, o carrasco, alma delicada, concorda de bom grado.

Todas juntas, cantam o Veni Creator Spiritus. A seguir, renovam os seus votos religiosos. Enquanto rezam, uma voz de mulher sussurra na multidão: “Essas boas almas, vejam se não parecem anjos! Pela minha fé, se essas mulheres não forem diretas ao paraíso, é porque o paraíso não existe!…”

A priora recua até a base da escada. Tem nas mãos uma estatueta de cerâmica da Virgem Maria com o Menino Jesus ao colo. A primeira a ser chamada, a mais jovem de todas, é a noviça Constança. Ajoelha-se diante da Madre e pede-lhe a bênção. Segundo uma testemunha, ter-se-ia também acusado nesse momento de não haver terminado o ofício do dia.

Com um sorriso, a Madre diz-lhe: “Vai, minha filha, confiança! Acabarás de rezá-Io no Céu”…, e dá-lhe a beijar a imagem. Constança sobe rapidamente os degraus, entoando o salmo Laudate Dominum omnes gentes, “Louvai o Senhor, todos os povos”. “Ia alegre, como se se dirigisse para uma festa”. O carrasco e seus ajudantes, com gesto profissional, dispõem-na debaixo da guilhotina. Ouve-se o golpe surdo do contrapeso, o ruído seco da lâmina que cai, o baque da cabeça recolhida num saco de couro. Sem solução de continuidade, o corpo é lançado ao carroção funerário.

Uma por uma, as freiras ajoelham-se diante da priora e pedem-lhe a bênção e permissão para morrer. Cantam o hino iniciado por Constança. Quando chega a vez da Irmã de Jesus Crucificado, que tem 78 anos, os jovens ajudantes do carrasco têm de descer para ajudá-la a vencer os degraus. Ela diz-lhes afavelmente: “Meus amigos, eu vos perdoo de todo o coração, tal como desejo que Deus me perdoe”.

 

 

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Ouça também: Curiosidades sobre a Revolução Francesa

 

 

 

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Só falta a Madre. Com gesto simples e firme, beija a estatuinha e confia-a a primeira pessoa que tem ao lado*. Tem 41 anos, um rosto expressivo, nem muito bonito nem feio; o porte é, mais do que altivo, descontraído. Os olhos castanhos, sofridos, mas irradiando bondade, procuram os do Pe. Lamarche, que as confessara no dia anterior na prisão e que se encontra entre a multidão. Como quem tem pressa em concluir uma tarefa urgente, sobe por sua vez os degraus.

Agora tudo terminou. Pode-se cortar o silêncio como se fosse um queijo. Muitos dos assistentes choram baixinho. Anos mais tarde, encontrar-se-ão – registrados em cartas pessoais, diários íntimos e memoriais – os ecos da emoção que experimentaram e dos efeitos que ela lhes causou: muitos sentiram a necessidade de mudar de vida, de retomar a prática dos sacramentos, um ou outro de ingressar num convento… Um deles, um menino que presenciara a cena das janelas de um prédio situado em frente da guilhotina, guardou dela uma impressão tão profunda que, anos mais tarde, quando fazia o serviço militar, carregava sempre consigo as obras de Santa Teresa de Ávila e acabou por fazer-se sacerdote. “O amor vence sempre”, costumava dizer a Madre priora; “o amor vence tudo”.

(*) Essa imagem foi devolvida mais tarde à Ordem e encontra-se hoje no Carmelo de Compiègne, novamente fundado em 1867.

Os corpos foram levados às pressas para o antigo convento dos agostinianos do Faubourg de Picpus. Lá foram lançados na fossa comum e cobertos de cal viva. Hoje há ali um gramado cercado de ciprestes, com uma simples cruz de ferro. É um lugar de silêncio e oração.

Na capelinha anexa a esse cemitério, há uma lápide que traz o nome das dezesseis mártires beatificadas em 27 de maio de 1906 por São Pio X.

 

 

 

 

FELIPE AQUINO - Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:00
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PAULO R. LABEGALINI - UM EXCELENTE NEGÓCIO PARA VOCÊ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Não custa nada darmos boas dicas de negócios aos amigos, não é mesmo? Quando isso acontece, além de os ajudarmos a lucrar um pouco mais, preservamos algumas amizades e uma boa imagem pessoal, com certeza. Mas, qual seria o melhor conselho que poderíamos dar a quem é muito desconfiado, não concorda em pagar comissão e também não quer correr riscos desnecessários?

Eu conheço um negócio cem por cento garantido, aliás, um verdadeiro tesouro! É a aquisição de uma propriedade, cujo dono é riquíssimo e, tamanha a sua generosidade, nem faz questão de dinheiro. Se provarmos a ele que somos obedientes aos seus ensinamentos, ganharemos um lote do seu reino sem desembolsar nenhum tostão! E, ainda, este investimento está ao alcance de todos!

Você já deve estar imaginando que só é possível isso tudo ser verdade se a propriedade for o Céu e o dono for Deus. E, sabendo disso, agora posso dizer-lhe que é o melhor negócio do mundo, pois não há chance de sermos enganados confiando nesta milenar promessa: “Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furam nem roubam” (Mt 6,20).

Eu fico muito feliz quando penso que a minha fé cresce a cada dia e, com ela, aumenta a certeza de que vale a pena procurar viver em espírito de santidade aqui na Terra. Quem assim o faz, além das graças que recebe no dia-a-dia, será recompensado com uma vida de felicidade eterna – junto aos anjos e santos do Paraíso (Mc 10,30).

Se todos pensassem assim, não seria necessário contar esta história – que retrata a maldade que existe no mundo:

Era uma vez uma cobra perseguindo um vaga-lume que vivia a brilhar. Ele sempre fugia rápido com medo da feroz predadora, mas a cobra nem pensava em desistir. Um dia, já sem forças, o vaga-lume parou e disse à cobra: ‘Antes de me comer, posso lhe fazer uma pergunta?’ Mais do que depressa a serpente concordou, preparando-se para dar o bote. E o pobre vaga-lume perguntou: ‘Se não pertenço à sua cadeia alimentar e nunca lhe fiz nenhum mal, por que insiste em me comer?’ A resposta já estava na ponta da língua da cobra: ‘Porque não suporto mais o seu brilho.’

Eu imagino que muita gente agora, lendo este conto, deve estar se lembrando de ‘cobras’ e ‘vaga-lumes’ soltos pela cidade. Mas não adianta caracterizarmos os personagens da história sem nada fazermos para ajudá-los, não acha? Uma ‘cobra’ também pode chegar ao Céu se a perdoarmos, se rezarmos pela sua conversão e se ela própria aceitar as oportunidades que lhe dermos para melhorar. Será que alguém que não concorda em estender a mão aos ‘predadores de cristãos’ também não foi ‘cobra’ um dia?

Por outro lado, eis um relato de alguém que merece ser imitado:

A história é de um fazendeiro muito bem sucedido que, ano após ano, ganhava o troféu ‘Milho Gigante’ na feira de agricultura do município. Ele sempre entrava no concurso com seu formoso milho nas mãos e saía com uma faixa azul de vencedor no peito.

Numa dessas ocasiões, um repórter de jornal ficou intrigado com esta informação dada pelo entrevistado sobre como costumava cultivar seu qualificado e valioso produto: ‘Eu compartilho a semente do meu milho com os vizinhos!’ Então, o repórter lhe perguntou: ‘O que o leva distribuir sua melhor semente aos seus vizinhos, quando eles estão competindo com o seu milho gigante a cada ano?’

O fazendeiro sorriu por um instante e respondeu: ‘Você não sabe? O vento apanha o pólen do milho maduro e o leva de campo em campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade do meu milho! Portanto, se eu quiser cultivar milho bom, tenho que ajudar meus vizinhos a cultivá-los também.’

Assim é a nossa vida: se quisermos ter paz, devemos colaborar para que o próximo a tenha em abundância, caso contrário, o nosso bem-estar será instável e sujeito a muitas decepções. Mas é preciso muita humildade para deixar de ser ‘cobra’ e compartilhar a boa semente com os vizinhos.

Lembre-se que Jesus Cristo nos fala no Evangelho de Mateus (Mt 24,44): “Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá.” E sabemos que quando isso acontecer, quem tiver feito bons negócios será muito bem recompensado.

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



publicado por Luso-brasileiro às 10:53
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - O LAVRADOR, E O FILHO DOUTOR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando era moço, muitas vezes ouvi contar a velha história ou anedota, do transmontano, que mandara o filho, estudar, para Coimbra.

Andava, o homem, radiante. Inchado como pavão, e sempre que botava “faladura”, dizia, com a boca cheia de risos: - “ Meu filho estuda em Coimbra, para doutor! …”

Mensalmente, sem falta, mandava-lhe a mesada, e este, também, mensalmente, respondia-lhe contando aventuras coimbrãs.

Certa tarde, após o almoço, estando no soto, a jogar a bisca, com amigos, ergueu o grosso copo de vidro, cheio de vinho carrascão, e disse de semblante sombrio:

- “Estou preocupadíssimo…Meu filho, doutor, deve estar doente…Há meses que não recebo notícias, apesar de lhe enviar sempre a mesada! …”

Um dos amigos, mais astuto, que ouvira suas falas, imediatamente o aconselhou:

- “Queres saber novas do rapaz?! É fácil: escreve-lhe, dizendo: junto seguem cem escudos, para despesas extraordinárias; mas, “ esquece” de os incluir…Verás que a resposta não demorará…”

E assim foi. Em breve chegou missiva afetuosa, esclarecendo, que a nota não chegara…

Ao recordar a história do agricultor, sempre me lembro dos amigos, que ao longo da vida, fui conhecendo.

Nunca têm tempo para me telefonar; mas, quando precisam de alguma coisa, em que lhes posso ser-lhes útil, logo ligam, pedindo isto e aquilo.

Outrora ficava triste, com a ingratidão, mormente, quando recebido o favor, acrescentavam: - “Qualquer dia havemos de tomar café juntos…” Dia, que ficava para as calendas gregas….

Antigamente, a ingratidão, perturbava-me; agora, é motivo de alegria.

Digo: alegria, porque é sinal que se encontram bem, e que não precisam de mim, para nada.

Habituei-me á ingratidão e à indiferença; mas, lembro com tristeza: se viesse, porventura, a precisar, poderia contar, com eles? …

É dúvida que me fica a bailar na mente, cuja resposta não quero conhecer; é sinal, que também, não preciso deles, para nada…

 

 

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:45
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EUCLIDES CAVACO - DELICADEZA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Estamos a perder cada vez mais o nobre gesto da Delicadeza.Veja e ouça este meu queixume poético neste magnífico video
talentosamente elaborado pelo nosso amigo Afonso Brandão.
 
 
 


https://www.youtube.com/watch?v=Wyl3MNxPbrM&feature=youtu.be
 
 
 
 
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

***

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

 

 

 

 

 

 

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HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confisões.



https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opcoes 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 10:38
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Sexta-feira, 12 de Julho de 2019
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - IMPORTANTES COMEMORAÇÕES NESTA SEMANA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Variadas comemorações marcam essa semana, algumas meramente alegres e descompromissadas, outras manifestamente reflexivas, mas todas evidenciam aspectos importantes à convivência humana, reverenciando profissionais, direitos fundamentais, preservação da natureza, solidariedade e o tão necessário cultivo da amizade entre as pessoas.

 

 

       DIA DA LIBERDADE DE PENSAMENTO

 

 

Celebra-se a 14 de julho, o Dia da Liberdade de Pensamento, concepção que se revela num dos principais alicerces do regime democrático. É tida como a maior conquista da história contemporânea, desde que foi expressamente disposta na Declaração dos Direitos Humanos proclamada pela ONU. Entretanto, ela não é absoluta. Com efeito, na esfera mental, o pensamento é irrestrito, sendo considerado uma virtude vinda de Deus, posto que produzido no âmbito mais íntimo e recôndito do homem, origina-se independente e supremo. A sua exteriorização, no entanto, deve-se pautar no respeito aos cidadãos em geral, já que o Estado também viabiliza outras garantias primordiais e consagradas pelo texto constitucional, como as relativas à personalidade, notadamente a privacidade e a honra, cuja ofensa pode gerar a incidência e infrações penais, bem como a sujeição a indenizações por danos morais e materiais.

 

 

DIA DO COMERCIANTE

 

 

O Dia do Comerciante no Brasil, 16 de julho, surgiu em 1953 em homenagem a data de nascimento de José Maria da Silva Lisboa, mais conhecido por Visconde de Cairu, o Patrono do Comércio Brasileiroresponsável pela criação das primeiras leis que beneficiariam as atividades afins em nosso paísA sua principal ação foi aconselhar o rei português D. João VI a assinatura da Carta Régia de 28 de janeiro de 1808, abrindo os portos brasileiros às outras nações. Acomemoração reverencia todos os que atuam na venda de produtos e serviços, um dos trabalhos mais antigos do mundo.

 

 

DIA DE PROTEÇÃO ÀSFLORESTAS

 

 

Dia de Proteção às Florestas é comemorado anualmente em 17 de julho objetiva conscientizar sobre a importância de preservá-las. Com efeito, elas guardam uma grande riqueza em sua diversidade, tais como vegetação natural, animais de variadas espécies, minérios e outros recursos de manifesto interesse para o homem, principalmente de ordem econômica, o que vem provocando uma exploração até insana, já que muitas vezes deixam de ser restauradas. Tal descontrole faz com que desapareçam e produzam graves conseqüências: destruição da biodiversidade; erosão e empobrecimento dos solos; enchentes e assoreamento dos rios; redução dos índices pluviométricos; elevação das temperaturas; desertificação e proliferação de pragas e doenças, entre outros males.

 

 

DIA DE MANDELA

 

 

Após um trabalho em nível mundial para que o dia de seu aniversário, 18 de julho fosse anualmente dedicado ao voluntariado, desde 2012 é celebrada nesta data o Dia Internacional de Nelson Mandela, outorgado pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, para o desenvolvimento de atividades contra as discriminações entre os seres humanos. Um ótimo momento para mobilizar no Brasil a cidadania, através de ações efetivas, pressionando políticos e governo para enfrentarem concretamente a questão do racismojá que a Justiça exige a igualdade, um de seus elementos intrínsecos. Com efeito, ela concebe que não se venham a tratar desigualmente pessoas ou situações entre si iguais.

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaenses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 13:21
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - UNIVERSALIDADE E ANTIGUIDADE DA INVEJA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A inveja desde os mais remotos tempos exerce grande papel na História humana. Encontram-se traços dela em todas as épocas, na história de todos os povos. A inveja é muito comum, tão disseminada que absolutamente todas as pessoas já a notaram... nos outros! Mas ninguém reconhece em si próprio a inveja, o mais oculto e dissimulado dos vícios humanos.

A palavra inveja provém do latim invidia, substantivo da primeira declinação, derivado do verbo invideo (invidere, no infinitivo), ao pé da letra, “ver em”. Note-se, entretanto, que no caso o prefixo latino in não deve ser traduzido pela preposição em, mas pela preposição contra, ou pela locução prepositiva em oposição a. Invidere, pois, significa “ver ao contrário”, “ver de má vontade”, “ver de modo mau” ou, mais livremente, “ver de maus olhos”, projetando sobre o outro um olhar malicioso que distorce a realidade. Denomina-se inveja aquele sentimento malévolo de tristeza pelo bem alheio, sentimento esse que atormenta e mortifica o invejoso, levando-o a ações censuráveis para privar o possuidor de seu bem. Sendo o latim uma língua bastante sintética, seus vocábulos frequentemente eram usados em acepções que variaram ao longo dos séculos e de acordo com preferências estilísticas locais e pessoais dos autores que as utilizaram.  Isso explica que a palavra invidia tenha sido usada em sentidos muito diversos e que nem sempre o vocábulo latino invidia deva ser traduzido por inveja, podendo, conforme o caso, sê-lo por emulação, ciúmes, desejo intenso, competição, concorrência, disputa, rivalidade etc. E explica também que várias outras palavras tenham sido usadas para por autores latinos e que, numa tradução fiel para nosso idioma, devam ser traduzidas por inveja. É o caso das palavras invidentia, obtrectatio, aemulatio, zelus, zelotypia, disputatio e livor. Todas elas podem, conforme o contexto, ser traduzidas adequadamente por inveja.

Do latim invidia provieram vocábulos cognatos nos idiomas neolatinos: no português, inveja (ou enveja, forma arcaica), no catalão enveja, no castelhano envidia (ou invidia, mais usada em algumas regiões da Espanha), no francês envie, no italiano invidia. No inglês, usa-se a palavra cognata envy, assimilada pelo idioma britânico por influência franco-normanda. No alemão, usa-se o substantivo Neid, de raiz não-latina. Em todos esses idiomas, com ligeiras variantes, o sentido do termo é o mesmo, e significa a tristeza mórbida pelo bem alheio.

Desde que existe o ser humano, existe a inveja. Numa ótica religiosa, a inveja é até mesmo anterior à história humana. Por ser uma paixão de natureza intelectiva, pode ser vivida e praticada por puros espíritos, sem a necessidade de intermediação dos sentidos. Assim, já antes da Criação da Humanidade podia haver inveja entre os espíritos angélicos, e foi por inveja que Lúcifer se revoltou contra Deus (Is 14, 12-15). A inveja do diabo em relação à obra de Deus também esteve na origem do Pecado Original, tal como afirma textualmente o Livro da Sabedoria: “Deus criou o homem imortal, e o fez à sua imagem e semelhança. Mas, por inveja do demônio, entrou no mundo a morte; e experimentam-na os que são do partido dele” (Sb 2,23-25).  O modo como a serpente tentou Eva, de acordo com o Gênesis, foi precisamente despertando nela um sentimento de inveja em relação a Deus, pois lhe assegurou que, se comesse do fruto proibido, ela e Adão seriam “como deuses” (“eritis sicut dii” - Gn 3,5). Consumado o Pecado Original e exilado primeiro casal para a terra, desde logo manifestou-se a inveja. Foi um sentimento de inveja que esteve na raiz do primeiro crime de morte, de Caim contra seu irmão Abel (Gn 4,1-16). E, a partir daí, a inveja sempre exerceu seu papel ao longo dos tempos, em todas as sociedades humanas.

“Na história política das nações vislumbra-se, a cada passo, a ação da inveja, quer declarada, quer subterrânea e inconfessada. Mesmo quando na base dos acontecimentos não existe a inveja, esta aparece, quase sempre, a agravar as rivalidades, a excitar os ódios, a provocar ou prolongar as guerras” - escreveu o educador português Mário Gonçalves Viana (1900-1977) no seu excelente livro  A Psicologia da Inveja (Porto: Editorial Domingos Barreira, s/d, p. 132).

Ser visado e vitimado pelos invejosos é sina que persegue implacavelmente quem tem sucesso, em qualquer área de atividades. Enquanto for vivo, o vencedor sempre terá que levar consigo a incômoda companhia dos invejosos. Assim já o registrou Horácio (65-8 a.C.), em carta a seu amigo Augusto, falando de Hércules: “Quem venceu a hidra terrível e em esforço fatal submeteu monstros célebres, notou que só se vence a inveja finda a vida” (Epistula ad Augustum, 2,1 11-12).

 

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS   -    É licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

 

 

***

 

 


http://www.jornaldepiracicaba.com.br/um-monarquista-na-defesa-da-cultura/?fbclid=IwAR0DMviTyxI5XZiaL5OfUeU61uMuyIfqvmnGjvEr-CX5t6n6wUT79D0kHk0

 

 

 

 

Entrevista Realizada P0R: BETO SILVA, no: “Jornal de Piracicaba”, ao Prof. Doutor Armando Alexandre dos Santos, colaborador assíduo do blogue: Luso-brasileiro e nosso amigo.

 

 

 

 

 

 

 

UM MONARQUISTA NA DEFESA DA CULTURA

 

 

 

  • 7 de julho de 2019, 08:32

Foto: Amanda Vieira/JP

 

 

 

 

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Armando Alexandre dos Santos, paulistano de 64 anos, reside desde 2006 em Piracicaba. É jornalista profissional e professor universitário, lecionando nos cursos de graduação em História e pós-graduação em História Militar da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL. Trabalhou em órgãos de imprensa no Brasil e em Portugal, graduou-se em História e em Filosofia, fez pós-graduações em Docência do Ensino Superior e em História Militar e tem doutorado na área de Filosofia e Letras. Seu currículo Lattes impressiona; impresso em corpo 12 e espaço 1.0, ocupa nada menos de 87 páginas, elencando 43 livros, 17 capítulos de livros de autoria coletiva, 65 artigos científicos e 520 artigos em jornais e revistas, afora traduções e adaptações de livros. Seus livros tratam de temas variados: História, Ciência Política, Psicologia, Religião. Na semana passada, recebeu da Câmara Municipal de São Paulo o prêmio Colar Guilherme de Almeida, como reconhecimento por seu trabalho em prol da Cultura paulista. Reside num apartamento com uma biblioteca de 10.500 volumes e numerosas obras de arte que coleciona e cataloga. É ali que grava suas aulas e escreve seus artigos semanais, publicados jornais e em blogs brasileiros e portugueses.

 

Professor, jornalista e escritor, como começou e como concilia as três carreiras? 

Comecei como jornalista e evoluí naturalmente para a escrita de livros e o magistério superior em História. Não há nessas atividades contradição, mas complementação. O jornalista é o historiador do presente, o historiador é o jornalista do passado.

 

Quando e por que escolheu Piracicaba para morar e trabalhar?

Algo que me motivou a me transferir para cá foi o hino “Piracicaba, que eu adoro tanto”, que ouvi há muitos anos e se gravou na minha memória. Em 2006, estava cansado de viver em São Paulo. Vivia num apartamento barulhento, com tráfego intenso de dia e de noite, junto a uma estação do Metrô em construção, com máquinas ruidosas trabalhando a noite inteira. Já não aguentava mais. Precisava urgentemente mudar para uma cidade mais tranquila. Foi então que surgiu a oportunidade de vir para cá e lembrei-me do velho hino…

 

Em seu discurso na Câmara de Vereadores, ao receber o ‘Colar Guilherme de Almeida’, o senhor falou que em Piracicaba sua produção intelectual se desenvolveu muito. Houve algum fato em especial que tenha contribuído para isso?

A tranquilidade e o silêncio, sem dúvida. Minha produção intelectual aumentou e se intensificou enormemente. Resido bem no centro da cidade, no 19o. andar de um prédio, com vista para o Salto e possibilidade de assistir todas as tardes ao espetáculo do pôr do Sol. Que mais desejar?

 

O senhor escreveu muitos livros sobre temas diversos. Por curiosidade, qual foi o primeiro e qual o mais recente?

O primeiro livro que publiquei foi “A Legitimidade Monárquica no Brasil”, uma análise histórica e jurídica sobre a descendência de D. Pedro II; continha sete quadros genealógicos sobre as origens da Família Imperial, os primeiros elaborados no Brasil por computador; teve duas edições em 1989 e agora, 30 anos depois, foi lançada a 3ª. O mais recente foi “História e Memória Oral”, livro didático para o curso de graduação em História, escrito por encomenda da UNISUL, onde leciono.

 

De modo geral e em nível nacional, como o senhor avalia a produção e o consumo cultural?

Quando se fala em produção cultural, geralmente se pensa em artistas e escritores famosos. Prefiro pensar numa cultura mais de raiz, numa cultura popular que a mídia não vê nem considera, mas que existe, é autêntica e tem uma criatividade incrível. Conversei em Minas, no Nordeste e no Sul com gente analfabeta, mas com uma sabedoria e uma experiência de vida fantásticas, muitas vezes se expressando de forma poética e elaborando pensamentos de conteúdo tão rico que poderiam servir de tema a tratados de Filosofia. Comi, certa vez, à beira do Rio S. Francisco, uma moqueca de surubim deliciosa, digna de receber medalha de ouro em qualquer concurso internacional de alta gastronomia. Eu estava com um amigo, e lembro que quisemos cumprimentar o cozinheiro. Para nosso espanto, soubemos que quem havia produzido aquela verdadeira obra de arte culinária era uma menina negrinha, de 14 para15 anos de idade! Isso é alta cultura, embora não receba o reconhecimento público que mereceria receber.

 

A tecnologia, em sua opinião, contribui com a cultura? De que maneira?

Pode contribuir, porque facilita a pesquisa e evita muitos procedimentos repetitivos e cansativos, mas pode também limitar, na medida em que favorece a produção em série, menos personalizada e, portanto, menos criativa.

 

Como avalia o tratamento do Governo Federal às questões culturais do País? O que o fim do MinC representa para a sociedade brasileira? Nesta semana, ex-ministros da Cultura assinaram uma carta com críticas ao Governo Federal; o senhor assinaria este documento?

Não assinaria, porque ele exagera as consequências da extinção do MinC, como se a cultura brasileira dependesse da existência formal de um ministério próprio. De fato, o Presidente Bolsonaro apenas reduziu o status do MinC, que passou a ser uma Secretaria do Ministério da Cidadania. Nas últimas décadas, multiplicaram-se excessivamente os ministérios, com estruturas gigantescas e milhares de empregos desnecessários. O resultado foi uma gigantesca, caríssima e inoperante máquina estatal, que o atual presidente procura reduzir a proporções mais razoáveis e adequadas à realidade. É normal que enfrente críticas, tanto de pessoas prejudicadas pelo “enxugamento”, como de setores políticos ou ideológicos não afinados com ele.

 

Há alguma função ou atividade que o senhor ainda pretenda exercer?

Ainda gostaria de fazer o curso de Direito. Gosto muito do Direito, sou praticamente o único não-advogado da minha família e tenho “cabeça jurídica”, segundo me dizem amigos advogados. E gostaria de organizar um curso universitário de especialização em Genealogia. Na Argentina e em vários países da Europa há cursos universitários regulares de Genealogia, mas no Brasil não existe nenhum. Acredito que uma pós-graduação em Genealogia, por EAD, teria grande número de interessados. Já tenho o projeto feito, falta apenas uma universidade decidida a investir.

 

Como avalia o tratamento dado à Cultura em Piracicaba?

Penso que o que deveríamos visar é que Piracicaba volte a ser plenamente a “Atenas Paulista” que foi no passado. Ainda hoje, apesar da decadência geral, Piracicaba se destaca, em termos de cultura, quando comparada com outras cidades. Infelizmente, prevalece no Brasil a ideia de que cultura é algo supérfluo e em qualquer corte de gastos, o primeiro item que se corta é o da cultura. Em Portugal, a Constituição determina a porcentagem fixa dos impostos destinada à Cultura, sem depender de vontade política e sem poder ser desviada para outros fins. É um exemplo a ser seguido.

 

Já pensou em seguir a carreira política? Politicamente, como se define? 

Não tenho habilidade nem interesse em seguir carreira política. Minha área de trabalho é a cultural. Quanto à minha posição pessoal, posso dizer que sou politicamente bem incorreto… Sou conservador e francamente de direita. Economicamente, a favor da propriedade privada, da livre iniciativa e da função meramente subsidiária do Estado. Nunca me filiei a nenhum partido político, embora no plebiscito de 1993, no âmbito de uma Política extrapartidária e com “P” maiúsculo, me tenha empenhado na campanha monarquista. Até escrevi, naquele contexto, alguns livros que se tornaram obras de referência para os simpatizantes de uma solução monárquica para o Brasil.

 

Há muitos monarquistas em Piracicaba? O senhor considera a monarquia uma opção viável para o Brasil?

Em Piracicaba, o Círculo Monárquico Barão de Rezende reúne grande número de jovens idealistas e trabalhadores que dão muita esperança. No próximo dia 13 será aqui realizado o 1º. Encontro Monárquico-Cultural de Piracicaba, com a presença do Príncipe D. Bertrand de Orleans e Bragança. Deverei falar nesse encontro. Na verdade, a monarquia, longe de ser uma forma de governo arcaica e ultrapassada é moderníssima e de grande maleabilidade. Muitos a criticam por puro preconceito ou por desconhecimento, mas ela é, a meu ver, um caminho viável para o Brasil atual. Pode parecer um sonho, mas, como escreveu Fernando Pessoa, “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Por outro lado, se a monarquia parece um sonho, a república que temos, sem dúvida, é um pesadelo.

 

BETO SILVA

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:31
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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - LIMITES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A mãe me procurou para pedir ajuda. A filha de 16 anos usa drogas ilícitas. Aos treze, lhe contaram que usava maconha.  Deu conselhos e não se assustou tanto, pois considerava como risco menor. Um aparte: o médico cancerologista, Dr. Dráuzio Varela, no jornal “Folha de São Paulo”, em sete de julho último, afirma que “diversos estudos mostram que o impacto repetitivo da maconha no cérebro ainda adolescente é insalubre, com interferência na memória, na atenção, na velocidade de processamento de informações e na concentração”. Proponho à mãe, além de outros procedimentos, o exercício de limites à filha para que evolua na escola e horários bem determinados de saída e de chegada. Justifica que a filha desenvolve atividades, com o propósito de ocupar seu tempo, muito mais prazerosas do que aquelas que indiquei. Senti-me impotente para colaborar. Não creio que seja possível vencer situações de perigo e ultrapassar caminhos funestos sem a obediência a barreiras do bem.
A outra mãe me diz que não consegue mais conter o filho de 11 anos. O menino é rebelde e, questionado, responde com agressividade que ninguém manda nele.
Sou favorável à disciplina interior desde que a criança começa a ter consciência do seu existir. Essa disciplina passa por “sim” e “não” bem determinados e explicados numa oferta de amor exigente. Amor exigente, no entanto, somente é possível com renúncias e a aprendizagem delas deve partir da observação dos adultos que educam os menores. Incoerência entre o discurso e a prática é danoso. Os direitos de um homem e de uma mulher a saírem descompromissados, pela vida, recuam ao terem um filho. Li, no livro “Intimidade Divina”, do Padre Gabriel de Santa Maria Madalena, OCD (1893-1953), que “o pensamento é o olho que orienta as ações”. Quais os pensamentos que, hoje em dia, os pais motivam para os filhos? De ordem ou desordem nas emoções? Voltados para o diálogo ou para a violência? Ou silenciam?
Há uma frase, de cujo autor não me recordo o nome, a respeito do perigo das janelas interiores abertas para o demônio. Tenho refletido muito sobre isso em diversos acontecimentos. Tenho as minhas que, se não tomar cuidado, escancaram.
Creio que os limites precisam de encantos, numa sociedade permissiva e arrogante como a nossa, e se tornam escolhas quando há janelas próximas abertas para o Sol.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 10:19
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CINTHYA NUNES - MARGINAIS

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Tenho a impressão de que todo o frio que andava guardado nos bolsos de São Pedro foi jogado na Terra há alguns dias. Para um ano no qual aparentemente não haveriam temperaturas baixas aqui no Estado de São Paulo, a semana passada veio desmentir as previsões populares. O frio veio sem timidez, no fim das contas.

            Particularmente eu não gosto de frio. Até curto ficar em casa embaixo das cobertas, com o aquecedor ligado, lendo um bom livro e tomando alguma bebida quente. Só que essa é uma imagem edílica do frio e que não espelha a realidade cruel dos dias e das noites de frio extremo para aqueles que vivem à margem de todo conforto.

            É com profundo pesar que acompanho notícias sobre pessoas e animais que perderam suas vidas pelas ruas, em decorrência da queda brusca de temperatura. Em uma única noite três moradores de rua faleceram, sucumbindo ao extremo frio. Os animais sequer são contabilizados, tão negligenciados que são. Morrem aos montes por aí, muitos dos quais tendo tutores e que deveriam ser por eles protegidos.

            Aqui perto de casa há várias pessoas, a maior parte notadamente usuários de drogas, que moram em barracas improvisadas nas calçadas, cercados de papelão e lixo. Sempre há animais com eles e o que chama a atenção é que em meio a tanta dificuldade e vou aqui me isentar de julgamentos sobre as causas, os cães e gatos estão sempre cobertos ou mesmo vestindo roupinhas. Difícil ver cenas como essas e não pensar no que realmente significa a palavra dividir.

            Reclamo do frio quando me levanto, mas tenho um quarto e uma cama aquecidos. Até meus animais de estimação recebem o conforto de um aquecedor nas noites mais frias. Reclamo de sair do banho quente, mas tenho a dádiva corriqueira de nele poder entrar. Reclamo da fome que fica mais aguçada, mas não me falta comida para aplacar os caprichos do meu estômago. Não estou à margem da sociedade, ao contrário de tantos outros, desafortunados.

            Em um desses dias gelados, enquanto eu me voltava, bem agasalhada, de um exame demissional, para virar mais uma página de um dos empregos dos quais fui desligada, ouvi um senhor que estava sentado no meio fio, envolto em um cobertor puído, nas imediações da Catedral da Sé, abrindo um sorriso meio banguela, dizer a uma senhora que parara para falar com ele, que estava tudo bem, que era feliz porque tinha saúde. Senti como se o vento frio que cortava meu rosto também estivesse me dando um tapa...

            Tento fazer a minha parte, embora saiba que de pouco adianta. O frio, mais do que o calor, desiguala as pessoas, castigando aqueles que são desfavorecidos. A essa altura da minha vida, a palavra “marginal” me remete a vários conceitos, mas principalmente aquele de se estar fora, à margem da dignidade. Fácil gostar dos invernos acolhedores, românticos. Complicado é achar elegância nas sarjetas repletas de maltrapilhos que lutam para não congelarem, silenciando de vez um grito que não foi dado.

 

 

 

 

CINTHYA NUNES   -   é jornalista, advogada e professora universitária – cinthyanvs@gmail.com



publicado por Luso-brasileiro às 10:16
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