PAZ - Blogue luso-brasileiro
Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2019
ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - NÃO É FÁCIL A VIDA DOS SUPERDOTADOS...

 

 

 

 

 

 

 

 

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O sistema educativo brasileiro, consolidado nos diplomas legais pertinentes ao caso, prevê dois tipos de ação aplicáveis a casos alunos com altas habilidades/superdotação (AH/SD): a aceleração dos estudos e o enriquecimento curricular. Em certos casos, é permitido que o aluno portador de AH/SD seja transferido para uma sala de alunos mais velhos até, conforme o caso, dois anos. Essa transferência normalmente significa, para o aluno, um poderoso estímulo e, muitas vezes, é suficiente para ele superar os problemas de relacionamento que antes sentia com os companheiros de sala. Com os mais velhos (e ao mesmo tempo mais próximos da idade mental que ele tem) ele terá maior facilidade para relacionar-se e com eles se sentir “enturmado”.

Já o enriquecimento curricular se pode processar em dois locais distintos. Pode ser na sala de aula regular, mediante a proposição, pelo docente, de projetos de pesquisa, pela indicação de leituras ou de sites da internet que despertem a curiosidade dos alunos, ou pela apresentação de desafios. Isso pode ser feito na sala comum, para todos que queiram, mas o docente procurará sempre fazer com que o aluno de AH/SD sinta aquilo como pessoalmente dirigido a ele - para estimulá-lo a realizar seu potencial naquela área de seu especial interesse. Se outros alunos também se interessarem pelo projeto, será natural que o AH/SD tome a dianteira e se destaque, contribuindo assim para melhorar seus problemas de isolamento psicológico em relação ao conjunto da turma.

O enriquecimento curricular pode também ser feito em outro local, ou seja, na sala de recursos especiais, adequada e com um professor especializado em AH/SD, que possa dedicar ao caso concreto um atendimento mais individualizado.

Segundo cálculos da Organização Mundial da Saúde, de 3 a 5% da população mundial apresentam algum(ns) tipo(s) de altas habilidades. Seu potencial é imenso, mas muitas vezes nem sequer é notado pelos demais e, assim, não se desenvolve. Em nível individual é grande o prejuízo, pois seus talentos não se revelam e ficam estéreis. Socialmente, ainda o é muito mais, pois deve-se considerar que os talentos individuais têm, também, uma função social e devem ser desenvolvidos e exercidos para o proveito da coletividade.

É tendo em vista esses pressupostos que a atual legislação educacional brasileira considera os alunos AH/SD como necessitados de uma educação especial, assim como o são, a um outro título, os portadores de deficiência visual, auditiva ou motora. Todos são alunos especiais, que requerem um tratamento diferenciado. 

O fato de alguém possuir uma habilidade especial numa área frequentemente é acompanhado de uma subdotação em outra área. Frequentemente a “superdotação” numa área produz desajustes no convívio e, por vezes, causa problemas internos na própria pessoa. Longe de simplificar a vida do “superdotado”, muitas vezes é causa de dissabores, de problemas de relacionamento e até mesmo de crises existenciais.

O filme Encontrando Forrester (2000), dirigido por Gus Van Sant e protagonizado por grandes atores, como Sean Connery, Robert Brown e Murray Abraham, mostra Jamal Wallace, um adolescente negro morador de um bairro periférico de Nova York, que possui um talento incomum para a escrita e revela extraordinária aptidão para a literatura. Vivendo, entretanto, entre amigos que valorizavam acima de tudo a prática esportiva e a música Rap, sente-se isolado, incompreendido e profundamente infeliz. Procura realizar-se como jogador de basquetebol, e também nessa área consegue algum sucesso, mas sente que suas aspirações mais profundas não estão atendidas. Toma então contato, por acaso, com William Forrester, grande e famoso escritor que somente havia publicado um único best-seller em sua vida e vivia retirado, solitário e amargurado num apartamento cheio de livros. Forrester vence sua misantropia e passa a estimular o talento literário do jovem negro, que obtém uma bolsa de estudos numa escola particular de alto nível, que desejava tê-lo como aluno apenas para reforçar seu time de basquetebol e também não lhe dá grande valor como estudante. Na nova escola, ainda mais se sente socialmente deslocado o jovem Jamal e cada vez mais dramática se torna sua crise existencial, até que, no fim, consegue superá-la e vencê-la de modo surpreendente.

Esse filme, de grande profundidade filosófica e psicológica, mostra bem como a superdotação, longe de garantir uma vida serena e sem dificuldades, muitas vezes é causa de não poucos sofrimentos existenciais.

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras e professor da Unisul. Também é Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 

REFERÊNCIAS

 

ANTIPOFF, Cecília Andrade; CAMPOS, Regina Helena de Freitas. Superdotação e seus mitos. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP. Volume 14, Número 2, Julho/Dezembro de 2010: 301-309. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pee/v14n2/a12v14n2.pdf Acesso em: 29/05/2019

 

 

 

 

 



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CINTHYA NUNES - TEMPO DE NATAL

 

 

 

 

 

 

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  Ainda não é o texto de retrospectiva, até porque para fazer o balanço de 2019 eu preciso preparar meu coração e escolher bem as palavras que irei empregar. Mas é certo que não me furtarei dessa tarefa na próxima semana. Agora estamos próximos do Natal e as pessoas criam certas expectativas sobre textos natalinos. No meu caso, inclusive, já escrevi algo sobre o assunto na semana que se passou.

            Gosto do Natal e das reflexões que provoca em algumas pessoas, mas o Natal é uma data que mora mais na minha infância. É lá que residem minhas melhores lembranças, aquelas que evocam a figura do Papai Noel, das luzes enfeitando as casas e as ruas, da árvore no meio da sala, cheia de bolinhas coloridas e, é claro, dos presentes que ficavam nos provocando com suas promessas de brincadeiras e diversão.

            Nos meus Natais antigos também havia muita gente que hoje não está mais por aqui. Recordo-me da casa dos meus avós e das delícias que eram feitas especialmente para essa época. Não tínhamos luxo, mas fartura. Para as crianças tudo era festa, tudo era esperança. Os meus Natais presentes são diferentes, mas especiais ao seu modo. As crianças agora são meus sobrinhos e embora ser uma das patrocinadoras do Papai Noel não proporcione a mesma emoção de ser um dos seus beneficiários, ainda aprecio o chamado espírito natalino.

            Por respeito a todas as religiões prefiro não adentrar ao aspecto religioso do Natal, mas sim ao seu simbolismo. Aliás, perdoem-me os mais radicais, mas há muito tempo o Natal virou mais uma data comercial do que qualquer outra coisa. Ademais, não vejo com bons olhos a ideia de que o bem tem período certo para acontecer. Como se apenas o Natal fosse o tempo de se fazer algo pelo próximo.

            Tem gente que frequenta a Igreja, o Centro Espírita, o Templo, o Terreiro ou seja lá onde se professe sua fé, mas passa o ano todo sendo indiferente com a dor do próximo. Aí, em datas como o Natal pensam que dar presentinhos, caixinhas ou pequenas doações seja a remissão do pecado da indiferença.

            O espírito de Natal, da forma como sinto, é aquele que nos motiva a dedicarmos um tempo maior para pensarmos no outro, para reforçarmos aquilo de bom que fizemos durante todo o ano. É tempo de nascer, porque nascemos de novo todos os dias quando abrimos nossos olhos depois do repousar do corpo. Acordar nossas almas, caso tenham ficado adormecidas indevidamente. É fazer mais, é prosseguir sendo bom e multiplicando o bem.

            Lembro-me, assim, daquela história sobre o espírito dos Natais do passado, do presente e do futuro e penso que vivi Natais incríveis, cheios de amor e paz, protegida do mundo, na inocência de ser criança. No presente, busco entender melhor o que significa ajudar ao próximo e cada vez mais sou convicta de que há tantas formas de fazer isso, de modo constante. Para os Natais futuros só espero encontrar por lá aqueles a quem amo e, olhando para trás, pensar que tudo, no fim das contas, valeu a pena.

            Desejo a todos um Natal de paz, seja qual for a crença que justifique seus dias. Que nascer para o bem seja um hábito e uma intenção constante. Feliz Natal!

 

 

 

 

CINTHYA NUNES  -   é jornalista, advogada, professora universitária e se ressente de não ter o telefone de um certo local no Polo Norte – cinthyavns@gmail.com

 

 

 



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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -CLARIDADE DE DEZEMBRO

 

 

 

 

 

 

 

 

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Em dezembro, há um fio que se estende pelas ruas e as pessoas enxergam aquilo que mora nelas. Pinheiros enfeitados, presépios, embrulhos com laços, saudade, ausências... Penso na Luz que vence as trevas.
Vivemos, na Associação Socioeducacional Casa da Fonte – CSJ – dentre outras, na semana passada, uma experiência forte da claridade de dezembro. Moças e moços, residentes no Jardim Novo Horizonte e no entorno, durante seis meses, participaram dos cursos de cabeleireiro, pedicure, manicure, oferecidos pela entidade, em parceria com a Sirena – leia-se Fátima e Antonio Carlos Moretti -, que criaram na primeira década deste século, o projeto “Cabelinho de Anjo”. Os cursos, na Casa da Fonte, existem desde o final de 2005. Os professores são profissionais do bairro, com grande experiência e dedicação: Vera, Joelma, Maria dos Anjos, Luciano, Samuel... Após o exame, feito por uma profissional de fora, Jandira Baccaro, os trinta e dois aprovados participaram da solenidade de formatura. Para isso, o professor de corte e costura industrial, Toninho, ofereceu-se para preparar o espaço com apoio da pedagoga Rosana Biagiotto.  De repente, a sala de artesanato e corte e costura se transformou em um nobre auditório, com as Bandeiras, mesa e cenário forrado de verde. Iniciou-se a solenidade com o Hino Nacional e o Hino do Município:
“Ó terra querida, Jundiaí... Teus filhos com devoção/ Marcham pra luta como heróis/ Cheios de fé em tua oração...”
Lindo de se ver como canta a Banda Olodum: “É um toque profundo/ Amor é uma flor/ Viver bem a vida/ Uma grande paixão...”
Que coisa boa observar essa gente vitoriosa, pela perseverança e dedicação nos cursos, com sua roupa enfeitada, o cabelo perfeito, sorriso aberto... Para alguns, o primeiro certificado. Valeu por isso levar os familiares, as fotos com as colegas do curso e com pessoas da Casa da Fonte, tendo como fundo o cenário especialmente preparado para o acontecimento. “É gente humilde, que vontade de chorar’, já cantava Vinícius, Toquinho, Clara Nunes, Ângela Maria...
Há gente que possui tanto e não consegue enxergar os seus avanços ou não avança. Há, porém, pessoas com perfil de Belém, que se empenham em seguir a estrela que lhes aparece, por menor que seja, e experimentam a alegria de uma nova aurora.

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:22
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JOSÉ RENATO NALINI - SEMEANDO IRA E ÓDIO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Ressentimentos sempre existiram na mente humana. O estado “zen”, o completo bem-estar, aquela tranquilidade insuscetível de abalo é algo que pode ser encontrado na literatura, nas artes e no sonho.

Só que antes das redes sociais, havia uma certa contenção da escala. Era muito difícil a contaminação de legiões de pessoas, todas acometidas do mesmo furor. Contra alguns focos e, aparentemente, contra tudo e contra todos.

A França, com os seus ideais de liberdade, igualdade, e fraternidade, prioriza a primeira, até o paroxismo. Persegue a segunda, sempre detectando que há alguns mais “iguais” do que os outros. Mas parece abolir a terceira, tamanha a violência com que se houve no decorrer da História.

As guerras, a gloriosa Revolução Francesa, a Comuna de Paris, maio de 1968 e os “gilets jaunes”, os coletes amarelos que inundam algumas partes da “Cidade Luz”, mostram que a ira prepondera sobre a razão.

E há um componente relevante. As redes sociais foram idealizadas para permitir que as pessoas se irmanassem, trocassem ideias, se aproximassem. Mas têm servido para distorção ideológica e têm o condão de contaminar milhões, acendendo o rastilho sempre à mostra e à espera de deflagração. Pedro Doria, colunista de economia do Estadão, menciona o surgimento do fenômeno eloquentemente chamado “Groupe Colère”(O Facebook e os “gilet jaunes”, 7.12.2018). Congrega coléricos, raivosos, revoltados. Recente mudança no Facebook fez com que o algoritmo atiçasse tais indivíduos, estimulou a raiva e gerou os mais violentos protestos em Paris desde 1968, o “ano que não terminou”, como diz Zuenir Ventura.

Analistas como o influente jornalista Frederic Filloux fizeram uma advertência: “Como amplificador e radicalizador da cólera popular, o Facebook demonstrou seu grau de toxicidade para o processo democrático”.

Foi para isso que se investiu nas redes sociais? Para a mobilização instantânea de pessoas transtornadas, aptas ao vandalismo, ao exercício da violência, da depredação e das mais indesejáveis dentre as condutas de um ser humano?

Cada vez mais distante aquela promessa de que o século 21 seria propício aos dias serenos da ociosidade criativa, em que teríamos condição de curtir afetos, passear com tranquilidade pelos espaços públicos e conviver com o semelhante num clima de imperturbável paz.

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, docente da Uninove, autor de “Ética Geral e Profissional” e Presidente da Academia Paulista de Letras.  

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 12:14
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FELIPE AQUINO - AS FESTAS QUE SE APROXIMAM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Natal não se resume a um dia nem celebra simplesmente o Nascimento de Jesus.

 

Na verdade, o Natal é um tempo litúrgico, formado por cinco festas que celebram no rito da Santa Liturgia o mistério da Manifestação do Filho de Deus em nossa natureza humana. Assim: Natal é o Tempo no qual a Igreja, na sua Celebração eucarística, ao celebrar os santos Mistérios, entre em comunhão real e verdadeira com o Mistério da Manifestação, da Vinda, do nosso Salvador e Deus bendito na nossa natureza humana!
O Filho eterno do Pai manifestou-Se na nossa pobre humanidade para enriquecê-la com a Sua divindade; Ele veio para nos dar a graça da comunhão, da amizade com Ele – é isso a salvação!

 

Leia também: Quais as cores Litúrgicas e do Advento?

 

 

 

Cinco festas; ei-las:

 

  1. A Solenidade do Natal do Senhor, no dia 25 de dezembro. Na pobreza da gruta de Belém contemplaremos como frágil criança Aquele que é o Forte e eterno Deus: “Porque um Menino nos nasceu, um filho nos foi dado, Ele recebeu o poder sobre os Seus ombros e Lhe foi dado este Nome: Conselheiro-maravilhoso, Deus-forte, Pai-eterno, Príncipe-da-Paz” (Is 9,5). Neste Dia santíssimo (que é celebrado durante oito dias) a Igreja dobra os joelhos diante do Salvador, juntamente com Maria, José e os pastores; a Igreja canta o “Glória a Deus nas alturas” juntamente com os anjos, a Igreja ilumina-se de alegria como o céu da noite santa de Belém
  2. No Domingo entre os dias 25 e 1º de janeiro a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família. O Filho de Deus assumiu em tudo a nossa condição humana: entrou numa família, na vida miudinha de cada dia; Ele veio verdadeiramente viver a nossa aventura. Assim, santificou as famílias de modo especial: “Desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso” (Lc 2,51)
  3. Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, no dia 1º de janeiro, Oitava do Natal. “(Os pastores) foram, então, às pressas, e encontraram Maria, José e o Recém-nascido deitado na manjedoura” (Lc 2,16). A Igreja contempla o Menino que nasceu em Belém e Nele reconhece o Deus eterno e perfeito, reclinado no colo de Maria. Por isso chama-a Mãe de Deus, quer dizer, Mãe do Filho de Deus feito homem! Dando este título à Virgem a Igreja, desde suas origens, professa sua fé na divindade de Jesus. Primeiro de Janeiro é uma das grandes festas marianas
  4. Solenidade da Epifania do Senhor, no Domingo entre 2 e 8 de janeiro. É a festa chamada Festa de Reis. Mas, é bem mais que isso: a palavra “epifania” significa “manifestação”. Os magos, vindos dos povos pagãos, representam toda a humanidade que vem adorar o Salvador e reconhecê-Lo como a luz para iluminar as nações. Deus manifesta a Sua salvação a todos os povos: “O Senhor fez conhecer Sua salvação, revelou Sua justiça aos olhos das nações. Os confins da terra contemplaram a Salvação do nosso Deus” (Sl 97,2.3)
  5. A Festa do Batismo do Senhor, no Domingo após a Epifania. Com ela termina o tempo do Natal. O Pai apresenta o Seu Filho: “Este é o Meu Filho amado, em Quem Eu Me comprazo!” (Mt 3,17). Com esta festa encerra-se o ciclo de festas da Manifestação do Senhor. A Igreja, mais uma vez, renova sua certeza e vive essa graça, experimenta-a e anuncia ao mundo: “O Verbo Se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a Sua glória!” (Jo 1,14).

Que vivamos bem este tempo do Natal, tão rico e santo!

 

      Henrique Soares da Costa

  1. Bispo de Palmares/PE

 

 

FELIPE AQUINO Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:05
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PAULO R. LABEGALINI - AS BELAS INVOCAÇÔES A NOSSA SENHORA

 

 

 

 

 

 

 

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A palavra ladainha vem do grego e significa súplica. Na Ladainha de Nossa Senhora – artigo anterior –, o grupo das treze invocações simbólicas requer algumas explicações para melhor compreensão.

No livro ‘Na Escola de Maria’, André Damino escreveu que a nossa civilização fechou-se para o simbolismo e, aquilo que poderia ser até evidente em outras épocas, hoje ficou obscurecido pelo exclusivismo concedido ao espírito prático. Por exemplo, como ressaltar a beleza de uma estrela a pessoas que ficam fechadas em cidades perigosas? Igualmente, o ritmo de vida atual não favorece a contemplação das maravilhas da criação.

Por isso, o autor nos explica alguns títulos da Virgem Maria, recitados na ladainha que encaminhei na semana passada:

Espelho de Justiça – Justiça, aqui, entende-se em seu sentido mais amplo de santidade. Nossa Senhora é chamada assim, porque Ela é um espelho da perfeição cristã. Toda perfeição pode ser admirada nela, do mesmo modo como podemos admirar uma luz refletida na água.

Sede da Sabedoria – Nosso Senhor Jesus Cristo é a Sabedoria, pois, enquanto Deus, tudo sabe e tudo conhece. Ora, Nossa Senhora durante nove meses encerrou dentro de si seu divino Filho; Ela foi, portanto, a sede da Sabedoria. E continua a sê-lo, pois é nela que encontramos infalivelmente a Nosso Senhor.

Causa de Nossa Alegria – A verdadeira alegria não é o riso. Rir muito nem sempre significa felicidade. É muito mais feliz a mãe carregando amorosamente seu filho do que um pateta que ri à toa. E a maior alegria que um homem pode ter é a de salvar-se e estar com Deus por toda a eternidade. Ora, antes da vinda de Nosso Senhor, o Céu estava fechado para nós; foi o sacrifício do Calvário que nos reconciliou com o Criador e nos proporcionou a verdadeira e eterna felicidade. Como foi por meio de Nossa Senhora que o Redentor da humanidade veio à Terra, Maria Santíssima é, pois, a causa de nossa maior alegria.

Vaso Espiritual – Nada tem mais valor do que a verdadeira Fé. Na Paixão e Morte de Nosso Senhor, quando até os apóstolos duvidaram e fugiram, foi Nossa Senhora quem recolheu e guardou, como num vaso sagrado, o Tesouro da Fé inabalável.

Vaso Honorífico – Em nossa época, a honra quase não é considerada, pelo contrário, muitas vezes a falta de caráter e a sem-vergonhice são louvadas; mas a honra e a glória, na realidade, valem muito. Nossa Senhora guardou cuidadosamente em sua alma todas a graças recebidas e manteve a honra do gênero humano decaído. Se não tivesse existido Maria, ficaria faltando na criação quem representasse a perfeição da criatura, fiel até o extremo heroísmo.

Vaso Insigne de Devoção – Devoto quer dizer dedicado a Deus. A criatura que mais se dedicou e viveu em função de Deus foi Nossa Senhora, tendo-o realizado de forma tal, que melhor é impossível.

Rosa Mística – A rosa é a rainha das flores; é aquela que possui de forma mais definida e esplêndida tudo quanto caracteriza uma flor. Igualmente Nossa Senhora, no campo da vida espiritual ou mística, possui de forma mais primorosa tudo aquilo que representa a perfeição.

Torre de Davi – Lemos na Sagrada Escritura que o rei Davi tomou a fortaleza de Jerusalém dos jebuseus e edificou a cidade em torno dela. Naturalmente, o rei Davi fortificou a cidade para torná-la inexpugnável e a dotou de forte guarnição. A Igreja Católica é a nova Jerusalém e nela temos uma torre ou fortaleza que nenhum inimigo pode invadir ou destruir: Nossa Senhora. Ela constitui o ponto de maior resistência e melhor defesa.

Torre de Marfim – O marfim é um material que tem características raras na natureza e, ao mesmo tempo, é muito forte e muito claro. Igualmente Nossa Senhora, é muito forte espiritualmente – a maior inimiga dos inimigos de Deus – e de uma pureza alvíssima. Assim, Ela contraria a ideia falsa de que as coisas de Deus devam ser sempre muito doces, suaves e fracas, ou que a verdadeira força está com os impuros.

Casa de Ouro – O ouro é o mais nobre dos metais, por isso, sempre que desejamos dar alguma coisa que seja insuperável, a oferecemos em ouro – uma medalha de ouro numa competição, por exemplo. Se tivéssemos que receber o próprio Deus, procuraríamos fazê-lo numa casa que não fosse superável, neste sentido, uma casa de ouro. E a Virgem Santíssima é a casa de ouro que acolheu Nosso Senhor quando veio ao mundo.

Arca da Aliança – No Antigo Testamento, na Arca da Aliança ficavam guardadas as tábuas da lei dadas por Deus a Moisés e um punhado do maná recebido milagrosamente no deserto, por isso, ela lembrava as promessas e a proteção de Deus. Nossa Senhora é, no Novo Testamento, a Arca da Aliança que protege o povo eleito da Igreja Católica e lembra as infinitas misericórdias de Deus.

Porta do Céu – Ela é invocada desse modo, pois foi por meio dela que Jesus Cristo veio à Terra e é por Ela que nos vêm todas as graças, as quais têm como finalidade nos levar ao Céu, nossa morada eterna. Assim, Ela favorece nossa entrada no Paraíso, como a porta favorece a entrada num outro local.

Estrela da Manhã – Pouco antes de nascer o sol, quando a escuridão é maior e vai começar a clarear, aparece no horizonte uma estrela de maior luminosidade. Depois, quando as outras estrelas desaparecem na claridade nascente, ela ainda permanece. Assim foi Nossa Senhora, pois seu nascimento significava que logo nasceria o Sol de Justiça, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela é o modelo da perseverança na provação e o anúncio da Luz que virá.

Temos assim, resumidamente, algumas explicações das invocações da Ladainha Lauretana. Esperemos que sua compreensão nos ajude a rezar com maior fervor tão meritória oração neste Natal e sempre. Assim seja.

 

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 

 

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:39
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PÉRICLES CAPANEMA - BOLO EM CAMADAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Meu primeiro impulso foi pôr aí em cima o equivalente, mais expressivo, gâteau de couches e não bolo em camadas. Gâteau de couches nos remete a mais sabores e a formas mais bonitas, à pâtisserie (doceria, confeitaria) francesa, produtos que são verdadeiras obras de arte, pequenos andares de delícias de diferentes gostos.

 

A ideia de fundo é a de soma, adição de realidades harmônicas e complementares. Como metáfora, serve para quê? Para os mais variados fins, no meu caso para representar virtude, para muitos amarga e dura, a seriedade. O contrário, a seriedade é atitude que torna suave a vida. Seriedade é objetividade; vou procurar tê-la como inspiração e ser objetivo ao tratar dos dados divulgados pelo PISA mais recente. Não me esqueço, como os bolos, temos seriedade de uma camada, seriedade de duas, de várias camadas, a seriedade simples do porteiro e a seriedade elaborada do general.

 

De início, vamos considerar com seriedade simples (bolo de uma camada), sem desviar o olhar, os dados devastadores do PISA de 2018 (Programme for International Student Assessment – PISA, em inglês, Programa Internacional de Avaliação de Alunos), exame aplicado a cada três anos em 79 países a estudantes de até 15 anos; mais de 600 mil avaliados, dos quais 17,5 mil brasileiros. São dados controversos, mas apontam uma direção. O Brasil ficou na 66ª posição. Em leitura, 54ª, ciências, 67ª, em matemática, na 70ª. Na China, 16% dos estudantes estão no nível mais alto da disciplina, com raciocínio matemático considerado avançado. Entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento), apenas 2,4% dos alunos chegam a esse patamar.

 

Outro ponto. Os colégios de elite brasileiros colocam o país na 5ª posição da leitura, ao lado da Estônia. O resultado das escolas públicas nesse quesito é o 65º. Escolas privadas de elite, o Brasil em ciências fica no 12º no mundo. Escola pública em ciências, Brasil no 71º. Privada de elite em matemática, 30º lugar. Púbica em matemática, 75º. 10% dos jovens do mundo conseguem diferenciar fato de opinião. No Brasil, total bem menor, 2%. Nenhum aluno das classes mais pobres conseguiu fazer tal distinção. Parte dos alunos das privadas de elite termina os estudos no Exterior e não volta ao Brasil.

 

O quadro desolador vem do que tem sido nossa educação fundamental há décadas. Se não for mudado, esqueçam o Brasil entre as nações mais prósperas da terra para as próximas décadas. Estamos dentro da sociedade do conhecimento. O começo do caminho ▬ não é o único, mas essencial ▬ para a prosperidade do Brasil é aumentar o padrão do ensino fundamental das escolas públicas. Vale tritrilhões de vezes mais que ficar tagarelando e papagaiando frases feitas como “resgatar a pobreza”, “pagar a dívida social”, “eliminar a desigualdade”, “distribuir renda”, e vai por aí afora. Pior ainda seria moldar o ensino fundamental segundo doutrinas demolidoras como as de Paulo Freire ou a ideologia de gênero. Acabaria de afundar.

 

Não vou ser conselheiro Acácio, temos grandes técnicos na área que sabem exatamente o que propor e fazer. O óbvio ululante é que nos últimos 50 anos o rumo foi frouxo e cheio de defeitos. Repito, se não for consertado o ensino fundamental, a rabeira será nosso destino permanente. Sei, boa instrução não basta para a prosperidade. Mas é essencial. E, quem nasceu pobre, via de regra, só tem uma oportunidade de crescer na vida; fazer, nos seus primeiros anos, um bom curso fundamental.

 

Vou deixar o bolo em uma camada, vamos para o bolo em duas camadas. De outro modo, colocar mais algumas questões no quadro. Por vezes com boas razões se criticam no Brasil as desigualdades gritantes, a infância desamparada, o uso que o crime organizado faz de crianças. Como diminui-los? Ao lado do ensino fundamental, base dele, faz falta a primeira educação familiar. O ambiente familiar é o mais importante para a formação do caráter e o florescimento do que a instrução fora de casa poderá proporcionar. O que acontece até os 5 anos marca fundo a vida toda. Se no Brasil faz muita falta a primeira educação familiar, é porque a família está falhando. E assim, quem a defende com unhas e dentes, luta por causa social de generalizado impacto na diminuição da pobreza. O economista professor Roberto Macedo, discorrendo sobre educação, em especial a infantil, ressaltou ponto de enorme importância: “Tive circunstâncias educacionais muito favoráveis, pois minha mãe deixou o magistério para cuidar dos seus oito filhos. Na época, famílias desse tamanho eram comuns. Ela levou todos à escola, e nossa casa era também uma escola, pois ela ensinava várias coisas, e cobrava desempenho escolar. Havia também muitos livros e até jornais diários, que atraíam nossa atenção. E jogos infantis, muita conversa com ela e entre irmãos, tudo isso estimulando nossa cabeça já na primeira infância. E, ainda, a interação com os filhos de famílias vizinhas, também ajudando no desenvolvimento intelectual e social

 

As duas primeiras camadas eram até certo ponto previsíveis. A terceira, acho, nesse bolo em três camadas, é que traz novidade. Relia partes do livro “Minha vida de menina” de Helena Morley (pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant) ▬ do qual Georges Bernanos certa vez comentou com o ministro Capanema: “obra genial, livro único, impossível de traduzir, um milagre” ▬ e topei com cena instrutiva de fins do século XIX em Diamantina: “Hoje tive o maior espanto de minha vida. Vovó, todos os sábados, manda um de meus irmãos ao Palácio, que é perto da Chácara, trocar uma nota em borruquês do Bispo. Põe tudo numa caixa de papelão e fica sentada na sala de jantar, à espera das pobres delas. A cada uma dá um borruquê novo de duzentos réis. São elas, Chichi Bombom, Frutuosa Pau-de-Sebo, Teresa Doida, Aninha Tico-Tico, Carlota Pistola, Teresa Buscapé, Eufrásia Boaventura, Maria Pipoca e siá Fortunata. [...] Eu sempre fico por perto ouvindo as queixas”.

 

Uma avó, com a neta por perto, recebe na sala mulheres pobres para dar esmola. Ambiente descontraído, acolhedor, simples, respeitoso, onde, imersas num ar difícil de definir, pretas, brancas, mulatas conversam, trocam opiniões e depois as pobres vão embora. Se o Brasil quer de fato um dia ser grande ▬ grande de grandeza cristã, a única que interessa ▬ e não apenas próspero, este ar difícil de definir não pode morrer. Digo mais, não pode definhar. Enfatizo: tem que se firmar, aperfeiçoar-se e conquistar espaços.

 

É esse o ambiente do Brasil antigo, também percebido nas palavras do professor Macedo. Definha, infelizmente, está morrendo. Se desaparecer por inteiro, de nada vai adiantar estarmos na primeira fila do ensino fundamental. E concluo, para ser proveitosa, a análise da formação infanto-juvenil entre nós requer olhares de profundidade diferentes. Só então se apresentará apetitosa, atraente e nutritiva como um bolo em camadas.

 

 

 

 

PÉRICLES CAPANEMA - é engenheiro civil, UFMG, turma de 1970, autor do livro “Horizontes de Minas"

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:28
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JORGE VICENTE - CHEGOU O NATAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:14
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - UMA REVELAÇÃO QUE ME FEZ PENSAR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O avô de minha mulher, chegou ao Brasil, no início do século XX.

Era jovem e cheio de ambições. Estreara-se no jornalismo, em Portugal, num jornalzinho de bairro: “ O Garnisé”.

Como o primo fosse editor de semanário de inspiração monarquista, passou a colaborar nele, mantendo coluna, que assinava com o pseudónimo de: Urbano”.

A razão de não usar seu nome nas crónicas, é simples de explicar: o jornal pertencia a movimento monárquico, e ele republicano, de sete costados.

Seria? Creio que era apenas um jovem, apaixonado pelas “ Letras”; o que queria, era escrever…

Empregou-se, no Brasil, no escritório de fábrica de produto alimentício.

Como colaboradora, tinha a filha do proprietário. Uma jovem bonita e simples. A idade; o convívio; o facto da mãe de ambos, terem sido amigas, na infância, tornaram-se íntimos.

Dessa amizade, resultou o casamento.

Numa das minhas estadias, a São Paulo – em véspera de Natal, – encontrei-o no jardim da casa, em Alto de Pinheiros, junto aos junquilhos. Os cabelos brancos lampejavam, batidos pelo sol da manhã.

Conversamos sobre a economia do seu Portugal.

De repente, encarando-me com os seus belos olhos verdes – verdes como esmeraldas, – num rosto moreno, disse-me que ia revelar-me um segredo; quiçá pensando na minha condição de rapaz pobre:

- “ Sabe por que deixei de passar a Noite de Consoada com meus cunhados?”

Aguardei a resposta. Certamente não esperava que lha dê-se:

- “ No início de casado – continuou, parando junto da porta da garagem, – todos os irmãos reuniam-se na noite de Natal. Era uma festa bonita! Ceávamos. Conversávamos… e noite velha, chegava o Pai Natal, com saco repleto de presentes, para as crianças.”

Neste momento fez uma pausa. Silêncio prolongado.

- “ Tudo corria bem…até que certa vez, minha filha mais velha, interrogou-me muito agastada: “ Não é justo! Papai Noel dá-me sempre roupinha, enquanto minhas primas recebem bicicletas! …”

Novo silêncio, ainda mais prolongado.

- “ Os meus cunhados tinham posses. Podiam distribuir prendas caras… Fiquei tão triste, que resolvi, desde então, consoar só, com meus filhos e a Júlia…”

Neste momento a voz embargou-se, e lágrima envergonhada, aflorou, deslizando pela face envelhecida.

Compreendi; e pensei: quantos irmãos se separam, por essa e outras razões, como tais?

Como é difícil, para quem vive folgadamente, entender as dificuldades dos outros! …

Quantas vezes, humilhamos, o próximo, sem o saber?

Assim se vão afastando, os irmãos… e os primos

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 11:03
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EUCLIDES CAVACO - MENSAGEM DE NATAL - Poema e récita de Euclides Cavac

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Formatação da minha especial amiga Mena Aur. Mais um tema para este Natal que partilho com os meus amigos e sugiro que partilhem também com as vossas listas. Obrigado
 


https://www.euclidescavaco.com/mensagem-natal
 
 


Desejos duma magnífica semana.
 
 
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

***

 

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

***

 

HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confisões.



https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opcoes 

 

***

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:55
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Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - PRECISAMOS CONVIVER E CONHECER NOSSOS VIZINHOS

 

 

 

 

 

 

 

 

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                Atualmente, a correria provocada pelos reflexos materialistas leva os indivíduos a se fecharem em si mesmos, já que passam a viver em função de ganhos, posição social e poder, como se tais aspectos fossem fundamentais às suas realizações. Esquecem-se, no entanto, de circunstâncias humanistas e imprescindíveis à própria felicidade, como gestos e atitudes fraternas, relacionamentos afetivos, solidariedade com o próximo, respeito a todos os seres vivos em geral e tantas outras, sobrepostas por interesses exclusivamente pessoais e ao mesmo tempo, embasados em puro egoísmo, que impedem necessários contatos e diálogos com pessoas próximas.

         Na realidade, muitos vizinhos sequer se conhecem ou se cumprimentam, mesmo morando às vezes em prédios de apartamentos ou condomínios horizontais, ao contrário de outros tempos em que se visitavam, sentavam-se nas calçadas nos fins de tarde, ajudavam-se mutuamente nas mais variadas circunstâncias e necessidades, compartilhando alegrias e enfrentamento de problemas.

Visando resgatar esse espírito comunitário, desde 1987, existe no Brasil o Dia do Vizinho, celebrado a 23 de dezembro próximo e criado pela Federação das Mulheres Paulistas, para marcar a data do nascimento da contista e poetisa brasileira  Cora Coralina, que durante toda a sua vida, pregou a humanização no convívio entre os seres e de quem partiu a ideia de uma celebração “àquele que é mais que parente, por ser o primeiro a ficar sabendo das coisas que acontecem na vida da gente”.

Na ocasião, foi distribuída uma mensagem da escritora, antevendo a aprovação dessa comemoração em caráter nacional, na qual conclamou os brasileiros a atentarem à importância da solenidade, que ainda passa despercebida. Essa mensagem positiva da poetisa goiana objetivou atingir a sensibilidade dos homens e levá-los a se unirem num elo de paz e fraternidade, aspiração que deve ser alcançada, em respeito à própria dignidade humana.

 

 

Sugestões de presentes para o Natal: 

 

 

 

“Para seu inimigo, perdão/ Para um oponente, tolerância/Para um amigo, seu coração/ Para um cliente, serviço/ Para tudo, caridade/ Para toda criança, um exemplo bom/ Para você, respeito” (Oren Arnold)       

 

        

Breve reflexão

 

 

         Mais do que nunca importa sermos solidários, sem qualquer sentimento de superioridade. O acolhimento é uma atitude fundamental na atualidade (J.C. Martinelli).

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)



publicado por Luso-brasileiro às 12:59
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ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS - SUPERDOTAÇÃO NÃO É SINÔNIMO DE GENIALIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Costuma-se atribuir a Einstein a afirmação de que é mais fácil quebrar um átomo do que quebrar uma ideia preconcebida. Não é fácil, com efeito, se quebrarem ideias geralmente tidas como indiscutíveis e de senso comum. É o que se verifica em torno do conceito de superdotação no ambiente escolar. Poucos temas pedagógicos são tão mal entendidos como esse.

Em primeiro lugar, confunde-se superdotação com genialidade. Por outro lado, supõe-se que superdotação é sinônimo de elevado quociente de inteligência. E, por fim, imagina-se que um aluno “superdotado” é uma espécie de “super-homem” em miniatura, com poderes sobrenaturais que facilitam tudo na vida.

É preciso  entender bem o que é e o que não é o aluno “superdotado”, e como tal aluno, de acordo com a legislação brasileira e com as diretrizes pedagógicas prevalentes na atualidade, tem necessidades especiais e, assim sendo, tem direito a receber um tratamento diferenciado nos ambientes escolares.

Atualmente, costuma-se designar como de altas habilidades/superdotação (AH/SD) os alunos que: 1) revelem uma habilidade acima da média (comparativamente com os da mesma faixa etária) em alguma área específica, ou em algumas áreas conjugadas; 2) mostrem uma motivação muito grande e um envolvimento nas áreas de seu especial interesse; 3) e que, por fim, não apenas reproduzam, nessas áreas, o que ouviram e aprenderam, mas demonstrem possuir uma criatividade e uma capacidade de inovação singulares.

Essas características, quando coexistentes num mesmo indivíduo, permitem que ele possa ser considerado como de AH/SD. Elas podem se manifestar em áreas muito diferentes; pode ser na área escolar propriamente dita, manifestando-se num desempenho com altas notas; pode ser na área intelectual fora do ambiente escolar, no caso de alunos medíocres no desempenho escolar, mas que revelam notável desenvolvimento intelectual fora do currículo escolar; pode ser em termos de liderança, pela capacidade demonstrada de influenciar e arrastar atrás de si os colegas; pode ser no campo artístico, com particular dotação para a música, o desenho, a pintura ou o teatro; pode, ainda, ser em termos de psicomotricidade, com talento especial para os esportes e, conforme o caso, até na dança.

Não se deve confundir o AH/SD com o gênio. O AH/SD é bem dotado em alguma, ou em algumas áreas específicas. Somente se fosse altissimamente dotado em todas poderia fazer jus à designação como “gênio”, Gênios existem, mas são raríssimos na história da Humanidade. Não são frequentes os Leonardo da Vinci, os Isaac Newton ou os Pico della Mirandola...

Nem sempre os AH/SD possuem um elevado QI (quociente de inteligência). O QI, critério de avaliação proposto pelo francês Alfred Binet (1857-1911), durante muito tempo foi usado por psicólogos e pedagogos como único apto à classificação das pessoas pelo grau da sua inteligência. Mas, com os avanços da Psicologia e da Neurologia das últimas décadas, sabe-se que ele é muito útil para avaliar apenas a capacidade de raciocínio lógico-matemático - que corresponde a um tipo de inteligência, não porém a todas elas.

Hoje em dia, o “paradigma” vigente é o das inteligências múltiplas, proposto pelo norte-americano Howard Gardner (1943-) na década de 1980. Depois de muitos anos de estudos e pesquisas sobre pessoas consideradas inteligentes ou geniais em várias culturas do planeta, Gardner chegou à conclusão de que o conceito de inteligência não é unívoco, mas multívoco; e que não existe uma única forma de inteligência, mas diversas: a lógico-matemática, a linguística, a espacial, a físico-cinestésica, a interpessoal/intrapessoal, a musical, a natural e a existencial.

Pela teoria das inteligências múltiplas, compreende-se que uma pessoa seja extremamente bem dotada e quase genial numa área e seja, ao mesmo tempo, bastante inferior à média (e até deficiente) em outras áreas. Compreende-se que Einstein fosse um físico genial, mas nada entendesse de música ou de política e nem sequer soubesse dizer, com segurança, se já havia almoçado ou se ainda precisava fazê-lo. Compreende-se também que Beethoven fosse um gênio da música, mas ao mesmo tempo fosse um fracasso monumental em matéria de organização ou finanças - pois brigava sistematicamente com todos os senhorios das casas em que morava, e teve, só em Viena, trinta endereços diferentes, e era tão pouco organizado que vivia num quartinho sujo e bagunçado, quase um chiqueiro.

De acordo com a teoria das inteligências múltiplas, uma pessoa pode ter um QI baixo, mas uma inteligência físico-cinestésica, ou linguística, ou musical elevadíssima.

 

 

 

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras e professor da Unisul. Também é Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.

 



publicado por Luso-brasileiro às 12:56
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