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Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2019
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - SOLILÓQUIO

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um acontecimento me deixou acabrunhada e tenho conversado comigo a respeito dele. Em inúmeras situações, escrevo mais para decifrar do que para discorrer sobre algum fato.  A menina mal completou 14 anos para se sentir senhora de si, a exemplo de outras garotas que conhece. A mãe se acomodou com as decisões dela. Se não for à escola, o único problema é que a chamem para adverti-la. Quando se diz sobre algo de risco a respeito da filha, responde sempre que ignorava. Mas onde se encontra a moça no horário de determinados acontecimentos, como ao entardecer de sábado e domingo, em que a filha compartilha a bebida alcoólica na caneca de lata e depois se senta enfileirada com as amigas no banco de madeira, nas proximidades do bar à espera.
Inquieta-me a chance da garota se vender por um pacote de balas e, em seguida, cair nas armadilhas das casas, mal iluminadas, envoltas em aguardente e fumaça. Incomoda-me a probabilidade dela desfilar despida no palco de uma casa de diversões de mau agouro, imaginando-se a bailarina da caixinha de música. Conheço um pouco a sua dificuldade de discernimento e vontade limitada para o que lhe exige esforços, embora tenha passado por inúmeras dores.
Em alguns dias, me faz lembrar a personagem Jeca Tatu de Monteiro Lobato, do livro Urupês, crítica às autoridades da época pelo descaso com doenças como o amarelão, que era o problema do Jeca, com dor na cacunda, palpitação e uma canseira que não acabava nunca. Desmotivada e sem ânimo, tropeçou no prazer pelo prazer, me parece. O conteúdo da caneca de lata deve entorpecê-la e os homens, de olhar embriagado, lhe oferecem carícias impudicas que a iludem. Círculo de morte.
Que falta, a uma mãe, para ter poder de limites sobre um filho,  além da presença de um pai de verdade para a mesmo, sem omissão e descompromisso? Quais seriam os limites da própria mãe no que diz respeito à sua responsabilidade e atenção com os filhos?
Falhamos todos. Que pena! Aquilo que considerávamos laços de ternura, pureza e empoderamento, não passaram de frágeis alinhavos.
Que o Senhor vele por ela!

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:12
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ALEXANDRE ZABOT - O DESIGN INTELIGENTE

 

 

 

 

 

 

Alexandre Zabot

 

 

 

 

 

 

 

 

Todos concordam que os seres vivos são complexos, não só na forma, mas também nas funções que seus organimos executam para mantê-los vivos e interagindo com o meio ambiente. Também é bastante claro que há uma diferença de complexidade entre os diversos seres vivos. Bactérias são mais simples que insetos, que por suas vez são mais simples do que mamíferos, ao menos em termos anatômicos. Entretanto, alguns seres são bastante semelhantes a outros em forma e/ou funções, sugerindo algum tipo de proximidade, ou parentesco. Como isso acontece? Como surgiram esses seres e como se desenvolveram as funções que precisam para viver?

Essas breves observações, junto com alguns outros conhecimentos sobre fósseis, genética, fisiologia, anatomia, etc, levaram ao desenvolvimento da chamada Síntese Moderna da Teoria da Evolução, ou neodarwinismo; uma fusão entre as ideias de Darwin e a Genética, com contribuições fundamentais da Bioquímica.

No núcleo da Teoria da Evolução está a observação de que os seres vivos evoluem. A teoria neodarwinista explica essa evolução através de variações genéticas aleatórias e pela sobrevivência do mais forte. Em um grupo de seres surge uma mutação genética que torna esse ser mutante mais apto à sobrevivência naquele momento. Essa maior aptidão o capacita a deixar mais descendentes que levam consigo a mutação. Com o passar do tempo, surge uma nova espécie.

É justamente pelo fato da aleatoriedade estar no centro da teoria neodarwinista que surgem conflitos com a religião, em especial o cristianismo, pois ele ensina que o mundo e principalmente o ser humano, são frutos de um projeto de Deus. Fomos criados, não surgimos de mutações aleatórias sem propósito.

A Igreja Católica não nega o conhecimento científico, mas pelo contrário, afirma que quando está de acordo com o reto uso da razão também é um caminho para Deus, ao lado da fé (cf . Encíclica Fides et Ratio, são João Paulo II). Desse modo, para o católico, não há porque opor o neodarwinismo ao criacionismo. É possível – necessário! – conciliar as duas coisas.

Em 2007 o cardeal Avery Dulles publicou um artigo entitulado “God and evolution” (Deus e a evolução) na revista de teologia First Things. Nesse artigo o cardeal listou três possíveis modos de conciliar o neodarwinismo com o criacionismo sem ferir a doutrina católica (tradução e negritos meus):

“Todas as três destas perspectivas cristãs sobre evolução afirmam que Deus tem um papel essencial no processo, mas concebem o papel de Deus de maneiras diferentes. De acordo com o darwinismo teísta, Deus inicia o processo produzindo desde o primeiro instante da criação (o Big Bang) a matéria e energias que vão gradualmente desenvolver-se em vegetais, animais e eventualmente vida humana na Terra e talvez em mais lugares. De acordo com o design inteligente o desenvolvimento não ocorre sem intervenção divina em alguns estágios, produzindo órgãos irredutivelmente complexos. De acordo com a visão teleológica, o impulso da evolução e seu avanço em graus maiores de ser dependem da presença dinâmica de Deus na sua criação. Muitos adeptos desta escola diriam que a transição da existência físico-química para vida biológica, e as demais transições para vida animal e humana, requer uma dose adicional da energia criativa divina.”

Ao longo do artigo o cardeal Dulles elabora de modo muito didático as principais críticas e pontos fortes de cada posição. Ele se declara partidário da Visão Teleológica, mas deixa claro que os católicos podem defender qualquer umas das três, ao menos de acordo com a doutrina católica.

Bem, eu aproveito a liberdade do cardeal e respeitosamente me declaro partidário do darwinismo teísta. Aliás, não apenas eu, mas praticamente todos os cientistas católicos que conheço. A visão teleológica geralmente é defendida pelos teólogos. Estudando os textos de Ratzinger (papa Bento XVI) parece-me que também essa é sua posição, mas não posso afirmar com certeza pois ele nunca se declarou explicitamente.

São poucos os teólogos, e menos ainda os cientistas, que defendem o chamado Design Inteligente. Como bem colocou o cardeal, a diferença entre as três posições está no quanto Deus interagiria para fazer uma evolução cega caminhar em direção a uma finalidade clara: o ser humano. Os darwinistas teístas afirma que Deus interage pouco, pois já fez o fundamental criando o universo com imensa sabedoria. Os que defendem a visão teleológica pensam que Deus interage com uma frequência baixa, só nos momentos muito cruciais. Por fim, os partidários do Design Inteligente (DI) sustentam que Deus age com muita frequência, sempre que é preciso fazer algo mais complexo.

O grande problema do DI é que ele não é científico, e a visão teleológica tem o perigo de cair num DI com muita facilidade, tornando-se, portanto, também não científica. O DI não é científico porque não faz afirmações que podem ser testadas. A argumentação dos seus defendores sustentam-se quase exclusivamente em críticas à Teoria da Evolução, quase sempre em pontos onde ainda não foi possível explicar um mecanismo evolutivo satisfatório ou em que faltam fósseis como evidência última de que ocorreu uma evolução.

O DI tem um apelo muito forte nos EUA, onde já aconteceram vários julgamentos em tribunais envolvendo pais de alunos e comitês de currículos escolares sobre se o DI deveria ou não ser ensinado nas escolas. Não por acaso, um dos maiores críticos ao DI é o biólogo norte-americano Kenneth Miller, que também é católico e por isso entende bem as sutilezas dos argumentos teológicos envolvidos.

O Dr Miller tem se especializado em debater publicamente com defensores do DI mostrando como o argumento principal deles, a complexidade irredutível, é falso. Segundo essa ideia, alguns órgãos e algumas funções biológicas não poderiam ter surgido por evolução porque são tão complexos que se uma parte faltasse, o todo não poderia funcionar. Um exemplo clássico é o olho: se faltar a retina, a visão estará comprometida, e assim com várias partes da anatomia ocular. Há outros exemplos, como a complexa cadeia bioquímica de coagulação do sangue. Eles concluem que só um Designer Inteligente (Deus) poderia ter feito esses órgãos/funções que são irredutivelmente complexas.

Como eu disse, o grande mérito do Dr Miller foi popularizar artigos técnicos de biologia que demonstram a falsidade do DI evidenciando mecanismos evolutivos para essas partes “mágicas”. Já foi bem explicado como o olho, a coagulação do sangue e outros supostos casos de complexidade irredutível podem surgir com evolução. As explicações contam inclusive com evidências experimentais. Evidentemente, sempre haverá pontos em aberto na ciência, é próprio da investigação científica não possuir respostas definitivas. Assim, os defensores do DI perdem um argumento e procuram outro novo. Por isso, não basta mostrar que eles não propoem uma teoria, mas limitam-se a procurar erros na Teoria da Evolução. Também é preciso mostrar que a ideia deles é inconsistente.

Segundo o Dr Miller, o melhor argumento nesse sentido é olhar para a história evolutiva dos seres vivos e constatar que somente cerca de 1% das mudanças evolutivas permancem ao longo do tempo. Em outras palavras, 99% das novidades são extintas em pouco tempo. Assim, diz ele, “a caracterísca que melhor descreve o Designer Inteligente é a incompetência”. Evidentemente, Deus não pode ser incompetente na sua Criação.

O DI não é uma teoria científica séria, mas uma tentativa de impor um raciocínio religioso à tecnica científica. O pior de tudo é que essa tentativa é feita por meios políticos, convencendo as pessoas que a Teoria da Evolução é contra a fé e a moral. Para piorar, o DI também é uma má teologia, porque sustenta-se no que chamamos de “Deus dos buracos”. Usa Deus para tampar “buracos”, pontos ainda não explicados, pela ciência. O perigo é óbvio: quando a ciência encontrar uma explicação, Deus deixa de ser necessário.

Penso que se a Igreja nos ensina que tanto a ciência quanto a fé nos levam a Deus, o DI não é uma opção para o católico, pois ainda que esteja de acordo com a doutrina – como diz o cardeal Dulles, certamente não está de acordo com o método científico. Resta-nos o darwinismo teológico e a visão teleológica. Ambos têm vantagens e perigos, a discussão está em aberto.

 

Escrito em 03/02/2016

 

 

ALEXANDRE ZABOT   -    Fisico. Doutorado em Astrofisica. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina.   www.alexandrezabot.blogspot.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:04
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JOSÉ RENATO NALIN I - QUEM QUER UM UNICÓRNIO?

 

 

 

 

 

 

 

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Quando eu estudava inglês na Alumni, havia uma lição chamada “The Unicorn in the Garden”, um conto do realismo fantástico propício ao treino de fluência no idioma de Shakespeare. Mais recentemente, uma das netas fez voltar à cena esse animalzinho simpático e quis sua festa de aniversário baseada nele. Mas o unicórnio se tornou hoje algo mais pretensioso e mais consistente. É o nome que batiza as startups que têm valor superior a um um bilhão de dólares, ou cerca de quase quatro bilhões de reais.

A campeã no estímulo à criação e desenvolvimento de tais empresas é a China. Houve tempo em que se fazia ironia com o “made in China”. Hoje o “designed by China” prevalece como indicação de produto de qualidade, compatível com os melhores dentre os países mais adiantados.

A China progrediu porque investiu em educação. Não há greve, não há vandalismo na escola. Pai que não manda filho à escola vai para a prisão e ali paga sua estadia. O Estado toma conta da criança cujos pais são ausentes.

Com isso, chegou a desenvolver superaplicativos fornecedores de um sem número de serviços. Seu ecommerce faz entrega dentro em trinta minutos no máximo. Ela já está quase inteiramente mergulhada na economia digital, nada obstante sua imensa população.

A cidade de Hangzhou, capital da província costeira de Zheijiang, foi berço natal de Jack Ma, fundador do Alibaba, a sexta maior empresa do mundo. O município tem oito milhões de habitantes e conta com trinta incubadoras e dezesseis unicórnios. O total de unicórnios na China supera 160. O Brasil, com 208 milhões de habitantes, tem quatro. Em 2015 foi inaugurada a Dream Town (Cidade do Sonho), espaço apropriado a empreendedores locais e estrangeiros de tecnologia. São quase quinze mil pessoas trabalhando em 1.645 startups. O governo oferece o espaço físico, acesso à nuvem de dados por três anos, auxílio-moradia e treinamento e formou fundo de investimento anjo de 500 milhões de yuans, algo como quase 280 milhões de reais.

A Cidade dos Sonhos está ao lado de duas universidades, vários institutos de pesquisa e ali sobra dinheiro. Seu objetivo é recrutar talentos do mundo inteiro. Doze horas de trabalho por dia, seis dias por semana. Ocorre que o jovem chinês sabe onde quer chegar. Quer dominar o mundo. E não vai demorar para que isso aconteça.

Imagine que a China forma quase cinco milhões de engenheiros e cientistas por ano. Aqui no Brasil, o número mais aproximado a isso é de advogados. Dos quais, ao que parece, a Nação já não precisa de tantos mais.

A competição com os Estados Unidos quanto ao domínio da Inteligência Artificial está sendo vencida pela China. Ali não funcionam os apps sociais do Ocidente. Não entra Facebook, Instagram e WhatsApp. Mas eles têm o WeChat, com 1,1 bilhão de usuários. Presta os mesmos serviços que aqui nós chamamos de Uber, Amazon, WatsApp, Tinder e Facebook. Com a vantagem é de que ele substitui o cartão de crédito.

Todos os jovens chineses já pagam suas contas pelo smartphone. Com isso, o banco central pode reduzir a emissão de dinheiro, o que poupou o Erário. Em 2017, foram transacionados pelo celular cerca de sete trilhões de dólares. Mas isso não é tudo. Em muitas lojas, a leitura facial reconhece a pessoa e a relaciona com sua conta já cadastrada num aplicativo.

Enquanto isso, nós continuamos a insistir na escola tradicional que afugenta o jovem e o empurra para a droga, para a criminalidade ou para a ociosidade. É preciso inverter essa equação cruel e deixar a criança e o moço fazerem aquilo que sabem e de que gostam: brincar com a realidade virtual e exercer criatividade. Decorar informações que podem ser localizadas no Google em segundos é algo totalmente superado. Agora é a vez de fomentar a febre por unicórnios. É disso que o Brasil precisa.

 

 

 

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Uninove, autor de “Ética Geral e Profissional” e Presidente da Academia Paulista de Letras.

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 10:52
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FELIPE AQUINO - POR QUE O ADVENTO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este foi o maior acontecimento da História: o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Dignou-se a assumir a nossa humanidade, sem deixar de ser Deus. Somos convidados a esperar Jesus que vem no Natal e que vem no final dos tempos.

 

 

O Natal de Jesus se aproxima, então devemos esperar o Salvador com a mesma expectativa que o esperaram os Patriarcas, os Profetas, a Virgem Maria, São José, os reis Magos, o velho Simeão: “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Por que os meus olhos viram a vossa salvação” (Lc 2,29).

 

Os Profetas anunciaram a vinda do Senhor com riqueza de detalhes: Nascerá da tribo de Judá, em Belém, a cidade de Davi. Seu Reino não terá fim… Maria O esperou com zelo materno e O preparou para a missão terrena.

 

“Mas tu, (Belém), Éfrata, embora o menor dos clãs de Judá, de ti sairá para mim Aquele que será dominador em Israel” (Mq 5,1).

 

Isaias indicou o seu sinal: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco” (Is 7,14).

 

Sofonias faz o povo se alegrar: “Canta de alegria cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo coração, cidade de Jerusalém. O Senhor revogou a sentença contra ti, afastou teus inimigos; o rei de Israel é o Senhor, Ele está no meio de ti… O Senhor teu Deus está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva; Ele exultará de alegria em tí, movido por amor” (Sof 3,14-18).

 

Malaquias indica o precursor que prepararia o seu povo para sua chegada: “Eis que envio o meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará a seu tempo o Dominador… Eis que vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o Dia do Senhor, dia grande e terrível” (Mal 3,1-4.23-24).

 

 

Isaias fala de sua grandeza e da beleza do Reino messiânico:

 

 

“Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor. (Sua alegria se encontrará no temor ao Senhor.) Ele não julgará pelas aparências, e não decidirá pelo que ouvir dizer; mas julgará os fracos com equidade, fará justiça aos pobres da terra, ferirá o homem impetuoso com uma sentença de sua boca, e com o sopro dos seus lábios fará morrer o ímpio. A justiça será como o cinto de seus rins, e a lealdade circundará seus flancos. Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi. A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu santo monte, porque a terra estará cheia de ciência do Senhor, assim como as águas recobrem o fundo do mar. Naquele tempo, o rebento de Jessé, posto como estandarte para os povos, será procurado pelas nações e gloriosa será a sua morada” (Is 11, 1-10).

 

 

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Leia também: Advento: O que é?

10 curiosidades sobre o Advento que melhorarão seu Natal

Advento: Preparação para a Festa do Natal de Jesus

O que significa a Coroa do Advento?

 

 

Isaías exortou o seu povo a ter ânimo porque Ele vem:

 

 

“Dizei àqueles que têm o coração perturbado: Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus! Ele vem. Eis que chega a retribuição de Deus: ele mesmo vem salvar-vos. Então se abrirão os olhos do cego. E se desimpedirão os ouvidos dos surdos; então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo dará gritos alegres. Porque águas jorrarão no deserto e torrentes, na estepe” (Is 35,1-6).

 

“Porque um Menino nos nasceu, um filho nos foi dado, Ele recebeu o poder sobre seus ombros, e lhe foi dado este Nome: Conselheiro – Maravilhoso, Deus – Forte, Pai – Eterno e Príncipe – Da – Paz” (Is 9,5).

 

Então, a Igreja nos ajuda a preparar o coração para a sua chegada. Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador. Nas duas últimas semanas, lembrando a espera dos profetas e de Maria, nós nos preparamos mais especialmente para celebrar o nascimento de Jesus em Belém.

 

A cada domingo acende-se uma das velas, que representam as várias etapas da salvação. As velas acesas simbolizam nossa fé, nossa alegria. Elas são acesas em honra de Jesus que vem a nós. Deus, a grande Luz, “a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo 1,9), nós O esperamos com luzes, porque O amamos e também queremos ser, como Ele, Luz. Simbolizam as grandes etapas da salvação em Cristo: A vermelha que simboliza o perdão a Adão e Eva e a nossa fé. A verde, representa a esperança dos Patriarcas. A rosa (roxo claro), simboliza a alegria do rei Davi, o rei que simboliza o Messias. A branca simboliza os Profetas, que anunciaram um reino de paz e de justiça que o Messias traria.

 

“É o tempo favorável, o dia da salvação”, de se arrepender dos nossos pecados e preparar o coração para o encontro com o Senhor. A celebração do Advento exige a mudança de mentalidade, correção de tudo que está na contramão do Evangelho em vista à busca da santificação pessoal.

 

É uma oportunidade de meditarmos em nossa fé; nossa opção religiosa por Jesus Cristo; nosso amor e compromisso com a Santa Igreja Católica.

 

Dois aspectos marcam o tempo do Advento: a preparação próxima para o Natal e a lembrança viva do retorno glorioso de Cristo. Jesus alertou: “Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas só o Pai” (Mt 24,36). Peregrina nesta terra, a Igreja aguarda a vinda triunfal do “Dia do Senhor!” (1 Cor 1,8;5,5).

 

O Papa Bento XVI disse que: “O Advento nos chama a aproximar-nos, quase na ponta de pés, da gruta de Belém, onde se realizou o acontecimento que mudou o curso da história: o nascimento do Redentor”. “Mas a pergunta é: a humanidade do nosso tempo espera ainda um Salvador? Tem-se a impressão de que muitos consideram Deus fora dos seus interesses. Aparentemente não precisam d’Ele; vivem como se Ele não existisse e, ainda pior, como se fosse um “obstáculo” a superar para se realizarem a si mesmos. Também entre os crentes temos a certeza há quem se deixa atrair por quimeras aliciantes e distrair por doutrinas desviantes que propõem atalhos ilusórios para obter a felicidade”.“Sem dúvida, falsos profetas continuam a propor uma salvação a “baixo preço”, que termina sempre por gerar violentas desilusões”.

 

Celebrando cada ano este mistério, a Igreja nos exorta a renovar continuamente a lembrança de tão grande amor de Deus para conosco. A vinda de Cristo não foi proveitosa apenas para os seus contemporâneos, mas que a sua eficácia é comunicada a todos nós se, mediante a fé e os sacramentos, e orientar nossa vida de acordo com os seus ensinamentos.

 

A Igreja deseja ainda ardentemente fazer-nos compreender que o Cristo, assim como veio uma só vez a este mundo, revestido da nossa carne, também está disposto a vir de novo, a qualquer momento, para habitar espiritualmente em nossos corações com a profusão de suas graças, se não opusermos resistência.

 

Santo Irineu (†200) disse que: “Com a vinda de Cristo, Deus torna-se visível aos homens”. São Máximo, bispo de Turim, dizia: “Enquanto estamos para acolher o Natal do Senhor, revistamo-nos com vestes nítidas, sem mancha. Falo da veste da alma, não da do corpo. Vistamo-nos não com vestes de seda, mas com obras santas! As vestes vistosas podem cobrir os membros mas não embelezam a consciência”.

 

Nascendo entre nós, que o Menino Jesus não nos encontre distraídos ou comprometidos simplesmente a embelezar com iluminações as nossas casas. Ao contrário, preparemos na nossa alma e nas nossas famílias uma habitação digna onde Ele se sinta acolhido com fé e amor.

 

 

 

FELIPE AQUINO Escritor católico. Prof. Doutor da Universidade de Lorena. Membro da Renovação Carismática Católica.

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:44
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PAULO R. LABEGALINI - CUIDADO PARA NÃO QUEIMAR A LÍNGUA

 

 

 

 

 

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Conta a lenda que um velho sábio, tido como mestre da paciência, era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um homem conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu com a intenção de desafiá-lo.

O velho aceitou mais aquele teste e o homem mau começou a xingá-lo. Chegou a jogar algumas pedras em sua direção, cuspiu-lhe e gritou todos os tipos de insultos. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o sábio permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o homem sem escrúpulos se deu por vencido e retirou-se.

Impressionados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pode suportar tanta indignidade. O velho, porém, também lhes questionou: ‘Se alguém chega com um presente e vocês não o aceitam, a quem pertence o presente?’ Um dos discípulos respondeu-lhe: ‘A quem tentou entregá-lo’. Daí, o sábio completou: ‘O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. Portanto, a sua paz interior depende exclusivamente de você, pois as pessoas só podem lhe tirar a calma se você permitir’.

Bem, com certeza, falar é bem mais fácil do que praticar a paciência, contudo, eu posso testemunhar que o velho mestre da história tem razão. Mudando o meu comportamento e não mais deixando que me irritassem, adquiri o hábito da paciência e quase não discuto com alguém; aliás, quem procura colocar as suas insatisfações para fora, corre o risco de ‘queimar a língua’, como neste conto verídico que foi publicado no jornal ‘Juventude Vicentina’ de Barbacena:

Na década de 70 em Belo Horizonte, perto da Estação Ferroviária Carlos Prates, havia uma ponte de ferro que servia de abrigo para os mendigos. Idosos, jovens, mulheres e crianças vegetavam ali, em grande contraste com os padrões de classes culturais, financeiras e sociais.

Todos os dias dentro do carro, ao voltarem do trabalho, um senhor comentava com o amigo: ‘Tenho nojo dessa gente, são uns vagabundos! Essa raça é preguiçosa e não vale nada’. O colega, ao ouvir isto, o repreendia: ‘Não diga nunca uma coisa dessas sobre nossos semelhantes. É preciso entender que esses indigentes são filhos de Deus e, infelizmente, não tiveram uma família estruturada e nem oportunidades de realizar nada’.

Mas, o companheiro sempre discordava: ‘Que nada, pau que nasce torto, morre torto. Nem você e nem ninguém irá me convencer que estou errado a respeito dessa gentinha de rua’. E, assim, iam discutindo meses e meses ao passarem pelo local.

Um dia, próximo da estação, o gato do homem que se enojava dos pobres se assustou dentro do seu carro e pulou sobre ele, fazendo-o perder o controle do veículo. Como a rua saía em frente ao Rio Arrudas, o carro foi pra dentro d’água, colocando em risco a vida do motorista e de sua esposa. Se não fosse o pronto socorro prestado pelos mendigos ali presentes, eles teriam morrido.

Parte daquela ‘gentinha’ pulou voluntariamente nas correntezas, enquanto outros correram para cercar os motoristas que vinham passando e solicitaram que levassem os dois afogados ao hospital. Em seguida, os pedintes amarraram o veículo com cordas e evitaram que fosse levado pela correnteza, até chegar o reboque.

Esta história saiu no jornal com o título: ‘Os miseráveis em resgate!’ Eu penso que o maior resgate que fizeram naquele dia nem foi do veículo ou da vida do casal, mas da alma daquele que os considerava ‘lixo’.

Para uns, isso tudo pode ser apenas coincidência ou capricho da natureza, mas a verdade é bem outra: quem não se volta para Deus, um dia acaba levando uma ‘bofetada na face’. E quando Jesus disse que tomando uma bofetada numa das faces do rosto devemos dar a outra, não se referiu à parte física, mas sim ao perdão. É através do perdão que cultivamos a paz nos corações rancorosos e agradamos a Deus, além de evitarmos correr o risco de ‘queimar a língua’, não é mesmo?

Pena que a história não trouxe o depoimento do casal resgatado pelos mendigos após o acidente. Será que o marido seria capaz de repetir os insultos que fazia aos diariamente pobres? Como terá sido a sua conversão? Hoje, estaria vivo ou praticou a caridade e já se encontra no Céu? Tudo isso eu gostaria muito de saber, mas os fatos mais importantes acredito que foram contados.

O diálogo abaixo também é verídico e foi travado em outubro de 1995 entre um navio da marinha norte-americana e as autoridades costeiras do Canadá, próximo ao litoral de Newfoundland. Os americanos disseram primeiro pelo rádio:

- Favor alterar seu curso 15 graus para norte para evitar colisão com a nossa embarcação.

Os canadenses responderam de pronto:

- Recomendo mudar o seu curso 15 graus para sul.

O americano ficou mordido:

- Aqui é o capitão de um navio da Marinha Americana. Repito, mude o seu curso.

Mas, o canadense insistiu:

- Não. Mude você o seu curso atual.

O negócio começou a ficar feio e o capitão americano berrou no microfone:

- Este é o porta-aviões USS Lincoln, o segundo maior navio da frota americana no Atlântico. Estamos acompanhados de três destroyers, três fragatas e navios de suporte. Eu exijo que vocês mudem seu curso 15 graus para norte ou então tomaremos contramedidas para garantir a segurança do navio.

E a resposta foi humilhante:

- Aqui é um farol, câmbio!

Pois é, quantas vezes criticamos a ação dos outros, exigimos mudanças de comportamento nas pessoas que vivem perto de nós, quando na verdade nós é que deveríamos mudar o nosso rumo. Quem não percebe isso a tempo, pode acabar queimando muito mais do que a língua.

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



publicado por Luso-brasileiro às 10:36
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - A IMPRENSA IRÁ DESAPARECER ?

 

 

 

 

 

 

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Recentemente, a Associação Portuguesa de Imprensa, e a AIIC., enviaram, conjuntamente, missiva ao Primeiro-ministro, Dr. António Costa, alertando-o para a situação dramática, em que se encontra, atualmente, a Imprensa em Portugal.

Desconheço se houve resposta, e se a vai acudir, já que atravessa, a pior crise de sempre, a ponto, de vir, a curto prazo, desaparecer.

Todos sabemos, que para haver verdadeira e plena democracia, é essencial: imprensa; e imprensa livre.

Com a crise económica, que assolou o País, que felizmente, dizem ter terminado, houve menos receitas de publicidade, tanto nos órgãos de expansão nacional, como nos periódicos locais.

Juntamente com a quebra, aliou-se, a diminuição acentuada de assinantes e leitores. Certamente, não é alheio, o facto dos pensionistas e reformados (principais leitores de jornais e revistas,) mormente, os considerados da Classe Média, não terem poder de compra suficiente, para adquirirem e assinarem as publicações.

O problema dos baixos salários, parece, que em breve, será resolvido. Serão, as pensões, da dita Classe Média, também aumentadas? Duvido: porque não ouço, os políticos, ventilarem o tema.

Não digo que os jovens não comprem periódicos; mas, em regra, são os idosos, que por hábito ou necessidade, ainda os adquirem. Basta visitar os Centros Comerciais, para contactar a idade dos leitores.

Outrora, a maioria dos crentes, sentiam-se na obrigação de assinarem os hebdomadários católicos, e auxiliar e ler a Boa-imprensa – como se dizia, – era dever de todo o bom católico.

Infelizmente, esse hábito ou obrigação, caiu em desuso. Nos nossos dias, poucos são os fiéis que pagam a côngrua, e ainda menos, os que adquirem a Boa-imprensa.

Deste modo, um a um, a imprensa católica ou não, vai desaparecendo. Cada vez mais, se vê abandonada, de todos, inclusive do governo.

Será, que o nosso Primeiro-ministro, se lembrará dela? Deus queira. Porque, com ela, desaparecerá, igualmente, a democracia, e quiçá, o Amor à Pátria.

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:16
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JORGE VICENTE - DOURO...

 

 

 

 

 

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JORGE VICENTE    -   Fribourgo, Suiça

 



publicado por Luso-brasileiro às 10:06
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EUCLIDES CAVACO - O VALOR DAS COISAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



É salutar sabermos a diferença entre preço e valor das coisas. Aqui partilho este poema de hoje

evidenciando este conceito.


Video elaborado pelo talentoso amigo Afonso Brandão.

 



https://www.youtube.com/watch?v=L9N1gfspAbY

 

 

 

 

Desejos dum excelente fim de semana.

 

 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

***

 

 

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ESTA É UMA BANDEIRA DESFRALDADA PELO GRUPO DE “ROTARIANOS NO TRÂNSITO”, COORDENADO PELO COMPANHEIRO ADÍLIO VALADÃO, DO ROTARY CLUB SÃO JOÃO DE MERITI – DISTRITO 4571. O COMPANHEIRO ADÍLIO BEM COMO TODOS OS INTEGRANTES DO GRUPO, SILENCIOSAMENTE, SEMPRE QUE PODEM, OBJETIVAM CRIAR CONSCIÊNCIA QUANTO À RESPONSABILIDADE DE PRESERVAR A VIDA, EVITANDO ACIDENTES NO TRÂNSITO. O COMPANHEIRO JOÂO VASCONCELLOS, DO ROTARY CLUB DUQUE DE CAXIAS, DIRETOR DO CENTRO DE FORMAÇÃO DE CONDUTORES VASCONCELLOS (AUTO ESCOLA) – RUA GENERAL DIONISIO – ESQUINA COM MARECHAL DEODORO, NO BAIRRO 25 DE AGOSTO, ESCREVEU NO JORNAL O PATRONO:

“ .... Muitos condutores saem para as ruas sem ter o mínimo de conhecimento sobre regras de circulação e preferência das vias e com isso causam transtornos e acidentes muitas vezes fatais. O próprio motorista, no seu interesse , tem de ser o seu fiscal. No dia que colocarem isso na sua cabeça, o trânsito brasileiro melhora e as estatísticas catastróficas serão coisas do passado. “”

 

MAIS EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO, MENOS ACIDENTES NAS VIAS PÚBLICAS

Vejam o anexo ( abaixo) escrito pelo companheiro João Vasconcellos.

 

Antônio J C da Cunha

Do Grupo Rotarianos no Trânsito

 

 

 

índice.png

 

 

***

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

***

 

HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confisões.



https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opcoes 

 

***

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 09:59
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Domingo, 1 de Dezembro de 2019
CINTHYA NUNES - PROPÓSITO

 

 

 

 

 

 

 

 

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            Todos os dias aumenta a consciência de minha ignorância. Diante de tantas coisas a aprender, de frente e de costas para tantos mistérios desse mundo, aumenta a certeza de que tudo o que sei nem de longe se aproxima de uma milésima parte do que há para saber. Nesse sentido e em tantos outros, lamento a pequena duração da existência humana. Por outro lado, diante do mal que a humanidade é capaz, sinto, paradoxalmente, que alguns vivem demais.

            Sempre irei me recordar, enquanto for dona de meus pensamentos, de uma, entre tantas frases do meu pai, que diz que morrer ignorante é um de seus maiores temores. Quando eu era criança, entretanto, não compreendia isso, mas é porque as crianças  quase sempre flertam com a eternidade e com o pensamento mágico de que o mundo é simples, pequeno e decifrável.

            Infelizmente, constato que irei morrer ignorante, mesmo que viva muito, pois não é dado, em uma única existência, absorver tudo o que há para ser aprendido. Particularmente, sempre que descubro algo que não sabia, desde uma nova técnica, conceitos de nova corrente de pensamento, novos lugares no mundo ou uma cor que nunca vi, maravilho-me como se tivesse acabado de chegar a um lugar nunca dantes visitado. Sei e lamento, no entanto, que não terei tempo para tudo e o que mais me incomoda é desconhecer o propósito da existência humana.

            Não tenho base científica ou religiosa sólida e dogmática que tenha me convencido da superioridade humana sobre o restante da criação. Muitas vezes só desconfio que seja o contrário. Diante do que temos feito a esse planeta e aos demais seres vivos, cheios de empáfia, crueldade, descaso e repletos de super autovalorização, parece-me pouco provável sermos o melhor da Criação. Então, qual o nosso propósito?

            Por que somos criaturas atormentadas, com cérebros pensantes e malucos? Incapazes de apenas existir ou de evoluirmos, todos juntos, em harmonia, superando as pequenezas, as idiossincrasias, os preconceitos, as intolerâncias? O que estamos fazendo aqui? Estaremos todos ao léu, gente e bicho, em um salve-se quem puder ou haverá de fato algum plano superior, incapaz de ser apreendido pela nossa rudimentar consciência? Qual nosso propósito?

            O meu medo de morrer e deixar de existir em algum plano não está propriamente ligado ao medo da morte, mas ao pavor que tenho de que não exista propósito algum. Então de que terá valido o sofrimento de tantos? Qual a alea que separa os bem-aventurados dos desgraçados? Quem rola os dados da nossa sorte?

            Antes que alguém possa pensar que sou uma descrente total, afirmo que acredito em uma força criadora, em um Deus, mas ainda não me sinto esclarecida sobre o propósito da existência humana e minhas duvidas aumentam sempre que constato do que a humanidade é capaz, para o bem e para o mal, em uma dualidade que me confunde e que me faz seguir em busca de conhecimento.

            Haverá, por outro lado, algum propósito em me sentir atormentada pela existência de propósitos? Não faço a menor ideia, infelizmente. Na minha insignificância terrena, espero que haja e que isso, no apagar da pequena chama da minha vida, possa ser esclarecido. Em meus devaneios gosto de pensar que terei o alívio da revelação, entendendo, por fim, qual a razão do sofrimento de todas as formas de vida. Nesse dia, eu saberia estar no Céu.

 

 

 

Cinthya Nunes é jornalista, professora universitária, advogada e nunca deixa de lamentar as ausências que a existência impõe – cinthyanvs@gmail.com

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 23:45
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