PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 6 de Março de 2020
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - SAPATINHOS VERMELHOS

 

 

 

 

 

 

 

 

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Nesse tempo de “Dia Internacional da Mulher”, recordo-me das com quem encontrei nas periferias da humanidade e que foram marcadas por estragos emocionais. Filhas: do abuso sexual infantojuvenil; de agressões constantes por surras e palavras, no seio familiar; do preconceito de raça, da situação econômica, do comportamento dos pais, da dificuldade em aprender na escola, da falta de um emprego... Mulheres que passaram ou se encontram no comércio do sexo e são vistas como vadias e, assim, pisoteadas por quem passa. Mulheres egressas das cadeias.
Fazendo um aparte a respeito de posturas que honram a mulher.  Uma egressa do sistema penitenciário contou-me que, quando cumpria pena em Campinas, necessitou de uma cirurgia no baixo ventre. O policial da escolta informou o médico que iria junto ao centro cirúrgico. O médico o desautorizou e lhe disse: “Você é policial para o Estado de São Paulo e eu sou médico para o mundo, portanto, seja quem for, me cabe preservar a intimidade da pessoa”.
Muitas das mulheres com estragos emocionais e físicos que conheci e conheço usaram ou usam de comportamentos que as danificam mais para lidarem com suas dores como consumo de drogas, automutilação, tentativas de suicídio e suicídio.
O conto “Os sapatinhos vermelhos” de Hans Christian Andersen me emociona. Trata-se da pobre órfã que não tinha sapatos, mas que conseguiu costurar um par, vermelho, com trapos que guardava.  “Adotada” por uma senhora de carruagem dourada, apesar dos calçados novos, entristeceu-se ao saber que os sapatos foram lançados ao fogo.  Tempo depois, adquirindo outro par de sapatos vermelhos, além da cor que causava escândalo na época, os fez que ela dançasse sem parar.  Um espírito guardião lhe disse que dançaria até que ficasse como um fantasma. Chegando ao carrasco da cidade, solicitou que lhe cortasse os sapatos, mas o mesmo não conseguiu. Pediu que lhe amputasse os pés, o que foi feito. Mesmo assim, os sapatinhos vermelhos com seus pés amputados continuaram a persegui-la.
Segundo a analista junguiana e escritora Clarissa Pinkola Estés, no livro “Mulheres que correm com os lobos”, ao ter os sapatos queimados, feitos por ela mesma, a menina perdeu a mobilidade e liberdade. É isso que acontece com as meninas e as mulheres marcadas por estragos físicos e emocionais: roubam-lhe o direito ao livre arbítrio.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:58
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ALEXANDRE ZABOT - A CIÊNCIA E O CRISTÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alexandre Zabot

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao homem do século XXI tudo envolve tecnologia, nada acontece na sua rotina diária sem estar relacionado a ela. Esta, por sua vez, é irmã gêmea da ciência, que não é tão nova mas só há pouco tempo tem começado a impactar de fato na vida do cidadão comum. Apesar de tanta importância, uma parte considerável das pessoas ainda não compreende o que realmente significam a ciência e a tecnologia. Alguns, motivados por declarações falsas da mídia ou de cientistas que vão além de suas competências e as apresentam como base para o ateísmo, colocam-se contra estas duas ferramentas maravilhosas da nossa era acreditando que, assim, defendem sua fé. Esta postura, entretanto, é a pior possível. Pode-se enumerar ao menos três grandes motivos para o cristão se dedicar a conhecer mais sobre ciência. A partir destes derivam-se muito outros.

O primeiro motivo é a sobrevivência. Se estamos num mundo tecnológico, só quem é capaz de lidar com ela pode ter um emprego e uma vida digna. Desde o empregado mais simples de uma indústria, passando pelo comerciante, até o engenheiro, todos precisam conhecer em maior ou menor grau ciência e tecnologia para desempenhar seus trabalhos. A ninguém hoje é dado o direito de alienar-se e ainda assim ter uma condição social minimamente aceitável. Se alguém, não importa por quê razão, se coloca a priori contra a ciência, como pode estudá-la satisfatoriamente para se desenvolver profissionalmente? Esta pessoa está fadada à hipocrisia de quem é contra algo mas aceita-o por interesses próprios, ou ao completo fracasso profissional e, consequentemente, social. Certamente não é o que Deus espera de um filho seu!

A segunda razão para um cristão conhecer tecnologia e, especialmente ciência, é a apologia cristã, ou seja, a defesa da fé. Se no mundo abundam afirmações cheias de cunho ideológico que tentam atacar a fé usando a ciência, cabe a nós protestar contra seu uso indevido. O papa Leão XIII refundou o Observatório do Vaticano em 1891. Já no primeiro parágrafo do Motu-Proprio de refundação ele deixa bem claras suas motivações, falando dos que atacam a Igreja: “... os filhos das trevas tomaram o costume de deprimi-la [A Igreja] em público com uma insensata calúnia e, trocando a noção das coisas e das palavras, de chamá-la amiga do obscurantismo, sustentáculo da ignorância, inimiga da luz, da ciência e do progresso”. Por construção e estrutura a ciência é neutra em relação a Deus. É preciso que os cristãos se dediquem a compreender isso para não ter sua fé atacada sem base alguma por ateus que se dizem grandes defensores da “verdade científica”. No mesmo documento o papa deixa claro que é este o papel esperado dos padres do Observatório do Vaticano: “que todos possam ver claramente que a Igreja e seus Pastores não se opõem à ciência sólida e verdadeira, quer humana ou divina, mas a encorajam e promovem com a máxima dedicação possível”. Creio que este também é papel dos leigos.

O último dos três motivos é, de certa forma, o mais nobre. Trata-se de trocar conhecimentos entre a teologia e a ciência e a tecnologia para o bem das três áreas. O amado papa São João Paulo II falou-nos muito sobre isso: “O que é criticamente importante é que cada disciplina [Ciência e Teologia] deve continuar a enriquecer e nutrir a outra a ser mais plenamente o que pode ser” (Carta ao diretor do Observatório do Vaticano, 1988). A fé pode ser enriquecida pois “O desenvolvimento do espírito crítico purifica-a duma concepção mágica do mundo e de reminiscências supersticiosas, e exige uma adesão cada vez mais pessoal e ativa à fé, o que faz que sejam numerosos aqueles que atingem um sentido mais vivo de Deus” (Gaudium et Spes). A ciência e principalmente a tecnologia são neutras moralmente e precisam da ética para não voltarem-se contra o homem. Exemplos concretos não faltam: tecnologias militares usadas para destruição em massa e a própria crise ecológica são realidades terríveis vividas atualmente por todos.

Colocados estas três principais razões para um cristão conhecer a ciência, finalizo citando santo Agostinho, para quem “... mesmo um não-cristão sabe alguma coisa sobre a Terra, os céus e outros elementos deste mundo ...” e por isso é vergonhoso “ouvir um cristão que tira conclusões precipitadas a respeito do sentido das Sagradas Escrituras e diz bobagens sobre esses tópicos; e devemos empregar todos os meios para evitar esse tipo de situação constrangedora” (Comentário ao Gênesis). Não é possível portanto, que um cristão se coloque contra teorias científicas (como o Big Bang e a Evolução, por exemplo) por motivos puramente religiosos. Se quiser fazê-lo, que faça-o em termos científicos, não teológicos. Por respeito próprio e de toda a cristandade.

 

Escrito em 03/2009

 

 

ALEXANDRE ZABOT   -    Fisico. Doutorado em Astrofisica. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina.   www.alexandrezabot.blogspot.com.br

 



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JOSÉ RENATO NALINI - DÁ A BOLA E DEIXA JOGAR!

 

 

 

 

 

 

 

 

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Foi instrutivo e prazeroso integrar a Banca de arguição de Doutorado de Eduardo Mosna Xavier, talentoso hoje Doutor pela Faculdade de Educação pela USP. Sua tese é instigante. Analisa o período da História recente do Brasil que se convencionou chamar “Nacional Desenvolvimentismo” e o que ele significou para enfatizar a crise de identidade da Educação Física. O nome da tese é “A relação entre o esporte e a ginástica para a prática do “dá a bola e deixa jogar!”: o papel do Nacional Desenvolvimentismo Brasileiro (1946 a 1964) na crise de identidade da educação física escolar.

Pesquisa apurada e percuciente, percorreu tudo o que se publicou a respeito e inovou, já que escassa a produção focada no tema eleito. Foi-me gratificante concordar com o doutorando, porque fui aluno do antigo ginásio e do curso científico àquela altura: de 1957 a 1963 e pude comprovar a costumeira prática do “deixar a bola rolar”. Não havia qualquer preocupação com o desenvolvimento físico do alunado. Aqueles desprovidos de talento para o futebol, ou mais frágeis, ou menores, eram postos de escanteio, para ficar na linguagem futebolística.

A tese recupera temas sensíveis para o aprimoramento da educação brasileira, hoje em estágio crítico. O cáustico político Carlos Lacerda já detectara, durante a discussão da Lei de Diretrizes e Bases, que “a escola no Brasil tornou-se um artifício, tornou-se uma superfetação, tornou-se uma espécie de preparação para a anulação das qualidades e das vocações, das tendências e das potencialidades da inteligência do povo brasileiro, principalmente porque é organizada, é dirigida, é teleguiada, se assim me posso exprimir, por uma burocracia federal que prefixa os programas desde o Território do Rio Branco até as margens do Chuí, de tal modo que a imensa diversidade brasileira ainda não foi levada na devida conta pelo sufocante aparelho burocrático desse inútil e pernicioso Ministério da Educação e Cultura”. Isso foi dito em 1958. Foram necessários 60 anos para a adoção da Base Nacional Comum Curricular!

Eduardo Mosna também cita Anísio Teixeira, que em seu livro “A Educação e a Crise Brasileira”, de 1956, salientava que a escola primária, a melhor escola brasileira, apesar de todos os pesares, foi transformada “em má escola de ler e escrever, com perda sensível de prestígio social, eficiência e alcance, decorrente de não se haver articulado com o ensino médio e superior e de não mais satisfazer às necessidades mínimas de preparo para a vida”. Também critica a improvisação na formação de professores: “Sem sequer possuir a modesta pedagogia da escola primária, não a inquietou nenhuma agulhada de consciência na prática dos métodos mais obsoletos de memorização, da simples imposição de conhecimentos inertes e do formalismo das notas e dos exames”.

Realidade ainda hoje presente na quase totalidade das escolas no Brasil. Antes disso, Rui Barbosa já convocara os brasileiros a uma renovação estrutural da educação: “Cumpre renovar o método, orgânica, substancial, absolutamente, nas nossas escolas. Ou antes, cumpre criar o método; porquanto o que existe entre nós usurpou um nome, que só por antífrase lhe assentaria: não é o método de ensinar; é, pelo contrário, o método de inabilitar para aprender. A criança, esse belo organismo, animado, inquieto, assimilativo, feliz, com os seus sentidos dilatados pela viveza das impressões como amplas janelas abertas para a natureza, com a sua insaciável curiosidade interior a atraí-la para a observação dos fenômenos que a rodeiam, com o seu instinto investigativo, com a sua irreprimível simpatia pela realidade com a sua espontaneidade poderosa, fecunda, criadora, com a sua capacidade incomparável de sentir a amar “o divino prazer de conhecer”, a criança, nascida assim, sustentada assim pela independência dos primeiros anos, entra para o regime da escola, como flor, que retirassem do ambiente enérgico e luminoso do céu tropical, para experimentar na vida vegetativa da planta os efeitos da privação do sol do ar livre, de todas as condições essenciais à natureza da pobre criaturinha condenada”.

Precisa mais? Já fomos melhores. Tive a certeza, ao me dedicar à leitura da tese do Doutor em Educação EDUARDO MOSNA XAVIER.

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI  é Reitor da UNIREGISTRAL, docente na Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.   

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 11:31
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FELIPE AQUINO - QUAL PENITÊNCIA ESCOLHER PARA VIVER ESTE PERÍODO DA QUARESMA ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conheça algumas sugestões…

 

Com a chegada da Quaresma, muitos católicos sentem-se perdidos sobre quais penitências devem adotar neste tempo de reflexão e preparação para a Páscoa.

Pensando nisso, o Padre José Eduardo separou algumas sugestões de mortificação:

 

 

  1. Penitências gastronômicas:

 

– Trocar a carne por peixe, ovos ou queijo (ou mesmo comer puro);
– Comer menos arroz, feijão, pão, macarrão, para sair da mesa com um pouco de apetite;
– Eliminar todos doces, refrigerantes, chocolate e demais guloseimas;
– Nas refeições, acrescentar algo que seja desagradável, como diminuir a quantidade de sal ou colocar um condimento que quebre um pouco o sabor;
– Comer algum legume ou verdura que não se goste muito;
– Diminuir ou mesmo tirar as refeições intermediárias (como o lanche da tarde);
– Tomar café sem açúcar, ou água numa temperatura menos agradável;
– Reservar algum dia para o jejum total ou parcial.

 

 

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Leia também: O que é a penitência?

Quaresma, tempo de voltar para Deus

Como viver bem o tempo da Quaresma

Como viver a Quaresma?

Fazei penitência

 

 

 

  1. Penitências corporais:

 

 

(Apenas para ajudarem a não perdermos o sentido do sacrifício ao longo do dia, a não sermos relaxados, devendo ser pequenas e discretas).
– Dormir sem travesseiro;
– Sentar-se apenas em cadeiras duras;
– Rezar alguma oração mais prolongada de joelhos;
– Não usar elevadores ou escadas rolantes;
– Trabalhar sem se encostar na cadeira;
– Cuidar da postura corporal;
– Descer um ponto antes do ônibus e fazer uma parte do caminho à pé;
– Deixar de usar o carro e pegar um transporte coletivo.

 

 

Ouça também: E, se quebrar minha penitência da Quaresma?

 

  1. Penitências Morais:

 

(São as mais importantes)


– Não reclamar das contrariedades do dia, mas agradecer e louvar a Deus;
– Sorrir sempre, mesmo quando haja um nervoso;
– Moderar a frequência às redes sociais, celular e computador (reduzir a poucas vezes ao dia);
– Desligar as notificações do celular;
– Fazer os serviços mais incômodos na casa e no trabalho, ajudando os outros;
– Acordar mais cedo para fazer oração;
– Não ouvir música no carro;
– Não assistir TV, mas dedicar este tempo à leitura;
– Não usar jogos eletrônicos, caso seja viciado;
– Fazer algum trabalho voluntário;
– Rezar mais pelos outros, do que por si mesmo;
– Reservar dinheiro para dar esmolas, mas sobretudo, atenção aos mendigos;
– Não se defender quando alguém lhe acusa;
– Falar bem das pessoas que se gostaria de criticar;
– Ouvir as pessoas incômodas sem as interromper;
– Dormir no horário, mesmo sem vontade.

 

Assista também: A importância dos exercícios quaresmais

Qual é o sentido de se fazer uma penitencia por 40 dias? Como escolher uma boa penitencia?

Por que devemos jejuar na Quaresma?

 

 

Padre José EduardoSacerdote da Diocese de Osasco. Pároco da Paróquia São Domingos. Doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma).
https://www.facebook.com/Pe.JoseEduardo

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:12
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VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - MAIS DO QUE OURO

 

 

 

 

 

 

 

 

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Estou cá: quietinha e inteira!

Bem, sozinha e no meu cantinho.

Vinde a mim quem amar me queira;

Não vou mais implorar carinho.

 

Nos enfeites quase uma freira:

Dos fios do cabelo ao dedinho

Sem brinco, colar ou pulseira.

Mais do que ouro me vale o espinho.

 

Estou cá: quietinha e inteira!

Bem, sozinha e no meu cantinho.

Vinde a mim, quem amar me queira;

Não vou mais implorar carinho.

 

 

 

 

 

Valquíria Gesqui Malagoli, escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:04
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HUMBERTO PINHO DA SILVA - COMO TUDO MUDA!....

 

 

 

 

 

 

 

 

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Durante anos ouvi dizer, que o ar do rio era prejudicial para a saúde: humidade, nevoeiros constantes, eram causadoras de graves lesões no aparelho respiratório.

Os “ricos” fugiam das margens do Douro, para morarem em lugares isentos de nevoeiro e da perigosa poluição citadina, onde havia “vapores” doentios, saturados de gasolina.

Só os pobres e a classe-media (que por vezes é mais necessitada que os pobres,) aceitavam viver na proximidade do rio. Não pela beleza das margens ribeirinhas, mas por motivos económicos.

Na velha cidade, nas ruas e ruelas dos bairros típicos, as casas antigas, de granito, algumas brasonadas, eram habitadas por gente do povo: homens e mulheres, quase sempre sem educação, e alguns de duvidosa moral.

Nos últimos anos, com a invasão dos turistas. Turistas endinheirados e encantados pela beleza do antigo burgo, começaram adquirir casarões: uns, transformaram-nos em hotéis; outros, em prédios de apartamento de luxo.

Logo a elite – filhos daqueles que se refugiaram em zonas livres de nevoeiros matinais, – vendo estrangeiros a comprar casas antigas, apressaram-se a alugar ou adquirir moradias, junto ao rio e ruas, outrora degradadas! …

Como tudo isso é curioso e engraçado!...

 

 

***

 

Nos anos setenta, meu pai, que era proprietário de velha casa barroca, delapidada, foi intimado a destruí-la, no prazo de três meses.

Como não tinha recursos de a restaurar, nem meios económicos para a destruir, não teve outro remédio, depois de argumentar – perante as autoridades, – que era prédio barroco, de grande valor arquitetónico a vende-la ao desbarato Quem a comprou não a destruiu… As ruínas só eram perigosas se meu pai fosse proprietário! …

Decorrido décadas, passei por ela e fiquei pasmado: estava bonita!: lavadinha e pintadinha! ….

Interroguei mulher, que passava, e fiquei a saber, que fora adquirida pela Câmara, por ser casa muito antiga…

 

***

 

Outrora, os “ricos”, fugiam dos nevoeiros; e os “ pobres” viviam nos bairros antigos e zonas ribeirinhas. Agora, os “pobres”, mudam-se para a preferia; e os “ricos, habitam o centro e zonas típicas.

Como tudo muda! … Como o parecer se modifica consoante a época… e o interesse das minorias….

 

 

 

 

HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por Luso-brasileiro às 10:58
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PAULO R. LABEGALINI - OS CUIDADOS COM A LÍNGUA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Recebi uma mensagem comentando os cuidados que devemos ter com a comunicação verbal e, o autor, apresentava este fato:

Num posto de gasolina, um cliente encheu o tanque e se esqueceu de assinar o cheque. O frentista disse para o colega que estava entrando no turno de trabalho: ‘Amigo, o cheque daquele médico da esquina está com problema. Mostre a ele se vier ao posto’.

O segundo frentista também passou a mensagem ao próximo: ‘O Dr. Antônio deu um cheque sem fundo. Se ele aparecer, faça-o pagar o prejuízo em dinheiro’. E a má comunicação prosseguiu até esta última versão: ‘Estou sabendo que o doutorzinho é traficante! Se ele pintar aqui, chame a polícia e, lembre-se, ele é muito perigoso! Tá sendo procurado como Toninho do Pó’.

Parece um absurdo, não? Mas coisas assim acontecem a toda hora, pois a língua pode causar estragos irreparáveis. Até Jesus foi vítima dos caluniadores! E, falando de comunicação, há dois fatos nos Evangelhos que merecem ser lembrados; o primeiro, relata uma cilada que prepararam para o Mestre:

“Os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: ‘Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?’

Jesus percebeu a maldade deles e disse: ‘Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? Mostrai-me a moeda do imposto!’ Trouxeram-lhe então a moeda e Jesus disse: ‘De quem é a figura e a inscrição desta moeda?’ Eles responderam: ‘De César’. Jesus então lhes disse: ‘Dai pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’.” (Mt 22, 15-21)

Como se vê, a pergunta feita a Jesus era de extrema gravidade, pois envolvia um dilema, do qual acreditavam que Ele não poderia sair: se dissesse que não deviam pagar o imposto, acusá-lo-iam a Pôncio Pilatos; se dissesse que devia ser pago, desagradaria o povo de Israel. A questão era embaraçosa de todos os pontos de vista, mas a sabedoria Divina na resposta desconcertou os fariseus – que nem ao menos replicaram.

No segundo fato bíblico que vou citar, a pergunta capciosa foi apresentada a propósito por Jesus:

“Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Diante de Jesus, havia um hidrópico. Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da lei e aos fariseus: ‘A lei permite curar em dia de sábado ou não?’ Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. Depois lhes disse: ‘Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?’ E eles não foram capazes de responder a isso.” (Lc 14, 1-6)

Portanto, ler diariamente um trecho da Sagrada Escritura é importante, mas isto pouco adianta àquele que não vive o seu conteúdo de coração aberto. Seguir Jesus é usar de muita sabedoria na observância da Lei, procurando sempre promover a vida plena e eterna para todos. Quem tem em mente a prática do bem e caminha em comunhão com o Espírito Santo, não se torna escravo da hipocrisia religiosa.

Alguns fariseus foram exemplos de que Deus não escolhe os mais capacitados para servi-Lo, mas capacita os escolhidos. E, ainda hoje, os escolhidos são aqueles que respondem sim ao chamado e se oferecem para servir com humildade. Até quando estamos cansados e desencorajados por esforços que não deram frutos, Deus sabe o quanto tentamos e só Ele pode nos recompensar – até com a santidade! João Paulo II, disse: “O Brasil precisa de santos!”.

Optar pela santidade é estar disposto a enfrentar com fé as tribulações para receber o prêmio da salvação. Vivendo o Evangelho em nossa vida, muitos outros também são chamados a se aproximarem mais de Deus e escolherem entre os prazeres humanos – que são passageiros – ou a vida eterna.

Concluindo todo este raciocínio, você pode pensar: ‘Eu não sou tão maldoso(a) como aqueles frentistas do posto, também não sou tão preciso(a) e sábio(a) nas respostas como Jesus; então, como adequar a minha comunicação para agradar a Deus?’ Procure obter a resposta lendo esta história:

Um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para interpretar seu sonho e ouviu dele: ‘Que desgraça, senhor! Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade’. O sultão, furioso, gritou: ‘Mas que insolente! Como ousa dizer-me isso? Fora daqui!’

Mandou, então, que trouxessem outro adivinho e também lhe contou o sonho. Este, após ouvi-lo com atenção, disse-lhe: ‘Senhor, grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes’. A fisionomia do sultão iluminou-se num imenso sorriso e, imediatamente, presenteou o súdito com cem moedas de ouro.

Quando o adivinho saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado: ‘A sua interpretação foi a mesma do seu colega! Por que somente você recebeu cem moedas de ouro?’. Respondeu o visitante: ‘É que tudo depende da maneira que se fala! A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa: se a lançarmos no rosto de alguém, pode ferir, provocando dor e revolta, mas se a envolvemos em delicada embalagem e a oferecemos com ternura, certamente será aceita com facilidade’.

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.



publicado por Luso-brasileiro às 10:49
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EUCLIDES CAVACO - BREVE PASSAGEM - Soneto e voz de Euclides Cavaco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Mais um poema que nos convida a um momento de reflexão.Será um a honra ver também os vossos comentários no youtube.
Veja e ouça neste video do talentoso amigo Afonso Brandão.
 
 


https://www.youtube.com/watch?v=SMrHh4r-mgY&feature=youtu.be
 
 
 
 
 
Desejos duma magnífica semana.
 
 
 
 
 

EUCLIDES CAVACO  -   Director da Rádio Voz da Amizade , Canadá.

 

 

 

 

***

 

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DO PORTO

 

 http://www.diocese-porto.pt/

 

 

NOTICIAS DA DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP

 

 

 https://dj.org.br/

 

***

 

 

 

Leitura Recomendada:

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para Jornal A Ordem

 

 

 

 

 

Jornal católico da cidade do Porto   -    Portugal

 

Opinião   -   Religião   -   Estrangeiro   -   Liturgia   -   Area Metropolitana   -   Igreja em Noticias   -   Nacional

 

 

https://www.jornalaordem.pt/

***

 

HORÁRIOS DAS MISSAS NO BRASIL

 

 

Site com horários de Missa, confissões, telefones e informações de Igrejas Católicas em todo o Brasil. O Portal Horário de Missas é um trabalho colaborativo onde você pode informar dados de sua paróquia, completar informações sobre Igrejas, corrigir horários de Missas e confisões.



https://www.horariodemissa.com.br/#cidade_opcoes 

 

***

 
 
 
 
 
 


publicado por Luso-brasileiro às 10:42
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